Galileu Galilei: o que ele viu quando apontou o telescópio para o céu?
14/08/2026
Galileu Galilei: o que ele viu quando apontou o telescópio para o céu?
No início do século XVII, Galileu utilizou o telescópio para observar o céu e encontrou evidências que desafiaram antigas certezas sobre o Universo. Suas observações ajudaram a transformar a história da astronomia e a fortalecer a discussão sobre o modelo heliocêntrico.
Neste episódio de Origens — Pais da Ciência, conheça a trajetória de Galileu Galilei, suas descobertas astronômicas e os debates provocados por suas ideias. Mais do que a conhecida história de um conflito entre Galileu e a Igreja, o episódio apresenta um personagem que buscava compreender a natureza por meio da observação e da investigação.
Acompanhe essa jornada pela história da ciência e descubra como novas observações podem transformar nossa maneira de enxergar o Universo.
Este episódio continua a jornada iniciada com Nicolau Copérnico, que questionou o modelo geocêntrico e propôs uma nova maneira de compreender o cosmos. Agora, Galileu aponta seu telescópio para o céu.
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🟧 ORIGENS é uma série documental da TV Novo Tempo que investiga os mistérios da vida e do universo com cientistas de diversas áreas.
🟦 Pais da Ciência é uma temporada dedicada a grandes nomes que ajudaram a transformar nossa compreensão da natureza e do universo. Ao longo de 13 episódios, a série revisita suas descobertas, ideias e trajetórias, explorando também as relações entre ciência, conhecimento e fé.
🎬 Assista à temporada completa Pais da Ciência:
Fonte: Origens NT
Legendas automáticas:
Muito antes de existirem cidades iluminadas, >> [música] >> telescópios ou satélites, havia o silêncio da noite e um céu pontilhado de mistério. O ser humano sempre levantou os olhos e nesse gesto simples, [música] quase instintivo, nasceu uma das mais profundas aventuras da história. O céu >> [música] >> foi o primeiro calendário, o primeiro mapa, o primeiro relógio. As fases da lua marcavam o tempo [música] das colheitas. As constelações guiavam navegadores por oceanos desconhecidos. O movimento do sol [música] determinava o ritmo da vida. Com o tempo, a contemplação virou investigação. Nas universidades europeias, o pensamento dominante era o aristotelismo, incorporado à escolástica medieval. Nessa premissa, o cosmos [música] era entendido como finito, fechado, organizado em esferas [música] perfeitas, com a Terra imóvel no centro. Tudo tinha seu lugar natural. [música] Tudo obedecia a uma ordem lógica, coerente, estável. Essa visão não era apenas científica, era também filosófica [música] e teológica. Mas havia um risco silencioso nesse sistema. Ao afirmar que a natureza possuía [música] formas fixas, corria-se o perigo de limitar a própria liberdade criadora de Deus, como se o mundo só pudesse ter [música] sido feito de uma única maneira possível. Copérnico foi o primeiro a reconhecer >> [música] >> a limitação do aristotelismo na ação criadora de Deus e desenvolveu [música] sua teoria filosófica sobre o universo infinito, com o sol no centro dele. Mas foi apenas Galileu Galilei, anos depois, que ousou apontar uma luneta para o céu [música] e viu com seus próprios olhos a comprovação de que o sol era o centro do universo. >> [grito] >> Galileu Galilei é uma figura famosa na história. Em partes, sua fama se dá por ter sacudido a astronomia do século XVII ao apontar uma simples luneta para o céu [música] e trazer uma nova compreensão sobre o universo. Mas sua história também ficou marcada pela imagem de um homem diante de juízes, pressionado a silenciar aquilo que acreditava ser verdade. Mas o que causou tamanha tensão? Como um homem profundamente devoto, convencido [música] de que fé e ciência provinham do mesmo Deus, acabou condenado pela igreja? Para entender essa história, >> [música] >> precisamos voltar ao início, voltar ao mundo em que ele nasceu e as ideias que moldavam o céu antes que ele decidisse observá-lo com outros olhos. Então, [música] para começar, quem foi Galileu Galilei? Galileu nasceu [música] no coração da Itália renascentista, uma época em que a arte, a música e a ciência floresciam lado a lado. Pouca gente [música] sabe, mas Galileu não começou sua vida como cientista. Estudou medicina, mas foi na matemática onde encontrou seu verdadeiro dom. Desde jovem era curioso e observador, fazia experimentos com pêndulos, [música] desenhava máquinas, tocava alaúde como o pai e gostava de construir pequenos instrumentos para medir o tempo. Tinha um senso de humor afiado e adorava [música] testar ideias com amigos, desafiando tudo o que parecesse óbvio demais. >> Galileu é um Galileu era um cientista que tinha uma grande capacidade de observação e isso, na minha opinião, é um aspecto muito importante porque o aproxima da capacidade dos artistas de enxergar o mundo. Através de uma observação atenta da natureza, ele descobriu coisas que outros cientistas não haviam descoberto, pois estavam ligados ao conceito teórico e filosófico que vinha da antiguidade. >> [música] >> Galileu acreditava que Deus havia escrito dois livros: a Bíblia para revelar a salvação [música] e o livro da natureza para revelar sua sabedoria. Ler um não anulava o outro, apenas mostrava o mesmo autor em linguagens diferentes. >> Galileu compreendia a natureza como uma criação de Deus. Isso é muito claro em seus estudos. Uma coisa muito interessante de Galileu é que ele via tanto a Bíblia quanto a natureza como obras criadas por Deus. A Bíblia e a natureza, ela tinha, elas revelariam a Deus. Só que ele tinha uma frase famosa, ele diz, diz o seguinte: A Bíblia, as Sagradas Escrituras, revelam o caminho para o céu, mas não revelam como ele é. No sentido de como ele funciona, você está entendendo? No sentido de como ele funciona. Mas a natureza, as leis da natureza vão revelar como o céu funciona. Então Galileu tinha essa visão. E quando Galileu tá pensa a natureza, quando Galileu pensa a compreensão da natureza, ele pensa sobre esse essa ótica. Essa ideia de que o cosmo, ele é uma manifestação da racionalidade, da razão. E de Deus. Então ele tem que ter a lógica e a matemática presente na sua estrutura. >> Galileu viveu em um período delicado da história europeia. Quase todo o conhecimento [música] aceitável vinha das ideias de Aristóteles, fosse da filosofia ou da teologia. A igreja atravessava as feridas da reforma protestante, [música] o que fez a autoridade teológica estar sob questionamento. E a cosmologia aristotélica, com a Terra imóvel no centro do universo, fazia parte não [música] apenas da filosofia natural, mas também da forma como muitos compreendiam a ordem da criação. Quando Galileu passou a defender publicamente [música] o heliocentrismo, ele não estava apenas propondo um modelo astronômico alternativo. Estava desafiando um sistema [música] intelectual consolidado havia mais de 1000 anos. E em um mundo em que teologia [música] e cosmologia estavam profundamente entrelaçadas, mexer na estrutura do universo parecia mexer na própria interpretação das escrituras. >> Durante muitos anos o Aristóteles foi visto como uma espécie de paradigma do cientista, né? É, inclusive, Tomás de Aquino, quando faz referência >> [música] >> a Aristóteles, fala o filósofo. Agora, o século XVI, século XVII, é um são séculos de desafio. E entre os quais os autores, eles desafiam Aristóteles. Então, é, uma uma primeira ruptura e que se dá no mundo da ciência é essa passagem de uma ciência qualitativa, aristotélica, para uma ciência quantitativa. E aí a gente pode lembrar do Galileu, podemos lembrar René Descartes, por exemplo. Então, esse é um um ponto importante. Agora, é, um outro ponto importante é a questão, é, que envolve, é, a cosmologia. De fato, é, há uma passagem de um universo fechado, finito, para um um universo aberto, um universo infinito. >> Uhum. >> E e claro que essa essa mudança, né, de de visão, ela não se dá de uma hora para a outra. Então, Giordano Bruno já falava de um universo infinito. É, Copérnico teoriza sobre isso, né, o padre Copérnico. Mas aquele que é pega a teoria de Copérnico, né, e tenta mostrar que, de fato, ela é é viável, é o o Galileu. O Galileu, ele tem a ousadia de apontar a luneta para o céu. E ao fazer isso, o Galileu, ele descobre coisas, é, que na época ninguém sabia. Ele falava, por exemplo, das chamadas nebulosas. Ele falava, é, de anéis, né, que envolviam planetas. É, então assim, é, é, falava de vales e montanhas na, na, na lua e eles entendiam a lua quase como um espelho, né? E ele fala: "Não, trata-se, [música] é, a lua ela tem vales, ela tem montanhas, a lua não é como vocês estão pensando". >> Antes de Galileu, as lunetas [música] já existiam. Era um instrumento usado por navegadores para avistar [música] navios ao longe ou reconhecer a aproximação de terra firme. Mas quando caiu nas mãos de Galileu, ele [música] a aperfeiçoou, ajustou suas lentes com cuidado e em vez de apontá-la para o mar, a voltou para o céu. Era um instrumento [música] rudimentar, frágil, impreciso. Se mal calibrado, podia >> [música] >> facilmente enganar os olhos. Ainda assim, foi com essa luneta que ele viu a lua, estrelas e planetas pequenos e distantes. [música] Foi com aquele tubo de vidro e madeira que o céu deixou de ser uma superfície [música] lisa e perfeita. Tornou-se irregular e dinâmica e deu a [música] ele a certeza de que a Terra não é o centro do universo. >> A observação do céu feita por Galileu era diferente da dos antigos. Os antigos também observavam o céu, mas, assim como viam, tentando entender a relação entre os planetas e as estrelas. Mas como eram feitos os planetas, ninguém sabia. Galileu, com o telescópio, conseguiu ver um céu diferente. E vendo um céu diferente, entendeu coisas novas. As descobertas telescópicas mostraram primeiramente a Galileu e depois a outros que o mundo, como era descrito por Aristóteles e Ptolomeu, não existia, não funcionava assim. Porque Vênus, por exemplo, tinha fases como as lunares e sua observação demonstrou que ele girava em torno do Sol e não em torno da Terra. Júpiter tinha satélites e luas e as luas de Júpiter mostraram que não existiam as esferas cristalinas de Aristóteles e Ptolomeu. Que o céu não era feito de esferas cristalinas, mas de outra substância. >> Primeiro Galileu observa as montanhas e crateras da Lua. E isso é um problema. Por quê? Para Aristóteles, os corpos celestes eram perfeitos. Eram perfeitamente uniformes. Então, ter eh crateras, luas, essas imperfeições eram um problema. Ele observa também as manchas solares, que também demonstra que o Sol não é uma esfera perfeita e uniforme, mas tinha umas manchas solares. Além disso, Galileu Galilei, ele, com medidas mais precisas, observa também a paralaxe, a mudança da posição das estrelas, [música] que não tinha sido observada antes. Por quê? Porque era feita a olho nu. E precisava de medidas mais precisas para observar essa paralaxe. E Galileu Galilei observa. Então, nós temos ali um conjunto de evidências que vão dar suporte ao modelo heliocêntrico. >> O ponto crítico que foi assim que abalou as bases do geocentrismo foi quando ele olhou para Júpiter, planeta Júpiter, que o maior do sistema solar. E ele, em uma noite, ele viu eh, pontinhos. Então, numa noite, às vezes, ele via dois pontinhos de um lado e dois pontinhos do outro, de Júpiter. Em outra noite, ele via três pontinhos de um lado e um pontinho do outro. Às vezes, ele via quatro pontinhos de um lado, nenhum do outro. Ou três passavam para o outro lado. E ele via que, a cada noite, a posição desses pontinhos de luz ao redor de Júpiter ia mudando. E, então, ele falou: "A única coisa que pode explicar isso é que são luas se movendo ao redor de Júpiter". E aquilo lá foi um grande embate. Porque ele provou que existiam objetos no universo que se moviam ao redor de um outro objeto que não era a Terra. Então, aquilo abriu espaço para o questionamento. Se se há há objetos que não se movem ao redor da Terra, por que que a gente quer impor que tudo gire ao redor da Terra? E aí, então, ele abriu esse precedente. >> Galileu Galilei, como um homem brilhante que era, sistematizou isso e defendeu esse ponto de vista em seus trabalhos. Mas, ao ter alguns conflitos com algumas pessoas, ele entra em conflito e decide apresentar as ideias de Aristóteles de uma forma mais didática, porém, provocativa. Que que ele faz? Escreve um livro chamado Diálogo sobre os dois sistemas de mundos. Esses dois sistemas de mundos são o sistema aristotélico ou geocêntrico. E o sistema e o outro sistema é o sistema heliocêntrico. O proposto e definido por Galileu. >> Tranquilo. >> Este livro é considerado sua obra-prima. Pela escrita literária, porque ele usa uma forma de diálogo entre três interlocutores, que é quase como um livro de narrativa. É uma forma narrativa de expor a ciência, agradável de ler e muito direta. Mas é o livro onde Galileu expressa claramente sua convicção copernicana, a explica e a defende. E isso ele fez também porque confiava no papa, que inicialmente era seu admirador. No início do papado, Urbano VIII era muito otimista em relação a Galileu. Mesmo antes disso, ele apreciava muito as descobertas e o que elas poderiam trazer. Mas naquele momento, algo diferente aconteceu. Primeiro porque o papa pediu que Galileu mudasse alguns argumentos que eram claramente contrários aos ensinamentos da igreja. E Galileu não fez. Galileu também expressou os argumentos mais tradicionais aristotélicos. Que eram os argumentos do papa, por meio das palavras de Simplício. Que dos três personagens era o mais estúpido, o menos brilhante. Portanto, o papa que se viu retratado nesse personagem, tomou isso como uma ofensa pessoal. >> O defensor das ideias de Aristóteles é claramente descrito como uma pessoa mais simples, incapaz, alguém que deve que que tem ideias toscas. Então ele defende de uma maneira bem eh reduzida, vamos dizer assim. E o outro personagem é mais sábio, inteligente, que é o que defende as ideias de Galileu e mostra os argumentos. E o terceiro personagem serve como ouvidor dos de ambos, analista, vai pensando. Então Galileu usa essa maneira. E ele deixa claro que aquele personagem mais simples, ele dá ideias, possa representar o papa. E na pessoa e essa esse essa forma dele se expressar é que gerou muita fúria de líderes e clérigos. >> Isso aconteceu em uma época em que a igreja enfrentava grandes problemas, com certeza. Mas a igreja não era apenas o papa. A igreja era também aquela grande escola filosófica e matemática chamada escola dos jesuítas. Os jesuítas tinham grande poder e foram eles que lideraram a operação de censura às descobertas de Galileu desde o início. Por trás da reação do papa, devo dizer, havia a grande presença dos jesuítas. Que certamente eram cientistas de renome. Mas eram cientistas que não podiam, não conseguiam e não queriam se desvincular do modelo antigo e do modelo ligado às sagradas escrituras. >> Porque além de ele estar divergindo de ideias que haviam sido assumidas pela igreja como verdadeiras, ele estava fazendo isso de uma maneira provocativa, uma maneira equivocada. E isso é até uma grande lição para nós, porque quando formos defender ideias, não devemos, eh, atacar ou provocar pessoas. >> Eh. Mas é interessante que eh ao estudar e descobrir coisas que desafiavam a igreja, Galileu manteve uma relação com a fé, supondo que um Deus teria nos dado a possibilidade de ler o universo como ele estava fazendo naquele momento. O universo era um livro. Além das sagradas escrituras, existe outro livro que devemos conhecer, que é o livro da natureza, do universo, que segundo Galileu é escrito com caracteres matemáticos. E Deus nos deu oportunidade de lê-lo. O Deus de Galileu é um Deus que não correspondia ao da igreja. É um Deus matemático, um Deus da natureza. >> E agora, professor, essa, eh, revolução científica, [música] que aqui a gente vem abordando a partir de Copérnico, ela frequentemente é vista como o início [música] desse conflito entre ciência e religião que é tão vigente hoje. Mas será que essa não é uma visão um pouco simplista? Como é que a gente realmente pode entender essa transição de modelos filosóficos da natureza, que sai da escolástica, [música] que sai do aristotelismo, que começa a caminhar lentamente para, para o mecanicismo, [música] por exemplo? >> Sim, essa é uma, é uma leitura profundamente simplista, porque ignora todo o contexto rico e diverso. Tem o papel do cristianismo, tem o papel da Bíblia, né, e da leitura bíblica desse tempo. Mas também foi propiciada por outros eh eventos acontecendo na sociedade. Temos a Reforma Protestante que vai dar, propiciar mais a liberdade religiosa, mais possibilidade de discussão de ideias. Nós temos o humanismo na qual o homem não é visto agora como um agente marginal, mas ele pode ter o seu papel de protagonista da sua história, de protagonista e de de aprender. Eh, então você tem eh uma série de outros movimentos que propiciam eh a abertura dessas discussões, o encorajamento para que pessoas eh possam em se engajar nessas nessas nesses diálogos. Eh, de então você eh evita olhar a natureza somente usando a filosofia. Porque a intuição humana ela é limitada e ela tem um limite de alcance. E às vezes por pensamentos lógicos eh a gente pode eh truncar a possibilidade de avanço no conhecimento. Por isso que existem famosos paradoxos, né, na filosofia. Que a gente não consegue resolver usando somente a intuição e a lógica humana. Mas por meio da matemática por meio de olhar a ir à natureza e dizer aqui é um padrão consistente que não falha. E e e mesmo que a minha percepção intuição humana venha falhar, aqui não falha. A natureza se comporta fielmente independente da existência da humanidade, porque a natureza existe antes da humanidade existir. Então não é eh impor à natureza o que a lógica humana eh compreende, é o oposto. É dizer o que a natureza tem a ensinar para expandir o que a mente humana não é capaz de de alcançar. Então, essa é a grande mudança de paradigma que está acontecendo, eh, nesse, eh, caldeirão de, de pensamentos, discussões, de, de correntes, eh, de pensamento entrando em, eh, ele, não só em diálogo, mas em conflito. Então, é o libertar da mente humana, é o deixar que a natureza possa ensinar a, a humanidade coisas que ela sozinha não poderia aprender. >> Galileu olhou para o céu e enxergou montanhas na lua e [música] luas em Júpiter. Suas observações transformaram para sempre a forma de compreender o universo. Mas no coração da Europa, outro [música] homem buscaria a ordem por trás desse movimento, uma harmonia escrita [música] em números e fórmulas perfeitas. Nossa jornada agora segue para Praga, [música] onde Johannes Kepler transformaria o céu em uma sinfonia matemática e mostraria [música] que até o movimento dos planetas obedece a uma harmonia divina. >> [música] [música]