A Minha e a Tua Loucura | Josemar Bessa
04/08/2026
A Minha e a Tua Loucura | Josemar Bessa
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Fonte: Josemar Bessa
Legendas automáticas:
Há um tipo de oração que só se aprende depois da queda. Não nasce no templo, mas no chão. Não vem da voz, mas do quebrantamento. É a oração que Davi faz no Salmo 69. Ó Deus, tu conheces a minha loucura e os meus pecados não estão ocultos de ti. Nenhum homem ousaria dizê-la se ainda acreditasse ser sábio. Ela nasce quando o orgulho desaba, quando a fachada cede, quando o coração entende que a toice não está lá fora, está dentro. Até os melhores tem uma medida de loucura, mesmo os mais santos carregam uma sombra de insensatez. E às vezes ela se manifesta nos gestos, nas palavras, nas decisões que depois nos envergonham. Mas há uma diferença. O homem de Deus sabe, ele reconhece e se curva. Quão gentis deveremos ser com os tolos. Lembrando o quão tolos somos nós, com pacientes, com os fracos, quando recordamos quantas vezes fomos sustentados, quão agradecidos deveríamos ser a Cristo, feito por Deus nossa sabedoria, quando vemos o quanto de loucura ainda se esconde em nossas boas intenções. A toice é como a era, cresce junto do tempo, sobe pelas paredes da alma, envolve até os pilares da fé. E se não for podada, cobre tudo. Mas o homem bom não a nega, ele a confessa. Ele não se apresenta diante de Deus como fariseu, orgulhoso de sua descência, satisfeito com sua piedade. Ele entra como publicano, com o rosto abatido, apenas diz: "Tem misericórdia de mim, pecador". O homem que vê seu pecado lamenta, mas o homem que sabe que Deus o vê se quebra. Porque o olhar de Deus penetra o que nem nós conseguimos ver. Ele vê o que os olhos não enxergam, o que as máscaras não cobrem, o que o silêncio não cala. O homem que teme a Deus não teme ser visto pelos homens, teme ser visto por Deus. E paradoxalmente é isso que o salva, porque o mesmo olhar que expõe um pecado é o olhar que o cobre com sangue. Que mistério é esse? Deus vê o que não pode deixar de ver, mas escolhe não ver. Sabe o que não pode esquecer, mas decide lançar atrás de si. Ele cobre o que continua diante de seus olhos, não com sombra, mas com cordeiro. Há uma justiça que veste o pecador sem mérito do homem, mas o envolve com Cristo. E quando o Pai olha para o homem redimido, ele vê o filho no lugar dele. Essa é a loucura da cruz, a sabedoria que o mundo chama de insensatez. E é por isso que o cristão, ao confessar não desespera, ele adora. Deus conhece nossa loucura porque é infinito em conhecimento. Nada está fora do alcance do seu olhar, o passado, o presente e o que ainda não veio. Tudo está diante dele como um único instante. Nada lhe escapa, nem o pensamento não dito, nem o desejo abortado, nem a intenção camuflada sob piedade. Não há portas trancadas que o excluam. Não há noite que o esconda, não há silêncio que o engane. Deus não é espectador distante. Ele estava lá durante o pecado. Enquanto fizemos, enquanto pensamos, há olhos humanos que vem gestos, mas só Deus lê corações. E quando ele lê, não lê tinta, lê intenções. Não apenas o que dissemos, mas o que queríamos dizer. Não apenas o que fizemos, mas o que teríamos feito se ninguém estivesse vendo. Ele conhece o orgulho que manchou a boa obra, a vaidade que contaminou a oração, o ego escondido na oferta generosa. Nenhum ato santo é tão puro que não precise de misericórdia. Nenhuma boa obra é tão limpa que não precise de sangue. E mesmo assim ele não se afasta. O Deus que tudo vê permanece, não por ignorância, mas por graça. Ele vê o pior e continua chamando. Ele lêu o pecado e ainda escreve redenção. Ele contempla a loucura e sussurra: "Eu te amei com amor eterno". A maioria dos homens não se importa que Deus os veja. Vivem como se o olhar do Altíssimo fosse cego. Mas o homem agreciado treme sob esse olhar. Ele não o evita, o busca. diz: "Sonda-me, ó Deus, não para ser condenado, mas para ser limpo. Pois a unisciência que revela é a mesma que cura. O fogo que purifica é o mesmo que ilumina. E quando a alma se entrega ao olhar de Deus, não encontra julgamento, encontra justificação. Nada escapa. Nem o crime cometido em segredo, nem o pensamento abortado no meio da oração, nem a omissão que ninguém notou. Deus vê os pecados públicos e os disfarçados de virtude. Vê o fariseu e o publicano ao mesmo tempo e conhece o coração de ambos. O olhar dele pesa intenções, não mede aparências. Ele é o ourives do invisível. Pesa o ouro da alma. Se há orgulho na obediência, ele o percebe. Se há vaidade na humildade, ele anota. E ainda assim ama. Mas esse olhar não envelhece. O tempo apaga a memória do homem, mas não é de Deus. O pecado de ontem está diante dele como de hoje. O de 40 anos atrás ainda fala em sua presença. Nossos pecados não ficam antigos, ficam atuais diante da eternidade. Deus vê o mapa inteiro de nossa história, como quem olha de si me enxerga todas as estradas ao mesmo tempo. E nada se perdeu, nada ficou para trás, nada foi esquecido, a menos que tenha sido lavado, a menos que tenha sido coberto, a menos que tenha sido cravado na cruz. Um dia tudo será revelado. O que chamamos de segredo é apenas um pecado esperando a luz. O que escondemos no escuro será lido em voz alta. Haverá um dia em que os livros serão abertos e cada palavra ociosa será trazida à lembrança. O que envergonha o homem diante de homens, envergonhará diante de Deus, a não ser que o sangue fale primeiro, e o sangue falará. Mais alto que a culpa, mais doce que o medo. Deus vê as omissões, as orações que não fizemos, as palavras que calamos, os gestos de amor que adiamos. Vê a frieza com que oramos, a pressa com que servimos, a distração com que adoramos. Vê o cansaço das nossas mãos, mas também o orgulho com que às vezes as levantamos e mesmo assim ele as segura. Ele conhece até nossas falsidades santas, as palavras que são humildes, mas escondem vaidade. Os cânticos que exalam emoção, mas não fé, as lágrimas que correm dos olhos, mas não do coração. E ele que poderia nos expor, nos purifica. Sim, ele conhece nossa loucura, mas também conhece o que nos resta de amor. Sabe que entre tropeços e quedas ainda há fé. pequena, vacilante, mas real. E é isso que o prende a nós, o fim invisível que não se rompe, porque no fim ele não nos mede pela perfeição, mas pela dependência. Então, diante desse olhar que tudo vê, o cristão não foge. Ele se ajoelha, não porque é forte, mas porque descobriu que o olhar de Deus não destrói, o redime. E ele pode dizer com Davi, com o rosto molhado e o coração em paz: "Ó Deus, tu conheces a minha loucura e os meus pecados não estão ocultos de ti." Há olhos que julgam e há olhos que amam. O de Deus faz os dois. Ele vê tudo, mas não desvia o rosto. Vê o abismo e desce até ele. Vê a loucura e cobre com sabedoria. Vê o pecado e responde com sangue. A cada vez que pecamos, Deus poderia apagar o mundo. Mas em vez disso, ele escreveu uma cruz. Porque o olhar que lê o pecado é o mesmo que o apaga. O mesmo que viu Pedro negar, viu também suas lágrimas. O mesmo que viu Davi cair, viu também seu salmo nascer. O mesmo que viu você errar, viu também um filho morrer. Deus conhece, Deus pesa, Deus sonda, mas acima de tudo Deus salva. O inferno é viver escondendo o que Deus já viu. O céu é descansar no perdão que ele já ofereceu. E quando a consciência gritar e o passado quiser te condenar, lembre-se, o mesmo olhar que viu a tua loucura foi o olhar que não desviou do Glgota. Ele viu tudo e mesmo assim te amou. Santo Deus, eu [canto] me aproximo sem defesa, sem razão. Tu me vês nos detalhes, [canto] no segredo do coração, [música] nos pequenos pensamentos, [canto] nas palavras que eu [música] soltei. Teu espírito me chama, confessa. E eu confessei, não escondo [canto] minha culpa, não [música] maquio minha dor. Contra ti eu pequei [canto] contra [música] o teu santo amor. Mas que atos minha [canto] raiz, [música] um querer desalinhado. Eu preciso de [música][canto] limpeza. Eu preciso ser [canto] lavado. [música] Cordeiro, [canto] minha justiça, [música] fim do meu tribunal. Eu largo a autojustiça, [canto] me rendo ao teu final. [canto] Jesus, [música] tem misericórdia. >> [música] >> Jesus, vem me purificar. [música] [canto] Teu sangue fala mais alto que o meu pecado a gritar. [grito] Minha única [música][canto] defesa é a cruz, é o teu [música] favor. Eu adoro a tua graça. [canto] Eu [música] descanso no teu amor. >> Tua misericórdia [música][canto] é melhor. Tua misericórdia [música][canto] é meu lar. >> Rei dos reis, [canto] eu me prostro. Tu [música] és luz e eu sou pó. [canto] Quando eu tento ser dono, [música] eu no terco em mim só. [música] Autonomia [canto] é mentira, autossuficiência também. [música] Tu és fonte, tu és vida. Sem ti nada me sustém. [música] Eu [canto] não venho com rico, venho com mãos [música] sem ter. Não confio no meu choro, [canto] nem o meu vou [música] vencer. Eu confio na firmeza [canto] do teu pacto, >> [música] >> ó Senhor. Tua aliança [canto] é selada no