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A fé vem pelo ouvir

A ESTRANHEZA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS I Rodrigo Bibo I Palestra Café Teológico 2026

A ESTRANHEZA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS I Rodrigo Bibo I Palestra Café Teológico 2026

A ESTRANHEZA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS I Rodrigo Bibo I Palestra Café Teológico 2026

Palestra de Rodrigo Bibo em Joinville/SC sobre os primeiros cristãos no Café Teológico na MEUC Joinville.

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– Série Aliança: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALKeBBgfaSYx_7eWJWPKN3k
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Legendas automáticas:

[música]
Porque quando nós lemos o Novo
Testamento, aliás, a Bíblia Sagrada, a
gente deveria sempre fazer esse
exercício. E nem sempre é um exercício
fácil de fazer, porque nem sempre temos
ferramentas ao nosso alcance para que a
gente faça esse exercício. Mas nós lemos
a palavra de Deus, a Bíblia, e a gente
geralmente lê a Bíblia como palavra de
Deus para nós hoje. E tá tudo bem. Ela
de fato é palavra de Deus para nós hoje
e a gente lê e o Espírito Santo atualiza
ela em nosso coração. É sim palavra de
Deus para nós hoje. Entretanto, é uma
palavra que foi dada dentro de um
contexto histórico, dentro de um mundo,
de um jeito de pensar que é diferente do
nosso. E quando nós olhamos pro Novo
Testamento, é importante a gente ter um
pouquinho esse background religioso de
onde estavam os discípulos de Jesus ou
onde Jesus nasce, onde Jesus começa
então a anunciar o reino de Deus, onde
Jesus começa a pregar, né, a a mensagem
do reino de Deus, onde é esse contexto e
por que os cristãos de alguma forma eram
pessoas estranhas? aquele se tornaram
pessoas estranhas. É o exercício de nós
pensarmos o seguinte: você é um cristão
e o seu vizinho é um romano ou até mesmo
um judeu. Quais as diferenças? Onde
estão as estranhezas? E eu quero passear
aqui com vocês por algumas estranhezas,
mas antes é legal a gente pensar o
seguinte, né? A religião dominante,
então, da época, a religião romana, ela
tinha algumas características que é
legal a gente saber pra gente poder
localizar bem e fazer esse exercício. A
primeira coisa que a gente tem que ter
em mente é que não existia atu, por
exemplo, não existia assim o clubinho
das pessoas que não sabe, não tinham
religião. Não existia, por exemplo, em
Roma uma pessoa assim: "Ah, eu sou
religioso, mas não vou na igreja". Sabe
assim, eu não, eu tenho a minha
espiritualidade,
mas é eu e Jesus, é eu e Buda, é eu e
sei lá quem, entendeu? E assim, não, eu
tenho a minha religião, mas eu não vou
em lugar nenhum, eu não vou em nenhum
templo, eu não vou em nenhuma igreja,
sabe assim? Eh, eu não sou religioso. Eu
tenho a minha espiritualidade, mas eu
não sou religioso. Cara, dizem que tinha
mais divindade do que gente em Roma e no
império romano. Tinha mais divindade do
que gente. Ou seja, era comum as pessoas
eh viverem suas vidas tendo a religião
como esse tecido, sabe? como essa
costura que amarrava tudo, amarrava
família, amarrava política, amarrava
vida social, era a religião. E era o
quê? A sua a a religião que podia ser
muito plural. Tanto que existiam muitos
deuses. Roma não tinha problema com
divindades,
desde que desde que essa divindade ou
esse grupo religioso com a sua divindade
tivesse uma história, tivesse uma
organização
e cooperasse para a paz de Roma. Porque
o que Roma queria era manter a sua paz
e, principalmente, ter a paz com os
deuses. Tanto que a religião romana, ela
não tava muito preocupada na sua relação
íntima. Não existia essa ideia de uma
relação íntima com a divindade. O lance
é o seguinte: faz o rito certo, fale as
palavras corretas
e que os deuses nos ajudem e que isso
possa agradar os deuses. Era uma relação
do tipo assim: "Olha, eu vou fazer
certinho aqui e tu me dá de volta".
Sabe uma relação, a relação, né, de
qualquer, de qualquer pessoa no império
romano e da religião e das religiões e
da relação da comunidade com a divindade
era justamente um sistema de troca. Eu
dou algo cuida de nós. A divindade
romana, ela era tipo um miliciano no Rio
de Janeiro ou um traficante, não sei se
tem isso aqui em Joinville, talvez tenha
alguns bairros mais distantes onde a
galera, né, tem ali uma galera
organizada que cuida do local. Mas a
gente ouve falar do Rio de Janeiro que o
miliciano é aquela pessoa, aquele grupo,
né, que você paga alguma coisa, você
sacrifica alguma coisa para aquele
miliciano, ele te dá internet, gás, ele
te dá energia, né? Ou seja, ele não te
mata, esse tipo de coisa. Então, a
divindade
romana era um pouco nessa pegada assim,
vocês fazem os sacrifícios corretos e
talvez
vocês terão a colheita, vocês terão a
vitória na guerra. Então, não se tinha
uma ideia de uma fé pessoal, uma relação
pessoal com essa divindade. Não tinha,
era uma relação comunitária
com as divindades. Então, olha, você
pode trazer o seu Deus aí, põe aqui no
balaio. Só que tem algumas regrinhas que
a gente, né, que a gente segue. Então, é
tudo muito organizado, não é assim, cada
um faz eh o que quer, tá? Mas era uma
religião de certa forma organizada, mas
muito plural. E ela era organizada em
torno desse propósito. A gente dá paraa
divindade e a divindade nos responde ou
não. Mas o importante é que a gente faça
o rito certo. Tanto que se diz que tinha
todo um cuidado na hora de fazer o rito,
né? Tinha quem? Aquele que fazia o rito,
o outro que gerenciava para ver se tava
certo, né? às vezes duas, três pessoas
envolvidas para que olha, vamos fazer
tudo certo para que a divindade nos ouça
e nos responda. E a gente então tem a
vitória, a gente tem a colheita, a gente
tem a benesse, né, dessa divindade.
Então, era uma a relação, a religião
romana, ela era uma religião muito então
na base da troca e uma e não e era
impessoal, era algo muito impessoal, só
que ao mesmo tempo eram todos devotos,
era todo mundo religioso, todo mundo era
e tudo se misturava, né? Tinha até a
ideia de um guarda-chuva, Júpiter lá em
cima, depois o César, depois os ricos,
né? Enfim, toda uma uma estratificação
social. E a gente precisa manter isso
aqui funcionando.
Se a gente inverter a ordem, não. Como
assim? A gente tem que ter templos, a
gente tem que ter as estátuas, a gente
tem que manter isso aqui tudo organizado
para que os deuses cuidem da gente. Se
dizia até, por exemplo, que quando o
Roma, né, Roma, vocês sabem, né, ia
tomando todo mundo, ia, né, invadindo,
matando, roubando a galera, saqueando.
Tanto que se dizia muitas vezes que o
imperador, o general de guerra, ele
chegava numa cidade e ele fazia algumas
orações invocando para que a divindade
daquela daquela localidade passasse pro
lado dele. Ó, chega pro nosso lado aí
que nós vamos tomar tudo aí. Então, nos
abençoe que a gente vai cuidar de vocês.
Mas o cuidar era tomar aquele lugar e
fazer mais escravos para o seu império.
E tudo bem, vocês podem continuar
adorando a divindade de vocês, mas agora
vocês precisam também adorar César.
Agora vocês também precisam, né, colocar
os nossos deuses aqui também, considerar
todo o nosso panteão greco romano, todo
o nosso panteão de divindades.
Eles não tinham normas normas muito
muito definidas. uma teologia
sistemática de como fazer, só que ao
mesmo tempo era organizado e era
comunitário e não era pessoal. Então, é
alguns pontos pra gente só entender mais
ou menos em que contexto estavam tanto o
judaísmo como, né, a religião onde Jesus
vai nascer, como também os primeiros
cristãos. Ou seja, eles eles se tinha
muita divindade e se tinha moeda de
troca. É isso que vocês têm que ter em
mente, tá? moeda de troca, algo
organizado e que era para o bem
comunitário. E por favor, não irritem os
deuses. Não irritem os deuses. Vamos
fazer tudo direitinho para nós não
termos problema. Então, não irritem, tá
bom? E vamos oferecer tudo certinho no
templo, porque a gente precisa manter
essa paz romana. a gente precisa manter
a coisa organizada, porque de fato eles
acreditavam nessa intervenção direta das
divindades. Inclusive Roma tinha esse
orgulho, né? Eles estavam crescendo, não
porque eles estavam matando pessoas
invadindo e tinham exércitos mais
poderosos, mas é porque os deuses
estavam com eles. Tinha toda essa ideia.
Então agora tu imagina um romano numa
cidade como Éfeso, Filipos e e ele tem
um vizinho cristão. Algumas coisas que
eles começam a estranhar nessa galera
que agora tá aí, entendeu? esses
cristãos ou esses do caminho ou esses
crentes. Essa é a primeira estranheza
que os romanos ou qualquer outra pessoa
que não era cristã ou eh eh dependendo
até o judeu poderia ter algum
estranhamento. Eles eram o quê? Crentes.
Uma relação de crença. Você não
precisava porque assim, você acredita em
Deus, você é crente, mas então eu sou o
quê? Porque para o cristão, qualquer
outra pessoa não era um crente, porque
ele não acreditava no seu Deus
verdadeiro. Então era essa primeira
dúvida, tipo, mas se eu não sou um
crente, eu sou eu sou o quê? Porque para
o para quem morasse e estivesse debaixo
do império romano, era normal a
existência de deuses. Então como é que a
crença passa a ser um distintivo de um
povo no meio de um povo que acredita em
última análise? Porque aqui tem algo que
é diferente de acreditar na existência
dos de deuses e na intervenção desses
deuses no mundo. Há uma fé, há uma
relação de crença. Eles eram o quê?
Crentes. E isso era o quê? Era estranho
porque era essa crença não era uma
crença sem base, era uma crença com base
numa relação, numa aliança. E o próprio
Deus, por assim dizer, desses cristãos,
pede a fé de quem o segue. E não só pede
a fé, ou seja, mas e o que que é a fé? é
um relacionamento pautado na confiança.
E não só um relacionamento pautado na
confiança, é um relacionamento que nasce
de uma aliança da divindade com o seu
povo. A fé é muito importante para o
judeu, para o Antigo Testamento. O justo
viverá pela fé. Não foi Paulo que
inventa isso, né? Isso já tá no Antigo
Testamento. Então isso já é um pouco
estranho para os, né, para para os
habitantes eh romanos. Essa fé que é
pessoal, essa fé que é pedida, inclusive
nemhuma divindade romana pede esse tipo
de coisa. A divindade romana pede
sacrifício. A relação do povo com a
divindade romana é a base de fumaça e
sangue.
Essa é a base da relação romana, fumaça
e sangue. Agora não tem alguém que tá
falando que eu creio. E Jesus não só
pede a fé de quem segue ele, como ainda
fala assim: "Olha, bem-aventurados
aqueles que não viram e creram". Jesus
não censura Tomé. Tipo, ô Tomé, a gente
às vezes olha para Tomé como aquele cara
sem fé, como aquele cara que não creu.
Não, Tomé só queria o que os outros
apóstolos também tiveram.
E não é o problema, não é Tomé eh ter eh
ele queria ver também como os outros
viram. E aí só Jesus só fala: "Olha,
bem-aventurado aqueles que não viram,
mas também creram". Então isso já começa
a ser um absurdo. Como assim vocês
acreditam? Vocês acreditam naquilo que
vocês nem veem?
Vocês acreditam em algo que vocês não
estão vendo? Como que isso é possível?
Quão estranho é esse tipo de relação?
Pedro, inclusive, escreve a cristãos que
nunca tinham posto os olhos em Jesus e
diz: "Vocês o amam sem o terem visto,
creem nele sem o verem agora".
Isso é um absurdo pra religião daquele
tempo. Como é que vocês vão construir
uma religião que tem como um dos
fundamentos a fé? Ou seja, um
relacionamento, uma confiança, uma
aliança
em alguém que vocês não estão vendo?
Tipo, vocês estão dizendo que ele já
veio, que ele andou entre nós, mas cadê
ele agora? Eu preciso ver como é que
vocês acreditam nisso. Esse é um
primeiro estranhamento que inclusive
poderia parecer um delírio para as
pessoas daquele tempo. Cadê? Entendeu?
Cadê? Porque a segunda estranheza tinha
o quê? Toda a religião antiga, ela
girava em torno de três eixos, tá? Um
templo, um sacerdote, um sacrifício.
Lembra que eu falei? fumaça e sangue,
o encontro com a divindade, onde o povo
poderia encontrar Deus no templo da
divindade.
Então, era comum você ter o quê?
templos, altares, era nas casas era
muito comum você ter os templos, as cada
divindade ter o seu templo. A vida
social girava em torno daquele templo, a
a compra de comida muitas vezes Paulo
vai tratar disso na cidade de Corinto.
Então, o que acontece?
Sacerdote, templo, sacrifício, uma série
de coisas. De repente começa a surgir um
povo. E aqui inclusive é onde o cristão
começa a ter um estranhamento com o
próprio povo judeu, de onde eles saem.
Os primeiros cristãos eram, em sua
maioria judeus. A igreja primitiva de
Atos é no seu começo, judeus. E aqui já
começa a ter um primeiro estranhamento.
Por quê? Porque agora não tem mais
sacerdote,
não, não precisa mais de templo.
A, a Jesus, ele já no seu ministério
terreno começa a descentralizar a
adoração no templo. Tu imagina um judeu
que achava que Jerusalém era o centro do
mundo, o templo era o centro do mundo. E
aí vem um cara que começa a dizer que
não, não é aqui, não é lá. Deus procura
adoradores em espírito e em verdade.
Imagina vocês agora uma religião que
fala que pede que pede uma fé de um Deus
que a gente não pode ver e a gente não
tem nem a casa dele para visitar. Que
absurdo que é esse? O quão estranho é
isso? Não se tem uma nem a casa para
adorar esse Deus. A religião cristã, os
primeiros cristãos não viam a
necessidade. E por que que não viam a
necessidade? Porque primeiro que eles
tinham o templo de Jerusalém, eles ainda
iam ao templo de Jerusalém, mas lá
aquilo não era mais o lugar onde eles
encontravam Deus,
porque agora eles sabiam que Deus estava
no meio deles. Tu imagina, é tipo uma
atualização de software. É uma parada
assim que o que acontece. Antes eu
precisava ir ao templo para ser
encontrado, né? Para encontrar a
divindade. Ou seja, a divindade está no
templo e só lá no templo ela pode ser
achada. Chega lá eu tenho que derramar
sangue com sacrifício. Eu preciso ter
pessoas autorizadas
para regulamentar aquele sacrifício para
que dê tudo certo. E nisso os judeus
estavam muito parecido com a religião
romana. Aliás, eh o fato do judaísmo ele
ter, né, um templo, ele ter um livro
antigo, ele ter um local, isso tudo
ajudou com que os judeus conseguissem
manter ali, né, a sua religião no
império romano, porque senão eles também
seriam muito estranhos. Eles eram
estranhos para os romanos, mas ainda
tinham a permissão de Roma, porque eles
tinham sacrifício, eles tinham
sacerdote, eles tinham templo, que
gerava inclusive muito dinheiro para
Roma também. Agora começa a surgir uma
galera que diz que Deus não habita mais
em templos feito por mãos humanas.
Começa agora a surgir um pessoal dizendo
que não, o sacrifício perfeito já
aconteceu. Não há necessidade de
derramar sangue, não há necessidade de
queimar, não há necessidade de fumaça,
não há mais necessidade disso. E aí vem
um outro escândalo.
Sacerdotes, não. Agora é um reino de
sacerdotes.
Agora não tem mais as pessoas
autorizadas e pessoas desautorizadas.
Inclusive, isso passa a ser não só uma
estranheza para Roma, mas um perigo.
Mas um perigo. Por quê? Porque religião
para Roma era algo muito sério. Como que
algo muito sério pode estar assim
espalhado no meio do povo? Como que algo
muito sério pode ser algo que pescadores
idiotas, né? A palavra idiotez, que é
meio que leigo, eram essas pessoas
iletradas, essas pessoas que não, eles
não têm condições de manejar algo tão
poderoso como a religião, o acesso a uma
divindade. Todo mundo agora tem acesso a
essa divindade. Isso é perigoso. A
própria magia, né, era perigosa para
Roma. Eles, os mágicos, né, os
feiticeiros, eles eram punidos se não
fosse bem organizado. Porque não se
brinca com o transcendente assim.
É algo [roncando] muito, a religião é
uma coisa perigosa. Por isso que só
alguns treinados podem fazer isso. Por
isso que eu tenho um templo que legisla
essas coisas, um sacerdote, pessoas que
cumprem ali todo o dossiê.
Agora aparece um povo dizendo que o
sacrifício não não precisa mais de
sacrifício. Eles não derramam sangue.
Por quê? Porque o sangue já foi
derramado. Eles até têm um rito, né? A
gente não pode esquecer. que nós temos o
rito do batismo, nós temos o rito da
ceia, mas ele é com pão e vinho que
simboliza aquele sangue derramado,
aquele corpo moído. Ainda assim, mesmo
eles tendo esse rito, alguns até diziam:
"Não, eles comem a carne do, né? Eles
comem a carne, chamam um outro de irmão,
acusavam os cristãos de incesto, uma
série de coisas, mas não tinha mais um
templo, não tinha mais sacerdote.
A religião cristã do primeiro século, a
religião do Novo Testamento, ela não era
uma religião que se tinha homens ou
mulheres separados, diferenciados.
Não, o povo era sacerdotal.
Todo o povo ele era sacerdotal. Então
isso já era muito estranho. Por isso,
inclusive que os cristãos eram chamados
de ateus, atei. Ou seja, essa galera não
tem Deus, mano. Que Deus que é esse?
No mínimo, no mínimo, não sei quem foi
que disse, mas ele falava assim, é um
dos escritores romanos. Olha, no mínimo
isso aí não é um Deus.
Porque como pode existir um Deus que não
tem templo, que não exige sacrifícios,
que não tem o pessoal especializado que
passou no concurso?
Como é que pode isso?
Isso era um absurdo. Isso era estranho.
Uma terceira estranheza, adoravam um só.
Adoravam um único Deus. Beleza? O
judaísmo também adorava um só, que isso
era chamado de monolatria. Ou seja, se
acredita na existência de outros deuses,
mas só se adora um. O jeitinho do dos
judeus darem ali, né, né, falar com Roma
é, ó, a gente não vai adorar o
imperador, mas nada impede que a gente
ore pelo imperador. A gente até pode
sacrificar aqui para que, né, o
imperador seja abençoado, para que Roma
prospere,
mas a gente continua adorando só Javé,
mas a gente sacrifica aqui pelo
imperador, a gente pede. Então isso meio
que deixou, né, que o Roma, OK, beleza,
vamos dar uma tapada de olho aqui para
essa galera estranha. Os judeus também
eram estranhos para o Império Romano,
mas eles ainda, né, adoravam o único
Deus, mas eles tinham lá os sacrifícios
e tal. Já os cristãos
não só adoravam um único Deus,
como inclusive vão reforçar essa ideia
de que esse Deus que eles adoram
é soberano sobre todos, inclusive sobre
César.
E aí vem o outro lance, ou seja,
e aqui vem a quarta estranheza, porque
eles, além de adorar um só,
esse um só era um Deus crucificado.
[roncando]
Esse um só é alguém que, imagina, os
cristãos estão dizendo que só adoram um
Deus e [roncando] que esse Deus é um
Deus crucificado. Ou seja, a cruz era o
método de tortura que os romanos pegam
dos persas, aperfeiçoam na crueldade
e era o quê? É só galera do mal que era
crucificada.
Só gente que realmente causava o quê?
Eh, perturbação na paz romana. Só gente
que causava perturbação na nossa relação
com os deuses. E vocês estão dizendo que
adoram um crucificado. O quão louco é
isso? O quão maluco é isso. Inclusive,
isso se estende por um tempo. Eh, Natã,
Artur, Noa, Noa, Noa,
tem uma imagem que eu pedi pro teu pai
projetar, por gentileza.
Eu uma hora eu acerto no
gente. Essa aí, ó, Alexêmano, né? Eu
sempre erro o nome, mas essa aqui é uma
pintura, é um é um dos primeiros
desenhos de Jesus Cristo que a gente
pode ter na história. Provavelmente isso
aqui era numa escola lá e era um meio
que um aluno zoando, né? Tirando uma
palha de outro aluno cristão. E aí ali é
a ideia, né? Alexêmanos adora o seu Deus
e o Deus dele é um homem crucificado, ou
seja, um absurdo, sinal de fraqueza, de
impotência, de derrota e ainda com
cabeça de jumento. Ou seja,
o quão triste é essa, esse Deus do
Alexêmanos, que eu sempre agora eu vou
acertar esse nome agora, agora eu vou
acertar esse nome porque esses nomes
aqui, ó, Alexêmus, eu acertei meio que
acertei, Alexêmanos. Alexanos.
Aleluia.
Ou seja, o primeiro desenho de Jesus que
a gente tem registrado é uma sátira, é
uma uma sabe, uma piada de mau gosto, é
uma afronta. É dizendo que o Deus de
vocês é ridículo, ele é fraco. Isso aí
não é Deus. Olha quão estranha é a
religião de vocês. Vocês adoram um
crucificado.
Por isso que e e algo muito importante
para o cristianismo. Paulo vai dizer:
"Olha, nós pregamos a Cristo e este
crucificado.
É o se torna, olha só quantos símbolos a
gente poderia ter no cristianismo. Bacia
e toalha,
uma pedra do sepulcro, a própria pomba
do Espírito Santo. Que mais? Eh, pão e
vinho,
poderia ser um cordeiro, um trono.
Alguns gostariam que fosse um trono, né?
Mas hã,
>> uma vinha,
>> uma vinha, a gente teria vários símbolos
para dizer isso aqui simboliza a nossa
religião, no que nós cremos. Mas o que
que se estabilizou na história da arte
cristã e no símbolo do cristianismo? A
cruz.
Porque a cruz é realmente loucura,
mas ela é ao mesmo tempo o símbolo desse
Deus que não espera o homem, o ser
humano, ir ao templo para encontrá-lo,
mas esse Deus que se humilha, se esvazia
e vai até a morte, morte de cruz. Ou
seja, a loucura da cruz é isso. Deus se
humilha a tal ponto que se deixa matar
pelos homens de uma maneira cruel,
bárbara, como só bandido era morto. Ele,
esse é o nosso Deus que não espera que o
ser humano vá ao templo encontrá-lo, mas
que desce do seu templo e se faz templo
na terra, em carne, e ali assume o nosso
pecado e morre no nosso lugar. Essa é a
loucura do evangelho, que era um absurdo
para eles. Como é que vocês adoram um
único Deus?
E ainda esse Deus, ele é um Deus
crucificado. É isso. Isso é jumento,
isso é burrice, isso é estupidez. Pode
voltar o QR code Noa.
Ou seja, isso era uma abominação. Por
isso que o cristianismo ele passa, ele
sai dessa condição de uma religião para
ser uma uma superstição, por assim
dizer, né? Uma superstícius. Como é que
é? Sia que eu sempre erro essa super
>> supertítio, tá? Supertício. É latinha
essas coisas toda maluca. Aí o que
acontece? Fica uma coisa que a gente
precisa abrir o olho, porque isso aqui
vai gerar revolta. E gente, eu vou
pulando algumas partes aqui, mas vocês
já viram que tem várias estranhezas.
Então, tem esse lance de adorar um Deus
crucificado, esse lance de não precisar
mais ir ao templo porque Deus agora mora
dentro de nós, não só dentro da
comunidade, mas dentro de cada um dessa
comunidade. Isso era um absurdo, tá? E
depois tinha essa ideia de que eles
estavam sempre de olho no futuro, não
seguiam mais o calendário, que era todo
bonitinho, amarradinho para que os
deuses abençoassem. Não, agora a gente
tá aqui esperando o nosso Deus. Não era
uma fuga da realidade, mas era trabalhar
enquanto ele não vem. Mas a gente tá
esperando o grande dia que ele vem nos
buscar. Então não tem mais um
calendário. Agora a gente tá já nos
últimos tempos, as promessas foram
cumpridas. Agora é a gente viver e
anunciar. E aqui uma coisa interessante
que depois a gente até pode falar mais.
Um outro distintivo estranho também dos
cristãos, eles evangelizavam. Ei, você
precisa conhecer Jesus como Senhor e
Salvador da tua vida. Não usavam essa
expressão. Mas para vocês entenderem, os
romanos não evangelizavam, até nem
precisavam, né? Porque eles aceitavam
todo mundo. Todos os caminhos levam a
Roma. E todas as religiões, desde que
sigam aqui os nossos princípios, estão
valendo. Os cristãos não, eles tinham
uma ideia de missão. E por fim, eles
tinham uma ideia de família sem
pirâmide,
né? Ou seja, o cristianismo vem com uma
ideia que onde Paulo fala o seguinte:
"Ô, Filemon, considera onésimo aí como
irmão".
Isso era um absurdo, um absurdo, um
escravo ser tratado como irmão. E isso
era o que os cristãos faziam. Chamavam
uns aos outros de irmão. Não tinha
títulos, não tinha esse lance de que
não, ele é presbítero, ele é pastor, ele
é sacerdote, ele é isso, ele é isso.
Eles não estavam nem para títulos, eram
irmãos, irmã, colaboradores.
Título até tinha. Paulo não é contra
título. Tem os presbíteros, tem os
diáconos. Isso não é um problema, mas é
só para organização, não valor. Isso é
coisa de romano. Ah, tem Deus aqui, tem,
né, o imperador aqui, o homem aqui, a
mulher aqui. Isso é coisa de pagão, não
é coisa de cristão.

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