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A fé vem pelo ouvir

Conflito de Gerações na religião – Davar Live – 17/07

Conflito de Gerações na religião – Davar Live – 17/07

Conflito de Gerações na religião – Davar Live – 17/07

Legendas automáticas:

[limpando a garganta]
Fala, pessoal. Bem-vindos a mais uma
live aí.
Ah, tá tudo OK aqui? Acho que tá, né?
Tá, tá. Beleza. Bem-vindos a mais uma
live. Boa noite. Boa noite. Wade já tá
por aí.
Então, quem tiver acompanhando aí, só me
dá um um feedback aí do do áudio, do
vídeo, se tá tudo OK.
E é isso, gente. Vocês viram aí, eu já
coloquei uma
um título diferente hoje na live, né? A
gente vai falar um pouco sobre conflitos
de de gerações, que é uma coisa que eu
tava vendo por aí e achei que talvez
valesse a pena. Eu não sei exatamente
o público que frequenta a live, qual é a
idade média, qual que é o se tem filho,
se não tem. Eu não sei se esse é o tipo
de
de assunto que interessa a todo mundo.
Então assim, eu como uma pessoa que,
tipo, sempre frequenta igreja, sempre
frequentei a igreja e que
tenho uma, eu gosto de lidar com o o
público mais novo,
né? Eu eu eu me dou bem com eu me
identifico mais com os jovens às vezes
do que o pessoal da minha idade. Não
quer dizer que eu seja super popular
entre os jovens, mas que eu me
identifico. Eu particularmente
eu me identifico mais com essa geração
mais nova do que com a minha
normalmente, né? os tipos de de
entretenimento,
de coisas que eu gosto de fazer e tal,
normalmente tem mais a ver com a geração
que vem depois a mim do que comigo. Não
que eu seja lá uma pessoa extremamente
jovem, que eu tenho um jeito muito
jovial, nunca tive, nem quando era jovem
mesmo. Mas eh é isso.
Então, boa noite aí pro Aid, pro Carlos,
pessoal falando aqui que o áudio tá OK.
A, o Daniel, João, boa noite, gente. Eu
tava dando uma olhada essa semana no
nosso
eh na nossa eh aqui no canal
não tem um comentário específico falando
de alguma propondo algum assunto aqui
para que a gente possa começar eh
comentando. Tem um
o Aid deixou aqui um uma um comentário
falando que tem a tradução do livro que
a gente comentou na semana passada do do
Lewis, né, do Fest Lewis, que é Os
Quatro Amores.
Ele diz que tem a tradução em português.
Eh, gosto bastante do livro,
especialmente na ideia de que ele
descreve uma dinâmica interna de amor,
de modo que todo amor natural possui em
si o seu contrário, desde que ele seja
desvirtuado.
É, ele usa a metáfora de da moeda em que
a mesma moeda apresenta duas faces que
algum limear se uma se transforma na
outra e apresenta a ideia de idolatria
como mecanismo de desvio. Eu achei
interessante ele falar disso, porque eu
tinha ouvido falar muito tempo uma ideia
de que
todas as coisas que Deus eh que Deus
cria,
existe uma contrapartida de, digamos
assim, uma uma deturpação da criação de
Deus, né?
Então, eh, sei lá, eh, Deus cria a
comida, as pessoas, tipo, criam, eh, o,
comidas que fazem mal, só que são
hipercalóricas.
Eh,
Deus cria o corpo, as pessoas criam
maneiras de você alterar a a consciência
que causam acidentes, que trazem
violência, né, tipo, eh, psicodélicos,
essas coisas, tal. Então, eh sempre tem
uma uma versão distorcida daquilo que
Deus criou, né? E é interessante que
talvez da onde eu ouvi há muitos anos
atrás tenha vindo daí, né, comentário do
Li sobre os quatro amores. Legal.
Interessante isso daí.
Eh, pessoal elogiou aqui, eh,
falando bem da última live e tal, o
pessoal falando que gosta daquela ideia
que eu comentei, que
às vezes a gente amar é uma graça
divina, não só ser amado, né?
Essa é uma coisa que eu me pego
pensando, né, como a gente comentou no
na última live,
como seria se o você acordasse, abrisse
os olhos e a pessoa que você ama muito,
você simplesmente não sentisse mais nada
por ela, né? Isso é uma coisa que me
amedronta, porque a gente não tem
controle nenhum sobre uma coisa que é
muito importante pra gente, que é o amor
que a gente tem pelas pessoas que a
gente ama, né?
Então, eh,
eu penso nisso, né? Como eu sou grato
por amar.
Bom, gente, o pessoal tá falando aqui, o
eu perguntei da idade de vocês porque eu
tava falando das gerações, né? O Carlos
falando aqui que tem 54, o João 45, eu
tenho 43.
fiz 43 esse ano. Eh, então também não
sou mais tão novo assim, mas como eu
tava falando, eu gosto da da geração
mais nova. Eu não sei, eu gosto de
videogame. As pessoas da minha idade não
costumam jogar tanto videogame. Eu não
falo tanto sobre o assunto. Pessoal da
minha idade tem normalmente tem uns
interesses mais, sei lá, futebol, uns
negócios assim que essas gerações mais
novas não curtem tanto quanto as
gerações mais antigas. É claro que isso
daqui é uma média, né? E a gente pode
até
discutir aqui brevemente a o conceito de
geração, né? Geração é uma tendência ao
ao a eh tendências que se encontram na
média em pessoas que nasceram ali mais
ou menos no mesmo período.
Então não quer dizer que obviamente que
todas essas pessoas têm essa essa mesma
preferência e nem que ela seja tão
acentuada assim, mas você percebe um
desvio na média um pouco mais para cá do
que para lá. Aí a gente fala mais nessas
questões de
de
geração. [limpando a garganta]
Bom, gente, eu vou eu vou começar
falando então sobre isso
que que eu já comecei aqui, né? Eh, que
é esse negócio de conflito de gerações,
né? Existe um problema
eh do conflito de gerações, tem coisas
que acho que são naturais, mas existem
coisas que são problemáticas. Então é
natural as diferentes gerações terem
interesses diferentes, as diferentes
gerações pensarem de modo diferente.
Tudo isso é natural. Eu acho que o o
problema acontece quando você tem um
conflito entre as gerações, que a gente
vê muito hoje em dia, de diferentes
gerações mal conseguirem se relacionar,
né? Como se não falassem a mesma língua,
né? Então é o famoso almoço de família
de fim de ano, onde tem aquela tensão,
né? muita, principalmente as pessoas
mais novas, elas elas têm até uma certa
ansiedade do do de desses dessas
comemorações de fim de ano, onde a
família toda se junta, né? Eh, então
essa esse essa dificuldade de se
relacionar entre as gerações também vai
se manifestar dentro de um contexto
religioso.
Obviamente a gente tem tenta colocar
diversas gerações sentadas no mesmo
lugar, no mesmo espaço e oferecer para
elas a mesma o mesmo conteúdo da mesma
forma. E a gente espera que todas as
essas pessoas absorvam do mesmo jeito.
Então, a igreja hoje já é uma coisa mais
difícil do que
do que poderia ser tempos atrás,
porque a gente tinha um pouco mais de
coesão na sociedade e isso foi se
perdendo. Então, hoje a sociedade é
muito mais fragmentada. a gente pode
falar disso um pouco também, que eu acho
que tem a ver com as gerações.
Então, é muito difícil você juntar
várias pessoas porque você vai ter
pessoas de, sei lá, de subculturas
diferentes. Então, de novo de fone de
ouvido, eu não precisava tá de fone de
ouvido, né? sempre faço assim, sempre
começo uma live com fone de ouvido. Eh,
então, subculturas, por exemplo, só a
questão de de
política já é um fator muito muito forte
de fragmentação. Então, pode ter duas
pessoas sentadas ali na igreja, uma vê o
mundo de uma forma, outra vê o mundo de
outra forma absolutamente diferente, né?
E isso é uma coisa que causa muita
tensão dentro de um ambiente de igreja
já. Eh, de vez em quando a gente fala
sobre isso daqui, né, essa guerra
cultural. Então você tem esse fator
político, você tem um fator social,
pessoas que vieram de camadas da
sociedade diferentes e de repente estão
ali na igreja um sujeito que ganha, sei
lá, 10 vezes mais do que a pessoa que tá
do lado dele.
E por causa disso ele tem uma percepção
de mundo diferente, ele tem outras
experiências e de repente é difícil um
sermão que atingja essas duas pessoas,
faça sentido para essas duas pessoas,
né?
E um dos fatores que fragmenta muito a
sociedade é as gerações, né?
Eh,
o Carlos até fala que é dito em história
que mais do que filhos dos nossos pais,
somos filhos do nosso tempo. O que faz
sentido, Carlos? É interessante essa
frase, porque os nossos pais é uma são
uma parte da experiência que a gente tem
quando a gente tá se formando, né?
Existem muito mais coisas acontecendo ao
nosso redor, além dos nossos pais,
quando a gente cresce, né? Então,
[limpando a garganta][tosse]
as gerações são outro outro fator
muito forte de fragmentação ali de
pessoas dentro de uma comunidade
religiosa. Você colocar um adolescente
e um idoso um do lado do outro e esperar
que eles absorvam o mesmo conteúdo, o
mesmo sermão falado do mesmo jeito. É
muito difícil. É muito difícil. Eu tava
vendo outro dia, eu não sei se vocês
chegaram a ver isso, existiu um, teve um
campeonato de farmar aura em São Paulo,
eu acho. E as imagens são hilárias
porque tem lá uns moleques pulando, eh,
fazendo pose e não sei o quê. E e de vez
em quando você mostra no meio do público
uma pessoa mais velha que tá indo levar
os jovens lá com uma cara absolutamente
perdida, não consegue nem entender o que
que é o qual que é a proposta do daquele
campeonato. Eu não tenho lá minhas
dúvidas se até os próprios adolescentes
que estavam participando entendiam bem o
conceito, né? Eh, não sei se é um
conceito tão fechado assim a ideia de
farmar aura, mas até essas expressões,
farmar aura, tancar, são expressões que
vai virando outra língua a quase, né?
Porque quem é mais velho às vezes não
consegue entender, não consegue
acompanhar, não faz sentido aquela
linguagem.
E essa linguagem vem de um contexto.
Essa linguagem não nasce do nada. Elas
ela vem de um contexto normalmente de
uma comunidade gamer,
então muito adaptad expressões em inglês
que você vê muito em jogos farmar. É uma
expressão dessas, né, que é quando você
[limpando a garganta] vem da da do
farming que é de fazenda. Então no jogo
quando você tá obtendo recursos, o
pessoal chama você tá farmando, né?
Tancar vende um conceito do RPG e que
normalmente no RPG dos jogos, o tanker é
aquele personagem que tem mais
resistência, que tá na frente da batalha
para absorver impacto, enquanto os
outros personagens que têm outras
características eles eles dão mais dano
no no inimigo e tal. Então, essas
expressões são muito difíceis de
entender para quem tá totalmente fora do
contexto dessa dessa dessa geração, né?
O o João até colocou aqui, vira
aqui não é só de línguas, mas é de
conceitos, de visão de mundo. É uma
Babel nesse sentido mais amplo ainda,
mas é uma boa é uma boa
é uma boa imagem a ideia de Babel.
Então, imagina
essas gerações colocadas
na frente uma da outra, tendo que se
relacionar inevitavelmente, porque às
vezes quem cuida de um adolescente às
vezes é uma pessoa idosa, são os avós,
são os tios avós, às vezes os pais mesmo
que tem uma uma uma diferença de idade
muito grande pros filhos e tal. Então,
eh, esses conflitos, gerações acontecem
e acabam refletindo na religião de uma
maneira que, eh, preocupa muito os mais
velhos. Então, por exemplo,
eu lembro uma vez, eu não tava nessa a
minha esposa que tava numa eh escola
sabatina, né, para quem não é
adventista, é como se fosse a escola
dominical, ou seja, as pessoas estão
discutindo um assunto bíblico
e a pessoa que tava expondo lá o o
estudo, né, ele falou, ele tava falando:
"Olha, é muito difícil essas gerações,
porque quando o pastor fala uma coisa,
eles questionam Não. Então, se o pastor
fala que uma coisa é assim, eles vão lá
e perguntam: "Ah, por que é assim? Eh,
como por você disse isso? Quero que você
me dê razões para para entender o que
que você tá falando, né?" né? Então,
imagina ficar questionando o pastor e a
minha esposa até falou, levantou a mão e
falou: "É, mas não tá certo, isso não é
bom dessa geração, não é uma coisa boa
dessa geração, ela pode ter problemas,
mas esse questionamento não é uma coisa
boa."
Eh, e claro que todo mundo fica meio
perdido com isso, que quando uma geração
começa a questionar coisas que a gente
não tá acostumado a questionar, a gente
prefere o silêncio, a gente prefere que
eles não questionem do que encontrar
boas respostas para dar para essas novas
gerações, né, para essas pessoas que
estão questionando.
Então, eh, é difícil, é difícil lidar,
mas ao mesmo tempo é necessário lidar,
né?
Eh,
[limpando a garganta]
outros problemas que acontecem também é
o que o pessoal fala do do da evasão de
jovens na igreja. Isso é um assunto que
assim preocupa demais as pessoas mais
velhas. Então, por exemplo, né, deixa eu
até pegar aqui, eu eu peguei um um um
gráfico aqui do censo de
2022,
que mostra essa evasão dos jovens eh da
igreja, né? Então eu assim, né, vocês
olham aqui esse gráfico, tá falando que
os jovens são os que mais se declaram
sem religião. Então a gente tem aqui
essa linha azul, né, primeiro aqui, eh
o o percentual, né, aqui na linha
vertical e na horizontal você tem as
idades. Então, azul são os católicos, ou
seja, quanto mais as pessoas vão ficando
mais velhas, mais aumenta o percentual
de católicos, né? Os evangélicos,
curiosamente, seguem uma linha meio
contrária. Quanto mais velhas as pessoas
vão ficando, eh, quanto mais você pega
as o recorte de pessoas mais velhas, não
que necessariamente a a mesma geração
vai ficando mais velha e vai ficando
menos evangélica, né? Mas quando você
pega hoje a sociedade, o recorte das
pessoas mais velhas, quando você vai
indo para as pessoas cada vez mais
velhas, tem menos evangélicos e mais
católicos, né? Então vocês vem que tem
essa curva que abre, né? o famoso boca
de jacaré quando o pessoal fala de
gráfico. E a gente tem aqui o o
percentual do sem religião aqui embaixo.
Olha isso daqui. Eh, os jovens de 10 a
14 anos tem aqui 10,2, se eu não me
engano, é a média, é a média do do país.
Cerca de 10% de pessoas que se declaram
sem religião.
Conforme a idade vai aumentando, vai
aumentando o percentual de pessoas sem
religião. Então, de 10 a 14 anos, é esse
por volta dos 10%, dos 15 ao aos 19 já
vai para 12,5
e dos 20 aos 24 vai para 14,3.
Ou seja, a gente tá percebendo aqui um
movimento de que eh isso é uma coisa que
eu eu falava bastante quando eu cuidava
de um grupo de adolescentes numa igreja
que eu frequentava. O problema é que
quando os adolescentes
não têm escolha, eles têm que ir pra
igreja porque os pais estão levando,
eles vão. Mas quando eles chega à idade
que é para eles irem sozinhos, que eles
já não é para depender dos pais, eles já
passam a não ir. Isso fica bem claro
aqui nesse gráfico, né? Sendo que o
ápice é aqui aos dos 20 aos 24 anos, é
onde mais tem pessoas não religiosas.
Aí depois, conforme a idade vai
aumentando, vai diminuindo o número de
pessoas não religiosas. Então isso daqui
é uma coisa que preocupa muito as
pessoas que são religiosas, as pessoas
de igreja, que é esse aumento muito
grande
de jovens que saem da igreja, que deixam
de se considerar religiosos. Lembrando
que aqui no senso os sem religião
não são necessariamente ateus.
Ateísmo e sem religião não são a mesma
coisa. Se eu não me engano, inclusive,
os ateus estão dentro do grupo sem
religião. Entre os entre os sem
religião, tem um grupo de pessoas que
são ateístas, mas a maior parte desses
desigrejados, que também são chamados,
são pessoas que até acreditam em Deus,
mas não se declaram como parte de
nenhuma religião. Eles não seguem
nenhuma religião específica. Então, eh,
eu imagino que eu não achei essa
informação aqui quando eu tava vendo.
Depois posso até procurar mais, mas eu
até imagino que o gráfico de ateus deve
coincidir com esse gráfico de não
religiosos, a curva do gráfico, né? Os
valores vão ser menores, mas a curva
também deve aumentar entre uma certa
idade, depois diminuir conforme vão
ficando mais velhos. Então, o que que
isso indica? exatamente que o os jovens
tão saindo da das igrejas. Então,
conforme eh como eu tinha falado,
conforme eles são muito pequenos, eles
ainda tão na igreja. Chega na idade da
adolescência, eles saem da igreja e as
pessoas mais velhas estão na igreja. Não
significa que esses adolescentes vão
voltar pra igreja. Esses jovens de 20 a
24 anos, que são o maior grupo de não
religiosos, não significa que eles vão
voltar pra igreja quando eles ficarem
mais velhos. Mas é o retrato da da nossa
sociedade hoje. As pessoas mais velhas
estão na igreja e as mais novas não
estão, né? E eu imagino se a gente for
seguir o que acontece na maior parte dos
países, que esses jovens que ficaram
fora da igreja vai ter, pode ter um
número que volte pra igreja, mas que não
é um número tão significativo. Ou seja,
pode ser que a gente esteja vendo agora
um movimento de secularização no Brasil,
que sempre foi um país muito religioso,
né? Eh, então, obviamente, todos esses
movimentos são puxados pelos mais
jovens. Eles mudam a percepção da
sociedade e eles passam isso paraa
frente e eles mantém essa mudança quando
eles vão ficando mais velhos e assim a
sociedade se renova, né? Então essa
mudança dos mais jovens pode ser uma
coisa negativa ou pode ser uma coisa
positiva, dependendo do que for, né?
Deixa eu só ler uns comentários aqui do
eh a Elane falou que não conhece nenhuma
dessas expressões, né? [risadas]
É realmente quem ou quem quem não joga,
não passa muito tempo na internet e não
tem eh filhos, sobrinhos, pessoas
próximas adolescentes, não tem nem da
onde saber essas expressões, né? Eh, o
Aid coloca aqui: "Renegirar tem um
mecanismo chamado de desejo mimético que
explica alguns conflitos entre
indivíduos próximos que desejam a mesma
coisa. competição surge de um
espelhamento do desejo. O descolado só é
desejado porque muitos desejam, porém,
andando na linha do tempo, na próxima
geração, o que era desejado e ideal de
uma geração pode deixar de ser desejado
e até ser uma aversão disso com uma
coisa não desejável, causando conflitos
diretos. Eh, por exemplo, a emoção como
campo legítimo da religião, razão e
racionalidade como campo legítimo,
escolha pessoal e livre, escolha
política, etc. A religião possui vários
desses temas em disputa de uma geração
para outra. Ó, excelente comentário aqui
do Aid. De fato, a gente tem movimentos
que parecem até pendulares, né?
Porque eu cresci num contexto em que,
eh, isso é bom porque já puxa um outro
assunto que é importante aqui, eu cresci
num contexto em que quanto mais velha
era a pessoa, mais conservadora ela era.
Então, conservadorismo era coisa de
velho.
Então, quanto mais jovem ela tinha mais
a mente aberta, ela era mais liberal em
relação aos temas do de costumes da
sociedade.
É, a gente pode às vezes confundir
geração com idade, né? Em que sentido?
no sentido de que a gente pode achar que
o que a gente vê como características da
geração dos mais novos é uma coisa da
idade. Então, quando eles ficarem mais
velhos, isso vai mudar e quando outra
geração mais nova chegar na idade deles,
vai ter aquela aquela mesma posição. E
não necessariamente. Por exemplo, eu
duvido muito que quando eu ficar
velhinho vai ter um monte de gente
jogando xadrez na praça. Eu acho que
isso não vai acontecer, porque eu quando
ficar velho eu vou passar minha
aposentadoria jogando videogame. Assim
como a maior parte das pessoas da minha
idade, assim como as pessoas mais novas
do que eu, eu acho que os os mais idosos
vão se isolar mais quando ficarem mais
velhos e eles vão estar mais satisfeitos
com isso. Eles não vão ter problemas de
passar o dia inteiro trancado dentro ou
de casa jogando videogame. E videogame
de velho ainda. Provavelmente vão jogar
jogos que lembram mais, sejam mais do
estilo dos jogos que ele jogava quando
era novo. E vão surgir outros jogos que
eles não não vão gostar muito. nós não
vamos gostar muito. Então tem coisas, a
ideia de ficar na praça jogando xadrez,
ela não é só uma coisa de que tem quem
tem certa idade, mas é a maneira de de
express de de de viver quem tem certa
idade, quem viveu uma geração
específica, entende?
Então,
eh, vai chegar uma hora que a gente,
isso já tá acontecendo em algumas idades
na sociedade, que as pessoas mais velhas
vão ser aquelas que vão manjar mais de
tecnologia e as pessoas mais novas vão
entender menos. Isso já tá acontecendo.
É, é curioso. É a primeira vez que a
geração mais nova entende menos de de
tecnologia porque eles estão mais presos
ao celular e o celular tem muito mais
limitações do que um computador.
Então, existe hoje, pela primeira vez
mais velha ensinando gente mais nova a
mexer no Word, no Excel, no Windows,
essas coisas que a gente achava básica e
que achava que quem não sabia era velho,
né? Então, não é necessariamente a idade
que define o comportamento, mas a
geração que você viveu. Então, essa
geração da internet vai ser uma geração
de idosos da internet quando eles
ficaram ficarem mais velhos. E não vou
mexer na internet do jeito que os idosos
hoje mexem, né? Que caem muito em fake
news, em golpe, são muito ingênuos. não
vai ser uma geração que cresceu a vida
dela toda na internet, não vai ser
ingênua do mesmo jeito, eh, que já vai
ter passado seus perrengues de ter sido
exposto na internet, ele vai ter mais
cuidado com a privacidade, eh, ele vai
saber o que que ia cair em golpe na
internet, ele vai, então não é
necessariamente a idade que vai definir
o comportamento, mas a geração, o que
que essa geração viveu quando chegar
naquela idade? É claro que existem
comportamentos que são típicos da idade
também. Então, por exemplo, a
impulsividade,
o comportamento
que não tem muita reflexão sobre o as
consequências, isso é típico da idade
por uma questão biológica, neurológica,
né? quem é mais novo, a parte do cérebro
que cuida da das decisões, eh, da
consideração das consequências das
ações, né, da consideração, eh, de que
você é um indivíduo, mas os outros
indivíduos também
eh tem a a as suas perspectivas. Então,
eu tô sofrendo, mas o outro também
sofre. Eh, a percepção dessas coisas,
ela vai só se eh amadurecer no cérebro
quando uma pessoa tiver lá por volta dos
seus 18 a 20 anos, que o pessoal fala o
o córtex pré-frontal. Então, quem é mais
novo faz mais besteira, não só por ir na
experiência, mas porque o cérebro
daquela pessoa
é é
menos cálculo de consequências.
Ele fisicamente
ele tem menos capacidade de calcular as
consequências, de segurar as
impulsividades, de lidar com os
sentimentos e de lidar com a a
perspectiva da da individualidade de
outros junto dele. Então tem todas essas
questões postas e é claro que também
quem é mais velho tem várias outras
questões que influenciam o
comportamento, eh, mudanças hormonais,
a própria eh eh limitação do corpo,
então não é muito mais de sair, eh vai
tomar decisões mais conservadoras até
por causa da perspectiva de que a morte
já tá chegando muitas vezes, né? Então,
tem coisas que são ligadas à idade, mas
muitas coisas que a gente acha que é da
idade, não é da idade, é de uma geração,
né? Eh, então é provável, acho que é
muito possível que a gente veja aí mais
paraa frente uma geração mais velha,
mais liberal e uma geração mais nova,
mais conservadora, como a gente já tá
vendo acontecer, né? E aí, por que isso
acontece, né? As pessoas normalmente têm
comportamentos mais conservadores porque
elas sentem medo. Basicamente o medo é
um elemento que deixa a pessoa mais
conservadora. E quando eu digo
conservadora, eu não tô falando num
sentido necessariamente
eh eh
assim negativo, né? É uma
característica, é uma característica. Eu
mesmo sou conservador em muitas coisas e
sou liberal em outras, né? Então, eh,
mas a gente vê essa geração mais
conservadora em relação a
relacionamentos, por exemplo, né?
a gente vê essa geração mais
conservadora em relação, por exemplo, ao
consumo de álcool, que sempre foi uma
coisa relacionada à juventude. E a gente
tá vendo o contrário, a juventude
ela é muito mais aversiva ao consumo de
álcool do que as pessoas mais velhas
hoje na sociedade isso tá acontecendo. É
um movimento que é medido. Então, olha
só quantas coisas, quantas mudanças
estão acontecendo, né? E esse é um ponto
talvez que seja mais importante.
Na época de Paulo, na época da que a
Bíblia tava sendo escrita, na época de
Moisés,
as mudanças na sociedade aconteciam de
forma muito mais devagar,
muito mais devagar.
Então isso significa que a diferença,
digamos assim, de cultura eh do de
contexto social em que um idoso e um
jovem de de um idoso e de um jovem, a
diferença não é tão grande assim. Quer
dizer, o jovem tá vivendo situações
muito semelhantes ao que o idoso viveu.
E por isso até a gente tinha aquela
ideia do idoso sábio, porque ele ele
viveu a as mesmas situações, as mesmas
nas mesmas condições, no mesmo contexto
eh cultural,
digamos assim, né?
acontece que quando a sociedade começa a
mudar mais rápido, o gap, a diferença
entre as experiências de uma geração e
outra vão aumentando.
E chega um ponto em que uma pessoa
idosa, hoje eu lembro de ter pensado
muito nisso quando a minha avó morreu,
eh tá indo embora uma geração que vive
um mundo absurdamente diferente do meu,
incompreensível diferente do meu.
eram pessoas. A minha avó quando era
criança, tinha 13 anos, a mãe dela deu
ela embora e ela foi trabalhar na casa
de uma pessoa e isso era normal. Então,
é uma criança de 13 anos com uma
responsabilidade imensa nas costas de
cuidar da própria vida, basicamente, né?
e que a família não tava ali para dar
apoio e que isso era o comum na
sociedade. Você tem tinha que se virar
desse jeito. Então, eh, imagina eu viver
um mundo sem internet, sem celular,
um mundo em que você ouvia falar de uma
grande guerra mundial
era por boatos. Nem televisão as pessoas
tinham. Meus pais foram ter televisão
quando eles já já não eram mais tão
crianças, já quando já foram se tornaram
adolescentes jovens, é que foram ter
televisão em casa. Então,
a ideia de como a gente experiencia o
mundo era absurdamente, era
inimaginavelmente
diferente para as pessoas [roncando] que
são muito idosas hoje em dia. Elas
viveram um outro universo. Elas nasceram
e viveram a vida delas todas em um outro
universo. Talvez as pessoas idosas hoje
sejam as pessoas vivas que viram mais
mudanças no mundo,
né? A minha avó
viu a, eu perguntei para ela, ela tinha,
ela quando ela era nova, ela ouvia falar
da Segunda Guerra Mundial, porque ela
nasceu um pouco antes. Eh, era isso, é
uma coisa assim, ela ouviu falar da
guerra quando ela era criança, mas
também no Brasil a gente não teve muito
reflexo da guerra. Então, imagina alguém
que nasceu eh ali por volta um pouco
antes da da Segunda Guerra Mundial
e viu o surgimento da internet, viu o
surgimento do do do smartphone.
A diferença é que a gente às vezes
subestima o tamanho da da da mudança
social que aconteceu daquele período
para cá, né? principalmente a revolução
sexual, que talvez seja uma das coisas
que mais chocam a mente de quem viveu um
mundo antes disso, que era quando as
pessoas antigamente namoravam, elas
namoravam por carta, elas namoravam eh
sentadas uma do lado da outra dentro de
casa com os pais olhando. Elas nem se
tocavam, né? Eu lembro que o meu vô cont
baile que tinha,
porque no baile a as moças dançavam e
você viazelo delas. Então imagina quem
eu tem eh cresceu no mundo desses, vê um
adolescente eh dormindo na casa do
namorado, da namorada. Eh,
isso é uma é uma diferença de sociedade
abissal. A gente muitas vezes subestima
a diferença de mundo que era das pessoas
que a gente tá vendo hoje, idosas e das
pessoas que estão nascendo e crescendo
agora, né? Deixa eu dar uma olhada aqui
nos comentários.
Eh,
concordo em partes aqui o Guste M.
Gomes. Se os jovens, crianças e
adolescentes entendessem realmente o
papel da religião, teologia, papel
social, vida espiritual, o que a
religião representa na história,
permaneceriam.
Eu concordo com você, a gente já vai
chegar aí. Ou seja, creio que os jovens
estão carentes de um bom ensino
religioso que havia mais antigamente,
tanto católicos quanto evangélicos. Eu
concordo na primeira parte, mas não
muito na segunda. Eu acredito também que
os jovens estão carentes de um bom
ensino religioso, mas não é o mesmo que
havia antigamente.
O o ensino religioso que tinha
antigamente já não faz nem sentido pros
jovens. a gente tem que inventar um
outro jeito de dar relevância pra
religião, para essas gerações que estão
nascendo. E talvez esse seja o maior
desafio, porque a gente tem que repensar
pra gente também qual a relevância da
religião, né? Isso é o difícil. Isso é o
difícil. Eh, mas a gente já vai comentar
mais disso.
O João coloca aqui: "A própria pessoa
vai mudando com o tempo". Eu era muito
diferente do que sou hoje. Parece que a
maneira de viver das gerações nos
afetam. Sim, com certeza. Mas com
certeza esse negócio que eh que se
isolar. Acho então que sou o velho desde
sempre. Pois é, eu também sou mais de
ficar de boa sozinho. Esses dados da
evasão maior entre jovens é comum. Dizem
que a culpa é da faculdade, apresenta
uma filosofia que confronta a religião e
os jovens não têm fundamento intelectual
sólido, mas tenho a impressão de que de
alguma forma há uma simplificação
exagerada dessa visão. Não sei. Eles nem
cosmovisão cristã parecem que chegaram a
ter, como se bastasse estar escrito na
na lição para algo para o jovem
acreditar. Eu eu tô mais na sua linha, a
gente vai conversando aqui. Eu vou
chegar nisso daí também. Eh, o Eduardo
coloca aqui o entretenimento antes lhe
obrigava a sair para ver um filmtinha
aqui para locadora. Hoje é tudo em casa,
por exemplo. Até para conhecer alguém é
feito em redes sociais e não em eventos
sociais. É isso. É uma coisa. Isso é uma
coisa também. Eduardo, a Johnny coloca e
eh diante disso, pergunto, este
distanciamento hoje não está em uma
religião abstrata? Vem de uma família
judaica. A religião sempre foi prática
em nossa casa. Eh,
talvez, Johnny, mas esse problema
geracional também no judaísmo, que é uma
religião muito concreta, também
acontece. Também acontece. Talvez a
saída dos jovens
venha de testemunhos incoerentes dos
cristãos. Eh, e o Gust também coloca
aqui rebatecinho. O ensino hoje seria
melhor até tanto com os os avanços da da
arqueologia, história de fundação de um
povo, hoje serviam métodos e visões
melhores para passar. Esse antigamente
me refiro à instituição. Tá, entendi.
Entendi.
Eh, mas vamos lá. Vários pontos
interessantes, né? Até para trabalhar
não estamos saindo de casa daqui o
Carlos. Exato, né? Eu também não
trabalho fora de casa já desde antes da
pandemia, que já vai fazer 7 anos, né?
Pandemia começou em 2019, é o COVID-19,
né? Eh, e a gente tá em 2026, nem
parece.
Outra coisa que também impactou uma
geração de uma forma que a gente não vai
conseguir medir, a gente nunca vai
conseguir experienciar, né?
Eh, algumas coisas que eu acho que
impactaram muito a visão de mundo
diferente dessas gerações. Eu acho que
uma das principais é internet, né? Isso
é uma hoje vai ser muito de achismo, tá
bom, gente? Eu tô falando muitas coisas
aqui. Algumas coisas a gente tá falando
aqui de dados, né? Os jovens estão são
os que mais se declaram sem religião.
Isso é uma coisa que dá para medir e
tal. H muitas coisas que eu vou falar
aqui, eu vou tô tirando a minha
experiência
pessoal e
e eu vou discordar e concordar com
alguma coisa com vocês. E talvez eu
esteja totalmente errado e vocês
totalmente certos também, porque eu eu
estou trazendo aqui ideias pessoais
minhas, né? Eh, o Gust até completou
aqui, a instituição religiosa era forte
antigamente. Sim, sim. Mas é que tá,
esse é um ponto, esse é um ponto que
existem coisas para usar uma linguagem
jovem, né? O o foguete não dá ré, tem
coisas que mudaram no mundo que não tem
mais como você reproduzir como era
antigamente.
Uma das coisas que eu vejo que mais
impactam a diferença das gerações é a
internet. Por quê?
Quando eu chego para alguém que tem 40 e
poucos anos como eu e falo para ele:
"Cara, você lembra do Glub Glub? que
passava na TV Cultura, a pessoa vai
falar: "Ó, que legal, eu lembro dos
desenhos que passavam. Lembra o Castelo
Ratimbum? Lembro. Lembro do Castelo
Ratimbum. A gente fala de desenhos, eh,
do Thundercats, quem quem nunca viu os
Thundercats, quem nunca assistiu Ren,
até sai um filme novo. Aliás, o cinema
apela muito pr pra nostalgia das pessoas
da minha idade, né? praticamente todas
as as obras de de eh infanto juvenis de
quando eu era novo estão sendo trazidas
de novo. Eh, ou filme ou jogos, né?
Fizeram o jogo do Indiana Jones, estão
fazendo, fizeram um jogo do agora do
007. Então,
a própria indústria do entretenimento
se apoia muito na nostalgia. Eh,
hoje isso por quê? porque a gente tinha
um um uma sociedade mais unificada,
inclusive no entretenimento. Então, todo
mundo assistia os mesmos canais, todo
mundo assistia Os Cavaleiros do Zodíaco
na Manchete, eh todo mundo assistia o
Glob na TV Cultura, canal 2, todo mundo
via, sei lá, Silvio Santos no canal 4,
todo mundo via TV Colosso, canal 5. Eram
poucas opções
de referências que a gente tinha de
mundo.
O, a questão é que as crianças que
crescem hoje, quando elas se tornarem
adultas e elas forem conversar sobre a
infância delas,
elas não vão ter necessariamente a mesma
referência mais igual a gente tinha,
porque hoje existem bilhões de opções de
entretenimento, de música, de filme, de
série, de referências, inclusive como a
gente estava falando aqui, que o o o Gus
tava falando, né, da da instituição
religiosa.
eh também vão ter diversas referências
de instituições religiosas onde as
pessoas eh cresceram.
Então, essa eh essa pulverização de
referências que se tem hoje faz com que
as pessoas não tenham mais eh, por
exemplo, quando se discutia um assunto
no Jornal Nacional, todo mundo via
aquele assunto no Jornal Nacional e todo
mundo meio que tinha aquela ideia que
foi discutida no Jornal Nacional. Hoje
cada um discute o assunto de um jeito
diferente. Cada um discute o assunto em
uma plataforma diferente. Um discute na
internet, outro discute, sei lá, vê um
uma TV a cabo, vê um negócio no
streaming. Eh, então
mesmo como as ideias chegam pra gente,
elas chegam de maneiras diferentes.
Então essa pulverização faz com que as
pessoas dessa geração
sejam mais isoladas. Elas não têm mais
esse senso de conexão que que a minha
geração tinha de que todo mundo cresceu
mais ou menos igual, todo mundo tinha as
mesmas referências, todo mundo tinha as
mesmas crenças, mais ou menos.
Hoje não. Hoje a a sociedade se
fragmentou de um jeito que não tem mais
como voltar atrás, não tem como falar,
não, vamos voltar a ter só cinco canais
de televisão sem internet. Eh, qualquer
pronunciamento, qualquer ideia que vai
ser discutida, vai ser discutida nesses
canais, qualquer entretenimento vai ser
colocado aqui e vai ser, obviamente, vai
ser muito mais controlado e tal. Eh, não
tem como fazer esse esse tempo voltar,
entende?
Eh, inclusive as instituições religiosas
sofrem muito com isso,
porque quando as a as referências que as
pessoas tinham eram mais controladas,
uma instituição conseguia se antecipar
sobre quais os questionamentos que estão
chegando e como eu vou responder para
eles. Hoje em dia, as pessoas fazem
questionamentos
que os próprios líderes nunca pararam
para imaginar.
Então, tem jovens fazendo perguntas
dentro da igreja que os líderes nunca
ouviram essa pergunta antes. Eles não
sabem como responder. E se eles
respondem, o jovem falar: "Não, mas eu
já vi isso daí, essa resposta num
podcast e o outro cara destruiu ele com
esse contraargumento aqui." Então, as
discussões não acontecem mais da mesma
forma como antes, entendeem?
Eh, é muito difícil você manter uma uma
instituição,
seja uma instituição religiosa ou
qualquer outro tipo de instituição,
quando existe uma fragmentação tão
grande e você não tem mais eh, né, você
não é mais a referência, a única
referência ou uma das poucas referências
que as pessoas têm. As pessoas têm
milhões de referências e você é só mais
uma. Então, quando uma instituição
religiosa dá um argumento teológico,
eh, eu posso pesquisar bilhões de
contraargumentos na internet
e é muito mais difícil de responder, né?
Então, eh, a gente tá falando aqui das
instituições religiosas como eram
fortes. Hoje todas as as institui
instituições se tornaram mais fracas,
entende? a gente não sabe inclusive onde
isso vai dar, porque inclusive as
instituições eh civis
eh também estão enfraquecidas.
As pessoas questionam muito mais o nosso
modelo de de sei lá, de de democracia,
o nosso modelo de de de organização do
Estado, do que se discutia há 5, 10, 20
anos atrás, né?
Então é muito difícil hoje qualquer tipo
de conjunto de pessoas que tenham o
mínimo de coesão. Vocês estão entendendo
o que eu quero dizer?
Eh, deixa eu ver aqui se eu se eu tô
fazendo sentido para vocês, né? Muito as
igrejas para trazer jovens para dentro
são levando a performance do mundo
também. Outra coisa que a gente pode
comentar, eh, o Urias falou: "Não faz
sentido". Tá, pelo menos não tô falando
maluquíes aqui, que às vezes é difícil
de explicar essas coisas, né? E parece
que o simples fluxo de informações já
cause um certo aumento de maior
disceticismo. É bem comum os grandes
centros metropolitanos possuírem mais
discrentes ou sem religião em relação ao
ao interior. Sim. Aham. Eh, com a
internet, todo lugar, todo lugar virou
uma certa grande metrópoles. É isso. É
isso, é esse. Acho que esse é o ponto
aí. É bem isso mesmo, né? Eh, a gente
tinha muito essa separação entre
interior
e e os grandes centros urbanos.
E hoje as culturas de grandes centros
urbanos, elas vazam pros interiores. Os
interiores não são mais lugares
isolados, nenhum lugar mais é isolado.
Então, todos todas as melhor milhares de
culturas diferentes, elas se espalham,
os nichos se tornam imensos, né? Pessoal
fala, né, na internet você de vez em
quando esbarra com um cara que tem 20
milhões, 10 milhões de seguidores, eh, e
fala: "Ué, mas nunca ouvi falar desse
quem esse cará?" Ele fala para um nicho
então esse que é o negócio, né? a o
próprio fato de eu est falando com
vocês, eu sou um criador de conteúdo.
Eh, nesse momento eu tô falando aqui com
20, 30 pessoas, eh, eh, sem precisar
todo mundo ir para um lugar, sentar e
todo mundo concordar. E eu tô falando,
algumas pessoas concordam, outras
discordam. Umas acham que faz sentido,
outas outas acham que não faz. Então, a
própria coisa, o a própria coisa que tá
acontecendo aqui agora já é um um
elemento dessa sociedade absurdamente
fragmentada que a gente tem, né?
Eh, tudo. E a Grande Metrópoles é
justamente isso, né? Porque os grandes
centros urbanos é onde você tem uma
convergência de de diferentes culturas.
Então, surge uma certa cultura de saber
lidar com diferentes ideias, coisas que
antigamente no interior você não tinha
tanto, você não tinha muito o fluxo de
ideias em lugares onde você não tem
diferentes culturas convergindo, né? Eh,
e por isso aquela cultura ficava mais
cristalizada, as pessoas conseguiam
nascer, morrer e e não entrar em contato
com algumas ideias que circulavam em
outros meios, né? Hoje isso não existe
mais, né? Só se você for uma pessoa mais
idosa e não se conectar com a internet,
né? O que já tá se tornando até mais
incomum. Até as pessoas idosas elas
interagem muito na internet, né?
Eh, aí o Patrick até coloca aqui, sem
coesão maior a ansiedade, eh, os jovens
não têm em o que se apoiar, estão em
constante mudança de argumentos que
entram em conflito com a religião. Então
esse é um elemento bem interessante
também, Patrick, porque
outra coisa que não é só opinião minha
agora é que de fato as pessoas mais
jovens são muito mais ansiosos e tem
muito mais eh problemas de saúde mental.
Eh, e isso até existem estudos que
conseguem fragmentar isso. Então, eh,
tem um estudo de um sujeito chamado
Jonathan Heidit. Eu tenho o livro dele
aqui, A mente moralista, um livro
excelente,
eh, que tem muito a ver com o que a
gente tá falando aqui também. Ele tem,
inclusive, um segundo livro que eu não
tenho ainda, eu queria ter, que fala
sobre, eu acho que é a geração ansiosa,
o nome do livro, inclusive. Deixa eu até
ver. Eh, Jonathan
Heidit,
a geração ansiosa. Exato, a geração
ansiosa. E ele fala bem sobre isso,
Patrick, eu não li esse livro, então não
sei os argumentos que ele dá, mas eu sei
que os dados são que essa geração é mais
ansiosa,
né? Uma coisa que eu chuto, eu não sei
se o o Heidit vai falar no livro dele,
mas é que justamente essa falta de
coesão faz o seguinte, eh quando eu era
criança, se o mundo continuasse
exatamente igual, se nada mudasse, eu
tinha um caminho a percorrer que tava
fechado. Então, o caminho era o
seguinte, eu nasço, eu sou cuidado pelos
meus pais, entro na pré-escola, aí eu
tenho todo um
percurso acadêmico na minha vida para
seguir. Então, eu vou fazer a a a
pré-escola, depois eu faço um ensino
fundamental, ensino médio. saindo do
ensino médio, eu escolho uma faculdade,
faço o ensino superior, eh, e aí eu vou
trabalhar, eh, e depois de eu trabalhar
muitos anos na mesma empresa, eu me apo,
tenho filhos, eu me aposento, eh, e
acabou minha vida. E é isso. O, o
percurso da sua vida já tá traçado
quando você nasceu. Então, antigamente
era assim.
Eh, só de eu falar isso, muita gente já
pode pensar que eu tô falando de um de
um jeito negativo sobre esse trajeto
pré-definido e não, e eu não tô eu não
acho que isso necessariamente ruim. Eh,
e é justamente isso, o fato, existe um
fenômeno eh psicológico que é o
seguinte: se você chega para uma pessoa
e fala: "O que você quer comer? Eh, um
bolo ou um ulse de maracujá? a pessoa
vai escolher se ela quer o bolo ou
mousse de maracujá. Eh, e isso colocar
essa essas escolhas diante da pessoa
traz um certo grau de ansiedade.
Ansiedade não é necessariamente uma
coisa ruim eh dependendo do que você tá
querendo dizer por ansiedade. Então,
ansiedade é o que faz você levantar da
cama de manhã, porque você tem tá
pensando em coisas, você quer resolver
problemas. Então existe um certo nível
de de ansiedade que não é só saudável,
mas é esperado que as pessoas têm. Se
elas não tiverem, elas só não levantam.
Elas acordam, abrem os olhos e não
levantam. Então, e e essa escolha entre
duas alternativas te causa uma um certo
nível de ansiedade. Se eu chegar para
você e falar: "O que você quer comer e
te der um cardápio com 200 opções?",
você vai ficar muito mais ansioso.
Você vai ficar muito mais ansioso porque
você vai olhar as 200 opções. Você vai
ficar com vontade de de experimentar
umas 50 delas e você vai ficar pensando,
cara, e se eu escolher essa e ela não
for boa? Putz, será que eu devia ter
escolhido a outra? Então,
eh, isso é um fato também estabelecido
pela psicologia. Excesso de opções causa
ansiedade. Então, como eu tava falando,
antigamente você tinha o trajetório da
sua vida pré-definido, eh, e essa vida
não causava ansiedade além das
ansiedades, digamos assim, comuns da
vida, o estresse do trabalho e não sei o
quê. Hoje em dia, como você tem tantas
opções, você tá constantemente
questionando se você tá na opção
correta, entende? Se você tá vivendo a
versão correta do multiverso de você
possíveis que existem.
Então eu tô eh eu eu tô em esse esse
emprego aqui eh eh tá muito ruim. Puxa,
será que eu devia ter mudado de emprego?
Será que eu devia ter escolhido essa
essa profissão? Será que eu não devia
ter largado tudo e me mudado para outro
país? Será que eu não devia ter aberto
um canal no YouTube? Será que é tantas
opções que você tá sempre com a sensação
de que você não escolheu a melhor
possível. Isso causa muita ansiedade.
Então, eh, para mim, particularmente,
o excesso de opções necessariamente é um
elemento de de
causar mais ansiedade para essa geração,
né? Então, sem dúvida. Então, tem um
lado positivo que as pessoas são livres
para escolher o que você quer, mas é
tanta liberdade que você nunca sabe se
você escolheu direito. Isso causa mais
ansiedade. Então, eu acho que isso é um
fator, sim.
Eh,
bom, aí, eh, como o Patrick tinha
comentado aqui, tô lendo de novo o
comentário dele, que a religião entra
nesse fator também.
Porque a religião,
eh, eu até comentei um pouco disso na
última live, que eu tava falando sobre a
minha história, né, e que eu sou
adventista, porque meus pais eram
adventistas e eu continuei adventista e
eu não acho isso necessariamente eh uma
coisa ruim, porque eu não compro
necessariamente a ideia de que você para
você estar certo na sua religião, você
tem que estudar estudar todas as
religiões do mundo e aí você vai
encontrar aquela que realmente mente é a
verdade e aí você vai se converter a
ela, aí você vai estar certo. Não, eu
não acho. Eu acho que eu seguindo a
minha religião, eu posso estar certo ou
errado. E ao mesmo tempo o cara que é
hinduísta lá no outro lado do mundo, ele
pode estar certo ou errado também na
religião dele, dependendo da forma como
ele põe a verdade, como ele ele ele se
dedica de verdade dentro daquela
religião, dentro das opções que estão na
frente dele. Se você considerar todas as
opções do mundo na sua frente, você não
tem opção nenhuma, entende? Eh, o nosso
cérebro não foi feito
para escolher entre tantas opções. A
gente não consegue lidar com escolher
entre tantas opções, né? Tanto que eu
lembro uma coisa que me chamava atenção
naquele programa do eh o o como que é o
o como que era o nome? que o sujeito ia
reformar um restaurante. No Brasil era o
Jacan que fazia, mas tinha versão do eh
eh até esquecido aquele cozinheiro eh eh
inglês, né? Eh que uma das primeiras
coisas que o pessoal fazia quando ia
reformar um restaurante é quando pegar
aquele cardápio que tem sete, oito
páginas falar: "Não, joga isso fora."
Esse cardápio aqui tem essas opções,
tem, você tem 10, 15 opções e acabou.
Não, mas o nosso tinha era muito melhor
porque tinha 50 opções, tinha 120
opções. Não, isso é péssimo. É péssimo
pra experiência da pessoa sentar e ter
que fazer um pós-doutorado para escolher
o prato que ela vai comer. E é péssimo
pra sua cozinha, porque você tem tantas
opções que você não consegue ficar boa,
bom em nenhuma delas, né? Então, esse
excesso de opção
eh não é não é uma coisa necessariamente
boa. Para mim não é, para mim não é. Eh,
tanto aumenta a ansiedade e também não
faz você realmente decidir com base em
todas as opções, porque você vai ver
aquelas milhões de opções na sua cabeça
e você vai seguir, vai decidir
intuitivamente, porque você não tem como
um ser humano analisar tantas opções
assim de vida, né?
Então você vai se sentir, na verdade a
deriva. Você não sabe mais o que que
você tá fazendo. Você tem sempre uma
sensação de que você sua vida deu
errado, você escolheu errado. Tinha
tantas opções, você escolheu aquilo não
era para escolher. Você sempre vai ter
essa essa sensação, né? Coisa que os
meus avós nunca pensaram. Eles não não
questionaram se eles deviam ou não ter
filhos. Eles só tiveram. Eles não
questionavam se eles deviam ou não
seguir aquela aquela profissão. É a que
apareceu para eles, entendeu? Eh, por um
lado, a Hells Kitchen o que alguém
colocou. Isso, obrigado. É o Gordon
Gordon Rumsage, né, que era a versão
americana.
Eh, então, eh,
a sua vida não é melhor
porque você teve milhões de opções e
você analisou todas e tomou a melhor
decisão. O fato é, se você tem poucas
opções e você é uma pessoa que não se
adaptou a nenhuma delas, a sua vida vai
ser um inferno.
Tem pessoas que não se adaptam à única
opção que você deu para elas. Não tem
jeito. Eh, sempre vai ter uma pessoa que
vai nascer e ela não consegue se
conformar com aquele caminho
pré-preparado que foi colocado na frente
dela. Agora, nem todo mundo é assim. A
gente falou tanto dessas pessoas que não
se adaptam, que a gente criou eh
adaptações para todas as opções
possíveis. E aí quem não é desse tipo de
pessoa, quem só quer viver a vida dela
normalmente, já não sabe se encontrar,
não sabe mais o que que é viver a vida
normalmente, entende?
Então essa, sem dúvida, é mais um
elemento que causa aí uma uma cisão
entre as gerações e causa também muita
ansiedade, muito sofrimento para para
gerações mais novas, né?
Eh,
aí o Johnny colocou aqui, eh, mas como
pode ter tantos acessos à informação e
ao mesmo tempo saberem muito pouco e
levarem uma vida sem sentido ou
propósito, né? É mais ou menos o que a
gente estava falando, né? Eh, até porque
esse é um é um dilema da internet, né? A
quantidade de informações
é até pior, porque quando você quer
saber qual é o formato da Terra,
você ter milhões de pessoas, cada um
falando uma resposta diferente, não te
ajuda a você saber realmente o formato
da Terra. Você precisa organizar essas
informações e saber qual informação é
mais valiosa do que outra. Você tem que
ter critérios bem definidos. Não tem
jeito. Não tem como cada ser humano na
sua vida pessoal reinventar a roda. Ela
tem que viver uma roda que foi inventada
para ela antes, entendeu? Então a gente
não adianta colocarem na diante da gente
todas as informações do mundo, sendo que
a gente não sabe nem ter critérios para
saber escolher essas informações. Outra
coisa que é
que é um problema também para para essa
geração mais nova que tem que lidar com
essa enchurrada de informações, né?
Eh, discutir o formato da Terra é uma
coisa que não se fazia antigamente. Hoje
se discute e não só se discute, se gasta
muita energia nisso, entende? Eh, uma
coisa que, beleza, a Terra é redonda,
Terra é geoide, na verdade, né? A Terra
é é eh eh é esférica com os polos
levemente achatados. Isso eu eu nem
questiono, mas beleza, mas na prática,
na prática esse assunto não faz muita
diferença para você gastar tanta
energia, a não ser que você vá trabalhar
com alguma coisa que que isso influencie
diretamente, mas na prática isso não é
uma questão da vida mesmo, entende?
Então, as tantas opções, as tantas
respostas que você tem, faz a gente
perder tempo com questionamentos que nem
são relevantes, na verdade, paraa sua
vida pessoal, nem são.
Eh, deixa eu voltar lá onde eu tava.
Johnny tinha falado, né, de tantas
informações. João coloca: "Eu mesmo
perdi minhas referências na igreja,
vendo os argumentos dos pastores e
comparando com os contraargumentos. O
pensamento parece que ficou encachotado
no passado. Tenho procurado canais como
o seu, com perguntas e respostas
abertas. Pois é, João, esse é um ponto.
Eu também não cresci. Eu cresci numa
igreja mais fechada e tive que lidar.
Isso foi um problema para mim na
adolescência com o tanto de respostas
que estavam sendo colocadas na minha na
minha frente. E aí eu prefiro ter uma
postura mais aberta.
Não vem assim, olha, eu tenho aqui a
resposta para todas as suas perguntas e
é essa, essa não. Eu tenho um jeito de
pensar que eu acredito fazer sentido,
porque eu confio em uma tradição
milenar. Agora, eh, você tem outra
resposta e que talvez faça mais sentido
para você, tá bom? Ótimo. Beleza. E
talvez seja esse uma das questões. A
gente tá muito preocupado com a evasão
da dessa geração da igreja,
mas isso é uma coisa que eu questionava
muito na igreja que eu frequentava.
Ainda questiono,
sair da igreja é o pior?
Esse é o grande problema mesmo,
porque eu já vi muitas, muitos jovens
que não saíram da igreja, continuam lá
na igreja, mas
que parecem não ter vida espiritual
nenhuma.
Eles estão na igreja porque eles acharam
amigos na igreja, porque eles acharam um
lugar confortável na igreja, mas não são
pessoas religiosas. E tem muita gente
que sai da igreja, mas são pessoas
religiosas, têm uma vida espiritual,
talvez não tão saudável quanto
gostariam, mas quem que tem, né? Então,
adultos mesmo, tantos adultos que eu vi
que nasceram, cresceram e e nunca vão
questionar sair da igreja. E eu me
pergunto, será que eles não deviam
questionar? Porque eles não são pessoas
religiosas, eles têm uma tradição
religiosa.
Ou seja, eles acreditam que Deus existe.
Eles acreditam que se tem que cantar
essas músicas, eles acreditam que você
tem que vestir essa roupa, eles
acreditam que tem que fazer isso desse
jeito. É uma é uma cultura, uma
tradição. Mas eles têm um relacionamento
pessoal com Deus.
Eles são pessoas que t uma vida
espiritual, não tem.
Então, esses, muitas vezes, esses
adultos que não são espirituais tão
preocupados com jovens que estão saindo
da igreja. Então, eh, aí eu me
questiono, essa preocupação que a gente
devia ter não seria, na verdade, não
ensinar eles a a essa cultura religiosa,
mas ensinarem a ter um relacionamento
com Deus e que às vezes eles vão ter em
outro lugar, não igreja. Pode ser, pode
ser que a igreja, eu não sei se a
igreja, bom, com certeza a igreja não
vai sobreviver do jeito que a gente
conhece, eh, e com do tamanho que a
gente conhece, né? A as essa evasão, eu
não acredito que ela vai parar, ela vai
sair, muita gente vai sair da igreja. A
minha pergunta é: quem tá saindo? Eh, a
gente falou: "Ah, então acabou, saiu da
igreja, acabou", né? Esse já não é mais,
não tem mais relacionamento com Deus.
Eh, é isso que eu não queria pensar. Eu,
um dos objetivos até desse canal também
é fazer gente que não é, mas não
frequenta igreja, pensar em temas
religiosos, espirituais, sabe? Eh, não é
converter ninguém para igreja nenhuma,
não.
Então, talvez a gente tenha que repensar
até mesmo o modelo de religião que a
gente tem. Será que ele vai fazer
sentido daqui a 5 anos? Imagina daqui a
200 anos. né? Então essa é uma questão.
Aliás, deixa eu até mostrar uma uma
coisa que é um assunto que eu queria
mostrar para que eu queria conversar com
você. Deixa eu ler os comentários.
Depois eu eu vou para esse outro
assunto, né? Eh,
o
eu até me perdi um pouco nos comentários
aqui. Ah, tá. O Eduardo falou: "É tanta
opção que fico meia hora para escolher
um filme, depois vou dormir e não vejo
nenhum". Parece eu. Minha esposa me dá o
o controle falar: "Escolhe alguma coisa
aí pra gente assistir e passa 5 minutos,
ela arranca o controle da minha mão e
fala: "Para de ficar zapeando, vamos pôr
qualquer coisa aqui." Aí a minha noite
passa o programa da noite é escolher
coisas. Fica a noite inteira escolhendo
coisas, né? Eh, me parece que Paulo é um
bom modelo, pois Paulo era cosmopolita,
mas não nascem muitos Paulos em série
por aí. Pois é,
não nasci muitos Paulos em série por aí,
porque é um sujeito que, apesar de ser
cosmopolita, um de grandes centros
urbanos, ele também conseguia enxergar o
o valor das tradições
e ao mesmo tempo ele sabia romper com
essas tradições na medida em que fazia
sentido romper com elas. se tornar
cristão foi um rompimento absurdo com
uma tradição. Ao mesmo tempo, ele não
ele não rompe completamente com essa
tradição. Ele não deixa de ser judeu.
Ele fala que ele continua sendo judeu.
Ele ele reitera suas tradições, mas
agora ele vê essas tradições de uma
perspectiva diferente. Então é é muito
difícil achar esse ponto, né? Eh, bem
interessante isso daí, né? Urias falando
aqui, faz sentido. Lembro que até os
criadores de conteúdo eh nerdísticos
estão em conflito porque já não
conseguem mais acompanhar todas essas
opções de entretenimento para fazer seus
comentários daquele conteúdo. É exato.
Exatamente.
E o FH Batista, acho que essa falta de
coisão deve piorar cada vez mais. Me
parece ser uma preparação para muitas
guerras, conforme Apocalipse. No caso,
as guerras civis. Acha que tem sentido?
Olha, FH, eu não sei dizer guerra civil,
eu não sei aonde pode parar, mas eu acho
que ela também não vai isso.
A gente tá caminhando nesse sentido, não
é só um movimento que aconteceu, a gente
continua nele, né? E essa falta de
coesão acaba se tornando uma falta de
coesão de visão moral.
Eh, que que eu quero dizer com isso? o
que é certo e o que é errado.
Havia uma certa coesão na sociedade
sobre o que que era certo, o que era
errado, com uma ou outra voz dissidente.
Hoje em dia, você tem milhões de grupos
que são inconciliáveis.
Um olha pro outro, fala: "Aquele grupo é
horroroso. Eles são o pior que existe do
ser humano. Olha a ideia nojenta que
eles têm". E o outro grupo vai olhar
para eles e vai falar a mesma coisa,
porque a visão de mundo sobre
moralidade, sobre o que que é certo, o
que é errado, o que que é bem e o que é
mal, já se fragmentou tanto que não se
reconhece mais, né? É o tecido social
que que se fala tanto, né? O tecido
social foi quebrado. A gente não
consegue, a gente olha, por exemplo, pro
quais são os valores do país, qual são
os valores do Brasil. Ninguém sabe quais
são os valores dos Estados Unidos da
América. Depende. Você é democrata ou é
republicano, mas você é um republicano
trampista ou você é um republicano não
trampista, mas você é um democrata
socialista ou você é um democrata de um
socialismo mais eh de uma
socialdemocracia. Então esse essa
fragmentação se torna tão grande que até
o que é mais fundamental, que é o certo
ou e errado, que é o que as pessoas
matam e morrem por causa disso, acaba se
fragmentando e aí começa a ficar
perigoso. E eu concordo com você, que tá
ficando perigoso, eu não sei, né? a
gente já tá começando a ver e gente
ameaçar o outro de morte, tensões de
grupo que você fala: "Cara, se esses
grupos foram colocados no mesmo lugar,
não vai dar certo, vai morrer gente,
porque esses grupos não se reconhecem
mais como parte de um país ou de um, ou
como a gente tava falando da mesma
igreja. a mesma igreja. Eu nasci
adventista, mas às vezes eu olho para
alguns adventistas e eu penso, cara, eu
eu tenho alguma coisa em comum com essa
pessoa pra gente ter um um mesmo nome de
religião,
entende? Então, a fragmentação acontece,
ela é preocupante, porque o que unir as
pessoas com propósito acaba se
desfazendo e a gente não sabe onde isso
vai pode parar, né?
Eh, a Lucilene fala aqui: "Boa noite,
esse assunto é recorrente através dos
séculos. Entendo que é fruto da árvore
do bem e do mal. Bem maniqueísta, com o
cristianismo surge a terceira vi árvore
da vida". É, pode ser, Lucilene, pode
ser. É, eh, é que por mais que seja, é
um assunto que tem a ver com a natureza
humana, digamos assim,
fora do Éden, ao mesmo tempo a gente
hoje tá vivendo condições únicas
desse desse tipo de questionamento,
entende?
Tem pessoas que nunca estão satisfeitas
aqui, o Gust e me parece que nesse caso
aí que nasce a inveja. A pessoa não tem
inveja do que a outra tem, mas de que a
outra pessoa é satisfeita com o que tem.
Eust. É verdade. E inclusive o uma das
fontes
de de sofrimento dessas gerações mais
novas é um negócio chamado Instagram.
Por quê? Porque
todo mundo faz uma propaganda de si
mesmo, da sua própria vida, né?
Então você tá lá sentado na tua casa nas
férias, aí você abre e olha, poxa, a
pessoa tá comendo um prato incrível lá
nas lá no no outro lugar do país. Olha
esse cara aqui viajou, olha aquele fez
não sei o quê. E você começa a pensar,
cara, todo mundo tem uma vida melhor que
a mim. A minha vida é uma porcaria. Todo
mundo tem uma vida melhor, porque todo
mundo tá mostrando só um aspecto muito
bom da vida, que às vezes nem é
exatamente aquilo, mas foi colocado de
um jeito, foi tirado uma foto de um
jeito, foi retratado de uma maneira que
parece que ela tá muito feliz, que tá
tudo muito bem. A minha vacina contra
isso, eu uso muito Instagram, é sempre
eh ter certeza que as pessoas são têm
vidas muito mais miseráveis do que elas
mostram ter. É a minha vacina. Eu olho
uma pessoa sorrindo, feliz com a
família. Ela é miserável. Ela é
miserável. Ela está em sofrimento
terrível. Ela odeia a própria família,
ela não quer estar nesse lugar. Eu olho
e penso isso, aí eu fico tranquilo. Fal:
"Ah, pelo menos a minha vida não é tão
pior assim do que a de todo mundo". Não,
eu tô brincando aqui, mas o isso é uma
coisa de verdade. Eh, essas essas redes
sociais que as pessoas mostram muitos
aspectos da sua vida causam muito
sofrimento de saúde, tem causam
problemas de saúde mental, porque você
vai sempre ter a sensação que a sua vida
é muito pior do que a das outras
pessoas, né? Isso acontece de verdade.
[limpando a garganta]
Aí a Lucilene continua aqui, né? Uma
experiência pessoal com Jesus apaga
qualquer conflito porque sai do tempo e
passa para a eternidade.
Passei por muitas religiões, mas a
experiência pessoal com Jesus me tirou
da religiosidade. Ah, tá vendo esse esse
discurso mesmo, Lucilene, que é uma
coisa que se torna cada vez mais forte,
né? Eu não gosto de usar a palavra
religião nesse sentido pejorativo, mas
eu entendo o que as pessoas querem
dizer. É como você usou aí e
religiosidade, né? Eu entendo o que você
quer dizer, porque
as instituições acabam não conseguindo
entregar para as pessoas o que elas
precisam, a necessidade que elas têm.
Então você tá preso a uma instituição
religiosa acaba sendo uma coisa que não
tem mais valor em si.
Então você não precisa mais do
intermediário, sabe? De alguém vir dizer
para você o que que é, o que devia ser.
Não, você consegue buscar isso. Então eu
entendo o que você quer dizer. Faz
sentido, sim. Tem um trecho do livro dos
irmãos Karamazov. Ixe, perdi.
Ah,
ah, pulou aqui os comentários e eu me
perdi.
Comentário do Aid. Achei. Eh, tem um
trecho do livro dos irmãos Karamazov do
Dostoevsk chamado O grande Grande
Inquisidor,
que ilustra perfeitamente esse problema
na escolha do contexto religioso.
Basicamente, o grande inquisitor manda
aprender Jesus porque diz que ele era a
fonte da angústia dos novos dos povos.
Enquanto o inquisidor, ao dar apenas o
que as pessoas precisavam, evitava a
angústia de saber o que fazer. Vale
muito a pena ler. Uma crítica ao modelo
de como Dostoes enxergava o catolicismo,
né? Eu acho que se baseia em parte na
caricatura da frase de Inácio de Loiola.
Se a igreja determinar o que o que vemos
como branco é negro, devemos professar
que é negro. Exato, né? 1984 também. E o
o essa é uma questão, né? a gente viveu
eh ali no período do das guerras e o
pós-guerra questionou muito isso. Eh, um
período de muita eh
muito autoritarismo por parte das
instituições que vem falar: "Isso é
assim e você tem que entender assim e
não cabe a você questionar.
Isso precisava ser criticado e foi muito
criticado. E aí a gente foi pro outro
lado do pêndulo, ao ponto em que não
existe mais, ninguém pode te afirmar
nada.
Não existe mais certo ou errado. Não
existe mais valor nenhum em nenhuma
instituição. Não existe mais valor
nenhum em tradução nenhuma. E aí a eh a
sociedade vai para um lado em que o
questionamento é um valor em si.
E essa um essa é uma outra questão, né?
Quando o questionamento é um valor em
si, aí que surge o terraplanismo.
Porque antes de você estudar e entender
porque aquilo foi estabelecido, você
questiona:
"Não, eu não acho que a Terra é redonda,
não, porque eu olho para o horizonte, o
horizonte é reto." Tá, mas você já parou
para estudar isso? Parou para entender
porque as instituições científicas
acreditam nisso? Não, eu eu olhei aqui e
acho que não. Então, o questionamento em
si, ele é muito importante, vocês sabem
aqui a gente gosta de questionar as
coisas, mas quando o questionamento se
torna um valor em si mesmo maior do que
o aprendizado, quando você questiona
antes de aprender, você vai pro
terraplanismo. Você questiona com base
nos critérios que são subjetivos seus e
não com base em uma coisa que foi
construída por gerações, entende? Porque
você tá justamente destruindo esses
critérios que foram construídos por
gerações. Então se torna é o é o é a
sociedade líquida, né, do Balmon. Se
torna uma coisa que não tem solidez.
Você você tá, como eu falei aqui agora a
pouco, você tá reinventando a roda de
novo na sua geração, a roda que você
quer e não a que os outros fizeram,
entende?
Então, eh, esse questionamento da do
autoristaismo das das instituições é foi
fundamental, importantíssimo, mas talvez
a gente tenha passado um pouco o ponto e
a gente já não sabe mais onde a gente
tá, entende?
Eh, é o questionamento e é a crítica da
crítica que eu faço.
Eh, o Eduardo coloca aí hoje há um
afastamento das pessoas. É normal
falarem que não querem ter filhos, não
querem casamento e não e preferem ficar
sozinho? Será que isso tem relação com
as escrituras sobre amor se esfriando?
Eu não acho, Eduardo, eu não acho que é
um, eu não acho que isso é um, é um,
a percepção que eu tenho desse texto,
pelo menos, eu acho que o amor esfri é
outra coisa. Eu acho que as pessoas não
estão menos amorosas de forma geral,
apesar de eu ver isso começar a
acontecer também. Mas eu acho que a
forma das pessoas demonstrarem afeto, se
relacionarem e amarem vai mudando, né? a
própria estrutura de família tradicional
que a gente fala, é o pai, a mãe, todo
mundo lá certinho e tal,
ela vai se quebrando. Muitos pais
abandonam a família, eh muitas e casais
têm problemas, se separam, muita criança
é criada pela avó, pelo avô, pelo tio e
tal, mas isso não significa que a o o
sentimento daquela família que é a avó e
o filho e tal, não seja um sentimento
real, vai mudando as relações por
questões. Nesse caso, eu acho um
problema, até porque a gente sabe por
dados que uma criança que nasce em um
uma família estável com pai e mãe, ela
tem menos problemas de saúde mental,
elas ela tem melhor desempenho na
escola, etc e tal. Eh, mas nesse caso
que não deu certo isso, aquela família
também é legítima, digamos assim. Ah,
não, o amor, o sentimento de família não
deixa de existir. Ele só se, ele só
existe de uma forma diferente, não
tradicional, né?
Sobre a tomada de decisão, está valendo
um trabalho processos não declarativos
em tomadas de decisão, modelos e
experimentos do Álvaro Machado Dias. E
ele vai nessa sua linha, diz aqui o AID.
Aid, aonde você viu isso? Eu acho que eu
vi isso em algum lugar. Processos não
declarativos em tomadas de decisão.
Modelos. Eu li essa frase em algum lugar
ou eu tô tendo um de javô aqui. Isso me
pareceu familiar de algum jeito. Vi
alguém comentando em algum lugar eh eh
de que nós humanos não tomamos decisões
após aplicar um processo analítico em
todas. E aí decidimos. Ele fala de um
tal sistema três que é meio intuitivo e
cerca de 20% das decisões mais
importantes ao longo da nosso dia a dia,
é desse modo que tomamos, baseado no que
nos parece certo, barra mais certo. Ele
diz que nossa capacidade cognitiva
esgota antes de conseguirmos analisar
todas as opções analiticamente. Eh, aí
escolhemos mais por cansaço do que por
análise, achando que escolhemos por
análise. É isso. É isso. Eu eu eu
não vou dizer só que eu acredito, mas
eh as evidências me levam a entender que
isso é o que de fato acontece, né? O
próprio Jonathan Heid, que eu comentei
aqui, ele fala de uma coisa interessante
que
eh não existe uma diferença tão grande
assim entre razão e emoção.
Eh, que muitas processos que a gente
acha que são racionais, eles são mais
intuitivos do que racionais. Então, por
exemplo,
quando você eh quando é colocado na sua
frente, é uma pergunta, quanto é 5 + 5?
Letra A, 780 bilhões. Letra B,
chave inglesa. Letra C, 10. Letra D,
a a as memórias póstumas de Brascubas.
Você acha que você chegou à conclusão
que é 10? racionalmente,
mas o seu cérebro, na verdade, chega a
essa conclusão intuitivamente,
porque quando aparece a opção 10
milhões,
você não eh você não para para calcular
esse 10 milhões. Você bate o olho,
intuitivamente o seu cérebro faz
associações que falam: "Olha, isso daqui
não está dentro do mesmo contexto
semântico dessa pergunta". Então,
intuitivamente, isso é descartado. Até
mesmo o 10, a gente fala que 5 5 + 5 é
10, mais por memória do que realmente
por fazer o cálculo do 5 + 5 é 10. a
gente decora a tabuada, a gente não fica
calculando. Então, é muito mais evocação
de memória e intuição,
eh, que tá relacionado com muitos testes
aí de de de inteligência, de, né, de
full vest, de de avaliação, do que de
fato a inteligência, o cálculo, vai
muito mais intuição. Então, a a o nosso
cérebro ele ele ele ele funciona muito
mais na intuição do que num realmente
num cálculo racional. Eh, o que o Hid
vai falar é que o ele vai comparar o
nosso cérebro a um a uma a pessoa
conduzindo um elefante. A pessoa tá lá
em cima do elefante conduzindo. Eh, o
elefante é muito maior do que a pessoa.
Então, a pessoa acha que tá conduzindo
ele, mas não tá. é o elefante que vai
para onde ele quer. Então é meio que
a gente primeiro escolhe as coisas
intuitivamente, emocionalmente,
com base na subjetividade, que o Patrick
colocou eh e depois a gente acha uma uma
justificativa racional para aquilo e a
gente se convence de que é aquela
justificativa racional que levou a gente
aquela decisão, mas não foi. Quer ver
uma coisa que eu acho interessante, né?
o eh Jax Ducan, né? Um um eu acho que já
até comentei isso daqui em outro lugar.
O Jaes Ducan é um teólogo eh de origem
judaica
e aí ele escreve lá sobre os argumentos
do de Jesus seu Messias, né? Fez uma
série de de aulas sobre isso e um aluno
veio falar para cara, com tantas provas
assim, né? Eh, por que que os judeus não
não aceitaram que Jesus é o Messias? Ele
virou pro cara e falou: "Uá, mas pera
aí, você se tornou cristão há quanto
tempo?" "Ah, faz 15 anos". Tá, mas você
foi ver essa aula só agora. Só agora
você tá vendo as justificativas
racionais no texto e tal de que Jesus é
o Messias? Como você aceitou que ele era
o Messias antes disso?
Então, por outros motivos, né? Porque
aquilo mexeu com você, porque aquilo fez
sentido para você. Eh, porque alguém que
era seu amigo era cristão e fez você eh
você admirar a a crença daquela pessoa,
porque alguém fez uma boa ação para você
e te falou de Jesus ou sei lá o quê.
Então,
eh, isso daqui, essas aulas que eu tô
dando, não é não é para você convencer
as pessoas racionalmente. Ninguém é
convencido racionalmente, né? Eh, as
pessoas são convencidas
por causa do afeto e eu acredito muito
nisso. O afeto vem primeiro.
As decisões que a gente toma a
até mesmo agora a gente tá entrando na
época política, as pessoas vão falar
sobre o o eh política e tal, vão falar
do do dos do que porque ela tá votando
em X ou Y e tal. Ela tá votando por
afeto. Primeiro, afeto às vezes por
aquela pessoa ou às vezes por um
conjunto de ideias que aquela pessoa
representa e depois ela só uma
justificativa racional. E eu tô falando
isso não porque eu sou superior, porque
eu escolho racionalmente, eu estou fora
da Matrix, não. Eu também, eu percebo em
mim mesmo isso acontecer. Então, o
afeto, a intuição,
a emoção, a subjetividade, ela é um
monstro incontrolável. a gente tenta
justificar as coisas que esse elefante,
os caminhos por esse onde esse elefante
levou a gente. Eh, depois com argumentos
racionais, ele tá, ele aparece muito
mais depois da decisão tomada do que na
hora da decisão em si. Então, a gente
vive muito mais na intuição, muito mais,
né? E eu tô plenamente convencido disso.
Eu acho que a gente tem muitas
evidências para para se falar sobre
isso, né? E isso faz me faz pensar como
é importante o afeto das pessoas, a
gente cuidar com isso, né? Eh,
bom, é isso.
Eh,
aí o Patrick até coloca aqui correr de
um leão para dar de cara com urso,
correr do autoritarismo e cair em uma
espiral de subjetividade. É, é o
movimento pendular, né, Patrick? Nossa,
o pêndulo veio muito para cá. Que
horror. Vamos empurrar ele para lá. Aí
empurro, ele vai parar lá do outro lado
e começa. Poxa, não era para ele ir lá,
era para ele parar no meio, no no
equilíbrio, na Não, não é. A gente
sempre quando a gente empurra o pêndulo,
ele vai para outro lado, né?
Bom, por último, gente, pra gente
terminar, eu queria só mostrar uma coisa
aqui que eu acho interessante.
[limpando a garganta]
Vocês já viram esse essa imagem desse
avião? Essa imagem é o seguinte, é um é
uma imagem que é virou um clássico de
representação de um viés cognitivo
chamado o viés da sobrevivência. Então,
qual que é a historinha por trás desse
avião aí?
Eh, os aviões saíam para combate na
Segunda Guerra Mundial
e quando eles voltavam,
voltavam pouco os aviões. Muitos aviões
foram abatidos, né? Então eles pegavam,
começavam a mapear aonde esses aviões
foram atingidos. Os que voltavam
voltavam cheio de de buraco de bala, né?
Então, aonde esses aviões foram
atingidos? E aí esse esse avião aqui é
um mapeamento de onde esses aviões
tomaram mais tiros.
Então o sujeito começou a olhar isso e
falou: "Olha, beleza, tomou mais tiros
aqui nas asas, nas na na nas asas aqui
na asa de trás, nas partes laterais e
aqui bem no meio do corpo. Qual seria a
decisão racional
de aonde esses aviões deveriam ser
reforçados?
Eh, se perguntassem para você, beleza,
daqui é a média de onde os aviões estão
tomando mais bala, onde que eu devo
reforçar a fuzilagem desses aviões?
O que a gente diria assim de cara é, ué,
parece óbvio, né? Vamos reforçar os
aviões nos lugares onde tem os buracos
de bala. Só que aí o sujeito chegou e
falou: "Não,
a gente tem que reforçar os aviões em
todos os lugares". da fuzilagem dele,
menos aonde tem buracos de bala desses
aviões que voltaram.
Aí você fala: "Não, pera aí, mas qual é
o sentido disso?"
É porque esses aviões que voltaram e
pousaram são os que sobreviveram.
Os aviões que caíram foram os aviões que
tomaram tiro em outros lugares. Os
buracos de bala nesses lugares que estão
mostrando aqui são os buracos de bala
que não derrubam os aviões.
Entenderam? Então, ó, a gente tem que
reforçar a fuzilagem dos aviões
justamente aqui nos motores e na cabine.
Aí parece até óbvio. É, realmente, né?
Os motores e a cabine parece ser os
lugares mais óbvios. Então, eh, os
buracos de bala faz a gente ter um viés
errado de o chamado viés de
sobrevivência, a gente decidir o que
aconteceu, o que não aconteceu com base
em quem sobreviveu,
porque a gente não considera
os aviões que caíram, a gente tá
considerando os aviões que pousaram.
O que eu quero dizer com esse com essa
imagem e com esse explicação do viés de
sobrevivência, né? A gente tá falando
aqui de gerações,
eh, conflitos das gerações na igreja e
de jovens que abandonam a igreja e tal.
A gente normalmente quando vai falar com
os jovens sobre o que que a gente
deveria fazer, a gente vai e pergunta
pros jovens da igreja: "E aí, que que
vocês querem? Que que a gente faz? Que
que a gente via fazer, né? Vamos
perguntar pros jovens aí da igreja e
tal. Não é para eles que a gente devia
perguntar.
Entenderam onde eu quero chegar? A gente
devia perguntar, a gente devia olhar
pros buracos de bala dos aviões que não
voltaram, dos aviões que caíram.
Eh, a gente é totalmente preso nesse
viés de sobrevivência quando a gente
tenta entender a geração que tá saindo
da igreja, porque a gente tá perguntando
para quem ficou, para quem tomou bala em
lugar o que não derrubou, entendeu?
a gente os certos ia ser se relacionar
com as pessoas que saíram, perguntar
para elas: "Olha,
eu a igreja para mim é uma coisa
importante.
Se eu fosse fazer uma igreja que para
você fosse importante também, como
seria? O que você acha que deveria
acontecer na igreja?
Você acha que tem algum é possível algum
tipo de igreja que faria sentido para
você?"
Eh, e esse é o é o ponto. Isso eu acho
que é uma discussão que tem muito pouco.
A gente tá sempre preso. Quando a gente
fala de de conversar com jovens, a gente
tá sempre preso nessa imagem. A gente
não consegue sair disso daqui. A gente
não consegue sair
dessa imagem aqui. A gente tá preso
nisso, né? Isso é a discussão sobre o
jovem na igreja, né?
Quando a gente vira est reforçando às
vezes a fuzilagem. Exatamente. Nos
lugares opostos
pra gente conseguir fazer com que menos
aviões
caiam, mais aviões pousem em segurança,
entende? Eh, bom, é isso.
É isso que eu queria falar. Eu tava com
essa ideia desse viés de sobrevivência
há muito tempo na cabeça. Eu queria
falar para alguém, vocês foram meus
cobaios aqui.
Eh,
aí o Eduardo fala aqui, vamos lá ver o
os comentários sobre esse negócio de
converseir acreditar em Jesus. Lembra
daquele filme Deus não está morto. Seja,
talvez seja a pior representação já
feita.
É isso, Eduardo. Talvez tenha a ver
exatamente com isso que a gente tá
falando. O filme Deus não está morto não
é um filme feito para convencer a Deus,
é um filme para convencer
cristãos.
Cristãos acham esse filme excelente.
Quer dizer, nem todos, né? Eu não acho.
Mas quem é? Até eu olho para esse fal.
Nossa, que idiota. Nada a ver, né? A
gente tá exatamente, tem você até postou
aqui antes, mas tem exatamente a ver com
esse exemplo. A gente tá reforçando a
fuzilagem do avião onde tem buraco de
bala.
É exatamente isso.
O João coloca aqui: "O Espírito Santo
trabalha nas nossas instituições. Carne
versus espíritos, sabedoria humana
versus sabedoria de Deus?"
Eu acredito que sim, João. Tanto quanto
o Espírito Santo trabalha também, sei
lá, no Congresso Nacional. nas casas de
prazeres por aí, na na dos [roncando]
dos comícios eleitorais, em eh no no no
funk, na bala, no baladão, no batidão,
tanto quanto. Eh, eu acho que eu não
questiono que Deus eh que o Espírito
Santo atua nas instituições.
É, o meu questionamento é se é é quanto
a a ideia de que é engraçado que todas
as instituições tem essa essa ideia, né?
A gente tomou uma decisão aqui, mas a
gente orou antes. Então essa essa
decisão foi a o Espírito Santo que nos
levou a tomar essa decisão. Será?
Eh, os concílios todos que aconteceram
na na Igreja Católica tiveram diversas
orações que foram feitas. O fato de você
orar não quer dizer que a sua decisão
foi a decisão de Deus, não é? Eh,
ou às vezes
até a gente vê a para de para pensar
qual é a decisão de Deus, porque Deus
tem as decisões dele. A gente tem que
tomar as nossas decisões, né? E a gente
tem que estar com elas com a mente
clara. A gente tá tomando essa decisão,
por quê? Que que a gente quer com essa
decisão, né? Eh, então, eh, eu, o que eu
o que eu questiono muito é se
necessariamente as decisões das
instituições religiosas são Deus que
decidiu. Eu não acho.
Eu questiono muito fortemente isso. Eh,
não quer dizer que o Espírito Santo não
trabalha nas instituições. Eu acho que
trabalha. Acho que Deus, inclusive,
acredito que Deus tem um plano para as
instituições religiosas. Elas são
importantíssimas para salvar muitos,
muitas pessoas.
Eh,
ah, aliás,
tô vendo aqui o João, tô respondendo uma
coisa, ele tá falando outra, né? as
intuições.
Eu tô fazendo toda uma elaboração aqui,
João, e depois eu li melhor a sua
pergunta e você colocou ali embaixo
intuições. Aí sim, agora eu entendi
também porque você colocou aqui carne
versus espírito. Sem dúvida nenhuma.
Espírito Santo trabalha nas nossas
intuições, mas sem dúvida nenhuma,
nenhuma. Aliás, eu acho que a nossa
espiritualidade acontece nas nossas
intuições,
principalmente.
Vocês sabem que eu sou uma pessoa que
gosto de intelectualidade, gosto de
entender teologia e tal, mas eu acho que
o importante de entender, ler a Bíblia e
entender, discutir ela é para formar as
nossas intuições.
Eh,
porque é na nas intuições que acontecem
o dia a dia.
nas intuições que eu acabo fazendo
coisas muito erradas e prejudicando
muita gente, causando muito sofrimento,
o que deveria ter sido evitado se eu
tivesse uma intuição diferente.
Eu acho que total, mas 100%.
Eh, e eu acho que é isso que Paulo quer
dizer, inclusive quando não vivo mais
eu, mas Cristo vive em mim. Quer dizer
que a minha intuição foi modificada. Eu
já não ajo do jeito que eu agiria
antigamente, porque eu estou intuindo as
coisas de uma forma diferente. Sem
dúvida. Sem dúvida.
Ori aqui. Nossa, que exemplo
impressionante. Acho que tá falando aqui
do do viés de sobrevivência, né, Uri?
Acho que esse filme é mais para ataque
do que mesmo para convencer. É,
é, é isso. Aliás, muito desses debates,
é o que eu tinha falado, as pessoas
chegam às conclusões por intuição e
depois fica uma elocubração
de de eh de argumentativa infinita.
Infinita. Não que eu não goste também,
eu gosto das de considerar os argumentos
e tal, mas no final das contas, no final
das contas, o que vai fazer você
acreditar em Deus ou não é você olhar
pro pôr do sol, pensar, cara, não é
possível,
não é possível que é só isso. Ou o
contrário, olhar pro Porto do Sol,
falar, cara, isso é tão lindo e tudo
isso é só um grande mecanismo da
natureza.
No final é muito intuição. É muito
intuição. E a intuição pode mudar e pode
mudar inclusive com os argumentos. Os
argumentos podem mudar as intuições, mas
não é o que é o mais comum. As nossas
intuições vão mudando por afetos, por
várias outras coisas. Por isso que é
muito difícil às vezes convencer alguém,
porque ninguém, por isso que nunca
ninguém achou os argumentos certos para
convencer todo mundo. Não dá. É o afeto
que convence. é o afeto.
Agora, como convencer de Deus?
Eh, não sei, [risadas]
não sei como convencer alguém de Deus.
Uma coisa que eu estou tão convencido,
né? Mas por mais, inclusive, essa é uma
coisa que
que me diminui um pouco a ansiedade
quando era mais novo, que eu procurava,
acompanhava todas essas discussões sobre
a existência de Deus ou não. Chegou uma
hora que eu eu percebi que, cara, eu
acho que Deus existe mesmo. E mesmo que
me dessem um mega argumento que eu não
tivesse como rebater, eu ia continuar
acreditando em Deus.
Eh, o que eu tenho que fazer é é eu ser
honesto para admitir que eu não tenho
resposta por esse argumento, mas mesmo
assim eu continuo acreditando em Deus. E
não inventar uma resposta que
todo mundo olha e fala: "É, essa
resposta não é satisfatória para esse
argumento, né?
Então é é a minha posição hoje. Tem
vários argumentos para não existência de
Deus que eu não tenho boas respostas
e ainda assim eu continuo acreditando,
porque eu acho inclusive que existem
argumentos paraa existência de Deus e
que tem muita gente que não tem boas
respostas também e continuam
acreditando. Então, no final das contas,
sempre vai ter um argumento e um
contraargumento.
a sua crença não tá presa nos [roncando]
argumentos, ela vai para além disso,
entende? E embora os argumentos sejam
interessantes e façam você refletir
sobre a sua própria crença, eu acho que
isso é, isso é importante.
O coloca aqui uma pesquisa escrever aqui
em algum lugar que eu não lembro mais,
diz que os critérios que ateus que se
tornaram crentes alegaram para tal foi,
em primeiro lugar uma boa comunidade de
crentes que ele gostou. Em segundo
lugar, esses amigos deram boas razões
para as dúvidas dele. Em terceiro lugar,
essas pessoas eram coerentes com a fé
que diziam ter. É, aid. É, é isso mesmo.
É isso. A gente acredita nas coisas que
a gente acredita por afeto, por ver
coerência.
Eh, no final é assim, como você se
enxerga acreditando nessa coisa.
E aí você percebe, cara, eu gosto da
ideia de eu acreditar nisso. Não gosto
na ideia de eu acreditar nisso. Então,
por mais que tenham bons argumentos,
você vai ficar procurando argumentos
contra e nunca vai se convencer. Você
não gosta da ideia de você acreditar
naquilo. Eh, como a gente, se você acha
que isso é importante, se você crê em
Deus, como você faz pras pessoas olharem
para si mesmas e pensarem: "Eu ia gostar
de acreditar em Deus.
eu ia gostar de fazer parte desse grupo
de pessoas que acreditam em Deus. Como
você ia gostar? Vocês são boas pessoas,
vocês são, ou seja, é bem o que você
falou, que são eh pessoas como que é que
você colocar em primeiro lugar uma boa
comunidade de crente que ele gostou.
Segundo lugar a amigos que dão boas
razões. Em terceiro lugar que são
coerentes com a fé que tem. É, eu ia
gostar de fazer parte de um grupo que
são pessoas muito boas, que dão boas
razões para para
acreditar em o que elas acreditam e que
são coerentes com criança. Eu ia gostar
de me ver fazendo parte desse grupo.
Então, isso é mais, isso é o mais
importante,
né? E quando a gente pensa aqui nesses
conflitos de gerações, é isso também. É
como você faria para um jovem gostar de
olhar para si mesmo e se ver como
crente?
é você fazer os crentes serem gente boa,
eh, o que é mais difícil.
Mas a pessoa não procura algo que faça
sentido em sua vida, seja ela quem for e
de qualquer época.
Sim.
Eh, procurar algo que sim, sem dúvida, o
que o que faz sentido na vida dela, né?
Aí a grande discussão é o que é fazer
sentido pra vida dessa pessoa, né? Eh,
mais uma pesquisa sobre o que faz alguém
sair. É interessante. Os buracos que
impedem o avião de voltar. É, também
gostaria de ver isso. Você me fez pensar
que eu concordo com Renê Descartes em
certos pontos. Ah, sim. Eu também, em
vários.
Eh, Deus é para ser experimentado. A
Lucilene, entender Deus é limitante.
Relacionamentos são para ser vividos. A
mente não entende a fé. É isso, Luciane.
É isso. É isso. Embora eu goste do
exercício de procurar entender a Deus,
porque acho que esse exercício faz parte
do relacionamento também, entende? Mas o
relacionamento não é o ato de tentar
entender,
né? É para ser experimentado, é para ser
relacionado. É isso mesmo. É isso mesmo,
né? Afinal das contas é isso. Final das
contas tudo é isso, né, Lucilena? Tudo é
isso.
Se você trata o o o jovem da da tua
igreja como um idiota,
você vai ficar chorando porque ele saiu
dessa igreja, achando que os amigos dele
que são um bão de doido
tratam ele super bem,
gostam de verdade dele,
aceitam as esquisitistas dele,
inclusive. Você não tem como você
competir com esses caras, a não ser que
você seja mais legal do que eles, que
você se relacione com ele melhor do que
eles, né? É o único jeito, na minha
opinião hoje, né? Eh,
e é difícil, não é um caminho fácil.
Isso não é uma resposta que ah, dei a
resposta, agora só seguir. Não, fazer
isso é difícil, fazer isso é bem
difícil.
Tá bom, gente? Então é isso,
é isso.
É, ainda talvez ainda tenha outras
questões aí sobre gerações que depois a
gente eh fale. É um assunto que eu penso
bastante, então de vez em quando a gente
pode voltar para ele aí, tá bom? Então,
valeu. Eu acho que
eh a gente termina por aqui hoje, já são
10:15 já,
então a gente se vê aí numa próxima
live. Espero que tenha sido útil para
vocês aí essas reflexões que a gente
deixou. Eh, eu sempre gosto dos
comentários de vocês. É sempre legal
acompanhar o comentários dos comentários
de vocês. Eh, até porque leva alguns
lugares interessantes, até quando eu não
entendo a pergunta do João aqui
[risadas]
e eu já tava indo para outro caminho e
aí depois veio. Mas eu gosto muito de de
de fazer essa live aqui e conversar com
vocês. É sempre interessante. Vocês
sempre trazem coisas interessantes aqui
pra gente refletir juntos. Então, tá
bom. Então, boa noite para vocês. Valeu
aí para quem acompanhou até agora e a
gente se vê aí na próxima live, tá bom?
Valeu, gente. Ciao. Ciao.

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