Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 09 | Teologia Reformada (Calvinismo) I | Ákilla

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 09 | Teologia Reformada (Calvinismo) I | Ákilla

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 09 | Teologia Reformada (Calvinismo) I | Ákilla

Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 09: Teologia Reformada (Calvinismo) I
Ákilla Nascimento

Comunidade Saudável. Cidade melhor!

Contribua para os projetos IBNU:
Chave PIX (CNPJ): 08.802.770/0001-60
Banco Bradesco
Ag. 1445-1
CC. 35400-7

Contribua

Conheça mais:
contato@ibnu.com.br

Home

Siga-nos:
/ ibnusaopaulo
/ ibnusp

Legendas automáticas:

[música]
เ
>> [música]
[música]
>> Boa noite para todo mundo que chegou
paraa nossa aula aqui do curso Macários.
Muito bom retornar pra gente conversar
sobre mais um tópico muito bom e já vi
que algumas pessoas estão chegando aqui
para dar o seu boa noite. Eh, é sempre
importante pra gente, bastante motivador
saber que a gente tá falando e tem outra
pessoa ouvindo aí. Então, a interação de
vocês eh é é necessária pra gente eh ter
essa certeza que a gente não tá falando
pro vácuo também, né?
Ah, boa noite, Sandra, boa noite Ana,
boa noite Carla, boa noite Tita, pro
Manuel, pro Fred. Bom receber vocês
aqui, pessoal que tá sempre com a gente,
sempre presente no comecinho das aulas e
tantos outros que certamente não podem
acompanhar ao vivo, mas fazem aí ao
longo da semana. É muito bom ter também
a sua atenção. Eh, e eu gostaria então
de situar um pouco a nossa conversa de
hoje. A gente começou esse módulo do
curso Macários. curso Macários é um
curso de teologia, começou na sua parte
mais básica, veio pra parte mais
avançada. E nesse módulo que a gente
está tratando sobre as várias tradições,
ainda que todos eh tenhamos essa
convicção de uma fé única na pessoa de
Jesus Cristo, a gente começou falando
dos períodos históricos. Então, tratamos
do período dos pais da igreja, falamos
sobre o período medieval e
renascentista, falamos sobre reforma
protestante e depois esse período pôs
reforma, em especial a partir do
iluminismo da modernidade até os dias
atuais. Claro que essas aulas foram
muito eh introdutórias,
eh bastante abrangentes, porque a gente
precisava fazer esse sobrevoo a fim de
situar alguns dos elementos mais
importantes pra gente entender de onde é
que vem todos esses sistemas
doutrinários que caracterizam as várias
tradições. Então, a gente falou sobre a
igreja ortodoxa, que é a igreja do
Oriente. falamos sobre a Igreja
Católica, falamos sobre a tradição
luterana e hoje a gente vai começar a
falar sobre teologia reformada. Como
esse é um tópico de muita relevância, a
gente dividiu em duas aulas. Então, hoje
eu vou dar a primeira aula e na próxima
quinta-feira Saon vai dar a segunda aula
sobre esse assunto. Também faremos assim
com alguns outros tópicos, como por
exemplo, ah, quando falarmos sobre
teologia arminiana, se eu não estiver
enganado, vai ser o próximo tópico que a
gente também vai dedicar um tempo maior
para falar sobre o pentecostalismo. E a
partir de agora, falando sobre, na
verdade, a partir da última aula,
falando sobre luteranismo e dando
continuidade com teologia reformada, a
gente se aproxima mais daquilo que é a
realidade protestante, em especial a
realidade protestante brasileira. Você
vai ver em especial a partir de hoje que
isso explica muito daquilo que a gente
enxerga nas igrejas protestantes, nas
igrejas evangélicas brasileiras. Então,
eu acredito que a partir de agora a
conexão com a nossa realidade vai ser
mais direta e espero que isso seja
também mais motivante, mais instigante
para que você se aprofunde no
conhecimento de cada uma dessas
tradições, tá bom? Bom, então vou
compartilhar aqui a nossa apresentação
de hoje, teologia reformada, e eu vou
começar fazendo um esclarecimento de
termos. Quando a gente fala de teologia
reformada, nós estamos nos referindo a
calvinismo. Onde é que surge a confusão?
Como tudo que a gente trata de reforma
protestante se origina em Lutéo, 1517?
Claro que teve movimentos pré-reforma,
claro que existe uma grande diversidade
da reforma protestante a partir desse
ponto, mas muitas vezes as pessoas
remetem teologia reformada ou a Lutero
ou a tudo aquilo que está no bojo das
tradições protestantes. Mas não é um
caso. ah, por razões que a gente vai
tornar um pouco mais claras no nos
próximos slides ainda no começo da nossa
aula, quando a gente está tratando de
teologia reformada, nós estamos nos
referindo especificamente ao calvinismo,
ao trabalho de João Calvino e depois os
seus seguidores, a os demais teólogos
que deram sequência a essa tradição
iniciada por Calvino. Tá bom? Então,
quando estivermos tratando ao longo
dessas duas aulas e nas próximas aulas
de teologia reformada, é preciso você
conectar com calvinismo. Não estamos
falando da teologia proveniente da
reforma protestante de forma geral e nem
especificamente de Lutéo, mas sim de
Calvino.
Essa é a nossa nona aula aqui desse
módulo. Um sumário da aula, a gente vai
falar sobre o contexto histórico, como é
que surge a teologia. eh, reformada,
teologia calvinista. Depois a gente vai
falar sobre as principais ênfases
doutrinárias
dessa desse sistema doutrinário e também
especificamente sobre a questão dos
sacramentos. O legado vai ser só o
último slide, mas a gente vai falar um
pouco sobre a maneira como Calvino
entendia os dois sacramentos do batismo
e da ceia, tá bom? O que é teologia
reformada? A teologia reformada tem duas
raízes. Uma vem dessa reforma
suíço-francesa
liderada por João Calvino, que fez todo
ou quase todo o seu trabalho teológico
na cidade de Genebra, na Suíça. A outra
corrente é a reforma suíça alemã, que
nasce a partir de Zuinglio e é
amadurecido por outro teólogo que é o
Bullinger. Então, a gente tem essas duas
tradições da reforma, da teologia
[roncando] reformada, que vão dar origem
a sistemas doutrinários diferentes
inicialmente, mas que depois convergem
para uma confissão comum ainda no século
X. Mas eh esse pensamento próprio do da
teologia reformada, ela começa de uma
maneira distinta entre esses dois
reformadores, João Calvino e Zuinglio.
Ah, nas suas afirmações essenciais, a
teologia reformada ela não se distingue
muito claramente ou nos pontos mais
essenciais, ela não se distingue em nada
daquilo que é o luteranismo. Mas
enquanto o luteranismo, ele ficou muito
associado àquilo que era a realidade da
Alemanha e a relação da igreja que surge
a partir da reforma eh iniciada por
Lutero com a política alemã e também com
aspectos da cultura alemã. a gente tem
algo diferente acontecendo com a
teologia reformada, que ela surge na
Suíça, mas rapidamente se espalha para
outras regiões e não fica muito
determinada pelo contexto
exclusivamente
eh relevante na Suíça do tempo de
Calvino. Então, esse é um sistema de
pensamento, esse é um sistema
doutrinário que encontra pertinência em
mais ambientes do que o luteranismo
encontrou fora da Alemanha.
A, o que a gente percebe é que, eh, a
teologia reformada, ela desenvolveu um
etos muito particular. Esse termo que é
utilizado por teólogos, por sociólogos,
por outros estudiosos, quer dizer esse
conjunto de princípios e valores, de
ênfases de pensamento, de cultura, o que
naturalmente nós traduziríamos
popularmente no Brasil como um jeitão. A
teologia reformada tem um jeitão
particular, tem um conjunto de eh
de ênfases teológicas, tem um uma
linguagem muito específica, uma maneira
de tratar o texto que em boa medida é é
bastante identificada com os
reformadores, a em especial com Calvino
e depois com os seus seguidores. Então,
é por isso que a gente afirma que a
teologia reformada, ela passou a ter uma
identidade particular, um jeito
particular. E de onde é que veio esse
nome? Como a gente mencionou no primeiro
slide, a rainha Elizabeth I na
Inglaterra comentou sobre o tom mais
radical desses protestantes não
luteranos, chamando-os de mais
reformados. Por isso, a origem do nome
que a teologia associada a esses
reformadores, seria a teologia
reformada, porque ela percebeu um tom
ainda mais radical do que havia
identificado em Lutéo. Falando em Lutéo,
nós temos algumas diferenças. Se no
ponto ou nos pontos essenciais não há
grande distinção entre as afirmações de
Calvino e as afirmações de Lutéo, quando
a gente sai desse núcleo mais
delimitado, nós encontramos sim
diferenças significativas. Os luteranos
procuravam limpar, purificar, purgar a
igreja
eh de tudo aquilo que a escritura
proibia.
Por exemplo, Lutero aceitava diferentes
tipos de instrumentos musicais no culto
porque a escritura não proibia, dizia lá
que era, nos termos atuais, proibido
utilizar bateria, proibido utilizar
sintetizador eletrônico. Não, não disse.
Então é permitido. Então tudo que não é
proibido pela Bíblia poderia ser
utilizado no culto. A perspectiva
reformada é diferente. purgar a igreja e
suas práticas de tudo aquilo que a
escritura não autoriza. Então, a ideia
dos reformadores suíços era o que é que
a Bíblia diz que deve acontecer no
culto? Isso. Então, apenas isso deve ser
feito. Tudo aquilo que ela não autoriza,
ela proíbe. Eh, esse é o princípio
regulador do culto. Os suíços limitaram
o inário ao canto dos salmos e proibiram
o acompanhamento musical porque a
escritura não autoriza. Então, nesse
ponto em particular da música, você pode
ver claramente a diferença de
perspectiva. Se não está dizendo que é
para utilizar piano, órgão, cravo, seja
lá que instrumento musical. fosse
relevante naquela época, presente na
cultura da Suíça. Se a Bíblia não está
dizendo para usar isso, é porque a gente
não pode usar essas coisas. A gente não
tem autorização bíblica para utilizar
esses elementos no culto.
A Bíblia nos diz para compormos novas
músicas que devem ser entoadas no
momento da adoração? Não. Então isso tá
proibido também. A gente vai utilizar
apenas os salmos como a nossa inódia,
como o nosso conjunto de hinos.
autorizados em nosso culto. Quando a
gente olha para essa contribuição de
Calvino e de Zoínglio para a teologia
reformada, a gente precisa considerar
que Calvino é realmente o nome
justamente associado à teologia
reformada. Por a contribuição de
Zwinglio, apesar de muito importante no
início dessa reforma suíço-alemã,
a contribuição foi ofuscada por sua
morte prematura em uma batalha. Ele
morreu pouco depois dos 40 anos, se eu
não me engano. Ah, e pela emergência de
Calvino em Genebra, que deu maior
projeção ao movimento. Então, a gente
tem a história de Calvino sendo muito
mais relevante para compreender como é
que esse movimento, como é que esse
sistema doutrinário se originou e se
estruturou. Quais foram os eventos mais
importantes na história de Calvino que
se entrela também com a história da
teologia reformada? Ele nasce em 1509,
nasce de uma família católica e o seu
pai queria que ele estudasse teologia e
ele foi pra Universidade de Paris. Desde
então, ele teve no ano, eu não lembro
exatamente eh com que idade, mas se eu
não me engano ele estava com
aproximadamente 25 anos. Ele teve um ano
muito difícil em sua saúde e
possivelmente por uma dedicação
excessiva aos estudos. Ele ficou fraco,
ele ficou muito doente e ele sofre de
numerosas enfermidades físicas. Por isso
que em 1527,
na verdade eu falei 25 anos, mas eu
estava confundindo com o final dessa
data aqui, 1527. Foi muito antes. Ele
era muito mais novo. Provavelmente ele
tava aí fazendo as contas com 18 anos
quando isso acontece, que é quando o seu
pai muda de ideia e o envia para Orleans
para estudar direito. Em Orleans,
ele bebeu profundamente do humanismo e
direcionou seus interesses para uma
carreira de letras e de eloquência. E
ele formou-se em direito em 1531.
O que é que a gente quer dizer com o
humanismo? vai ficar mais claro nos
próximos slides aqui da nossa aula, mas
não é humanismo na forma como
tradicionalmente a gente pensa. E a
gente tratou disso quando tivemos uma
aula sobre Idade Média e sobre
Renascimento. Então, o humanismo é
fortemente ligado a essa perspectiva eh
renascentista da produção intelectual,
mas o importante aqui a gente perceber
que ele se forme direito e ele tinha
essa ênfase nas letras e na eloquência e
era por aí que ele queria seguir.
Em 1534,
e, teve um evento muito importante,
porque durante o seu período em Orleans,
ele se associou, ficou muito próximo a
Nicolau Cop, que era ou se tornou reitor
da universidade depois que eles já
tinham uma amizade muito estreita. E o
discurso de COP, quando ele passou a
assumir a reitoria da universidade gerou
tanta oposição que ele precisou fugir
imediatamente. Qual foi a questão? é que
as pessoas passaram a suspeitar esse o
discurso de copo foi um discurso, na
verdade foi um um sermão sobre as
beatitudes, um sermão sobre o sermão do
monte de Mateus 5 a 7. atitudes no
começo de Mateus, capítulo 5. Eh, o
conteúdo teológico era tão forte e
característico que as pessoas passaram a
suspeitar do amigo teólogo de COP, COP,
que era a médico. E aí começaram a
suspeitar que Calvino era quem tinha de
fato escrito esse sermão e por isso
Calvino também foi forçado a fugir
passando o ano seguinte em exílio. Em
1535, ele escreve, ele começa a escrever
a primeira edição das institutas da
religião cristã, a obra mais reconhecida
de Calvino e que possivelmente teve
maior impacto na formação da teologia
reformada e na formação da teologia
protestante de maneira geral. Ele dedica
essa obra a Francisco I, rei da França,
aos 27 anos. Então, veja como ele era
muito novo quando ele eh escreve. Agora
eu estou na dúvida se 1535 é quando ele
começou, quando ele concluiu a primeira
edição, mas como eu coloquei aqui no
slide, então vale essa informação.
Provavelmente eh Lutero tinha 27 anos
quando ele conclui a primeira edição das
institutas da religião cristã. Em 1536,
ele vai parar em Genebra um pouco por
acidente. Por quê? Ele estava já na
Suíça, mas ele não estava em Genebra,
estava em outra região da Suíça. Ele
pretendia ir para Estrasburgo, mas ele
foi detido por Guilhalm Farel. Eh, com
certeza existe a pronúncia mais
adequada, mas essa essa ressalva está
sempre sendo feita aqui. Estou lendo da
forma aportuguesada todos esses nomes
franceses e alemães. Enfim, ele foi
detido por esse eh Guilherme Farel, que
era um reformador presente também já em
Genebra naquele momento. Eh,
Calvino, a princípio só ia fazer uma
parada de uma noite na cidade de Genebra
para seguir a sua viagem. E diante das
palavras e diante do apelo de Farael,
ele passou a, ele permaneceu em Genebra,
aquilo que se tornou não uma estadia,
mas a toda a vida que Calvino passou a
desenvolver a partir desse momento, que
foi justamente a sua contribuição
teológica, especificamente a partir da
realidade de Genebra. Então ele passou o
resto da vida dele ali, exceto por um
exílio de 2 anos, justamente na cidade
de Estrasburgo, que era o destino que
ele pretendia chegar no momento em que
ele iniciou essa viagem em 1536. Como é
que foi esse encontro entre Calvino e
Farel? Guilherme Farel, palavra de
Calvino, me manteve em Genebra, não
tanto por conselho e argumento, mas por
um uma terrível maldição, como se Deus
tivesse posto sua mão sobre mim do céu
para me deter. Essas palavras me
chocaram. e me comoveram tanto que
desisti da jornada que eu havia
planejado fazer. As palavras de Farael,
junto com sua paixão pelo evangelho,
aterrorizaram
tanto Calvino, que ele permaneceu em
Genebra. E exceto por um auxílio, por um
exílio, perdão, de 2 anos em
Estrasburgo, Calvino passou o resto da
sua vida transformando aquela pequena
cidade no que o esconcis John Knox mais
tarde chamou de a escola mais perfeita
de Cristo desde os apóstolos. Tamanho
foi o impacto de Calvino na cidade de
Genebra.
Agora a gente vai falar sobre três
influências principais que explicam pra
gente porque é que a teologia de Calvino
assumiu a o estilo, o aspecto e algum em
parte também algumas das ênfases que ela
assumiu na maneira como a gente encontra
tanto,
perdão, nas institutas da religião
cristã, como também nos comentários
bíblicos que Calvino escreveu. Covin
escreveu comentários bíblicos seão para
todos os livros bíblicos, paraa maior
parte deles. Então, eh, é possível
perceber que ele desenvolveu um estilo
próprio e que a sua teologia tem ênfases
particulares. De onde é que isso surgiu?
Bom, surgiu do humanismo e das outras
duas influências que a gente vai
apresentar para vocês. A outra coisa
muito importante é perceber também que
nenhuma teologia surge no vácuo.
Calvino não pensou aquilo que ele
pensou. apenas a partir da sua
criatividade. Toda a verve, toda a
criatividade, toda a personalidade de
Calvino estava presente na sua produção
literária, mas ele fez isso dentro de um
contexto particular. E é isso que a
gente gostaria de apresentar, que
contexto é esse nesses eh nessas três
influências que vamos apresentar. Bom,
tô indo a milhão aqui.
Eh, tô indo bem rápido e voltei só para
ver se tem alguém reclamando de imagem
ou de som. E aí eu vi que a Fernanda
reclamou, mas outra pessoa já confirmou
e a própria Fernanda tá ouvindo bem.
Então, vou continuar aqui assumindo que
vocês estão vendo e ouvindo direitinho,
né? Bom, a primeira influência é o
humanismo, como a gente já colocou. O
humanismo começa no século eh se sente
no século X.
E foi esse momento do renascimento, do
aprendizado, a do aprendizado despertado
durante o renascimento. E não deve ser
confundido com o humanismo secular, como
a gente utiliza hoje esse termo. E a
gente apresentou isso em mais detalhes
na aula que eu fiz referência, o estudo
dos clássicos latinos e gregos e dos
antigos pais da igreja. No contexto
teológico, no contexto de de eh Calvino
e dos demais reformadores, era o retorno
às línguas originais para a capacidade
de estudar tanto o Novo Testamento em
grego quanto o Antigo Testamento em
hebraico, e também os pais da igreja no
seu texto original, na sua fonte
primária e não nos comentários que
vieram a se acumular durante a Idade
Média a respeito dos pais da igreja e
que passaram esses comentários a seu
entendimento normativo da Igreja
Católica. Então, houve esse retorno
tanto para as línguas originais e, por
consequência, para o contexto original,
história original e demais fatores que
estavam envolvidos no contexto em que a
Bíblia foi escrita, como também esse
retorno para os pais da igreja, sem a
mediação, sem eh o meio de campo que foi
sendo construído e acumulado pelos
comentaristas dos pais da igreja durante
o ensino médio. Então, houve esse estudo
das fontes originais, adfontes ou para
as fontes, que essa devoção inabalável
às fontes e na exposição do texto
bíblico. Veja como isso é um contraste
em relação à aquilo que é a condição que
o próprio Lutério eh denuncia que havia
sido a condição da Igreja Católica no
momento em que ele eh coloca as suas 95
tes em Vittenberg, que é justamente essa
ideia da separação, do distanciamento do
ensino da igreja daquilo que é o texto
bíblico. a hermenêutica clássica, que é
passou a aplicar os princípios
humanistas da hermenêutica em sua
erudição, a preocupação com a intenção
do autor. O que é que Paulo realmente
quis dizer com isso? O contexto, em que
contexto Paulo escreveu essas coisas e
as passagens paralelas. Não é possível
entender um texto sobre batismo ou sobre
seia, que eram assuntos controvertidos
durante esse momento da reforma, apenas
olhando para uma passagem, mas
construindo um conhecimento coerente
sobre esse tema nas várias passagens
disponíveis. e a fidelidade ao texto sem
especulação filosófica, o princípio de
não ir além do texto em especulação.
Isso está muito ligado à valorização de
Calvin e de outros reformadores de
utilizar um método mais indutivo, ou
seja, partido particular para o geral. A
ideia é, eu não vou trazer o senso
comum, a filosofia, outras fontes de
informação para ser a minha régua de
interpretação bíblica. Eu vou partir do
texto bíblico e encontrar as
generalizações que me permitem
compreender tudo que acontece ao meu
redor. Então, a ideia é partir do texto
para o resto e no momento em que a gente
trata do texto, ser até o texto, não
querer inserir eh outros eh referenciais
que nos permitam compreender o texto
bíblico. Por isso que Calvino ficou
muito associado a esse método mais
indutivo de interpretação, que era uma
característica de todos os humanistas. E
o modelo dentro daquilo que era a
realidade a Igreja Católica ainda e
anterior a Calvino, era Erasmo, Erasmo
de Rotterdam. Ele produziu edições
críticas do Novo Testamento e também dos
pais da igreja. Sua fé era uma piedade
simples e focada na imitação de Jesus.
Por que que esse essa informação das
edições críticas do Novo Testamento dos
Pais da igreja é importante? Porque essa
ênfase, essa essência do humanismo, dos
ah pensadores humanistas, mesmo aqueles
que não estavam associados à reforma
protestante, de retornar diretamente às
fontes e produziu o seu conhecimento a
partir do texto bíblico, a partir do
texto dos pais da igreja. A segunda
influência para Calvino foi a
patrística. Uma das questões centrais da
reforma era como interpretar
Agostinho, não apenas a Patrística de
forma geral, mas Agostinho em
particular, que tá no final do período
da patrística e que passou a ser o maior
referencial da igreja no ocidente desde
a o final do período patrístico. Então,
ainda que a gente tenha muitas
influências explicando pra gente como é
que a gente chegou até aqui, certamente
um dos nomes eh mais importantes e
considerando o período dos pais da
igreja mais importante pra gente
entender esse perfil, essa maneira de
pensar da igreja cristã no ocidente,
certamente é Agostinho. A reforma não
era apenas a interpretação da escritura.
Ainda que a gente afirme o solo
escritura, é preciso reconhecer que
outras fontes também foram muito
importantes no pensamento da reforma
protestante, mas igualmente sobre a
continuação de um debate sobre o status
e supremamente a interpretação de
Agostinho. A dependência de Agostinho,
tanto a os reformadores alemães quanto
os suíços dependiam fortemente dele para
sua compreensão das doutrinas do homem,
ou seja, antropologia. e da graça,
ligados à soteriologia, que é a doutrina
da salvação. A leitura direta dos pais
da igreja era uma condição sinequanomon
para o trabalho e para a contribuição de
Agostinho e dos demais reformatores. O
estudo direto de Agostinho contornando
as interpretações medievais de seus
escritos. Calvino como estudioso de
Agostinho. Calvino era um estudioso
erudito de Agostinho e reconhecia uma
grande dependência dele. Por que é que
isso aconteceu? Por que é que houve essa
preferência dos reformadores, da
teologia reformada e em especial de
Calvino pelos pais da igreja? Primeiro,
eles tinham um estilo latino superior.
Não todos, mas muitos pais da igreja.
Agostinho, inclusive escreveram em latim
que era um latim superior àquilo que era
o latim da idade média. Ah, e havia essa
grande valorização dos humanistas pela
linguagem, pela retórica, pela eh pelo
refinamento do estilo. Dois, a
simplicidade da expressão teológica.
Lembra que a escolástica e o período da
Idade Média testemunhou um grande
acúmulo de uma teologia às vezes
técnica, árida e para muitos teólogos
subsequentes irrelevante. Então eles
reconheciam essa simplicidade da
expressão teológica nos pais da igreja.
E três, os pais da igreja viveram e
escreveram muito próximos dos tempos do
Novo Testamento. E isso continua sendo
um argumento de força nos círculos
protestantes. Se você abrir um livro de
introdução ao Novo Testamento, você vai
ver que uma das um tipo de citação que é
apresentado com elevada autoridade são
as citações dos pais da igreja, porque
eles estiveram relativamente próximos ao
período apostólico. Então, a
interpretação deles precisa ser
considerada como tendo sido influenciada
pelo ensino direto dos apóstolos, tá?
Ah, a última influência, obviamente, é a
influência de Lutero. Quase não é
preciso dizer que Calvino foi
influenciado por Martinho Lutero, o pai
da reforma. Mas a profundidade dessa
influência é aberta a debate, porque as
ideias de Lutero haviam ganhado grande
audiência na Universidade de Paris
enquanto Calvino era estudante lá. teria
sido quase impossível para Calvino
ignorar a heresia radical promovida pelo
reformador de Wittenberg, que a gente
chama de heresia radical na perspectiva
dos cristãos eh
conservadores de Paris, da Igreja
Católica, que reconheciam a pregação de
Lutero como uma heresia. Quais eram as
ênfases de Lutero que transparecem no
trabalho de Calvino? Justificação pela
fé. Solfid.
Calvino dependia de Lutero ao escrever
as institutas. A divergência na ceia do
Senhor. Calvino permaneceu crítico de
Lutero e de sua erudição. Ainda que ele
tenha reconhecido
a que a crítica de Lutero em relação aos
sacramentos, em relação à ceia, na forma
como era feita na Igreja Católica, era
uma crítica pertinente. A conclusão a
que Calvino chegou era diferente do que
foi a conclusão de Lutero sobre esse
sacramento. E por isso ele permaneceu
crítico em alguns pontos.
aquilo que era a erição de Lutero, a
produção eh intelectual de Lutero e a
divergência no princípio regulativo do
culto, como a gente também já colocou a
diferença entre a luteranos e
reformados.
As institutas da religião cristã, quais
foram as principais ênfases teológicas
encontradas nessa grande obra de quatro
volumes chamado Institutas da Religião
Cristã, que foi escrita por Lutero?
Primeiro, a doutrina a respeito do
conhecimento de Deus. A primeira
preocupação de Calvino nas institutas é
o conhecimento de Deus abordado a partir
de dois ângulos. Existe o conhecimento
natural e o conhecimento sobrenatural.
Conhecimento natural é todo ser humano
tem uma consciência natural de Deus
visível na tendência, na tendência
humana universal à idolatria.
Essa consciência, no entanto, a
consciência natural de Deus, ela é
incapaz de levar o ser humano a um
conhecimento verdadeiro de Deus. Porque
o ser humano, dentro da perspectiva
calvinista, ele foi afetado por esse
pecado original. E esse pecado original
promoveu uma depravação completa no ser
humano. Depravação completa não é
absoluta, não é a ideia de que o ser
humano passou a ser incapaz de produzir
qualquer tipo de bem, mas mesmo o bem
que ele produz está maculado por esse
pecado que foi herdado por Adão ou
herdado a partir de Adão. Então, essa
consciência universal de Deus, ainda que
ela seja real, ela não pode levar um
conhecimento verdadeiro de Deus e, na
verdade, torna toda pessoa inesculpável
diante de Deus, pois o mal humano impede
o verdadeiro conhecimento dele, torna o
ser humano indesculpável no sentido de
que ele não pode alegar, no momento do
juízo final que ele não fez o bem e não
buscou a Deus, porque ele não sabia da
possibilidade da existência de Deus. Ele
carregava esse conhecimento em seu
coração. O segundo tipo de conhecimento
de Deus é o conhecimento sobrenatural. O
verdadeiro conhecimento de Deus vem
somente da revelação divina na palavra
de Deus. Ela se apresenta na encarnação
de Jesus Cristo, a palavra verdadeira e
na escritura. Então existem essas duas
fontes para o conhecimento sobrenatural
e autêntico de Deus, que são Jesus
Cristo, a palavra encarnada e
escrituras, aquilo que dá testemunho a
respeito de Jesus, atestada pelo
testemunho interior do Espírito de Deus.
A segunda doutrina fundamental das
institutas é a doutrina a respeito da
humanidade ou antropologia.
E aqui vem uma discussão sobre imagi. É
muito comum dentro do ambiente
teológico, se você já fez um curso de
teologia como o curso básico do
Macários, eh, em algum momento você se
deparou com essa pergunta: "O que
significa a expressão que aparece em
Gênesis capítulo 1, versículo 26 e 27,
de que Deus nos fez a sua imagem, nos
fez a sua semelhança." O que é imagem e
semelhança de Deus? A imagem de Deus no
ser humano, de acordo com Calvino, está
localizada primeiro na alma. Embora
Calvino admita que ela também se reflete
em nossa forma física, mas essa imagem
foi distorcida na queda. As capacidades
sobrenaturais do ser humano, como a fé,
desapareceram.
O ser humano deixa de ter fé, de ter a
capacidade de exercer fé, porque ela foi
extinta da sua natureza. E as
capacidades naturais, como o intelecto e
a vontade foram desfiguradas. Então,
tudo aquilo que provém da vontade humana
está afetado, está maculado por esse
pecado. Calvino afirma que todo aspecto
de nossa humanidade foi afetado pelo
primeiro pecado. Por causa da queda,
todos os seres humanos herdaram o pecado
de Adão. Não apenas a punição caiu sobre
nós por causa de Adão, mas um contágio
impartido por ele reside em nós. Não é
que Adão foi condenado e por isso fomos
condenados com por ele, junto com ele.
Mas aquilo que aconteceu a natureza de
Adão aconteceu em nossa própria
natureza,
o que justamente merece punição.
Simplesmente como filhos de Adão também
somos pecadores. Portanto, os seres
humanos estão completamente acorrentados
pelo pecado e são incapazes e até sem
desejo de justiça. Então, veja como o a
doutrina a respeito da humanidade, ela
tem características muito definidas na
teologia reformada, no calvinismo. O ser
humano, ele tem a sua imagem e
semelhança de Deus profundamente
deformada. Tudo aquilo que define o ser
humano foi afetado pelo pecado. Nós não
temos mais fé. Nós não temos mais
capacidade de de exercer fé. A fé foi
extinta de nossa natureza e as nossas
capacidades intelectuais e as nossas
capacidades voletivas, o nosso desejo, a
nossa vontade agora são para o mal. Além
disso, nós herdamos a natureza
pecaminosa de Adão e não apenas a sua
punição. E a consequência dessas
convicções é que nós estamos
acorrentados no pecado e nós somos
incapazes e não temos vontade de ter a
justiça sendo feita sobre nós ou nós
mesmos produzirmos aquilo que é justo. A
terceira doutrina fundamental é a
doutrina da salvação. soteriologia.
Deus toma a iniciativa.
Deus toma a iniciativa de produzir
salvação. Devido aos efeitos
paralisantes do pecado, ninguém pode
chegar a Deus por si mesmo. Se o ser
humano deve ser resgatado de sua
condição desesperadora,
Deus precisa tomar a iniciativa. E esse
foi o propósito da encarnação de Jesus
Cristo. Essa afirmação é muito
importante, entender que não foi o homem
que, desesperado pela sua condição de
condenação diante de Deus, da injustiça
da sua vontade, da sua incapacidade de
ter fé, buscou uma maneira de ser salvo
e uma forma de ser reconciliado com
Deus. Foi Deus quem tomou a iniciativa e
foi em direção ao homem.
Segundo ponto, a fé é recriada pelo
Espírito Santo. Talvez esse seja um dos
pontos mais importantes na identificação
da doutrina da salvação para o
calvinismo. Ninguém pode entrar pela
porta da salvação sem que o Espírito
Santo conceda a fé necessária. Jesus se
encarnou. Deus tomou a iniciativa de
produzir salvação, de promover salvação
pela humanidade. E o sacrifício de Jesus
abriu essa porta para que o homem
entrasse e tivesse a sua reconciliação
com Deus. Mas o homem não vai entrar por
essa porta por vontade própria. O homem
não vai entrar por essa porta porque
reconhece que Jesus Cristo é o Deus
encarnado que morreu para o perdão dos
seus pecados. Por quê? Porque ele não
tem fé e ele não pode exercer a fé que
ele não tem, que ele não possui.
Como a fé foi destruída na queda, ela
precisa ser recriada em cada pessoa para
que venha Jesus Cristo. Então, a fé só
surge no coração daqueles em quem o
Espírito Santo coloca fé.
Então, o entendimento calvinista é que a
[limpando a garganta] pessoa ela só pode
possuir fé, não porque ela deseja, mas
porque Deus colocou fé no coração dela.
A justificação se dá pela justiça
imputada de Cristo, não pelas obras.
Isso de forma muito semelhante àquilo
que é também a proposta luterana. A
justificação não se baseia em nenhuma
bondade inerente à pessoa, mas
unicamente na justiça de Cristo. Deus
declara a pessoa justa com base no
sacrifício expiatório de Cristo. A
justiça de Cristo é imputada ao crente.
Como Lutero, Calvino afirma que a
justificação
Calvino afirma a justificação pela fé,
não pelas obras.
Então, a questão da justificação pela
fé, não pelas obras, é uma eh é é um dos
pilares da reforma protestante. Está
muito presente em Calvino, assim como
estava presente em Lutero.
A uma outra ênfase que aparece nas
institutas, mas talvez com um espaço
menor do que se imagina, é a doutrina da
predestinação.
Embora a doutrina da predestinação ou
eleição tenha se tornado marca
registrada da teologia reformada, ela
não ocupou um lugar tão proeminente no
ensino de Calvino. Ele introduziu o
assunto apenas após discutir a doutrina
da salvação. Isso acontece no fim do
terceiro volume das institutas da
religião cristã de um trabalho de quatro
volumes. A predestinação não é central
nem chave para o sistema teológico de
Calvino. Calvino seguiu Agostinho, que
entendia a predestinação como afetando
não apenas a escolha de Deus sobre quem
receberia a vida eterna, mas também quem
seria eternamente condenado. Às vezes
chamada de dupla predestinação, essa
visão foi recebida por muitos de seus
seguidores. Ainda assim, Calvino
recusou-se a especular sobre a razão
pela qual Deus predestina alguns para a
vida e outros para destruição. Então,
essa era uma ideia afirmada eh nas obras
ou na obra principal de Calvino, a da
predestinação e a dupla predestinação.
Deus criou algumas pessoas destinadas
para a salvação e outras pessoas
destinadas para a condenação eterna. Mas
ele restringiu muito daquilo que foi a
sua argumentação justificativa, porque
ele também afirmava a restrição dessas
informações ou desses dados nas próprias
escrituras. E por isso não fazia sentido
imaginar ou especular sobre as razões,
porque as coisas eram assim, porque Deus
decidiu fazer as coisas assim e porque
Deus decidiu predestinar alguns para
salvação e outros para condenação. Frase
de Calvino, buscar qualquer outro
conhecimento da predestinação, além do
que a palavra de Deus revela, não é
menos insano do que querer caminhar num
deserto sem caminho ou ver, enxergar nas
trevas.
doutrina da igreja, a ecclesiologia.
[roncando] Calvino, ele declarou que há
duas marcas distintas que permitem
diferenciar uma verdadeira igreja de uma
falsa. Onde quer que vejamos a palavra
de Deus pregada e ouvida puramente e os
sacramentos administrados segundo a
instituição de Cristo, não se deve
duvidar de que existe uma igreja de
Deus. Então, esse é um sistema
doutrinário sacramentalista.
Eh, Calvino acreditava nos sacramentos
da ceia e do batismo. E o que ele está
dizendo é: "A igreja verdadeira se
distingue por essas duas marcas. Por
pregar e ouvir a palavra palavra de Deus
de forma pura e por administrar os
sacramentos de acordo com aquilo que é
uma exigência do ensino de Jesus."
Essas duas marcas, palavra de Deus
pregada e ouvra ouvida puramente e os
sacramentos administrados segundo a
instituição cristã, é o que mais orienta
a doutrina de Calvino sobre igreja.
Calvino deu mais atenção à organização
da igreja do que outros reformadores,
afirmando que a verdadeira igreja deve
seguir o padrão neotestamentário de
organização, que incluía quatro ofícios
bíblicos: pastor, mestre, presbítero ou
ancião e diácono. Quando a gente fala
que ele se dedicou mais à organização da
igreja, a gente está falando sobre os
aspectos concretos, como é que a
pregação deve ser organizada, que tipo
de música deve ser cantada, que
instrumento pode ou não pode. Nesse
caso, não se poderia ter acompanhamento
de instrumentos, disciplina na igreja e
várias outras questões concretas de como
deveria ser o dia a dia, tanto do
momento da adoração como da orientação
da igreja. e o a papel da igreja junto
aos fiéis. Ele também reconhecia eh
esses quatro ofícios. Então, o pastor
era encarregado de ministrar de
ministrar a palavra de Deus, administrar
os sacramentos e exercer disciplina.
Quem é que poderia
realizar o batismo e administrar ceia
apenas os pastores, eh, assim como
exercer disciplina. O mestre era
encarregado da interpretação
escriturística e do ensino da igreja,
mas ele não tinha as outras
responsabilidades que o pastor possuía.
Então, o pastor também era eh
encarregado de interpretar
as escrituras, assim como mestre, mas
tinha outras responsabilidades diante da
congregação. Não era o caso do mestre. O
presbítero ou ancião era encarregado da
supervisão e disciplina junto com o
pastor e ele guardava os costumes dos
membros da igreja. Então ele era
responsável por saber se os membros da
igreja viviam de acordo com os costumes,
as práticas que se reconhecia como
legítimas e como necessárias no meio
daquela igreja. E o diácono cuida dos
pobres e distribui esmolas muito próximo
daquilo que é a interpretação do texto
em que os diáconos são levantados na
igreja primitiva para cuidar da questão
das viúvas também.
Ah, os sacramentos, como a gente já
falou mais de uma vez, Calvino
reconhecia dois sacramentos. O primeiro
é a ceia do Senhor. Calvino discordou
tanto de Lutero quanto de Zwinglio, o
outro reformador
na Suíça, a respeito da ceia do Senhor.
O debate girava em torno de como Cristo
está presente durante a ceia, em torno
da interpretação de este é o meu corpo.
Quando Jesus celebra a seia com seus
discípulos antes da crucificação e faz
essa afirmação: "Este é o meu corpo." O
que é que ele estava querendo dizer? A
gente tem vários posicionamentos
diferentes. A gente tá fazendo esse
curso a partir de uma igreja batista.
Então, tradicionalmente, os batistas
reconhecem que esse é um memorial. Não
existe uma presença mística de Jesus
elementos da ceia.
Essa era a posição de Zwinglin e essa é
a posição da qual Lutério e Calvino
estava discordando, assim como ele
discorda também a da posição de Lutero.
A posição da Igreja Católica é da
transubstanciação. É a ideia de que o
pão se torna o corpo na sua essência,
mas não na sua forma, na boca
do fiel que toma os elementos da ceia.
Essa é a transubstanciação,
Igreja Católica. Lutero acreditava na
consubstanciação.
Não é que o pão e o vinho se tornam o
corpo de Cristo, ainda que seja na sua
essência, mas existe uma presença
metafísica de Jesus nos elementos da
ceia. Então, é efetiva a ceia e esse
sacramento tem efeito real porque existe
uma presença novamente mística ou
metafísica de Jesus nesses elementos.
Essa é a cubstanciação.
Calvino não acreditava nem na ceia como
memorial, nem na transubstanciação, nem
na cubstanciação.
Ah, como a gente colocou aqui na
consubstanciação, estava falando errado.
Eh, Lutero tomou a frase mais
literalmente: "O corpo de Cristo está
meta metafisicamente presente no pão e
no vinho". Zwinglio acreditava no
memorial e ele reduziu a ceia a um
memorial simbólico.
Calvino
entendia a ceia como essa os elementos
da seio como uma presença espiritual
real. Ele rejeitou ambas as posições.
Calvino acreditava que os elementos do
pão e do vinho são eficazes por causa da
obra interior do espírito, concomitante
com a ceia. Para Calvino, a ceia do
Senhor é um meio pelo qual o Espírito de
Deus fortalece a fé daqueles que aceitam
a obra de Cristo pela fé. Então, para
Calvino, a ideia é que enquanto o
sujeito toma os elementos da ceia, o
Espírito Santo faz uma obra e dispensa
uma graça particular para esse momento
em que a sua fé é fortalecida. Por isso
que o sistema continua sendo
sacramental.
Existe uma um meio de graça que é
exclusivo para a ceia do Senhor. E no
momento em que você toma do cálice e
participa do pão, a sua fé ela é
fortalecida por meio desses elementos.
Ah, historicamente, o debate sobre os
sacramentos foi o que dividiu os
reformadores suíços dos reformadores
alemães.
O segundo sacramento é o sacramento do
batismo. A ideia de Calvino é o
sacramento não salva e nem converte. O
rito, ele não tem esse papel em relação
às pessoas que são batizadas.
O batismo ele fortalece a fé e ele
sinaliza ao pacto. Mais uma vez, o
batismo ele é um sacramento, logo ele
comunica a graça, ele derrama a graça
sobre a vida do fiel no momento em que
esse sacramento ele é administrado, ou
seja, a sua fé é fortalecida e também
tem essa função de sinalizar o pacto da
pessoa com Jesus. Assim como a ceia, o
batismo serve para fortalecer a fé, mas
a verdade que o batismo transmite é mais
significativa do que o ato em si.
O significado está em como o crente
responde à obra do espírito.
Uma particularidade do batismo no
calvinismo é a inclusão dos filhos dos
crentes. Tradicionalmente, o calvinismo
ou a posição original de Calvino era que
as crianças deveriam ser batizadas. é o
chamado pedobismo.
Como os outros reformadores, Calvino
acreditava que não apenas os crentes,
mas também os filhos dos crentes devem
ser batizados como sinal da graça de
Deus ao seu povo. A ala reformada dessa
a tradição calvinista entendia o batismo
infantil como um sinal da aliança
comparável, paralelo àquilo que era a
circuncisão no Antigo Testamento. que a
circuncisão devia ser feita nos meninos
no oitavo dia após o nascimento. Então
isso significa que as crianças elas são
batizadas e que nesse momento as
crianças elas são incluídas na
comunidade da fé, que elas devem ser
criadas no temor do Senhor e que a
comunidade ela tem uma responsabilidade
junto com os pais de cuidar da criança e
da sua educação. Mas o batismo
significava especificamente isso. Essa
criança passa a ser parte da comunidade
da fé no momento em que ela é batizada.
E o batismo é para o Novo Testamento,
aquilo que a circuncisão era para o
Antigo Testamento. Assim como a
circuncisão não salvava, tampouco o
batismo salva, mas ele traz a criança
para dentro da comunidade da aliança.
Bom, a gente tem o impacto de Calvino a
sendo sentido em várias áreas da
teologia, em várias áreas da tradição,
em vários pontos da tradição cristã
dentro e fora dos círculos reformados.
Para citar um desses exemplos, eu posso
falar sobre a exegese. A maneira como a
gente eh entende exegese hoje está muito
ligado ao trabalho exegético de Calvino,
quando ele escreveu seus comentários
para os livros do Novo e do Antigo
Testamento. Por quê? porque foi eh a
partir de outros reformadores, mas
especialmente de Calvino, que existiu
esse trabalho muito refinado de
recuperação dos eh idiomas originais.
Lutero também fez isso, mas é
reconhecido um um grande refinamento,
uma grande sofisticação e profundidade
nesse trabalho exegético de Calvino, de
além de recuperar os idiomas originais,
essa tentativa de reconstruir o contexto
original em que tudo isso foi feito e um
trabalho bastante eh
persistente, continuado, um trabalho
muito consistente de Calvino em eh ter o
seu ensino na igreja vinculado
estritamente ao texto bíblico. Ainda que
possa se discutir se essas
interpretações eram adequadas ou não,
todo mundo que olha paraa história da
interpretação bíblica precisa reconhecer
que no ocidente, pelo menos, Calvino,
teve um impacto muito grande na forma
como a gente entende a exegese e a
hermenêutica do texto bíblico. Tem essa
frase do Soia, que é o teólogo que e
escreveu uma obra que eu utilizei a para
esse
pra aula de hoje, que ele afirmou o
seguinte: Como um tremor no fundo do
oceano que produz onda após onda se
chocando contra a costa, o pensamento de
Calvino rapidamente resultou em
numerosas ondas teológicas que se
chocaram contra as praias da
cristandade. De fato, a teologia de
Calvino é tão poderosa que ainda hoje
essas ondas continuam chegando à medida
que estudiosos contemporâneos
interpretam e retrabalham sua teologia.
É muito importante lembrar, no entanto,
que essas ondas de réplica não são o
terremoto em si, são interpretações de
outros teólogos do pensamento que abalou
a Terra, eh, que foi, na verdade,
Calvino. Então, você tem uma obra muito
importante, as institutas da da religião
cristã. Você tem toda a obra de Calvino
com os seus comentários, com o trabalho
na reforma de Genebra, com as
correspondências que se acumularam ao
longo do tempo. E tudo isso teve um
impacto imediato e teve um impacto nos
anos subsequentes a a vida de Calvino.
Isso aconteceu no século X. O fato de
que o calvinismo ele permanece muito
presente até hoje na tradição cristã, na
tradição protestante,
eh se dá ao fato não apenas daquilo que
foi produzido diretamente por Calvino,
mas por aquilo que foi interpretado
pelos teólogos do trabalho de Calvino ao
longo do tempo. Então, de certa maneira,
o calvinismo que chega pra gente hoje
não é apenas o calvinismo, como saiu da
pena de Calvino nos seus trabalhos ou
das reformas que ele promoveu da igreja
em Genebra, mas a partir de várias
modificações e reinterpretações que
foram se acumulando ao longo do tempo.
Então, a gente poderia falar do
calvinismo como aconteceu na Escócia,
como aconteceu eh na nos próprios países
europeus que foram influenciados, mas
não tanto pelo luteranismo. A gente pode
falar sobre o calvinismo hoje, o
trabalho como a teologia reformada
influenciou os Estados Unidos, como isso
alcançou as igrejas protestantes no
Brasil, como houve um certo
ressurgimento
do calvinismo a partir dos 500 anos da
reforma. Então, a gente está vivendo
agora um uma nova onda calvinista em
muitos ambientes, eh, a partir de ideias
que estão aí há quase 500 anos ou há
mais de 500 anos agora, mas que tomaram
nova forma e novas culturas a partir de
motivações específicas do nosso próprio
tempo. Tudo isso pra gente reconhecer
que Calvino é um dos maiores nomes da
teologia ocidental, protestante
ocidental. Certamente aquilo que a gente
tem hoje de teologia e de doutrina está
associada ao seu trabalho, como a gente
poôde ver e vai continuar vendo na
semana, na aula que vem. Mas eh nem tudo
que é calvinismo vem de Calvino. Eu
acredito que a gente vai poder falar um
pouco sobre isso na próxima aula também,
tá bom? Vou parar por aqui a
apresentação e afirmar o seguinte. Eu
sei que tem muitas coisas ligadas ao
calvinismo que a gente não falou aqui,
mas a ideia é que a gente vai tratar
esses pontos na próxima aula. por
exemplo, o Túlip, que são cinco pontos
eh que mais identificam as doutrinas
distintivas do calvinismo e que a gente
não falou aqui, a total eh depravação
total, a eleição incondicional,
a expiação limitada,
eh a perseverança dos santos, a graça
irresistível, enfim, tudo isso é
bastante característico da teologia
reformada e vocês vão poder compreender
entender um pouco melhor, inclusive
alguns textos bíblicos que dão origem
para esses pontos bastante particulares
da teologia reformada e que são
interpretadas de uma maneira específica.
Isso vai ser o assunto da próxima aula,
tá bom? Vamos aqui para o nosso chat.
Não sei se a gente vai ter
ah se a gente vai ter perguntas aqui.
Bom, o Fred pediu para colocar o nome
dos livros. Ah, como eu citei, eu
utilizei o livro do Soia. Deixa eu ver
se eu eh encontro esse livro. Eh,
ele tem em português, foi traduzido pela
pela editora Vida, mas infelizmente ele
não é fácil de encontrar hoje. Você
encontra na internet, mas é debo e como
é um livro relativamente raro agora, ele
não tá tão barato, mas eu vou colocar o
nome aqui. Eh,
e aí vocês podem
pesquisar.
Talvez vocês encontrem aí uma
oportunidade melhor do que eu, tá?
Então, introdução à teologia do James
Soyer, editora Vida. Acabei de colocar
no chat, Fred, você que pediu aí ajuda
com o nome do livro, esse foi o que eu
utilizei paraa aula de hoje. Que mais
que a gente tem aqui? Vamos lá.
Olha, outra pergunta sobre livro. Existe
alguma cooperativa para que os alunos
possam adquirir os livros indicados no
curso por um preço mais acessível?
Infelizmente não, Ana. a gente até
considerou no começo do curso Macários
ano passado, em 2025, eh fazer aquisição
de alguns desses livros para repassar e
vender pros alunos, mas a gente
encontrou algumas dificuldades
logísticas assim de poder comprar num
volume que a gente tivesse garantia de
saída e coisas assim. Então,
infelizmente, a gente não tem nenhum
tipo de iniciativa que permita a gente
eh conseguir preços melhores, mas se
tivermos novidades em relação a isso,
certamente a gente vai comentar aqui nas
aulas, tá bom?
Em que medida podemos seguir a
riscotúlip, o que eu acabei de
mencionar, ou seja, cinco pontos do
calvinismo? Bom, Paulo, seu amigo que tá
sempre acompanhando aqui os nossos
cursos. A gente não falou em detalhes do
Tú tulip, a gente vai falar na próxima
aula, mas é muito importante eh
reconhecer que tem muitas pessoas,
talvez a maioria dos eh reformados,
daqueles que reconhecem a teologia
reformada como o sistema doutrinário a
ser seguido ou reconhecem o Novo
Testamento como ensinando cada um desses
pontos da teologia reformada do Túlipe,
que os cinco pontos eles devem ser
cridos de forma rigorosa. Não é tanto
uma série de recomendações a serem
seguidas, porque é uma descrição da obra
de Cristo e da ação de Deus. Não é
necessariamente algo que a gente faz,
mas é algo que Deus fez. Então, tuleb, o
a total depravação, eh, você não deve
seguir a total de depravação. É uma
descrição da natureza humana antes de
ser alcançado pela graça e depois de
herdar o pecado de Atão. A eleição é
incondicional novamente. Não é algo que
você faz, é algo que Deus produz. E
assim com cada um dos pontos. Então,
tulip não é uma série de orientações e
normas a serem seguidas, mas uma
descrição daquilo que é a obra de
Cristo.
Ah, aí depois você colocou seguir ou
tomar como verdades inquestionáveis.
Pois é, para muitas pessoas essas são
verdades claramente reveladas nas
escrituras. Todas as pessoas concordam?
Certamente que não. Nem todas as pessoas
entendem que esses cinco pontos do tuleb
eh descrevem a realidade bíblica, a
maneira como Deus se relaciona com a
humanidade. Algumas pessoas aceitam, a
maior parte desses cinco pontos aceitam
quatro pontos, por exemplo. Eh, mas a
existem muitas pessoas que não
reconhecem nenhum desses pontos como
sendo adequadas descrições bíblicas.
Vamos ver que mais aqui.
Pergunta: então, os eleitos são salvos e
ponto final? Bom, Fernando, eu não sei o
que você quer dizer com ponto final. se
a ideia da perseverança dos santos, a
ideia de que uma vez salvo sempre salvo.
Essa é uma das convicções dos
calvinistas. Uma vez que a pessoa é
salva, se ela é eleita, Deus irá chamar.
Esse chamado será irresistível. Não a
não adianta a pessoa querer ou não
querer. Deus irá resgatar aqueles que
foram chamados ou eleitos. Eh, e essas
pessoas elas vão perseverar até o fim.
Muitos reconhecem que é possível ter um
momento de fraqueza na fé ou de desvio
na fé, mas se a pessoa é eleita, ela
necessariamente
vai se reconciliar com Cristo, com a
igreja, e ela vai perseverar até o fim.
Essa é uma convicção calvinista.
Pergunta dois. Se a expiação de Cristo
foi destinada apenas aos eleitos,
conforme a doutrina da expiação
limitada, como o calvinismo fundamenta a
oferta universal do Evangelho
e o chamado sincero ao arrependimento
dirigido a todos os seres humanos. Bom,
a explicação a dos calvinistas para a
oferta universal do Evangelho é Jesus
ordenou que a gente fizesse discípulos
de todas as nações proclamasse a
mensagem do evangelho em toda a terra. E
por isso nós eh já temos motivos mais do
que suficiente para eh cumprir essa
missão. Nós pregamos em todos os lugares
porque Jesus mandou. E a ideia é que nós
não sabemos quem são os eleitos. Nós
também não sabemos aqueles que foram
predestinados para a condenação eterna.
Então, a gente prega como uma forma pela
qual Deus pode estar exercendo esse
chamado para as pessoas. Nós pregamos,
pregamos, nós chamamos essas pessoas ao
arrependimento e aqueles que foram
eleitos irão se arrepender. É mais ou
menos essa a lógica, como os calvinistas
apresentam a necessidade da missão
também.
Vamos ver aqui. E e é bom a gente
ressaltar ainda dentro dessa pergunta,
Fernanda, que a história dos
reformadores, das comunidades e dos
países influenciados pela teologia
reformada, pelo calvinismo, tiveram
respostas diversificadas aqui, assim
como outras tradições, tiveram respostas
diversificadas a esse chamado
missionário a todos os povos.
Ah, houve muitos, houveram muitos, eh,
missionários reformados que foram
bastante fiéis a esse propósito de
anunciar o evangelho a outros povos
dentro da sua própria nação, dentro e
fora da sua cultura. Eh, e outras
pessoas que muito motivadas por essa
teologia eh não tiveram tanto ímpeto
missionário, tá bom? Então, a gente não
pode dizer que a teologia reformada
levou todas as pessoas a um a um certo
comodismo missionário,
mas a gente precisa reconhecer que isso
aconteceu em alguns contextos.
Vamos [roncando] ver aqui
como as ideias do humanismo desafiaram a
autoridade da igreja e transformaram a
visão de mundo durante o renascimento.
Ricardo, essa pergunta é muito boa. O
que a gente viu na aula em que falamos
sobre idade média e renascimento, e o
humanismo é um fruto do renascimento, é
que o renascimento ele não foi
caracterizado por um conjunto de ideias
específicas. Você teve vários pensadores
renascentistas, vários humanistas que
promoveram ideias conflitantes entre
eles. Tinham sistemas de pensamento
dentro e fora dos debates teológicos que
não eram plenamente conciliáveis, eram
distintos. Eh, por quê? Porque o que
caracterizou o humanismo e o
renascimento não foi um conjunto de
ideias, mas um conjunto de métodos. essa
recuperação das fontes, essa volta para
os clássicos, é esse renascimento,
de acordo com o julgamento deles, do
período áureo, da cultura ocidental, da
cultura, na verdade, humana, promovida
pelos gregos, eh, pelo latim. Então, a
os pensadores latinos eh de expressão,
então houve uma valorização muito mais
da recuperação das fontes originais,
tanto da literatura e da poesia, como
também da teologia,
a recuperação da leitura e interpretação
do texto bíblico, a recuperação do
estilo retórico próprio dos grandes
poetas gregos, dos grandes pensadores
latinos e no caso da teologia, uma
recuperação tanto do texto bíblico, como
a gente já colocou, como também dos pais
da igreja. Então, o desafio, eu acredito
que estava muito relacionado à
transformação,
a a transformação da visão de mundo como
moldada diretamente pelo texto bíblico
ou da forma como aqueles teólogos
interpretavam o texto bíblico, que é a
gente precisa voltar a lidar com as
questões da igreja, da fé, da política,
da educação
naquilo que são os termos orientados
pelo texto bíblico e não tanto pela
tradição. Acho que essa oposição entre
uma nova interpretação ou supostamente
uma recuperação do sentido original do
texto bíblico versus uma tradição
medieval, foi o choque que mais se
sentiu, que foi justamente essa revolta
de Lutero contra o escolasticismo
medieval, né? era o humanismo versus
esse escolasticismo.
Deixa eu ver aqui.
O livre arbítrio diz respeito apenas à
questão da salvação para todas as
decisões da vida, segundo Calvino, para
todas as decisões de ordem moral ou com
efeitos espirituais. Ricardo, então o
livre arbítrio, ele não eh estava
restrito à questão da aceitação ou não
da fé, do reconhecimento ou não de
Jesus, mas sim para o exercício daquilo
que era o bem e o mal, o exercício
moral, por assim dizer, e o acesso ao
pleno conhecimento ou a um conhecimento
verdadeiro da pessoa de Deus. como a
gente colocou, a doutrina do
conhecimento de Deus foi um dos pontos
mais centrais para para as institutas de
Calvino. E é o ponto de onde ele parte o
seu trabalho, né, de onde ele inicia o
seu trabalho.
Bom, acho que eu respondi as perguntas
que apareceram aqui no chat, né? Espero
que tenha eh conseguido preencher aí a
conseguido atender as expectativas do
pessoal que perguntou. A gente vai
encerrando por aqui a aula de hoje e a
gente reforça aqui. Essa é a primeira de
duas aulas. Então volte aqui na
quinta-feira. A gente vai continuar
muitos dos pontos que foram eh colocados
nas perguntas sobre o Túlep e os
distintivos dessas doutrinas
calvinistas, a gente vai falar na
próxima aula, tá bom? Então, Deus
abençoe todos vocês. Uma boa noite, um
bom dia ou boa tarde para quem tá
assistindo depois. E até nosso próximo
encontro. Tchau. Tchau.

Tags: