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A fé vem pelo ouvir

Deus Mata para fazer Viver | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Ele vem se anunciar.
Nenhum trovão o precede.
Nenhum clarim o apresenta. O espírito
apenas sopra
e quando sopra o campo da alma
estremece.
A erva se inclina, a flor perde a cor
e tudo que parecia vivo se revela apenas
folha passageira.
Porque toda a carne é como a erva e toda
a glória do homem é como a flor do
campo.
Spurgeon disse que Deus mata antes de
fazer viver.
E essa
é uma das frases mais honestas da
história da graça.
Porque antes que o amor cure,
ele destrói.
Antes que a luz brilhe, ela cega.
Antes que o evangelho console,
ele desaba sobre nós como um terremoto
santo.
O espírito sopra
e o que o homem chamava de glória, Deus
chama de vaidade.
O que o homem chamava de força, Deus
chama de poeira.
O que o homem chamava de justiça, Deus
chama de trapo.
O vento de Deus é diferente de todos os
outros.
Não refresca, revela.
Não perfuma,
purifica.
Não sopra para agradar,
sopra
para despir.
Ele não vem para ajustar o velho,
vem para arrancá-lo pela raiz.
O orgulho do fariseu
murcha.
A autoconfiança do justo cai.
A religião das aparências desfaz-se
como folha seca.
O espírito passa e tudo o que não é
eterno
se dobra.
Foi assim desde o princípio.
Antes de Deus dizer haja luz, ele
permitiu que houvesse trevas sobre a
face do abismo.
Ao plantar o Éden, ele formou o homem do
pó.
Pó que não tem forma nem beleza
até que o sopro divino o visita.
O mesmo sopro que dá vida,
tira.
O mesmo vento que enche os pulmões apaga
o fogo estranho.
O mesmo Deus que ressuscita primeiro
sepulta. Ele mata
para que a morte morra.
Deus sopra sobre a carne humana e todo o
orgulho se torna cinza.
O homem que dizia "Eu posso" descobre
que não pode.
O que dizia "Eu sei" percebe que nada
entende.
O que dizia "Eu sou" cai de joelhos e
chora.
Senhor, tem misericórdia de mim,
pecador.
Esse
é o começo da vida.
O momento em que morremos para nós
mesmos.
O vento do espírito é o arado de Deus.
Ele passa, corta, arranca, revirando o
solo
endurecido da alma.
E onde havia gramados de vaidade,
ele planta sementes de eternidade.
O campo que chora hoje florescerá
amanhã.
Mas antes precisa secar.
Antes de brotar a semente incorruptível,
a flor da carne
precisa cair.
Porque não há ressurreição sem
sepultura.
Não há graça sem morte, não há novo
nascimento
sem vento.
Mas o espírito não mudou.
Ele ainda sopra.
Ele ainda murcha.
Ele ainda mata.
Não porque odeia,
mas porque ama demais para deixar o
homem iludido com sua própria beleza.
E esse
é o paradoxo da fé. O vento que destrói
é o mesmo que dá vida.
O sopro que fere é o mesmo que
ressuscita.
A voz que abate é a mesma que consola.
Deus fere,
mas não por crueldade,
por compaixão.
Ele derruba o templo do ego para
construir o altar da redenção.
Ele rasga o véu do orgulho
para abrir o caminho da comunhão.
Ele tira o brilho do homem
para que reste apenas
a luz de Cristo.
E quando tudo parece perdido, quando a
alma olha em volta e só vê cinzas,
Deus diz: "Agora sim,
agora posso plantar".
Porque o solo que chorou
é o mais fértil.
O coração que foi quebrado é o que
melhor recebe a semente.
E a palavra que entra ali
não morre.
Vive.
>> Se tua graça é um dom
por que ela tem olhos?
Por [música] que ela me olha de volta?
>> [música]
>> Eu tratei tua graça como conceito, algo
que cabia [canto] na minha definição.
Mas ela sangra, ela [música] chama, ela
invade, ela tem nome
e rompe a abstração.
Não é ideia, é encontro. [música][canto]
Não é teoria, presença.
É o infinito se curvando
para habitar minha [música][canto]
carência.
E quanto mais eu vejo, mais eu deixo de
ver a mim.
>> [música]
>> Cristo,
a forma invisível da graça em mim.
[canto]
O indivisível se tornando
>> [música]
>> assim.
Cristo,
não algo que recebo de ti,
mas o próprio Deus vindo a mim.
>> [canto]
>> E quando penso que entendi,
tua graça me desfaz outra vez.
Dá-me [música] graça para sentir o
abismo entre eu e ti, não para me perder
nele, mas para te ver descendo até aqui.
Dá-me graça para pedir mesmo quando a
voz falhar, porque até o meu clamor
precisa de ti para começar. Dá-me graça
para acolher o peso eterno do teu amor
que desmonta o que [música] eu era e me
refaz. Meu criador, e quanto mais tu
crês

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