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A fé vem pelo ouvir

A Minha e a Tua Loucura | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Há um tipo de oração que só se aprende
depois da queda. Não nasce no templo,
mas no chão. Não vem da voz, mas do
quebrantamento. É a oração que Davi faz
no Salmo 69. Ó Deus, tu conheces a minha
loucura e os meus pecados não estão
ocultos de ti. Nenhum homem ousaria
dizê-la se ainda acreditasse ser sábio.
Ela nasce quando o orgulho desaba,
quando a fachada cede, quando o coração
entende que a toice não está lá fora,
está dentro. Até os melhores tem uma
medida de loucura, mesmo os mais santos
carregam uma sombra de insensatez. E às
vezes ela se manifesta nos gestos, nas
palavras, nas decisões que depois nos
envergonham. Mas há uma diferença. O
homem de Deus sabe, ele reconhece e se
curva.
Quão gentis deveremos ser com os tolos.
Lembrando o quão tolos somos nós, com
pacientes, com os fracos, quando
recordamos quantas vezes fomos
sustentados,
quão agradecidos deveríamos ser a
Cristo, feito por Deus nossa sabedoria,
quando vemos o quanto de loucura ainda
se esconde em nossas boas intenções. A
toice é como a era, cresce junto do
tempo, sobe pelas paredes da alma,
envolve até os pilares da fé.
E se não for podada, cobre tudo. Mas o
homem bom não a nega, ele a confessa.
Ele não se apresenta diante de Deus como
fariseu, orgulhoso de sua descência,
satisfeito com sua piedade. Ele entra
como publicano, com o rosto abatido,
apenas diz: "Tem misericórdia de mim,
pecador". O homem que vê seu pecado
lamenta, mas o homem que sabe que Deus o
vê se quebra. Porque o olhar de Deus
penetra o que nem nós conseguimos ver.
Ele vê o que os olhos não enxergam, o
que as máscaras não cobrem, o que o
silêncio não cala. O homem que teme a
Deus não teme ser visto pelos homens,
teme ser visto por Deus.
E paradoxalmente é isso que o salva,
porque o mesmo olhar que expõe um pecado
é o olhar que o cobre com sangue. Que
mistério é esse? Deus vê o que não pode
deixar de ver, mas escolhe não ver. Sabe
o que não pode esquecer, mas decide
lançar atrás de si. Ele cobre o que
continua diante de seus olhos, não com
sombra, mas com cordeiro. Há uma justiça
que veste o pecador sem mérito do homem,
mas o envolve com Cristo. E quando o Pai
olha para o homem redimido, ele vê o
filho no lugar dele. Essa é a loucura da
cruz, a sabedoria que o mundo chama de
insensatez. E é por isso que o cristão,
ao confessar não desespera, ele adora.
Deus conhece nossa loucura porque é
infinito em conhecimento. Nada está fora
do alcance do seu olhar, o passado, o
presente e o que ainda não veio. Tudo
está diante dele como um único instante.
Nada lhe escapa, nem o pensamento não
dito, nem o desejo abortado, nem a
intenção camuflada sob piedade. Não há
portas trancadas que o excluam. Não há
noite que o esconda, não há silêncio que
o engane. Deus não é espectador
distante. Ele estava lá durante o
pecado. Enquanto fizemos, enquanto
pensamos,
há olhos humanos que vem gestos, mas só
Deus lê corações. E quando ele lê, não
lê tinta, lê intenções. Não apenas o que
dissemos, mas o que queríamos dizer. Não
apenas o que fizemos, mas o que teríamos
feito se ninguém estivesse vendo. Ele
conhece o orgulho que manchou a boa
obra, a vaidade que contaminou a oração,
o ego escondido na oferta generosa.
Nenhum ato santo é tão puro que não
precise de misericórdia. Nenhuma boa
obra é tão limpa que não precise de
sangue. E mesmo assim ele não se afasta.
O Deus que tudo vê permanece, não por
ignorância, mas por graça. Ele vê o pior
e continua chamando. Ele lêu o pecado e
ainda escreve redenção. Ele contempla a
loucura e sussurra: "Eu te amei com amor
eterno". A maioria dos homens não se
importa que Deus os veja. Vivem como se
o olhar do Altíssimo fosse cego. Mas o
homem agreciado treme sob esse olhar.
Ele não o evita, o busca. diz:
"Sonda-me, ó Deus, não para ser
condenado, mas para ser limpo. Pois a
unisciência que revela é a mesma que
cura. O fogo que purifica é o mesmo que
ilumina. E quando a alma se entrega ao
olhar de Deus, não encontra julgamento,
encontra justificação.
Nada escapa. Nem o crime cometido em
segredo, nem o pensamento abortado no
meio da oração, nem a omissão que
ninguém notou.
Deus vê os pecados públicos e os
disfarçados de virtude. Vê o fariseu e o
publicano ao mesmo tempo e conhece o
coração de ambos. O olhar dele pesa
intenções, não mede aparências. Ele é o
ourives do invisível. Pesa o ouro da
alma. Se há orgulho na obediência, ele o
percebe. Se há vaidade na humildade, ele
anota. E ainda assim ama.
Mas esse olhar não envelhece. O tempo
apaga a memória do homem, mas não é de
Deus. O pecado de ontem está diante dele
como de hoje. O de 40 anos atrás ainda
fala em sua presença. Nossos pecados não
ficam antigos, ficam atuais diante da
eternidade.
Deus vê o mapa inteiro de nossa
história, como quem olha de si me
enxerga todas as estradas ao mesmo
tempo. E nada se perdeu, nada ficou para
trás, nada foi esquecido, a menos que
tenha sido lavado, a menos que tenha
sido coberto, a menos que tenha sido
cravado na cruz. Um dia tudo será
revelado. O que chamamos de segredo é
apenas um pecado esperando a luz. O que
escondemos no escuro será lido em voz
alta. Haverá um dia em que os livros
serão abertos e cada palavra ociosa será
trazida à lembrança. O que envergonha o
homem diante de homens, envergonhará
diante de Deus, a não ser que o sangue
fale primeiro, e o sangue falará. Mais
alto que a culpa, mais doce que o medo.
Deus vê as omissões, as orações que não
fizemos, as palavras que calamos, os
gestos de amor que adiamos. Vê a frieza
com que oramos, a pressa com que
servimos, a distração com que adoramos.
Vê o cansaço das nossas mãos, mas também
o orgulho com que às vezes as levantamos
e mesmo assim ele as segura. Ele conhece
até nossas falsidades santas, as
palavras que são humildes, mas escondem
vaidade. Os cânticos que exalam emoção,
mas não fé, as lágrimas que correm dos
olhos, mas não do coração. E ele que
poderia nos expor, nos purifica. Sim,
ele conhece nossa loucura, mas também
conhece o que nos resta de amor. Sabe
que entre tropeços e quedas ainda há fé.
pequena, vacilante, mas real. E é isso
que o prende a nós, o fim invisível que
não se rompe, porque no fim ele não nos
mede pela perfeição, mas pela
dependência. Então, diante desse olhar
que tudo vê, o cristão não foge. Ele se
ajoelha, não porque é forte, mas porque
descobriu que o olhar de Deus não
destrói, o redime. E ele pode dizer com
Davi, com o rosto molhado e o coração em
paz: "Ó Deus, tu conheces a minha
loucura e os meus pecados não estão
ocultos de ti." Há olhos que julgam e há
olhos que amam. O de Deus faz os dois.
Ele vê tudo, mas não desvia o rosto. Vê
o abismo e desce até ele. Vê a loucura e
cobre com sabedoria. Vê o pecado e
responde com sangue.
A cada vez que pecamos, Deus poderia
apagar o mundo. Mas em vez disso, ele
escreveu uma cruz. Porque o olhar que lê
o pecado é o mesmo que o apaga. O mesmo
que viu Pedro negar, viu também suas
lágrimas. O mesmo que viu Davi cair, viu
também seu salmo nascer. O mesmo que viu
você errar, viu também um filho morrer.
Deus conhece, Deus pesa, Deus sonda, mas
acima de tudo Deus salva. O inferno é
viver escondendo o que Deus já viu. O
céu é descansar no perdão que ele já
ofereceu. E quando a consciência gritar
e o passado quiser te condenar,
lembre-se, o mesmo olhar que viu a tua
loucura foi o olhar que não desviou do
Glgota. Ele viu tudo e mesmo assim te
amou. Santo Deus, eu [canto] me aproximo
sem defesa, sem razão.
Tu me vês nos detalhes, [canto]
no segredo do coração, [música]
nos pequenos pensamentos, [canto]
nas palavras que eu [música] soltei.
Teu espírito me chama,
confessa.
E eu confessei,
não escondo [canto] minha culpa,
não [música] maquio minha dor.
Contra ti eu pequei [canto]
contra [música] o teu santo amor.
Mas que atos minha [canto] raiz,
[música] um querer desalinhado.
Eu preciso de [música][canto] limpeza.
Eu preciso ser
[canto] lavado.
[música]
Cordeiro, [canto] minha justiça,
[música]
fim do meu tribunal.
Eu largo a autojustiça, [canto]
me rendo ao teu final.
[canto] Jesus, [música]
tem misericórdia.
>> [música]
>> Jesus,
vem me purificar.
[música]
[canto]
Teu sangue fala mais alto que o meu
pecado a gritar. [grito]
Minha única [música][canto]
defesa
é a cruz, é o teu [música] favor. Eu
adoro a tua graça.
[canto]
Eu [música] descanso no teu amor.
>> Tua misericórdia
[música][canto] é melhor.
Tua misericórdia [música][canto]
é meu lar.
>> Rei dos reis, [canto] eu me prostro.
Tu [música] és luz e eu sou pó. [canto]
Quando eu tento ser dono, [música] eu no
terco em mim só.
[música] Autonomia [canto]
é mentira,
autossuficiência
também.
[música]
Tu és fonte, tu és vida.
Sem ti nada me sustém. [música]
Eu
[canto] não venho com rico,
venho com mãos [música]
sem ter. Não confio no meu choro,
[canto]
nem o meu vou [música] vencer. Eu confio
na firmeza [canto] do teu pacto,
>> [música]
>> ó Senhor.
Tua aliança [canto]
é selada no

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