Boas práticas para construir – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
04/08/2026
Boas práticas para construir – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
Como o cristão deve viver seus relacionamentos?
Nesta exposição de 1 Pedro 3:8–12, aprendemos que a vida cristã vai muito além de uma profissão de fé. O evangelho transforma nosso caráter, molda nossos relacionamentos e redefine a maneira como respondemos às pessoas, inclusive aos nossos inimigos.
Pedro apresenta as marcas de uma comunidade verdadeiramente cristã: unidade, compaixão, amor fraternal, misericórdia e humildade. Em seguida, mostra que o discípulo de Cristo deve vencer o mal com o bem, controlar a língua, afastar-se do pecado, praticar o que é bom e perseguir a paz.
A mensagem conclui lembrando que toda ética cristã é teocêntrica. Vivemos diante dos olhos de Deus, que conhece nosso coração, ouve nossas orações e julga com perfeita justiça. Nossa motivação não é agradar aos homens, mas glorificar ao Senhor em cada atitude.
Uma exposição prática e profundamente bíblica sobre como o evangelho transforma o caráter, os relacionamentos e o testemunho do cristão no mundo.
INFORMAÇÕES:
Pastor: GUILHERME ALCÂNTARA
Passagem: 1 Pedro 3.8-12
Série: Cristãos: um edifício em construção
#ipsantoamaro #presbiteriana
CAPÍTULOS:
00:00 – Leitura de 1 Pedro 3:8–12
02:49 – Boas Práticas da Vida Cristã
05:40 – A Ética Segundo o Evangelho
09:47 – A Bíblia Como Padrão de Conduta
12:40 – Caráter, Procedimento e Motivação
13:25 – O Caráter que Sustenta os Relacionamentos
13:41 – Unidade na Mesma Mentalidade Cristã
19:01 – Compaixão e Identificação com o Próximo
22:03 – Amor Fraternal e Misericórdia
27:51 – A Virtude da Humildade
32:27 – Procedimentos que Edificam
32:42 – Retribua o Mal com Bênção
35:31 – O Evangelho Quebra o Ciclo da Vingança
38:12 – Somos Chamados a Abençoar
44:05 – Controle a Língua
48:08 – Afaste-se do Mal e Pratique o Bem
50:19 – Persiga a Paz
53:34 – A Motivação: Viver Diante de Deus
55:03 – Os Olhos, Ouvidos e o Rosto do Senhor
57:22 – Um Chamado ao Autoexame
58:47 – Oração Final
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
Amados irmãos, vamos abrir a palavra do Senhor na primeira epístola de Pedro. Vamos dar sequência às nossas exposições com base nesta epístola, estudando hoje o capítulo 3, do verso 8 ao verso 12. Primeira epístola de Pedro, capítulo 3, do verso 8 ao verso 12. Aqui nós somos estimulados a praticar e a viver o evangelho com fervor. Diz assim o autor da carta, o apóstolo Pedro: "Finalmente, tenham todos o mesmo modo de pensar. Sejam compassivos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes. Não paguem mal com mal, nem ofensa com ofensa. Pelo contrário, respondam com palavras de bênção, pois para isto mesmo vocês foram chamados. a fim de obedecerem, a fim de receberem bênção por herança. Pois aquele que quer amar a vida e ter dias felizes, refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem palavras enganosas. Afaste-se do mal e pratique o bem. Busque a paz e empenhe-se por alcançá-la. Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos à suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam o mal. Vamos orar. Senhor nosso Deus, nosso amado Pai, nós te damos graças, nós te bendizemos porque o Senhor nos trouxe até aqui, porque o Senhor tem falado ao nosso coração, tratado as feridas da nossa alma, porque o Senhor tem melhorado os nossos relacionamentos, o Senhor tem ouvido as nossas súplicas e nós, ó Deus, podemos confiar inteiramente no direcionamento que recebemos da tua parte. De modo que nessa manhã pedimos que mais uma vez o Senhor nos aponte o caminho, o Senhor nos diga o que precisamos corrigir. O Senhor nos santifique, porque justificados já somos e reconciliados contigo já estamos pela obra maravilhosa do Senhor Jesus. Queremos então progredir espiritualmente e precisamos do teu auxílio para isso. Oramos em nome de Jesus. Amém. Meus irmãos, nós aprendemos a chamar de boas práticas um conjunto de regras, métodos e procedimentos reconhecidos como a forma mais segura e eficiente de realizar uma certa tarefa ou atividade. Bo as práticas aplicadas a qualquer área do nosso conhecimento ou experiência são interpretadas de um modo bastante positivo, porque o termo faz referência a cuidados especiais que nós tomamos para garantir a qualidade, para evitar erros grosseiros e para organizar os processos de modo a alcançar os objetivos melhores e até uma performance de excelência. Nesse sentido, é comum se falar em boas práticas de alimentação e saúde, boas práticas na fabricação de um produto e também de boas práticas para aplicar em uma construção. Essa última tem sido usada por nós como uma metáfora que se relaciona conosco no campo espiritual, porque os crentes e a própria igreja são como um edifício que Deus tem edificado a cada dia, já que ele segue realizando em nós e através de nós a sua maravilhosa obra redentora. Dessa forma, perguntamos: Como você tem construído a sua vida? Nós entendemos que o Senhor tem limpado o nosso coração, tem estruturado melhor as nossas ideias e sentimentos, tem nos protegido do mal, tem nos preservado e impedido a nossa queda, tem reforçado o nosso aprendizado, tem nos tornado mais vigilantes e comprometidos com ele e com a expansão do seu reino. E essas coisas todas acontecem ao verdadeiro crente. Esses padrões elevados, irmãos, também precisam ser aplicados no campo dos relacionamentos interpessoais, de um modo que inevitavelmente precisamos tratar sobre moral, ética e comportamento, não como um fim em si mesmo, mas como um desdobramento da fé que nós temos recebido. Isso é a prova cabal de que a nossa fé não é meramente teórica ou abstrata, mas ela se concretiza em ações que revelam os nossos princípios e valores e que mais do que isso, manifestam a nossa prioridade e o nosso testemunho. O testemunho que estamos dispostos a dar acerca do nosso Salvador Jesus Cristo. Esse é um assunto de grande interesse no mundo inteiro. Vejam, o conceito de ética vem sendo discutido há séculos por teólogos, filósofos e diversos pensadores no mundo inteiro. Há, sem dúvida, um esforço que os homens fazem para encontrar um modelo de conduta que dê sentido à sua vida, que padronize a relação dos indivíduos entre si e que também imponha limites aos impulsos que não são próprios. Isso dá origem a algumas falas que nós ouvimos e reproduzimos algumas vezes. Por exemplo, o seu direito termina quando começa o direito do outro. Ou é melhor viver só do que mal acompanhado? Quem avisa amigo é. Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia. Amigos, amigos, negócios à parte. Gato escaldado tem medo de água fria. A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Cavalo dado não se olha os dentes. Quem semeia o vento colhe tempestade. Cada macaco em seu galho é dando que se recebe. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. O que os olhos não vem, o coração não sente. Uma dorinha só não faz verão. Para bom entendedor, meia palavra basta. Águas passadas não movem moinhos. Não julgue um livro pela capa. Mentira tem perna curta. Quem fala demais dá bom dia a cavalo. Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão. Diga-me com quem andas que eu direi quem tu és. A união faz a força. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Quem muito se ausenta, uma hora deixa de fazer falta. Faço o que eu digo, mas não faço o que eu faço. Não grite as suas conquistas, porque a inveja tem sono leve. Quando Pedro fala de Paulo, fico sabendo mais de Pedro do que de Paulo. Entre essas falas existem alguns pontos interessantes com fundo de verdade que expressam a graça comum na sabedoria popular. Mas também encontramos nesse conjunto uma série de problemas e equívocos, equívocos inclusive terríveis que não fazem jus ao ensino bíblico. De qualquer maneira, irmãos, o que eu estou tentando dizer aqui e o que esses dizeres sintetizam é que nós não temos apenas ideias, mas nós nos esforçamos numa tentativa constante de tentar definir padrões, critérios, de tentar entender o que é certo, o que é errado, o que atrai problemas, como nós podemos resolver pendências. Mas cuidado, porque nem tudo que parece ser verdade de fato, é. Temos a melhor base de todas, a escritura sagrada. Mas muitos nesse mundo que parecem ser sábios atiram no escuro. Há quem defenda que a verdade é mutável e está sujeita ao tempo e à cultura. Há quem defenda que o homem pode encontrar tudo que precisa dentro dele, servindo ele mesmo de referência para si próprio. No ateísmo, a ética é ilusória, porque ela está despida de prescrições morais objetivas. Alguns tentaram destruir a ideia de Deus e acabaram com isso maculando a imagem do próprio homem. Para o evolucionista clássico, qualquer norma provavelmente será entendida como uma mera construção social. Mas no cristianismo tudo é diferente. No cristianismo o mandamento de Deus não se discute e somos nós que devemos nos adequar a ele e não o contrário. No cristianismo não há relativismo moral, não há propósitos vazios, não há mensagens vagas ou vazias de significado. Nosso procedimento, irmãos, é o resultado daquilo que Deus mesmo infunde em nosso coração e na nossa consciência a partir do que nos é claramente revelado em sua palavra. A Bíblia não é simplesmente um livro moralista que dita regras frias. Não é um livro de autoajuda que nada mais faz do que massagear o ego humano. Não. A Bíblia não é um livro de romances fictícios que nenhuma esperança pode trazer aos homens, mas ela é a própria verdade que revela as nossas origens, o nosso pecado e o caminho para a nossa redenção em Cristo. Quando pecamos, rompemos o nosso relacionamento com Deus, com o próximo, e até o entendimento de nós mesmos se tornou corrompido. Quando Deus nos transforma, então começa a restauração da nossa comunhão com ele e com o próximo. Porque olhamos para Deus e olhamos para as pessoas de uma forma diferente. Passamos a agir de uma forma diferente também. Textos como o que traz os 10 mandamentos ou o sermão do monte lançam diretrizes profundas, tendo por base o caráter de Deus e a situação do nosso coração carente, perdido, mas que encontra em Cristo a alegria, a esperança, o perdão e a salvação. Em Cristo, aprendemos a viver melhor em dias de paz e em dias de perseguição. Em Cristo, nós temos recomeço. Em Cristo, nós podemos nos amar, nos reconciliar e praticar o bem até mesmo aos nossos próprios inimigos. Um padrão que o mundo não conhece. Jesus nos ensinou a fazer aos outros o que queremos que eles também nos façam. Resumindo nisso, segundo suas próprias palavras, a lei e os profetas. Jesus também nos ensinou a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, resumindo assim o decálogo. Então vemos que a Bíblia nos diz o que devemos fazer, por devemos fazer e para que devemos fazer as coisas. Ela nos desseca e acerta em cheio em nossa alma. Ela nos guia e nos ajuda a agir corretamente com os nossos irmãos e com os incrédulos nas mais variadas situações. O texto que lemos, irmãos, trata de um modo muito próprio, de três coisas muito importantes para nós como servos de Deus. caráter, procedimento e motivação. E eu gostaria que você ficasse com essas três palavrinhas chave na sua cabeça: caráter, procedimento e motivação. Porque essas são as três grandes categorias que podemos utilizar para melhor elucidar o nosso texto. Nós devemos ter um caráter [limpando a garganta][roncando] regenerado. Nós devemos adotar práticas coerentes com o evangelho. E nós devemos ter a motivação certa diante de um Deus que nos observa em todo tempo. Vamos ao primeiro bloco. Falaremos agora, em primeiro lugar sobre o caráter que deve sustentar os nossos relacionamentos. Aqui nós precisamos ter em vista, irmãos, o versículo 8, que nos coloca diante de pelo menos cinco virtudes preciosas. Vamos começar aqui. Primeira é a unidade de mente. Mais especificamente, Pedro diz: "Tenham todos o mesmo modo de pensar". A tradução mais literal traria algo como sejam todos de igual mente ou tenham todos a mesma mente. Ora, o que isso significa, irmãos? Acaso Pedro está dizendo que não pode haver diferenças de opiniões entre nós? É óbvio que não é isso que está sendo posto. A ideia não é conceber tudo de modo exatamente igual sobre todos os assuntos. Porque não podemos ter uniformidade, mas possuir a mesma orientação espiritual que é produzida pelo evangelho. É como se ele estivesse dizendo o seguinte: "Vocês devem ter a mesma mentalidade, a mesma mentalidade de um cristão." Geralmente o tipo de unidade que os seres humanos estão dispostos a abraçar, notem, é aquela que se dá em razão de afinidade. Então, se eu combino mais com o fulano ou se eu eu me uno a ele, se alguém tem as características que me agradam ou que são mais compatíveis com as minhas inclinações ou gostos, eu ando com essa pessoa, eu tolero essa pessoa, eu ouço essa pessoa. Vejam, o texto não estimula aqui a união com base apenas na afinidade, porque ninguém precisa de um mandamento específico para isso. concordam? Ninguém precisa. Naturalmente nós já nos aproximamos daqueles que são compatíveis conosco. Essa unidade a que nós somos instados no texto é uma unidade que nasce da submissão comum à palavra de Deus, que é algo que deve nos caracterizar. Eu devo ser submisso à palavra, você deve ser submisso à palavra, ainda que nós tenhamos divergências. Falando de um outro modo, todos os crentes devem pensar de acordo com a Bíblia. Todos os crentes devem enxergar a realidade pelas lentes da revelação que nos foi dada. Devem se esforçar para isso. Por isso, irmãos, uma igreja saudável tem harmonia e não está dividida quanto a questões essenciais. Nós podemos discordar um do outro em questões menores, em algumas preferências pessoais, em algumas opiniões, em algumas sugestões, mas a nossa discordância não pode ser grave em termos de cosmovisão, fé, [roncando] doutrina ou comportamento adequado para um cristão. O cristianismo historicamente apregou a conceitos claros e inegociáveis sobre pecado, sobre justiça, sobre graça e nos desafia a viver e a pregar o puro evangelho, a fim de que os homens sejam salvos. Mas essa é uma batalha difícil. É uma batalha difícil, irmãos, porque quase tudo nesse mundo conspira para nos afastar. Podem ter certeza, quase tudo nesse mundo conspira contra a nossa principal tarefa de glorificar a Deus em unidade. Nos dias de Pedro, por sustentarem a verdade, os crentes estavam sendo perseguidos. Por dizerem que Jesus é o único Senhor, os crentes estavam sendo humilhados. Por buscarem santidade, os crentes estavam sendo tratados como parte de uma gente estranha e supersticiosa que não seguia o status qu. E adivinhem? Os crentes continuam não seguindo exatamente o status qu definido pelo mundo. Ora, sabemos que as acusações, assim como a que os crentes do período do primeiro século recebiam, são comuns aos cristãos de todas as épocas em algum nível e também temos sido alvos nesse sentido. Portanto, é importante que estejamos unidos não por conveniências individuais, não por interesses mesquinhos, não por partidarismo ou vanglória, mas por ideais maiores. É importante que sirvamos de apoio um ao outro e é importante que a nossa intenção seja sempre a de glorificar o nome do Senhor. Aqui nós não podemos estar divididos, irmãos. Por isso o apóstolo Paulo também diz em Filipenses: "Portanto, se existe alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há profundo afeto e sentimento de compaixão, então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma e mente." A segunda virtude aqui apontada é a compaixão. A palavra utilizada para compadecidos no grego tem a mesma raiz que também é usada para a palavra simpáticos que a gente traz pro nosso português. Todavia, a simpatia que se requer dos crentes não é no sentido em que geralmente se compreende. Talvez cumprimentar alguém, [roncando] fazer um tipo de gentileza, elogiar ou simplesmente ter um sorriso fácil possa ser visto como parte de uma personalidade simpática que nos atrai. Mas a simpatia ou o sede compadecidos do texto tem um sentido mais profundo. O sentido mais pleno aqui, irmãos, é identificar-se. Identificar-se. O que Pedro está dizendo é que esta é uma unidade orgânica e, tal como um organismo vivo, os crentes devem estar prontos para se identificar uns com os outros, para se identificar com os seus irmãos, ou seja, estarmos tão envolvidos que compartilhamos conhecimento e experiências, compartilhamos lutas e vitórias. É como diz Paulo em Romanos 12, alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram ou na carta aos Coríntios, de maneira que se um membro sofre, todos sofrem com ele. Se um deles é honrado, então todos se regozijam com ele. Contudo, o texto mais destacável para mim em relação a essa exortação é o de Hebreus 4:15, que diz: "Porque nós não temos sumo sacerdote que não possa se compadecer das nossas fraquezas, pelo contrário, ele foi tentado em todas as coisas à nossa semelhança, mas sem pecado." Por que que eu considero que esse texto é fundamental, irmãos? Porque Cristo é o maior exemplo que nós temos. Ele era Deus, mas resolveu se identificar conosco e resolveu então passar pelas tentações que nós passamos. É por isso que a Bíblia diz que ele se compadece de nós em nossas fraquezas, uma vez que ele se identificou conosco. Quando nós aprendemos a nos identificar uns com os outros, aprendemos a nos identificar com os nossos irmãos, também aprendemos a ter um coração mais compadecido em relação a eles. Como Deus se compadeceu e se identificou conosco, importa que nós nos compadeçamos e nos identifiquemos uns com os outros. A terceira virtude que aparece aqui é o amor fraternal. Na verdade, Pedro agora repete aquilo que ele já enfatizou no capítulo 1, versículo 22, em que ele aponta para um amor fraternal não fingido, uma admoestação, aliás, que aparece também em diversas outras partes das escrituras. O adjetivo fraternalmente revela que a igreja é a família da aliança, de modo que nós somos irmãos e a nossa relação de amor, comunhão e amizade não pode ser opcional, não pode ser forçada e não pode ser teatral. Nós fomos amados e fomos reconciliados com Deus em primeiro lugar. É por isso que agora amamos uns aos outros. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Nós somos hoje amigos porque um dia fomos inimigos de Deus e ele restaurou a nossa comunhão consigo mesmo. A quarta virtude é misericórdia. Sede misericordiosos. Aqui significa, irmãos, literalmente ter boas entranhas. Isso soua estranho para nós, né? Mas sede misericordiosos é ter boas entranhas. Eh, na cultura grega, as entranhas, o intestino, o estômago, o abdômen, eh, essa região do nosso corpo era considerada como o centro das emoções profundas. Os antigos associavam as entranhas com as sensações internas, porque o medo, o susto, o nervosismo, a ansiedade, a ira, a indignação e coisas parecidas podem afetar, como nós bem sabemos, o nosso estômago, o nosso intestino. Pode nos fazer contrair a região abdominal, pode nos fazer perder o apetite. Essas coisas fazem com que percamos o apetite. Então, ter boas entranhas ou ser misericordioso significa possuir uma compaixão que brota de dentro. É uma compaixão que vem das profundezas da alma. Significa termos sensibilidade diante da fraqueza alheia ou diante da da triste condição espiritual que cerca uma pessoa. Jesus chorou, lembram? E a Bíblia diz que Jesus chorou diante da irmã de Lázaro, que chorava aos seus pés. O texto diz que ele se comooveu no seu espírito. Era uma forma de se compadecer daquela dor. Jesus chorou também diante da incredulidade das pessoas em Jerusalém. Ele olhava paraa cidade e lamentava, lamentava a sua rejeição aos profetas, o sofrimento e o juízo que estava reservado a ela. Quer dizer, a misericórdia bíblica não é, irmãos, sentimentalismo, mas é disposição interior. disposição interior para consolar, para socorrer, para erguer o caído, para exortar também, para exortar segundo a verdade, para animar ainda quando nós identificamos que aquele que se beneficia das nossas ações não necessariamente merece bondade, porque isso é a definição de misericórdia. Misericórdia é não dar o outro, ao outro aquilo que ele que ele merece. é não fazer com que ele sofra diante daquilo que eh o o mal diante do mal que ele praticou. Isso é misericorder e caso alguém não tenha percebido, essa é a misericórdia de Deus para conosco. Ele olhou para nós e estendeu a mão. Ele nos tirou do fundo do poço. Ele nos deu vida quando estávamos mortos. Ele nos tirou da crise existencial. E ele decidiu não nos tratar conforme aquilo que nós merecíamos pelos nossos próprios atos. Misericórdia é a maior necessidade de todos nós. Por isso, tenha misericórdia de sua família, tenha misericórdia dos seus amigos, tenha misericórdia dos seus irmãos, tenha misericórdia dos incrédulos perdidos nesse mundo, tenha misericórdia dos seus pastores. Tenha misericórdia dos missionários. Tenha misericórdia daqueles que estão doentes, daqueles que perderam o ente querido, daqueles que foram vítimas do mal, daqueles que sofreram prejuízos. Sem misericórdia não há razão pra vida cristã. Sem misericórdia, nem eu e nem você poderíamos ser cristãos. Dá para entender isso? Jesus disse: "Sejam misericordios como misericordioso é o vosso Pai". Isso sem dizer que a vinda de Cristo a esse mundo, sem sombra de dúvida, juntamente com a sua morte na cruz, foi o maior ato de misericórdia já praticado por alguém em nosso favor. A quinta virtude é humildade. Pedro diz: "Sejam humildes". A virtude da humildade, irmãos, não era bem vista na cultura grega. Na literatura dos gregos antigos, a humildade era tratada como um vício, olhem só, e não como uma qualidade. Ninguém nega a grandeza daquela civilização, mas a teologia reformada afirma que mesmo os homens mais inteligentes e sofisticados têm dentro de si um coração corrompido, por vezes marcado pela idolatria, pela ganância e pelo paganismo. Homens que parecem iluminados se mostram vaidosos e limitados. Alguns se inculcam por sábios e se tornam loucos. Nesse mundo, toda a nossa megalomania, a nossa mania de grandeza, facilmente se esfarcela pelo chão. Boa parte das certezas, das falsas seguranças que os homens têm se mostram inúteis e fúteis. Os que pensam que são poderosos passam como a neblina e não se mantém de pé no dia mal. Ninguém é melhor do que ninguém. Nós precisamos de Deus e nós precisamos uns dos outros. Naquela cultura, valorizava-se por demais a oratória, o discurso, o debate, a razão, o argumento lógico. Nesse contexto, uma pessoa humilde não encontrava muitos espaços. Daí você pode entender porque a mensagem do Cristo crucificado, a mensagem do Cristo crucificado era loucura para o grego. Porque Jesus se humilhou morrendo da forte da forma mais ultrajante possível. Como que um grego, com as suas concepções assim poderia aceitar um Deus que é morto numa cruz como se fosse um malfeitor qualquer? Na carta aos Filipenses, Paulo escreve, tenham em vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que mesmo existindo na forma de Deus, não se vangloriou. Pelo contrário, ele se esvaziou assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens. Ele se humilhou sendo obediente até a morte e morte de cruz. Por isso, diferente dos gregos, irmãos, na literatura cristã, a humildade sempre foi vista como uma virtude desde o início. Isso é muito diferente. Em muitos aspectos, nós também não vivemos em uma sociedade que valoriza a humildade. as pessoas muitas vezes vão se mostrar soberbas, arrogantes e inclusive vão propagar isso, porque há uma glamorização hoje da soberba, da arrogância, porque há pessoas defendendo abertamente que ser assim ou se comportar dessa forma de um modo pedante é fundamental para se alcançar sucesso, para prosperar para empreender, para crescer na vida, para que os outros te respeitem. Só que a Bíblia diz que a soberba precede a queda, que aqueles que se exaltam serão humilhados, que o Senhor está com o humilde de coração, que esse é o antídoto exato para o orgulho. Entender que nós somos inteiramente dependentes de Deus, reconhecer que nós não temos nada que não tenhamos recebido das mãos dele. Eu sei que as nossas inclinações são totalmente opostas. Eu sei que só a obra redentora, regeneradora, santificadora do Espírito pode produzir algo diferente na nossa vida. Jesus mostrou o caminho. Jesus disse que aquele que quiser ser o maior entre nós deve estar disposto a servir. Seja humilde. Seja humilde em servir com seus dons. Seja humilde ao receber uma exortação. Seja humilde ao reconhecer os seus erros e se desculpar. Seja humilde ao agradecer e admitir que outros te ajudaram. Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Se nesse primeiro bloco, então, nós tratamos aqui sobre o caráter que sustenta os relacionamentos, eu quero falar agora nesse segundo bloco sobre os procedimentos que edificam o próximo e a nós mesmos. os procedimentos que edificam o próximo e a nós mesmos. O primeiro procedimento em destaque é: retribua o mal com a bênção. Retribua o mal com bênção. Amados, até esse momento, a atenção de Pedro em suas orientações para aquela comunidade cristã para a qual ele escreve estava voltada ao trato dos crentes uns com os outros. Ele ensinou até aqui sobre a conduta do crente diante dos seus irmãos, principalmente. Agora, porém, ele vai se concentrar nas ações ou nas reações dos crentes para com todas as pessoas, de um modo geral, inclusive os incrédulos. Isso se torna ainda mais chamativo quando consideramos que os leitores dessa carta estavam sendo caluniados e insultados por inimigos da fé que procuravam até mesmo conter o avanço do cristianismo que se espalhava. Muito bem. Nessas circunstâncias, qual deveria ser o procedimento dos fiéis? Importante ressaltar, irmãos, que o ímpeto da natureza humana é retribuir da mesma forma. Claro, esse é o ímpeto da nossa natureza. E isso, inclusive, vou até um pouco mais longe, isso não é totalmente, não é absurdo do ponto de vista da justiça. Se nós nos concentrarmos apenas em aspectos judiciais, por exemplo, ou [roncando] na maneira como as autoridades devem punir o malfeitor, a proporcionalidade é um elemento importante a ser considerado. No Antigo Testamento, com Moisés já se previa um conjunto de leis que eram tanto punitivas quanto retributivas. As leis romanas também eram muito sofisticadas, haja vista o legado que os romanos nos deixaram nesse sentido. Então, talvez alguns leitores de Pedro eh interpretassem sim que deveriam retribuir aos seus inimigos da mesma maneira, pagar o mal com o mal. Talvez até alguns já estavam se conduzindo dessa forma, mas vejam que Pedro desaconselha isso. A razão é que ele trata aqui primordialmente sobre relacionamentos interpessoais, em que o fruto do espírito deve se manifestar na vida de cada crente, que seria então o critério maior aqui. Nós não devemos olhar para os méritos nossos, nem os de ninguém, mas para a graça de Deus. Então Pedro proíbe o mecanismo instintivo e natural do coração caído, que é revidar. O evangelho quebra o ciclo da vingança pessoal, que seria normalmente perpetrado por qualquer pessoa. O que nos torna diferentes, irmãos, o que choca o mundo, o que coloca o cristianismo em um patamar muito mais elevado do que qualquer religião ou filosofia é justamente a mensagem de que o mal não triunfa. O mal pode ser vencido com a arma do bem. E mais do que isso, Jesus venceu praticando bem. Retribuir o mal com o mal para o cristão em nossos relacionamentos interpessoais é algo que deve estar fora de cogitação para nós. Não quer dizer que você não possa ser firme. Não quer dizer que você não possa buscar direitos legais. Não quer dizer que você não possa reivindicar respeito à sua dignidade, mas você não precisa deixar a sua alma se contaminar diante do mal que lhe fazem. Você não precisa agir como um incrédulo, trocando ofensas com ele. Você não deve priorizar vencer uma disputa de egos em detrimento do reino. Irmãos, nem sempre terá que ser assim, mas às vezes parece que nós perdemos de vista que haverá situações, repito, nem sempre terá que ser assim, mas parece que nós estamos perdendo de vista de que às vezes haverá situações em que como crentes será melhor ceder. Como crentes, às vezes a gente tem que aceitar o prejuízo. Às vezes, como crentes, a gente perde para ganhar. Nós temos que reaprender a a o fato de que a nossa recompensa e o nosso galardão vem do Senhor, mais do que dos homens. A palavra de Deus ensina que nós devemos, sempre que possível, sempre que possível abençoar os nossos inimigos e mesmo aqueles que nos fazem mal, que nos difam. É, é destacável, é destacável o final do verso. Pois com esse objetivamente Pedro organiza as palavras para que elas se tornem mais inteligíveis. Ele diz: "Respondam com palavras de bênção." Olha que interessante, irmãos. Respondam com palavras de bênção, pois para isto mesmo vocês foram chamados. Pedro relaciona o nosso chamado ao tipo de resposta abençoadora que nós damos quando somos de alguma maneira contrariados. Isso é parte do nosso chamado. Isso é a nossa vocação. Só o crente consegue fazer isso. Só o crente consegue ser assim. E vejam o jogo de palavras. O que está sendo colocado é: "Transmitam bênçãos às pessoas, inclusive aos seus adversários, porque vocês são o povo da bênção." Pare para pensar. Nós crentes somos o povo da bênção. Nós como crentes somos o povo da bção. É verdade que alguns não irão querer receber a bênção que nós invocamos sobre eles e com isso receberão o juízo de Deus sobre suas vidas. Nós vamos nos lembrar até da comissão do envio de Jesus, não é? Dos homens que chegavam e diziam: "Paz sobre essa casa". ou pais, rogavam a bênção de Deus e eram mal recebidos, sacudam os pés e saiam de lá. Isso é o juízo de Deus. Quem não quiser receber a bênção, vai receber o juízo. Mas nós somos aqueles que anunciam, que comunicam, que rogam as bênçãos de Deus. Vejam, Pedro diz, ele mostra, Deus é o vingador, Deus é o juiz. De nossa parte, Pedro diz: "Bendigam aos outros, mesmo aqueles que vos amaldiçoam, porque vocês com isso acumularão bênçãos de Deus, das quais vocês são herdeiros. Quer receber bênção? Abençoe. Quer ser abençoado? Abençoe os outros. O padrão do mundo, revidar, retalhar, devolver na mesma moeda. O padrão do reino responder com graça, porque nós fomos abençoados por Deus e somos chamados a abençoar. Não há estímulo maior para os crentes do que esse, o de saber que Deus nos abençoará quando fizermos o que devemos fazer para a sua própria glória. Jesus nos ensinou a orar pelos que nos perseguem. Podemos abençoar os nossos inimigos, então, orando por eles, procurando ser tratável com eles, mesmo que esse bom trato inicialmente seja apenas unilateral, atendendo solicitações, quem sabe razoáveis, dando água e comida quando eles tiverem sede e fome. Essa atitude impressionante só pode ser praticada pelo crente em Jesus, que olha para o seu mestre e que vê nele alguém que também foi injuriado, insultado, caluniado pelos seus adversários, mas a reação de Cristo diante deles era de grandeza, era de intercessão, era de sabedoria, também era de exortação, também era denunci maldades, revelando a dureza do coração deles. E nós podemos fazer, irmãos, de tudo um pouco. No final das contas, nós podemos fazer de tudo um pouco porque há tempo e há espaço para tudo. Nem sempre a nossa resposta deve se dar mesma maneira, porque a Bíblia nos apresenta, inclusive circunstâncias distintas. Às vezes até o silêncio pode ser uma alternativa melhor. Às vezes a oração imprecatória também pode ser usada quando nós nos colocamos nas mãos do Senhor e pedimos que ele castigue os inimigos. Mas isso é com Deus. O que nós não devemos fazer jamais é rebaixar o padrão espiritual e moral que nós recebemos. Vejam, o patriarca José viveu dramas terríveis em terra estrangeira, mas não retribuiu aos irmãos o mal que lhe fizeram. Davi foi perseguido por Saul, mas não o matou quando teve chance. Jó foi fustigado por homens que diziam ser seus amigos, mas depois orou por aqueles homens. Paulo foi aprisionado em Filipos sob a vigilância de um carcereiro cúmplice de maus tratos. E o apóstolo não apenas pregou para aquele homem e a sua família, como batizou a todos. Jesus foi moído em sua carne e enquanto sangrava na cruz, ele disse: "Pai, perdoa esses homens. Esse mesmo Jesus é juiz. Em outro momento da história, ele dirá palavras severas aos ímpios. Mas naquele momento ele nos ensinou a orar pelos nossos algozes. Evitemos pagar a outra em mal por mal, ofensa por ofensa. Responder ao ataque injusto com palavras de bênção é repetir o ato sublime do Calvário, do cordeiro de Deus que foi morto pelos nossos pecados. é o que faz de nós imitadores de Cristo. O segundo procedimento relevante é controle a língua. Controle a língua. Nesse momento, o apóstolo cita um trecho do Salmo 34. Ele começa afirmativamente falando sobre o que deve fazer aquele que ama a vida e quer desfrutar de dias felizes. É interessante isso, não é, irmãos? Porque se você fizer uma enquete aqui, quem quer ser feliz na vida? Todo mundo vai levantar a mão. Só que a gente quer felicidade e o nosso ato, a nossa ação não é tão compatível com aquilo que a gente busca, não é? E então, vejam só esse aspecto aqui no texto. Originalmente no salmo, essa frase inclusive vem de modo interrogativo. O salmista pergunta: "Quem de vocês ama a vida e quer longevidade para ver o bem? A pergunta é retórica, é como se ele estivesse indagando, alguém aí quer uma vida melhor, mais longa, feliz, abençoada, então eis o que você deve cultivar. E então nós temos mais princípios éticos. Em primeiro lugar, ele diz: "Refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem palavras enganosas". Quando Pedro diz refreia a língua essa é uma expressão que também pode ser traduzida por guardem a língua. Guardem a língua. E guardar tem o sentido de vigilância. Ou seja, montem guarda e vigiem com atenção as palavras que saem da sua boca. Agora, quando ele diz, evite que os seus lábios falem palavras enganosas, o sentido aqui é: façam cessar completamente a mentira e o engano. Não se trata apenas de reduzir palavras pecaminosas, se trata de interromper o hábito nocivo da fala. interrompam, cessem de modo direto ou indireto. Pedro coloca que há três disciplinas na fala que o cristão deve considerar. A primeira é deixar de lado a fofoca, a difamação, a calúnia, a blasfêmia, a murmuração e todo tipo de palavra perniciosa. A segunda disciplina é fugir do engano. A integridade deve governar a nossa comunicação. fuja do engodo, da conversa fiada, distorcida, da coisa mal explicada, da palavra suspeita, do boato que gera desconfiança, do sofisma que ludibria os mais desatentos, da heresia que encaminha pessoas para perdição. Fuja disso. em tempos de redes sociais, de comunicação de massa, discursos difusos, é fundamental ter isso em mente. A terceira disciplina é se preparar para transmitir em sua fala o que for bom, proveitoso, edificante, aquilo que sirva para preservar a verdade de Deus e a reputação dos inocentes. Meus irmãos, é muito fácil agirmos inadequadamente com as nossas línguas, mas o que a Bíblia diz é que nós devemos guardá-la da corrupção, da falsidade, da hipocrisia. A língua é um órgão sensível que põe para fora o que está em nosso coração. Ela aproxima e separa os homens. Ela pode traumatizar e aliviar. Ela abençoa e amaldiçoa. Ela constrói e também destrói. Ela provoca incêndio, mas ela pode apagar incêndio. Precisamos estar bem conscientes do potencial e do impacto que as nossas palavras têm. que nós saibamos com a graça de Deus vigiar a nossa língua, evitar o engano e santificar a nossa comunicação. Terceiro procedimento recomendado é: afaste-se do mal e pratique o bem. Afaste-se do mal e pratique o bem. Depois de ter se concentrado aqui em nossas palavras, vejam que Pedro agora se concentra em nossas ações. Não apenas devemos evitar o mal falar, mas também devemos nos livrar do mal proceder. Afaste-se do mal e pratique o bem. O cristão, irmãos, deve se desvencilhar até mesmo da aparência, até mesmo da aparência do mal. Então, há alguma coisa que te lembra o mal? Há alguma coisa que possa dar a entender que o que fazemos é mal? Há algo que nós temos feito que tem cheiro de mal, sabor de mal. Há algo que a gente faz e que nos causa mal no coração. Há alguma coisa que a sociedade aprova, mas Deus diz que é mal. Existe dúvida sobre o que é bom ou mau. A dúvida já é suficiente para nos afastar. A consciência incomoda e traz peso. Então, abandone, afaste-se do que for mal. E ao nos afastar dessas coisas, também precisamos em contrapartida, praticar o que é bom. A expressão praticar o bem é muito comum na epístola do nosso estudo e aparece diversas vezes em forma de ordenança. Por exemplo, Pedro diz que pela prática do bem nós devemos silenciar a ignorância dos insensatos. Também ele afirma que se nós praticarmos o bem, Deus se agradará de nós. Também ele fala que Sara é um exemplo para as mulheres piedosas, porque ela praticava o bem e não temia perturbação alguma. Mais adiante, ele vai dizer que os que sofrem segundo a vontade de Deus entregam a sua alma ao criador pela prática do bem. O cristão é reconhecido por fazer o bem, por evitar o mal. E todos esses versículos aqui nos mostram exatamente isso. O último procedimento é: persiga a paz. Veja, o crente estimula, enaltece, estabelece a paz em seu viver. Pedro usa dois verbos fortes, irmãos, aqui. Um deles indica buscar a paz com diligência. O outro, traduzido por empenhe, empenhe-se por alcançá-la, veja, significa correr atrás. correr atrás significa perseguir. E é curioso que o verbo indique um tipo de perseguição que é positiva e sadia, porque nós sabemos que os crentes naquele momento estavam sendo perseguidos literalmente, fisicamente. Eles estavam sendo incomodados. Então, é como se Pedro estivesse dizendo: "Meus irmãos, persigam a paz com a mesma intensidade com que o mundo persegue vocês. Enquanto eles nos perseguem para tolher a liberdade e derramar o nosso sangue, façamos o movimento oposto, perseguindo até onde possível for, a paz entre nós e a paz com eles." Porque a paz com Deus nós já temos. O apóstolo Paulo diz em Romanos: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de Cristo Jesus". Jesus disse aos seus discípulos: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não vos ladou como a dá o mundo." Nós estamos falando da paz verdadeira, da paz que vem de Deus. A paz que o mundo oferece, irmãos, é frágil, ilusória, circunstancial, é uma falsa paz. A paz de Cristo dura para sempre. É a paz que acalenta os nossos corações. É a paz que tranquiliza a consciência. É a paz que nos liberta dos nossos pecados. É a paz que quebra a nossa inimizade com Deus. E por que nós recebemos do Senhor essa paz sem medida que transcende o nosso entendimento? A consequência lógica é partilharmos dessa paz uns com os outros. Por isso, a Bíblia está cheia de referências que nos impulsionam a lutar pela paz. Paz é uma coisa cara nesse mundo, né? É difícil ter paz. É difícil. Nós não vamos, porém, como crentes, trocar a paz pela mentira. Nós não vamos deixar que calem a nossa boca por uma paz temporária, mas nós temos paz com Deus. E nós queremos experimentar paz com os outros, conclamando os pecadores a virem a Deus para que eles encontrem a maior paz que um mortal pode receber. A paz do Senhor. Jesus disse em uma das suas bem-aventuranças: "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus". Paulo disse: "Se possível no que depender de vós, vivam em paz com todas as pessoas". O autor de Hebreus seguia a paz com todos e a santificação, [roncando] sem a qual ninguém verá o Senhor. Alguém que não procura paz com os outros é alguém que não tem paz de Deus no coração. Se no primeiro bloco tratamos sobre o caráter que sustenta os relacionamentos e no segundo bloco falamos sobre os procedimentos que edificam o próximo, nós vamos encerrar aqui falando sobre a motivação suprema, que é viver diante do Senhor. E eu vou gastar menos tempo aqui nesse terceiro ponto, tá? Mas é fundamental. Chegamos num momento sensível e fundamental aqui. Vamos analisar a nossa motivação para tudo isso. Verso 12. Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos e os seus ouvidos estão abertos à suas súplicas. Mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam o mal. Irmãos, Pedro vai fechar o seu argumento de um modo agora, demonstrar para nós o seguinte: toda ética cristã é teocêntrica. Toda ética cristã começa e termina em Deus. O cristão sabe que ele como cristão e todos os homens vivem diante da face de Deus. O Salmo 34 é mantido em perspectiva, mas eu quero que você observe um detalhe. O texto destaca três sentidos importantes em Deus. Ele fala sobre os olhos do Senhor. Ele fala sobre os ouvidos do Senhor e ele fala sobre o rosto do Senhor. Os olhos enfatizam o conhecimento, a onisciência, o cuidado protetor e providencial de Deus sobre os seus servos. São olhos que repousam sobre os justos. Os ouvidos enfatizam a atenção de Deus conosco, o interesse de Deus em saber o que temos a dizer, a interação aberta que existe entre nós e o Pai Celestial através de Cristo. São ouvidos que recebem as nossas súplicas. Por fim, o rosto de Deus, irmãos, o rosto de Deus na Bíblia indica comunhão ou juízo. Por exemplo, na bção araônica, o texto diz que o Senhor sobre nós levante o rosto e nos dê a paz. Aqui é comunhão. Agora Pedro, no texto que nós lemos destaca o juízo de Deus sobre os perversos. Porque o texto diz que o Senhor voltou o seu rosto contra eles. Então, uma coisa é ter o rosto de Deus favorável, outra coisa é ter o rosto de Deus contrário. Aqui é juízo. É como se Deus olhasse para os seus filhos com um grande sorriso e Deus olhasse para os perseguidores e os maus com a cara fechada, zangada. E como alguém que cobrará deles algo que eles não vão poder pagar, porque rejeitaram o seu filho e o povo que ele escolheu. Qual é o seu caráter? Quais são os procedimentos pelos quais você é conhecido? Qual é a sua motivação? em tudo que você pensa e faz. Eu quero convidar você a olhar para cima para Deus em primeiro lugar, porque o Senhor está olhando para você nesse momento. Os olhos do Senhor estão sobre nós agora. Eu quero desafiar você a olhar para dentro do seu coração, não para buscar solução em si mesmo, mas para se autoexaminar e corrigir o que precisa ser transformado. Eu quero desafiar você a olhar pro lado e enxergar o seu semelhante. Alguém que como você precisa de graça, precisa do evangelho, precisa de uma palavra que edifique, precisa de uma atitude que abençoe. Deus certamente haverá de nos abençoar também. O rosto do Senhor repousa sobre os seus filhos. Vamos orar. Pai de misericórdia, Deus de amor e bondade, Deus que tudo pode, Deus que tudo vê, Deus que está em todos os lugares, Deus que permanece com o seu povo. Ouvimos hoje a tua voz, temos o privilégio de participar do culto da adoração do Senhor. Queremos agora que o Senhor nos dê o poder de testemunhar. Queremos agora que o Senhor fortaleça o nosso espírito. Queremos agora que o nosso caráter seja transformado mais e mais para sermos mais parecidos com o teu filho. Queremos que os nossos procedimentos sejam adequados e compatíveis com a nossa fé e com a palavra de Deus. Que tenhamos diante de nós, ó Pai, esse compromisso, mas que sobretudo tenhamos sobre nós a graça do Senhor, sem o que qualquer esforço nosso é inútil. Nós oramos agradecidos ao Senhor e humildemente nós oramos em nome de Jesus. Amém.