A ESTRANHEZA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS I Rodrigo Bibo I Palestra Café Teológico 2026
08/07/2026
A ESTRANHEZA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS I Rodrigo Bibo I Palestra Café Teológico 2026
Palestra de Rodrigo Bibo em Joinville/SC sobre os primeiros cristãos no Café Teológico na MEUC Joinville.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
[música] Porque quando nós lemos o Novo Testamento, aliás, a Bíblia Sagrada, a gente deveria sempre fazer esse exercício. E nem sempre é um exercício fácil de fazer, porque nem sempre temos ferramentas ao nosso alcance para que a gente faça esse exercício. Mas nós lemos a palavra de Deus, a Bíblia, e a gente geralmente lê a Bíblia como palavra de Deus para nós hoje. E tá tudo bem. Ela de fato é palavra de Deus para nós hoje e a gente lê e o Espírito Santo atualiza ela em nosso coração. É sim palavra de Deus para nós hoje. Entretanto, é uma palavra que foi dada dentro de um contexto histórico, dentro de um mundo, de um jeito de pensar que é diferente do nosso. E quando nós olhamos pro Novo Testamento, é importante a gente ter um pouquinho esse background religioso de onde estavam os discípulos de Jesus ou onde Jesus nasce, onde Jesus começa então a anunciar o reino de Deus, onde Jesus começa a pregar, né, a a mensagem do reino de Deus, onde é esse contexto e por que os cristãos de alguma forma eram pessoas estranhas? aquele se tornaram pessoas estranhas. É o exercício de nós pensarmos o seguinte: você é um cristão e o seu vizinho é um romano ou até mesmo um judeu. Quais as diferenças? Onde estão as estranhezas? E eu quero passear aqui com vocês por algumas estranhezas, mas antes é legal a gente pensar o seguinte, né? A religião dominante, então, da época, a religião romana, ela tinha algumas características que é legal a gente saber pra gente poder localizar bem e fazer esse exercício. A primeira coisa que a gente tem que ter em mente é que não existia atu, por exemplo, não existia assim o clubinho das pessoas que não sabe, não tinham religião. Não existia, por exemplo, em Roma uma pessoa assim: "Ah, eu sou religioso, mas não vou na igreja". Sabe assim, eu não, eu tenho a minha espiritualidade, mas é eu e Jesus, é eu e Buda, é eu e sei lá quem, entendeu? E assim, não, eu tenho a minha religião, mas eu não vou em lugar nenhum, eu não vou em nenhum templo, eu não vou em nenhuma igreja, sabe assim? Eh, eu não sou religioso. Eu tenho a minha espiritualidade, mas eu não sou religioso. Cara, dizem que tinha mais divindade do que gente em Roma e no império romano. Tinha mais divindade do que gente. Ou seja, era comum as pessoas eh viverem suas vidas tendo a religião como esse tecido, sabe? como essa costura que amarrava tudo, amarrava família, amarrava política, amarrava vida social, era a religião. E era o quê? A sua a a religião que podia ser muito plural. Tanto que existiam muitos deuses. Roma não tinha problema com divindades, desde que desde que essa divindade ou esse grupo religioso com a sua divindade tivesse uma história, tivesse uma organização e cooperasse para a paz de Roma. Porque o que Roma queria era manter a sua paz e, principalmente, ter a paz com os deuses. Tanto que a religião romana, ela não tava muito preocupada na sua relação íntima. Não existia essa ideia de uma relação íntima com a divindade. O lance é o seguinte: faz o rito certo, fale as palavras corretas e que os deuses nos ajudem e que isso possa agradar os deuses. Era uma relação do tipo assim: "Olha, eu vou fazer certinho aqui e tu me dá de volta". Sabe uma relação, a relação, né, de qualquer, de qualquer pessoa no império romano e da religião e das religiões e da relação da comunidade com a divindade era justamente um sistema de troca. Eu dou algo cuida de nós. A divindade romana, ela era tipo um miliciano no Rio de Janeiro ou um traficante, não sei se tem isso aqui em Joinville, talvez tenha alguns bairros mais distantes onde a galera, né, tem ali uma galera organizada que cuida do local. Mas a gente ouve falar do Rio de Janeiro que o miliciano é aquela pessoa, aquele grupo, né, que você paga alguma coisa, você sacrifica alguma coisa para aquele miliciano, ele te dá internet, gás, ele te dá energia, né? Ou seja, ele não te mata, esse tipo de coisa. Então, a divindade romana era um pouco nessa pegada assim, vocês fazem os sacrifícios corretos e talvez vocês terão a colheita, vocês terão a vitória na guerra. Então, não se tinha uma ideia de uma fé pessoal, uma relação pessoal com essa divindade. Não tinha, era uma relação comunitária com as divindades. Então, olha, você pode trazer o seu Deus aí, põe aqui no balaio. Só que tem algumas regrinhas que a gente, né, que a gente segue. Então, é tudo muito organizado, não é assim, cada um faz eh o que quer, tá? Mas era uma religião de certa forma organizada, mas muito plural. E ela era organizada em torno desse propósito. A gente dá paraa divindade e a divindade nos responde ou não. Mas o importante é que a gente faça o rito certo. Tanto que se diz que tinha todo um cuidado na hora de fazer o rito, né? Tinha quem? Aquele que fazia o rito, o outro que gerenciava para ver se tava certo, né? às vezes duas, três pessoas envolvidas para que olha, vamos fazer tudo certo para que a divindade nos ouça e nos responda. E a gente então tem a vitória, a gente tem a colheita, a gente tem a benesse, né, dessa divindade. Então, era uma a relação, a religião romana, ela era uma religião muito então na base da troca e uma e não e era impessoal, era algo muito impessoal, só que ao mesmo tempo eram todos devotos, era todo mundo religioso, todo mundo era e tudo se misturava, né? Tinha até a ideia de um guarda-chuva, Júpiter lá em cima, depois o César, depois os ricos, né? Enfim, toda uma uma estratificação social. E a gente precisa manter isso aqui funcionando. Se a gente inverter a ordem, não. Como assim? A gente tem que ter templos, a gente tem que ter as estátuas, a gente tem que manter isso aqui tudo organizado para que os deuses cuidem da gente. Se dizia até, por exemplo, que quando o Roma, né, Roma, vocês sabem, né, ia tomando todo mundo, ia, né, invadindo, matando, roubando a galera, saqueando. Tanto que se dizia muitas vezes que o imperador, o general de guerra, ele chegava numa cidade e ele fazia algumas orações invocando para que a divindade daquela daquela localidade passasse pro lado dele. Ó, chega pro nosso lado aí que nós vamos tomar tudo aí. Então, nos abençoe que a gente vai cuidar de vocês. Mas o cuidar era tomar aquele lugar e fazer mais escravos para o seu império. E tudo bem, vocês podem continuar adorando a divindade de vocês, mas agora vocês precisam também adorar César. Agora vocês também precisam, né, colocar os nossos deuses aqui também, considerar todo o nosso panteão greco romano, todo o nosso panteão de divindades. Eles não tinham normas normas muito muito definidas. uma teologia sistemática de como fazer, só que ao mesmo tempo era organizado e era comunitário e não era pessoal. Então, é alguns pontos pra gente só entender mais ou menos em que contexto estavam tanto o judaísmo como, né, a religião onde Jesus vai nascer, como também os primeiros cristãos. Ou seja, eles eles se tinha muita divindade e se tinha moeda de troca. É isso que vocês têm que ter em mente, tá? moeda de troca, algo organizado e que era para o bem comunitário. E por favor, não irritem os deuses. Não irritem os deuses. Vamos fazer tudo direitinho para nós não termos problema. Então, não irritem, tá bom? E vamos oferecer tudo certinho no templo, porque a gente precisa manter essa paz romana. a gente precisa manter a coisa organizada, porque de fato eles acreditavam nessa intervenção direta das divindades. Inclusive Roma tinha esse orgulho, né? Eles estavam crescendo, não porque eles estavam matando pessoas invadindo e tinham exércitos mais poderosos, mas é porque os deuses estavam com eles. Tinha toda essa ideia. Então agora tu imagina um romano numa cidade como Éfeso, Filipos e e ele tem um vizinho cristão. Algumas coisas que eles começam a estranhar nessa galera que agora tá aí, entendeu? esses cristãos ou esses do caminho ou esses crentes. Essa é a primeira estranheza que os romanos ou qualquer outra pessoa que não era cristã ou eh eh dependendo até o judeu poderia ter algum estranhamento. Eles eram o quê? Crentes. Uma relação de crença. Você não precisava porque assim, você acredita em Deus, você é crente, mas então eu sou o quê? Porque para o cristão, qualquer outra pessoa não era um crente, porque ele não acreditava no seu Deus verdadeiro. Então era essa primeira dúvida, tipo, mas se eu não sou um crente, eu sou eu sou o quê? Porque para o para quem morasse e estivesse debaixo do império romano, era normal a existência de deuses. Então como é que a crença passa a ser um distintivo de um povo no meio de um povo que acredita em última análise? Porque aqui tem algo que é diferente de acreditar na existência dos de deuses e na intervenção desses deuses no mundo. Há uma fé, há uma relação de crença. Eles eram o quê? Crentes. E isso era o quê? Era estranho porque era essa crença não era uma crença sem base, era uma crença com base numa relação, numa aliança. E o próprio Deus, por assim dizer, desses cristãos, pede a fé de quem o segue. E não só pede a fé, ou seja, mas e o que que é a fé? é um relacionamento pautado na confiança. E não só um relacionamento pautado na confiança, é um relacionamento que nasce de uma aliança da divindade com o seu povo. A fé é muito importante para o judeu, para o Antigo Testamento. O justo viverá pela fé. Não foi Paulo que inventa isso, né? Isso já tá no Antigo Testamento. Então isso já é um pouco estranho para os, né, para para os habitantes eh romanos. Essa fé que é pessoal, essa fé que é pedida, inclusive nemhuma divindade romana pede esse tipo de coisa. A divindade romana pede sacrifício. A relação do povo com a divindade romana é a base de fumaça e sangue. Essa é a base da relação romana, fumaça e sangue. Agora não tem alguém que tá falando que eu creio. E Jesus não só pede a fé de quem segue ele, como ainda fala assim: "Olha, bem-aventurados aqueles que não viram e creram". Jesus não censura Tomé. Tipo, ô Tomé, a gente às vezes olha para Tomé como aquele cara sem fé, como aquele cara que não creu. Não, Tomé só queria o que os outros apóstolos também tiveram. E não é o problema, não é Tomé eh ter eh ele queria ver também como os outros viram. E aí só Jesus só fala: "Olha, bem-aventurado aqueles que não viram, mas também creram". Então isso já começa a ser um absurdo. Como assim vocês acreditam? Vocês acreditam naquilo que vocês nem veem? Vocês acreditam em algo que vocês não estão vendo? Como que isso é possível? Quão estranho é esse tipo de relação? Pedro, inclusive, escreve a cristãos que nunca tinham posto os olhos em Jesus e diz: "Vocês o amam sem o terem visto, creem nele sem o verem agora". Isso é um absurdo pra religião daquele tempo. Como é que vocês vão construir uma religião que tem como um dos fundamentos a fé? Ou seja, um relacionamento, uma confiança, uma aliança em alguém que vocês não estão vendo? Tipo, vocês estão dizendo que ele já veio, que ele andou entre nós, mas cadê ele agora? Eu preciso ver como é que vocês acreditam nisso. Esse é um primeiro estranhamento que inclusive poderia parecer um delírio para as pessoas daquele tempo. Cadê? Entendeu? Cadê? Porque a segunda estranheza tinha o quê? Toda a religião antiga, ela girava em torno de três eixos, tá? Um templo, um sacerdote, um sacrifício. Lembra que eu falei? fumaça e sangue, o encontro com a divindade, onde o povo poderia encontrar Deus no templo da divindade. Então, era comum você ter o quê? templos, altares, era nas casas era muito comum você ter os templos, as cada divindade ter o seu templo. A vida social girava em torno daquele templo, a a compra de comida muitas vezes Paulo vai tratar disso na cidade de Corinto. Então, o que acontece? Sacerdote, templo, sacrifício, uma série de coisas. De repente começa a surgir um povo. E aqui inclusive é onde o cristão começa a ter um estranhamento com o próprio povo judeu, de onde eles saem. Os primeiros cristãos eram, em sua maioria judeus. A igreja primitiva de Atos é no seu começo, judeus. E aqui já começa a ter um primeiro estranhamento. Por quê? Porque agora não tem mais sacerdote, não, não precisa mais de templo. A, a Jesus, ele já no seu ministério terreno começa a descentralizar a adoração no templo. Tu imagina um judeu que achava que Jerusalém era o centro do mundo, o templo era o centro do mundo. E aí vem um cara que começa a dizer que não, não é aqui, não é lá. Deus procura adoradores em espírito e em verdade. Imagina vocês agora uma religião que fala que pede que pede uma fé de um Deus que a gente não pode ver e a gente não tem nem a casa dele para visitar. Que absurdo que é esse? O quão estranho é isso? Não se tem uma nem a casa para adorar esse Deus. A religião cristã, os primeiros cristãos não viam a necessidade. E por que que não viam a necessidade? Porque primeiro que eles tinham o templo de Jerusalém, eles ainda iam ao templo de Jerusalém, mas lá aquilo não era mais o lugar onde eles encontravam Deus, porque agora eles sabiam que Deus estava no meio deles. Tu imagina, é tipo uma atualização de software. É uma parada assim que o que acontece. Antes eu precisava ir ao templo para ser encontrado, né? Para encontrar a divindade. Ou seja, a divindade está no templo e só lá no templo ela pode ser achada. Chega lá eu tenho que derramar sangue com sacrifício. Eu preciso ter pessoas autorizadas para regulamentar aquele sacrifício para que dê tudo certo. E nisso os judeus estavam muito parecido com a religião romana. Aliás, eh o fato do judaísmo ele ter, né, um templo, ele ter um livro antigo, ele ter um local, isso tudo ajudou com que os judeus conseguissem manter ali, né, a sua religião no império romano, porque senão eles também seriam muito estranhos. Eles eram estranhos para os romanos, mas ainda tinham a permissão de Roma, porque eles tinham sacrifício, eles tinham sacerdote, eles tinham templo, que gerava inclusive muito dinheiro para Roma também. Agora começa a surgir uma galera que diz que Deus não habita mais em templos feito por mãos humanas. Começa agora a surgir um pessoal dizendo que não, o sacrifício perfeito já aconteceu. Não há necessidade de derramar sangue, não há necessidade de queimar, não há necessidade de fumaça, não há mais necessidade disso. E aí vem um outro escândalo. Sacerdotes, não. Agora é um reino de sacerdotes. Agora não tem mais as pessoas autorizadas e pessoas desautorizadas. Inclusive, isso passa a ser não só uma estranheza para Roma, mas um perigo. Mas um perigo. Por quê? Porque religião para Roma era algo muito sério. Como que algo muito sério pode estar assim espalhado no meio do povo? Como que algo muito sério pode ser algo que pescadores idiotas, né? A palavra idiotez, que é meio que leigo, eram essas pessoas iletradas, essas pessoas que não, eles não têm condições de manejar algo tão poderoso como a religião, o acesso a uma divindade. Todo mundo agora tem acesso a essa divindade. Isso é perigoso. A própria magia, né, era perigosa para Roma. Eles, os mágicos, né, os feiticeiros, eles eram punidos se não fosse bem organizado. Porque não se brinca com o transcendente assim. É algo [roncando] muito, a religião é uma coisa perigosa. Por isso que só alguns treinados podem fazer isso. Por isso que eu tenho um templo que legisla essas coisas, um sacerdote, pessoas que cumprem ali todo o dossiê. Agora aparece um povo dizendo que o sacrifício não não precisa mais de sacrifício. Eles não derramam sangue. Por quê? Porque o sangue já foi derramado. Eles até têm um rito, né? A gente não pode esquecer. que nós temos o rito do batismo, nós temos o rito da ceia, mas ele é com pão e vinho que simboliza aquele sangue derramado, aquele corpo moído. Ainda assim, mesmo eles tendo esse rito, alguns até diziam: "Não, eles comem a carne do, né? Eles comem a carne, chamam um outro de irmão, acusavam os cristãos de incesto, uma série de coisas, mas não tinha mais um templo, não tinha mais sacerdote. A religião cristã do primeiro século, a religião do Novo Testamento, ela não era uma religião que se tinha homens ou mulheres separados, diferenciados. Não, o povo era sacerdotal. Todo o povo ele era sacerdotal. Então isso já era muito estranho. Por isso, inclusive que os cristãos eram chamados de ateus, atei. Ou seja, essa galera não tem Deus, mano. Que Deus que é esse? No mínimo, no mínimo, não sei quem foi que disse, mas ele falava assim, é um dos escritores romanos. Olha, no mínimo isso aí não é um Deus. Porque como pode existir um Deus que não tem templo, que não exige sacrifícios, que não tem o pessoal especializado que passou no concurso? Como é que pode isso? Isso era um absurdo. Isso era estranho. Uma terceira estranheza, adoravam um só. Adoravam um único Deus. Beleza? O judaísmo também adorava um só, que isso era chamado de monolatria. Ou seja, se acredita na existência de outros deuses, mas só se adora um. O jeitinho do dos judeus darem ali, né, né, falar com Roma é, ó, a gente não vai adorar o imperador, mas nada impede que a gente ore pelo imperador. A gente até pode sacrificar aqui para que, né, o imperador seja abençoado, para que Roma prospere, mas a gente continua adorando só Javé, mas a gente sacrifica aqui pelo imperador, a gente pede. Então isso meio que deixou, né, que o Roma, OK, beleza, vamos dar uma tapada de olho aqui para essa galera estranha. Os judeus também eram estranhos para o Império Romano, mas eles ainda, né, adoravam o único Deus, mas eles tinham lá os sacrifícios e tal. Já os cristãos não só adoravam um único Deus, como inclusive vão reforçar essa ideia de que esse Deus que eles adoram é soberano sobre todos, inclusive sobre César. E aí vem o outro lance, ou seja, e aqui vem a quarta estranheza, porque eles, além de adorar um só, esse um só era um Deus crucificado. [roncando] Esse um só é alguém que, imagina, os cristãos estão dizendo que só adoram um Deus e [roncando] que esse Deus é um Deus crucificado. Ou seja, a cruz era o método de tortura que os romanos pegam dos persas, aperfeiçoam na crueldade e era o quê? É só galera do mal que era crucificada. Só gente que realmente causava o quê? Eh, perturbação na paz romana. Só gente que causava perturbação na nossa relação com os deuses. E vocês estão dizendo que adoram um crucificado. O quão louco é isso? O quão maluco é isso. Inclusive, isso se estende por um tempo. Eh, Natã, Artur, Noa, Noa, Noa, tem uma imagem que eu pedi pro teu pai projetar, por gentileza. Eu uma hora eu acerto no gente. Essa aí, ó, Alexêmano, né? Eu sempre erro o nome, mas essa aqui é uma pintura, é um é um dos primeiros desenhos de Jesus Cristo que a gente pode ter na história. Provavelmente isso aqui era numa escola lá e era um meio que um aluno zoando, né? Tirando uma palha de outro aluno cristão. E aí ali é a ideia, né? Alexêmanos adora o seu Deus e o Deus dele é um homem crucificado, ou seja, um absurdo, sinal de fraqueza, de impotência, de derrota e ainda com cabeça de jumento. Ou seja, o quão triste é essa, esse Deus do Alexêmanos, que eu sempre agora eu vou acertar esse nome agora, agora eu vou acertar esse nome porque esses nomes aqui, ó, Alexêmus, eu acertei meio que acertei, Alexêmanos. Alexanos. Aleluia. Ou seja, o primeiro desenho de Jesus que a gente tem registrado é uma sátira, é uma uma sabe, uma piada de mau gosto, é uma afronta. É dizendo que o Deus de vocês é ridículo, ele é fraco. Isso aí não é Deus. Olha quão estranha é a religião de vocês. Vocês adoram um crucificado. Por isso que e e algo muito importante para o cristianismo. Paulo vai dizer: "Olha, nós pregamos a Cristo e este crucificado. É o se torna, olha só quantos símbolos a gente poderia ter no cristianismo. Bacia e toalha, uma pedra do sepulcro, a própria pomba do Espírito Santo. Que mais? Eh, pão e vinho, poderia ser um cordeiro, um trono. Alguns gostariam que fosse um trono, né? Mas hã, >> uma vinha, >> uma vinha, a gente teria vários símbolos para dizer isso aqui simboliza a nossa religião, no que nós cremos. Mas o que que se estabilizou na história da arte cristã e no símbolo do cristianismo? A cruz. Porque a cruz é realmente loucura, mas ela é ao mesmo tempo o símbolo desse Deus que não espera o homem, o ser humano, ir ao templo para encontrá-lo, mas esse Deus que se humilha, se esvazia e vai até a morte, morte de cruz. Ou seja, a loucura da cruz é isso. Deus se humilha a tal ponto que se deixa matar pelos homens de uma maneira cruel, bárbara, como só bandido era morto. Ele, esse é o nosso Deus que não espera que o ser humano vá ao templo encontrá-lo, mas que desce do seu templo e se faz templo na terra, em carne, e ali assume o nosso pecado e morre no nosso lugar. Essa é a loucura do evangelho, que era um absurdo para eles. Como é que vocês adoram um único Deus? E ainda esse Deus, ele é um Deus crucificado. É isso. Isso é jumento, isso é burrice, isso é estupidez. Pode voltar o QR code Noa. Ou seja, isso era uma abominação. Por isso que o cristianismo ele passa, ele sai dessa condição de uma religião para ser uma uma superstição, por assim dizer, né? Uma superstícius. Como é que é? Sia que eu sempre erro essa super >> supertítio, tá? Supertício. É latinha essas coisas toda maluca. Aí o que acontece? Fica uma coisa que a gente precisa abrir o olho, porque isso aqui vai gerar revolta. E gente, eu vou pulando algumas partes aqui, mas vocês já viram que tem várias estranhezas. Então, tem esse lance de adorar um Deus crucificado, esse lance de não precisar mais ir ao templo porque Deus agora mora dentro de nós, não só dentro da comunidade, mas dentro de cada um dessa comunidade. Isso era um absurdo, tá? E depois tinha essa ideia de que eles estavam sempre de olho no futuro, não seguiam mais o calendário, que era todo bonitinho, amarradinho para que os deuses abençoassem. Não, agora a gente tá aqui esperando o nosso Deus. Não era uma fuga da realidade, mas era trabalhar enquanto ele não vem. Mas a gente tá esperando o grande dia que ele vem nos buscar. Então não tem mais um calendário. Agora a gente tá já nos últimos tempos, as promessas foram cumpridas. Agora é a gente viver e anunciar. E aqui uma coisa interessante que depois a gente até pode falar mais. Um outro distintivo estranho também dos cristãos, eles evangelizavam. Ei, você precisa conhecer Jesus como Senhor e Salvador da tua vida. Não usavam essa expressão. Mas para vocês entenderem, os romanos não evangelizavam, até nem precisavam, né? Porque eles aceitavam todo mundo. Todos os caminhos levam a Roma. E todas as religiões, desde que sigam aqui os nossos princípios, estão valendo. Os cristãos não, eles tinham uma ideia de missão. E por fim, eles tinham uma ideia de família sem pirâmide, né? Ou seja, o cristianismo vem com uma ideia que onde Paulo fala o seguinte: "Ô, Filemon, considera onésimo aí como irmão". Isso era um absurdo, um absurdo, um escravo ser tratado como irmão. E isso era o que os cristãos faziam. Chamavam uns aos outros de irmão. Não tinha títulos, não tinha esse lance de que não, ele é presbítero, ele é pastor, ele é sacerdote, ele é isso, ele é isso. Eles não estavam nem para títulos, eram irmãos, irmã, colaboradores. Título até tinha. Paulo não é contra título. Tem os presbíteros, tem os diáconos. Isso não é um problema, mas é só para organização, não valor. Isso é coisa de romano. Ah, tem Deus aqui, tem, né, o imperador aqui, o homem aqui, a mulher aqui. Isso é coisa de pagão, não é coisa de cristão.