A rocha alta demais para mim – REV. DANIEL SANTOS
05/08/2026
A rocha alta demais para mim – REV. DANIEL SANTOS
Como permanecer perto de Deus mesmo quando estamos longe da igreja?
Nesta exposição do Salmo 61, aprendemos que a distância física nunca deve se transformar em distância espiritual. Davi escreve este salmo em um momento de afastamento da casa de Deus, mas seu coração continua desejando intensamente a presença do Senhor.
A mensagem apresenta três princípios práticos para manter a comunhão com Deus em tempos de mudança, viagens, exílio, sofrimento ou solidão: não usar a distância como desculpa para abandonar a fé, reformular corretamente as expectativas diante das novas circunstâncias e contemplar a esperança messiânica revelada nas Escrituras.
Ao longo da exposição, somos lembrados de que Deus continua sendo nossa Rocha, nosso Refúgio e nossa Torre Forte. A verdadeira segurança não está no lugar onde estamos, mas na presença do Senhor, que permanece fiel em qualquer circunstância.
Se você está vivendo um período de afastamento, mudanças ou dificuldades, esta mensagem mostrará como fortalecer sua comunhão com Deus e ajustar seu coração às promessas da Sua Palavra.
INFORMAÇÕES:
Pastor: DANIEL SANTOS
Passagem: Salmo 61
Série: Lamentos com esperança
#ipsantoamaro #presbiteriana
CAPÍTULOS:
00:00 – Salmo 61: Leitura e Introdução
03:49 – O Clamor de Quem Está Longe
05:33 – Distância Não é Distanciamento Espiritual
08:10 – Não Use a Distância Como Desculpa
12:03 – Sentir Falta de Deus
17:22 – Deus Recebe Nossa Sinceridade
20:23 – O Perigo de se Acostumar Longe de Deus
21:42 – A Rocha que é Mais Alta
24:30 – Reformule Suas Expectativas
26:51 – A Carta de Jeremias aos Exilados
31:01 – Lembre-se da Sua História com Deus
36:13 – Os Votos e a Fidelidade do Senhor
37:45 – Contemple a Realidade Messiânica
40:07 – Tudo Foi Criado Para Cristo
43:02 – Louvando a Deus em Qualquer Lugar
44:25 – Oração Final
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
A porção da palavra de Deus hoje encontra-se em no livro dos Salmos. Hoje o Salmo 61. Salmo 61. Como nós já temos visto, o livro dos Salmos tem nos mostrado que os Salmos, na verdade nos ensinam diversas maneiras de expressar a nossa insatisfação. Semana passada a gente viu até um salmo que nos ensina a reclamar com Deus. E eu disse a importância de aprendermos fazer isso, porque às vezes reclamamos para a pessoa errada. e você reclamar paraa pessoa errada, você só se frustra e irrita a pessoa para quem você está reclamando. E ela não pode fazer nada a respeito daquilo que você está reclamando. Então, é importante você ter isso em mente. Ah, você deve aprender a linguagem dos salmos, que não é simplesmente orações bonitas, coisas assim, não. A a linguagem dos salmos mostram a angústia. às vezes a aflição, às vezes até a indignação do salmista em relação ao que estava acontecendo. Então, o nosso Deus é um Deus que ouve todas essas coisas e também, como aprendemos a semana passada e é também um ditado popular, quem fala o que quer, ouve o que não quer. E na semana passada nós vimos qual foi a resposta de Deus à oração do salmista. O salmo de hoje 61, ele é dedicado ao mestre de cantado na liturgia em Israel, ele era usado com instrumentos de cordas. E é um salmo também de autoria davídica. Diz assim a palavra de Deus: "Ouve, ó Deus, a minha súplica e atende a minha oração. Desde os confins da terra clamam por ti no abatimento do meu coração. Leva-me para a rocha que é alta demais para mim, pois tu tens sido o meu refúgio e uma torre forte contra o inimigo. que eu possa habitar no teu tabernáculo para sempre e abrigar-me no esconderijo das tuas asas. Pois ouviste, ó Deus, os meus votos e me deste herança dos que temem o teu nome. Dias sobre dias acrescentas ao rei. Os seus anos duram gerações após gerações. Que ele permaneça para sempre diante de Deus. concede-lhe que a bondade e a fidelidade o preservem. Assim cantarei louvores ao teu nome para sempre, para cumprir dia após dia os meus votos. Até aqui a leitura da palavra de Deus. Vamos orar mais uma vez. Ó Deus bendito, guia-nos na compreensão da tua palavra. Nossa mente é incapaz de entender a verdade plena revelada nas Escrituras. Precisamos que o teu espírito, o mesmo que a inspirou, possa agora trazer cativos nossos pensamentos à tua palavra e ensinar-nos. [roncando] Essa é a nossa oração e a fazemos porque cremos que sem ti nós nada podemos fazer. Oramos em nome de Jesus. Amém. Meus irmãos, o Salmo 61 fala de alguém que faz uma súplica. Deu para perceber aí, a partir de um local distante do templo. E ele diz no versículo já primeiro que ele, no versículo dois que ele está fazendo essa oração desde os confins da terra. Seja lá, que local é esse, dá para perceber que não é um local próximo, próximo ou da casa de Deus ou próximo da terra de Israel. Davi, em algumas ocasiões esteve sim longe uma delas, talvez por causa da perseguição que um dos seus filhos acabou ah construindo em relação ao seu pai por diversas razões que não vem ao caso. Agora, Davi, sendo o rei em Israel, precisou ficar isolado longe do palácio, longe do templo. O texto não, o título não menciona exatamente isso, mas para nós que conhecemos a história de Davi, nós conseguimos mais ou menos ah identificar situações como essa. De qualquer forma, o texto não fala e não é de total importância que seja esse contexto, mas a ideia é alguém escrevendo uma oração, ah, quando se sentia distante da casa de Deus. E mesmo geograficamente distante da casa de Deus, o salmista anseia não apenas por estar de volta, mas por habitar para sempre no tabernáculo. É o que diz aí o versículo 4. Isso já nos ensina já de início que está geograficamente distante da casa de Deus. Não precisa te afastar espiritualmente da casa de Deus. Na vida de algumas pessoas, quando elas, por exemplo, viajam de férias, será que eu tenho que ir à igreja quando eu estou de férias? Eu estou de férias lá na Bahia, lá em Porto de Galinhas. Será que quando eu estou de férias eu preciso ir adorar a Deus? Ou eu posso também tirar férias de Deus? Já que eu não estou na minha cidade em São Paulo, eu não estou na região onde eu comumente frequento a minha igreja, às vezes, então, o distanciamento acaba sendo uma justificativa para que nós não só estejamos distante de Deus, distante da casa de Deus, mas acabamos também nos distanciando espiritualmente de Deus. Muito pelo contrário, nós devemos, esse salmo nos ensina então que nós não devemos fazer isso, não devemos usar a distância para nos distanciarmos de Deus. Isso é muito fácil de dizer, é muito difícil de fazer. E a pergunta então que eu gostaria de responder nessa noite é como como não deixar que a distância afete a nossa comunhão com Deus? Todos nós, mais cedo ou mais tarde, em alguma medida, estaremos em locais ou situações que nos afastam de Deus, situações onde você não pode ah buscar a Deus, não pode talvez cultuar como você faz aqui. Não sei quantos já tiveram em situações assim. Ah, eu já estive em situações, não só geograficamente, mas também culturalmente e em outro país onde adorar era algo extremamente difícil. Para quem já morou fora do Brasil, sabe o quão difícil é você adorar a Deus, mesmo que a seja uma igreja eh na nossa linha, mas quando os cânticos são em outras línguas, quando a oração é em outra língua, quando a leitura da palavra é uma outra versão, isso causa, sem dúvida, um distanciamento. Como é que nós não deixamos então que esse distanciamento afete a nossa comunhão com Deus? Eu selecionei aqui com base nesse salmo, três coisas que nós podemos fazer. A primeira delas parece nos versículos um e dois, primeira maneira como você não deixa que a distância afete a sua comunhão com Deus é: não use o distanciamento como desculpa para se afastar de Deus. Não use o distanciamento como desculpa. A, o afastamento de Deus não é uma consequência inevitável de você estar longe da sua igreja ou da do casa de Deus. Não é porque você se afastou que inevitavelmente você também se afastará de Deus. Não, o afastamento de Deus é uma decisão sua. É você quem decide não mais buscar a Deus da maneira como você buscava se estivesse no seu contexto comum. Então, não culpe o distanciamento. Ele é apenas uma situação nova que te pôs um desafio e você não está interessado em entrar naquele desafio, pagar o preço de, mesmo estando distante da casa de Deus, poder buscar maneiras de manter a sua comunhão com Deus. Como já dissemos, há duas evidências que apontam para esse distanciamento. Primeira delas é a localização, a expressão confins da terra. E no versículo dois é também dito que ele pede para que Deus leve-o ah de volta para um local aí que ele chama de uma rocha. Então, o salmo está refletindo sobre isso. É uma pessoa distante e ela pensa e ela quer voltar para um local onde ela crê ser o local de onde ela nunca deveria ter saído. Vamos pensar um pouco nessa expressão aí. Desde os confins da terra eu clamo por ti. Há duas coisas interessantes nessa frase, no versículo dois. A primeira delas é a sua localização. Veja, eh, com fins da terra para o povo de Israel. É, não era uma coisa, irmãos, nós não estamos falando aqui como hoje você viajar, não sei quão longe você já foi do nosso querido Brasil, mas eu já fiz uma viagem de 17 horas de avião, era longe. Eu nunca nem imaginei que era possível ficar tanto tempo dentro do avião. Aí você senta, levanta, você deita, dorme, acorda e nada o mapinha lá no avião. Tá lá um avião no meio do mar, meu Deus do céu, né? Não vai acabar nunca essa viagem. Ah, mas quando você se afasta geograficamente ah do local de costume, você precisa pensar nessas coisas. E o salmista ele percebe que esse afastamento não é apenas um afastamento geográfico. Como eu disse, Davi era o rei e ele tinha condições de poder estar, talvez navegar e transitar onde ele queria. Então esse afastamento certamente é um afastamento que o levou para uma região logo depois ou fora do contexto ali da região de Jerusalém ou da ou de Judá, mas ele não está do outro lado do mundo, ele não está no Japão, ele não está eh em outras regiões, mas ele está longe o suficiente para não poder adorar a Deus como ele gostaria. Então, essa é uma uma é um detalhe claro no salmo. É uma oração feita de alguém que se sente longe da casa de Deus. Segunda coisa que essa oração me destaca aí é que o o foco da sua súplica é Deus e não o que Deus faz ou aquilo que Deus dá. Vocês viram aí ainda no versículo dois, ele diz que ele suplica a Deus. Ah, versículo dois, né? Desde os confins da terra eu clamo por ti. Isso é importante. O que é que você sente falta quando você está longe da casa de Deus? É que você sente falta. Ah, eu sinto falta, irmão, do dos irmãos. Eu sinto falta do lanche que é no domingo à noite. Eu sinto falta eh a das das crianças. Eu sinto falta eh o que que você sente falta realmente? O salmista sabe que ele não tem como transportar o templo de Jerusalém para onde quer que ele vá, mas ele sente falta de Deus. E esse é um ponto importante. A distância pode causar muitos problemas que nem imaginaríamos ser possíveis, irmãos. É porque às vezes você não se viu eh longe do seu ah contexto familiar, mas quando a gente é forçadamente ou por necessidade tirado da região onde você sempre cresceu, morou a vida inteira e agora tem que morar num local tão distante, isso mexe com a cabeça, mexe com a vida das pessoas. Eu li um relato essa semana sobre a história na num no site da Banner of Truth. É um site que conta história de missionários. E esse relato que eu li fala de uma senhora chamada Faith Cook. Ela era filha de missionários, o missionário Stanley e Nora Cook. E os pais foram missionários na China nos anos 50. E o relato diz que desde os 6 anos, a filha, né, ela tinha 6 anos chamada Faith, ela passou por sucessivas experiências de ficar longe dos pais, porque os pais iam para o campo missionário na China, ela ficava na Inglaterra. E às vezes isso levava algum tempo, um ano inteiro sem ver os pais. Imagina uma criança de 6 anos longe dos pais. E ela fala que quando ela tinha 14 anos, os pais dela mais uma vez saíram para o campo missionário e dessa vez eles ficariam 4 anos sem se encontrar. A menina permaneceu na Inglaterra num local que ah num tipo de internato que cuidava de filhos de missionários e ela estava lá. E nessa separação de 4 anos, que seria a Faith Cook é o nome dela, ela escreve a seguinte, o relato em um dos seus livros. Ela diz: "Olha, toda semana eu continuava a escrever para os meus pais e toda semana eles respondiam: Eu derramava meu afeto nessas cartas, muitas vezes encerrando cada uma com novas e repetidas garantias do meu amor por eles." Embora tivesse, sentisse terrivelmente a falta deles, na geração mais jovem, nossa, havia sido cuidadosamente inculcada a mesma ênfase triunfalista que naquela época regia os cristãos evangélicos em geral. E o que era essa esse ensinamento? Ela diz: "Haviam me ensinado a nunca dar qualquer impressão de tristeza ou solidão quando escrevia aos meus pais para o caso de isso lhes causar sofrimento e atrapalhar a obra à qual eles se dedicavam." E a lição, diz ela, ficou gravada em mim numa ocasião específica, quando eu perguntei a uma das superintendentes que cuidava lá da do orfanato, ela chamava a senora Gusen. E eu perguntei ela: "Como é que soletra a palavra triste?" Ela tava escrevendo a cartinha dela e quando veio à tona que eu ah realmente havia usado a palavra em uma das minhas cartas, isso se tornou um motivo de séria preocupação em todo o orfanato, até um motivo de oração especial e em conjunto, pois o uso da palavra sugeria que eu não estava feliz. E na minha carta seguinte, eu fui forçada a pedir desculpas eh com sinceridade, caso isso tivesse causado alguma ansiedade nos meus pais. Veja, na situação da Frank, ela não podia expressar a sua tristeza. Ela foi treinada a não deixar transparecer que ela estava infeliz para que não atrapalhasse o ministério dos pais no campo missionário. Com Deus, irmãos, não é assim. Você pode e você deve. Você precisa, você não precisa esconder os seus verdadeiros sentimentos. O salmista, ele chega diante de Deus e ele mostra na sua súplica, ó Deus, eu clamo por ti. Eu preciso de ti. Eu sinto falta da tua presença. Vocês observaram isso? E ele diz a a diferente do caso da Frank aqui, ele diz que ele tá falando no abatimento. Diz o versículo dois, desde o confins da terra, eu clamo a ti no abatimento do meu coração. Veja, tá triste, irmão. Eu eu não sei se vocês conseguem mensurar isso. Ah, e eu consigo mensurar isso facilmente porque eu tenho os meus filhos, ah, eu tenho uma neta que estão aí a 8.000 1000 km de mim separado por um oceano. Eu não gosto nem de imaginar se um dia eles precisarem de mim de forma urgente, não tem como eu sair daqui agora e chegar lá em menos de 12, 13 horas. Então a gente tem que em situações assim onde o afastamento e vocês que às vezes tem parentes e tem netos e tem famílias que moram assim do outro lado da rua ou na mesma cidade, isso é um privilégio. Mas o salmista ele tem a liberdade de falar com Deus, de falar do seu abatimento, de falar da sua tristeza em dirigindo-se a Deus. Eu não faço ideia de como seria se a minha neta que está lá a 8.000 km ligasse para mim e falasse: "Vovô, eu tô triste, queria tanto que você estivesse aqui." Meus irmãos, se eu pudesse voar, [risadas] eu saía daqui voando e pousava lá na mesma hora. Mas não é possível. Não é possível. Então veja, os salmos nos ensinam que nós devemos ter essa sinceridade com Deus. Com Deus você pode abrir o seu coração. Com Deus você pode mostrar o seu descontentamento. Com Deus você pode e deve mostrar que ele é o objetivo e o objeto da sua súplica e é aquele que de quem você realmente sente falta. E olha, sentir falta de Deus e suplicar por ele é de fato algo muito bom. O problema é que nem sempre sentimos falta de Deus quando nos distanciamos dele, nos tornamos ah tão acostumados com a situação e chegamos ao ponto de nem sequer quando nós olhamos você fala: "Gente, nós passamos três meses aqui nesse local, nessa cidade, não fomos à igreja nenhuma vez, não lemos a Bíblia nenhuma vez e não sentimos falta." E esse é o perigo. Esse é o perigo. Crentes que se acostumam com o distanciamento e não sentem mais a necessidade de buscar a Deus, caíram. Eu sempre digo, na tragédia anunciada pelo Provérbio 18. Veja só o que o Provérbio 18:1 diz: "O solitário busca o seu próprio interesse e se opõe à verdadeira sabedoria". Esse é o que diz o salmo, o Provérbio 18:1. Então, quem fica sozinho muito tempo e se é uma pessoa que não tem o sentimento de falta de Deus, ele vai acabar procurando o seu próprio interesse. E aqui, irmãos, ouçam o que eu vou dizer. Você sente falta daquilo que te interessa. Você sente falta daquilo que te interessa. Quando estão distantes da presença de Deus, pessoas assim buscam o próprio interesse. E é nesse momento que você percebe que tipo de pessoa você é. Longe de Deus. Não faz nenhuma diferença a estar ou não na casa de Deus. Então, o salmista nos ensina isso. Ele está longe de Deus, sim, mas ele sente falta de Deus. E veja só o que ele pede em relação a isso. Duas coisas. Versículo dois, ele pede que Deus leve-o para uma rocha que é alta demais para ele. Diz o versículo 2. Essa é uma solução curiosa, porque ele não está até onde nós sabemos sobre a ameaça. Então, por que que ele quer ser colocado em cima de uma rocha? Eh, não é muito difícil mostrar para vocês que rocha aqui a que o salmista se refere é uma referência a Deus. Veja, por exemplo, o Salmo 31, versículo 3, o salmista diz: "Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza. Por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás". Então, é uma linguagem conhecida nos Salmos. Outra ocasião no Salmo 40, no versículo 2, tirou-me de um poço de perdição, de um atoleiro de lama e colocou os meus pés sobre uma rocha e firmou os meus passos. Então veja, a ideia de usar a imagem de uma rocha é sim uma situação que nos coloca não em uma posição de conforto, mas é uma posição que nos tira do meio ou pelo menos do nível da das nossas aflições, do do nível das nossas observações e aquilo que nós conseguimos enxergar da nossa perspectiva. salmista pede então que Deus coloque-o em um patamar, em uma situação onde ele pode se sentir mais confiante, porque ele é colocado em Deus, ele é colocado sobre essa rocha que é chamada, né, a o próprio Senhor Deus. E é isso às vezes, irmãos, que nós precisamos. Tem muita gente que já vive há muito tempo presa num ciclo vicioso onde ela olha e observa as coisas apenas da perspectiva que ela já acostumou. E às vezes acontecem coisas que nos tiram dessa situação e que você é forçado a olhar de uma maneira diferente. Mas essa esse é o pedido do salmista. Ele quer que Deus ah, coloque-os sobre essa rocha a ele possa. É uma rocha, ele diz, é alta demais para ele, mas é uma rocha que só Deus pode nos colocar, pois tu tens sido o meu refúgio e uma torre contra o inimigo. A pergunta é: como é que nós conseguimos, então, reverendo, ser colocados em cima dessa rocha? Esse isso me leva ao meu segundo ponto para que você consiga fazer isso. Segundo ponto é reformule as suas expectativas para enfrentar a nova realidade distante da casa de Deus. Reformule as suas expectativas. Se você está em viagem ou se você está em uma nova cidade, você tem que sair de casa e procurar uma nova igreja, um novo local de adoração. Você tem que lembrar-se de que nem todas as igrejas são iguais, nem todos os locais têm o mesmo tipo de pessoas que você é acostumado a encontrar na igreja onde você está. Você tem que sair, você tem que levantar, você tem que ter a iniciativa de reformular as suas expectativas. Não adianta você, eu quero sair daqui da igreja Santo Amário e encontrar uma igreja igualzinha a que eu vivi desde a minha infância lá, seja lá onde você for. Olha, é uma expectativa que não é realista. Você deveria pensar antes, eu quero encontrar um Deus que eu sirvo pregado em uma outra igreja. Não precisa ter os mesmos irmãos, não precisa ter a mesma configuração, mas tem que ter pelo menos o mesmo Deus, a mesma pregação, a mesma adoração. E aquilo, irmãos, aquilo que nós esperamos que Deus nos faça ou que as pessoas nos façam afetam diretamente o abatimento do nosso coração. Tem gente esperando coisas demais, tem gente esperando coisas que não deveriam esperar nem de Deus e nem dos irmãos. E eu digo que você não tem um controle sobre o que Deus fará, sobre o que as pessoas e também sobre o que as pessoas farão. Você não tem como controlar isso, mas você pode controlar aquilo que você espera de Deus e das pessoas. Aprenda então a reformular as suas expectativas em relação a esses dois elementos, aquilo que as pessoas podem te dar e aquilo que Deus pode te dar. Eu falo isso, irmãos, porque expectativa é algo que nos acompanha e mexe com a nossa mente. Eu não sei quantos se lembram da famosa carta que Jeremias escreveu para os exilados da que estavam na Babilônia. Vejam só, Jeremias 19 versículos 4 em diante, é a carta que o Senhor Deus pediu para que Jeremias lesse. Diz assim: "Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para Babilônia." Deus falando, olha só o conteúdo da carta. Construam casas e morem nelas. Plantem pomares e comam o seu fruto. Casem e tenham filhos e filhas. Escolham esposas para os filhos de vocês e deem as suas filhas em casamento para que tenham filhos e filhas. Aumentem em número e não diminuam aí na Babilônia. E a carta conclui dizendo: "Procurem a paz da cidade para onde eu os deportei e orem por ela ao Senhor, porque na sua paz [roncando] vocês terão paz." Veja, eu acho interessante essa carta porque ela foi escrita para um grupo de pessoas que não paravam de orar pedindo que Deus levasse os de volta para Jerusalém. Eles haviam sido deportados. O inimigo entrou na cidade de Jerusalém, derrubou a cidade, queimou o templo e levou a população cativa para uma outra região. E o povo de Israel não parava de orar, pedindo que Deus levasse os de volta. E Deus teve que escrever uma carta e ela foi lida pelo profeta Jeremias, dizendo: "Eu não vou levar vocês de volta, gente. Parem de orar, parem de pedir isso. Pelo contrário, eu quero que vocês construam casas nesse local, plantem pomares, esperem que eles cresçam, comam os frutos deles, orem pela parte dessa cidade, mas parem de ficar orando para que ah eu leve vocês de volta. Então veja, é isso que eu chamo de ajustar a sua expectativa. O mundo vai ser mais como foi no passado. A situação não vai mais ser às vezes tão boa quanto foi na época eh da sua infância ou quando os seus pais ah sustentavam você. O mundo muda e não volta. Se o contexto em que Davi se encontra é de distanciamento, então não adianta alimentar expectativas como se ele estivesse do lado do templo ou querendo voltar para o tempo. Não vai voltar. Não vai voltar. E é isso que eu chamo de ajustar a expectativa. Se você perdeu um ente querido, é dolorido. Eu não quero subestimar a dor e a tragédia, mas você precisa mais cedo ou mais tarde virar a chave e ajustar a expectativa. As pessoas que morreram estão com o Senhor. Elas não voltam mais. Se você foi diagnosticado com uma enfermidade que tem dificuldade, a enfermidade está aí. Não tem como você fingir que não está. Não tem como você viver negando. Você tem que ajustar a sua realidade. Se seu filho ou a sua filha resolveu escolher um caminho que te desagrada e hoje está longe do Senhor, ou a frontalmente desafiando a sua autoridade, eh não tem como você voltar e imaginar como como você era diferente quando você era jovem, trocava a fralda. Já passou o período de trocar o fralda, não volta mais. Então nós precisamos e quem tem que ajustar, irmãos, somos nós. Sou eu, você. E como que eu faço isso, reverendo? Veja no versículo 3, o salmista dá algumas dicas. A primeira delas tem a ver com aquilo que é a história do salmista com Deus. Veja, no versículo 3, ele diz: "Pois tu tens sido meu refúgio". Sublinha essa palavra. tem sido. Isso aponta para uma história. Isso aponta para uma história que aconteceu. O salmista conhece o Deus revelado nas escrituras e ele está focando naquilo que Deus já fez com ele. Então, ele sabe que esperar de Deus esse tipo de coisa é alguma coisa legítima. Ele não está esperando em vão. Deixe-me contar uma história a vocês. Eu lembro de uma ocasião, mas eu longe, né, da minha meu Brasil querido. Dessa vez eu estava na pequena cidade de Cambridge, na Inglaterra. Eu fui para passar um mês fazendo umas pesquisas e no retorno eu sairia de Cambridge, ia pegar o o ônibus de Cambridge até o centro de Londres para ir pegar o voo. E o meu ônibus saía 4 da manhã da rodoviária de Cambridge. E eu pedi pro uma pessoa que era, morava lá, você, você tem como me deixar lá na rodoviária? Tem. Acordei, vamos chegar mais cedo, eu disse, vamos chegar meia hora mais cedo. É sempre bom chegar mais cedo, né? Aí chegamos lá na rodoviária, ele parou, ele parou do lado de um campo de futebol, um gramado, não tinha uma alma viva ali. E aí ele falou para mim: "Aqui é a rodoviária." Rapaz, você tá aqui? É aqui. Ele mostrou o poste. Tinha lá um poste. Isso aqui é um é um ponto de ônibus. Como que você garante que isso é rodoviária? Não tinha uma alma viva, irmãos. Ele disse: "Aqui é a rodoviária". [risadas] Ah, e aí eu lembro que ele falou: "Daniel, você tem que acreditar em mim. Eu moro aqui nessa cidade. Aqui é a rodoviária. Rapaz, se não for, eu vou te bater. Eu vou procurar você." Ele me deixou lá meia hora antes, 3:30 da manhã, escuro, não tinha uma alma viva. Até os anjos deviam estar dormindo na hora dessa. E aí eu esperei meia hora. Ninguém não passava, ninguém na cidade. É uma cidade pequena, quem conhece essa região sabe. Chegando mais ou menos, faltando 5 minutos pro horário do ônibus partir, irmãos, nem nem mosquitinho de luz passava ali, de tão quieto que era o local. E eu em pé do lado do campo de futebol [risadas] e só tinha um poste falando que ali era um ponto de ônibus. Segundo a pessoa que me deixou, é, ali era a rodoviária. Literalmente, quando deu mais ou menos faltando 3 minutos, né? Chegou uma pessoa, ah, uma pessoa, né? E aí logo depois chegou o ônibus. Como o ônibus já sabia, ele chega no horário, exatamente. E como ele sabe que ali ele não vai embarcar 300 pessoas, geralmente ele embarca três, quatro pessoas no máximo, então não precisa chegar com tanta antecedência. E ali de fato era a rodoviária, embarcamos e saiu no horário exato. Mas veja, por que que aquele meu amigo tinha a certeza de que ali era uma rodoviária? Não é só porque ele era alguém que morava ali. É parte de uma história, irmãos. É parte de uma história. Então, quando o salmista diz aqui: "Ó Deus, tu tens sido, tu tens sido o meu refúgio." Então, isso é uma história. Isso atesta para uma história que você tem com Deus. Então, pode todo mundo achar que é loucura. Isso aqui não vai parar ônibus aqui é nunca. Isso aqui é um local ermo, não para nada aqui. Não para, para. Eh, aí eu tenho uma história com Deus, eu tenho uma jornada com Deus. Eu sei que o meu Deus, ele para aqui nesse local. E quem conhece a história do povo de Deus revelada nas Escrituras, sabe reformular expectativas em tempos difíceis e esperar pelo que é razoável. Portanto, irmãos, conheça o Deus que se revelou por meio das Escrituras. E você pode se surpreender com as coisas que Deus já fez, bem como com as que ele se recusou a fazer, mas você precisa conhecer esse Deus. Do contrário, você vai às vezes esperar coisas que ele nunca prometeu para ninguém, ele nunca fez para ninguém. E você está achando e está esperando dele. Isso. Segunda coisa que eu vejo aí que é parte dessa história, do modo como o salmista ajusta o seu coração, está no versículo 5. Vocês viram aí que ele menciona votos que ele teria feito, pois ouviste. Tá vendo? também é parte, o verbo está no passado, essa história dele. Deus já ouviu os votos do salmista e por causa disso deu a ele uma herança. Então o salmista tem uma história com Deus, irmãos. Eh, não é uma pessoa que frequentou a igreja por acaso, não. Ele tem uma história com Deus de fazer votos e cumpri-los. Então, quando o salmista fala que aquele votos que ele fez, ele se refere à história individual que cada um de nós temos com Deus. Qual é a sua história com Deus? Qual é a sua história com Deus? Quantas coisas você já prometeu a Deus que faria? Às vezes Deus não esquece do que você fala. Às vezes eu até acho bom que Deus se esqueça do que eu falei, porque eu me arrependi de ter falado, mas falei, tá falado. Mas essa é a nossa história quando Deus, o salmista se lembra, ele se lembra dos votos que ele fez, da maneira como ele os cumpriu e por causa disso ele recebeu porções da parte de Deus. Mas por último, como que você ajusta, então como que você não deixa que o distanciamento acabe afetando a sua comunhão com Deus? A terceira e a última dica que eu dou aqui é no versículo 6 a 8, é contemple, contemple a realidade messiânica. Versículos de 6 a 8 falam de algo que não se aplica diretamente a Davi. Fala de dias sobre dias acrescent acrescentas ao rei. É uma oração que ele está fazendo. Davi era rei. Só que veja, ele vai prossegue dizendo: "Os seus anos duram de gerações após gerações." Não é o caso de Davi. E pede que ele permaneça para sempre diante de Deus. Não é realmente não é Davi. Então o que que está acontecendo aqui? Davi ora e começa a perceber que a vida dele é apenas um modelo de algo maior que vai acontecer. Eu me lembro que uma ocasião eu estava eh lá no local, numa numa uma faculdade onde eu estava, aconteceria uma cerimônia e eles estavam ensaiando a cerimônia e a pessoa que eu estava representando, eu era só o figurante, só para eles saberem que ia ter aquela pessoa ali. E aí no ensaio ela agora pode entrar fulano de tal que era eu representando a pessoa pode entrar. E aí eu tava entrando e eu tinha que ler alguma coisa. Aí falou: "Olha, eu não tô conseguindo enxergar". Aí a pessoa dirigindo fal: "Olha, não importa, você só tá represent a pessoa que você representa consegue enxergar. Então continue vindo, não importa não." E aí eu chegava aqui, sentar, olha aqui, tá muito alto para eu sentar. Você só tá representando. Lembre-se que você é apenas um figurante. A pessoa que você representa consegue sentar aí. Muito bem. Não se preocupe. Às vezes, irmãos, nós precisamos pensar um pouco nisso. O foco daquilo que Deus faz não é a minha e nem a sua vida. Então, as coisas nem sempre poderão terminar bem para mim e para você, porque o foco principal é que termine bem e terminou bem com o filho de Deus. Às vezes nós nos esquecemos de uma verdade que nós cantamos e e nós sabemos de qual que tudo foi criado por meio dele e para ele. Aqueles que se esquecem disso acabam concentrando-se demais na forma como as coisas acontecem e o que isso reflete na sua vida. Então, não se desespere quando as coisas não terminarem bem para você. Reverendo, existe um texto na Bíblia que fala que eh todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, não é verdade? Então, como que você tá falando aí que as coisas podem não terminar bem para mim? Não, eu quero que termine tudo, termine muito bem, irmãos. Nem para Jesus terminou bem. Assim, humanamente falando, ele pediu ao Pai para que, se possível poupasseo de passar por aquela situação. E a oração de Jesus não foi ouvida. O bem para o filho representava ir para aquela cruz, a o resultado daquilo seria muito maior. Portanto, lembre-se disso. Quando você estiver passando por situações de dificuldade, privação, lembre-se disso. A minha vida acontece e as situações que eu estou enfrentando, eu preciso me lembrar daquilo que a escritura me diz. Tudo foi criado por meio dele, ou seja, de Cristo. E elas também foram criadas para ele. O meu casamento foi criado para ele, o meu trabalho ou a falta dele, a minha saúde ou a falta dela, os meus temores. Tudo isso foi criado para que de alguma maneira culminasse na glória de Cristo. Vendo, mas eu não consigo ver as minhas dívidas e as minhas dores e as minhas aflições culminando em nada de eu nem gostaria que isso chegasse até Cristo. Meus irmãos, nós precisamos focar bastante nessa palavra. Então, tudo, tudo foi criado por meio dele e para ele. E quando você olha então para o que Cristo precisou passar, aí a gente consegue entender realmente o que o salmista está fazendo. Ele pede para que Deus, ele ele se passa, ele começa a lembrar-se daquilo que o Messias passou, enfrentou, mostrando, orando até para que Deus permaneça, que Deus faça com que os seus anos durem para sempre. E ao fazer isso, eh, diz o versículo oito, ele conclui dizendo: "Assim eu cantarei louvores ao teu nome para sempre, para cumprir dia após dia os meus votos". Eu acho isso importante, irmãos, porque se eu fosse eu escrevendo esse salmo, eu terminaria de outra forma. Eu terminaria dizendo o seguinte: "Senhor, traga de me volta para Jerusalém. Faça-me voltar a adorar a ti dentro do santuário em Jerusalém e aí eu vou cantar louvores. Salmista não disse isso. Ele se contentou e ele sentiu-se ah sossegado suficiente em lembrar-se daquilo que o Messias, o nosso Senhor Jesus Cristo, fez e faz por ele. Isso lhe trouxe paz. Que que você espera de Deus? O que é que você espera de Cristo? Lembre-se disso. O nosso Deus é um Deus que está sempre pronto para ouvir as nossas súplicas. Ele está sempre disposto a estar conosco. Mas você precisa esperar dele aquilo que de fato ele promete te dar. Do contrário, ah, ele não é responsável pelas expectativas que você cria sua cabeça. E como que você ajusta isso? Conheça o Deus revelado nas escrituras. Vamos orar. Ó Deus bendito, ajude-nos, ó Pai, a conseguirmos sair das nossas aflições, que são muitas. Ajude-nos, ó Deus, a sermos homens e mulheres que esperem em ti e esperem de ti aquilo que, de fato, a tua palavra nos garante ser coisas que devemos esperar. Pedimos isso a Deus para que o nosso coração não nos afunde em pensamentos e expectativas que não vão se concretizar. Nós oramos a Deus e pedimos essas coisas em nome de Jesus. [roncando] Amém. M.