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A fé vem pelo ouvir

Culto – Noite de Domingo 02 de Agosto de 2026 em Jardim da Luz

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Legendas automáticas:

Quando vocês olham para a cruz, qual é a
primeira coisa que vem na cabeça de
vocês?
Quase sempre o primeiro pensamento que
chega na nossa mente é: sofrimento.
Porque nós vemos os pregos,
a coroa de espinho, a madeira áspera
ali, o sangue, a humilhação pública que
Jesus sofreu, os insultos e a morte.
Tudo estava ali
e tudo isso real. A crucificação era uma
forma terrível de execução.
Mas se enxergarmos ali, quando nós vemos
a cruz, apenas a dor física de Jesus,
nós não teremos compreendido o que
realmente estava acontecendo ali.
Outros homens também foram crucificados
naquela época, inclusive dois estavam
sendo crucificados ao mesmo tempo.
Outros sofreram violência, também
sofreram injustiça e morte.
O que torna a cruz de Cristo única não é
apenas a intensidade da sua dor, mas o
significado que a morte dele tinha.
A pergunta central não é somente como
Jesus morreu. A pergunta é:
por que que ele morreu?
Muitos responderiam: Jesus morreu porque
nos ama. E isso é óbvio, isso é
verdadeiro.
A cruz é a maior demonstração de amor
de Deus por nós.
Contudo, essa resposta ainda precisa ser
aprofundada.
Por que o amor de Deus passou pela morte
do seu filho?
Por que não bastou apenas uma palavra de
perdão
da parte de Deus?
Por que não bastou apenas Jesus ensinar
para a gente, curar
e mostrar como nós devemos viver?
Por que a salvação precisou passar pelo
sangue, pelo sacrifício e pela cruz de
Cristo?
A A chama essa obra
de expiação. Expiação é a obra pelo qual
Deus trata de maneira justa e definitiva
a culpa do pecado.
Remove a condenação, restaura o
relacionamento entre ele e o pecador.
Não é isso um detalhe secundário da
nossa fé.
Ela está no centro do evangelho. Sem
expiação, podemos admirar Jesus como um
mestre, um profeta, um exemplo moral
para nós,
mas não podemos conhecer ele como um
salvador.
Para entender a cruz, precisamos começar
por uma verdade que o nosso tempo adora
evitar.
Deus é santo.
Isso significa que ele é absolutamente
puro, perfeitamente justo e
completamente separado do mal.
Não existe nele qualquer sombra de
corrupção.
Tudo o que Deus é, tudo o que ele pensa
e tudo o que ele faz está em perfeita
harmonia com sua santidade.
Quando a Bíblia declara que Deus é
santo, não está apenas dizendo que ele é
um pouco melhor do que nós.
Deus não ocupa simplesmente o topo da
escala moral.
Ele é o padrão do bem. Ele é a fonte da
justiça. Ele é a medida pelo qual todas
as coisas são avaliadas.
É nesse ponto que começamos a perceber a
gravidade do nosso pecado.
Normalmente, nós tratamos o pecado como
um erro,
uma fraqueza que nós tivemos, uma
escolha infeliz num determinado momento.
Falamos dele como se fosse apenas um
tropeço ocasional dentro de uma vida
basicamente boa que estamos vivendo.
Mas a Bíblia descreve o pecado de uma
maneira muito mais profunda.
Pecado é a transgressão da lei de Deus,
rebelião contra a autoridade dele, a
tentativa da criatura de viver
como se fosse o criador.
E como se o criador que existe não
tivesse direito de governá-la.
O pecado aparece, é,
nas coisas erradas que nós fazemos, mas
ele nasce de algo mais profundo em nós.
Ele surge do coração que diz: "Minha
vida pertence a mim.
Eu vou decidir o que que é certo. Eu vou
estabelecer os meus próprios limites. Eu
serei
o meu próprio senhor".
Por isso, o pecado não é, a gente pode
dizer apenas horizontal,
contra as outras pessoas que estão ao
nosso redor.
Antes de tudo, ele é vertical, ele é
contra
Deus.
Ele fere pessoas, ele pode destruir
famílias, ele
usa e faz abuso do poder muitas vezes.
Ainda assim, pessoas como Davi,
quando vão confessar o seu pecado, falam
o quê?
"Contra ti, só contra ti pequei e fiz o
que tu reprovas". Em Salmos 51:4.
Davi não estava negando que o mal que
ele fez,
é, não foi praticado contra outros
homens e que outros homens não sofreram
com o mal que ele fez.
Ele estava reconhecendo que por trás de
todos os seus atos havia uma ofensa
contra o próprio Deus.
Esse é o problema que torna a expiação
necessária.
Deus é santo e nós,
culpados.
Deus é justo e nós transgredimos a lei
dele.
Deus é o criador e nós tentamos ocupar o
local que pertence a ele.
E a Bíblia declara assim, em Romanos
3:23:
"Pois todos pecaram e estão destituídos
da glória
de Deus".
Não são apenas algumas pessoas. Não são
somente aqueles que julgamos moralmente
piores.
Todos pecaram.
O religioso e o religioso. O
disciplinado e o descontrolado.
O respeitado e o desprezado.
Alguns expressam a sua
a sua rebelião quebrando regras.
Outros vão expressar usando a sua
obediência como motivo de orgulho.
Alguns fogem de Deus por imoralidade.
Outros tentam controlar Deus por meio da
sua moralidade.
Mas todos esses
precisam de graça.
E Deus não pode simplesmente fingir que
isso nunca aconteceu.
Às vezes imaginamos o perdão como uma
decisão sem custo nenhum.
Alguém nos ofende e pensamos que perdoar
significa apenas deixar esse assunto
para lá.
Mas todo perdão envolve um preço.
Quando alguém destrói algo que nos
pertence e decidimos não cobrar a ele,
o prejuízo não desapareceu.
Nós vamos absorver aquele prejuízo.
Quando alguém fere nossa reputação e
escolhemos não nos vingar da pessoa,
suportamos a dor
ao invés de devolvê-la.
Quando a dívida é perdoada, ela não
deixa de existir magicamente. Alguém
sempre assume a perda.
O perdão sempre tem um custo. Se Deus
simplesmente ignorasse o pecado,
ele deixaria de ser justo.
Um juiz que reconhece o crime, vê o
culpado e diz que não importa,
ele não está fazendo o trabalho dele
ali. Ele é o juiz corrupto.
A justiça exige que o mal seja tratado
como mal.
A dor das vítimas, a destruição
provocada pelo pecado e a afronta contra
a santidade divina
não pode ser declarada simplesmente como
irrelevante.
Mas, ao mesmo tempo, Deus é amor.
Ele não contempla a humanidade caída com
indiferença. O pai enviou o filho. O
filho veio voluntariamente e o espírito
aplica a obra da salvação ao coração
daqueles que creem.
Na cruz, portanto, a gente pode dizer
que amor e justiça ali não estão
entrando em conflito. A justiça de Deus
não vence o seu amor e o amor de Deus
não cancela a sua justiça. No calvário,
a justiça é satisfeita e o amor de Deus
é revelado a nós.
Pare e pense nisso por um instante. Deus
não salvou os pecadores fingindo que o
pecado deles não era grave.
Ele os salvou demonstrando exatamente o
quão grave é o pecado.
A cruz declara que a nossa culpa era tão
profunda
que somente a morte do filho de Deus
podia tratar ela.
Ao mesmo tempo, ela declara que o amor
de Deus é tão profundo que ele não
poupou nem o seu próprio filho,
mas entregou ele por cada um de nós.
É por isso que a história da expiação
não começa
no Novo Testamento.
A cruz não aparece de repente nos
evangelhos como uma ideia sem preparação
nenhuma.
Desde as primeiras páginas da Bíblia,
Deus começou a ensinar que o pecado
produz morte.
A culpa exige o julgamento e que a
salvação depende de uma provisão
provisão que vem do próprio Deus.
Depois que Adão e Eva pecaram, eles
perceberam que estavam nus.
E eles começaram a sentir vergonha e
tentaram se cobrir com folhas.
Essa é a primeira tentativa humana de
lidar com a culpa
e revela um padrão que continua até
hoje.
Pecamos, então o que que nós tentamos
fazer?
Tentamos nos cobrir. Usamos desculpas,
boas obras que nós fizemos, a religião
ou a aparência, tanto faz, é a mesma
coisa.
Tentamos produzir uma cobertura para não
sermos expostos, mas as folhas não eram
suficientes.
Deus providenciou vestimentas para Adão
e Eva. O texto não apresenta ali toda a
doutrina do sacrifício, mas surge ali um
princípio importante para nós. A
cobertura adequada para a vergonha
humana não foi produzida pelo homem, foi
providenciada
por Deus. E essa cobertura envolveu
morte.
Essa linha é se torna mais clara ainda
se formos para a história de Abraão e
Isaque.
Deus havia prometido que por meio de
Isaque formaria uma grande descendência
de Abraão. Então ele ordenou que Abraão
levasse o seu filho ao monte e
sacrificasse ele.
No caminho, Isaque pergunta: "As brasas
e a lenha e a lenha estão aqui, mas onde
está o cordeiro do holocausto?"
E Abraão responde assim, Gênesis 22:7-8:
"Deus mesmo há de prover o cordeiro para
o holocausto, meu filho".
E quando Abraão levantou a faca
Deus o impediu. Isaque não morreria ali.
Um carneiro foi oferecido no seu lugar.
Um morreu
e outro foi poupado.
Essa cena não era a solução final.
Um animal não possuía o valor suficiente
para remover a culpa do ser humano.
Mas Deus estava ensinando a linguagem da
substituição para os seus filhos. Estava
mostrando que o livramento viria por
meio de uma vida entregue no lugar da
outra.
A pergunta de Isaque continua ecoando
pela história.
Aonde está o cordeiro?
Séculos depois, os descendentes de
Abraão estavam escravizados
no Egito.
E Deus decidiu libertá-los por meio de
grandes sinais e juízos ali.
A última praga seria a morte dos
primogênitos. Mas Deus estabeleceu um
meio de livramento.
Cada família deveria tomar um cordeiro
sem defeito e sacrificar ele e colocar o
sangue no batente da porta.
Naquela noite, o julgamento passou por
aquela terra.
O que fazia a diferença entre uma casa e
outra não era a superioridade moral
dos moradores, dos israelitas e dos
egípcios. Não era isso.
Eles foram poupados porque havia sangue
na sua porta.
Em cada casa alguém morreria.
Ou morreria o primogênito
ou morreria o cordeiro.
O sangue indicava que uma morte já havia
acontecido ali.
Um substituto ocupara o lugar do
condenado.
Quando Deus viu o sangue, o julgamento
passava por aquela casa.
A Páscoa tornou-se um grande símbolo da
libertação de Israel.
Deus não apenas livrou o povo da morte,
também retirou ele da escravidão. O
sangue do cordeiro marcou o início de
uma nova vida.
Israel deixou de pertencer ao faraó
e passou a viver como um povo da
aliança.
Esse acontecimento apontava, apesar de
tudo, para algo muito maior.
A humanidade não está apenas sob culpa.
Ela está também escravizada.
O pecado não é somente uma dívida que
está registrada no nosso nome.
É um senhor cruel que governa o nosso
desejo, pensamento e escolha que nós
temos.
Precisamos de perdão,
mas também precisamos de libertação.
Precisamos de um novo êxodo, como teve o
povo de Israel.
Era necessário um libertador maior do
que Moisés foi.
Era necessário um êxodo mais profundo do
que uma saída simples de matéria
estrangeira.
Deus precisava libertar o seu povo não
somente do poder do de um governante
humano,
mas do domínio do pecado, da condenação
e da morte.
O pecado impede o homem de entrar na
presença de Deus.
O problema não é que Deus seja frio e
inacessível.
O problema é que a sua santidade
consome o mal.
O pecador não pode simplesmente se
aproximar de um Deus santo em seus
próprios termos.
Em alguns sacrifícios, o adorador
colocava a mão sobre a cabeça do animal,
identificando-se como ele. Então, aquele
animal era morto.
A cena era séria
e perturbadora.
Deus estava mostrando que o pecado não é
algo leve.
Ele produz
a morte e aquela era a consequência que
estava indo
sobre aquele animal.
O animal não havia cometido nenhuma
transgressão
pelo qual estava sendo oferecido. O
adorador era o culpado. Mesmo assim, o
culpado permanecia vivo e o inocente
morria.
Mais uma vez, a substituição
sendo mostrada.
No centro desse sistema estava o dia da
expiação.
Uma vez por ano, o sumo sacerdote
entrava no Santo dos Santos,
a parte mais restrita do tabernáculo e
depois do templo.
Ele não entrava ali de qualquer maneira.
Ele levava sangue e, primeiro, eh,
precisava oferecer sacrifício pelos seus
próprios pecados, porque ele também era
um pecador. E depois, ele oferecia
sacrifício pelo povo. Dois bodes
exerciam papel especial. Um ia ser
morto. O seu sangue era levado para
dentro do lugar santo. O outro
permanecia vivo. O sumo sacerdote
colocava a mão sobre ele
e confessava os pecados do povo e
enviava ele
para longe ao deserto. Um mostrava a
culpa sendo julgada.
Outro mostrava a culpa sendo removida de
nós. O povo precisava das duas coisas.
Não bastava que o pecado fosse
reconhecido. Era necessário que ele
fosse punido.
E não bastava que ele fosse punido. Era
necessário que ele fosse levado para
longe, para que não permanecesse diante
de de Deus como acusação.
Contudo, o dia da expiação precisava
acontecer de novo no ano seguinte.
O sacerdote entrava de novo, saía e
voltava. Outros animais eram mortos,
mais sangue derramado e a repetição
transmitia uma mensagem clara aqui.
A solução definitiva
não chegou.
O sangue dos animais não podia por si
mesmo remover a culpa moral daqueles
seres humanos.
Um animal não podia representar
plenamente uma eh
plenamente uma pessoa criada à imagem de
Deus.
Aquele sacrifício funcionava porque Deus
os havia estabelecido como sinais
provisórios do que estava por vir.
Era a sombra de uma realidade futura.
Cada cordeiro dizia: "Outro cordeiro
vai vir".
Cada sacerdote dizia: "Outro sacerdote
virá".
Cada altar dizia: "Outro sacrifício será
oferecido".
O Antigo Testamento adquire a forma de
uma grande expectativa.
A humanidade precisa de alguém que possa
representá-la diante de Deus.
Esse representante precisa ser homem
porque deve obedecer e morrer de no
lugar de homens.
Mas precisa ser mais do que um simples
homem porque nenhum pecador pode
carregar a culpa de outro pecador.
Precisamos de um substituto sem pecado,
de obediência perfeita e de um valor
infinito.
É nesse contexto que surge a promessa do
servo sofredor em Isaías 53.
Isaías descreve alguém desprezado e
rejeitado.
Ele não sofreria pelos seus próprios
pecados, ele seria inocente e ainda
assim ele carregaria dores e seria
ferido. O profeta declara assim, Isaías
53:5: "Ele foi transpassado por causa
das nossas transgressões, foi esmagado
por causa das nossas iniquidades. O
castigo que nos trouxe paz estava sobre
ele e pelas suas feridas
fomos curados".
Observe a troca que está acontecendo
aqui. Nossas transgressões, seu
sofrimento. Nossa culpa, seu castigo.
Nossa paz,
suas feridas.
O servo não sofre apenas perto de nós
como alguém que
oferece solidariedade a nós.
Ele é sofre por nós, em nosso lugar.
Isaías 53:6: "O Senhor fez cair sobre
ele a iniquidade de todos nós".
Isso não significa que o servo se
tornaria moralmente o pecador.
Aquele que leva a culpa vai permanecer
justo. A culpa é colocada sobre ele
judicialmente.
Ele assume a responsabilidade, ele
recebe o castigo, ele entrega a vida
como oferta pela culpa. Sua morte também
não é um acidente. Ele se entrega
voluntariamente ali.
Ele é levado como um cordeiro ao
matadouro,
mas ele não abre a sua boca.
Não porque ele seja fraco,
mas porque ele se submete ao propósito
de Deus.
Quando Jesus entra na história, João
Batista olha para ele e declara o quê?
João 1:29:
"Vejam, é o cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo.
A pergunta de Isaías, finalmente, começa
a ter a sua resposta aqui.
Onde está o cordeiro?
Ele está aqui.
Jesus não veio apenas como um profeta.
Não veio somente chamar Israel ao
arrependimento. Ele veio como um
cordeiro providenciado por Deus.
Veio para fazer aquilo que nenhum animal
poderia realizar.
Veio carregar
verdadeiramente a culpa do seu povo.
Sua vida inteira foi orientada para essa
hora.
Jesus sabia que iria morrer.
Falou repetidamente sobre a sua morte.
Enquanto os discípulos ainda esperavam
um Messias que ia derrotar Roma,
ele começou a ensinar que ele seria
rejeitado, morto e que ele ia
ressuscitar. Ele declarou assim, em
Marcos 10:45: "Pois nem mesmo o filho do
homem veio para ser servido, mas para
servir e dar sua vida em resgate por
muitos".
A palavra resgate
fala do preço pago para libertar alguém
da escravidão.
Jesus não veio apenas oferecer conselho
aos cativos.
Não veio ensinar escravos a se
comportarem melhor dentro da prisão.
Ele veio pagar o preço da liberdade.
Esse preço não foi entregue a Satanás
como se o diabo tivesse direito legítimo
sobre ele, o que estava acontecendo. A
dívida era diante da justiça de Deus.
Satanás podia acusar,
mas ele não era o juiz supremo.
Cristo satisfez as exigências
da lei. Ele removeu a culpa que eh
sustentava a acusação e desarmou os
poderes do mal.
Na última ceia, Jesus reuniu seus
discípulos para celebrar a Páscoa.
Mas ele tomou o pão e vinho e os aplicou
a si mesmo.
A antiga refeição da Páscoa apontava
para ele. O verdadeiro cordeiro estava à
mesa com os seus discípulos ali.
A Páscoa lembrava que o sangue de um
cordeiro havia livrado Israel do
julgamento.
Agora, Jesus falava do seu próprio
sangue.
A libertação do Egito encontraria o seu
cumprimento em uma libertação muito
maior aqui.
Na cruz, Cristo iniciaria um novo êxodo.
Ele libertaria o seu povo da culpa do
pecado,
é,
de seu poder e finalmente de sua
esperança. Tiraria o pecado do reino das
trevas e o levaria para o reino de Deus.
Formaria um povo não
por uma origem étnica ou de território,
mas pela fé no cordeiro.
Porém, o resgate exigiria, é, o, que o
resgatador
tomasse o lugar dos cativos.
A liberdade deles custaria
a sua condenação.
É nesse ponto que eu diria que nós
precisamos ser cuidadosos.
Algumas pessoas imaginam a cruz como se
um pai irado castigasse um filho
relutante.
Essa imagem, obviamente, distorce
completamente o evangelho. O filho não
foi uma vítima involuntária. Jesus
declarou: "Ninguém atira de mim, mas eu
dou por minha espontânea vontade". Em
João 10:18.
Pai,
filho, Espírito Santo agem em perfeita
unidade. O pai planeja, envia o filho.
O filho assume voluntariamente a nossa
natureza e oferece a si mesmo. O
espírito o sustenta em sua obra. A cruz
é a obra de um Deus triuno para salvar
pecadores. Na cruz acontece a auto
substituição de Deus. O próprio Deus, na
pessoa do filho, assume o lugar
que era nosso.
O juiz não ignora a sentença. Ele desce,
por assim dizer, do tribunal e toma a
nossa natureza e suporta a pena. Pensa
nisso por um momento.
Aquele contra a qual nós pecamos veio
nos buscar.
Aquele cuja lei quebramos cumpriu a lei
em nosso lugar. Aquele cuja justiça
exigia condenação assumiu a nossa
condenação.
Isso não diminui a justiça. Isso exalta
a justiça de Deus. Isso não enfraquece o
amor de Deus. Revela a profundidade do
seu amor.
Sua obediência não foi apenas, eh,
Sua obediência não foi apenas ausência
de pecado.
Foi uma justiça ativa, completa e
constante. Em cada momento fez o que
agradava ao pai.
Por isso, quando ele foi à cruz, não
morreu por culpa própria.
A morte não tinha reivindicação legítima
sobre ele.
Morreu como representante e substituto.
Paulo diz assim, em Segunda Coríntios
5:21: "Deus tornou pecado por nós aquele
que não tinha pecado
para que nele nos tornássemos justiça de
Deus".
Cristo não se tornou
um pecador em seu caráter. Ele continuou
sendo filho santo de Deus. Mas a nossa
culpa foi imputada a ele, foi tratada
como se fosse dele e a justiça é
imputada aqueles que creem.
É tratada como se fosse nossa.
Essa é a grande troca do evangelho.
Ele recebe o que nós merecíamos e nós
recebemos o que ele conquistou.
Ele é condenado e nós somos
justificados. Ele é colocado para fora e
nós
somos recebidos. A cruz não é somente um
exemplo de amor, é um sacrifício
substitutivo de Cristo ali.
Se fosse apenas um exemplo,
é, que para nos inspirar,
não se engane,
nós veríamos o exemplo
e nós não poderíamos nos salvar.
Um mártir pode mostrar coragem, um herói
pode demonstrar a entrega,
mas somente Cristo poderia carregar a
culpa de pecadores diante de Deus.
Na cruz, ele também se torna a nossa
propiciação.
Essa palavra muitas vezes pode parecer
difícil, mas seu significado é essencial
para nós.
Propiciação significa que a justa ira de
Deus contra o pecador é satisfeita. A
ira de Deus não é uma explosão
descontrolada de temperamento,
não é como a raiva que nós sentimos
muitas vezes que é egoísta, instável.
A ira divina é a sua reação santa e
constante contra o mal.
Um Deus que não se indignasse com o
abuso, crueldade ou injustiça,
não seria um Deus bom.
O problema é que essa ira justa
também se dirige ao nosso pecado. Na
cruz, Cristo recebe o julgamento,
não porque o pai deixou de amar a ele,
mas porque o filho ocupa judicialmente
o lugar dos culpados.
A justiça é satisfeita.
A ira não é ignorada,
mas suportada pelo substituto.
Por isso,
para aquele que está em Cristo,
não resta
condenação.
Não é,
não há mais nenhuma condenação menor.
Não há uma condenação adiada.
Não há nenhuma condenação.
A cruz também realiza a redenção. Nós
fomos comprados por um preço.
Isso significa que já não pertencemos ao
pecado, ao mundo ou a nós mesmos.
A graça não apenas cancela a nossa
dívida. Ela muda
o nosso senhorio.
Muitas pessoas querem perdão de Cristo,
mas desejam continuar governando a
própria vida.
Querem que Jesus remova a culpa,
mas ele não pode ter autoridade sobre a
minha vida.
Eles querem redenção,
mas eles não querem ser verdadeiramente
comprados por Deus.
A cruz
também produz uma reconciliação nossa
com Deus. O pecado criou uma inimizade
entre nós e Deus.
Não era apenas uma sensação interior de
distância. Havia uma barreira objetiva
ali, a nossa culpa.
Na cruz, a causa da separação
foi tratada.
Cristo retirou a culpa
e abriu o caminho da nossa
reconciliação.
Deus não apenas tolera os que estão em
Cristo. Ele recebe eles.
Ele não somente mantém do lado de fora
como criminosos perdoados, mas os adota
como filhos.
A expiação
também é vitória. Cristo derrotou
Satanás, o pecado e a morte. O diabo é
chamado de acusador. Sua arma é a culpa.
Ele aponta para o nosso pecado e declara
que nós merecemos condenação.
E por nós mesmos, a sua acusação é
verdadeira.
Mas a cruz de Cristo
muda tudo. A dívida ali está paga. A
culpa foi removida de nós. A condenação
foi suportada. Satanás continua
acusando, mas ele já não produz base
judicial contra aqueles que estão em
Cristo.
Deus cancelou o escrito da dívida e
triunfou sobre os poderes por meio da
cruz. A vitória de Cristo não acontece à
parte da substituição. Ele vence porque
ele paga.
Ele desarma o acusador porque ele remove
a acusação.
Destrói o poder da morte porque entra
nela sem culpa própria e sai dela em
ressurreição.
Todas essas imagens bíblicas descrevem a
mesma obra
por ângulos diferentes.
Pela imagem do sacrifício, vemos a culpa
sendo tratada.
Pela redenção, vemos escravos sendo
libertos. Pela reconciliação, vemos
inimigos, eh, recebidos em paz.
Mas é a mesma cruz.
Não precisamos escolher entre
substituição e vitória, entre sacrifício
e reconciliação, entre perdão e novo
êxodo. Em Cristo, essas realidades todas
se encontram.
A substituição está no centro.
Porque é por meio dela que as outras
bênçãos se tornam possíveis.
E essa imagem converge de modo ainda
mais profundo quando percebemos que
Jesus não é apenas o cordeiro, ele é
também o sacerdote.
No Antigo Testamento, o sacerdote
oferecia o sacrifício, é, um sacrifício
diferente de si mesmo.
Ele levava um sangue de um animal.
Jesus, porém, foi lá e ofereceu a si
mesmo.
Ele é simples, é, simultaneamente a
oferta
e o ofertante.
Os sacerdotes antigos eram pecadores.
Antes de representar o povo, eles
precisavam lidar com a própria culpa que
eles tinham.
Jesus é santo e inculpável.
Não precisa oferecer um sacrifício por
si mesmo. Ele pode entrar na presença de
Deus em favor do seu povo em base em sua
própria justiça.
Os sacerdotes antigos morriam ao longo
do tempo e eles iam sendo substituídos.
O sacerdote de Cristo, o sacerdócio de
Cristo é permanente.
Ele ressuscitou e vive para sempre.
Sua intercessão não termina nunca.
Os sacerdotes antigos permaneciam em pé,
trabalhando continuamente.
Os, mas mesmo assim
o serviço nunca estava completo. No ano
seguinte, ele ia ter que fazer tudo de
novo.
Hebreus afirma que Cristo, depois de
oferecer para sempre um único sacrifício
pelos pecados, assentou-se à direita de
Deus.
Ele se assentou. A obra estava
concluída.
Nenhum outro sacrifício era necessário
depois dali.
Nenhuma penitência humana pode
acrescentar qualquer coisa.
Nenhuma cerimônia
pode completar o que faltou,
porque não faltou nada.
Cristo também é o verdadeiro templo ali.
O templo era o lugar de onde a presença
de Deus habitava de modo especial.
Era onde os sacrifícios eram oferecidos,
onde o sacerdote servia e onde o povo se
aproximava de Deus.
Mas Jesus
falou do seu próprio corpo como o
templo.
Ele é o verdadeiro lugar de encontro
entre Deus e a humanidade.
Nele Deus veio habitar entre nós.
Quem deseja conhecer o pai
precisa vir por meio do filho.
Quando Jesus morreu,
o véu do templo se rasgou de alto
abaixo.
O véu separava o santo dos santos do
restante do templo.
Comunicava que o caminho para a presença
de Deus estava fechada por causa do
pecado.
Quando o Cristo entregou o seu espírito,
Deus rasgou o véu.
De cima
para baixo. O acesso não foi aberto pelo
esforço humano. Foi aberto por Deus.
Não entramos na presença divina porque
subimos até ela,
mas porque Cristo desceu até nós,
levou a nossa culpa e abriu o caminho.
Jesus
é o templo. Jesus é o sacerdote. Jesus é
o sacrifício. Tudo
que o Antigo Testamento mostrava
está ligando a ele. No dia da expiação,
o sacerdote entrava no lugar santo com o
sangue alheio.
Cristo entrou na presença de Deus com
base no seu próprio sangue.
O antigo sacerdote saía e precisava
retornar no ano seguinte.
Deus en Cristo entrou de uma vez por
todas.
O antigo testamento o antigo sistema
dizia o quê?
Ainda não.
Vai precisar ser repetido todos os anos.
A cruz diz: agora
e acabou.
Os sacrifícios repetidos diziam: não
está terminado. Jesus declara em João
19:30: está consumado.
Essa frase não significa apenas que a
sua vida estava chegando ao fim.
Significa que a obra que o pai lhe havia
dado
estava completa.
A dívida foi paga.
A justiça havia sido satisfeita. O
sacrifício tinha sido oferecido.
As promessas haviam chegado ao seu
cumprimento.
O cordeiro pascal
foi encontrado. O servo sofredor foi
ferido. O resgatador pagou o preço. O
novo êxodo começou. O sacerdote entrou.
O sacrifício foi aceito. O templo foi
aberto.
E ainda existe uma pergunta importante.
Se Cristo morreu,
isso significa que todas as pessoas
automaticamente estão salvas?
Pois bem,
a Bíblia não ensina isso.
A A obra de Cristo possui valor
suficiente para salvar eh pecadores de
toda a criação,
mas seus benefícios são aplicados àquele
que estão unidos a ele
pela fé.
Não somos salvos por admirar
a cruz. Não somos salvos apenas por
reconhecer que Jesus existiu. Não somos
salvos por compreender intelectualmente
o que aconteceu. Somos chamados para
arrependermos e confiar nele.
Fé
não significa contribuir com parte da
salvação.
Fé é abrir mão de qualquer tentativa
de contribuir.
É receber Cristo e sua justiça com mãos
vazias, com você sabendo que você não
pode contribuir com nada.
O coração humano resiste a isso, porque
deseja manter
algum motivo de orgulho
para nós mesmos.
Queremos ser salvo por algo que nós
façamos.
Sinceridade,
uma disciplina que nós temos, uma
moralidade que nós temos, mas a cruz
destrói qualquer vanglória que nós
possamos ter em nós mesmos.
Se pudéssemos salvar nós mesmos,
Cristo não precisava ter morrido.
Se nossa bondade fosse o suficiente,
o calvário era desnecessário.
Se a religião pudesse pagar a nossa
dívida,
o filho de Deus
não precisava ter tomado nosso lugar.
A cruz humilha, porque ela declara que
estávamos mais perdidos
do que nós gostamos de imaginar.
Mas ela também nos consola,
porque declara que somos mais amados do
que nós ousávamos esperar.
Isso transforma completamente a nossa
identidade.
Muitas pessoas tentam viver tentando
provar que possuem um valor.
Buscam aprovação no trabalho,
nos relacionamentos e no desempenho
religioso.
Quando são elogiadas,
sentem-se como se fossem superiores.
Quando são criticadas, elas desmontam
completamente.
Seu coração procura uma sentença de
aceitação.
O evangelho anuncia que em Cristo a
sentença já foi dada.
Deus declara justo o pecador que crê.
Não porque encontra nele uma justiça
própria,
mas porque lhe foi creditada a justiça
de Cristo.
Isso não produz uma preguiça espiritual.
Ela produz uma profunda gratidão.
A obediência cristã não é uma tentativa
de comprarmos o amor de Deus.
É a resposta de quem já foi amado e
deseja retribuir
esse amor. Não obedecemos para sermos
aceitos. Obedecemos porque em Cristo
nós somos aceitos.
A expiação também muda a forma como nós
enfrentamos a culpa.
Há uma culpa verdadeira,
produzida pelo pecado,
e ela precisa nos conduzir ao
arrependimento.
Mas existe uma culpa persistente que
continua exigindo um pagamento mesmo
depois de Deus ter perdoado.
Às vezes confessamos o nosso pecado, mas
continuamos a punir a nós mesmos.
Imaginamos que se nos sentimos
miseráveis por um tempo o suficiente,
demonstraremos que o nosso
arrependimento é verdadeiro.
Mas isso pode se tornar uma forma sutil
de incredulidade que você tem.
É como se disséssemos no nosso profundo
que a morte de Cristo não foi suficiente
e que precisamos acrescentar o nosso
sofrimento como parte do pagamento.
O arrependimento bíblico não minimiza o
pecado.
Ele olha para o pecado com honestidade,
mas ele também olha para a cruz com fé.
Quando a consciência acusa, não
respondemos dizendo que nunca pecamos.
Respondemos dizendo que Cristo morreu no
meu lugar.
Não construímos a nossa defesa com base
na nossa inocência, porque nós não somos
inocentes,
mas na justiça
do nosso substituto.
A ressurreição confirma tudo isso.
Cruz e ressurreição não competem aqui.
A ressurreição é a declaração pública de
que o sacrifício foi aceito. A morte foi
vencida e Jesus é verdadeiramente
o filho de Deus. Se Cristo tivesse
permanecido no túmulo,
não haveria
evangelho.
Mas ele ressuscitou corporalmente. O
cordeiro que foi morto
está vivo.
O sacerdote que ofereceu o sacrifício
continua intercedendo por nós.
O rei que entrou na morte
saiu dela vitorioso.
E isso
traz segurança para nós.
Nossa salvação
não repousa
na força da nossa fé,
mas no valor daquele em que nós cremos.
Uma fé fraca em um salvador perfeito
encontra a salvação
completa.
A mão pode tremer,
mas se ela estiver agarrada a Cristo,
ela não vai ser perdida.
A segurança cristã não nasce de olhar
continuamente para dentro de nós e medir
como é que as nossas emoções estão
naquele dia. Nasce de olhar para fora,
para uma obra terminada.
Cristo viveu,
Cristo morreu e Cristo ressuscitou e
Cristo intercede por nós. Nossa
esperança não está no fato de que nós
conseguimos segurar Cristo com nossa
força suficiente, está no fato de que
ele nos segura.
Ao mesmo tempo, essa segurança nunca
deve ser confundida
com indiferença
moral.
A graça que perdoa
também transforma
a nós. O sangue que nos livra do
julgamento
também é nos vai nos aproximar
de Deus depois. No Êxodo, Israel foi
libertada de Faraó para servir ao
Senhor.
Da mesma maneira, Cristo não nos
libertou para continuarmos vivendo sobre
o governo do pecado.
Fomos comprados
por um alto preço.
Nosso corpo, nossos relacionamentos,
nosso tempo, nossos desejos, tudo
pertence a Cristo.
A santidade não é o preço da salvação,
mas o fruto
da salvação.
Quando compreendemos a cruz, começamos a
odiar o pecado, não apenas pelas
consequências que ele traz, por mais que
elas sejam ruins, mas pelo preço
que ele exigiu.
Vemos o cordeiro ferido e percebemos que
aquilo é
que tratamos como um pequeno, muitas
vezes,
custou o sangue do filho de Deus.
Ao mesmo tempo, não buscamos santidade,
é
não buscamos santidade dominados pelo
medo servil.
Buscamos a santidade
porque fomos amados por Deus.
A cruz cria um coração que pergunta:
"Como continuar abraçando aquilo pelo
qual Cristo morreu para me libertar?"
Também
faz, muitas vezes, as pessoas pensar:
"Meu meu
é diferente. Minha história é suja
demais, minha culpa é profunda demais.
Quantas vezes nós não escutamos pessoas
falando isso?
Mas a suficiência da expiação não
depende do tamanho da sua dignidade.
Depende do valor de Cristo.
O sangue de animais era limitado. O
sangue de Cristo possui um valor
infinito. Porque aquele que o derramou é
o filho eterno de Deus encarnado.
Sua humanidade torna a sua morte
verdadeiramente humana e representativa.
Sua divindade dá
a sua obra um valor incalculável.
Não existe pecado tão pequeno que não
precise da cruz.
E não existe pecado tão grande que a
cruz não possa perdoar daquele que se
arrepende e crê.
Talvez outra pessoa prossiga assim:
"Sempre fui uma pessoa correta, nunca
fiz coisas tão graves".
A cruz também confronta essa pessoa.
Se a salvação exigiu a morte de Cristo,
então a sua respeitabilidade não é o
suficiente.
As boas obras não apagam a sua culpa.
A moralidade não substitui a expiação. A
religião não remove a condenação.
Todos precisamos do cordeiro.
O filho rebelde precisa voltar para
casa. E o filho orgulhoso que permaneceu
no campo também precisa entrar na graça.
Na cruz Deus destrói tanto o desespero
quanto a arrogância.
Ninguém precisa dizer: "Sou pecador
demais para ser salvo". E ao mesmo tempo
ninguém pode dizer: "Sou bom demais para
precisar de salvação".
A resposta é a mesma para os dois.
Olhem para Cristo.
Olhem pro cordeiro pascal, cuja cujo
sangue livra
do julgamento.
Olhe para o servo sofredor, ferido pelas
nossas transgressões. Olhe olhe para o
resgatador que entregou a vida para
libertar cativos. Olhe para o sacerdote
que entra na presença de Deus
e intercede por nós. Olhe para o
sacrifício oferecido de uma vez por
todas.
Olhe para o verdadeiro templo no qual
encontramos o pai.
Toda a Bíblia nos conduz até ele. No
jardim, Deus prometeu que o descendente
da mulher esmagaria a serpente, embora
fosse ferido.
No monte,
providenciou um carneiro no lugar de
Isaque. No Egito, o sangue do cordeiro
protegeu o povo do julgamento. No dia da
expiação, o
o sangue entrou no lugar santo e os
pecados foram levados para longe.
Nos profetas, o servo foi anunciado como
aquele que carregaria a iniquidade de
muitos.
Então, na plenitude do tempo,
o filho veio.
Viveu entre nós, obedeceu no nosso
lugar, foi rejeitado pelos homens e
carregou a cruz. E no calvário,
todas as linhas da história redentora
se encontraram.
Ali estava o cordeiro. Ali estava o
altar.
Ali estava o sacerdote. Ali estava o
rei.
Ali estava Deus reconciliando consigo
pecadores por meio de Cristo.
Quando os soldados pregaram Jesus na
cruz, pensavam que estavam executando um
homem condenado. Os líderes religiosos
que estavam ali e achavam que estavam
silenciando uma ameaça.
Satanás parecia estar triunfando ali.
Mas acima das intenções humanas, Deus
realizava o seu propósito eterno.
Os homens agiram com maldade.
Deus agiu para salvar.
A cruz revela a pior expressão do pecado
humano e ao mesmo tempo a mais profunda
expressão do amor de Deus.
No calvário,
vemos o que o pecado faz. Rejeita o
filho de Deus. No calvário, vemos o que
o amor
faz. O filho entrega a vida por
pecadores.
Quando Jesus clamou: "Está consumado",
não havia derrota na sua voz.
A obra
foi completa.
A dívida foi quitada. O cálice da ira
havia sido bebido. A maldição havia sido
suportada. A justiça estava feita.
E o véu se rasgou.
O caminho se abriu.
O sacrifício
terminou.
Agora, o convite do evangelho é dirigido
a todo aquele que ouve. Abandone a sua
tentativa de salvar a si mesmo.
Pare de confiar na sua bondade.
Pare de esconder a sua culpa. Pare de
fugir de Deus.
Venha para Cristo. Não venha prometendo
pagar algo. A dívida está paga.
Não venha apresentando os seus méritos.
A justiça já foi providenciada. Não
venha esperando se tornar digno de algo.
Venha porque ele é digno.
Aquele que vem de Cristo não será
rejeitado. O cordeiro não morreu para
tornar a salvação apenas possível,
incerta.
Ele morreu para salvar de fato.
Seu sangue não é uma esperança vaga, é
uma obra completa por ele.
Quando a consciência perguntar se há
perdão, olhe para a cruz.
Quando Satanás o é acusar você, olhe
para a cruz. Quando o sofrimento fizer
parecer que Deus se esqueceu de você,
olhe para a cruz.
Quando o orgulho disser que você é
melhor do que os outros,
olhe para a cruz.
Ali descobrimos quem somos,
pecadores, incapazes de salvar a nós
mesmos. E ali nós descobrimos também
quem Deus é.
Santo demais para ignorar o pecado e
amar amoroso demais para abandonar o seu
povo.
Ali descobrimos quem Cristo é,
Deus homem, mediador, sacerdote,
sacrifício, cordeiro que tira o pecado
do mundo.
A cruz não é apenas o lugar onde
começamos a vida cristã,
é o centro de toda a vida cristã.
Nunca avançamos para além dela.
Crescemos quando compreendemos de uma
maneira cada vez mais profunda o que
aconteceu ali.
No Calvário, Cristo tomou o nosso lugar,
não simbolicamente,
não parcialmente, não temporariamente.
Ele recebeu a condenação dos que nele
creem e ofereceu justiça perfeita ali.
Desceu a profundidade da nossa culpa
para nos levantar para a posição de
filhos de Deus.
Entrou na morte para conduzir cada um de
nós à vida.
Foi colocado para fora para que fosse
fôssemos trazidos para dentro. O
cordeiro
foi morto.
O servo foi esmagado. O resgatador pagou
o preço. O sacerdote ofereceu a si
mesmo. O véu foi rasgado.
Agora
existe paz com Deus, não porque o nosso
pecado deixou de ser grave,
mas porque ele foi plenamente julgado em
Cristo.
Não porque Deus reduziu o seu padrão,
mas porque Cristo cumpriu o padrão.
Não porque conseguimos subir até ele,
mas porque ele desceu até nós.
Essa é a expiação.
O Deus santo não ignorou a nossa culpa,
ele colocou a nossa culpa sobre o filho.
O Deus amoroso não nos deixou
sobre condenação, ele providenciou um
substituto.
O Deus justo
permanece justo e ao mesmo tempo
justifica aquele que tem fé em Cristo.
Toda a glória pertence a ele.
Toda a nossa esperança repousa naquele
momento em que fora dos muros de
Jerusalém, o filho de Deus foi levantado
entre o céu e a terra e carregou sobre
si
a culpa do seu povo.
No Calvário, a justiça e a misericórdia
se encontram. No Calvário, a ira foi
satisfeita e o amor revelado.
No Calvário, o cordeiro tomou o lugar de
culpados. Porque ele morreu,
há perdão.
Porque ele ressuscitou, há vida.
Porque ele reina, há esperança.
E porque a sua obra foi consumada, todo
o pecador que se arrepende e confia nele
pode se aproximar-se de Deus sem medo.
Não coberto de folhas frágeis produzidas
pelas suas próprias mãos, mas cobertos
pela justiça perfeita de Jesus Cristo,
o cordeiro de Deus, nosso grande sumo
sacerdote e nosso sacrifício eterno.
Amém, irmãos.

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