POR QUE A BÍBLIA CATÓLICA TEM MAIS LIVROS QUE A BÍBLIA EVANGÉLICA? – PEDRO DULCI
01/07/2026
POR QUE A BÍBLIA CATÓLICA TEM MAIS LIVROS QUE A BÍBLIA EVANGÉLICA? – PEDRO DULCI
A bíblia católica e a bíblia evangélica possui muitas diferenças, tanto em leitura quanto em composição. Essa diferença está ligada ao processo histórico de formação do cânon e ao papel atribuído à Igreja nesse processo — muitas vezes resumido na ideia de que foi a Igreja que “definiu” ou “reconheceu” a Bíblia. Neste video, Pedro Dulci explica como se deu a formação do cânon bíblico e por que existem diferenças entre a Bíblia católica e a evangélica.
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
Mas era trazer essa pergunta para o canon, que foi o que você citou, né? Lembrando, a ideia de canon é a regra ali, são os livros que são ah reconhecidos como palavra do Senhor. Na igreja eh protestante nós temos 66. Na Igreja Católica são 77, agora fiquei em São livros a mais, né? 74 a >> é são 73. 73 foi a conta. Foi horrível agora. Não julgue a nossa teologia pela minha matemática. Mas isso aí, Saor, eh, edita isso aí pra gente não parecer ignorante na matemática. >> É verdade. Verdade. Mas é isso. Quem é bom de de exatas tem dificuldade nas humanas e o contrário também acontece. >> Mas ok, são sete livros a mais e quatro acréscimos, se eu não me engano, eh, que temos em Daniel e Ester, né? >> Mas >> OK. E aí nós olhando para isso, o porquê o por que isso acontece, né? Você já trouxe a ideia aí da tradução e tal, mas especificamente esses livros, né? O que que a gente pode ver assim em termos gerais desses livros a mais? Onde é que eles ficam, né? Eu citei que existe números a mais, mas onde é que eles estão na escritura? Enfim. >> Muito bom. Eu acho que isso é uma boa uma boa porta de entrada pra gente explicar até uma disciplina que é muito bom. E o Gregon também tem um livro excelente sobre isso, que eu chamei de história do dogma, né, que é a eh diferente da história da igreja, história da filosofia, história do pensamento cristão, a história do dogma, ela conta como que as doutr, qual que é a história de formação das doutrinas, porque de fato uma coisa é a palavra de Deus revelada para nós, registrada por homens eh divinamente inspirados, isso é a Bíblia, a revelação. Por outro lado, a nossa formulação da trindade, da dupla natureza de Cristo e inclusive do próprio canon, é uma formulação doutrinária. E e por isso que tem variação, por isso que a gente tem 66 livros e eles têm 73. Agora, como é que isso se dá? Então já fica a dica que o Gregon tem um outro livro muito bom sobre isso. A igreja tinha sempre teve nos seus concílios, nas suas nas suas reuniões conciliares com os líderes da igreja, sempre teve os seus critérios para decidir canonicidade. Também não dá para falar sobre isso aqui, é um assunto muito bom, muito interessante, mas eh sobre a a o recon no Antigo Testamento, o reconhecimento disso da tradição judaica. no Novo Testamento, eh, se veio de um apóstolo ou de alguém muito próximo de um apóstolo, se tinha concordância interna, que a gente chama de concordância canônica, ou seja, dentro do próprio canon. Só que uma coisa são os protestantes fazerem isso numa numa postura passiva diante da revelação. Ou seja, eu reconheço os livros do canon. A a escritura me diz aquilo que é canônico e o que não é canônico. A própria escritura dá conta disso. E a igreja reconhece. O grande ponto de distinção que o Gregson chama atenção aqui é que existe o magistério da igreja. Isso é um é um é um concepção muito forte em que eles não reconhecem o canon, eles criam canon, eles eles >> eles for >> definem >> canon, >> eles definem o canon. Exatamente. >> Uhum. E isso volta aquele conglomerado que a gente falou de escritura e autoridade para dizer que a escritura passa a existir junto e dependente da autoridade do magistério. Os evangélicos não acreditam nisso. Os evangélicos, é claro, a gente discute muita coisa. Eh, teólogos da igreja evangélica e da igreja protestante muito específicos, eles podem discordar aqui e ali, tem a velha eh e anedótica história de Lutero com a carta de Thago, que deu muito >> Mas claro, era a opinião, é a opinião de de uma pessoa. É muito importante quando a gente estuda história do dogma, concílios e catecismos, justamente para mostrar, olha, a despeito do Lutero, que nós somos signatários e devedores de muita coisa, a própria Bíblia não mostra contradição tão grande assim, tão evidente como ele via entre os escritos do apóstolo Paulo e de Tiago. Então, >> aliás, não há contradição, né? A ideia de um paradoxo ali que quando a gente estuda a fundo, a gente vê como se harmonizam, né? >> Harmonizam. Então, a gente tem uma postura passiva diante disso, deixar a Bíblia criar as as os nossos princípios interpretativos, a nossa recepção do seu ensino, mesmo que para nós seja uma aparente contradição, na verdade uma complementaridade linda. Na Igreja Católica não tem isso. >> Na Igreja Católica a gente tem um magistério que é responsável por dizer aquilo que está dentro e está fora, que define aquilo que é Bíblia. E nesse sentido é correto dizer que a a igreja cria a escritura e não o contrário.