Conflito de Gerações na religião – Davar Live – 17/07
18/07/2026
Conflito de Gerações na religião – Davar Live – 17/07
Fonte: Davar – Religião e Opinião
Legendas automáticas:
[limpando a garganta] Fala, pessoal. Bem-vindos a mais uma live aí. Ah, tá tudo OK aqui? Acho que tá, né? Tá, tá. Beleza. Bem-vindos a mais uma live. Boa noite. Boa noite. Wade já tá por aí. Então, quem tiver acompanhando aí, só me dá um um feedback aí do do áudio, do vídeo, se tá tudo OK. E é isso, gente. Vocês viram aí, eu já coloquei uma um título diferente hoje na live, né? A gente vai falar um pouco sobre conflitos de de gerações, que é uma coisa que eu tava vendo por aí e achei que talvez valesse a pena. Eu não sei exatamente o público que frequenta a live, qual é a idade média, qual que é o se tem filho, se não tem. Eu não sei se esse é o tipo de de assunto que interessa a todo mundo. Então assim, eu como uma pessoa que, tipo, sempre frequenta igreja, sempre frequentei a igreja e que tenho uma, eu gosto de lidar com o o público mais novo, né? Eu eu eu me dou bem com eu me identifico mais com os jovens às vezes do que o pessoal da minha idade. Não quer dizer que eu seja super popular entre os jovens, mas que eu me identifico. Eu particularmente eu me identifico mais com essa geração mais nova do que com a minha normalmente, né? os tipos de de entretenimento, de coisas que eu gosto de fazer e tal, normalmente tem mais a ver com a geração que vem depois a mim do que comigo. Não que eu seja lá uma pessoa extremamente jovem, que eu tenho um jeito muito jovial, nunca tive, nem quando era jovem mesmo. Mas eh é isso. Então, boa noite aí pro Aid, pro Carlos, pessoal falando aqui que o áudio tá OK. A, o Daniel, João, boa noite, gente. Eu tava dando uma olhada essa semana no nosso eh na nossa eh aqui no canal não tem um comentário específico falando de alguma propondo algum assunto aqui para que a gente possa começar eh comentando. Tem um o Aid deixou aqui um uma um comentário falando que tem a tradução do livro que a gente comentou na semana passada do do Lewis, né, do Fest Lewis, que é Os Quatro Amores. Ele diz que tem a tradução em português. Eh, gosto bastante do livro, especialmente na ideia de que ele descreve uma dinâmica interna de amor, de modo que todo amor natural possui em si o seu contrário, desde que ele seja desvirtuado. É, ele usa a metáfora de da moeda em que a mesma moeda apresenta duas faces que algum limear se uma se transforma na outra e apresenta a ideia de idolatria como mecanismo de desvio. Eu achei interessante ele falar disso, porque eu tinha ouvido falar muito tempo uma ideia de que todas as coisas que Deus eh que Deus cria, existe uma contrapartida de, digamos assim, uma uma deturpação da criação de Deus, né? Então, eh, sei lá, eh, Deus cria a comida, as pessoas, tipo, criam, eh, o, comidas que fazem mal, só que são hipercalóricas. Eh, Deus cria o corpo, as pessoas criam maneiras de você alterar a a consciência que causam acidentes, que trazem violência, né, tipo, eh, psicodélicos, essas coisas, tal. Então, eh sempre tem uma uma versão distorcida daquilo que Deus criou, né? E é interessante que talvez da onde eu ouvi há muitos anos atrás tenha vindo daí, né, comentário do Li sobre os quatro amores. Legal. Interessante isso daí. Eh, pessoal elogiou aqui, eh, falando bem da última live e tal, o pessoal falando que gosta daquela ideia que eu comentei, que às vezes a gente amar é uma graça divina, não só ser amado, né? Essa é uma coisa que eu me pego pensando, né, como a gente comentou no na última live, como seria se o você acordasse, abrisse os olhos e a pessoa que você ama muito, você simplesmente não sentisse mais nada por ela, né? Isso é uma coisa que me amedronta, porque a gente não tem controle nenhum sobre uma coisa que é muito importante pra gente, que é o amor que a gente tem pelas pessoas que a gente ama, né? Então, eh, eu penso nisso, né? Como eu sou grato por amar. Bom, gente, o pessoal tá falando aqui, o eu perguntei da idade de vocês porque eu tava falando das gerações, né? O Carlos falando aqui que tem 54, o João 45, eu tenho 43. fiz 43 esse ano. Eh, então também não sou mais tão novo assim, mas como eu tava falando, eu gosto da da geração mais nova. Eu não sei, eu gosto de videogame. As pessoas da minha idade não costumam jogar tanto videogame. Eu não falo tanto sobre o assunto. Pessoal da minha idade tem normalmente tem uns interesses mais, sei lá, futebol, uns negócios assim que essas gerações mais novas não curtem tanto quanto as gerações mais antigas. É claro que isso daqui é uma média, né? E a gente pode até discutir aqui brevemente a o conceito de geração, né? Geração é uma tendência ao ao a eh tendências que se encontram na média em pessoas que nasceram ali mais ou menos no mesmo período. Então não quer dizer que obviamente que todas essas pessoas têm essa essa mesma preferência e nem que ela seja tão acentuada assim, mas você percebe um desvio na média um pouco mais para cá do que para lá. Aí a gente fala mais nessas questões de de geração. [limpando a garganta] Bom, gente, eu vou eu vou começar falando então sobre isso que que eu já comecei aqui, né? Eh, que é esse negócio de conflito de gerações, né? Existe um problema eh do conflito de gerações, tem coisas que acho que são naturais, mas existem coisas que são problemáticas. Então é natural as diferentes gerações terem interesses diferentes, as diferentes gerações pensarem de modo diferente. Tudo isso é natural. Eu acho que o o problema acontece quando você tem um conflito entre as gerações, que a gente vê muito hoje em dia, de diferentes gerações mal conseguirem se relacionar, né? Como se não falassem a mesma língua, né? Então é o famoso almoço de família de fim de ano, onde tem aquela tensão, né? muita, principalmente as pessoas mais novas, elas elas têm até uma certa ansiedade do do de desses dessas comemorações de fim de ano, onde a família toda se junta, né? Eh, então essa esse essa dificuldade de se relacionar entre as gerações também vai se manifestar dentro de um contexto religioso. Obviamente a gente tem tenta colocar diversas gerações sentadas no mesmo lugar, no mesmo espaço e oferecer para elas a mesma o mesmo conteúdo da mesma forma. E a gente espera que todas as essas pessoas absorvam do mesmo jeito. Então, a igreja hoje já é uma coisa mais difícil do que do que poderia ser tempos atrás, porque a gente tinha um pouco mais de coesão na sociedade e isso foi se perdendo. Então, hoje a sociedade é muito mais fragmentada. a gente pode falar disso um pouco também, que eu acho que tem a ver com as gerações. Então, é muito difícil você juntar várias pessoas porque você vai ter pessoas de, sei lá, de subculturas diferentes. Então, de novo de fone de ouvido, eu não precisava tá de fone de ouvido, né? sempre faço assim, sempre começo uma live com fone de ouvido. Eh, então, subculturas, por exemplo, só a questão de de política já é um fator muito muito forte de fragmentação. Então, pode ter duas pessoas sentadas ali na igreja, uma vê o mundo de uma forma, outra vê o mundo de outra forma absolutamente diferente, né? E isso é uma coisa que causa muita tensão dentro de um ambiente de igreja já. Eh, de vez em quando a gente fala sobre isso daqui, né, essa guerra cultural. Então você tem esse fator político, você tem um fator social, pessoas que vieram de camadas da sociedade diferentes e de repente estão ali na igreja um sujeito que ganha, sei lá, 10 vezes mais do que a pessoa que tá do lado dele. E por causa disso ele tem uma percepção de mundo diferente, ele tem outras experiências e de repente é difícil um sermão que atingja essas duas pessoas, faça sentido para essas duas pessoas, né? E um dos fatores que fragmenta muito a sociedade é as gerações, né? Eh, o Carlos até fala que é dito em história que mais do que filhos dos nossos pais, somos filhos do nosso tempo. O que faz sentido, Carlos? É interessante essa frase, porque os nossos pais é uma são uma parte da experiência que a gente tem quando a gente tá se formando, né? Existem muito mais coisas acontecendo ao nosso redor, além dos nossos pais, quando a gente cresce, né? Então, [limpando a garganta][tosse] as gerações são outro outro fator muito forte de fragmentação ali de pessoas dentro de uma comunidade religiosa. Você colocar um adolescente e um idoso um do lado do outro e esperar que eles absorvam o mesmo conteúdo, o mesmo sermão falado do mesmo jeito. É muito difícil. É muito difícil. Eu tava vendo outro dia, eu não sei se vocês chegaram a ver isso, existiu um, teve um campeonato de farmar aura em São Paulo, eu acho. E as imagens são hilárias porque tem lá uns moleques pulando, eh, fazendo pose e não sei o quê. E e de vez em quando você mostra no meio do público uma pessoa mais velha que tá indo levar os jovens lá com uma cara absolutamente perdida, não consegue nem entender o que que é o qual que é a proposta do daquele campeonato. Eu não tenho lá minhas dúvidas se até os próprios adolescentes que estavam participando entendiam bem o conceito, né? Eh, não sei se é um conceito tão fechado assim a ideia de farmar aura, mas até essas expressões, farmar aura, tancar, são expressões que vai virando outra língua a quase, né? Porque quem é mais velho às vezes não consegue entender, não consegue acompanhar, não faz sentido aquela linguagem. E essa linguagem vem de um contexto. Essa linguagem não nasce do nada. Elas ela vem de um contexto normalmente de uma comunidade gamer, então muito adaptad expressões em inglês que você vê muito em jogos farmar. É uma expressão dessas, né, que é quando você [limpando a garganta] vem da da do farming que é de fazenda. Então no jogo quando você tá obtendo recursos, o pessoal chama você tá farmando, né? Tancar vende um conceito do RPG e que normalmente no RPG dos jogos, o tanker é aquele personagem que tem mais resistência, que tá na frente da batalha para absorver impacto, enquanto os outros personagens que têm outras características eles eles dão mais dano no no inimigo e tal. Então, essas expressões são muito difíceis de entender para quem tá totalmente fora do contexto dessa dessa dessa geração, né? O o João até colocou aqui, vira aqui não é só de línguas, mas é de conceitos, de visão de mundo. É uma Babel nesse sentido mais amplo ainda, mas é uma boa é uma boa é uma boa imagem a ideia de Babel. Então, imagina essas gerações colocadas na frente uma da outra, tendo que se relacionar inevitavelmente, porque às vezes quem cuida de um adolescente às vezes é uma pessoa idosa, são os avós, são os tios avós, às vezes os pais mesmo que tem uma uma uma diferença de idade muito grande pros filhos e tal. Então, eh, esses conflitos, gerações acontecem e acabam refletindo na religião de uma maneira que, eh, preocupa muito os mais velhos. Então, por exemplo, eu lembro uma vez, eu não tava nessa a minha esposa que tava numa eh escola sabatina, né, para quem não é adventista, é como se fosse a escola dominical, ou seja, as pessoas estão discutindo um assunto bíblico e a pessoa que tava expondo lá o o estudo, né, ele falou, ele tava falando: "Olha, é muito difícil essas gerações, porque quando o pastor fala uma coisa, eles questionam Não. Então, se o pastor fala que uma coisa é assim, eles vão lá e perguntam: "Ah, por que é assim? Eh, como por você disse isso? Quero que você me dê razões para para entender o que que você tá falando, né?" né? Então, imagina ficar questionando o pastor e a minha esposa até falou, levantou a mão e falou: "É, mas não tá certo, isso não é bom dessa geração, não é uma coisa boa dessa geração, ela pode ter problemas, mas esse questionamento não é uma coisa boa." Eh, e claro que todo mundo fica meio perdido com isso, que quando uma geração começa a questionar coisas que a gente não tá acostumado a questionar, a gente prefere o silêncio, a gente prefere que eles não questionem do que encontrar boas respostas para dar para essas novas gerações, né, para essas pessoas que estão questionando. Então, eh, é difícil, é difícil lidar, mas ao mesmo tempo é necessário lidar, né? Eh, [limpando a garganta] outros problemas que acontecem também é o que o pessoal fala do do da evasão de jovens na igreja. Isso é um assunto que assim preocupa demais as pessoas mais velhas. Então, por exemplo, né, deixa eu até pegar aqui, eu eu peguei um um um gráfico aqui do censo de 2022, que mostra essa evasão dos jovens eh da igreja, né? Então eu assim, né, vocês olham aqui esse gráfico, tá falando que os jovens são os que mais se declaram sem religião. Então a gente tem aqui essa linha azul, né, primeiro aqui, eh o o percentual, né, aqui na linha vertical e na horizontal você tem as idades. Então, azul são os católicos, ou seja, quanto mais as pessoas vão ficando mais velhas, mais aumenta o percentual de católicos, né? Os evangélicos, curiosamente, seguem uma linha meio contrária. Quanto mais velhas as pessoas vão ficando, eh, quanto mais você pega as o recorte de pessoas mais velhas, não que necessariamente a a mesma geração vai ficando mais velha e vai ficando menos evangélica, né? Mas quando você pega hoje a sociedade, o recorte das pessoas mais velhas, quando você vai indo para as pessoas cada vez mais velhas, tem menos evangélicos e mais católicos, né? Então vocês vem que tem essa curva que abre, né? o famoso boca de jacaré quando o pessoal fala de gráfico. E a gente tem aqui o o percentual do sem religião aqui embaixo. Olha isso daqui. Eh, os jovens de 10 a 14 anos tem aqui 10,2, se eu não me engano, é a média, é a média do do país. Cerca de 10% de pessoas que se declaram sem religião. Conforme a idade vai aumentando, vai aumentando o percentual de pessoas sem religião. Então, de 10 a 14 anos, é esse por volta dos 10%, dos 15 ao aos 19 já vai para 12,5 e dos 20 aos 24 vai para 14,3. Ou seja, a gente tá percebendo aqui um movimento de que eh isso é uma coisa que eu eu falava bastante quando eu cuidava de um grupo de adolescentes numa igreja que eu frequentava. O problema é que quando os adolescentes não têm escolha, eles têm que ir pra igreja porque os pais estão levando, eles vão. Mas quando eles chega à idade que é para eles irem sozinhos, que eles já não é para depender dos pais, eles já passam a não ir. Isso fica bem claro aqui nesse gráfico, né? Sendo que o ápice é aqui aos dos 20 aos 24 anos, é onde mais tem pessoas não religiosas. Aí depois, conforme a idade vai aumentando, vai diminuindo o número de pessoas não religiosas. Então isso daqui é uma coisa que preocupa muito as pessoas que são religiosas, as pessoas de igreja, que é esse aumento muito grande de jovens que saem da igreja, que deixam de se considerar religiosos. Lembrando que aqui no senso os sem religião não são necessariamente ateus. Ateísmo e sem religião não são a mesma coisa. Se eu não me engano, inclusive, os ateus estão dentro do grupo sem religião. Entre os entre os sem religião, tem um grupo de pessoas que são ateístas, mas a maior parte desses desigrejados, que também são chamados, são pessoas que até acreditam em Deus, mas não se declaram como parte de nenhuma religião. Eles não seguem nenhuma religião específica. Então, eh, eu imagino que eu não achei essa informação aqui quando eu tava vendo. Depois posso até procurar mais, mas eu até imagino que o gráfico de ateus deve coincidir com esse gráfico de não religiosos, a curva do gráfico, né? Os valores vão ser menores, mas a curva também deve aumentar entre uma certa idade, depois diminuir conforme vão ficando mais velhos. Então, o que que isso indica? exatamente que o os jovens tão saindo da das igrejas. Então, conforme eh como eu tinha falado, conforme eles são muito pequenos, eles ainda tão na igreja. Chega na idade da adolescência, eles saem da igreja e as pessoas mais velhas estão na igreja. Não significa que esses adolescentes vão voltar pra igreja. Esses jovens de 20 a 24 anos, que são o maior grupo de não religiosos, não significa que eles vão voltar pra igreja quando eles ficarem mais velhos. Mas é o retrato da da nossa sociedade hoje. As pessoas mais velhas estão na igreja e as mais novas não estão, né? E eu imagino se a gente for seguir o que acontece na maior parte dos países, que esses jovens que ficaram fora da igreja vai ter, pode ter um número que volte pra igreja, mas que não é um número tão significativo. Ou seja, pode ser que a gente esteja vendo agora um movimento de secularização no Brasil, que sempre foi um país muito religioso, né? Eh, então, obviamente, todos esses movimentos são puxados pelos mais jovens. Eles mudam a percepção da sociedade e eles passam isso paraa frente e eles mantém essa mudança quando eles vão ficando mais velhos e assim a sociedade se renova, né? Então essa mudança dos mais jovens pode ser uma coisa negativa ou pode ser uma coisa positiva, dependendo do que for, né? Deixa eu só ler uns comentários aqui do eh a Elane falou que não conhece nenhuma dessas expressões, né? [risadas] É realmente quem ou quem quem não joga, não passa muito tempo na internet e não tem eh filhos, sobrinhos, pessoas próximas adolescentes, não tem nem da onde saber essas expressões, né? Eh, o Aid coloca aqui: "Renegirar tem um mecanismo chamado de desejo mimético que explica alguns conflitos entre indivíduos próximos que desejam a mesma coisa. competição surge de um espelhamento do desejo. O descolado só é desejado porque muitos desejam, porém, andando na linha do tempo, na próxima geração, o que era desejado e ideal de uma geração pode deixar de ser desejado e até ser uma aversão disso com uma coisa não desejável, causando conflitos diretos. Eh, por exemplo, a emoção como campo legítimo da religião, razão e racionalidade como campo legítimo, escolha pessoal e livre, escolha política, etc. A religião possui vários desses temas em disputa de uma geração para outra. Ó, excelente comentário aqui do Aid. De fato, a gente tem movimentos que parecem até pendulares, né? Porque eu cresci num contexto em que, eh, isso é bom porque já puxa um outro assunto que é importante aqui, eu cresci num contexto em que quanto mais velha era a pessoa, mais conservadora ela era. Então, conservadorismo era coisa de velho. Então, quanto mais jovem ela tinha mais a mente aberta, ela era mais liberal em relação aos temas do de costumes da sociedade. É, a gente pode às vezes confundir geração com idade, né? Em que sentido? no sentido de que a gente pode achar que o que a gente vê como características da geração dos mais novos é uma coisa da idade. Então, quando eles ficarem mais velhos, isso vai mudar e quando outra geração mais nova chegar na idade deles, vai ter aquela aquela mesma posição. E não necessariamente. Por exemplo, eu duvido muito que quando eu ficar velhinho vai ter um monte de gente jogando xadrez na praça. Eu acho que isso não vai acontecer, porque eu quando ficar velho eu vou passar minha aposentadoria jogando videogame. Assim como a maior parte das pessoas da minha idade, assim como as pessoas mais novas do que eu, eu acho que os os mais idosos vão se isolar mais quando ficarem mais velhos e eles vão estar mais satisfeitos com isso. Eles não vão ter problemas de passar o dia inteiro trancado dentro ou de casa jogando videogame. E videogame de velho ainda. Provavelmente vão jogar jogos que lembram mais, sejam mais do estilo dos jogos que ele jogava quando era novo. E vão surgir outros jogos que eles não não vão gostar muito. nós não vamos gostar muito. Então tem coisas, a ideia de ficar na praça jogando xadrez, ela não é só uma coisa de que tem quem tem certa idade, mas é a maneira de de express de de de viver quem tem certa idade, quem viveu uma geração específica, entende? Então, eh, vai chegar uma hora que a gente, isso já tá acontecendo em algumas idades na sociedade, que as pessoas mais velhas vão ser aquelas que vão manjar mais de tecnologia e as pessoas mais novas vão entender menos. Isso já tá acontecendo. É, é curioso. É a primeira vez que a geração mais nova entende menos de de tecnologia porque eles estão mais presos ao celular e o celular tem muito mais limitações do que um computador. Então, existe hoje, pela primeira vez mais velha ensinando gente mais nova a mexer no Word, no Excel, no Windows, essas coisas que a gente achava básica e que achava que quem não sabia era velho, né? Então, não é necessariamente a idade que define o comportamento, mas a geração que você viveu. Então, essa geração da internet vai ser uma geração de idosos da internet quando eles ficaram ficarem mais velhos. E não vou mexer na internet do jeito que os idosos hoje mexem, né? Que caem muito em fake news, em golpe, são muito ingênuos. não vai ser uma geração que cresceu a vida dela toda na internet, não vai ser ingênua do mesmo jeito, eh, que já vai ter passado seus perrengues de ter sido exposto na internet, ele vai ter mais cuidado com a privacidade, eh, ele vai saber o que que ia cair em golpe na internet, ele vai, então não é necessariamente a idade que vai definir o comportamento, mas a geração, o que que essa geração viveu quando chegar naquela idade? É claro que existem comportamentos que são típicos da idade também. Então, por exemplo, a impulsividade, o comportamento que não tem muita reflexão sobre o as consequências, isso é típico da idade por uma questão biológica, neurológica, né? quem é mais novo, a parte do cérebro que cuida da das decisões, eh, da consideração das consequências das ações, né, da consideração, eh, de que você é um indivíduo, mas os outros indivíduos também eh tem a a as suas perspectivas. Então, eu tô sofrendo, mas o outro também sofre. Eh, a percepção dessas coisas, ela vai só se eh amadurecer no cérebro quando uma pessoa tiver lá por volta dos seus 18 a 20 anos, que o pessoal fala o o córtex pré-frontal. Então, quem é mais novo faz mais besteira, não só por ir na experiência, mas porque o cérebro daquela pessoa é é menos cálculo de consequências. Ele fisicamente ele tem menos capacidade de calcular as consequências, de segurar as impulsividades, de lidar com os sentimentos e de lidar com a a perspectiva da da individualidade de outros junto dele. Então tem todas essas questões postas e é claro que também quem é mais velho tem várias outras questões que influenciam o comportamento, eh, mudanças hormonais, a própria eh eh limitação do corpo, então não é muito mais de sair, eh vai tomar decisões mais conservadoras até por causa da perspectiva de que a morte já tá chegando muitas vezes, né? Então, tem coisas que são ligadas à idade, mas muitas coisas que a gente acha que é da idade, não é da idade, é de uma geração, né? Eh, então é provável, acho que é muito possível que a gente veja aí mais paraa frente uma geração mais velha, mais liberal e uma geração mais nova, mais conservadora, como a gente já tá vendo acontecer, né? E aí, por que isso acontece, né? As pessoas normalmente têm comportamentos mais conservadores porque elas sentem medo. Basicamente o medo é um elemento que deixa a pessoa mais conservadora. E quando eu digo conservadora, eu não tô falando num sentido necessariamente eh eh assim negativo, né? É uma característica, é uma característica. Eu mesmo sou conservador em muitas coisas e sou liberal em outras, né? Então, eh, mas a gente vê essa geração mais conservadora em relação a relacionamentos, por exemplo, né? a gente vê essa geração mais conservadora em relação, por exemplo, ao consumo de álcool, que sempre foi uma coisa relacionada à juventude. E a gente tá vendo o contrário, a juventude ela é muito mais aversiva ao consumo de álcool do que as pessoas mais velhas hoje na sociedade isso tá acontecendo. É um movimento que é medido. Então, olha só quantas coisas, quantas mudanças estão acontecendo, né? E esse é um ponto talvez que seja mais importante. Na época de Paulo, na época da que a Bíblia tava sendo escrita, na época de Moisés, as mudanças na sociedade aconteciam de forma muito mais devagar, muito mais devagar. Então isso significa que a diferença, digamos assim, de cultura eh do de contexto social em que um idoso e um jovem de de um idoso e de um jovem, a diferença não é tão grande assim. Quer dizer, o jovem tá vivendo situações muito semelhantes ao que o idoso viveu. E por isso até a gente tinha aquela ideia do idoso sábio, porque ele ele viveu a as mesmas situações, as mesmas nas mesmas condições, no mesmo contexto eh cultural, digamos assim, né? acontece que quando a sociedade começa a mudar mais rápido, o gap, a diferença entre as experiências de uma geração e outra vão aumentando. E chega um ponto em que uma pessoa idosa, hoje eu lembro de ter pensado muito nisso quando a minha avó morreu, eh tá indo embora uma geração que vive um mundo absurdamente diferente do meu, incompreensível diferente do meu. eram pessoas. A minha avó quando era criança, tinha 13 anos, a mãe dela deu ela embora e ela foi trabalhar na casa de uma pessoa e isso era normal. Então, é uma criança de 13 anos com uma responsabilidade imensa nas costas de cuidar da própria vida, basicamente, né? e que a família não tava ali para dar apoio e que isso era o comum na sociedade. Você tem tinha que se virar desse jeito. Então, eh, imagina eu viver um mundo sem internet, sem celular, um mundo em que você ouvia falar de uma grande guerra mundial era por boatos. Nem televisão as pessoas tinham. Meus pais foram ter televisão quando eles já já não eram mais tão crianças, já quando já foram se tornaram adolescentes jovens, é que foram ter televisão em casa. Então, a ideia de como a gente experiencia o mundo era absurdamente, era inimaginavelmente diferente para as pessoas [roncando] que são muito idosas hoje em dia. Elas viveram um outro universo. Elas nasceram e viveram a vida delas todas em um outro universo. Talvez as pessoas idosas hoje sejam as pessoas vivas que viram mais mudanças no mundo, né? A minha avó viu a, eu perguntei para ela, ela tinha, ela quando ela era nova, ela ouvia falar da Segunda Guerra Mundial, porque ela nasceu um pouco antes. Eh, era isso, é uma coisa assim, ela ouviu falar da guerra quando ela era criança, mas também no Brasil a gente não teve muito reflexo da guerra. Então, imagina alguém que nasceu eh ali por volta um pouco antes da da Segunda Guerra Mundial e viu o surgimento da internet, viu o surgimento do do do smartphone. A diferença é que a gente às vezes subestima o tamanho da da da mudança social que aconteceu daquele período para cá, né? principalmente a revolução sexual, que talvez seja uma das coisas que mais chocam a mente de quem viveu um mundo antes disso, que era quando as pessoas antigamente namoravam, elas namoravam por carta, elas namoravam eh sentadas uma do lado da outra dentro de casa com os pais olhando. Elas nem se tocavam, né? Eu lembro que o meu vô cont baile que tinha, porque no baile a as moças dançavam e você viazelo delas. Então imagina quem eu tem eh cresceu no mundo desses, vê um adolescente eh dormindo na casa do namorado, da namorada. Eh, isso é uma é uma diferença de sociedade abissal. A gente muitas vezes subestima a diferença de mundo que era das pessoas que a gente tá vendo hoje, idosas e das pessoas que estão nascendo e crescendo agora, né? Deixa eu dar uma olhada aqui nos comentários. Eh, concordo em partes aqui o Guste M. Gomes. Se os jovens, crianças e adolescentes entendessem realmente o papel da religião, teologia, papel social, vida espiritual, o que a religião representa na história, permaneceriam. Eu concordo com você, a gente já vai chegar aí. Ou seja, creio que os jovens estão carentes de um bom ensino religioso que havia mais antigamente, tanto católicos quanto evangélicos. Eu concordo na primeira parte, mas não muito na segunda. Eu acredito também que os jovens estão carentes de um bom ensino religioso, mas não é o mesmo que havia antigamente. O o ensino religioso que tinha antigamente já não faz nem sentido pros jovens. a gente tem que inventar um outro jeito de dar relevância pra religião, para essas gerações que estão nascendo. E talvez esse seja o maior desafio, porque a gente tem que repensar pra gente também qual a relevância da religião, né? Isso é o difícil. Isso é o difícil. Eh, mas a gente já vai comentar mais disso. O João coloca aqui: "A própria pessoa vai mudando com o tempo". Eu era muito diferente do que sou hoje. Parece que a maneira de viver das gerações nos afetam. Sim, com certeza. Mas com certeza esse negócio que eh que se isolar. Acho então que sou o velho desde sempre. Pois é, eu também sou mais de ficar de boa sozinho. Esses dados da evasão maior entre jovens é comum. Dizem que a culpa é da faculdade, apresenta uma filosofia que confronta a religião e os jovens não têm fundamento intelectual sólido, mas tenho a impressão de que de alguma forma há uma simplificação exagerada dessa visão. Não sei. Eles nem cosmovisão cristã parecem que chegaram a ter, como se bastasse estar escrito na na lição para algo para o jovem acreditar. Eu eu tô mais na sua linha, a gente vai conversando aqui. Eu vou chegar nisso daí também. Eh, o Eduardo coloca aqui o entretenimento antes lhe obrigava a sair para ver um filmtinha aqui para locadora. Hoje é tudo em casa, por exemplo. Até para conhecer alguém é feito em redes sociais e não em eventos sociais. É isso. É uma coisa. Isso é uma coisa também. Eduardo, a Johnny coloca e eh diante disso, pergunto, este distanciamento hoje não está em uma religião abstrata? Vem de uma família judaica. A religião sempre foi prática em nossa casa. Eh, talvez, Johnny, mas esse problema geracional também no judaísmo, que é uma religião muito concreta, também acontece. Também acontece. Talvez a saída dos jovens venha de testemunhos incoerentes dos cristãos. Eh, e o Gust também coloca aqui rebatecinho. O ensino hoje seria melhor até tanto com os os avanços da da arqueologia, história de fundação de um povo, hoje serviam métodos e visões melhores para passar. Esse antigamente me refiro à instituição. Tá, entendi. Entendi. Eh, mas vamos lá. Vários pontos interessantes, né? Até para trabalhar não estamos saindo de casa daqui o Carlos. Exato, né? Eu também não trabalho fora de casa já desde antes da pandemia, que já vai fazer 7 anos, né? Pandemia começou em 2019, é o COVID-19, né? Eh, e a gente tá em 2026, nem parece. Outra coisa que também impactou uma geração de uma forma que a gente não vai conseguir medir, a gente nunca vai conseguir experienciar, né? Eh, algumas coisas que eu acho que impactaram muito a visão de mundo diferente dessas gerações. Eu acho que uma das principais é internet, né? Isso é uma hoje vai ser muito de achismo, tá bom, gente? Eu tô falando muitas coisas aqui. Algumas coisas a gente tá falando aqui de dados, né? Os jovens estão são os que mais se declaram sem religião. Isso é uma coisa que dá para medir e tal. H muitas coisas que eu vou falar aqui, eu vou tô tirando a minha experiência pessoal e e eu vou discordar e concordar com alguma coisa com vocês. E talvez eu esteja totalmente errado e vocês totalmente certos também, porque eu eu estou trazendo aqui ideias pessoais minhas, né? Eh, o Gust até completou aqui, a instituição religiosa era forte antigamente. Sim, sim. Mas é que tá, esse é um ponto, esse é um ponto que existem coisas para usar uma linguagem jovem, né? O o foguete não dá ré, tem coisas que mudaram no mundo que não tem mais como você reproduzir como era antigamente. Uma das coisas que eu vejo que mais impactam a diferença das gerações é a internet. Por quê? Quando eu chego para alguém que tem 40 e poucos anos como eu e falo para ele: "Cara, você lembra do Glub Glub? que passava na TV Cultura, a pessoa vai falar: "Ó, que legal, eu lembro dos desenhos que passavam. Lembra o Castelo Ratimbum? Lembro. Lembro do Castelo Ratimbum. A gente fala de desenhos, eh, do Thundercats, quem quem nunca viu os Thundercats, quem nunca assistiu Ren, até sai um filme novo. Aliás, o cinema apela muito pr pra nostalgia das pessoas da minha idade, né? praticamente todas as as obras de de eh infanto juvenis de quando eu era novo estão sendo trazidas de novo. Eh, ou filme ou jogos, né? Fizeram o jogo do Indiana Jones, estão fazendo, fizeram um jogo do agora do 007. Então, a própria indústria do entretenimento se apoia muito na nostalgia. Eh, hoje isso por quê? porque a gente tinha um um uma sociedade mais unificada, inclusive no entretenimento. Então, todo mundo assistia os mesmos canais, todo mundo assistia Os Cavaleiros do Zodíaco na Manchete, eh todo mundo assistia o Glob na TV Cultura, canal 2, todo mundo via, sei lá, Silvio Santos no canal 4, todo mundo via TV Colosso, canal 5. Eram poucas opções de referências que a gente tinha de mundo. O, a questão é que as crianças que crescem hoje, quando elas se tornarem adultas e elas forem conversar sobre a infância delas, elas não vão ter necessariamente a mesma referência mais igual a gente tinha, porque hoje existem bilhões de opções de entretenimento, de música, de filme, de série, de referências, inclusive como a gente estava falando aqui, que o o o Gus tava falando, né, da da instituição religiosa. eh também vão ter diversas referências de instituições religiosas onde as pessoas eh cresceram. Então, essa eh essa pulverização de referências que se tem hoje faz com que as pessoas não tenham mais eh, por exemplo, quando se discutia um assunto no Jornal Nacional, todo mundo via aquele assunto no Jornal Nacional e todo mundo meio que tinha aquela ideia que foi discutida no Jornal Nacional. Hoje cada um discute o assunto de um jeito diferente. Cada um discute o assunto em uma plataforma diferente. Um discute na internet, outro discute, sei lá, vê um uma TV a cabo, vê um negócio no streaming. Eh, então mesmo como as ideias chegam pra gente, elas chegam de maneiras diferentes. Então essa pulverização faz com que as pessoas dessa geração sejam mais isoladas. Elas não têm mais esse senso de conexão que que a minha geração tinha de que todo mundo cresceu mais ou menos igual, todo mundo tinha as mesmas referências, todo mundo tinha as mesmas crenças, mais ou menos. Hoje não. Hoje a a sociedade se fragmentou de um jeito que não tem mais como voltar atrás, não tem como falar, não, vamos voltar a ter só cinco canais de televisão sem internet. Eh, qualquer pronunciamento, qualquer ideia que vai ser discutida, vai ser discutida nesses canais, qualquer entretenimento vai ser colocado aqui e vai ser, obviamente, vai ser muito mais controlado e tal. Eh, não tem como fazer esse esse tempo voltar, entende? Eh, inclusive as instituições religiosas sofrem muito com isso, porque quando as a as referências que as pessoas tinham eram mais controladas, uma instituição conseguia se antecipar sobre quais os questionamentos que estão chegando e como eu vou responder para eles. Hoje em dia, as pessoas fazem questionamentos que os próprios líderes nunca pararam para imaginar. Então, tem jovens fazendo perguntas dentro da igreja que os líderes nunca ouviram essa pergunta antes. Eles não sabem como responder. E se eles respondem, o jovem falar: "Não, mas eu já vi isso daí, essa resposta num podcast e o outro cara destruiu ele com esse contraargumento aqui." Então, as discussões não acontecem mais da mesma forma como antes, entendeem? Eh, é muito difícil você manter uma uma instituição, seja uma instituição religiosa ou qualquer outro tipo de instituição, quando existe uma fragmentação tão grande e você não tem mais eh, né, você não é mais a referência, a única referência ou uma das poucas referências que as pessoas têm. As pessoas têm milhões de referências e você é só mais uma. Então, quando uma instituição religiosa dá um argumento teológico, eh, eu posso pesquisar bilhões de contraargumentos na internet e é muito mais difícil de responder, né? Então, eh, a gente tá falando aqui das instituições religiosas como eram fortes. Hoje todas as as institui instituições se tornaram mais fracas, entende? a gente não sabe inclusive onde isso vai dar, porque inclusive as instituições eh civis eh também estão enfraquecidas. As pessoas questionam muito mais o nosso modelo de de sei lá, de de democracia, o nosso modelo de de de organização do Estado, do que se discutia há 5, 10, 20 anos atrás, né? Então é muito difícil hoje qualquer tipo de conjunto de pessoas que tenham o mínimo de coesão. Vocês estão entendendo o que eu quero dizer? Eh, deixa eu ver aqui se eu se eu tô fazendo sentido para vocês, né? Muito as igrejas para trazer jovens para dentro são levando a performance do mundo também. Outra coisa que a gente pode comentar, eh, o Urias falou: "Não faz sentido". Tá, pelo menos não tô falando maluquíes aqui, que às vezes é difícil de explicar essas coisas, né? E parece que o simples fluxo de informações já cause um certo aumento de maior disceticismo. É bem comum os grandes centros metropolitanos possuírem mais discrentes ou sem religião em relação ao ao interior. Sim. Aham. Eh, com a internet, todo lugar, todo lugar virou uma certa grande metrópoles. É isso. É isso, é esse. Acho que esse é o ponto aí. É bem isso mesmo, né? Eh, a gente tinha muito essa separação entre interior e e os grandes centros urbanos. E hoje as culturas de grandes centros urbanos, elas vazam pros interiores. Os interiores não são mais lugares isolados, nenhum lugar mais é isolado. Então, todos todas as melhor milhares de culturas diferentes, elas se espalham, os nichos se tornam imensos, né? Pessoal fala, né, na internet você de vez em quando esbarra com um cara que tem 20 milhões, 10 milhões de seguidores, eh, e fala: "Ué, mas nunca ouvi falar desse quem esse cará?" Ele fala para um nicho então esse que é o negócio, né? a o próprio fato de eu est falando com vocês, eu sou um criador de conteúdo. Eh, nesse momento eu tô falando aqui com 20, 30 pessoas, eh, eh, sem precisar todo mundo ir para um lugar, sentar e todo mundo concordar. E eu tô falando, algumas pessoas concordam, outras discordam. Umas acham que faz sentido, outas outas acham que não faz. Então, a própria coisa, o a própria coisa que tá acontecendo aqui agora já é um um elemento dessa sociedade absurdamente fragmentada que a gente tem, né? Eh, tudo. E a Grande Metrópoles é justamente isso, né? Porque os grandes centros urbanos é onde você tem uma convergência de de diferentes culturas. Então, surge uma certa cultura de saber lidar com diferentes ideias, coisas que antigamente no interior você não tinha tanto, você não tinha muito o fluxo de ideias em lugares onde você não tem diferentes culturas convergindo, né? Eh, e por isso aquela cultura ficava mais cristalizada, as pessoas conseguiam nascer, morrer e e não entrar em contato com algumas ideias que circulavam em outros meios, né? Hoje isso não existe mais, né? Só se você for uma pessoa mais idosa e não se conectar com a internet, né? O que já tá se tornando até mais incomum. Até as pessoas idosas elas interagem muito na internet, né? Eh, aí o Patrick até coloca aqui, sem coesão maior a ansiedade, eh, os jovens não têm em o que se apoiar, estão em constante mudança de argumentos que entram em conflito com a religião. Então esse é um elemento bem interessante também, Patrick, porque outra coisa que não é só opinião minha agora é que de fato as pessoas mais jovens são muito mais ansiosos e tem muito mais eh problemas de saúde mental. Eh, e isso até existem estudos que conseguem fragmentar isso. Então, eh, tem um estudo de um sujeito chamado Jonathan Heidit. Eu tenho o livro dele aqui, A mente moralista, um livro excelente, eh, que tem muito a ver com o que a gente tá falando aqui também. Ele tem, inclusive, um segundo livro que eu não tenho ainda, eu queria ter, que fala sobre, eu acho que é a geração ansiosa, o nome do livro, inclusive. Deixa eu até ver. Eh, Jonathan Heidit, a geração ansiosa. Exato, a geração ansiosa. E ele fala bem sobre isso, Patrick, eu não li esse livro, então não sei os argumentos que ele dá, mas eu sei que os dados são que essa geração é mais ansiosa, né? Uma coisa que eu chuto, eu não sei se o o Heidit vai falar no livro dele, mas é que justamente essa falta de coesão faz o seguinte, eh quando eu era criança, se o mundo continuasse exatamente igual, se nada mudasse, eu tinha um caminho a percorrer que tava fechado. Então, o caminho era o seguinte, eu nasço, eu sou cuidado pelos meus pais, entro na pré-escola, aí eu tenho todo um percurso acadêmico na minha vida para seguir. Então, eu vou fazer a a a pré-escola, depois eu faço um ensino fundamental, ensino médio. saindo do ensino médio, eu escolho uma faculdade, faço o ensino superior, eh, e aí eu vou trabalhar, eh, e depois de eu trabalhar muitos anos na mesma empresa, eu me apo, tenho filhos, eu me aposento, eh, e acabou minha vida. E é isso. O, o percurso da sua vida já tá traçado quando você nasceu. Então, antigamente era assim. Eh, só de eu falar isso, muita gente já pode pensar que eu tô falando de um de um jeito negativo sobre esse trajeto pré-definido e não, e eu não tô eu não acho que isso necessariamente ruim. Eh, e é justamente isso, o fato, existe um fenômeno eh psicológico que é o seguinte: se você chega para uma pessoa e fala: "O que você quer comer? Eh, um bolo ou um ulse de maracujá? a pessoa vai escolher se ela quer o bolo ou mousse de maracujá. Eh, e isso colocar essa essas escolhas diante da pessoa traz um certo grau de ansiedade. Ansiedade não é necessariamente uma coisa ruim eh dependendo do que você tá querendo dizer por ansiedade. Então, ansiedade é o que faz você levantar da cama de manhã, porque você tem tá pensando em coisas, você quer resolver problemas. Então existe um certo nível de de ansiedade que não é só saudável, mas é esperado que as pessoas têm. Se elas não tiverem, elas só não levantam. Elas acordam, abrem os olhos e não levantam. Então, e e essa escolha entre duas alternativas te causa uma um certo nível de ansiedade. Se eu chegar para você e falar: "O que você quer comer e te der um cardápio com 200 opções?", você vai ficar muito mais ansioso. Você vai ficar muito mais ansioso porque você vai olhar as 200 opções. Você vai ficar com vontade de de experimentar umas 50 delas e você vai ficar pensando, cara, e se eu escolher essa e ela não for boa? Putz, será que eu devia ter escolhido a outra? Então, eh, isso é um fato também estabelecido pela psicologia. Excesso de opções causa ansiedade. Então, como eu tava falando, antigamente você tinha o trajetório da sua vida pré-definido, eh, e essa vida não causava ansiedade além das ansiedades, digamos assim, comuns da vida, o estresse do trabalho e não sei o quê. Hoje em dia, como você tem tantas opções, você tá constantemente questionando se você tá na opção correta, entende? Se você tá vivendo a versão correta do multiverso de você possíveis que existem. Então eu tô eh eu eu tô em esse esse emprego aqui eh eh tá muito ruim. Puxa, será que eu devia ter mudado de emprego? Será que eu devia ter escolhido essa essa profissão? Será que eu não devia ter largado tudo e me mudado para outro país? Será que eu não devia ter aberto um canal no YouTube? Será que é tantas opções que você tá sempre com a sensação de que você não escolheu a melhor possível. Isso causa muita ansiedade. Então, eh, para mim, particularmente, o excesso de opções necessariamente é um elemento de de causar mais ansiedade para essa geração, né? Então, sem dúvida. Então, tem um lado positivo que as pessoas são livres para escolher o que você quer, mas é tanta liberdade que você nunca sabe se você escolheu direito. Isso causa mais ansiedade. Então, eu acho que isso é um fator, sim. Eh, bom, aí, eh, como o Patrick tinha comentado aqui, tô lendo de novo o comentário dele, que a religião entra nesse fator também. Porque a religião, eh, eu até comentei um pouco disso na última live, que eu tava falando sobre a minha história, né, e que eu sou adventista, porque meus pais eram adventistas e eu continuei adventista e eu não acho isso necessariamente eh uma coisa ruim, porque eu não compro necessariamente a ideia de que você para você estar certo na sua religião, você tem que estudar estudar todas as religiões do mundo e aí você vai encontrar aquela que realmente mente é a verdade e aí você vai se converter a ela, aí você vai estar certo. Não, eu não acho. Eu acho que eu seguindo a minha religião, eu posso estar certo ou errado. E ao mesmo tempo o cara que é hinduísta lá no outro lado do mundo, ele pode estar certo ou errado também na religião dele, dependendo da forma como ele põe a verdade, como ele ele ele se dedica de verdade dentro daquela religião, dentro das opções que estão na frente dele. Se você considerar todas as opções do mundo na sua frente, você não tem opção nenhuma, entende? Eh, o nosso cérebro não foi feito para escolher entre tantas opções. A gente não consegue lidar com escolher entre tantas opções, né? Tanto que eu lembro uma coisa que me chamava atenção naquele programa do eh o o como que é o o como que era o nome? que o sujeito ia reformar um restaurante. No Brasil era o Jacan que fazia, mas tinha versão do eh eh até esquecido aquele cozinheiro eh eh inglês, né? Eh que uma das primeiras coisas que o pessoal fazia quando ia reformar um restaurante é quando pegar aquele cardápio que tem sete, oito páginas falar: "Não, joga isso fora." Esse cardápio aqui tem essas opções, tem, você tem 10, 15 opções e acabou. Não, mas o nosso tinha era muito melhor porque tinha 50 opções, tinha 120 opções. Não, isso é péssimo. É péssimo pra experiência da pessoa sentar e ter que fazer um pós-doutorado para escolher o prato que ela vai comer. E é péssimo pra sua cozinha, porque você tem tantas opções que você não consegue ficar boa, bom em nenhuma delas, né? Então, esse excesso de opção eh não é não é uma coisa necessariamente boa. Para mim não é, para mim não é. Eh, tanto aumenta a ansiedade e também não faz você realmente decidir com base em todas as opções, porque você vai ver aquelas milhões de opções na sua cabeça e você vai seguir, vai decidir intuitivamente, porque você não tem como um ser humano analisar tantas opções assim de vida, né? Então você vai se sentir, na verdade a deriva. Você não sabe mais o que que você tá fazendo. Você tem sempre uma sensação de que você sua vida deu errado, você escolheu errado. Tinha tantas opções, você escolheu aquilo não era para escolher. Você sempre vai ter essa essa sensação, né? Coisa que os meus avós nunca pensaram. Eles não não questionaram se eles deviam ou não ter filhos. Eles só tiveram. Eles não questionavam se eles deviam ou não seguir aquela aquela profissão. É a que apareceu para eles, entendeu? Eh, por um lado, a Hells Kitchen o que alguém colocou. Isso, obrigado. É o Gordon Gordon Rumsage, né, que era a versão americana. Eh, então, eh, a sua vida não é melhor porque você teve milhões de opções e você analisou todas e tomou a melhor decisão. O fato é, se você tem poucas opções e você é uma pessoa que não se adaptou a nenhuma delas, a sua vida vai ser um inferno. Tem pessoas que não se adaptam à única opção que você deu para elas. Não tem jeito. Eh, sempre vai ter uma pessoa que vai nascer e ela não consegue se conformar com aquele caminho pré-preparado que foi colocado na frente dela. Agora, nem todo mundo é assim. A gente falou tanto dessas pessoas que não se adaptam, que a gente criou eh adaptações para todas as opções possíveis. E aí quem não é desse tipo de pessoa, quem só quer viver a vida dela normalmente, já não sabe se encontrar, não sabe mais o que que é viver a vida normalmente, entende? Então essa, sem dúvida, é mais um elemento que causa aí uma uma cisão entre as gerações e causa também muita ansiedade, muito sofrimento para para gerações mais novas, né? Eh, aí o Johnny colocou aqui, eh, mas como pode ter tantos acessos à informação e ao mesmo tempo saberem muito pouco e levarem uma vida sem sentido ou propósito, né? É mais ou menos o que a gente estava falando, né? Eh, até porque esse é um é um dilema da internet, né? A quantidade de informações é até pior, porque quando você quer saber qual é o formato da Terra, você ter milhões de pessoas, cada um falando uma resposta diferente, não te ajuda a você saber realmente o formato da Terra. Você precisa organizar essas informações e saber qual informação é mais valiosa do que outra. Você tem que ter critérios bem definidos. Não tem jeito. Não tem como cada ser humano na sua vida pessoal reinventar a roda. Ela tem que viver uma roda que foi inventada para ela antes, entendeu? Então a gente não adianta colocarem na diante da gente todas as informações do mundo, sendo que a gente não sabe nem ter critérios para saber escolher essas informações. Outra coisa que é que é um problema também para para essa geração mais nova que tem que lidar com essa enchurrada de informações, né? Eh, discutir o formato da Terra é uma coisa que não se fazia antigamente. Hoje se discute e não só se discute, se gasta muita energia nisso, entende? Eh, uma coisa que, beleza, a Terra é redonda, Terra é geoide, na verdade, né? A Terra é é eh eh é esférica com os polos levemente achatados. Isso eu eu nem questiono, mas beleza, mas na prática, na prática esse assunto não faz muita diferença para você gastar tanta energia, a não ser que você vá trabalhar com alguma coisa que que isso influencie diretamente, mas na prática isso não é uma questão da vida mesmo, entende? Então, as tantas opções, as tantas respostas que você tem, faz a gente perder tempo com questionamentos que nem são relevantes, na verdade, paraa sua vida pessoal, nem são. Eh, deixa eu voltar lá onde eu tava. Johnny tinha falado, né, de tantas informações. João coloca: "Eu mesmo perdi minhas referências na igreja, vendo os argumentos dos pastores e comparando com os contraargumentos. O pensamento parece que ficou encachotado no passado. Tenho procurado canais como o seu, com perguntas e respostas abertas. Pois é, João, esse é um ponto. Eu também não cresci. Eu cresci numa igreja mais fechada e tive que lidar. Isso foi um problema para mim na adolescência com o tanto de respostas que estavam sendo colocadas na minha na minha frente. E aí eu prefiro ter uma postura mais aberta. Não vem assim, olha, eu tenho aqui a resposta para todas as suas perguntas e é essa, essa não. Eu tenho um jeito de pensar que eu acredito fazer sentido, porque eu confio em uma tradição milenar. Agora, eh, você tem outra resposta e que talvez faça mais sentido para você, tá bom? Ótimo. Beleza. E talvez seja esse uma das questões. A gente tá muito preocupado com a evasão da dessa geração da igreja, mas isso é uma coisa que eu questionava muito na igreja que eu frequentava. Ainda questiono, sair da igreja é o pior? Esse é o grande problema mesmo, porque eu já vi muitas, muitos jovens que não saíram da igreja, continuam lá na igreja, mas que parecem não ter vida espiritual nenhuma. Eles estão na igreja porque eles acharam amigos na igreja, porque eles acharam um lugar confortável na igreja, mas não são pessoas religiosas. E tem muita gente que sai da igreja, mas são pessoas religiosas, têm uma vida espiritual, talvez não tão saudável quanto gostariam, mas quem que tem, né? Então, adultos mesmo, tantos adultos que eu vi que nasceram, cresceram e e nunca vão questionar sair da igreja. E eu me pergunto, será que eles não deviam questionar? Porque eles não são pessoas religiosas, eles têm uma tradição religiosa. Ou seja, eles acreditam que Deus existe. Eles acreditam que se tem que cantar essas músicas, eles acreditam que você tem que vestir essa roupa, eles acreditam que tem que fazer isso desse jeito. É uma é uma cultura, uma tradição. Mas eles têm um relacionamento pessoal com Deus. Eles são pessoas que t uma vida espiritual, não tem. Então, esses, muitas vezes, esses adultos que não são espirituais tão preocupados com jovens que estão saindo da igreja. Então, eh, aí eu me questiono, essa preocupação que a gente devia ter não seria, na verdade, não ensinar eles a a essa cultura religiosa, mas ensinarem a ter um relacionamento com Deus e que às vezes eles vão ter em outro lugar, não igreja. Pode ser, pode ser que a igreja, eu não sei se a igreja, bom, com certeza a igreja não vai sobreviver do jeito que a gente conhece, eh, e com do tamanho que a gente conhece, né? A as essa evasão, eu não acredito que ela vai parar, ela vai sair, muita gente vai sair da igreja. A minha pergunta é: quem tá saindo? Eh, a gente falou: "Ah, então acabou, saiu da igreja, acabou", né? Esse já não é mais, não tem mais relacionamento com Deus. Eh, é isso que eu não queria pensar. Eu, um dos objetivos até desse canal também é fazer gente que não é, mas não frequenta igreja, pensar em temas religiosos, espirituais, sabe? Eh, não é converter ninguém para igreja nenhuma, não. Então, talvez a gente tenha que repensar até mesmo o modelo de religião que a gente tem. Será que ele vai fazer sentido daqui a 5 anos? Imagina daqui a 200 anos. né? Então essa é uma questão. Aliás, deixa eu até mostrar uma uma coisa que é um assunto que eu queria mostrar para que eu queria conversar com você. Deixa eu ler os comentários. Depois eu eu vou para esse outro assunto, né? Eh, o eu até me perdi um pouco nos comentários aqui. Ah, tá. O Eduardo falou: "É tanta opção que fico meia hora para escolher um filme, depois vou dormir e não vejo nenhum". Parece eu. Minha esposa me dá o o controle falar: "Escolhe alguma coisa aí pra gente assistir e passa 5 minutos, ela arranca o controle da minha mão e fala: "Para de ficar zapeando, vamos pôr qualquer coisa aqui." Aí a minha noite passa o programa da noite é escolher coisas. Fica a noite inteira escolhendo coisas, né? Eh, me parece que Paulo é um bom modelo, pois Paulo era cosmopolita, mas não nascem muitos Paulos em série por aí. Pois é, não nasci muitos Paulos em série por aí, porque é um sujeito que, apesar de ser cosmopolita, um de grandes centros urbanos, ele também conseguia enxergar o o valor das tradições e ao mesmo tempo ele sabia romper com essas tradições na medida em que fazia sentido romper com elas. se tornar cristão foi um rompimento absurdo com uma tradição. Ao mesmo tempo, ele não ele não rompe completamente com essa tradição. Ele não deixa de ser judeu. Ele fala que ele continua sendo judeu. Ele ele reitera suas tradições, mas agora ele vê essas tradições de uma perspectiva diferente. Então é é muito difícil achar esse ponto, né? Eh, bem interessante isso daí, né? Urias falando aqui, faz sentido. Lembro que até os criadores de conteúdo eh nerdísticos estão em conflito porque já não conseguem mais acompanhar todas essas opções de entretenimento para fazer seus comentários daquele conteúdo. É exato. Exatamente. E o FH Batista, acho que essa falta de coisão deve piorar cada vez mais. Me parece ser uma preparação para muitas guerras, conforme Apocalipse. No caso, as guerras civis. Acha que tem sentido? Olha, FH, eu não sei dizer guerra civil, eu não sei aonde pode parar, mas eu acho que ela também não vai isso. A gente tá caminhando nesse sentido, não é só um movimento que aconteceu, a gente continua nele, né? E essa falta de coesão acaba se tornando uma falta de coesão de visão moral. Eh, que que eu quero dizer com isso? o que é certo e o que é errado. Havia uma certa coesão na sociedade sobre o que que era certo, o que era errado, com uma ou outra voz dissidente. Hoje em dia, você tem milhões de grupos que são inconciliáveis. Um olha pro outro, fala: "Aquele grupo é horroroso. Eles são o pior que existe do ser humano. Olha a ideia nojenta que eles têm". E o outro grupo vai olhar para eles e vai falar a mesma coisa, porque a visão de mundo sobre moralidade, sobre o que que é certo, o que é errado, o que que é bem e o que é mal, já se fragmentou tanto que não se reconhece mais, né? É o tecido social que que se fala tanto, né? O tecido social foi quebrado. A gente não consegue, a gente olha, por exemplo, pro quais são os valores do país, qual são os valores do Brasil. Ninguém sabe quais são os valores dos Estados Unidos da América. Depende. Você é democrata ou é republicano, mas você é um republicano trampista ou você é um republicano não trampista, mas você é um democrata socialista ou você é um democrata de um socialismo mais eh de uma socialdemocracia. Então esse essa fragmentação se torna tão grande que até o que é mais fundamental, que é o certo ou e errado, que é o que as pessoas matam e morrem por causa disso, acaba se fragmentando e aí começa a ficar perigoso. E eu concordo com você, que tá ficando perigoso, eu não sei, né? a gente já tá começando a ver e gente ameaçar o outro de morte, tensões de grupo que você fala: "Cara, se esses grupos foram colocados no mesmo lugar, não vai dar certo, vai morrer gente, porque esses grupos não se reconhecem mais como parte de um país ou de um, ou como a gente tava falando da mesma igreja. a mesma igreja. Eu nasci adventista, mas às vezes eu olho para alguns adventistas e eu penso, cara, eu eu tenho alguma coisa em comum com essa pessoa pra gente ter um um mesmo nome de religião, entende? Então, a fragmentação acontece, ela é preocupante, porque o que unir as pessoas com propósito acaba se desfazendo e a gente não sabe onde isso vai pode parar, né? Eh, a Lucilene fala aqui: "Boa noite, esse assunto é recorrente através dos séculos. Entendo que é fruto da árvore do bem e do mal. Bem maniqueísta, com o cristianismo surge a terceira vi árvore da vida". É, pode ser, Lucilene, pode ser. É, eh, é que por mais que seja, é um assunto que tem a ver com a natureza humana, digamos assim, fora do Éden, ao mesmo tempo a gente hoje tá vivendo condições únicas desse desse tipo de questionamento, entende? Tem pessoas que nunca estão satisfeitas aqui, o Gust e me parece que nesse caso aí que nasce a inveja. A pessoa não tem inveja do que a outra tem, mas de que a outra pessoa é satisfeita com o que tem. Eust. É verdade. E inclusive o uma das fontes de de sofrimento dessas gerações mais novas é um negócio chamado Instagram. Por quê? Porque todo mundo faz uma propaganda de si mesmo, da sua própria vida, né? Então você tá lá sentado na tua casa nas férias, aí você abre e olha, poxa, a pessoa tá comendo um prato incrível lá nas lá no no outro lugar do país. Olha esse cara aqui viajou, olha aquele fez não sei o quê. E você começa a pensar, cara, todo mundo tem uma vida melhor que a mim. A minha vida é uma porcaria. Todo mundo tem uma vida melhor, porque todo mundo tá mostrando só um aspecto muito bom da vida, que às vezes nem é exatamente aquilo, mas foi colocado de um jeito, foi tirado uma foto de um jeito, foi retratado de uma maneira que parece que ela tá muito feliz, que tá tudo muito bem. A minha vacina contra isso, eu uso muito Instagram, é sempre eh ter certeza que as pessoas são têm vidas muito mais miseráveis do que elas mostram ter. É a minha vacina. Eu olho uma pessoa sorrindo, feliz com a família. Ela é miserável. Ela é miserável. Ela está em sofrimento terrível. Ela odeia a própria família, ela não quer estar nesse lugar. Eu olho e penso isso, aí eu fico tranquilo. Fal: "Ah, pelo menos a minha vida não é tão pior assim do que a de todo mundo". Não, eu tô brincando aqui, mas o isso é uma coisa de verdade. Eh, essas essas redes sociais que as pessoas mostram muitos aspectos da sua vida causam muito sofrimento de saúde, tem causam problemas de saúde mental, porque você vai sempre ter a sensação que a sua vida é muito pior do que a das outras pessoas, né? Isso acontece de verdade. [limpando a garganta] Aí a Lucilene continua aqui, né? Uma experiência pessoal com Jesus apaga qualquer conflito porque sai do tempo e passa para a eternidade. Passei por muitas religiões, mas a experiência pessoal com Jesus me tirou da religiosidade. Ah, tá vendo esse esse discurso mesmo, Lucilene, que é uma coisa que se torna cada vez mais forte, né? Eu não gosto de usar a palavra religião nesse sentido pejorativo, mas eu entendo o que as pessoas querem dizer. É como você usou aí e religiosidade, né? Eu entendo o que você quer dizer, porque as instituições acabam não conseguindo entregar para as pessoas o que elas precisam, a necessidade que elas têm. Então você tá preso a uma instituição religiosa acaba sendo uma coisa que não tem mais valor em si. Então você não precisa mais do intermediário, sabe? De alguém vir dizer para você o que que é, o que devia ser. Não, você consegue buscar isso. Então eu entendo o que você quer dizer. Faz sentido, sim. Tem um trecho do livro dos irmãos Karamazov. Ixe, perdi. Ah, ah, pulou aqui os comentários e eu me perdi. Comentário do Aid. Achei. Eh, tem um trecho do livro dos irmãos Karamazov do Dostoevsk chamado O grande Grande Inquisidor, que ilustra perfeitamente esse problema na escolha do contexto religioso. Basicamente, o grande inquisitor manda aprender Jesus porque diz que ele era a fonte da angústia dos novos dos povos. Enquanto o inquisidor, ao dar apenas o que as pessoas precisavam, evitava a angústia de saber o que fazer. Vale muito a pena ler. Uma crítica ao modelo de como Dostoes enxergava o catolicismo, né? Eu acho que se baseia em parte na caricatura da frase de Inácio de Loiola. Se a igreja determinar o que o que vemos como branco é negro, devemos professar que é negro. Exato, né? 1984 também. E o o essa é uma questão, né? a gente viveu eh ali no período do das guerras e o pós-guerra questionou muito isso. Eh, um período de muita eh muito autoritarismo por parte das instituições que vem falar: "Isso é assim e você tem que entender assim e não cabe a você questionar. Isso precisava ser criticado e foi muito criticado. E aí a gente foi pro outro lado do pêndulo, ao ponto em que não existe mais, ninguém pode te afirmar nada. Não existe mais certo ou errado. Não existe mais valor nenhum em nenhuma instituição. Não existe mais valor nenhum em tradução nenhuma. E aí a eh a sociedade vai para um lado em que o questionamento é um valor em si. E essa um essa é uma outra questão, né? Quando o questionamento é um valor em si, aí que surge o terraplanismo. Porque antes de você estudar e entender porque aquilo foi estabelecido, você questiona: "Não, eu não acho que a Terra é redonda, não, porque eu olho para o horizonte, o horizonte é reto." Tá, mas você já parou para estudar isso? Parou para entender porque as instituições científicas acreditam nisso? Não, eu eu olhei aqui e acho que não. Então, o questionamento em si, ele é muito importante, vocês sabem aqui a gente gosta de questionar as coisas, mas quando o questionamento se torna um valor em si mesmo maior do que o aprendizado, quando você questiona antes de aprender, você vai pro terraplanismo. Você questiona com base nos critérios que são subjetivos seus e não com base em uma coisa que foi construída por gerações, entende? Porque você tá justamente destruindo esses critérios que foram construídos por gerações. Então se torna é o é o é a sociedade líquida, né, do Balmon. Se torna uma coisa que não tem solidez. Você você tá, como eu falei aqui agora a pouco, você tá reinventando a roda de novo na sua geração, a roda que você quer e não a que os outros fizeram, entende? Então, eh, esse questionamento da do autoristaismo das das instituições é foi fundamental, importantíssimo, mas talvez a gente tenha passado um pouco o ponto e a gente já não sabe mais onde a gente tá, entende? Eh, é o questionamento e é a crítica da crítica que eu faço. Eh, o Eduardo coloca aí hoje há um afastamento das pessoas. É normal falarem que não querem ter filhos, não querem casamento e não e preferem ficar sozinho? Será que isso tem relação com as escrituras sobre amor se esfriando? Eu não acho, Eduardo, eu não acho que é um, eu não acho que isso é um, é um, a percepção que eu tenho desse texto, pelo menos, eu acho que o amor esfri é outra coisa. Eu acho que as pessoas não estão menos amorosas de forma geral, apesar de eu ver isso começar a acontecer também. Mas eu acho que a forma das pessoas demonstrarem afeto, se relacionarem e amarem vai mudando, né? a própria estrutura de família tradicional que a gente fala, é o pai, a mãe, todo mundo lá certinho e tal, ela vai se quebrando. Muitos pais abandonam a família, eh muitas e casais têm problemas, se separam, muita criança é criada pela avó, pelo avô, pelo tio e tal, mas isso não significa que a o o sentimento daquela família que é a avó e o filho e tal, não seja um sentimento real, vai mudando as relações por questões. Nesse caso, eu acho um problema, até porque a gente sabe por dados que uma criança que nasce em um uma família estável com pai e mãe, ela tem menos problemas de saúde mental, elas ela tem melhor desempenho na escola, etc e tal. Eh, mas nesse caso que não deu certo isso, aquela família também é legítima, digamos assim. Ah, não, o amor, o sentimento de família não deixa de existir. Ele só se, ele só existe de uma forma diferente, não tradicional, né? Sobre a tomada de decisão, está valendo um trabalho processos não declarativos em tomadas de decisão, modelos e experimentos do Álvaro Machado Dias. E ele vai nessa sua linha, diz aqui o AID. Aid, aonde você viu isso? Eu acho que eu vi isso em algum lugar. Processos não declarativos em tomadas de decisão. Modelos. Eu li essa frase em algum lugar ou eu tô tendo um de javô aqui. Isso me pareceu familiar de algum jeito. Vi alguém comentando em algum lugar eh eh de que nós humanos não tomamos decisões após aplicar um processo analítico em todas. E aí decidimos. Ele fala de um tal sistema três que é meio intuitivo e cerca de 20% das decisões mais importantes ao longo da nosso dia a dia, é desse modo que tomamos, baseado no que nos parece certo, barra mais certo. Ele diz que nossa capacidade cognitiva esgota antes de conseguirmos analisar todas as opções analiticamente. Eh, aí escolhemos mais por cansaço do que por análise, achando que escolhemos por análise. É isso. É isso. Eu eu eu não vou dizer só que eu acredito, mas eh as evidências me levam a entender que isso é o que de fato acontece, né? O próprio Jonathan Heid, que eu comentei aqui, ele fala de uma coisa interessante que eh não existe uma diferença tão grande assim entre razão e emoção. Eh, que muitas processos que a gente acha que são racionais, eles são mais intuitivos do que racionais. Então, por exemplo, quando você eh quando é colocado na sua frente, é uma pergunta, quanto é 5 + 5? Letra A, 780 bilhões. Letra B, chave inglesa. Letra C, 10. Letra D, a a as memórias póstumas de Brascubas. Você acha que você chegou à conclusão que é 10? racionalmente, mas o seu cérebro, na verdade, chega a essa conclusão intuitivamente, porque quando aparece a opção 10 milhões, você não eh você não para para calcular esse 10 milhões. Você bate o olho, intuitivamente o seu cérebro faz associações que falam: "Olha, isso daqui não está dentro do mesmo contexto semântico dessa pergunta". Então, intuitivamente, isso é descartado. Até mesmo o 10, a gente fala que 5 5 + 5 é 10, mais por memória do que realmente por fazer o cálculo do 5 + 5 é 10. a gente decora a tabuada, a gente não fica calculando. Então, é muito mais evocação de memória e intuição, eh, que tá relacionado com muitos testes aí de de de inteligência, de, né, de full vest, de de avaliação, do que de fato a inteligência, o cálculo, vai muito mais intuição. Então, a a o nosso cérebro ele ele ele ele funciona muito mais na intuição do que num realmente num cálculo racional. Eh, o que o Hid vai falar é que o ele vai comparar o nosso cérebro a um a uma a pessoa conduzindo um elefante. A pessoa tá lá em cima do elefante conduzindo. Eh, o elefante é muito maior do que a pessoa. Então, a pessoa acha que tá conduzindo ele, mas não tá. é o elefante que vai para onde ele quer. Então é meio que a gente primeiro escolhe as coisas intuitivamente, emocionalmente, com base na subjetividade, que o Patrick colocou eh e depois a gente acha uma uma justificativa racional para aquilo e a gente se convence de que é aquela justificativa racional que levou a gente aquela decisão, mas não foi. Quer ver uma coisa que eu acho interessante, né? o eh Jax Ducan, né? Um um eu acho que já até comentei isso daqui em outro lugar. O Jaes Ducan é um teólogo eh de origem judaica e aí ele escreve lá sobre os argumentos do de Jesus seu Messias, né? Fez uma série de de aulas sobre isso e um aluno veio falar para cara, com tantas provas assim, né? Eh, por que que os judeus não não aceitaram que Jesus é o Messias? Ele virou pro cara e falou: "Uá, mas pera aí, você se tornou cristão há quanto tempo?" "Ah, faz 15 anos". Tá, mas você foi ver essa aula só agora. Só agora você tá vendo as justificativas racionais no texto e tal de que Jesus é o Messias? Como você aceitou que ele era o Messias antes disso? Então, por outros motivos, né? Porque aquilo mexeu com você, porque aquilo fez sentido para você. Eh, porque alguém que era seu amigo era cristão e fez você eh você admirar a a crença daquela pessoa, porque alguém fez uma boa ação para você e te falou de Jesus ou sei lá o quê. Então, eh, isso daqui, essas aulas que eu tô dando, não é não é para você convencer as pessoas racionalmente. Ninguém é convencido racionalmente, né? Eh, as pessoas são convencidas por causa do afeto e eu acredito muito nisso. O afeto vem primeiro. As decisões que a gente toma a até mesmo agora a gente tá entrando na época política, as pessoas vão falar sobre o o eh política e tal, vão falar do do dos do que porque ela tá votando em X ou Y e tal. Ela tá votando por afeto. Primeiro, afeto às vezes por aquela pessoa ou às vezes por um conjunto de ideias que aquela pessoa representa e depois ela só uma justificativa racional. E eu tô falando isso não porque eu sou superior, porque eu escolho racionalmente, eu estou fora da Matrix, não. Eu também, eu percebo em mim mesmo isso acontecer. Então, o afeto, a intuição, a emoção, a subjetividade, ela é um monstro incontrolável. a gente tenta justificar as coisas que esse elefante, os caminhos por esse onde esse elefante levou a gente. Eh, depois com argumentos racionais, ele tá, ele aparece muito mais depois da decisão tomada do que na hora da decisão em si. Então, a gente vive muito mais na intuição, muito mais, né? E eu tô plenamente convencido disso. Eu acho que a gente tem muitas evidências para para se falar sobre isso, né? E isso faz me faz pensar como é importante o afeto das pessoas, a gente cuidar com isso, né? Eh, bom, é isso. Eh, aí o Patrick até coloca aqui correr de um leão para dar de cara com urso, correr do autoritarismo e cair em uma espiral de subjetividade. É, é o movimento pendular, né, Patrick? Nossa, o pêndulo veio muito para cá. Que horror. Vamos empurrar ele para lá. Aí empurro, ele vai parar lá do outro lado e começa. Poxa, não era para ele ir lá, era para ele parar no meio, no no equilíbrio, na Não, não é. A gente sempre quando a gente empurra o pêndulo, ele vai para outro lado, né? Bom, por último, gente, pra gente terminar, eu queria só mostrar uma coisa aqui que eu acho interessante. [limpando a garganta] Vocês já viram esse essa imagem desse avião? Essa imagem é o seguinte, é um é uma imagem que é virou um clássico de representação de um viés cognitivo chamado o viés da sobrevivência. Então, qual que é a historinha por trás desse avião aí? Eh, os aviões saíam para combate na Segunda Guerra Mundial e quando eles voltavam, voltavam pouco os aviões. Muitos aviões foram abatidos, né? Então eles pegavam, começavam a mapear aonde esses aviões foram atingidos. Os que voltavam voltavam cheio de de buraco de bala, né? Então, aonde esses aviões foram atingidos? E aí esse esse avião aqui é um mapeamento de onde esses aviões tomaram mais tiros. Então o sujeito começou a olhar isso e falou: "Olha, beleza, tomou mais tiros aqui nas asas, nas na na nas asas aqui na asa de trás, nas partes laterais e aqui bem no meio do corpo. Qual seria a decisão racional de aonde esses aviões deveriam ser reforçados? Eh, se perguntassem para você, beleza, daqui é a média de onde os aviões estão tomando mais bala, onde que eu devo reforçar a fuzilagem desses aviões? O que a gente diria assim de cara é, ué, parece óbvio, né? Vamos reforçar os aviões nos lugares onde tem os buracos de bala. Só que aí o sujeito chegou e falou: "Não, a gente tem que reforçar os aviões em todos os lugares". da fuzilagem dele, menos aonde tem buracos de bala desses aviões que voltaram. Aí você fala: "Não, pera aí, mas qual é o sentido disso?" É porque esses aviões que voltaram e pousaram são os que sobreviveram. Os aviões que caíram foram os aviões que tomaram tiro em outros lugares. Os buracos de bala nesses lugares que estão mostrando aqui são os buracos de bala que não derrubam os aviões. Entenderam? Então, ó, a gente tem que reforçar a fuzilagem dos aviões justamente aqui nos motores e na cabine. Aí parece até óbvio. É, realmente, né? Os motores e a cabine parece ser os lugares mais óbvios. Então, eh, os buracos de bala faz a gente ter um viés errado de o chamado viés de sobrevivência, a gente decidir o que aconteceu, o que não aconteceu com base em quem sobreviveu, porque a gente não considera os aviões que caíram, a gente tá considerando os aviões que pousaram. O que eu quero dizer com esse com essa imagem e com esse explicação do viés de sobrevivência, né? A gente tá falando aqui de gerações, eh, conflitos das gerações na igreja e de jovens que abandonam a igreja e tal. A gente normalmente quando vai falar com os jovens sobre o que que a gente deveria fazer, a gente vai e pergunta pros jovens da igreja: "E aí, que que vocês querem? Que que a gente faz? Que que a gente via fazer, né? Vamos perguntar pros jovens aí da igreja e tal. Não é para eles que a gente devia perguntar. Entenderam onde eu quero chegar? A gente devia perguntar, a gente devia olhar pros buracos de bala dos aviões que não voltaram, dos aviões que caíram. Eh, a gente é totalmente preso nesse viés de sobrevivência quando a gente tenta entender a geração que tá saindo da igreja, porque a gente tá perguntando para quem ficou, para quem tomou bala em lugar o que não derrubou, entendeu? a gente os certos ia ser se relacionar com as pessoas que saíram, perguntar para elas: "Olha, eu a igreja para mim é uma coisa importante. Se eu fosse fazer uma igreja que para você fosse importante também, como seria? O que você acha que deveria acontecer na igreja? Você acha que tem algum é possível algum tipo de igreja que faria sentido para você?" Eh, e esse é o é o ponto. Isso eu acho que é uma discussão que tem muito pouco. A gente tá sempre preso. Quando a gente fala de de conversar com jovens, a gente tá sempre preso nessa imagem. A gente não consegue sair disso daqui. A gente não consegue sair dessa imagem aqui. A gente tá preso nisso, né? Isso é a discussão sobre o jovem na igreja, né? Quando a gente vira est reforçando às vezes a fuzilagem. Exatamente. Nos lugares opostos pra gente conseguir fazer com que menos aviões caiam, mais aviões pousem em segurança, entende? Eh, bom, é isso. É isso que eu queria falar. Eu tava com essa ideia desse viés de sobrevivência há muito tempo na cabeça. Eu queria falar para alguém, vocês foram meus cobaios aqui. Eh, aí o Eduardo fala aqui, vamos lá ver o os comentários sobre esse negócio de converseir acreditar em Jesus. Lembra daquele filme Deus não está morto. Seja, talvez seja a pior representação já feita. É isso, Eduardo. Talvez tenha a ver exatamente com isso que a gente tá falando. O filme Deus não está morto não é um filme feito para convencer a Deus, é um filme para convencer cristãos. Cristãos acham esse filme excelente. Quer dizer, nem todos, né? Eu não acho. Mas quem é? Até eu olho para esse fal. Nossa, que idiota. Nada a ver, né? A gente tá exatamente, tem você até postou aqui antes, mas tem exatamente a ver com esse exemplo. A gente tá reforçando a fuzilagem do avião onde tem buraco de bala. É exatamente isso. O João coloca aqui: "O Espírito Santo trabalha nas nossas instituições. Carne versus espíritos, sabedoria humana versus sabedoria de Deus?" Eu acredito que sim, João. Tanto quanto o Espírito Santo trabalha também, sei lá, no Congresso Nacional. nas casas de prazeres por aí, na na dos [roncando] dos comícios eleitorais, em eh no no no funk, na bala, no baladão, no batidão, tanto quanto. Eh, eu acho que eu não questiono que Deus eh que o Espírito Santo atua nas instituições. É, o meu questionamento é se é é quanto a a ideia de que é engraçado que todas as instituições tem essa essa ideia, né? A gente tomou uma decisão aqui, mas a gente orou antes. Então essa essa decisão foi a o Espírito Santo que nos levou a tomar essa decisão. Será? Eh, os concílios todos que aconteceram na na Igreja Católica tiveram diversas orações que foram feitas. O fato de você orar não quer dizer que a sua decisão foi a decisão de Deus, não é? Eh, ou às vezes até a gente vê a para de para pensar qual é a decisão de Deus, porque Deus tem as decisões dele. A gente tem que tomar as nossas decisões, né? E a gente tem que estar com elas com a mente clara. A gente tá tomando essa decisão, por quê? Que que a gente quer com essa decisão, né? Eh, então, eh, eu, o que eu o que eu questiono muito é se necessariamente as decisões das instituições religiosas são Deus que decidiu. Eu não acho. Eu questiono muito fortemente isso. Eh, não quer dizer que o Espírito Santo não trabalha nas instituições. Eu acho que trabalha. Acho que Deus, inclusive, acredito que Deus tem um plano para as instituições religiosas. Elas são importantíssimas para salvar muitos, muitas pessoas. Eh, ah, aliás, tô vendo aqui o João, tô respondendo uma coisa, ele tá falando outra, né? as intuições. Eu tô fazendo toda uma elaboração aqui, João, e depois eu li melhor a sua pergunta e você colocou ali embaixo intuições. Aí sim, agora eu entendi também porque você colocou aqui carne versus espírito. Sem dúvida nenhuma. Espírito Santo trabalha nas nossas intuições, mas sem dúvida nenhuma, nenhuma. Aliás, eu acho que a nossa espiritualidade acontece nas nossas intuições, principalmente. Vocês sabem que eu sou uma pessoa que gosto de intelectualidade, gosto de entender teologia e tal, mas eu acho que o importante de entender, ler a Bíblia e entender, discutir ela é para formar as nossas intuições. Eh, porque é na nas intuições que acontecem o dia a dia. nas intuições que eu acabo fazendo coisas muito erradas e prejudicando muita gente, causando muito sofrimento, o que deveria ter sido evitado se eu tivesse uma intuição diferente. Eu acho que total, mas 100%. Eh, e eu acho que é isso que Paulo quer dizer, inclusive quando não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim. Quer dizer que a minha intuição foi modificada. Eu já não ajo do jeito que eu agiria antigamente, porque eu estou intuindo as coisas de uma forma diferente. Sem dúvida. Sem dúvida. Ori aqui. Nossa, que exemplo impressionante. Acho que tá falando aqui do do viés de sobrevivência, né, Uri? Acho que esse filme é mais para ataque do que mesmo para convencer. É, é, é isso. Aliás, muito desses debates, é o que eu tinha falado, as pessoas chegam às conclusões por intuição e depois fica uma elocubração de de eh de argumentativa infinita. Infinita. Não que eu não goste também, eu gosto das de considerar os argumentos e tal, mas no final das contas, no final das contas, o que vai fazer você acreditar em Deus ou não é você olhar pro pôr do sol, pensar, cara, não é possível, não é possível que é só isso. Ou o contrário, olhar pro Porto do Sol, falar, cara, isso é tão lindo e tudo isso é só um grande mecanismo da natureza. No final é muito intuição. É muito intuição. E a intuição pode mudar e pode mudar inclusive com os argumentos. Os argumentos podem mudar as intuições, mas não é o que é o mais comum. As nossas intuições vão mudando por afetos, por várias outras coisas. Por isso que é muito difícil às vezes convencer alguém, porque ninguém, por isso que nunca ninguém achou os argumentos certos para convencer todo mundo. Não dá. É o afeto que convence. é o afeto. Agora, como convencer de Deus? Eh, não sei, [risadas] não sei como convencer alguém de Deus. Uma coisa que eu estou tão convencido, né? Mas por mais, inclusive, essa é uma coisa que que me diminui um pouco a ansiedade quando era mais novo, que eu procurava, acompanhava todas essas discussões sobre a existência de Deus ou não. Chegou uma hora que eu eu percebi que, cara, eu acho que Deus existe mesmo. E mesmo que me dessem um mega argumento que eu não tivesse como rebater, eu ia continuar acreditando em Deus. Eh, o que eu tenho que fazer é é eu ser honesto para admitir que eu não tenho resposta por esse argumento, mas mesmo assim eu continuo acreditando em Deus. E não inventar uma resposta que todo mundo olha e fala: "É, essa resposta não é satisfatória para esse argumento, né? Então é é a minha posição hoje. Tem vários argumentos para não existência de Deus que eu não tenho boas respostas e ainda assim eu continuo acreditando, porque eu acho inclusive que existem argumentos paraa existência de Deus e que tem muita gente que não tem boas respostas também e continuam acreditando. Então, no final das contas, sempre vai ter um argumento e um contraargumento. a sua crença não tá presa nos [roncando] argumentos, ela vai para além disso, entende? E embora os argumentos sejam interessantes e façam você refletir sobre a sua própria crença, eu acho que isso é, isso é importante. O coloca aqui uma pesquisa escrever aqui em algum lugar que eu não lembro mais, diz que os critérios que ateus que se tornaram crentes alegaram para tal foi, em primeiro lugar uma boa comunidade de crentes que ele gostou. Em segundo lugar, esses amigos deram boas razões para as dúvidas dele. Em terceiro lugar, essas pessoas eram coerentes com a fé que diziam ter. É, aid. É, é isso mesmo. É isso. A gente acredita nas coisas que a gente acredita por afeto, por ver coerência. Eh, no final é assim, como você se enxerga acreditando nessa coisa. E aí você percebe, cara, eu gosto da ideia de eu acreditar nisso. Não gosto na ideia de eu acreditar nisso. Então, por mais que tenham bons argumentos, você vai ficar procurando argumentos contra e nunca vai se convencer. Você não gosta da ideia de você acreditar naquilo. Eh, como a gente, se você acha que isso é importante, se você crê em Deus, como você faz pras pessoas olharem para si mesmas e pensarem: "Eu ia gostar de acreditar em Deus. eu ia gostar de fazer parte desse grupo de pessoas que acreditam em Deus. Como você ia gostar? Vocês são boas pessoas, vocês são, ou seja, é bem o que você falou, que são eh pessoas como que é que você colocar em primeiro lugar uma boa comunidade de crente que ele gostou. Segundo lugar a amigos que dão boas razões. Em terceiro lugar que são coerentes com a fé que tem. É, eu ia gostar de fazer parte de um grupo que são pessoas muito boas, que dão boas razões para para acreditar em o que elas acreditam e que são coerentes com criança. Eu ia gostar de me ver fazendo parte desse grupo. Então, isso é mais, isso é o mais importante, né? E quando a gente pensa aqui nesses conflitos de gerações, é isso também. É como você faria para um jovem gostar de olhar para si mesmo e se ver como crente? é você fazer os crentes serem gente boa, eh, o que é mais difícil. Mas a pessoa não procura algo que faça sentido em sua vida, seja ela quem for e de qualquer época. Sim. Eh, procurar algo que sim, sem dúvida, o que o que faz sentido na vida dela, né? Aí a grande discussão é o que é fazer sentido pra vida dessa pessoa, né? Eh, mais uma pesquisa sobre o que faz alguém sair. É interessante. Os buracos que impedem o avião de voltar. É, também gostaria de ver isso. Você me fez pensar que eu concordo com Renê Descartes em certos pontos. Ah, sim. Eu também, em vários. Eh, Deus é para ser experimentado. A Lucilene, entender Deus é limitante. Relacionamentos são para ser vividos. A mente não entende a fé. É isso, Luciane. É isso. É isso. Embora eu goste do exercício de procurar entender a Deus, porque acho que esse exercício faz parte do relacionamento também, entende? Mas o relacionamento não é o ato de tentar entender, né? É para ser experimentado, é para ser relacionado. É isso mesmo. É isso mesmo, né? Afinal das contas é isso. Final das contas tudo é isso, né, Lucilena? Tudo é isso. Se você trata o o o jovem da da tua igreja como um idiota, você vai ficar chorando porque ele saiu dessa igreja, achando que os amigos dele que são um bão de doido tratam ele super bem, gostam de verdade dele, aceitam as esquisitistas dele, inclusive. Você não tem como você competir com esses caras, a não ser que você seja mais legal do que eles, que você se relacione com ele melhor do que eles, né? É o único jeito, na minha opinião hoje, né? Eh, e é difícil, não é um caminho fácil. Isso não é uma resposta que ah, dei a resposta, agora só seguir. Não, fazer isso é difícil, fazer isso é bem difícil. Tá bom, gente? Então é isso, é isso. É, ainda talvez ainda tenha outras questões aí sobre gerações que depois a gente eh fale. É um assunto que eu penso bastante, então de vez em quando a gente pode voltar para ele aí, tá bom? Então, valeu. Eu acho que eh a gente termina por aqui hoje, já são 10:15 já, então a gente se vê aí numa próxima live. Espero que tenha sido útil para vocês aí essas reflexões que a gente deixou. Eh, eu sempre gosto dos comentários de vocês. É sempre legal acompanhar o comentários dos comentários de vocês. Eh, até porque leva alguns lugares interessantes, até quando eu não entendo a pergunta do João aqui [risadas] e eu já tava indo para outro caminho e aí depois veio. Mas eu gosto muito de de de fazer essa live aqui e conversar com vocês. É sempre interessante. Vocês sempre trazem coisas interessantes aqui pra gente refletir juntos. Então, tá bom. Então, boa noite para vocês. Valeu aí para quem acompanhou até agora e a gente se vê aí na próxima live, tá bom? Valeu, gente. Ciao. Ciao.