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A fé vem pelo ouvir

🔴AULIVE: FINALIZANDO O DEBATE SÉRIO EM ABERTO (JULIANO SPYER, VLADIMIR SAFATLE E CALVO BÔNUS)

🔴AULIVE: FINALIZANDO O DEBATE SÉRIO EM ABERTO (JULIANO SPYER, VLADIMIR SAFATLE E CALVO BÔNUS)

🔴AULIVE: FINALIZANDO O DEBATE SÉRIO EM ABERTO (JULIANO SPYER, VLADIMIR SAFATLE E CALVO BÔNUS)

Pix: [email protected]

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Legendas automáticas:

เฮ [música]
[música]
Fala minha gente, tudo bem com vocês?
Bom dia, boa manhã de sábado [música]
às 13:50.
Como é que vocês estão? Tudo bem?
Espera, desejo que sim. Bem-vindos a
mais esta manhã de sal.
Salve, querido. Fazer watch. Fazer o
quê? Que ia ser fazer watch. Bem-vindo
aí para mais um papo, na verdade, nosso,
talvez
segundo papo na história nesse
canalzinho, que é num sábado pela manhã.
Normalmente é nas quartas-feiras de
madrugada, às
8 e pouco da madrugada. Então, sejam
bem-vindos.
Começemos um papo diferenciado. Afinal,
eu estou devendo, estou devendo o
conteúdo porque eu comecei uma live na
quarta-feira prometendo que eu ia
debater com cinco pessoas calvas, mas
debati com apenas três. E aí fiquei na
dívida.
Precisava cumprir em algum momento.
Nessa semana, por motivos de trabalho,
não poderei fazer a live. Então falei:
"Pô, vou fazer no sábado". Mas eu falei:
"Não vai dar". Por quê? Porque no sábado
eu teria que competir com a família,
organização da casa, aquela coisa toda.
Então decidimos de outra maneira.
Minha filha está na casa da minha sogra,
foi visitar a avó, minha companheira
saiu para dar um rolê com as amigas. Eu
falei: "Olha a oportunidade pintando aí.
Bora papear." Tudo bem? Som tá bom? Como
é que estão as coisas por aí?
Sejam muito bem-vindos ao nosso
canalzinho. Normalmente fazemos os as
lives às quartas-feiras, mas faremos no
sábado, como eu acabei de comentar. E
dito isso, também gostaria de avisar que
o outro motivo de fazermos essa live
neste horário, neste momento, neste dia
completamente inesperado e surpresa de
maneira especial, é porque faltam $ pro
YouTube me pagar e eu preciso que eles
sejam atingidos antes do dia 30. Então,
cá estamos. Bom dia, minha gente
querida. Tudo bem com vocês? Se você não
conhece o nosso canalzinho, seja muito
bem-vindo, muito bem-vinda, muito
bem-vinda.
Desfrute aqui de uma tentativa de
conteúdo relativamente qualificado,
academicamente acurado, mas com um grau
de entretenimento. Essa aqui é a nossa
primeira igreja barista do YouTube e que
nós temos um canal especial para você.
Se você se torna membro, membra, membre
membresia do nosso canalzinho, você pode
fazer parte do nosso grupo do WhatsApp
exclusivo para você e para todas as
outras pessoas que também fazem parte aí
da membreinha. Então, quer dizer, não é
só para você, assim propriamente dito,
mas não se sinta aí tão exclusivo, nem
tão excluído. Sinta-se parte desse
grupinho, porque nós somos um canal
pequeno, mais fiel e resistente e que
com relativa frequência somos lembrados
por canais maiores de que somos
irrelevantes. Então, ajuda a gente aí,
quem sustenta esse canalzinho é o
pequeno grupo de apoiadores de membresia
que fazem com que ele continue
funcionando e você pode dar uma força.
Outro jeito de você dar uma força, já
que caso não possa se tornar membro,
membra, membro, membresia de nossa
primeira igreja barista aqui do YouTube,
você pode também curtir esse vídeo,
comentar para engajar, espalhar a
palavra por aí, né? Chamar amigos e
amigas aí para dar uma assistida, uma
curtida, essa coisa toda. E também é
importante sempre considerar que eu
esqueço de me apresentar. Meu nome é
Bruno Riquidal, doutor em economia
política mundial, mestre em filosofia,
graduado em filosofia, formado em
teologia, que tento trabalhar aí de
maneira maneira relativamente
interessante com promoção de conteúdo
qualificado aqui no YouTube, tá bom?
Então vocês, por favor, auxiliem nossa
jornada porque ela tenta misturar
entretenimento e academia e hoje,
inclusive isso será um tema aqui do
nosso papo, tá bom? Um dos temas
especialmente com o calvo bônus, né?
Porque seram dois calvos que eu tava
devendo e o calvo bônus.
Bom dia, querida Jéssica. Como é que
você tá? Tudo bem? Boa tarde. Espero
desejo que sim. Espero desejo que você
esteja bem. Diz: "Querida Jéssica, hoje
é dia de criticar loirinha do JM". JM?
Quem seria JM? General Motors com J,
talvez. Não sei. Vai, teremos, teremos,
teremos. Será o dia de criticar da
crítica. Da crítica. Crítica,
criticante, criticosa.
Bom dia, querido Ed. Esquerdos autorais,
que tem um dos nomes mais interessantes
que eu já vi. Esquerdas autorais é
excelente, excelente nickname. Seja
muito bem-vindo, querido Ed. Como é que
você tá? Tudo bem? Espero desejo que
sim. Sigam Ed, trabalhem com Ed,
acompanhem Ed, critiquem ED, recebam
críticas de Ed e assim nós seguiremos
durante a vida, o que é bom. Que bom.
Pergunta querida Jéssica. Quem é o calvo
bônus? Hum.
Essa é uma boa pergunta. Quem é o calvo
bônus?
Ah, descobriremos
quem é o nosso querido calvo bônus,
mas vai valer a pena. É ele que vai
possibilitar um papo aí sobre
universidade e debate público de maneira
relativamente interessante e bem
humorada.
Tá bom? Vamos lá. Vamos ajeitando. Não
esqueça de chamar os coleguinhas para
colar aqui com a gente e a gente vai
papear. Deixa eu separar que na verdade
temos alguns calvos, né? Na semana
passada nós finalizamos
três calvos, faltaram outros dois.
Começamos pelos três calvos mais
conhecidos que gerou algum tipo de
entretenimento
e de conteúdo qualificado
ao mesmo tempo. Mas agora a gente vai
ver os dois calvos menos famosos. E o
calvo bônus ele é famoso. Talvez eu
comece pelo calvo bônus. Eu acho que vai
ser mais interessante mostrar para vocês
o nosso calvo bônus. Acho que vai valer
a pena começar pelo calvo bônus e depois
eu vou pros outros dois.
pegar o calvo bônus aqui.
Ah, mas eu preciso fazer uma
recapitulação, né, para poder falar
sobre isso, porque o pessoal vem aqui eh
conversar sobre a carequice
e aí as pessoas acham que o meu problema
é com o fato das pessoas não terem
cabelo. E não é, não é esse o problema.
Nós deixamos claro que o nosso debate é
contra a calvice branca, que é um tipo
específico de calvice
e que não é uma calvice branca qualquer
também. É uma calvice branca, como nós
terminamos nossa última live explicando,
que é uma calvice branca que tem uma
posição social específica. É uma calvice
branca tradicional, de classe média
tradicional.
Essa calvice branca que nos interessa, a
calvice branca de classe média
tradicional. Porque a calvice branca de
classe média tradicional, ela te garante
posições privilegiadas
para poder falar qualquer grosélia. Ela
te garante posições privilegiadas que te
dão ar de autoridade e acesso a um
espaço restrito neste país, que é
educação formal, especialmente de nível
superior. E essas pessoas ocupam esses
lugares, realizam essas atividades e aí
elas têm o direito de falar qualquer
bobagem. e saem falando bobagem por aí,
saem falando bobagem com á de
autoridade, porque a calvice branca
garante essa aspecto de de autoridade.
Então, nós discutimos, né, na semana
passada com eles, foi nessa semana, nós
discutimos com o Luís Felipe Pondé, né,
é um calvo branco exemplar da classe
média tradicional. Nós discutimos com o
professor Roque, testa de ferro do
imperialismo, testa que começa acima da
sobrancelha e termina na nuca, que
também é mais um exemplo claro da
calvice branca com a qual nós estamos
discutindo. E nós também fizemos aí mais
uma discussão e um react ao Pedro Dória,
que alguém pode dizer: "Ah, mas o Pedro
Dória não é calvo". Mas é o que eu tô
dizendo, a calvice branca não é
necessariamente a ausência dos folículos
capilares. É uma posição de classe que
te possibilita ter a rede, um acesso a
uma rede privilegiada para falar a
bobagem que você quiser. E você pode
falar qualquer merda e o pessoal vai
levar a sério e você ainda vai conseguir
garantir e reproduzir lugares de
autoridade. Então, quer dizer, te dá
muita vantagem, te dá muita vantagem
essa calvice branca. E aí, como a gente
comentou, essa posição da calvice branca
te dá um ar também de um alguém, um um
observador externo que vê aí os outros
grupos sociais e os movimentos como
distantes, como alguém que não faz parte
do dia a dia deles.
E assim sendo, conseguem com relativa
frequência eh falar para além de
bobagem, apresentar movimentos
populares, grupos sociais, pessoas,
sujeitos humanos. como grupos exóticos,
como coisas exóticas, como vejam isso
daqui e eles conversam entre eles. Então
eles têm como interlocutores eles
mesmos. Então a pesquisa e o trabalho
acadêmico, o trabalho de divulgador eh
de informações, o trabalho no debate
público dos calvos brancos, desse dessa
calvice branca que nós estamos falando,
ela trata os demais
eh como objetos externos, como exótico,
e aí eles conversam entre eles e um
apresenta pro outro. Então, hoje nós
vamos falar, por exemplo, de Juliano
Spire. Que que é o Juliano Spire? Ele é
honesto nesse ponto.
Se apresenta como, ele é um antropólogo,
se apresenta como um pesquisador dos
evangélicos e diz:
"Eu sou um branco de classe média que
vejo os evangélicos como esse objeto
externo e os descrevo e apresento pro
debate público." Mas quem é o debate
público para quem ele tá apresentando?
São os evangélicos? são os não são os
próprios pares da calvice branca. E aí
os pares da calvice branca recebem essa
informação como um deslumbre. Olha essa
descoberta incrível. E ele apenas tá
descrevendo um sujeito, um grupo social
que ele tá tratando como objeto. E eles
se entendem ali. Fica num ciclo de
classe média conversando com ela mesma.
Mesma coisa acontece com o nosso querido
que será criticado hoje, Vladimir
Safari. Porque a calvice branca que nós
estamos discutindo, ela não se restringe
à direita, ela pode afetar qualquer
grupo e polo ideológico deste país e do
planeta. Então a gente vai tratar aqui
também dos admirad, mas nós não vamos
começar por eles, nós vamos começar por
um outro outro calvo, outro calvo
branco.
Nós começaremos
como calvo branco pelo nosso querido
calvo branco especial, muito amado aqui
no nosso país, com legiões e legiões de
seguidores, tanto à direita quanto à
esquerda. Todas as pessoas amam esse
cara.
que é o querido Joel Pinheiro
num calvo branco exemplar. Vocês vão
ver. Ah, Bruno, mas ele não é calvo
branco, ele tem cabelos longos. Acabei
de explicar. Se você tá chegando agora e
não entendeu o que eu expliquei, volta
uns minutos atrás, você vai entender.
Então, deixa eu começar pelo nosso
querido Joel Pinheiro,
[suspirando]
porque ele é exemplar e ele traz o tema
importante pra gente, a função do calvo
branco no debate público. Beleza? Então
vamos lá para o nosso querido. Fala,
querido Ravi, como é que você tá? Tudo
bem, Ravi? Você está bem, senhoras
crianças de sua família? Está bem?
Espero e desejo que sim. Espero e desejo
que curtam o papo de hoje. Vamos
continuar a nossa conversa de quarta.
Cara, teve um camarada nosso que se
interessou pelo pelo corte lá e pela
conversa a respeito de filosofia para
crianças. Eu preciso achar que live que
foi para poder mandar pro nosso
camaradinha que achou massa a ideia.
>> [risadas]
>> Exatamente.
Diz que esquerdos autorais. Calvo na
economia, cabeludo nos costumes.
[risadas]
Faz sentido. Faz sentido. Esse é o nosso
querido Joel. Joel Panheiro, né? Vamos
lá falar com o nosso querido. Fala Ran.
Como é que você tá? Ryan. Ryan Augusto.
Nosso querido Ran, como é que você tá?
Tudo bem? Bom dia. Bom dia, meu querido.
Tudo bem? Como é que tá a sua amhã de
sábado, né? Amanhã agora às 2:05 da
tarde. Como é que tá a sua amhã de
sábado?
Espero desejo que bem, né? E como bons
baristas que somos, tomamos café na
madrugada, bebemos outra coisa pela
manhã. Então, estamos aí, vamos
aproveitar aqui nossa manhã.
Vamos lá.
Vocês estão bem? Deixa eu pegar aqui,
começar para o nosso primeiro calvo. Boa
tarde, querido Piscil Lourenço Serpa,
que tem participado aí dos nossos papos.
Boa tarde, meu querido. Tudo bem com
você? Diz ali boa tarde camaradas. Boa
tarde. Boa tarde querido P Lenço Serpa,
que do Ryan R. Tô lendo seu artigo, não
ironicamente, para terminar minha
pesquisa. Meu grande medo. Qual artigo?
>> [risadas]
>> Por quê?
Vai saber, né? Tem uns artigos que eu
escrevo que até eu depois fico, será que
eu tava certo nisso? Aí eu posso te
ajudar para ver se vale a pena. Vai que
não vale a pena.
Eu posso ter me arrependido do que eu
escrevi. Acontece com frequência, né?
Parabéns, querido Ryan. Ryan diz:
"Terminei meu projeto de tese também. Só
sucesso, sucesso e vitória do
trabalhador, especialmente do
trabalhador que consegue tirar um sábado
porque está na escala 5x2 e consegue
tirar um sábado para ficar de boa.
Parabéns, quean. Não vai dar certo,
cara. Você vai arrebentar
papo vai ser massa. Conteúdo bom também.
Cada vez que a gente papeou aqui em live
sobre caminho de projeto, massa demais,
pô. Vai ser legal.
Vai dar tudo certo. Vai dar tudo certo.
Às vezes a gente só precisa de um
incentivo de saber que se tem um não
processo seletivo de mestrado e
doutorado, o não é temporário até sua
próxima tentativa. Vai de novo. Ano
passado eu fui, eu apliquei pro meu
eh segundo projeto de de doutorado, né?
Eu falei: "Pô, vou fazer doutorado agora
em filosofia".
Fiz já o economia política mundial, fiz
o mestrado em filosofia, mas uma porrada
de de edital eh exige que para você
poder tentar uma vaga de professor na
área de filosofia e não sei o quê, você
tinha que ter o mestrado e e o doutorado
na mesma área. Eu falei: "Pô, acho que
eu vou ter que tentar fazer um de
filosofia, aproveitar que agora eu tô
com um emprego fixo depois de um tempo
tá mais tranquilo". Falei: "Massa, vou
fazer isso, vou fazer isso, vou tentar
fazer o doutorado de novo". E aí eu
passei na primeira fase, passei na
segunda, tal, não sei o que lá, fui
passando, chegou na fase de de escrev da
na terceira ou quarta fase, eu já não
lembro qual que era, tava mais
preocupado com a frase de de língua
estrangeira, né? Porque eu já tinha
queimado inglês, já tinha queimado
espanhol, precisava de uma terceira.
Aprendi italiano em três semanas e meia,
mais ou menos. Foi mais ou menos isso e
ainda tô aperfeiçoando agora italiano.
Passei na fase do da do da língua
estrangeira em italiano e aí faltou a do
conhecimento específico que tinha no
debate e tal e caiu os dois temas que eu
não sei trabalhar de jeito nenhum.
Putazar que eu tive. Caiu dois temas.
Podia escolher um deles e nenhum dos
dois eu tava bem. E pior, eu perdi, eu
voltei a ler mais alguns textos
academicamente densos de filosofia,
porque quando eu mudei de área para
economia política, eu fiquei muito mais
pragmático do que eu já era. Então, os
meus textos reduziram muito simplifiquei
muita ideia, cada vez mais sintético,
cada vez mais objetivo, cada vez mais
querendo discutir fragmentos de teoria
mais claros e menos estrutura rebuscada
de uma argumentação filosófica que
precisa de um monte de ninguém. É, eu
falei: "Putz, é, eu não fui bem, cara.
Não fui bem. Eu não passei, falei:
"Puta, vou ter que voltar a treinar esse
negócio aí". Então, vou tentar esse ano
de novo, no final do ano, vou começar a
escrever meu projeto daqui a um mês e
meio, dois meses no máximo. Vou aplicar
de novo no final do ano e ver qual é que
é. Então, assim, não passei, tentei o
doutorado, tentei o mestrado, não
consegui, tenta de novo. Nesse caso,
especialmente se não tiver valor de
inscrição para para poder fazer o o
processo seletivo, cara. É vida de
videogame, faz de novo, tá ligado? Então
eu incentivo as pessoas, incentivo
sempre. Tenta de novo, vai de novo. Não
se preocupa. Ah, não fui bem no processo
seletivo. Dane-se. Vida de videogame,
mano. Vai de novo, vai de novo. Você não
tem que pagar, então tá melhor ainda.
Então aproveite, aproveitemos. Mas no
teu caso vai dar tudo certo. Fica em
paz, pô.
Querido Ravi comenta: "É na live do
conceito de trabalho de e leitura de
hobbies."
Muito obrigado, Ravi. Eu vou agora dizer
e explicar cuidadosamente para o nosso
querido, que é o nosso querido Jones
Miguel. Onde é que tá esse papo?
Obrigado, mano. No finalzinho da live,
né? Eu vou, obrigado por lembrar do do
tema. Já vou mandar para ele.
Inclusive, se vocês não assistiram essa
live aqui, ó, que é o conceito de
trabalho Robs Smith, vocês não sabem que
vocês estão perdendo, viu? Bom para
caramba. Modestia parte ficou bom para
caramba. Bom para caramba. A gente
mandou bem nessa live aí, viu? Papozinho
totalmente excelente. Disquo Gabriel.
Buenas. Buenas, Gabriel. Buenas tardes.
Não, a gente tá de manhã. Bom dia.
Buenos dias, querido Gabriel. Porque
hoje é sábado. Sábado às 2 da tarde, na
verdade às 2 da manhã, às 14 horas da
manhã. Como é que você tá, Gabriel? Tudo
bem? Espero desejo que sim.
Aproveitemos.
Manhã de sábado é outro nível,
especialmente para quem tá na escala
5x2. Obrigado, Deus.
Vamos lá. Deixa eu pegar então o nosso
primeiro calvo.
Ai ai. Incentivem os colegas a fazerem
processos seletivos de mestrado,
doutorado. Não se encanem. Ah, não
passei. Vida que segue, mano. Vamos. Ah,
é. E uma coisa que eu poderia discutir
aqui, comentar é que eu esqueci.
Além de tudo, se você virar membro,
membro a membro, membresia aqui do
canal, você tem acesso a cursos
exclusivos aqui do nosso canalzinho,
entre eles o curso de como fazer o seu
projeto de pesquisa para te dar umas
ideias, para te dar uma iluminada, para
facilitar os caminhos. Na minha
trajetória de muitos processos
seletivos, aprendi umas coisas legais de
como fazer o projeto. O projeto sempre
passa. Aí pode ser minha incompetência
nas fases seguintes, mas o projeto
sempre passa e passa bem. E aí a gente
elaborou um conteudinho bem legal sobre
como fazer o projeto de pesquisa, dá
umas ideias, estrutura bem a o como
fazer. Então fica a dica aí, tá bom?
Fica a dica. Aí a pessoa: "Ah, Bruno,
mas você acabou de dizer porque poderia
acontecer, né? Especialmente os canais
grandes que falam que nós somos um canal
irrelevante porque somos pequenos".
poderia dizer assim: "Não, Bruno, mas
você acabou de dizer que não passou no
processo seletivo no ano passado pro seu
segundo doutorado." Exatamente, pro meu
segundo doutorado em outra área,
voltando pra área de origem, mas nos
outros dois eu passei em primeiro lugar.
Então fica a dica aí. Tenho aqui algum
estofo para dizer. Passei em primeiro
lugar duas vezes seguida. Guarda essa
informação aí, hein? Guarda [risadas]
essa informação aí. É que nessa última
aí eu tava destreinado. A gente vai
voltar. O projeto tava bom. Vou usar o
mesmo projeto, inclusive. Vou só dar uma
ajeitada nele e melhor nas outras fases,
né, que eu não mandei legal não. Mas
vamos lá. Pera aí, deixa eu botar aqui.
Ixi, travou. Agora voltou.
Vamos pro nosso primeiro calvo.
É o calvo bônus. Ah, mas já explicamos,
hein? Já explicamos. Vocês não venham
com a informação de que não, Bruno, mas
ele não é calvo, ele tem calvice branca.
Nós já explicamos qual que é a dela.
Vamos lá com o nosso querido Joel
Pinheiro
na Calvice branco. Boa tarde, querido
Thago. Boa tarde, não, boa manhã. 14:11
da manhã de sábado.
Vamos [risadas] lá. Como é que você tá,
meu bom? Tudo bem? Sejam como Thago e
sejam membros aqui do canal. Você se
tornar membro, membro a membro e me
ajuda, porque eu preciso até dia 30 de
junho conseguir mais ó pro YouTube
[música] me pagar, senão ele não me paga
e aí eu não consigo continuar
adequadamente as atividades por aqui.
Mas vamos lá, vai dar tudo certo.
Eh,
deixa eu ajeitar aqui. Pronto.
Preparados? Preparados pro nosso querido
Joel. Ele vai trazer um tema
interessantíssimo.
Qual que é o ponto do nosso querido
Joel? Joel Pinheiro. O Joel Pinheiro,
ele vai comentar um pouquinho sobre a
trajetória dele, trajetória acadêmica,
as escolhas que ele fez, etc, etc, etc.
E aí ele vai dizendo que ele fez
economia, mas não gostava muito de
estatística e não sei o quê. Aí ele foi
pra filosofia, porque é isso que ele
gostava. Ele foi monitor de uma
disciplina de lógica e ética. Não sei
que disciplina é essa, mas eu fui
monitor de lógica na graduação,
por incrível que pareça, monitor de
lógica um e lógica dois e depois monitor
de grego, mas tudo bem. Eh, e aí ele ele
foi monitor de lógica e ética, gostou
desse negócio, foi pra filosofia, fez o
mestrado em filosofia, mas ele não
queria só um ambiente acadêmico, ele
tinha visto algo a mais, porque ele
podia vir algo a mais. E é isso que a
gente vai ver no nosso React aqui, a
Calvos Brancos. Deixa eu só ver aqui a
qualidade da imagem como é que ela tá.
Eu nem sei onde é que tá o bagulho da
qualidade da imagem.
Aumentar um pouquinho, né? Tá muito,
muito triste. Deixar assim, ó. Pronto.
Vamos ouvir o nosso querido Joel
Painheiro falando um pouquinho sobre
a sua trajetória e o fato dele ter
escolhido um caminho muito peculiar e
comum aos calvos brancos.
E ele é um representante da calvice
branca que nós discutimos humano. Esse é
o lado da economia que me interessa,
essa discussão sobre o ser humano, sobre
a sociedade. O que que a gente tem que
fazer na sociedade para ela dar certo,
para ela ser melhor, para ela, enfim, o
que que onde tá o valor da sociedade, o
que que o ser humano busca? E daí me
levou mais para no final da faculdade,
eu comecei mais pro lado da filosofia e
fiz um mestrado na filosofia, ainda meio
perdido profissionalmente.
>> Você fez USP, né? Eu fiz USP, eu era
monitor
na faculdade de economia, mas justamente
uma matéria que se chama lógica e ética,
ou seja, uma matéria mais de filosofia
de dentro, mas eu era monitor, foi meu
primeiro emprego, foi monitor na
faculdade, era remunerado
e tudo. E o primeiro emprego foi monitor
na faculdade. E aí eu vou começar com
essa conversa aqui que ela é importante.
Qual é o nosso ponto aqui da calvice
branca? Nosso ponto da calvice branca é
que ela observa o mundo a partir de uma
classe social específica, que é o classe
o clássico homem branco de uma
tradicional classe média, que é aquela
classe média que é católica, às vezes
agnóstico, ateia, que aí já tá na classe
média há muito tempo, que seus pais são
graduados ou pós-graduados ou
normalmente professores, universitários,
ocupam lugares privilegiados da divisão
social do trabalho e e que, portanto,
garantem uma bagagem cultural e acesso a
lugares privilegiados para sua prolle.
No caso aqui temos um exemplar claro e
clássico que é o Joel Panheiro, mas nós
temos outros, como nós já vimos na nessa
semana, a gente reagiu a outros calvos
brancos desse tipo, que é o Luiz Filipe
Pondé, o
autodenominado professor Roque e o Pedro
Dória, né? É desse tipo de calvice
branca que a gente tá falando, calvice
branca de classe média que tem acesso a
lugares privilegiados que, portanto,
pode falar a grosélia que quiser. Nosso
querido Joel Pinheiro teve como primeiro
trabalho ser monitor
de lógica e ética na universidade
pública USP.
Não precisou trabalhar anteriormente a
isso e ainda poderia estar perdido
profissionalmente buscando seus locais.
Então ele fez economia, depois pensou ir
paraa filosofia, depois pensou para ir
não sei aonde, né? Então ele pode
planejar, ele pode arriscar, ele pode
ficar em dúvida, ele pode ter essa
oportunidade, tá liberado. Por quê? Pela
posição a qual ele ocupa. Ele pode ter
esse lugar específico em que
a educação formal do ensino superior é o
mero detalhe, ele vai conseguir cumprir,
né? Então, a partir desse lugar, ele
observa o mundo, ele interpreta o mundo,
ele vai ter como interlocutores os
outros calvos brancos. Mas no nosso caso
aqui de Joel, painheiro,
apesar de reproduzir e ocupar todo esse
processo e saber que ele tem como
interlocutor o calvo branco seus pares,
ele teve uma sacada que é a mesma sacada
que o Luís Felipe Pondé teve e nós vamos
ver. Eles são de gerações diferentes,
mas do mesmo da mesma calvice, partilha
da mesma mesma calvice branca. Olá,
querido Ogoeira ou Ogoeira ou Ogiboeira,
como é que você tá, Guiboeira? Espero
que esteja bem, querido. Boa tarde. Tudo
bem com você? Espero desejo que sim. Mas
beleza, tão me entendendo? Vamos lá.
Então ele tá aqui na sua experimentação
social de qual lugar ele vai ocupar na
sociedade, como é que ele vai ser
remunerado, como não vai ser, se ele
gosta de filosofia de economia ou de
botânica, né? Tá tá em dúvida. Ou se,
assim como o professor Rock, ele gosta
de gostaria de se formar em filmografia
aplicada, aplicando 007, Rambo,
disminador do futuro e Matrix à
realidade e vê o que acontece, né? Ele
pega roteiros de filmes que ele gosta.
aplica a realidade e faz interpretações
geopolíticas. Pode ser isso também que o
Joel Joel ou painheiro se interesse.
Então vamos ver que que rola.
E mas ao mesmo tempo me vendo cada vez
mais do lado da filosofia. E a terceira,
o terceiro braço disso era a internet e
as redes sociais, onde um mundo se abriu
para mim tanto de informações, de você
ter acesso a informações, a artigos, a
revistas, a blogs. Lá atrás tinha uma
coisa chamada blog que as pessoas
escreviam textos e você lia. Hoje em dia
isso tá embaixo.
>> Às vezes o trabalho pode ficar
extremamente complicado, a não ser que
você useay.com.
uma,
>> mas vamos aproveitar a propaganda.
>> Vamos aproveitar a propaganda. Olha que
interessante. Nosso querido Joel, ele
comenta uma coisa interessantíssima.
Olha,
economia, filosofia e havia uma outra
coisa chamada internet, não sei em que
ano, provavelmente ali nos idosos do
final dos anos 90, começo dos anos 2000.
Depois vem a onda de blogs,
que hoje em dia tá embaixo,
mas veja, ele percebe que existe ali
algo, ele percebe a internet. E aí vem
uma parte da análise que eu fico um
pouquinho irritado, que a gente não faz,
que é
a esquerda não percebeu a internet, a
gente chegou atrasado, ah, a gente não
veio pro debate público. Em parte, é
verdade, se a gente olhar pros quadros
de classe média envolvidos na política
brasileira, especialmente dentro das
organizações tradicionais da política de
esquerda, os partidos, sindicatos, essa
coisa toda, mas é uma galera que tem que
tá trampando e tem que tá organizado na
na militância, em geral também de classe
média. em geral, quem tá ocupando os
cargos de dirigência, a massa de
trabalhadores da nova classe média, da
galera que tá se formando, tá surgindo
ali no nos anos 2000 e que vai ser essa
juventude que começa a ocupar internet
agora e que nem é mais tão jovem assim,
incluso este que vos fala, nem um pouco
jovem, já passei da linha da juventude,
mas essa galera que vai surgir agora,
como uma nova esquerda que chegou na
internet, é por quê? Porque agora tá na
posição que o Joel teve. O Joe é o
painheiro. O Joel painheiro nos anos 90
e 2000, ele pôde ele pôde planejar essas
experiências. Ele tinha acesso a
internet e computador,
a rede mundial de computadores.
Ele sabia usar esse recurso. Não era
numa lan houseous que ele ia. Ele fazia
isso de dentro de casa, de sua sala,
talvez de seu quarto, imaginando que não
é um computador paraa família, é uma
unidade de computador para cada
representante da família, o que é uma
inovação e coisa que poucos poderiam
ter.
Primeiro acesso à internet, talvez
internet de escada ilimitada, ou seja,
ele não precisava esperar meia-noite
chegar para começar a querer fazer
alguma coisa. Não, ele poderia usar
durante o dia, nem só no fim de semana.
Ele não precisava ir na lan house para
escolher se eu vou fazer uma pesquisa e
ler um blog ou vou jogar CS. Não, ele
não, ele fazia isso da casa dele. E aí
ele percebeu a existência da internet,
uma internet extremamente restrita.
E o pessoal da chamada de esquerda
trabalhadora, juventude de esquerda, não
sei o quê, só vai começar a fazer isso
agora. Por quê? que agora que a gente
teve de acho, a gente só vai ter acesso
e construção e mais atores
da classe trabalhadora ativos nesse
ambiente e trocando ideia sobre ele
recente, pós anos 2000, pós
faz o L, meu amigo. Então assim, esse
acesso a a poder ter internet, usar o
computador, produzir conteúdo, ah, as
redes sociais, é, não é só as redes
sociais, porque você tem acesso a essa
birosca aqui, ela não é barata, ela não
é fácil. Ao computador você tem uma
unidade dessa em casa
não é fácil, não é simples. Então, teve
que ter um processo de desenvolvimento,
de facilitação, de estruturação e não
sei o quê, pra gente começar essa
brincadeira. Joel, o painheiro já
começou antes porque ele tinha,
ele tinha, não é só uma escolha, a
esquerda demorou para chegar, meu irmão.
Quem tinha acesso a essa birosca,
saca? Quem tinha tempo para gastar
nisso? Quem tá lá fazendo um grande nada
e vai falar: "Pô, internet, ó, [ __ ]
ideia". Tá ligado? Então, é um processo
inicial aqui de conversa. A gente às
vezes esquece de que o acesso a coisas
que hoje pra gente são banais, ele
demorou para chegar.
Para algumas classes era garantido.
O cara tem uma unidade de computador,
provavelmente, né, para cada familiar
com acesso à internet, sem precisar se
preocupar se ele vai ter que esperar dar
até meia-noite para usar internet de
escada ou não. Isso altera sua relação
com esse mundo. Isso te dá vantagens em
relação aos demais. Isso é óbvio.
Beleza? Então assim,
cérebrozinho funcionando na hora de
fazer análise, minha gente. Descrito
fazer o watch pós L. Exatamente. Pós L.
Vai fazer o quê? Bem-vindos ao mundo.
Diz querido Guilherme Magalhães. Aoba.
Aoba querido. Por este aoba um brinde a
você, querido Guilherme Camarães.
Ah, oba maravilha. Diz que fazer o
watch. YouTube é muito troll para não
dar play [risadas]
quando a live inicia sem clicar na á. É,
acontece essas coisas. Acontece essas
coisas.
Diz querido Guilherme, fazer o fazer o
L. Exatamente. Acontece, né? Acontece.
Inclusive tava num papo esses dias com
um dos nossos camaradas, Vinícius, na
verdade é o Vinícius. Conversando com o
Vinícius, com W. O inícius, tava
conversando com ele essa semana, mandou
uma mensagem, a gente tava trocando
ideia, eh, sobre
o pessoal dizer: "Ah, a classe
trabalhadora tá cansada porque a vida
dela tá muito pior, ah, o pessoal tá aí
revoltado com o governo de esquerda
porque a vida tá pior." Não tá pior não,
viu? Questão de objetiva, factual, de
dados.
E aí, se vocês pegarem o meu livrinho,
ó, fazendo propaganda aqui, ó. Se vocês
pegarem meu livrinho, que é fácil de
achar na internet, fascismo como
religião, que é uma coletânia que a
gente fez para poder usar como eh como
recompensa paraa publicação de um livro.
Então, PDF digital tá aberta, fácil de
achar, fascismo como religião. O último
capítulo é uma hipótese de pesquisa. E a
hipótese de pesquisa, que eu gostaria de
trabalhá-la em breve, quando eu tiver
tempo e dinheiro ou recurso ou
oportunidade, né, essas coisas que só
Deus saber como vai acontecer. A minha
hipótese é o contrário. É exatamente
porque você tem uma ascensão muito
rápida de uma classe
desposuída, né, empobrecida ao consumo.
E a melhora de condição muito rápida,
mas muito frágil, porque qualquer
crisezinha, qualquer balança, lembra
essa pessoa e coloca ela num lugar que
ela perde o privilégio que ela tinha
ganhado. Então, ah, tinha conseguido
colocar os filhos numa escola particular
ou numa faculdade particular e tava
pagando bem. Mas aí o segundo, terceiro
filho já não tá dando. Por quê? Porque
passa uma crise ali a partir de 2008,
muda um pouco as as relações, diminui
crédito, depois vem o golpe, vem aquele
bagulho todo, especialmente a partir do
golpe. Essa fragilidade faz com que as
pessoas fiquem reativas de não querer
perder mais seus privilégios e toma uma
posição tendencialmente conservadora.
Mas é uma hipótese de trabalho para
dizer que um efeito não intencional dos
programas públicos e da facilitação de
crédito a partir do governos petistas é
exatamente uma ausência de consciência
de classe sobre o processo de melhoras
dentro da dinâmica do capitalismo
neoliberal, digas de passagem,
[roncando] mas que tem esses ganhos, mas
extremamente frágeis porque ainda são
privilégios. E aí quando vê esse
privilégio, que na verdade deveria ser
um direito perdido,
reage imediatamente, busca os inimigos,
busca uma solução tendencialmente
conservadora, que é algo semelhante com
outros autores que discutem outros
tempos e lugares, mas aí fica pro outro
dia, tá bom? Quer dizer, coisas pra
gente pensar, reflexões pra gente fazer.
Diz que querido Guilherme, o que tá
piorando a vida não é o governo do
centro esquerda, dá para garantir, é
[risadas] tranquilamente.
Falo com tranquilidade, mas tudo bem. E
aqui é colocando classe social para
analisar o discurso do nosso querido
Joel Pinheiro e ver como ele teve certo
protagonismo e facilidade a acessos. Que
eu nem tô falando aqui de Nep Baby,
hein. Não estou chamando Joel Panheiro
de Nepaby em maneira nenhuma. O que eu
estou dizendo é que uma pessoa de classe
média tradicional tem acesso antecipado
a recursos que os outros vão ter só
depois e aí eles conseguem se posicionar
de maneira mais rápida. E a partir disso
também uma rede de influência que faz
com que eles sempre estejam garantidos
com respeito a emprego, atuação, né,
produção de conteúdo e outras coisas.
Exatamente. Ninguém aqui tá acha o Trip
Advisor, né, pôle baby? Claro que não.
Obviamente que não, mas [risadas]
Tripa Advisor é muito bom.
Ai ai. Quem pegou a referência pegou.
>> E que te abre um mundo e também te abre
um mundo para você se expressar.
>> Aham.
Eu com meus amigos na economia, a gente,
eu tinha um grupo de amigos ali que
todos adorávamos discutir ideias e e
falar da coisa de liberalismo,
capitalismo, esse tipo de discussão. E a
gente queria expressar nossas ideias de
ser lidos. E a nossa primeira ideia ali
foi ter um jornalzinho. Vamos fazer um
jornalzinho nosso.
>> A gente começou a pensar, pô, como é que
a gente vai fazer para imprimir, não sei
o quê.
>> Olha que trampolho, né? Imprimi um
papel. Até que
>> essa seria a ideia, por exemplo, que a
gente daria na militância. Já vamos
seguir aqui a nossa nosso espaço
doutrinário e dogmático. Imprime o
jornalzinho. Vamos produzir um jornal.
Jornal para sair distribuindo pro
pessoal aí.
É o que a gente faz. E muita gente
menospreza o jornal, hein? Pera aí. dito
isso, muita gente menosprece o jornal
impresso, dá um trabalho desgraçado.
Isso é verdade. É custoso, verdade
também, mas é um meio muito eficaz e
eficiente de disseminação de conteúdo,
de ideias e funcional para a unidade
popular pelo socialismo. Inclusive, você
poderia conhecer um pouquinho o jornal A
verdade, eu recomendo que você conheça.
E também entenda esse processo de
militância distribuindo jornal. É muito
interessante. Aliás, é algo que, por
exemplo, a Igreja Galaxial, olha, já ia
falar o nome correto, a Igreja Galaxial
das Intenções do Senhor, ela
eh ela tem o maior jornal impresso
distribuído no país.
Porque distribuem para caramba? Porque
jornal você pega ali, tá de bobeira, tá
no metrô, tá no buzão, tá sei aondde,
pega para ler sem gastar dado, sem
gastar não sei o quê. Aí você vai lá p
pa pá pá lê o negócio. É legal, é
interessante, né? Então tem sua função.
Porém a gente pensaria, vamos fazer um
jornal, vamos distribuir o jornal, mas é
custoso, é trabalhoso, não circula tão
fácil quanto internet. O Joel Panheiro
teve uma ideia, vou distribuir na
internet. Quando ele pensou vou
distribuir na interneta, ele já tinha
acesso à internet,
ele conseguia escrever em blog, ele lia
em blog e pior, ele ia conversar com os
pares dessa classe média.
E depois mente quando nós da chamada
nova classe média, quando nós de outras
camadas sociais vamos chegando pro mundo
da internet, adivinha qual é o conteúdo
que a gente vai encontrar na internet?
Adivinha do que foi povoado este
território no período em que nós não
estávamos. Vocês têm uma chance de
imaginar qual é o conteúdo que a gente
vai encontrar
de quem tinha esse privilégio, de quem
tava podendo produzir sem preocupar com
internet de escada,
quem tava ali de boa,
saca? Então esse essa análise de classe
a gente tem que passar por ela. Não é só
uma escolha ideológica. Ela tem esse
essa parte pela classe média de
esquerda, não teve essa atuação na
internet, tava fazendo outros trem. Mas
do ponto de vista
da an desse grupo que tá produzindo e
atuando na internet, quando a gente
começa a acessar o conteúdo que a gente
vai ver o conteúdo dessa esquerda
liberal, dessa direita liberal, dessa
galera de classe média mais jovem ou
mais velha, que já tinha acesso à
internet, já tinha acesso a computador,
já podia produzir, ficar fazendo essas
porcaria, se é herdeiro, não precisa nem
se preocupar com o trabalho, então vai
tá produzindo. E é isso que a gente vai
acessar. Olavo de Carvalho tá produzindo
isso aí desde a década de 90. Quando
chegar o acesso a essas biroscas, quando
a gente começar a chegar a consumir
internet,
o humano tá desde os anos 90.
Tudo bem? Tem que colocar esse filtro,
classe social, classe média em especial.
Então fiquemos atentos a respeito disso,
pô. Fundamental, cara. Descido do
Guilherme, Thiago Leifer da economia.
[risadas]
É, é. Não sei se ele tem tanto preço
pelo Neymar, mas com certeza é o Thiago
é um sapatênis da economia, um sapatênis
ali com
uma calvice cabeluda clara.
Diz que do Fazer Watch, esse suco
laranja tá uma delícia. Este suco está
maravilhoso,
gelado, estralando de gelado. E não é um
suquinho qualquer, não. É um suco
literalmente de laranja. Uma cervecita
belga,
Belgian White,
com laranja, literalmente, e com entro,
que é muito gostoso. Diz quido Felipe.
Salve, amigos. Fala, querido Felipe.
Felipe, primeira pessoa beatificada em
vida no nosso canalzinho. Foi
santificado aqui no nosso canal, querido
Felipe. Tudo bem, meu querido? Espero
desejo que sim. Boa manhã pra gente.
[risadas]
Diz que Jéssica. Os testemunhos de Jeová
saem rebolando nas casas e distribuindo
livro com portagem, né? Você distribuir
livro, distribuir jornal, essa parada
toda. Tem seus efeitos consideráveis. A
Assembleia de Deus, né? As Assembleias
de Deus aqui no Brasil, elas têm uma das
primeiras coisas que fez foi produzir eh
jornais, né? o mensageiro da paz, por
exemplo, que tá aí desde a década de 20,
circulando no país e circulando pelas
pela assembleia, inclusive o principal
veículo de disseminação de informações,
interpretando o mundo, explicando
notícia.
Pô, o bagulho é louco. Te esquerda do
Felipe, deixem o like na live e eu
sempre esqueço. Então, deixem o like na
live porque se depender de mim eu vou
esquecer de pedir para vocês deixarem o
like. Então, deixa o like, comenta,
convida os coleguinhas para virem
assistir, essa coisa toda. Passa depois.
Calva tênis. Calva tênis. É bom. Então,
e aí tem um um um uma um adendo,
Guilherme, do calva tênis, que é o
seguinte. Teve um camarada que falou
isso do Pondé, falou: "Ah, o Pondé é um
filósofo que é um sapa tênis". Eu
disordei dele, porque o Pondé para mim
tem muito mais cara de croc. Olha pra
cara do Pondé. Você não vê um croc, um
croc filosófico de barba? É um croc que
produz filosofia. Olha pra cara do pão.
Ele tem cara de sapatente, ele tem cara
de crocs.
Mas aí fica pro debate.
Vamos lá. Joel painheiro. Nosso calvo
bônus. Alguém teve um estalo. Não, vamos
nem imprimir jornal nenhum. Vamos fazer
um blog, vamos começar a discutir as
coisas aqui online. Não precisa dessa
outra parte mais difícil, mais cara
aqui. Vai tudo de graça.
>> E daí começou a ter sei lá. Daí surgiram
as redes sociais também. Orcut. eh,
Facebook, enfim, esse meio sempre me
puxou também me puxou para uma coisa que
não é nem a economia, nem a filosofia
pura que eu via na faculdade, discussão
dos filósofos, do Aristóteles, do
Platão, do Descart, do Tomásquino, não é
discussão sobre a sociedade.
E isso que me puxou nas redes e que
acabou criando aí um caminho mais para
mim. Porque eu também concluí depois do
meu mestrado na filosofia que, por mais
que aquilo me interesse
intelectualmente,
a discussão acadêmica,
não é o que eu realmente tenho tesão.
queria fazer também não é ficar aqui,
olha, eu vou ser um estudioso de Tomás
de Aquino agora e vou ver a minúcia do
detalhe da obra dele, discutir uma
interpretação possível das palavras
dele, não é isso que
>> até porque muitas vezes isso aí vai de
encontro com, pô, tá bom, eu vou ficar
discutindo, mas e aí, como eu ganho
dinheiro de fato?
>> Exato, como eu ganho dinheiro de fato?
Essa é uma pergunta importante, porque
afinal discutir não vai te ganhar
dinheiro, vai, mas aí dependendo se você
de que qual classe social você pertence.
Dito isso, perceberam, ó. Aí começamos
com blog. Por quê? Porque tinha acesso à
computadora e acesso à internet.
O resto não tinha. Gente, pelo amor de
Deus, no início dos anos 2000, quem tem
computador para ficar usando?
Quem tem internet garantida, a gente ia
no lan house, pagava por hora. Aí você
tem que escolher. Vou ficar lendo o blog
ou vou jogar CS? Vai jogar CS, faz muito
mais sentido. Para que que você vai
ficar? Deixa eu ver aqui que que o
pessoal tá discutindo sobre uma
aleatoriedade aqui. O nosso Joel
Pinheiro comenta Jorcut sociais e que
surgiu. E aí eu gosto do como ele
comenta aí.
[aplausos]
Parabéns para Joel. Que que se discute
ali? Interpretação da sociedade, um
debate público sem freio e sem critério
de interpretação do mundo. E você pode
falar qualquer bosta do que você acha. E
o outro também. e parece que vai ter o
mesmo peso, só que ali ali é uma caixa
de eco, porque é uma classe social
conversando com ela mesma no princípio.
É a classe média com acesso a
computador,
com acesso à internet que dá para usar,
consegue pagar a desgraça da internet.
Em geral, não é isso que a gente tá
tendo. A gente vai chegar depois. A
galera vai chegar depois, vai ser
depoismente.
Então essa interpretação da sociedade,
essa discussão chamada debate público,
ela não é pública, ela é restrita. a
grupos sociais que estão produzindo
conteúdo. E quando os outros grupos
social que não tem acesso chegarem neste
universo, qual é o conteúdo que eles vão
ler?
E o Joel painheiro teve tempo para
pensar sobre isso porque não precisava
estar trabalhando. E aí ele conseguiu
sacar, posso estar na internet e eu
posso gastar meu tempo aqui porque
alguém tá pagando minhas contas. Então
eu vou poder ficar um tempão aqui
produzindo coisa e entrar no debate
público.
[roncando] E a galera de classe média
que já tem essas redes, já tem esses
privilégios, já tem essa estrutura, só
vai surfar.
Só vai surfar. É
uma onda perfeita, tudo bem? E aí ganha
notoriedade nesse ambiente da rede
mundial de computadores.
E assim que as tais mídias tradicionais
tentarem se adaptar para esse novo
mundo, que que elas vão buscar? Os
influenciadores que fazem parte desta
rede e que estão dentro da rede de
contatos que nós temos também da nossa
classe média tradicional. Aí vai entrar
uma porrada, né? Vai entrar uma porrada
de bobagem. Felipe Pondé,
o próprio Joel Painheiro, Caio Copola,
essa galera vai entrar nessa onda, pô.
Ai gente, por aí, né? Por aí. Descrito
Guilherme, assina embaixo. É com
respeito ao croc, né? Exatamente. É o
Croc que usa Allstar para fingir que é
jovem. Exato. O Pondé, ele tem uma cara
de croc. Ele não é o filósofo de
sapates, é o Croc. O Croc que é
filósofo. Diz querido Gabriel Dias.
Marxismos.
Pondé é a cara do tédio. É mesmo, é cara
de tédio. Ele ele me lembra. Eu eu vou
mostrar uma coisa para vocês. Ah, eu não
deveria fazer isso, mas eu vou fazer.
Ele me lembra.
Eu vou mostrar para vocês.
Vocês já assistiram Aladin? Eu não sei,
a maior parte do nosso grupo aqui que
segue o canalzinho tem a minha idade ou
próximo, então conhece a Aladin. Ele me
lembra o J, o o o Jafar, sabe? Lembra do
Jafar? Nossa, que do Jafar. O Jafar,
vilão do Aladin, quando ele se disfarça,
se disfarça de velho. E aí eu olho para
aquele velho e falo: "É o é o Pondé,
é o Pondé". Quer ver? Eu vou mostrar
para vocês. Não tem como você não olhar
e falar: "Olha, é o Pondé".
Ele tem esta cara.
Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele?
Cadê-lo?
Aqui, aqui, aqui, aqui. Abriu no
Pinterest. [risadas]
Eu não tenho conta no Pinterest. Vamos
lá. Aqui, aqui, aqui, aqui. Pera, per,
pera aí. Pula pro lado. Deixa eu remover
aqui.
Deixa eu botar esse trem
para a tela.
Deixa eu compartilhar a outra tela aqui.
Aqui, aqui, aqui, ó.
Vê se não é. É ou não é?
Aqui é o Pondé, doido.
É o Pondé
aqui.
Cadê?
Vocês assistiram o o
Aladin? Vocês sabem do que eu tô falando
aqui, eu olho e falo: "É este homem,
este homem não tem como. Ele é o vilão
do Aladim. Ele é o Jafá disfarçado. Não
tem como, cara. Eu olho para ele e falo:
"Meu Deus,
é impressionante a semelhança. É
impressionante a semelhança.
Mas tudo bem, né? Ele não é o calvo de
hoje. Ele não é o calvo de hoje. Ele não
é o calvo de hoje.
Diz que do Ogoeira discordo. O croc é
confortável. O calvo em questão é muito
desconfortável. É o croc é confortável a
depender do dia, né?
A gente pode qualificar então um crocum
dia de chuva.
Diz, querido Guilherme Magalhães, a
gente chegou há 10, 20 anos depois e já
não era mais mato. Exato. A gente chegou
internet, o cara que fala, eu tava, tô
na internet desde quando a internet era
mato. Então é porque você tinha um
privilégio de acessar a internet, né?
Então assim, você tá denunciando de qual
classe social você pertence. Classe
média é tradicional.
Diz, Guilherme, uma história legal da
Alana Boltwood, que criou um blog nos
anos 90, usando internet da universidade
para pessoas tímidas se ajudarem. Foi aí
que surgiu o termo Incel, que anos
depois viraria lixo. Informação, como
diria o nosso querido Renan.
Diz Guilherme. K.
Diz Jéssica. Já assisti a Ladin. Meu
Deus. Não é a cara. É, vocês vão ter que
concordar comigo.
Diz querido esquerdos autorais. Já achei
que era reunião de seita porque tá
rolando encontro de troca troca de
figurinhas da Copa aqui no Shopping da
tua pé. É, cuidado. E troca troca de
figurinha é perigoso. Você pode ser
enganado. Você pode ser enganado. Toma
cuidado. Minha filha tá viciada em
figurinhas da Copa do Mundo, mas graças
a Deus a minha renda não é capaz de
acompanhar o vício dela. Então,
frustração para ela, alegria para mim.
Diz Jéssica. Sou da época da internet de
discada. Você vê, a gente usava internet
usando uma escada. A gente subia degrau
por degrau para acessar a internet.
Pessoal hoje aí vai de escada rolante,
vai leva você sozinho.
Vamos lá, voltando para Joel Painheiro,
nosso querido calvo. E aí a preocupação
do outro querido, né? Você não vai
conseguir ganhar dinheiro sendo filósofo
acadêmico. Não dá para ganhar dinheiro.
Quem é de classe média tradicional
consegue, pô. Consegue com
tranquilidade.
Consegue com tranquilidade.
Tranquilidade. Sabe por quê? Tem rede o
suficiente para conseguir ser professor
universitário, se não num uma
universidade pública, numa universidade
privada.
Então consegue sim. É que a gente não
consegue imaginar porque a gente tá fora
desse circuito,
>> né?
Exato. A, o bom da vida acadêmica, da
universidade, é que tem algum espaço
para você fazer isso e ganhar um
dinheiro. Você nunca vai ser milionário
fazendo isso, mas ela vai te garantir um
salário. Se você conseguir uma um cargo
de professor numa faculdade, [roncando]
ele vai te dar dinheiro para você se
sustentar, ter uma vida OK e vai ter o
tempo para você se dedicar a uma
pesquisa também. Isso são coisas
valiosas. Isso agora que eu tô fora da
do meio universitário, que eu vejo e
enxergo isso poch, isso tem um valor,
>> porque se o cara tiver que, além de
tudo, se o cara tiver que tá lutando
numa empresa pelo pão de cada dia, daí é
que ele não vai conseguir ler
Aristóteles e escrever algo de de bom a
respeito, né? É difícil conciliar.
Então, então por isso por isso Joel
Painheiro, Joel Pinheiro é contra o fim
da da da escala 6 por1 e a gente é a
favor.
O Di tá contra. Por quê? Porque ele não
quer que a pessoa tenha acesso a
Aristóteles. Tem que ficar na
universidade. Já a gente, a gente quer
que a pessoa leia, vai ler Aristóteles,
vai ter tempo. Então a gente tá aqui
querendo acabar com a escala 6 por1.
Fica aí mais um apontamento importante.
>> O meio acadêmico, ele permite isso, ele
permite esse espaço de liberdade, embora
ele também traga um monte de outras
coisas muito ruins ali de dinâmicas de
puxa-saquismo e outras coisas, mas
enfim, o fato é que ficou claro para mim
que a vida acadêmica
não era bem o que eu queria.
Ele tinha a opção de escolher se ele
queria ou não vida acadêmica, né?
Privilégio para ele. Mas pera aí que
como eu não pago o YouTube, eu tenho que
esperar passar propaganda. Eu [música]
queria nesse meio termo,
>> numa coisa que é filosófica, que envolve
as ideias, envolve a discussão, envolve
argumentos, mas não é uma escrita ultra
especializada para pouquíssimos lerem
uma uma questão ou outra totalmente
distanciada da realidade. É no debate,
na discussão e na reflexão sobre a
realidade. Esse é o espaço do tal debate
público que tá tá sendo profundamente
transformado pelas redes sociais.
>> Pronto. Ele parece falar uma coisa
incrível, mas não falou nada demais. Mas
a parte interessante, né? A parte
importante, parte importante é aqui do
do comentário.
Onde Joel percebeu que estava sendo
discutida a interpretação da realidade
nas redes sociais?
Onde tá tendo a interpretação da
realidade social? Onde ele quer se
inserir? Nas redes sociais? Porque é ali
onde tá circulando as ideias e é ali
onde ele vai soltar com de maneira mais
livre informações. É ali onde dá para
você falar um monte de grosélia e o
pessoal levar a sério.
É ali onde você vai disseminar mais
fácil uma interpretação sua sem precisar
se justificar. Porque no ambiente
acadêmico, para você conseguir botar uma
ideia para rodar, você vai ter que
sustentar ela. E isso dá muito trabalho.
Sustentar dentro de parâmetros
científicos. Isso é trabalhoso. Falo com
propriedade.
Enquanto alguém que teve que passar por
todo o processo da educação superior em
todos os níveis, né?
É difícil, é cansativo, é puxado. Na
internet você não precisa demonstrar
isso. Inclusive, o nosso canalzinho
cresceu muito rápido, apesar dele ser
pequeno, mas ele cresceu muito rápido no
início, porque o grande trabalho que a
gente fazia era mostrar como um monte de
pastor, de influencer, não sei o quê,
aqui na internet falava grosélia. E era
fácil de desmontar isso se você coloca
um parâmetro científico mínimo. Você
fala: "Cara, olha isso aqui." E não é
nemum parâmetro científico muito
aprofundado, é mínimo mesmo. Você não
precisa nem ser uma pessoa tão informada
assim. Inclusive, foi algo que surgiu aí
no recentemente no Instagram, comentário
de alguns cortes que a gente fez desse
dessa nossa saga contra calvice branca.
Cara, como é que eu posso perceber que o
o professor Rock tá falando bobagem ou
que o Pondé tá falando de bobagem se eu
não tenho essa formação acadêmica? Eu
preciso de uma gama de informações tão
consistente? Não, porque se vocês
acompanharem o conteúdo que a gente viu,
eh, e que a gente reagiu, e normalmente
é assim no canal, você não precisa de
uma informação muito especial, um
doutorado em línguas e vernáculas, tá
ligado? Você não precisa de nada disso.
Você precisa ali conseguir estruturar.
Isso é um recurso que não é fácil, ele é
difícil, mas tá atento para poder
acompanhar a organização lógica das
ideias. é praticamente ver como que a
pessoa estrutura um sistema minimamente
coerente, que você percebe as
contradições e a incoerência do que essa
pessoa tá falando. É o que a gente viu
no Pondé e é o que a gente viu no
professor Rock. A incoerência, a
inconsistência, o absurdo dessa fala
dentro dela mesma. Eu não precisaria ter
uma grande informação sobre a realidade.
Eu precisaria estar atento ali a ver o
que ele tá falando. Então podé fala num
primeiro momento lá, olha, a escola no
ensino básico, português matemática. num
segundo momento. É, mas educação não é
só o básico, ela precisa de outras
coisas paralelas que antes ele tinha
criticado as coisas paralelas, que é a
socialização, é não sei o quê. É só você
pegar esses dois polos e falar: "Olha
isso, cara, ele falou a no primeiro
momento e depois ele nega o a, tipo a e
não há". E ele tá querendo conjuntar as
duas coisas. Não dá. Só que a gente não
tem essa posição crítica, a gente não
tem esse ouvido atento. No geral, a
gente recebe a informação, ela tá vinda
mediada por posição de classe, porque
esse cara tem algum gabarito para
mostrar. né? Você é doutor, você é não
sei o quê.
Eu respeito obviamente a trajetória
acadêmica de qualquer pessoa, mas
respeitar não significa me submeter.
E em última instância ele ocupa aquela
posição e aquela imagem da autoridade
que já tá construída na nossa cabeça. O
homem branco, calvo de cabelo de barba
branca, óculos redondo, professor
universitário que fala daquele jeito. E
toda essa estrutura de autoridade é
reproduzida e a gente já chega atento a
querer entender. E uma última coisa
importante, o nosso cérebro ele quer se
comunicar com outros humanos, então ele
tem a tendência de fazer com que as
coisas fiquem organizadas. A gente se
força
com, mesmo que não perceba, a gente se
força a concatenar as ideias do outro
para que ela tenha sentido, porque você
quer conversar. Então você dá sentido
para aquilo que eu tô falando.
A gente tem essa predisposição. Quase.
Essa predisposição somada essas relações
de autoridade faz com que você diante da
conversa com o outro não se arme
minimamente para falar: "Cara, talvez
esteja falando bobagem". Pô, deixa eu
acompanhar esse raciocínio e ver como é
que A se conecta com B. A gente não faz
isso. É um treino difícil mesmo. Não é
não é simples, mas não precisa de uma
grande formação de conteúdo. Não precisa
estar na área dessa pessoa, né?
Conversando com um uma pessoa
especializada no estudo dos sapos. os
anfíbios existentes na nascente do rio
Gesia, sei lá, sabe? Não, não, não
preciso saber disso. [risadas]
Eu não preciso saber disso. Eu não tenho
essa informação, então não tem como
falar sobre isso, né? Agora, se o cara
começa a me apresentar sobre os anfíbios
e a afirmação A nega a afirmação B,
mesmo que eu não saiba o conteúdo, eu
vou falar: "Pô, mas eu não tô entendendo
o que você tá me dizendo, porque
primeiro você disse A e depois você
disse B. E A e B não estão conversando,
eles não estão se somando. Um nega o
outro. me explica melhor. Pode ser que
ele ajuste, pode ser que ele seja
falando uma contradição, uma grosélia.
Então
é um esforço desse tal desse pensamento
crítico que é uma mistura de lógica com
você não aceitar relações de autoridade
previamente estabelecidas. Mas vamos ver
o finalzinho aqui, né? Vamos ver o
finalzinho aqui do nosso papo. Opa,
pera, pera aí. Tem denúncia. Teve
denúncia aqui, querido Kevin. Boa tarde,
Kevin. Kevin deixando uma denúncia,
deixando a denúncia que a FIFA só
colocou o jogo às 18 hoje e me obrigou a
passar nessa live para mandar um abraço.
Denúncia a FIFA que tá obrigando Kevin a
ter que vir aqui dar um abraço. Se não
tivesse só jogo tarde, o Kevin já
estaria aqui há muito tempo. Não, quer
dizer, ele não estaria nem aqui, ele
estaria assistindo o jogo. Então,
eu acho que eu me lasquei nessa
denúncia. Mas estamos junto, Kevin. E
faça como Kevin. Seja um membro do nosso
canalzinho.
Joel Pinewood. Exatamente. Joel
Pinheiro.
Pinheiro. Gabriel Dias Máximus. Molden
da Tim. [risadas]
Molden da telefônica.
Eh, eu lembro da propaganda da
telefônica. Diz querido fazer o watch.
Trabalhador de 6 por1. Tem acesso ao
YouTube premium. Não tem acesso ao
YouTube prêmio. Seja contra escala 6x1.
Eh, nem o cara que produz conteúdo na
internet pro YouTube, fazendo o YouTube
ganhar dinheiro, recebe YouTube premium.
Tô chateado com o YouTube. Vamos lá ver
o finalzinho desse papo incrível.
>> É uma a filosofia como no no meio de
comunicação. Eh, ela
>> colocar a filosofia no meio de comun. A
filosofia enquanto tal pode ser algo na
sua cabeça ou pode ser uma reflexão num
num ambiente acadêmico. Agora, como é
que você traz ela para um público maior
e pro para um debate maior? É um debate
que engaja as pessoas que não são
filósofos profissionais, estudiosos de
economia ou de política, acadêmicos e
profissionais, não são nada. São pessoas
normais.
>> Como que isso ficou popular na no
Brasil? V, [risadas]
>> como é que você faz isso? seguindo o
nosso canal, seguindo o canalzinho aqui,
que o nosso canalzinho ele é pequeno,
ele é irrelevante, mas aqui a gente tem
trabalho de conteúdo de qualidade
eficaz e que divulga conhecimento com
referência. A gente vai ver um conteúdo
aqui, discutir, sei lá, a teoria do
valor do trabalho, a gente abre o texto
e lê ele. Aqui ninguém esconde nada, a
gente lê, a gente trabalha de maneira
qualificada. pega um conteúdo para
especiais de economia e filosofia e traz
para pessoas normais, porque nós somos
normais,
somos comuns, não estamos no Olimpo, né?
[risadas]
Pergunta querido Lud Viglim. Caraca,
pera aí, pera aí, pera aí. Hum,
esse nome é difícil. Lud
Vigima Nunes 988
é um número de telefone. Ludomes,
número de telefone. Ele pergunta: "Joel
Pinheiro é a cota não calva?" Não, ele é
calvo. Ele é calvo. Ele é calvo branco
ou é calvo enrustido? Não, ele é calvo
branco. Ele é porque a nossa calvice
branca, ela é uma calvice pós-moderna.
Não, brincadeira. A nossa [risadas]
crítica calvice branca não é a pessoa
necessariamente desprovida de folículos
capilares. A gente conversou aqui um
pouquinho no começo da live. É a calvice
branca, que é o calvo branco de uma
classe social específica, que é a classe
média tradicional. É esse o combo. Então
tem pessoas que não t necessariamente a
ausência de folículos capilares, mas tem
ali a calvice branca constitutiva da
classe média tradicional de calos
brancos, que aí ganha autoridade para
falar qualquer bobagem para qualquer
pessoa. Então tá aqui a explicação
adequada. Diz querido, esquerdos ou
atrais, Ludvig, Vitinho, gangster.
[risadas]
Gostei do nome. Gostei do nome. Agora é
o seguinte, a gente vai pular pro
próximo calvo. Nós vamos agora para
próximo calvo. Mas antes de ir pro
próximo calvo, eu vou rapidamente ao
banheiro. Afinal, estou aqui bebendo um
suco maravilhoso nesse momento.
Maravilhoso. Vou pegar outro em breve,
mas eu preciso rapidinho ir no banheiro.
Volto em alguns minutos porque eu tenho
que lavar minha mão também. Então fiquem
aqui com a musiquinha de elevador. Vão
aí também fazer os seus afazeres
rapidamente. Não vou embora, não me
abandonem, mas a gente volta num
instante. No instante. Um minutinho.
[música]
>> [música]
[música]
>> He.
>> [música]
[música]
>> A vantagem do apartamento de 38 m² é que
você rapidamente chega no banheiro e
volta.
[risadas]
Vamos lá. Vamos pro nosso segundo calvo.
Vamos para o nosso segundo calvo. Nós
vamos agora com outro calvo, né? O outro
calvo que é mais famoso que o outro
calvo. São muitos calvos.
Deixa eu buscar o nosso outro calvo
aqui.
Nós vamos agora reagir e comentar o
nosso outro calvo branco, que também
sofre de cabeça branco, que é o nosso
querido professor Vladimir Safadle. E
uma pessoa fez um comentário importante,
eu não lembro quem agora, acho que foi
nosso querido amigo Gabriel, se eu não
me engano. Então são muitos Gabrielis
tem no nosso canal, não sei qual que é o
questão com nomes Gabriéis.
Nosso querido Gabriel comentou: "Pô, mas
o Safato ele nem merecia estar aí junto
com essa galera". Ele tem razão. Ele tem
razão. Mas nós precisamos praticar o
dois ladismo aqui e mostrar que a
calvice branca, da qual nós estamos
criticando e apontando, ela não é
exclusivamente de direita. Ela pode
atingir qualquer pessoa de qualquer
espectro político.
Ah, muito bom isso aqui, viu? Vou dizer
para vocês,
está bonito. Ating qualquer pessoa de
qualquer espectro político. Então, a
gente precisou selecionar um e nós
selecionamos o nosso querido Vladimir
Safadle. Vamos lá. Deixa eu pegar ele
aqui.
Ai, ai. Ih, ficou muito para trás aqui
na minha organização.
Buscar.
Uhum.
Pum.
Putz, agora tô em dúvida em qual dos
dois vídeos eu ponho,
que tem uns muito bom.
[música]
Deixa eu ver se é esse aqui.
Perdão aí, Ludvig, perdão, perdão.
Ludvig diz
e o Ludvig diz algo importante aqui, né?
Que infelizmente tá no expediente, não
pode juntar bebedeira, mas guarde ela
para depoismente.
Fazer o uso adequado e merecido para um
final de dia com moderação. Sempre com
moderação, mas que seja por um momento
de desfrute.
E diz o nosso querido Gabriel dias
marxismos. safato é zizequiano. Eu não
sei se ele é zizeizquiano,
mas eu vou dizer, cara, tem um amigo meu
que é o
meu querido. Cadê, cadê? Pera aí, pera
aí,
pera aí, pera aí, pera aí, pera aí. Ah,
perdia o vídeo. O tem um amigo chamado
eh André Castro. O André Castro. O
André, a gente tem debates
interessantíssimos, né? Na revista
Zelota, a gente tem posições diferentes
discutindo o mesmo tema, outras muito
convergentes e o André é um gênio,
assim, um pesquisador jovem genial. E a
gente tem vários apontamentos que a
gente discute, debate, troca, etc, etc,
etc. E daí, cara, a gente conversa sobre
um alguns temas e faz os nossos
enfrentamentos. E o André uma vez veio
aqui em casa, foi engraçado, que a gente
tava, chegou aqui em casa, ele começou a
olhar os livros que eu tinha aqui e o
André falou assim: "Pô, mano, se alguém
vem aqui na casa do Bruno, acha que ele
é um conservador maluco, né? Porque só
tem texto na na prateleira assim, só
conservador
ou esquerda meio estranha, tipo do
Zizek. Eu tenho muitos livros do Zizek.
Li muito o Zac, muito mesmo,
especialmente ali no 2014, 2000 2012 ou
2015, eu li muito Zac, li bastante
mesmo. Eh, tinha umas sacadas que ele
tinha que me ajudavam muito e algumas
contradições do que ele trazia que era
bom em usar em aula, assim, adorava usar
em aula para provocação, essa coisa
toda. E ele é um cara que que é um
acadêmico, né, muito qualificado, que
entra no debate público desse que a
gente tá vendo aqui. Então ele também
tem esse esse ponto a favor dele. E aí
eu li muito,
obviamente muito com moderação, mas eu
tenho os livros e é um ponto legal, né?
Porque eu acho que tem coisa que é
interessante, coisa que você tem que
jogar fora absolutamente. E o velho
ficou maluco, né? Tá falando a grosia
mais maluca que a outra. Mas dito isso,
tô dando toda essa volta para dizer:
"Não descartem um autor, não é o caso
necessariamente nosso querido Gabriel
Dias Maxismos, não é isso. Eu estou
aproveitando o comentário. Não descartem
o autor por ele ter ficado maluco ou ser
esquisito. Ele pode ser muito útil, tá?
Eu tenho muito autor que eu utilizo,
extremamente útil. Ou como diria meu
querido amigo André, né, ou Bruno, ou
[risadas] Bruno se quem vê a biblioteca
do Bruno, que não é uma biblioteca, né,
os livros em casa, ele é um conservador
maluco, né?
>> [risadas]
>> Então é isso. Eh, deixa eu achar aqui.
Pronto, pronto, pronto, pronto. Achei,
achei o vídeo.
Então, comentários que a gente vai fazer
aqui acima. Vai ter muita coisa
interessante. E e um último aponto,
porque os autores que eu estudo, que não
são esses conservador maluco,
eh, tirando Marx, que eu tenho os livros
físicos, né? Marx tem os livros físicos
no geral. Os outros
ou caíram caminhões de PDF próximos ou
são autores que liberaram os PDFs de sua
obras completas, como é o caso do
Henrique Dusel, do Franzin Kelamts e do
Juan Rossé Bautista Segales, que me
mandou os livros dele. Então eles são
três autores que me influenciam muito
assim e o Wind Dirk também que liberou
os texto dele. Então eu li esses caras
tudo em PDF e aí os livros que eu tenho
casa, que são relativamente reduzidos,
né? Não cabe muita coisa aqui. Sempre
que chega um livro novo, minha esposa
quer me matar, porque 38 m² não cabe
nada. Eles me ajudaram muito, cara, ler
autores que liberaram os textos em PDF.
[ __ ] vitória do trabalhador, né?
Vitória do trabalhador.
Alexander, acertei. Querido Alexander,
como é que você tá? Tudo bem? Disse
cheguei atrasado, mas estamos juntos,
queridos baristas. Estamos juntos,
queridos. Querida Alexandre, vou até
tomar um gole aqui deste suco
maravilhoso em sua homenagem.
Ah, que delícia.
Vamos lá. Tá geladinho.
Ele ficou doido. Ficou dizer que tá
completamente maluco. Complet
completamente doido.
O livro dele de
Ideologia sobre totalitarismos. Tô para
terminar. Pois é. Pois é. Pois é. O que
eu gostei. Ah, pera aí. Minha internet.
Eu sumi, não voltei. Jesus, que susto.
Que que aconteceu aqui,
cara? Meu computador surtou. Pera aí,
pera aí, pera aí, perí.
Eita, ele não tá abrindo a página.
Ah, pera aí que eu vou ter que abrir de
novo. Meu computador tá velho e ele tá
tendo vida, ele tem vida própria, né?
Então, pera aí, deixa eu abrir de novo
aqui. Tava assistindo agora o vídeo de
desgraça.
O que eu gosto, tem alguns livros dele
que eu acho interessantíssimos. Tudo bem
que vários desses livros são os mesmos
artigos, né, republicados de diferentes
maneiras. [risadas]
Eu li lá o o Visão Paralaxe, achei
interessante, muito interessante.
Ah, especialmente para ver como ele
trabalhava a metodologia dialética a
partir de Hegel.
hoje mais estruturado e tem uma série de
ressalvas. Até tava lend relendo ele no
ano retrasado. Retrasado. No ano
retrasado tava relendo porque eu tava
trabalhando de novo com dialética como
método e falei: "Pô, vou reler isso
aqui. Fazia tempo que eu não lia". Tem
umas paradas muito interessantes. É
precisar de ser muito prolixo. Outro que
eu gostei foi vivendo no fim dos tempos.
Gostei, achei interessante, apesar de
ser artigos que estão em outros textos,
outros livros dele. Muito bom.
Especialmente quando ele, por causa
dele, eu cheguei num outro autor chamado
Jean Pierre do Pui, que fala sobre o
circuito,
é tipo um circuito racional de você
tentar antecipar catástrofes.
Sensacional. Por causa desse livro,
Vivendo no fim dos tempos, eu cheguei no
Jampiar do Pui falando sobre esse lance
do circuito racional de você antecipar
catástrofes e evitar, tentar evitar
catástrofes. É genial assim. Então são
são conexões que fui fazendo, que fui
encontrando. Então vale a pena. Nunca
rejeitem o autor pelo autor. Tenham
críticas, façam apontamentos. A galera
que fica chateada que eu fico criticando
nit, eu leio Niet, gente, só que eu não
sou tonto.
[risadas]
Então leiamos os autores. Diz quido
Borduna. Salve Bruno Chat. Salve querido
Borduna. Como é que você tá? Espero que
esteja bem. Aqui pontualmente atrasado.
A gente tá sempre atrasado e sempre
pontual aqui. É, na verdade quando é uma
live no YouTube gravado, tá tá de boa,
né? Você pode assistir a hora que você
quiser, então tá suave. Estamos em casa.
Deixa eu dar play no nosso querido
entrevista com Vladimir Safatle. É uma
entrevista recente. As contradições
morais do liberalismo. Deixa eu pausar a
música aqui. As contradições morais do
liberalismo.
Então vamos lá.
1 2 3. Sinara Menezes entrevistando
Vladimir Safatle.
>> Empobrecida por várias razões no debate
público e político. Qual a saída?
Obrigada.
>> Acho assim, tem várias questões aí
importantes, né, para que a gente possa
retomar a agenda do debate público, que
é um pouco essa. Eu poderia dizer bem,
uma delas, eu acho que é a classe
intelectual fazer efetivamente o seu
papel, né? Eu acho que a classe
intelectual existe, acho que ela não é
uma abstração, certo? Acho que isso faz
parte da maneira com que a organização
dos saberes funciona dentro de certas
instituições, como as universidades,
entre tantas outras coisas, certo? A
gente tem uma função social. A função
social, primeira delas é dar nome ao
problema, né? Já
>> excelente. Então vamos começar aqui uma
parte importante. Parte importante do
nosso papo aqui com Vladimir Safato.
Ele retomou o ponto que nós estávamos
vendo com Joel Pinheiro. Só que ele fala
assim: "Eu realmente acho que que existe
uma classe intelectual. Eu nem digo que
eu acho, eu tenho certeza. Uma questão
de função da reprodução social é um
dado. Existem pessoas que a sua função
na reprodução social é produzir
conhecimento, produzir ciência, discutir
ciência. Tá assim,
tá simples, tá fácil,
não, não precisa achar nada, tá, tá
dado, é um tado óbvio. Mas qual é o
ponto que eu acho interessante que
Vladimir ao destacar, e ele tá correto
que existe essa
classe intelectual,
quando você chama de classe intelectual
você perde algo importante ou pode
perder, no caso,
o papel desempenhado na reprodução
social. Esta classe, se nós olharmos não
só se ela é intelectual ou não
intelectual na divisão intelectual do
trabalho, que que ela faz, onde ela tá,
a gente chama muitas vezes quando olha
pro consumo, por exemplo, classe média
alta, ela tem acesso a certos bens
privilegiados que as outras não têm,
especialmente numa sociedade desigual
como a nossa. Então essa classe social,
essa classe intelectual, ela é uma
classe
que ocupa o que nós poderíamos chamar de
outro modo a classe média alta com
acesso à universidade, aquela que opta
dentro de seus privilégios
atuar na produção de conhecimento de
educação formal no ensino superior, seja
em pesquisa, seja em ensino, seja ali na
formação, na educação. Então esse grupo
é o grupo da tal classe média alta, da
tal, esse grupo de classe intelectual tá
ali. E curiosamente é aquele grupo que o
Joel Pinheiro estava discutindo,
certo? É aquele grupo que o Joel
Pinheiro tinha percebido. É aquele grupo
que o Joel Pinheiro de onde ele vem.
Então, na verdade aqui, mais uma vez nós
estamos nesse âmbito. Quando nós pegamos
esses representantes de uma discussão
acadêmica, intelectual, de interpretação
de país, nós não estamos conversando com
debate público generalizado. A gente tá
discutindo com uma classe, uma classe
específ, um fragmento desta classe que
tem uma posição específica e que
reproduz seus interesses ali e que ao
observar a sociedade brasileira a
observa de um ponto de vista de
observador externo, porque precisa fazer
isso. Essa é a discussão metodológica de
de produção do conhecimento que eu
gostaria de discutir um dia, uma
discussão de epistemologia mesmo. Tenho
tenho conversado muito com uma
professora amiga minha que é Suzi Pisa.
a gente tem conversado muito sobre isso,
que eu falei, eu preciso falar sobre
isso, eu preciso apresentar essa
discussão, que é a posição do
pesquisador que objetiva a realidade
como externo. Ela é necessária para você
fazer uma boa descrição, para você
apresentar cientificamente, buscar certa
objetividade,
certa estrutura com parâmetros
científicos. fundamental. Me coloco como
observador externo, só que eu também
tenho que me colocar como sujeito em
certo sentido. E quando você se coloca
como sujeito, você vai perceber que
talvez você nunca é aquele sujeito que
você tá falando e em certos momentos
sim, tem uma contradição aí que eu
costurei de trabalhar, mas o que importa
é o observador externo cientista, ele é
necessário, mas no caso da classe média
alta universitária, quando se coloca
como observator externo, ela vê tudo
como objeto,
absolutamente tudo. E quando ela se
coloca como sujeito, ela discute com a
universidade, porque ela tá ocupando
aquele lugar. E aí vem o o tal do
universitário que é antiuniversidade, o
professor universitário que é contra a
universidade, que não é o nosso caso
aqui. A gente tá fazendo uma crítica.
esse papel necessário de observador
externo. Não é uma discussão que a
academia não importa, ao contrário. Sou
apaixonado pela universidade, sou
apaixonado pela produção acadêmica,
tenho minhas dúvidas se esse é o lugar
que eu deveria ocupar na minha vida, mas
exis a crise, exida, estamos aqui. Mas
de todo jeito, eh, esse observador,
enquanto observador externo, quando se
coloca como sujeito, discute como com a
universidade. Nunca é o sujeito quando
ele se colocar que ele tá se colocando
com a classe trabalhadora que não tá
nesse grupo. Ele sempre vai ver ela como
objeto externo porque não tem como, ele
não faz parte desse grupo. Então ele vai
falar sobre os pobres de direita, os
bolsonaristas, que são esses
empobrecidos, os evangélicos, a
sociedade brasileira de suas massas. E
aí fala assim e quando conversa, o
interlocutor não é a massa, não é falar
você trabalhador pobre, evangélico de
direito, você bolsonarista, você não sei
não, ele não fala com esse sujeito, ele
fala com seus pares e os seus pares ele
pressupõe que são da classe média
tradicional e não sei o quê. Então fica
uma conversa nesse grupo que vê todo o
resto da sociedade enquanto objeto.
E essa discussão é genial. Esse ponto é
interessantíssimo. O Safat, ele tá
dizendo, ó, o intelectual, a classe
intelectual, ela tem que fazer cumprir o
seu verdadeiro papel. Mas na nossa
reprodução social, quando ela cumpre o
verdadeiro papel, ela se ela cumpre
externa aqueles grupos com quem ela
gostaria de estar aliada. Se ela é uma
militante de esquerda, por exemplo, ela
sempre vai estar externa. Tem algo de
como tem que tentar superar essa e e
essa estrutura. Isso fica muito
presente, cara. É muito claro. É ver
Pondé, vê como externo é esse cara, tal.
O rock que a gente falou, mesma fita,
mas o rock também já é uma caricatura da
internet. O Pedro Dória, mesma fita. O
Joel Pinheiro que a gente viu agora,
mesma fita e o Safatle, mesmo sendo de
esquerda, tem uma questão de posição de
classe que reproduz essa estrutura e é
isso que a gente vai ver, beleza? e não
a sacanajá. E o safato é um canal, é um
bandido, é um não, o que a gente tá
discutindo aqui não é isso. [risadas] O
que a gente tá discutindo é essas
contradições e esses processos que forma
esse sujeito e esse observador e como
ele se expressa aqui no discurso.
Beleza? É massa, pô. Vale a pena papear
sobre isso. Diz querido Ludvig L Nunes.
Ludvig classe média alta é que é uma
sessão da pequena burguesia. É, eu tenho
minhas maneiras de tentar trabalhar esse
tema aí, mas eu vou me eximir de gastar
esta moringa nesse momento por motivo de
que eu vou ficar 7 horas e ainda estou
levemente alcoolizado, o que significa
que esse papo perderia qualquer rigor
científico e acadêmico.
Dito isso, tá bom.
Diz, querido, querida Jéssica, essa
classe não produz mais valia ou tô
errado? Hum, realmente a gente vai
entrar num papo de bar complicado, que
deveria ser um papo acadêmico. Eu vou
segurar a informação. Se no meio dessa
conversa surgir algum elemento que eu
possa discutir sobre eh capital
produtivo e improdutivo, produção e não
produção, produção de valor e não
produção de valor, aí a gente vê, tá
bom? Mas vamos ver o que vai acontecer,
porque estamos aqui para ver a calvice
branca em ação também, sem querer, do
lado esquerdo da força.
Forçar, eh, quando a gente percebe que
você tem todo um sistema de procura
apagar o que tá acontecendo, isso já vem
de longe, né? desde a primeira eleição
do Bolsonaro, até todo um processo para
falar: "Não, não, isso aqui foi um
desvio de rota, né? Isso foi, se a gente
vai voltar à normalidade, né? As
instituições brasileiras são fortes, né?
Elas conseguem responder muito
claramente, certo, a todo a todo esse
tipo de degradação. Então, você tem toda
uma uma
mobilização retórica para não mostrar o
tipo de risco no qual nós estamos. Acho
que uma das coisas importantes é é a é
apontar os riscos, né, da maneira mais
clara possível.
O Erivaldo fala agora a pouco, eu vi
>> antes de ouvir o Eivaldo,
ó, que que o Safato lhe disse?
A nossa classe intelectual,
ao invés dela mostrar os riscos e
apontar os problemas, ela fica dizendo
que as a as instituições brasileiras são
suficientes,
que a gente consegue responder ao
fascismo existente de maneira adequada
pelas instituições liberais. E ele não
gosta dessa ideia.
Ele estaria certo ou está certo se a
gente não considerar como uma
totalidade? Porque ao frear o golpe e ao
garantir a punição do golpe, as
instituições responderam adequadamente
em sua totalidade?
Não, para sempre também não. Mas no caso
do golpe responderam adequadamente e
frearam. E nós estamos vendo diante dos
nossos olhos o derretimento das
lideranças bolsonaristas.
Beleza? Beleza? Estamos vendo diante dos
nossos olhos neste instante, no dia da
graça de 2000 de de 27/06/26,
nós vemos esse derretimento. A gente tá
vendo. Então assim, tranquilo.
As instituições cumpriram seu papel
pleno? Não, mas cumpriram. Neste caso,
nesse record, estão cumprindo. Show.
Isso resolve todos os nossos problemas?
Não, continuamos sob risco totalmente,
em especial porque nós temos 25 da % da
população que é mobilizada a extrema
direita e não há o que fazer. É um grupo
que está constituído. Eu falo isso aí.
Aí eu acho que desde 2017 eu discuto
esse esse grupo, esse núcleo de 25%. Já
vamos aí para quase 10 anos falando
desse núcleo, que é um núcleo que não
dá, cara. Tem 1/4 dessa da população
brasileira que tá fechada com fascismo.
É 1/4to. E é um quarto que tem uma rede
barulhenta, não só do discurso de
estrutura institucional.
Acesso à internet, acesso a alianças
interessantes, tem grana, tem
empresário, tem um grupo de classe média
forte atuando no seu papel de defensor
de capitalista safado. Tem um monte de
coisa acontecendo nesse grupo aqui de
25% que não tem muito o que fazer. Dito
isso, as instituições estão respondendo
bem, têm respondido bem, relativamente
bem.
Em total, não há riscos, muitos,
continuamos sob aí o o o Safato fala
assim, ó. E o problema da nossa classe
média intelectual é que ela fica dizendo
que são desvios, que ela tá fazendo uma
análise equivocada, como se o
bolsonarismo fosse um acidente.
Não é um acidente, mas também não é uma
necessidade.
Porque aí vem a falha da análise.
Na cabeça do Safatle, isso vai ficar
presente aqui na nossa conversa, a gente
vai ver
o fascismo, ele é uma necessidade
histórica. Ele tá acompanhando ele
sempre.
E a gente vai ver que não,
o que não significa que o bolsonarismo
tenha sido um acidente histórico, um
desvio do progresso, também tá
equivocado. Convido vocês a lerem o
texto que a gente fala sobre a ilusão do
progresso no nosso livrinho do fascismo
como religião. Não é um progresso que
estamos indo pra iluminação e aí tem um
desvio, estamos voltando à trevas. Isso
é uma bobagem, uma bobagem que se fala.
E tem uma galera da classe média
intelectual que reproduz isso, que pensa
isso, que pensou isso e que foi ingênua
diante do bolsonarismo. É verdade. E aí
o Safato ele tá discutindo com esse
grupo, esse grupo ingênuo. Só que esse
grupo ingênuo dessa classe média
intelectual, né, classe média alta, tal,
não sei o que lá, não é o grupo massivo
e nem necessariamente quem tá
funcionando como influenciador e
formador das classes populares. Ao
contrário, tem um gapzinho aí que a
gente precisa tratar, tudo bem? Então, o
interlocutor dele é esse grupo, ele tá
com esse grupo na mente. E as respostas
que ele tá dando e que ele vai procurar
solução é para esse grupo. Ele tá
discutindo com a classe média
intelectualizada,
especialmente do pessoal de esquerda,
que tá no núcleo universitário. Ele não
tá discutindo, fazendo uma análise da
realidade social brasileira como um
todo. Esta análise tá perpassada por
esta posição crítica que ele quer
assumir para dizer que eles estão
completamente errados. E aí vem um ponto
que eu gosto muito de distinguir e que
eu espero que eu esteja não esteja
equivocado. Se eu estiver, alguém vai
puxar minha orelha. O ponto é o
seguinte, prestem atenção, isso é sério,
muito sério.
Uma coisa é a minha polêmica com quem eu
quero discutir.
Outra coisa é a minha análise. Eu tomar
um objeto e analisá-lo.
Na minha percepção,
boa parte dos intelectuais brasileiros
confundem estes dois âmbitos.
Eles confundem com quem eles querem
polemizar,
com a análise que eles querem realizar.
Então, ao invés de pegar um objeto e
fazer uma análise e propor uma teoria,
essa teoria já é feita com a polêmica.
Eu quero me opor a esse grupo.
E ao fazerem isso,
ao fazerem isso, ainda que não
necessariamente com intenção, percebendo
o que eles estão fazendo,
a proposta sob
defasada, porque não é análise de um
objeto e apresentação para um público, é
a análise já para o público com quem ele
quer polemizar.
E isso atrapalha o processo da discussão
e da promoção de conhecimento.
Uma coisa é o âmbito da polêmica de de
mostrar os limites de uma determinada
análise, outra é a análise que eu tô
propondo, que no meu processo de análise
e de construção do que eu tô produzindo,
eu posso entrar em discussão, em
oposição, convergência ou divergência
com outros grupos. Mas eu não preciso
partir da oposição e polêmica ao outro
grupo para fazer a análise. É o
contrário. Se na minha análise eu
começar a me opor com outros grupos, eu
vou perceber. Assim como vou começar a
perceber as convergências.
E essa galera faz o contrário parte da
polêmica para depois ir paraa análise.
Aí cagou. Aí
aí já era. Saca?
Acho que não sei se ficou claro, espero
que sim, mas é algo que que é importante
discutir. Diz que do Ludvik, [ __ ] que o
Safato ele usa isso como argumento para
criar o bolsonarismo de esquerda. Eu não
sei se é um bolsonarismo de esquerda,
mas eu acho que é uma super valorização
do bolsonarismo. Eu acho que há e uma
ideia de que se a gente adotar as
táticas dos caras, a gente vai ganhar
mais rápido o campo. Bobagem também, tá?
Diz que Borduna: "As pontas derretem,
mas o core do iceberg tá firme." Que
intervenção externa como a lesma
defendendo o pote de sal. Eu não faço
ideia do que nós estamos falando. Ah, os
bolsonaristas agora faz sentido. Quer
intervenção externa como a eleição
defendendo pode agora eu estou contigo.
Perdão.
Diz que Ludvig,
número de telefone.
Exatamente isso. O Safatre fala que é
uma necessidade histórica para usar isso
como justificativa para que a esquerda
seja delirante. Palavras dele e
extremada como bolsonarismo. É exato. É
uma necessidade histórica. Aí que tá o
problema. Achar que o fascismo é uma
necessidade histórica. Isso aí é
bobagem. Isso aí não vai não vai dar
bom. Mas diz que do Ran custo. Mas o
Safatle parece estar muito mais
preocupado com a política eleitoreira do
que com a intervenção teórica. Aí eu não
sei. Sou incapaz de julgar as intenções
do nosso querido safak. Mas eu gosto de
discutir, tô aberto pro debate, tô
aberto pro jogo, porque assim aqui o
ponto não é tipo seu Bante, olha como
esse cara é maluco, não. Ele tem pontos
que ele tá correto, a gente tá falando
aqui.
O ponto
é sermos cuidadosos na análise crítica,
mas que eu não vou concordar com
determinadas saídas. E é isso. Bora lá.
Tá que a gente nem começou o papo.
>> Vi em vídeo Vladimir Safatole dizer a
Breno Altman que o fascismo é a versão
terrorista dessa sociedade dos
indivíduos. É isso mesmo?
>> É, eu eu queria eu tenho tenho duas
ideias que eu acho importante. A
primeira delas é o fascismo, ele tem um
tipo específico de violência. Então, se
a gente quiser entender o fascismo,
primeiro a gente tem que entender qual é
a violência que ele é constituinte.
E essa violência, ela tem uma
característica fundamental que ela é
baseada na dessensibilização
e na indiferença como afeto social
central, né? Ou seja, uma sociedade que
vai começando a funcionar a partir da
naturalização da dessensibilização e da
indiferença, né? Eu quem nós brasileiros
a gente entende isso muito bem. Basta
você lembrar a pandemia, que que foi
todo o esforço estatal de
dessensibilização social. Tem 700.000
pessoas morrendo ao teu lado, todo mundo
caindo. E a e a ideia fundamental era:
"Não, não, a economia continua, isso não
significa nada. Não há por fazer luto,
não há porque fazer dolo, não há porque
sentir essas mortes, não há porque se
perguntar sobre, afinal de contas,
porque elas estão ocorrendo. Isto é um,
é quase como as folhas que ca que caem
no outono, entendeu? É um dado natural.
Então, é claro, isso isso é um
experimento social, um experimento é
você
destroçar as redes de solidariedade
imanentes da sociedade, certo? para que
você vá criando esta ideia de que
efetivamente, certo, a dessensibilização
é uma é uma necessidade fundamental.
Pronto. Eu vou fazer uma pausa aqui
porque tem pontos interessantes a gente
discutir aqui. Tem gente que não gosta
que eu faço muita pausa. Perdão aí, foi
mal, não vim para agradar, vim para
fazer o necessário. Dito isso,
o que acontece? Tem um ponto importante
aqui do Safat, que ele tá plenamente
correto.
A dissolução dos laços sociais, ela é
fundamental, mas aí não para o fascismo.
Aí um ponto que eu gostaria de ajustar.
Isso aqui trazendo a teoria marxista,
né?
especialmente ali dos chamados trabalhos
antropológicos de Marx, né, escritos
antropológicos.
O o deriva-se, como diz concebista
Segalid,
a gente deriva, ao perceber o que que
Marx tá discutindo ali, que o
capitalismo ele depende da dissolução
dos laços comunitários. Da dissolução
dos laços comunitários.
Só que veja, não é o fascismo, é o
capitalismo. E é importante precisar as
coisas, porque você precisa de trabalho
livre individual.
Para que isso funcione, os laços
comunitários não podem estar
fortalecidos. Não é uma comunidade. Você
precisa de uma sociedade, dessa união e
conjunção de indivíduos, a sociedade
burguesa individualista, individual, em
que cada um vem sua força de trabalho,
livre do que veio para antes e livre do
que veio, do que vai vir futuramente em
abstrato, né? Então parece que você não
nasce numa classe social, você nasce um
indivíduo, parece que você não tem
condições externas dadas, você faz se
faz a si mesmo. Então, mas esse processo
depende de uma dissolução dos laços
comunitários. Safato, ele tá correto
nesse ponto, mas não é fascismo, é para
isso. Isso se reforça com o que ele
chamou ali de dessensibilização,
né? Correto? Também a gente tem que
ficar cada vez mais insensível. Qual é o
ponto que eu tcionaria? Fi tá certo esse
lance da dessensibilização. Mas aí eu
convido vocês a procurarem no Google
depois quem interessar. Conservadorismo
e bota meu nome, conservadorismo e Bruno
Requidal. tem artigos espalhados por aí
e um livrinho chamado Neoliberalismo,
eh, e conservadorismo no Brasil, em que
não reduzo a discussão ao lance da
dessensibilização.
Eu mostro como tem um elemento racional
nessa dessensibilização,
usando a uma teoria específica que é do
Fran Kilamert, fazendo uma análise da
racionalidade do mercado capitalista e
como ela tem um núcleo irracional dentro
dela, mas do processo da racionalização,
como ela produz isso que ele tá chamando
de dessensibilização, mas é a dissolução
dos laços comunitários, né, da
fraternidade. Weber já tinha percebido
isso e é legal, né, ler os textos de
Weber sobre modernização. Max Weba. O
Weber ele já diz assim que para onde o
mercado capitalista expande e avança, os
laços de fraternidade se enfraquecem.
Qualquer outro elemento que não seja o
cálculo ótimo perde força, que é o uso
dos meios para obter o fim. Qualquer
outro tipo de valor, ele perde força,
valor fraterno ou religioso ou
solidário, né? Então não é uma ideia
muito nova e nem tão revolucionária. Se
eu pegar o Weber, por exemplo, ele já
expressa isso. Qual é o lance? O cuidado
é não cair no lance da
dessensibilização. Isso é uma questão
desses sentimentos e e vontades e não
sei o quê. Tem um um uso racional do
processo. E a gente discutir então de
maneira mais global e totalizada.
Porque, ó, o capitalismo só avança
mediante dissolução dos laços
comunitários, correto? Já dá para ver de
Marx. Há esse lance de quanto mais o
capitalismo se expande, menor há os
laços fraternos ou de outros valores de
solidariedade, como diz Max Weba. Ou
seja, nem tô sendo aqui tão
revolucionário assim. E o elemento que
eu quero aqui aportar e criticar desse
ponto de vista é que não é o fascismo
que depende disso, é a expansão do
capitalismo. E a gente tira essa
necessidade histórica do fascismo, que é
algo que o o Safato tá tentando impor,
como não há o que fazer, não há
escapatória, o fascismo está posto como
uma necessidade. Falam: "Calma lá,
lindo, calma, calma, calma, calma,
calma, calma. Ele está presente e a
agência dos sujeitos para que isso
aconteça. Não é uma necessidade
histórica, porque ele pode nem estar
percebendo que ele tá sustentando isso,
mas ele tá. Tá bom. Diz querida Jéssica,
até porque a extrema direita tá aí,
Trump ameaçando e conseguindo acabar com
países da América Latina. Exato, exato,
exato, exato.
Diz querido fazer watch. Tipo o que está
acontecendo com Rick Azevedo agora? Eu
tô completamente perdido. Tipo o quê?
Perdão aí porque eu deixei passar o
tempo. Acho que eu errei.
O quê? O que o quê?
Eu falei muito, desculpa. Diz querido
Borduna. Engus descreve o fim da
sociabilidade do campesino inglês indo à
cidade devido aos cercamentos, sobrando
apenas o culto, à igreja, aos domingos e
lá influenciados a serem ordeiros pelos
religiosos. Exato. Pronto. É isso. Essa
destruição desse tipo de laço
comunitário. O processo de modernização,
ele é muito violento, né? ele não é um
processo muito agradável.
Eh, e ele depende dessa dissolução de
laços comunitários, laços sociais, laços
eh que são constituídos por muito tempo
entre famílias, entre grupos, nas
comunidades, né?
É o que sofreram e sofrem muitos povos
originários, é o que sofreram e sofrem
muitos camponeses. O processo de
modernização no Brasil dependeu dessa
destruição de laços comunitários. Envio
da mão de obra proas cidades, né? Seja
pela seca, que aí vem a família toda,
seja por cada vez mais dificuldade de
subsistência e você vai mandando um
filho, manda o filho pra cidade, manda o
outro, depois a família para lá para
conseguir um dinheiro, tal. Aí chega nas
cidades, você vai ficar onde? Vai ficar
nas periferias, levanta um barraco num
terreno ali irregular e vai
constituindo. Vem as chamadas
comunidades, que na verdade são favelas,
né? As favelas. Vem as favelas, vem
organização toda, o pessoal no primeira
geração se conhece, na segunda já
ninguém sabe mais quem é quem. já começa
a insegurança total, insegurança na
periferia
e vem essa loucura das do processo de
urbanização, capitalismo, né?
Capitalismo produz essas coisas. Você vê
que eu não precisei utilizar o termo
fascismo para poder fazer a análise
desse processo. Então aí eu chamareia
atenção para este ponto. Mas tudo bem,
sigamos mais um pouquinho.
Isso é um lado. O outro é que é claro,
dessensibilização e diferença pode ter
em várias outras situações, vários
outros tipos de sociedade em várias
épocas. Por que que ela específica do
fascismo? Porque tem um tipo muito
próprio da sociedade dos indivíduos.
A gente costuma dizer bem, isto é uma
crise do capital que gera o fascismo. O
capital produz não só objetos, ele
produz também sujeitos. Capital não é só
um modelo de produção econômica, é um
modelo de produção de subjetividade. Não
tem capital sem indivíduo, sem a ideia
de indivíduo. E o indivíduo, ele antes
de mais nada, é alguém que nasce sob o
império do medo. Um pouco de hobbies na
vida do de todo mundo, não vai fazer mal
a ninguém. vocês lembrarem, afinal de
contas, como Robs, que pelo menos tem a
virtude de ser eh, digamos assim, um um
um testemunho honesto da Constituição do
que vai ser efetivamente a sociedade
liberal, né? lembrava bem, tem um
fantasma fundamental nessa sociedade, é
que existe uma guerra imanente de todos
contra todos, porque são indivíduos que
estão em competição a todo momento, são
indivíduos que estão em concorrência a
todo momento, são, se não tiver um poder
estatal, quer dizer, esses indivíduos
começam efetivamente a entrar em guerra
em guerra contínua, né? Então, ou seja,
eu tenho medo do outro indivíduo. O que
o que é característica da sociedade do
indivíduo é: eu tenho medo do cara que
tá do outro lado da minha porta. Se eu
não trancar minha porta, ele pode
entrar, ele pode vir me despossuir dos
meus bens, ele pode. Você entende? Essa
sociedade baseada no medo, certo? Ela
quando entra em crise faz com que os
indivíduos comecem a funcionar de
maneira abertamente segregadora,
abertamente agressiva, abertamente
violenta, né?
E aí o grande ponto é, tá correto? Se
você for olhar, é, somos indivíduos
isolados uns dos outros, tem esse
processo de justificação do ódio ao
alheio, né, da fragmentação social, etc,
etc, etc. Tô de boa, tá aí tranquilo. O
grande ponto é por que isso tá conectado
ao fascismo? E aí é engraçado que
enquanto ele vai argumentando, enquanto
o safato ele vai argumentando, ele vai
percebendo, mas eu posso ver essa falta
de sociabilidade em outros grupos, eu
posso ver em outros movimentos, não é
necessariamente fascista, não é não sei
o quê. Essas ressalvas ele tem que fazer
porque é um um uma argumentação tão
abstrata que é própria do capitalismo
que não precisa ser fascista,
entendeu? Então na verdade é uma perda
da objetividade ou do manejo do conceito
de fascismo.
E aí o fascismo vira qualquer coisa.
Então ele meteu um hobbs é hobbs na vida
de ninguém não vai fazer nenhum nenhum
mal tal. Então a gente tem agora uma
perda desse dessa função. E a perda
dessa função, ela vem inclusive com
perda do tal do rigor, né, do uso do que
que ele tá querendo fazer. Mas é eh é
isso, né?
Eh pronto, seguimos mais um pouquinho e
já já vamos pular para nosso outro
calvo.
>> Então, ou seja, a isso faz com que a
nossa crítica ao fascismo seja uma
crítica a às formas da macroestrutura
social e também as formas da
microestrutura social, né? O indivíduo
não é um contraponto
a uma sociedade autoritária.
Essa é uma tese que eu queria insistir
muito. O indivíduo é uma figura da
sociedade autoritária.
Ele traz no seu seio a naturalização de
todo uma um princípio autoritário.
Porque o indivíduo é aquele que não vê
certas coisas. Ele não é só aquele que
afirma os seus sistemas individuais de
interesse contra os poderes do Estado e
coisas dessa natureza, como os liberais
gostam de fazer acreditar. Ele é, é
sempre bom lembrar o Lock, né, o pai do
liberalismo, ele é ao mesmo tempo o cara
que define que defende a tolerância e a
e os e o sujeito que que era que era
senhor de escravos nos Estados Unidos,
né, em colônias norte-americanas. E esse
paradoxo que eu acho interessante, esse
que é o paradoxo
compreendido. Como é que o sujeito pode
ser pode afirmar um valor aqui e negá-lo
ali?
>> Essa parte é relativamente tranquila,
né? Essa parte é relativamente
tranquila. Como é que ele pode aceitar
em um? Porque um indivíduo que ele tá
discutindo é de um tipo específico, de
um lugar específico que faz as coisas de
um jeito específico. Não é qualquer
indivíduo humano. Ah, aqui tá uma
discussão que não tem a ver com
individualização ou não, mas quem é
humano e quem não é. E aí um papel de
uma coisinha chamada racismo.
Racismo.
Racismo. Essa construção da ideia do
racismo em que você nega a subjetividade
e a humanidade de outra pessoa
e reduza ela a um tipo de grupo. E aí
você pode reconhecer a liberdade de uns
e defender a necessidade da escravização
de outros, que é uma maluquí, é uma
canalice.
Mas pouco tem a ver e contribui para
esse papo sobre fascismo, sobre
capitalismo, sobre não sei o quê.
Essa parte é relativamente simples
assim, mas tudo bem, vamos mais um
pouquinho.
E como isto é um elemento constituinte
da sua existência, né,
>> do próprio ser humano, né, você fala, eu
concordo com você desse fascismo que tá
o tempo inteiro entre nós, mas tem uma
coisa que me intriga e eu queria te
perguntar, eh, de fato, hoje no mundo
existem muitos líderes com esse perfil,
né? Nós temos eh Milei, nós temos o cara
da Hungria que saiu agora, o próprio
Bolsonaro, Donald Trump. O que que
causou essa ascensão do O fascismo tá tá
no tá tá na tá em ascensão, né? Tá em
ascensão. O que que causou essa
ascensão? Foram as redes sociais? Tem
gente que atribui as redes sociais? Não,
eu acho que ele o fascismo é uma
resposta racional às nossas crises. Eu
queria insistir muito nesse aspecto. A
gente tem um tipo de leitura meio
deficitária que consiste a dizer, não é
porque você tem um punhado de gente
ressentida, frustrada, marcada
negacionista, que acredita terra plana,
acredita em fake news. Você percebe
sempre uma explicação deficitária. ou
sujeito ele tem um um déficit cognitivo,
ele é burro, ou sujeito tem um déficit
moral ou ele tem um déficit psicológico.
Eu eu queria quero queria sair disso que
eu acho que inclusive essa tipo de
análise é politicamente catastrófica.
Politicamente catastrófica porque se for
assim, certo, você tá falando que
setores expressivos das populações e não
é uma coisa de classe média das
populações mesmo de classe trabalhadora,
certo? Elas têm problemas de problemas
cognitivos,
elas têm problemas morais e
psicológicos. Isso não faz o menor
sentido, vocês me desculpam.
Na verdade, assim, com todo respeito,
faz muito sentido, tá? Tem um quarto da
população que tem um problema sério,
problema da capacidade de convivência.
Inclusive
tem um quarto da população que eu tá
tranquilamente, eu falo: "É burro".
[risadas]
É burro sobre critérios racionais.
tranquilamente, ficou tranquilamente.
Mas veja, eu acho interessante a
argumentação do Safat pelo seguinte: o
problema dele começa com o fascismo como
uma dessensibilização
e agora ele é uma resposta racional às
nossas crises
e essa contradição da argumentação dele,
ela é sofisticada, ela é cuidadosa,
não é uma posição que tem que se
discutir e que não é tão simples da
gente conseguir sacar. E assim, por que
que eu tô falando isso? Porque é o o
lance do eu preciso ser muito munido de
conteúdo para poder fazer essa
discussão. Não, mas ela tá vem dessa
posição crítica, que é o que a gente
tava falando agora há pouco. Ele
primeiro fala sobre o lance da
sensibilização, dessensibilização, essa
individuação. Então é nesse mundo dos
afetos do do de ser afetado,
sensibilizado, dessensibilizado.
E aí esse é um é um polo. Outro, o
fascismo tá aqui, tá na
dessensibilização,
mas ele é a resposta racional às nossas
crises.
Então, ele não é um desvio.
Como é que se junta esses dois polos?
Como é que você junta? Ele junta da
seguinte maneira. Ele fala um e fala o
outro. Agora falta aí o leitor ou o
ouvinte quem tá de fora vai tentar fazer
essa conexão.
Boa sorte. Eu preciso de uma organização
sistemática mínima de compreensão do ser
humano, de sociedade, de funcionamento
das coisas, para que eu possa englobar
essas duas coisas, esses dois elementos,
para que eu possa constituí-los. Se eu
quero perceber que há um processo
próprio do capitalismo de dissolução das
relações comunitárias, é uma coisa
do capitalismo, mas ele conecta essa
dissolução à dessensibilização fascista.
Por outro lado, ele tá dizendo agora que
essa dessensibilização fascista é uma
resposta racional dos indivíduos à
crise, então indivíduos que agora eles
são racionais, eles são
dessensibilizados.
Então, eh, como que você conecta esses
dois elementos? Não sei. Aí você não tá
conseguindo juntar esse processo. E o
pior que tem a ver com uma pergunta que
acho que o nosso querido fazer o watch
fez aqui.
Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê?
Cadê? Cadê? Cadê?
Aqui. Fascismo é uma opção individual.
Então, aí que tá, né? Aí que tá. Aí você
tem um movimento de massa, o fenômeno
coletivo, que você tem que analisar de
maneira coletiva e ao mesmo tempo agora
você é obrigado a perceber que ele é uma
resposta individual a problemas
coletivos e a uma mobilização de massa.
Então, [ __ ] é aí que entra o processo,
é aí que entra a dificuldade,
né?
E o grande problema para mim, ouvindo,
né, como ouvinte, é que ele tá reduzindo
ao processo a necessidade do fascismo.
Então ele tem que encaixar como uma
necessidade histórica o fascismo para
dizer que é uma resposta racional e que
apela para dessensibilização. Por quê?
Porque o fascismo é uma necessidade
colocada, ele tá sempre presente, que é
o que a Sinara colocou na pergunta dela.
Tá sempre presente. Ela tá sempre
presente, né? Então é difícil, não é
fácil, mas tá nessa argumentação e ela
fica completamente perdida e ela falta
essas conexões mínimas e o observador
externo, né, f, não, não é só da classe
média, é das classes populares. E aí
fica subentendido porque das classes
populares, então a gente não deveria nem
estar criticando, deveria aceitar essa
resposta da classe popular, porque se a
classe popular está tendo essa resposta,
a gente tem que entender ela, entendeu?
Ou [ __ ] para tá fazendo bobagem. 25%
da população brasileira está fazendo
bobagem. E eu tenho que dizer, vocês
estão se fazendo bobagem, vocês estão
sendo burro.
Amo vocês, mas vocês estão sendo burro.
Somos compatriotas, mas vocês estão
sendo burro.
Tudo bem. Burro. Burro mesmo. Burro.
Burro. Ah, não. Mas ele tem uma
justificativa, tem um porquê. Eu posso
encontrar todas as causalidades
possíveis. Na hora de você tomar uma
decisão, você tá sendo burro por não
olhar objetivamente qual é a sua posição
de classe e o teu papel na reprodução
social. Se você não faz isso, você está
sendo burro.
Pronto. Acho que resolve relativamente
simples, né? Para mim tá tranquilo aí.
Eh,
exatamente, disoludifica. E ao dizer que
é uma resposta é racional, ele estimula
o irracionalismo. Exatamente. Porque a
pessoa tá sendo burra e ele tá dizendo,
se a tua resposta é burra, ela é
irracional. Eu consigo dizer isso, sendo
muito sincero, mas é porque eu, o grande
ponto tá num tipo de crítica feita. A
crítica que eu faço é que na
racionalidade capitalista ou na
racionalidade
moderna propriamente dita, ela tem um
núcleo irracional, mas aí eu tenho que
demonstrar esse núcleo irracional. Não é
o tipo de de argumentação sofisticada
aqui que a gente tá vendo aqui, é o
contrário, tá? [risadas]
Desludifica o povo mesmo usando um monte
de fida e o mundo em muitos aspectos.
Exatamente. Amo vocês, apesar da
burrice, né? Basicamente isso. É como a
gente lida com familiar bolsonarista. Eu
te amo, mas você é burro, né? Fazer o
quê?
Ih, travou aqui. Pera ver. Não apertei o
botão direito. Vamos finalizar.
Eh, e politicamente não é assim que se
age, né? Eu diria, não tem uma tem um
cálculo racional dentro desse processo,
né? E é importante entender esse cálculo
racional. O que que esses líderes estão
falando? Estão falando, não tem
sociedade para todo mundo, certo? E a
gente alguém, a gente vai ter que fazer
uma partilha. E bem, eu garanto a
partilha. Olha, se vocês se adaptarem
melhor à ordem econômica, vocês vão
estar preservados, né? Vocês vão ser
bons empreendedores, vocês vão estar
preservados. Se vocês estão dentro da
mesma comunidade de fé, que é uma
comunidade de fé que determina então um
pouco a prevalência de certas populações
no nosso território, nem vocês vão estar
preservados. Se vocês são daqui, vocês
não são estrangeiros, vocês vão estar
preservados, certo? Então assim, eu
defendo um grupo, é isso, né?
E a gente percebe com essa argumentação
do porque o cálculo seria racional, que
ele é completamente irracional, né?
Completamente sem racionalidade. Você é
parte do grupo de fé, beleza. Se você
apostar aqui no mercado, beleza. Se você
nada, não tem nenhuma consistência
racional, nenhuma. Nenhuma. E aí eu
convido vocês, eu não vou poder
trabalhar agora por motivos de tempo,
mas depois coloca a análise que a gente
tem feito, né? Bota conservadorismo,
reikal e o tipo de discussão que a gente
tem feito sobre essa conexão entre esses
elementos racionais de tal
conservadorismo. Mas beleza, beleza,
beleza. A última parte, nós temos um
último calvo que eu estou devendo para
vocês, mas eu vou cumprir, que é o nosso
querido Juliano Spire, né? que daí eu
acho que vai ser o calvo que mais
exemplifica o que a gente estava
discutindo aqui, porque ele é um calvo
que discute os evangélicos e ele é muito
honesto nesse sentido ao apresentar
a posição de classe dele, que que ele
fez, como ele faz, né? Que que ele tá
discutindo, tal. E eu vou pegar aqui
para vocês verem. Eu tô em dúvida se eu
pego este daqui que ele fala
na igreja ou se eu pego da entrevista
dele.
Dúvida cruel. Acho que eu vou pegar na
entrevista. Entrevista pro Bob. Bob
Fernandes. Adoro o programa do Bob.
Quer ver?
Pegar
aí, pera aí, per. Perdão, perdão,
perdão.
Pera aí, pera aí, pera aí, pera aí, pera
aí.
Aqui, aqui, aqui. Pronto, pronto.
Ah, perdi.
Pronto. Vamos lá. Antes eu vou vir aqui,
deixa eu rapidinho ali. Um segundo. Um
segundo. Eu tô chegando. Um segundo.
Deixar vocês com a musiquinha legal. Um
segundo, um segundo, um segundo, um
segundo.
Volto num instante.
Não, não essa não. Essa aqui
o segundo. Volto num instante.
[música]
>> [música]
[música]
>> Pronto, resolvido. Deixa eu ajeitar
aqui, botar uma musiquinha para nós.
Pronto. Deixa eu botar aqui, ó. A
[música] gente vai ver agora o nosso
querido Juliano Spire, que talvez seja o
menos conhecido dos nossos calvos. Mas é
um cara que trabalhou e pesquisou os
evangélicos, mas na verdade a pesquisa
dele nem era sobre evangélicos, se
tornou sobre evangélicos. O nosso
querido Juliano Spire, [música] ele era,
pesquisava internet, o uso da internet,
um antropólogo ligado essa parada, fez
uma pesquisa com o gringo
sobre o uso das classes populares à
internet.
Eh, então tem que ser necessariamente a
partir dos anos 2010, né? Porque antes
disso não tinha tanta classe popular
utilizando internet.
E aí ele fez esse estudo e chegou nos
evangélicos, porque os evangélicos usam
muito internet e ele se interessou por
esse grupo em específico e começou a
discutir sobre ele. Fez o o dever de
casa. Então nisso eu tenho que tirar o
chapéu pro Jan Spyer porque ele
realmente tem uma bibliografia muito
boa, tem referências muito qualificadas
sobre evangélicos, assume honestamente
que não é um grande pesquisador dos
evangélicos, mas que fez esse estudo e
tal. Qual o problema? metodologia que
ele utiliza. E aí a gente vai ver duas
coisas. Uma honestidade dele do ponto de
vista do da calvice branca, que a gente
tá discutindo, legal esse ponto, coisas
que os outros não fazem, eles não
assumem sua calvice branca. E aí a gente
vai fazer uma discussão sofisticada
sobre a metodologia de trabalho do
Juliano. Mas vamos lá, vamos lá, vamos
lá, vamos lá, vamos lá. Calvice Branca
assumida e reportada
e vale a pena. e especialmente um
grupinho aí que me interessa que são os
evangélicos no Brasil. Vamos lá,
Juliano. Foi.
>> Você historiador e antropólogo, seu
doutorado foi sobre como e por o Brasil
popular, ou seja, o Brasil dos pobres, é
a esses aos quais você tá se referindo,
né? Eh, mesmo tendo menos dinheiro e
escolaridade, usam muito a internet.
E esse esse trabalho terminou te levando
exatamente ao universo evangélico.
Eh, você como pesquisador escolheu morar
em um ano e meio num bairro popular de
Salvador.
Quando e por quê? E se você pode dizer
que bairro era esse ou se isso você não
diz no livro porque seria uma questão de
alguma forma sensível.
Primeiro ponto importante, como nós
estamos falando sobre a calvice branca,
você como pesquisador escolheu morar num
bairro popular
num determinado território nacional, foi
na Bahia, na verdade,
na grande Salvador, né? Ele foi paraa
grande Salvador na Bahia.
Nós da do grupo de de investigação da
revista Zelota descobrimos o local
específico, diga-se de passagem. Ou
seja, deu para achar. [risadas]
Temos um trabalho obsessivo. Dito isso,
eh, nó
escolheu morar, né? Escolheu morar entre
esse pessoal. Aí vem a posição que eu
quero, tô chamando atenção desde o
início, desde a quarta-feira para cá,
desse observador externo, né? dessa
classe média alta que observa esse
fenômeno curioso do pobre,
esse fenômeno curioso da periferia, né?
E aí quando ele escreve, isso não é uma
sacanagem do esperto, tô falando desse
personagem de pesquisador de classe
média, classe média alta, universitário,
quando escreve sobre a periferia,
escreve para apresentar pros seus pares.
Então, escreve vendo este objeto
externo, né? escreve apresentando essa
galera como se tivesse descrevendo um
determinado fenômeno aleatório, um
determinado fenômeno exótico, que é o
pobre, que é o morador da periferia, que
é não sei o que lá, que não vai se
reconhecer nesse trabalho e nem tem como
se se reconhecer, ele nem tem como, nem
é esse o papel, porque é esse espaço da
classe média alta produtora de
conhecimento
deste local, né, que que tá presente em
todos os caras que a gente conversou até
agora, que que é visível isso que é
visível. Então, apresenta descrevendo
este objeto, tem essa função estranha e
aí produz uma série de contradições
esquisitíssimas e que aí vem a
autoridade para dizer desta posição,
porque aí veja, eu não tô contra a
academia, não tô contra a universidade,
não tô contra ciência. Eu tô dizendo que
é esta posição que te garante a
autoridade para falar sobre. E por que
que vão te ouvir? vão te ouvir porque
você está nesse lugar como esse
observador externo. E aí eu, pô, para
mim é muito crítico, muito maluco
imaginar que o professor Gedeon Freire
Alencar
não tem o espaço midiático e nem o o as
posições de analistas sobre o fenômeno
religioso que o Juliano Spyer tem,
porque o Gedeon, que inclusive é
referência por pro o Spider, porque ele
tem que ler o Gedeon para poder discutir
os evangélicos, o Gedeon é um
nordestino.
Gedeon vem de camadas mais baixas.
que teve que batalhar para fazer o a
pesquisa de mestrado, doutorado dos
cambáqu evangélico, é das assemb, vem
das assembleias de Deus, não é mais, mas
veio das assembleias de Deus, tem esse
papel de observador e sujeito que
vivencia esse negócio todo, mas ele não
tem acesso à rede,
não tem acesso a essa exposição de
privilégio. Então ele não vai ser ouvido
como autoridade e quando ele falar
muitas vezes não vão ouvir como
autoridade. Mas eu já vi isso na minha
frente. Foi um dos melhores professores
que eu tive na minha vida. Tem uma
diminação bizarra para ele. E não vão
não vão ouvir ele como autoridade, vão
ouvir com olha esse cara que fala aqui
sobre os evangélicos, mas tal, vão ouvir
como autoridade de quem? o Juliano
e não o problema ser o Juliano. Juliano
faz um trabalho legal, fez uma descrição
bacana sobre os evangélicos, só de
inscrição, metodologicamente tem um
monte de problema, fez uma descrição
legal, mas ele vai aparecer como essa
figura da referência no debate público,
com acesso à Folha, com acesso à Globo,
com acesso a essas redes que só uma
classe média privilegiada tem. Então
enquanto o calvo branco, ele acaba
compando esse papo, né? E a gente aqui
novamente a gente calvice branca como
essa figura relativamente interessante
que a gente criou, que é desse cara que
por que tem determinada posição de
privilégio herdada consegue daí sua
autoridade sobre um tema e poder falar
sobre isso e sobre talvez tudo, né?
Sobre qualquer coisa que ele quiser.
É aí que tá nosso papo. Mas vamos lá.
Eh, eu fui porque eu tava eh fui parte
de uma equipe de pesquisadores que
estudou as causas e as consequências do
uso da internet no mundo. Eu fiz essa
pesquisa no Brasil, o a nossa equipe
tinha nove pessoas, então duas ficaram
na China, uma na Turquia, uma na Itália,
enfim, muitos lugares. E isso aconteceu,
a minha pesquisa de campo propriamente,
né, o período em que eu morei nesse
bairro em Salvador, começou em abril de
2013 e terminou em agosto de 2014
direto. E o lugar, eh, esse é um detalhe
muito importante para quem faz pesquisa
antropológica. pesquisa antropológica,
ela diferente das outras pesquisas que a
pessoa chega e sai. A gente cria
vínculos de amizade, a gente habita a
casa das pessoas e muito em função disso
a gente conhece o que a gente consegue
conhecer em conversas muito privadas.
Então, contratualmente, pelo eh o órgão
que financiou a pesquisa, que é o
Conselho Europeu de Pesquisa, nós
anonimizamos não só o nome do lugar, mas
todas as referências que possam levar à
identificação de qualquer pessoa.
>> Exato. Como disse nosso querido Ludvig,
todo mundo empenhado em estudar essa
espécie estão mudante. O pobre. Exato.
Depois essa espécie tão abundante, o
evangélico, né? Essa espécie tão
abundante, o pobre evangélico. Mas todo
mundo, quem? Quem é esse sujeito que tá
empenhado em descobrir?
Vocês entendem nisso? a pesquisa do
Gessé Souza, que conscientemente sabe
sua posição de classe, sabe o seu
interlocutor e assim como Juliano Spider
é muito honesto na hora de apresentar a
pesquisa, porque o Juliano é honesto,
muito honesto, intelectualmente honesto,
apresenta qual a posição dele, o que que
ele fez e transparente, né, diferente de
quem tenta em alguma outra parada. Muito
massa.
O Gessé, ele, eu aprendi na pesquisa
dele, no trabalho dele, de falar assim:
"O que nos forma são instituições e quem
ocupa o papel na instituição
reproduz
essa o processo da posição de classe que
ele ocupa.
Então, quando o GC diz isso, ele percebe
isso, ele fala isso claramente, ele tem
muita consciência de quem são os
interlocutores. É genial a pesquisa
dele. Quando ele faz isso, é você
pensar, quando você vê uma pesquisa
sobre, olha, os evangélicos no Brasil,
quem produziu essa pesquisa com certeza
é uma pessoa de classe média, que tá
apresentando os evangélicos para outros
de classe média, não é para interesse
geral. Esse interesse geral, esse
observador público, esse esse grupo
genérico não é a população, é a
população que está discutindo pesquisa.
É classe média conversando com classe
média.
Ah, Bruno, então não tem que ter
pesquisa, não? Não tô falando nada
disso. Ah, então a classe média não tem
que fazer. Não tô falando nada disso. O
que tá errado e a gente ter uma
desigualdade tão grande em que o
privilégio e a posição de classe que
você tem, em que a as redes de
privilégios que você ocupa, os acessos
que te garantem, fazem com que você
observe um outro grupo social como
objeto externo.
Isso é um problema da reprodução social
brasileira. A desigualdade tem esse
efeito também. uma classe intelectual
que se vê fora da massa popular que
compõe a maioria da população
brasileira. E isso aparece nas nadições
de interpretação do Brasil. N n n
infinitas contradições de interpretação
do Brasil do cara que não se vê enquanto
participante daquele grupo, enquanto
sujeito envolvido naquele processo.
Quando fala o pobre, não viu que ele é o
pobre. Quando fala o evangélico é porque
não tá ali nesse grupo, então é externo.
Quando fala que o trabalhador ele tá se
colocando como externo, mesmo não
percebendo. Você é um trabalhador,
criatura. Mesmo você que é pesquisador,
ao falar do trabalhador, você tem que se
colocar numa posição de observador que
externalize o seu caráter de observador
que vê o cara de fora. É por isso que eu
quero fazer essa discussão metodológica
para dizer: "Cara, você tem que
conseguir fazer esse duplo jogo de
observador e de sujeito que você tem que
se implicar no processo." Que digo de
passagem, percebi isso graças ao
glorioso Carl Marx. [roncando]
Marx em O Capital constantemente,
constantemente apresenta o capital
descrevendo o objeto
e o capital do ponto de vista do
trabalhador que sofre com os efeitos
desse sistema descrito. Isso é genial.
Bem-vindos à genialidade desse ser
humaninho chamado Carl Marx, que faz as
duas coisas ao mesmo tempo na leitura do
capital. Então, se você é uma pessoa que
teve acesso a um vocabulário rebuscado e
ao capital e tá com esses privilégios
tal qual eu pude fazê-lo, eu leio
enquanto observador e me encanto e
brilho o olho a descrição do capital.
Mas sabe qual é a parte que falta? A
leitura de você observador observar
quando o trabalhador é citado. E aí você
vê você enquanto sujeito trabalhador
sofrendo sobre esse negócio do capital.
Por isso que a leitura do capital na
academia, na universidade, no ambiente
institucional especializado dentro de
uma sociedade desigual se torna tão
abstrata e genérica. Ela perde o caráter
de texto em função dos trabalhadores, em
sua atuação do dia a dia, em sua
observação enquanto sujeitos desta
realidade. Porque o cara que ocupa essa
posição relativamente privilegiada, dada
a reprodução social capitalista na
universidade, vê esse processo como algo
externo. Ele não se percebe enquanto
trabalhador.
Não se percebe.
E aí não percebe que Marx fala sobre o
sujeito trabalhador, do ponto de vista
do sujeito trabalhador
e apresenta essa dupla dinâmica. E a
gente tem que aperfeiçoar. Nem sei se
Marx metodologicamente tinha tanta
consciência disso, mas ele fez isso. E
aí, percebendo esse processo, a gente
tem que fazer o mesmo, porque do
contrário, vira o papo de calvice
branca, ainda que você não seja calvo,
ainda que você não seja branco,
mas reproduz calvo branco.
Beleza?
Vou mais um dedinho aqui. Esse papa aqui
é bom, pô. Eu gosto desse papa. Eu vou
ler.
Mosquei. Perdão, perdão, perdão, perdão,
perdão, perdão,
perdão, perdão, que eu esqueci de
colocar o vídeo aqui. Pera aí, pera aí.
Mosquei, mosquei, mosquei, mosquei,
mosquei. Falha minha, falha moral da
minha parte.
as falhas morais do liberalismo de
Bruno, que não coloca o vídeo na maneira
adequada.
>> Nós anonimizamos não só o nome do lugar,
mas todas as referências que possam
levar à identificação de qualquer
pessoa.
>> Uhum. Como foi essa aproximação? A, a
princípio, pelo que eu li no seu livro,
né, até pensando que você era um
policial, um tira, você tava perguntando
muito, né? Você recebeu uma ameaça
sutil, né?
Tipo, tá tá perguntando muito, né? Eh,
como foi, como é que você se aproximou,
como é que você conseguiu se encaixar
ali e tal, você chegando ali branco, com
cara de de de gente de outro lugar,
paulista, falando com eventualmente com
Retroverso, etc. Como é que você se
centrou ali?
Então, foi eh foram vários elementos,
né, para ser bem sucinto. Primeiro, uma
imensa dose de entusiasmo, né? A
pesquisa antropológica, ela permite que
a gente viva uma outra vida paralela,
né? Então, você vai para um lugar que
você nunca poderia imaginar que você
viveria, né? Eh, isso tem o seu aspecto
bom ou ruim. A segunda questão foi paraa
aproximação do desse grupo evangélico,
apesar deles não serem o tema da
pesquisa, foi uma questão bastante eh eh
clara de uma dificuldade de interação
com mulheres adultas em geral, eh que
dentro do espaço do bairro criava
constrangimento a menos que acontecesse
em situações muito específicas.
Então, se eu não tivesse interagindo com
essa mulher adulta no caixa do
supermercado ou na loja, eh, isso se
tornava
>> imediatamente eh, fofoca em relação a
uma possível relação entre nós dois.
Isso não acontecia com as mulheres
evangélicas, né? Eu tive muito mais
possibilidade de interagir com mulheres
adultas que eram evangélicas do que as
outras. E por último, por esse,
>> por que isso você acha?
>> Eh, por uma, eu
eu acho, não, eu sei, eh, porque
aconteceu muitas vezes, né, por uma
questão de confiança de casal, né, eh,
fora da igreja, os mundos masculino e
feminino são muito separados, né? Então,
o espaço do homem, eu tô falando do
homem popular e muito particularmente do
Nordeste, mais ainda particularmente,
né? Ele é da casa para fora, né? É onde
ele trabalha, é onde tão as redes de
sociabilidade, ele se desloca para onde
ele quer. Muitas vezes tem famílias ou
relações paralelas, né, eh,
concomitantes. Então, é o espaço da da
do bar muito. E o espaço da mulher é o
espaço da casa. estão aí divididos
esses, né, da casa, da cria, quando a
mulher trabalha fora, eh, continua sendo
demandado dela que mantenha o a atenção
em relação aos filhos e, eh, muito da
ética
da criação
dentro do espaço da igreja, ele
fortalece essa esses vínculos de
confiança.
E tanto que é
muito esse lugar que eu morei, ele fica
onde em Salvador é conhecido como a
costa dos coqueiros, né?
>> Então começa ali logo depois de do
aeroporto e vai até Aracaju e tem a
Praia do Forte, tem Arembep, etc. Eu
fiquei
>> Vas Atlântico por lá, né? É, a partir de
vilas do Atlântico para cima, mas sempre
do lado esquerdo da pista, da autopista,
na da BA99, que é o lugar onde estão
esses bairros trabalhadores, né,
>> onde onde moram as pessoas que trabalham
nos hotéis, nas pousadas, nos
condomínios, né? E
tá o suficiente. Acho que já deu para ir
bem, né? Vamos para algumas partes
importantes. Primeiro que com tantas
informações a gente consegue achar o
local com tranquilidade, não precisa de
muito esforço. Dito isso,
dito isso.
Ai meu Deus. Sabe o o
tem um caso específico, né? Talvez seja
uma história bem específica. O pai tem
uma ideia brilhante. Fala: "Filhão,
você gosta de jogar um um futebol ou
gosta de jogar um basquete?
Vamos ali na quadrinha do bairro ou
vamos ali na na no parque aqui em São
Paulo, sei lá, uma um parque aleatório.
Vamos jogar uma bola lá, um basquete, um
futebol com a galerinha. Vamos jogar lá.
Aí o moleque chega, né?
Aí o moleque chega lá
e toma um vareio. Chega assustado, vê os
cara quatro vezes tamanho dele. Menino
sempre ficou ali no no apartamento
pequenininho, sempre jogou com os
amiguinhos, com o pessoal da escola,
todo roliço, todo com as bochechas
vermelhas, branquinho, animado, chega
com seu uniforme do Lakers para jogar,
tal, e apanha, toma um vareio e e fica
assustado. Meu Deus, eu não esperava por
isso com esses caras que são sempre
profissionais. Esses caras aqui jogam
todo fim de semana, leva a sério. É a
Vera, é a Vera cotovelado, trombado,
tal. É basicamente a ingenuidade com a
qual o nosso querido aqui foi morar numa
periferia por opção, né? Ele optou morar
na periferia, optou morar na periferia,
não é com quem tem que morar na
periferia, ele optou morar na periferia.
E aí ele descobriu que na periferia,
onde a maioria não é branca, ele jamais
imaginou morar lá, onde o pessoal não
tinha o sotaque dele, não tinha o jeito
dele,
tinha certa aversão e preocupação com
ele. Deve ser um policial, chegou
fazendo um monte de pergunta, chegou
entrevistando a galera como quem tivesse
ali no passeio do parque para jogar a
bola com a galera e começou a perceber
um ambiente hostil.
Quem diria, não é mesmo? Quem diria?
Como disse nosso querido Ludvig, pô
cara, como é que você não poderia
imaginar que viveria exatamente na nossa
cabeça, coisa mais natural do mundo. Tem
tem fronteira que eu não cruzo porque eu
sei o que eu vou passar naquele local.
Tem lugares que eu vou tomar cuidado,
vou chegar no sapatinho de manha. Por
quê? Porque vai dar ruim. Hum. Por que
será, né? Que que será que ia acontecer?
Não sei. Não sei o que que acontecer,
querido fazer watch. Que que será que
acontecer? Ninguém. Exato. Lud. Imagina.
Impossível imaginar ser pobre. Imagina,
imagina um lugar local aí, né? Que que
local é incrível. Chegou, foi
surpreendido pela realidade. Realidade
brutal [limpando a garganta] e difícil e
complicada na vida das pessoas. E que
ele começa a perceber coisas, né?
Perceber coisas. Nossa, olha, o papel do
homem da porta para fora, vai no bar, o
papel da mulher na porta de casa, fica
no doméstica. E e veja, isso não é
demérito da pesquisa, isso não é a
questão de que ele tá descrevendo coisas
que para 90% da população fala: "OK,
tá, qual é a novidade, né?" 90% da
população brasileira vai levar,
tá?
Hum. Qual que é o problema? Que qual é o
ponto, né? Qual o ponto? Não entendi.
Não entendi
porque isso é o ponto do camarada que tá
ali apresentando o o o a descrição desse
objeto externo para seus pares,
pra galera que não faz parte desse
mundo, né? E aí é engraçado porque uma
galera vai se deslumbrar com isso. E aí
ele tem acesso a a as cadeias de TV, de
de televisão e rádio e internet e não
sei o quê, para poder fazer a descrição
desse universo desconhecido que é o
pobre, né? A pobreza. Olha que incrível
esse objeto externo. E isso é é o lugar
que E por que que o cara tem essa
posição? pelo pela posição de
privilégio. Eh, é isso. E aí a gente tem
que ficar esperto, cara, porque essa
autoridade de poder falar umas paradas
muitas vezes não é necessariamente pelo
qualidade do da pesquisa, pelo avanço na
teoria, pela inovação, é simplesmente
porque você ocupa o local correto e
ponto.
Porque na boa, eu li o trampo do Spire e
não tem nenhuma inovação. Ele descreve
os evangélicos,
descreve. Ele fez uma descrição, uma
descrição que você encontra em qualquer
outro trabalho sobre evangélico.
Qualquer outro, minimamente. Isso é um
óbvio, a obviedade das obviedades,
mas por alguma razão em determinado
círculo, dentro da mídia tradicional,
dentro de espaços de debate se tornou
uma referência. E eu não tô falando de
mérito, pô. Legal, divulgação massa,
conteúdo bacana. Ele tem uma
bibliografia incrível, ele é honesto
quando ele apresenta, ele fala: "Cara,
eu não sou evangélico, eu vejo do ponto
de vista externo, ele nem
necessariamente foi um trabalho super
acadêmico, não sei o quê. Ele tá
correto, ele é um cara honesto nesse
ponto, tá tudo certo." O, a grande
questão é o do ponto de vista da
observação social, por que que isso
ganha uma relevância desse tamanho?
Que que tá acontecendo? Diz quita Lis,
como é que você tá, Lis? Tudo bem? Eu
sou do povo, eu sou um Zé ninguém. Aqui
embaixo as leis são diferentes. Exato.
Cavadão, biquíni [risadas]
diz Ludvig. Eu seria do mesmo jeito em
qualquer periferia paulista. Ele fala
como se fosse algo daqui do Nordeste de
Salvador. Exatamente. Na verdade, na
periferia aqui de São Paulo, como
morador e habitante do Capão Redondo, eu
te digo que você estaria muito em casa,
né?
você encontrar, na verdade, nordestinos,
filhos honestos, nordestinos,
massivamente. Massivamente.
Teve esses dias, uma amiga minha,
inclusive uma amiga minha trabalha num
jornal aí e o jornal quis falar sobre o
Sotax de São Paulo, acho que foi
aniversário de São Paulo, foi no começo
desse ano, fez uma reportagem sobre
sotax de São Paulo e aí foi rodando o
Sotax de São Paulo e apresentou uma
pesquisa que foi feita sobre sotax de
São Paulo. Muito legal a pesquisa,
inclusive, interessantíssimo. Mas foi
mostrando como a periferia de São Paulo,
o sotaque é o quê? Diferentes tons e
graus de estados do Nordeste brasileiro.
Periferia de São Paulo fala com o
sotaque nordestino. A minha filha,
porque a minha esposa, ela é neta de de
paraibano, né? A minha a como é que fala
a avó da minha esposa em relação a mim?
Não sei qual é o grau de parentexo
parentesco, mas ela é paraibana e a
família toda, né? Então o tipo do R
puxado para que não é correr convexo,
né? Como que nem o o Bob fala, ele vai
passando de geração em geração. Então a
minha filha, ela fala um R que eu não
falo, que é o a porta. Porta, ela engole
o R aqui dentro assim que eu não faço.
Falo porta ou porta, dependendo do dia,
que vou misturando sotaque também. E ela
vai utilizando Neymar. Eu falo Neymar,
ela fala Neymar, mas vem desse de
geração em geração de grupos. Então você
tem essa mistureba toda, né? Então você
ia se sentir muito em casa na periferia
do São Paulo, [risadas] tá praticamente
em casa, né? Tá praticamente em casa.
Eh, exatamente, onde é que fala o meu? O
meu é fala na classe média paulista,
especialmente ali o pessoal do Morumbi
ou do centro da cidade fala: "Meu, tipo,
meu, tá ligado? Meu, meu, meu não, meu."
A o Adinê tem uma uma interpretação, né,
da dos diferentes sotaques em São Paulo.
Ih, pera aí que meu gato tá quase
cometendo um homem, um suicídio aqui.
Pera aí, Leonelo, pelo amor de Deus.
salvando o gato de sua própria loucura.
O Adin tem uma maravilhosa, né,
mostrando os sotaques paulistas, né?
Fala do sotaque, sotaque, o sotaque aqui
do capão redondo, ele fala: "Tá ligado,
mano? Você é louco, tio." E aí faz
aquela voz grave e tal. Aí vai falar do
sotaque da zona leste, fala: "Você é
louco, tio? E aí, mano? Tá doido e tal".
E tem essa parada também. E aí vai
fazendo o da Moca, né? Que é o italianês
lá, tipo bolsa. E tem o de classe média
do meu nome é Stephanie, eu faço ele
públicas aqui na FGB.
É engraçado, [risadas]
é da hora, mas é essa essa parada
diz que do Borduna. Tipo Vergu,
candomblé para elite brasileira. Tipo
isso, mas para quem convivia na
comunidade não era novidade alguma. É
exatamente isso. Bruna, eu li o texto do
Spire, falei: "E que que que que inovou
aqui?
Absolutamente nada. Amenda, meu nome é
Amenda. Amanda que é Amenda.
[risadas]
Eu adoro esse esse
fazendo sotax de São Paulo é muito bom,
velho. É bom demais. Mas deixa eu pegar
aqui pra gente finalizar. Que que que é
isso? Eu tô fazendo essa discussão toda,
mas ela vem aqui de uma de um papo eh
sofisticado. E aí a gente já fez react
de vídeo, vamos finalizar com react de
texto, tá bom?
Deixa eu abrir aqui, pá,
porque veja, o meu problema aqui não é
com Spire, não é só com com safato e não
é com o Pondé. Em última instância eu
estou fazendo um entretenimento para ser
uma discussão qualificada.
Vocês vem aqui achando que é treta, que
é bait e toma conhecimento.
Vou finalizar compartilhando aqui um
papo que eu puxei com o nosso querido
Spire.
num artigo que eu publiquei pela revista
Zelota,
recomendo que leiam inclusive a revista
Zelota, em que e acabou meu meu suco
aqui.
Que triste. Ter comprar mais para
assistir o jogo depois.
E aqui tá no o texto, né? E o título do
texto é:
Quem fala dos evangélicos e por isso
importa. Só que assim, esse texto ele é
construído a partir de uma estruturação
metodológica mesmo. Então, meu debate
aqui é menos, me preocupa menos quem são
sujeitos e me preocupa mais os caminhos
escolhidos para as pesquisas. E esse
debate do ponto de vista da classe
social que a gente tá trazendo aqui.
Veja que esse artigo já tem 3 anos, né?
3 anos atrás, deve ser mais até. E aí eu
não vou ler inteiro porque de acordo com
o site leva 21 minutos para ler esse
esse texto todo. Imagina. Vocês não iam
suportar ouvir minha voz, né? Mas qual é
o ponto? Qual que é o ponto? Quando o
Juliano Spyer, querido Juliano, em seu
trabalho de pesquisa, descreve os
evangélicos, ele naturaliza o
conservadorismo evangélico,
porque ele só descreve. Ele não tem
nenhum ponto de vista crítico ou
inovador na pesquisa. Então, a
apresentação dele sobre os evangélicos
naturaliza o conservadorismo. E aí,
Juliano Spider desconsidera as disputas
políticas inerentes às instituições
religiosas, que, em geral, privilegiam
ideologias de classes médias, mesmo
entre os mais pobres. Que é aí o que eu
gosto de puxar o papo, tá bom? Então
esse é o é o resumo, né, a linha fina
aqui do artigo em que eu quero
demonstrar que ao descrever os
evangélicos e apresentar sua posição
naturalizando o conservadorismo, na
verdade o que o Spire acaba fazendo é
privilegiando ideologia de classe média,
mesmo que entre os mais pobres, porque
os mais pobres podem, apesar de serem
pobres, reproduzirem ideias que não lhes
são convenientes do ponto de vista da
reprodução social. E aí quando você
percebe isso, você pode dizer pro seu
amigo pobre e para mim também e para
outra pessoa dizer: "Você é burro". Que
é o que o Safat não queria fazer com
diante de um bolsonarista. O Safato
falou: "Você não pode chamar o cara de
de de burro?" E eu falo, tem que chamar
de burro. Aliás, deixa eu ver se eu acho
um vídeo aqui maravilhoso, que é o
exemplo disso, um vídeo religioso.
Nossa. E de um cara legal. Deixa eu ver
aqui, ó. Deixa eu pegar aqui. Cara,
vocês vão gostar disso. É muito rápido.
Acabei de lembrar disso. Vale a pena.
[suspirando]
Eh, bispo,
levanta.
Pobre.
[suspirando]
Eh, cara, esse vídeo é maravilhoso.
Aqui, aqui, aqui. Nossa, esse vídeo é
muito bom, mano.
Que que acontece? Que que acontece? Eu
vou mostrar para vocês. Se vocês não
rirem, vocês morreram por dentro.
Ó, se vocês que acontece e o exemplo
claro do que eu tô tentando discutir
aqui, tá nesse vídeo aqui, ó. Um bispo
numa atividade religiosa
no dia dos pobres, teve um tem o dia
mundial dos pobres, né? Alguém criou o
dia mundial dos pobres. Obrigado por
essa pessoa que lembrou da nossa
existência num determinado dia. Ele
criou o Dia Mundial dos Pobres e
aconteceu isso aqui. Prestem atenção. Se
você não ri, você morreu por dentro.
Preste atenção.
>> Dia mundial dos pobres. Então eu vou
pedir que os pobres que estão aqui agora
se levantem. Vocês pobres se levantem
aí. Desse lado também. Irmã, peça para
eles se levantarem aí, os meus pobres.
Vamos saudá-los com a salva de palmas.
Os nossos pobres serão abençoados,
porque o Senhor vai derramar o seu amor.
[canto]
Os nossos pobres serão abençoados,
porque o Senhor vai derramar [canto] o
seu amor.
>> Derrama,
Senhor. Derrama, [canto]
Senhor. Derrama sobre ele seu amor.
[canto]
Derrama,
Senhor. Derrama, [canto]
Senhor.
[risadas]
>> Isso é muito bom,
maravilhoso.
Ai, vocês pobre, levanta o pobre que tá
do seu lado. Pega o pobre pela mão,
levanta ele aí e fala: "Vem pobre, vem
com a gente". [risadas]
Ai meu Deus do céu. Ai ai. E você vê que
é um cara progressista, o padre de
esquerda,
é o cara preocupado aí com os pobres que
estão abandonados.
Ai Jesus. O pior que o cara é um aliado.
Mas o que que acontece? Essa posição que
o cara não percebe a classe que ele tá
ali. Escapou, né? O pobre levanta o
pobre que tá aí. Vocês pobres, vem
comigo cantando. E é isso que acaba
acontecendo, que a gente não leva em
consideração esses esses elementos.
[risadas]
[suspirando]
Ai ai ai. Vocês pobres, vocês pobres.
Vamos lá, vamos lá, vamos lá. É o objeto
e o e o seu observador, né, cara? É
muito bom esse vídeo, velho. Vocês vamos
lá, hoje é dia dos pobres, então levanta
o pobre que tá do seu lado. Levanta aí,
pobre. Sacanagem. Nas últimas décadas,
progressivamente, o movimento evangélico
passou a ocupar mais espaço em notícias,
reportagens e editoriais de de veículos
tradicionais de mídia, e [roncando]
também se tornou objeto de pesquisa de
artigos acadêmicos. A maior demanda por
conteúdos que abordem
esse ainda eh esse fenômeno religioso
exigiu a garantia de espaços
especialistas na temática. Considerando
ainda o aumento da participação de fiéis
lideranças e representantes evangélicos
na vida pública brasileira, em especial
em eleições majoritárias realizadas a
partir do ano da graça de 2010, a
abordagem desse grupo religioso se
tornou determinante para mobilização de
setores populares. Então, um grande
contexto que ainda chama algo
interessante, que a partir de 2010, que
no chamado debate público, que não é
debate público, é debate da classe média
tradicional e dos veículos
tradicionais de mídia ocupados pela
classe média, eh se torna então objeto
de interesse.
Nessa conjuntura recentemente,
um dos autores que tem ganhado relativo
destaque na mídia tradicional para
tratar do movimento evangélico é o
antropólogo Juliano Spider, que tem
buscado realizar um diálogo sobre o que
considera o mundo evangélico.
Entretanto, o diálogo é realizado entre
quem e com quem, né? Com quem que ele tá
conversando e entre quem. O diálogo é
entre a classe média, como a gente já
disse, a classe média tradicional
conversando com ela mesma. Esse diálogo
cumpre qual papel? Qual o seu propósito?
A quem interessa e para quê? E veja que
aqui não é uma questão de intenções, é
dentro da reprodução social.
Para propormos ou para analisarmos um
diálogo, é fundamental levarmos em conta
quem são os interlocutores envolvidos,
né? Se eu vou analisar uma conversa
sobre um tema, quem são os
interlocutores? O cara que tá falando,
quem é, tá onde? Opa qual posição? E ele
tá falando com quem? Se é o debate
público, qual é o público com quem ele
tá falando? Quem é esse público que
tanto lhe interessa?
Apesar de aparentemente óbvio, em um
debate, quem conversa, com quem se
conversa e a quem a palavra dirigida são
relações determinantes para construirmos
o conteúdo da discussão que estiver em
jogo. Por exemplo, no caso do Vladimir
Safatley, que a gente comentou agora, o
com quem ele conversa é com a Academia
Brasileira de Esquerda Progressista, que
estaria dizendo que o bolsonarismo é um
desvio e ele quer polemizar com esse
grupo. Então, toda a construção teórica
dele ali sobre fascismo e não sei o que,
tá polemizando com esse grupo. Ele quer
tensionar dentro da esquerda um
determinado debate e isso altera o modo
como ele expõe e constrói a sua análise.
Tudo bem? Sim, pode parecer óbvio, mas
isso muda tudo.
O tópico das conversas é apresentado de
diferentes maneiras, a depender dos
interlocutores envolvidos. Porque se o o
Safatle tivesse discutindo com os
bolsonaristas e não com a esquerda, ele
estaria provavelmente apresentando
ideias e análises da sociedade
brasileira de maneira diferente, mas ele
já apresenta puxando para debate, pra
polêmica da esquerda. Então, a análise
já tá direcionada para tensionar a
esquerda e não para fazer a análise do
fenômeno. No caso do Spire aqui, a
descrição do fenômeno que ele tá vendo,
que o Spayer descreve e apresenta, ele
também apresenta pro grupo da classe
média progressista à direita. Faz o
contrário daí, né? Apresenta para esse
grupo tradicional para conhecer esses
evangel esses pobres aí, os pobres que é
dia do mundial dos pobres e apresentar
os pobres pro pessoal que não conhece os
pobres. Uma pesquisa científica em
curso, por exemplo, precisa ser
apresentada de modo diferente aos pares
acadêmicos e a um leigo que não tem
qualquer contato com objeto trabalhado.
Porque eu não vou escrever e aí uma
crítica que eu vou fazer aqui, porque
alguém pode estar pensando: "Ah, viu,
pesquisa acadêmica e tese, ela tem que
que ser para todo mundo". Não, não tem
não. Ela é feita na academia pro pessoal
da academia. É um ambiente qualificado
de pesquisa qualificada. Aquela frase do
a pessoa, a senhora que trabalha e aí
escolhe alguma profissão aí subalterna,
subvalorizada, com salários baixos e
pouca instrução para desempenhar as suas
funções. Ah, essa senhora tal, não sei o
que lá, ela tem que conseguir ler minha
tese. Não, não tem que, porque a tua
tese era pros pares acadêmicos,
científicos daquele grupo. O problema é
esse não ser divulgado ou disseminado
paraa maior parte da população. Mas
também nem tem como, porque um cara vai
se especializar em fazer foguete e o
outro vai se especializar em análise do
objeto da realidade social. Então assim,
também não vai dar para trocar ideia com
tanta simplicidade. Então, uma coisa é
você produzir a sua ciência na tese,
outra é você divulgar. Na divulgação, aí
sim você pensa, como é que um leigo vai
entender? Como é que o maluco que nunca
estudou essa birosca vai entender o que
eu tô falando. Aí você escreve de
maneira mais acessível. Mas isso é
diferente de você fazer uma tese. A tese
é outra função. Então, uma coisa coisa,
outra coisa é outra coisa. A gente não
faz essas duas coisas. E aí confunde
tudo e só atrapalha.
Mas vamos lá. Não se trata de uma
questão de qualidade da informação, mas
o tipo de trabalho especializado das
regras requeridas em diferentes
ambientes e em especial do interlocutor,
né? Com quem você tá falando? No
ambiente acadêmico, eu não tô falando
com todo mundo, eu tô falando com uma
pessoa específica, com um grupo
específico, com alguém específico. É
diferente, é completamente diferente de
um debate no chamado ambiente público,
no espaço público. Completamente
diferente.
Tá acostumado com determinada linguagem,
com certa conduta acadêmica, com o uso
de certos instrumentos e ou recursos.
Para cada uma dessas questões estão
pressupostas uma série de aprendizados
individuais e sociais. condições
específicas para o desenvolvimento de
certas habilidades e competências.
Porque, por exemplo, se você tá na
classe média, você tem acesso a umas
paradas. Se você não tá, você não tem. É
basicamente isso. Claro, em uma
sociedade capitalista como a brasileira,
o acesso a esses recursos, que em geral
viabilizam e ou potencializam indivíduos
para a realização de um trabalho
específico é um privilégio garantido a
poucas camadas da sociedade, conhecidas
como classes médias.
Grande debate da classe média com ela
mesmo. E aí eu vou pular aqui. Parará
parará parará parará.
Como acadêmico, ao tratar do fenômeno
evangélico brasileiro, Juliano Spyer
nota em seus trabalhos que, por vezes
pesquisas ignoram ou desprezam o papel
desempenhado pelas igrejas na reprodução
social brasileira. Ao considerarem
preconceituosamente os fiéis abre aspas
manipulados, fecha aspas, e como pobres
rendidos ou abre aspas ignorantes, fecha
aspas, a mercer de lideranças religiosas
corrompidas. Qual é o problema aqui?
Pera aí, pera, pera aí. As pesquisas
ignoram ou um debate específico dentro
de instituições de mídia? Porque eu
conheço as pesquisas acadêmicas sobre os
evangélicos e elas são extremamente
qualificadas e não caem nessa armadilha
que o Spider tá apontando aqui. O Spider
tá discutindo com outro grupo, mas tudo
bem.
Nesse aspecto, o antropólogo está
absolutamente certo no que diz respeito
aos acadêmicos de classe média
esclarecidos que não pesquisam os
evangélicos, que comentam sobre os
evangélicos, que aí vem um ponto
importante. Tem um monte de gente
falando sobre evangélico que não é que
fez uma pesquisa, que estudou uma
pesquisa, que conheceu os caras, que foi
entrar no campo, ele só joga opinologia.
Tá sobrando gente na num ambiente aí que
tá jogando opinologia, mas a pessoa pode
falar porque afinal ela é de classe
média, ela é a calva branca. E aí o
Spyer tá correto em criticar os seus os
seus pares calvos brancos que saem dando
opinologia sem conhecer o tema.
Aí ele tá correto, mas no ambiente
acadêmico tem uma porrada de gente que
ele não não considera, mas tudo bem,
vamos lá. E ou de uma classe média
tradicional que assume uma posição
aparentemente crítica da religiosidade
enquanto nega alienada a realidade
efetiva das relações sociais
constituídas nas igrejas. em mídias
sociais no Brasil emergente, que é a a
tese pesquisa do Spire que o Bob tava
comentando, afirma correntemente que,
diz Spire, fora de alguns círculos
acadêmicos específicos que incluem
cientistas sociais que estudam grupos de
baixa renda, presta atenção, fora esses
grupos que fazem o trabalho acadêmico
específico, ou seja, se eu tirar todos
os pesquisadores sérios que fazem o
trabalho sobre os evangélicos,
>> [risadas]
>> As contribuições dos evangélicos para a
sociedade praticamente não são
reconhecidas ou são tratadas como
manipulação. Aí fica fácil, né? Se eu
tirar todo mundo qualificado que faz
pesquisa sobre os evangélicos,
efetivamente, o pessoal aí só tá falando
bobagem, ó.
Então, ele não tá discutindo com as
pesquisas qualificadas sobre os
evangélicos. Ele não tá inovando a
teoria, ele tá discutindo com esse
chamado debate público, em que aparece
um monte de gente opinando sobre o tema.
E aí ele tá correto, mas aí ele tá
simplesmente tirando todo mundo que faz
uma pesquisa qualificada, tirando esse
grupo que faz pesquisa qualificada, o
pessoal tá falando bobagem, pô. Aí fica
fácil, né?
Aí fica fácil. Poucos reconhecem que as
organizações evangélicas promovem
ativamente a alfabetização e também são
intermediárias entre membros das igrejas
e serviços especializados, incluindo
médicos e advogados. E ao, abre aspas
reciclar as almas, fecha aspas, de
viciados em drogas e criminosos forcem
fornecem um serviço para a sociedade de
muito mais qualidade do que a polícia e
o governo sequer poderia almejar.
Finalmente, a cristandade evangélica é
particularmente positiva, uma vez que
inibe violência doméstica, alcoolismo e
estimula intimidade entre os casais.
Reduz as diferenças tradicionais de
gênero entre homens e mulheres e apoia a
ambição dos jovens em estudar e evoluir
profissionalmente. É praticamente o
paraíso na terra. Você entrou na igreja,
meu amigo, você tá
perfeito. Mas por que que isso tem
validade? Porque esses aspectos que o
Spireer disse realmente acontecem na
igreja. É uma regra? Não, mas isso
acontece. Tem a galera que larga droga,
larga o uso abusivo de álcool, faz não
sei o quê. Ah, garante o ponto A, ponto
B, massa. Todo mundo não. Mas ela faz
esse papel, assim como a associação de
bairro também pode fazer, mas ela faz
esse papel. Mas a galera que não conhece
esses aspectos internos da igreja
vai reproduzir o que tem de opinologia.
E aí essa galera que tem de opinologia,
normalmente da classe média com quem o
Spider tá discutindo, vai falar: "São o
gado, são não sei o quê". Mas aí o a
caricatura que o que o Spyer criou para
poder discutir com ele, porque no início
ele excluiu todo mundo que faz pesquisa
qualificada, que qualquer pesquisa sobre
evangélico que você for ler ressalta
esses pontos que o Spider colocou aqui.
Por isso que a pergunta do meu artigo é:
com quem se fala sobre os evangel quem
fala sobre os evangélicos e com quem
fala? Porque é o Spider falando com a
classe média. tradicional que não
conhece o tema e ele descreve. Só que aí
por causa da posição privilegiada e dos
acessos, ele se torna uma referência,
enquanto toda a pesquisa qualificada
existente parece que nunca existiu.
[risadas]
Aí é embaçado, cara. Aí que vem o lance
do Eu vou até ler aqui, vou ler um
trechinho aqui. Quer ver? Por exemplo,
com a ressalva dos círculos acadêmicos
específicos, né? Se você tira todo mundo
que faz trabalho qualificado específico,
aí fica fácil, que podem incluir, por
exemplo, grupos de cientistas da
religião, como a Rede Latino-Americana
de Estudos Pentecostais, a RELEP, que
reúne trabalhos excelentes sobre
evangelicalismo que não caem em lugares
comuns simplistas, como manipulação,
etc. O autor aponta sua crítica para o
trabalho acadêmico abre aspas em geral,
realizado por pesquisadores de classe
média. Aí vem a pergunta: "Mas quem
seriam esses pesquisadores cegos de tais
aspectos e destinatários interlocutores
da crítica realizada por Spire? Quem são
essas pessoas?" Uma nota na mesma obra
dá uma pista quando o autor considera
não haver interesse de pesquisa sobre
brasileiros de baixa renda por parte de
cientistas sociais de classe média. E aí
veja, ele diz: "O pessoal aí da classe
média na universidade não quer estudar
pobre, não quer estudar a renda baixa."
E aí o que que ele diz na pesquisa dele?
Dado que abre aspas, esses acadêmicos
tendem ou tenderiam a adotarem, adotar
uma percepção patológica dos pobres.
Então, vê o pobre como um doente, como
um problemático, ou escolherem estudar
grupos mais exóticos, como os
quilombolas e ameríndios.
Quantos dados de pesquisa vocês acham
que eles ele apresenta para dizer que os
antropólogos na universidade preferem
quilombola, a meríndio ou trata pobre
como doença?
Eu digo um total de zero, tá? Mas aí
coisa minha,
mas ele já criou o fantasma contra o
qual ele vai discutir, contra o qual ele
vai debater.
E ele deixou uma pista ali. Olha, o
pessoal tá indo estudar aí os
quilombolas e os indígenas como
exóticos. Eu não, eu escolhi como
exótico esses pobres
no Dia Mundial dos pobres. Levanta o
pobre aí e eu vou cantar a musiquinha
com os pobres. Derrama, Senhor, a bção
sobre o pobre.
E aí ele mete essa e ainda esse grupo
exótico dos evangélicos
que não se conhecem, que pouco há
pesquisa sobre eles,
porque ele excluiu todas as pesquisas
especializadas do início, né? Então,
eu não vou ler o artigo inteiro, mas em
última instância a discussão ela é
metodológica,
porque essa descrição do Spyer vai virar
praticamente uma apologia dos
evangélicos, né? Eh, é isso. Depois eu
recomendo que vocês leiam. Vou até
mandar quem quiser ler depois o artigo.
O artigo ficou legalzinho.
Eh, essa é uma apologia praticamente dos
evangélicos, uma descrição que se torna
apologética, porque ele também não olha
as classes sociais, né?
Ele não olha as classes sociais
envolvidas no processo, nem as classes
sociais dentro da igreja. E aí vem para
finalizar a nossa conversa hoje algo que
tá presente no Safatle, que tá presente
no Pondé e em especial e na papo que a
gente ouviu do Joel Pinheiro, que é o
seguinte:
essa galera vai fazer análise da
realidade brasileira e cria uma
oposição, não entre classes sociais,
não cria oposição entre classe social,
cria oposição entre pobres, classes
baixas,
classe intelectual.
Percebe o descompasso, a oposição entre
elite intelectual,
que na verdade é uma classe média alta,
e os pobres. E o pobre empobrecido, né?
não é equivalente.
Essa seleção de oposição entre grupos,
ela não é equivalente entre o papel do
intelectual destacado comat e os
trabalhadores
entre o o intelectual destacado pelo
pelo spa e os evangélicos. Porque que
parece que o evangélico, por exemplo,
não ocupa posição intelectual em algum
momento na universidade. Você não tem,
você tá opondo coisas que não são
equiparáveis,
porque você tá abstraindo a posição da
classe e colocando elementos culturais.
Você pode até chamar de classe, classe
intelectual, classe pobre, mas classe
pobre é um elemento econômico, classe
intelectual é um elemento cultural
e você tá equiparando. É a mesma coisa
que dizer os evangélicos e a esquerda,
né? A esquerda como uma posição
ideológica e os evangélicos é uma
religião. Então, por que que você tá
abrindo esses polos, né? São polos que
não consideram a reprodução social
porque não se assumem no ponto de
partida qual é a classe à qual pertencem
e discutem entre classe sem destacar a
classe. Não quer colocar exposta à
classe média discutindo com ela mesma
que a gente aqui chamou de calvice
branca.
é a calvice branca que não assume sua
posição de classe de classe média
tradicional, aquela que já os pais era
formado, fez fez pós-graduação, tem
posição criativa, tem posição eh eh
privilegiada na reprodução social e que
dá tempo para você estudar, se formar e
ter acesso a uma rede privilegiada para
poder falar o que você quiser. E aí a
gente tem essa autoridade aí garantida
nesses espaços e que metodologicamente
são bem complicados, tá bom?
Era isso que tínhamos por hoje. Caraca,
acabou meu serviço
para o jogo à noite. Vou precisar de
mais um pouquinho só para acompanhar o
jogo. Tudo bem? Espero que vocês tenham
curtido o papo de hoje. Foi longo, hein?
Aproveitamos o sábado e aí fica o
convite novamente de quem quiser se
tornar membro, membro a membro,
membresia, vira membro, membro, a
membresia aqui do canal, porque é o quem
sustenta o canalzinho. Você pode mandar
um Pix também porque tá sobrando uma
merreca aí. Manda Pix aqui. E se você
vira membro, membro, membro, membrezinha
do canal, você pode entrar, ter acesso
exclusivo ao nosso chat do WhatsApp,
nosso grupo do WhatsApp, na verdade, tô
com sono. Nosso grupo do WhatsApp para
você poder fazer parte dele
exclusivamente para você e todas as
outras pessoas que são membros, membras,
membres membresia aqui do nosso
canalzinho. Só mandar um e-mail para
este e-mail aqui com o seu nickname, o
seu número do zap, depois que você virar
membro, membro, membro e membresia que
eu te coloco lá no grupinho do zap.
Beleza?
Era isso, minha gente, era o que
tínhamos hoje. Falamos bastante, nos
divertimos, almocei aqui petiscos que
preparei, um filé minonchino maravilhoso
com onion rings e uma cerveja bem
gostosinha. enquanto conversava com
vocês nesta manhã de sábado, numa
excelente manhã de sábado, que já tá
acabando a nossa manhã do sábado, tá
bom? É isso, é isso. Essa semana não
teremos live porque eu estarei em
situação de trabalho [suspirando] e não
poderei gravar live. Então, cá estamos e
faltam apenas $ para a gente conseguir
receber
o valor do YouTube nesse mês. Deus
queira que consigamos. Dito isso,
segunda-feira tem jogo da seleção
brasileira. Então se preparem, será no
meio [música] do expediente. Forcem o
ponto facultativo, forcem aí de alguma
maneira uma um atestado, um atestado que
casualmente caiu na hora do jogo. Se
reúnam com a família, com amigos, com
pessoas que vocês gostem. E eu tô
iludido. O exer nós seremos [música] ex.
Não ouça aí os pessimistas, nem os
aparentemente analistas críticos, que na
verdade são só pessoas tristes, tristes,
[música]
tristes, porque não aceitam que o
futebol hoje é diferente do futebol de
anos. A gente aceita, a gente aceita e
só quer se divertir. Fiquem bem, de bom
bem, se divirtam, aproveita o fim de
semana e nós [música] seguiremos aqui.
Trazendo a boa nova todo dia último, a
vitória final.
Seguimos trazendo boa nova todo dia
>> até a vitória [música] final. Vitória.
>> Um abraço para vocês. Bom sabão, bom.
Com certeza d um toque e estamos junto.
Beleza. Um abraço. Se cuidem. [música]
Até pronto.
É nós.
>> [música]

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