Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 10 | Teologia Reformada (Calvinismo) II | Luiz Sayão

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 10 | Teologia Reformada (Calvinismo) II | Luiz Sayão

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 10 | Teologia Reformada (Calvinismo) II | Luiz Sayão

Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 10: Teologia Reformada (Calvinismo) II
Luiz Sayão

Comunidade Saudável. Cidade melhor!

Contribua para os projetos IBNU:
Chave PIX (CNPJ): 08.802.770/0001-60
Banco Bradesco
Ag. 1445-1
CC. 35400-7

Contribua

Conheça mais:
contato@ibnu.com.br

Home

Siga-nos:
/ ibnusaopaulo
/ ibnusp

Legendas automáticas:

เฮ
[música]
>> [música]
[música]
[assobiando]
>> Muito boa noite ao pessoal que já chegou
aqui paraa nossa aula de hoje do curso
Macários. Bem-vindos, bem-vindas para
mais um encontro. esse que é o encontro
que está dando continuidade à nossa aula
da última terça-feira, em que a gente
começou a falar sobre teologia
reformada, calvinismo. Então, nós temos
duas aulas sobre esse tópico e nós então
temos aqui a presença do saião para dar
a segunda aula do nosso tema de hoje. E
apenas para fazer uma introdução
semelhante ao que a gente falou na
última terça-feira, eh, a gente agora tá
se aproximando da realidade
especificamente protestante e
especificamente brasileira. Falamos
sobre várias questões eh sobre períodos
históricos, alguns sistemas doutrinários
importantes das tradições cristãs, mas
agora a gente tá se aproximando daquilo
que é relevante para nós entendermos o
que é a convicção, a crença de boa parte
das igrejas protestantes brasileiras. E
aí esse tema então que desperta muito
interesse e tem muita relevância pra
gente entender essa importante tradição
cristã que é a teologia reformada. Então
passando já a bola aí pro Saião. Boa
noite saião.
>> Boa noite aquela sejam todos bem-vindos.
Vamos aqui estar ligados no Macários de
hoje, né, pra gente poder pensar um
pouquinho sobre a questão da teologia
reformada ou mais especificamente
teologia de perfil calvinista.
Então, ah, deixa eu ver aqui. Acho que o
slide tá aí colocado, né? E dá pra gente
então eh caminhar. Eh, vamos então, né,
ter esse nosso primeiro momento aqui eh
de reflexão, né? muita coisa que o o
professor Águila já apresentou na outra
aula, a gente talvez uma coisa ou outra
que a gente acabe eh repetindo, né? Eh,
mas assim fica como reforço do que vocês
já viram, além, né, de também eh a gente
ampliar aqui o nosso entendimento sobre
[roncando] essa questão que envolve a
teologia reformada. Então, vamos lá, né?
Eu queria começar apresentando aqui, né,
esse gráfico, né, interessante paraa
gente poder ver a as diversas eh
ramificações das tradições cristãs. E
vocês me acompanham aí bem pelo meio,
né? Você vê aqui Lutero bem no meio e
subindo aqui você tem a tradição
anglicana que vai dar origem aos
metodistas.
E aqui dessa tradição luterana emerge,
né, a tradição reformada
do lado dos anabatistas, né? E aqui
nesses reformados a gente vai ter, vamos
dizer, uma série de igrejas,
denominações,
eh, que bebem dessa teologia. Então, pra
gente que tá num contexto
brasileiro, né, a maior referência que
nós temos é exatamente a igreja
presbiteriana, né, que no Brasil tem
dois, vamos dizer, grupos principais, a
Igreja Presbiteriana do Brasil e PB, né,
e também a Igreja Presbiteriana
Independente, né, os presbiterianos na
metade do século XIX, né, eh, Tom tomam
assim,
passam a ter a sua história na realidade
brasileira aí, por volta de 1859
e 1931 você tem essa separação.
Ah, e nós vamos ter eh outros grupos
menores que são chamados igrejas
reformadas, né? Geralmente relacionado
com a origem da própria igreja. Então
você tem, por exemplo, algumas poucas
igrejas eh reformada, que é chamada
igreja reformada holandesa ou igreja
reformada suíça, né? Porque eh a gente
vai ver que a tradição reformada
calvinista tem um espaço na na Europa,
né? A gente tá muito acostumado, como a
gente vai reforçar aqui com a sua
história ligada ao contexto suíço, né?
Mas é importante dizer que a igreja
reformada, né, e consequentemente depois
presbiteriana,
ela teve um grande impacto, não só na
Suíça, mas na Holanda, né, apesar da
Holanda ser um estado, eh, vamos dizer,
não religioso. na Escócia
especificamente, né, a Inglaterra é
predominantemente anglicana, a Escócia
se tornou uma igreja [roncando] e a a
igreja presbiteriana, a igreja
predominante, né, e uma certa influência
ainda no mundo de fala francesa,
pequena, e também na Hungria, né, um
pequeno grupo também desse perfil, né? E
claro, por ser um ambiente de liberdade
religiosa, nos Estados Unidos a tradição
eh reformada cresceu muito, né? Então
você tem algumas igrejas conhecida, né,
PCA, PCA,
né, Presbyteri Church of America e e
Presbiterian Church of the United States
of America e com hoje divisões de
pensamento muito nítidas. Ah, e claro,
igrejas de perfil reformado. Existe uma
grande comunidade ah de igreja reformada
de origem holandesa nos Estados Unidos.
Eh, e assim, né, nós temos uma
influência dessa teologia também em
outros grupos, né, por exemplo, eh, nos
ambientes congregacionais,
eh, e em muitos ambientes batistas
também existem muita influência e hoje
até mesmo em outros grupos que a gente
não imaginaria, como, por exemplo, ah,
igrejas de origem eh carismática e
pentecostal. Hoje existem carismáticos
reformados calvinistas, né? Hoje um
movimento forte chamado neocalvinir.
Então vamos lá, pra gente lembrar, né, a
reforma suíça, né, ela tem espaço um
pouquinho depois da reforma luterana, o
Ui, ou Uri, [roncando] Zuílio, né,
[limpando a garganta] em Zurique, né, e
João Calvino em Genebra. Lembrando que a
Suíça é um um país diferente que tem
quatro línguas, né, com predominância
pro alemão, um francês e um número menor
de falantes de italiano e de romance.
Zurique é principal cidade de fala alemã
e Genebra é uma cidade de fala francesa,
né? E a reforma eh que tem espaço no
ambiente suíço, ela vai se expandir
muito mais eh para na Europa do que
outros movimentos, né? Você vai ver que
a igreja anglicana ela não vai se
expandir. A igreja luterana, a
princípio, né, é muito ligado ao
ambiente alemão. Depois ela vai ter
desdobramentos na Escandinávia,
mas eh o calvinismo acaba tendo
desdobramentos maiores, né? inclusive no
ambiente das Américas, né? Ela então
caminhou na direção de uma
sistematização, organização teológica
muito definida, né? E inclusive nós
temos vários catecismos, confissões de
fé da tradição reformada, né? E ela
então é chamada, né, de teologia
calvinista, reformada. E aí a a a
organização de pensamento é bem ampla,
né? Trabalha com as doutrinas
principais. Eu acho que é uma das
grandes influências mais, vamos dizer,
impactantes do mundo protestante, né? O
governo eclesiástico,
a questão de como é que você deve fazer
o culto, né? Muito interessante isso,
até norma para isso nós temos e e
relações com a política e a sociedade,
que acho que vai ser uma coisa
interessante da gente comentar aqui, né?
E de um modo geral existem, né,
confissões variantes, tal, mas a
confissão de fé, assim mais podemos
dizer predominantemente querida,
da comunidade reformada é a chamada
confissão de fé de Westminster, né, que
foi elaborada no século X7 e até hoje,
né, a gente eh percebe muitas
comunidades usando como referência
principal. O impressionante ver como a
tradição eh reformada também teve muito
impacto na Ásia, especialmente na
Coreia, né? Você tem muitas igrejas de
tamanho significativo e de muita
expressão e principalmente na Coreia do
Sul. Que que a gente já viu e vale a
pena reforçar? Eh, a a o a tradição
eh reformada calvinista, ela reage,
assim como aconteceu com a tradição
luterana, a toda aquela ideia muito
forte que tava presente numa visão
medieval mais aristotélica e que tava
abrindo o espaço por um caminho de um
papel mais significativo do ser humano
na sua trajetória diante de Deus e da
sociedade. Então, a a maneira de lidar
com isso, né, assim como os luteranos
falavam da teologia da cruz em oposição
à teologia da glória, né? Eh, no enfoque
calvinista, nós vamos ver um grande
valor na soberania de Deus, que é um
tema fundamental, na predestinação,
aquilo que a gente já ouviu, numa visão
chamado monergista, né? Ou seja, que o
agir eh que é determinante na nossa
caminhada de fé, ele não é duplo, ele é
mono. Então é Deus que age. Fala-se em
duas alianças ou dois pactos que são
chamados das obras e da graça. Eh,
discute-se a lei de Deus e como é que
ela se relaciona com a nossa realidade
hoje. E também o governo que é chamado
representativo, presbíteros, concílios.
e o chamado que eles chamam de princípio
regulador do culto, como é que as coisas
devem se definir ah na pragmática
eclesiástica, né? Uma coisa que vale a
pena a gente mencionar
é que o primeiro culto protestante assim
do Brasil, né, e possivelmente
das Américas, né, foi um culto eh
calvinista. Quando você estuda a
história do Brasil e ouve falar das
invasões estrangeiras, nós tivemos a
invasão francesa no Rio de Janeiro, na
busca de fazer aquilo que era chamado de
França Antártica, né? E lá, né, a gente
conhece a história do Nicolau
Vileganhon, né? Muita informação foi
colocado naquele livro muito famoso,
Viagem a uma terra do Brasil, do Jean
Deleri, que fez parte, né, da
da expedição do Vileganhon. E lá no dia
10 de março de 1557, no Rio de Janeiro,
na baia de Guanabara, ali pertinho de
onde é o aeroporto Santos do Mon, hoje
foi realizado o primeiro culto e que era
um culto de perspectiva calvinista nesse
momento, tendo a ver com aquilo que era
o movimento,
né, que era a que estava prosperando na
França até que ele fosse eh, vamos dizer
desbaratar estado e e depois da noite de
São Bartolomeu, a toda, né, a reforma no
ambiente francês não prosseguiu muito
bem. Aí a essa herança, né, é muito
interessante. A gente vê quem visita a
Genebra tem um grande monumento, né?
Você tem uma igreja importante chamada
Sampier, onde Calvino pregava. Você tem
um museu da reforma com muita coisa eh
assim importante da história, né? Ah, e
aí você tem os quatro indivíduos que
foram importantes e significativos.
Carlo, próprio Calvino, né, que era
francês, né, o Guilherme Farel, né,
muito conhecido, Theodor Beza, né, e o
John Kx, que era o famoso ah reformado
escocês n fez diferença na história da
Escócia,
na sequência, nesse momento. E aí,
aí o que que a gente vai ver? Vamos
olhar um pouquinho, né? Primeiro o
Zuinglo que ele eh antecede um pouco,
né? Ele nasce em Glaros, estuda em
Viena, em Basileia e se torna mestre em
teologia. Eh, o professor Ála mencionou,
né, a relação com aquilo que acontecia
naquele momento, né, da com os
humanistas, com o estudo dos
manuscritos, né, a pesquisa bíblica, né,
ele conheceu o famoso Erasmo de
Rotterdam, né, e teve acesso aí a esse
eh estudo do Novo Testamento, eh,
propriamente dito, né, e vai se tornar
um expositor da Bíblia. ele se torna
sacerdote católico em Zuik e depois, né,
aí ele reforma a vida religiosa da
cidade e acaba então rompendo com o
catolicismo eh que predominava em toda a
Europa nesse momento, né? E aí ele foi,
né, o movimento foi chamado de
reformado, porque ele, eh, o Áila falou
muito sobre isso, como é que a reforma
calvinista ela tenta, né, ir mais longe
do que aquilo que aconteceu com o
Lutero, que simplesmente tentava
rejeitar o que era antibíblico na
tradição católica, né? E aí, ã, eles,
né, eh, acabam rompendo e, no entanto,
vai ter gente que vai tentar ir mais
longe do que eles, que são os
anabatista,
eh, conexão, né, a tradição batista tem
uma certa relação com os anabatistas,
que depois no nosso caminho que a gente
vai olhar mais paraa frente, né,
escreveu algumas obras da providência de
Deus, da religião verdadeira e falsa,
explicação da religião de Zoingle,
exposição breve, clara da fé cristã,
obra que como ele antecede influenciaram
o Calvino, né? E como vocês já ouviram
falar, ele morreu ah ainda cedo, né,
1531, numa batalha, né, quando houve
esse conflito com os chamados cantões
católicos da Suíça, né? Então, o que que
Zuinglio vai apresentar, né, nesse
ambiente? aquilo que é referência da
tradição protestante. A Bíblia inteira é
palavra de Deus, ela é inspirada pelo
Espírito Santo. E uma das discussões
importantes que vem aí, né, é como é que
a gente lida com a verdade, né? Então,
toda verdade é verdade de Deus. Daí ele
reconhecia o valor da filosofia grega,
da teologia natural tomista e da
tradição cristã. Zof, digamos assim, era
um pouco mais suave na sua maneira de
abordar o conhecimento,
eh, que vinha de um enfoque não
diretamente teológico, né? E, claro,
enfatizou a soberania absoluta de Deus,
a predestinação, inclusive para
perdição, e também a ideia, né, que essa
predeterminação é a base para aquilo que
a Bíblia vai chamar de préciência, né?
E como a tradição reformada entendia a
obra da graça de Deus mediante a fé dada
pelo Senhor aos eleitos, que é uma
ênfase muito clara dessa tradição
reformada. Então, a gente pode fazer
aqui uma comparação, né? Ah, que Lutero
enfatizava aquilo que a gente sabe, a
justificação pela fé. Não é que Isuílo
não acreditasse nisso, mas a ênfase
muito nítida era nessa soberania
absoluta de Deus.
Lutero punha um certo contraste entre
lei e evangelho. Hermenêutica luterana
sempre faz essa distinção. Zuínglio, né,
com a tradição reformada, vai tentar
fazer uma uma ponte maior entre os dois.
Lei e evangelho são inseparáveis.
O batismo e a seia são rei reais meios
de graça. É para Zoínglio, elas são
ordenanças simbólicas. Depois a gente
vê, vai ver que em Calvino, eh, a a ceia
vai ser vista como um sacramento, né,
como batismo, não sentido católico do
termo, mas vai permanecer assim. E o
corpo de Cristo está presente
fisicamente nos elementos da ceia, vai
dizer Lutero, né? uma presença real, não
é transubstanciação, mas é
consubstanciação.
O corpo de Cristo não é onipresente, não
está na ceia, que é o memorial, né? Uma
tradição que vai ser preservada nas
igrejas batistas depois, né? Calvino
nasce um pouco depois, né? Então você vê
que ele vai nascer na França em 1509,
né? Em Noon, vai viver até 1564.
E como a gente vê, Calvino vai ser muito
conhecido por aquilo que vai se definir
no pensamento dele e na tradição
decorrente dele. E aí nós temos algumas
coisas, né, que merecem atenção. A
depravação total, que é a ideia, né, de
que o ser humano é absolutamente
pecador,
corrompido. Não que cada pessoa seja um
monstro, mas que todos os nossos atos,
pensamentos, intenções são maculados,
né? A ideia de que Deus escolhe as
pessoas de maneira incondicional, não se
baseia em nada, né, que a gente possa
ah imaginar que tenha algum elemento de
Deus olhar a sinceridade da pessoa ou de
alguma maneira contar com alguma reação
do indivíduo. Não funciona assim, de
acordo com a visão eh tradicional de
Calvino. e a ideia da chamada expiação
limitada. Isso que talvez seja um tema
assim mais difícil, né, para quem não
tem essa convicção de entender que Jesus
morreu apenas pelos eleitos, não por
toda a humanidade. Por isso, nesse caso,
paraa expiação de Cristo não ser, vamos
dizer, ineficiente,
e o argumento é que não seria possível
que ele tivesse morrido por todo mundo.
Então, ele morreu somente por aqueles
que iam ser salvos, né? E na sequência
nós temos a ideia de graça irresistível,
no sentido que quando Deus resolve agir
com a sua graça, nenhum ser humano tem
condições de dizer não, de resistir de
alguma maneira. A graça ela é
absolutamente triunfante porque ela é o
agir divino e com esse agir divino
ninguém pode de maneira um colocar algo
na frente. E claro uma ideia que já é
bem mais comum que é a perseverança dos
santos. Ou seja, que os verdadeiramente
salvos, os santos, eles nunca perdem a
salvação.
Eles permanecem sempre, nunca irão de
fato se desviar de maneira totalmente
prejudicial
na sua eh caminhada de fé. E aí que que
a gente tem? Uma frase, né? Porque
apesar de Calvino ser francês, né, e de
ele escrever, né, o que ele escreve em
latim e algumas coisas em francês, ah,
a gente vai ver que as ideias de Calvino
vão triunfar principalmente no mundo de
fala inglesa, no mundo anglo-saxão.
Por isso, nesse ambiente se criou essa,
ah, vamos dizer, esse esse acróstico aí,
né? Eh, que é a chamada tulipe
calvinista. Por que tulipe? H, porque
lembra a a famosa flor, né, a tulipa. E
então se fala de total deprivity of
race, uncondition election,
limited atonament, irrestable grace
perseverance of the, né? Então aí você
vê a total depravação, a, né, eleição
incondicional,
expiação limitada, graça irresistível e
a perseverança dos santos. Então isso
mostra bem aquilo que é a marca da
maneira da tradição reformada
calvinista a organizar a sua
interpretação teológica predominante. E
aí você tem, né, primeira edição das
institutas, né, você vê que a coisa,
como se pode imaginar, uma obra
acadêmica no contexto do século X,
escrita em latim, né? Ah, e vamos a
olhar um pouquinho mais de perto essa
realidade que nós temos aí. Então, quem
é Calvinho? Né? Ele nasceu em Noon, na
França, estudou na Universidade de
Paris, né? E fez também direito, Orulean
e Burg, né? Ele se converte em 153,
né? Com uma idade aí de 24 anos. E aí
fugiu, né, de Paris, acusado de divulgar
ideias protestantes. Você vê que na
Europa, nesse momento, existe um
cansaço, né, em relação ao modelo do
final da Idade Média que já não dá conta
da realidade. Existe vários movimentos
questionando
a maneira de ser, de viver e de pensar e
de crer, né? Você tem o renascimento
italiano, você tem aí o racionalismo
francês, até mesmo o empirismo inglês
filosófico. E também na área eh da
expressão de fé, vários movimentos
protestantes estão pipocando, né? Então
ele acaba se refugiando na Suíça, né,
1536, publicou em Basileia, primeira
edição das suas institutas, não é tão
longe assim de Genebra, né? Em 1559, ele
publica a última edição e funda a
Academia de Genebra, que depois vai ser
uma universidade.
E Calvino impressiona pelas suas
atividades, né? Foi pregador, mestre,
administrador, realmente um estudioso
muito completo, muito capaz. Na época
ele escreveu comentário
bíblico de quase todo o Novo Testamento,
né? acolheu refugiados protestantes,
como o caso do John Knox, né, da
Escócia,
escreveu cartas, sermões, comentários,
tratados apologéticos, obras litúrgicas.
Então, de fato, ele fez um trabalho
muito intenso, né, na sua caminhada, né?
Aí você tem algumas das recordações
pictográficas da época, né, Calvino com
Farel aí, né, um dos seus companheiros e
também eh líderes importantes do
movimento reformado.
Aí uma tentativa de pintar que que era
[roncando] a Genebra da ocasião, né,
todo o ambiente onde a realidade da
reforma calvinista acontece. Então vamos
lá pra gente pensar aqui no naquilo que
Calvino tem a nos dizer sobre as suas
reflexões teológicas e que vai ser a
base da teologia reformada, né? Você já
se preparem. Daqui a pouco a gente vai
abrir espaço aí para as suas perguntas,
as suas dúvidas e os seus comentários,
né? [suspirando] Então, o que que
Calvino diz? A revelação geral é
insuficiente por causa do pecado. Daí a
necessidade da inspiração bíblica e da
encarnação. Então, o ponto de vista,
ponto de partida, assim fundamental é a
questão da limitação humana em função do
estrago que o pecado trouxe. a ideia
medieval da época, né? Pecado tinha
prejudicado
principalmente
a vontade humana, mas o raciocínio não.
O Calvino vai muito longe nesse sentido
dizer: "Não, olha, nós precisamos
desesperadamente da Bíblia porque nós
não somos capazes de saber nada sobre
Deus sem revelação. Então, a inspiração
e a própria encarnação decorre daí. a
Bíblia, a palavra de Deus, e ela tá em
plena sintonia com, né, a o a inspiração
que é do Espírito Santo. Deus governa
todas as coisas realizando o que ele
decretou na eternidade. Então, esse
conceito
predominante da soberania de Deus, que
se você conversar com todo calvinista
muito ah, vamos dizer convicto, ele vai
dizer: "Não, o calvinismo é muito
importante porque ele dá a Deus o lugar
que ele merece. Enalutece a Deus. Então,
a providência divina tá em tudo. Ele
pode usar causas secundárias sempre ao
seu dispor para realizar os seus o seu
plano, né? Ou seja, tudo Deus determina,
tudo Deus estabelece como um plano e
eles não podem ser ah impedidos ou
prejudicados. Ao decretar cada fato,
Deus não retira a responsabilidade
humana. As escrituras, porém, não
revelam como combinar essas duas
realidades. Você conversa com um
calvinista,
eh, vamos dizer,
eu poderia talvez usar a palavra mais
aprofundado nos estudos, ele vai
exatamente dizer isso. Só que muita
gente aqui leva, né, o o título de
calvinista, muitas vezes tem uma
tendência a diminuir muito a
responsabilidade humana na prática da
vida das pessoas. Claro que não é o caso
de todo mundo. A imagem de Deus no homem
está deformada,
claro que não está apagada. O pecado no
homem não consiste só em atos, mas
também numa natureza inclinada pro mal
que permeia totalmente a personalidade.
Ou seja, tudo que a gente faz está
contaminado. Tudo que a gente faz está
atingido por esse elemento que envolve
essa chamada depravação total, né? essa
pecaminosidade
essencial e pertinente a cada um de nós.
Calvino vai enfatizar Cristo como
profeta, sacerdote e rei. Uma ênfase
muito importante. Ele substituiu o homem
nas penas que lhe eram devidas. essa
ênfase na justificação,
essa ênfase na salvação pela fé, esse
aspecto forense da leitura de Romanos
vão ser importantes. Tanto a sua morte
de Cristo, né, como a sua vida, tem
efeito redentor
sobre nós. A fé é um dom sobrenatural
dado pelo Espírito. Por isso, que que se
entende? Por meio da fé, os eleitos
respondem positivamente ao evangelho e
são salvos. Os descrentes pode até
mostrar uma fé, né, temporária,
não genuína. Os crentes verdadeiros são
preservados sempre e vão mostrar o que a
gente chama de perseverança dos santos.
Continuando a pensar sobre isso, o que
que se deve enfatizar no calvinismo? Que
a predestinação é absoluta,
depende só da vontade de Deus e
particular. Isso que é importante
ressaltar, porque depois outros
pensament pensadores de eh, vamos dizer,
de raiz reformada mais recentes acabam
eh pensando diferente, né? Eh, aqui a a
predestinação ela aplica-se a indivíduo,
não a grupos. Não é só que Deus elegeu
Israel ou elegeu a igreja? Não, Deus
elege pessoas especificamente. A igreja
verdadeira,
ela é reconhecida pela pregação e pela
correta ministração dos sacramentos. Por
isso que aquesta questão litúrgica e
sacramental tem muita importância, né?
Às vezes, algumas pessoas da realidade
brasileira mais intuitiva, né? Eles às
vezes reclamam de algumas igrejas
reformadas porque você parece não ter
tanta liberdade assim de fazer o que
você acha mais interessante, porque
ah esse caminho já tá definido a partir
da própria teologia da igreja de
inspiração calvinista. Há uma distinção
entre igreja visível, que congregação
local que tem trigo e jo, e invisível,
os eleitos, os anjos, os crentes do
Antigo Testamento. Um conceito que é
compartilhado por outros protestantes e
evangélicos também. A santificação do
crente é muito importante. A igreja
visível, o contexto no qual isso deve
acontecer. A santificação, não é porque
Deus é soberano e que se imagina, né,
que o cristão não deve priorizar
santificação.
A igreja é mãe de todos os crentes, pois
os leva ao novo nascimento através da
pregação e os educa e alimenta ao longo
da vida. Os sacramentos revelam o
caráter maternal da igreja, né? Essa
visão eh da importância muito
significativa da igreja, né? menos,
digamos,
individualismo comparado com outros
ambientes. Na ceia, o crente tem
verdadeira participação em Cristo, não
sendo mero símbolo, diferente, né, da
ênfase de Zuinglio,
o corpo físico de Cristo está à direita
de Deus no céu. A igreja não deve
isolar-se da sociedade. aqui uma coisa
muito interessante, mas ela deve
interagir
com a sociedade de modo que o governo de
Cristo se manifeste por meio de
governantes piedosos. Mesmo assim, a
igreja estado tem esfera de atuação
separadas.
>> [suspirando]
>> Aqui é uma coisa interessante, porque,
por exemplo, nós estamos no nosso
contexto aqui de igreja batista,
ah, que é o caso da Iberiu. [roncando] E
de modo geral, as igrejas batistas
autênticas, elas têm um distanciamento,
assim, por exemplo, de política
partidária, uma uma proposta que
enfatiza muito mais a mudança de vida do
indivíduo interna nos ambientes de
inspiração calvinista. reformada, existe
mais uma preocupação do que que a gente
pode fazer no contexto da social, da
sociedade além do indivíduo. Então, é
muito mais eh presente a realidade
daquilo que o pessoal vai tentar eh
apresentar como uma expressão de
teologia pública para beneficiar a
sociedade. Então são ênfases um
pouquinho
diferentes, né, e que de qualquer
maneira são ênfases que são marcantes.
Que que isso traz pra gente? Esse slide
eh leva a gente a refletir um pouquinho
nos desdobramentos
da teologia da influência calvinista. O
calvinismo
é uma das doutrinas religiosas da a
época da reforma. teria sido, né? Isso é
uma uma discussão muito detalhada e
interessante,
o central pro desenvolvimento do que é
chamado do capitalismo moderno, né? E
aqui não, ninguém tá usando essa palavra
de maneira eh crítica ou negativa. A
questão é a seguinte, é que a a gente
tem, né, aquela questão do Max Weber, a
maneira como se lida com economia, com
sociedade e o jeito diferente da maneira
calvinista de pensar e a sua influência
no mundo protestante. Então, existem
relações e conexões que são importantes.
Os princípios do calminismo pregavam,
olha que coisa, o rigor da disciplina, a
valorização moral do trabalho, da
poupança, valores que iam ao encontro
dos interesses
ah do que era chamado de burguesia
ascendente, né? E claro que essa maneira
como esse texto é colocado, ele tem um
perfil crítico, mas de qualquer maneira,
a ideia é quando o indivíduo se tornava
protestante calvinista, ele,
diferentemente daquela ideia mais
platônica, medieval, ele ia procurar
trabalhar o máximo, ele teria que evitar
os vícios, ele teria que se dedicar
profundamente
ah e entender que o trabalho dele era a
maneira de servir a Deus. E, portanto, a
ideia que essa ética individual ligada à
disciplina, ela poderia conduzir uma
sociedade a uma prosperidade material
maior.
Calvino liderou uma das principais
correntes dessa reforma, né, segundo a
doutrina calvinista,
e alguns, somente alguns homens estariam
predestinados à salvação eterna. aquilo
que a gente já mencionou, né, e já
compreendeu eh aí em termos gerais, né,
[roncando]
existe até mesmo aqui no no Brasil, né,
você tem algumas boas editoras, a
principal, a casa eh de cultura
presbiteriana,
casa de cultura cristã, como é chamada.
E lá, eh, tem, por exemplo, o pensamento
econômico e social de Calvino, tem boa
literatura que mostra isso. E isso é
decorrente da maneira de, eh, pensar a
teologia. Por isso que a gente tá eh
entrando, né, nessa questão aqui.
Ah, é importante a gente compreender que
a maneira eh calvinista de refletir
a teologia,
ela tem alguns aspectos assim que são
destacadamente distintos de outras
tradições e que t um contraste com a
realidade, por exemplo, das igrejas
batistas, que todo mundo sabe muito bem
que numa igreja seja presbiteriana ou
reformada, existe batismo infantil.
Batismo infantil é visto como um sinal
da aliança de Deus com o seu povo. Numa
igreja batista ou muitas igrejas
pentecostais, o batismo é visto como
sinal da conversão do indivíduo, como
uma um testemunho da sua fé individual.
E eh na tradição reformada, o batismo é
a nova circuncisão. Circuncisão é sinal
da aliança, né, na comunidade da fé do
Antigo Testamento e o batismo na nova
aliança. Então batismo também tem um
perfil sacramental. nas igrejas
batistas, não. Então, você tem uma
organização diferente. Algumas igrejas
batistas de outras denominações, às
vezes, são influenciadas por
perspectivas calvinistas, só que elas
não são, digamos, eh eh não compram o
pacote completo. Elas têm algumas
influências e outras eh não tanto.
Então, às vezes você tem uma espécie de
mistura. Então, você vai ter, por
exemplo, ah, muitas igrejas batistas e
de outras iluminações que são que a
gente chama credobatistas,
enquanto as outras, vamos dizer,
reformadas raiz mesmo, elas são
pedobatistas, ou seja, batizam criança
dessa maneira. Então aqui nós temos um
aspecto interessante
que vale a pena a gente olhar sobre a
comparação entre o que a gente chama de
aliancismo e dispensacionalismo.
E por ah isso é tão assim eh
interessante, né? Porque a a teologia
calvinista,
ela trabalha de uma maneira a a tentar
estabelecer aí conexões
eh entre o Antigo e o Novo Testamento,
que merece aí uma atenção eh peculiar,
né? E por que que essa discussão
teológica é tão importante? Porque a
maior parte da igreja brasileira
foi influenciada, aprendeu a pensar ah
em função da visão dispensacionalista
que se popularizou entre nós na
escatologia.
E aí quando você pensa na chamada
teologia predominante de origem
calvinista, que dá o que a gente chama
de aliancismo,
você tem uma distinção. Então, quem
conhece um pouquinho, né, aquilo que a
gente depois vai ver com detalhes, né,
os dispensacionalistas que falam em sete
dispensações e faz uma distinção entre
Israel e Igreja.
Na visão de origem calvinista, eles
dividem eh geralmente em três alianças
básicas. o que eles chamam, né? Ah,
aquilo que é chamado redenção, obras e
graça. E tem a tendência, né? Se fala
muito às vezes de pacto das obras e
pacto da graça, enfatizando, isso que é
uma coisa interessante de entender, a
unidade do plano redentivo. Então, para
um, digamos reformado raiz,
eh, você tem uma igreja no Antigo
Testamento e uma continuação de uma
igreja no Novo Testamento.
E a gente vai entender um pouquinho mais
claramente isso.
muitos dispensacionalistas, a afirmação
aqui ela não é absoluta, né? Eles fazem
leituras literais de muitas profecias do
Antigo Testamento, mas nem tudo é assim.
Mas os mais antigos talvez são
principalmente literalistas em ler
profecias do Antigo Testamento. E na
visão reformada,
ah, aqui ele afirma ser uma
interpretação gramatical, histórica e
cristocêntrica com tipologia e progresso
da revelação.
Ou seja, assim como existe no
dispensacionalismo um risco de ficar
lendo as profecias de maneira muito
literalista, no ambiente reformado, a
tendência é ler facilmente de maneira
simbólica e tipológica. Nem sempre isso
é tão simples assim, mas o que é
importante é ver essa essa ideia de que
eles estão dizendo tudo que você
encontra no Antigo Testamento tá falando
de uma maneira muito direta de Cristo. E
aí, como isso se dá, nem sempre é tão
fácil assim de a gente entender de
maneira coerente. Israel e igreja é uma
coisa muito sensível, né?
Ah, no dispensacionalismo são muito
separados e distintos. O que tem a ver
com Israel se cumpre literalmente com
Israel e acabou. E na visão reformada
predominante, nem todo mundo hoje
existem reformados que pensam de maneira
diferente. Israel e Igreja são um só
povo. As promessas de Israel se cumprem
espiritualmente na igreja. Então, quando
você vê uma pessoa falando: "Ah, sabe
que aquilo que tá sendo dito lá? aquilo
se cumpriu na igreja de Cristo nunca vai
acontecer. É um foco típico dessa visão.
A escatologia, fim dos tempos. Claro, os
dispensacionalistas são pré-milenistas,
pré-tribulacionistas
e acreditam em arrebatamento secreto
antes da tribulação, aquilo que você tá
acostumado a ouvir predominantemente,
né?
Ah, a visão predominante, né, das
igrejas reformadas é a milenista.
Algumas poucas seriam pós a
pós-milenistas.
Arrebatamento de segunda vinda são um só
evento. Milênio é simbólico. Então, a
visão é diferente. O plano da redenção.
Cada dispensação mostra uma forma
diferente de Deus agir na história
humana. pro dispensacionalismo,
mas paraa teologia reformada, plano
centrado na aliança da graça com
continuidade da salvação pela fé em
Cristo. A ideia é tentar mostrar que há
uma unidade, que não existe assim uma
distinção qualitativa fundamental entre
Antigo e Novo Testamento.
Sacramentos e ordenanças. O batismo pro
dispensacionalista, na maior parte das
vezes, é só para crentes professos.
batismo como substituto da circuncisão
aplicável aos filhos da aliança. Daí
você entende porque tem batismo
infantil. [roncando] Alguns nomes que
vocês vão encontrar no
dispensacionalismo, né? John Nelson
Darby, fundador Scofield da Bíblia
Skofield, Charles Ryy, John McArthur e a
sua principal representação tem a ver
com o seminário teológico de Dallas.
Na tradição reformada, João Calvino,
Herman Bavin, Luiz Berkoff, Guerrardos
Foz e claro, como a gente mencionou, a
confissão de Westminster. E aí então a
gente tem, né, essa perspectiva muito
nítida ah do que aparece aí no cenário a
envolve, né, digamos, a teologia eh
reformada. Bom, a gente já caminhou
bastante, né? Já tivemos aí eh já 45
minutos. Então, a gente vai, eu tô vendo
que tem bastante comentário aqui na
nossa aula e vamos abrir caminho então
para as perguntas e respostas daí que os
nossos queridos possam apresentar. Mas a
a questão é se a gente deixa todo mundo
perguntar ou só os predestinados que
podem
>> da da perspectiva divina são os
predestinados. Nossa, a gente vai dar
liberdade para todo mundo. [risadas] Tá
resolvido. [suspirando] Eh, bom, temos
uma pergunta aqui logo no comecinho da
aula do Paulo sobre a perseverança dos
santos que aparece no Túlip, que é o
último elemento, né? O que significa
essa perseverança dos santos?
Olha, Paulo, a ideia da perseverança dos
santos é que o verdadeiramente
salvo jamais perde a salvação. Quer
dizer que ele vai sempre perseverar. Se
você pergunta, né, para um calvinista
porque ele pensa assim, ele vai dizer:
"Olha, primeiro João fala de lá, eles
saíram de nós porque não eram dos
nossos. Se fosse dos nossos, teriam
permanecido conosco. A ideia é que a
obra da graça é tão determinante,
predominante, e a soberania de Deus é
tão infalível que nenhum verdadeiramente
salvo vai conseguir se perder. Ele vai
ser sustentado pela graça de Deus. Então
é impossível perder a salvação. Essa é a
ideia.
>> A pergunta que costuma vir na sequência,
Sol, é: então, apostasia é algo que não
existe de maneira absoluta? na teologia
reformada.
>> Então, não existe apostasia de ninguém
salvo. De fato, o que você pode ter são
pessoas dentro da comunidade da fé. Você
pode ter gente que tá dentro do ambiente
da igreja e vamos dizer e e o aos nossos
olhos apostata da fé, mas não é alguém
que perdeu a salvação. Se você perguntar
para um calvinista, ele vai dizer:
"Olha, é o caso de Judas. Judas nunca
foi salvo e ele apostatou. E o Pedro é o
caso de um salvo. Mesmo que ele tenha
feito o que ele fez, ele se arrepende e
retorna.
Eh, a pergunta da Carla, qual a
diferença da Igreja Presbiteriana do
Brasil e da igreja presbiteriana
independente? E depois ela faz uma
pergunta sobre a Convenção Batista Bras,
acredito que era CBN e CBB, né? Ou na
ordem versa, Convenção Batista
Brasileira e Convenção Batista Nacional.
A a Igreja Presbiteriana Independente,
ela se separa da Igreja Presbiteriana do
Brasil em 1931, né? Do ponto de vista da
essência teológica, não tem muita
diferença. Elas permanecem depois, no
decorrer dos anos, houve aí talvez umas
influências teológicas diferentes. Mesmo
a as igrejas elas têm, vamos dizer,
dentro da denominação jeite com
tendências variadas, né? Mas a discussão
maior que surgiu na época teve a ver com
a influência da maçonaria. Eh, e é
interessante, teve um pastor, né, que um
reverendo, como é chamado, muito impacto
na época, que era o reverendo Eduardo
Carlos Pereira, né? E aí ele escreveu
até um livro sobre isso. Então, foi uma
controvérsia porque eh não sei se todo
mundo tem ideia, né? Não é, não vejo
isso como positivo, mas as igrejas
tradicionais históricas elas foram
ajudadas pela maçonaria quando se
estabeleceram no Brasil. Até porque a
maçonaria tinha uma relação, vamos
dizer, de enfrentamento h do
catolicismo, né? E aí surgiu uma uma
proximidade assim que nem sempre eh foi
muito favorável, né? E aí surgiu uma
discussão sobre isso e aqueles que
discordaram, vamos dizer, da presença
maçônica, eh, dividiram a igreja. Hoje
não é mais assim. A Igreja Presidenta do
Brasil não tem uma posição favorável à
maçonaria, mas a divisão aconteceu há
quase 100 anos atrás, né? E a Convenção
Batista Brasileira, ela ah surge um
movimento na década de 60, que era um
movimento, digamos assim, de influência
carismática, né? E aí,
um grupo de igrejas nos anos 60 se
separa da Convenção Batista Brasileira e
funda a Convenção Batista Nacional. E a
Convenção Batista Nacional, ela é
essencialmente batista, mas ela tem,
digamos assim, um lado um pouquinho mais
pentecostal, quer dizer, acreditando em
batismo no Espírito Santo, de
importância de buscar dons milagrosos,
né? E aí se separaram. Hoje a relação
entre elas é muito simpática e
harmônica, não tem grandes dificuldades,
mas elas têm perfis um pouco distintos
na maneira de entender a
a doutrina do Espírito Santo.
>> Ah, podemos dizer que toda a
interpretação das escrituras está
vinculada à época do teólogo. Petero,
Calvino, nós tiramos da Bíblia a
resposta para questões contemporâneas.
Como fica a inspiração do Espírito
Santo?
>> Não, veja, ah, a Bíblia é o texto que tá
lá, a escritura, né? E a escritura, eh,
ela é a referência.
E a gente não tem direito de fazer o que
a gente pode chamar de uma livre
interpretação. E porque a interpretação
pode ser feita por toda pessoa, qualquer
interpretação seria válida. O que a
gente tem é um livre exame.
Agora, quando alguém lê, todos nós somos
seres humanos com a nossa limitação no
nosso contexto cultural da nossa época.
É claro que isso vai ter a sua
pertinência, até porque dependendo da
época, as pessoas estão respondendo
questões que não estão presentes numa
outra época, né? Dependendo do contexto
a gente tem questões prioritárias. que
em outro cenário você não tem. Então,
nesse sentido, a gente pode dizer que
muita coisa que Lutero, Calvino e outros
teólogos disseram são muito boas, são
corretas e são defensáveis.
Eu diria que são até permanentes, né?
Mas claro que
inspirado e referência é só a escritura.
O resto a gente tá disposto. Toda a
teologia, por melhor que seja, a gente
sempre escreve a lápis, né? Porque de
vez em quando precisa dizer: "Opa, aqui
fica mais claro se a gente dizer isso de
uma outra forma". A inspiração do
espírito é sobre o texto, não sobre a
interpretação do teólogo.
>> Só uma nota sobre essa resposta, senhor,
que você deu. Essa é um pouco a
motivação pela qual a gente tá fazendo
esse módulo, né? permitir que as pessoas
percebam a grande diversidade de
sistemas doutrinários que foram formados
por pessoas de boa consciência e de
muita dedicação na interpretação do
mesmo texto bíblico. E eu lembro da
época que eu tava na faculdade, só essa
afirmação, teologia escrita a lápisse,
enquanto a Bíblia, é que é escrita de
forma definitiva, gera o suficiente para
suscitar assim às vezes reações muito
inflamadas,
que tinha um posicionamento doutrinário,
que achava que a sua interpretação tava
no mesmo nível de autoridade da
escritura, né? [suspirando]
>> Vamos lá. Aqui a pergunta da Fernanda.
Se Calvino afirmava que toda a escritura
revela a justiça e a bondade de Deus,
como ele responderia a objeção de que a
doutrina da dupla predestinação parece
atribuir a Deus a condenação eterna de
pessoas que jamais tiveram a
possibilidade de escolher de forma
diferente?
>> Pois é. Olha, e quando a gente fala em
Calvino, né, e em calvinistas, a gente
também tem um um leque, né? Nem todo eh
calvinista vai assim eh defender com
unhas e dentes o que a gente pode chamar
de dupla predestinação direta. Olha,
Deus predestinou o indivíduo quando ele
criou já para lançá-lo na condenação,
né?
É possível que alguns de perfil peculiar
possam dizer isso, né? O que que a a e o
que que eu posso entender da proposta
calvinista é que o seguinte, eh, deve-se
destacar a soberania de Deus e que Deus
escolhe as pessoas para a salvação e
aqueles que ele não escolheu, por
definição, já estavam culpados antes,
né? Essa eh questão, ela é sempre uma
pedra no sapato, né, da maneira
calvinista de pensar e sempre ela exige
a uma série de tentativas de explicação
que, a meu ver eh eh toda vez que você
pega um tema onde você tem uma
complexidade maior na Bíblia e você
escolhe uma ênfase, você deixa o outro
lado numa situação difícil de explicar.
daquele negócio, você puxa o cobertor
paraa cabeça e os pés ficam de fora, né?
Então o que as o que para mim, por
exemplo, é diferente, né? É que assim, a
resposta às vezes lógica, [risadas] ela
parece muito fria e insensível aos
desdobramentos com as pessoas que se
perdem, né? E quando você tem textos,
né, que Deus quer que todos sejam salvos
e que chegue ao pleno conhecimento da
verdade, Deus não quer que ninguém se
perca. Então, eu acho que eh é uma
questão que precisa amadurecer mais na
diante de todos os a evidência bíblica.
>> Bom, tem um uma a questão que sempre se
levanta nessas discussões sobre teologia
reformada, que está relacionado ao que o
Leonivial
ou não sei se é esse o nome coloca aqui.
A confissão de fé batista de 1689
é reformada. Em que momento os batistas
supostamente deixaram de serem
reformados?
>> Então, o Dr. Leon, né? Eh, veja, a
confissão de Fed 1689,
New Hampshire, né? Ela ela é de perfil
eh mais alinhado com o calvinismo, mas
assim, não é que os batistas deixaram de
ser reformados. Uma coisa eh
interessante na tradição batista é que
assim nós temos algumas coisas muito
essenciais e fundamentais
e essa questão do do detalhamento
soteriológico não entra naquilo que é
considerado essencial. Então, por
exemplo, no ambiente da América do
Norte, né, onde a fé dos batistas
cresceu demais, a gente vai ter eh
batistas do livre arbítrio, por exemplo,
chamado Freewill Baptists, né? Você vai
ter batistas de perfil mais reformado e
você vai ter equilibrados. Então, você
tem aí, eu diria que um degradê nesse
assunto, né? batistas calvinistas de eh
três pontos, calvinistas de quatro
pontos, de cinco pontos e e batistas
armenianos mesmo. Hoje, por exemplo,
você tem eh várias denominações batistas
na América do Norte. A mais eh
expressiva é a Convenção Batista do Sul.
A Convenção Batista do Sul tem três
grandes seminários teológicos, né? E tem
seis, mas três são especialmente
significativos. É o chamado
Southwestern, o Sounder e Seminary, ah,
e também o chamado South Eastern. Cada
um deles tem um perfil diferente nesse
aspecto. Não são todos da mesma maneira.
tem seminário que é, por exemplo, o
Sounder de perfil bem mais reformado, já
o Southwester não tem essa tradição.
Então não é que deixou, é que a
liberdade Batista abriu um leque onde
você vai encontrar perspectivas
variáveis.
>> Essa resposta em parte a resposta paraa
pergunta do Marcos. Qual a linha
teológica dos batistas? Calvinista ou
armeniano?
Então, olha que coisa interessante, eh,
além de você ter essa diversidade, por
exemplo, no Brasil, eh, a gente teve a
influência, né, no caso dos batistas
brasileiros, nós tivemos presença de
batistas ingleses, existiram também um
grupo menor de batistas alemães e
batistas eh dos Estados Unidos que
vieram vieram de perfil diferente.
Então, por exemplo, há lugares no Brasil
onde os missionários primeiros eram mais
calvinistas. Então, a herança no lugar
ficou assim. Em outros, os missionários
eram mais herminianos. Quer ver uma
coisa curiosa? Os batistas desenvolveram
historicamente muito aquela coisa de
você fazer uma série de conferências
evangelísticas, de ahã chamar as pessoas
para levantarem a mão, fazer apelo,
virem à frente. Os calvinistas mais
tradicionais não aceitam fazer isso de
jeito nenhum, né? Então você vê que
ah a diferença diferente, mas eu acho
que a maioria, pelo que eu posso ver da
minha experiência histórica de leituras,
de conhecer praticamente todos os
estados do Brasil, eh a maior parte dos
batistas ele são, eh, armenianos
moderados e um outro grupo é calvinista
moderado. E hoje um grupo menor é muito,
vamos dizer, peculiarmente fechado com
uma posição muito calvinista ou muito
armeniana.
>> Ah, bom, uma pergunta aqui do amigo cujo
nome de usuário é universo 122.
Professor Saon, Paulo ensina a
depravação total como isso se relaciona
com a ideia judaica das inclinações para
o bem e para o mal. [risadas]
Pois é, isso é coisa que vem do universo
mesmo. [suspirando] Bom, meu querido
universo, né? Ah, o que que a gente pode
dizer, né? Eh,
as pessoas precisariam talvez entender,
e acho que mesmo entre os calvinistas,
isso não tá tão claro assim, o que que a
gente entende por depravação total?
Se nós entendermos por depravação total
que o ser humano é um monstro e que ele
não é capaz de fazer tudo que ele faz é
basicamente uma atrocidade,
eu acho que a gente vai estar em
problema, né?
Ah, e é importante a gente entender que
o ser humano, ainda que plenamente
pecador, né, e pecador desde eh do
nascimento, ele também é imagem de Deus.
E essa imagem de Deus não desaparece.
Olha, por exemplo, uma pessoa como
Cornélio, que não é convertido
e que a postura dele agrada a Deus. Diz
que as esmolas e as orações dele subiram
diante de Deus.
Então eu eu tenho a impressão que às
vezes a gente radicaliza as coisas de
modo que é muito possível você entender
que o ser humano é sim pecador no
sentido
em que todos os seus atos, seus
pensamentos são imperfeitos imaculados e
a quem das exigências divinas, sem
entender que a gente não tem nenhuma
capacidade de refletir, de pensar, que a
que a graça comum não está disponível
para nós, que a gente não é capaz. Eu
conheço pessoas que não são de
inspiração cristã, elas que que são de
sociedade sem presença cristã e que são
socialmente muito virtuosos, né? Então,
ah, precisa entender o que que as
pessoas querem dizer quando elas falam
isso, né? E sim, o o a ideia hebraica
fundamental que é Yserará, Yetserratov,
ela
trabalha com essa ideia que o ser humano
tem inclinação pros dois, mas fica claro
que o judaísmo rabínico
entende que a gente é mais ou menos um
ser neutro, né? que a gente é que decide
se a gente quer ser bondoso ou não. E na
fé eh neotestamentária, nos ensinos de
Paulo, a gente percebe que a gente não
tá numa condição tão favorável assim.
Então, a antropologia neotestamentária
paulina é mais pessimista em relação ao
que o ser humano é e é capaz de fazer do
que o judaísmo rabílico,
>> tá?
Ah,
uma pergunta clássica sobre a questão de
eh evangelismo. Se para os calvinistas
todos os eleitos serem salvos,
independente do que acontecer, por que
então evangelizar?
Então, historicamente, nós temos
exemplos negativos disso. A gente ouve
falar na história de determinados grupos
de pessoas que falaram: "Não, olha, as
pessoas se elas são eh predestinadas,
ele vão chegar aqui. A gente não precisa
sair por aí fazendo muita coisa, né?
Conta-se que William Carry, né, quando
quis fazer missão, o seu pastor, o seu
líder religioso teria dito isso, né?
Ah, mas curiosamente muitos bons
missionários na história da igreja eram
calvinistas, né? Então, e então isso não
necessariamente impede, né? É verdade
que na maior parte dos casos as
denominações reformadas são menos
aguerridas
em termos assim de ação evangelística do
que historicamente tem sido os batistas,
os pentecostais e os outros, né? Mas
isso não é uma equação que você coloca a
lógica o tempo todo. Muita gente que fez
diferença, inclusive na história de das
missões, eram pessoas de convicção eh
calvinista.
Então, uma das últimas aqui, talvez
última, tem uma pergunta de caráter mais
técnico. Se Lutero e João Calvino
tivessem acesso aos estudos atuais sobre
o judaísmo do segundo tempo, o senhor
acha que mudariam alguma conclusão?
>> Eu acho que eles iriam aperfeiçoar o
pensamento. Acho que eles iriam rever
uma série de coisas. eu acho que teria
um impacto, né, que na verdade tem tido,
né, sobre a comunidade protestante
acadêmica que estuda com seriedade. E
acho que faria diferença sim se tivesse
um conhecimento mais aprofundado.
>> Legal. Bom, pessoal, a gente já
respondeu várias perguntas aí. Acho que
a maioria das perguntas, alguma coisa ou
outra a gente pode ter na sequência, mas
gostaria de fazer um convite. Depois da
aula aqui, a gente vai ter o a parte de
discipulado, o encontro de discipulado
da IBNU, como Saião também junto com a
Suzi faz parte desse encontro que já
começa às 20:30,
então a gente vai eh encerrar a nossa
aula de hoje e aí já a gente vai ter
esse outro compromisso, mas a gente
agradece todo mundo que esteve com a
gente nessas duas aulas em especial
desse tópico. Na semana que vem a gente
vai continuar. Vamos falar sobre a
teologia arminiana. E aí a a gente
agradece tanto quem assistiu quanto
saião aí pela aula também, por todos os
esclarecimentos. Obrigado, Saião.
>> Muito obrigado. Deus abençoe a todos e
sempre é um prazer estar com a gente.
Continue sintonizado no Macários e com a
IBNio. Obrigado, Áila. Deus abençoe a
todos. Boa noite.
>> Boa noite pessoal. Até nosso próximo
encontro. Ciao. Ciao.

Tags: