COMO ERA A LEI CIVIL EM CORINTO E PORQUE ELA INFLUENCIAVA A IGREJA? – JOÃO PAULO
29/07/2026
COMO ERA A LEI CIVIL EM CORINTO E PORQUE ELA INFLUENCIAVA A IGREJA? – JOÃO PAULO
A cidade de Corinto possuía uma estrutura jurídica e social marcada por profundas desigualdades, refletindo uma sociedade elitista, onde posição social e poder exerciam grande influência sobre as relações humanas. João Paulo mostra como esse contexto afetava a comunidade cristã e por que compreender o cenário histórico é essencial para interpretar corretamente as cartas de Paulo.
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
E aí já vemos essa a importância da gente meditar, né? No que está acontecendo em Corinto, como também de alguma maneira acontece em nossos dias, ainda como influência dessa competitividade equivocada, né? Porque a a busca é por união, né? Claro que a união não deve, é, abrir mão da verdade, né? Mas a gente deve buscar a união. A verdade deve ser para unir e não para separar, né? E isso é já uma coisa importante a gente entender como é que Corinto está sendo afetada e como a gente também tem algum nível de influência disso também. Agora, um outro aspecto que ele vai falar, que é interessante a gente ver na epístola, a questão de julgamento, né? Ele vai falar sobre julgamento em alguns capítulos, tanto no quesito de um julgamento moral, ah, dentro da própria igreja, como também questões que de cristãos indo ao tribunal. E como era então ah essas questões de lei, de lei criminal, de lei civil ali para Corinto e como é que isso estava afetando a igreja também? >> Corinto era uma província romana, o que significa que o o que acontecia em Roma, na capital do Império Romano, acontecia do mesmo jeito em Corinto. Eram as mesmas leis, eram os mesmos valores, né? Até o autor chama o tempo tempo todo isso de romanitas, né? Ah, que é esse jeito romano de viver. E Corinto tava de cabeça nisso, né? E uma das coisas é que, por exemplo, só tinham acesso à à lei, aos tribunais, aqueles cidadãos que eram realmente cidadãos do Império Romano. Então, se você não fosse cidadão do Império Romano, você não teria acesso. Lembrando que cidadania romana era um título. Então, não adiantava nascer no Império Romano simplesmente. Você precisava ter um título. Era aquele título que o apóstolo Paulo tinha por direito de nascimento, ou seja, ele era de uma família, de alguma forma, uma família um tanto quanto nobre. Ah, e e outras pessoas tinham que juntar muito dinheiro para conseguir comprar esse título, né? E aí tinha aquelas famílias tradicionais Era uma espécie de green card, é muito parecido. É muito parecido. E aí tinha aquelas famílias supertradicionais romanas que também tinham direito de nascimento, né? Tinham o título porque eles eram os, por assim dizer, os fundadores, né? Ah, então, esses tinham um acesso à questão, né, dos tribunais. Ah, quem era mais pobre, mesmo que fosse cidadão romano, não poderia processar alguém de uma classe ah socioeconômica superior. Então, essa era uma outra barreira. Então, moral da história, eh escravos, mulheres, crianças, pessoas de outras cidades e que não tinham o título de cidadãos romanos, esses não tinham acesso à lei, não tinham acesso aos tribunais. Ah, e e o que aconteceu é que esse modo de pensar, esse modo elitista de pensar, e essa é uma das principais marcas do Império Romano naquela época, esse elitismo, esse elitismo tinha entrado na igreja de Corinto. O o autor, o Bruce Winter, mostra isso muito claramente como é que a a questão que é tratada ali no capítulo cinco, ah, muito provavelmente tinha a ver com a condição socioeconômica dos que estavam cometendo o pecado gravíssimo ali, o o homem, o rapaz que estava possuindo a mulher do próprio pai, e que isso não tinha sido levado a sério pela igreja em matéria de disciplina eclesiástica por causa do nível socioeconômico tanto da mulher quanto do rapaz. Parece que a mulher nem é parte da igreja, porque Paulo não fala para para fazer a disciplina dela, Paulo fala para fazer a disciplina só do rapaz. Então parece que ela nem é parte da igreja, parece que parte da igreja são o rapaz e possivelmente o seu pai que estava sendo sendo traído aí pelo próprio filho, né? Ah, então veja, existiam leis no Império Romano que impediam a até mesmo esse tipo de situação, um homem ter relações com a mulher do próprio pai, isso isso tinha lei promulgada pelo imperador que proibia esse tipo de situação. Mas de novo, essas leis eram muito mais para serem aplicadas para pessoas de uma classe socioeconômica mais baixa ou para pessoas que não não não fossem muito destacadas na sociedade do que entre iguais, quando iguais faziam, quando pessoas da alta faziam esse tipo de situação, então o Império Romano fazia vistas grossas e a igreja aprendeu a fazer a mesma coisa, infelizmente. Então é é disso que Paulo tá tratando, provavelmente, tudo indica, esse é o contexto do que tá acontecendo ali em 1 Coríntios capítulo 5. >> Muito interessante, ou seja, é essa questão desse elitismo aí estava influenciando a maneira que as pessoas eram julgadas, né? Da mesma forma que era em Corinto, na cultura, a igreja estava fazendo, quem era mais supostamente importante ou que tinha mais posses ou enfim, acabava sendo mais desculpável de seus pecados, né? >> Exatamente isso, ainda que fossem pecados gravíssimos. >> Pois é, e que pecado, né? É, agora quando a gente vê o avanço do livro, tem um outro texto que ele é muito interessante até porque ele tem muito a nos ensinar, mas ele pode ser muito mal interpretado. E em certo momento em Coríntios Paulo vai falar basicamente que tudo é permitido, mas nem tudo convém. E essa é a expressão que especialmente para essa epístola, onde tantas coisas acontecem, tantas, tantos pecados, enfim, ela, ela é uma frase muito forte. Então, o que é que Paulo quer dizer com isso, né? E o porquê que ele fala isso para os Coríntios em específico? >> Saor, esse é um dos textos mais difíceis da Bíblia, porque é necessário que a gente tenha a a capacidade de entender que no texto existe uma citação. Então hoje, as traduções, as edições mais contemporâneas, elas nos ajudam porque elas colocam entre aspas, elas colocam o "tudo me é permitido" entre aspas. E de fato é isso que está acontecendo ali no texto. Não é Paulo quem está ensinando "tudo me é permitido". O que está acontecendo ali no texto é que Paulo está citando uma posição muito comum ali na sociedade romana que alguns cidadãos tomavam para si essa permissividade. Eles diziam: "Não, para mim, como eu pertenço a essa família, como eu pertenço a essa classe social, como eu sou um homem, como eu sou um cidadão romano, então para mim tudo é permitido". Então havia algumas pessoas da igreja coríntia que estavam dizendo isso a respeito de si mesmas e e dizendo: "Olha, embora eu seja cristão, para mim tudo é permitido". Ah, e o apóstolo Paulo combate essa posição, o que acontece tanto no capítulo, no capítulo seis, quanto no capítulo 10, quando Paulo cita esse slogan, né? Paulo tá combatendo essa posição. Olha, eu já vi gente tentando se esforçar muito para explicar como se fosse Paulo dizendo: "Olha, tudo me é lícito". Gente, tá claro na Bíblia que nem tudo é lícito. Isso é muito claro na Bíblia. A Bíblia tem os 10 mandamentos. Não matarás, não terás outros deuses. Não, não, nem tudo nos é lícito. E Paulo também não tá dizendo tudo nos é lícito. Ele tá citando o que os coríntios pensavam. Ele tá citando uma coisa que era comum na sociedade coríntia. Além disso, Saulo, existe o fato de que os coríntios não acreditavam na ressurreição do corpo. Isso tá lá no capítulo 15. E por não crer na ressurreição do corpo, alguns deles chegaram à conclusão: "Se eu não vou ressuscitar, se esse corpo aqui vai ser totalmente destruído, então o que eu faço no meu corpo não tem influência ah para eternidade". Então tudo me é lícito. Então existem dois problemas que culturais, dois problemas do paganismo que estavam em operação ah para eles chegarem nessa posição. Um era o elitismo. Um era alguns cidadãos têm mais direitos do que outros e podem fazer qualquer coisa que eles quiserem. E o outro problema era o problema da, de não crerem na ressurreição. Eles eram materialistas, eles eram dualistas, eles eram nesse sentido influenciados pelo neoplatonismo, que não acreditava na ressurreição do corpo. Acreditavam o corpo, a matéria é totalmente má e a alma, o espírito é totalmente bom. Então o que eu faço no corpo não interfere na minha alma. Então tudo me é lícito. E Paulo vai contra esses pensamentos pagãos que estavam circulando lá em Corinto e que tinham tomado conta da igreja, Paulo vai contra isso. Eu tenho um artigo na Fides Reformata que trata exatamente sobre isso. Então fica aí a dica para o pessoal, que mostra como é que existe uma uma estrutura literária, um gênero literário específico chamado diatribe, que está em operação aí nesse texto e aí quando você vê isso, o texto se abre completamente. >> Aliás, Paulo faz muito uso dessa dessa figura aqui, né? Para argumentar, apresentando qual é a visão das pessoas e então qual é a resposta. Então se a gente pegasse um exemplo aqui que me veio à cabeça, né? É como se alguém estivesse dizendo assim, né? Como se Paulo tivesse citando a frase de alguém: "Ah, meu corpo, minhas regras". Ah, é, mas espera aí, universo de Deus, regras de Deus, né? É como se ele tivesse fazendo isso. >> Perfeita ilustração, Saur. É exatamente isso que Paulo está falando. "Meu corpo, minhas regras", entre aspas, e Paulo então vai contra isso e apresenta a boa teologia para inocular a má na má visão, a má ideologia que estava ali por trás daquela daquele ditado popular pecaminoso. >> [música]