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A fé vem pelo ouvir

HERÓIS NADA PROVÁVEIS

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Legendas automáticas:

Seja muito bem-vindo ao 2D dos de
Teologia. Eu sou o pastor Iago Martins e
hoje eu recebo Maria Martin, Thaís
Oliveira, Arlene de Lise, Karen Anne.
Anne mesmo? Ou Anne?
Karen [risadas] Anne. Todas de Valentes,
os contos dos heróis nada prováveis. Um
livro que conta com quatro histórias
sobre meninos que enfrentam conflitos
ligados ao orgulho, ao medo, ao
bullying, a injustiça, identidade, a
família e a fé. Sejam muito bem-vindas,
meninas.
>> Muito obrigada.
>> Muito obrigada. Prazer.
>> Oi, é um prazer estar aqui.
>> Quem é que tá retornando aqui pela
segunda vez? Eu acho que a Arlene já
teve aqui, não teve?
>> Sim, tive aqui num podcast com a Pat
Miller, Miller, Miller
e com a Isa Freixo.
>> Verdade. E olha, esse livro que a gente
vai falar hoje, o livro Valentes, veio
depois da série Corajosas, ou tá dentro
da série Corajosas? Eu não sei se é o
seu dia que é depois ou se é o mesmo
universo espiritual de obras literárias.
>> [risadas]
>> Bom, vocês que vão me dizer, não é?
Mas depois do Corajosas 1 e Corajosas 2,
a gente tem agora um livro voltado para
o universo masculino, não é? E aí eu
quero justamente ouvir de vocês, de onde
é que veio justamente essa ideia de um
universo mais masculino
vindo escrito por mulheres. É um
desafio, hein?
>> Sim, é um desafio bem grande, né? Mas
assim, como a gente escreveu Corajosas e
não tem nada a ver, né? Os universos
eles são bem diferentes assim, Corajosas
e Valentes.
Mas era um pedido assim, era um pedido
sequente. Desde que a gente lançou
Corajosas 1, "E o dos meninos? E a
versão dos meninos? Como vai vir?"
Então, as leitoras, as mães pediam
muito, né? E aí a gente acabou
embarcando. A gente tinha um pouquinho
eh de medo, né, desse desafio de ser
eh eh
nós escrevendo para meninos, mas
Deus deu graça.
>> [risadas]
>> É, então, como a gente diz, eh eu eu
tava na Fefique, né, há duas semanas, eu
acho que foi há duas semanas.
>> Nos conhecemos lá, vezes conhecemos lá,
hein?
>> Isso, foi. Então, muitas meninas vieram,
né? Ah, corajosas, corajosas. E eu
sempre perguntava: "E aí, vocês ouviram
de Valentes? Qual a expectativa?" "Ah,
mas será que é para menina também?" Aí
eu falava: "Gente, Minhas Séries
Corajosas sempre foi para meninas. Agora
a gente deixou os meninos entrarem no
clube, né?" Então, tá tudo bem, as
meninas vão ler, os meninos também. E os
dois grupos, né? Eles vão aproveitar
muito a leitura, que foi desafiante, com
certeza, mas foi muito divertido também.
Para mim, eu sempre eu trabalhei por
muito tempo no, no interior do Piauí,
numa organização com adolescentes. E
assim, para mim foi o meu momento de
pegar um daqueles adolescentes e
realmente trazer, sabe? À vida, eh,
dentro dessa história. E aconteceu para
cada uma de nós assim também, né? Então,
foi um desafio muito legal.
>> Escrever histórias protagonizadas por
garotos exigiu alguma mudança na forma
como vocês construíram personagens,
diálogos e conflitos?
>> Sim. Para mim exigiu muito.
>> [risadas]
>> Sim.
Eu escrevo para meninas. Eh, eu escrevo
para meninas há 10 anos. Então,
a cabeça de uma mulher é diferente da
cabeça de um homem, né? E quando a gente
tenta escrever para adolescentes,
na verdade, acho que de uma maneira
geral, a gente tenta ser o mais
verossímil possível. Mulher tem um
jeitinho de ser mais fofo, tem mais
intensidade diferente. Ai, meu Deus, que
demais! E aí frases simples como essa,
por exemplo, o garoto vai falar desse
jeito?
Não, né? Então, a gente teve que pensar
um pouquinho em como
podar a escrita, mas também foi algo
bom, porque nos trouxe o desafio, né? E
o escritor ele cresce muito se
desafiando na própria
forma de contar histórias.
E foi, foi um desafio bom, mas foi
desafiador.
>> [risadas]
>> Tentar trazer, né? A visão dos garotos
sobre os dilemas, as reações. Para mim
foi a parte mais difícil, porque a, a
Karen tem um mais engraçado de escrever,
uma voz feminina muito forte e eu tenho
um jeito mais delicado, né? Geralmente
as minhas personagens acabam caindo num
lugar mais, dizerem mais fofas, tem um
jeito às vezes mais poético de ver,
então eu tive que podar tudo isso pro,
pra que o meu personagem não trouxesse
esses elementos que já são muito
pertinentes à minha escrita, então foi
realmente um exercício de pensar
diferente, conversar com garotos durante
a escrita também pra me ajudar a afiar
mais ali. Mas o resultado ficou muito
especial.
>> Já passei um meio por esse processo,
porque eu tenho, já tenho livros, eh,
protagonizados por garotos, né? Então eu
passei por esse processo alguns anos
atrás. E tipo assim, me forçar a tentar
olhar por esse, eh, olhar do garoto. Eu
acho que assim, eh, por exemplo, a Karen
que é mãe de dois meninos, eu também que
tenho, eh, lido com adolescentes na
igreja, garotos o tempo todo, a gente
acaba aprendendo como, né? Aí na hora
de, de trazer isso pro, pro papel, né?
Pra escrita, é, ao mesmo tempo é
desafiador, mas é muito legal também dar
voz pra eles, porque realmente a maioria
dos livros de ficção cristã, eles são
protagonizados por mulheres, né? Então
trazer
essa, dar essa voz pra eles também foi
bem legal.
>> Legal. Se eu não colocasse vocês em
perguntas polêmicas, não era Dois Dedos
de Teologia, tá?
Então assim, só pra
>> [risadas]
>> Gente, obrigada, tô saindo.
>> Só pra saber.
>> Valeu, foi bom enquanto durou.
>> Ninguém sai [risadas] do barco. Ninguém
sai do barco.
>> Não, ninguém, ninguém, como é que é?
Ninguém segura a mão de ninguém? É o
contrário.
>> [risadas]
>> Ninguém solta a mão de ninguém, é isso,
é isso.
Mas é o seguinte, ó, hoje existem muitos
discursos sobre o que é que significa
ser homem, quer ser um homem forte, e aí
você vai lá em discursos masculinistas,
o pessoal do movimento Red Pill, e aí
você tem respostas a isso, outros,
outras visões de masculinidade que
muitas vezes, ah, são muito mais fluidas
e você tem sempre o imaginário social em
pêndulo, né? Sempre os extremos aí se,
se puxando de alguma forma. Que ideia de
masculinidade vocês desejavam apresentar
aos leitores por meio dessa obra?
>> Ah, eu creio que é uma masculinidade
bíblica, né? Que não é aquela que, é,
como você mesmo citou, esses movimentos
que acabam trazendo esse ideal errado ou
às vezes muito, é, contrário à palavra
mesmo, né? O
ideal mais violento, ah, para ser homem
ele tem que ser assim, ele tem que falar
grosso, ele tem que ser, e a gente vê,
que o nosso, o ideal de masculinidade,
assim como de feminilidade, é a própria
Cristo, né? Então acho que isso é
norteou muito a gente assim, né? Hoje é
realmente esses movimentos eles têm
complicado até a cabeça dos próprios
meninos assim, é é meio preocupante.
Então a gente trazer para palavra,
trazer para Jesus que foi o maior
exemplo, né, de, é o maior exemplo de
masculinidade que existe, é, é, esse foi
o nosso foco. Assim, como que Jesus ele,
ele pode ser o exemplo desses meninos e
como que Jesus entrar na vida desses
meninos, ele pode transformá-los para
serem homens de verdade, né?
>> Esses personagens
>> mais equilibrados, né? Então a gente
acaba abordando muito dessas temáticas
também. Como que eu respondo à
violência, como que eu respondo a um
ambiente, por exemplo, no meu conto eu
trabalho essa questão de ter um grupo de
amigos que são tóxicos e meu personagem
vai ter que reagir a esse grupo, né?
Então como que ele responde como um
garoto cristão a esse grupo? Eu faço
parte desse grupo ou não, é, resisto ou
eu faço a diferença, como que eu reajo a
isso? Então a gente tentou trazer uma
visão mais equilibrada para esses
garotos. Como também que eles agem as
garotas, né? Como que eu trato a a
garota de uma forma mais respeitosa, é,
reconhecendo a importância dela também.
Enfim, a gente trouxe esse papel mais
equilibrado para eles.
>> Levando em consideração que meninos, né,
principalmente na nossa cultura
brasileira que é muito, muito rica de
outras culturas, né? A gente tem uma
diversidade, né? Não dá para colocar um
um garoto numa caixinha e dizer, ah,
todo menino, todo garoto joga videogame,
todo garoto
gosta de
só andar de bicicleta na rua, todo
garoto tem interesses parecidos ou
personalidades ou tipos de temperamento
parecido, né? Então a gente realmente
levou em consideração essa diversidade
que a gente tem no Brasil, né? De
meninos realmente diferentes, mas dentro
do exemplo de Cristo, né? Porque a
essência, a identidade, ela ela precisa
ter uma solidificação ali em Cristo, né?
E trazendo essa diversidade, eu acho que
a gente realmente trouxe como a Thaís
disse, um resultado muito equilibrado,
né? Nessa questão dos meninos e como a
Bíblia aborda e como a Bíblia ensina
eles a realmente viver uma vida de mascu
masculinidade com Cristo, né?
>> Foi uma uma forma importante também
da gente comunicar
aos meninos que estão dentro da igreja,
porque a gente falar de masculinidade,
né? É um tema muito amplo, mas esses
movimentos não estão fora da igreja,
eles estão permeando a igreja, né?
E muitos porque uma masculinidade sadia
bíblica não foi talvez tão bem
implementada, então a gente tem
problemas
de masculinidade muito quebrada, né?
Como abuso, por exemplo, dentro da
igreja e e trazer essa essa visão de uma
masculinidade, né? Bíblica nos livros é
é muito importante para a formação do
nosso primeiro leitor, né? Que é esse
garoto que está dentro da igreja e como
que ele se comporta, né? O que que é ser
um um homem de verdade, um garoto para
ser um homem de verdade.
>> eles podem ajudar bastante nesse papel.
>> Isso, que eles são garotos, né? A gente
eh Então eles estão nesse processo de
crescimento, assim como os nossos
personagens de Corajosas, elas estão
nesse processo também de amadurecimento,
que elas têm 16 anos, enfim. Os meninos
também, então a gente procura trazer
dilemas dessa faixa etária, né? Ao mesmo
tempo, assim, eh trazendo assim, tem
como você ser um garoto cristão, né? Eh
que ama Jesus e que vive uma vida boa
hoje, nessa nessa era, né? Então, como a
Maria falou, a gente tem o gamer, né? A
gente tem o que é gosta de tecnologia, a
gente tem o que gosta de acampamento, a
gente tem o que gosta de andar de
bicicleta, que é o mais malandro. Então,
a gente procurou trazer isso porque
assim, é faz parte da vida deles, de
quem eles de quem os adolescentes são,
né, dessa faixa etária mesmo.
>> Muito legal. Seguinte, quero fazer
algumas perguntas sobre
o conto de cada uma, o texto de cada um,
porque
o livro tem a cada capítulo marcado com
uma autoria diferente. Antes disso,
deixa eu fazer uma pergunta, como é que
foi o processo para vocês? Vocês
escreveram tudo meio que ao mesmo tempo,
depois juntaram, alguma escreveu
primeiro? Eu quero eu gosto de
bastidores do mundo da escrita.
>> [risadas]
>> Como é que foi esse processo aí de
juntar tudo isso?
>> Hoje cada uma escreve no seu tempo, né?
Nós temos um prazo final de entrega
sempre do Esse é o nosso quinto projeto
juntas, se eu não me engano. Então, nós
sempre temos um prazo final, né, de
entrega. E no começo, acho que a gente
nunca escreveu ao mesmo tempo, né?
Sempre foi cada uma no seu tempo e em
determinado momento nós compartilhamos
com todas para fazer a leitura do livro
como um todo, né? Então, nós lemos o
material uma das outras, é damos pitaco,
fazemos sugestões e depois essas
alterações que a gente costuma enviar
para o nosso editor, né? Então, esse
último foi bem diferente. Eu fui a
primeira a escrever, escrevi em setembro
do ano passado e as meninas escreveram
mais dentro desse ano, não foi? No
comecinho desse ano.
>> É.
>> Uhum.
>> Foi no comecinho. Algumas entregaram
assim, já, né? O Daniel quase.
>> Eu que não entreguei.
>> [risadas]
>> Mas vai chegar esse conto, não?
>> É, e nesse meio tempo a gente também tá
em processo de
escrita dos livros solos, né? Então, a
gente precisa
fazer encaixar, sabe? Assim,
os prazos, às vezes eles não batem,
sobrepõem. Mas a gente tá fazendo
funcionar, né? Graças a Deus. Dá certo
no final.
É, e como as histórias são
independentes, né? Cada uma escreve a
sua história, não tem essa necessidade
dos do livro ser escrito todo junto, né?
A gente só reúne o material depois e é
muito interessante ver como o Senhor vai
sempre alinhando as histórias.
Geralmente sempre por vezes tem um tema
que se sobressai em todos os contos,
muito natural mesmo do que o Senhor vai
gerando nos nossos corações no período
da escrita.
>> Maria Martin,
você escreveu A Lâmpada Mais Poderosa de
Todas.
>> Exatamente.
A Lâmpada Mais Poderosa de Todas é uma
releitura de Aladdin, né?
E surprise.
>> [risadas]
>> Do do conto é um é um conto na verdade
muito curto, para quem não sabe, todo
mundo a gente conhece muito Aladdin por
causa da Disney, né? Mas é um conto que
vem dos contos da das Mil Noites, acho
que eu tô falando até errado.
>> Mil e Uma Noites.
>> Mil e Uma Noites, né? Tradução aí. E ele
representa esse garoto como o Aladdin do
conto, né? Que gosta muito de da rua,
ele gosta de estar com os amigos, ele
gosta de jogar pelada, ele gosta de ir
pro campinho de futebol, de fazer piada,
não levar as coisas a sério. Então ele é
bem assim, ele quer curtir ali o momento
e as prioridades dele, que são fazer
vídeos no celular, ele é um influencer
ali, ele adora postar, ele manda muito
bem, ele faz vídeo de carro, faz vídeo
tirando um pneu só no meio da rua, cai
inclusive, então assim, ele é bem esse
menino que pula muro, ele faz essas ele
tem essa personalidade, né?
Só que ele
o pai deixou, né? O pai deixou a família
e nisso criou um um uma necessidade
dele tentar
provar que ele merece reconhecimento
naquilo que ele é bom. Então ele começa
a
deixar de lado os conselhos da mãe,
conselhos de pessoas que o amam, né?
Conselhos que dizem: "Olha, você devia,
né? Estudar um pouco mais, devia se se
interessar na escola, as notas estão
caindo, estão ruins". Ele sempre
acredita: "Não, vai dar tudo certo, vai
dar tudo certo". Até É o um que não dá
tudo certo, né? Ele realmente se vê ali,
nossa, as minhas escolhas, será que
foram as melhores escolhas que eu
poderia ter tomado? E ele tá dentro
dessa, tão difícil falar de livro,
gente, assim que você lança. [risadas]
Ele é um personagem divertido, ele quer
ser engraçado, ele quer que as pessoas
olhem, é, pelo valor dele, da forma que
ele se porta, que ele se mostra, ele é
vaidoso, ele gosta de tá com o cabelo
legal, ele gosta, entendeu? De tá, ter o
tênis da hora, ele tá bem buscando mesmo
o valor dele naquilo que ele representa,
naquilo que ele é, né? Naquilo que ele
pode fazer. E aí, com tempo, então ele
vai ter uma pergunta de uma, de um
homem, tem um homem, é, nessa história,
né? Um missionário de terras distantes.
Que ele vai realmente colocar uma
perguntinha ali, uma pulga atrás da
orelha dele sobre o onde o valor dele
está, né? E aí que essa busca, que ele
vai precisar entrar nessa busca de
realmente tentar entender, mas Deus
realmente não é como o meu pai, sabe?
Então,
eu tô muito, sou muito feliz com o
resultado.
>> [risadas]
>> E é isso.
>> Ah, você escreveu um protagonista muito
simpático,
por mais orgulhoso que ele seja,
dominado pelo orgulho, mas muito
simpático, muito interessante conhecer o
[risadas] Alan.
>> Aham.
>> E é legal ver o modo como, sendo a
leitora de Aladim, Deus é, é um tipo de
gênio da lâmpada pra resolver os
problemas dele, né? É bem
>> Aham.
>> Eu não quero ficar dando spoiler não do,
do, pra ninguém não, deixa o pessoal, o
pessoal ler aí pra não
>> Eu não vou dar spoiler não, eu já dei
uns três aí falando, mas
>> [risadas]
>> Eu acho que essa, essa questão também da
ausência do pai que atravessa a
história, né? Essa ferida aberta, o modo
como ele interpreta Deus. É uma coisa
meio freudiana assim de a gente ver Deus
do jeito que a gente vê nossos pais. É
uma história muito legal, muito
interessante sobre sucesso, sobre
idolatria, sobre imagem.
>> A gente coloca muita expectativa que a
gente tem de Deus nas pessoas ao nosso
redor, né? E ele vai passar aí por essa
jornada de entender que não é bem assim,
né? Deus é diferente, não é como o pai,
não é como um, um amigo, não é como, ele
realmente se sobressai e ele tem um
plano diferente, né?
>> Taís Oliveira, você escreveu Os Segredos
de Excalibur.
Conta pra gente a história.
>> Meu personagem é o Arthur, né? Eh, eu
queria trazer um pouco desse ambiente de
acampamento, de escoteiro, pra fugir um
pouquinho. As minhas histórias são
sempre muito sobre o cotidiano, né?
Então eu queria colocar esse personagem
num ambiente diferente, que trouxesse um
pouco de aventura, né, de um fôlego
diferente, né, pra narrativa. Então meu
personagem ele vai pro acampamento
acampamento Excalibur, um acampamento de
inverno, né, de escoteiros. Eh,
e ali nesse acampamento ele vai precisar
se provar um pouco, porque ele acaba
fazendo parte de uma ordem secreta que
existe nesse acampamento. E esse grupo
traz uma série de desafios que vão
questionar um pouco a identidade dele,
os valores dele. E o meu personagem é um
garoto mais tímido, ele lida com a
disfemía, né, que é o termo técnico pra
gagueira. Então ele é um garoto que já
sofreu bullying, ele é adotado, então
ele tem uma série de dilemas internos
também, que fazem com que ele tenha
necessidade de ser aprovado pelos
demais. Em certo momento esse grupo
permite essa aprovação a ele, até que
ele se vê desafiado por esse grupo e não
tem certeza se o lugar dele dele é ali
mesmo ou não, né? Então durante o
acampamento ele vai lidar com as
consequências de fazer parte desse grupo
e também com uma garota que descobre a
existência dessa ordem e quer provar pra
todo mundo que ela existe. Então a gente
vê uma rivalidade entre eles.
>> Eu até agora não sei como é que
pronuncia o nome dela. É Júlia?
>> Júlia.
>> Júlia. Júlia.
>> Isso.
>> [risadas]
>> E aí eles vão viver algumas aventuras de
>> Eu achei muito legal a ideia de mostrar
a história por dois pontos de vistas,
né, do Arthur e da Júlia, né, como dois
pontos de vista da mesma história. Isso
é isso é uma coisa muito interessante.
>> Gostou? Então é foi
Eu acho que foi um recurso que eu
utilizei como foi a minha primeira
história escrita do ponto de vista de um
garoto, eu ainda quis manter um pouco da
minha chama acesa das garotas, sabe?
Eh, eu queria também gerar uma
identificação forte nas meninas nessa
história, então trouxe um respiro pra
história e ajudou a história correr mais
rápido também, partindo vai do Arthur,
vai na Júlia, acho que ficou uma
dinâmica muito legal.
>> Legal. Você acha que a sua formação em
história e se você trabalhar
academicamente com a educação afetou o
modo que você quis quis construir essa
ideia esse essa esse conto em torno do
do tema do bullying? O modo que você
desenvolveu isso no no seu conto?
>> Sim, de alguma forma assim, não só desse
tema mas a forma como eu geralmente
apresento os temas e como eu abordo
biblicamente eles durante as narrativas
vem muito dessa minha parte professora,
né? Então eu não atuei tanto eh porque
logo que eu terminei a faculdade eu fiz
mestrado mas eu fui direto me dedicar
aos livros, mas a minha fase toda toda a
minha formação foi dentro de sala de
aula, né? Fiz muitos estágios, muito
contato, né, com os adolescentes e
muitos projetos. Então vem muito desse
ambiente, sim, de ver, né, os dilemas
que os que os adolescentes sofrem, as
dores causadas pelo bullying, como que
ele é negligenciado, né, porque se torna
uma coisa tão comum que por muitas vezes
os professores, a escola não sabe não
consegue, né, solucionar ali ele de
fato. Então influenciou a narrativa,
sim.
>> Legal. Arlene Diniz,
nossa querida autora de O Arqueiro das
Sombras. Como ela pensou a história do
parkour? Eh eu achei isso maravilhoso.
>> [risadas]
>> Então, eh o meu é é inspirado em Robin
Hood, né? Então é o Ronan Carvalho.
Ele é um garoto
que assim, eu eu conheci assim o
clássico do Robin Hood do do que a gente
conhece, né? Aí depois que eu fui
mergulhar mesmo na história, ler o
clássico lá de Dumas e tudo mais, aí eu
vi que tem
tinha várias coisas que a gente poderia
usar e o parkour acabou eh surgindo
disso, porque o Robin Hood ele tinha o
arco e flecha dele, mas ele vivia nas
florestas e assim, né, eh indo atrás de
bandido e tudo mais e aquela coisa lá de
roubar do rico para dar para o pobre. E
aí eu falei assim, gente, na eh o
parkour é um ótimo esporte assim para um
garoto que tá na cidade e e tá lutando
também de alguma na sua forma, né? Ele
não não chega a roubar de nenhum rico
para dar para pobre, mas o Ronan, o que
é que ele faz aqui? Ele denuncia os
problemas da cidade, né? Então, tem uma
empresa, a Rude Construções, que eles
fazem muitas construções irregulares, em
lugar que não pode, polui rio, tudo
mais. Então, assim, ele e os amigos,
eles pulam os prédios com com as
técnicas do do parkour que eles têm e aí
eles conseguem tirar foto, gravar vídeo
e postam na página, né? A página no
alvo,
que é aí para mostrar para as pessoas as
coisas erradas que que os outros estão
fazendo. Então, assim, ele gosta, assim,
de se enfiar onde não foi chamado para
poder denunciar, tipo um vigilante,
assim. E ele tem a história, né, que os
pais, ele foi também adotado, mas até os
pais ado, ele também perdeu os pais
adotivos, né? E
então, mas ele foi criado pelos pais com
essa veia muito forte de justiça social,
né? Então, ele ele quer fazer justiça,
só que aí depois, ao mesmo tempo, ele
depois ele vai aprender
que nem sempre com as próprias mãos ele
vai poder fazer justiça, né? Que existem
formas de você fazer isso. E aí ele vai
e nesse meio, nessa história toda, ele
vai descobrir mais sobre ele mesmo e
sobre quem ele quer ser nesse mundo, né?
Ele não, acho que o Ronan ele tem essa
necessidade, assim, eu não vim para esse
mundo à toa, eu quero fazer algo de
útil, eu quero fazer algo relevante. Aí
ele tem essa necessidade de de servir as
pessoas com algo relevante. Aí ele vai
aprender depois como ele pode fazer isso
da forma melhor no reino de Deus, né?
Glorificando ao Senhor enquanto faz isso
também.
>> Eu vou fazer uma pergunta parecida com a
que eu fiz para Thaís, né? Ah, você acha
que sua formação em serviço social
afetou sua maneira de de levar, dar
atenção à temática de justiça social,
meio ambiente, periferia, acesso a
direitos? O quanto, o quanto da Darlene
estudante tá no
no Ronan?
>> Ai, muito.
Inclusive as meninas eh me zoam que é
assim, basicamente todas as minhas
histórias eu trago o pau, pauta o
social, né? Porque é é inevitável, acaba
que assim, eu me formei nessa área e
muita experiência na igreja também com
esse com esses ministérios, né? Na
igreja, ministério social na igreja e
tudo mais, então acaba que eu não
consigo, é muito difícil para mim
escrever uma história onde eu não não
coloque um tema assim, então atravessa
com certeza, sim, principalmente quando
a gente cresce também, né, em bairro
bairro pobre e vê as dificuldades que as
pessoas dos né, que moram no bairro
pobre vivem diariamente, como que é
difícil e como que a gente precisa mesmo
de
que o poder público, enfim, né, preste
atenção eh na na sua população e no que
essa população precisa, né? Então eu
quis trazer um pouquinho disso aí
na história do Ronan.
>> Excelente. Kevin, você escreveu o Ferós
de Notre Dame.
Eu eu preciso, eu não quero criar uma
uma competição, todas as histórias são
excelentes, pelo amor de Deus.
>> [risadas]
>> Mas
>> já criou.
>> Já criei, né, Ferós? Já, tem que tem que
falar. Olá, por que eu fiz isso? Eu sou
um burro. Galera, tudo isso corta aí,
pelo amor de Deus, sei lá.
Não.
Mas eu eu sou um jovem gamer que cresceu
em cima dos videogames. Eu nunca fiz
parkour, entendeu?
>> [risadas]
>> Então assim, pessoalmente, em termos de
identificação, entendeu? O nosso querido
Kevin, ah, escondido ali por trás do
avatar do Eu li como Xfera, que fica
mais engraçado que Xfera.
>> É, eu eu eu pensei assim.
Mas se eu fosse escrever ia ficar muito
longo, né? Aí eu coloquei o X para
dar uma brasileirada, por assim dizer.
>> [risadas]
>> Muito legal a ideia do menino que se
esconde e se esconde suas cicatrizes por
trás de um avatar online, né? Conta para
mim, como é que é essa história?
>> É, o Kevin, ele surge da minha ideia de
querer retratar essa realidade dos
meninos que amam videogame.
Em parte porque meu marido tem formação
em TI.
>> [risadas]
>> Então aqui em casa eu convivo com um
video game há 14 anos.
E agora eu sou mãe de dois meninos de 10
e de 8 que estão seguindo os passos do
pai como gamers.
>> Muito bem, parabéns.
>> game é, faz parte da minha realidade de
fim de semana, isso eu posso dizer.
Então eu falei nossa eu quero falar
sobre isso e para mim como esposa,
depois mãe né, como foi um pouco difícil
entender que o meu amor pelos livros
é algo tão especial para mim assim como
o amor do meu marido e dos meus filhos
pelo video game. Então
é, falei vou criar um personagem assim
que encontre o amor nos jogos, não só
por ser divertido mas também uma forma
de pertencer né, alguma comunidade já
que o Kevin ele tem cicatrizes no rosto
né. É, como ele é uma releitura do
Corcunda de Notre Dame
eu trouxe ali algumas cicatrizes
visíveis para ele, onde ele sofre
bullying na escola, ele ainda sofre na
escola né. Certo bullying. Mas ele se
sente muito livre quando ele joga, ele
se sente muito ele quando ele joga, mas
ele também não mostra o rosto dele
porque ele quer ganhar a admiração das
pessoas né, ele quer ser admirado e
amado pela sua habilidade e ele consegue
isso. Mas aí surge uma oportunidade dele
participar de um torneio de e-sports que
essa parte foi bem legal de pesquisar e
de entender que é um submundo. Gente é
um negócio assim absurdo e bem legal. Só
que para isso ele vai ter que mostrar o
rosto dele né e isso compromete toda a,
toda a,
enfim, bom a vida virtual dele, tudo
aquilo que ele construiu como e-gamer
né, que é um lobozinho que inclusive tem
três garrinhas no rosto também, ou seja,
ele
a, a própria cicatriz já não é bem o
problema para ele, virou parte de quem
ele é, mas o que torna um problema é
aquilo que ele acredita sobre ele por
causa da, da cicatriz né, aquilo que
fizeram ele crer sobre ele né. Então eu
trabalho bullying, eu trabalho essa
dinâmica de equilibrar o fato de ser um
gamer com a vida real, né? Então o
Quasimodo tem uma dificuldade ali de
manter exercícios, ele é bem sedentário,
ele está sempre no quarto em pose
dourada, bebendo energético, comendo
salgadinho o dia inteiro. E ali ele tem
um avô que dá umas [risadas] dicas
bacanas para ele, é. O pai dele trabalha
fora.
Então eu tenho que dar uma Não fale mal
do
Eu tenho que dar uma equilibrada assim,
de uma forma também de não só tratar a
questão da relação comum do virtual, mas
também incentivar os jovens, né? Vamos
sair um pouco do quarto, vamos ver a
vida, vamos conversar com as pessoas.
Então
>> Vamos dar limite, vamos dar limite para
os primos.
>> Exatamente, vamos vamos
fazer
É, e aí tem também essa essa dinâmica
com o primo, né?
É, que vem do da releitura de Notre
Dame, a gente tem lá o Frollo que ele é
abusivo e ele é ele tenta forçar a
Esmeralda, pelo menos na releitura da
Disney, mas no no conto original do
livro também tem essa pegada. Ele quer
aquela menina de qualquer jeito. Então
eu tentei trazer um pouco disso, né?
Como a gente até falou um pouco antes
sobre esses movimentos, né, de
masculinidade, eu tentei retratar um
pouquinho nesse primo. E a minha minha
pegada não foi só mostrar que isso
acontece, mas como um garoto cristão se
porta diante de algo assim.
Como ele pode encarar, é, ver ali uma
menina sendo ali forçada,
enfim, ali um xaveco. Ninguém usa mais
essa palavra, né?
Mas
>> [risadas]
>> isso é
E como ele pode se portar
>> que os jovens usam mais?
>> Eu não sei. E olha que eu escrevo para
os jovens, [risadas] mas é
Essa é
>> Paquera, xaveco
>> É, paquera e xaveco já foi.
>> É o que eu conheço, é isso.
>> É, são as melhores, né?
>> Dar em cima, eu ouvi falar isso, dar em
cima.
>> Dar em cima. Então eu tentei retratar um
pouquinho, né?
O conto é
me judia muito porque é muito curto, são
histórias muito curtas, então a gente
tem que ser o mais objetiva possível ali
no no ponto principal, né? Mas bem, eu
tentei de alguma forma deixar algumas
boas reflexões sobre bullying, sobre,
eh, coragem, sobre máscaras, né?
E isso, foi um pouco, um pouco disso.
>> Legal. Gostei muito da mãe, também, da
mãe do Kevin, de ela não oferecer
respostas fáceis,
nem soluções simplistas assim.
>> É.
>> Ah, tu fica calada, senão eu vou dar
spoiler de todo o livro todinho pro
pessoal. Aí o pessoal aí não, calma aí.
Vamos, vamos comprar o livro pra ler,
certo? [risadas]
Eu acho muito legal que existem muitos
pontos que se tocam em todas as
histórias, né? O mundo virtual, meio que
tá aí em todas as histórias. A, a, os
quatro protagonistas, de alguma forma,
eles têm uma relação com isso. O Alan
produz vídeos, o Arthur participa de uma
comunidade virtual, o Ronan denuncia
injustiças nas redes sociais, o Kevin
tem essa identidade por meio dos jogos.
Ah, é um tema muito legal. A ideia, ah,
de que todos os protagonistas têm que
aceitar ajuda, porque nenhum deles
consegue amadurecer sozinho, né? Isso é
muito legal. Os adultos, por outro lado,
sempre têm papéis um pouco diferentes na
história aqui. Alguns ferem, outros
protegem, alguns corrigem, outros
escutam, ah, outros oferecem segunda
chance. Eu acho muito legal, ah, essa
complexidade aí do papel dos pais, né?
Dos, dos líderes. Gosto do fato de que
tem bastante humor no livro, né? É muito
legal assim que, ah, há um humor muito
leve, mesmo quando os temas são
dolorosos. Isso é muito útil. Mas aí
teve uma coisa que eu queria perguntar.
Eu, eu achei muito legal os personagens
secundários também da história.
Porque uma história não é feita só do
personagem principal.
Qual, ah, aí a pergunta é pra todos
aqui. Qual personagem secundário
acabou crescendo mais do que vocês
imaginaram no início da história? Teve
algum? Que nas minhas histórias, por
exemplo, eu lancei meus livros da Mundo
Cristão agora,
e aí, no meu pro,
fiz o meu primeiro livro, O Menino Que
Queria Ser Deus. Comprem também. Depois
de comprar,
>> [risadas]
>> depois de ler O Valente, vai e compra o
meu, O Menino Que Queria Ser Deus. Mas
eu tô já, já tô preparando, quase
terminado o segundo livro, né? E no
segundo livro, que se passa todo numa
sala de aula, tô dentro da numa de aula,
basicamente. Tinha um personagem
secundário
que a única função narrativa dele era as
partes de exposição do professor não
ficar tão chatas, que tem um professor
falando lá do livro. E aí, eu "Puxa,
esse esse professor dando uma
palestrinha o tempo inteiro, o livro tá
virando uma aula aqui". Aí eu comecei a
colocar um aluno para meio que interagir
com o professor. E aí ele coloca uma
coisa, o professor meio que interro- que
fala, aí tem lá uns videozinhos deles
deles
se estranhando. Era só isso, ele só
tinha essa função narrativa, o pobre do
do Obadias, do meu livro.
E aí
E ele levanta umas coisas, aí quando eu
escrevi eu disse "Rapaz, esse negócio
aqui esse negócio aqui é legal". Eu fiz
um capítulo inteiro sobre o cabra
depois, entendeu? No livro. Então assim,
às vezes você você constrói um
personagem com uma função às vezes ali
dentro do fluxo narrativo, ele acaba
ganhando vida para mais do que você
imaginou. Teve algum personagem do das
histórias para vocês que teve um pouco
disso?
>> Na minha história os dois amigos, né?
Tanto o amigo do Arthur, que é o Léo, e
a Helen, que é amiga da Júlia, eles
cresceram muito na narrativa. Eu sempre
gosto muito de explorar a dinâmica do
protagonista com o amigo, né? Um amigo
que ou vai o encorajar a ser melhor ou
vai perturbar ele para ser pior de
alguma forma, né? Então nessa na
dinâmica desse conto os dois amigos ali
representaram uma figura muito
importante para movimentar a trama dos
dois personagens e trouxeram um pouco de
humor, de graça para o conto. Então
foram personagens assim que foram
crescendo mesmo. E o Léo, inclusive, tá
num ponto muito importante do final, né?
Então foram personagens que se
destacaram para mim.
>> Eu gostei bastante do VH, que é o Vitor
Hugo, né? Que inclusive é o nome do
autor da história.
Ele na Ele é um agárgola recém-chegada
pela Dina, né? Ele não tem na história
original, mas ele é muito engraçado. Eu
falei "Ah, acho que dá para aproveitar
ele". Como a Taísa também gosta de
trabalhar assim as amizades, né? E o que
é legal é que o Kevin, por exemplo, tem
uma visão assim já de namoro, de
relacionamento um pouquinho mais
bíblica. E o VH não, ele tá tentando
chamar atenção das meninas na escola,
então ele fala do tanquinho dele. Ele é
muito engraçado. Ele paga muito mico.
Ele paga muitos micos. Mas aí a outra
que eu gostei foi a Safira, e eu fiquei
um pouco triste porque eu não pude
explorá-la muito no conto, porque o
conto é do Kevin, né? Mas eu queria ter
explorado um pouco mais sobre o fato
dela também estar no mundo dos games
como uma garota. Eu acho que eu consegui
pincelar um pouquinho, mas eu queria ter
escrito um pouco mais sobre ela.
>> Inclusive tem uma coisa que as leitoras
sempre falam, né, nas avaliações. Ah,
queria que tivesse, que fosse maior, foi
muito rápido. Mas justamente por ser
quatro contos, né, a gente fica muito,
acaba ficando fechado. Então às vezes a
gente tem situações e personagens que a
gente gostaria de explorar muito mais e
é impossível, porque
se a gente escreve muito, depois o livro
fica muito grande, aí, né, é uma
cascata, não dá, né? Meu caso foi o o
Ricardo, né, que é Ricardo Leão, que ele
é inspirado no personagem da história de
Robin Hood, que é o Ricardo Coração de
Leão. Então no começo ele só, ele só ia
ser, eu não posso nem contar muito sobre
ele, porque senão vou dar um, é, spoiler
depois. Vai dar um spoiler.
Mas ele no começo era para ser só um
recurso da história e depois ele acabou
tomando um, um espaço e ele era um
personagem que eu gostaria muito de ter
tido mais oportunidade de trabalhar
nele, na relação dele com o Ronan, mas
não deu tempo, né? Mas a gente conseguiu
fazer o que dava no, dentro das palavras
que a gente tinha para fazer.
>> No meu caso é o missionário, né? Eu
tinha, eu tinha uma ideia ali do
missionário, porque o Alan ele vai para
esse projeto, é, no bairro dele, né? Tem
esse projeto lá desses missionários de
outro país. Nada baseado na minha vida
pessoal, de jeito nenhum. E,
>> [risadas]
>> com certeza não.
E
tem esse missionário que ele vai ser uma
figura muito importante, né? Você falou
sobre figuras de autoridade e e você
sempre vai encontrar isso nos livros da
coleção Corajosas, né? Do Ministério
Corajosas. E para mim, é, como eu
trabalhei como mentora por muitos anos,
realmente tem um, a gente fala, tem um
lugar doce no meu coração, eu traduzindo
do inglês, tem um lugar doce no meu
coração sobre mentores, né? E esse
missionário ele vai ser essa figura de
mentor pro Alan,
>> [música]
>> ele realmente precisa de, de, de um
homem de Deus com sabedoria que vai
mostrar e, e realmente questionar, né?
Só que,
diferente do que o, do que o Alan
espera, esse missionário ele é muito do
dia a dia, da vida mesmo, não, ele não,
não tem essa ideia
fechada e perfeita de Deus e, e, e
como o Alan tem alguns preconceitos, né?
Então, ele vai mostrar pro Alan que ele
é esse mentor e essa pessoa normal, mas
que ama Jesus e como é possível ser
assim sendo um homem seguindo a Deus,
né? É, ele realmente teve um papel muito
mais importante do que eu esperava no
início, eu já imaginava, né? Mas ele foi
uma figura, um personagem que ele
movimentou, ele moveu muito a história,
moveu muito o Alan pro objetivo da
história no final.
>> Que legal.
Quando vocês imaginam um menino
terminando a leitura de Valentes, o que
é que vocês gostariam que ele passasse a
acreditar, olha só, três coisas: sobre
Deus,
sobre si mesmo e sobre o tipo de homem
que ele pode se tornar?
>> Olha, eu acho que a gente gostaria que
ao terminar esse livro os meninos se
sentissem mais impelidos a conhecer a
Deus, sabe?
É, isso é uma coisa que a gente recebe
muito em relação a Corajosos, né? Ah, eu
terminei o livro, eu tive mais desejo de
ler a Bíblia, eu tive mais desejo de
conhecer sobre esse Deus, né? Então,
acho que o, o nosso objetivo ao escrever
essa, é, ficção cristã, é além de trazer
um entretenimento saudável, a gente
querer que através dessas histórias,
através ali, deles se colocando no lugar
do personagem, ele vendo assim, se, se
sentindo representado de alguma forma
através daquelas histórias, que no final
ele possa falar assim: "Poxa, eu quero
assim como o Alan, assim como o Ronan,
enfim, eu quero conhecer um pouco mais
desse Deus, eu quero me aproximar um
pouco mais de Deus, sabe?
>> É, e que eles descubram também quem eles
são no Senhor, né? Nós falamos muito de
identidade para meninas, né? É fácil
falar, mais fácil falar com as meninas
que elas são filhas amadas, que elas são
preciosas e reforçar uma identidade
bíblica nelas, mas por vezes os meninos
não ouvem, não escutam isso também.
Então, que de alguma forma o livro
mostre para eles o que Deus pensa a
respeito deles, né? Eles também foram
projetados pelo Senhor, que há um valor
neles, que Deus tem propósito para a
vida deles. Então, de alguma forma todos
os personagens se deparam com essas
verdades e nós esperamos que essas
verdades se entranhem nos corações dos
garotos também.
>> Então, a gente falou muito sobre
masculinidade bíblica, né? Sobre o
exemplo aí de Cristo como o homem, né? E
Deus, é, como exemplo para a nossa
geração. Não, não só essa geração, né?
Mas eu acho que essa geração em
específico, como tem muitas aí,
é, ideologias, né? Passando sobre como,
o que, o que é ser homem, né? O que é
feminilidade, masculinidade, é,
realmente pode gerar muita essa
confusão. E eu acredito que ao terminar
o livro, eu gostaria muito, né? Nós como
grupo também, que os meninos percebessem
que eles foram criados
com
propósito, né? Do jeito que eles são.
Eles não precisam estar numa caixinha,
como a gente falou, né? Sobre talento,
sobre, é, sobre desejos, sobre
onde eles querem se encaixar, né? Eles
podem ser quem eles são dentro da
masculinidade bíblica, dentro do que
Deus tem chamado eles para serem, para
se tornarem e não abandonar essa
identidade, né? Que a Thaís falou, de
realmente ser um seguidor de Cristo, mas
que eles podem ser eles mesmos também
dentro, eles podem ter os, ter os
talentos, eles podem se desenvolver
dentro daquilo que
o Senhor já chamou eles para serem como
homens de Deus.
>> Que eles se sintam encorajados, né? A
viver uma vida de fé, uma vida sendo
diferente mesmo, porque o cristão ele é
diferente, né? E um dos maiores desafios
para o garoto adolescente é é ser
diferença entre os amigos. Eu creio que
esse é um dos principais coisas, né?
Então eu quero que ele seja encorajado a
ser valente por Cristo, né? Essa
ter coragem de assumir o papel dele como
cristão aonde quer que ele vá.
>> Valente. Gente, quem quiser conhecer
Valentes, vai ter um link aí na
descrição e no comentário fixado ou no
QR Code que vai estar aí na tela para
vocês aproveitarem esse excelente
material livre. Meninas, muito obrigado
pelo tempo de vocês. Que alegria.
>> Obrigada.
>> E as redes sociais de todas estarão aí
na
descrição.
Valeu, pessoal. Um abraço e um cheiro no
cangote de todo mundo.
Tchau, tchau.
>> Obrigada, gente.
Tchau.

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