Quando pensamos ser mais fortes do que somos (João 13.36-38) | Rev. Thiago Santos
16/06/2026
Quando pensamos ser mais fortes do que somos (João 13.36-38) | Rev. Thiago Santos
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
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Graça e paz a todos. Vamos abrir a palavra de Deus em João, capítulo 13, Evangelho de Jesus, segundo escreveu João. Nós vamos ler do verso 36 ao verso 38 do capítulo 13. Nós temos aprendido acerca do nosso Senhor e que nós estamos cerca de 24 horas antes da crucificação do nosso Senhor. E ele então tá instruindo os seus discípulos nesses últimos momentos acerca da vida, acerca de como eles deveriam ser conhecidos e que nós vamos ver um pouco como que Jesus conhece a nossa fraqueza. Mas apesar da nossa fraqueza, ele ainda continua nos amando. João 13, do verso 36 ao verso 38 diz assim a palavra do Senhor: "Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais?" Respondeu Jesus: "Para onde eu vou, não pode seguir agora. Mais tarde, porém, me seguirá." replicou Pedro: "Senhor, por que não posso seguir-te agora? Porque te darei a própria vida?" Respondeu-lhe Jerus, "Darás a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo que jamais cantará o galo antes que me negue três vezes. Pai, nós damos graças ao Senhor pela tua palavra e rogamos a ti, ó Pai, que discurtine os nossos ouvidos, que prepare o solo do nosso coração, que ilumine a nossa mente e que possamos entender além da mera letra. que a tua palavra possa perpassar o nosso coração e a nossa mente, possa gerar em nós vida, possa transformar o nosso coração e faça-nos reconhecer a condição que estamos e a necessidade que temos, ó Pai, de ti, de uma vida condizente, de uma dependência, de maturidade e de crescimento no Senhor. Queremos tão somente ouvir a tua voz. Então, fale ao nosso coração que ninguém saia nessa noite da maneira como chegou, mas que seja edificado, seja fortalecido, seja instruído pela tua palavra. Usa teu servo com poder e graça, e que as palavras e o meditado do coração dele seja agradável a ti, ó Senhor, rocha minha e redentor meu. Assim nós oramos em nome de Jesus. Amém. Meus irmãos, você já fez alguma promessa que você não conseguiu cumprir? Você já fez aquela promessa que você fez com toda a convicção do seu coração, mas que no momento crítico, no momento em que você deveria cumpri-la, você simplesmente não cumpriu? Talvez possa ter sido uma promessa feita a si mesmo, em que você disse que nunca mais iria fazer aquilo. Ou talvez uma promessa que você tenha feito alguém que você ama, em que você disse que poderia contar com ele ou com ela sempre que precisar. Ou até mesmo diante de Deus que você olhou paraa sua própria vida e disse: "Senhor, eu vou mudar. Eu preciso mudar, Senhor. Eu não quero mais continuar assim. Mas ao longo da caminhada, ao longo da vida, você tenha percebido que não foi capaz de cumprir, não foi capaz de realmente fazer aquilo que havia prometido. E a sua vontade que você pensou que era tão forte assim quanto você pensava que era, você não deu conta de realizar. Absolutamente, meus irmãos, alguma coisa que nós reconhecemos aqui em Pedro. Ele é um homem que tem convicção absoluta, que promete e que promete com toda a força da sua alma. É aquele tipo de pessoa que você queria ter do seu lado no momento de crise, no momento de perigo. Mas há um perigo grande aqui, o perigo de confundir a confiança a si mesmo com a confiança em Deus. É o perigo de pensar que a nossa força é suficiente e que nós somos capazes de cumprir. Na realidade, todos nós somos aqui como Pedro também. Todos nós já depositamos a nossa confiança em algo que muitas vezes nós prometemos e que nós não fomos capazes de cumprir. E nessa noite nós veremos através de Pedro o que que acontece quando nós pensamos ser mais fortes do que realmente somos. Veremos que a verdadeira segurança não está na nossa fidelidade para com Deus, mas na fidelidade do Senhor para conosco. Nós estamos aqui no cenáculo, um clima de despedida, um clima de tensão. É quinta-feira à noite, Cristo celebrou a Páscoa com seus discípulos. Ele relembrou a libertação do Egito. Aquela festa que celebrava a redenção, agora apontava para o cordeiro. O cordeiro que seria sacrificado para promover a redenção final. Jesus acabou de fazer algo extraordinário, algo fabuloso. Ele lavou os pés dos seus discípulos, incluindo os pés de Judas. Era um trabalho de escravo, era um trabalho de grande humilhação. Mas o Senhor Jesus fez isso com propósito. Ele tava ensinando que a verdadeira grandeza no reino não se mede por status, mas se mede por serviço e que a verdadeira autoridade está em servir e não ser servido. Ele então indica o traidor e Judas sai para cumprir o propósito que Deus havia pré-determinado. E Jesus então agora começa a falar de glória, mas de uma glória que passa pela cruz, pela glória que passa pelo sofrimento. Tamanha demonstração de amor, de cuidado, de afeto, de entrega pelos seus discípulos. E ele fala então de um novo mandamento. Ele diz: "Agora vocês devem amar assim como eu vos amei, assim como Cristo nos amou". E essa tem que ser a marca indelével que vai distinguir nós dos outros, dos verdadeiros discípulos, dos falsos discípulos. E é nesse ambiente de glória, da cruz, de amor, de cuidado, que Pedro vai então interromper o ensino de Jesus. Ele agora quer saber para onde Jesus vai e por que ele não pode seguir. Pedro tá cheio de autoconfiança, de autoentrega, de promessas que ele vai fazer e que ele não é capaz de cumprir. Ele pensa que pode fazer qualquer coisa por Jesus, mas Jesus sabe muito bem que horas depois Pedro vai negar. Nós veremos, portanto, em resumo, que Jesus conhece as nossas fraquezas melhor do que nós mesmos. E a nossa segurança está na graça de Deus e não nas nossas forças. Nós vamos ver isso em três lições que Pedro precisava aprender. Pedro precisava aprender, em primeiro lugar, aceitar as suas limitações. Ele precisava aceitar o ensino do Senhor acerca das limitações do próprio Pedro. Olha o que que diz o verso de número 36. Perguntou-lhe Simão Pedro: "Senhor, para onde vais?" Respondeu Jesus: "Para onde eu vou, não pode ir agora, mas tarde, porém, me seguirá." Jesus acabou de falar com seus discípulos no verso 33 de que eles não poderia ir aonde Jesus vai. Os discípulos não poderiam caminhar, mas Pedro vai ignorar tudo aquilo que o Senhor disse acerca do caminho, acerca do mandamento novo, acerca do seu amor e vai interromper com essa declaração, dizendo: "Senhor, então para onde o Senhor vai?" Ele já havia dito isso no capítulo 12 aos gregos e aos judeus. Ele já havia dito isso aos seus discípulos no capítulo 13 verso 33 e 34. E agora Pedro vai argui-lo novamente acerca disso. O que fica na cabeça de Pedro é: "Aonde o Senhor vai que eu não posso ir?" É isso que está no coração dele. Ou seja, o desejo ardente de Pedro é estar aonde o seu mestre estiver. Esse é o desejo desse homem. E ele não pode, ele não quer renunciar em momento algum à presença do Senhor ao seu lado. E como que isso afeta o seu coração? A ausência do Salvador afeta Pedro de tamanha grandeza que ele quer estar aonde Cristo estaria. E quando nós vamos observar esse texto e compará-los com as narrativas em outro evangelho, nós vamos notar a insistência de Pedro em estar na companhia de Jesus. É um desejo que pulsa o seu coração. É algo que arde na sua alma a ponto dele esquecer as instruções do Senhor e voltar-se para Cristo focado tão somente na ausência do Salvador, focado tão somente na presença de Jesus no seu meio, ao seu lado. Será que nós, meus irmãos, nessa noite temos esse mesmo interesse pela presença de Jesus nas nossas vidas? Será que nós, eu e você, durante toda a nossa semana, vivendo a nossa rotina do dia a dia, será que nós temos tamanho interesse pela presença do Senhor nas nossas rotinas? e chegarmos aqui no dia do Senhor e nos encontrar com ele, em nos ouvir a ele, em escutar a ele, como Pedro aqui tem, nós precisamos ser caracterizados por esse desejo ardente que Pedro tem de estar na presença do Senhor. Jesus havia falado claramente acerca da sua partida, mas Pedro não entende. Pedro tá dizendo, Senhor, como após a sua partida nós não podemos te seguir? Jesus já havia dito para eles: "Olha, eu vou partir, mas vocês devem ser caracterizados pelo amor." E qual amor? Aquele amor que eu os amei. O amor que lavou os pés, inclusive do traidor. O amor daquele que inclusive vai ser esbofeteado, daquele que vai ser crucificado. Esse é o amor que vocês têm que demonstrar. Mas Pedro nega absolutamente tudo isso. Ele não para para perguntar: "Senhor, já que então eu não posso te seguir, já que então eu não posso ir aonde o Senhor vai, me capacite para amar esse povo. Me capacite amar aqueles que vão me perseguir. Me capacite amar aqueles como o Senhor amou. Me ensina a amar dessa forma." Mas não é isso que Pedro vê. Pedro tá vendo não somente para aquilo que vai acontecer. O seu coração está ardente pelo Senhor, mas ao mesmo tempo que arde por um desejo na presença de Deus, algo pecaminoso no seu coração. E perceba, meus queridos, que o Senhor não responde a Pedro da maneira como ele queria, mas da maneira como Pedro precisava. Olha o que que o texto diz. Para onde eu vou, vós não podeis me seguir agora, mas tarde, porém, me seguirá. Jesus tá dizendo, você não pode agora. Ele não disse em momento algum que Pedro nunca vai segui-lo, mas que naquele momento, naquela circunstância, ele não poderia. E por que que ele não poderia? Porque havia um propósito bem estabelecido, um foco bem definido para Cristo. O que Jesus faria, Pedro não poderia fazer. Mas o que nós temos aqui é uma promessa de futuro, mas ao mesmo tempo uma limitação presente, dizendo: "Olha, tu não podes agora". Não é que Jesus está rejeitando Pedro. Na verdade, Jesus está revelando uma verdade que Pedro ainda não compreende. Há um caminho, Pedro, que eu vou e que você não pode trilhar. Jesus vai passar pela morte, Jesus vai passar pela cruz, vai ao sacrifício supremo e somente Jesus pode percorrer. Pedro, você não pode me acompanhar? Não agora, não com essa natureza, não com a sua força de vontade agora não, Pedro. Mas depois sim. Olha como que esse redentor mostra para Pedro a obra exclusiva. A obra redentora não é questão de vontade, é questão de capacidade. Pedro não podia fazer nada acerca da sua própria vida. Além disso, o que nós vemos aqui é que Pedro não estava preparado espiritualmente. Pedro não estava pronto. Jesus tá olhando para Pedro e conhecendo as limitações desse discípulo. Jesus conhece esse homem tão intrépito, tão valente, tão audacioso, tão destremido e sabe muito bem que quando a corda vai apertar, quando a circunstância começar, a pressão surgir, Pedro vai negá-lo. Meus irmãos, que Salvador maravilhoso, um Salvador que conhece muito bem a nossa estrutura, um salvador que conhece os nossos limites, de que nós não somos provados além das nossas forças. O Senhor conhece quem nós somos e até mesmo aquilo que nós não conseguimos fazer. Que misericórdia, que longaminidade, que paciência do nosso Senhor sobre as nossas vidas. Ele conhece a vida de Pedro e prepara Pedro para seguir lá no futuro, se necessário, até a morte. Jesus usa o depois nesse sentido, dizendo: "Olha, Pedro, agora não, mas depois, lá no futuro, você vai me seguir e vai me seguir até a morte como mártir". A gente vê isso em João capítulo 21, quando depois de arguir Pedro acerca do seu amor, o Senhor diz para Pedro: "Pedro, agora você vai ser entregue e os outros vão te levar." E o texto, inclusive, de João vai dizer: "Se referindo ao gênero de morte que Pedro morreria". E a tradição cristã mostra que Pedro morreu igual seu mestre, mas não satisfeito com tal altitude, ele preferiu ser crucificado de cabeça para baixo. Mas primeiro Pedro precisava ver o seu Senhor morrendo. Pedro precisava compreender que não tinha força, que não era capaz, mas Jesus promete restaurar o próprio Pedro. É claro, é claro, meus queridos, que quando você olha pro texto, há um detalhe muito interessante. Pedro sabe o que ele tá falando aqui. Isso é provado. Nós vamos ver no versículo posterior, onde que Pedro, inclusive sabe que Jesus vai morrer. Ele tá a ponto de dar sua própria vida, inclusive pelo Senhor. Ele sabe que Jesus tá falando da sua morte, da sua crucificação, mas parece que Pedro não consegue discernir o ensino de Jesus. E nós precisamos lembrar daqui no contexto, lembrar-se que a expectativa messiânica no meio judaico estava muito associada à ideia de um Messias que veio libertar o povo no meio de um julgo dos povos estrangeiros. Então, era difícil para Pedro enxergar o Messias que tinha que morrer, o Messias que deveria ser entregue. Aqui nós vemos então tamanha dureza do coração de Pedro em acatar os ensinos do Senhor. Ele queria agora, ele queria naquele momento pela sua força de vontade, mas Jesus vai apontar para o depois como ação da sua graça, do seu amor e do seu cuidado. Até o nosso seguir, meus queridos, muitas vezes é dom de Deus, porque nós não somos capazes de um esforço heróico. O que Jesus está ensinando para nós é: você tem limites. Há coisas, meus irmãos, que nós não podemos fazer. Há caminhos que nós não podemos trilhar. Há atitudes, meus queridos, que nós não podemos fazer. Isso não é derrota, isso é realidade. É demonstração clara de quem nós somos diante de um Deus tão grande. E você, você tem acatado os ensinos de Jesus ou será que você tem sido como Pedro, que você sabe que tem que perdoar, mas não perdoa, que você sabe que precisa mortificar o seu pecado, mas continua pecando, continua guardando mágoa, persistindo numa vida de devastidão e de lacívia, usando inclusive a sua máscara de crente todo domingo. E Jesus te diz: "Abrace o ensino do Senhor." Jesus tá ensinando para nós humildade, meus queridos, ensinando que o discípulo jamais é maior do que o seu mestre. Pedro precisava aprender isso. Nós precisamos aprender isso. Há coisas que nós não podemos fazer. Há caminhos que nós não podemos trilhar sozinho. Isso não é fraqueza, isso é realidade. É demonstração da nossa condição humana. E quando Pedro aceitar essas suas limitações, quando ele reconhecer que seguir a Jesus não é a sua força, mas é ação da graça, ele está preste a entender o que de fato é evangelho. Quando a gente aceita as nossas limitações, nós estamos prontos a receber a graça do Senhor. Quando a gente reconhece quem nós somos, diante quem nós estamos, nós sabemos que carecemos do Senhor. E aqui Pedro vai nos mostrar para nós que o Senhor conhece muito bem as nossas limitações. Mas o mais belo de tudo isso é que o Senhor não nos deixa na nossa limitação. Ele nos faz vencê-la para que nós sigamos a ele. Ele é capaz de nos capacitar até as últimas consequências até sermos cada vez mais parecido com o Senhor. Então, aceitar as limitações é o primeiro passo para que experimentemos o poder de Deus. Pedro precisava aprender a aceitar as suas limitações e abraçar o ensino do Senhor. Mas há uma segunda lição que Pedro precisava aprender, a necessidade de reconhecer as suas fraquezas. Ou seja, depois de escutar que ele não pode seguir a Jesus, Pedro continua insistendo, insistindo na sua autuficiência, na sua arrogância. Ele não pede ajuda. Ao invés de Pedro dizer: "Senhor, já que eu não posso te seguir agora, como o Senhor acabou de dizer, então é verdade. Sustenta minha fé, me fortaleça, me capacite." Não, não é dessa forma. Ele vai responder com uma presunção. Mais ainda. Olha o que que o verso 37 diz. Replicou-lhe Pedro: "Senhor, por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a própria vida". Pedro continua não aceitando o ensino do Senhor. E agora Pedro vai questionar o plano redentor. Ele protesta contra o próprio veredito do Senhor. E quantas vezes, meus queridos, nós também protestamos contra aquilo que Deus nos revela na sua palavra. Quantas vezes nós protestamos contra aquilo que nós sabemos que devemos fazer e nós não fazemos, porque aquilo que nós devemos praticar e nós não praticamos. Quantas vezes nós reclamamos com Deus parecendo que aquilo que ele nos dá não tem sido tão assertivo quanto assim nós queríamos? Ah, meus irmãos, nós precisamos ser submissos ao Senhor, porque ele sabe mais sobre você mesmo do que você imagina. Mas, porém, veja por trás o que que está diante do protesto de Pedro. A questão de Pedro, por que não agora? Ou seja, isso não fazia sentido, não era entendido na sua mente. Ele tá superestimando a sua vontade, superestimando o seu coração. Pedro acredita que o seu amor, a sua entrega é o combustível suficiente para ele continuar obedecendo ao Senhor. Ele achava que a sua determinação era como se fosse uma rocha bem sustentável, bem firme, quando na realidade parecia mais como um monte de areia. Porque a visão de Pedro até aqui estava distorcida, meus irmãos, a sua compreensão era que o Messias viria, mas o Messias que era capaz de guerrear contra os romanos, que era capaz de libertá-lo do poder estrangeiro. Tanto isso é fato, que ele está disposto, inclusive a entrar no campo de batalha e morrer pelo próprio Senhor. Mas por detrás disso, irmãos, ao invés de se submeter ao mestre, ao invés de se render ao mestre, Pedro diz que acha que está pronto para aquilo que ele sabe muito bem que não está. Pedro tem uma visão elevada de si mesmo, como muitas vezes nós também temos. Pedro não questiona a sua fraqueza. Não há nenhum autoexame do seu coração. Ele não consegue enxergar as profundezas do seu coração. Ele não faz uma autoanálise. Ele apenas tem o desejo de morrer pelo Senhor. Nós estamos aqui, meus queridos, diante de um dos principais efeitos do legalismo. O legalismo acha e faz com que você se ache muito bom no que você faz. Ele mostra para nós que as nossas obras, que aquilo que nós podemos fazer, o fato de estarmos no domingo na igreja, o fato de estarmos celebrando ao Senhor, o fato de nós praticarmos boas obras, o fato de nós fazermos isso e aquilo outro é suficiente para nossa salvação. E como que o legalismo, meus queridos, é terrível. Como que o legalismo faz que a gente eh não perceba esse autocuidado, essa autoavaliação do nosso coração faz com que a gente subestime, inclusive o velo o velho homem que vive dentro de nós, que a gente subestime as nossas próprias debilidades. A autoconfiança faz isso, meus queridos, faz com que eu e você sejamos ratos em condenar os outros. faz com que a gente olhe pro cisco do olho do outro, mas não é capaz de olhar a trave que está dentro de nós. E é o que Pedro tá fazendo. Senhor, por ti darei a própria vida. E é interessante, a palavra original ouvida aqui é a mesma expressão usada por Jesus em João 10 verso 10, que diz que o bom pastor dá vida pelas suas ovelhas. Há uma profunda ironia que no texto Pedro promete dar a vida pelo seu Senhor, mas em poucas horas Pedro vai negá-lo. Isso não vai durar muito tempo. Ele negará até mesmo a sua relação. Pedro fala com uma certeza inabalável, como uma verdade absoluta, como algo que ele é capaz de fazer. Mas quando a corda apertar, quando as pessoas vierem, Pedro vai negar com profundidade que não conhece o seu salvador. O que Pedro faz aqui nada mais é do que aquilo que a gente vê no nosso contexto moderno. Ele inverte o evangelho. O evangelho para Pedro é dar a vida por Jesus e não Jesus dá a vida por Pedro. O evangelho não é algo que eu e você façamos para ele, meu irmão. O evangelho é aquilo que Cristo fez por nós. O evangelho é a graça do Senhor. Não é as suas obras, não é o que você é capaz de fazer. O evangelho é o que o Senhor Jesus fez. Mas olha como que esse texto, à luz dos outros textos correlacionados, nos traz algo tão precioso. Lá em Mateus, nós vemos esse mesmo texto, mas com mais detalhes. Lá no capítulo 26 verso 33 diz assim: "Ainda que venha ser tropeço para todos, nunca o será para mim". Pedro responde ao Senhor dizendo: "Para mim, o Senhor nunca será tropeço. Eu nunca vou negá-lo." Pedro tá se colocando inclusive acima dos outros. Tamanha arrogância, tamanha prepotência que ele diz: "Olha, a minha fé é mais forte". Pedro tá tão seguro de si que Lucas, no capítulo 22, verso 33 vai dizer: "Senhor, eu estou pronta a ir contigo, tanto paraa prisão quanto para morte". É uma promessa solene, é uma declaração de lealdade. É afirmação de que Pedro está pronto, Senhor, seja para ser preso, ou seja, para morrer, se for o necessário. E ele faz isso com vemência, ele faz isso com insistência. A autoconfiança de Pedro é o problema aqui, meus queridos. Ele tá tão confiante em si, em sua própria capacidade, que ele não é capaz de enxergar como que o pecado corrompe a nossa natureza. Nós não podemos fazer nada por nós mesmos. Nós somos o que somos pela graça de Deus, pela misericórdia do Senhor. Mas Pedro promete dar a vida pelo Senhor, mas em poucas horas ele vai o negar. Não porque Pedro é um homem mau, mas porque Pedro é humano, meus queridos. Porque a sua natureza está corrompida e distorcida pelo pecado. Porque a sua força é limitada. Por outro lado, a fé cristã jamais e nunca será confiança em nós mesmos. É confiança em Deus. é reconhecer que de fato somos fracos, débeis, carentes, necessitados, reconhecidos da graça e da misericórdia do Senhor. Porque quando nós confiamos na nossa própria força, nós já estamos um passo da queda, meus queridos. Quando nós não reconhecemos as nossas limitações, as nossas fraquezas, quando nós confiamos na força do nosso braço, quando nós fazemos promessas que nós não podemos cumprir, fazemos afirmações que nós não conseguimos manter, nós somos humilhados por nós mesmos. E os benefícios, meus queridos, são enormes quando a gente abandona o orgulho e a presunção espiritual, quando nós admitimos as nossas fraquezas, porque isso não é fraqueza humana, meus queridos. Isso é a realidade de quem nós somos. Isso é demonstração realmente de que nós carecemos do Senhor. Quando nós reconhecemos as nossas fraquezas, nós vamos até o Senhor pedindo socorro. E Pedro em momento algum faz isso. Em momento algum ele busca socorro no Senhor. Meus queridos, nós precisamos direcionar as nossas orações muitas vezes acerca das nossas fraquezas, acerca de quem de fato nós somos. Ao olhar para nós, paraas nossas atitudes, paraa nossa nosso pensamento, pro nosso comportamento, nós precisamos voltar as nossas orações e dizer: "Senhor, miserável homem que sou, quem vai me livrar do corpo dessa morte? Senhor, eu careço de ti, de ti careço, da tua misericórdia, da tua graça, porque sem ti nós não somos capazes. É quando nós reconhecemos a nossa fraqueza que nós vemos um Deus misericordioso, gracioso, meus queridos. Mas o que é mais inadmissível, meus queridos, é termos um coração insubmisso que não reconhece as suas debilidades. Porque um coração insubmisso que não reconhece as suas fraquezas está pronto e prestes a negar o seu salvador. Foi o que aconteceu com Pedro e é o que pode acontecer com você. Por isso, sonde o seu coração, busque nele as fraquezas que faz você negar o seu salvador. Áreas que precisam ser tratadas pelo espírito, áreas que ele precisa ser moldado. Pedro não compreende que a sua fraqueza vai ser sua condenação. Mas, meus queridos, a fraqueza de Pedro vai ser o ponto da sua restauração. A sua fraqueza é o lugar onde Deus vai trabalhar e vai transformar sua vida. Então Pedro precisava primeiro aceitar as suas limitações, abraçar o ensino do Senhor. Pedro precisava reconhecer as suas fraquezas, mas Pedro precisava também aprender a se fortalecer contra as tentações. Se ele precisava aceitar o ensino do Senhor e abraçar o ensino do Senhor acerca das suas limitações, reconhecer sua fraqueza, ele precisava se fortalecer contra as tentações. Porque um coração que não se fortalece é um coração capaz de negar o Salvador. Veja o que o texto vai dizer no verso 32. Respondeu Jesus: "Darás a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo que jamais cantará o galo antes que me negue três vezes. Jesus não responde aquilo que Pedro promete com elogio, mas observe a forma irônica do Senhor, de como que o Senhor responde à presunção de Pedro dizendo: "Vai dar a vida por mim". É isso que você acha? Pedro não tá aqui focado no que Jesus vai fazer, mas naquilo que ele pode fazer pelo redentor. E Jesus então vai responder com uma resposta devastadora. Jamais cantará o galo antes que me negue. O Senhor sabe algo que Pedro não sabia. O Senhor não só conhece o futuro, mas coordena todas as coisas paraa sua glória. Ele conhece o interior de Pedro melhor do que Pedro mesmo. Sabe que em poucas horas Pedro vai negar, negará conhecer o Senhor Jesus. Não só uma vez, três vezes, negará tudo. Esse homem aqui que era tão intrépito, tão corajoso, tão ousado, não cantará o galo, Pedro, antes que você me negue três vezes. Isso não é ato falho de Jesus, é revelação profunda da natureza humana, revelação de que o homem não pode fazer nada por sua própria força. A fé cristã jamais, meus irmãos, é força na nossa confiança. É confiança em Cristo. É reconhecer que nós somos fracos, débeis, carentes da graça do Senhor e que nós precisamos de Cristo. E é importante nós percebermos, Jesus trata com a fraqueza e o problema de Pedro, com a verdade nua e crua, meus queridos. tão diferente da maneira como nós resolvemos muitas vezes os nossos problemas com as outras pessoas. Às vezes a gente gosta de colocar panos quentes, né, essa essa expressão e em problemas para que eles desapareçam e nós não tenhamos que enfrentá-los com seriedade, sem ter que desnudar com a verdade, sem ter que pôr o dedo na ferida. E Jesus mostra o quanto nós estamos longe do exemplo dele, de como nós estamos longe de resolver os conflitos e a dificuldades com nós passamos com a verdade. Se nós entendemos que o nosso Senhor Jesus é o exemplo para nossa vida, nós precisamos usar palavras verdadeiras, por mais dolorosas, por mais difíceis que seja, mas palavras que resolvem o problema e que ajudam os outros irmãos. Não são meias verdades, não são elas que vão ajudar os outros, nem mesmo a falsidade vai ajudá-la a sair desse problema. Jesus aqui questiona Pedro, mas questiona Pedro com a própria verdade, como as coisas de fato são. Ele faz dentro de uma questão muito solene. Ele diz: "Em verdade, em verdade te digo". E olha a intensidade da palavra. Observe os detalhes do texto. Ele diz jáamais. Não é uma mera possibilidade, não é uma hipótese, é algo preciso. Pedro, não tem como escapar. Você vai me negar. E Mateus, inclusive, vai dizer: "Naquela noite você vai me negar". O galo que cantaria seria apenas um despertador da dura realidade da alma. de Pedro, o símbolo claro da sua fraqueza, da sua da sua pequenez, da graça do Senhor em alcançar o seu coração. Pedro, inclusive depois vai sair dali depois de negar chorando amargamente. Os olhos do Senhor vão fitar em Pedro e Pedro vai sair dali reconhecendo e sentindo o peso, o peso das promessas, o peso das afirmações que ele disse e que ele não foi capaz. de cumprir. Pedro vai sentir esse peso, meus queridos, para aquele que realmente precisou agora reconhecer a graça e não na força do seu ego. E a resposta de Jesus enche o nosso coração de esperança. Quanta esperança o Senhor nos dá, meus queridos, sabendo das nossas fraquezas. Ele conhece as suas fraquezas. Ele conhece os seus momentos de provação. Isso também não é um incentivo para você continuar no pecado, mas ao pecar você precisa lembrar que você tem um advogado junto ao Pai e esse advogado é Cristo Jesus. Você precisa lembrar que como Pedro você também erra. Mas Pedro vai continuar insistindo na sua temos. Você vai ver isso em Mateus verso, capítulo 26 verso 35. Ele disse: "Ainda que seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei." E todos os discípulos disseram o mesmo. Pedro não pede por socorro. A presunção de Pedro torna ele incapaz de se fortalecer nas suas tentações. Ele está diante daquele que conhece a sua vida, a sua trajetória, mas ele não é capaz de enxergar. Mas interessante tudo isso, meus queridos, é que Jesus jamais abandona os seus filhos quando eles falham. Lucas vai por detrás dessa cena, Lucas vai demonstrar para nós como que os bastidores funcionavam ali. Lá em Lucas 22 verso 31 e 32, o texto diz: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos pernear como trigo. Eu, porém, roguei por ti para que a tua fé não desfaleça em momento algum. Mesmo sabendo da falha de Pedro, da fraqueza de Pedro, de que Pedro era devagar para entender a carência, o cuidado do Senhor, o Senhor deixou de interceder por ele. Deus é quem vai permitir a queda, mas a fé de Pedro vai ser preservada pela própria intercessão do Senhor. Pedro cairia, mas não seria destruído, porque Jesus já havia garantido a sua restauração. O Senhor intercederia por ele. Pedro seria responsável pela sua negação. Era o que ele faria. Mas Deusia até essa negação com um propósito específico, transformar a vida de Pedro, humilhá-lo, fazê-lo reconhecer tamanha necessidade do Senhor. Olha o quanto nós precisamos, meus queridos, desse Salvador. A negação aqui de Pedro revela, meus queridos, que o verdadeiro discípulo não é aquele que nunca falha, mas é aquele que mesmo que falha, Jesus é capaz de restaurá-lo. Jesus é capaz de transformá-lo. Isso é evangelho. Isso aqui que é a boa notícia. A boa notícia não é uma demonstração de condenação, é uma demonstração de redenção, de salvação, que mesmo quando nós falhamos, Deus nos restaura. Nós precisamos buscar por fortalecimento, meus queridos. Você também enfrenta tentações, você também enfrenta dificuldades, você também enfrenta lutas. Mas como Pedro, você pode recorrer ao Senhor. Como Pedro, você pode voltar-se para Jesus. Isso aqui é tão interessante e tão belo e lindo que esse mesmo Pedro que nega o Senhor é depois questionado pelo próprio Senhor acerca dos seus afetos. Em João capítulo 21 nós vemos Jesus após a ressurreição. Os discípulos não conseguiram pegar nada. Eles voltam para a praia, eles vê o Senhor, mas eles não sabem que é o Senhor. O Senhor manda eles lançarem a rede. Eles voltam. O João inclusive vai dizer: "Olha, era o Senhor." Pedro sai correndo pro encontro com o Senhor e ali ele come primeiro. Jesus espera o momento exato para depois questionar: "Pedro, Simão, você continua me amando mais do que os outros?" Senhor, tu sabes, Senhor, te amo. Apacenta as minhas ovelhas. E você vê a mesma pergunta sendo repetida por três vezes. Só que Pedro se entristece com aquilo na última pergunta, porque ele reconhece a sua limitação, ele reconhece a sua fraqueza, ele sabe que não foi capaz de sustentar sua promessa, de que ele não foi capaz de sustentar suas afirmações. E ele diz: "O Senhor sabe. O Senhor sabe que eu amo, Senhor. Apesar de ser quem eu sou, apesar das minhas condutas, apesar das minhas escolhas, o Senhor sabe muito bem que eu amo o Senhor. Como que você não buscaria refúgio num Salvador como esse, que mesmo sabendo que você é miserável, continua te amando? Como você não buscaria refúgio no Senhor? que mesmo sabendo das nossas debilidades, mesmo sabendo das nossas fraquezas, está disposto a estender suas mãos poderosas e a interceder por nós diante do Pai, para que os nossos pecados sejam pagos por ele, para que a graça do Senhor nos alcance. Por fim, meus queridos, nós estamos aqui diante de um contraste gritante. De um lado, nós temos a fragilidade de um homem que julga ser forte e do outro nós temos a força de um Deus que se faz fraco na cruz para nos sustentar. Pedro promete morrer pelo Senhor, mas falha miseravelmente. Jesus não prometeu. Ele foi e morreu por Pedro, por você, por mim e por nós. Nada é mais perigoso, meus queridos, de que um coração que se acha tão grande e não é capaz de aceitar as suas limitações, reconhecer as suas fraquezas e se fortalecer contra as tentações. Nós precisamos abraçar as nossas debilidades e refugiar-se no Senhor, aprender mais de Cristo, a se humilhar aos seus pés, a reconhecer as nossas carências, a se fortalecer no Senhor sobre a pena de que se não fizermos isso, talvez mais cedo ou mais tarde nós iremos também negá-lo. A queda de Pedro, meus queridos, não é um fim em si mesmo, mas é um início de uma vida totalmente transformada. Pedro precisava ser peneirado. A sua fé precisava ser lapidada. Esse é aquele mesmo Pedro que lá na sua primeira carta vai dizer: "Olha, Satanás é como um leão que rug e ele tá sempre preparado para pegar você, a mim, a nós." É o mesmo. Cristo continua sendo a única resposta, meus queridos, que nunca falha, que nunca nega e que cuja intercessão é eficaz. A nossa segurança jamais está na nossa fidelidade para com Deus. mas na fidelidade do Senhor para conosco. Algumas aplicações para nós. Primeiro, cultive a humildade espiritual. Jamais diga que você não faz isso. Palavra de Deus vai nos dizer: "Aquele que, pois, que pensa que está de pé, tome cuidado para que não caia." A nossa condição é propícia a pecarmos e a errarmos. Se não for a graça do Senhor em nos retirar, nós podemos errar. Desconfie, meu querido, da sua própria força e dependa diariamente do Senhor através de uma vida de oração e de leitura da palavra. Segundo, descanse na intercessão de Cristo. Quando você falhar e você vai falhar, lembre-se de que Jesus já intercedeu por você. A sua restauração não depende de você levantar sozinho, mas da graça daquele que o chama pelo nome, mesmo você tendo negá-lo apóstolo segundos. e fará isso com misericórdia e graça. Compreenda a sua incapacidade e abrace o ensino do Senhor. Volte-se para ele. Terceiro, troque a sua autoconfiança pelo amor dependente. O mandamento de Jesus é que nós amemos uns aos outros. Pedro se achou grande demais e fez promessas que se achava heróico. Mas Jesus mostra que o verdadeiro amor é servir. O verdadeiro amor é reconhecer que nós somos amados por aquele que já nos amou primeiro. Isso muda tudo, transforma tudo. Muda como que você enfrenta dificuldade. Porque apesar de ser quem você é, apesar de se achar tão forte como você pensa que é, Cristo continua te amando e te chamando cada vez mais para perto dele, porque somente ele é que pode sustentá-lo. Vamos orar. [música] เ