Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 10 | Teologia Reformada (Calvinismo) II | Luiz Sayão
03/07/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 10 | Teologia Reformada (Calvinismo) II | Luiz Sayão
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 10: Teologia Reformada (Calvinismo) II
Luiz Sayão
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เฮ [música] >> [música] [música] [assobiando] >> Muito boa noite ao pessoal que já chegou aqui paraa nossa aula de hoje do curso Macários. Bem-vindos, bem-vindas para mais um encontro. esse que é o encontro que está dando continuidade à nossa aula da última terça-feira, em que a gente começou a falar sobre teologia reformada, calvinismo. Então, nós temos duas aulas sobre esse tópico e nós então temos aqui a presença do saião para dar a segunda aula do nosso tema de hoje. E apenas para fazer uma introdução semelhante ao que a gente falou na última terça-feira, eh, a gente agora tá se aproximando da realidade especificamente protestante e especificamente brasileira. Falamos sobre várias questões eh sobre períodos históricos, alguns sistemas doutrinários importantes das tradições cristãs, mas agora a gente tá se aproximando daquilo que é relevante para nós entendermos o que é a convicção, a crença de boa parte das igrejas protestantes brasileiras. E aí esse tema então que desperta muito interesse e tem muita relevância pra gente entender essa importante tradição cristã que é a teologia reformada. Então passando já a bola aí pro Saião. Boa noite saião. >> Boa noite aquela sejam todos bem-vindos. Vamos aqui estar ligados no Macários de hoje, né, pra gente poder pensar um pouquinho sobre a questão da teologia reformada ou mais especificamente teologia de perfil calvinista. Então, ah, deixa eu ver aqui. Acho que o slide tá aí colocado, né? E dá pra gente então eh caminhar. Eh, vamos então, né, ter esse nosso primeiro momento aqui eh de reflexão, né? muita coisa que o o professor Águila já apresentou na outra aula, a gente talvez uma coisa ou outra que a gente acabe eh repetindo, né? Eh, mas assim fica como reforço do que vocês já viram, além, né, de também eh a gente ampliar aqui o nosso entendimento sobre [roncando] essa questão que envolve a teologia reformada. Então, vamos lá, né? Eu queria começar apresentando aqui, né, esse gráfico, né, interessante paraa gente poder ver a as diversas eh ramificações das tradições cristãs. E vocês me acompanham aí bem pelo meio, né? Você vê aqui Lutero bem no meio e subindo aqui você tem a tradição anglicana que vai dar origem aos metodistas. E aqui dessa tradição luterana emerge, né, a tradição reformada do lado dos anabatistas, né? E aqui nesses reformados a gente vai ter, vamos dizer, uma série de igrejas, denominações, eh, que bebem dessa teologia. Então, pra gente que tá num contexto brasileiro, né, a maior referência que nós temos é exatamente a igreja presbiteriana, né, que no Brasil tem dois, vamos dizer, grupos principais, a Igreja Presbiteriana do Brasil e PB, né, e também a Igreja Presbiteriana Independente, né, os presbiterianos na metade do século XIX, né, eh, Tom tomam assim, passam a ter a sua história na realidade brasileira aí, por volta de 1859 e 1931 você tem essa separação. Ah, e nós vamos ter eh outros grupos menores que são chamados igrejas reformadas, né? Geralmente relacionado com a origem da própria igreja. Então você tem, por exemplo, algumas poucas igrejas eh reformada, que é chamada igreja reformada holandesa ou igreja reformada suíça, né? Porque eh a gente vai ver que a tradição reformada calvinista tem um espaço na na Europa, né? A gente tá muito acostumado, como a gente vai reforçar aqui com a sua história ligada ao contexto suíço, né? Mas é importante dizer que a igreja reformada, né, e consequentemente depois presbiteriana, ela teve um grande impacto, não só na Suíça, mas na Holanda, né, apesar da Holanda ser um estado, eh, vamos dizer, não religioso. na Escócia especificamente, né, a Inglaterra é predominantemente anglicana, a Escócia se tornou uma igreja [roncando] e a a igreja presbiteriana, a igreja predominante, né, e uma certa influência ainda no mundo de fala francesa, pequena, e também na Hungria, né, um pequeno grupo também desse perfil, né? E claro, por ser um ambiente de liberdade religiosa, nos Estados Unidos a tradição eh reformada cresceu muito, né? Então você tem algumas igrejas conhecida, né, PCA, PCA, né, Presbyteri Church of America e e Presbiterian Church of the United States of America e com hoje divisões de pensamento muito nítidas. Ah, e claro, igrejas de perfil reformado. Existe uma grande comunidade ah de igreja reformada de origem holandesa nos Estados Unidos. Eh, e assim, né, nós temos uma influência dessa teologia também em outros grupos, né, por exemplo, eh, nos ambientes congregacionais, eh, e em muitos ambientes batistas também existem muita influência e hoje até mesmo em outros grupos que a gente não imaginaria, como, por exemplo, ah, igrejas de origem eh carismática e pentecostal. Hoje existem carismáticos reformados calvinistas, né? Hoje um movimento forte chamado neocalvinir. Então vamos lá, pra gente lembrar, né, a reforma suíça, né, ela tem espaço um pouquinho depois da reforma luterana, o Ui, ou Uri, [roncando] Zuílio, né, [limpando a garganta] em Zurique, né, e João Calvino em Genebra. Lembrando que a Suíça é um um país diferente que tem quatro línguas, né, com predominância pro alemão, um francês e um número menor de falantes de italiano e de romance. Zurique é principal cidade de fala alemã e Genebra é uma cidade de fala francesa, né? E a reforma eh que tem espaço no ambiente suíço, ela vai se expandir muito mais eh para na Europa do que outros movimentos, né? Você vai ver que a igreja anglicana ela não vai se expandir. A igreja luterana, a princípio, né, é muito ligado ao ambiente alemão. Depois ela vai ter desdobramentos na Escandinávia, mas eh o calvinismo acaba tendo desdobramentos maiores, né? inclusive no ambiente das Américas, né? Ela então caminhou na direção de uma sistematização, organização teológica muito definida, né? E inclusive nós temos vários catecismos, confissões de fé da tradição reformada, né? E ela então é chamada, né, de teologia calvinista, reformada. E aí a a a organização de pensamento é bem ampla, né? Trabalha com as doutrinas principais. Eu acho que é uma das grandes influências mais, vamos dizer, impactantes do mundo protestante, né? O governo eclesiástico, a questão de como é que você deve fazer o culto, né? Muito interessante isso, até norma para isso nós temos e e relações com a política e a sociedade, que acho que vai ser uma coisa interessante da gente comentar aqui, né? E de um modo geral existem, né, confissões variantes, tal, mas a confissão de fé, assim mais podemos dizer predominantemente querida, da comunidade reformada é a chamada confissão de fé de Westminster, né, que foi elaborada no século X7 e até hoje, né, a gente eh percebe muitas comunidades usando como referência principal. O impressionante ver como a tradição eh reformada também teve muito impacto na Ásia, especialmente na Coreia, né? Você tem muitas igrejas de tamanho significativo e de muita expressão e principalmente na Coreia do Sul. Que que a gente já viu e vale a pena reforçar? Eh, a a o a tradição eh reformada calvinista, ela reage, assim como aconteceu com a tradição luterana, a toda aquela ideia muito forte que tava presente numa visão medieval mais aristotélica e que tava abrindo o espaço por um caminho de um papel mais significativo do ser humano na sua trajetória diante de Deus e da sociedade. Então, a a maneira de lidar com isso, né, assim como os luteranos falavam da teologia da cruz em oposição à teologia da glória, né? Eh, no enfoque calvinista, nós vamos ver um grande valor na soberania de Deus, que é um tema fundamental, na predestinação, aquilo que a gente já ouviu, numa visão chamado monergista, né? Ou seja, que o agir eh que é determinante na nossa caminhada de fé, ele não é duplo, ele é mono. Então é Deus que age. Fala-se em duas alianças ou dois pactos que são chamados das obras e da graça. Eh, discute-se a lei de Deus e como é que ela se relaciona com a nossa realidade hoje. E também o governo que é chamado representativo, presbíteros, concílios. e o chamado que eles chamam de princípio regulador do culto, como é que as coisas devem se definir ah na pragmática eclesiástica, né? Uma coisa que vale a pena a gente mencionar é que o primeiro culto protestante assim do Brasil, né, e possivelmente das Américas, né, foi um culto eh calvinista. Quando você estuda a história do Brasil e ouve falar das invasões estrangeiras, nós tivemos a invasão francesa no Rio de Janeiro, na busca de fazer aquilo que era chamado de França Antártica, né? E lá, né, a gente conhece a história do Nicolau Vileganhon, né? Muita informação foi colocado naquele livro muito famoso, Viagem a uma terra do Brasil, do Jean Deleri, que fez parte, né, da da expedição do Vileganhon. E lá no dia 10 de março de 1557, no Rio de Janeiro, na baia de Guanabara, ali pertinho de onde é o aeroporto Santos do Mon, hoje foi realizado o primeiro culto e que era um culto de perspectiva calvinista nesse momento, tendo a ver com aquilo que era o movimento, né, que era a que estava prosperando na França até que ele fosse eh, vamos dizer desbaratar estado e e depois da noite de São Bartolomeu, a toda, né, a reforma no ambiente francês não prosseguiu muito bem. Aí a essa herança, né, é muito interessante. A gente vê quem visita a Genebra tem um grande monumento, né? Você tem uma igreja importante chamada Sampier, onde Calvino pregava. Você tem um museu da reforma com muita coisa eh assim importante da história, né? Ah, e aí você tem os quatro indivíduos que foram importantes e significativos. Carlo, próprio Calvino, né, que era francês, né, o Guilherme Farel, né, muito conhecido, Theodor Beza, né, e o John Kx, que era o famoso ah reformado escocês n fez diferença na história da Escócia, na sequência, nesse momento. E aí, aí o que que a gente vai ver? Vamos olhar um pouquinho, né? Primeiro o Zuinglo que ele eh antecede um pouco, né? Ele nasce em Glaros, estuda em Viena, em Basileia e se torna mestre em teologia. Eh, o professor Ála mencionou, né, a relação com aquilo que acontecia naquele momento, né, da com os humanistas, com o estudo dos manuscritos, né, a pesquisa bíblica, né, ele conheceu o famoso Erasmo de Rotterdam, né, e teve acesso aí a esse eh estudo do Novo Testamento, eh, propriamente dito, né, e vai se tornar um expositor da Bíblia. ele se torna sacerdote católico em Zuik e depois, né, aí ele reforma a vida religiosa da cidade e acaba então rompendo com o catolicismo eh que predominava em toda a Europa nesse momento, né? E aí ele foi, né, o movimento foi chamado de reformado, porque ele, eh, o Áila falou muito sobre isso, como é que a reforma calvinista ela tenta, né, ir mais longe do que aquilo que aconteceu com o Lutero, que simplesmente tentava rejeitar o que era antibíblico na tradição católica, né? E aí, ã, eles, né, eh, acabam rompendo e, no entanto, vai ter gente que vai tentar ir mais longe do que eles, que são os anabatista, eh, conexão, né, a tradição batista tem uma certa relação com os anabatistas, que depois no nosso caminho que a gente vai olhar mais paraa frente, né, escreveu algumas obras da providência de Deus, da religião verdadeira e falsa, explicação da religião de Zoingle, exposição breve, clara da fé cristã, obra que como ele antecede influenciaram o Calvino, né? E como vocês já ouviram falar, ele morreu ah ainda cedo, né, 1531, numa batalha, né, quando houve esse conflito com os chamados cantões católicos da Suíça, né? Então, o que que Zuinglio vai apresentar, né, nesse ambiente? aquilo que é referência da tradição protestante. A Bíblia inteira é palavra de Deus, ela é inspirada pelo Espírito Santo. E uma das discussões importantes que vem aí, né, é como é que a gente lida com a verdade, né? Então, toda verdade é verdade de Deus. Daí ele reconhecia o valor da filosofia grega, da teologia natural tomista e da tradição cristã. Zof, digamos assim, era um pouco mais suave na sua maneira de abordar o conhecimento, eh, que vinha de um enfoque não diretamente teológico, né? E, claro, enfatizou a soberania absoluta de Deus, a predestinação, inclusive para perdição, e também a ideia, né, que essa predeterminação é a base para aquilo que a Bíblia vai chamar de préciência, né? E como a tradição reformada entendia a obra da graça de Deus mediante a fé dada pelo Senhor aos eleitos, que é uma ênfase muito clara dessa tradição reformada. Então, a gente pode fazer aqui uma comparação, né? Ah, que Lutero enfatizava aquilo que a gente sabe, a justificação pela fé. Não é que Isuílo não acreditasse nisso, mas a ênfase muito nítida era nessa soberania absoluta de Deus. Lutero punha um certo contraste entre lei e evangelho. Hermenêutica luterana sempre faz essa distinção. Zuínglio, né, com a tradição reformada, vai tentar fazer uma uma ponte maior entre os dois. Lei e evangelho são inseparáveis. O batismo e a seia são rei reais meios de graça. É para Zoínglio, elas são ordenanças simbólicas. Depois a gente vê, vai ver que em Calvino, eh, a a ceia vai ser vista como um sacramento, né, como batismo, não sentido católico do termo, mas vai permanecer assim. E o corpo de Cristo está presente fisicamente nos elementos da ceia, vai dizer Lutero, né? uma presença real, não é transubstanciação, mas é consubstanciação. O corpo de Cristo não é onipresente, não está na ceia, que é o memorial, né? Uma tradição que vai ser preservada nas igrejas batistas depois, né? Calvino nasce um pouco depois, né? Então você vê que ele vai nascer na França em 1509, né? Em Noon, vai viver até 1564. E como a gente vê, Calvino vai ser muito conhecido por aquilo que vai se definir no pensamento dele e na tradição decorrente dele. E aí nós temos algumas coisas, né, que merecem atenção. A depravação total, que é a ideia, né, de que o ser humano é absolutamente pecador, corrompido. Não que cada pessoa seja um monstro, mas que todos os nossos atos, pensamentos, intenções são maculados, né? A ideia de que Deus escolhe as pessoas de maneira incondicional, não se baseia em nada, né, que a gente possa ah imaginar que tenha algum elemento de Deus olhar a sinceridade da pessoa ou de alguma maneira contar com alguma reação do indivíduo. Não funciona assim, de acordo com a visão eh tradicional de Calvino. e a ideia da chamada expiação limitada. Isso que talvez seja um tema assim mais difícil, né, para quem não tem essa convicção de entender que Jesus morreu apenas pelos eleitos, não por toda a humanidade. Por isso, nesse caso, paraa expiação de Cristo não ser, vamos dizer, ineficiente, e o argumento é que não seria possível que ele tivesse morrido por todo mundo. Então, ele morreu somente por aqueles que iam ser salvos, né? E na sequência nós temos a ideia de graça irresistível, no sentido que quando Deus resolve agir com a sua graça, nenhum ser humano tem condições de dizer não, de resistir de alguma maneira. A graça ela é absolutamente triunfante porque ela é o agir divino e com esse agir divino ninguém pode de maneira um colocar algo na frente. E claro uma ideia que já é bem mais comum que é a perseverança dos santos. Ou seja, que os verdadeiramente salvos, os santos, eles nunca perdem a salvação. Eles permanecem sempre, nunca irão de fato se desviar de maneira totalmente prejudicial na sua eh caminhada de fé. E aí que que a gente tem? Uma frase, né? Porque apesar de Calvino ser francês, né, e de ele escrever, né, o que ele escreve em latim e algumas coisas em francês, ah, a gente vai ver que as ideias de Calvino vão triunfar principalmente no mundo de fala inglesa, no mundo anglo-saxão. Por isso, nesse ambiente se criou essa, ah, vamos dizer, esse esse acróstico aí, né? Eh, que é a chamada tulipe calvinista. Por que tulipe? H, porque lembra a a famosa flor, né, a tulipa. E então se fala de total deprivity of race, uncondition election, limited atonament, irrestable grace perseverance of the, né? Então aí você vê a total depravação, a, né, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e a perseverança dos santos. Então isso mostra bem aquilo que é a marca da maneira da tradição reformada calvinista a organizar a sua interpretação teológica predominante. E aí você tem, né, primeira edição das institutas, né, você vê que a coisa, como se pode imaginar, uma obra acadêmica no contexto do século X, escrita em latim, né? Ah, e vamos a olhar um pouquinho mais de perto essa realidade que nós temos aí. Então, quem é Calvinho? Né? Ele nasceu em Noon, na França, estudou na Universidade de Paris, né? E fez também direito, Orulean e Burg, né? Ele se converte em 153, né? Com uma idade aí de 24 anos. E aí fugiu, né, de Paris, acusado de divulgar ideias protestantes. Você vê que na Europa, nesse momento, existe um cansaço, né, em relação ao modelo do final da Idade Média que já não dá conta da realidade. Existe vários movimentos questionando a maneira de ser, de viver e de pensar e de crer, né? Você tem o renascimento italiano, você tem aí o racionalismo francês, até mesmo o empirismo inglês filosófico. E também na área eh da expressão de fé, vários movimentos protestantes estão pipocando, né? Então ele acaba se refugiando na Suíça, né, 1536, publicou em Basileia, primeira edição das suas institutas, não é tão longe assim de Genebra, né? Em 1559, ele publica a última edição e funda a Academia de Genebra, que depois vai ser uma universidade. E Calvino impressiona pelas suas atividades, né? Foi pregador, mestre, administrador, realmente um estudioso muito completo, muito capaz. Na época ele escreveu comentário bíblico de quase todo o Novo Testamento, né? acolheu refugiados protestantes, como o caso do John Knox, né, da Escócia, escreveu cartas, sermões, comentários, tratados apologéticos, obras litúrgicas. Então, de fato, ele fez um trabalho muito intenso, né, na sua caminhada, né? Aí você tem algumas das recordações pictográficas da época, né, Calvino com Farel aí, né, um dos seus companheiros e também eh líderes importantes do movimento reformado. Aí uma tentativa de pintar que que era [roncando] a Genebra da ocasião, né, todo o ambiente onde a realidade da reforma calvinista acontece. Então vamos lá pra gente pensar aqui no naquilo que Calvino tem a nos dizer sobre as suas reflexões teológicas e que vai ser a base da teologia reformada, né? Você já se preparem. Daqui a pouco a gente vai abrir espaço aí para as suas perguntas, as suas dúvidas e os seus comentários, né? [suspirando] Então, o que que Calvino diz? A revelação geral é insuficiente por causa do pecado. Daí a necessidade da inspiração bíblica e da encarnação. Então, o ponto de vista, ponto de partida, assim fundamental é a questão da limitação humana em função do estrago que o pecado trouxe. a ideia medieval da época, né? Pecado tinha prejudicado principalmente a vontade humana, mas o raciocínio não. O Calvino vai muito longe nesse sentido dizer: "Não, olha, nós precisamos desesperadamente da Bíblia porque nós não somos capazes de saber nada sobre Deus sem revelação. Então, a inspiração e a própria encarnação decorre daí. a Bíblia, a palavra de Deus, e ela tá em plena sintonia com, né, a o a inspiração que é do Espírito Santo. Deus governa todas as coisas realizando o que ele decretou na eternidade. Então, esse conceito predominante da soberania de Deus, que se você conversar com todo calvinista muito ah, vamos dizer convicto, ele vai dizer: "Não, o calvinismo é muito importante porque ele dá a Deus o lugar que ele merece. Enalutece a Deus. Então, a providência divina tá em tudo. Ele pode usar causas secundárias sempre ao seu dispor para realizar os seus o seu plano, né? Ou seja, tudo Deus determina, tudo Deus estabelece como um plano e eles não podem ser ah impedidos ou prejudicados. Ao decretar cada fato, Deus não retira a responsabilidade humana. As escrituras, porém, não revelam como combinar essas duas realidades. Você conversa com um calvinista, eh, vamos dizer, eu poderia talvez usar a palavra mais aprofundado nos estudos, ele vai exatamente dizer isso. Só que muita gente aqui leva, né, o o título de calvinista, muitas vezes tem uma tendência a diminuir muito a responsabilidade humana na prática da vida das pessoas. Claro que não é o caso de todo mundo. A imagem de Deus no homem está deformada, claro que não está apagada. O pecado no homem não consiste só em atos, mas também numa natureza inclinada pro mal que permeia totalmente a personalidade. Ou seja, tudo que a gente faz está contaminado. Tudo que a gente faz está atingido por esse elemento que envolve essa chamada depravação total, né? essa pecaminosidade essencial e pertinente a cada um de nós. Calvino vai enfatizar Cristo como profeta, sacerdote e rei. Uma ênfase muito importante. Ele substituiu o homem nas penas que lhe eram devidas. essa ênfase na justificação, essa ênfase na salvação pela fé, esse aspecto forense da leitura de Romanos vão ser importantes. Tanto a sua morte de Cristo, né, como a sua vida, tem efeito redentor sobre nós. A fé é um dom sobrenatural dado pelo Espírito. Por isso, que que se entende? Por meio da fé, os eleitos respondem positivamente ao evangelho e são salvos. Os descrentes pode até mostrar uma fé, né, temporária, não genuína. Os crentes verdadeiros são preservados sempre e vão mostrar o que a gente chama de perseverança dos santos. Continuando a pensar sobre isso, o que que se deve enfatizar no calvinismo? Que a predestinação é absoluta, depende só da vontade de Deus e particular. Isso que é importante ressaltar, porque depois outros pensament pensadores de eh, vamos dizer, de raiz reformada mais recentes acabam eh pensando diferente, né? Eh, aqui a a predestinação ela aplica-se a indivíduo, não a grupos. Não é só que Deus elegeu Israel ou elegeu a igreja? Não, Deus elege pessoas especificamente. A igreja verdadeira, ela é reconhecida pela pregação e pela correta ministração dos sacramentos. Por isso que aquesta questão litúrgica e sacramental tem muita importância, né? Às vezes, algumas pessoas da realidade brasileira mais intuitiva, né? Eles às vezes reclamam de algumas igrejas reformadas porque você parece não ter tanta liberdade assim de fazer o que você acha mais interessante, porque ah esse caminho já tá definido a partir da própria teologia da igreja de inspiração calvinista. Há uma distinção entre igreja visível, que congregação local que tem trigo e jo, e invisível, os eleitos, os anjos, os crentes do Antigo Testamento. Um conceito que é compartilhado por outros protestantes e evangélicos também. A santificação do crente é muito importante. A igreja visível, o contexto no qual isso deve acontecer. A santificação, não é porque Deus é soberano e que se imagina, né, que o cristão não deve priorizar santificação. A igreja é mãe de todos os crentes, pois os leva ao novo nascimento através da pregação e os educa e alimenta ao longo da vida. Os sacramentos revelam o caráter maternal da igreja, né? Essa visão eh da importância muito significativa da igreja, né? menos, digamos, individualismo comparado com outros ambientes. Na ceia, o crente tem verdadeira participação em Cristo, não sendo mero símbolo, diferente, né, da ênfase de Zuinglio, o corpo físico de Cristo está à direita de Deus no céu. A igreja não deve isolar-se da sociedade. aqui uma coisa muito interessante, mas ela deve interagir com a sociedade de modo que o governo de Cristo se manifeste por meio de governantes piedosos. Mesmo assim, a igreja estado tem esfera de atuação separadas. >> [suspirando] >> Aqui é uma coisa interessante, porque, por exemplo, nós estamos no nosso contexto aqui de igreja batista, ah, que é o caso da Iberiu. [roncando] E de modo geral, as igrejas batistas autênticas, elas têm um distanciamento, assim, por exemplo, de política partidária, uma uma proposta que enfatiza muito mais a mudança de vida do indivíduo interna nos ambientes de inspiração calvinista. reformada, existe mais uma preocupação do que que a gente pode fazer no contexto da social, da sociedade além do indivíduo. Então, é muito mais eh presente a realidade daquilo que o pessoal vai tentar eh apresentar como uma expressão de teologia pública para beneficiar a sociedade. Então são ênfases um pouquinho diferentes, né, e que de qualquer maneira são ênfases que são marcantes. Que que isso traz pra gente? Esse slide eh leva a gente a refletir um pouquinho nos desdobramentos da teologia da influência calvinista. O calvinismo é uma das doutrinas religiosas da a época da reforma. teria sido, né? Isso é uma uma discussão muito detalhada e interessante, o central pro desenvolvimento do que é chamado do capitalismo moderno, né? E aqui não, ninguém tá usando essa palavra de maneira eh crítica ou negativa. A questão é a seguinte, é que a a gente tem, né, aquela questão do Max Weber, a maneira como se lida com economia, com sociedade e o jeito diferente da maneira calvinista de pensar e a sua influência no mundo protestante. Então, existem relações e conexões que são importantes. Os princípios do calminismo pregavam, olha que coisa, o rigor da disciplina, a valorização moral do trabalho, da poupança, valores que iam ao encontro dos interesses ah do que era chamado de burguesia ascendente, né? E claro que essa maneira como esse texto é colocado, ele tem um perfil crítico, mas de qualquer maneira, a ideia é quando o indivíduo se tornava protestante calvinista, ele, diferentemente daquela ideia mais platônica, medieval, ele ia procurar trabalhar o máximo, ele teria que evitar os vícios, ele teria que se dedicar profundamente ah e entender que o trabalho dele era a maneira de servir a Deus. E, portanto, a ideia que essa ética individual ligada à disciplina, ela poderia conduzir uma sociedade a uma prosperidade material maior. Calvino liderou uma das principais correntes dessa reforma, né, segundo a doutrina calvinista, e alguns, somente alguns homens estariam predestinados à salvação eterna. aquilo que a gente já mencionou, né, e já compreendeu eh aí em termos gerais, né, [roncando] existe até mesmo aqui no no Brasil, né, você tem algumas boas editoras, a principal, a casa eh de cultura presbiteriana, casa de cultura cristã, como é chamada. E lá, eh, tem, por exemplo, o pensamento econômico e social de Calvino, tem boa literatura que mostra isso. E isso é decorrente da maneira de, eh, pensar a teologia. Por isso que a gente tá eh entrando, né, nessa questão aqui. Ah, é importante a gente compreender que a maneira eh calvinista de refletir a teologia, ela tem alguns aspectos assim que são destacadamente distintos de outras tradições e que t um contraste com a realidade, por exemplo, das igrejas batistas, que todo mundo sabe muito bem que numa igreja seja presbiteriana ou reformada, existe batismo infantil. Batismo infantil é visto como um sinal da aliança de Deus com o seu povo. Numa igreja batista ou muitas igrejas pentecostais, o batismo é visto como sinal da conversão do indivíduo, como uma um testemunho da sua fé individual. E eh na tradição reformada, o batismo é a nova circuncisão. Circuncisão é sinal da aliança, né, na comunidade da fé do Antigo Testamento e o batismo na nova aliança. Então batismo também tem um perfil sacramental. nas igrejas batistas, não. Então, você tem uma organização diferente. Algumas igrejas batistas de outras denominações, às vezes, são influenciadas por perspectivas calvinistas, só que elas não são, digamos, eh eh não compram o pacote completo. Elas têm algumas influências e outras eh não tanto. Então, às vezes você tem uma espécie de mistura. Então, você vai ter, por exemplo, ah, muitas igrejas batistas e de outras iluminações que são que a gente chama credobatistas, enquanto as outras, vamos dizer, reformadas raiz mesmo, elas são pedobatistas, ou seja, batizam criança dessa maneira. Então aqui nós temos um aspecto interessante que vale a pena a gente olhar sobre a comparação entre o que a gente chama de aliancismo e dispensacionalismo. E por ah isso é tão assim eh interessante, né? Porque a a teologia calvinista, ela trabalha de uma maneira a a tentar estabelecer aí conexões eh entre o Antigo e o Novo Testamento, que merece aí uma atenção eh peculiar, né? E por que que essa discussão teológica é tão importante? Porque a maior parte da igreja brasileira foi influenciada, aprendeu a pensar ah em função da visão dispensacionalista que se popularizou entre nós na escatologia. E aí quando você pensa na chamada teologia predominante de origem calvinista, que dá o que a gente chama de aliancismo, você tem uma distinção. Então, quem conhece um pouquinho, né, aquilo que a gente depois vai ver com detalhes, né, os dispensacionalistas que falam em sete dispensações e faz uma distinção entre Israel e Igreja. Na visão de origem calvinista, eles dividem eh geralmente em três alianças básicas. o que eles chamam, né? Ah, aquilo que é chamado redenção, obras e graça. E tem a tendência, né? Se fala muito às vezes de pacto das obras e pacto da graça, enfatizando, isso que é uma coisa interessante de entender, a unidade do plano redentivo. Então, para um, digamos reformado raiz, eh, você tem uma igreja no Antigo Testamento e uma continuação de uma igreja no Novo Testamento. E a gente vai entender um pouquinho mais claramente isso. muitos dispensacionalistas, a afirmação aqui ela não é absoluta, né? Eles fazem leituras literais de muitas profecias do Antigo Testamento, mas nem tudo é assim. Mas os mais antigos talvez são principalmente literalistas em ler profecias do Antigo Testamento. E na visão reformada, ah, aqui ele afirma ser uma interpretação gramatical, histórica e cristocêntrica com tipologia e progresso da revelação. Ou seja, assim como existe no dispensacionalismo um risco de ficar lendo as profecias de maneira muito literalista, no ambiente reformado, a tendência é ler facilmente de maneira simbólica e tipológica. Nem sempre isso é tão simples assim, mas o que é importante é ver essa essa ideia de que eles estão dizendo tudo que você encontra no Antigo Testamento tá falando de uma maneira muito direta de Cristo. E aí, como isso se dá, nem sempre é tão fácil assim de a gente entender de maneira coerente. Israel e igreja é uma coisa muito sensível, né? Ah, no dispensacionalismo são muito separados e distintos. O que tem a ver com Israel se cumpre literalmente com Israel e acabou. E na visão reformada predominante, nem todo mundo hoje existem reformados que pensam de maneira diferente. Israel e Igreja são um só povo. As promessas de Israel se cumprem espiritualmente na igreja. Então, quando você vê uma pessoa falando: "Ah, sabe que aquilo que tá sendo dito lá? aquilo se cumpriu na igreja de Cristo nunca vai acontecer. É um foco típico dessa visão. A escatologia, fim dos tempos. Claro, os dispensacionalistas são pré-milenistas, pré-tribulacionistas e acreditam em arrebatamento secreto antes da tribulação, aquilo que você tá acostumado a ouvir predominantemente, né? Ah, a visão predominante, né, das igrejas reformadas é a milenista. Algumas poucas seriam pós a pós-milenistas. Arrebatamento de segunda vinda são um só evento. Milênio é simbólico. Então, a visão é diferente. O plano da redenção. Cada dispensação mostra uma forma diferente de Deus agir na história humana. pro dispensacionalismo, mas paraa teologia reformada, plano centrado na aliança da graça com continuidade da salvação pela fé em Cristo. A ideia é tentar mostrar que há uma unidade, que não existe assim uma distinção qualitativa fundamental entre Antigo e Novo Testamento. Sacramentos e ordenanças. O batismo pro dispensacionalista, na maior parte das vezes, é só para crentes professos. batismo como substituto da circuncisão aplicável aos filhos da aliança. Daí você entende porque tem batismo infantil. [roncando] Alguns nomes que vocês vão encontrar no dispensacionalismo, né? John Nelson Darby, fundador Scofield da Bíblia Skofield, Charles Ryy, John McArthur e a sua principal representação tem a ver com o seminário teológico de Dallas. Na tradição reformada, João Calvino, Herman Bavin, Luiz Berkoff, Guerrardos Foz e claro, como a gente mencionou, a confissão de Westminster. E aí então a gente tem, né, essa perspectiva muito nítida ah do que aparece aí no cenário a envolve, né, digamos, a teologia eh reformada. Bom, a gente já caminhou bastante, né? Já tivemos aí eh já 45 minutos. Então, a gente vai, eu tô vendo que tem bastante comentário aqui na nossa aula e vamos abrir caminho então para as perguntas e respostas daí que os nossos queridos possam apresentar. Mas a a questão é se a gente deixa todo mundo perguntar ou só os predestinados que podem >> da da perspectiva divina são os predestinados. Nossa, a gente vai dar liberdade para todo mundo. [risadas] Tá resolvido. [suspirando] Eh, bom, temos uma pergunta aqui logo no comecinho da aula do Paulo sobre a perseverança dos santos que aparece no Túlip, que é o último elemento, né? O que significa essa perseverança dos santos? Olha, Paulo, a ideia da perseverança dos santos é que o verdadeiramente salvo jamais perde a salvação. Quer dizer que ele vai sempre perseverar. Se você pergunta, né, para um calvinista porque ele pensa assim, ele vai dizer: "Olha, primeiro João fala de lá, eles saíram de nós porque não eram dos nossos. Se fosse dos nossos, teriam permanecido conosco. A ideia é que a obra da graça é tão determinante, predominante, e a soberania de Deus é tão infalível que nenhum verdadeiramente salvo vai conseguir se perder. Ele vai ser sustentado pela graça de Deus. Então é impossível perder a salvação. Essa é a ideia. >> A pergunta que costuma vir na sequência, Sol, é: então, apostasia é algo que não existe de maneira absoluta? na teologia reformada. >> Então, não existe apostasia de ninguém salvo. De fato, o que você pode ter são pessoas dentro da comunidade da fé. Você pode ter gente que tá dentro do ambiente da igreja e vamos dizer e e o aos nossos olhos apostata da fé, mas não é alguém que perdeu a salvação. Se você perguntar para um calvinista, ele vai dizer: "Olha, é o caso de Judas. Judas nunca foi salvo e ele apostatou. E o Pedro é o caso de um salvo. Mesmo que ele tenha feito o que ele fez, ele se arrepende e retorna. Eh, a pergunta da Carla, qual a diferença da Igreja Presbiteriana do Brasil e da igreja presbiteriana independente? E depois ela faz uma pergunta sobre a Convenção Batista Bras, acredito que era CBN e CBB, né? Ou na ordem versa, Convenção Batista Brasileira e Convenção Batista Nacional. A a Igreja Presbiteriana Independente, ela se separa da Igreja Presbiteriana do Brasil em 1931, né? Do ponto de vista da essência teológica, não tem muita diferença. Elas permanecem depois, no decorrer dos anos, houve aí talvez umas influências teológicas diferentes. Mesmo a as igrejas elas têm, vamos dizer, dentro da denominação jeite com tendências variadas, né? Mas a discussão maior que surgiu na época teve a ver com a influência da maçonaria. Eh, e é interessante, teve um pastor, né, que um reverendo, como é chamado, muito impacto na época, que era o reverendo Eduardo Carlos Pereira, né? E aí ele escreveu até um livro sobre isso. Então, foi uma controvérsia porque eh não sei se todo mundo tem ideia, né? Não é, não vejo isso como positivo, mas as igrejas tradicionais históricas elas foram ajudadas pela maçonaria quando se estabeleceram no Brasil. Até porque a maçonaria tinha uma relação, vamos dizer, de enfrentamento h do catolicismo, né? E aí surgiu uma uma proximidade assim que nem sempre eh foi muito favorável, né? E aí surgiu uma discussão sobre isso e aqueles que discordaram, vamos dizer, da presença maçônica, eh, dividiram a igreja. Hoje não é mais assim. A Igreja Presidenta do Brasil não tem uma posição favorável à maçonaria, mas a divisão aconteceu há quase 100 anos atrás, né? E a Convenção Batista Brasileira, ela ah surge um movimento na década de 60, que era um movimento, digamos assim, de influência carismática, né? E aí, um grupo de igrejas nos anos 60 se separa da Convenção Batista Brasileira e funda a Convenção Batista Nacional. E a Convenção Batista Nacional, ela é essencialmente batista, mas ela tem, digamos assim, um lado um pouquinho mais pentecostal, quer dizer, acreditando em batismo no Espírito Santo, de importância de buscar dons milagrosos, né? E aí se separaram. Hoje a relação entre elas é muito simpática e harmônica, não tem grandes dificuldades, mas elas têm perfis um pouco distintos na maneira de entender a a doutrina do Espírito Santo. >> Ah, podemos dizer que toda a interpretação das escrituras está vinculada à época do teólogo. Petero, Calvino, nós tiramos da Bíblia a resposta para questões contemporâneas. Como fica a inspiração do Espírito Santo? >> Não, veja, ah, a Bíblia é o texto que tá lá, a escritura, né? E a escritura, eh, ela é a referência. E a gente não tem direito de fazer o que a gente pode chamar de uma livre interpretação. E porque a interpretação pode ser feita por toda pessoa, qualquer interpretação seria válida. O que a gente tem é um livre exame. Agora, quando alguém lê, todos nós somos seres humanos com a nossa limitação no nosso contexto cultural da nossa época. É claro que isso vai ter a sua pertinência, até porque dependendo da época, as pessoas estão respondendo questões que não estão presentes numa outra época, né? Dependendo do contexto a gente tem questões prioritárias. que em outro cenário você não tem. Então, nesse sentido, a gente pode dizer que muita coisa que Lutero, Calvino e outros teólogos disseram são muito boas, são corretas e são defensáveis. Eu diria que são até permanentes, né? Mas claro que inspirado e referência é só a escritura. O resto a gente tá disposto. Toda a teologia, por melhor que seja, a gente sempre escreve a lápis, né? Porque de vez em quando precisa dizer: "Opa, aqui fica mais claro se a gente dizer isso de uma outra forma". A inspiração do espírito é sobre o texto, não sobre a interpretação do teólogo. >> Só uma nota sobre essa resposta, senhor, que você deu. Essa é um pouco a motivação pela qual a gente tá fazendo esse módulo, né? permitir que as pessoas percebam a grande diversidade de sistemas doutrinários que foram formados por pessoas de boa consciência e de muita dedicação na interpretação do mesmo texto bíblico. E eu lembro da época que eu tava na faculdade, só essa afirmação, teologia escrita a lápisse, enquanto a Bíblia, é que é escrita de forma definitiva, gera o suficiente para suscitar assim às vezes reações muito inflamadas, que tinha um posicionamento doutrinário, que achava que a sua interpretação tava no mesmo nível de autoridade da escritura, né? [suspirando] >> Vamos lá. Aqui a pergunta da Fernanda. Se Calvino afirmava que toda a escritura revela a justiça e a bondade de Deus, como ele responderia a objeção de que a doutrina da dupla predestinação parece atribuir a Deus a condenação eterna de pessoas que jamais tiveram a possibilidade de escolher de forma diferente? >> Pois é. Olha, e quando a gente fala em Calvino, né, e em calvinistas, a gente também tem um um leque, né? Nem todo eh calvinista vai assim eh defender com unhas e dentes o que a gente pode chamar de dupla predestinação direta. Olha, Deus predestinou o indivíduo quando ele criou já para lançá-lo na condenação, né? É possível que alguns de perfil peculiar possam dizer isso, né? O que que a a e o que que eu posso entender da proposta calvinista é que o seguinte, eh, deve-se destacar a soberania de Deus e que Deus escolhe as pessoas para a salvação e aqueles que ele não escolheu, por definição, já estavam culpados antes, né? Essa eh questão, ela é sempre uma pedra no sapato, né, da maneira calvinista de pensar e sempre ela exige a uma série de tentativas de explicação que, a meu ver eh eh toda vez que você pega um tema onde você tem uma complexidade maior na Bíblia e você escolhe uma ênfase, você deixa o outro lado numa situação difícil de explicar. daquele negócio, você puxa o cobertor paraa cabeça e os pés ficam de fora, né? Então o que as o que para mim, por exemplo, é diferente, né? É que assim, a resposta às vezes lógica, [risadas] ela parece muito fria e insensível aos desdobramentos com as pessoas que se perdem, né? E quando você tem textos, né, que Deus quer que todos sejam salvos e que chegue ao pleno conhecimento da verdade, Deus não quer que ninguém se perca. Então, eu acho que eh é uma questão que precisa amadurecer mais na diante de todos os a evidência bíblica. >> Bom, tem um uma a questão que sempre se levanta nessas discussões sobre teologia reformada, que está relacionado ao que o Leonivial ou não sei se é esse o nome coloca aqui. A confissão de fé batista de 1689 é reformada. Em que momento os batistas supostamente deixaram de serem reformados? >> Então, o Dr. Leon, né? Eh, veja, a confissão de Fed 1689, New Hampshire, né? Ela ela é de perfil eh mais alinhado com o calvinismo, mas assim, não é que os batistas deixaram de ser reformados. Uma coisa eh interessante na tradição batista é que assim nós temos algumas coisas muito essenciais e fundamentais e essa questão do do detalhamento soteriológico não entra naquilo que é considerado essencial. Então, por exemplo, no ambiente da América do Norte, né, onde a fé dos batistas cresceu demais, a gente vai ter eh batistas do livre arbítrio, por exemplo, chamado Freewill Baptists, né? Você vai ter batistas de perfil mais reformado e você vai ter equilibrados. Então, você tem aí, eu diria que um degradê nesse assunto, né? batistas calvinistas de eh três pontos, calvinistas de quatro pontos, de cinco pontos e e batistas armenianos mesmo. Hoje, por exemplo, você tem eh várias denominações batistas na América do Norte. A mais eh expressiva é a Convenção Batista do Sul. A Convenção Batista do Sul tem três grandes seminários teológicos, né? E tem seis, mas três são especialmente significativos. É o chamado Southwestern, o Sounder e Seminary, ah, e também o chamado South Eastern. Cada um deles tem um perfil diferente nesse aspecto. Não são todos da mesma maneira. tem seminário que é, por exemplo, o Sounder de perfil bem mais reformado, já o Southwester não tem essa tradição. Então não é que deixou, é que a liberdade Batista abriu um leque onde você vai encontrar perspectivas variáveis. >> Essa resposta em parte a resposta paraa pergunta do Marcos. Qual a linha teológica dos batistas? Calvinista ou armeniano? Então, olha que coisa interessante, eh, além de você ter essa diversidade, por exemplo, no Brasil, eh, a gente teve a influência, né, no caso dos batistas brasileiros, nós tivemos presença de batistas ingleses, existiram também um grupo menor de batistas alemães e batistas eh dos Estados Unidos que vieram vieram de perfil diferente. Então, por exemplo, há lugares no Brasil onde os missionários primeiros eram mais calvinistas. Então, a herança no lugar ficou assim. Em outros, os missionários eram mais herminianos. Quer ver uma coisa curiosa? Os batistas desenvolveram historicamente muito aquela coisa de você fazer uma série de conferências evangelísticas, de ahã chamar as pessoas para levantarem a mão, fazer apelo, virem à frente. Os calvinistas mais tradicionais não aceitam fazer isso de jeito nenhum, né? Então você vê que ah a diferença diferente, mas eu acho que a maioria, pelo que eu posso ver da minha experiência histórica de leituras, de conhecer praticamente todos os estados do Brasil, eh a maior parte dos batistas ele são, eh, armenianos moderados e um outro grupo é calvinista moderado. E hoje um grupo menor é muito, vamos dizer, peculiarmente fechado com uma posição muito calvinista ou muito armeniana. >> Ah, bom, uma pergunta aqui do amigo cujo nome de usuário é universo 122. Professor Saon, Paulo ensina a depravação total como isso se relaciona com a ideia judaica das inclinações para o bem e para o mal. [risadas] Pois é, isso é coisa que vem do universo mesmo. [suspirando] Bom, meu querido universo, né? Ah, o que que a gente pode dizer, né? Eh, as pessoas precisariam talvez entender, e acho que mesmo entre os calvinistas, isso não tá tão claro assim, o que que a gente entende por depravação total? Se nós entendermos por depravação total que o ser humano é um monstro e que ele não é capaz de fazer tudo que ele faz é basicamente uma atrocidade, eu acho que a gente vai estar em problema, né? Ah, e é importante a gente entender que o ser humano, ainda que plenamente pecador, né, e pecador desde eh do nascimento, ele também é imagem de Deus. E essa imagem de Deus não desaparece. Olha, por exemplo, uma pessoa como Cornélio, que não é convertido e que a postura dele agrada a Deus. Diz que as esmolas e as orações dele subiram diante de Deus. Então eu eu tenho a impressão que às vezes a gente radicaliza as coisas de modo que é muito possível você entender que o ser humano é sim pecador no sentido em que todos os seus atos, seus pensamentos são imperfeitos imaculados e a quem das exigências divinas, sem entender que a gente não tem nenhuma capacidade de refletir, de pensar, que a que a graça comum não está disponível para nós, que a gente não é capaz. Eu conheço pessoas que não são de inspiração cristã, elas que que são de sociedade sem presença cristã e que são socialmente muito virtuosos, né? Então, ah, precisa entender o que que as pessoas querem dizer quando elas falam isso, né? E sim, o o a ideia hebraica fundamental que é Yserará, Yetserratov, ela trabalha com essa ideia que o ser humano tem inclinação pros dois, mas fica claro que o judaísmo rabínico entende que a gente é mais ou menos um ser neutro, né? que a gente é que decide se a gente quer ser bondoso ou não. E na fé eh neotestamentária, nos ensinos de Paulo, a gente percebe que a gente não tá numa condição tão favorável assim. Então, a antropologia neotestamentária paulina é mais pessimista em relação ao que o ser humano é e é capaz de fazer do que o judaísmo rabílico, >> tá? Ah, uma pergunta clássica sobre a questão de eh evangelismo. Se para os calvinistas todos os eleitos serem salvos, independente do que acontecer, por que então evangelizar? Então, historicamente, nós temos exemplos negativos disso. A gente ouve falar na história de determinados grupos de pessoas que falaram: "Não, olha, as pessoas se elas são eh predestinadas, ele vão chegar aqui. A gente não precisa sair por aí fazendo muita coisa, né? Conta-se que William Carry, né, quando quis fazer missão, o seu pastor, o seu líder religioso teria dito isso, né? Ah, mas curiosamente muitos bons missionários na história da igreja eram calvinistas, né? Então, e então isso não necessariamente impede, né? É verdade que na maior parte dos casos as denominações reformadas são menos aguerridas em termos assim de ação evangelística do que historicamente tem sido os batistas, os pentecostais e os outros, né? Mas isso não é uma equação que você coloca a lógica o tempo todo. Muita gente que fez diferença, inclusive na história de das missões, eram pessoas de convicção eh calvinista. Então, uma das últimas aqui, talvez última, tem uma pergunta de caráter mais técnico. Se Lutero e João Calvino tivessem acesso aos estudos atuais sobre o judaísmo do segundo tempo, o senhor acha que mudariam alguma conclusão? >> Eu acho que eles iriam aperfeiçoar o pensamento. Acho que eles iriam rever uma série de coisas. eu acho que teria um impacto, né, que na verdade tem tido, né, sobre a comunidade protestante acadêmica que estuda com seriedade. E acho que faria diferença sim se tivesse um conhecimento mais aprofundado. >> Legal. Bom, pessoal, a gente já respondeu várias perguntas aí. Acho que a maioria das perguntas, alguma coisa ou outra a gente pode ter na sequência, mas gostaria de fazer um convite. Depois da aula aqui, a gente vai ter o a parte de discipulado, o encontro de discipulado da IBNU, como Saião também junto com a Suzi faz parte desse encontro que já começa às 20:30, então a gente vai eh encerrar a nossa aula de hoje e aí já a gente vai ter esse outro compromisso, mas a gente agradece todo mundo que esteve com a gente nessas duas aulas em especial desse tópico. Na semana que vem a gente vai continuar. Vamos falar sobre a teologia arminiana. E aí a a gente agradece tanto quem assistiu quanto saião aí pela aula também, por todos os esclarecimentos. Obrigado, Saião. >> Muito obrigado. Deus abençoe a todos e sempre é um prazer estar com a gente. Continue sintonizado no Macários e com a IBNio. Obrigado, Áila. Deus abençoe a todos. Boa noite. >> Boa noite pessoal. Até nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.