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Blaise Pascal: a razão consegue explicar tudo?

Blaise Pascal: a razão consegue explicar tudo?

Blaise Pascal: a razão consegue explicar tudo?

A razão consegue explicar tudo? Blaise Pascal foi um dos grandes gênios da matemática e da ciência do século XVII. Suas pesquisas e invenções ajudaram a lançar bases da física moderna, mas Pascal também percebeu que a razão científica tinha limites diante das grandes questões da existência.

Neste episódio de Origens — Pais da Ciência, conheça a trajetória de Blaise Pascal, suas contribuições para a matemática e a física e sua reflexão sobre os limites da razão.
Depois de Descartes colocar a dúvida e a razão no centro da busca pelo conhecimento, Pascal leva essa discussão ainda mais longe: até onde a razão humana pode chegar?

Após uma profunda experiência espiritual, Pascal voltou-se para questões relacionadas à existência humana e passou a refletir sobre a condição do ser humano, marcada, segundo sua visão, por uma tensão entre miséria e grandeza.


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🟧 ORIGENS é uma série documental da TV Novo Tempo que investiga os mistérios da vida e do universo com cientistas de diversas áreas.

🟦 Pais da Ciência é uma temporada dedicada a grandes nomes que ajudaram a transformar nossa compreensão da natureza e do universo. Ao longo de 13 episódios, a série revisita suas descobertas, ideias e trajetórias, explorando também as relações entre ciência, conhecimento e fé.

🎬 Assista à temporada completa Pais da Ciência:

Legendas automáticas:

O século X7 foi um período de transição
profunda, um momento onde os ventos da
mudança começaram a sofrer com força,
desafiando as certezas antigas [música]
e abrindo espaço para uma nova era de
pensamento. A revolução científica
surgia como uma força renovadora, com
nomes como Galileu, Copérnico e Kepler,
que ousaram desafiar as ideias medievais
sobre o universo, [música]
apresentando uma nova forma de olhar
para o cosmos. Foi nesse turbilhão de
transformações [música] que surgiu uma
figura cuja genialidade e fragilidade
refletem [música] o próprio espírito da
época. Blaze Pascal, desde pequeno
esteve rodeado de livros [música] em sua
casa em Clermont, na França. Ele viveu
entre duas forças que definiriam sua
jornada: uma mente incansável [música]
e um corpo frágil. Nunca foi para a
escola porque sua saúde não permitia.
Ele era capaz de [música] embrenhar-se
nas leis da física e da matemática. Mas
sua maior obra talvez tenha sido
[música] sua reflexão sobre a condição
humana repleta de grandezas e de
vulnerabilidades.
Anos depois, [música] Pascal chegaria a
Paris. Aqui as ideias se encontravam.
Cientistas, teólogos, matemáticos,
filósofos. [música]
Era um tempo de descobertas rápidos e
debates intensos. Galileu tinha aberto
uma nova janela para o céu. [música]
Newton começava a formular a física que
iria reger o mundo por séculos. [música]
Neste ambiente vivo e inquieto, Pascal
cresceu. entre bibliotecas, salões
[música] científicos e igrejas antigas,
ele buscava compreender não apenas como
o universo funciona, [música]
mas também porque existimos dentro dele.
Ne. Oh.
[grito]
[música]
Bl Pascal foi um filósofo, né? um
filósofo do século X7. É assim que ele
fica [música] conhecido e
ainda muito muito jovenzinho. Ele ele
perdeu a mãe, né? E a mãe ele ele perdeu
a mãe quando ele tinha [música] 3 anos
de idade. Então foi o seu pai que
praticamente cuidou do Pascal e das duas
irmãs, Gilberta e Jaqueline Pascal.
E o pai do Pascal era alguém eh [música]
muito preocupado com a educação do
Pascal, né? Então, Pascal era aquele
[música] sujeito que eh
com 12 anos, por exemplo, [música] ele
eh escreve um tratado sobre o som e
[música] esse tratado se perdeu, mas a
gente sabe que por informações da irmã
dele que foi um tratado muito bem
escrito. Então, foi alguém que cresceu
num [música] ambiente e muito marcado
pela educação, pela intelectualidade.
>> E Pascal é uma figura muito interessante
porque ele [música] tinha vários
problemas de saúde
e
esses problemas de saúde de certa forma
atormentavam ele, sabe? de tal modo que
eh é possível que muito da visão que ele
tinha sobre a natureza humana era
decorrente desses [música] vários
problemas, sabe? Pascal definia o ser
humano como uma mistura de grandeza e
tragédia. Então, [música] o ser humano
era sempre um emaranhado dessas duas
coisas, sabe? Porque o ser humano ele é
capaz de pensar, mas ele é capaz também
de fazer coisas terríveis. Então, eh, o
Pascal foi essa figura
matemática, um intelectual [música] de
grande calibre e um grande religioso
também.
>> Ele também é marcado [música]
por ser um dos últimos conhecidos como
Homem Universal. Para alguns
historiadores, ele é um dos últimos
representantes da linha de homens
universais. O que são homens universais?
Homens com habilidades em múltiplas
áreas e habilidades que deixaram marcas
na história em múltiplas [música] áreas.
Então, Pascal ele tem, ele congrega
essas diversas habilidades e [música]
deixou a sua marca na história.
>> O pai do Pascal, no início da vida,
[música] eh, do Pascal escondeu os
livros de matemática dele, porque dizia
que a matemática [música]
ela é uma atividade viciante, né? sendo
ele mesmo matemático.
>> Sim, ele sabia disso. E ele dizia, a
partir do momento que [música] o
espírito ele é tomado pela matemática,
eh, o intelectual [música] ele deixa de
lado todas as outras coisas. Então, na
cabeça do pai do Pascal, o Pascal tinha
que aprender bem as línguas, as regras
de gramática, as exceções das regras de
gramática, porque ele sabia que a partir
do momento que o Pascal [música]
começasse a estudar matemática, muito
provavelmente ele seria tomado por ela,
né? E e de fato foi isso que aconteceu.
Num determinado dia, o pai do Pascal
chega em casa [música] e ele vê umas
figuras geométricas [música]
eh pintadas, né, no chão com carvão.
[música] E era o o Pascal fazendo
figuras geométricas. E ele olhando
aquilo, [música] ele percebe que o
Pascal, sem ter acesso eh aos livros de
Euclides, ele [música] chega à 32ª
proposição de Euclides. A gente não sabe
bem se o Pascal eh [música] de fato
descobriu isso ou se ele se ele de forma
eh desobedecendo [música] o pai, ele
teve acesso ao livro do Euclides, mas
ele era muito jovem. Então, mesmo se ele
[música] teve acesso à obra do Euclides,
eh, entender essa obra com 13, 14 anos
era uma coisa muito difícil, assim,
muito fora da curva, né? Então, eh, eh,
o pai do [música] Pascal fica encantado
e depois entrega os livros para ele, né?
E aí ele passa a participar desse grupo
de intelectuais e como um jovem, né,
prodígio.
Pascal era um corpo frágil, carregando
uma mente imensa. Ele sofria com dores
constantes e ainda assim produziu obras
que atravessaram séculos. Um de seus
trabalhos hoje é conhecido como [música]
princípio de Pascal. Ele estudou como a
pressão de um fluído pode gerar força e
produzir movimento. Para entender melhor
esse [música] princípio, a nossa equipe
visitou o Centro de Ciências Copérnico,
em Varsóvia, na Polônia, um museu com
centenas de exposições que ensinam
ciência [música] de forma lúdica e
interativa. Nesta exposição específica,
vemos [música] que quando a água corre e
atinge as paz das turbinas, a pressão e
o impulso do fluído é convertida
diretamente em movimento [música]
mecânico. Esse princípio que Pascal
desvendou no século X7 pode ser
observado em tecnologias modernas, como
freios hidráulicos, [música]
prensas hidráulicas e muitos outros
sistemas que são aplicados em nossa
rotina, muitas vezes sem que nos demos
conta de sua origem.
A genialidade de [música]
Pascal, ela pode ser vista sobre vários
aspectos. Aos 16, ele descobre um dos
teoremas, hoje é chamado teorema eh de
Pascal a respeito de hexágonos
circunscritos
dentro de cônicas. O que são as cônicas?
Cônicas nós são curvas específicas que
nós temos. Curvas como a própria elipse
nós temos é uma crônica.
Então ele descobre uma propriedade que
se você marcar seis pontos nessa cônica,
formando um hexágono, e se você
prolongar os lados opostos desse
hexágono, você vai encontrar pontos que
se alinham em uma reta.
Isso é muito curioso, porque nada indica
que um os pontos dos lados opostos de um
hexágono circunscrito a uma cônica, vão
estar alinhados.
E ele constrói isso com 16 anos. Ele
escreve um trabalho com 16 anos que é
apresentado a Decats. Então o Pascal com
18 anos, o Pascal [música] ele estava
muito doente, muito doente. E
falam de dores [música] de dente, dores
de cabeça, dor no estômago, eh uma
[música]
paralisia parcial das pernas do que fez
Pascal.
começar a andar eh de muleta. Em alguns
momentos ele tinha desmaios, né? Então
ele tava muito mal com 18 anos, né?
E acredita-se que eh ele ele já estava
eh muito envolvido com atividades
eh científicas [música] nessa época, mas
com 19 anos ele tem uma melhora e essa
melhora leva o Pascal a produzir a a a
Pascalina, que é justamente uma máquina
de calcular.
Eh, isso permitiu que o [música] Pascal
10 anos depois recebesse o título de
inventor, né? Mas com 19 anos depois
dessa invenção, o Pascal fica muito
famoso, fica muito conhecido. [música]
E e por que que ele eh eh inventou essa
essa máquina, né? O pai dele eh recebeu
uma uma fortuna
do avô Martã.
E com essa fortuna, o pai dele e comprou
um título de conselheiro do rei. Isso eh
no no sul da França. E ele trabalhava,
né? E ele trabalhava como como
conselheiro do rei, então tinha
condições financeiras assim muito boas.
Depois e o Pascal e a família vão para
Paris, né? Vão para Paris.
E o Pascal, ele tinha na cabeça dele a
ideia de criar uma máquina que pudesse
ajudar o pai na cobrança eh desses
impostos, né? O pai dele fazia os
cálculos das pessoas que estavam devendo
os impostos e tal. Eh, esse era o cargo
dele. Então, a ideia inicial era
justamente eh elaborar um uma máquina
que pudesse favorecer o pai dele.
>> E essa é não é a primeira, porque há
registros históricos de uma outra
máquina de calcular, mas para aquela
época foi uma revolução, porque ele cria
uma máquina de calcular chamada de
Pasqualine, hoje conhecida como a
Pasqualine, primeira representação de
uma das primeiras representações de uma
máquina de calcular. que era formada por
engrenagens que se interconevam. Quando
uma engrenagem girava 10 vezes, né?
Quando ela girava 10 vezes, a outra
girava uma vez. E assim você tinha o o
sistema decimal, você poderia fazer
somas e subtrações.
E ele produziu essa máquina ali com
ainda jovem. Agora, a gente sabe que
essa máquina ela eh apesar da
complexidade
e do seu funcionamento para a pessoa
operar a máquina, ela tinha uma
estrutura muito simples, né? [música]
Então, as pessoas que pesquisam na área
eh das ciências da computação falam eh
da importância dessa máquina para a
estrutura [música]
binária dos computadores.
>> A genialidade de Pascal [música] se
estendeu a diversas áreas. Ele foi
pioneiro na teoria das probabilidades,
[música] campo que explorou com Pierrit
Fermat e que ainda hoje é fundamental em
[música] áreas como estatísticas e
finanças. Ele também realizou
experimentos que confirmaram a pressão
atmosférica e provaram a possibilidade
[música] do vácuo, desafiando as ideias
científicas da época e estabelecendo as
bases da hidrostática. Com o aval do rei
Luís XIV, [música] Pascal criou o
primeiro sistema de carruagens de Paris,
considerado o primeiro sistema de
transporte coletivo do mundo, algo que o
deixou muito rico. Esses feitos,
[música] entre outros, demonstram a
profundidade de seu impacto, cujas
ideias continuam a reverberar em várias
áreas do conhecimento até os dias de
hoje.
Pascal, ele vai trazer a herança ali de
Francis Bacon e fortalecer a visão do
papel empírico na ciência. Ele vai
trazer o papel da observação na ciência
como estando superior ao papel da
autoridade eclesiástica e escolástica,
filosófica. Então, não é a autoridade de
uma pessoa que vai determinar o que é o
não verdade, mas é o que nós enxergamos
na natureza. Então, Pascal traz essa
essa essa herança e da questão da
observação meticulosa sistemática da
natureza. E isso é muito importante
também perceber que ele não nega a
racionalidade presente na natureza, mas
ele subjulga de certa forma a
racionalidade e ele fortalece o
empirismo. Então, ele faz uma boa a
associação entre ambos. E isso é um
ponto importante. Um outro aspecto que
eu destaco, que vai influenciar a
metodologia científica é também a
insuficiência humana. Aqui para Pascal
vem da condição de pecado. Esse é um
ponto interessante. Para Pascal, o ser
humano é limitado por ter sido, por
sofrer os efeitos do pecado original.
Então, quando nós pensamos na qualidade
da metodologia científica de Pascal, tal
como Francis Bacon, o efeito da queda
torna o ser humano necessário, torna ao
ser humano necessário o desenvolvimento
de uma sistemática de pesquisa que
garanta menor influência das suas
limitações,
das suas dificuldades.
Blaze Pascal foi um pensador que com
grande racionalidade procurou entender a
complexidade da condição humana e o
delicado equilíbrio entre fé e razão. Em
sua reflexão filosófica conhecida como
apóstate pascal, ele argumenta que se
Deus existe, acreditar nele traz
benefícios eternos. Para Pascal, a
aposta é simples. Se você acreditar e
Deus existir, ganha tudo. Se [música]
não acreditar e Deus existir, perde
tudo.
>> Então, eu sempre dou para esclarecer a
aposta de Pascal, eu sempre dou um
exemplo para os meus alunos, tá? Eh, o
exemplo é mais ou menos o seguinte. Eh,
vamos supor que alguém faça um prêmio de
R$ 1 milhãoais, tá? Então, alguém faça
uma aposta de R$ 1 milhãoais. Essa
aposta ela vale R$ 100, tá? E aí ela vai
ser dada na moeda. Se cair cara, eu
ganho R 1 milhão deais. Se cair coroa,
eu perco os R$ 100. Vale a pena apostar?
E aí os meus alunos em peso eles dizem:
"Claro que vale a pena apostar".
Não é uma tentativa de provar a
existência de Deus, mas ele sugere que
[música] mesmo sem ter certeza absoluta,
acreditar em Deus é razoável e é a
decisão mais segura.
A doença nunca deixava Pascal esquecer
da fragilidade dele. Então, dado esse
contexto de fragilidade,
dado a morte que tava ali sempre no
retrovisor, eh, Pascal, ele tinha essa
noção da de como você deveria ser um
um uma pessoa religiosa que
verdadeiramente buscasse a face de Deus,
etc. E e dentro da aposta dele, né? Isso
é interessante, porque algumas pessoas
poderiam dizer: "Ah, mas quer dizer que
a crença em Deus é somente uma aposta?"
Deus não levaria alguém para o céu eh
somente por causa de uma aposta, né? Mas
o contexto basicamente da aposta de
Pascal tem esse contexto da fragilidade,
sabe? Que basicamente diz assim: "Olha,
eu tô mostrando para você que é razoável
seguir o caminho cristão." É esse o
contexto da apóstola. Eh, se você não
crê, é razoável você se colocar numa
situação de crença. A aposta de Pascal
serve para que contexto? Serve para o
contexto de dizer: "Olha como é razoável
buscar o caminho religioso, sabe? Olha
como é eh existem benefícios importantes
de buscar o caminho religioso." Então,
esse é o contexto que Pascal faz a sua
aposta, né? É um convite à aquele que
não crê de se colocar nesse caminho,
porque a morte tá espreita. E como a
morte tá espreita, [música] a gente tem
que valorizar na vida aquilo que
realmente tem real valor. E a vida
eterna é uma dessas [música] belas
coisas que tem valor.
Pascal viveu um momento espiritual
profundo e passou a escrever sobre a
grandeza e a fragilidade humana. Para
ele, o ser humano era pequeno diante da
imensidão do universo, mas capaz de
compreendê-lo pelo pensamento. Pascal
buscaria entender não só como funciona o
mundo, mas o que significa existir
dentro dele. [música] Para Pascal, a
ciência ajudava a entender como o
universo funciona e a fé ajudava a
entender por existimos [música] nele.
Então, tem uma frase famosa atribuída a
Pascal, que é: "O coração tem razões
[música] que a própria razão
desconhece", né? Ou seja,
eh, existe aí uma mistura entre razão e
emoção, que o Pascal dizia que a gente
deveria ter consciência disso. Assim
como a razão, ela não é algo separado
desse [música] nosso corpo físico, etc.,
sabe? A a razão ela sofre também as
vicitudes, ela sofre também os efeitos
[música] do nosso corpo que é limitado,
que é o corpo de criatura. De modo que
tem algumas coisas que a razão não vai
conseguir chegar lá e que é meio que um
uma espécie de delírio ou pensamento
mágico você achar que a razão [música]
consegue chegar lá, tá? A razão tem
limites.
>> Eh, o Pascal ele tem um um fragmento na
obra Pensamentos [música] que ele diz o
seguinte:
"É o coração que sente a Deus, não a
razão. Eis o que é a fé. Deus sensível
ao coração e não à razão." Bom, uma
leitura um pouco rápida pode fazer com
que alguém pense o ao Pascal. Então, tá
dizendo que eh Deus [música] é um
atributo do coração, justamente porque o
coração tem a ver com fé e a razão ela
tá totalmente fora, né, dessa eh desse
conjunto de conceitos. A razão ela não
aparece.
Mas não é bem isso que o Pascal [música]
eh quer dizer, né? Ele quer dizer o
seguinte, que o coração é esse órgão
sensor [música] de Deus, mas nada impede
que a razão elabore um discurso acerca
da fé. Nada impede. Então, eh, o Pascal
chega a dizer que há dois excessos. O
primeiro dizer eh que só temos a razão.
Ele fala que esse é um um [música] um
primeiro excesso. Só admito a razão.
Fala: "O problema dessa [música] dessa
posição é que você cai eh numa espécie
de de deísmo. você eh racionaliza uma
uma divindade e tudo aquilo que é
[música] sobrenatural, tudo aquilo que é
misterioso e que faz parte da [música]
religião desaparece.
O outro excesso é eliminar a razão,
porque ao eliminar a razão, a crença
[música] ela se torna uma pura
superstição,
né? uma superstição.
Então, para o Pascal, as duas coisas
elas precisam atuar.
>> Uhum.
>> Então, ele [música] chega a dizer o
seguinte, que eh a verdadeira religião,
[música] ela é marcada pela submissão e
uso da razão. Submissão ao quê? A fé, a
[música] esse sentimento que toca o mais
profundo do coração humano, [música]
né? esse sentir Deus, esse sentimento de
Deus, mas por [música] outro lado é
necessário elaborar um discurso sobre
isso. E aí a razão ela tem um um papel
capital, um um papel extremamente
[música]
importante.
>> O legado de Pascal é rico. [música] De
um lado vemos um inventor e geômetra que
ajuda a fundamentar a probabilidade e a
consolidar o método experimental. De
outro vemos [música] um filósofo
religioso que afirma os limites da razão
e exalta [música] a primazia da graça
enquanto andava com uma oração costurada
ao casaco. Pascal representa um século
de transição, quando medir [música] o
mundo e reconhecer o mistério não eram
tarefas excludentes.
[música]
Enquanto [música] Pascal refletia sobre
o coração e o espírito, outro pensador
na Inglaterra mergulhava na matéria, na
composição física do mundo. Robert Boy
buscava [música] nas leis da natureza a
assinatura do criador, experimentando,
medindo e anotando tudo. Nossa rota
cruza o canal [música] da Mancha e nos
leva até Londres, o berço da ciência
experimental, onde começamos o próximo
[música] capítulo dessa jornada.
>> [música]
[música]
>> เ
>> [música]

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