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A fé vem pelo ouvir

Georges Cuvier: o que os fósseis revelam sobre o passado?

Georges Cuvier: o que os fósseis revelam sobre o passado?

Georges Cuvier: o que os fósseis revelam sobre o passado?

O que os fósseis revelam sobre o passado? Georges Cuvier, considerado fundador da paleontologia, ajudou a transformar o estudo dos fósseis em uma investigação científica sobre a história da vida e da Terra.

Ao estudar organismos extintos, defendeu a importância do rigor empírico e mostrou que o passado da vida era marcado por grandes rupturas e catástrofes.

Neste episódio de Origens — Pais da Ciência, conheça Georges Cuvier e descubra como o estudo dos fósseis mudou a maneira de compreender os organismos extintos e a história da Terra.
Cuvier defendia que os organismos deveriam ser compreendidos como sistemas integrados, guiados por função e ordem, e rejeitava especulações que não fossem sustentadas por evidências.

Depois de Newton revelar leis universais para explicar os fenômenos naturais, Cuvier volta o olhar para outra grande pergunta: o que aconteceu com a vida que existiu antes de nós?


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🟧 ORIGENS é uma série documental da TV Novo Tempo que investiga os mistérios da vida e do universo com cientistas de diversas áreas.

🟦 Pais da Ciência é uma temporada dedicada a grandes nomes que ajudaram a transformar nossa compreensão da natureza e do universo. Ao longo de 13 episódios, a série revisita suas descobertas, ideias e trajetórias, explorando também as relações entre ciência, conhecimento e fé.

🎬 Assista à temporada completa Pais da Ciência:

Legendas automáticas:

Debaixo das ruas de Paris existe uma
história que ficou escondida por
séculos. Em antigas pedreiras,
trabalhadores encontravam algo estranho
entre as rochas.
Ossos, fragmentos, [música]
vestígios de um passado pouco conhecido.
Quando Jorge Scuvier chegou à cidade em
1795, [música]
ouviu essas histórias. Começou então a
comparar [música] essas pedras que
pareciam ossos e hoje o conhecemos como
fósseis. e [música] começou a perceber
padrões, detalhes que revelam função e
comportamento. Covier mostrou que o
corpo não é feito de partes isoladas,
mas de um sistema integrado, onde cada
detalhe conta uma história. No episódio
de hoje, vamos conhecer [música] um dos
fundadores da paleontologia, um homem
que aprendeu a ler o passado nas pedras.
Ne. Ah.
[grito]
[música]
>> [música]
[música]
>> Jorge Cuvier, ele foi um naturalista.
Esse termo naturalista se refere a
indivíduos que no passado transitavam em
várias áreas do conhecimento,
paleontologia, geologia, zoologia. E
Cvier foi um desses, um polímata.
ele tava sempre estudando e analisando
outros
pesquisadores, outros também eh
estudiosos, ainda não tanto da
paleontologia, porque ele é um dos
grandes pais da dentro da paleontologia.
Ele era filho de um luterano, de um
soldado luterano. Era alguém que
conhecia as escrituras e que eh desejava
encaixar o que ele estava entendendo e
aprendendo sobre sobre o mundo, eh, com
as escrituras.
Então, ele foi alguém que buscou fazer
esse trabalho [música] e que buscou eh
de forma muito sincera, até eh andar
junto com a sua fé [música] e com a
ciência que ele tava entendendo,
iniciando a os entendimentos e e os
estudos naquele momento.
>> As contribuições maiores maiores de
Cvier foram no campo da anatomia
comparada.
Ele também contribuiu bastante pra
paleontologia, que ele tinha uma visão
catastrofista.
E Cuvier, ele
seu interesse [música] por zoologia
levou ele a comparar inclusive a
anatomia dos seres vivos com dos
fósseis. E com isso ele estabeleceu a
paleontologia como uma área mais
específica de pesquisa. Então ele
contribuiu para várias várias áreas do
conhecimento.
>> Hoje sabemos que espécies podem ser
extintas e desaparecerem, mas no
[música] tempo de Covir isso
simplesmente não fazia parte da forma de
pensar a natureza. Ao estudar [música]
fósseis encontrados nas camadas da Terra
e compará-los com animais vivos, ele
percebeu que aqueles [música] ossos não
pertenciam a nenhuma espécie conhecida.
Se tratava de animais extintos. e
extintos por catástrofes.
>> Na época do Cuvier havia [música]
um uma ideia de que
aquele fóssil que você encontrava
daquele animal que havia morrido, ele
morreu simplesmente porque, enfim, a
vida dele chegou ao fim, ele foi
fossilizado, né? Acreditava-se [música]
que esses animais eles ainda existiam e
que eles estavam escondidos em algum
lugar aqui no nosso planeta. Ninguém
havia achado ainda, mas ele estava ali.
Então, se de repente você fizesse uma
excursão, né, uma viagem pras savanas ou
pras florestas ali do Congo da África no
Brasil, nas Filipinas, [música] enfim,
você poderia encontrar esse animal. Só
que o Cuvele não entendia dessa forma. O
que o Cuvier entendia é que era o
seguinte: esse animal morreu porque
aconteceu uma catástrofe. Então, não é
que ele existe ainda, ele não existe
mais.
Então essa questão da instituição em
massa foi muito importante, foi uma
contribuição muito importante do Covier,
porque na época não se acreditava nisso.
A partir daí, obviamente, com o
desenvolvimento de metodologias e
conhecimento na geologia, paleontologia,
essa ideia de catástrofe, ela foi se
desenvolvendo e ela foi sendo estudada.
Vier, ele acreditava
em extinções. Ele foi uma das primeiras
[música] pessoas que trouxe a ideia de
que espécies com eh se extinguem. Então
ele via esses fósseis e ele buscava
algumas respostas, porque novamente o
contexto de ciência [música] daquela
época era um contexto eh não tão
sistematizado e organizado e com a
quantidade de de entendimento e
compreensão que aconteceu no século
seguinte, por exemplo. [música]
É, então ele tinha uma visão de que ele
via aqueles fósseis, a ciência
perguntava o que o que é isso, né? As
pessoas perguntavam o que é isso. Eram
eram perguntas básicas que estavam
acontecendo ali naquele contexto
científico do século XVI, do século XIX.
Eh,
eles estavam tentando entender o que o
que eram aqueles animais. E o que o
Favier fez foi entender que [música]
aqueles animais tinham sido extintos por
causa de catástrofes. Ele é muito
conhecido na área de geologia como
catastrofista.
>> A gente também precisa ser honesto no
sentido de que o Kvier não acreditava em
nenhuma única catástrofe, né? Ele
entendia que houve, na verdade, uma
série de catástrofes, né? Justamente
pela forma como ele encontrava esses
animais. Ele acreditava num dilúvio,
sim, em em alguns textos [música] que
ele escreveu, ele deixava isso claro,
que o dilúvio poderia ter acontecido,
mas para ele não foi a única, né? E
atualmente, quando a gente olha no
registro fóssil, na geologia também,
lógico que para nós criacionistas o o
dilúvio talvez tenha sido a grande
catástrofe, né? Assim como o Dr. Naor
escreveu no livro dele, etc., [música]
né? Mas houve outros episódios de
catástrofes, né? Talvez catástrofes
locais. Por exemplo, o período da
glaciação foi uma catástrofe, né? O
clima tava todo descontrolado depois do
dilúvio. Em [música] houve nevascas em
alguns lugares, capturou uma grande
quantidade de animais, morreram
congelados e hoje a gente acha os
mamutes lanudos na Sibéria, tigre dente
de sabre, lobo, congelados, né? Essa
questão [música] da extinção foi uma
contribuição importantíssima do Covier
paraa ciência.
Covier foi um dos primeiros a ouvir as
histórias escondidas [música] nos ossos.
Para ele, o corpo não era um conjunto de
partes soltas. Cada estrutura dependia
das outras [música] para funcionar. A
forma dos dentes indicava um tipo de
alimentação. A mandíbula revelava a
musculatura. [música]
O esqueleto inteiro contava a história
de um animal.
Comparando ossos modernos com fósseis,
Cavier conseguiu [música] reconstruir
criaturas que ninguém jamais tinha
visto, como se cada fragmento fosse uma
pista [música] deixada pelo tempo. Assim
nasceu aqui na França a anatomia
comparada.
Anatomia comparada também é interessante
a gente diferenciar na época do Cuvier e
hoje. Na época do Cuvier, ele organizou
num conjunto de do método que ele
chamou, né, de leis da anatomia
comparada, porque ele usava a anatomia
dos animais que existem hoje para tentar
entender como eram os animais dos, como
eram os fósseis que ele encontrava.
Anatomia. Quando a gente olha para o
termo anatomia,
Ana, né? Separar partes. Eu vou separar
em partes. Então, para entender o
organismo, eu vou separar ele em partes
e analisar essas partes de forma
detalhada. A anatomia se refere [música]
a esse estudo morfológico sem a
utilização de equipamentos mais
específicos que eu consigo olho no
diferenciar algumas [música] estruturas.
Quando falo de anatomia comparada, eu tô
falando de comparar estruturas
diferentes seres. E daí, pela relação
entre morfologia, entre eles, eu posso
inferir funções.
>> Então, se eu tenho uma estrutura em um
organismo que tem uma função [música]
específica, se eu encontrar outra
estrutura similaro,
eu vou inferir que ela tem uma uma
função similar. [música]
Eu também posso eh inferir, por exemplo,
alterações de função, defeitos de função
em em eh baseados essas variações
morfológicas que eu vejo. E Cuvier, ele
defendeu uma análise anatômica comparada
que ia além de uma análise externa. né?
Então ele analisava os órgãos,
estruturas internas, ele era muito
minucioso nos estudos dele. Então ele
esse estudo comparado contribuiu muito
para categorizar
várias estruturas no corpo dos animais
para essa comparação.
E também através dessa comparação, essa
anatomia comparada, eu consigo inferir
possíveis relações de parentesco.
Jorge Covier, ele trabalhou com anatomia
comparada,
ele trabalhou como eh os trabalhos
iniciais da paleontologia
e ele é conhecido como dos pais dentro
da paleontologia. Então, a anatomia
comparada, ela tá estudando eh órgãos,
tecidos, estruturas. Ela ela tá
percebendo o que é o que é igual, o que
é diferente, a qual a relação que existe
entre ela e tentando entender a partir
disso um pouquinho também sobre como o
corpo funciona.
Só que quando a gente olha pra biologia
de hoje, a anatomia comparada ela tem
outros propósitos.
Então, na biologia atual, você usa
anatomia comparada para estabelecer um
relacionamento filogenético, ou seja,
para você estabelecer o quanto esses
seres vivos são parentes ou não, ou o
quanto eles compartilham um passado
evolutivo ou um ancestral, né? Então,
você tem estruturas que são homólogas e
análogas. São estruturas que são
parecidas, desempenham a mesma função,
mas em organismos diferentes, né? Ã, um
exemplo de estrutura homóloga, que é a
nadadeira da baleia e o nosso braço.
Então, somos todos mamíferos e a gente
tem estruturas homólogas para
movimentação, só que a baleia vive na
água para nadar e a gente usa o braço,
né, para pegar coisas, enfim.
Então, ã, hoje esse raciocínio ele é
usado em uma perspectiva diferente
daquela que Covi usou. Então, o que
aconteceu foi uma eh foi uma
ressignificação
do método do Covier, foi dado, né, um
outro significado, um outro propósito,
porque hoje a biologia ela é construída
nas bases da teoria evolutiva.
Então, se esse método era usado pelo
Cuvier, que [roncando]
era se a gente pudesse usar esse termo
um criacionista, né, ele ele acreditava
de uma forma um pouco diferente [música]
do que a que a gente acredita hoje, mas
ele ele acreditava justamente que havia
um criador que havia projetado esses
seres vivos.
>> [música]
>> Então, se esse método era usado por esse
criacionista, hoje ele foi
ressignificado paraa teoria evolutiva,
justamente para estabelecer a ideia de
que se esses organismos têm coisas
similares, eles compartilham um
ancestral e a anatomia e a forma como
eles funcionam vai mostrar esse grau
[música] de parentesco entre eles.
Na Europa desse período, novas ideias
estavam surgindo. Alguns defendiam a
transformação das espécies e filósofos
[música] debatiam a origem da vida sem
referência ao criador. Kovier não
aceitava essas interpretações porque a
anatomia mostrava limites claros. Para
ele, um corpo não podia ser transformado
em outro sem perder [música]
sua própria funcionalidade. Ele não
deixou livros devocionais famosos como
Pascal, nem sistemas filosóficos como
Decartes, [música]
mas deixou algo profundamente teológico
em seu método.
Viveu num num período cheio de mudanças,
mudanças eh políticas, mudanças
culturais,
científicas.
Então, na França, na transição entre o
século XVI e X, nós estamos passando por
um momento cheio de mudanças, né? Então,
nós temos a Revolução Francesa, nós
temos depois retorno de Napoleão, nós
temos todo um contexto cheio de ideias
onde eh uma metodologia mais baseada num
mecanicismo sendo atuado, numa
reprodutibilidade
eh dos [roncando] dos procedimentos
experimentais.
Então eu tenho uma o início também uma
sistematização que vai começar e CV
contribuiu para isso da ciência eh no
sentido de de um experimentalismo,
a ao invés de uma mera observação. Então
nós temos todo esse cenário aliado
também com um crescente interesse pela
pesquisa. Nessa época, por exemplo, a
gente vê vários centros, museus da
Europa buscando aumentar suas coleções,
buscando amostras em vários lugares do
mundo para aumentar as coleções. Então,
várias expedições eram realizadas.
Então, tem um, havia um interesse
crescente em entender e classificar a
vida nas diversas formas. E e até
interessante, né, porque se a gente eh
vê hoje os pressupostos do design
inteligente, tem tem um um pilar que é a
complexidade redutível, é aquela ideia
de que os sistemas biológicos eles
também são formados por várias partes e
essas partes trabalham para um todo. E
se uma dessas partes faltar, esse
sistema perde essa utilidade. E é
interessante porque a gente vê ã esse
pilar da complexidade redutível é uma
espécie de eco daquilo que o cvier
acreditava
porque o infelizmente o cvi ele era
fixista, né? Ele entendia que ah, os
seres vivos eles foram criados, mas eles
tinham as suas formas fixas, eles não
poderiam mudar, né?
E aí ele entendia que esses sistemas ou
que a anatomia, as estruturas desses
animais também funcionavam como um todo.
E também entendia que se você tirasse
alguma parte, aquele sistema deixaria de
funcionar, né?
E obviamente [música]
quando a gente olha, né, as perspectivas
[música] evolutivas da época,
especialmente com o Lamarque,
isso vai diametralmente
em oposição ao que o Lamark defendia,
porque o Lamark ele tinha essas ideias
transformistas, né? A gente lembra do
ensino médio naquela história do do
pescoço da girafa, como é que Lamar
explica o pescoço grande, as girafas com
pescoço grande de hoje, né? O Lamarque,
ele explica que as espécies mudaram em
resposta ao ambiente.
Isso deveria ser observado, o que o Vier
pensava no registro fóssil, né? E que é
uma ideia que a gente entende hoje
também.
>> Hoje o criacionismo [música]
não sustenta o fixismo, a ideia de que
as espécies são totalmente mutáveis.
Isso porque a própria [música]
observação da natureza mostra que os
seres vivos se adaptam, variam e podem
até originar novas espécies ao longo do
tempo. Essas mudanças [música] são
entendidas como parte de um potencial já
presente nos organismos dentro de certos
limites.
O vier, no entanto, por acreditar que
[música] os organismos funcionam como um
todo integrado e que mudanças [música]
significativas comprometem esse
equilíbrio, foi um forte opositor das
ideias de transformismo de Lamarque. Ao
estudar [música] o registro fóssil,
Cuvier não observava transformações
graduais [música] entre espécies, como
defendido pelo evolucionismo. Para ele,
se a transformação fosse real, deveria
parecer nos [música] fósseis.
O que que ele fazia? Ele pegava os
animais que nós temos hoje. E tem um
exemplo bem famoso que é do Ibis, que
[música] que eram múmias de animais do
Egito. Então ele comparava os animais de
hoje com os animais, essas múmias do
Egito de milhares de anos atrás, ele não
via essa gradação, né? ele via que ou
não havia mudanças
ou eram mudanças drásticas, né? Ele vi
isso com os mamutes e os elefantes
atuais também. Então ele trabalhou
bastante com os fósseis de mamíferos,
como o dos mamutes. Então ele analisava
o crânio do mamute e o crânio de um
elefante e ele via que eram espécies
diferentes e ele não via essa gradação
que o Lamarque sustentava. E é
interessante porque isso não era
resultado de uma convicção do Cuvier
apenas de que ele acreditava [música]
que nós havíamos sido criados ou os
animais haviam sido criados ou as
espécies eram fixas, mas porque ele não
via isso na evidência. Então, se eu não
estou vendo isso no registro fóssil,
então não aconteceu. E é muito
interessante porque a gente faz o mesmo
questionamento a teor da evolução em
relação ao registro fóssil. Quando a
gente para para olhar o registro fóssil,
a gente vê muitos períodos de estase.
Então, passam várias camadas
no registro fóssil, camadas de rochas,
em que você encontra fósseis da mesma
espécie, mas basicamente não tem
diferença nenhuma. Por exemplo, o
Tiranossauro Rex, ele fica por milhões
de anos no registro fóssil em estasio,
ou seja, a forma a forma [música] básica
dele permanece mais ou menos a mesma.
Isso acontece com outros fósseis. Um
exemplo muito eh eh interessante também
é do Cela Canto. É um peixe que ele vive
em águas profundas. Até algumas décadas
atrás acreditava-se [música] que ele
havia sido extinto,
só que aí pescadores ali no litoral da
África pescaram esse peixe e falaram:
"Pera aí, não tinha sido extinto". E aí
chamam ele de fóssil vivo. Por quê? Você
pega o fóssil do celo e vê aí o [música]
pécim hoje, você fala: "É a mesma coisa.
Não aconteceu nenhuma mudança em milhões
de anos. E é muito interessante que esse
fenômeno da Estase, ele acontece com
muitos seres vivos, acontecem com
animais, acontecem com répteis, com
aves, [música] com mamíferos, acontece
com as plantas, com as angiospermas.
Além disso, tem toda a questão do
surgimento abrupto dos seresos no
registro fóssil, né? [música]
>> Essas conclusões de Cuvier, contrariando
as ideias de Lamar, não decorriam de um
desconhecimento ou de uma análise
superficial.
Pelo contrário, ao analisar a a
entrincada relação [música] entre as
partes anatômicas,
talvez anatomia comparada, vezes
estruturas, como elas funcionavam e ver
como as partes eram coordenadas no
organismo, ele percebeu que aquilo não
podia ter surgido etapa por etapa. Então
existia é uma estrutura que de certa
forma não poderia se alterar porque
senão o organismo [música] deixaria de
ser funcional. Então é muito
interessante essa questão que o Cuvier
fazia essa afirmação [música] com base
nos dados empíricos e isso e como ele
tinha uma argumentação, né, muito
contundente e ele era [música] uma
pessoa muito influente na sua época, ele
era uma pessoa que tinha um certo
envolvimento político, ele trabalhou no
Museu de História Natural da França
[música] lá em Paris, na Academia
Nacional de Ciências, enfim, ele era ele
era muito respeitado, ele se
correspondia muito com pesquisador da
Europa e do mundo inteiro para tentar
trocar, por às vezes ele achava um
fóssil [música] aqui que tava meio
completo, mas o pesquisador da Espanha
tinha ele completo e ele pedia os
desenhos, deixa eu ver esse desenho, né?
Porque era a única forma de divulgação,
não tinha foto. E aí ele comparava.
Então assim, ele [música] foi criando
uma rede de relacionamentos
que fez com que ele de fato ficasse
muito influente, importante na sua
época. E consequentemente essas ideias
contrárias à teoria da evolução [música]
permaneceram, alguns autores dizem que
por uma geração depois da morte dele. E
é por isso que isso acabou uma criando
uma certa resistência
à entrada da teoria da evolução ou
melhor a aceitação da teoria da
evolução. Por em 1859 Darwin publica a
origem das espécies. Covier morreu em
32, 1832. Só que quando essas ideias
elas começaram a [música] ser ou houve
tentativas de inserir essas ideias na
França, encontraram resistência
justamente por causa dessa influência
póstuma do Cuvier. E isso foi levou
muito tempo para que as ideias do Darwin
de fato fossem aceitas, porque ã muito
do que Cuvier dizia também tava embasado
nessa questão da fixidez das espécies,
né?
E aí, de fato, [música] a gente, ou
melhor, os cientistas da época foram
observando que as espécies passam por
modificações. [música]
Então, não tem como a gente dizer também
que era tudo perfeito, mas de fato ele
era um cientista muito meticuloso. Ele
ele estudava, ele se dedicava, ele
desenhava muito bem, ele ia para todos
os lugares da França para encontrar
lugares para fazer as escavações,
né? Então, era uma pessoa justamente
muito respeitável [música]
por causa do trabalho que que ele
desempenhava.
É interessante observar como ao longo do
tempo a filosofia da natureza [música]
foi abrindo novos caminhos por
diferentes áreas da ciência. Cada
descoberta [música] despertava novas
perguntas e cada resposta se
transformava no ponto de partida para
uma nova busca. No próximo episódio
[música] vamos descobrir como Michael
Feriday na física procurou responder a
sua maneira a mesma pergunta que movia
Covier. Como o criador organizou o
mundo?
>> [música]
[música]

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