Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 15 | Neo-Ortodoxia | Ákilla Nascimento
22/07/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 15 | Neo-Ortodoxia | Ákilla Nascimento
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 15: Neo-Ortodoxia
Ákilla Nascimento
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[música] เ >> [música] >> เฮ [música] >> [música] [música] >> Muito boa noite para todo mundo que chegou paraa nossa nova aula do nosso curso Macários. Bom ter cada um de vocês aqui no comecinho do nosso encontro e também vocês que chegaram depois do início, mas estão pegando a conversa do começo. Eh, a gente está já na nossa 15ª aula desse módulo do nosso curso Macários. Como temos pessoas chegando e pessoas continuando o curso, chegando agora ou continuando de longa data, a gente sempre faz essa introdução situando onde é que essa aula e esse módulo se encontra no curso que a gente vem desenvolvendo desde o ano passado, ano de 2025. a gente teve um ano inteiro estudando a introdução à teologia ou a teologia básica, conforme a nossa proposta no início do curso, que foi falar sobre teologia sistemática, a doutrina, a parte de interpretação bíblica com o panorama do Novo e do Antigo Testamento, da ordem inversa do Antigo e do Novo e também uma parte da vida prática da igreja. Esse ano a gente, de 2026, a gente continuou com a estrutura de ter um módulo sobre cada uma dessas áreas da teologia, mas a gente deu um passo além daquilo que foi uma abordagem mais básica. Então, nesse módulo que está tratando um pouco de teologia sistemática ou doutrina, a gente está vendo como as várias tradições cristãs compilaram e sintetizaram o que entendem seu ensino bíblico sobre os grandes assuntos da teologia. Então, a gente tem os vários sistemas teológicos, como a gente já viu a respeito do luteranismo, calvinismo, armenianismo, dispensacionalismo e vários outros que você pode ver aqui no histórico dos nossos vídeos, na sequência do nosso curso que já foi estudado. Hoje a gente vai falar sobre uma influência muito importante daquilo que foi a teologia a partir da Alemanha e da Suíça, como vários capítulos que a gente já estudou, que se concentraram na contribuição de teólogos desses dois países, mas num período mais recente da história, porque a gente tá falando sobre em especial a teologia do século XX para cá. E sobre o que é que nós vamos falar hoje? neoortodoxia, como tá no título aí do vídeo do YouTube e também aqui na nossa no nosso slide, na nossa apresentação. De uma maneira muito breve e resumida, esse foi um movimento teológico poderoso que surgiu nos anos de 1920, ou seja, começo do século XX, como uma reação ao liberalismo, que foi o assunto da nossa última aula. Se você não sabe exatamente o que foi o liberalismo teológico, volta lá que essa aula vai fazer muito mais sentido. Eu diria que é um pré-requisito paraa nossa aula de hoje. Eh, e esse é um movimento então que reage contra o liberalismo, desafiando pressupostos seculares e reafirmando a centralidade da palavra de Deus, a transcendência divina e a graça soberana. Então, muito do que a gente tá falando aqui está relacionado ao contexto do século XX, como vai ficar claro, e tem uma perspectiva, como boa parte das nossas aulas, de uma teologia histórica. Vamos lá. A gente pontuou que no fim do período que nós chamamos de Iluminismo, nós tivemos a grande contribuição de Manuel Kant eh, para aquilo que se tornou a formulação mais madura do Iluminismo durante o século X e o século século XVI. Com Kant, a teologia sofreu uma ruptura epistemológica radical. Que que a gente quer dizer com isso? o conhecimento racional de Deus foi bloqueado. Então, lembra que existem essas duas dimensões da realidade, aquilo que é a dimensão do fenômeno e aquilo que é a realidade luminosa. E essa realidade do fenômeno pode ser investigada e compreendida pela razão humana. Mas essa realidade do que é o núo, o luminoso, isso é é tão factual e existente quanto o fenômeno, mas não pode ser apreendido ou alcançado pela razão. Seguindo o Shilemarer, que foi o nome que a gente mais explorou, na verdade o nome que a gente explorou na última aula, falando sobre teologia liberal. A gente tá considerando que Kant deu a contribuição filosófica para o pensamento iluminista e Schilemarra foi uma contribuição teológica para o liberalismo que veio como um uma consequência do Iluminismo. Seguindo Chilemar, o centro passou a ser o sentimento e a experiência religiosa, não mais a razão. Shilaemarra foi muito influenciado por esse eh essa contribuição cantiana de que não dá para aprender Deus pela razão. Então ele apela aquilo que chamou das afeições ou do sentimento religioso dessa consciência de Deus. E isso como também uma influência que Shilaemar sofreu daquilo que foi o romantismo. Então tudo isso tá melhor explicado na nossa aula anterior, mas a gente está recapitulando isso porque a contribuição do da neortodoxia ou da teologia dialética depende da compreensão desse contexto. O que é que caracterizou esse período que nós falamos na aula passada? Um otimismo insustentável, o otimismo liberal. O liberalismo estava imerso em otimismo. A dialética regueliana alimentava a crença no progresso. Cada dia, de toda forma, estamos ficando melhores. Então, a história tem um um sentido determinado, um movimento eh ascendente e o ser humano, ao longo da história está aperfeiçoando aquilo que é a sua natureza, a sua condição e também a sociedade que ele constrói nas suas relações comunitárias. Então, a perspectiva regueliana de progresso é justamente essa ideia de que a história está em ascensão. Por isso, esse lema, essa palavra de ordem, cada dia, de toda forma estamos ficando melhores. A humanidade era perfectível, ou seja, poderia ser aperfeiçoada. Deus trabalhava na história. Essa é a perspectiva teológica influenciada por esse pensamento. Se Deus atua na história e atua de forma cumulativa, por assim dizer, nessa visão regeliana de história, isso quer dizer que depois de 18, 19 séculos, o que se espera é que cada ser humano individual e as sociedades, as culturas como um todo estão em um processo de maturidade e de aperfeiçoamento muito mais evoluído do que era a sociedade dos hebreus no período de Moisés. do que era o período do próprio Jesus no século I. Outra a característica desse movimento liberal era ou foi a marginalização da Bíblia. Isso muito mais como uma consequência do que como um objetivo deliberado. A Bíblia tornou-se objeto de estudo histórico e não de revelação. Aqui a gente precisa ser honesto que a Bíblia continua sendo um objeto de estudo eh muito necessário e valioso nos círculos teológicos, mesmo diante de uma perspectiva liberal. A ideia não é que a Bíblia deixou de ser estudada ou avaliada, só que a Bíblia agora estava aberta à crítica e ela deixou de ser lida e examinada de uma perspectiva de autoridade divina. Era um livro com registro histórico que podia ser avaliado como qualquer outro livro que representava um período histórico. A normatividade foi transferida para os ensinamentos de Jesus. Daí as edições com as letras vermelhas, talvez você tenha uma na sua casa, que é aquela Bíblia que tem todo o texto eh na cor habitual preta, só que as palavras de Jesus são destacadas em letras vermelhas. Qual é a ideia? E tudo isso surgiu de uma perspectiva liberal sobre o ensinamento da verdade ou que é que tinha autoridade divina? é que o texto divino representa a história como qualquer outro texto, só que aquilo que tem poder de ser normativo para a vida dos cristãos é aquilo que vem diretamente das palavras de Jesus. [limpando a garganta] A teologia, então, ela foi reduzida à antropologia. Nesse contexto, a Bíblia foi perdida pelos teólogos. A teologia do século XIX foi reduzida a filosofia e antropologia. O moralismo tornou-se o lema seguindo canto. O que é que se quer dizer com a teologia perdeu a Bíblia? é que se a Bíblia é um registro histórico falível e sujeito a todas as limitações, como qualquer outro registro histórico, com contradições, com imprecisões, com registro de fatos que não aconteceram maneira como o autor está retratando, porque o autor tinha uma agenda política ou tinha uma memória muito falha sobre os eventos, ou porque ele passou a modificar os eventos. por uma espécie de romantização da sua memória. Então, a Bíblia deixa de ser um referencial absoluto que traz aquilo que é o conteúdo da revelação de Deus. A Bíblia deixa de ter esse papel de autoridade que estabelece o que é norma para as pessoas. E se os teólogos estão preocupados com essas questões de o que o ser humano deve fazer de acordo com aquilo que é a revelação de Deus, acessível à compreensão humana, a Bíblia deixa de ter esse papel porque ela está absolutamente marcada por essas limitações humanas. E por isso existem outras fontes mais seguras para elaborar esse labor teológico, essa esse pensamento teológico. E aí é onde se passa a recorrer mais à filosofia e a antropologia como fontes mais seguras para desenvolver uma espécie de pensamento moral que segue aquilo que foi a argumentação de Kant de que existe essa dimensão que é inacessível paraa razão. Bom, liberalismo e fundamentalismo, a gente tem a teologia em conflito. Se o liberalismo chegou às conclusões que a gente acabou de pontuar no slide anterior, como a gente também coloca aqui, com base epistemológica no cantismo ou na filosofia de Emanuel Kant, o liberalismo reformulou as doutrinas históricas da fé e tornou-se profundamente antropocêntrico, aquilo que a gente falou na parte final do slide anterior. aceitou a mentalidade iluminista e perdeu a proclamação cristã distintiva. Se os teólogos passaram a desconsiderar a Bíblia como esse texto que está revestido de autoridade divina e na verdade entende que a inclinação do coração humano, o desejo de um significado de existência, a possibilidade do coração humano de fazer juízo entre bem e mal, se todas essas outras questões aqui de fato provém ou providenciam um fundamento sólido para o pensamento teológico. Então, eh, a proclamação da mensagem cristã passa a ser cada vez mais similar, mais próxima aquilo que é o pensamento de outras correntes e de outras outras formas de pensamento que já estavam situadas no campo da filosofia e da antropologia. Essa foi uma das consequências do Iluminismo, a sua influência sobre a teologia que veio a formar o liberalismo teológico. Só que houve a reação, a reação, por assim dizer, se a reação no meio teológico ao Iluminismo foi o liberalismo, houve também essa ortodoxia conservadora que estava fazendo uma oposição às proposições do liberalismo. A ortodoxia protestante encontrou lar na tradição do senso comum escocês que veio e do filósofo Thomas Wright em reação ao ceticismo de David Hilm. Uma influência que a gente um filósofo, um filósofo que a gente não tratou em detalhes, mas que teve um papel muito muito importante também no pensamento iluminista. Embora a ortodoxia conservadora mantivesse continuidade doutrinária, a teologia de Princington adotou um tom racionalista e apologético, tornando-se, paradoxalmente cativa dos pressupostos iluministas que combatia. O que é que essa eh esse parágrafo tão denso quer dizer? é que você tem uma reação ao liberalismo. Nós não estamos dispostos a abrir mão da convicção de que a Bíblia é a palavra de Deus. Só que essa reação ao liberalismo, ele eh segue uma tradição que também vem como uma das expressões do Iluminismo, que é essa tradição do Thomas Wides, do senso comum. E essa tradição, ela faz uma oposição direta a todas as principais proposições do liberalismo teológico. E nesse processo de ter uma reação direta a tudo aquilo que o liberalismo teológico é muito da ortodoxia conservadora, passou a ser definida como aquilo que ela não é. Nós não somos liberais. E nesse processo, ela não percebeu que a sua reação, aquilo que eram as afirmações liberais, também estavam baseadas numa espécie de racionalismo apologético. Ela acreditava que, por meio da razão, ela poderia desprovar tudo aquilo que o liberalismo estava afirmando. Só que essa forma de apelar a razão como principal fundamento para todas as questões teológicas é uma coisa que o Iluminismo ensinou aos teólogos, aos filósofos, aos antropólogos e sem perceber de uma forma paradoxal essa ortodoxia conservadora que estava dizendo não a todas as consequências iluministas sobre a teologia, ou seja, o liberalismo teológico, na verdade estava bebendo daquilo que era a influência do próprio Iluminismo, ainda que por um caminho diferente. Um caminho você tem a tradição de David Hillm e em outro caminho você tem essa tradição de Thomas Wht. Essa bifurcação teve um impacto profundo. Os dois modelos foram construídos sobre paradigmas de realidade mutuamente exclusivos. E essa eh essa bifurcação é muito importante pra gente entender o cenário que se configura até os dias de hoje em vários círculos teológicos. Alguns círculos são fortemente influenciados pelo método histórico crítico, tem uma aceitação bastante abrangente das conclusões do liberalismo teológico e outras tradições entendem que eh elas conservam aquilo que foi a convicção da igreja durante muito tempo, mas de uma forma que é bastante fundamentada nessas características que a gente tá falando da ortodoxia conservadora que passou a ser classificado por muitos teólogos como uma espécie de fundamentalismo. Então você tem um um certo obscurantismo também em alguns desses círculos do que a gente tá chamando de ortodoxia conservadora, que desconsidera muitas das questões relevantes sobre a construção do texto bíblico, sobre a plausibilidade histórica ou a avaliação histórica do que está sendo dito ali. Os dois estão eh frontalmente opostos nas suas afirmações, ainda que estejam intimamente conectados com aquilo que foi a influência do Iluminismo. E aí você tem uma terceira alternativa que é a neoortodoxia, uma reação ao liberalismo. A devastação da Primeira Guerra Mundial, então a gente tá falando de algo que começa em 1914. extinguiu o otimismo ingênuo das gerações anteriores. Lembre-se que é o que a gente falou de maneira exaustiva na aula passada e no começo dessa aula, é que o liberalismo era impulsionado por um otimismo muito profundo na natureza humana e na condição das sociedades que estavam nesse ponto elevado eh da ascensão histórica. Com milhões de mortos nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, o mantra da bondade do homem soava vazio. Foi desse contexto que surgiu o protesto teológico. E quais foram os principais nomes desse protesto? Calbart. Ele foi o líder do movimento e é o teólogo que a gente vai ter condições de estudar hoje. Foi um teólogo suíço que pioneiramente buscou uma terceira via. nem capitulação ao Iluminismo, nem uma rejeição total às ideias iluministas. O outro foi Emil Bruner, teólogo suíço, cofundador do movimento conhecido pelo debate combate sobre a teologia natural. O outro foi o Nibur, principal representante americano da neortodoxia com forte ênfase social e ética. E o último também conhecido da gente aqui no Brasil, que é o Bonofer, teólogo alemão frequentemente associado ao movimento conhecido por sua oposição ao nazismo. Todos esses nomes são muito importantes para compreender a neortodoxia, ainda que nós venhamos a estudar na aula de hoje apenas o primeiro, que foi de longe, o mais importante na formulação da neorttodoxia. Então, começando aí a nossa análise mais detalhada sobre Cbart, sua história e a sua teologia. Calbart, ele tem a seguinte trajetória. Ele nasce na Suíça, Basileia. Ele é filho de pastor eh reformado suíço. Na verdade, ele é filho e neto dos dois lados. Tanto seu avô materno quanto o paterno, também eram a pastores da Igreja Reformada Suíça, da tradição calvinista, como a gente já demonstrou. Suíça teve muitas contribuições e influências eh durante o período da reforma protestante, mas ele faz parte dessa tradição da igreja reformada do lado calvinista. Eh, Bart era considerado um dos maiores teólogos da história da igreja ao lado de Agostinho, Calvino e Lutero. Aqui está no passado, mas isto é equivocado. É por muitos ainda hoje Bart é considerado um dos maiores teólogos da história da igreja. Os seus estudos foram paripatéticos. Que que a gente quer dizer com isso? Paripatético era aquela escola de filosofia que entendia que o pensamento devia acontecer enquanto os filósofos caminhavam. O andar era importante para arejar as ideias e para formular adequadamente o pensamento. E o que a gente tá dizendo é que Bart andou por muitas escolas teológicas diferentes no seu na sua fase formativa. A Berna foi onde ele começou esses estudos, onde o seu pai era professor. Lá ele estudou a filosofia de Kant e a teologia de Chilaemar. Então veja que Bart está fortemente associado a uma educação liberal, liberal do ponto de vista teológico. Ele bebeu dessas fontes muito profundamente. Emim Berlim, ele estudou outro nome muito importante da, opa, bati aqui no microfone. Espero que não tenha trabalhado aí. Ah, ele estudou sobre a tutela de Adolf von Harnark, que era o principal historiador eh e teólogo do cristianismo na época em Berlim, também bastante influenciada pelo liberalismo. Em Tubingen, ele estudou sobre Adolf Schlatter, que era de perfil mais conservador. E no fim ele foi para onde ele queria ir desde o começo, quando ele saiu de Berna, que foi Marburgo. E ele estudou sobre a tutela de Will Herman, o mestre teológico dos meus anos de estudante, assim que Bart se refere a Herman. Ah, já em 1909, aos 23 anos, Bart publicou seu primeiro artigo questionando o liberalismo. O individualismo radical e o relativismo histórico do liberalismo despojavam a Bíblia de qualquer qualidade normativa. A religião conhece apenas valores individuais. Aqui é B chamando atenção para o fato de que a religião da sua época estava preocupadas preocupado apenas com o indivíduo e o ser humano no centro dessas eh preocupações existenciais e preocupado apenas com uma forma de vida moralmente aceitável. A história conhece apenas verdades gerais. Então, eh, ele está demonstrando, eh, essa visão muito reducionista daquilo que deve ser a norma da vida cristã, a revelação do texto bíblico quando todas essas coisas são analisadas de uma perspectiva liberal. E aí depois que ele tem a sua formação nesses quatro centros que nós mencionamos, ele ah passa por um período muito importante de aproximadamente 10 anos em uma igreja pequena na Suíça, que é Zafenville, uma igreja de pessoas relativamente simples, mas que mudou completamente a trajetória teológica de Bart. Como pastores Zavenfield, perto das fronteiras frances e alemã, Bart descobriu que não tinha nada a dizer a sua congregação. Imagine Bart, que já era reconhecido por um intelecto muito eh maduro e avançado, mesmo em uma idade ainda tão inicial, ele tava com 23 anos. Eh, quando ele se deparou com a demanda de cuidar de uma comunidade, de pastorear uma igreja, ele viu que ele não tinha nada a dizer, tendo estudado em quatro lugares diferentes. Com os canhões da Primeira Guerra, ao alcance do seu ouvido, ele de fato, literalmente conseguia ouvir o barulho da guerra a partir do escritório da sua casa, falar de bondade do homem soava vazio. Ele foi forçado de volta à Bíblia. onde ele encontrou um mundo estranho e novo, como a gente colocou, os lugares ou a maior parte dos lugares de formação de Bart já tinham e essa cultura de uma teologia que estava fortemente dissociada do texto bíblico. E essa teologia liberal tinha uma convicção muito profunda e arraigada na bondade humana ou na possibilidade do aperfeiçoamento humano. Só que já no começo do século XX, a Primeira Guerra Mundial estava eh eh estava destruindo de uma forma irrecuperável essa convicção, com tamanha ah com com tamanha crueldade e com um guerra assim tão visceral como foi a Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecida como a Guerra das Trincheiras. Então, foi um período de muita matança, de muita crueldade, do aperfeiçoamento do método não simplesmente para produção, do aperfeiçoamento do método não apenas para a eficiência no acúmulo de conhecimento, mas o método como forma de matar, aqueles gases, aquelas eh formas de de eh exercício do poder bélico em uma escala até então desconhecida pela raça humana. estilhaçou, fragmentou de uma maneira total e absoluta essa convicção de que o homem era de forma inata ou de uma forma plenamente alcançável. Bom, ele foi forçado então de volta à Bíblia e quando ele voltou a estudar a Bíblia com seriedade, com a necessidade de cuidar da sua igreja, ele viu que ele estava adentrando um mundo completamente novo e desconhecido. Bart descobriu um Deus transcendente sobre a criação, oposto ao antropoteísmo aprendido na formação teológica. Ou seja, e esse eh essa elevação da condição humana quase que a uma condição de de divindade ou de uma bondade divina. A influência de Bloomhar através do seu amigo Thuren, ele estudou a teologia escatológica de Bloomhards, a irrupção do reino de Deus na história e a vitória sobre as forças do mal. a ruptura com o liberalismo. Quando 93, olha que fato histórico importante, intelectuais alemães, incluindo ex professores de Cbart, endossaram a política de guerra do Kaiser. convenceu-se da falência do liberalismo enquanto pastor e responsável por aquela comunidade, percebendo que tudo aquilo que ele passou boa parte da sua vida até então estudando e aprendendo, não tinha nenhuma pertinência para a necessidade das pessoas da sua igreja. E quando esses mesmos professores se alinharam com uma perspectiva política que estava justificando aquela guerra terrível que foi a Primeira Guerra Mundial, Bart viu que tudo aquilo que ele aprendeu até aquele momento não tinha nenhum valor real para sua vida de fé e para sua vocação pastoral. The Roman Behave. Eu não tenho ideia da pronúncia correta dessa palavra, mas esse é um ponto de inflexão na trajetória de Cbart, que é quando ele publica o seu comentário aos romanos. Por isso que o título é não apenas o título da obra em alemão, mas também essa explicação, uma revolução teológica. Esse é um comentário que teve eh duas edições com uma perspectiva consideravelmente distinta. A primeira edição foi em 1918. Bart reconheceu a validade do método histórico crítico, mas afirmou que a inspiração protestante operava em nível que buscava o significado do texto. Para quem está acostumado com o método histórico crítico, isso é um fato óbvio, mas para quem talvez não tenha tanta familiaridade, é importante saber que eh os mé o o método histórico crítico não é apenas um método, mas um conjunto de métodos. E aí você tenta reconstruir histórias, histórias da formação daquele texto, histórias do Sits in Laben, que é o contexto vital que eh que motivou a construção do texto, como a gente encontra hoje. Eh, e várias outras histórias que explicam a forma como o texto chegou na sua eh formulação final. Mas dificilmente o método histórico crítico atribui muito peso e significado para o texto na forma como a gente encontra hoje. Ele tá tentando destrinchar. Não, ó, o texto está assim porque foi acrescentada aqui essa frase. Não, Jesus está falando essas coisas, mas ele não disse exatamente isso dessa forma. Isso aqui foi Mateus que na hora de escrever o seu evangelho por motivo X, Y, Z colocou nesses termos, mas a forma mais provável em que isso foi dito foi dessa e dessa maneira. Então você está sempre tentando regredir a um estágio supostamente mais próximo aquilo que foi ou foram as palavras originais ou o contexto original em que essas coisas aconteceram. Então você tá tentando recuperar a realidade que está escondida sobre o texto na sua forma final. E o que Bart tá olhando e percebendo é que o que importa não é a maneira como esse texto foi construído ao longo do tempo, mas aquilo que é o texto que se encontra na sua eh na sua condição final hoje. E esse significado do texto é aquilo que sempre foi importante no conceito de inspiração protestante. Então ele afirma que a a inspiração protestante operava em nível que buscava o significado do texto, olhando além da história para o espírito da Bíblia, que é o espírito eterno. Isso ele escreveu ou a partir dessa perspectiva, ele escreveu o seu comentário aos romanos em 1918, 4 anos depois, ah, em 1922 tem a segunda edição dessa mesma obra. E a segunda edição, essa sim, a primeira edição, Bart ele quis publicar e teve dificuldade. Quando ele conseguiu, ele imprimiu ou a editora imprimiu apenas 1000 cópias. A segunda edição caiu como uma bomba no Parquinho dos Teólogos. Isso é uma frase que ficou conhecida. Não sei de quem a autoria eh eh qual é a autoria dessa frase, mas é uma máxima que ficou amplamente conhecido na área de estudos bíblicos e teologia sobre a segunda edição do comentário de Bart na carta aos Romanos. Eh, essa edição foi fortemente influenciada pela filosofia de Kickergart. Bart adotou a dialética. Por isso que a neoortodoxia também é conhecida como teologia dialética. O paradoxo e a crise como metodologia. Parte adotou a dialética, o paradoxo e a crise como metodologia. A distinção qualitativa infinita entre tempo e eternidade tornou-se central. Daí uma das afirmações conhecidas de Caart: Deus está no céu e tu estás na terra. Ou algo da mesma natureza. Deus é o totalmente outro. Se o liberalismo teológico trazia uma ênfase muito forte e na perspectiva de vários teólogos críticos ao liberalismo, exagerada sobre o deus imanente, uma espécie, na verdade, de imantismo, que é a revelação não acontece por uma interferência externa divina sobre a história e sobre a criação, mas na verdade acontece a partir da do amadurecimento e da manifestação da consciência humana. Eh, a realidade divina se manifesta nas relações sociais. Tudo isso condiciona Deus a uma realidade imanente e bastante antropocêntrica. Na perspectiva de Bart, a ideia era exatamente oposta ao perceber que Deus era completamente transcendente. Deus está no céu e tu estás na terra. Uma citação muito importante do comentário de Bart na carta aos Romanos é: "Não são os pensamentos humanos certos sobre Deus que formam o conteúdo da Bíblia, mas os pensamentos divinos certos sobre os homens. A Bíblia não diz como devemos falar com Deus, mas o que ele nos diz. A Bíblia não é o conjunto de pensamentos certos dos homens a respeito de Deus, mas os pensamentos divinos certos sobre os homens. Então, veja que o ponto de referência mudou e mudou profundamente entre o liberalismo e a teologia eh dialética ou a neortodoxia. a uma afirmação do autor do livro que eu utilizei aqui para a nossa aula de hoje, que é a mesma referência que eu usei nas aulas anteriores, que é o James Sawyer no livro Uma introdução à teologia, ele fala o seguinte, ó, a essa altura, depois que Bart publicou a segunda edição eh do comentário da carta aos Romanos, a essa altura ele já estava convencido de que toda a teologia era, por assim dizer, um diálogo entre Deus e o homem. fala e resposta, pergunta e réplica. A fonte última dessa dialética encontrava-se na encarnação, no Deus homem, Jesus Cristo. Ele também passou a reconhecer que toda a teologia é fragmentária e imprecisa. Isso é uma afirmação com consequências muito sérias e muito importantes na maneira como o teólogo enxerga o produto da sua própria reflexão. Ele também passou a reconhecer que toda a teologia é fragmentária e imprecisa. A teologia é uma atividade humana, uma palavra humana. E nenhuma palavra humana pode expressar com fidelidade a verdade divina. Somente Deus pode realizar essa tarefa. Bom, a partir desse momento, a gente vai começar a entrar mais diretamente no conteúdo do que Bart eh colocou, não só no seu comentário aos romanos, como também na outra obra muito importante que é a dogmática cristã. Ah, mas tudo isso a partir dos seguintes eventos históricos que a gente esboçou aqui, desde o ponto da ruptura com o liberalismo até a resistência ao nazismo. Em 1922, Bart rompe, ou seja, período da segunda edição do comentário de Bart a carta aos romanos. Bart rompe definitivamente com liberalismo. Con Schilaemarre, ele diz: "Não posso considerá-lo um bom mestre em teologia". Isso daqui é um movimento muito sério, porque até esse ponto Bart tinha uma foto de Mozart e de Schleemarer pendurada no no seu escritório, na sua sala de estudo, por considerar eh tão importante a contribuição de Chileer até aquele ponto que ele viu que era impossível eh reconciliar o seu pensamento com o liberalismo que ele havia recebido até ali. Entre 22 e 23, ele funda o jornal Entre os Tempos para expor a teologia bíblica e opor-se a versão liberal do Evangelho. Ele passa a acreditar que neutralidade política era impossível e passa também a falar vigorosamente contra o nazismo. A gente vai falar um pouco mais sobre isso eh nesse ponto já agora, ó. Bart então a partir dessa perspectiva, por conta de uma das influências teológicas que eh fizeram CBART migrar de uma posição liberal para uma posição eh que veio a se tornar uma neortodoxia por um eh por um teólogo eh reformado que a gente citou nos no slide anterior, acho que foi lá no comecinho, eu não não gravei, coloquei no slide, mas não gravei o teólogo foi sugerido pelo do seu amigo e que, enfim, passou a mostrar que o reino de Deus já era uma realidade presente. Ele passa a ter uma posição socialista do ponto de vista político, só que o socialismo tinha também uma grande diversidade de um grande espectro dentro dessa posição que era o socialismo. Mas a maneira como o socialismo se manifestou na Europa, eh, na Alemanha, na verdade, após a Primeira Guerra Mundial e como uma consequência as duras eh imposições que o Tratado de Versales colocou sobre a Alemanha, foi esse socialismo nacionalista que veio a ser eh o o contexto político na qual a figura eh a figura a de Hitler se estabeleceu e é em relação a esse a essa forma de socialismo e a essa interpretação política teológica, porque esse era um um discurso, o discurso do socialismo nacionalista, o discurso de Hitler tinha um um conteúdo fortemente político, mas também um contexto um conteúdo fortemente teológico. É algo que a princípio Hitler achava que não era tão relevante e não era necessário se posicionar, mas depois ele viu sim que era algo de uma consequência devastadora pra igreja, que a força desse discurso era crescente e que ele precisava se posicionar em relação a isso. Já em 1934, então ele passa a ser o coautor da declaração de Barmen com Bohofer, o teólogo que a gente citou aqui no começo da aula. Essa é a declaração da igreja confessante, que era a parte da igreja protestante alemã que se opunha ao nazismo em contraste com os cristãos alemães, esse outro grupo que constituía a maior parte dos cristãos alemães que apoiavam Hitler. Esse é um fato que a gente não pode minimizar em sua importância. Eh, a maior parte dos cristãos alemães durante o período da Segunda Guerra Mundial e nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial apoiaram a o socialismo, o socialismo nacionalista, o discurso e a figura de Hitler, uma das poucas lideranças, juntamente com Borrofa e outros teólogos, mas de maior expressão, esses dois teólogos que constituíram uma declaração e que tiveram uma fala eh frontal e vigorosa contra essa perspectiva de fé, de evangelho, de igreja, foi justamente a Diriz Ponhofer e em especial a Cbart. B Hofer é mais associado com esse movimento, entre outras coisas, além da sua teologia, que é muita valiosa, que é muito valiosa, pelo fato de que Bonfer morreu por conta disso. Ele fez parte de um grupo que eh que arquitetou um atentado contra Hitler e que não foi bem-sucedido. Ele foi pego, ele chegou muito perto de conseguir matar Hitler, mas a aquilo que foi a bomba que eles tinham eh fabricado falhou. Ele foi pego, ele foi preso e ele foi morto, se eu não me engano, dois dias antes dos aliados conseguirem derrotar as forças nazistas. Então, Borrofer ficou lembrado pela sua oposição que lhe custou a própria vida ao nazismo. E também em 1935, a Bart, que nesse período atuava na Alemanha, recusa o juramento de lealdade ao Furer e é removido de seu cargo. Ele retorna à Basileia, onde ensina até 1962 o resto da vida, depois que ele sai da Alemanha e vai paraa Suíça, é justamente para ensinar na Basileia. e é o período em que ele escreve a sua obra mais extensa e certamente a sua obra mais desenvolvida em termos de pensamento de sua nova teologia, da teologia neoortodoxa. Ah, e qual é essa obra? É justamente a dogmática da igreja. E aqui a gente também vai falar da influência de Anselmo sobre a elaboração dessa dessa obra, o Church Dogmatics, né? na verdade é dogmática eclesiástica, que veio, na verdade, uma referência do título em inglês, mas Bart concluiu que a sua dogmática eclesi eclesiástica em esboço de 1927 era muito existencial e ele recomeçou toda a obra de uma perspectiva diferente naquilo que veio se tornar a dogmática da igreja. O que que acontece? Ele primeiro escreve uma obra que deveria ser uma espécie assim de prolegômeno, de introdução para uma obra muito maior que viria na sequência, que ele estaria explicando o seu ponto de partida, o seu método e a sua perspectiva geral, os principais eh as principais afirmações teológicas que viriam a ser desenvolvidas nos outros volumes. Essa foi a dogmática eclesiástica em esboço. Só que depois de terminar esse volume, que deveria ser o ponto de partida para o resto do trabalho, ele percebeu que ele ainda estava sobre uma forte ou sob uma forte influência do existencialismo. E isso, talvez na avaliação de Bart ainda como uma consequência das influências que ele recebeu de sua formação inicial. Por isso, ele recomeçou o trabalho do zero. O fator controlador em todo o pensamento teológico deveria ser a palavra de Deus, não a filosofia. O que é que Bart assumia como palavra de Deus? A gente vai explicar. O seu cristocentrismo cresceu ao longo das décadas a ponto de Cristos de críticos, perdão, o acusarem de cristomonismo. O que é que se quer dizer aqui? é que a doutrina de Cristo, que obviamente é a doutrina distintiva do cristianismo, passou a assumir um papel tão importante na dogmática eh da igreja de Cbart, que muitos dos seus críticos disseram que no fim das contas a única coisa sobre a qual ele escreveu foi a doutrina de Cristo. Mas isso tudo como uma forma de sinalizar e talvez até na crítica reforçando aquilo que era o objetivo de Bart de apontar que tudo estava fundamentado e toda a compreensão teológica razoável dependia de uma compreensão e uma aceitação da pessoa e da palavra de Jesus. Qual foi a influência de Anselmo? Anselma, a gente tá falando aí do período ainda dos pais da igreja. Em 1930, Bart estudou Cordeus Homo de Anselmo, resultando no livro Fidisquer Intelectum. Anselmo ensinou a Bart como a teologia deve ser feita. E como é que isso deve acontecer? A fé busca entendimento, movendo-se do conhecimento intelectual a afirmação da realidade por trás da palavra, de fé em fé. Existe uma elaboração teológica mais profunda, mas aquilo que Anselmo estava apontando em sua obra e que passou a ter um uma influência grande na maneira como a Bart ele amadurece o seu método, é que a fé ela não acontece a parte do conhecimento. E a fé, ela também não pode ser reduzida a uma dimensão de conhecimento. Mas a fé, mesmo no seu estágio inicial, possui algum conhecimento real da pessoa de Deus, da pessoa de Deus na revelação de Jesus. Mas a fé, quando ela nasce no coração humano, ela convoca, ela exige dessa pessoa um conhecimento aprofundado da pessoa divina revelada em Cristo Jesus. E tem como resultado nessa busca de um amadurecimento do conhecimento, um amadurecimento de fé. Então, é isso que se resume nessa expressão que aparece no texto de Romanos, de fé em fé. Essa é a interpretação que Anselmo tinha e que parte que Bart passa a assumir também para o seu labor e para a sua busca teológica. Como a gente disse, a teologia de Bartin é uma teologia da palavra. Tudo parte de Deus, mas parte de Deus que se revela na palavra. E o que quer dizer a palavra? A palavra é a palavra revelada, ou seja, a palavra encarnada, a saber, a pessoa de Jesus. É a palavra escrita e é a palavra proclamada. A palavra de Deus que se encontra na pessoa de Jesus, que se encontra se encontra nas Escrituras e que se encontra viva no ato da proclamação. O momento em que alguém prega verdadeiramente o evangelho, é o momento em que alguém revela a palavra por meio da sua pregação. Essa palavra nunca domesticada, nunca se encontra sobretamente ou em qualquer nível o controle humano. Bart é muito enfático em dizer isso. Deus não é o Deus que cabe nas nossas definições e que se sujeita aos nossos sistemas teológicos. A palavra de Deus é aquilo que nos dá conhecer de Deus e Deus nunca pode ser domesticado. Por isso que a sua palavra, por isso que a pessoa de Jesus e por isso que até mesmo a pregação do evangelho nunca está domesticado e sob o controle humano. Bart tem uma completa rejeição à teologia natural. O que é teologia natural? Essa possibilidade de conhecer a Deus a parte da revelação das escrituras. é aquilo que Deus dá a conhecer de si mesmo na revelação geral, na natureza criada, naquilo que são as inclinações e a natureza do coração humano e tudo aquilo que poderia ser experimentado como ouvindo da parte de Deus, mas que não está registrado nas Escrituras. Bart rejeita que a teologia possa alcançar um conhecimento real, maduro e verdadeiro de Deus nesse tipo eh de fonte, porque não reconhece isso como fonte de revelação de Deus. Isso entra em confronto direto com outro teólogo que está nesse círculo da neortodoia, que também rejeitou o liberalismo e rejeitou o fundamentalismo, que é o Bruner. contra Bruner Bart respondeu comin, que é não em alemão, temendo que abrir espaço a teologia natural comprometesse a supremacia da revelação de Cristo, uma vez que o liberalismo havia enveredado eh por esse caminho de recorrer a própria natureza humana, a própria história das sociedades, a antropologia e a filosofia como fontes fundament mentais do conhecimento real de Deus e da sua ação. E isso trouxe todo tipo de consequência com a qual Bart está rompendo nesse momento em que ele publica o seu comentário aos romanos e que ele desenvolve a teologia neortodoxa. ver que essa proposta de uma teologia natural seria eh seria uma nova forma do mesmo erro, seria uma nova variante eh do mesmo equívoco e por isso ele rejeita essa possibilidade de encontrar qualquer forma de conhecimento real da parte de Deus na teologia natural. A, e a metodologia confessional. Todas as coisas me são lícitas, mas nada, exceto a palavra de Deus, me tomará cativo. O que é que Bart está discutindo quando ele faz essa afirmação? É que ele não pode ter como ponto de partida qualquer coisa que não seja a palavra. E novamente, a palavra é a Bíblia, é a pessoa de Jesus e é a proclamação da pessoa de Jesus, conforme a revelação bíblica. Qualquer outro ponto de partida se tornará um cativeiro e não uma libertação do conhecimento falível do ser humano. Eh, com isso ele está querendo dizer que nós não podemos partir da filosofia, nós não podemos partir de um sistema de ideias concebidos eh por outra fonte que não seja a próprias escrituras. Para compreender o Deus que é revelado nas Escrituras, é preciso partir da palavra. Isso não significa que Bart era contrário ao uso da filosofia na elaboração teológica, mas sim que a filosofia não podia ser o ponto de partida e a filosofia ou qualquer sistema filosófico não podia ser o critério absoluto e único do que é verdade e do que é que deve ser apontado eh como verdade no conhecimento de Deus. Então, a filosofia ela não pode novamente ser um cativeiro do pensamento teológico. Por isso que, pelo menos naquilo que era o desejo de Bart, ele não era completamente eh adepto de nenhum de um único sistema filosófico. E ele não era adepto de nenhum sistema filosófico como a o substrato no qual o solo no qual a teologia deveria crescer. Esse era o caso, por exemplo, de Chile Maher e esse essa era uma das razões pelas quais Bart rompe com eh Shilemaher, que foi o pai do liberalismo teológico, por perceber que isso leva a todo tipo de distorção daquilo que é a revelação encontrada no texto bíblico, para que encaixe, para que o Jesus das Escrituras, o Deus revelado na Bíblia, possa ser adestrado pelo sistema teológico. que se adota como sendo a regra interpretativa absoluta e adequada. Qual é o legado de Cbart? Bart dominou a teologia do século XX com uma voz profética contra a corrente do protestantismo liberal, que até aquele momento permanecia não desafiada. Sua obra representa um retorno à herança agostiniana da teologia reformada tradicional. Quais foram os pontos que permaneceram como mais influentes dessa teologia? A transcendência radical de Deus, a distinção qualitativa infinita entre Deus e o homem. Deus está no centro, Deus está no céu e tu estás na terra como tema central da Bíblia. Isso daqui, gente, pode ser aprofundado de várias formas diferentes, mas uma maneira que sempre me chamou atenção quando eu leio um pouco sobre a teologia de parte é um pouco essa ideia de que não é possível compreender a Deus pelo princípio analógico. O que é que isso quer dizer? é que quando a gente quer explicar uma coisa nova e que até então não era compreendida por parte daquele que fala ou ainda é desconhecida por parte daqueles que ouvem, nós usamos comparação. O que que é um copo? O copo é mais ou menos como um vaso que você pode colocar um líquido. Então você parte do antigo para conhecer um novo, estabelecendo conexões, pontos de contato, fazendo analogias. Por isso, o princípio analógico. E o que Bart está dizendo é: "Não existe ponto de contato entre Deus e os homens. Eh, Deus é o totalmente outro. Isso muito influenciado pelo contexto em que Bart se encontra. Essa essa revelação amarga de que o homem é capaz de fazer atrocidades muito piores do que ele imaginou nos seus piores momentos. Quanto mais aquilo que se imaginava no tempo de Bart diante desse eh dessa perspectiva muito positiva sobre a natureza humana. Cristocentrismo. Toda a teologia é diálogo entre Deus e o homem. A fonte última da dialética está na encarnação, o Deus homem Jesus Cristo. Palavra de Deus como centro. A teologia não se fundamenta na experiência humana, mas na palavra de Deus, revelada, escrita e proclamada. Veja como isso é fortemente eh contrastante com a teologia de Shilaemarer. Deus o levou para casa para o seu descanso nas primeiras horas de 10 de dezembro de 1968. O grande pai da igreja da cristandade evangélica, o único genuíno doutor da igreja evangélica que a era moderna conheceu, Thomas Torrence, sobre Cbart. Thomas Torrence é um teólogo sistemático bastante influente nos nossos dias. Reconheceu que o grande teólogo do século XX, o único doutor da Igreja Evangélica Moderna foi Caart. O que é curioso, quebr nunca eh nunca fez um doutorado, apesar de ter estudado em várias escolas na sua parte do que seria equivalente à nossa graduação, ele nunca perseguiu o título de PhD de doutor em teologia, ainda que seja amplamente reconhecido como o maior doutor em teologia do século XX. Eh, de forma mais rápida aqui a características desse método teológico que foi a dialética. O método associado a neortodoxia é a dialética. Bart e Bruner chegaram a ele de forma independente, fundamentando nas escrituras. Eh, esse método assume uma diferença qualitativa infinita entre Deus e a humanidade. Aquilo que a gente acabou de explicar na transcendência, na ausência de pontos de contato entre Deus e a humanidade. Por isso, a verdade não pode ser expressa analogicamente, mas em afirmações aparentemente paradoxais. Se Deus é o totalmente outro, se a transcendência de Deus é o que marca a forma adequada de pensarmos sobre a natureza de Deus. Então, quando nós falamos de Deus na perspectiva dialética, naturalmente ou inevitavelmente, nós iremos cair em contradição ou de forma mais precisa, nós vamos nos deparar com paradoxos, que são realidades, eh, afirmações distintas, verdadeiras e irreconciliáveis, justamente porque Deus não pode ser plenamente conhecido ou verdadeiramente conhecido simplesmente pela comparação com a natureza humana e com as condições e a realidade da criação que ele mesmo fez, porque ele é distinto da sua criação, ele é distinto das suas criaturas. Então, existe algum aspecto aqui que possa se falar a respeito de Deus, que transmita alguma verdade. Mas quando a gente olha de outro ângulo essa mesma realidade, a gente vai chegar a uma outra conclusão que talvez também preserve alguma verdade, mas que é contraditória com a nossa primeira afirmação. Daí o surgimento de paradoxo. Por exemplo, alguns nós estamos muito habituados, é muito familiarizados, outros não. Transcendência e revelação. Deus é absolutamente transcendente. Deus é novamente absolutamente distinto da sua criação. Mas ele se revela. Deus não pode ser simplesmente conhecido pela comparação com as suas criaturas, mas ainda assim ele consegue falar com as suas criaturas. Ele consegue dar-se a entender as suas criaturas. Cristo é Deus e homem ao mesmo tempo. Essa aqui é uma afirmação do conhecida em especial pelo credo de Calcedônia, que todos nós que fazemos parte de uma tradição mais eh conservadora daquilo que é a ortodoxia cristã, eh estamos não só plenamente abertos para essa realidade, como entendemos que é uma das afirmações mais fundamentais sobre a natureza de Cristo. Jesus é plenamente divino e plenamente humano. Como é que você explica isso do ponto de vista lógico? Não dá. Você pode explicar um aspecto que é porque é que cremos que Jesus é divino, outro aspecto porque é que cremos que Jesus é humano, mas não a reconciliação entre essas duas afirmações, entre esses essas duas dimensões que compõem a natureza da mesma pessoa. Fé tanto dom quanto ato. Essa é uma outra questão que cai nos vários dilemas que nós analisamos. quando estudamos calvinismo e depois a teologia wesleiana arminiana. A fé é tanto dada por Deus e todos os calvinistas diriam, mas é exercida pelo homem. Aqui os nossos amigos armenianos é que estariam mais dispostos a concordar. A fé é uma dádiva, é algo que vem do alto, mas ao mesmo tempo a fé é algo que é exercida e está no campo da escolha humana. O homem é tanto pecador quanto livre. Numa relação direta com o aspecto da fé enquanto dom e ato que a gente acabou de afirmar. O homem é corrompido pelo pecado. A sua natureza é manchada pelo pecado. A inclinação do seu coração é para o mal. Mas ao mesmo tempo, a Bíblia não permite que a gente olhe para o homem simplesmente como a consequência de uma programação pré-fabricada. Eh, o homem não é visto como uma máquina, como um autômata. O homem é responsável porque o homem até certo ponto, é livre para tomar as decisões que tomou. Então, se por um lado nós concordamos com Paulo na sua afirmação e entendemos que na verdade o que Paulo está dizendo é que em Adão todos pecaram, nós também ouvimos a voz de Pedro que conclama aos homens ao arrependimento, eh, colocando na mão dos homens a responsabilidade de crer ou não crer na proclamação que estava sendo realizada. Eternidade no tempo. Ono entra na história em Cristo. Nós não conseguimos compreender na sua plenitude o que é que aconteceu na encarnação de Jesus. Como é que o criador que fez céus e terra, que criou os mares, as montanhas, o planeta, o sol, as estrelas, as galáxias, os buracos negros, o universo inteiro. E esse criador que é maior do que toda a sua criação coube no corpo de um homem que dormiu dentro de um barco, no meio de uma tempestade, e que estava sujeito a ser morto por uma tempestade, estava sujeito a ser morto eh por uma cruz, como de fato ele foi crucificado naquele madeiro. Não cabe naquilo que é a nossa compreensão lógica e silogística, aristotélica da realidade. Entender como é que eh Jesus em toda a sua grandeza coube dentro de um corpo humano. O Cristo coube dentro de Jesus, por assim dizer, assim como a eternidade coube dentro do tempo. A gente entende que, por exemplo, Jesus no seu corpo glorificado é as primícias ou é a premícia daquilo que viria na plenitude dessa colheita. Ele é o primeiro corpo que já não está mais sujeito à morte. Ou seja, ele é o primeiro corpo que já é em si mesmo a eternidade. O tempo já não consome o corpo de Jesus, já não tem efeito sobre o corpo de Jesus como tem sobre o resto da criação. Então, não apenas a encarnação, mas a ressurreição de Jesus é uma irrupção no tempo presente daquilo que é a eternidade em sua plenitude. É isso mostra pra gente como a Bíblia descreve uma realidade muito mais complexa do que simplificações doutrinárias de um sistema teológico até mesmo ortodoxo, mas talvez eh simplificador em demasia costuma nos afirmar deus um totalmente outro. Ele fala sobre essa transcendência radical, e a gente já falou bastante sobre isso, eu não vou dar tantos detalhes aqui, e também sobre essa rejeição da teologia natural que a gente já comentou. Revelação encontro: todos os teólogos neortodoxos rejeitaram a inspiração verbal e a inerrância das escrituras. Esse é um ponto eh pelo qual muitos teólogos conservadores rejeitam a neoortodoxia, porque Bart, assim como os demais teólogos neortodoxos, rejeitaram essa teoria de inerrância que está ligada à inerrância verbal. Se você não sabe quais são as várias correntes da doutrina da inerrância bíblica, vai lá no Macários 1, quando a gente fala sobre doutrinas, tem uma aula sobre inerrância. E eu dei essa aula, então eu lembro que a gente falou sobre as várias correntes diferentes de pensamento. Eh, a oposição de Bart não era simplesmente quanto à autoridade das escrituras. A gente já mostrou muito claramente que era central para ele a autoridade da palavra. Mas o que ele rejeitou foi essa inspiração verbal em que o texto bíblico ele foi inspirado pelo Espírito Santo palavra a palavra. verbo a verbo, partícula a partícula. Ou seja, se o texto bíblico faz menção a um número, é impossível que esse número esteja errado. De quantas pessoas morreram numa batalha, de que em que ano aconteceram esses eventos, eh, de que ordem, em que ordem se sucederam essas coisas. Então, essa compreensão de uma inspiração verbal é rejeitada por Bart. Qual é a afirmação dele? A Bíblia é testemunha da revelação, não é a revelação em si mesma. Jesus é a revelação de Deus. A Bíblia dá testemunho a respeito de Jesus, mas a Bíblia não é a revelação de Deus em si mesma, é a testemunha sobre a revelação. Deus se revelou aos autores bíblicos que escreveram sobre seu encontro com ele ao ler Deus e que escreveram sobre seu encontro com ele, com Deus. Ao ler, Deus usa o texto para se revelar ao leitor. Deus se revela à pessoa de Jesus. Deus se revela aos autores bíblicos. Os autores bíblicos escrevem o texto sob essa inspiração, ainda que a inspiração não atue no verbo, na partícula, no substantivo, ponto a ponto. Só que quando você e eu lemos a Bíblia, Deus utiliza esse texto, ainda que possa conter contradições e equívocos nesse texto, Deus utiliza esse texto para trazer a revelação a você. Deus se revela em Jesus. Deus se revelou nos autores. Os autores escrevem o texto que não é a revelação em si, mas quando você lê, Deus utiliza esse texto para se revelar a você. A Bíblia como livro humano para Bart a Bíblia é humana, falível e historicamente condicionada. Eh, é legítima. A Bíblia é legítima para o estudo crítico. Então essa é a ideia de parte de discordar do liberalismo, mas dizer que o estudo crítico pode ser feito sobre o texto em si mesmo. Afirmar a inerrância verbal do texto bíblico seria uma bibliologia docética. O que que é o docetismo? Essa ideia de que Jesus era divino, mas tinha apenas a a aparência humana. Então ele tá aplicando essa categoria a uma espécie de postura de adoração do texto que parece ter sido escrito por seres humanos, mas na verdade não tem nada de humano. Não tem nada a ver com todas as eh limitações que Paulo tinha, com todas as possibilidades de erro que Pedro tinha. Na verdade, é como se fosse o próprio Espírito Santo escrevendo aquele texto apenas utilizando a mão de Pedro, de Paulo, de Tiago, de João. Apesar disso, Bart raramente acusou a Bíblia de um erro real. A voz do Mestre. Cristãos reconhecem a voz de Deus nas Escrituras, apesar de imperfeições. A lâmpada e a luz. A Bíblia é a lâmpada. A palavra de Deus é a luz. nessa ideia de instrumento e eh e do produto e da da consequência do uso desse instrumento ou do objetivo do uso desse instrumento, que é a luz. A lâmpada é necessária, mas não é a luz, é o meio. A identificação entre revelação e texto é indireta. Deus é soberano mesmo sobre o texto objetivo. E esse texto objetivo, novamente, pode ter erros e equívocos, mas o Deus que utiliza esse texto não é não é sujeito a erros e equívocos. Eh, Bart, ele continua com uma concordância plena com a cristologia de Calcedônia. A neortodoxia situa-se dentro da ortodoxia calcedônia. Jesus Cristo, o Deus homem plenamente humano e plenamente divino. Bart afirma o nascimento virginal e intitula a sessão da encarnação o milagre do Natal. Sua visão da expiação é radicalmente objetiva. Pela morte, Jesus garantiu a reconciliação de toda a humanidade com Deus. posição que contém sementes de universalismo que Bart recusou a firmar explicitamente. O pensamento de Bart é longo, em muitos momentos é denso e bastante complexo. Então, existem muitas e especulações sobre o que Bart realmente estava querendo dizer naquela ou naquela passagem, em especial nas passagens em que ele parecia entrar em conflito com algo que a ortodoxia mais eh conservadora habitual, em especial nos círculos mais fundamentalistas, diziam: "Quanto à ressurreição corporal, gostaria muito de enfatizar esse ponto. Arte distinguiu eh historie. É uma palavra em alemão, então não é essa pronúncia, mas historiável, é aquilo que pode ser avaliado pelos historiadores. Ehirt é o significado interior, é a ideia da história revestida de significado teológico. O que é que esses eventos nos revelam sobre Deus? Ele distinguiu entre essas duas coisas, história verificável e significado anterior, mas ele foi adamantino, transparente, ele foi eh livre de qualquer dúvida. A ressurreição aconteceu no espaço e no tempo, ou seja, aconteceu em corpo. Tudo isso é importante ressaltar por alguns críticos de Bart até hoje, eu acabei de assistir um vídeo hoje de tarde, enquanto ainda estava preparando aqui os slides da nossa aula, de um teólogo brasileiro amplamente conhecido, afirmando que os teólogos ainda discutem se Bart realmente acreditava na ressurreição, literalmente na ressurreição do corpo, não. Ao meu ver, isso é um equívoco, isso é uma representação injusta daquilo que foram as afirmações de Bart e um realismo bíblico nos Estados Unidos, o ensino de Nib foi chamado de realismo bíblico, uma rejeição da negação liberal do pecado e reafirmação da depravação humana radical, mais fiel ao testemunho bíblico e agostiniano do que o próprio evangelicalismo americano. Enquanto o liberalismo pressupõe a continuidade entre Deus e o homem, Bart, Bruna e Níbor desafiaram isso com veemência. O homem está em estado de rebelião. Ele é impotente para se salvar. A neortodoxia reafirmou o agostinianismo. Uma das consequências a da obra de Cubart foi novamente resgatar o texto bíblico como fundamento paraa teologia e daí veio o movimento da teologia bíblica. Algo muito recorrente nas explicações que damos aqui nas nossas aulas do Macários nos outros cursos da IBNU. Concorrente à neorttodoxia, o movimento de teologia bíblica compartilhou suas pressuposições, uma revelação centrada em Cristo e a Bíblia como testemunha dessa revelação histórica. Eh, apoiava, se saiu errado aqui a palavra, contra eh o liberalismo e também o fundamentalismo em 1919. Então, uma cronologia do movimento da teologia bíblica. Você tem a publicação da primeira edição da carta, do comentário de parte a carta aos romanos, iniciando a revolução nos estudos bíblicos. 1930, as obras de Eodicher Robinson e Dod, o C Dodge, esses dois últimos no mundo anglófono e o os dois primeiros no mundo da teologia alemã. de 45 a 65, o apogeu do movimento no pós-guerra a produção de obras essenciais, como o Theological Dictionary of the New Testament, do Kittel e vários outros contribuidores, né? A, o Kitel foi o editor dessa obra. é uma obra magistral, acessível ainda hoje. E eu particularmente já usei várias vezes e sei que meus colegas aqui, meus colegas pastores e professores da IBNIL também já utilizarem muitos dos seus trabalhos, aulas e pregações. E se você entra no mundo dos estudos bíblicos, é impossível em algum momento você não se deparar com os verbetes do dicionário de teologia do Novo Testamento, que foi o apogeu desse movimento. Hoje o movimento morreu, mas a teologia bíblica como disciplina permanece essencial. Uma coisa é o movimento, uma organização formal de teólogos em torno de uma série de princípios. Outra coisa é o legado que esse movimento deixou. Isso continua vivo. A chave do movimento foi revelação na história. A Bíblia como unidade em diversidade, unida pela revelação ocorrida na história. Reconheceu-se, porém, a limitação do método histórico crítico. Standal propôs a distinção entre o que o texto significou e o que significa. Isso aqui são minúcias que a gente não vai poder entrar. Mas então, para resumir essa aula que foi mais longa do que o habitual, mas eu sabia que ia precisar ser mais longa, algumas contribuições e críticas à neortodoxia. Contribuições. Cbart em especial, perdão, Cbart em especial eh foi uma das figuras mais importantes no século passado para recuperar a centralidade da Escritura. Ele reafirmou a seriedade da mensagem bíblica após séculos de negligência teológica e crítica histórica. Dois, transcendência de Deus corrigiu o imanentismo liberal, reconhecendo Deus como o Senhor soberano, santo e totalmente outro. O mundo, o homem e a criação não podem ser explicados simplesmente pelas dimensões humanas, pela razão humana. pela inclinação e pela moralidade humana ou por aquilo que nós poderíamos alcançar pelos nossos esforços, mas depende desse Deus que é completamente diferente e sua revelação. Realidade do pecado reafirmou a depravação humana radical, reproduzindo mais fielmente o testemunho bíblico e reformado. centralidade de Cristo reafirmou a doutrina histórica de Jesus Cristo como o deus homem da ortodoxia calcedônia. Críticas à neortodoxia, também a transcendência radical. Em sua reação, Bart foi além do testemunho bíblico para muitos autores, ao negar a revelação natural. No final da sua vida, ele reconhece que há luzes menores, há vislumbres da verdade que estão na revelação da natureza, mas que não são suficientes para alcançar um conhecimento profundo ou pleno de Deus, como é disponível na palavra. Compreensão limitada da revelação. Ele rejeitou a revelação proposicional, optando por um encontro pessoal, criando uma falsa dicotomia. Objetividade radical. O universalismo implícito na obra de Bart, embora não afirmado, compromete a liberdade humana. Essa, como a gente, como a gente colocou, é uma questão que Bart nunca falou explicitamente, mas que eh em suas obras abriu espaço para que houvesse tal compreensão. Contexto existencialista. Sua forte contextualização no existencialismo do século XX limita seu impacto atual, seu impacto cultural atual. É, é só uma crítica sobre a crítica. Quanto a esse último ponto da crítica que é feita a teologia de Cubart, a gente precisa reconhecer que somos todos filhos do nosso tempo. Estamos todos condicionados pelas questões que são relevantes em nossa época, ainda que aquilo que a gente fale possa ter relevância em outros contextos. Originalmente, aquilo que a gente falou foi motivado pelo mundo em que a gente habitava. Então, eu entendo que, de fato, muito do que Bart falou estava eh estava sob a influência do século XX, um século marcado por muitas mudanças, mas isso não esvazia aquilo que é a relevância da sua afirmação para ou a forma de pensamento, a maneira como ele reagiu aos dilemas de sua época. para aquilo que são os nossos dilemas e a nossa condição hoje. Tá bom? Bom, pessoal, como eu disse, essa foi uma aula um pouco mais longa na parte expositiva do que as outras aulas, mas eh foi necessário porque é um assunto relevante pra gente entender a teologia do século XX, complexo, porque não está dentro desses dois lados da da polarização teológica ou liberalismo teológico ou uma ortodoxia pré-iluminista em muitos contextos, até mesmo uma ortodoxia um pouco obscurantista, é uma alternativa a esses dois caminhos e, por isso demandava um uma explicação um pouco mais minuciosa pra gente hoje aqui, tá? Vamos aqui pro chat, vamos ver se tem mais alguém que queira fazer uma pergunta, tirar uma dúvida. Bom, boa noite aí pro pessoal que eu não dei no começo, né? O Fred, o Samuel, a Ana, Terezinha, a Cátia, Fernando, Saião, Manuel, várias pessoas chegando, chegando aqui paraa nossa aula desde o começo. A, a Sandra também acho que já tinha dado boa noite para Sandra, o Paulo, o Eli, enfim, vamos lá. Deixa eu ver se tem alguma pergunta aqui. Uma pergunta do Marcos, sempre atento aqui às nossas aulas. Professor, parabéns pela aula. Tenho o livro Carta aos Romanos de Bart. Eh, a obra possui mais de 800 páginas. Você acha que é o melhor comentário que temos dar carta aos romanos? Olha, Marcos, a carta aos Romanos é uma das cartas mais estudadas da história cristã, uma das cartas mais comentadas, tanto pela academia contemporânea, quanto pela tradição que veio desde Agostinho, que passa por Lutero, por Calvino, por vários comentaristas do século XX e também obras importantes de comentário do século XX. De uma perspectiva histórica para o século XX, certamente o comentário de Bart a carta aos Romanos, é a obra mais relevante relacionada a esse livro. Agora, é uma obra de um perfil muito diferente daquilo que seria um comentário eh exegético da carta para os padrões atuais, para os padrões contemporâneos. tem muitos estudos contextuais, históricos e literários que aconteceram após a escrita do comentário de Cbart, que eh tornam pertinentes esses comentários mais recentes que estão priorizando esses aspectos, essas questões exegéticas. Então, ainda que Cbart tenha sido assim um visionário, como a gente colocou no nosso slide, uma voz profética para o século XX, a maneira como ele escreveu o seu comentário, a carta aos Romanos, ainda está fortemente ligado à maneira como o pensamento da teologia do século XX funcionava. Então você tem um tratado teológico de questões filosóficas pertinentes àquela época, muito mais marcado do que, por exemplo, o comentário aos romanos que você vai encontrar eh do do Anity W, que eu utilizei, que eu achei um excelente comentário e que já é do começo do século XX. eh, provavelmente o mesmo autor teria escrito diferente agora esse comentário. Ou outros comentários bíblicos, como a a gente tendo Douglas MU, que é um comentário também excepcional de uma perspectiva diferente do Thomas Schrin, outro teólogo eh contemporâneo que tem um perfil exegético muito aprofundado. Então, todas essas são contribuições muito boas, de perspectivas diferentes e, eu diria que complementares a nossa compreensão de um texto tão rico como é Romanos. Tá bom? Qual utilizado na aula, professor? Acho que é qual livro utilizado na aula? É uma introdução à teologia do James Sawyer, como a gente já comentou ao longo da aula. É, o Fred corrigiu a pergunta aqui no na mensagem seguinte, tá? Então, já citei aí a fonte. A Fernanda elogiando muito meu alemão. Até pensei que o senhor era alemão, professor. É verdade. Dá para perceber pela minha pronúncia e por essa minha minha cara de alemão aqui, né, Fernanda? Valeu pelo encorajamento. Senti um pouco de ironia, mas tudo bem. Vamos ver aqui. Uma pergunta difícil que certamente demanda uma resposta histórica e teológica mais eh sofisticada do que eu tenho condições de dar. Mas farei meu comentário. Professor, por que alguns cristãos apoiaram o nazismo? Eles também foram a favor de matar os judeus. Obrigado. A gente precisa considerar que o antissemitismo é uma realidade muito anterior ao século XX. Os judeus eles peregrinaram e eles eh eles migraram entre países europeus durante séculos, enfrentando uma realidade de discriminação e de rejeição em outros momentos de maior integração e aceitação em vários momentos diferentes, não só durante o século XX, mas honestamente desde a destruição de Jerusalém no ano 70, depois desde a grande guerra que acontece entre 132 e 135 depois de Cristo. Então, essa é uma história muito antiga da migração dos judeus ainda no período do Império Romano, mas olhando mais próximo aqui para o século XX e tentando entender o nazismo, eh, nos séculos que antecedem o século XX, eh a história de restringir a circulação dos judeus aos guetos, a moradia dos judeus aos guetos, impedimento de atividades comerciais, a compra de terras, a limitação na ocupação de vagas, eh, públicas, de posto público ou de universidades, no período mais recente. Quer ver um fato interessante? No século passado, nos Estados Unidos, durante pouco antes durante do período da Segunda Guerra Mundial, [roncando] um fato é que eu não conheci até pouco tempo atrás é que Harvard ela limitava o número de vagas que poderiam ser ocupadas em suas cadeiras por estudantes judeus. Eu descobri isso lendo a biografia do físico Openenheimer, né? Ele ele estudou em Harvard na sua graduação, eh, mas teve que lidar com essa realidade. Ah, então o o que a gente percebe é que o antissemitismo é um fenômeno antigo, é um fenômeno que não estava restrito apenas à Alemanha e tem raízes bastante complexas. Mas na Alemanha essa história também é antiga. Infelizmente a gente tem textos do Martinho Lutéo que apoiava uma postura antissemita. Não porque Lutero era especialmente depravado ou era especialmente eh e eh eh tinha uma uma desaprovação excepcional em relação aos judeus. Mas porque o próprio ambiente que Lutero vivia já tinha normalizado uma postura de desconfiança com judeus, entre outros motivos, por argumentações teológicas equivocadas, mas argumentações teológicas de que os judeus era um impedimento para a expansão do cristianismo, que os judeus é que eram os verdadeiros culpados pela morte de Jesus. Quando a gente encontra essa Alemanha entre as duas guerras mundiais, o período em que o o nazismo cresce e a a retórica nazista ganha espaço, a gente encontra uma Alemanha devastada pela Primeira Guerra Mundial, eh uma Alemanha massacrada pelo tratado de Versalhes e agora o discurso de um líder carismático, eh, arrebatador em sua oratória e que convencia os alemães de que a a Alemanha poderia ser grande novamente, de que ela não só poderia recuperar sua economia, como já estava recuperando parte da sua pujança econômica, eh, militar sob a liderança de Hitler e que conseguiu convencer os alemães de que a Alemanha estava se recuperando, iria se recuperar e se tornaria novamente uma potência mundial, porque Deus estava do lado deles. Então, era uma interpretação regueliana da história, como a gente já colocou até certo ponto, na perspectiva de que Deus é que era o responsável pelo eh pelo pelo pela ascensão que a Alemanha experimentaria nos próximos anos a partir da liderança de Hitler. Então, a gente tem um discurso que envolve o orgulho nacional, que envolve a teologia, que era a religião eh oficial da Alemanha, como é até hoje, mas é um estado muito mais influenciado por forças seculares hoje e por uma laicidade hoje do que era na época eh entre guerras, né, na época em que Hitler ascendeu ao poder. E você tem é esse discurso triunfalista que captou e que capta o coração da igreja até hoje, de muitas maneiras, quando entende que o reino de Deus é um reino como os outros reinos. é um reino que se estabelece pela força, pelo domínio político, pelo domínio das posições de poder. Então, eh, eu acredito que essas foram condições que tornaram a a realidade amarga do alinhamento entre a Igreja Luterana alemã e o discurso eh nacional socialista, algo tão próximo. que sim, tiveram muitos eh cristãos que sabiam e lideranças cristãs, pastores, que sabiam o que estava sendo feito nos campos de concentração e que apoiaram eh a solução final, né, que apoiaram o holocausto. Vamos ver aqui. Bom, eh, eu não estou vendo mais tantas perguntas sobre o conteúdo da aula, mas comentários e perguntas sobre eh aquilo que a gente acabou de comentar quanto ao nazismo. Claro que isso tem uma pertinência, porque o contexto em que Bart escreveu as suas principais obras foram durante ou após a Segunda Guerra Mundial. E aquilo que houve nesses eventos terríveis da Primeira e da Segunda Guerra Mundial foram motivações das mais básicas e fundamentais para Caart recrever e reinterpretar a sua teologia, as escrituras e a revelação de Deus na pessoa de Jesus. Eh, então, a entaminhe para uma discussão sobre a relação entre a igreja e o nazismo, mas eu eu gostaria de enfatizar aquilo que foi a resposta de Bart recuperação de algumas ênfases e tônicas da teologia cristã, que é justamente uma delas compreender essa profunda falibilidade humana e essa profunda corrupção do coração humano. O fato é que a luz da interpretação não só de Cbart, como de muitos teólogos que não são neortodoxos, o ser humano, cada um de nós, somos capazes de fazer muito eh mais mal e infligir muito mais dois sofrimentos sobre os outros do que nós pensamos nos nossos piores pesadelos. Nós temos essa capacidade de fazer o que é mal. Desconsiderar isso na nossa análise e na nossa interpretação do que a Bíblia revela sobre o ser humano é um equívoco muito grave. E talvez essa seja uma das razões pelas quais aqueles cristãos parecem terem ficado cegos para o fato de que aquilo que eles estavam fazendo era uma atrocidade terrível, que era a ideia de que nós somos cristãos que eh fomos transformados e estamos sendo eh de alguma forma assim a expressão da ação de Deus que foi se revelando ao longo da história até chegar ao ponto que nós nos encontramos hoje. então estirpar esse mal que são judeus, que são outros grupos como os homossexuais ou outros grupos menos falados no período do nazismo como ciganos, enfim, eh tudo isso, na verdade é manifestação da vontade de Deus que se faz por meio dessa igreja que agora tem essa oportunidade de purificar, purificar a raça, purificar a igreja, purificar a cultura, purificar as instituições. Era muito dessa mentalidade que estava implícito eh nessa validação que o discurso teológico que as igrejas tinham do seu alinhamento com o nazismo. Tá bom, pessoal? Bom, a Judi te faz um uma pergunta aí interessante, mas eh confesso que talvez não seja o contexto mais apropriado ou talvez o meu conhecimento seja restrito sobre isso mesmo. Porque que o antissemitismo continua? Eu acho que alguns desses motivos que levaram ao contexto do holocaust do holocausto não desapareceram completamente. Judit, houve um grande arrependimento e conscientização do horror que foi o holocausto, mas você tem fatos recentes de anos há talvez 5 se anos atrás de autoridades que desejaram afirmar que o holocausto não aconteceu, de que isso foi um revisionismo histórico, isso foram eh os poderosos que quiseram reescrever a história colocando os judeus como vítimas, quando na verdade eles são os opressores. Então, eh, um, um esquecimento histórico e uma tentativa de encontrar um bode expiatório para todos os males da humanidade, me parecem ser em boa medida responsáveis por esse comportamento que permanece hoje, tá? Então, ah, bom, eu acho que que realmente sua pergunta demanda uma resposta melhor do que eu posso dar nesse momento. Bom, pessoal, nossa aula já avançou bastante no horário. Eu agradeço todo mundo que permaneceu, teve a insistência aí de ficar até o final. A gente vai ter a próxima aula, na quinta-feira, falando sobre teologia da libertação. Então, a gente chegou próximo, não apenas no tempo, porque falamos da teologia do século XX, mas também agora no espaço, porque vamos falar sobre essa teologia. é tão relevante para o contexto latino-americano. Vamos então nos reencontrar quinta-feira que vem, daqui a dois dias, para falar sobre teologia da libertação e suas implicações para a igreja cristã. Forte abraço a todos, uma boa noite, bons estudos e até mais.