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Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 15 | Neo-Ortodoxia | Ákilla Nascimento

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 15 | Neo-Ortodoxia | Ákilla Nascimento

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Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 15: Neo-Ortodoxia
Ákilla Nascimento

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>> Muito boa noite para todo mundo que
chegou paraa nossa nova aula do nosso
curso Macários. Bom ter cada um de vocês
aqui no comecinho do nosso encontro e
também vocês que chegaram depois do
início, mas estão pegando a conversa do
começo. Eh, a gente está já na nossa 15ª
aula desse módulo do nosso curso
Macários. Como temos pessoas chegando e
pessoas continuando o curso, chegando
agora ou continuando de longa data, a
gente sempre faz essa introdução
situando onde é que essa aula e esse
módulo se encontra no curso que a gente
vem desenvolvendo desde o ano passado,
ano de 2025. a gente teve um ano inteiro
estudando a introdução à teologia ou a
teologia básica, conforme a nossa
proposta no início do curso, que foi
falar sobre teologia sistemática, a
doutrina, a parte de interpretação
bíblica com o panorama do Novo e do
Antigo Testamento, da ordem inversa do
Antigo e do Novo e também uma parte da
vida prática da igreja. Esse ano a
gente, de 2026, a gente continuou com a
estrutura de ter um módulo sobre cada
uma dessas áreas da teologia, mas a
gente deu um passo além daquilo que foi
uma abordagem mais básica. Então, nesse
módulo que está tratando um pouco de
teologia sistemática ou doutrina, a
gente está vendo como as várias
tradições cristãs
compilaram e sintetizaram o que entendem
seu ensino bíblico sobre os grandes
assuntos da teologia. Então, a gente tem
os vários sistemas teológicos, como a
gente já viu a respeito do luteranismo,
calvinismo,
armenianismo, dispensacionalismo e
vários outros que você pode ver aqui no
histórico dos nossos vídeos, na
sequência do nosso curso que já foi
estudado. Hoje a gente vai falar sobre
uma influência muito importante daquilo
que foi a teologia a partir da Alemanha
e da Suíça, como vários capítulos que a
gente já estudou, que se concentraram na
contribuição de teólogos desses dois
países, mas num período mais recente da
história, porque a gente tá falando
sobre em especial a teologia do século
XX para cá. E sobre o que é que nós
vamos falar hoje? neoortodoxia, como tá
no título aí do vídeo do YouTube e
também aqui na nossa no nosso slide, na
nossa apresentação. De uma maneira muito
breve e resumida, esse foi um movimento
teológico poderoso que surgiu nos anos
de 1920, ou seja, começo do século XX,
como uma reação ao liberalismo, que foi
o assunto da nossa última aula. Se você
não sabe exatamente o que foi o
liberalismo teológico, volta lá que essa
aula vai fazer muito mais sentido. Eu
diria que é um pré-requisito paraa nossa
aula de hoje. Eh, e esse é um movimento
então que reage contra o liberalismo,
desafiando pressupostos seculares e
reafirmando a centralidade da palavra de
Deus, a transcendência divina e a graça
soberana. Então, muito do que a gente tá
falando aqui está relacionado ao
contexto do século XX, como vai ficar
claro, e tem uma perspectiva, como boa
parte das nossas aulas, de uma teologia
histórica. Vamos lá.
A gente pontuou que no fim do período
que nós chamamos de Iluminismo, nós
tivemos a grande contribuição de Manuel
Kant eh, para aquilo que se tornou a
formulação mais madura do Iluminismo
durante o século X e o século século
XVI. Com Kant, a teologia sofreu uma
ruptura epistemológica radical. Que que
a gente quer dizer com isso? o
conhecimento racional de Deus foi
bloqueado. Então, lembra que existem
essas duas dimensões da realidade,
aquilo que é a dimensão do fenômeno e
aquilo que é a realidade luminosa.
E essa realidade do fenômeno pode ser
investigada e compreendida pela razão
humana. Mas essa realidade do que é o
núo, o luminoso, isso é é tão factual e
existente quanto o fenômeno, mas não
pode ser apreendido ou alcançado pela
razão. Seguindo o Shilemarer, que foi o
nome que a gente mais explorou, na
verdade o nome que a gente explorou na
última aula, falando sobre teologia
liberal. A gente tá considerando que
Kant deu a contribuição filosófica para
o pensamento iluminista e Schilemarra
foi uma contribuição teológica para o
liberalismo que veio como um uma
consequência do Iluminismo.
Seguindo Chilemar, o centro passou a ser
o sentimento e a experiência religiosa,
não mais a razão. Shilaemarra foi muito
influenciado por esse eh essa
contribuição cantiana de que não dá para
aprender Deus pela razão. Então ele
apela aquilo que chamou das afeições ou
do sentimento religioso dessa
consciência de Deus.
E isso como também uma influência que
Shilaemar sofreu daquilo que foi o
romantismo. Então tudo isso tá melhor
explicado na nossa aula anterior, mas a
gente está recapitulando isso porque a
contribuição
do da neortodoxia ou da teologia
dialética depende da compreensão desse
contexto. O que é que caracterizou esse
período que nós falamos na aula passada?
Um otimismo insustentável, o otimismo
liberal. O liberalismo estava imerso em
otimismo. A dialética regueliana
alimentava a crença no progresso. Cada
dia, de toda forma, estamos ficando
melhores. Então, a história tem um um
sentido determinado, um movimento eh
ascendente e o ser humano, ao longo da
história está aperfeiçoando aquilo que é
a sua natureza, a sua condição e também
a sociedade que ele constrói nas suas
relações comunitárias. Então, a
perspectiva regueliana de progresso é
justamente essa ideia de que a história
está em ascensão. Por isso, esse lema,
essa palavra de ordem, cada dia, de toda
forma estamos ficando melhores. A
humanidade era perfectível, ou seja,
poderia ser aperfeiçoada.
Deus trabalhava na história. Essa é a
perspectiva teológica influenciada por
esse pensamento. Se Deus atua na
história e atua de forma cumulativa, por
assim dizer, nessa visão regeliana de
história, isso quer dizer que depois de
18, 19 séculos, o que se espera é que
cada ser humano individual e as
sociedades, as culturas como um todo
estão em um processo de maturidade e de
aperfeiçoamento
muito mais evoluído do que era a
sociedade dos hebreus no período de
Moisés.
do que era o período do próprio Jesus no
século I.
Outra a característica desse movimento
liberal era ou foi a marginalização da
Bíblia. Isso muito mais como uma
consequência do que como um objetivo
deliberado. A Bíblia tornou-se objeto de
estudo histórico e não de revelação.
Aqui a gente precisa ser honesto que a
Bíblia continua sendo um objeto de
estudo eh
muito necessário e valioso nos círculos
teológicos, mesmo diante de uma
perspectiva liberal. A ideia não é que a
Bíblia deixou de ser estudada ou
avaliada, só que a Bíblia agora estava
aberta à crítica e ela deixou de ser
lida e examinada de uma perspectiva de
autoridade divina. Era um livro com
registro histórico que podia ser
avaliado como qualquer outro livro que
representava um período histórico. A
normatividade foi transferida para os
ensinamentos de Jesus. Daí as edições
com as letras vermelhas, talvez você
tenha uma na sua casa, que é aquela
Bíblia que tem todo o texto eh na cor
habitual preta, só que as palavras de
Jesus são destacadas em letras
vermelhas. Qual é a ideia? E tudo isso
surgiu de uma perspectiva liberal sobre
o ensinamento da verdade ou que é que
tinha autoridade divina? é que o texto
divino representa a história como
qualquer outro texto, só que aquilo que
tem poder de ser normativo para a vida
dos cristãos é aquilo que vem
diretamente das palavras de Jesus.
[limpando a garganta]
A teologia, então, ela foi reduzida à
antropologia. Nesse contexto, a Bíblia
foi perdida pelos teólogos.
A teologia do século XIX foi reduzida a
filosofia e antropologia. O moralismo
tornou-se o lema seguindo canto. O que é
que se quer dizer com a teologia perdeu
a Bíblia? é que se a Bíblia é um
registro histórico falível e sujeito a
todas as limitações, como qualquer outro
registro histórico, com contradições,
com imprecisões, com registro de fatos
que não aconteceram maneira como o autor
está retratando, porque o autor tinha
uma agenda política ou tinha uma memória
muito falha sobre os eventos, ou porque
ele passou a modificar os eventos.
por uma espécie de romantização da sua
memória. Então,
a Bíblia deixa de ser um referencial
absoluto que traz aquilo que é o
conteúdo da revelação de Deus. A Bíblia
deixa de ter esse papel de autoridade
que estabelece o que é norma para as
pessoas. E se os teólogos estão
preocupados com essas questões de o que
o ser humano deve fazer de acordo com
aquilo que é a revelação de Deus,
acessível à compreensão humana, a Bíblia
deixa de ter esse papel porque ela está
absolutamente marcada por essas
limitações humanas. E por isso existem
outras fontes mais seguras para elaborar
esse labor teológico, essa esse
pensamento teológico. E aí é onde se
passa a recorrer mais à filosofia e a
antropologia como fontes mais seguras
para desenvolver uma espécie de
pensamento moral que segue aquilo que
foi a argumentação de Kant de que existe
essa dimensão que é inacessível paraa
razão. Bom, liberalismo e
fundamentalismo, a gente tem a teologia
em conflito. Se o liberalismo chegou às
conclusões que a gente acabou de pontuar
no slide anterior,
como a gente também coloca aqui, com
base epistemológica no cantismo ou na
filosofia de Emanuel Kant, o liberalismo
reformulou as doutrinas históricas da fé
e tornou-se profundamente
antropocêntrico, aquilo que a gente
falou na parte final do slide anterior.
aceitou a mentalidade iluminista e
perdeu a proclamação cristã distintiva.
Se os teólogos passaram a desconsiderar
a Bíblia como esse texto que está
revestido de autoridade divina e na
verdade entende que a inclinação do
coração humano, o desejo de um
significado de existência, a
possibilidade do coração humano de fazer
juízo entre bem e mal, se todas essas
outras questões aqui de fato provém ou
providenciam um fundamento sólido para o
pensamento teológico. Então, eh,
a proclamação da mensagem cristã passa a
ser cada vez mais similar, mais próxima
aquilo que é o pensamento de outras
correntes e de outras outras formas de
pensamento que já estavam situadas no
campo da filosofia e da antropologia.
Essa foi uma das consequências
do Iluminismo, a sua influência sobre a
teologia que veio a formar o liberalismo
teológico. Só que houve a reação, a
reação, por assim dizer, se a reação no
meio teológico ao Iluminismo foi o
liberalismo, houve também essa ortodoxia
conservadora que estava fazendo uma
oposição às proposições do liberalismo.
A ortodoxia protestante encontrou lar na
tradição do senso comum escocês que veio
e do filósofo Thomas Wright em reação ao
ceticismo de David Hilm. Uma influência
que a gente um filósofo, um filósofo que
a gente não tratou em detalhes, mas que
teve um papel muito muito importante
também no pensamento iluminista.
Embora a ortodoxia conservadora
mantivesse continuidade doutrinária, a
teologia de Princington adotou um tom
racionalista e apologético, tornando-se,
paradoxalmente cativa dos pressupostos
iluministas que combatia. O que é que
essa eh esse parágrafo tão denso quer
dizer? é que você tem uma reação ao
liberalismo. Nós não estamos dispostos a
abrir mão da convicção de que a Bíblia é
a palavra de Deus.
Só que essa reação ao liberalismo, ele
eh segue uma tradição que também vem
como uma das expressões do Iluminismo,
que é essa tradição do Thomas Wides, do
senso comum. E essa tradição, ela faz
uma oposição direta a todas as
principais proposições do liberalismo
teológico. E nesse processo de ter uma
reação direta a tudo aquilo que o
liberalismo teológico é muito da
ortodoxia conservadora, passou a ser
definida como aquilo que ela não é. Nós
não somos liberais. E nesse processo,
ela não percebeu que a sua reação,
aquilo que eram as afirmações liberais,
também estavam baseadas numa espécie de
racionalismo apologético.
Ela acreditava que, por meio da razão,
ela poderia desprovar tudo aquilo que o
liberalismo estava afirmando. Só que
essa forma de apelar a razão como
principal fundamento para todas as
questões teológicas
é uma coisa que o Iluminismo ensinou aos
teólogos, aos filósofos, aos
antropólogos
e sem perceber de uma forma paradoxal
essa ortodoxia conservadora que estava
dizendo não a todas as consequências
iluministas sobre a teologia, ou seja, o
liberalismo teológico, na verdade estava
bebendo daquilo que era a influência do
próprio Iluminismo, ainda que por um
caminho diferente. Um caminho você tem a
tradição de David Hillm e em outro
caminho você tem essa tradição de Thomas
Wht. Essa bifurcação teve um impacto
profundo. Os dois modelos foram
construídos sobre paradigmas de
realidade mutuamente exclusivos. E essa
eh essa bifurcação é muito importante
pra gente entender o cenário que se
configura até os dias de hoje em vários
círculos teológicos. Alguns círculos são
fortemente influenciados pelo método
histórico crítico, tem uma aceitação
bastante abrangente das conclusões do
liberalismo teológico e outras tradições
entendem que eh elas conservam aquilo
que foi a convicção da igreja durante
muito tempo, mas de uma forma que é
bastante fundamentada nessas
características que a gente tá falando
da ortodoxia conservadora que passou a
ser classificado por muitos teólogos
como uma espécie de fundamentalismo.
Então você tem um um certo obscurantismo
também em alguns desses círculos do que
a gente tá chamando de ortodoxia
conservadora,
que desconsidera muitas das questões
relevantes sobre a construção do texto
bíblico, sobre a plausibilidade
histórica ou a avaliação histórica do
que está sendo dito ali. Os dois estão
eh frontalmente opostos nas suas
afirmações, ainda que estejam
intimamente conectados com aquilo que
foi a influência do Iluminismo. E aí
você tem uma terceira alternativa que é
a neoortodoxia, uma reação ao
liberalismo. A devastação da Primeira
Guerra Mundial, então a gente tá falando
de algo que começa em 1914.
extinguiu o otimismo ingênuo das
gerações anteriores. Lembre-se que é o
que a gente falou de maneira exaustiva
na aula passada e no começo dessa aula,
é que o liberalismo era impulsionado por
um otimismo muito profundo na natureza
humana e na condição das sociedades que
estavam nesse ponto elevado eh da
ascensão histórica. Com milhões de
mortos nas trincheiras da Primeira
Guerra Mundial, o mantra da bondade do
homem soava vazio. Foi desse contexto
que surgiu o protesto teológico. E quais
foram os principais nomes desse
protesto? Calbart. Ele foi o líder do
movimento e é o teólogo que a gente vai
ter condições de estudar hoje. Foi um
teólogo suíço que pioneiramente buscou
uma terceira via. nem capitulação ao
Iluminismo, nem uma rejeição total às
ideias iluministas. O outro foi Emil
Bruner, teólogo suíço, cofundador do
movimento conhecido pelo debate combate
sobre a teologia natural. O outro foi o
Nibur, principal representante americano
da neortodoxia com forte ênfase social e
ética. E o último também conhecido da
gente aqui no Brasil, que é o Bonofer,
teólogo alemão frequentemente associado
ao movimento conhecido por sua oposição
ao nazismo. Todos esses nomes são muito
importantes para compreender a
neortodoxia,
ainda que nós venhamos a estudar na aula
de hoje apenas o primeiro, que foi de
longe, o mais importante na formulação
da neorttodoxia.
Então, começando aí a nossa análise mais
detalhada sobre Cbart, sua história e a
sua teologia. Calbart, ele tem a
seguinte trajetória. Ele nasce na Suíça,
Basileia. Ele é filho de pastor eh
reformado suíço. Na verdade, ele é filho
e neto dos dois lados. Tanto seu avô
materno quanto o paterno, também eram a
pastores da Igreja Reformada Suíça, da
tradição calvinista, como a gente já
demonstrou. Suíça teve muitas
contribuições e influências eh durante o
período da reforma protestante, mas ele
faz parte dessa tradição da igreja
reformada
do lado calvinista. Eh, Bart era
considerado um dos maiores teólogos da
história da igreja ao lado de Agostinho,
Calvino e Lutero. Aqui está no passado,
mas isto é equivocado. É por muitos
ainda hoje Bart é considerado um dos
maiores teólogos da história da igreja.
Os seus estudos foram paripatéticos. Que
que a gente quer dizer com isso?
Paripatético era aquela escola de
filosofia que entendia que o pensamento
devia acontecer enquanto os filósofos
caminhavam. O andar era importante para
arejar as ideias e para formular
adequadamente o pensamento. E o que a
gente tá dizendo é que Bart andou por
muitas escolas teológicas diferentes no
seu na sua fase formativa.
A Berna foi onde ele começou esses
estudos, onde o seu pai era professor.
Lá ele estudou a filosofia de Kant e a
teologia de Chilaemar. Então veja que
Bart está fortemente associado a uma
educação liberal, liberal do ponto de
vista teológico. Ele bebeu dessas fontes
muito profundamente. Emim Berlim, ele
estudou outro nome muito importante da,
opa, bati aqui no microfone. Espero que
não tenha trabalhado aí. Ah, ele estudou
sobre a tutela de Adolf von Harnark, que
era o principal historiador eh e teólogo
do cristianismo na época em Berlim,
também bastante influenciada pelo
liberalismo.
Em Tubingen, ele estudou sobre Adolf
Schlatter, que era de perfil mais
conservador. E no fim ele foi para onde
ele queria ir desde o começo, quando ele
saiu de Berna, que foi Marburgo. E ele
estudou sobre a tutela de Will Herman, o
mestre teológico dos meus anos de
estudante, assim que Bart se refere a
Herman. Ah, já em 1909, aos 23 anos,
Bart publicou seu primeiro artigo
questionando o liberalismo. O
individualismo radical e o relativismo
histórico do liberalismo despojavam a
Bíblia de qualquer qualidade normativa.
A religião conhece apenas valores
individuais. Aqui é B chamando atenção
para o fato de que a religião da sua
época estava preocupadas preocupado
apenas com o indivíduo e o ser humano no
centro dessas eh preocupações
existenciais e preocupado apenas com uma
forma de vida moralmente aceitável.
A história conhece apenas verdades
gerais. Então, eh, ele está
demonstrando, eh, essa visão muito
reducionista daquilo que deve ser a
norma da vida cristã, a revelação do
texto bíblico quando todas essas coisas
são analisadas de uma perspectiva
liberal. E aí depois que ele tem a sua
formação nesses quatro centros que nós
mencionamos, ele ah passa por um período
muito importante de aproximadamente 10
anos em uma igreja pequena na Suíça, que
é Zafenville, uma igreja de pessoas
relativamente simples, mas que mudou
completamente a trajetória teológica de
Bart. Como pastores Zavenfield, perto
das fronteiras frances e alemã, Bart
descobriu que não tinha nada a dizer a
sua congregação. Imagine Bart, que já
era reconhecido por um intelecto muito
eh maduro e avançado, mesmo em uma idade
ainda tão inicial, ele tava com 23 anos.
Eh, quando ele se deparou com a demanda
de cuidar de uma comunidade, de
pastorear uma igreja, ele viu que ele
não tinha nada a dizer, tendo estudado
em quatro lugares diferentes. Com os
canhões da Primeira Guerra, ao alcance
do seu ouvido, ele de fato, literalmente
conseguia ouvir o barulho da guerra a
partir do escritório da sua casa, falar
de bondade do homem soava vazio. Ele foi
forçado de volta à Bíblia. onde ele
encontrou um mundo estranho e novo, como
a gente colocou, os lugares ou a maior
parte dos lugares de formação de Bart já
tinham e essa cultura de uma teologia
que estava fortemente dissociada do
texto bíblico. E essa teologia liberal
tinha uma convicção
muito profunda e arraigada na bondade
humana ou na possibilidade do
aperfeiçoamento humano. Só que já no
começo do século XX, a Primeira Guerra
Mundial estava eh eh estava destruindo
de uma forma irrecuperável essa
convicção, com tamanha ah
com com tamanha crueldade e com um
guerra assim tão visceral como foi a
Primeira Guerra Mundial, que ficou
conhecida como a Guerra das Trincheiras.
Então, foi um período de muita matança,
de muita crueldade, do aperfeiçoamento
do método não simplesmente para
produção, do aperfeiçoamento do método
não apenas para a eficiência no acúmulo
de conhecimento, mas o método como forma
de matar, aqueles gases, aquelas eh
formas de de
eh exercício do poder bélico em uma
escala até então desconhecida pela raça
humana. estilhaçou, fragmentou de uma
maneira total e absoluta essa convicção
de que o homem era de forma inata ou de
uma forma plenamente alcançável. Bom,
ele foi forçado então de volta à Bíblia
e quando ele voltou a estudar a Bíblia
com seriedade, com a necessidade de
cuidar da sua igreja, ele viu que ele
estava adentrando um mundo completamente
novo e desconhecido.
Bart descobriu um Deus transcendente
sobre a criação, oposto ao antropoteísmo
aprendido na formação teológica. Ou
seja, e esse eh essa elevação da
condição humana quase que a uma condição
de de divindade ou de uma bondade
divina. A influência de Bloomhar através
do seu amigo Thuren, ele estudou a
teologia escatológica de Bloomhards, a
irrupção do reino de Deus na história e
a vitória sobre as forças do mal. a
ruptura com o liberalismo. Quando 93,
olha que fato histórico importante,
intelectuais alemães, incluindo ex
professores de Cbart, endossaram a
política de guerra do Kaiser.
convenceu-se da falência do liberalismo
enquanto pastor e responsável por aquela
comunidade, percebendo que tudo aquilo
que ele passou boa parte da sua vida até
então estudando e aprendendo, não tinha
nenhuma pertinência para a necessidade
das pessoas da sua igreja. E quando
esses mesmos professores se alinharam
com uma perspectiva política que estava
justificando aquela guerra terrível que
foi a Primeira Guerra Mundial, Bart viu
que tudo aquilo que ele aprendeu até
aquele momento não tinha nenhum valor
real para sua vida de fé e para sua
vocação pastoral.
The Roman Behave. Eu não tenho ideia da
pronúncia correta dessa palavra, mas
esse é um ponto de inflexão
na trajetória de Cbart, que é quando ele
publica o seu comentário aos romanos.
Por isso que o título é não apenas o
título da obra em alemão, mas também
essa explicação, uma revolução
teológica. Esse é um comentário que teve
eh duas edições com uma perspectiva
consideravelmente distinta. A primeira
edição foi em 1918. Bart reconheceu a
validade do método histórico crítico,
mas afirmou que a inspiração protestante
operava em nível que buscava o
significado do texto. Para quem está
acostumado com o método histórico
crítico, isso é um fato óbvio, mas para
quem talvez não tenha tanta
familiaridade, é importante saber que eh
os mé o o método histórico crítico não é
apenas um método, mas um conjunto de
métodos. E aí você tenta reconstruir
histórias, histórias da formação daquele
texto, histórias do Sits in Laben, que é
o contexto vital que eh que motivou a
construção do texto, como a gente
encontra hoje. Eh, e várias outras
histórias que explicam a forma como o
texto chegou na sua eh formulação final.
Mas dificilmente o método histórico
crítico atribui muito peso e significado
para o texto na forma como a gente
encontra hoje. Ele tá tentando
destrinchar. Não, ó, o texto está assim
porque foi acrescentada aqui essa frase.
Não, Jesus está falando essas coisas,
mas ele não disse exatamente isso dessa
forma. Isso aqui foi Mateus que na hora
de escrever o seu evangelho por motivo
X, Y, Z colocou nesses termos, mas a
forma mais provável em que isso foi dito
foi dessa e dessa maneira. Então você
está sempre tentando regredir a um
estágio supostamente mais próximo aquilo
que foi ou foram as palavras originais
ou o contexto original em que essas
coisas aconteceram. Então você tá
tentando recuperar a realidade que está
escondida sobre o texto na sua forma
final.
E o que Bart tá olhando e percebendo é
que o que importa não é a maneira como
esse texto foi construído ao longo do
tempo, mas aquilo que é o texto que se
encontra na sua eh na sua condição final
hoje. E esse significado do texto é
aquilo que sempre foi importante no
conceito de inspiração protestante.
Então ele afirma que a a inspiração
protestante operava em nível que buscava
o significado do texto, olhando além da
história para o espírito da Bíblia, que
é o espírito eterno. Isso ele escreveu
ou a partir dessa perspectiva, ele
escreveu o seu comentário aos romanos em
1918,
4 anos depois, ah, em 1922 tem a segunda
edição dessa mesma obra. E a segunda
edição, essa sim, a primeira edição,
Bart ele quis publicar e teve
dificuldade. Quando ele conseguiu, ele
imprimiu ou a editora imprimiu apenas
1000 cópias. A segunda edição caiu como
uma bomba no Parquinho dos Teólogos.
Isso é uma frase que ficou conhecida.
Não sei de quem a autoria eh eh qual é a
autoria dessa frase, mas é uma máxima
que ficou amplamente conhecido na área
de estudos bíblicos e teologia sobre a
segunda edição do comentário de Bart na
carta aos Romanos. Eh, essa edição foi
fortemente influenciada pela filosofia
de Kickergart. Bart adotou a dialética.
Por isso que a neoortodoxia também é
conhecida como teologia dialética. O
paradoxo e a crise como metodologia.
Parte adotou a dialética, o paradoxo e a
crise como metodologia. A distinção
qualitativa infinita entre tempo e
eternidade tornou-se central. Daí uma
das afirmações conhecidas de Caart: Deus
está no céu e tu estás na terra. Ou algo
da mesma natureza. Deus é o totalmente
outro.
Se o liberalismo teológico trazia uma
ênfase muito forte e na perspectiva de
vários teólogos críticos ao liberalismo,
exagerada sobre o deus imanente, uma
espécie, na verdade, de imantismo, que é
a revelação não acontece
por uma interferência externa divina
sobre a história e sobre a criação, mas
na verdade acontece a partir da do
amadurecimento
e da manifestação da consciência humana.
Eh, a realidade divina se manifesta nas
relações sociais. Tudo isso condiciona
Deus a uma realidade imanente e bastante
antropocêntrica.
Na perspectiva de Bart, a ideia era
exatamente oposta ao perceber que Deus
era completamente transcendente. Deus
está no céu e tu estás na terra. Uma
citação muito importante do comentário
de Bart na carta aos Romanos é: "Não são
os pensamentos humanos certos sobre Deus
que formam o conteúdo da Bíblia, mas os
pensamentos divinos certos sobre os
homens. A Bíblia não diz como devemos
falar com Deus, mas o que ele nos diz. A
Bíblia não é o conjunto de pensamentos
certos dos homens a respeito de Deus,
mas os pensamentos divinos certos sobre
os homens. Então, veja que o ponto de
referência mudou e mudou profundamente
entre o liberalismo e a teologia eh
dialética ou a neortodoxia.
a uma afirmação do autor do livro que eu
utilizei aqui para a nossa aula de hoje,
que é a mesma referência que eu usei nas
aulas anteriores, que é o James Sawyer
no livro Uma introdução à teologia, ele
fala o seguinte, ó, a essa altura,
depois que Bart publicou a segunda
edição eh do comentário da carta aos
Romanos, a essa altura ele já estava
convencido de que toda a teologia era,
por assim dizer, um diálogo entre Deus e
o homem. fala e resposta, pergunta e
réplica. A fonte última dessa dialética
encontrava-se na encarnação,
no Deus homem, Jesus Cristo. Ele também
passou a reconhecer que toda a teologia
é fragmentária e imprecisa. Isso é uma
afirmação com consequências muito sérias
e muito importantes na maneira como o
teólogo enxerga o produto da sua própria
reflexão. Ele também passou a reconhecer
que toda a teologia é fragmentária e
imprecisa. A teologia é uma atividade
humana, uma palavra humana. E nenhuma
palavra humana pode expressar com
fidelidade a verdade divina. Somente
Deus pode realizar essa tarefa.
Bom, a partir desse momento, a gente vai
começar a entrar mais diretamente no
conteúdo do que Bart eh colocou, não só
no seu comentário aos romanos, como
também na outra obra muito importante
que é a dogmática cristã. Ah, mas tudo
isso a partir dos seguintes eventos
históricos que a gente esboçou aqui,
desde o ponto da ruptura com o
liberalismo até a resistência ao
nazismo. Em 1922, Bart rompe, ou seja,
período da segunda edição do comentário
de Bart a carta aos romanos. Bart rompe
definitivamente com liberalismo. Con
Schilaemarre, ele diz: "Não posso
considerá-lo um bom mestre em teologia".
Isso daqui é um movimento muito sério,
porque até esse ponto Bart tinha uma
foto de Mozart e de Schleemarer
pendurada no no seu escritório, na sua
sala de estudo, por considerar eh tão
importante a contribuição de Chileer até
aquele ponto que ele viu que era
impossível eh reconciliar o seu
pensamento com o liberalismo que ele
havia recebido até ali. Entre 22 e 23,
ele funda o jornal Entre os Tempos para
expor a teologia bíblica e opor-se a
versão liberal do Evangelho. Ele passa a
acreditar que
neutralidade política era impossível
e passa também a falar vigorosamente
contra o nazismo. A gente vai falar um
pouco mais sobre isso eh nesse ponto já
agora, ó.
Bart então a partir dessa perspectiva,
por conta de uma das influências
teológicas que eh fizeram CBART migrar
de uma posição liberal para uma posição
eh que veio a se tornar uma neortodoxia
por um eh
por um teólogo eh reformado que a gente
citou nos no slide anterior, acho que
foi lá no comecinho, eu não não gravei,
coloquei no slide, mas não gravei o
teólogo foi sugerido pelo do seu amigo e
que, enfim, passou a mostrar que o reino
de Deus já era uma realidade presente.
Ele passa a ter uma posição socialista
do ponto de vista político, só que o
socialismo tinha também uma grande
diversidade de um grande espectro dentro
dessa posição que era o socialismo. Mas
a maneira como o socialismo se
manifestou na Europa, eh, na Alemanha,
na verdade, após a Primeira Guerra
Mundial e como uma consequência
as duras eh imposições que o Tratado de
Versales colocou sobre a Alemanha, foi
esse socialismo nacionalista que veio a
ser eh o o
contexto político na qual a figura eh
a figura a de Hitler se estabeleceu e é
em relação a esse a essa forma de
socialismo e a essa interpretação
política teológica, porque esse era um
um discurso, o discurso do socialismo
nacionalista, o discurso de Hitler tinha
um um conteúdo fortemente político, mas
também um contexto um conteúdo
fortemente teológico.
É algo que a princípio Hitler achava que
não era tão relevante e não era
necessário se posicionar, mas depois ele
viu sim que era algo de uma consequência
devastadora pra igreja, que a força
desse discurso era crescente e que ele
precisava se posicionar em relação a
isso. Já em 1934,
então ele passa a ser o coautor da
declaração de Barmen com Bohofer, o
teólogo que a gente citou aqui no começo
da aula.
Essa é a declaração da igreja
confessante, que era a parte da igreja
protestante alemã que se opunha ao
nazismo em contraste com os cristãos
alemães, esse outro grupo que constituía
a maior parte dos cristãos alemães que
apoiavam Hitler. Esse é um fato que a
gente não pode minimizar em sua
importância. Eh, a maior parte dos
cristãos alemães durante o período da
Segunda Guerra Mundial e nos anos que
antecederam a Segunda Guerra Mundial
apoiaram a o socialismo, o socialismo
nacionalista, o discurso e a figura de
Hitler, uma das poucas lideranças,
juntamente com Borrofa e outros
teólogos, mas de maior expressão, esses
dois teólogos que constituíram uma
declaração e que tiveram uma fala eh
frontal e vigorosa
contra essa perspectiva de fé, de
evangelho, de igreja, foi justamente a
Diriz Ponhofer e em especial a Cbart. B
Hofer é mais associado com esse
movimento, entre outras coisas, além da
sua teologia, que é muita valiosa, que é
muito valiosa, pelo fato de que Bonfer
morreu por conta disso. Ele fez parte de
um grupo que eh que arquitetou um
atentado contra Hitler e que não foi
bem-sucedido. Ele foi pego, ele chegou
muito perto de conseguir matar Hitler,
mas a aquilo que foi a bomba que eles
tinham eh fabricado falhou. Ele foi
pego, ele foi preso e ele foi morto, se
eu não me engano, dois dias antes dos
aliados conseguirem derrotar as forças
nazistas. Então, Borrofer ficou lembrado
pela sua oposição que lhe custou a
própria vida ao nazismo. E também em
1935,
a Bart, que nesse período atuava na
Alemanha, recusa o juramento de lealdade
ao Furer e é removido de seu cargo. Ele
retorna à Basileia, onde ensina até 1962
o resto da vida, depois que ele sai da
Alemanha e vai paraa Suíça, é justamente
para ensinar na Basileia. e é o período
em que ele escreve a sua obra mais
extensa e certamente a sua obra mais
desenvolvida em termos de pensamento de
sua nova teologia, da teologia
neoortodoxa.
Ah, e qual é essa obra? É justamente a
dogmática da igreja. E aqui a gente
também vai falar da influência de
Anselmo sobre a elaboração dessa dessa
obra, o Church Dogmatics, né? na verdade
é dogmática eclesiástica, que veio, na
verdade, uma referência do título em
inglês, mas Bart concluiu que a sua
dogmática eclesi eclesiástica em esboço
de 1927 era muito existencial e ele
recomeçou toda a obra de uma perspectiva
diferente naquilo que veio se tornar a
dogmática da igreja.
O que que acontece? Ele primeiro escreve
uma obra que deveria ser uma espécie
assim de prolegômeno, de introdução para
uma obra muito maior que viria na
sequência, que ele estaria explicando
o seu ponto de partida, o seu método e a
sua perspectiva geral, os principais eh
as principais afirmações teológicas que
viriam a ser desenvolvidas nos outros
volumes. Essa foi a dogmática
eclesiástica em esboço. Só que depois de
terminar esse volume, que deveria ser o
ponto de partida para o resto do
trabalho, ele percebeu que ele ainda
estava sobre uma forte ou sob uma forte
influência do existencialismo. E isso,
talvez na avaliação de Bart ainda como
uma consequência das influências que ele
recebeu de sua formação inicial. Por
isso, ele recomeçou o trabalho do zero.
O fator controlador em todo o pensamento
teológico deveria ser a palavra de Deus,
não a filosofia. O que é que Bart
assumia como palavra de Deus? A gente
vai explicar. O seu cristocentrismo
cresceu ao longo das décadas a ponto de
Cristos de críticos, perdão, o acusarem
de cristomonismo.
O que é que se quer dizer aqui? é que a
doutrina de Cristo, que obviamente é a
doutrina distintiva do cristianismo,
passou a assumir um papel tão importante
na dogmática eh da igreja de Cbart, que
muitos dos seus críticos disseram que no
fim das contas a única coisa sobre a
qual ele escreveu foi a doutrina de
Cristo. Mas isso tudo como uma forma de
sinalizar e talvez até na crítica
reforçando aquilo que era o objetivo de
Bart de apontar que tudo estava
fundamentado
e toda a compreensão teológica razoável
dependia de uma compreensão e uma
aceitação da pessoa e da palavra de
Jesus. Qual foi a influência de Anselmo?
Anselma, a gente tá falando aí do
período ainda dos pais da igreja. Em
1930, Bart estudou Cordeus Homo de
Anselmo, resultando no livro Fidisquer
Intelectum. Anselmo ensinou a Bart como
a teologia deve ser feita. E como é que
isso deve acontecer? A fé busca
entendimento, movendo-se do conhecimento
intelectual a afirmação da realidade por
trás da palavra, de fé em fé. Existe uma
elaboração teológica mais profunda, mas
aquilo que Anselmo estava apontando em
sua obra e que passou a ter um uma
influência grande na maneira como a Bart
ele amadurece o seu método, é que a fé
ela não acontece a parte do
conhecimento.
E a fé, ela também não pode ser reduzida
a uma dimensão de conhecimento. Mas a
fé, mesmo no seu estágio inicial, possui
algum conhecimento real da pessoa de
Deus, da pessoa de Deus na revelação de
Jesus.
Mas a fé, quando ela nasce no coração
humano, ela convoca, ela exige dessa
pessoa um conhecimento aprofundado
da pessoa divina revelada em Cristo
Jesus. E tem como resultado nessa busca
de um amadurecimento do conhecimento, um
amadurecimento de fé. Então, é isso que
se resume nessa expressão que aparece no
texto de Romanos, de fé em fé. Essa é a
interpretação que Anselmo tinha e que
parte que Bart passa a assumir também
para o seu labor e para a sua busca
teológica.
Como a gente disse, a teologia de Bartin
é uma teologia da palavra. Tudo parte de
Deus, mas parte de Deus que se revela na
palavra. E o que quer dizer a palavra? A
palavra é a palavra revelada, ou seja, a
palavra encarnada, a saber, a pessoa de
Jesus.
É a palavra escrita e é a palavra
proclamada.
A palavra de Deus que se encontra na
pessoa de Jesus, que se encontra se
encontra nas Escrituras e que se
encontra viva no ato da proclamação. O
momento em que alguém prega
verdadeiramente o evangelho, é o momento
em que alguém revela a palavra por meio
da sua pregação.
Essa palavra nunca domesticada,
nunca se encontra sobretamente
ou em qualquer nível o controle humano.
Bart é muito enfático em dizer isso.
Deus não é o Deus que cabe nas nossas
definições e que se sujeita aos nossos
sistemas teológicos. A palavra de Deus é
aquilo que nos dá conhecer de Deus e
Deus nunca pode ser domesticado. Por
isso que a sua palavra, por isso que a
pessoa de Jesus e por isso que até mesmo
a pregação do evangelho nunca está
domesticado e sob o controle humano.
Bart tem uma completa rejeição à
teologia natural. O que é teologia
natural? Essa possibilidade de conhecer
a Deus a parte da revelação das
escrituras.
é aquilo que Deus dá a conhecer de si
mesmo na revelação geral, na natureza
criada, naquilo que são as inclinações e
a natureza do coração humano e tudo
aquilo que poderia ser experimentado
como ouvindo da parte de Deus, mas que
não está registrado nas Escrituras. Bart
rejeita que a teologia
possa alcançar um conhecimento real,
maduro e verdadeiro de Deus nesse tipo
eh de fonte, porque não reconhece isso
como fonte de revelação de Deus. Isso
entra em confronto direto com outro
teólogo que está nesse círculo da
neortodoia, que também rejeitou o
liberalismo e rejeitou o
fundamentalismo, que é o Bruner. contra
Bruner Bart respondeu comin, que é não
em alemão,
temendo que abrir espaço a teologia
natural comprometesse a supremacia da
revelação de Cristo, uma vez que o
liberalismo havia enveredado eh por esse
caminho de recorrer
a própria natureza humana, a própria
história das sociedades, a antropologia
e a filosofia como fontes fundament
mentais do conhecimento real de Deus e
da sua ação. E isso trouxe todo tipo de
consequência com a qual Bart está
rompendo nesse momento em que ele
publica o seu comentário aos romanos e
que ele desenvolve a teologia
neortodoxa.
ver que essa proposta de uma teologia
natural seria eh seria uma nova forma do
mesmo erro, seria uma nova variante eh
do mesmo equívoco e por isso ele rejeita
essa possibilidade de encontrar qualquer
forma de conhecimento real da parte de
Deus na teologia natural.
A, e a metodologia confessional. Todas
as coisas me são lícitas, mas nada,
exceto a palavra de Deus, me tomará
cativo. O que é que Bart está discutindo
quando ele faz essa afirmação?
É que ele não pode ter como ponto de
partida qualquer coisa que não seja a
palavra.
E novamente, a palavra é a Bíblia, é a
pessoa de Jesus e é a proclamação da
pessoa de Jesus, conforme a revelação
bíblica. Qualquer outro ponto de partida
se tornará um cativeiro e não uma
libertação do conhecimento falível do
ser humano. Eh, com isso ele está
querendo dizer que nós não podemos
partir da filosofia, nós não podemos
partir de um sistema de ideias
concebidos eh por outra fonte que não
seja a próprias escrituras. Para
compreender o Deus que é revelado nas
Escrituras, é preciso partir da palavra.
Isso não significa que Bart era
contrário ao uso da filosofia na
elaboração teológica, mas sim que a
filosofia não podia ser o ponto de
partida e a filosofia ou qualquer
sistema filosófico não podia ser o
critério absoluto e único do que é
verdade e do que é que deve ser apontado
eh como verdade no conhecimento de Deus.
Então, a filosofia ela não pode
novamente ser um cativeiro do pensamento
teológico. Por isso que, pelo menos
naquilo que era o desejo de Bart, ele
não era completamente
eh
adepto de nenhum de um único sistema
filosófico. E ele não era adepto de
nenhum sistema filosófico como a o
substrato no qual o solo no qual a
teologia deveria crescer. Esse era o
caso, por exemplo, de Chile Maher e esse
essa era uma das razões pelas quais Bart
rompe com eh Shilemaher, que foi o pai
do liberalismo teológico, por perceber
que isso leva a todo tipo de distorção
daquilo que é a revelação encontrada no
texto bíblico, para que encaixe, para
que o Jesus das Escrituras, o Deus
revelado na Bíblia, possa ser adestrado
pelo sistema teológico. que se adota
como sendo a regra interpretativa
absoluta e adequada. Qual é o legado de
Cbart? Bart dominou a teologia do século
XX com uma voz profética contra a
corrente do protestantismo
liberal, que até aquele momento
permanecia não desafiada. Sua obra
representa um retorno à herança
agostiniana da teologia reformada
tradicional. Quais foram os pontos que
permaneceram como mais influentes dessa
teologia? A transcendência radical de
Deus, a distinção qualitativa infinita
entre Deus e o homem. Deus está no
centro, Deus está no céu e tu estás na
terra como tema central da Bíblia.
Isso daqui, gente, pode ser aprofundado
de várias formas diferentes, mas uma
maneira que sempre me chamou atenção
quando eu leio um pouco sobre a teologia
de parte é um pouco essa ideia de que
não
é possível compreender a Deus pelo
princípio analógico. O que é que isso
quer dizer? é que quando a gente quer
explicar uma coisa nova e que até então
não era compreendida por parte daquele
que fala ou ainda é desconhecida por
parte daqueles que ouvem, nós usamos
comparação. O que que é um copo? O copo
é mais ou menos como um vaso que você
pode colocar um líquido. Então você
parte do antigo para conhecer um novo,
estabelecendo conexões, pontos de
contato, fazendo analogias. Por isso, o
princípio analógico. E o que Bart está
dizendo é: "Não existe ponto de contato
entre Deus e os homens. Eh, Deus é o
totalmente outro. Isso muito
influenciado pelo contexto em que Bart
se encontra. Essa essa revelação amarga
de que o homem é capaz de fazer
atrocidades muito piores do que ele
imaginou nos seus piores momentos.
Quanto mais aquilo que se imaginava no
tempo de Bart diante desse eh dessa
perspectiva muito positiva sobre a
natureza humana.
Cristocentrismo. Toda a teologia é
diálogo entre Deus e o homem. A fonte
última da dialética está na encarnação,
o Deus homem Jesus Cristo. Palavra de
Deus como centro. A teologia não se
fundamenta na experiência humana, mas na
palavra de Deus, revelada, escrita e
proclamada. Veja como isso é fortemente
eh contrastante
com a teologia de Shilaemarer.
Deus o levou para casa para o seu
descanso nas primeiras horas de 10 de
dezembro de 1968.
O grande pai da igreja da cristandade
evangélica, o único genuíno doutor da
igreja evangélica que a era moderna
conheceu, Thomas Torrence, sobre Cbart.
Thomas Torrence é um teólogo sistemático
bastante influente nos nossos dias.
Reconheceu que o grande teólogo do
século XX, o único doutor da Igreja
Evangélica Moderna foi Caart. O que é
curioso, quebr nunca eh
nunca fez um doutorado, apesar de ter
estudado em várias escolas na sua parte
do que seria equivalente à nossa
graduação, ele nunca perseguiu o título
de PhD de doutor em teologia, ainda que
seja amplamente reconhecido como o maior
doutor em teologia do século XX.
Eh, de forma mais rápida aqui a
características desse método teológico
que foi a dialética. O método associado
a neortodoxia é a dialética. Bart e
Bruner chegaram a ele de forma
independente, fundamentando nas
escrituras.
Eh, esse método assume uma diferença
qualitativa infinita entre Deus e a
humanidade. Aquilo que a gente acabou de
explicar na transcendência, na ausência
de pontos de contato entre Deus e a
humanidade. Por isso, a verdade não pode
ser expressa analogicamente, mas em
afirmações aparentemente paradoxais. Se
Deus é o totalmente outro, se a
transcendência de Deus é o que marca a
forma adequada de pensarmos sobre a
natureza de Deus. Então, quando nós
falamos de Deus na perspectiva
dialética, naturalmente ou
inevitavelmente, nós iremos cair em
contradição ou de forma mais precisa,
nós vamos nos deparar com paradoxos, que
são realidades,
eh, afirmações
distintas, verdadeiras e
irreconciliáveis,
justamente porque Deus não pode ser
plenamente conhecido ou verdadeiramente
conhecido simplesmente pela comparação
com a natureza humana e com as condições
e a realidade da criação que ele mesmo
fez, porque ele é distinto da sua
criação, ele é distinto das suas
criaturas. Então, existe algum aspecto
aqui que possa se falar a respeito de
Deus, que transmita alguma verdade. Mas
quando a gente olha de outro ângulo essa
mesma realidade, a gente vai chegar a
uma outra conclusão que talvez também
preserve alguma verdade, mas que é
contraditória com a nossa primeira
afirmação. Daí o surgimento de paradoxo.
Por exemplo, alguns nós estamos muito
habituados, é muito familiarizados,
outros não. Transcendência e revelação.
Deus é absolutamente transcendente. Deus
é novamente absolutamente distinto da
sua criação. Mas ele se revela.
Deus não pode ser simplesmente conhecido
pela comparação com as suas criaturas,
mas ainda assim ele consegue falar com
as suas criaturas. Ele consegue dar-se a
entender as suas criaturas.
Cristo é Deus e homem ao mesmo tempo.
Essa aqui é uma afirmação do conhecida
em especial pelo credo de Calcedônia,
que todos nós que fazemos parte de uma
tradição mais eh conservadora
daquilo que é a ortodoxia cristã, eh
estamos não só plenamente abertos para
essa realidade, como entendemos que é
uma das afirmações mais fundamentais
sobre a natureza de Cristo. Jesus é
plenamente divino e plenamente humano.
Como é que você explica isso do ponto de
vista lógico? Não dá. Você pode explicar
um aspecto que é porque é que cremos que
Jesus é divino, outro aspecto porque é
que cremos que Jesus é humano, mas não a
reconciliação
entre essas duas afirmações, entre esses
essas duas dimensões que compõem a
natureza da mesma pessoa.
Fé tanto dom quanto ato. Essa é uma
outra questão que cai nos vários dilemas
que nós analisamos. quando estudamos
calvinismo e depois a teologia wesleiana
arminiana. A fé é tanto dada por Deus e
todos os calvinistas diriam, mas é
exercida pelo homem. Aqui os nossos
amigos armenianos é que estariam mais
dispostos a concordar.
A fé é uma dádiva, é algo que vem do
alto, mas ao mesmo tempo a fé é algo que
é exercida e está no campo da escolha
humana. O homem é tanto pecador quanto
livre. Numa relação direta com o aspecto
da fé enquanto dom e ato que a gente
acabou de afirmar. O homem é corrompido
pelo pecado. A sua natureza é manchada
pelo pecado. A inclinação do seu coração
é para o mal. Mas ao mesmo tempo, a
Bíblia não permite que a gente olhe para
o homem simplesmente como a consequência
de uma programação
pré-fabricada. Eh, o homem não é visto
como uma máquina, como um autômata. O
homem é responsável porque o homem até
certo ponto, é livre para tomar as
decisões que tomou. Então, se por um
lado nós concordamos com Paulo na sua
afirmação e entendemos que na verdade o
que Paulo está dizendo é que em Adão
todos pecaram,
nós também ouvimos a voz de Pedro que
conclama aos homens ao arrependimento,
eh, colocando na mão dos homens a
responsabilidade de crer ou não crer na
proclamação que estava sendo realizada.
Eternidade no tempo. Ono entra na
história em Cristo.
Nós não conseguimos compreender na sua
plenitude o que é que aconteceu na
encarnação de Jesus.
Como é que o criador que fez céus e
terra, que criou os mares, as montanhas,
o planeta,
o sol, as estrelas, as galáxias, os
buracos negros, o universo inteiro. E
esse criador que é maior do que toda a
sua criação coube no corpo de um homem
que dormiu dentro de um barco, no meio
de uma tempestade, e que estava sujeito
a ser morto por uma tempestade, estava
sujeito a ser morto eh por uma cruz,
como de fato ele foi crucificado naquele
madeiro. Não cabe naquilo que é a nossa
compreensão lógica e silogística,
aristotélica da realidade. Entender como
é que eh Jesus em toda a sua grandeza
coube dentro de um corpo humano. O
Cristo coube dentro de Jesus, por assim
dizer, assim como a eternidade coube
dentro do tempo. A gente entende que,
por exemplo, Jesus no seu corpo
glorificado é as primícias ou é a
premícia daquilo que viria na plenitude
dessa colheita. Ele é o primeiro corpo
que já não está mais sujeito à morte. Ou
seja, ele é o primeiro corpo que já é em
si mesmo a eternidade. O tempo já não
consome o corpo de Jesus, já não tem
efeito sobre o corpo de Jesus como tem
sobre o resto da criação. Então, não
apenas a encarnação, mas a ressurreição
de Jesus é uma irrupção no tempo
presente daquilo que é a eternidade em
sua plenitude.
É isso mostra pra gente como a Bíblia
descreve uma realidade muito mais
complexa
do que simplificações doutrinárias
de um sistema teológico até mesmo
ortodoxo, mas talvez eh
simplificador em demasia costuma nos
afirmar deus um totalmente outro. Ele
fala sobre essa transcendência radical,
e a gente já falou bastante sobre isso,
eu não vou dar tantos detalhes aqui, e
também sobre essa rejeição da teologia
natural que a gente já comentou.
Revelação encontro: todos os teólogos
neortodoxos rejeitaram a inspiração
verbal e a inerrância das escrituras.
Esse é um ponto eh pelo qual muitos
teólogos conservadores rejeitam a
neoortodoxia,
porque Bart, assim como os demais
teólogos neortodoxos, rejeitaram essa
teoria de inerrância que está ligada à
inerrância verbal. Se você não sabe
quais são as várias correntes da
doutrina da inerrância bíblica, vai lá
no Macários 1, quando a gente fala sobre
doutrinas, tem uma aula sobre
inerrância. E eu dei essa aula, então eu
lembro que a gente falou sobre as várias
correntes diferentes de pensamento.
Eh, a oposição de Bart não era
simplesmente
quanto à autoridade das escrituras. A
gente já mostrou muito claramente que
era central para ele a autoridade da
palavra. Mas o que ele rejeitou foi essa
inspiração verbal em que o texto bíblico
ele foi inspirado pelo Espírito Santo
palavra a palavra. verbo a verbo,
partícula a partícula. Ou seja, se o
texto bíblico faz menção a um número, é
impossível que esse número esteja
errado. De quantas pessoas morreram numa
batalha, de que em que ano aconteceram
esses eventos, eh, de que ordem, em que
ordem se sucederam essas coisas. Então,
essa compreensão de uma inspiração
verbal é rejeitada por Bart. Qual é a
afirmação dele? A Bíblia é testemunha da
revelação, não é a revelação em si
mesma. Jesus é a revelação de Deus. A
Bíblia dá testemunho a respeito de
Jesus, mas a Bíblia não é a revelação de
Deus em si mesma, é a testemunha sobre a
revelação. Deus se revelou aos autores
bíblicos que escreveram sobre seu
encontro com ele ao ler Deus e que
escreveram sobre seu encontro com ele,
com Deus. Ao ler, Deus usa o texto para
se revelar ao leitor. Deus se revela à
pessoa de Jesus.
Deus se revela aos autores bíblicos. Os
autores bíblicos escrevem o texto sob
essa inspiração, ainda que a inspiração
não atue no verbo, na partícula, no
substantivo, ponto a ponto. Só que
quando você e eu lemos a Bíblia, Deus
utiliza esse texto, ainda que possa
conter contradições e equívocos nesse
texto, Deus utiliza esse texto para
trazer a revelação a você. Deus se
revela em Jesus. Deus se revelou nos
autores. Os autores escrevem o texto que
não é a revelação em si, mas quando você
lê, Deus utiliza esse texto para se
revelar a você. A Bíblia como livro
humano para Bart a Bíblia é humana,
falível e historicamente condicionada.
Eh, é legítima. A Bíblia é legítima para
o estudo crítico. Então essa é a ideia
de parte de discordar do liberalismo,
mas dizer que o estudo crítico pode ser
feito sobre o texto em si mesmo.
Afirmar a inerrância verbal do texto
bíblico seria uma bibliologia docética.
O que que é o docetismo? Essa ideia de
que Jesus era divino, mas tinha apenas a
a aparência humana. Então ele tá
aplicando essa categoria a uma espécie
de postura de adoração do texto que
parece ter sido escrito por seres
humanos, mas na verdade não tem nada de
humano. Não tem nada a ver com todas as
eh limitações que Paulo tinha, com todas
as possibilidades de erro que Pedro
tinha. Na verdade, é como se fosse o
próprio Espírito Santo escrevendo aquele
texto apenas utilizando a mão de Pedro,
de Paulo, de Tiago, de João. Apesar
disso, Bart raramente acusou a Bíblia de
um erro real. A voz do Mestre. Cristãos
reconhecem a voz de Deus nas Escrituras,
apesar de imperfeições.
A lâmpada e a luz. A Bíblia é a lâmpada.
A palavra de Deus é a luz. nessa ideia
de instrumento e eh e do produto e da da
consequência do uso desse instrumento ou
do objetivo do uso desse instrumento,
que é a luz. A lâmpada é necessária, mas
não é a luz, é o meio. A identificação
entre revelação e texto é indireta. Deus
é soberano mesmo sobre o texto objetivo.
E esse texto objetivo, novamente, pode
ter erros e equívocos, mas o Deus que
utiliza esse texto não é não é sujeito a
erros e equívocos.
Eh,
Bart, ele continua com uma concordância
plena com a cristologia de Calcedônia. A
neortodoxia situa-se dentro da ortodoxia
calcedônia. Jesus Cristo, o Deus homem
plenamente humano e plenamente divino.
Bart afirma o nascimento virginal e
intitula a sessão da encarnação o
milagre do Natal. Sua visão da expiação
é radicalmente objetiva. Pela morte,
Jesus garantiu a reconciliação de toda a
humanidade com Deus. posição que contém
sementes de universalismo que Bart
recusou a firmar explicitamente. O
pensamento de Bart é longo, em muitos
momentos é denso e bastante complexo.
Então, existem muitas e especulações
sobre o que Bart realmente estava
querendo dizer naquela ou naquela
passagem, em especial nas passagens em
que ele parecia entrar em conflito com
algo que a ortodoxia mais eh
conservadora habitual, em especial nos
círculos mais fundamentalistas, diziam:
"Quanto à ressurreição corporal,
gostaria muito de enfatizar esse ponto.
Arte distinguiu eh historie. É uma
palavra em alemão, então não é essa
pronúncia, mas historiável,
é aquilo que pode ser avaliado pelos
historiadores. Ehirt é o significado
interior, é a ideia da história
revestida de significado teológico. O
que é que esses eventos nos revelam
sobre Deus? Ele distinguiu entre essas
duas coisas, história verificável e
significado anterior, mas ele foi
adamantino, transparente, ele foi eh
livre de qualquer dúvida. A ressurreição
aconteceu no espaço e no tempo, ou seja,
aconteceu em corpo. Tudo isso é
importante ressaltar por alguns críticos
de Bart até hoje, eu acabei de assistir
um vídeo hoje de tarde, enquanto ainda
estava preparando aqui os slides da
nossa aula, de um teólogo brasileiro
amplamente conhecido, afirmando que os
teólogos ainda discutem se Bart
realmente acreditava na ressurreição,
literalmente na ressurreição do corpo,
não. Ao meu ver, isso é um equívoco,
isso é uma representação injusta daquilo
que foram as afirmações de Bart e um
realismo bíblico nos Estados Unidos, o
ensino de Nib foi chamado de realismo
bíblico, uma rejeição da negação liberal
do pecado e reafirmação da depravação
humana radical, mais fiel ao testemunho
bíblico e agostiniano do que o próprio
evangelicalismo americano. Enquanto o
liberalismo pressupõe a continuidade
entre Deus e o homem, Bart, Bruna e
Níbor desafiaram isso com veemência.
O homem está em estado de rebelião. Ele
é impotente para se salvar. A
neortodoxia
reafirmou o agostinianismo.
Uma das consequências a da obra de
Cubart foi novamente resgatar o texto
bíblico como fundamento paraa teologia e
daí veio o movimento da teologia
bíblica. Algo muito recorrente nas
explicações que damos aqui nas nossas
aulas do Macários nos outros cursos da
IBNU. Concorrente à neorttodoxia, o
movimento de teologia bíblica
compartilhou suas pressuposições, uma
revelação centrada em Cristo e a Bíblia
como testemunha dessa revelação
histórica. Eh, apoiava, se saiu errado
aqui a palavra, contra
eh o liberalismo e também o
fundamentalismo em 1919.
Então, uma cronologia do movimento da
teologia bíblica. Você tem a publicação
da primeira edição da carta, do
comentário de parte a carta aos romanos,
iniciando a revolução nos estudos
bíblicos. 1930, as obras de Eodicher
Robinson e Dod, o C Dodge, esses dois
últimos no mundo anglófono e o os dois
primeiros no mundo da teologia alemã. de
45 a 65, o apogeu do movimento no
pós-guerra a produção de obras
essenciais, como o Theological
Dictionary of the New Testament, do
Kittel e vários outros contribuidores,
né? A, o Kitel foi o editor dessa obra.
é uma obra magistral, acessível ainda
hoje. E eu particularmente já usei
várias vezes e sei que meus colegas
aqui, meus colegas pastores e
professores da IBNIL também já
utilizarem muitos dos seus trabalhos,
aulas e pregações. E se você entra no
mundo dos estudos bíblicos, é impossível
em algum momento você não se deparar com
os verbetes do dicionário de teologia do
Novo Testamento, que foi o apogeu desse
movimento. Hoje o movimento morreu, mas
a teologia bíblica como disciplina
permanece essencial. Uma coisa é o
movimento, uma organização formal de
teólogos em torno de uma série de
princípios. Outra coisa é o legado que
esse movimento deixou. Isso continua
vivo. A chave do movimento foi revelação
na história. A Bíblia como unidade em
diversidade, unida pela revelação
ocorrida na história. Reconheceu-se,
porém, a limitação do método histórico
crítico. Standal propôs a distinção
entre o que o texto significou e o que
significa. Isso aqui são minúcias que a
gente não vai poder entrar.
Mas então, para resumir essa aula que
foi mais longa do que o habitual, mas eu
sabia que ia precisar ser mais longa,
algumas contribuições e críticas à
neortodoxia. Contribuições.
Cbart em especial, perdão, Cbart em
especial eh foi uma das figuras mais
importantes no século passado para
recuperar a centralidade da Escritura.
Ele reafirmou a seriedade da mensagem
bíblica após séculos de negligência
teológica e crítica histórica. Dois,
transcendência de Deus corrigiu o
imanentismo liberal, reconhecendo Deus
como o Senhor soberano, santo e
totalmente outro. O mundo, o homem e a
criação não podem ser explicados
simplesmente pelas dimensões humanas,
pela razão humana. pela inclinação e
pela moralidade humana ou por aquilo que
nós poderíamos alcançar pelos nossos
esforços, mas depende desse Deus que é
completamente diferente e sua revelação.
Realidade do pecado reafirmou a
depravação humana radical, reproduzindo
mais fielmente o testemunho bíblico e
reformado. centralidade de Cristo
reafirmou a doutrina histórica de Jesus
Cristo como o deus homem da ortodoxia
calcedônia. Críticas à neortodoxia,
também a transcendência radical. Em sua
reação, Bart foi além do testemunho
bíblico para muitos autores, ao negar a
revelação natural. No final da sua vida,
ele reconhece que há luzes menores, há
vislumbres da verdade que estão na
revelação da natureza, mas que não são
suficientes para alcançar um
conhecimento
profundo ou pleno de Deus, como é
disponível na palavra. Compreensão
limitada da revelação. Ele rejeitou a
revelação proposicional, optando por um
encontro pessoal, criando uma falsa
dicotomia.
Objetividade radical. O universalismo
implícito na obra de Bart, embora não
afirmado, compromete a liberdade humana.
Essa, como a gente, como a gente
colocou, é uma questão que Bart nunca
falou explicitamente, mas que eh em suas
obras abriu espaço para que houvesse tal
compreensão.
Contexto existencialista. Sua forte
contextualização no existencialismo do
século XX limita seu impacto atual, seu
impacto cultural atual. É, é só uma
crítica sobre a crítica. Quanto a esse
último ponto da crítica que é feita a
teologia de Cubart, a gente precisa
reconhecer que somos todos filhos do
nosso tempo. Estamos todos condicionados
pelas questões que são relevantes em
nossa época, ainda que aquilo que a
gente fale possa ter relevância em
outros contextos. Originalmente, aquilo
que a gente falou foi motivado pelo
mundo em que a gente habitava. Então, eu
entendo que, de fato, muito do que Bart
falou estava eh
estava sob a influência do século XX, um
século marcado por muitas mudanças,
mas isso não esvazia aquilo que é a
relevância da sua afirmação para ou a
forma de pensamento, a maneira como ele
reagiu aos dilemas de sua época. para
aquilo que são os nossos dilemas e a
nossa condição hoje. Tá bom? Bom,
pessoal, como eu disse, essa foi uma
aula um pouco mais longa na parte
expositiva do que as outras aulas, mas
eh foi necessário porque é um assunto
relevante pra gente entender a teologia
do século XX, complexo, porque não está
dentro desses dois lados da da
polarização teológica ou liberalismo
teológico ou uma ortodoxia
pré-iluminista em muitos contextos, até
mesmo uma ortodoxia um pouco
obscurantista, é uma alternativa a esses
dois caminhos e, por isso demandava um
uma explicação um pouco mais minuciosa
pra gente hoje aqui, tá? Vamos aqui pro
chat, vamos ver se tem mais alguém que
queira fazer uma pergunta, tirar uma
dúvida. Bom, boa noite aí pro pessoal
que eu não dei no começo, né? O Fred, o
Samuel, a Ana, Terezinha, a Cátia,
Fernando, Saião, Manuel, várias pessoas
chegando, chegando aqui paraa nossa aula
desde o começo. A, a Sandra também acho
que já tinha dado boa noite para Sandra,
o Paulo, o Eli, enfim, vamos lá. Deixa
eu ver se tem alguma pergunta aqui.
Uma pergunta do Marcos, sempre atento
aqui às nossas aulas. Professor,
parabéns pela aula. Tenho o livro Carta
aos Romanos de Bart. Eh, a obra possui
mais de 800 páginas. Você acha que é o
melhor comentário que temos dar carta
aos romanos? Olha, Marcos, a carta aos
Romanos é uma das cartas mais estudadas
da história cristã, uma das cartas mais
comentadas, tanto pela academia
contemporânea, quanto pela tradição que
veio desde Agostinho, que passa por
Lutero, por Calvino, por vários
comentaristas do século XX e também
obras importantes de comentário do
século XX. De uma perspectiva histórica
para o século XX, certamente o
comentário de Bart a carta aos Romanos,
é a obra mais relevante relacionada a
esse livro. Agora,
é uma obra de um perfil muito diferente
daquilo que seria um comentário eh
exegético da carta para os padrões
atuais, para os padrões contemporâneos.
tem muitos estudos contextuais,
históricos e literários que aconteceram
após a escrita do comentário de Cbart,
que eh tornam pertinentes esses
comentários mais recentes que estão
priorizando esses aspectos, essas
questões exegéticas.
Então, ainda que Cbart tenha sido assim
um visionário, como a gente colocou no
nosso slide, uma voz profética para o
século XX, a maneira como ele escreveu o
seu comentário, a carta aos Romanos,
ainda está fortemente ligado à maneira
como o pensamento da teologia do século
XX funcionava. Então você tem um tratado
teológico de questões filosóficas
pertinentes àquela época, muito mais
marcado do que, por exemplo, o
comentário aos romanos que você vai
encontrar eh do do Anity W, que eu
utilizei, que eu achei um excelente
comentário e que já é do começo do
século XX. eh, provavelmente o mesmo
autor teria escrito diferente agora esse
comentário. Ou outros comentários
bíblicos, como a a gente tendo Douglas
MU, que é um comentário também
excepcional de uma perspectiva diferente
do Thomas Schrin, outro teólogo eh
contemporâneo que tem um perfil
exegético muito aprofundado. Então,
todas essas são contribuições muito
boas, de perspectivas diferentes e, eu
diria que complementares a nossa
compreensão de um texto tão rico como é
Romanos. Tá bom?
Qual utilizado na aula, professor? Acho
que é qual livro utilizado na aula? É
uma introdução à teologia do James
Sawyer, como a gente já comentou ao
longo da aula. É, o Fred corrigiu a
pergunta aqui no na mensagem seguinte,
tá? Então, já citei aí a fonte.
A Fernanda elogiando muito meu alemão.
Até pensei que o senhor era alemão,
professor. É verdade. Dá para perceber
pela minha pronúncia e por essa minha
minha cara de alemão aqui, né, Fernanda?
Valeu pelo encorajamento. Senti um pouco
de ironia, mas tudo bem.
Vamos ver aqui.
Uma pergunta difícil que certamente
demanda uma resposta histórica e
teológica mais eh sofisticada do que eu
tenho condições de dar. Mas farei meu
comentário. Professor, por que alguns
cristãos apoiaram o nazismo? Eles também
foram a favor de matar os judeus.
Obrigado.
A gente precisa considerar que o
antissemitismo é uma realidade muito
anterior ao século XX. Os judeus eles
peregrinaram e eles eh
eles migraram entre países europeus
durante séculos, enfrentando uma
realidade de discriminação e de rejeição
em outros momentos de maior integração e
aceitação em vários momentos diferentes,
não só durante o século XX, mas
honestamente desde a destruição de
Jerusalém no ano 70, depois desde a
grande guerra que acontece entre 132 e
135 depois de Cristo. Então, essa é uma
história muito antiga da migração dos
judeus ainda no período do Império
Romano, mas olhando mais próximo aqui
para o século XX e tentando entender o
nazismo, eh, nos séculos que antecedem o
século XX, eh a história de restringir a
circulação
dos judeus aos guetos, a moradia dos
judeus aos guetos, impedimento de
atividades comerciais, a compra de
terras, a limitação na ocupação de
vagas,
eh, públicas, de posto público ou de
universidades, no período mais recente.
Quer ver um fato interessante? No século
passado, nos Estados Unidos, durante
pouco antes durante do período da
Segunda Guerra Mundial, [roncando] um
fato é que eu não conheci até pouco
tempo atrás é que Harvard ela limitava
o número de vagas que poderiam ser
ocupadas em suas cadeiras por estudantes
judeus. Eu descobri isso lendo a
biografia do físico Openenheimer, né?
Ele ele estudou em Harvard na sua
graduação, eh, mas teve que lidar com
essa realidade.
Ah, então o o que a gente percebe é que
o antissemitismo é um fenômeno antigo, é
um fenômeno que não estava restrito
apenas à Alemanha e tem raízes bastante
complexas.
Mas na Alemanha essa história também é
antiga. Infelizmente a gente tem textos
do Martinho Lutéo que apoiava uma
postura antissemita. Não porque Lutero
era especialmente depravado ou era
especialmente eh
e eh eh tinha uma uma
desaprovação excepcional
em relação aos judeus. Mas porque o
próprio ambiente que Lutero vivia já
tinha normalizado uma postura de
desconfiança com judeus, entre outros
motivos, por argumentações teológicas
equivocadas, mas argumentações
teológicas de que os judeus era um
impedimento para a expansão do
cristianismo, que os judeus é que eram
os verdadeiros culpados pela morte de
Jesus. Quando a gente encontra essa
Alemanha entre as duas guerras mundiais,
o período em que o o nazismo cresce e a
a retórica nazista ganha espaço, a gente
encontra uma Alemanha devastada pela
Primeira Guerra Mundial, eh uma Alemanha
massacrada pelo tratado de Versalhes e
agora o discurso de um líder
carismático,
eh, arrebatador em sua
oratória
e que convencia os alemães de que a a
Alemanha poderia ser grande novamente,
de que ela não só poderia recuperar sua
economia, como já estava recuperando
parte da sua pujança econômica,
eh, militar sob a liderança de Hitler e
que conseguiu convencer os alemães de
que a Alemanha estava se recuperando,
iria se recuperar e se tornaria
novamente uma potência mundial, porque
Deus estava do lado deles. Então, era
uma interpretação regueliana da
história, como a gente já colocou até
certo ponto, na perspectiva de que Deus
é que era o responsável
pelo eh pelo pelo
pela ascensão que a Alemanha
experimentaria nos próximos anos a
partir da liderança de Hitler. Então, a
gente tem um discurso que envolve o
orgulho nacional, que envolve a
teologia, que era a religião eh oficial
da Alemanha, como é até hoje, mas é um
estado muito mais influenciado por
forças seculares hoje e por uma
laicidade hoje do que era na época eh
entre guerras, né, na época em que
Hitler ascendeu ao poder. E você tem é
esse discurso triunfalista que captou e
que capta o coração da igreja até hoje,
de muitas maneiras, quando entende que o
reino de Deus é um reino como os outros
reinos. é um reino que se estabelece
pela força, pelo domínio político, pelo
domínio das posições de poder. Então,
eh, eu acredito que essas foram
condições que tornaram a a realidade
amarga do alinhamento entre a Igreja
Luterana alemã e o discurso eh nacional
socialista, algo tão próximo. que sim,
tiveram muitos eh cristãos que sabiam e
lideranças cristãs, pastores, que sabiam
o que estava sendo feito nos campos de
concentração e que apoiaram eh a solução
final, né, que apoiaram o holocausto.
Vamos ver aqui.
Bom, eh, eu não estou vendo mais tantas
perguntas sobre o conteúdo da aula, mas
comentários e perguntas sobre eh aquilo
que a gente acabou de comentar quanto ao
nazismo. Claro que isso tem uma
pertinência, porque o contexto em que
Bart escreveu as suas principais obras
foram durante ou após a Segunda Guerra
Mundial. E aquilo que houve nesses
eventos terríveis da Primeira e da
Segunda Guerra Mundial foram motivações
das mais básicas e fundamentais para
Caart recrever e reinterpretar a sua
teologia, as escrituras e a revelação de
Deus na pessoa de Jesus.
Eh, então, a entaminhe
para uma discussão sobre a relação entre
a igreja e o nazismo, mas eu eu gostaria
de enfatizar aquilo que foi a resposta
de Bart recuperação de algumas ênfases e
tônicas da teologia cristã, que é
justamente uma delas compreender essa
profunda falibilidade humana
e essa profunda corrupção do coração
humano. O fato é que a luz da
interpretação não só de Cbart, como de
muitos teólogos que não são neortodoxos,
o ser humano, cada um de nós, somos
capazes de fazer muito
eh mais
mal e infligir muito mais dois
sofrimentos sobre os outros do que nós
pensamos nos nossos piores pesadelos.
Nós temos essa capacidade de fazer o que
é mal. Desconsiderar isso na nossa
análise e na nossa interpretação do que
a Bíblia
revela sobre o ser humano é um equívoco
muito grave. E talvez essa seja uma das
razões pelas quais aqueles cristãos
parecem terem ficado cegos para o fato
de que aquilo que eles estavam fazendo
era uma atrocidade terrível, que era a
ideia de que nós somos cristãos que eh
fomos transformados e estamos sendo eh
de alguma forma assim a expressão
da ação de Deus que foi se revelando ao
longo da história até chegar ao ponto
que nós nos encontramos hoje. então
estirpar esse mal que são judeus, que
são outros grupos como os homossexuais
ou outros grupos menos falados no
período do nazismo como ciganos, enfim,
eh tudo isso, na verdade é manifestação
da vontade de Deus que se faz por meio
dessa igreja que agora tem essa
oportunidade de purificar, purificar a
raça, purificar a igreja, purificar a
cultura, purificar as instituições. Era
muito dessa mentalidade que estava
implícito eh nessa validação que o
discurso teológico que as igrejas tinham
do seu alinhamento com o nazismo. Tá
bom, pessoal? Bom, a Judi te faz um uma
pergunta aí interessante, mas eh
confesso que talvez não seja o contexto
mais apropriado ou talvez o meu
conhecimento seja restrito sobre isso
mesmo. Porque que o antissemitismo
continua? Eu acho que alguns desses
motivos que levaram ao contexto do
holocaust do holocausto não
desapareceram completamente. Judit,
houve um grande arrependimento e
conscientização do horror que foi o
holocausto, mas você tem fatos recentes
de anos há talvez 5 se anos atrás de
autoridades que desejaram afirmar que o
holocausto não aconteceu,
de que isso foi um revisionismo
histórico, isso foram eh os poderosos
que quiseram reescrever a história
colocando os judeus como vítimas, quando
na verdade eles são os opressores.
Então, eh, um, um esquecimento histórico
e uma tentativa de encontrar um bode
expiatório para todos os males da
humanidade, me parecem ser em boa medida
responsáveis por esse comportamento que
permanece hoje, tá? Então, ah, bom, eu
acho que que realmente sua pergunta
demanda uma resposta melhor do que eu
posso dar nesse momento. Bom, pessoal,
nossa aula já avançou bastante no
horário. Eu agradeço todo mundo que
permaneceu, teve a insistência aí de
ficar até o final. A gente vai ter a
próxima aula, na quinta-feira, falando
sobre teologia da libertação. Então, a
gente chegou próximo, não apenas no
tempo, porque falamos da teologia do
século XX, mas também agora no espaço,
porque vamos falar sobre essa teologia.
é tão relevante para o contexto
latino-americano.
Vamos então nos reencontrar quinta-feira
que vem, daqui a dois dias, para falar
sobre teologia da libertação e suas
implicações para a igreja cristã. Forte
abraço a todos, uma boa noite, bons
estudos e até mais.

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