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A fé vem pelo ouvir

Como Venço Minha Ansiedade | Josemar Bessa

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#Cobiça
#Comparação
#Contentamento

Legendas automáticas:

Gratidão.
A gratidão nasce quando algo chega como
presente para nós, não como salário, não
como parcela de uma negociação, não como
pagamento por serviços prestados.
A gratidão nasce quando reconhecemos o
valor no que recebemos,
a bondade naquele que entregou.
A graça vem gratuitamente e a gratidão
responde alegremente. Ou seja, uma
oferece, a outra celebra. Uma transborda
do coração do doador, a outra ecoa no
coração de quem recebeu. Por isso, a
gratidão é uma emoção santa. Ela não
começa fazendo contas, começa admirando.
Ela não pergunta imediatamente quanto eu
devo? Ela pergunta que bondade é essa?
Ela não olha primeiro para as próprias
mãos, olha para o rosto do benfeitor.
Ela percebe que poderia ter sido
diferente. A dádiva poderia não ter
chegado, a porta poderia permanecer
fechada, a providência poderia tomar
outra forma. Entretanto, algo bom foi
concedido e o coração se inclina em
alegria.
Até quando eh eh compramos alguma coisa,
há espaço para gratidão. Pagamos pelo
produto, mas não compramos todas as
circunstâncias. Não controlamos a
qualidade final, não garantimos o
encontro correto, não determinamos a
oportunidade, não dominamos o tempo, não
produzimos toda a gentileza envolvida.
Muita coisa continua chegando como
graça. O dinheiro não explica tudo, a
habilidade não explica tudo, o
planejamento não explica tudo. A vida
está cheia de benefícios que não podem
ser reduzidos a qualquer merecimento. O
problema começa quando o coração caído
deixa de celebrar e começa a calcular.
Recebe um presente e imediatamente
imagina uma dívida. Experimenta bondade
e sente que precisa equilibrar a
balança. O prazer da graça é substituído
pelo peso da prestação. Então, a
gratidão deixa de ser festa e se torna
contrato. Deixa de ser louvor e se torna
obrigação ansiosa.
Deixa de dizer que bondade maravilhosa e
passa a dizer agora preciso compensar.
Talvez isso pareça
nobre.
Pode até usar palavras religiosas ou
espirituais. Pode falar de dever, pode
falar de sacrifício, pode falar de
dedicação, mas existe uma diferença
enorme entre responder à graça e tentar
pagá-la. A primeira postura honra o
doador. A segunda altera a natureza do
presente. Quando uma dádiva precisa ser
quitada, ela já não é dádiva. Se
transformou em crédito. O evangelho não
anuncia que Deus financiou nossa
salvação. Anuncia que Deus a concedeu em
Cristo. Não recebemos uma entrada para
depois pagar o restante.
Não recebemos perdão provisório
condicionado a prestações futuras.
Não fomos retirados do abismo para
passar a vida pagando a corda. Fomos
salvos pela graça, inteiramente,
livremente,
custosamente para Deus, gratuitamente
para nós. A gratidão bíblica olha para
essa graça e se alegra. Entra pelas
portas com ações de graças.
Bendize o nome do Senhor. Conta as suas
misericórdias, proclama que ele é bom.
Não tenta tornar-se credora de Deus. nem
imagina que pode deixar de ser devedora
por meio de desempenho religioso.
A verdadeira gratidão não deseja
encerrar a relação, deseja permanecer
perto do doador. Não quer equilibrar as
contas, quer aprofundar a comunhão.
Nunca pensa quando terminarei de pagar.
Pensa como é preciso viver cercado por
essa graça. Então, gratidão é a alegria
de receber uma bondade gratuita. Ela
adora o doador, mas nunca transforma o
presente em
cobrança de forma alguma.
Todos nós conhecemos a lógica da dívida.
Alguém faz algo por nós, sentimos que
precisamos retribuir. Recebemos um
convite, pensamos que devemos convidar
também. Recebemos ajuda, procuramos uma
oportunidade para devolver.
Na vida social, isso pode até expressar
cortesia, pode preservar amizade, pode
impedir egoísmo, mas quando essa lógica
governa a nossa relação com Deus, ela
destrói o evangelho.
A ética do devedor diz: "Deus fez muito
por mim, agora farei muito por ele."
Cristo entregou a vida, agora preciso
entregar uma quantidade equivalente.
Recebi perdão, agora devo provar que
mereci o investimento. Fui abençoado,
agora preciso compensar com serviço.
Essa linguagem parece piadosa, mas
esconde uma alteração profunda. A graça
começa a aparecer empréstimo. A
obediente a a obediência começa a
aparecer prestação. A santidade começa a
aparecer amortização da dívida. A igreja
se torna a agência de cobrança. A
consciência vira um livro caixa. Os dias
bons são parcelas pagas. Os pecados são
prestações atrasadas. A oração passa a
ser renegociação.
O ministério vira esforço para diminuir
o saldo. E o cristão vive olhando para
trás, medindo o tamanho da dívida e a
insuficiência do pagamento. É claro que
reconhecemos, jamais poderemos pagar
tudo, mas continuamos agindo como se a
sinceridade da tentativa fosse a
verdadeira base da aceitação.
Isso produz dois tipos de pessoas.
Algumas ficam orgulhosas, imaginam que
estão pagando mais que outras.
Comparam sacrifícios, contam horas,
medem ofertas, enumeram ministérios,
recordam renúncias, apresentam tudo
diante de Deus, como se ele devesse
ficar impressionado.
Outras ficam esmagadas, nunca fazem o
suficiente, nunca oram o suficiente,
nunca evangelizam o suficiente, nunca
servem o suficiente, nunca sofrem o
suficiente. A dívida cresce mais rápido
que a capacidade de pagamento. O orgulho
e o desespero são filhos da mesma
mentira.
Ambos creem que a vida cristã é uma
transação fundada em nosso retorno.
Um pensa que está conseguindo, o outro
sabe que não consegue, mas os dois ainda
estão no banco errado. A cruz não é uma
instituição de crédito, é o lugar onde a
dívida foi cancelada. Cristo não nos deu
uma oportunidade de pagar melhor. Pagou
aquilo que jamais poderíamos pagar.
Ele não reduziu os juros, rasgou o
escrito da dívida, não ofereceu um plano
mais acessível de pagamento, cravou
nossa condenação no madeiro. A justiça
de Deus não recebeu uma tentativa,
recebeu satisfação completa. A culpa não
foi adiada, foi carregada em seus
ombros. A sentença não ficou pendente,
foi executada no substituto. Por isso, a
obediência cristã não pode ser a moeda
com que compramos retroativamente a
cruz,
nem o meio pelo qual mantemos Cristo
favorável a nós. Obedecemos porque fomos
unidos a ele. Servimos porque recebemos
vida, amamos porque ele nos amou
primeiro. Mas nem mesmo essa linguagem
deve ser transformada em cobrança.
Amor de Cristo não nos encurrala numa
obrigação comercial, nos constrange como
beleza,
nos atrai como graça, nos liberta como
verdade. A ética do devedor pergunta: "O
que posso fazer para equilibrar?" O
evangelho pergunta: "Como viverei agora
que a conta foi encerrada em Cristo?"
Não vivemos tentando compensar o
Calvário. Vivemos a partir do Calvário.
Não trabalhamos para tornar a graça
verdadeira. Trabalhamos porque ela já
triunfou. Não procuramos pagar a casa da
salvação. Moramos nela como filhos.
Comemos a mesa como convidados. Ouvimos
a voz do Pai. Recebemos novas
misericórdias a cada manhã. E cada dia
confirma que a casa continua sendo
presente, sendo dádiva, sendo graça.
Quando a obediência vira prestação, a
graça vira hipoteca. Mas na cruz Cristo
não refinanciou nossa dívida. Ele apagou
totalmente, apagou por inteiro.
E há frases religiosas que parecem
impossíveis de questionar.
Isso é um perigo, né? Uma delas diz:
"Deus fez tudo por você. Agora o que
você fará por Deus?" A primeira vista,
isso parece um chamado poderoso. Pode
despertar sacrifício, pode produzir
lágrimas, pode levar pessoas ao campo
missionário, pode convencer alguém a
servir, pode realmente mobilizar
recursos. Entretanto, uma motivação pode
produzir atividade, ainda assim adoecer
a alma. A pergunta pode conduzir a uma
lógica de compensação. Ele deu, agora
você deve dar. Ele sofreu, agora você
deve sofrer. Ele trabalhou, agora você
precisa mostrar esforço equivalente.
É possível falar da cruz e ao mesmo
tempo usar a cruz para aumentar o
legalismo. É possível exaltar o
sacrifício de Cristo como argumento para
tornar o cristão um devedor angustiado.
É possível pregar graça na entrada e
dívida. No restante da jornada, dizemos:
"Olha, você foi salvo gratuitamente, mas
agora precisa sustentar essa salvação
com uma vida de pagamentos morais".
Não usamos essas palavras, é óbvio, não
é? Mas a consciência entende a mensagem,
ela começa a servir com medo. Se eu
diminuir o ritmo, Deus se decepcionará.
Se eu falhar, Cristo lamentará o
investimento. Se eu descansar, estarei
sendo ingrato. Se eu não fizer algo
extraordinário, terei desperdiçado a
cruz. O resultado é uma espiritualidade
que não sabe receber, ela sempre precisa
produzir. Não sabe descansar, sempre
precisa justificar. Não sabe se alegrar,
sempre precisa demonstrar. não sabe ser
criança, sempre precisa apresentar
relatório. Mas Jesus não comprou
empregados endividados. Comprou um povo,
adotou filhos, formou irmãos, preparou
uma noiva, concedeu o espírito, ele
prometeu permanecer. A pergunta bíblia
bíblica não é apenas o que você fará por
ele, é também o que ele continuará
fazendo em você. Quem supre a força de
amanhã? Quem produz o querer? Quem
realiza o efetuar? Quem sustenta a fé?
Quem completa a obra iniciada? Quem
intercede quando nós fraquejamos? Quem
concede dons? Quem faz frutificar? Quem
preserva até o fim? O mesmo Cristo que
morreu no passado vive no presente. O
mesmo Pai que entregou o filho não
encerrou sua generosidade no Calvário.
O mesmo Espírito Santo que regenerou
continua santificando.
A cruz não é a última graça recebida, é
a garantia de todas as graças que vão
nos levar até o propósito final de Deus
e por toda a eternidade.
Aquele que não poupou o próprio filho,
não se tornou mesquinho depois da
ressurreição. Com ele concederá tudo o
que for necessário para nos conduzir à
glória. Por isso, a obediência não nasce
de uma tentativa de devolver o passado,
nasce da confiança
no futuro, em toda a caminhada que está
pela frente. Não dizemos apenas ele foi
fiel, dizemos ele será fiel.
Não proclamamos apenas ele me ajudou,
proclamamos Ele me ajudará. Não
recordamos apenas sua graça me alcançou.
Esperamos sua graça me sustentará.
Então, a memória da cruz não deve eh nos
transformar em devedores, deve nos
transformar em confiantes.
O passado prova o caráter de Deus e essa
prova fortalece a fé para a próxima
obediência. Portanto, quando ouvimos a
pergunta: "O que você fará por Deus?"
Precisamos responder com humildade. Nada
farei independentemente dele, realizando
em mim. Tudo que fizer será pela graça
que ele ainda concederá. Servirei, mas
ele fornecerá força.
Obedecerei, mas ele sustentará a fé.
Arriscarei, mas ele será o meu futuro.
Morrerei para mim mesmo, mas a vida de
Cristo operará em mim. A glória não será
da minha retribuição, será da graça que
iniciou, continuou e completou tudo e
completará até o fim. Então, a cruz não
pergunta quanto devolveremos. Ela
garante que a graça que nos salvou
continuará fornecendo tudo para nossa
obediência, perseverança,
até o cumprimento de todo propósito de
Deus.
Pense, pense em Israel. Israel viu
sinais, viu o Egito ferido, viu o mar
abrir, viu o inimigo afundar, viu a água
sair da rocha, viu o pão cair do céu,
viu a nuvem conduzi-los,
viu o fogo iluminar a noite, recebeu
provas incontáveis da bondade passada de
Deus. Mesmo assim se rebelou. Como
explicar essa
contradição? Poderíamos dizer, faltou
gratidão e certamente faltou. Corações
agradecidos não murmuram facilmente. A
lembrança da bondade poderia ter
protegido o povo. Entretanto, quando a
escritura
diagnostica o problema, ela enfatiza
outra coisa. Eles não creram,
não confiaram no poder salvador de Deus.
Viram a graça de ontem, mas não
descansaram na graça de amanhã.
O deserto parecia
novo demais. A fome parecia maior que os
sinais anteriores.
A sede parecia urgente demais. O inimigo
parecia forte demais. A promessa parecia
distante demais. E o coração concluiu:
Deus nos ajudou antes, mas talvez não
ajude agora. Ele abriu o mar, mas talvez
não prepare a mesa. Ele venceu o faraó,
mas talvez seja derrotado pela falta de
água. Ele nos tirou da escravidão, mas
talvez não consiga nos conduzir até a
terra. Essa é a natureza da
incredulidade.
Ela não precisa negar todo o passado,
precisa apenas duvidar do futuro.
Quantos cristãos estão agindo assim, não
é? Deus começou, mas Deus não pode
terminar. Deus me deu uma paz, mas e a
paz para amanhã? pode eh contar sobre a
redenção antiga e tremer diante da
necessidade presente. Pode celebrar
testemunhos e desconfiar da próxima
providência. Pode agradecer pela
conversão e viver como se a santificação
dependesse inteiramente da força humana.
Pode louvar a cruz no domingo e temer a
segunda-feira como se Cristo não tivesse
ressuscitado, estivesse lá na cruz.
A gratidão olha para trás, isso é
precioso, mas a obediência acontece
adiante. O próximo passo ainda não foi
dado. A próxima tentação ainda não
chegou. A próxima conversa ainda não
aconteceu. A próxima perda ainda não foi
enfrentada. A próxima decisão ainda está
lá no futuro. Por isso, precisamos
apenas lembrar a graça passada, mas
confiar na graça de amanhã, na graça de
hoje. Moisés não diz apenas: "Vocês
esqueceram o que Deus fez". Ele diz:
"Vocês não creram no Senhor." O salmista
não explica rebelião somente como
ingratidão. Afirma que não confiaram no
poder salvador de Deus, como se Deus
pudesse começar a salvá-los, mas não
terminar.
Ausência decisiva foi de fé. A graça
passada deveria ter produzido confiança
futura. O mar aberto deveria dizer:
"Nenhuma necessidade excederá seu
poder". O maná deveria dizer: "O pão de
amanhã não depende do estoque de hoje. A
rocha deveria dizer: Deus pode criar
provisão onde nossos olhos vêm
impossibilidade. Saiu água da rocha. A
nuvem sobre eles deveria dizer: Mesmo
quando não conhecemos o caminho, o guia
conhece.
A gratidão madura não fica parada no
monumento. Transforma a memória em
confiança hoje, em confiança agora, em
confiança para amanhã. Ela olha para o
passado e diz a fé: "Veja como ele foi
fiel agora. Caminhe. Veja como ele
sustentou agora. Obedeça. Veja como ele
libertou. Agora não volte ao Egito. Veja
como ele perdoou. Agora se aproxime
novamente. Veja como ele carregou. Agora
entregue o peso de amanhã a ele. O
cristão não vive apenas de recordações
espirituais, vive de promessas.
Não se alimenta somente do que Deus já
fez, se alimenta do que Deus prometeu
fazer.
A fidelidade antiga é o fundamento da
esperança presente. E a esperança
presente é o poder da obediência futura.
Israel não caiu apenas porque esqueceu
de agradecer, mas porque a graça de
ontem não se transformou em fé. no Deus
que ia prover o amanhã deles.
A Bíblia, né, a escritura frequentemente
liga a obediência ao temor do Senhor.
Temer a Deus não é viver imaginando que
ele deseja destruir seus filhos. Não é
fugir de sua presença como Adão entre as
árvores. Não é servir como escravo que
espera um golpe imprevisível. O temor
santo nasce diante da grandeza de Deus.
Sua santidade nos humilha. Seu poder nos
faz tremer. Sua autoridade encerra
discussões. Sua justiça expõe a
gravidade do nosso pecado. Sua majestade
impede uma familiaridade irreverente.
Mas existe algo ainda mais profundo.
Temer ao Senhor é perceber que
desconfiar dele é uma ofensa terrível.
Depois de tudo que revelou como tratar
sua palavra como incerta,
depois de tudo que ele realizou como
agir como se não pudesse sustentar agora
o que ele começou. Depois de entregar um
filho, como imaginar que ele abandonará
seus filhos antes de estarem
glorificados.
O temor e a fé não são inimigos, crescem
juntos. Israel viu o poder no mar, temeu
ao Senhor e creu nele. O salmista
contempla a libertação. Muitos vêm,
temem e colocam sua confiança no Senhor.
Então, temor sem fé produz servidão. A
fé sem temor pode degenerar em
presunção, mas o temor unido à fé forma
obediência reverente.
O coração diz: "Ele é grande demais para
ser tratado com descuido e bom demais
para ser tratado com suspeita. Ele é
santo demais para que eu brinque com sua
palavra e fiel demais para que eu duvide
de sua promessa. Temer ao Senhor
significa recusar a arrogância de fazer
da nossa percepção limitada o tribunal
do caráter divino.
Não vemos o futuro, ele vê, ele está,
não é? Não conhecemos todos os efeitos,
ele conhece. Não compreendemos todas as
dores, ele compreende. Não sabemos como
cada fio será tecido. Ele já contempla o
desenho completo. O temor nos faz baixar
a voz. A fé nos faz levantar os olhos. O
temor diz: "Não acusarei o Altíssimo". E
a fé diz: "Confiarei no Pai". O temor
diz: "Não chamarei sua sabedoria de
erro". E a fé diz: "Esperarei por sua
graça". O temor diz: "Não exigirei
controle". A fé diz: "Descansarei em seu
governo". Assim a obediência deixa de
ser pagamento, se torna confiança
reverente. Não fazemos o que Deus ordena
para compensá-lo. Fazemos porque sua
palavra é vida. Não renunciamos ao
pecado para diminuir uma dívida. A
dívida acabou. Renunciamos porque
acreditamos que seus caminhos são
melhores.
Não enfrentamos riscos para mostrar
gratidão suficiente. Enfrentamos porque
cremos que sua graça estará no caminho.
A mulher que teme ao Senhor não precisa
conhecer todo o futuro,
precisa conhecer o caráter daquele que
já está no futuro. O homem que teme ao
Senhor não precisa sentir força
suficiente. Precisa confiar no Deus que
prometeu aperfeiçoar poder na fraqueza.
A igreja que teme ao Senhor não manipula
resultados, prega a palavra, ora, serve,
sofre, espera, porque sabe que o
crescimento pertence a Deus. A
reverência, [roncando] a reverência
verdadeira não nos paralisa, nos liberta
da necessidade de controlar o que
somente Deus governa.
O temor do Senhor é a morte da
autossuficiência.
E a fé em sua graça
do início ao fim é o nascimento da
coragem. Então, temer ao Senhor é tremer
diante da gravidade
de desconfiar daquele cuja santidade
exige reverência e cuja fidelidade
convida a uma confiança eh sem limites.
A Bíblia fala de votos. Ah, pessoas em
aflição prometiam determinadas ações ao
Senhor. Depois da libertação, deveriam
cumprir o que prometeram. A primeira
vista, isso parece confirmar a ética do
devedor. Deus ajudou, agora o homem
paga. O Senhor libertou, agora o
adorador devolve. Mas os salmos mostram
uma lógica completamente diferente. O
salmista pergunta: "Que darei ao Senhor
por todos os benefícios recebidos?
Esperamos uma lista de pagamentos.
Esperaríamos um sacrifício equivalente?
Esperaríamos
algum esforço capaz de equilibrar a
bondade divina? Entretanto, a resposta é
surpreendente.
Tomarei o cálice da salvação. Invocarei
o nome do Senhor.
Pagarei meus votos. Como ele retribuirá?
Recebemos novamente.
Como honrará a graça passada? Confiando
na graça para amanhã, para depois de
amanhã e para sempre. Como responderá o
Deus que ouviu? Chamando outra vez. Como
reconhecerá o libertador? recorrendo
novamente à sua libertação. O pagamento
do voto não reduz a dependência, a
profunda dependência, não demonstra que
o homem agora possui recursos próprios.
Proclama que continua necessitado. Ele
levanta o cálice, o cálice da salvação,
mas o cálice ainda está cheio pela
salvação de Deus.
Ele chama, mas o chamado ainda reconhece
que a resposta vem do Senhor. Ele adora,
mas a própria adoração é sustentada por
graça. Isso preserva o presente como
presente. Deus não precisa de touros,
não precisa de prata, não precisa de
alimento, não precisa da força humana.
Se tivesse fome, ele diz, não nos
pediria pão. O mundo e sua plenitude são
dele. Nossos supostos pagamentos já lhe
pertencem. Tudo pertence a ele. Nosso
fôlego é dele. Nosso tempo é dele.
Nossos dons são dele. Nossas
oportunidades são dele. Nossa capacidade
de obedecer vem dele. Que poderíamos
entregar que não tivéssemos recebido
primeiro?
Por isso, o culto aceitável não é uma
contribuição para completar Deus. O
culto aceitável é uma confissão de que
ele nos completa. O sacrifício de ações
de graças não alimenta o Altíssimo,
glorifica a sua abundância. O voto
cumprido não encerra a necessidade,
mostra que continuaremos invocando.
A resposta correta à graça não é
independência religiosa, é dependência
jubilosa.
A criança não honra o pai tentando
provar que não precisa mais dele.
Honra ao confiar nele. O paciente não
honra o médico rejeitando o remédio
depois da primeira melhora. Honra ao
seguir recebendo o tratamento. A ovelha
não honra o pastor tentando encontrar
pastos sozinha. Honra ao seguir sua voz
para mais pastos. Assim também não
honramos a graça dizendo que agora
assumiremos o restante. Honramos
dizendo: "Sustenta-me novamente,
perdoa-me novamente, guia-me novamente,
fortaleça-me novamente, guarda-me
novamente, usa-me novamente."
Então, recebe a glória novamente,
Senhor. Só tu. Quando a gratidão olha
para trás, ela vê um rio de
misericórdias. Então, diz pra fé: "Beba
novamente, o rio não secou".
A fonte não diminuiu. O Deus que deu
continuará sendo o Deus que dá e
continuará dando em eh abundância.
Quando a gente olha pro livro de
Hebreus, por exemplo, Hebreus 11,
Hebreus 11 apresenta uma longa
procissão. Homens e mulheres caminham
por estradas diferentes, constróem,
partem, esperam, renunciam,
enfrentam reis, atravessam mar e sofrem
perdas, recebem mortos de volta,
permanecem fiéis diante da espada, do
assassinato. O refrão é repetido pela
fé. Noé construiu pela fé. Abraão
obedeceu pela fé. Moisés deixou o Egito
pela fé. Reinos foram vencidos pela fé.
A justiça foi praticada pela fé.
Promessas foram alcançadas pela fé. Não
lemos pela gratidão. Abraão saiu sem
saber para onde ia. Nem pela gratidão
Moisés preferiu os maus tratos aos
prazeres temporários do pecado. Isso não
diminui a gratidão. Coloca cada graça em
seu lugar. A gratidão celebra o que Deus
fez. A fé se apoia no que Deus fará.
A obediência precisa olhar adiante. Noé
não conhecia a chuva, mas confiou na
palavra futura. Abraão não conhecia a
terra, mas confiou na promessa futura.
Moisés não conhecia cada etapa do
deserto, mas considerou a recompensa
futura. Os mártires não viam o
livramento imediato, viam a morte, mas
esperavam uma ressurreição superior.
Então, a fé não é otimismo humano, não é
pensamento positivo, não é confiança na
própria capacidade.
A fé é dependência de uma promessa
divina pro futuro. Ela olha para uma
palavra pronunciada por um Deus fiel e
age como se essa palavra fosse mais real
que o perigo visível. Por isso, a fé
produz obediência arriscada.
Ela não elimina o custo, mostra que a
graça será maior que o custo. Ela não
nega o deserto, afirma que o pão virá.
Não ignora o inimigo, confessa que Deus
estará presente.
Não chama a fraqueza de força. Espera
poder que não nasce
da fraqueza. A vida cristã é chamada de
caminhada pela fé, obra da fé, combate
da fé, vida pela fé, amor que opera pela
fé. Isso significa que cada dever
cristão precisa de uma promessa.
Para perdoar, precisamos confiar que
Deus fará justiça. Para dar
generosamente, precisamos confiar que
ele suprirá.
Para falar a verdade, precisamos confiar
que sua aprovação basta, mesmo que o
mundo nos rejeite. Para permanecer
castos, precisamos confiar que sua
presença satisfaz.
Para servir sem reconhecimento,
precisamos confiar que ele vê em
secreto. Para sofrer sem abandonar
Cristo, precisamos confiar na glória
futura.
Para morrer, precisamos confiar na
ressurreição.
A gratidão pode lembrar que Deus já
sustentou outros santos.
Isso fortalecerá a fé. Mas é a fé que
pisa no chão desconhecido. É a fé que
está sempre pisando no futuro, que abre
mão da falsa segurança. É a fé que
arrisca a reputação. É a fé que continua
quando os sentimentos diminuem. É a fé
que diz: "A graça estará lá quando eu
chegar".
Por isso, a obediência não é uma
tentativa de devolver benefícios, é uma
forma de receber
poder pela graça soberana de Deus. O
cristão não avança dizendo: "Preciso
mostrar que sou grato". avança dizendo:
"Meu Deus prometeu estar comigo."
Ele não enfrenta a missão como quem paga
uma conta, entra nela como quem recebe
sustento contínuo. Não se sacrifica para
completar a cruz, se sacrifica porque a
cruz garante que nenhuma perda será
definitiva na nossa vida.
A fé e eh torna a obediência livre,
livre de comércio com Deus. Livre de
necessidade de provar valor, livre de
dependência do resultado, livre para
amar, livre para sofrer, livre para
arriscar, livre para esperar.
Então, a obediência que atravessa mares,
enfrenta perdas e busca primeiro o reino
de Deus não é movida por prestações de
gratidão, mas pela certeza de que a
graça estará a cada passo, a cada
próximo passo.
Pense,
pense numa casa firme, ampla, segura,
construída para permanecer. Suas paredes
não apodrecem, seu teto não cede, sua
mesa nunca fica vazia, suas janelas se
abrem para paisagem eh paisagens de de
glória. Deus construiu uma essa casa e
ele construiu essa casa com um custo
incalculável. O filho se entregou, o
sangue foi derramado, a justiça foi
satisfeita, a morte foi vencida, a porta
foi aberta. Então Deus entrega a casa,
não aluga, não financia, não oferece um
período de teste gratuito, entrega como
herança em Cristo.
Os termos da nova aliança dizem:
"Receba, habite, se alegre no Pai e no
Filho, não introduza outros deuses, não
abandone a fonte em busca de cisternas
rachadas, rotas. Não transforme a mesa
num balcão de negócios. Seria absurdo
receber essa casa e contratar um
advogado para preparar prestações
mensais.
Quanto devo pela parede? Quanto custa a
mesa? Qual é o preço da janela? Em
quantos anos quitarei o teto? A
tentativa de pagar seria uma ofensa ao
presente. Não porque a casa não tenha
valor, ela tem um valor infinito, mas
porque seu valor é alto demais para ser
adquirido por nós. A única forma correta
de honrá-la é recebê-la como graça,
morar nela, cuidar dela, celebrar o
construtor, o doador, confiar que
continuará pertencendo aos que estão em
Cristo.
A salvação é essa casa. O perdão é uma
sala, a adoção é outra. A justificação
sustenta as paredes. A união com Cristo
é o fundamento. O espírito habita nela.
A esperança abre as janelas. A
ressurreição é o horizonte que vemos
olhando pra frente. Quando transformamos
a obediência em pagamento, instalamos um
banco dentro da casa. Começamos a olhar
para o Pai como um credor, para Cristo
como um cobrador, para a consciência
como um contador, para os mandamentos
como boletos. Então, perdemos a alegria
de habitar na casa. Não descansamos o
quarto, não comemos a mesa, não
conversamos com o Pai, passamos os dias
calculando. Mas a nova aliança não é
assim. Deus promete escrever a lei no
coração, promete perdoar a iniquidade,
promete ser nosso Deus, promete que
seremos seu povo, promete conceder o
espírito, promete produzir perseverança.
O mesmo pacto que exige fidelidade
concede o poder para a fidelidade.
A obediência é a vida dentro da casa,
não pagamento pela casa. É o filho
honrando a mesa. Não é um inquilino
tentando evitar um despejo. É o coração
renovado respondendo à presença contínua
do Pai. Não a criatura construindo
segurança própria.
Isso
não torna os mandamentos opcionais,
os torna paternos.
Não diminui a santidade, muda a sua
fonte. Não produz passividade, produz
liberdade. Aquele que sabe que a casa é
presente, pode trabalhar nela com
alegria, pode reparar o que quebrou,
pode acolher outros, pode limpar a mesa,
pode servir os irmãos, pode abrir as
portas, mas não faz isso para comprar o
imóvel. Faz porque pertence à família.
Cristãos exaustos precisam ouvir. Você
não está pagando a salvação. Você está
vivendo nela. A salvação é é a casa. Sua
oração não é parcela, é conversa de
filho com o pai. Sua oferta não é
parcela, é generosidade de quem recebeu
herança sem fim. Seu serviço não é
parcela, é participação na obra do Pai.
Sua perseverança não é parcela. É graça
sustentando graça.
Seu arrependimento não é parcela, é
voltar sempre para casa. Então a
salvação não é uma casa financiada por
Cristo e quitada por nós. É uma herança
recebida, habitada e desfrutada
pela fé.
Então, gratidão e fé não competem. Não
precisamos diminuir uma para exaltar a
outra. Ambas são obras do Espírito.
Ambas glorificam Deus. Ambas alegram o
coração, ambas resistem ao pecado, mas
elas olham para direções diferentes. A
gratidão olha para trás, vê benefícios
recebidos, recorda livramentos, nomeia
misericórdias, repassa providências,
celebra respostas,
adora diante do que já aconteceu. A fé,
olha pra frente, vê promessas, espera
auxílio, se apoia no caráter de Deus,
enfrenta o desconhecido, recebe o amanhã
antes de vê-lo.
A gratidão diz: "Ele foi fiel". A fé
responde: "Ele será fiel". A gratidão
diz: "Ele me perdoou". A fé responde:
"Sua graça me sustentará na próxima
batalha".
A gratidão diz: "Ele abriu uma porta. da
fé responde: "Se a próxima permanecer
fechada, sua sabedoria continuará boa".
A gratidão diz: "Ele me carregou ontem"
e a fé responde: "Sua mão não estará
mais fraca amanhã".
Quando funcionam corretamente, essas
duas alegrias se alimentam. A gratidão
fortalece a fé. Ela traz provas do
caráter de Deus. abre o arquivo das
misericórdias, mostra que nenhuma
promessa nasceu de um coração
instável.
Ela diz pra fé: "Não duvide. Você
conhece aquele que prometeu". A fé
também fortalece a gratidão. Ela confia
que Deus transformará até as dores
passadas em instrumentos de bem futuro.
Por isso, consegue agradecer mesmo por
caminhos ainda não compreendidos.
Não chama o mal de bem, não celebra o
pecado, não romantiza a tragédia, mas
crê que a providência não desperdiçará
nenhum sofrimento.
Que é sofrimento?
Então, olha para trás sem amargura
definitiva. A fé diz para a gratidão:
Espere,
a história ainda não terminou. O que
hoje parece fragmentado será colocado
sobre a luz da glória. A gratidão impede
que a fé se torne especulação vazia e a
fé impede que a gratidão se tornealgia
impotente.
Uma recorda ações concretas e a outra
recebe promessas concretas. Uma celebra
a graça no passado, a graça passada. A
outra se se apropria da graça que vai
vir, que está diante ainda. O problema
ocorre quando obrigamos a gratidão a
carregar a responsabilidade do amanhã.
Ela tenta, recorda tudo que Deus fez,
apela à vontade, exige uma resposta
equivalente, então surge a ética do
devedor.
Mas a a gratidão precisa dizer: "Eu
testemunharei sobre ontem. A fé
responderá por amanhã. A gratidão
prepara o alimento. A fé caminha
fortalecida.
A gratidão canta, a fé dá o passo, o
próximo passo. A gratidão adora, a fé
obedece.
E ambas se encontram em Cristo. Na cruz
recordamos a maior graça passada na
ressurreição. Recebemos a garantia do
futuro sem fim. O Cristo que morreu é o
Cristo que vive. O cordeiro sacrificado
é o sumo sacerdote que está intercedendo
agora por nós e intercederá amanhã. É
graça
no futuro. Aquele que nos reconciliou é
aquele que nos preservará.
Por isso, a seia cristã olha para trás e
paraa frente.
Anuncia a morte do Senhor até que ele
venha. Gratidão pela cruz, fé na vinda.
Memória da graça, esperança da glória.
Então, a gratidão glorifica a graça que
chegou, a fé glorifica a graça que virá.
E ambas se encontram no Cristo que
morreu e ressuscitou.
A ansiedade, ela pode acompanhar alguém
por muitos anos. pode aparecer na
infância, no corpo que treme, na voz que
falha, na noite sem sono, na antecipação
de uma conversa, no medo de de
exposição, na vergonha de não conseguir
fazer o que os outros realizam
facilmente.
Existem temperamentos mais sensíveis,
existem histórias marcadas por traumas,
existem corpos que reagem intensamente,
existem enfermidades que precisam ser eh
precisam de cuidado. A Bíblia não nos
autoriza a tratar tudo de maneira
superficial, né, toda ansiedade, nem
acusar pessoas aflitas como se bastasse
mandar parar. Entretanto,
Jesus nos conduz à raiz espiritual
quando pergunta: "Por que vocês estão
ansiosos?" Ele aponta para a pequena fé.
A ansiedade é mais que uma emoção
desconfortável, um desequilíbrio.
É um campo de batalha.
Nele, o coração decide se o futuro está
nas mãos do Pai ou entregue ao caos.
A ansiedade diz: "Talvez ele não cuide,
talvez não chegue a tempo, talvez a
provisão fale, talvez a força termine,
talvez eu seja abandonado, talvez o
amanhã exija algo que Deus não
fornecerá".
Por isso, ansiedade pode gerar tantos
outros pecados. É um pecado que gera
pecados. Ansiedade financeira pode
produzir avareza. Ansiedade profissional
pode produzir ansiedade relacional pode
produzir
desejo de controle.
Ansiedade sobre reputação pode produzir
mentira, porque eu quero preservar um
nome. Ansiedade sobre o futuro dos
filhos pode produzir manipulação.
Ansiedade sobre o corpo pode produzir
idolatria da saúde.
Ansiedade sobre o ministério pode
produzir pragmatismo.
A inquietação é uma raiz que alimenta
muitos galhos. Se recebermos apenas
técnicas de alívio do humanismo secular,
podemos podar folhas, mas nunca vamos
atingir a incredulidade.
Precisamos de respiração, precisamos de
descanso, precisamos de ajuda
quando necessário, precisamos de irmãos,
precisamos organizar a vida, mas acima
de tudo precisamos conhecer o Pai. A
cura bíblica não consiste em desprezar
os meios humanos, consiste em levar
todos os meios para debaixo da promessa
divina. A a ansiedade ela pergunta: "E
se?" A fé responde: Mesmo se. E se a
porta fechar? Mesmo se fechar, meu Pai
continuará governando. E se a doença
vier, mesmo se vier, Cristo permanecerá
comigo. E se eu falhar, mesmo se falhar,
minha justificação não cairá. E se
perder, mesmo se perder, não perderei
aquele que é a minha herança. E se
morrer, mesmo se morrer, ressuscitarei.
Descobrir que a ansiedade envolve
incredulidade pode pra nossa geração
agora, né, que colocou isso como eh
quase como uma gripe, pode parecer uma
notícia pesada,
mas é esperança. Se o problema fosse
apenas uma circunstância impossível, não
haveria cura até a circunstância mudar.
Mas há circunstâncias que nunca mudam.
Por exemplo, nós somos mortais e nada
vai mudar essa circunstância. Se o
problema fosse apenas uma personalidade
defeituosa, estaríamos presos em nós
mesmos.
O que poderíamos fazer? Mas se a raiz
envolve confiança, podemos lutar pela
fé. Podemos levar o coração às
promessas. Podemos pedir: "Eu creio,
ajuda minha incredulidade". Podemos
tratar a ansiedade não como identidade,
eu sou ansioso, mas como ataque. Não
somos a ansiedade, somos filhos em
combate.
O medo chega, mas não recebe o trono. A
inquietação fala, mas a palavra pode
responder.
O corpo treme, mas a alma pode agarrar a
promessa. A fé não é ausência inicial de
medo, é a reação do coração quando o
medo chega.
A ansiedade não define o crente, ela
revela o lugar onde a fé precisa agarrar
novamente a graça do Pai pro amanhã, pro
futuro, para sempre. Então o salmo não
diz nunca temerei diz: "Quando eu temer
confiarei em ti." Essa pequena palavra é
misericordiosa. Quando o medo pode
chegar, a ansiedade pode tocar a porta.
Pedro disse: "Lançai sobre Deus a
ansiedade". Tá vendo? Há algo a ser
lançado, porque a ansiedade chega.
Então, a ansiedade pode tocar a porta, a
visão pode ficar embaçada, o coração
pode acelerar, a mente pode repetir
cenários.
A fé verdadeira não é provada pela
ausência absoluta dessas experiências. A
fé é provada pelo combate que começa
depois.
Imagine uma corrida,
o inimigo lança a lama no para-brisa,
né? Por alguns instantes, o motorista
perde a visão, o carro balança, você não
está enxergando, eh, a direção parece
incerta. Isso não prova que ele
abandonou a pista, prova que foi
atacado. A questão decisiva é, ele vai
ligar os limpadores,
tá andando de carro, começou a chover
forte, de repente, vai ligar os
limpadores, buscará novamente a estrada.
Assim ocorre com ansiedade. Ela lança
lama sobre as promessas.
Por alguns momentos não vemos o futuro
preparado por Deus. Vemos apenas
ameaças, trovões. Não percebemos o
cuidado. Percebemos apenas a
necessidade.
Não contemplamos o Pai. Contemplamos
apenas a possibilidade de perda. Isso
não significa automaticamente que não
existe fé. pode significar que a fé está
sob ataque.
A segurança da salvação não depende de
jamais sentir medo, depende de Cristo,
não depende de uma mente sempre calma,
depende do sumo sacerdote que intercede
por nós. Não depende de uma experiência
emocional perfeita, depende da promessa
daquele que começou a boa obra.
Entretanto,
não usamos essa segurança para fazer paz
com a incredulidade.
O fato de o carro ainda estar na pista
não significa que podemos ignorar a lama
que foi lançada no para-brisa. Lutamos
não para conquistar filiação, mas porque
somos filhos. Não para produzir
segurança por desempenho, mas porque a
segurança em Cristo nos permite
enfrentar o pecado honestamente.
Então, ligar os limpadores significa
recordar promessas. Usar a água
significa pedir o auxílio do Espírito
Santo. Significa abrir a Bíblia mesmo
quando a mente está agitada.
Repetir uma palavra até que ela
atravesse o ruído.
Orar com frases curtas. Buscar um irmão,
confessar o medo, recusar o isolamento,
cumprir o dever de hoje sem tentar viar
viver o mês inteiro num dia só ou de uma
vez só. A fé pode começar pequena, pode
parecer apenas um sussurro. Pai, estou
com medo, mas ainda és meu pai. Não vejo
o caminho, mas tu o vês. Não sinto
força, mas prometeste sustentar. Não
consigo imaginar a solução, mas não
preciso imaginar aquilo que tua
sabedoria já conhece.
O crente ansioso pode pensar: "Minha
luta prova que não sou de Deus". Mas a
própria luta pode ser evidência de vida.
O morto não combate, ele é ansioso.
O indiferente não clama, o apóstata não
liga os limpadores. O filho ataca
aquilo. O filho atacado grita pelo pai.
Talvez a vitória não seja instantânea. A
estrada pode continuar difícil, a
ansiedade pode retornar amanhã, mas cada
vez que o coração
eh que isso acontece, o coração volta à
promessa. A fé está sendo exercitada.
Então, não despreze as pequenas
vitórias. Uma noite atravessada sem
desistir, uma conversa enfrentada com
oração, uma decisão tomada sem controle
completo, uma notícia recebida sem
abandonar Deus, um dever cumprido,
apesar do tremor, a graça trabalha
nessas pequenas fidelidades.
O objetivo não é nos tornar pessoas que
nunca precisam confiar, é nos tornar
pessoas que confiam repetidamente,
confiam todo dia de novo, de novo e de
novo. A fé não é uma estrada sem lama, é
o coração que quando perde a visão volta
às promessas e continua na pista pela
graça que começou a boa obra.
Então, a luta contra ansiedade não é
vencida por força mental isolada. Não
basta repetir, vai dar tudo certo.
Talvez não dê do modo que desejamos. Não
basta dizer sou forte. Talvez a gente
descubra que a gente é fraco. Fraqueza
real. Não basta imaginar resultados
positivos.
A fé não descansa na nossa capacidade de
imaginação, na nossa capacidade de
imaginar. Descansa na palavra de Deus.
Existem
dois grandes instrumentos na formação da
confiança, a verdade e o espírito. A
palavra apresenta promessas, o espírito
abre o coração. A palavra mostra o
caráter do pai, o espírito torna essa
verdade viva. A palavra corrige
mentiras, o espírito inclina a vontade.
A palavra coloca Cristo diante dos
olhos. O espírito faz a alma
contemplá-lo. Sem a palavra, a nossa
espiritualidade fica sem conteúdo. Sem o
espírito, a palavra pode permanecer
apenas como informação teológica.
Os limpadores precisam de água. A água
precisa dos limpadores. A promessa
precisa ser conhecida.
Temos que conhecer a palavra e o coração
precisa ser amolecido. Por isso, lutamos
lendo e orando, meditando e pedindo,
recordando e dependendo. Não manipulamos
o espírito, não produzimos a sua
atuação, não produzimos a atuação do
espírito, mas nos colocamos humildemente
nos caminhos que ele prometeu usar.
Abrimos a escritura, escutamos a
pregação, participamos da comunhão,
recebemos a ceia, cantamos a verdade,
confessamos uns aos outros, clamamos por
auxílio.
Ã, a ansiedade fala rapidamente, as
promessas precisam ser guardadas antes.
Um soldado não começa a procurar a
espada quando a batalha já cercou a casa
dele ou a tropa dele. Ele aprende a
manejá-la. Ele sempre mantém a espada
perto, conhece seu peso. Assim também
precisamos armazenar a palavra de Deus.
Não apenas textos gerais, promessas
específicas para fraqueza, para solidão,
para provisão, para perseguição, para
decisões, para velice, para morte. Essas
promessas precisam estar em nossos
corações
para perseverança. A promessa não é um
amuleto, não funciona por repetição
mecânica. A palavra, ela é a palavra do
Deus vivo. Sua força está no caráter
dele ou daquele que prometeu. Quando
dizemos: "Não temas, porque eu sou
contigo", não estamos usando uma
fórmula. Estamos ouvindo uma pessoa.
Eu sou contigo. O centro da promessa não
é ausência de dificuldade, é a presença
de Deus. Eu te fortaleço. Não significa
que já somos fortes. Significa que ele
fornecerá a força adequada. Eu te
fortaleço. Eu te ajudo. Não significa
que dominamos o problema. Não, não
dominamos. Precisamos de ajuda.
Significa que não enfrentaremos aqueles
problemas sozinhos.
Eu te sustento. Não significa que nunca
tropeçaremos. Significa que sua mão não
soltará quando tropeçarmos.
O espírito pega essas palavras e as
aplica ao coração.
Às vezes com consolo imediato, às vezes
lentamente, vai amolecendo, às vezes em
lágrimas, às vezes enquanto continuamos
tremendo, mas ele trabalha. O objetivo
não é produzir uma sensação artificial
de invulnerabilidade.
É formar dependência.
A palavra diz: Deus é fiel. O espírito
nos leva a responder: "Eu confiarei".
Então, a palavra diz: "Cristo é
suficiente. O espírito nos leva a
abandonar então todos os substitutos".
A palavra diz, o pai conhece, o espírito
nos ajuda a entregar a preocupação a
ele. Então, a palavra diz: "A graça
basta e o espírito nos capacita a dar o
próximo passo."
A ansiedade perde terreno quando a
palavra apresenta promessas e o espírito
faz o coração descansar naquele que
prometeu.
Então Jesus
começa a sua resposta à ansiedade com
uma pergunta simples. Não é a vida mais
do que o alimento?
Não é o corpo,
[roncando] não é o corpo mais que a
roupa. Ele argumenta do maior para o
menor. Deus já concedeu o maior,
portanto, não devemos imaginar que será
incapaz do menor. Ele formou o corpo,
tecidos, ossos, sangue, nervos, olhos,
pulmões, mente. Criou a vida, sustenta
cada batimento, preserva cada
respiração. Se fez tudo isso, será
vencido por uma refeição.
Se produziu o corpo, não saberá
vesti-lo.
Se concedeu existência, faltará a ele
capacidade para sustentá-la
pelo tempo que ele determinou aqui para
nós. A ansiedade começa pelo menor e
esquece o maior. Vê a conta, esquece a
vida. Vê a necessidade da semana,
esquece décadas de providência. Vê o
armário, esquece o corpo que Deus já
preservou.
Vê a porta fechada, esquece a salvação
aberta. Então Jesus reorganiza nossa
percepção.
Olhe primeiro para o maior. Ele diz:
"Você existe não por acidente, não por
autonomia, não porque sustentou a
própria origem. O Pai concedeu a vida. E
para os que estão em Cristo, concedeu
vida eterna. O corpo pode envelhecer,
pode adoecer, pode morrer, mas será
ressuscitado.
O Deus que promete levantar o corpo do
pó não perderá o controle daquilo que
precisamos hoje no sustento do corpo.
Isso não significa que sempre teremos o
padrão de conforto que nós
estabelecemos.
Jesus não promete luxo, promete cuidado,
não promete ausência de perdas, promete
presença, não promete que nunca
passaremos necessidade. Paulo conheceu
fome, os santos sofreram, mas nenhuma
necessidade escapou da providência,
nenhuma privação os separou do amor de
Cristo. O argumento do maior para o
menor atinge o centro da preocupação.
Porque a ansiedade, a ansiedade imagina
que o pai pode começar uma obra e
abandoná-la no meio. O evangelho diz:
"Aquele que começou completará.
Ele não entregou o filho para depois
negar o pão necessário
à nossa obediência. Não nos justificou
para depois esquecer. Não adotou para
depois tratar como órfãos. Não selou com
o Espírito Santo para depois perder seus
filhos. Quando a preocupação aumentar,
faça a pergunta de Jesus. O Pai já fez
algo maior que isso? deu vida, deu
Cristo, deu perdão, deu espírito, deu
acesso ao trono, prometeu ressurreição.
Então o menor não excederá sua
generosidade.
Talvez ele forneça de modo inesperado,
talvez os irmãos, talvez reduza desejos,
talvez mude planos, talvez ensine
contentamento, talvez conduza por
escassez, mas jamais deixará de ser pai.
A fé não determina a forma da provisão.
Ela confia no provedor.
A fé não descreve o cardápio. Ela se
senta à mesa, não escolhe cada roupa,
descansa naquele que conhece o corpo,
que formou o corpo e sabe a necessidade
do corpo.
O Pai que nos deu vida, Cristo e
ressurreição, não será vencido
pelas necessidades menores do caminho.
Agora,
então Jesus manda
olhar,
olhem para os pássaros, considerem os
lírios. A criação, então, se torna para
nós
um sermão. O céu possui pregadores
alados, o campo possui testemunhas
silenciosas. Os pássaros não semeiam,
não colhem, não constróem celeiros.
Ainda assim, o pai os alimenta. Isso
você vê não significa que ficam parados
no ninho. Eles voam, buscam, trabalham
segundo sua natureza, mas não produzem o
alimento do nada. Dependem de uma ordem
que não criaram. Depende eh da de
existir, se mover em Deus. O cristão
também trabalha, planeja, poupa,
cultiva,
aprende, procura oportunidades, mas a
providência não nasce da competência
humana. Trabalhamos dentro de um mundo
sustentado pelo Pai. A ansiedade
transforma o trabalho em tentativa de
substituir Deus. A fé transforma o
trabalho em participação na providência.
Jesus pergunta: "Vocês não valem muito
mais que as aves?"
Essa comparação não alimenta o orgulho,
ela é dita para alimentar a confiança.
Somos portadores da imagem em Cristo.
Somos filhos adotivos. O Pai não é
indiferente, conhece necessidades
concretas.
Depois Jesus aponta para os lírios. Eles
não tecem, não costuram, não desenvolvem
estratégias de aparência. Mesmo assim,
Deus os veste com beleza superior à
glória de Salomão.
A flor dura pouco, hoje está no campo,
amanhã seca. Entretanto, recebe cuidado
artístico, não só necessário, cor,
forma, textura, delicadeza.
O criador gasta beleza com aquilo que
vai desaparecer de repente, rapidamente,
quanto mais cuderados que viverão
eternamente.
A ansiedade diz: "Sou invisível". Os
lírios respondem: "Ele vê até nós o
campo". A ansiedade diz: "Minha
necessidade é pequena demais". Os
pássaros responde: "Nenhuma criatura é
pequena demais para providência. Ele nos
alimenta." A ansiedade diz: "Preciso
controlar cada detalhe. A criação
inteira responde: "A vida inteira já
depende de detalhes que você nunca
controlou.
Você não ordenou o sol, não criou a
chuva, não inventou a semente, o ar, não
determinou a gravidade, não produziu o
ar, não sustentou o próprio coração
durante a noite.
Já vivemos de providência. A fé apenas
reconhece aquilo que sempre foi verdade.
Pássaros e lírios não prometem ausência
de inverno. Muitos pássaros morrem,
muitas flores murcham, a criação geme,
mas nenhum deles cai fora do governo do
pai. E para os filhos a promessa é
maior. Nem a morte será a perda final. A
beleza do lírio aponta para a glória
futura. O alimento do pássaro aponta
para o pão diário. A providência visível
aponta para um cuidado invisível que
nunca descansa, que nunca nunca dorme.
Por isso Jesus não diz: "Olhe para
dentro e descubra a força". Ele diz:
"Olhe ao redor e descubra o Pai". A cura
da ansiedade não está na ampliação do
ego, está na ampliação da visão de Deus.
Pássaros e lírios não negam a
fragilidade.
Proclamam que até a fragilidade vive
debaixo dos olhos atentos do Pai. E
Jesus
continua, né? Vosso pai celestial sabe
que necessidade
de vocês
têm. Ele sabe que necessitar de todas
essas coisas.
Ansiedade imagina ignorância em Deus.
Talvez ele não tenha percebido. Talvez a
necessidade seja pequena demais. Talvez
outras pessoas ocupem sua atenção.
Talvez a oração precise ser repetida
para transmitir informação.
Mas o Pai sabe. Sabe antes da palavra,
sabe a conta, sabe o diagnóstico, sabe o
prazo, sabe a fraqueza, sabe o tamanho
da família, sabe o futuro do emprego,
sabe a solidão da noite, sabe o que
ainda não sabemos
e não conhece como observador distante,
conhece como pai. A palavra pai muda
toda promessa.
Poder sem paternidade pode pode e
poderia assustar. Conhecimento sem amor
poderia condenar. Mas aquele que sabe é
aquele que adotou.
Depois Jesus ordena a nós buscai
primeiro o reino de Deus e a sua
justiça.
A ansiedade
concentra a vida em necessidades
privadas.
O reino liberta o olhar. Não somos
chamados a passar os dias preservando o
pequeno império pessoal. Somos chamados
a participar da obra do rei. Isso não
significa negligenciar nossas
responsabilidades. Buscar o reino inclui
trabalhar, cuidar da família,
administrar recursos, servir ao próximo.
Mas tudo recebe nova ordem. Não
trabalhamos como órfãos, trabalhamos
como filhos.
Não acumulamos como se a vida dependesse
do celeiro. Administramos como mordomos.
Não protegemos reputação como tesouro
supremo. Buscamos a justiça de Deus. A
promessa é: Todas essas coisas serão
acrescentadas. Tudo que for necessário
para cumprir a vontade de Deus. Não tudo
que a ansiedade exige, não tudo o que a
comparação deseja.
Não toda a forma de conforto que
possamos imaginar ou que podemos
imaginar, mas tudo que o Pai sabe ser
necessário. Então Jesus
encerra: "Não vos inquieteis com o
amanhã. O amanhã terá seus próprios
cuidados. Basta a cada dia o seu mal. A
ansiedade tenta viver vários dias ao
mesmo tempo. Carrega o peso de hoje, o
peso de amanhã, o peso do mês, o peso de
cenários que talvez nunca ocorram. Mas a
graça vem diariamente como maná. As
misericórdias se renovam a cada manhã.
As misericórdias se renovam pela manhã.
Então a força de terça-feira não precisa
chegar na segunda, porque ela vai se
renovar amanhã.
A graça do hospital não precisa ser
sentida antes de eu estar doente.
A graça de estar no hospital não precisa
ser sentida antes do diagnóstico.
A coragem do funeral não precisa
aparecer antes da perda. A sabedoria da
decisão pode chegar quando a decisão
estiver diante de nós. Deus não promete
um estoque emocional para todos os anos,
todos os dias. Promete sua presença
diária como teus dias, assim será tua
força. Cada dia terá problemas
suficientes e cada dia terá
misericórdias correspondentes.
A fé recebe o pão diário, não exige um
armazém inteiro,
recebe a luz para o próximo passo, não
exige o mapa completo da viagem.
Recebe a graça de hoje e confia que as
misericórdias se renovam a cada manhã. A
fonte continuará aberta. O Pai conhece.
O reino merece prioridade e a graça de
amanhã chegará no dia de amanhã. Nunca
atrasada, nunca insuficiente,
mas nunca adiantada.
A ansiedade raramente aparece como
conceito abstrato. Ela chega com o nome,
uma reunião, uma doença, uma decisão,
uma oposição, uma velice, uma morte. uma
possível queda. Por isso, a fé precisa
aprender a responder de modo específico.
Quando tememos um novo empreendimento,
ouvimos: "Não temas, porque eu sou
contigo. Eu te fortaleço, eu te ajudo,
eu te sustento". O risco continua real,
mas a presença também continua real.
Quando tememos que nosso trabalho seja
inútil, ouvimos: "Minha palavra não
voltará vazia". Talvez não vejamos os
resultados. Talvez o fruto venha depois.
Talvez outro colha, mas Deus não
desperdiça a sua verdade. Quando tememos
a própria fraqueza, ouvimos: "Minha
graça te basta. Meu poder se se
aperfeiçoa na fraqueza". A promessa não
remove imediatamente a sensação de
insuficiência. Revela que a
insuficiência não impede o poder de
Cristo. Quando tememos decisões,
ouvimos: "Eu te instruirei, eu te
ensinarei o caminho, eu te
aconselharei".
Não significa que toda escolha será
fácil, significa que não estamos
abandonados a uma mente solitária.
Quando tememos adversários, ouvimos: "Se
Deus é por nós, quem será contra nós?"
Muitos podem estar contra, mas nenhum
poderá vencer o propósito final do Pai
em todas as coisas.
Quando tememos pelo bem-estar de quem
amamos, ouvimos que o Pai é melhor que
nós. Nossa ansiedade não ama mais que a
providência divina. Não cuidamos melhor
que Deus. Não enxergamos mais longe.
Entregamos nossos amados àquele que os
formou. Quando tememos doença, ouvimos:
"Muitas são as aflições do justo, mas o
Senhor o livra de todas."
Algumas libertações vêm por cura, outras
pela perseverança.
A libertação final vem na ressurreição.
Quando tememos envelhecer, ouvimos: "Até
velice eu sou o mesmo. Até os cabelos
brancos eu vos carregarei." Ou seja, o
corpo perde força, o carregador não
perde força. Quando tememos morrer,
ouvimos vivendo ou morrendo ou morrendo,
somos do Senhor. Cristo morreu e
ressuscitou para ser senhor dos vivos e
dos mortos.
A morte não nos retira do seu domínio.
Ele é o Senhor dos mortos, nos leva
paraa presença dele. Quando tememos
naufragar na fé, ouvimos aquele que
começou a boa obra a completará.
Jesus vive para interceder. Ele salva
completamente os que se aproximam de
Deus por meio dele. Essas promessas não
são frases decorativas, são armas. Não
contra pessoas. contra a incredulidade.
Não negam circunstâncias, as interpretam
à luz do caráter de Deus. Não garantem o
resultado preferido. Garantem que Cristo
será suficiente em qualquer resultado
governado pelo Pai.
Então, precisamos aprender a nomear o
medo e encontrar a promessa
correspondente, não para controlar Deus,
mas para submeter à imaginação.
A ansiedade cria histórias em que Deus
desaparece nas histórias que a ansiedade
cria. A promessa reescreve a cena
colocando o Pai de volta no lugar.
Então, a fé não combate o medo genérico
com palavras vagas. Ela nomeia ansiedade
e responde com uma promessa específica
do Deus que é fiel. Então,
por que podemos confiar que haverá graça
amanhã? Não porque o amanhã pareça
favorável, não porque nossa fé seja
forte, não porque aprendemos técnicas,
não porque a vida anterior sempre
terminou como desejávamos.
Confiamos porque existe uma cruz vazia e
um Cristo ressuscitado. A cruz é a maior
demonstração da graça passada, mas
também é a garantia da graça para todos
os dias até o fim. Aquele que não poupou
o próprio filho antes o entregou por
todos nós, como não nos dará com ele
tudo que precisamos? Essa pergunta
sustenta o futuro. O pai já entregou o
tesouro supremo.
Não existe graça necessária mais cara
que a graça que é o filho. Não existe
auxílio futuro que exceda o preço que
Deus já pagou. Não existe pecado
confessado que surpreenda a expiação.
Não existe fraqueza que esgote a
intercessão de Cristo. Não existe
sofrimento capaz de separar do amor de
Cristo. Não existe morte que vença a
ressurreição.
A cruz prova que Deus é por nós. A
ressurreição prova que sua graça venceu
a morte e que Deus será por nós sempre.
Aensão prova que Cristo reina. A
intercessão prova que nossa causa
continua continuamente diante do Pai. O
Espírito Santo prova que a vida futura
já começou em nós a vida eterna. A
promessa da volta prova que a história
caminha para um encontro.
Assim, cada ato de obediência é
sustentado por uma realidade maior.
Quando perdoamos, Cristo está vivo.
Quando servimos, Cristo está vivo.
Quando resistimos ao pecado, Cristo está
vivo. Quando enfrentamos ansiedade,
Cristo está vivo. Quando o corpo
enfraquece, Cristo está vivo. Quando a
igreja sofre, Cristo está vivo. Quando
enterramos nossos mortos, Cristo está
vivo.
A ética do devedor mantém os olhos na
cruz como se tudo tivesse terminado lá
ou ali. Vê um grande sacrifício passado
e tenta responder com um esforço
presente. A fé vê a cruz e depois
contempla o túmulo vazio.
O Cristo que deu a vida continua dando a
vida continuamente, diariamente,
eternamente. O Salvador não se tornou
uma memória. É Senhor presente. Não
estamos pagando um benfeitor ausente.
Estamos unidos a um redentor vive. Eu
sei que o meu redentor vive. Ele
trabalha em nós sempre à vontade.
Concede poder, corrige, consola,
disciplina, preserva. A graça para cada
dia, até a eternidade não é uma
substância separada de Cristo. É o
próprio Cristo sendo tudo que precisamos
em cada momento futuro.
A graça para sofrer é Cristo suficiente
no sofrimento. A graça para obedecer é
Cristo operando em nós. A graça para
morrer é Cristo nos recebendo. A graça
para ressuscitar é Cristo nos chamando
do pó.
Por isso, nossa esperança não está num
estoque impessoal, está numa pessoa
inesgotável.
O futuro não é seguro porque conhecemos
o futuro, porque conhecemos todos os
acontecimentos. Ele é seguro porque
pertencemos àquele que governa todos os
acontecimentos.
A cruz garante que a graça fará tudo até
o fim, porque o Cristo que foi entregue
por nós ressuscitou, reina e jamais
deixará de ser totalmente suficiente.
E então nós chegamos à pergunta final.
Como viver depois de tudo que Deus fez
por nós? Não pagando, recebendo. Não
calculando, agradecendo. Não tentando
equilibrar contas, confiando. Não
prometendo independência, caminhando em
dependência.
A graça no passado diz: "Você foi
perdoado." E a gratidão responde:
Bendito seja o Senhor e a graça que há
de vir diz: "Você está sustentado, será
sustentado". Então a fé responde: "Então
eu caminharei". A vida cristã inteira
acontece entre essas duas palavras: "Foi
consumado e estarei sempre convosco."
A cruz encerra a dívida. A presença
sustenta o caminho. A ressurreição abre
o futuro. O espírito aplica o poder. Não
precisamos escolher entre gratidão e fé.
Precisamos impedir que a gratidão se
transforme em comércio.
Agradeça intensamente. Recorde cada
misericórdia. Cante sobre o sangue,
celebre a adoção, conte os livramentos,
entre pelas portas com ações de graças.
Mas quando chegar a hora de obedecer,
não diga: "Agora pagarei". Diga: "Agora
confiarei". Quando o chamado exigir
sacrifício, não diga: "Preciso devolver
o que recebi". Diga: "A graça estará do
outro lado da renúncia". Quando a
ansiedade vier, não diga: "Depois de
tudo que Deus fez, não tenho direito de
sentir medo". Diga: "Quando eu temer,
confiarei nele."
Quando o pecado expuser fraqueza, não
diga: "Falhei em pagar". Não, não, não.
Diga: "Preciso novamente do sangue, do
poder do espírito." Quando o ministério
produzir fruto, não diga: "Estou
diminuindo minha dívida". Diga: "Que
tens tu que não tenhas recebido?" Quando
a velice chegar, não diga: "Talvez minha
utilidade tenha terminado." Diga: "Ah,
até os cabelos brancos. Ele me
carregará.
E quando a morte se aproximar, não
apresente recibos do que você fez.
Apresente Cristo. Não leve obras como
moeda. Leve a justiça do cordeiro. Não
diga: "Fiz o suficiente", diga: "Ele fez
tudo." Não diga: "Paguei a graça". Diga:
"A graça pagou minha dívida". A
obediência cristã é séria, custosa,
radical, perseverante, mas é livre.
Livre porque não compra amor. Livre
porque não mantém adoção. Livre porque
não sustenta justificação. Livre porque
nasce da promessa.
O cristão pode arriscar porque o futuro
pertence ao Pai. Ele pode dar porque o
tesouro está em Cristo. Pode servir
porque a aprovação já foi concedida.
Pode sofrer porque a glória será
revelada. E pode morrer porque a
ressurreição é certa.
A ansiedade pergunta: "Quem cuidará de
mim amanhã?" O evangelho responde: "O
mesmo pai que entregou o filho. A culpa
pergunta: Como pagarei pelo que recebi?"
O evangelho responde: Você não pagará.
Cristo pagou. A gratidão pergunta: "Como
glorificarei tanta graça?"
A fé responde: Continue recebendo graça,
continue confiando. Continue caminhando
e atribua toda a glória ao Deus, cuja
graça vem de eternidade em eternidade.
Não pague a graça, né? Até falar isso é
meio absurdo. Agradeça pelo que veio,
confie no que virá e caminhe.
Caminho sustentado pelo Cristo que já
pagou, já pagou tudo. Não há mais
nenhuma dívida. É assim que Deus nos dá
a sua paz. Amém, querido. Amém. Santo
Deus, eu me aproximo sem defesa, sem
razão.
[música] Tu me vês nos detalhes, no
segredo do coração, [canto][música]
nos pequenos pensamentos,
nas palavras [música] que eu soltei.
Teu espírito me chama,
confessa.
E eu confessei,
não escondo minha culpa,
não maquio [música]
[canto] minha dor.
Contra ti eu pequei,
contra o [canto] teu santo [música]
amor.
Mas que atos minha raiz,
um [música][canto] querer desalinhado.
Eu preciso de [música] limpeza. [canto]
Eu preciso ser
lavado.
Cordeiro, minha [canto]
justiça, [música]
fim do meu tribunal.
Eu largo [canto] a autojustiça,
me rendo ao teu final.
Jesus,
tem misericórdia. [canto]
[música]
Jesus,
vem [canto] me purificar. [música]
Teu sangue fala mais alto que o meu
pecado é gritar.
[grito]
Minha única defesa [canto]
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça.
Eu [canto] descanso no teu amor.
>> Tua misericórdia [música]
[canto] é melhor.
[música]
Tua misericórdia [canto]
é meu lar.
>> Rei dos reis, [música] eu me prostro.
Tu és [canto] luz e eu sou pó.
Quando eu [música] tento ser dono, eu
não terco em mim só.
Autonomia [música]
[canto] é mentira,
autossuficiência
também.
[música] Tu és fonte, tu és [canto]
vida.
Sem [música] ti nada me sustém.
Eu
não [música][canto] venho com rico,
venho com mãos sem [música] ter. Não
[canto] confio no meu choro, nem no meu
[música] vencer. Eu confio [canto] na
firmeza do teu pacto, ó [música] Senhor.
Tua aliança [canto]
é selada no cordeiro
redentor.
[música]
Restaura minha [canto] alegria,
tua salvação em mim.
Sustenta-me [música] com espírito
[canto] pronto até o fim.
Jesus [música]
tem misericórdia. [canto]
Jesus [música]
vem me purificar.
Teu sangue fula mais alto que o meu
pecado a gritar.
[grito]
A minha única [música]
defesa
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça. [canto]
Eu descanso [música]
no teu [canto]
amor.
[música]
Inclina o meu coração. [canto]
Ensina-me a obedecer.
Dá-me um espírito [música]
pronto, [canto] mais doce do meu querer.
Guarda-me [música]
na tentação,
[canto] na rotina e na aflição.
[canto] Tua graça me carrega,
tua mão me põe [música] de pé
no chão.
Tu me [música][canto]
defines,
Cristo,
não [música][canto] meu pior
momento.

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