Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 09 | Teologia Reformada (Calvinismo) I | Ákilla
01/07/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 09 | Teologia Reformada (Calvinismo) I | Ákilla
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 09: Teologia Reformada (Calvinismo) I
Ákilla Nascimento
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[música] เ >> [música] [música] >> Boa noite para todo mundo que chegou paraa nossa aula aqui do curso Macários. Muito bom retornar pra gente conversar sobre mais um tópico muito bom e já vi que algumas pessoas estão chegando aqui para dar o seu boa noite. Eh, é sempre importante pra gente, bastante motivador saber que a gente tá falando e tem outra pessoa ouvindo aí. Então, a interação de vocês eh é é necessária pra gente eh ter essa certeza que a gente não tá falando pro vácuo também, né? Ah, boa noite, Sandra, boa noite Ana, boa noite Carla, boa noite Tita, pro Manuel, pro Fred. Bom receber vocês aqui, pessoal que tá sempre com a gente, sempre presente no comecinho das aulas e tantos outros que certamente não podem acompanhar ao vivo, mas fazem aí ao longo da semana. É muito bom ter também a sua atenção. Eh, e eu gostaria então de situar um pouco a nossa conversa de hoje. A gente começou esse módulo do curso Macários. curso Macários é um curso de teologia, começou na sua parte mais básica, veio pra parte mais avançada. E nesse módulo que a gente está tratando sobre as várias tradições, ainda que todos eh tenhamos essa convicção de uma fé única na pessoa de Jesus Cristo, a gente começou falando dos períodos históricos. Então, tratamos do período dos pais da igreja, falamos sobre o período medieval e renascentista, falamos sobre reforma protestante e depois esse período pôs reforma, em especial a partir do iluminismo da modernidade até os dias atuais. Claro que essas aulas foram muito eh introdutórias, eh bastante abrangentes, porque a gente precisava fazer esse sobrevoo a fim de situar alguns dos elementos mais importantes pra gente entender de onde é que vem todos esses sistemas doutrinários que caracterizam as várias tradições. Então, a gente falou sobre a igreja ortodoxa, que é a igreja do Oriente. falamos sobre a Igreja Católica, falamos sobre a tradição luterana e hoje a gente vai começar a falar sobre teologia reformada. Como esse é um tópico de muita relevância, a gente dividiu em duas aulas. Então, hoje eu vou dar a primeira aula e na próxima quinta-feira Saon vai dar a segunda aula sobre esse assunto. Também faremos assim com alguns outros tópicos, como por exemplo, ah, quando falarmos sobre teologia arminiana, se eu não estiver enganado, vai ser o próximo tópico que a gente também vai dedicar um tempo maior para falar sobre o pentecostalismo. E a partir de agora, falando sobre, na verdade, a partir da última aula, falando sobre luteranismo e dando continuidade com teologia reformada, a gente se aproxima mais daquilo que é a realidade protestante, em especial a realidade protestante brasileira. Você vai ver em especial a partir de hoje que isso explica muito daquilo que a gente enxerga nas igrejas protestantes, nas igrejas evangélicas brasileiras. Então, eu acredito que a partir de agora a conexão com a nossa realidade vai ser mais direta e espero que isso seja também mais motivante, mais instigante para que você se aprofunde no conhecimento de cada uma dessas tradições, tá bom? Bom, então vou compartilhar aqui a nossa apresentação de hoje, teologia reformada, e eu vou começar fazendo um esclarecimento de termos. Quando a gente fala de teologia reformada, nós estamos nos referindo a calvinismo. Onde é que surge a confusão? Como tudo que a gente trata de reforma protestante se origina em Lutéo, 1517? Claro que teve movimentos pré-reforma, claro que existe uma grande diversidade da reforma protestante a partir desse ponto, mas muitas vezes as pessoas remetem teologia reformada ou a Lutero ou a tudo aquilo que está no bojo das tradições protestantes. Mas não é um caso. ah, por razões que a gente vai tornar um pouco mais claras no nos próximos slides ainda no começo da nossa aula, quando a gente está tratando de teologia reformada, nós estamos nos referindo especificamente ao calvinismo, ao trabalho de João Calvino e depois os seus seguidores, a os demais teólogos que deram sequência a essa tradição iniciada por Calvino. Tá bom? Então, quando estivermos tratando ao longo dessas duas aulas e nas próximas aulas de teologia reformada, é preciso você conectar com calvinismo. Não estamos falando da teologia proveniente da reforma protestante de forma geral e nem especificamente de Lutéo, mas sim de Calvino. Essa é a nossa nona aula aqui desse módulo. Um sumário da aula, a gente vai falar sobre o contexto histórico, como é que surge a teologia. eh, reformada, teologia calvinista. Depois a gente vai falar sobre as principais ênfases doutrinárias dessa desse sistema doutrinário e também especificamente sobre a questão dos sacramentos. O legado vai ser só o último slide, mas a gente vai falar um pouco sobre a maneira como Calvino entendia os dois sacramentos do batismo e da ceia, tá bom? O que é teologia reformada? A teologia reformada tem duas raízes. Uma vem dessa reforma suíço-francesa liderada por João Calvino, que fez todo ou quase todo o seu trabalho teológico na cidade de Genebra, na Suíça. A outra corrente é a reforma suíça alemã, que nasce a partir de Zuinglio e é amadurecido por outro teólogo que é o Bullinger. Então, a gente tem essas duas tradições da reforma, da teologia [roncando] reformada, que vão dar origem a sistemas doutrinários diferentes inicialmente, mas que depois convergem para uma confissão comum ainda no século X. Mas eh esse pensamento próprio do da teologia reformada, ela começa de uma maneira distinta entre esses dois reformadores, João Calvino e Zuinglio. Ah, nas suas afirmações essenciais, a teologia reformada ela não se distingue muito claramente ou nos pontos mais essenciais, ela não se distingue em nada daquilo que é o luteranismo. Mas enquanto o luteranismo, ele ficou muito associado àquilo que era a realidade da Alemanha e a relação da igreja que surge a partir da reforma eh iniciada por Lutero com a política alemã e também com aspectos da cultura alemã. a gente tem algo diferente acontecendo com a teologia reformada, que ela surge na Suíça, mas rapidamente se espalha para outras regiões e não fica muito determinada pelo contexto exclusivamente eh relevante na Suíça do tempo de Calvino. Então, esse é um sistema de pensamento, esse é um sistema doutrinário que encontra pertinência em mais ambientes do que o luteranismo encontrou fora da Alemanha. A, o que a gente percebe é que, eh, a teologia reformada, ela desenvolveu um etos muito particular. Esse termo que é utilizado por teólogos, por sociólogos, por outros estudiosos, quer dizer esse conjunto de princípios e valores, de ênfases de pensamento, de cultura, o que naturalmente nós traduziríamos popularmente no Brasil como um jeitão. A teologia reformada tem um jeitão particular, tem um conjunto de eh de ênfases teológicas, tem um uma linguagem muito específica, uma maneira de tratar o texto que em boa medida é é bastante identificada com os reformadores, a em especial com Calvino e depois com os seus seguidores. Então, é por isso que a gente afirma que a teologia reformada, ela passou a ter uma identidade particular, um jeito particular. E de onde é que veio esse nome? Como a gente mencionou no primeiro slide, a rainha Elizabeth I na Inglaterra comentou sobre o tom mais radical desses protestantes não luteranos, chamando-os de mais reformados. Por isso, a origem do nome que a teologia associada a esses reformadores, seria a teologia reformada, porque ela percebeu um tom ainda mais radical do que havia identificado em Lutéo. Falando em Lutéo, nós temos algumas diferenças. Se no ponto ou nos pontos essenciais não há grande distinção entre as afirmações de Calvino e as afirmações de Lutéo, quando a gente sai desse núcleo mais delimitado, nós encontramos sim diferenças significativas. Os luteranos procuravam limpar, purificar, purgar a igreja eh de tudo aquilo que a escritura proibia. Por exemplo, Lutero aceitava diferentes tipos de instrumentos musicais no culto porque a escritura não proibia, dizia lá que era, nos termos atuais, proibido utilizar bateria, proibido utilizar sintetizador eletrônico. Não, não disse. Então é permitido. Então tudo que não é proibido pela Bíblia poderia ser utilizado no culto. A perspectiva reformada é diferente. purgar a igreja e suas práticas de tudo aquilo que a escritura não autoriza. Então, a ideia dos reformadores suíços era o que é que a Bíblia diz que deve acontecer no culto? Isso. Então, apenas isso deve ser feito. Tudo aquilo que ela não autoriza, ela proíbe. Eh, esse é o princípio regulador do culto. Os suíços limitaram o inário ao canto dos salmos e proibiram o acompanhamento musical porque a escritura não autoriza. Então, nesse ponto em particular da música, você pode ver claramente a diferença de perspectiva. Se não está dizendo que é para utilizar piano, órgão, cravo, seja lá que instrumento musical. fosse relevante naquela época, presente na cultura da Suíça. Se a Bíblia não está dizendo para usar isso, é porque a gente não pode usar essas coisas. A gente não tem autorização bíblica para utilizar esses elementos no culto. A Bíblia nos diz para compormos novas músicas que devem ser entoadas no momento da adoração? Não. Então isso tá proibido também. A gente vai utilizar apenas os salmos como a nossa inódia, como o nosso conjunto de hinos. autorizados em nosso culto. Quando a gente olha para essa contribuição de Calvino e de Zoínglio para a teologia reformada, a gente precisa considerar que Calvino é realmente o nome justamente associado à teologia reformada. Por a contribuição de Zwinglio, apesar de muito importante no início dessa reforma suíço-alemã, a contribuição foi ofuscada por sua morte prematura em uma batalha. Ele morreu pouco depois dos 40 anos, se eu não me engano. Ah, e pela emergência de Calvino em Genebra, que deu maior projeção ao movimento. Então, a gente tem a história de Calvino sendo muito mais relevante para compreender como é que esse movimento, como é que esse sistema doutrinário se originou e se estruturou. Quais foram os eventos mais importantes na história de Calvino que se entrela também com a história da teologia reformada? Ele nasce em 1509, nasce de uma família católica e o seu pai queria que ele estudasse teologia e ele foi pra Universidade de Paris. Desde então, ele teve no ano, eu não lembro exatamente eh com que idade, mas se eu não me engano ele estava com aproximadamente 25 anos. Ele teve um ano muito difícil em sua saúde e possivelmente por uma dedicação excessiva aos estudos. Ele ficou fraco, ele ficou muito doente e ele sofre de numerosas enfermidades físicas. Por isso que em 1527, na verdade eu falei 25 anos, mas eu estava confundindo com o final dessa data aqui, 1527. Foi muito antes. Ele era muito mais novo. Provavelmente ele tava aí fazendo as contas com 18 anos quando isso acontece, que é quando o seu pai muda de ideia e o envia para Orleans para estudar direito. Em Orleans, ele bebeu profundamente do humanismo e direcionou seus interesses para uma carreira de letras e de eloquência. E ele formou-se em direito em 1531. O que é que a gente quer dizer com o humanismo? vai ficar mais claro nos próximos slides aqui da nossa aula, mas não é humanismo na forma como tradicionalmente a gente pensa. E a gente tratou disso quando tivemos uma aula sobre Idade Média e sobre Renascimento. Então, o humanismo é fortemente ligado a essa perspectiva eh renascentista da produção intelectual, mas o importante aqui a gente perceber que ele se forme direito e ele tinha essa ênfase nas letras e na eloquência e era por aí que ele queria seguir. Em 1534, e, teve um evento muito importante, porque durante o seu período em Orleans, ele se associou, ficou muito próximo a Nicolau Cop, que era ou se tornou reitor da universidade depois que eles já tinham uma amizade muito estreita. E o discurso de COP, quando ele passou a assumir a reitoria da universidade gerou tanta oposição que ele precisou fugir imediatamente. Qual foi a questão? é que as pessoas passaram a suspeitar esse o discurso de copo foi um discurso, na verdade foi um um sermão sobre as beatitudes, um sermão sobre o sermão do monte de Mateus 5 a 7. atitudes no começo de Mateus, capítulo 5. Eh, o conteúdo teológico era tão forte e característico que as pessoas passaram a suspeitar do amigo teólogo de COP, COP, que era a médico. E aí começaram a suspeitar que Calvino era quem tinha de fato escrito esse sermão e por isso Calvino também foi forçado a fugir passando o ano seguinte em exílio. Em 1535, ele escreve, ele começa a escrever a primeira edição das institutas da religião cristã, a obra mais reconhecida de Calvino e que possivelmente teve maior impacto na formação da teologia reformada e na formação da teologia protestante de maneira geral. Ele dedica essa obra a Francisco I, rei da França, aos 27 anos. Então, veja como ele era muito novo quando ele eh escreve. Agora eu estou na dúvida se 1535 é quando ele começou, quando ele concluiu a primeira edição, mas como eu coloquei aqui no slide, então vale essa informação. Provavelmente eh Lutero tinha 27 anos quando ele conclui a primeira edição das institutas da religião cristã. Em 1536, ele vai parar em Genebra um pouco por acidente. Por quê? Ele estava já na Suíça, mas ele não estava em Genebra, estava em outra região da Suíça. Ele pretendia ir para Estrasburgo, mas ele foi detido por Guilhalm Farel. Eh, com certeza existe a pronúncia mais adequada, mas essa essa ressalva está sempre sendo feita aqui. Estou lendo da forma aportuguesada todos esses nomes franceses e alemães. Enfim, ele foi detido por esse eh Guilherme Farel, que era um reformador presente também já em Genebra naquele momento. Eh, Calvino, a princípio só ia fazer uma parada de uma noite na cidade de Genebra para seguir a sua viagem. E diante das palavras e diante do apelo de Farael, ele passou a, ele permaneceu em Genebra, aquilo que se tornou não uma estadia, mas a toda a vida que Calvino passou a desenvolver a partir desse momento, que foi justamente a sua contribuição teológica, especificamente a partir da realidade de Genebra. Então ele passou o resto da vida dele ali, exceto por um exílio de 2 anos, justamente na cidade de Estrasburgo, que era o destino que ele pretendia chegar no momento em que ele iniciou essa viagem em 1536. Como é que foi esse encontro entre Calvino e Farel? Guilherme Farel, palavra de Calvino, me manteve em Genebra, não tanto por conselho e argumento, mas por um uma terrível maldição, como se Deus tivesse posto sua mão sobre mim do céu para me deter. Essas palavras me chocaram. e me comoveram tanto que desisti da jornada que eu havia planejado fazer. As palavras de Farael, junto com sua paixão pelo evangelho, aterrorizaram tanto Calvino, que ele permaneceu em Genebra. E exceto por um auxílio, por um exílio, perdão, de 2 anos em Estrasburgo, Calvino passou o resto da sua vida transformando aquela pequena cidade no que o esconcis John Knox mais tarde chamou de a escola mais perfeita de Cristo desde os apóstolos. Tamanho foi o impacto de Calvino na cidade de Genebra. Agora a gente vai falar sobre três influências principais que explicam pra gente porque é que a teologia de Calvino assumiu a o estilo, o aspecto e algum em parte também algumas das ênfases que ela assumiu na maneira como a gente encontra tanto, perdão, nas institutas da religião cristã, como também nos comentários bíblicos que Calvino escreveu. Covin escreveu comentários bíblicos seão para todos os livros bíblicos, paraa maior parte deles. Então, eh, é possível perceber que ele desenvolveu um estilo próprio e que a sua teologia tem ênfases particulares. De onde é que isso surgiu? Bom, surgiu do humanismo e das outras duas influências que a gente vai apresentar para vocês. A outra coisa muito importante é perceber também que nenhuma teologia surge no vácuo. Calvino não pensou aquilo que ele pensou. apenas a partir da sua criatividade. Toda a verve, toda a criatividade, toda a personalidade de Calvino estava presente na sua produção literária, mas ele fez isso dentro de um contexto particular. E é isso que a gente gostaria de apresentar, que contexto é esse nesses eh nessas três influências que vamos apresentar. Bom, tô indo a milhão aqui. Eh, tô indo bem rápido e voltei só para ver se tem alguém reclamando de imagem ou de som. E aí eu vi que a Fernanda reclamou, mas outra pessoa já confirmou e a própria Fernanda tá ouvindo bem. Então, vou continuar aqui assumindo que vocês estão vendo e ouvindo direitinho, né? Bom, a primeira influência é o humanismo, como a gente já colocou. O humanismo começa no século eh se sente no século X. E foi esse momento do renascimento, do aprendizado, a do aprendizado despertado durante o renascimento. E não deve ser confundido com o humanismo secular, como a gente utiliza hoje esse termo. E a gente apresentou isso em mais detalhes na aula que eu fiz referência, o estudo dos clássicos latinos e gregos e dos antigos pais da igreja. No contexto teológico, no contexto de de eh Calvino e dos demais reformadores, era o retorno às línguas originais para a capacidade de estudar tanto o Novo Testamento em grego quanto o Antigo Testamento em hebraico, e também os pais da igreja no seu texto original, na sua fonte primária e não nos comentários que vieram a se acumular durante a Idade Média a respeito dos pais da igreja e que passaram esses comentários a seu entendimento normativo da Igreja Católica. Então, houve esse retorno tanto para as línguas originais e, por consequência, para o contexto original, história original e demais fatores que estavam envolvidos no contexto em que a Bíblia foi escrita, como também esse retorno para os pais da igreja, sem a mediação, sem eh o meio de campo que foi sendo construído e acumulado pelos comentaristas dos pais da igreja durante o ensino médio. Então, houve esse estudo das fontes originais, adfontes ou para as fontes, que essa devoção inabalável às fontes e na exposição do texto bíblico. Veja como isso é um contraste em relação à aquilo que é a condição que o próprio Lutério eh denuncia que havia sido a condição da Igreja Católica no momento em que ele eh coloca as suas 95 tes em Vittenberg, que é justamente essa ideia da separação, do distanciamento do ensino da igreja daquilo que é o texto bíblico. a hermenêutica clássica, que é passou a aplicar os princípios humanistas da hermenêutica em sua erudição, a preocupação com a intenção do autor. O que é que Paulo realmente quis dizer com isso? O contexto, em que contexto Paulo escreveu essas coisas e as passagens paralelas. Não é possível entender um texto sobre batismo ou sobre seia, que eram assuntos controvertidos durante esse momento da reforma, apenas olhando para uma passagem, mas construindo um conhecimento coerente sobre esse tema nas várias passagens disponíveis. e a fidelidade ao texto sem especulação filosófica, o princípio de não ir além do texto em especulação. Isso está muito ligado à valorização de Calvin e de outros reformadores de utilizar um método mais indutivo, ou seja, partido particular para o geral. A ideia é, eu não vou trazer o senso comum, a filosofia, outras fontes de informação para ser a minha régua de interpretação bíblica. Eu vou partir do texto bíblico e encontrar as generalizações que me permitem compreender tudo que acontece ao meu redor. Então, a ideia é partir do texto para o resto e no momento em que a gente trata do texto, ser até o texto, não querer inserir eh outros eh referenciais que nos permitam compreender o texto bíblico. Por isso que Calvino ficou muito associado a esse método mais indutivo de interpretação, que era uma característica de todos os humanistas. E o modelo dentro daquilo que era a realidade a Igreja Católica ainda e anterior a Calvino, era Erasmo, Erasmo de Rotterdam. Ele produziu edições críticas do Novo Testamento e também dos pais da igreja. Sua fé era uma piedade simples e focada na imitação de Jesus. Por que que esse essa informação das edições críticas do Novo Testamento dos Pais da igreja é importante? Porque essa ênfase, essa essência do humanismo, dos ah pensadores humanistas, mesmo aqueles que não estavam associados à reforma protestante, de retornar diretamente às fontes e produziu o seu conhecimento a partir do texto bíblico, a partir do texto dos pais da igreja. A segunda influência para Calvino foi a patrística. Uma das questões centrais da reforma era como interpretar Agostinho, não apenas a Patrística de forma geral, mas Agostinho em particular, que tá no final do período da patrística e que passou a ser o maior referencial da igreja no ocidente desde a o final do período patrístico. Então, ainda que a gente tenha muitas influências explicando pra gente como é que a gente chegou até aqui, certamente um dos nomes eh mais importantes e considerando o período dos pais da igreja mais importante pra gente entender esse perfil, essa maneira de pensar da igreja cristã no ocidente, certamente é Agostinho. A reforma não era apenas a interpretação da escritura. Ainda que a gente afirme o solo escritura, é preciso reconhecer que outras fontes também foram muito importantes no pensamento da reforma protestante, mas igualmente sobre a continuação de um debate sobre o status e supremamente a interpretação de Agostinho. A dependência de Agostinho, tanto a os reformadores alemães quanto os suíços dependiam fortemente dele para sua compreensão das doutrinas do homem, ou seja, antropologia. e da graça, ligados à soteriologia, que é a doutrina da salvação. A leitura direta dos pais da igreja era uma condição sinequanomon para o trabalho e para a contribuição de Agostinho e dos demais reformatores. O estudo direto de Agostinho contornando as interpretações medievais de seus escritos. Calvino como estudioso de Agostinho. Calvino era um estudioso erudito de Agostinho e reconhecia uma grande dependência dele. Por que é que isso aconteceu? Por que é que houve essa preferência dos reformadores, da teologia reformada e em especial de Calvino pelos pais da igreja? Primeiro, eles tinham um estilo latino superior. Não todos, mas muitos pais da igreja. Agostinho, inclusive escreveram em latim que era um latim superior àquilo que era o latim da idade média. Ah, e havia essa grande valorização dos humanistas pela linguagem, pela retórica, pela eh pelo refinamento do estilo. Dois, a simplicidade da expressão teológica. Lembra que a escolástica e o período da Idade Média testemunhou um grande acúmulo de uma teologia às vezes técnica, árida e para muitos teólogos subsequentes irrelevante. Então eles reconheciam essa simplicidade da expressão teológica nos pais da igreja. E três, os pais da igreja viveram e escreveram muito próximos dos tempos do Novo Testamento. E isso continua sendo um argumento de força nos círculos protestantes. Se você abrir um livro de introdução ao Novo Testamento, você vai ver que uma das um tipo de citação que é apresentado com elevada autoridade são as citações dos pais da igreja, porque eles estiveram relativamente próximos ao período apostólico. Então, a interpretação deles precisa ser considerada como tendo sido influenciada pelo ensino direto dos apóstolos, tá? Ah, a última influência, obviamente, é a influência de Lutero. Quase não é preciso dizer que Calvino foi influenciado por Martinho Lutero, o pai da reforma. Mas a profundidade dessa influência é aberta a debate, porque as ideias de Lutero haviam ganhado grande audiência na Universidade de Paris enquanto Calvino era estudante lá. teria sido quase impossível para Calvino ignorar a heresia radical promovida pelo reformador de Wittenberg, que a gente chama de heresia radical na perspectiva dos cristãos eh conservadores de Paris, da Igreja Católica, que reconheciam a pregação de Lutero como uma heresia. Quais eram as ênfases de Lutero que transparecem no trabalho de Calvino? Justificação pela fé. Solfid. Calvino dependia de Lutero ao escrever as institutas. A divergência na ceia do Senhor. Calvino permaneceu crítico de Lutero e de sua erudição. Ainda que ele tenha reconhecido a que a crítica de Lutero em relação aos sacramentos, em relação à ceia, na forma como era feita na Igreja Católica, era uma crítica pertinente. A conclusão a que Calvino chegou era diferente do que foi a conclusão de Lutero sobre esse sacramento. E por isso ele permaneceu crítico em alguns pontos. aquilo que era a erição de Lutero, a produção eh intelectual de Lutero e a divergência no princípio regulativo do culto, como a gente também já colocou a diferença entre a luteranos e reformados. As institutas da religião cristã, quais foram as principais ênfases teológicas encontradas nessa grande obra de quatro volumes chamado Institutas da Religião Cristã, que foi escrita por Lutero? Primeiro, a doutrina a respeito do conhecimento de Deus. A primeira preocupação de Calvino nas institutas é o conhecimento de Deus abordado a partir de dois ângulos. Existe o conhecimento natural e o conhecimento sobrenatural. Conhecimento natural é todo ser humano tem uma consciência natural de Deus visível na tendência, na tendência humana universal à idolatria. Essa consciência, no entanto, a consciência natural de Deus, ela é incapaz de levar o ser humano a um conhecimento verdadeiro de Deus. Porque o ser humano, dentro da perspectiva calvinista, ele foi afetado por esse pecado original. E esse pecado original promoveu uma depravação completa no ser humano. Depravação completa não é absoluta, não é a ideia de que o ser humano passou a ser incapaz de produzir qualquer tipo de bem, mas mesmo o bem que ele produz está maculado por esse pecado que foi herdado por Adão ou herdado a partir de Adão. Então, essa consciência universal de Deus, ainda que ela seja real, ela não pode levar um conhecimento verdadeiro de Deus e, na verdade, torna toda pessoa inesculpável diante de Deus, pois o mal humano impede o verdadeiro conhecimento dele, torna o ser humano indesculpável no sentido de que ele não pode alegar, no momento do juízo final que ele não fez o bem e não buscou a Deus, porque ele não sabia da possibilidade da existência de Deus. Ele carregava esse conhecimento em seu coração. O segundo tipo de conhecimento de Deus é o conhecimento sobrenatural. O verdadeiro conhecimento de Deus vem somente da revelação divina na palavra de Deus. Ela se apresenta na encarnação de Jesus Cristo, a palavra verdadeira e na escritura. Então existem essas duas fontes para o conhecimento sobrenatural e autêntico de Deus, que são Jesus Cristo, a palavra encarnada e escrituras, aquilo que dá testemunho a respeito de Jesus, atestada pelo testemunho interior do Espírito de Deus. A segunda doutrina fundamental das institutas é a doutrina a respeito da humanidade ou antropologia. E aqui vem uma discussão sobre imagi. É muito comum dentro do ambiente teológico, se você já fez um curso de teologia como o curso básico do Macários, eh, em algum momento você se deparou com essa pergunta: "O que significa a expressão que aparece em Gênesis capítulo 1, versículo 26 e 27, de que Deus nos fez a sua imagem, nos fez a sua semelhança." O que é imagem e semelhança de Deus? A imagem de Deus no ser humano, de acordo com Calvino, está localizada primeiro na alma. Embora Calvino admita que ela também se reflete em nossa forma física, mas essa imagem foi distorcida na queda. As capacidades sobrenaturais do ser humano, como a fé, desapareceram. O ser humano deixa de ter fé, de ter a capacidade de exercer fé, porque ela foi extinta da sua natureza. E as capacidades naturais, como o intelecto e a vontade foram desfiguradas. Então, tudo aquilo que provém da vontade humana está afetado, está maculado por esse pecado. Calvino afirma que todo aspecto de nossa humanidade foi afetado pelo primeiro pecado. Por causa da queda, todos os seres humanos herdaram o pecado de Adão. Não apenas a punição caiu sobre nós por causa de Adão, mas um contágio impartido por ele reside em nós. Não é que Adão foi condenado e por isso fomos condenados com por ele, junto com ele. Mas aquilo que aconteceu a natureza de Adão aconteceu em nossa própria natureza, o que justamente merece punição. Simplesmente como filhos de Adão também somos pecadores. Portanto, os seres humanos estão completamente acorrentados pelo pecado e são incapazes e até sem desejo de justiça. Então, veja como o a doutrina a respeito da humanidade, ela tem características muito definidas na teologia reformada, no calvinismo. O ser humano, ele tem a sua imagem e semelhança de Deus profundamente deformada. Tudo aquilo que define o ser humano foi afetado pelo pecado. Nós não temos mais fé. Nós não temos mais capacidade de de exercer fé. A fé foi extinta de nossa natureza e as nossas capacidades intelectuais e as nossas capacidades voletivas, o nosso desejo, a nossa vontade agora são para o mal. Além disso, nós herdamos a natureza pecaminosa de Adão e não apenas a sua punição. E a consequência dessas convicções é que nós estamos acorrentados no pecado e nós somos incapazes e não temos vontade de ter a justiça sendo feita sobre nós ou nós mesmos produzirmos aquilo que é justo. A terceira doutrina fundamental é a doutrina da salvação. soteriologia. Deus toma a iniciativa. Deus toma a iniciativa de produzir salvação. Devido aos efeitos paralisantes do pecado, ninguém pode chegar a Deus por si mesmo. Se o ser humano deve ser resgatado de sua condição desesperadora, Deus precisa tomar a iniciativa. E esse foi o propósito da encarnação de Jesus Cristo. Essa afirmação é muito importante, entender que não foi o homem que, desesperado pela sua condição de condenação diante de Deus, da injustiça da sua vontade, da sua incapacidade de ter fé, buscou uma maneira de ser salvo e uma forma de ser reconciliado com Deus. Foi Deus quem tomou a iniciativa e foi em direção ao homem. Segundo ponto, a fé é recriada pelo Espírito Santo. Talvez esse seja um dos pontos mais importantes na identificação da doutrina da salvação para o calvinismo. Ninguém pode entrar pela porta da salvação sem que o Espírito Santo conceda a fé necessária. Jesus se encarnou. Deus tomou a iniciativa de produzir salvação, de promover salvação pela humanidade. E o sacrifício de Jesus abriu essa porta para que o homem entrasse e tivesse a sua reconciliação com Deus. Mas o homem não vai entrar por essa porta por vontade própria. O homem não vai entrar por essa porta porque reconhece que Jesus Cristo é o Deus encarnado que morreu para o perdão dos seus pecados. Por quê? Porque ele não tem fé e ele não pode exercer a fé que ele não tem, que ele não possui. Como a fé foi destruída na queda, ela precisa ser recriada em cada pessoa para que venha Jesus Cristo. Então, a fé só surge no coração daqueles em quem o Espírito Santo coloca fé. Então, o entendimento calvinista é que a [limpando a garganta] pessoa ela só pode possuir fé, não porque ela deseja, mas porque Deus colocou fé no coração dela. A justificação se dá pela justiça imputada de Cristo, não pelas obras. Isso de forma muito semelhante àquilo que é também a proposta luterana. A justificação não se baseia em nenhuma bondade inerente à pessoa, mas unicamente na justiça de Cristo. Deus declara a pessoa justa com base no sacrifício expiatório de Cristo. A justiça de Cristo é imputada ao crente. Como Lutero, Calvino afirma que a justificação Calvino afirma a justificação pela fé, não pelas obras. Então, a questão da justificação pela fé, não pelas obras, é uma eh é é um dos pilares da reforma protestante. Está muito presente em Calvino, assim como estava presente em Lutero. A uma outra ênfase que aparece nas institutas, mas talvez com um espaço menor do que se imagina, é a doutrina da predestinação. Embora a doutrina da predestinação ou eleição tenha se tornado marca registrada da teologia reformada, ela não ocupou um lugar tão proeminente no ensino de Calvino. Ele introduziu o assunto apenas após discutir a doutrina da salvação. Isso acontece no fim do terceiro volume das institutas da religião cristã de um trabalho de quatro volumes. A predestinação não é central nem chave para o sistema teológico de Calvino. Calvino seguiu Agostinho, que entendia a predestinação como afetando não apenas a escolha de Deus sobre quem receberia a vida eterna, mas também quem seria eternamente condenado. Às vezes chamada de dupla predestinação, essa visão foi recebida por muitos de seus seguidores. Ainda assim, Calvino recusou-se a especular sobre a razão pela qual Deus predestina alguns para a vida e outros para destruição. Então, essa era uma ideia afirmada eh nas obras ou na obra principal de Calvino, a da predestinação e a dupla predestinação. Deus criou algumas pessoas destinadas para a salvação e outras pessoas destinadas para a condenação eterna. Mas ele restringiu muito daquilo que foi a sua argumentação justificativa, porque ele também afirmava a restrição dessas informações ou desses dados nas próprias escrituras. E por isso não fazia sentido imaginar ou especular sobre as razões, porque as coisas eram assim, porque Deus decidiu fazer as coisas assim e porque Deus decidiu predestinar alguns para salvação e outros para condenação. Frase de Calvino, buscar qualquer outro conhecimento da predestinação, além do que a palavra de Deus revela, não é menos insano do que querer caminhar num deserto sem caminho ou ver, enxergar nas trevas. doutrina da igreja, a ecclesiologia. [roncando] Calvino, ele declarou que há duas marcas distintas que permitem diferenciar uma verdadeira igreja de uma falsa. Onde quer que vejamos a palavra de Deus pregada e ouvida puramente e os sacramentos administrados segundo a instituição de Cristo, não se deve duvidar de que existe uma igreja de Deus. Então, esse é um sistema doutrinário sacramentalista. Eh, Calvino acreditava nos sacramentos da ceia e do batismo. E o que ele está dizendo é: "A igreja verdadeira se distingue por essas duas marcas. Por pregar e ouvir a palavra palavra de Deus de forma pura e por administrar os sacramentos de acordo com aquilo que é uma exigência do ensino de Jesus." Essas duas marcas, palavra de Deus pregada e ouvra ouvida puramente e os sacramentos administrados segundo a instituição cristã, é o que mais orienta a doutrina de Calvino sobre igreja. Calvino deu mais atenção à organização da igreja do que outros reformadores, afirmando que a verdadeira igreja deve seguir o padrão neotestamentário de organização, que incluía quatro ofícios bíblicos: pastor, mestre, presbítero ou ancião e diácono. Quando a gente fala que ele se dedicou mais à organização da igreja, a gente está falando sobre os aspectos concretos, como é que a pregação deve ser organizada, que tipo de música deve ser cantada, que instrumento pode ou não pode. Nesse caso, não se poderia ter acompanhamento de instrumentos, disciplina na igreja e várias outras questões concretas de como deveria ser o dia a dia, tanto do momento da adoração como da orientação da igreja. e o a papel da igreja junto aos fiéis. Ele também reconhecia eh esses quatro ofícios. Então, o pastor era encarregado de ministrar de ministrar a palavra de Deus, administrar os sacramentos e exercer disciplina. Quem é que poderia realizar o batismo e administrar ceia apenas os pastores, eh, assim como exercer disciplina. O mestre era encarregado da interpretação escriturística e do ensino da igreja, mas ele não tinha as outras responsabilidades que o pastor possuía. Então, o pastor também era eh encarregado de interpretar as escrituras, assim como mestre, mas tinha outras responsabilidades diante da congregação. Não era o caso do mestre. O presbítero ou ancião era encarregado da supervisão e disciplina junto com o pastor e ele guardava os costumes dos membros da igreja. Então ele era responsável por saber se os membros da igreja viviam de acordo com os costumes, as práticas que se reconhecia como legítimas e como necessárias no meio daquela igreja. E o diácono cuida dos pobres e distribui esmolas muito próximo daquilo que é a interpretação do texto em que os diáconos são levantados na igreja primitiva para cuidar da questão das viúvas também. Ah, os sacramentos, como a gente já falou mais de uma vez, Calvino reconhecia dois sacramentos. O primeiro é a ceia do Senhor. Calvino discordou tanto de Lutero quanto de Zwinglio, o outro reformador na Suíça, a respeito da ceia do Senhor. O debate girava em torno de como Cristo está presente durante a ceia, em torno da interpretação de este é o meu corpo. Quando Jesus celebra a seia com seus discípulos antes da crucificação e faz essa afirmação: "Este é o meu corpo." O que é que ele estava querendo dizer? A gente tem vários posicionamentos diferentes. A gente tá fazendo esse curso a partir de uma igreja batista. Então, tradicionalmente, os batistas reconhecem que esse é um memorial. Não existe uma presença mística de Jesus elementos da ceia. Essa era a posição de Zwinglin e essa é a posição da qual Lutério e Calvino estava discordando, assim como ele discorda também a da posição de Lutero. A posição da Igreja Católica é da transubstanciação. É a ideia de que o pão se torna o corpo na sua essência, mas não na sua forma, na boca do fiel que toma os elementos da ceia. Essa é a transubstanciação, Igreja Católica. Lutero acreditava na consubstanciação. Não é que o pão e o vinho se tornam o corpo de Cristo, ainda que seja na sua essência, mas existe uma presença metafísica de Jesus nos elementos da ceia. Então, é efetiva a ceia e esse sacramento tem efeito real porque existe uma presença novamente mística ou metafísica de Jesus nesses elementos. Essa é a cubstanciação. Calvino não acreditava nem na ceia como memorial, nem na transubstanciação, nem na cubstanciação. Ah, como a gente colocou aqui na consubstanciação, estava falando errado. Eh, Lutero tomou a frase mais literalmente: "O corpo de Cristo está meta metafisicamente presente no pão e no vinho". Zwinglio acreditava no memorial e ele reduziu a ceia a um memorial simbólico. Calvino entendia a ceia como essa os elementos da seio como uma presença espiritual real. Ele rejeitou ambas as posições. Calvino acreditava que os elementos do pão e do vinho são eficazes por causa da obra interior do espírito, concomitante com a ceia. Para Calvino, a ceia do Senhor é um meio pelo qual o Espírito de Deus fortalece a fé daqueles que aceitam a obra de Cristo pela fé. Então, para Calvino, a ideia é que enquanto o sujeito toma os elementos da ceia, o Espírito Santo faz uma obra e dispensa uma graça particular para esse momento em que a sua fé é fortalecida. Por isso que o sistema continua sendo sacramental. Existe uma um meio de graça que é exclusivo para a ceia do Senhor. E no momento em que você toma do cálice e participa do pão, a sua fé ela é fortalecida por meio desses elementos. Ah, historicamente, o debate sobre os sacramentos foi o que dividiu os reformadores suíços dos reformadores alemães. O segundo sacramento é o sacramento do batismo. A ideia de Calvino é o sacramento não salva e nem converte. O rito, ele não tem esse papel em relação às pessoas que são batizadas. O batismo ele fortalece a fé e ele sinaliza ao pacto. Mais uma vez, o batismo ele é um sacramento, logo ele comunica a graça, ele derrama a graça sobre a vida do fiel no momento em que esse sacramento ele é administrado, ou seja, a sua fé é fortalecida e também tem essa função de sinalizar o pacto da pessoa com Jesus. Assim como a ceia, o batismo serve para fortalecer a fé, mas a verdade que o batismo transmite é mais significativa do que o ato em si. O significado está em como o crente responde à obra do espírito. Uma particularidade do batismo no calvinismo é a inclusão dos filhos dos crentes. Tradicionalmente, o calvinismo ou a posição original de Calvino era que as crianças deveriam ser batizadas. é o chamado pedobismo. Como os outros reformadores, Calvino acreditava que não apenas os crentes, mas também os filhos dos crentes devem ser batizados como sinal da graça de Deus ao seu povo. A ala reformada dessa a tradição calvinista entendia o batismo infantil como um sinal da aliança comparável, paralelo àquilo que era a circuncisão no Antigo Testamento. que a circuncisão devia ser feita nos meninos no oitavo dia após o nascimento. Então isso significa que as crianças elas são batizadas e que nesse momento as crianças elas são incluídas na comunidade da fé, que elas devem ser criadas no temor do Senhor e que a comunidade ela tem uma responsabilidade junto com os pais de cuidar da criança e da sua educação. Mas o batismo significava especificamente isso. Essa criança passa a ser parte da comunidade da fé no momento em que ela é batizada. E o batismo é para o Novo Testamento, aquilo que a circuncisão era para o Antigo Testamento. Assim como a circuncisão não salvava, tampouco o batismo salva, mas ele traz a criança para dentro da comunidade da aliança. Bom, a gente tem o impacto de Calvino a sendo sentido em várias áreas da teologia, em várias áreas da tradição, em vários pontos da tradição cristã dentro e fora dos círculos reformados. Para citar um desses exemplos, eu posso falar sobre a exegese. A maneira como a gente eh entende exegese hoje está muito ligado ao trabalho exegético de Calvino, quando ele escreveu seus comentários para os livros do Novo e do Antigo Testamento. Por quê? porque foi eh a partir de outros reformadores, mas especialmente de Calvino, que existiu esse trabalho muito refinado de recuperação dos eh idiomas originais. Lutero também fez isso, mas é reconhecido um um grande refinamento, uma grande sofisticação e profundidade nesse trabalho exegético de Calvino, de além de recuperar os idiomas originais, essa tentativa de reconstruir o contexto original em que tudo isso foi feito e um trabalho bastante eh persistente, continuado, um trabalho muito consistente de Calvino em eh ter o seu ensino na igreja vinculado estritamente ao texto bíblico. Ainda que possa se discutir se essas interpretações eram adequadas ou não, todo mundo que olha paraa história da interpretação bíblica precisa reconhecer que no ocidente, pelo menos, Calvino, teve um impacto muito grande na forma como a gente entende a exegese e a hermenêutica do texto bíblico. Tem essa frase do Soia, que é o teólogo que e escreveu uma obra que eu utilizei a para esse pra aula de hoje, que ele afirmou o seguinte: Como um tremor no fundo do oceano que produz onda após onda se chocando contra a costa, o pensamento de Calvino rapidamente resultou em numerosas ondas teológicas que se chocaram contra as praias da cristandade. De fato, a teologia de Calvino é tão poderosa que ainda hoje essas ondas continuam chegando à medida que estudiosos contemporâneos interpretam e retrabalham sua teologia. É muito importante lembrar, no entanto, que essas ondas de réplica não são o terremoto em si, são interpretações de outros teólogos do pensamento que abalou a Terra, eh, que foi, na verdade, Calvino. Então, você tem uma obra muito importante, as institutas da da religião cristã. Você tem toda a obra de Calvino com os seus comentários, com o trabalho na reforma de Genebra, com as correspondências que se acumularam ao longo do tempo. E tudo isso teve um impacto imediato e teve um impacto nos anos subsequentes a a vida de Calvino. Isso aconteceu no século X. O fato de que o calvinismo ele permanece muito presente até hoje na tradição cristã, na tradição protestante, eh se dá ao fato não apenas daquilo que foi produzido diretamente por Calvino, mas por aquilo que foi interpretado pelos teólogos do trabalho de Calvino ao longo do tempo. Então, de certa maneira, o calvinismo que chega pra gente hoje não é apenas o calvinismo, como saiu da pena de Calvino nos seus trabalhos ou das reformas que ele promoveu da igreja em Genebra, mas a partir de várias modificações e reinterpretações que foram se acumulando ao longo do tempo. Então, a gente poderia falar do calvinismo como aconteceu na Escócia, como aconteceu eh na nos próprios países europeus que foram influenciados, mas não tanto pelo luteranismo. A gente pode falar sobre o calvinismo hoje, o trabalho como a teologia reformada influenciou os Estados Unidos, como isso alcançou as igrejas protestantes no Brasil, como houve um certo ressurgimento do calvinismo a partir dos 500 anos da reforma. Então, a gente está vivendo agora um uma nova onda calvinista em muitos ambientes, eh, a partir de ideias que estão aí há quase 500 anos ou há mais de 500 anos agora, mas que tomaram nova forma e novas culturas a partir de motivações específicas do nosso próprio tempo. Tudo isso pra gente reconhecer que Calvino é um dos maiores nomes da teologia ocidental, protestante ocidental. Certamente aquilo que a gente tem hoje de teologia e de doutrina está associada ao seu trabalho, como a gente poôde ver e vai continuar vendo na semana, na aula que vem. Mas eh nem tudo que é calvinismo vem de Calvino. Eu acredito que a gente vai poder falar um pouco sobre isso na próxima aula também, tá bom? Vou parar por aqui a apresentação e afirmar o seguinte. Eu sei que tem muitas coisas ligadas ao calvinismo que a gente não falou aqui, mas a ideia é que a gente vai tratar esses pontos na próxima aula. por exemplo, o Túlip, que são cinco pontos eh que mais identificam as doutrinas distintivas do calvinismo e que a gente não falou aqui, a total eh depravação total, a eleição incondicional, a expiação limitada, eh a perseverança dos santos, a graça irresistível, enfim, tudo isso é bastante característico da teologia reformada e vocês vão poder compreender entender um pouco melhor, inclusive alguns textos bíblicos que dão origem para esses pontos bastante particulares da teologia reformada e que são interpretadas de uma maneira específica. Isso vai ser o assunto da próxima aula, tá bom? Vamos aqui para o nosso chat. Não sei se a gente vai ter ah se a gente vai ter perguntas aqui. Bom, o Fred pediu para colocar o nome dos livros. Ah, como eu citei, eu utilizei o livro do Soia. Deixa eu ver se eu eh encontro esse livro. Eh, ele tem em português, foi traduzido pela pela editora Vida, mas infelizmente ele não é fácil de encontrar hoje. Você encontra na internet, mas é debo e como é um livro relativamente raro agora, ele não tá tão barato, mas eu vou colocar o nome aqui. Eh, e aí vocês podem pesquisar. Talvez vocês encontrem aí uma oportunidade melhor do que eu, tá? Então, introdução à teologia do James Soyer, editora Vida. Acabei de colocar no chat, Fred, você que pediu aí ajuda com o nome do livro, esse foi o que eu utilizei paraa aula de hoje. Que mais que a gente tem aqui? Vamos lá. Olha, outra pergunta sobre livro. Existe alguma cooperativa para que os alunos possam adquirir os livros indicados no curso por um preço mais acessível? Infelizmente não, Ana. a gente até considerou no começo do curso Macários ano passado, em 2025, eh fazer aquisição de alguns desses livros para repassar e vender pros alunos, mas a gente encontrou algumas dificuldades logísticas assim de poder comprar num volume que a gente tivesse garantia de saída e coisas assim. Então, infelizmente, a gente não tem nenhum tipo de iniciativa que permita a gente eh conseguir preços melhores, mas se tivermos novidades em relação a isso, certamente a gente vai comentar aqui nas aulas, tá bom? Em que medida podemos seguir a riscotúlip, o que eu acabei de mencionar, ou seja, cinco pontos do calvinismo? Bom, Paulo, seu amigo que tá sempre acompanhando aqui os nossos cursos. A gente não falou em detalhes do Tú tulip, a gente vai falar na próxima aula, mas é muito importante eh reconhecer que tem muitas pessoas, talvez a maioria dos eh reformados, daqueles que reconhecem a teologia reformada como o sistema doutrinário a ser seguido ou reconhecem o Novo Testamento como ensinando cada um desses pontos da teologia reformada do Túlipe, que os cinco pontos eles devem ser cridos de forma rigorosa. Não é tanto uma série de recomendações a serem seguidas, porque é uma descrição da obra de Cristo e da ação de Deus. Não é necessariamente algo que a gente faz, mas é algo que Deus fez. Então, tuleb, o a total depravação, eh, você não deve seguir a total de depravação. É uma descrição da natureza humana antes de ser alcançado pela graça e depois de herdar o pecado de Atão. A eleição é incondicional novamente. Não é algo que você faz, é algo que Deus produz. E assim com cada um dos pontos. Então, tulip não é uma série de orientações e normas a serem seguidas, mas uma descrição daquilo que é a obra de Cristo. Ah, aí depois você colocou seguir ou tomar como verdades inquestionáveis. Pois é, para muitas pessoas essas são verdades claramente reveladas nas escrituras. Todas as pessoas concordam? Certamente que não. Nem todas as pessoas entendem que esses cinco pontos do tuleb eh descrevem a realidade bíblica, a maneira como Deus se relaciona com a humanidade. Algumas pessoas aceitam, a maior parte desses cinco pontos aceitam quatro pontos, por exemplo. Eh, mas a existem muitas pessoas que não reconhecem nenhum desses pontos como sendo adequadas descrições bíblicas. Vamos ver que mais aqui. Pergunta: então, os eleitos são salvos e ponto final? Bom, Fernando, eu não sei o que você quer dizer com ponto final. se a ideia da perseverança dos santos, a ideia de que uma vez salvo sempre salvo. Essa é uma das convicções dos calvinistas. Uma vez que a pessoa é salva, se ela é eleita, Deus irá chamar. Esse chamado será irresistível. Não a não adianta a pessoa querer ou não querer. Deus irá resgatar aqueles que foram chamados ou eleitos. Eh, e essas pessoas elas vão perseverar até o fim. Muitos reconhecem que é possível ter um momento de fraqueza na fé ou de desvio na fé, mas se a pessoa é eleita, ela necessariamente vai se reconciliar com Cristo, com a igreja, e ela vai perseverar até o fim. Essa é uma convicção calvinista. Pergunta dois. Se a expiação de Cristo foi destinada apenas aos eleitos, conforme a doutrina da expiação limitada, como o calvinismo fundamenta a oferta universal do Evangelho e o chamado sincero ao arrependimento dirigido a todos os seres humanos. Bom, a explicação a dos calvinistas para a oferta universal do Evangelho é Jesus ordenou que a gente fizesse discípulos de todas as nações proclamasse a mensagem do evangelho em toda a terra. E por isso nós eh já temos motivos mais do que suficiente para eh cumprir essa missão. Nós pregamos em todos os lugares porque Jesus mandou. E a ideia é que nós não sabemos quem são os eleitos. Nós também não sabemos aqueles que foram predestinados para a condenação eterna. Então, a gente prega como uma forma pela qual Deus pode estar exercendo esse chamado para as pessoas. Nós pregamos, pregamos, nós chamamos essas pessoas ao arrependimento e aqueles que foram eleitos irão se arrepender. É mais ou menos essa a lógica, como os calvinistas apresentam a necessidade da missão também. Vamos ver aqui. E e é bom a gente ressaltar ainda dentro dessa pergunta, Fernanda, que a história dos reformadores, das comunidades e dos países influenciados pela teologia reformada, pelo calvinismo, tiveram respostas diversificadas aqui, assim como outras tradições, tiveram respostas diversificadas a esse chamado missionário a todos os povos. Ah, houve muitos, houveram muitos, eh, missionários reformados que foram bastante fiéis a esse propósito de anunciar o evangelho a outros povos dentro da sua própria nação, dentro e fora da sua cultura. Eh, e outras pessoas que muito motivadas por essa teologia eh não tiveram tanto ímpeto missionário, tá bom? Então, a gente não pode dizer que a teologia reformada levou todas as pessoas a um a um certo comodismo missionário, mas a gente precisa reconhecer que isso aconteceu em alguns contextos. Vamos [roncando] ver aqui como as ideias do humanismo desafiaram a autoridade da igreja e transformaram a visão de mundo durante o renascimento. Ricardo, essa pergunta é muito boa. O que a gente viu na aula em que falamos sobre idade média e renascimento, e o humanismo é um fruto do renascimento, é que o renascimento ele não foi caracterizado por um conjunto de ideias específicas. Você teve vários pensadores renascentistas, vários humanistas que promoveram ideias conflitantes entre eles. Tinham sistemas de pensamento dentro e fora dos debates teológicos que não eram plenamente conciliáveis, eram distintos. Eh, por quê? Porque o que caracterizou o humanismo e o renascimento não foi um conjunto de ideias, mas um conjunto de métodos. essa recuperação das fontes, essa volta para os clássicos, é esse renascimento, de acordo com o julgamento deles, do período áureo, da cultura ocidental, da cultura, na verdade, humana, promovida pelos gregos, eh, pelo latim. Então, a os pensadores latinos eh de expressão, então houve uma valorização muito mais da recuperação das fontes originais, tanto da literatura e da poesia, como também da teologia, a recuperação da leitura e interpretação do texto bíblico, a recuperação do estilo retórico próprio dos grandes poetas gregos, dos grandes pensadores latinos e no caso da teologia, uma recuperação tanto do texto bíblico, como a gente já colocou, como também dos pais da igreja. Então, o desafio, eu acredito que estava muito relacionado à transformação, a a transformação da visão de mundo como moldada diretamente pelo texto bíblico ou da forma como aqueles teólogos interpretavam o texto bíblico, que é a gente precisa voltar a lidar com as questões da igreja, da fé, da política, da educação naquilo que são os termos orientados pelo texto bíblico e não tanto pela tradição. Acho que essa oposição entre uma nova interpretação ou supostamente uma recuperação do sentido original do texto bíblico versus uma tradição medieval, foi o choque que mais se sentiu, que foi justamente essa revolta de Lutero contra o escolasticismo medieval, né? era o humanismo versus esse escolasticismo. Deixa eu ver aqui. O livre arbítrio diz respeito apenas à questão da salvação para todas as decisões da vida, segundo Calvino, para todas as decisões de ordem moral ou com efeitos espirituais. Ricardo, então o livre arbítrio, ele não eh estava restrito à questão da aceitação ou não da fé, do reconhecimento ou não de Jesus, mas sim para o exercício daquilo que era o bem e o mal, o exercício moral, por assim dizer, e o acesso ao pleno conhecimento ou a um conhecimento verdadeiro da pessoa de Deus. como a gente colocou, a doutrina do conhecimento de Deus foi um dos pontos mais centrais para para as institutas de Calvino. E é o ponto de onde ele parte o seu trabalho, né, de onde ele inicia o seu trabalho. Bom, acho que eu respondi as perguntas que apareceram aqui no chat, né? Espero que tenha eh conseguido preencher aí a conseguido atender as expectativas do pessoal que perguntou. A gente vai encerrando por aqui a aula de hoje e a gente reforça aqui. Essa é a primeira de duas aulas. Então volte aqui na quinta-feira. A gente vai continuar muitos dos pontos que foram eh colocados nas perguntas sobre o Túlep e os distintivos dessas doutrinas calvinistas, a gente vai falar na próxima aula, tá bom? Então, Deus abençoe todos vocês. Uma boa noite, um bom dia ou boa tarde para quem tá assistindo depois. E até nosso próximo encontro. Tchau. Tchau.