🔴AULIVE: FINALIZANDO O DEBATE SÉRIO EM ABERTO (JULIANO SPYER, VLADIMIR SAFATLE E CALVO BÔNUS)
27/06/2026
🔴AULIVE: FINALIZANDO O DEBATE SÉRIO EM ABERTO (JULIANO SPYER, VLADIMIR SAFATLE E CALVO BÔNUS)
Pix: bruno@reikdal.net
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Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
เฮ [música] [música] Fala minha gente, tudo bem com vocês? Bom dia, boa manhã de sábado [música] às 13:50. Como é que vocês estão? Tudo bem? Espera, desejo que sim. Bem-vindos a mais esta manhã de sal. Salve, querido. Fazer watch. Fazer o quê? Que ia ser fazer watch. Bem-vindo aí para mais um papo, na verdade, nosso, talvez segundo papo na história nesse canalzinho, que é num sábado pela manhã. Normalmente é nas quartas-feiras de madrugada, às 8 e pouco da madrugada. Então, sejam bem-vindos. Começemos um papo diferenciado. Afinal, eu estou devendo, estou devendo o conteúdo porque eu comecei uma live na quarta-feira prometendo que eu ia debater com cinco pessoas calvas, mas debati com apenas três. E aí fiquei na dívida. Precisava cumprir em algum momento. Nessa semana, por motivos de trabalho, não poderei fazer a live. Então falei: "Pô, vou fazer no sábado". Mas eu falei: "Não vai dar". Por quê? Porque no sábado eu teria que competir com a família, organização da casa, aquela coisa toda. Então decidimos de outra maneira. Minha filha está na casa da minha sogra, foi visitar a avó, minha companheira saiu para dar um rolê com as amigas. Eu falei: "Olha a oportunidade pintando aí. Bora papear." Tudo bem? Som tá bom? Como é que estão as coisas por aí? Sejam muito bem-vindos ao nosso canalzinho. Normalmente fazemos os as lives às quartas-feiras, mas faremos no sábado, como eu acabei de comentar. E dito isso, também gostaria de avisar que o outro motivo de fazermos essa live neste horário, neste momento, neste dia completamente inesperado e surpresa de maneira especial, é porque faltam $ pro YouTube me pagar e eu preciso que eles sejam atingidos antes do dia 30. Então, cá estamos. Bom dia, minha gente querida. Tudo bem com vocês? Se você não conhece o nosso canalzinho, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda, muito bem-vinda. Desfrute aqui de uma tentativa de conteúdo relativamente qualificado, academicamente acurado, mas com um grau de entretenimento. Essa aqui é a nossa primeira igreja barista do YouTube e que nós temos um canal especial para você. Se você se torna membro, membra, membre membresia do nosso canalzinho, você pode fazer parte do nosso grupo do WhatsApp exclusivo para você e para todas as outras pessoas que também fazem parte aí da membreinha. Então, quer dizer, não é só para você, assim propriamente dito, mas não se sinta aí tão exclusivo, nem tão excluído. Sinta-se parte desse grupinho, porque nós somos um canal pequeno, mais fiel e resistente e que com relativa frequência somos lembrados por canais maiores de que somos irrelevantes. Então, ajuda a gente aí, quem sustenta esse canalzinho é o pequeno grupo de apoiadores de membresia que fazem com que ele continue funcionando e você pode dar uma força. Outro jeito de você dar uma força, já que caso não possa se tornar membro, membra, membro, membresia de nossa primeira igreja barista aqui do YouTube, você pode também curtir esse vídeo, comentar para engajar, espalhar a palavra por aí, né? Chamar amigos e amigas aí para dar uma assistida, uma curtida, essa coisa toda. E também é importante sempre considerar que eu esqueço de me apresentar. Meu nome é Bruno Riquidal, doutor em economia política mundial, mestre em filosofia, graduado em filosofia, formado em teologia, que tento trabalhar aí de maneira maneira relativamente interessante com promoção de conteúdo qualificado aqui no YouTube, tá bom? Então vocês, por favor, auxiliem nossa jornada porque ela tenta misturar entretenimento e academia e hoje, inclusive isso será um tema aqui do nosso papo, tá bom? Um dos temas especialmente com o calvo bônus, né? Porque seram dois calvos que eu tava devendo e o calvo bônus. Bom dia, querida Jéssica. Como é que você tá? Tudo bem? Boa tarde. Espero desejo que sim. Espero desejo que você esteja bem. Diz: "Querida Jéssica, hoje é dia de criticar loirinha do JM". JM? Quem seria JM? General Motors com J, talvez. Não sei. Vai, teremos, teremos, teremos. Será o dia de criticar da crítica. Da crítica. Crítica, criticante, criticosa. Bom dia, querido Ed. Esquerdos autorais, que tem um dos nomes mais interessantes que eu já vi. Esquerdas autorais é excelente, excelente nickname. Seja muito bem-vindo, querido Ed. Como é que você tá? Tudo bem? Espero desejo que sim. Sigam Ed, trabalhem com Ed, acompanhem Ed, critiquem ED, recebam críticas de Ed e assim nós seguiremos durante a vida, o que é bom. Que bom. Pergunta querida Jéssica. Quem é o calvo bônus? Hum. Essa é uma boa pergunta. Quem é o calvo bônus? Ah, descobriremos quem é o nosso querido calvo bônus, mas vai valer a pena. É ele que vai possibilitar um papo aí sobre universidade e debate público de maneira relativamente interessante e bem humorada. Tá bom? Vamos lá. Vamos ajeitando. Não esqueça de chamar os coleguinhas para colar aqui com a gente e a gente vai papear. Deixa eu separar que na verdade temos alguns calvos, né? Na semana passada nós finalizamos três calvos, faltaram outros dois. Começamos pelos três calvos mais conhecidos que gerou algum tipo de entretenimento e de conteúdo qualificado ao mesmo tempo. Mas agora a gente vai ver os dois calvos menos famosos. E o calvo bônus ele é famoso. Talvez eu comece pelo calvo bônus. Eu acho que vai ser mais interessante mostrar para vocês o nosso calvo bônus. Acho que vai valer a pena começar pelo calvo bônus e depois eu vou pros outros dois. pegar o calvo bônus aqui. Ah, mas eu preciso fazer uma recapitulação, né, para poder falar sobre isso, porque o pessoal vem aqui eh conversar sobre a carequice e aí as pessoas acham que o meu problema é com o fato das pessoas não terem cabelo. E não é, não é esse o problema. Nós deixamos claro que o nosso debate é contra a calvice branca, que é um tipo específico de calvice e que não é uma calvice branca qualquer também. É uma calvice branca, como nós terminamos nossa última live explicando, que é uma calvice branca que tem uma posição social específica. É uma calvice branca tradicional, de classe média tradicional. Essa calvice branca que nos interessa, a calvice branca de classe média tradicional. Porque a calvice branca de classe média tradicional, ela te garante posições privilegiadas para poder falar qualquer grosélia. Ela te garante posições privilegiadas que te dão ar de autoridade e acesso a um espaço restrito neste país, que é educação formal, especialmente de nível superior. E essas pessoas ocupam esses lugares, realizam essas atividades e aí elas têm o direito de falar qualquer bobagem. e saem falando bobagem por aí, saem falando bobagem com á de autoridade, porque a calvice branca garante essa aspecto de de autoridade. Então, nós discutimos, né, na semana passada com eles, foi nessa semana, nós discutimos com o Luís Felipe Pondé, né, é um calvo branco exemplar da classe média tradicional. Nós discutimos com o professor Roque, testa de ferro do imperialismo, testa que começa acima da sobrancelha e termina na nuca, que também é mais um exemplo claro da calvice branca com a qual nós estamos discutindo. E nós também fizemos aí mais uma discussão e um react ao Pedro Dória, que alguém pode dizer: "Ah, mas o Pedro Dória não é calvo". Mas é o que eu tô dizendo, a calvice branca não é necessariamente a ausência dos folículos capilares. É uma posição de classe que te possibilita ter a rede, um acesso a uma rede privilegiada para falar a bobagem que você quiser. E você pode falar qualquer merda e o pessoal vai levar a sério e você ainda vai conseguir garantir e reproduzir lugares de autoridade. Então, quer dizer, te dá muita vantagem, te dá muita vantagem essa calvice branca. E aí, como a gente comentou, essa posição da calvice branca te dá um ar também de um alguém, um um observador externo que vê aí os outros grupos sociais e os movimentos como distantes, como alguém que não faz parte do dia a dia deles. E assim sendo, conseguem com relativa frequência eh falar para além de bobagem, apresentar movimentos populares, grupos sociais, pessoas, sujeitos humanos. como grupos exóticos, como coisas exóticas, como vejam isso daqui e eles conversam entre eles. Então eles têm como interlocutores eles mesmos. Então a pesquisa e o trabalho acadêmico, o trabalho de divulgador eh de informações, o trabalho no debate público dos calvos brancos, desse dessa calvice branca que nós estamos falando, ela trata os demais eh como objetos externos, como exótico, e aí eles conversam entre eles e um apresenta pro outro. Então, hoje nós vamos falar, por exemplo, de Juliano Spire. Que que é o Juliano Spire? Ele é honesto nesse ponto. Se apresenta como, ele é um antropólogo, se apresenta como um pesquisador dos evangélicos e diz: "Eu sou um branco de classe média que vejo os evangélicos como esse objeto externo e os descrevo e apresento pro debate público." Mas quem é o debate público para quem ele tá apresentando? São os evangélicos? são os não são os próprios pares da calvice branca. E aí os pares da calvice branca recebem essa informação como um deslumbre. Olha essa descoberta incrível. E ele apenas tá descrevendo um sujeito, um grupo social que ele tá tratando como objeto. E eles se entendem ali. Fica num ciclo de classe média conversando com ela mesma. Mesma coisa acontece com o nosso querido que será criticado hoje, Vladimir Safari. Porque a calvice branca que nós estamos discutindo, ela não se restringe à direita, ela pode afetar qualquer grupo e polo ideológico deste país e do planeta. Então a gente vai tratar aqui também dos admirad, mas nós não vamos começar por eles, nós vamos começar por um outro outro calvo, outro calvo branco. Nós começaremos como calvo branco pelo nosso querido calvo branco especial, muito amado aqui no nosso país, com legiões e legiões de seguidores, tanto à direita quanto à esquerda. Todas as pessoas amam esse cara. que é o querido Joel Pinheiro num calvo branco exemplar. Vocês vão ver. Ah, Bruno, mas ele não é calvo branco, ele tem cabelos longos. Acabei de explicar. Se você tá chegando agora e não entendeu o que eu expliquei, volta uns minutos atrás, você vai entender. Então, deixa eu começar pelo nosso querido Joel Pinheiro, [suspirando] porque ele é exemplar e ele traz o tema importante pra gente, a função do calvo branco no debate público. Beleza? Então vamos lá para o nosso querido. Fala, querido Ravi, como é que você tá? Tudo bem, Ravi? Você está bem, senhoras crianças de sua família? Está bem? Espero e desejo que sim. Espero e desejo que curtam o papo de hoje. Vamos continuar a nossa conversa de quarta. Cara, teve um camarada nosso que se interessou pelo pelo corte lá e pela conversa a respeito de filosofia para crianças. Eu preciso achar que live que foi para poder mandar pro nosso camaradinha que achou massa a ideia. >> [risadas] >> Exatamente. Diz que esquerdos autorais. Calvo na economia, cabeludo nos costumes. [risadas] Faz sentido. Faz sentido. Esse é o nosso querido Joel. Joel Panheiro, né? Vamos lá falar com o nosso querido. Fala Ran. Como é que você tá? Ryan. Ryan Augusto. Nosso querido Ran, como é que você tá? Tudo bem? Bom dia. Bom dia, meu querido. Tudo bem? Como é que tá a sua amhã de sábado, né? Amanhã agora às 2:05 da tarde. Como é que tá a sua amhã de sábado? Espero desejo que bem, né? E como bons baristas que somos, tomamos café na madrugada, bebemos outra coisa pela manhã. Então, estamos aí, vamos aproveitar aqui nossa manhã. Vamos lá. Vocês estão bem? Deixa eu pegar aqui, começar para o nosso primeiro calvo. Boa tarde, querido Piscil Lourenço Serpa, que tem participado aí dos nossos papos. Boa tarde, meu querido. Tudo bem com você? Diz ali boa tarde camaradas. Boa tarde. Boa tarde querido P Lenço Serpa, que do Ryan R. Tô lendo seu artigo, não ironicamente, para terminar minha pesquisa. Meu grande medo. Qual artigo? >> [risadas] >> Por quê? Vai saber, né? Tem uns artigos que eu escrevo que até eu depois fico, será que eu tava certo nisso? Aí eu posso te ajudar para ver se vale a pena. Vai que não vale a pena. Eu posso ter me arrependido do que eu escrevi. Acontece com frequência, né? Parabéns, querido Ryan. Ryan diz: "Terminei meu projeto de tese também. Só sucesso, sucesso e vitória do trabalhador, especialmente do trabalhador que consegue tirar um sábado porque está na escala 5x2 e consegue tirar um sábado para ficar de boa. Parabéns, quean. Não vai dar certo, cara. Você vai arrebentar papo vai ser massa. Conteúdo bom também. Cada vez que a gente papeou aqui em live sobre caminho de projeto, massa demais, pô. Vai ser legal. Vai dar tudo certo. Vai dar tudo certo. Às vezes a gente só precisa de um incentivo de saber que se tem um não processo seletivo de mestrado e doutorado, o não é temporário até sua próxima tentativa. Vai de novo. Ano passado eu fui, eu apliquei pro meu eh segundo projeto de de doutorado, né? Eu falei: "Pô, vou fazer doutorado agora em filosofia". Fiz já o economia política mundial, fiz o mestrado em filosofia, mas uma porrada de de edital eh exige que para você poder tentar uma vaga de professor na área de filosofia e não sei o quê, você tinha que ter o mestrado e e o doutorado na mesma área. Eu falei: "Pô, acho que eu vou ter que tentar fazer um de filosofia, aproveitar que agora eu tô com um emprego fixo depois de um tempo tá mais tranquilo". Falei: "Massa, vou fazer isso, vou fazer isso, vou tentar fazer o doutorado de novo". E aí eu passei na primeira fase, passei na segunda, tal, não sei o que lá, fui passando, chegou na fase de de escrev da na terceira ou quarta fase, eu já não lembro qual que era, tava mais preocupado com a frase de de língua estrangeira, né? Porque eu já tinha queimado inglês, já tinha queimado espanhol, precisava de uma terceira. Aprendi italiano em três semanas e meia, mais ou menos. Foi mais ou menos isso e ainda tô aperfeiçoando agora italiano. Passei na fase do da do da língua estrangeira em italiano e aí faltou a do conhecimento específico que tinha no debate e tal e caiu os dois temas que eu não sei trabalhar de jeito nenhum. Putazar que eu tive. Caiu dois temas. Podia escolher um deles e nenhum dos dois eu tava bem. E pior, eu perdi, eu voltei a ler mais alguns textos academicamente densos de filosofia, porque quando eu mudei de área para economia política, eu fiquei muito mais pragmático do que eu já era. Então, os meus textos reduziram muito simplifiquei muita ideia, cada vez mais sintético, cada vez mais objetivo, cada vez mais querendo discutir fragmentos de teoria mais claros e menos estrutura rebuscada de uma argumentação filosófica que precisa de um monte de ninguém. É, eu falei: "Putz, é, eu não fui bem, cara. Não fui bem. Eu não passei, falei: "Puta, vou ter que voltar a treinar esse negócio aí". Então, vou tentar esse ano de novo, no final do ano, vou começar a escrever meu projeto daqui a um mês e meio, dois meses no máximo. Vou aplicar de novo no final do ano e ver qual é que é. Então, assim, não passei, tentei o doutorado, tentei o mestrado, não consegui, tenta de novo. Nesse caso, especialmente se não tiver valor de inscrição para para poder fazer o o processo seletivo, cara. É vida de videogame, faz de novo, tá ligado? Então eu incentivo as pessoas, incentivo sempre. Tenta de novo, vai de novo. Não se preocupa. Ah, não fui bem no processo seletivo. Dane-se. Vida de videogame, mano. Vai de novo, vai de novo. Você não tem que pagar, então tá melhor ainda. Então aproveite, aproveitemos. Mas no teu caso vai dar tudo certo. Fica em paz, pô. Querido Ravi comenta: "É na live do conceito de trabalho de e leitura de hobbies." Muito obrigado, Ravi. Eu vou agora dizer e explicar cuidadosamente para o nosso querido, que é o nosso querido Jones Miguel. Onde é que tá esse papo? Obrigado, mano. No finalzinho da live, né? Eu vou, obrigado por lembrar do do tema. Já vou mandar para ele. Inclusive, se vocês não assistiram essa live aqui, ó, que é o conceito de trabalho Robs Smith, vocês não sabem que vocês estão perdendo, viu? Bom para caramba. Modestia parte ficou bom para caramba. Bom para caramba. A gente mandou bem nessa live aí, viu? Papozinho totalmente excelente. Disquo Gabriel. Buenas. Buenas, Gabriel. Buenas tardes. Não, a gente tá de manhã. Bom dia. Buenos dias, querido Gabriel. Porque hoje é sábado. Sábado às 2 da tarde, na verdade às 2 da manhã, às 14 horas da manhã. Como é que você tá, Gabriel? Tudo bem? Espero desejo que sim. Aproveitemos. Manhã de sábado é outro nível, especialmente para quem tá na escala 5x2. Obrigado, Deus. Vamos lá. Deixa eu pegar então o nosso primeiro calvo. Ai ai. Incentivem os colegas a fazerem processos seletivos de mestrado, doutorado. Não se encanem. Ah, não passei. Vida que segue, mano. Vamos. Ah, é. E uma coisa que eu poderia discutir aqui, comentar é que eu esqueci. Além de tudo, se você virar membro, membro a membro, membresia aqui do canal, você tem acesso a cursos exclusivos aqui do nosso canalzinho, entre eles o curso de como fazer o seu projeto de pesquisa para te dar umas ideias, para te dar uma iluminada, para facilitar os caminhos. Na minha trajetória de muitos processos seletivos, aprendi umas coisas legais de como fazer o projeto. O projeto sempre passa. Aí pode ser minha incompetência nas fases seguintes, mas o projeto sempre passa e passa bem. E aí a gente elaborou um conteudinho bem legal sobre como fazer o projeto de pesquisa, dá umas ideias, estrutura bem a o como fazer. Então fica a dica aí, tá bom? Fica a dica. Aí a pessoa: "Ah, Bruno, mas você acabou de dizer porque poderia acontecer, né? Especialmente os canais grandes que falam que nós somos um canal irrelevante porque somos pequenos". poderia dizer assim: "Não, Bruno, mas você acabou de dizer que não passou no processo seletivo no ano passado pro seu segundo doutorado." Exatamente, pro meu segundo doutorado em outra área, voltando pra área de origem, mas nos outros dois eu passei em primeiro lugar. Então fica a dica aí. Tenho aqui algum estofo para dizer. Passei em primeiro lugar duas vezes seguida. Guarda essa informação aí, hein? Guarda [risadas] essa informação aí. É que nessa última aí eu tava destreinado. A gente vai voltar. O projeto tava bom. Vou usar o mesmo projeto, inclusive. Vou só dar uma ajeitada nele e melhor nas outras fases, né, que eu não mandei legal não. Mas vamos lá. Pera aí, deixa eu botar aqui. Ixi, travou. Agora voltou. Vamos pro nosso primeiro calvo. É o calvo bônus. Ah, mas já explicamos, hein? Já explicamos. Vocês não venham com a informação de que não, Bruno, mas ele não é calvo, ele tem calvice branca. Nós já explicamos qual que é a dela. Vamos lá com o nosso querido Joel Pinheiro na Calvice branco. Boa tarde, querido Thago. Boa tarde, não, boa manhã. 14:11 da manhã de sábado. Vamos [risadas] lá. Como é que você tá, meu bom? Tudo bem? Sejam como Thago e sejam membros aqui do canal. Você se tornar membro, membro a membro e me ajuda, porque eu preciso até dia 30 de junho conseguir mais ó pro YouTube [música] me pagar, senão ele não me paga e aí eu não consigo continuar adequadamente as atividades por aqui. Mas vamos lá, vai dar tudo certo. Eh, deixa eu ajeitar aqui. Pronto. Preparados? Preparados pro nosso querido Joel. Ele vai trazer um tema interessantíssimo. Qual que é o ponto do nosso querido Joel? Joel Pinheiro. O Joel Pinheiro, ele vai comentar um pouquinho sobre a trajetória dele, trajetória acadêmica, as escolhas que ele fez, etc, etc, etc. E aí ele vai dizendo que ele fez economia, mas não gostava muito de estatística e não sei o quê. Aí ele foi pra filosofia, porque é isso que ele gostava. Ele foi monitor de uma disciplina de lógica e ética. Não sei que disciplina é essa, mas eu fui monitor de lógica na graduação, por incrível que pareça, monitor de lógica um e lógica dois e depois monitor de grego, mas tudo bem. Eh, e aí ele ele foi monitor de lógica e ética, gostou desse negócio, foi pra filosofia, fez o mestrado em filosofia, mas ele não queria só um ambiente acadêmico, ele tinha visto algo a mais, porque ele podia vir algo a mais. E é isso que a gente vai ver no nosso React aqui, a Calvos Brancos. Deixa eu só ver aqui a qualidade da imagem como é que ela tá. Eu nem sei onde é que tá o bagulho da qualidade da imagem. Aumentar um pouquinho, né? Tá muito, muito triste. Deixar assim, ó. Pronto. Vamos ouvir o nosso querido Joel Painheiro falando um pouquinho sobre a sua trajetória e o fato dele ter escolhido um caminho muito peculiar e comum aos calvos brancos. E ele é um representante da calvice branca que nós discutimos humano. Esse é o lado da economia que me interessa, essa discussão sobre o ser humano, sobre a sociedade. O que que a gente tem que fazer na sociedade para ela dar certo, para ela ser melhor, para ela, enfim, o que que onde tá o valor da sociedade, o que que o ser humano busca? E daí me levou mais para no final da faculdade, eu comecei mais pro lado da filosofia e fiz um mestrado na filosofia, ainda meio perdido profissionalmente. >> Você fez USP, né? Eu fiz USP, eu era monitor na faculdade de economia, mas justamente uma matéria que se chama lógica e ética, ou seja, uma matéria mais de filosofia de dentro, mas eu era monitor, foi meu primeiro emprego, foi monitor na faculdade, era remunerado e tudo. E o primeiro emprego foi monitor na faculdade. E aí eu vou começar com essa conversa aqui que ela é importante. Qual é o nosso ponto aqui da calvice branca? Nosso ponto da calvice branca é que ela observa o mundo a partir de uma classe social específica, que é o classe o clássico homem branco de uma tradicional classe média, que é aquela classe média que é católica, às vezes agnóstico, ateia, que aí já tá na classe média há muito tempo, que seus pais são graduados ou pós-graduados ou normalmente professores, universitários, ocupam lugares privilegiados da divisão social do trabalho e e que, portanto, garantem uma bagagem cultural e acesso a lugares privilegiados para sua prolle. No caso aqui temos um exemplar claro e clássico que é o Joel Panheiro, mas nós temos outros, como nós já vimos na nessa semana, a gente reagiu a outros calvos brancos desse tipo, que é o Luiz Filipe Pondé, o autodenominado professor Roque e o Pedro Dória, né? É desse tipo de calvice branca que a gente tá falando, calvice branca de classe média que tem acesso a lugares privilegiados que, portanto, pode falar a grosélia que quiser. Nosso querido Joel Pinheiro teve como primeiro trabalho ser monitor de lógica e ética na universidade pública USP. Não precisou trabalhar anteriormente a isso e ainda poderia estar perdido profissionalmente buscando seus locais. Então ele fez economia, depois pensou ir paraa filosofia, depois pensou para ir não sei aonde, né? Então ele pode planejar, ele pode arriscar, ele pode ficar em dúvida, ele pode ter essa oportunidade, tá liberado. Por quê? Pela posição a qual ele ocupa. Ele pode ter esse lugar específico em que a educação formal do ensino superior é o mero detalhe, ele vai conseguir cumprir, né? Então, a partir desse lugar, ele observa o mundo, ele interpreta o mundo, ele vai ter como interlocutores os outros calvos brancos. Mas no nosso caso aqui de Joel, painheiro, apesar de reproduzir e ocupar todo esse processo e saber que ele tem como interlocutor o calvo branco seus pares, ele teve uma sacada que é a mesma sacada que o Luís Felipe Pondé teve e nós vamos ver. Eles são de gerações diferentes, mas do mesmo da mesma calvice, partilha da mesma mesma calvice branca. Olá, querido Ogoeira ou Ogoeira ou Ogiboeira, como é que você tá, Guiboeira? Espero que esteja bem, querido. Boa tarde. Tudo bem com você? Espero desejo que sim. Mas beleza, tão me entendendo? Vamos lá. Então ele tá aqui na sua experimentação social de qual lugar ele vai ocupar na sociedade, como é que ele vai ser remunerado, como não vai ser, se ele gosta de filosofia de economia ou de botânica, né? Tá tá em dúvida. Ou se, assim como o professor Rock, ele gosta de gostaria de se formar em filmografia aplicada, aplicando 007, Rambo, disminador do futuro e Matrix à realidade e vê o que acontece, né? Ele pega roteiros de filmes que ele gosta. aplica a realidade e faz interpretações geopolíticas. Pode ser isso também que o Joel Joel ou painheiro se interesse. Então vamos ver que que rola. E mas ao mesmo tempo me vendo cada vez mais do lado da filosofia. E a terceira, o terceiro braço disso era a internet e as redes sociais, onde um mundo se abriu para mim tanto de informações, de você ter acesso a informações, a artigos, a revistas, a blogs. Lá atrás tinha uma coisa chamada blog que as pessoas escreviam textos e você lia. Hoje em dia isso tá embaixo. >> Às vezes o trabalho pode ficar extremamente complicado, a não ser que você useay.com. uma, >> mas vamos aproveitar a propaganda. >> Vamos aproveitar a propaganda. Olha que interessante. Nosso querido Joel, ele comenta uma coisa interessantíssima. Olha, economia, filosofia e havia uma outra coisa chamada internet, não sei em que ano, provavelmente ali nos idosos do final dos anos 90, começo dos anos 2000. Depois vem a onda de blogs, que hoje em dia tá embaixo, mas veja, ele percebe que existe ali algo, ele percebe a internet. E aí vem uma parte da análise que eu fico um pouquinho irritado, que a gente não faz, que é a esquerda não percebeu a internet, a gente chegou atrasado, ah, a gente não veio pro debate público. Em parte, é verdade, se a gente olhar pros quadros de classe média envolvidos na política brasileira, especialmente dentro das organizações tradicionais da política de esquerda, os partidos, sindicatos, essa coisa toda, mas é uma galera que tem que tá trampando e tem que tá organizado na na militância, em geral também de classe média. em geral, quem tá ocupando os cargos de dirigência, a massa de trabalhadores da nova classe média, da galera que tá se formando, tá surgindo ali no nos anos 2000 e que vai ser essa juventude que começa a ocupar internet agora e que nem é mais tão jovem assim, incluso este que vos fala, nem um pouco jovem, já passei da linha da juventude, mas essa galera que vai surgir agora, como uma nova esquerda que chegou na internet, é por quê? Porque agora tá na posição que o Joel teve. O Joe é o painheiro. O Joel painheiro nos anos 90 e 2000, ele pôde ele pôde planejar essas experiências. Ele tinha acesso a internet e computador, a rede mundial de computadores. Ele sabia usar esse recurso. Não era numa lan houseous que ele ia. Ele fazia isso de dentro de casa, de sua sala, talvez de seu quarto, imaginando que não é um computador paraa família, é uma unidade de computador para cada representante da família, o que é uma inovação e coisa que poucos poderiam ter. Primeiro acesso à internet, talvez internet de escada ilimitada, ou seja, ele não precisava esperar meia-noite chegar para começar a querer fazer alguma coisa. Não, ele poderia usar durante o dia, nem só no fim de semana. Ele não precisava ir na lan house para escolher se eu vou fazer uma pesquisa e ler um blog ou vou jogar CS. Não, ele não, ele fazia isso da casa dele. E aí ele percebeu a existência da internet, uma internet extremamente restrita. E o pessoal da chamada de esquerda trabalhadora, juventude de esquerda, não sei o quê, só vai começar a fazer isso agora. Por quê? que agora que a gente teve de acho, a gente só vai ter acesso e construção e mais atores da classe trabalhadora ativos nesse ambiente e trocando ideia sobre ele recente, pós anos 2000, pós faz o L, meu amigo. Então assim, esse acesso a a poder ter internet, usar o computador, produzir conteúdo, ah, as redes sociais, é, não é só as redes sociais, porque você tem acesso a essa birosca aqui, ela não é barata, ela não é fácil. Ao computador você tem uma unidade dessa em casa não é fácil, não é simples. Então, teve que ter um processo de desenvolvimento, de facilitação, de estruturação e não sei o quê, pra gente começar essa brincadeira. Joel, o painheiro já começou antes porque ele tinha, ele tinha, não é só uma escolha, a esquerda demorou para chegar, meu irmão. Quem tinha acesso a essa birosca, saca? Quem tinha tempo para gastar nisso? Quem tá lá fazendo um grande nada e vai falar: "Pô, internet, ó, [ __ ] ideia". Tá ligado? Então, é um processo inicial aqui de conversa. A gente às vezes esquece de que o acesso a coisas que hoje pra gente são banais, ele demorou para chegar. Para algumas classes era garantido. O cara tem uma unidade de computador, provavelmente, né, para cada familiar com acesso à internet, sem precisar se preocupar se ele vai ter que esperar dar até meia-noite para usar internet de escada ou não. Isso altera sua relação com esse mundo. Isso te dá vantagens em relação aos demais. Isso é óbvio. Beleza? Então assim, cérebrozinho funcionando na hora de fazer análise, minha gente. Descrito fazer o watch pós L. Exatamente. Pós L. Vai fazer o quê? Bem-vindos ao mundo. Diz querido Guilherme Magalhães. Aoba. Aoba querido. Por este aoba um brinde a você, querido Guilherme Camarães. Ah, oba maravilha. Diz que fazer o watch. YouTube é muito troll para não dar play [risadas] quando a live inicia sem clicar na á. É, acontece essas coisas. Acontece essas coisas. Diz querido Guilherme, fazer o fazer o L. Exatamente. Acontece, né? Acontece. Inclusive tava num papo esses dias com um dos nossos camaradas, Vinícius, na verdade é o Vinícius. Conversando com o Vinícius, com W. O inícius, tava conversando com ele essa semana, mandou uma mensagem, a gente tava trocando ideia, eh, sobre o pessoal dizer: "Ah, a classe trabalhadora tá cansada porque a vida dela tá muito pior, ah, o pessoal tá aí revoltado com o governo de esquerda porque a vida tá pior." Não tá pior não, viu? Questão de objetiva, factual, de dados. E aí, se vocês pegarem o meu livrinho, ó, fazendo propaganda aqui, ó. Se vocês pegarem meu livrinho, que é fácil de achar na internet, fascismo como religião, que é uma coletânia que a gente fez para poder usar como eh como recompensa paraa publicação de um livro. Então, PDF digital tá aberta, fácil de achar, fascismo como religião. O último capítulo é uma hipótese de pesquisa. E a hipótese de pesquisa, que eu gostaria de trabalhá-la em breve, quando eu tiver tempo e dinheiro ou recurso ou oportunidade, né, essas coisas que só Deus saber como vai acontecer. A minha hipótese é o contrário. É exatamente porque você tem uma ascensão muito rápida de uma classe desposuída, né, empobrecida ao consumo. E a melhora de condição muito rápida, mas muito frágil, porque qualquer crisezinha, qualquer balança, lembra essa pessoa e coloca ela num lugar que ela perde o privilégio que ela tinha ganhado. Então, ah, tinha conseguido colocar os filhos numa escola particular ou numa faculdade particular e tava pagando bem. Mas aí o segundo, terceiro filho já não tá dando. Por quê? Porque passa uma crise ali a partir de 2008, muda um pouco as as relações, diminui crédito, depois vem o golpe, vem aquele bagulho todo, especialmente a partir do golpe. Essa fragilidade faz com que as pessoas fiquem reativas de não querer perder mais seus privilégios e toma uma posição tendencialmente conservadora. Mas é uma hipótese de trabalho para dizer que um efeito não intencional dos programas públicos e da facilitação de crédito a partir do governos petistas é exatamente uma ausência de consciência de classe sobre o processo de melhoras dentro da dinâmica do capitalismo neoliberal, digas de passagem, [roncando] mas que tem esses ganhos, mas extremamente frágeis porque ainda são privilégios. E aí quando vê esse privilégio, que na verdade deveria ser um direito perdido, reage imediatamente, busca os inimigos, busca uma solução tendencialmente conservadora, que é algo semelhante com outros autores que discutem outros tempos e lugares, mas aí fica pro outro dia, tá bom? Quer dizer, coisas pra gente pensar, reflexões pra gente fazer. Diz que querido Guilherme, o que tá piorando a vida não é o governo do centro esquerda, dá para garantir, é [risadas] tranquilamente. Falo com tranquilidade, mas tudo bem. E aqui é colocando classe social para analisar o discurso do nosso querido Joel Pinheiro e ver como ele teve certo protagonismo e facilidade a acessos. Que eu nem tô falando aqui de Nep Baby, hein. Não estou chamando Joel Panheiro de Nepaby em maneira nenhuma. O que eu estou dizendo é que uma pessoa de classe média tradicional tem acesso antecipado a recursos que os outros vão ter só depois e aí eles conseguem se posicionar de maneira mais rápida. E a partir disso também uma rede de influência que faz com que eles sempre estejam garantidos com respeito a emprego, atuação, né, produção de conteúdo e outras coisas. Exatamente. Ninguém aqui tá acha o Trip Advisor, né, pôle baby? Claro que não. Obviamente que não, mas [risadas] Tripa Advisor é muito bom. Ai ai. Quem pegou a referência pegou. >> E que te abre um mundo e também te abre um mundo para você se expressar. >> Aham. Eu com meus amigos na economia, a gente, eu tinha um grupo de amigos ali que todos adorávamos discutir ideias e e falar da coisa de liberalismo, capitalismo, esse tipo de discussão. E a gente queria expressar nossas ideias de ser lidos. E a nossa primeira ideia ali foi ter um jornalzinho. Vamos fazer um jornalzinho nosso. >> A gente começou a pensar, pô, como é que a gente vai fazer para imprimir, não sei o quê. >> Olha que trampolho, né? Imprimi um papel. Até que >> essa seria a ideia, por exemplo, que a gente daria na militância. Já vamos seguir aqui a nossa nosso espaço doutrinário e dogmático. Imprime o jornalzinho. Vamos produzir um jornal. Jornal para sair distribuindo pro pessoal aí. É o que a gente faz. E muita gente menospreza o jornal, hein? Pera aí. dito isso, muita gente menosprece o jornal impresso, dá um trabalho desgraçado. Isso é verdade. É custoso, verdade também, mas é um meio muito eficaz e eficiente de disseminação de conteúdo, de ideias e funcional para a unidade popular pelo socialismo. Inclusive, você poderia conhecer um pouquinho o jornal A verdade, eu recomendo que você conheça. E também entenda esse processo de militância distribuindo jornal. É muito interessante. Aliás, é algo que, por exemplo, a Igreja Galaxial, olha, já ia falar o nome correto, a Igreja Galaxial das Intenções do Senhor, ela eh ela tem o maior jornal impresso distribuído no país. Porque distribuem para caramba? Porque jornal você pega ali, tá de bobeira, tá no metrô, tá no buzão, tá sei aondde, pega para ler sem gastar dado, sem gastar não sei o quê. Aí você vai lá p pa pá pá lê o negócio. É legal, é interessante, né? Então tem sua função. Porém a gente pensaria, vamos fazer um jornal, vamos distribuir o jornal, mas é custoso, é trabalhoso, não circula tão fácil quanto internet. O Joel Panheiro teve uma ideia, vou distribuir na internet. Quando ele pensou vou distribuir na interneta, ele já tinha acesso à internet, ele conseguia escrever em blog, ele lia em blog e pior, ele ia conversar com os pares dessa classe média. E depois mente quando nós da chamada nova classe média, quando nós de outras camadas sociais vamos chegando pro mundo da internet, adivinha qual é o conteúdo que a gente vai encontrar na internet? Adivinha do que foi povoado este território no período em que nós não estávamos. Vocês têm uma chance de imaginar qual é o conteúdo que a gente vai encontrar de quem tinha esse privilégio, de quem tava podendo produzir sem preocupar com internet de escada, quem tava ali de boa, saca? Então esse essa análise de classe a gente tem que passar por ela. Não é só uma escolha ideológica. Ela tem esse essa parte pela classe média de esquerda, não teve essa atuação na internet, tava fazendo outros trem. Mas do ponto de vista da an desse grupo que tá produzindo e atuando na internet, quando a gente começa a acessar o conteúdo que a gente vai ver o conteúdo dessa esquerda liberal, dessa direita liberal, dessa galera de classe média mais jovem ou mais velha, que já tinha acesso à internet, já tinha acesso a computador, já podia produzir, ficar fazendo essas porcaria, se é herdeiro, não precisa nem se preocupar com o trabalho, então vai tá produzindo. E é isso que a gente vai acessar. Olavo de Carvalho tá produzindo isso aí desde a década de 90. Quando chegar o acesso a essas biroscas, quando a gente começar a chegar a consumir internet, o humano tá desde os anos 90. Tudo bem? Tem que colocar esse filtro, classe social, classe média em especial. Então fiquemos atentos a respeito disso, pô. Fundamental, cara. Descido do Guilherme, Thiago Leifer da economia. [risadas] É, é. Não sei se ele tem tanto preço pelo Neymar, mas com certeza é o Thiago é um sapatênis da economia, um sapatênis ali com uma calvice cabeluda clara. Diz que do Fazer Watch, esse suco laranja tá uma delícia. Este suco está maravilhoso, gelado, estralando de gelado. E não é um suquinho qualquer, não. É um suco literalmente de laranja. Uma cervecita belga, Belgian White, com laranja, literalmente, e com entro, que é muito gostoso. Diz quido Felipe. Salve, amigos. Fala, querido Felipe. Felipe, primeira pessoa beatificada em vida no nosso canalzinho. Foi santificado aqui no nosso canal, querido Felipe. Tudo bem, meu querido? Espero desejo que sim. Boa manhã pra gente. [risadas] Diz que Jéssica. Os testemunhos de Jeová saem rebolando nas casas e distribuindo livro com portagem, né? Você distribuir livro, distribuir jornal, essa parada toda. Tem seus efeitos consideráveis. A Assembleia de Deus, né? As Assembleias de Deus aqui no Brasil, elas têm uma das primeiras coisas que fez foi produzir eh jornais, né? o mensageiro da paz, por exemplo, que tá aí desde a década de 20, circulando no país e circulando pelas pela assembleia, inclusive o principal veículo de disseminação de informações, interpretando o mundo, explicando notícia. Pô, o bagulho é louco. Te esquerda do Felipe, deixem o like na live e eu sempre esqueço. Então, deixem o like na live porque se depender de mim eu vou esquecer de pedir para vocês deixarem o like. Então, deixa o like, comenta, convida os coleguinhas para virem assistir, essa coisa toda. Passa depois. Calva tênis. Calva tênis. É bom. Então, e aí tem um um um uma um adendo, Guilherme, do calva tênis, que é o seguinte. Teve um camarada que falou isso do Pondé, falou: "Ah, o Pondé é um filósofo que é um sapa tênis". Eu disordei dele, porque o Pondé para mim tem muito mais cara de croc. Olha pra cara do Pondé. Você não vê um croc, um croc filosófico de barba? É um croc que produz filosofia. Olha pra cara do pão. Ele tem cara de sapatente, ele tem cara de crocs. Mas aí fica pro debate. Vamos lá. Joel painheiro. Nosso calvo bônus. Alguém teve um estalo. Não, vamos nem imprimir jornal nenhum. Vamos fazer um blog, vamos começar a discutir as coisas aqui online. Não precisa dessa outra parte mais difícil, mais cara aqui. Vai tudo de graça. >> E daí começou a ter sei lá. Daí surgiram as redes sociais também. Orcut. eh, Facebook, enfim, esse meio sempre me puxou também me puxou para uma coisa que não é nem a economia, nem a filosofia pura que eu via na faculdade, discussão dos filósofos, do Aristóteles, do Platão, do Descart, do Tomásquino, não é discussão sobre a sociedade. E isso que me puxou nas redes e que acabou criando aí um caminho mais para mim. Porque eu também concluí depois do meu mestrado na filosofia que, por mais que aquilo me interesse intelectualmente, a discussão acadêmica, não é o que eu realmente tenho tesão. queria fazer também não é ficar aqui, olha, eu vou ser um estudioso de Tomás de Aquino agora e vou ver a minúcia do detalhe da obra dele, discutir uma interpretação possível das palavras dele, não é isso que >> até porque muitas vezes isso aí vai de encontro com, pô, tá bom, eu vou ficar discutindo, mas e aí, como eu ganho dinheiro de fato? >> Exato, como eu ganho dinheiro de fato? Essa é uma pergunta importante, porque afinal discutir não vai te ganhar dinheiro, vai, mas aí dependendo se você de que qual classe social você pertence. Dito isso, perceberam, ó. Aí começamos com blog. Por quê? Porque tinha acesso à computadora e acesso à internet. O resto não tinha. Gente, pelo amor de Deus, no início dos anos 2000, quem tem computador para ficar usando? Quem tem internet garantida, a gente ia no lan house, pagava por hora. Aí você tem que escolher. Vou ficar lendo o blog ou vou jogar CS? Vai jogar CS, faz muito mais sentido. Para que que você vai ficar? Deixa eu ver aqui que que o pessoal tá discutindo sobre uma aleatoriedade aqui. O nosso Joel Pinheiro comenta Jorcut sociais e que surgiu. E aí eu gosto do como ele comenta aí. [aplausos] Parabéns para Joel. Que que se discute ali? Interpretação da sociedade, um debate público sem freio e sem critério de interpretação do mundo. E você pode falar qualquer bosta do que você acha. E o outro também. e parece que vai ter o mesmo peso, só que ali ali é uma caixa de eco, porque é uma classe social conversando com ela mesma no princípio. É a classe média com acesso a computador, com acesso à internet que dá para usar, consegue pagar a desgraça da internet. Em geral, não é isso que a gente tá tendo. A gente vai chegar depois. A galera vai chegar depois, vai ser depoismente. Então essa interpretação da sociedade, essa discussão chamada debate público, ela não é pública, ela é restrita. a grupos sociais que estão produzindo conteúdo. E quando os outros grupos social que não tem acesso chegarem neste universo, qual é o conteúdo que eles vão ler? E o Joel painheiro teve tempo para pensar sobre isso porque não precisava estar trabalhando. E aí ele conseguiu sacar, posso estar na internet e eu posso gastar meu tempo aqui porque alguém tá pagando minhas contas. Então eu vou poder ficar um tempão aqui produzindo coisa e entrar no debate público. [roncando] E a galera de classe média que já tem essas redes, já tem esses privilégios, já tem essa estrutura, só vai surfar. Só vai surfar. É uma onda perfeita, tudo bem? E aí ganha notoriedade nesse ambiente da rede mundial de computadores. E assim que as tais mídias tradicionais tentarem se adaptar para esse novo mundo, que que elas vão buscar? Os influenciadores que fazem parte desta rede e que estão dentro da rede de contatos que nós temos também da nossa classe média tradicional. Aí vai entrar uma porrada, né? Vai entrar uma porrada de bobagem. Felipe Pondé, o próprio Joel Painheiro, Caio Copola, essa galera vai entrar nessa onda, pô. Ai gente, por aí, né? Por aí. Descrito Guilherme, assina embaixo. É com respeito ao croc, né? Exatamente. É o Croc que usa Allstar para fingir que é jovem. Exato. O Pondé, ele tem uma cara de croc. Ele não é o filósofo de sapates, é o Croc. O Croc que é filósofo. Diz querido Gabriel Dias. Marxismos. Pondé é a cara do tédio. É mesmo, é cara de tédio. Ele ele me lembra. Eu eu vou mostrar uma coisa para vocês. Ah, eu não deveria fazer isso, mas eu vou fazer. Ele me lembra. Eu vou mostrar para vocês. Vocês já assistiram Aladin? Eu não sei, a maior parte do nosso grupo aqui que segue o canalzinho tem a minha idade ou próximo, então conhece a Aladin. Ele me lembra o J, o o o Jafar, sabe? Lembra do Jafar? Nossa, que do Jafar. O Jafar, vilão do Aladin, quando ele se disfarça, se disfarça de velho. E aí eu olho para aquele velho e falo: "É o é o Pondé, é o Pondé". Quer ver? Eu vou mostrar para vocês. Não tem como você não olhar e falar: "Olha, é o Pondé". Ele tem esta cara. Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê-lo? Aqui, aqui, aqui, aqui. Abriu no Pinterest. [risadas] Eu não tenho conta no Pinterest. Vamos lá. Aqui, aqui, aqui, aqui. Pera, per, pera aí. Pula pro lado. Deixa eu remover aqui. Deixa eu botar esse trem para a tela. Deixa eu compartilhar a outra tela aqui. Aqui, aqui, aqui, ó. Vê se não é. É ou não é? Aqui é o Pondé, doido. É o Pondé aqui. Cadê? Vocês assistiram o o Aladin? Vocês sabem do que eu tô falando aqui, eu olho e falo: "É este homem, este homem não tem como. Ele é o vilão do Aladim. Ele é o Jafá disfarçado. Não tem como, cara. Eu olho para ele e falo: "Meu Deus, é impressionante a semelhança. É impressionante a semelhança. Mas tudo bem, né? Ele não é o calvo de hoje. Ele não é o calvo de hoje. Ele não é o calvo de hoje. Diz que do Ogoeira discordo. O croc é confortável. O calvo em questão é muito desconfortável. É o croc é confortável a depender do dia, né? A gente pode qualificar então um crocum dia de chuva. Diz, querido Guilherme Magalhães, a gente chegou há 10, 20 anos depois e já não era mais mato. Exato. A gente chegou internet, o cara que fala, eu tava, tô na internet desde quando a internet era mato. Então é porque você tinha um privilégio de acessar a internet, né? Então assim, você tá denunciando de qual classe social você pertence. Classe média é tradicional. Diz, Guilherme, uma história legal da Alana Boltwood, que criou um blog nos anos 90, usando internet da universidade para pessoas tímidas se ajudarem. Foi aí que surgiu o termo Incel, que anos depois viraria lixo. Informação, como diria o nosso querido Renan. Diz Guilherme. K. Diz Jéssica. Já assisti a Ladin. Meu Deus. Não é a cara. É, vocês vão ter que concordar comigo. Diz querido esquerdos autorais. Já achei que era reunião de seita porque tá rolando encontro de troca troca de figurinhas da Copa aqui no Shopping da tua pé. É, cuidado. E troca troca de figurinha é perigoso. Você pode ser enganado. Você pode ser enganado. Toma cuidado. Minha filha tá viciada em figurinhas da Copa do Mundo, mas graças a Deus a minha renda não é capaz de acompanhar o vício dela. Então, frustração para ela, alegria para mim. Diz Jéssica. Sou da época da internet de discada. Você vê, a gente usava internet usando uma escada. A gente subia degrau por degrau para acessar a internet. Pessoal hoje aí vai de escada rolante, vai leva você sozinho. Vamos lá, voltando para Joel Painheiro, nosso querido calvo. E aí a preocupação do outro querido, né? Você não vai conseguir ganhar dinheiro sendo filósofo acadêmico. Não dá para ganhar dinheiro. Quem é de classe média tradicional consegue, pô. Consegue com tranquilidade. Consegue com tranquilidade. Tranquilidade. Sabe por quê? Tem rede o suficiente para conseguir ser professor universitário, se não num uma universidade pública, numa universidade privada. Então consegue sim. É que a gente não consegue imaginar porque a gente tá fora desse circuito, >> né? Exato. A, o bom da vida acadêmica, da universidade, é que tem algum espaço para você fazer isso e ganhar um dinheiro. Você nunca vai ser milionário fazendo isso, mas ela vai te garantir um salário. Se você conseguir uma um cargo de professor numa faculdade, [roncando] ele vai te dar dinheiro para você se sustentar, ter uma vida OK e vai ter o tempo para você se dedicar a uma pesquisa também. Isso são coisas valiosas. Isso agora que eu tô fora da do meio universitário, que eu vejo e enxergo isso poch, isso tem um valor, >> porque se o cara tiver que, além de tudo, se o cara tiver que tá lutando numa empresa pelo pão de cada dia, daí é que ele não vai conseguir ler Aristóteles e escrever algo de de bom a respeito, né? É difícil conciliar. Então, então por isso por isso Joel Painheiro, Joel Pinheiro é contra o fim da da da escala 6 por1 e a gente é a favor. O Di tá contra. Por quê? Porque ele não quer que a pessoa tenha acesso a Aristóteles. Tem que ficar na universidade. Já a gente, a gente quer que a pessoa leia, vai ler Aristóteles, vai ter tempo. Então a gente tá aqui querendo acabar com a escala 6 por1. Fica aí mais um apontamento importante. >> O meio acadêmico, ele permite isso, ele permite esse espaço de liberdade, embora ele também traga um monte de outras coisas muito ruins ali de dinâmicas de puxa-saquismo e outras coisas, mas enfim, o fato é que ficou claro para mim que a vida acadêmica não era bem o que eu queria. Ele tinha a opção de escolher se ele queria ou não vida acadêmica, né? Privilégio para ele. Mas pera aí que como eu não pago o YouTube, eu tenho que esperar passar propaganda. Eu [música] queria nesse meio termo, >> numa coisa que é filosófica, que envolve as ideias, envolve a discussão, envolve argumentos, mas não é uma escrita ultra especializada para pouquíssimos lerem uma uma questão ou outra totalmente distanciada da realidade. É no debate, na discussão e na reflexão sobre a realidade. Esse é o espaço do tal debate público que tá tá sendo profundamente transformado pelas redes sociais. >> Pronto. Ele parece falar uma coisa incrível, mas não falou nada demais. Mas a parte interessante, né? A parte importante, parte importante é aqui do do comentário. Onde Joel percebeu que estava sendo discutida a interpretação da realidade nas redes sociais? Onde tá tendo a interpretação da realidade social? Onde ele quer se inserir? Nas redes sociais? Porque é ali onde tá circulando as ideias e é ali onde ele vai soltar com de maneira mais livre informações. É ali onde dá para você falar um monte de grosélia e o pessoal levar a sério. É ali onde você vai disseminar mais fácil uma interpretação sua sem precisar se justificar. Porque no ambiente acadêmico, para você conseguir botar uma ideia para rodar, você vai ter que sustentar ela. E isso dá muito trabalho. Sustentar dentro de parâmetros científicos. Isso é trabalhoso. Falo com propriedade. Enquanto alguém que teve que passar por todo o processo da educação superior em todos os níveis, né? É difícil, é cansativo, é puxado. Na internet você não precisa demonstrar isso. Inclusive, o nosso canalzinho cresceu muito rápido, apesar dele ser pequeno, mas ele cresceu muito rápido no início, porque o grande trabalho que a gente fazia era mostrar como um monte de pastor, de influencer, não sei o quê, aqui na internet falava grosélia. E era fácil de desmontar isso se você coloca um parâmetro científico mínimo. Você fala: "Cara, olha isso aqui." E não é nemum parâmetro científico muito aprofundado, é mínimo mesmo. Você não precisa nem ser uma pessoa tão informada assim. Inclusive, foi algo que surgiu aí no recentemente no Instagram, comentário de alguns cortes que a gente fez desse dessa nossa saga contra calvice branca. Cara, como é que eu posso perceber que o o professor Rock tá falando bobagem ou que o Pondé tá falando de bobagem se eu não tenho essa formação acadêmica? Eu preciso de uma gama de informações tão consistente? Não, porque se vocês acompanharem o conteúdo que a gente viu, eh, e que a gente reagiu, e normalmente é assim no canal, você não precisa de uma informação muito especial, um doutorado em línguas e vernáculas, tá ligado? Você não precisa de nada disso. Você precisa ali conseguir estruturar. Isso é um recurso que não é fácil, ele é difícil, mas tá atento para poder acompanhar a organização lógica das ideias. é praticamente ver como que a pessoa estrutura um sistema minimamente coerente, que você percebe as contradições e a incoerência do que essa pessoa tá falando. É o que a gente viu no Pondé e é o que a gente viu no professor Rock. A incoerência, a inconsistência, o absurdo dessa fala dentro dela mesma. Eu não precisaria ter uma grande informação sobre a realidade. Eu precisaria estar atento ali a ver o que ele tá falando. Então podé fala num primeiro momento lá, olha, a escola no ensino básico, português matemática. num segundo momento. É, mas educação não é só o básico, ela precisa de outras coisas paralelas que antes ele tinha criticado as coisas paralelas, que é a socialização, é não sei o quê. É só você pegar esses dois polos e falar: "Olha isso, cara, ele falou a no primeiro momento e depois ele nega o a, tipo a e não há". E ele tá querendo conjuntar as duas coisas. Não dá. Só que a gente não tem essa posição crítica, a gente não tem esse ouvido atento. No geral, a gente recebe a informação, ela tá vinda mediada por posição de classe, porque esse cara tem algum gabarito para mostrar. né? Você é doutor, você é não sei o quê. Eu respeito obviamente a trajetória acadêmica de qualquer pessoa, mas respeitar não significa me submeter. E em última instância ele ocupa aquela posição e aquela imagem da autoridade que já tá construída na nossa cabeça. O homem branco, calvo de cabelo de barba branca, óculos redondo, professor universitário que fala daquele jeito. E toda essa estrutura de autoridade é reproduzida e a gente já chega atento a querer entender. E uma última coisa importante, o nosso cérebro ele quer se comunicar com outros humanos, então ele tem a tendência de fazer com que as coisas fiquem organizadas. A gente se força com, mesmo que não perceba, a gente se força a concatenar as ideias do outro para que ela tenha sentido, porque você quer conversar. Então você dá sentido para aquilo que eu tô falando. A gente tem essa predisposição. Quase. Essa predisposição somada essas relações de autoridade faz com que você diante da conversa com o outro não se arme minimamente para falar: "Cara, talvez esteja falando bobagem". Pô, deixa eu acompanhar esse raciocínio e ver como é que A se conecta com B. A gente não faz isso. É um treino difícil mesmo. Não é não é simples, mas não precisa de uma grande formação de conteúdo. Não precisa estar na área dessa pessoa, né? Conversando com um uma pessoa especializada no estudo dos sapos. os anfíbios existentes na nascente do rio Gesia, sei lá, sabe? Não, não, não preciso saber disso. [risadas] Eu não preciso saber disso. Eu não tenho essa informação, então não tem como falar sobre isso, né? Agora, se o cara começa a me apresentar sobre os anfíbios e a afirmação A nega a afirmação B, mesmo que eu não saiba o conteúdo, eu vou falar: "Pô, mas eu não tô entendendo o que você tá me dizendo, porque primeiro você disse A e depois você disse B. E A e B não estão conversando, eles não estão se somando. Um nega o outro. me explica melhor. Pode ser que ele ajuste, pode ser que ele seja falando uma contradição, uma grosélia. Então é um esforço desse tal desse pensamento crítico que é uma mistura de lógica com você não aceitar relações de autoridade previamente estabelecidas. Mas vamos ver o finalzinho aqui, né? Vamos ver o finalzinho aqui do nosso papo. Opa, pera, pera aí. Tem denúncia. Teve denúncia aqui, querido Kevin. Boa tarde, Kevin. Kevin deixando uma denúncia, deixando a denúncia que a FIFA só colocou o jogo às 18 hoje e me obrigou a passar nessa live para mandar um abraço. Denúncia a FIFA que tá obrigando Kevin a ter que vir aqui dar um abraço. Se não tivesse só jogo tarde, o Kevin já estaria aqui há muito tempo. Não, quer dizer, ele não estaria nem aqui, ele estaria assistindo o jogo. Então, eu acho que eu me lasquei nessa denúncia. Mas estamos junto, Kevin. E faça como Kevin. Seja um membro do nosso canalzinho. Joel Pinewood. Exatamente. Joel Pinheiro. Pinheiro. Gabriel Dias Máximus. Molden da Tim. [risadas] Molden da telefônica. Eh, eu lembro da propaganda da telefônica. Diz querido fazer o watch. Trabalhador de 6 por1. Tem acesso ao YouTube premium. Não tem acesso ao YouTube prêmio. Seja contra escala 6x1. Eh, nem o cara que produz conteúdo na internet pro YouTube, fazendo o YouTube ganhar dinheiro, recebe YouTube premium. Tô chateado com o YouTube. Vamos lá ver o finalzinho desse papo incrível. >> É uma a filosofia como no no meio de comunicação. Eh, ela >> colocar a filosofia no meio de comun. A filosofia enquanto tal pode ser algo na sua cabeça ou pode ser uma reflexão num num ambiente acadêmico. Agora, como é que você traz ela para um público maior e pro para um debate maior? É um debate que engaja as pessoas que não são filósofos profissionais, estudiosos de economia ou de política, acadêmicos e profissionais, não são nada. São pessoas normais. >> Como que isso ficou popular na no Brasil? V, [risadas] >> como é que você faz isso? seguindo o nosso canal, seguindo o canalzinho aqui, que o nosso canalzinho ele é pequeno, ele é irrelevante, mas aqui a gente tem trabalho de conteúdo de qualidade eficaz e que divulga conhecimento com referência. A gente vai ver um conteúdo aqui, discutir, sei lá, a teoria do valor do trabalho, a gente abre o texto e lê ele. Aqui ninguém esconde nada, a gente lê, a gente trabalha de maneira qualificada. pega um conteúdo para especiais de economia e filosofia e traz para pessoas normais, porque nós somos normais, somos comuns, não estamos no Olimpo, né? [risadas] Pergunta querido Lud Viglim. Caraca, pera aí, pera aí, pera aí. Hum, esse nome é difícil. Lud Vigima Nunes 988 é um número de telefone. Ludomes, número de telefone. Ele pergunta: "Joel Pinheiro é a cota não calva?" Não, ele é calvo. Ele é calvo. Ele é calvo branco ou é calvo enrustido? Não, ele é calvo branco. Ele é porque a nossa calvice branca, ela é uma calvice pós-moderna. Não, brincadeira. A nossa [risadas] crítica calvice branca não é a pessoa necessariamente desprovida de folículos capilares. A gente conversou aqui um pouquinho no começo da live. É a calvice branca, que é o calvo branco de uma classe social específica, que é a classe média tradicional. É esse o combo. Então tem pessoas que não t necessariamente a ausência de folículos capilares, mas tem ali a calvice branca constitutiva da classe média tradicional de calos brancos, que aí ganha autoridade para falar qualquer bobagem para qualquer pessoa. Então tá aqui a explicação adequada. Diz querido, esquerdos ou atrais, Ludvig, Vitinho, gangster. [risadas] Gostei do nome. Gostei do nome. Agora é o seguinte, a gente vai pular pro próximo calvo. Nós vamos agora para próximo calvo. Mas antes de ir pro próximo calvo, eu vou rapidamente ao banheiro. Afinal, estou aqui bebendo um suco maravilhoso nesse momento. Maravilhoso. Vou pegar outro em breve, mas eu preciso rapidinho ir no banheiro. Volto em alguns minutos porque eu tenho que lavar minha mão também. Então fiquem aqui com a musiquinha de elevador. Vão aí também fazer os seus afazeres rapidamente. Não vou embora, não me abandonem, mas a gente volta num instante. No instante. Um minutinho. [música] >> [música] [música] >> He. >> [música] [música] >> A vantagem do apartamento de 38 m² é que você rapidamente chega no banheiro e volta. [risadas] Vamos lá. Vamos pro nosso segundo calvo. Vamos para o nosso segundo calvo. Nós vamos agora com outro calvo, né? O outro calvo que é mais famoso que o outro calvo. São muitos calvos. Deixa eu buscar o nosso outro calvo aqui. Nós vamos agora reagir e comentar o nosso outro calvo branco, que também sofre de cabeça branco, que é o nosso querido professor Vladimir Safadle. E uma pessoa fez um comentário importante, eu não lembro quem agora, acho que foi nosso querido amigo Gabriel, se eu não me engano. Então são muitos Gabrielis tem no nosso canal, não sei qual que é o questão com nomes Gabriéis. Nosso querido Gabriel comentou: "Pô, mas o Safato ele nem merecia estar aí junto com essa galera". Ele tem razão. Ele tem razão. Mas nós precisamos praticar o dois ladismo aqui e mostrar que a calvice branca, da qual nós estamos criticando e apontando, ela não é exclusivamente de direita. Ela pode atingir qualquer pessoa de qualquer espectro político. Ah, muito bom isso aqui, viu? Vou dizer para vocês, está bonito. Ating qualquer pessoa de qualquer espectro político. Então, a gente precisou selecionar um e nós selecionamos o nosso querido Vladimir Safadle. Vamos lá. Deixa eu pegar ele aqui. Ai, ai. Ih, ficou muito para trás aqui na minha organização. Buscar. Uhum. Pum. Putz, agora tô em dúvida em qual dos dois vídeos eu ponho, que tem uns muito bom. [música] Deixa eu ver se é esse aqui. Perdão aí, Ludvig, perdão, perdão. Ludvig diz e o Ludvig diz algo importante aqui, né? Que infelizmente tá no expediente, não pode juntar bebedeira, mas guarde ela para depoismente. Fazer o uso adequado e merecido para um final de dia com moderação. Sempre com moderação, mas que seja por um momento de desfrute. E diz o nosso querido Gabriel dias marxismos. safato é zizequiano. Eu não sei se ele é zizeizquiano, mas eu vou dizer, cara, tem um amigo meu que é o meu querido. Cadê, cadê? Pera aí, pera aí, pera aí, pera aí, pera aí, pera aí. Ah, perdia o vídeo. O tem um amigo chamado eh André Castro. O André Castro. O André, a gente tem debates interessantíssimos, né? Na revista Zelota, a gente tem posições diferentes discutindo o mesmo tema, outras muito convergentes e o André é um gênio, assim, um pesquisador jovem genial. E a gente tem vários apontamentos que a gente discute, debate, troca, etc, etc, etc. E daí, cara, a gente conversa sobre um alguns temas e faz os nossos enfrentamentos. E o André uma vez veio aqui em casa, foi engraçado, que a gente tava, chegou aqui em casa, ele começou a olhar os livros que eu tinha aqui e o André falou assim: "Pô, mano, se alguém vem aqui na casa do Bruno, acha que ele é um conservador maluco, né? Porque só tem texto na na prateleira assim, só conservador ou esquerda meio estranha, tipo do Zizek. Eu tenho muitos livros do Zizek. Li muito o Zac, muito mesmo, especialmente ali no 2014, 2000 2012 ou 2015, eu li muito Zac, li bastante mesmo. Eh, tinha umas sacadas que ele tinha que me ajudavam muito e algumas contradições do que ele trazia que era bom em usar em aula, assim, adorava usar em aula para provocação, essa coisa toda. E ele é um cara que que é um acadêmico, né, muito qualificado, que entra no debate público desse que a gente tá vendo aqui. Então ele também tem esse esse ponto a favor dele. E aí eu li muito, obviamente muito com moderação, mas eu tenho os livros e é um ponto legal, né? Porque eu acho que tem coisa que é interessante, coisa que você tem que jogar fora absolutamente. E o velho ficou maluco, né? Tá falando a grosia mais maluca que a outra. Mas dito isso, tô dando toda essa volta para dizer: "Não descartem um autor, não é o caso necessariamente nosso querido Gabriel Dias Maxismos, não é isso. Eu estou aproveitando o comentário. Não descartem o autor por ele ter ficado maluco ou ser esquisito. Ele pode ser muito útil, tá? Eu tenho muito autor que eu utilizo, extremamente útil. Ou como diria meu querido amigo André, né, ou Bruno, ou [risadas] Bruno se quem vê a biblioteca do Bruno, que não é uma biblioteca, né, os livros em casa, ele é um conservador maluco, né? >> [risadas] >> Então é isso. Eh, deixa eu achar aqui. Pronto, pronto, pronto, pronto. Achei, achei o vídeo. Então, comentários que a gente vai fazer aqui acima. Vai ter muita coisa interessante. E e um último aponto, porque os autores que eu estudo, que não são esses conservador maluco, eh, tirando Marx, que eu tenho os livros físicos, né? Marx tem os livros físicos no geral. Os outros ou caíram caminhões de PDF próximos ou são autores que liberaram os PDFs de sua obras completas, como é o caso do Henrique Dusel, do Franzin Kelamts e do Juan Rossé Bautista Segales, que me mandou os livros dele. Então eles são três autores que me influenciam muito assim e o Wind Dirk também que liberou os texto dele. Então eu li esses caras tudo em PDF e aí os livros que eu tenho casa, que são relativamente reduzidos, né? Não cabe muita coisa aqui. Sempre que chega um livro novo, minha esposa quer me matar, porque 38 m² não cabe nada. Eles me ajudaram muito, cara, ler autores que liberaram os textos em PDF. [ __ ] vitória do trabalhador, né? Vitória do trabalhador. Alexander, acertei. Querido Alexander, como é que você tá? Tudo bem? Disse cheguei atrasado, mas estamos juntos, queridos baristas. Estamos juntos, queridos. Querida Alexandre, vou até tomar um gole aqui deste suco maravilhoso em sua homenagem. Ah, que delícia. Vamos lá. Tá geladinho. Ele ficou doido. Ficou dizer que tá completamente maluco. Complet completamente doido. O livro dele de Ideologia sobre totalitarismos. Tô para terminar. Pois é. Pois é. Pois é. O que eu gostei. Ah, pera aí. Minha internet. Eu sumi, não voltei. Jesus, que susto. Que que aconteceu aqui, cara? Meu computador surtou. Pera aí, pera aí, pera aí, perí. Eita, ele não tá abrindo a página. Ah, pera aí que eu vou ter que abrir de novo. Meu computador tá velho e ele tá tendo vida, ele tem vida própria, né? Então, pera aí, deixa eu abrir de novo aqui. Tava assistindo agora o vídeo de desgraça. O que eu gosto, tem alguns livros dele que eu acho interessantíssimos. Tudo bem que vários desses livros são os mesmos artigos, né, republicados de diferentes maneiras. [risadas] Eu li lá o o Visão Paralaxe, achei interessante, muito interessante. Ah, especialmente para ver como ele trabalhava a metodologia dialética a partir de Hegel. hoje mais estruturado e tem uma série de ressalvas. Até tava lend relendo ele no ano retrasado. Retrasado. No ano retrasado tava relendo porque eu tava trabalhando de novo com dialética como método e falei: "Pô, vou reler isso aqui. Fazia tempo que eu não lia". Tem umas paradas muito interessantes. É precisar de ser muito prolixo. Outro que eu gostei foi vivendo no fim dos tempos. Gostei, achei interessante, apesar de ser artigos que estão em outros textos, outros livros dele. Muito bom. Especialmente quando ele, por causa dele, eu cheguei num outro autor chamado Jean Pierre do Pui, que fala sobre o circuito, é tipo um circuito racional de você tentar antecipar catástrofes. Sensacional. Por causa desse livro, Vivendo no fim dos tempos, eu cheguei no Jampiar do Pui falando sobre esse lance do circuito racional de você antecipar catástrofes e evitar, tentar evitar catástrofes. É genial assim. Então são são conexões que fui fazendo, que fui encontrando. Então vale a pena. Nunca rejeitem o autor pelo autor. Tenham críticas, façam apontamentos. A galera que fica chateada que eu fico criticando nit, eu leio Niet, gente, só que eu não sou tonto. [risadas] Então leiamos os autores. Diz quido Borduna. Salve Bruno Chat. Salve querido Borduna. Como é que você tá? Espero que esteja bem. Aqui pontualmente atrasado. A gente tá sempre atrasado e sempre pontual aqui. É, na verdade quando é uma live no YouTube gravado, tá tá de boa, né? Você pode assistir a hora que você quiser, então tá suave. Estamos em casa. Deixa eu dar play no nosso querido entrevista com Vladimir Safatle. É uma entrevista recente. As contradições morais do liberalismo. Deixa eu pausar a música aqui. As contradições morais do liberalismo. Então vamos lá. 1 2 3. Sinara Menezes entrevistando Vladimir Safatle. >> Empobrecida por várias razões no debate público e político. Qual a saída? Obrigada. >> Acho assim, tem várias questões aí importantes, né, para que a gente possa retomar a agenda do debate público, que é um pouco essa. Eu poderia dizer bem, uma delas, eu acho que é a classe intelectual fazer efetivamente o seu papel, né? Eu acho que a classe intelectual existe, acho que ela não é uma abstração, certo? Acho que isso faz parte da maneira com que a organização dos saberes funciona dentro de certas instituições, como as universidades, entre tantas outras coisas, certo? A gente tem uma função social. A função social, primeira delas é dar nome ao problema, né? Já >> excelente. Então vamos começar aqui uma parte importante. Parte importante do nosso papo aqui com Vladimir Safato. Ele retomou o ponto que nós estávamos vendo com Joel Pinheiro. Só que ele fala assim: "Eu realmente acho que que existe uma classe intelectual. Eu nem digo que eu acho, eu tenho certeza. Uma questão de função da reprodução social é um dado. Existem pessoas que a sua função na reprodução social é produzir conhecimento, produzir ciência, discutir ciência. Tá assim, tá simples, tá fácil, não, não precisa achar nada, tá, tá dado, é um tado óbvio. Mas qual é o ponto que eu acho interessante que Vladimir ao destacar, e ele tá correto que existe essa classe intelectual, quando você chama de classe intelectual você perde algo importante ou pode perder, no caso, o papel desempenhado na reprodução social. Esta classe, se nós olharmos não só se ela é intelectual ou não intelectual na divisão intelectual do trabalho, que que ela faz, onde ela tá, a gente chama muitas vezes quando olha pro consumo, por exemplo, classe média alta, ela tem acesso a certos bens privilegiados que as outras não têm, especialmente numa sociedade desigual como a nossa. Então essa classe social, essa classe intelectual, ela é uma classe que ocupa o que nós poderíamos chamar de outro modo a classe média alta com acesso à universidade, aquela que opta dentro de seus privilégios atuar na produção de conhecimento de educação formal no ensino superior, seja em pesquisa, seja em ensino, seja ali na formação, na educação. Então esse grupo é o grupo da tal classe média alta, da tal, esse grupo de classe intelectual tá ali. E curiosamente é aquele grupo que o Joel Pinheiro estava discutindo, certo? É aquele grupo que o Joel Pinheiro tinha percebido. É aquele grupo que o Joel Pinheiro de onde ele vem. Então, na verdade aqui, mais uma vez nós estamos nesse âmbito. Quando nós pegamos esses representantes de uma discussão acadêmica, intelectual, de interpretação de país, nós não estamos conversando com debate público generalizado. A gente tá discutindo com uma classe, uma classe específ, um fragmento desta classe que tem uma posição específica e que reproduz seus interesses ali e que ao observar a sociedade brasileira a observa de um ponto de vista de observador externo, porque precisa fazer isso. Essa é a discussão metodológica de de produção do conhecimento que eu gostaria de discutir um dia, uma discussão de epistemologia mesmo. Tenho tenho conversado muito com uma professora amiga minha que é Suzi Pisa. a gente tem conversado muito sobre isso, que eu falei, eu preciso falar sobre isso, eu preciso apresentar essa discussão, que é a posição do pesquisador que objetiva a realidade como externo. Ela é necessária para você fazer uma boa descrição, para você apresentar cientificamente, buscar certa objetividade, certa estrutura com parâmetros científicos. fundamental. Me coloco como observador externo, só que eu também tenho que me colocar como sujeito em certo sentido. E quando você se coloca como sujeito, você vai perceber que talvez você nunca é aquele sujeito que você tá falando e em certos momentos sim, tem uma contradição aí que eu costurei de trabalhar, mas o que importa é o observador externo cientista, ele é necessário, mas no caso da classe média alta universitária, quando se coloca como observator externo, ela vê tudo como objeto, absolutamente tudo. E quando ela se coloca como sujeito, ela discute com a universidade, porque ela tá ocupando aquele lugar. E aí vem o o tal do universitário que é antiuniversidade, o professor universitário que é contra a universidade, que não é o nosso caso aqui. A gente tá fazendo uma crítica. esse papel necessário de observador externo. Não é uma discussão que a academia não importa, ao contrário. Sou apaixonado pela universidade, sou apaixonado pela produção acadêmica, tenho minhas dúvidas se esse é o lugar que eu deveria ocupar na minha vida, mas exis a crise, exida, estamos aqui. Mas de todo jeito, eh, esse observador, enquanto observador externo, quando se coloca como sujeito, discute como com a universidade. Nunca é o sujeito quando ele se colocar que ele tá se colocando com a classe trabalhadora que não tá nesse grupo. Ele sempre vai ver ela como objeto externo porque não tem como, ele não faz parte desse grupo. Então ele vai falar sobre os pobres de direita, os bolsonaristas, que são esses empobrecidos, os evangélicos, a sociedade brasileira de suas massas. E aí fala assim e quando conversa, o interlocutor não é a massa, não é falar você trabalhador pobre, evangélico de direito, você bolsonarista, você não sei não, ele não fala com esse sujeito, ele fala com seus pares e os seus pares ele pressupõe que são da classe média tradicional e não sei o quê. Então fica uma conversa nesse grupo que vê todo o resto da sociedade enquanto objeto. E essa discussão é genial. Esse ponto é interessantíssimo. O Safat, ele tá dizendo, ó, o intelectual, a classe intelectual, ela tem que fazer cumprir o seu verdadeiro papel. Mas na nossa reprodução social, quando ela cumpre o verdadeiro papel, ela se ela cumpre externa aqueles grupos com quem ela gostaria de estar aliada. Se ela é uma militante de esquerda, por exemplo, ela sempre vai estar externa. Tem algo de como tem que tentar superar essa e e essa estrutura. Isso fica muito presente, cara. É muito claro. É ver Pondé, vê como externo é esse cara, tal. O rock que a gente falou, mesma fita, mas o rock também já é uma caricatura da internet. O Pedro Dória, mesma fita. O Joel Pinheiro que a gente viu agora, mesma fita e o Safatle, mesmo sendo de esquerda, tem uma questão de posição de classe que reproduz essa estrutura e é isso que a gente vai ver, beleza? e não a sacanajá. E o safato é um canal, é um bandido, é um não, o que a gente tá discutindo aqui não é isso. [risadas] O que a gente tá discutindo é essas contradições e esses processos que forma esse sujeito e esse observador e como ele se expressa aqui no discurso. Beleza? É massa, pô. Vale a pena papear sobre isso. Diz querido Ludvig L Nunes. Ludvig classe média alta é que é uma sessão da pequena burguesia. É, eu tenho minhas maneiras de tentar trabalhar esse tema aí, mas eu vou me eximir de gastar esta moringa nesse momento por motivo de que eu vou ficar 7 horas e ainda estou levemente alcoolizado, o que significa que esse papo perderia qualquer rigor científico e acadêmico. Dito isso, tá bom. Diz, querido, querida Jéssica, essa classe não produz mais valia ou tô errado? Hum, realmente a gente vai entrar num papo de bar complicado, que deveria ser um papo acadêmico. Eu vou segurar a informação. Se no meio dessa conversa surgir algum elemento que eu possa discutir sobre eh capital produtivo e improdutivo, produção e não produção, produção de valor e não produção de valor, aí a gente vê, tá bom? Mas vamos ver o que vai acontecer, porque estamos aqui para ver a calvice branca em ação também, sem querer, do lado esquerdo da força. Forçar, eh, quando a gente percebe que você tem todo um sistema de procura apagar o que tá acontecendo, isso já vem de longe, né? desde a primeira eleição do Bolsonaro, até todo um processo para falar: "Não, não, isso aqui foi um desvio de rota, né? Isso foi, se a gente vai voltar à normalidade, né? As instituições brasileiras são fortes, né? Elas conseguem responder muito claramente, certo, a todo a todo esse tipo de degradação. Então, você tem toda uma uma mobilização retórica para não mostrar o tipo de risco no qual nós estamos. Acho que uma das coisas importantes é é a é apontar os riscos, né, da maneira mais clara possível. O Erivaldo fala agora a pouco, eu vi >> antes de ouvir o Eivaldo, ó, que que o Safato lhe disse? A nossa classe intelectual, ao invés dela mostrar os riscos e apontar os problemas, ela fica dizendo que as a as instituições brasileiras são suficientes, que a gente consegue responder ao fascismo existente de maneira adequada pelas instituições liberais. E ele não gosta dessa ideia. Ele estaria certo ou está certo se a gente não considerar como uma totalidade? Porque ao frear o golpe e ao garantir a punição do golpe, as instituições responderam adequadamente em sua totalidade? Não, para sempre também não. Mas no caso do golpe responderam adequadamente e frearam. E nós estamos vendo diante dos nossos olhos o derretimento das lideranças bolsonaristas. Beleza? Beleza? Estamos vendo diante dos nossos olhos neste instante, no dia da graça de 2000 de de 27/06/26, nós vemos esse derretimento. A gente tá vendo. Então assim, tranquilo. As instituições cumpriram seu papel pleno? Não, mas cumpriram. Neste caso, nesse record, estão cumprindo. Show. Isso resolve todos os nossos problemas? Não, continuamos sob risco totalmente, em especial porque nós temos 25 da % da população que é mobilizada a extrema direita e não há o que fazer. É um grupo que está constituído. Eu falo isso aí. Aí eu acho que desde 2017 eu discuto esse esse grupo, esse núcleo de 25%. Já vamos aí para quase 10 anos falando desse núcleo, que é um núcleo que não dá, cara. Tem 1/4 dessa da população brasileira que tá fechada com fascismo. É 1/4to. E é um quarto que tem uma rede barulhenta, não só do discurso de estrutura institucional. Acesso à internet, acesso a alianças interessantes, tem grana, tem empresário, tem um grupo de classe média forte atuando no seu papel de defensor de capitalista safado. Tem um monte de coisa acontecendo nesse grupo aqui de 25% que não tem muito o que fazer. Dito isso, as instituições estão respondendo bem, têm respondido bem, relativamente bem. Em total, não há riscos, muitos, continuamos sob aí o o o Safato fala assim, ó. E o problema da nossa classe média intelectual é que ela fica dizendo que são desvios, que ela tá fazendo uma análise equivocada, como se o bolsonarismo fosse um acidente. Não é um acidente, mas também não é uma necessidade. Porque aí vem a falha da análise. Na cabeça do Safatle, isso vai ficar presente aqui na nossa conversa, a gente vai ver o fascismo, ele é uma necessidade histórica. Ele tá acompanhando ele sempre. E a gente vai ver que não, o que não significa que o bolsonarismo tenha sido um acidente histórico, um desvio do progresso, também tá equivocado. Convido vocês a lerem o texto que a gente fala sobre a ilusão do progresso no nosso livrinho do fascismo como religião. Não é um progresso que estamos indo pra iluminação e aí tem um desvio, estamos voltando à trevas. Isso é uma bobagem, uma bobagem que se fala. E tem uma galera da classe média intelectual que reproduz isso, que pensa isso, que pensou isso e que foi ingênua diante do bolsonarismo. É verdade. E aí o Safato ele tá discutindo com esse grupo, esse grupo ingênuo. Só que esse grupo ingênuo dessa classe média intelectual, né, classe média alta, tal, não sei o que lá, não é o grupo massivo e nem necessariamente quem tá funcionando como influenciador e formador das classes populares. Ao contrário, tem um gapzinho aí que a gente precisa tratar, tudo bem? Então, o interlocutor dele é esse grupo, ele tá com esse grupo na mente. E as respostas que ele tá dando e que ele vai procurar solução é para esse grupo. Ele tá discutindo com a classe média intelectualizada, especialmente do pessoal de esquerda, que tá no núcleo universitário. Ele não tá discutindo, fazendo uma análise da realidade social brasileira como um todo. Esta análise tá perpassada por esta posição crítica que ele quer assumir para dizer que eles estão completamente errados. E aí vem um ponto que eu gosto muito de distinguir e que eu espero que eu esteja não esteja equivocado. Se eu estiver, alguém vai puxar minha orelha. O ponto é o seguinte, prestem atenção, isso é sério, muito sério. Uma coisa é a minha polêmica com quem eu quero discutir. Outra coisa é a minha análise. Eu tomar um objeto e analisá-lo. Na minha percepção, boa parte dos intelectuais brasileiros confundem estes dois âmbitos. Eles confundem com quem eles querem polemizar, com a análise que eles querem realizar. Então, ao invés de pegar um objeto e fazer uma análise e propor uma teoria, essa teoria já é feita com a polêmica. Eu quero me opor a esse grupo. E ao fazerem isso, ao fazerem isso, ainda que não necessariamente com intenção, percebendo o que eles estão fazendo, a proposta sob defasada, porque não é análise de um objeto e apresentação para um público, é a análise já para o público com quem ele quer polemizar. E isso atrapalha o processo da discussão e da promoção de conhecimento. Uma coisa é o âmbito da polêmica de de mostrar os limites de uma determinada análise, outra é a análise que eu tô propondo, que no meu processo de análise e de construção do que eu tô produzindo, eu posso entrar em discussão, em oposição, convergência ou divergência com outros grupos. Mas eu não preciso partir da oposição e polêmica ao outro grupo para fazer a análise. É o contrário. Se na minha análise eu começar a me opor com outros grupos, eu vou perceber. Assim como vou começar a perceber as convergências. E essa galera faz o contrário parte da polêmica para depois ir paraa análise. Aí cagou. Aí aí já era. Saca? Acho que não sei se ficou claro, espero que sim, mas é algo que que é importante discutir. Diz que do Ludvik, [ __ ] que o Safato ele usa isso como argumento para criar o bolsonarismo de esquerda. Eu não sei se é um bolsonarismo de esquerda, mas eu acho que é uma super valorização do bolsonarismo. Eu acho que há e uma ideia de que se a gente adotar as táticas dos caras, a gente vai ganhar mais rápido o campo. Bobagem também, tá? Diz que Borduna: "As pontas derretem, mas o core do iceberg tá firme." Que intervenção externa como a lesma defendendo o pote de sal. Eu não faço ideia do que nós estamos falando. Ah, os bolsonaristas agora faz sentido. Quer intervenção externa como a eleição defendendo pode agora eu estou contigo. Perdão. Diz que Ludvig, número de telefone. Exatamente isso. O Safatre fala que é uma necessidade histórica para usar isso como justificativa para que a esquerda seja delirante. Palavras dele e extremada como bolsonarismo. É exato. É uma necessidade histórica. Aí que tá o problema. Achar que o fascismo é uma necessidade histórica. Isso aí é bobagem. Isso aí não vai não vai dar bom. Mas diz que do Ran custo. Mas o Safatle parece estar muito mais preocupado com a política eleitoreira do que com a intervenção teórica. Aí eu não sei. Sou incapaz de julgar as intenções do nosso querido safak. Mas eu gosto de discutir, tô aberto pro debate, tô aberto pro jogo, porque assim aqui o ponto não é tipo seu Bante, olha como esse cara é maluco, não. Ele tem pontos que ele tá correto, a gente tá falando aqui. O ponto é sermos cuidadosos na análise crítica, mas que eu não vou concordar com determinadas saídas. E é isso. Bora lá. Tá que a gente nem começou o papo. >> Vi em vídeo Vladimir Safatole dizer a Breno Altman que o fascismo é a versão terrorista dessa sociedade dos indivíduos. É isso mesmo? >> É, eu eu queria eu tenho tenho duas ideias que eu acho importante. A primeira delas é o fascismo, ele tem um tipo específico de violência. Então, se a gente quiser entender o fascismo, primeiro a gente tem que entender qual é a violência que ele é constituinte. E essa violência, ela tem uma característica fundamental que ela é baseada na dessensibilização e na indiferença como afeto social central, né? Ou seja, uma sociedade que vai começando a funcionar a partir da naturalização da dessensibilização e da indiferença, né? Eu quem nós brasileiros a gente entende isso muito bem. Basta você lembrar a pandemia, que que foi todo o esforço estatal de dessensibilização social. Tem 700.000 pessoas morrendo ao teu lado, todo mundo caindo. E a e a ideia fundamental era: "Não, não, a economia continua, isso não significa nada. Não há por fazer luto, não há porque fazer dolo, não há porque sentir essas mortes, não há porque se perguntar sobre, afinal de contas, porque elas estão ocorrendo. Isto é um, é quase como as folhas que ca que caem no outono, entendeu? É um dado natural. Então, é claro, isso isso é um experimento social, um experimento é você destroçar as redes de solidariedade imanentes da sociedade, certo? para que você vá criando esta ideia de que efetivamente, certo, a dessensibilização é uma é uma necessidade fundamental. Pronto. Eu vou fazer uma pausa aqui porque tem pontos interessantes a gente discutir aqui. Tem gente que não gosta que eu faço muita pausa. Perdão aí, foi mal, não vim para agradar, vim para fazer o necessário. Dito isso, o que acontece? Tem um ponto importante aqui do Safat, que ele tá plenamente correto. A dissolução dos laços sociais, ela é fundamental, mas aí não para o fascismo. Aí um ponto que eu gostaria de ajustar. Isso aqui trazendo a teoria marxista, né? especialmente ali dos chamados trabalhos antropológicos de Marx, né, escritos antropológicos. O o deriva-se, como diz concebista Segalid, a gente deriva, ao perceber o que que Marx tá discutindo ali, que o capitalismo ele depende da dissolução dos laços comunitários. Da dissolução dos laços comunitários. Só que veja, não é o fascismo, é o capitalismo. E é importante precisar as coisas, porque você precisa de trabalho livre individual. Para que isso funcione, os laços comunitários não podem estar fortalecidos. Não é uma comunidade. Você precisa de uma sociedade, dessa união e conjunção de indivíduos, a sociedade burguesa individualista, individual, em que cada um vem sua força de trabalho, livre do que veio para antes e livre do que veio, do que vai vir futuramente em abstrato, né? Então parece que você não nasce numa classe social, você nasce um indivíduo, parece que você não tem condições externas dadas, você faz se faz a si mesmo. Então, mas esse processo depende de uma dissolução dos laços comunitários. Safato, ele tá correto nesse ponto, mas não é fascismo, é para isso. Isso se reforça com o que ele chamou ali de dessensibilização, né? Correto? Também a gente tem que ficar cada vez mais insensível. Qual é o ponto que eu tcionaria? Fi tá certo esse lance da dessensibilização. Mas aí eu convido vocês a procurarem no Google depois quem interessar. Conservadorismo e bota meu nome, conservadorismo e Bruno Requidal. tem artigos espalhados por aí e um livrinho chamado Neoliberalismo, eh, e conservadorismo no Brasil, em que não reduzo a discussão ao lance da dessensibilização. Eu mostro como tem um elemento racional nessa dessensibilização, usando a uma teoria específica que é do Fran Kilamert, fazendo uma análise da racionalidade do mercado capitalista e como ela tem um núcleo irracional dentro dela, mas do processo da racionalização, como ela produz isso que ele tá chamando de dessensibilização, mas é a dissolução dos laços comunitários, né, da fraternidade. Weber já tinha percebido isso e é legal, né, ler os textos de Weber sobre modernização. Max Weba. O Weber ele já diz assim que para onde o mercado capitalista expande e avança, os laços de fraternidade se enfraquecem. Qualquer outro elemento que não seja o cálculo ótimo perde força, que é o uso dos meios para obter o fim. Qualquer outro tipo de valor, ele perde força, valor fraterno ou religioso ou solidário, né? Então não é uma ideia muito nova e nem tão revolucionária. Se eu pegar o Weber, por exemplo, ele já expressa isso. Qual é o lance? O cuidado é não cair no lance da dessensibilização. Isso é uma questão desses sentimentos e e vontades e não sei o quê. Tem um um uso racional do processo. E a gente discutir então de maneira mais global e totalizada. Porque, ó, o capitalismo só avança mediante dissolução dos laços comunitários, correto? Já dá para ver de Marx. Há esse lance de quanto mais o capitalismo se expande, menor há os laços fraternos ou de outros valores de solidariedade, como diz Max Weba. Ou seja, nem tô sendo aqui tão revolucionário assim. E o elemento que eu quero aqui aportar e criticar desse ponto de vista é que não é o fascismo que depende disso, é a expansão do capitalismo. E a gente tira essa necessidade histórica do fascismo, que é algo que o o Safato tá tentando impor, como não há o que fazer, não há escapatória, o fascismo está posto como uma necessidade. Falam: "Calma lá, lindo, calma, calma, calma, calma, calma, calma. Ele está presente e a agência dos sujeitos para que isso aconteça. Não é uma necessidade histórica, porque ele pode nem estar percebendo que ele tá sustentando isso, mas ele tá. Tá bom. Diz querida Jéssica, até porque a extrema direita tá aí, Trump ameaçando e conseguindo acabar com países da América Latina. Exato, exato, exato, exato. Diz querido fazer watch. Tipo o que está acontecendo com Rick Azevedo agora? Eu tô completamente perdido. Tipo o quê? Perdão aí porque eu deixei passar o tempo. Acho que eu errei. O quê? O que o quê? Eu falei muito, desculpa. Diz querido Borduna. Engus descreve o fim da sociabilidade do campesino inglês indo à cidade devido aos cercamentos, sobrando apenas o culto, à igreja, aos domingos e lá influenciados a serem ordeiros pelos religiosos. Exato. Pronto. É isso. Essa destruição desse tipo de laço comunitário. O processo de modernização, ele é muito violento, né? ele não é um processo muito agradável. Eh, e ele depende dessa dissolução de laços comunitários, laços sociais, laços eh que são constituídos por muito tempo entre famílias, entre grupos, nas comunidades, né? É o que sofreram e sofrem muitos povos originários, é o que sofreram e sofrem muitos camponeses. O processo de modernização no Brasil dependeu dessa destruição de laços comunitários. Envio da mão de obra proas cidades, né? Seja pela seca, que aí vem a família toda, seja por cada vez mais dificuldade de subsistência e você vai mandando um filho, manda o filho pra cidade, manda o outro, depois a família para lá para conseguir um dinheiro, tal. Aí chega nas cidades, você vai ficar onde? Vai ficar nas periferias, levanta um barraco num terreno ali irregular e vai constituindo. Vem as chamadas comunidades, que na verdade são favelas, né? As favelas. Vem as favelas, vem organização toda, o pessoal no primeira geração se conhece, na segunda já ninguém sabe mais quem é quem. já começa a insegurança total, insegurança na periferia e vem essa loucura das do processo de urbanização, capitalismo, né? Capitalismo produz essas coisas. Você vê que eu não precisei utilizar o termo fascismo para poder fazer a análise desse processo. Então aí eu chamareia atenção para este ponto. Mas tudo bem, sigamos mais um pouquinho. Isso é um lado. O outro é que é claro, dessensibilização e diferença pode ter em várias outras situações, vários outros tipos de sociedade em várias épocas. Por que que ela específica do fascismo? Porque tem um tipo muito próprio da sociedade dos indivíduos. A gente costuma dizer bem, isto é uma crise do capital que gera o fascismo. O capital produz não só objetos, ele produz também sujeitos. Capital não é só um modelo de produção econômica, é um modelo de produção de subjetividade. Não tem capital sem indivíduo, sem a ideia de indivíduo. E o indivíduo, ele antes de mais nada, é alguém que nasce sob o império do medo. Um pouco de hobbies na vida do de todo mundo, não vai fazer mal a ninguém. vocês lembrarem, afinal de contas, como Robs, que pelo menos tem a virtude de ser eh, digamos assim, um um um testemunho honesto da Constituição do que vai ser efetivamente a sociedade liberal, né? lembrava bem, tem um fantasma fundamental nessa sociedade, é que existe uma guerra imanente de todos contra todos, porque são indivíduos que estão em competição a todo momento, são indivíduos que estão em concorrência a todo momento, são, se não tiver um poder estatal, quer dizer, esses indivíduos começam efetivamente a entrar em guerra em guerra contínua, né? Então, ou seja, eu tenho medo do outro indivíduo. O que o que é característica da sociedade do indivíduo é: eu tenho medo do cara que tá do outro lado da minha porta. Se eu não trancar minha porta, ele pode entrar, ele pode vir me despossuir dos meus bens, ele pode. Você entende? Essa sociedade baseada no medo, certo? Ela quando entra em crise faz com que os indivíduos comecem a funcionar de maneira abertamente segregadora, abertamente agressiva, abertamente violenta, né? E aí o grande ponto é, tá correto? Se você for olhar, é, somos indivíduos isolados uns dos outros, tem esse processo de justificação do ódio ao alheio, né, da fragmentação social, etc, etc, etc. Tô de boa, tá aí tranquilo. O grande ponto é por que isso tá conectado ao fascismo? E aí é engraçado que enquanto ele vai argumentando, enquanto o safato ele vai argumentando, ele vai percebendo, mas eu posso ver essa falta de sociabilidade em outros grupos, eu posso ver em outros movimentos, não é necessariamente fascista, não é não sei o quê. Essas ressalvas ele tem que fazer porque é um um uma argumentação tão abstrata que é própria do capitalismo que não precisa ser fascista, entendeu? Então na verdade é uma perda da objetividade ou do manejo do conceito de fascismo. E aí o fascismo vira qualquer coisa. Então ele meteu um hobbs é hobbs na vida de ninguém não vai fazer nenhum nenhum mal tal. Então a gente tem agora uma perda desse dessa função. E a perda dessa função, ela vem inclusive com perda do tal do rigor, né, do uso do que que ele tá querendo fazer. Mas é eh é isso, né? Eh pronto, seguimos mais um pouquinho e já já vamos pular para nosso outro calvo. >> Então, ou seja, a isso faz com que a nossa crítica ao fascismo seja uma crítica a às formas da macroestrutura social e também as formas da microestrutura social, né? O indivíduo não é um contraponto a uma sociedade autoritária. Essa é uma tese que eu queria insistir muito. O indivíduo é uma figura da sociedade autoritária. Ele traz no seu seio a naturalização de todo uma um princípio autoritário. Porque o indivíduo é aquele que não vê certas coisas. Ele não é só aquele que afirma os seus sistemas individuais de interesse contra os poderes do Estado e coisas dessa natureza, como os liberais gostam de fazer acreditar. Ele é, é sempre bom lembrar o Lock, né, o pai do liberalismo, ele é ao mesmo tempo o cara que define que defende a tolerância e a e os e o sujeito que que era que era senhor de escravos nos Estados Unidos, né, em colônias norte-americanas. E esse paradoxo que eu acho interessante, esse que é o paradoxo compreendido. Como é que o sujeito pode ser pode afirmar um valor aqui e negá-lo ali? >> Essa parte é relativamente tranquila, né? Essa parte é relativamente tranquila. Como é que ele pode aceitar em um? Porque um indivíduo que ele tá discutindo é de um tipo específico, de um lugar específico que faz as coisas de um jeito específico. Não é qualquer indivíduo humano. Ah, aqui tá uma discussão que não tem a ver com individualização ou não, mas quem é humano e quem não é. E aí um papel de uma coisinha chamada racismo. Racismo. Racismo. Essa construção da ideia do racismo em que você nega a subjetividade e a humanidade de outra pessoa e reduza ela a um tipo de grupo. E aí você pode reconhecer a liberdade de uns e defender a necessidade da escravização de outros, que é uma maluquí, é uma canalice. Mas pouco tem a ver e contribui para esse papo sobre fascismo, sobre capitalismo, sobre não sei o quê. Essa parte é relativamente simples assim, mas tudo bem, vamos mais um pouquinho. E como isto é um elemento constituinte da sua existência, né, >> do próprio ser humano, né, você fala, eu concordo com você desse fascismo que tá o tempo inteiro entre nós, mas tem uma coisa que me intriga e eu queria te perguntar, eh, de fato, hoje no mundo existem muitos líderes com esse perfil, né? Nós temos eh Milei, nós temos o cara da Hungria que saiu agora, o próprio Bolsonaro, Donald Trump. O que que causou essa ascensão do O fascismo tá tá no tá tá na tá em ascensão, né? Tá em ascensão. O que que causou essa ascensão? Foram as redes sociais? Tem gente que atribui as redes sociais? Não, eu acho que ele o fascismo é uma resposta racional às nossas crises. Eu queria insistir muito nesse aspecto. A gente tem um tipo de leitura meio deficitária que consiste a dizer, não é porque você tem um punhado de gente ressentida, frustrada, marcada negacionista, que acredita terra plana, acredita em fake news. Você percebe sempre uma explicação deficitária. ou sujeito ele tem um um déficit cognitivo, ele é burro, ou sujeito tem um déficit moral ou ele tem um déficit psicológico. Eu eu queria quero queria sair disso que eu acho que inclusive essa tipo de análise é politicamente catastrófica. Politicamente catastrófica porque se for assim, certo, você tá falando que setores expressivos das populações e não é uma coisa de classe média das populações mesmo de classe trabalhadora, certo? Elas têm problemas de problemas cognitivos, elas têm problemas morais e psicológicos. Isso não faz o menor sentido, vocês me desculpam. Na verdade, assim, com todo respeito, faz muito sentido, tá? Tem um quarto da população que tem um problema sério, problema da capacidade de convivência. Inclusive tem um quarto da população que eu tá tranquilamente, eu falo: "É burro". [risadas] É burro sobre critérios racionais. tranquilamente, ficou tranquilamente. Mas veja, eu acho interessante a argumentação do Safat pelo seguinte: o problema dele começa com o fascismo como uma dessensibilização e agora ele é uma resposta racional às nossas crises e essa contradição da argumentação dele, ela é sofisticada, ela é cuidadosa, não é uma posição que tem que se discutir e que não é tão simples da gente conseguir sacar. E assim, por que que eu tô falando isso? Porque é o o lance do eu preciso ser muito munido de conteúdo para poder fazer essa discussão. Não, mas ela tá vem dessa posição crítica, que é o que a gente tava falando agora há pouco. Ele primeiro fala sobre o lance da sensibilização, dessensibilização, essa individuação. Então é nesse mundo dos afetos do do de ser afetado, sensibilizado, dessensibilizado. E aí esse é um é um polo. Outro, o fascismo tá aqui, tá na dessensibilização, mas ele é a resposta racional às nossas crises. Então, ele não é um desvio. Como é que se junta esses dois polos? Como é que você junta? Ele junta da seguinte maneira. Ele fala um e fala o outro. Agora falta aí o leitor ou o ouvinte quem tá de fora vai tentar fazer essa conexão. Boa sorte. Eu preciso de uma organização sistemática mínima de compreensão do ser humano, de sociedade, de funcionamento das coisas, para que eu possa englobar essas duas coisas, esses dois elementos, para que eu possa constituí-los. Se eu quero perceber que há um processo próprio do capitalismo de dissolução das relações comunitárias, é uma coisa do capitalismo, mas ele conecta essa dissolução à dessensibilização fascista. Por outro lado, ele tá dizendo agora que essa dessensibilização fascista é uma resposta racional dos indivíduos à crise, então indivíduos que agora eles são racionais, eles são dessensibilizados. Então, eh, como que você conecta esses dois elementos? Não sei. Aí você não tá conseguindo juntar esse processo. E o pior que tem a ver com uma pergunta que acho que o nosso querido fazer o watch fez aqui. Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Aqui. Fascismo é uma opção individual. Então, aí que tá, né? Aí que tá. Aí você tem um movimento de massa, o fenômeno coletivo, que você tem que analisar de maneira coletiva e ao mesmo tempo agora você é obrigado a perceber que ele é uma resposta individual a problemas coletivos e a uma mobilização de massa. Então, [ __ ] é aí que entra o processo, é aí que entra a dificuldade, né? E o grande problema para mim, ouvindo, né, como ouvinte, é que ele tá reduzindo ao processo a necessidade do fascismo. Então ele tem que encaixar como uma necessidade histórica o fascismo para dizer que é uma resposta racional e que apela para dessensibilização. Por quê? Porque o fascismo é uma necessidade colocada, ele tá sempre presente, que é o que a Sinara colocou na pergunta dela. Tá sempre presente. Ela tá sempre presente, né? Então é difícil, não é fácil, mas tá nessa argumentação e ela fica completamente perdida e ela falta essas conexões mínimas e o observador externo, né, f, não, não é só da classe média, é das classes populares. E aí fica subentendido porque das classes populares, então a gente não deveria nem estar criticando, deveria aceitar essa resposta da classe popular, porque se a classe popular está tendo essa resposta, a gente tem que entender ela, entendeu? Ou [ __ ] para tá fazendo bobagem. 25% da população brasileira está fazendo bobagem. E eu tenho que dizer, vocês estão se fazendo bobagem, vocês estão sendo burro. Amo vocês, mas vocês estão sendo burro. Somos compatriotas, mas vocês estão sendo burro. Tudo bem. Burro. Burro mesmo. Burro. Burro. Ah, não. Mas ele tem uma justificativa, tem um porquê. Eu posso encontrar todas as causalidades possíveis. Na hora de você tomar uma decisão, você tá sendo burro por não olhar objetivamente qual é a sua posição de classe e o teu papel na reprodução social. Se você não faz isso, você está sendo burro. Pronto. Acho que resolve relativamente simples, né? Para mim tá tranquilo aí. Eh, exatamente, disoludifica. E ao dizer que é uma resposta é racional, ele estimula o irracionalismo. Exatamente. Porque a pessoa tá sendo burra e ele tá dizendo, se a tua resposta é burra, ela é irracional. Eu consigo dizer isso, sendo muito sincero, mas é porque eu, o grande ponto tá num tipo de crítica feita. A crítica que eu faço é que na racionalidade capitalista ou na racionalidade moderna propriamente dita, ela tem um núcleo irracional, mas aí eu tenho que demonstrar esse núcleo irracional. Não é o tipo de de argumentação sofisticada aqui que a gente tá vendo aqui, é o contrário, tá? [risadas] Desludifica o povo mesmo usando um monte de fida e o mundo em muitos aspectos. Exatamente. Amo vocês, apesar da burrice, né? Basicamente isso. É como a gente lida com familiar bolsonarista. Eu te amo, mas você é burro, né? Fazer o quê? Ih, travou aqui. Pera ver. Não apertei o botão direito. Vamos finalizar. Eh, e politicamente não é assim que se age, né? Eu diria, não tem uma tem um cálculo racional dentro desse processo, né? E é importante entender esse cálculo racional. O que que esses líderes estão falando? Estão falando, não tem sociedade para todo mundo, certo? E a gente alguém, a gente vai ter que fazer uma partilha. E bem, eu garanto a partilha. Olha, se vocês se adaptarem melhor à ordem econômica, vocês vão estar preservados, né? Vocês vão ser bons empreendedores, vocês vão estar preservados. Se vocês estão dentro da mesma comunidade de fé, que é uma comunidade de fé que determina então um pouco a prevalência de certas populações no nosso território, nem vocês vão estar preservados. Se vocês são daqui, vocês não são estrangeiros, vocês vão estar preservados, certo? Então assim, eu defendo um grupo, é isso, né? E a gente percebe com essa argumentação do porque o cálculo seria racional, que ele é completamente irracional, né? Completamente sem racionalidade. Você é parte do grupo de fé, beleza. Se você apostar aqui no mercado, beleza. Se você nada, não tem nenhuma consistência racional, nenhuma. Nenhuma. E aí eu convido vocês, eu não vou poder trabalhar agora por motivos de tempo, mas depois coloca a análise que a gente tem feito, né? Bota conservadorismo, reikal e o tipo de discussão que a gente tem feito sobre essa conexão entre esses elementos racionais de tal conservadorismo. Mas beleza, beleza, beleza. A última parte, nós temos um último calvo que eu estou devendo para vocês, mas eu vou cumprir, que é o nosso querido Juliano Spire, né? que daí eu acho que vai ser o calvo que mais exemplifica o que a gente estava discutindo aqui, porque ele é um calvo que discute os evangélicos e ele é muito honesto nesse sentido ao apresentar a posição de classe dele, que que ele fez, como ele faz, né? Que que ele tá discutindo, tal. E eu vou pegar aqui para vocês verem. Eu tô em dúvida se eu pego este daqui que ele fala na igreja ou se eu pego da entrevista dele. Dúvida cruel. Acho que eu vou pegar na entrevista. Entrevista pro Bob. Bob Fernandes. Adoro o programa do Bob. Quer ver? Pegar aí, pera aí, per. Perdão, perdão, perdão. Pera aí, pera aí, pera aí, pera aí, pera aí. Aqui, aqui, aqui. Pronto, pronto. Ah, perdi. Pronto. Vamos lá. Antes eu vou vir aqui, deixa eu rapidinho ali. Um segundo. Um segundo. Eu tô chegando. Um segundo. Deixar vocês com a musiquinha legal. Um segundo, um segundo, um segundo, um segundo. Volto num instante. Não, não essa não. Essa aqui o segundo. Volto num instante. [música] >> [música] [música] >> Pronto, resolvido. Deixa eu ajeitar aqui, botar uma musiquinha para nós. Pronto. Deixa eu botar aqui, ó. A [música] gente vai ver agora o nosso querido Juliano Spire, que talvez seja o menos conhecido dos nossos calvos. Mas é um cara que trabalhou e pesquisou os evangélicos, mas na verdade a pesquisa dele nem era sobre evangélicos, se tornou sobre evangélicos. O nosso querido Juliano Spire, [música] ele era, pesquisava internet, o uso da internet, um antropólogo ligado essa parada, fez uma pesquisa com o gringo sobre o uso das classes populares à internet. Eh, então tem que ser necessariamente a partir dos anos 2010, né? Porque antes disso não tinha tanta classe popular utilizando internet. E aí ele fez esse estudo e chegou nos evangélicos, porque os evangélicos usam muito internet e ele se interessou por esse grupo em específico e começou a discutir sobre ele. Fez o o dever de casa. Então nisso eu tenho que tirar o chapéu pro Jan Spyer porque ele realmente tem uma bibliografia muito boa, tem referências muito qualificadas sobre evangélicos, assume honestamente que não é um grande pesquisador dos evangélicos, mas que fez esse estudo e tal. Qual o problema? metodologia que ele utiliza. E aí a gente vai ver duas coisas. Uma honestidade dele do ponto de vista do da calvice branca, que a gente tá discutindo, legal esse ponto, coisas que os outros não fazem, eles não assumem sua calvice branca. E aí a gente vai fazer uma discussão sofisticada sobre a metodologia de trabalho do Juliano. Mas vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá. Calvice Branca assumida e reportada e vale a pena. e especialmente um grupinho aí que me interessa que são os evangélicos no Brasil. Vamos lá, Juliano. Foi. >> Você historiador e antropólogo, seu doutorado foi sobre como e por o Brasil popular, ou seja, o Brasil dos pobres, é a esses aos quais você tá se referindo, né? Eh, mesmo tendo menos dinheiro e escolaridade, usam muito a internet. E esse esse trabalho terminou te levando exatamente ao universo evangélico. Eh, você como pesquisador escolheu morar em um ano e meio num bairro popular de Salvador. Quando e por quê? E se você pode dizer que bairro era esse ou se isso você não diz no livro porque seria uma questão de alguma forma sensível. Primeiro ponto importante, como nós estamos falando sobre a calvice branca, você como pesquisador escolheu morar num bairro popular num determinado território nacional, foi na Bahia, na verdade, na grande Salvador, né? Ele foi paraa grande Salvador na Bahia. Nós da do grupo de de investigação da revista Zelota descobrimos o local específico, diga-se de passagem. Ou seja, deu para achar. [risadas] Temos um trabalho obsessivo. Dito isso, eh, nó escolheu morar, né? Escolheu morar entre esse pessoal. Aí vem a posição que eu quero, tô chamando atenção desde o início, desde a quarta-feira para cá, desse observador externo, né? dessa classe média alta que observa esse fenômeno curioso do pobre, esse fenômeno curioso da periferia, né? E aí quando ele escreve, isso não é uma sacanagem do esperto, tô falando desse personagem de pesquisador de classe média, classe média alta, universitário, quando escreve sobre a periferia, escreve para apresentar pros seus pares. Então, escreve vendo este objeto externo, né? escreve apresentando essa galera como se tivesse descrevendo um determinado fenômeno aleatório, um determinado fenômeno exótico, que é o pobre, que é o morador da periferia, que é não sei o que lá, que não vai se reconhecer nesse trabalho e nem tem como se se reconhecer, ele nem tem como, nem é esse o papel, porque é esse espaço da classe média alta produtora de conhecimento deste local, né, que que tá presente em todos os caras que a gente conversou até agora, que que é visível isso que é visível. Então, apresenta descrevendo este objeto, tem essa função estranha e aí produz uma série de contradições esquisitíssimas e que aí vem a autoridade para dizer desta posição, porque aí veja, eu não tô contra a academia, não tô contra a universidade, não tô contra ciência. Eu tô dizendo que é esta posição que te garante a autoridade para falar sobre. E por que que vão te ouvir? vão te ouvir porque você está nesse lugar como esse observador externo. E aí eu, pô, para mim é muito crítico, muito maluco imaginar que o professor Gedeon Freire Alencar não tem o espaço midiático e nem o o as posições de analistas sobre o fenômeno religioso que o Juliano Spyer tem, porque o Gedeon, que inclusive é referência por pro o Spider, porque ele tem que ler o Gedeon para poder discutir os evangélicos, o Gedeon é um nordestino. Gedeon vem de camadas mais baixas. que teve que batalhar para fazer o a pesquisa de mestrado, doutorado dos cambáqu evangélico, é das assemb, vem das assembleias de Deus, não é mais, mas veio das assembleias de Deus, tem esse papel de observador e sujeito que vivencia esse negócio todo, mas ele não tem acesso à rede, não tem acesso a essa exposição de privilégio. Então ele não vai ser ouvido como autoridade e quando ele falar muitas vezes não vão ouvir como autoridade. Mas eu já vi isso na minha frente. Foi um dos melhores professores que eu tive na minha vida. Tem uma diminação bizarra para ele. E não vão não vão ouvir ele como autoridade, vão ouvir com olha esse cara que fala aqui sobre os evangélicos, mas tal, vão ouvir como autoridade de quem? o Juliano e não o problema ser o Juliano. Juliano faz um trabalho legal, fez uma descrição bacana sobre os evangélicos, só de inscrição, metodologicamente tem um monte de problema, fez uma descrição legal, mas ele vai aparecer como essa figura da referência no debate público, com acesso à Folha, com acesso à Globo, com acesso a essas redes que só uma classe média privilegiada tem. Então enquanto o calvo branco, ele acaba compando esse papo, né? E a gente aqui novamente a gente calvice branca como essa figura relativamente interessante que a gente criou, que é desse cara que por que tem determinada posição de privilégio herdada consegue daí sua autoridade sobre um tema e poder falar sobre isso e sobre talvez tudo, né? Sobre qualquer coisa que ele quiser. É aí que tá nosso papo. Mas vamos lá. Eh, eu fui porque eu tava eh fui parte de uma equipe de pesquisadores que estudou as causas e as consequências do uso da internet no mundo. Eu fiz essa pesquisa no Brasil, o a nossa equipe tinha nove pessoas, então duas ficaram na China, uma na Turquia, uma na Itália, enfim, muitos lugares. E isso aconteceu, a minha pesquisa de campo propriamente, né, o período em que eu morei nesse bairro em Salvador, começou em abril de 2013 e terminou em agosto de 2014 direto. E o lugar, eh, esse é um detalhe muito importante para quem faz pesquisa antropológica. pesquisa antropológica, ela diferente das outras pesquisas que a pessoa chega e sai. A gente cria vínculos de amizade, a gente habita a casa das pessoas e muito em função disso a gente conhece o que a gente consegue conhecer em conversas muito privadas. Então, contratualmente, pelo eh o órgão que financiou a pesquisa, que é o Conselho Europeu de Pesquisa, nós anonimizamos não só o nome do lugar, mas todas as referências que possam levar à identificação de qualquer pessoa. >> Exato. Como disse nosso querido Ludvig, todo mundo empenhado em estudar essa espécie estão mudante. O pobre. Exato. Depois essa espécie tão abundante, o evangélico, né? Essa espécie tão abundante, o pobre evangélico. Mas todo mundo, quem? Quem é esse sujeito que tá empenhado em descobrir? Vocês entendem nisso? a pesquisa do Gessé Souza, que conscientemente sabe sua posição de classe, sabe o seu interlocutor e assim como Juliano Spider é muito honesto na hora de apresentar a pesquisa, porque o Juliano é honesto, muito honesto, intelectualmente honesto, apresenta qual a posição dele, o que que ele fez e transparente, né, diferente de quem tenta em alguma outra parada. Muito massa. O Gessé, ele, eu aprendi na pesquisa dele, no trabalho dele, de falar assim: "O que nos forma são instituições e quem ocupa o papel na instituição reproduz essa o processo da posição de classe que ele ocupa. Então, quando o GC diz isso, ele percebe isso, ele fala isso claramente, ele tem muita consciência de quem são os interlocutores. É genial a pesquisa dele. Quando ele faz isso, é você pensar, quando você vê uma pesquisa sobre, olha, os evangélicos no Brasil, quem produziu essa pesquisa com certeza é uma pessoa de classe média, que tá apresentando os evangélicos para outros de classe média, não é para interesse geral. Esse interesse geral, esse observador público, esse esse grupo genérico não é a população, é a população que está discutindo pesquisa. É classe média conversando com classe média. Ah, Bruno, então não tem que ter pesquisa, não? Não tô falando nada disso. Ah, então a classe média não tem que fazer. Não tô falando nada disso. O que tá errado e a gente ter uma desigualdade tão grande em que o privilégio e a posição de classe que você tem, em que a as redes de privilégios que você ocupa, os acessos que te garantem, fazem com que você observe um outro grupo social como objeto externo. Isso é um problema da reprodução social brasileira. A desigualdade tem esse efeito também. uma classe intelectual que se vê fora da massa popular que compõe a maioria da população brasileira. E isso aparece nas nadições de interpretação do Brasil. N n n infinitas contradições de interpretação do Brasil do cara que não se vê enquanto participante daquele grupo, enquanto sujeito envolvido naquele processo. Quando fala o pobre, não viu que ele é o pobre. Quando fala o evangélico é porque não tá ali nesse grupo, então é externo. Quando fala que o trabalhador ele tá se colocando como externo, mesmo não percebendo. Você é um trabalhador, criatura. Mesmo você que é pesquisador, ao falar do trabalhador, você tem que se colocar numa posição de observador que externalize o seu caráter de observador que vê o cara de fora. É por isso que eu quero fazer essa discussão metodológica para dizer: "Cara, você tem que conseguir fazer esse duplo jogo de observador e de sujeito que você tem que se implicar no processo." Que digo de passagem, percebi isso graças ao glorioso Carl Marx. [roncando] Marx em O Capital constantemente, constantemente apresenta o capital descrevendo o objeto e o capital do ponto de vista do trabalhador que sofre com os efeitos desse sistema descrito. Isso é genial. Bem-vindos à genialidade desse ser humaninho chamado Carl Marx, que faz as duas coisas ao mesmo tempo na leitura do capital. Então, se você é uma pessoa que teve acesso a um vocabulário rebuscado e ao capital e tá com esses privilégios tal qual eu pude fazê-lo, eu leio enquanto observador e me encanto e brilho o olho a descrição do capital. Mas sabe qual é a parte que falta? A leitura de você observador observar quando o trabalhador é citado. E aí você vê você enquanto sujeito trabalhador sofrendo sobre esse negócio do capital. Por isso que a leitura do capital na academia, na universidade, no ambiente institucional especializado dentro de uma sociedade desigual se torna tão abstrata e genérica. Ela perde o caráter de texto em função dos trabalhadores, em sua atuação do dia a dia, em sua observação enquanto sujeitos desta realidade. Porque o cara que ocupa essa posição relativamente privilegiada, dada a reprodução social capitalista na universidade, vê esse processo como algo externo. Ele não se percebe enquanto trabalhador. Não se percebe. E aí não percebe que Marx fala sobre o sujeito trabalhador, do ponto de vista do sujeito trabalhador e apresenta essa dupla dinâmica. E a gente tem que aperfeiçoar. Nem sei se Marx metodologicamente tinha tanta consciência disso, mas ele fez isso. E aí, percebendo esse processo, a gente tem que fazer o mesmo, porque do contrário, vira o papo de calvice branca, ainda que você não seja calvo, ainda que você não seja branco, mas reproduz calvo branco. Beleza? Vou mais um dedinho aqui. Esse papa aqui é bom, pô. Eu gosto desse papa. Eu vou ler. Mosquei. Perdão, perdão, perdão, perdão, perdão, perdão, perdão, perdão, que eu esqueci de colocar o vídeo aqui. Pera aí, pera aí. Mosquei, mosquei, mosquei, mosquei, mosquei. Falha minha, falha moral da minha parte. as falhas morais do liberalismo de Bruno, que não coloca o vídeo na maneira adequada. >> Nós anonimizamos não só o nome do lugar, mas todas as referências que possam levar à identificação de qualquer pessoa. >> Uhum. Como foi essa aproximação? A, a princípio, pelo que eu li no seu livro, né, até pensando que você era um policial, um tira, você tava perguntando muito, né? Você recebeu uma ameaça sutil, né? Tipo, tá tá perguntando muito, né? Eh, como foi, como é que você se aproximou, como é que você conseguiu se encaixar ali e tal, você chegando ali branco, com cara de de de gente de outro lugar, paulista, falando com eventualmente com Retroverso, etc. Como é que você se centrou ali? Então, foi eh foram vários elementos, né, para ser bem sucinto. Primeiro, uma imensa dose de entusiasmo, né? A pesquisa antropológica, ela permite que a gente viva uma outra vida paralela, né? Então, você vai para um lugar que você nunca poderia imaginar que você viveria, né? Eh, isso tem o seu aspecto bom ou ruim. A segunda questão foi paraa aproximação do desse grupo evangélico, apesar deles não serem o tema da pesquisa, foi uma questão bastante eh eh clara de uma dificuldade de interação com mulheres adultas em geral, eh que dentro do espaço do bairro criava constrangimento a menos que acontecesse em situações muito específicas. Então, se eu não tivesse interagindo com essa mulher adulta no caixa do supermercado ou na loja, eh, isso se tornava >> imediatamente eh, fofoca em relação a uma possível relação entre nós dois. Isso não acontecia com as mulheres evangélicas, né? Eu tive muito mais possibilidade de interagir com mulheres adultas que eram evangélicas do que as outras. E por último, por esse, >> por que isso você acha? >> Eh, por uma, eu eu acho, não, eu sei, eh, porque aconteceu muitas vezes, né, por uma questão de confiança de casal, né, eh, fora da igreja, os mundos masculino e feminino são muito separados, né? Então, o espaço do homem, eu tô falando do homem popular e muito particularmente do Nordeste, mais ainda particularmente, né? Ele é da casa para fora, né? É onde ele trabalha, é onde tão as redes de sociabilidade, ele se desloca para onde ele quer. Muitas vezes tem famílias ou relações paralelas, né, eh, concomitantes. Então, é o espaço da da do bar muito. E o espaço da mulher é o espaço da casa. estão aí divididos esses, né, da casa, da cria, quando a mulher trabalha fora, eh, continua sendo demandado dela que mantenha o a atenção em relação aos filhos e, eh, muito da ética da criação dentro do espaço da igreja, ele fortalece essa esses vínculos de confiança. E tanto que é muito esse lugar que eu morei, ele fica onde em Salvador é conhecido como a costa dos coqueiros, né? >> Então começa ali logo depois de do aeroporto e vai até Aracaju e tem a Praia do Forte, tem Arembep, etc. Eu fiquei >> Vas Atlântico por lá, né? É, a partir de vilas do Atlântico para cima, mas sempre do lado esquerdo da pista, da autopista, na da BA99, que é o lugar onde estão esses bairros trabalhadores, né, >> onde onde moram as pessoas que trabalham nos hotéis, nas pousadas, nos condomínios, né? E tá o suficiente. Acho que já deu para ir bem, né? Vamos para algumas partes importantes. Primeiro que com tantas informações a gente consegue achar o local com tranquilidade, não precisa de muito esforço. Dito isso, dito isso. Ai meu Deus. Sabe o o tem um caso específico, né? Talvez seja uma história bem específica. O pai tem uma ideia brilhante. Fala: "Filhão, você gosta de jogar um um futebol ou gosta de jogar um basquete? Vamos ali na quadrinha do bairro ou vamos ali na na no parque aqui em São Paulo, sei lá, uma um parque aleatório. Vamos jogar uma bola lá, um basquete, um futebol com a galerinha. Vamos jogar lá. Aí o moleque chega, né? Aí o moleque chega lá e toma um vareio. Chega assustado, vê os cara quatro vezes tamanho dele. Menino sempre ficou ali no no apartamento pequenininho, sempre jogou com os amiguinhos, com o pessoal da escola, todo roliço, todo com as bochechas vermelhas, branquinho, animado, chega com seu uniforme do Lakers para jogar, tal, e apanha, toma um vareio e e fica assustado. Meu Deus, eu não esperava por isso com esses caras que são sempre profissionais. Esses caras aqui jogam todo fim de semana, leva a sério. É a Vera, é a Vera cotovelado, trombado, tal. É basicamente a ingenuidade com a qual o nosso querido aqui foi morar numa periferia por opção, né? Ele optou morar na periferia, optou morar na periferia, não é com quem tem que morar na periferia, ele optou morar na periferia. E aí ele descobriu que na periferia, onde a maioria não é branca, ele jamais imaginou morar lá, onde o pessoal não tinha o sotaque dele, não tinha o jeito dele, tinha certa aversão e preocupação com ele. Deve ser um policial, chegou fazendo um monte de pergunta, chegou entrevistando a galera como quem tivesse ali no passeio do parque para jogar a bola com a galera e começou a perceber um ambiente hostil. Quem diria, não é mesmo? Quem diria? Como disse nosso querido Ludvig, pô cara, como é que você não poderia imaginar que viveria exatamente na nossa cabeça, coisa mais natural do mundo. Tem tem fronteira que eu não cruzo porque eu sei o que eu vou passar naquele local. Tem lugares que eu vou tomar cuidado, vou chegar no sapatinho de manha. Por quê? Porque vai dar ruim. Hum. Por que será, né? Que que será que ia acontecer? Não sei. Não sei o que que acontecer, querido fazer watch. Que que será que acontecer? Ninguém. Exato. Lud. Imagina. Impossível imaginar ser pobre. Imagina, imagina um lugar local aí, né? Que que local é incrível. Chegou, foi surpreendido pela realidade. Realidade brutal [limpando a garganta] e difícil e complicada na vida das pessoas. E que ele começa a perceber coisas, né? Perceber coisas. Nossa, olha, o papel do homem da porta para fora, vai no bar, o papel da mulher na porta de casa, fica no doméstica. E e veja, isso não é demérito da pesquisa, isso não é a questão de que ele tá descrevendo coisas que para 90% da população fala: "OK, tá, qual é a novidade, né?" 90% da população brasileira vai levar, tá? Hum. Qual que é o problema? Que qual é o ponto, né? Qual o ponto? Não entendi. Não entendi porque isso é o ponto do camarada que tá ali apresentando o o o a descrição desse objeto externo para seus pares, pra galera que não faz parte desse mundo, né? E aí é engraçado porque uma galera vai se deslumbrar com isso. E aí ele tem acesso a a as cadeias de TV, de de televisão e rádio e internet e não sei o quê, para poder fazer a descrição desse universo desconhecido que é o pobre, né? A pobreza. Olha que incrível esse objeto externo. E isso é é o lugar que E por que que o cara tem essa posição? pelo pela posição de privilégio. Eh, é isso. E aí a gente tem que ficar esperto, cara, porque essa autoridade de poder falar umas paradas muitas vezes não é necessariamente pelo qualidade do da pesquisa, pelo avanço na teoria, pela inovação, é simplesmente porque você ocupa o local correto e ponto. Porque na boa, eu li o trampo do Spire e não tem nenhuma inovação. Ele descreve os evangélicos, descreve. Ele fez uma descrição, uma descrição que você encontra em qualquer outro trabalho sobre evangélico. Qualquer outro, minimamente. Isso é um óbvio, a obviedade das obviedades, mas por alguma razão em determinado círculo, dentro da mídia tradicional, dentro de espaços de debate se tornou uma referência. E eu não tô falando de mérito, pô. Legal, divulgação massa, conteúdo bacana. Ele tem uma bibliografia incrível, ele é honesto quando ele apresenta, ele fala: "Cara, eu não sou evangélico, eu vejo do ponto de vista externo, ele nem necessariamente foi um trabalho super acadêmico, não sei o quê. Ele tá correto, ele é um cara honesto nesse ponto, tá tudo certo." O, a grande questão é o do ponto de vista da observação social, por que que isso ganha uma relevância desse tamanho? Que que tá acontecendo? Diz quita Lis, como é que você tá, Lis? Tudo bem? Eu sou do povo, eu sou um Zé ninguém. Aqui embaixo as leis são diferentes. Exato. Cavadão, biquíni [risadas] diz Ludvig. Eu seria do mesmo jeito em qualquer periferia paulista. Ele fala como se fosse algo daqui do Nordeste de Salvador. Exatamente. Na verdade, na periferia aqui de São Paulo, como morador e habitante do Capão Redondo, eu te digo que você estaria muito em casa, né? você encontrar, na verdade, nordestinos, filhos honestos, nordestinos, massivamente. Massivamente. Teve esses dias, uma amiga minha, inclusive uma amiga minha trabalha num jornal aí e o jornal quis falar sobre o Sotax de São Paulo, acho que foi aniversário de São Paulo, foi no começo desse ano, fez uma reportagem sobre sotax de São Paulo e aí foi rodando o Sotax de São Paulo e apresentou uma pesquisa que foi feita sobre sotax de São Paulo. Muito legal a pesquisa, inclusive, interessantíssimo. Mas foi mostrando como a periferia de São Paulo, o sotaque é o quê? Diferentes tons e graus de estados do Nordeste brasileiro. Periferia de São Paulo fala com o sotaque nordestino. A minha filha, porque a minha esposa, ela é neta de de paraibano, né? A minha a como é que fala a avó da minha esposa em relação a mim? Não sei qual é o grau de parentexo parentesco, mas ela é paraibana e a família toda, né? Então o tipo do R puxado para que não é correr convexo, né? Como que nem o o Bob fala, ele vai passando de geração em geração. Então a minha filha, ela fala um R que eu não falo, que é o a porta. Porta, ela engole o R aqui dentro assim que eu não faço. Falo porta ou porta, dependendo do dia, que vou misturando sotaque também. E ela vai utilizando Neymar. Eu falo Neymar, ela fala Neymar, mas vem desse de geração em geração de grupos. Então você tem essa mistureba toda, né? Então você ia se sentir muito em casa na periferia do São Paulo, [risadas] tá praticamente em casa, né? Tá praticamente em casa. Eh, exatamente, onde é que fala o meu? O meu é fala na classe média paulista, especialmente ali o pessoal do Morumbi ou do centro da cidade fala: "Meu, tipo, meu, tá ligado? Meu, meu, meu não, meu." A o Adinê tem uma uma interpretação, né, da dos diferentes sotaques em São Paulo. Ih, pera aí que meu gato tá quase cometendo um homem, um suicídio aqui. Pera aí, Leonelo, pelo amor de Deus. salvando o gato de sua própria loucura. O Adin tem uma maravilhosa, né, mostrando os sotaques paulistas, né? Fala do sotaque, sotaque, o sotaque aqui do capão redondo, ele fala: "Tá ligado, mano? Você é louco, tio." E aí faz aquela voz grave e tal. Aí vai falar do sotaque da zona leste, fala: "Você é louco, tio? E aí, mano? Tá doido e tal". E tem essa parada também. E aí vai fazendo o da Moca, né? Que é o italianês lá, tipo bolsa. E tem o de classe média do meu nome é Stephanie, eu faço ele públicas aqui na FGB. É engraçado, [risadas] é da hora, mas é essa essa parada diz que do Borduna. Tipo Vergu, candomblé para elite brasileira. Tipo isso, mas para quem convivia na comunidade não era novidade alguma. É exatamente isso. Bruna, eu li o texto do Spire, falei: "E que que que que inovou aqui? Absolutamente nada. Amenda, meu nome é Amenda. Amanda que é Amenda. [risadas] Eu adoro esse esse fazendo sotax de São Paulo é muito bom, velho. É bom demais. Mas deixa eu pegar aqui pra gente finalizar. Que que que é isso? Eu tô fazendo essa discussão toda, mas ela vem aqui de uma de um papo eh sofisticado. E aí a gente já fez react de vídeo, vamos finalizar com react de texto, tá bom? Deixa eu abrir aqui, pá, porque veja, o meu problema aqui não é com Spire, não é só com com safato e não é com o Pondé. Em última instância eu estou fazendo um entretenimento para ser uma discussão qualificada. Vocês vem aqui achando que é treta, que é bait e toma conhecimento. Vou finalizar compartilhando aqui um papo que eu puxei com o nosso querido Spire. num artigo que eu publiquei pela revista Zelota, recomendo que leiam inclusive a revista Zelota, em que e acabou meu meu suco aqui. Que triste. Ter comprar mais para assistir o jogo depois. E aqui tá no o texto, né? E o título do texto é: Quem fala dos evangélicos e por isso importa. Só que assim, esse texto ele é construído a partir de uma estruturação metodológica mesmo. Então, meu debate aqui é menos, me preocupa menos quem são sujeitos e me preocupa mais os caminhos escolhidos para as pesquisas. E esse debate do ponto de vista da classe social que a gente tá trazendo aqui. Veja que esse artigo já tem 3 anos, né? 3 anos atrás, deve ser mais até. E aí eu não vou ler inteiro porque de acordo com o site leva 21 minutos para ler esse esse texto todo. Imagina. Vocês não iam suportar ouvir minha voz, né? Mas qual é o ponto? Qual que é o ponto? Quando o Juliano Spyer, querido Juliano, em seu trabalho de pesquisa, descreve os evangélicos, ele naturaliza o conservadorismo evangélico, porque ele só descreve. Ele não tem nenhum ponto de vista crítico ou inovador na pesquisa. Então, a apresentação dele sobre os evangélicos naturaliza o conservadorismo. E aí, Juliano Spider desconsidera as disputas políticas inerentes às instituições religiosas, que, em geral, privilegiam ideologias de classes médias, mesmo entre os mais pobres. Que é aí o que eu gosto de puxar o papo, tá bom? Então esse é o é o resumo, né, a linha fina aqui do artigo em que eu quero demonstrar que ao descrever os evangélicos e apresentar sua posição naturalizando o conservadorismo, na verdade o que o Spire acaba fazendo é privilegiando ideologia de classe média, mesmo que entre os mais pobres, porque os mais pobres podem, apesar de serem pobres, reproduzirem ideias que não lhes são convenientes do ponto de vista da reprodução social. E aí quando você percebe isso, você pode dizer pro seu amigo pobre e para mim também e para outra pessoa dizer: "Você é burro". Que é o que o Safat não queria fazer com diante de um bolsonarista. O Safato falou: "Você não pode chamar o cara de de de burro?" E eu falo, tem que chamar de burro. Aliás, deixa eu ver se eu acho um vídeo aqui maravilhoso, que é o exemplo disso, um vídeo religioso. Nossa. E de um cara legal. Deixa eu ver aqui, ó. Deixa eu pegar aqui. Cara, vocês vão gostar disso. É muito rápido. Acabei de lembrar disso. Vale a pena. [suspirando] Eh, bispo, levanta. Pobre. [suspirando] Eh, cara, esse vídeo é maravilhoso. Aqui, aqui, aqui. Nossa, esse vídeo é muito bom, mano. Que que acontece? Que que acontece? Eu vou mostrar para vocês. Se vocês não rirem, vocês morreram por dentro. Ó, se vocês que acontece e o exemplo claro do que eu tô tentando discutir aqui, tá nesse vídeo aqui, ó. Um bispo numa atividade religiosa no dia dos pobres, teve um tem o dia mundial dos pobres, né? Alguém criou o dia mundial dos pobres. Obrigado por essa pessoa que lembrou da nossa existência num determinado dia. Ele criou o Dia Mundial dos Pobres e aconteceu isso aqui. Prestem atenção. Se você não ri, você morreu por dentro. Preste atenção. >> Dia mundial dos pobres. Então eu vou pedir que os pobres que estão aqui agora se levantem. Vocês pobres se levantem aí. Desse lado também. Irmã, peça para eles se levantarem aí, os meus pobres. Vamos saudá-los com a salva de palmas. Os nossos pobres serão abençoados, porque o Senhor vai derramar o seu amor. [canto] Os nossos pobres serão abençoados, porque o Senhor vai derramar [canto] o seu amor. >> Derrama, Senhor. Derrama, [canto] Senhor. Derrama sobre ele seu amor. [canto] Derrama, Senhor. Derrama, [canto] Senhor. [risadas] >> Isso é muito bom, maravilhoso. Ai, vocês pobre, levanta o pobre que tá do seu lado. Pega o pobre pela mão, levanta ele aí e fala: "Vem pobre, vem com a gente". [risadas] Ai meu Deus do céu. Ai ai. E você vê que é um cara progressista, o padre de esquerda, é o cara preocupado aí com os pobres que estão abandonados. Ai Jesus. O pior que o cara é um aliado. Mas o que que acontece? Essa posição que o cara não percebe a classe que ele tá ali. Escapou, né? O pobre levanta o pobre que tá aí. Vocês pobres, vem comigo cantando. E é isso que acaba acontecendo, que a gente não leva em consideração esses esses elementos. [risadas] [suspirando] Ai ai ai. Vocês pobres, vocês pobres. Vamos lá, vamos lá, vamos lá. É o objeto e o e o seu observador, né, cara? É muito bom esse vídeo, velho. Vocês vamos lá, hoje é dia dos pobres, então levanta o pobre que tá do seu lado. Levanta aí, pobre. Sacanagem. Nas últimas décadas, progressivamente, o movimento evangélico passou a ocupar mais espaço em notícias, reportagens e editoriais de de veículos tradicionais de mídia, e [roncando] também se tornou objeto de pesquisa de artigos acadêmicos. A maior demanda por conteúdos que abordem esse ainda eh esse fenômeno religioso exigiu a garantia de espaços especialistas na temática. Considerando ainda o aumento da participação de fiéis lideranças e representantes evangélicos na vida pública brasileira, em especial em eleições majoritárias realizadas a partir do ano da graça de 2010, a abordagem desse grupo religioso se tornou determinante para mobilização de setores populares. Então, um grande contexto que ainda chama algo interessante, que a partir de 2010, que no chamado debate público, que não é debate público, é debate da classe média tradicional e dos veículos tradicionais de mídia ocupados pela classe média, eh se torna então objeto de interesse. Nessa conjuntura recentemente, um dos autores que tem ganhado relativo destaque na mídia tradicional para tratar do movimento evangélico é o antropólogo Juliano Spider, que tem buscado realizar um diálogo sobre o que considera o mundo evangélico. Entretanto, o diálogo é realizado entre quem e com quem, né? Com quem que ele tá conversando e entre quem. O diálogo é entre a classe média, como a gente já disse, a classe média tradicional conversando com ela mesma. Esse diálogo cumpre qual papel? Qual o seu propósito? A quem interessa e para quê? E veja que aqui não é uma questão de intenções, é dentro da reprodução social. Para propormos ou para analisarmos um diálogo, é fundamental levarmos em conta quem são os interlocutores envolvidos, né? Se eu vou analisar uma conversa sobre um tema, quem são os interlocutores? O cara que tá falando, quem é, tá onde? Opa qual posição? E ele tá falando com quem? Se é o debate público, qual é o público com quem ele tá falando? Quem é esse público que tanto lhe interessa? Apesar de aparentemente óbvio, em um debate, quem conversa, com quem se conversa e a quem a palavra dirigida são relações determinantes para construirmos o conteúdo da discussão que estiver em jogo. Por exemplo, no caso do Vladimir Safatley, que a gente comentou agora, o com quem ele conversa é com a Academia Brasileira de Esquerda Progressista, que estaria dizendo que o bolsonarismo é um desvio e ele quer polemizar com esse grupo. Então, toda a construção teórica dele ali sobre fascismo e não sei o que, tá polemizando com esse grupo. Ele quer tensionar dentro da esquerda um determinado debate e isso altera o modo como ele expõe e constrói a sua análise. Tudo bem? Sim, pode parecer óbvio, mas isso muda tudo. O tópico das conversas é apresentado de diferentes maneiras, a depender dos interlocutores envolvidos. Porque se o o Safatle tivesse discutindo com os bolsonaristas e não com a esquerda, ele estaria provavelmente apresentando ideias e análises da sociedade brasileira de maneira diferente, mas ele já apresenta puxando para debate, pra polêmica da esquerda. Então, a análise já tá direcionada para tensionar a esquerda e não para fazer a análise do fenômeno. No caso do Spire aqui, a descrição do fenômeno que ele tá vendo, que o Spayer descreve e apresenta, ele também apresenta pro grupo da classe média progressista à direita. Faz o contrário daí, né? Apresenta para esse grupo tradicional para conhecer esses evangel esses pobres aí, os pobres que é dia do mundial dos pobres e apresentar os pobres pro pessoal que não conhece os pobres. Uma pesquisa científica em curso, por exemplo, precisa ser apresentada de modo diferente aos pares acadêmicos e a um leigo que não tem qualquer contato com objeto trabalhado. Porque eu não vou escrever e aí uma crítica que eu vou fazer aqui, porque alguém pode estar pensando: "Ah, viu, pesquisa acadêmica e tese, ela tem que que ser para todo mundo". Não, não tem não. Ela é feita na academia pro pessoal da academia. É um ambiente qualificado de pesquisa qualificada. Aquela frase do a pessoa, a senhora que trabalha e aí escolhe alguma profissão aí subalterna, subvalorizada, com salários baixos e pouca instrução para desempenhar as suas funções. Ah, essa senhora tal, não sei o que lá, ela tem que conseguir ler minha tese. Não, não tem que, porque a tua tese era pros pares acadêmicos, científicos daquele grupo. O problema é esse não ser divulgado ou disseminado paraa maior parte da população. Mas também nem tem como, porque um cara vai se especializar em fazer foguete e o outro vai se especializar em análise do objeto da realidade social. Então assim, também não vai dar para trocar ideia com tanta simplicidade. Então, uma coisa é você produzir a sua ciência na tese, outra é você divulgar. Na divulgação, aí sim você pensa, como é que um leigo vai entender? Como é que o maluco que nunca estudou essa birosca vai entender o que eu tô falando. Aí você escreve de maneira mais acessível. Mas isso é diferente de você fazer uma tese. A tese é outra função. Então, uma coisa coisa, outra coisa é outra coisa. A gente não faz essas duas coisas. E aí confunde tudo e só atrapalha. Mas vamos lá. Não se trata de uma questão de qualidade da informação, mas o tipo de trabalho especializado das regras requeridas em diferentes ambientes e em especial do interlocutor, né? Com quem você tá falando? No ambiente acadêmico, eu não tô falando com todo mundo, eu tô falando com uma pessoa específica, com um grupo específico, com alguém específico. É diferente, é completamente diferente de um debate no chamado ambiente público, no espaço público. Completamente diferente. Tá acostumado com determinada linguagem, com certa conduta acadêmica, com o uso de certos instrumentos e ou recursos. Para cada uma dessas questões estão pressupostas uma série de aprendizados individuais e sociais. condições específicas para o desenvolvimento de certas habilidades e competências. Porque, por exemplo, se você tá na classe média, você tem acesso a umas paradas. Se você não tá, você não tem. É basicamente isso. Claro, em uma sociedade capitalista como a brasileira, o acesso a esses recursos, que em geral viabilizam e ou potencializam indivíduos para a realização de um trabalho específico é um privilégio garantido a poucas camadas da sociedade, conhecidas como classes médias. Grande debate da classe média com ela mesmo. E aí eu vou pular aqui. Parará parará parará parará. Como acadêmico, ao tratar do fenômeno evangélico brasileiro, Juliano Spyer nota em seus trabalhos que, por vezes pesquisas ignoram ou desprezam o papel desempenhado pelas igrejas na reprodução social brasileira. Ao considerarem preconceituosamente os fiéis abre aspas manipulados, fecha aspas, e como pobres rendidos ou abre aspas ignorantes, fecha aspas, a mercer de lideranças religiosas corrompidas. Qual é o problema aqui? Pera aí, pera, pera aí. As pesquisas ignoram ou um debate específico dentro de instituições de mídia? Porque eu conheço as pesquisas acadêmicas sobre os evangélicos e elas são extremamente qualificadas e não caem nessa armadilha que o Spider tá apontando aqui. O Spider tá discutindo com outro grupo, mas tudo bem. Nesse aspecto, o antropólogo está absolutamente certo no que diz respeito aos acadêmicos de classe média esclarecidos que não pesquisam os evangélicos, que comentam sobre os evangélicos, que aí vem um ponto importante. Tem um monte de gente falando sobre evangélico que não é que fez uma pesquisa, que estudou uma pesquisa, que conheceu os caras, que foi entrar no campo, ele só joga opinologia. Tá sobrando gente na num ambiente aí que tá jogando opinologia, mas a pessoa pode falar porque afinal ela é de classe média, ela é a calva branca. E aí o Spyer tá correto em criticar os seus os seus pares calvos brancos que saem dando opinologia sem conhecer o tema. Aí ele tá correto, mas no ambiente acadêmico tem uma porrada de gente que ele não não considera, mas tudo bem, vamos lá. E ou de uma classe média tradicional que assume uma posição aparentemente crítica da religiosidade enquanto nega alienada a realidade efetiva das relações sociais constituídas nas igrejas. em mídias sociais no Brasil emergente, que é a a tese pesquisa do Spire que o Bob tava comentando, afirma correntemente que, diz Spire, fora de alguns círculos acadêmicos específicos que incluem cientistas sociais que estudam grupos de baixa renda, presta atenção, fora esses grupos que fazem o trabalho acadêmico específico, ou seja, se eu tirar todos os pesquisadores sérios que fazem o trabalho sobre os evangélicos, >> [risadas] >> As contribuições dos evangélicos para a sociedade praticamente não são reconhecidas ou são tratadas como manipulação. Aí fica fácil, né? Se eu tirar todo mundo qualificado que faz pesquisa sobre os evangélicos, efetivamente, o pessoal aí só tá falando bobagem, ó. Então, ele não tá discutindo com as pesquisas qualificadas sobre os evangélicos. Ele não tá inovando a teoria, ele tá discutindo com esse chamado debate público, em que aparece um monte de gente opinando sobre o tema. E aí ele tá correto, mas aí ele tá simplesmente tirando todo mundo que faz uma pesquisa qualificada, tirando esse grupo que faz pesquisa qualificada, o pessoal tá falando bobagem, pô. Aí fica fácil, né? Aí fica fácil. Poucos reconhecem que as organizações evangélicas promovem ativamente a alfabetização e também são intermediárias entre membros das igrejas e serviços especializados, incluindo médicos e advogados. E ao, abre aspas reciclar as almas, fecha aspas, de viciados em drogas e criminosos forcem fornecem um serviço para a sociedade de muito mais qualidade do que a polícia e o governo sequer poderia almejar. Finalmente, a cristandade evangélica é particularmente positiva, uma vez que inibe violência doméstica, alcoolismo e estimula intimidade entre os casais. Reduz as diferenças tradicionais de gênero entre homens e mulheres e apoia a ambição dos jovens em estudar e evoluir profissionalmente. É praticamente o paraíso na terra. Você entrou na igreja, meu amigo, você tá perfeito. Mas por que que isso tem validade? Porque esses aspectos que o Spireer disse realmente acontecem na igreja. É uma regra? Não, mas isso acontece. Tem a galera que larga droga, larga o uso abusivo de álcool, faz não sei o quê. Ah, garante o ponto A, ponto B, massa. Todo mundo não. Mas ela faz esse papel, assim como a associação de bairro também pode fazer, mas ela faz esse papel. Mas a galera que não conhece esses aspectos internos da igreja vai reproduzir o que tem de opinologia. E aí essa galera que tem de opinologia, normalmente da classe média com quem o Spider tá discutindo, vai falar: "São o gado, são não sei o quê". Mas aí o a caricatura que o que o Spyer criou para poder discutir com ele, porque no início ele excluiu todo mundo que faz pesquisa qualificada, que qualquer pesquisa sobre evangélico que você for ler ressalta esses pontos que o Spider colocou aqui. Por isso que a pergunta do meu artigo é: com quem se fala sobre os evangel quem fala sobre os evangélicos e com quem fala? Porque é o Spider falando com a classe média. tradicional que não conhece o tema e ele descreve. Só que aí por causa da posição privilegiada e dos acessos, ele se torna uma referência, enquanto toda a pesquisa qualificada existente parece que nunca existiu. [risadas] Aí é embaçado, cara. Aí que vem o lance do Eu vou até ler aqui, vou ler um trechinho aqui. Quer ver? Por exemplo, com a ressalva dos círculos acadêmicos específicos, né? Se você tira todo mundo que faz trabalho qualificado específico, aí fica fácil, que podem incluir, por exemplo, grupos de cientistas da religião, como a Rede Latino-Americana de Estudos Pentecostais, a RELEP, que reúne trabalhos excelentes sobre evangelicalismo que não caem em lugares comuns simplistas, como manipulação, etc. O autor aponta sua crítica para o trabalho acadêmico abre aspas em geral, realizado por pesquisadores de classe média. Aí vem a pergunta: "Mas quem seriam esses pesquisadores cegos de tais aspectos e destinatários interlocutores da crítica realizada por Spire? Quem são essas pessoas?" Uma nota na mesma obra dá uma pista quando o autor considera não haver interesse de pesquisa sobre brasileiros de baixa renda por parte de cientistas sociais de classe média. E aí veja, ele diz: "O pessoal aí da classe média na universidade não quer estudar pobre, não quer estudar a renda baixa." E aí o que que ele diz na pesquisa dele? Dado que abre aspas, esses acadêmicos tendem ou tenderiam a adotarem, adotar uma percepção patológica dos pobres. Então, vê o pobre como um doente, como um problemático, ou escolherem estudar grupos mais exóticos, como os quilombolas e ameríndios. Quantos dados de pesquisa vocês acham que eles ele apresenta para dizer que os antropólogos na universidade preferem quilombola, a meríndio ou trata pobre como doença? Eu digo um total de zero, tá? Mas aí coisa minha, mas ele já criou o fantasma contra o qual ele vai discutir, contra o qual ele vai debater. E ele deixou uma pista ali. Olha, o pessoal tá indo estudar aí os quilombolas e os indígenas como exóticos. Eu não, eu escolhi como exótico esses pobres no Dia Mundial dos pobres. Levanta o pobre aí e eu vou cantar a musiquinha com os pobres. Derrama, Senhor, a bção sobre o pobre. E aí ele mete essa e ainda esse grupo exótico dos evangélicos que não se conhecem, que pouco há pesquisa sobre eles, porque ele excluiu todas as pesquisas especializadas do início, né? Então, eu não vou ler o artigo inteiro, mas em última instância a discussão ela é metodológica, porque essa descrição do Spyer vai virar praticamente uma apologia dos evangélicos, né? Eh, é isso. Depois eu recomendo que vocês leiam. Vou até mandar quem quiser ler depois o artigo. O artigo ficou legalzinho. Eh, essa é uma apologia praticamente dos evangélicos, uma descrição que se torna apologética, porque ele também não olha as classes sociais, né? Ele não olha as classes sociais envolvidas no processo, nem as classes sociais dentro da igreja. E aí vem para finalizar a nossa conversa hoje algo que tá presente no Safatle, que tá presente no Pondé e em especial e na papo que a gente ouviu do Joel Pinheiro, que é o seguinte: essa galera vai fazer análise da realidade brasileira e cria uma oposição, não entre classes sociais, não cria oposição entre classe social, cria oposição entre pobres, classes baixas, classe intelectual. Percebe o descompasso, a oposição entre elite intelectual, que na verdade é uma classe média alta, e os pobres. E o pobre empobrecido, né? não é equivalente. Essa seleção de oposição entre grupos, ela não é equivalente entre o papel do intelectual destacado comat e os trabalhadores entre o o intelectual destacado pelo pelo spa e os evangélicos. Porque que parece que o evangélico, por exemplo, não ocupa posição intelectual em algum momento na universidade. Você não tem, você tá opondo coisas que não são equiparáveis, porque você tá abstraindo a posição da classe e colocando elementos culturais. Você pode até chamar de classe, classe intelectual, classe pobre, mas classe pobre é um elemento econômico, classe intelectual é um elemento cultural e você tá equiparando. É a mesma coisa que dizer os evangélicos e a esquerda, né? A esquerda como uma posição ideológica e os evangélicos é uma religião. Então, por que que você tá abrindo esses polos, né? São polos que não consideram a reprodução social porque não se assumem no ponto de partida qual é a classe à qual pertencem e discutem entre classe sem destacar a classe. Não quer colocar exposta à classe média discutindo com ela mesma que a gente aqui chamou de calvice branca. é a calvice branca que não assume sua posição de classe de classe média tradicional, aquela que já os pais era formado, fez fez pós-graduação, tem posição criativa, tem posição eh eh privilegiada na reprodução social e que dá tempo para você estudar, se formar e ter acesso a uma rede privilegiada para poder falar o que você quiser. E aí a gente tem essa autoridade aí garantida nesses espaços e que metodologicamente são bem complicados, tá bom? Era isso que tínhamos por hoje. Caraca, acabou meu serviço para o jogo à noite. Vou precisar de mais um pouquinho só para acompanhar o jogo. Tudo bem? Espero que vocês tenham curtido o papo de hoje. Foi longo, hein? Aproveitamos o sábado e aí fica o convite novamente de quem quiser se tornar membro, membro a membro, membresia, vira membro, membro, a membresia aqui do canal, porque é o quem sustenta o canalzinho. Você pode mandar um Pix também porque tá sobrando uma merreca aí. Manda Pix aqui. E se você vira membro, membro, membro, membrezinha do canal, você pode entrar, ter acesso exclusivo ao nosso chat do WhatsApp, nosso grupo do WhatsApp, na verdade, tô com sono. Nosso grupo do WhatsApp para você poder fazer parte dele exclusivamente para você e todas as outras pessoas que são membros, membras, membres membresia aqui do nosso canalzinho. Só mandar um e-mail para este e-mail aqui com o seu nickname, o seu número do zap, depois que você virar membro, membro, membro e membresia que eu te coloco lá no grupinho do zap. Beleza? Era isso, minha gente, era o que tínhamos hoje. Falamos bastante, nos divertimos, almocei aqui petiscos que preparei, um filé minonchino maravilhoso com onion rings e uma cerveja bem gostosinha. enquanto conversava com vocês nesta manhã de sábado, numa excelente manhã de sábado, que já tá acabando a nossa manhã do sábado, tá bom? É isso, é isso. Essa semana não teremos live porque eu estarei em situação de trabalho [suspirando] e não poderei gravar live. Então, cá estamos e faltam apenas $ para a gente conseguir receber o valor do YouTube nesse mês. Deus queira que consigamos. Dito isso, segunda-feira tem jogo da seleção brasileira. Então se preparem, será no meio [música] do expediente. Forcem o ponto facultativo, forcem aí de alguma maneira uma um atestado, um atestado que casualmente caiu na hora do jogo. Se reúnam com a família, com amigos, com pessoas que vocês gostem. E eu tô iludido. O exer nós seremos [música] ex. Não ouça aí os pessimistas, nem os aparentemente analistas críticos, que na verdade são só pessoas tristes, tristes, [música] tristes, porque não aceitam que o futebol hoje é diferente do futebol de anos. A gente aceita, a gente aceita e só quer se divertir. Fiquem bem, de bom bem, se divirtam, aproveita o fim de semana e nós [música] seguiremos aqui. Trazendo a boa nova todo dia último, a vitória final. Seguimos trazendo boa nova todo dia >> até a vitória [música] final. Vitória. >> Um abraço para vocês. Bom sabão, bom. Com certeza d um toque e estamos junto. Beleza. Um abraço. Se cuidem. [música] Até pronto. É nós. >> [música]