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COMO ERA A LEI CIVIL EM CORINTO E PORQUE ELA INFLUENCIAVA A IGREJA? – JOÃO PAULO

COMO ERA A LEI CIVIL EM CORINTO E PORQUE ELA INFLUENCIAVA A IGREJA? – JOÃO PAULO

COMO ERA A LEI CIVIL EM CORINTO E PORQUE ELA INFLUENCIAVA A IGREJA? – JOÃO PAULO

A cidade de Corinto possuía uma estrutura jurídica e social marcada por profundas desigualdades, refletindo uma sociedade elitista, onde posição social e poder exerciam grande influência sobre as relações humanas. João Paulo mostra como esse contexto afetava a comunidade cristã e por que compreender o cenário histórico é essencial para interpretar corretamente as cartas de Paulo.

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E aí já vemos essa
a importância da gente meditar, né? No
que está acontecendo em Corinto, como
também de alguma maneira acontece em
nossos dias, ainda como influência dessa
competitividade
equivocada, né? Porque a
a busca é por união, né? Claro que a
união não deve, é, abrir mão da verdade,
né? Mas a gente deve buscar a união. A
verdade deve ser para unir e não para
separar, né? E isso é já uma coisa
importante a gente entender como é que
Corinto está sendo afetada e como a
gente também tem algum nível de
influência disso também.
Agora,
um outro aspecto que ele vai falar, que
é interessante a gente ver na epístola,
a questão de julgamento, né? Ele vai
falar sobre julgamento em alguns
capítulos, tanto no quesito de um
julgamento moral, ah, dentro da própria
igreja, como também questões que de
cristãos indo ao tribunal.
E como era então ah essas questões de
lei, de lei criminal, de lei civil ali
para Corinto e como é que isso estava
afetando a igreja também?
>> Corinto era uma província romana, o que
significa que o o que acontecia em Roma,
na capital do Império Romano, acontecia
do mesmo jeito em Corinto. Eram as
mesmas leis, eram os mesmos valores, né?
Até o autor chama o tempo tempo todo
isso de romanitas, né? Ah, que é esse
jeito romano de viver. E Corinto tava de
cabeça nisso, né?
E uma das coisas é que, por exemplo, só
tinham acesso à à lei, aos tribunais,
aqueles cidadãos que eram realmente
cidadãos do Império Romano.
Então, se você não fosse cidadão do
Império Romano, você não teria acesso.
Lembrando que cidadania romana era um
título. Então, não adiantava nascer no
Império Romano simplesmente. Você
precisava ter um título. Era aquele
título que o apóstolo Paulo tinha por
direito de nascimento, ou seja, ele era
de uma família, de alguma forma, uma
família um tanto quanto nobre. Ah, e e
outras pessoas tinham que juntar muito
dinheiro para conseguir comprar esse
título, né? E aí tinha aquelas famílias
tradicionais
Era uma espécie de green card, é muito
parecido. É muito parecido. E aí tinha
aquelas famílias supertradicionais
romanas que também tinham direito de
nascimento, né? Tinham o título porque
eles eram os, por assim dizer, os
fundadores, né?
Ah, então, esses tinham um acesso
à questão, né, dos tribunais.
Ah,
quem era mais pobre, mesmo que fosse
cidadão romano,
não poderia processar alguém de uma
classe ah socioeconômica superior.
Então, essa era uma outra barreira.
Então, moral da história, eh escravos,
mulheres, crianças, pessoas de outras
cidades e que não tinham o título de
cidadãos romanos, esses não tinham
acesso à lei, não tinham acesso aos
tribunais.
Ah, e e o que aconteceu é que esse modo
de pensar, esse modo elitista de pensar,
e essa é uma das principais marcas do
Império Romano naquela época, esse
elitismo, esse elitismo tinha entrado na
igreja de Corinto.
O o autor, o Bruce Winter, mostra isso
muito claramente como é que a a questão
que é tratada ali no capítulo cinco, ah,
muito provavelmente
tinha a ver com a condição
socioeconômica
dos que estavam cometendo o pecado
gravíssimo ali, o o homem, o rapaz que
estava possuindo a mulher do próprio
pai, e que isso não tinha sido levado a
sério pela igreja em matéria de
disciplina eclesiástica por causa do
nível socioeconômico tanto da mulher
quanto do rapaz. Parece que a mulher nem
é parte da igreja, porque Paulo não fala
para para fazer a disciplina dela, Paulo
fala para fazer a disciplina só do
rapaz. Então parece que ela nem é parte
da igreja, parece que parte da igreja
são o rapaz e possivelmente o seu pai
que estava sendo sendo traído aí pelo
próprio filho, né?
Ah, então veja, existiam leis no Império
Romano que impediam
a até mesmo esse tipo de situação, um
homem ter relações com a mulher do
próprio pai, isso isso tinha lei
promulgada pelo imperador que proibia
esse tipo de situação.
Mas de novo, essas leis eram muito mais
para serem aplicadas
para pessoas de uma classe
socioeconômica mais baixa ou para
pessoas que não não não fossem muito
destacadas na sociedade do que entre
iguais, quando iguais faziam, quando
pessoas da alta faziam esse tipo de
situação, então o Império Romano fazia
vistas grossas e a igreja aprendeu a
fazer a mesma coisa, infelizmente. Então
é é disso que Paulo tá tratando,
provavelmente, tudo indica, esse é o
contexto do que tá acontecendo ali em 1
Coríntios capítulo 5.
>> Muito interessante, ou seja,
é essa questão desse elitismo aí estava
influenciando a maneira que as pessoas
eram julgadas, né? Da mesma forma que
era em Corinto, na cultura, a igreja
estava fazendo, quem era mais
supostamente importante ou que tinha
mais posses ou enfim,
acabava sendo mais desculpável
de seus pecados, né?
>> Exatamente isso, ainda que fossem
pecados gravíssimos.
>> Pois é, e que pecado, né?
É, agora quando a gente vê o avanço do
livro, tem um outro texto que ele é
muito interessante
até porque ele tem muito a nos ensinar,
mas ele pode ser muito mal interpretado.
E em certo momento em Coríntios Paulo
vai falar basicamente que tudo é
permitido,
mas nem tudo convém.
E essa é a expressão que especialmente
para essa epístola, onde tantas coisas
acontecem, tantas, tantos pecados,
enfim,
ela, ela é uma frase muito forte. Então,
o que é que Paulo quer dizer com isso,
né? E o porquê que ele fala isso para os
Coríntios em específico?
>> Saor, esse é um dos textos mais difíceis
da Bíblia,
porque é necessário que a gente tenha
a
a capacidade de entender
que no texto existe uma citação.
Então hoje, as traduções, as edições
mais contemporâneas, elas nos ajudam
porque elas colocam entre aspas, elas
colocam o "tudo me é permitido" entre
aspas.
E de fato é isso que está acontecendo
ali no texto. Não é Paulo quem está
ensinando "tudo me é permitido". O que
está acontecendo ali no texto é que
Paulo está citando uma posição muito
comum ali na sociedade romana que alguns
cidadãos tomavam para si essa
permissividade. Eles diziam: "Não, para
mim, como eu pertenço a essa família,
como eu pertenço a essa classe social,
como eu sou um homem, como eu sou um
cidadão romano, então para mim tudo é
permitido".
Então havia algumas pessoas da igreja
coríntia que estavam dizendo isso a
respeito de si mesmas e e dizendo:
"Olha, embora eu seja cristão, para mim
tudo é permitido".
Ah, e o apóstolo Paulo combate essa
posição, o que acontece tanto no
capítulo, no capítulo seis, quanto no
capítulo 10, quando Paulo cita esse
slogan, né?
Paulo tá combatendo
essa posição. Olha, eu já vi gente
tentando
se esforçar muito para explicar como se
fosse Paulo dizendo: "Olha, tudo me é
lícito". Gente, tá claro na Bíblia que
nem tudo é lícito. Isso é muito claro na
Bíblia. A Bíblia tem os 10 mandamentos.
Não matarás, não terás outros deuses.
Não, não, nem tudo nos é lícito.
E Paulo também não tá dizendo tudo nos é
lícito. Ele tá citando o que os
coríntios pensavam. Ele tá citando uma
coisa que era comum na sociedade
coríntia.
Além disso, Saulo, existe o fato de que
os coríntios não acreditavam na
ressurreição do corpo. Isso tá lá no
capítulo 15.
E por não crer na ressurreição do corpo,
alguns deles chegaram à conclusão: "Se
eu não vou ressuscitar, se esse corpo
aqui vai ser totalmente destruído, então
o que eu faço no meu corpo não tem
influência
ah para eternidade".
Então tudo me é lícito.
Então existem dois problemas que
culturais, dois problemas do paganismo
que estavam em operação ah para eles
chegarem nessa posição.
Um era o elitismo. Um era alguns
cidadãos têm mais direitos do que outros
e podem fazer qualquer coisa que eles
quiserem.
E o outro problema era o problema da, de
não crerem na ressurreição. Eles eram
materialistas, eles eram dualistas, eles
eram
nesse sentido influenciados pelo
neoplatonismo,
que não acreditava na ressurreição do
corpo. Acreditavam o corpo, a matéria é
totalmente má e a alma, o espírito é
totalmente bom. Então o que eu faço no
corpo não interfere na minha alma. Então
tudo me é lícito.
E Paulo vai contra esses pensamentos
pagãos que estavam circulando lá em
Corinto e que tinham tomado conta da
igreja, Paulo vai contra isso. Eu tenho
um artigo na Fides Reformata que trata
exatamente sobre isso. Então fica aí a
dica para o pessoal,
que mostra como é que existe uma uma
estrutura literária, um gênero literário
específico chamado diatribe,
que está em operação aí nesse texto e aí
quando você vê isso,
o texto se abre completamente.
>> Aliás, Paulo faz muito uso dessa dessa
figura aqui, né? Para argumentar,
apresentando qual é a visão das pessoas
e então qual é a resposta. Então se a
gente pegasse um exemplo aqui que me
veio à cabeça, né? É como se alguém
estivesse dizendo assim, né? Como se
Paulo tivesse citando a frase de alguém:
"Ah, meu corpo, minhas regras". Ah, é,
mas espera aí, universo de Deus, regras
de Deus, né? É como se ele tivesse
fazendo isso.
>> Perfeita ilustração, Saur. É exatamente
isso que Paulo está falando.
"Meu corpo, minhas regras", entre aspas,
e Paulo então vai contra isso e
apresenta a boa teologia para inocular a
má na má visão, a má ideologia que
estava ali por trás daquela daquele
ditado popular pecaminoso.
>> [música]

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