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A fé vem pelo ouvir

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 20 | Congregação Cristã do Brasil | Luiz Sayão

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 20 | Congregação Cristã do Brasil | Luiz Sayão

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Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 20: Congregação Cristã do Brasil
Luiz Sayão

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>> Olá, muito boa noite. Bem-vindos todos
aí ao nosso Macários, continuando o
nosso
curso aí falando das diversas tradições
na cristandade,
entendendo, né, aí tantos movimentos,
teologias,
construções históricas daquilo que marca
os diversos grupos da cristandade.
Então, estamos aí começando, né, a nossa
aula de hoje. Você mais do que bem-vindo
e pode divulgar aí para os amigos, né?
Paz para todos, paz de Deus. Já tem
gente de São Paulo, gente,
gente que tá aí sintonizado conosco, né?
Então, hoje nós estamos falando, né, de
diversos grupos, teologias, eh, na
história e hoje falaremos sobre a
congregação cristã no Brasil, né, uma
tradição eh de igreja peculiar diferente
e que faz parte da sua da construção ah
do mundo evangélico e mundo pentecostal.
brasileiro. E para começar a falar sobre
isso, bom, você já sabe muito bem, né? a
gente tem o nosso primeiro momento aqui
da nossa aula, da nossa reflexão e
depois eh vocês vão poder fazer as suas
perguntas, as suas questões. Então, pra
gente entender o que vem a ser, né,
aquilo que se define como a congregação
cristã no Brasil, a gente começa lá
atrás com [roncando] eh duas influências
importantes que vão marcar a vida do
fundador, né, Luig Francescon, né, um
senhor eh nascido no norte da Itália, eh
e que é o fundador não só da Congregação
Cristã, mas também eh de outras outras
comunidades de fé e fora do Brasil. Mas
o que que acontece, né? Talvez nem todo
mundo eh tenha conhecimento.
A gente tem no ambiente europeu, ainda
na Idade Média, vários movimentos que
são movimentos pré-reforma. E um dos
movimentos muito interessantes é o
movimento dos valdenses, iniciado por um
eh homem chamado Pedro Valdo, né, que na
região ali noroeste da Itália, ah, ele
eh iniciou, né, uma proposta de
questionar o poder eclesiástico
centralizado da Idade Média. ele partiu
paraa ideia da eh se voltar paraa
Bíblia, paraa pregação do texto bíblico
e também para uma defesa de um estilo de
vida muito simples, né? E quando a gente
vê a vida do Luig Francescon e ele teve
muita influência eh dos valdenses, né?
Isso eh eu vou já entrar um pouco na
história da vida dele, porque ele nasce
no norte da Itália. Ah, mas ele acaba,
né, isso no século XIX ainda, mas ele
acaba depois vivendo um bom tempo eh na
Hungria, né? Ele depois ele migra aí
quando ele tinha mais ou menos uns 20 e
poucos anos pros Estados Unidos, vai
viver na região de Chicago. E o contato
dele, né, a conversão dele envolve muito
essa conexão com os valdenses. E aí
algumas coisas que marcam assim o jeito
de ser da Congregação Cristã eh tem a
ver com essa influência.
na vida do Luigi Francisco. E claro, né,
ele também teve muita conexão com
igrejas presbiterianas. Então, claro, dá
para entender, ele teve uma influência
também da teologia calvinista, né? Toda
essa ideia eh de ênfase na soberania
divina, a ideia que as coisas eh estão
definidas por Deus, que a pessoa ela é
chamada e assim ela vai ah acabar
chegando onde Deus deseja, né? Então,
essas são, digamos assim, influências
históricas e doutrinárias e práticas que
marcaram a vida dele. Agora, como a
gente sabe, em congregação cristã no
Brasil, né, no Brasil não tem assim
movimento valdense, né, existe talvez um
grupo um pouquinho mais expressivo na
América do Sul, no Uruguai, né, mas aqui
a gente não tem muito isso. É pouco, né,
muito pouco. Mas
a igreja, a Congregação Cristã no Brasil
é reconhecidamente parte do
pentecostalismo
clássico. E vamos nos lembrar, né,
porque a gente precisa compreender isso,
né? Ah, o Franciscon, né, ele teve
também a influência do movimento da rua
Zusa, lembrem-se, um pentecostalismo
contemporâneo, né, ele ganha assim os
seus contornos nos Estados Unidos,
começando com o movimento do Charles
Barham, né, e tendo um impacto muito
grande com o William Seor. E esse
movimento de Los Angeles, da rua Azusa
também vai ser uma influência
fundamental que vai atingir
a vida do Luig Francescon e vai moldar
também aquilo que ele vai eh se tornar
na sua eh caminhada de fé. E aí, pra
gente compreender bem esse cenário, que
que a gente eh precisa observar aí? Quem
é Luid Francescon?
Ele é um missionário ítaloamericano,
né? Ele juntamente com a sua esposa
Rosina eh vão marcar o início da
congregação cristã no Brasil. E como eu
mencionei, né, ele tem um um história de
uma vida em dificuldade, necessidade.
Ele sai do norte da Itália, ele vai
passar um bom tempo na Hungria, como eu
mencionei, né? E lá ele trabalha.
interessante que historicamente ele
desenvolveu muito ah o seu trabalho com
mosaicos, né? Essa questão de trabalhar
com pisos, com decoração, né? Era,
digamos assim, a sua especialidade, né?
Eh,
então, como tava acontecendo, né, nesse
cenário,
eh, aí no final do século XIX, ele acaba
eh indo, né, começo, final do 19, começo
do 20, ele vai aí pros Estados Unidos,
né, e vai se fixar lá. E é importante
paraa gente entender, né, que inclusive
assim, quando a gente fala que ele tá na
Itália, né, quando ele nasce nem tem
propriamente Itália, né, ele falava até
um dialeto do Nordeste da Itália, que
nem é o italiano, vamos dizer,
eh, o que se tornou depois o italiano
oficial, né, o italiano comum. Ele vem
aprender isso posteriormente, né, o que
vai se tornar língua franca. Lembrando
que a Itália só é unificada aí em 1870,
né, na época de Garibaldi, né? Então nós
temos eh ele então indo, né, para a a os
Estados Unidos e a partir de Chicago é
que ele tem eh a convicção de que ele
deveria levar o evangelho pra América do
Sul. Uma coisa muito interessante, né,
que o o trabalho do do ID Francescon vai
ter um grande impacto, né, nem todo
mundo sabe disso, formando uma igreja,
né, na sua vinda paraa América do Sul na
Argentina, uma igreja chamada Assembleia
Cristiana.
ele vai ter um impacto lá nos Estados
Unidos também e também eh ele vai ter eh
o impacto no contexto italiano, né? Ele
vai ter um impacto na Itália, né? E aí a
depois, né, desse momento de visita ali
à Argentina, ele vem pro Brasil. E o que
que acontece, né? o Brasil e como também
a Argentina, Uruguai e o Chile era um
ambiente de muita eh migração italiana,
né? Então nós tivemos aí
dezenas, centenas de milhares de
italianos que migraram, né, nesse
período. E ele faz parte desse desse
ambiente, desse cenário. E por que que
isso é importante? Porque quando ele
vem, por exemplo, pra Argentina e pro
Brasil, e ele vai eh ficar
especificamente com maior atenção em no
Paraná e em São Paulo, ah, você tem aí
uma grande comunidade eh italiana e ele
sendo um ítalo americano, ele vai atuar
e particularmente nesse ambiente. Nem
todo mundo sabe, né? Mas eh eles vão eh
eh eh o italiano se torna, né, uma
língua do início da congregação cristã
no Brasil. Então, como nós mencionamos
aí, você tem, né, ele faz parte do
pentecostalismo clássico,
esse íalo americano com base valdense e
calvinista e vem para São Paulo para uma
cidade no interior do Paraná, Santo
Antônio da Platina, que vai ser o marco
marco da história ah do pentecostalismo
no Brasil e da história ah da
Congregação cristã no Brasil, né? Ela é
fundada em 1910,
um pouco antes das Assembleias de Deus,
que são fundadas eh por, né, imigrantes
suecos que também estavam nos Estados
Unidos, Gunarvinger e Danielberg,
enquanto francês convém para o Sudeste,
né, e Sul, São Paulo e Paraná, os suecos
foram atuar no norte do Brasil, em Belém
do Pará, né, e ali surge uma divisão no
ambiente ambiente de Igreja Batista e
nasce aí as Assembleias de Deus, né? E
aí prosseguindo, olha só que coisa
interessante, nós temos uma memória
histórica muito significativa da CCB,
que você pode observar aí, né? Uma
referência
aí de Santo Antônio da Platina. a a
foto, né, eh, é preservada essa foto,
ela como vê a data de 1900 e 55 do dia 5
6 5 de junho, né, mas ela é uma
referência, um pequeno, né, templo, se é
que a gente pode chamar, é um templo
muito pequeno, limitado, com a
referência ao chamado senhor Felício
Antônio Mascaro, que é, né, o primeiro
aí chamado eh crente batizado da
Congregação Cristã do Brasil. Então,
pessoal, isso é muito interessante
porque nós vamos ver, né, a Congregação
Cristã hoje é um uma comunidade de fé
com cerca de 2 milhões e meio de
pessoas. É difícil assim precisar com
exatidão, mas é algo mais ou menos em
torno disso, né? E a congregação então
começa aí hoje já com 116 anos de
história, mas começa de uma maneira
muito eh eh limitada, muito pequena,
muito simples, né? E aí eh a gente pode
ter algumas referências assim
interessantes, né? Aí que marca, apesar
de eu ter começado, né?
ali no Paraná e ter se desenvolvido,
particularmente crescendo a princípio,
eh em comunidades de origem italiana.
Ela vai ter em breve, né, a sua presença
marcada no bairro do Brás, em São Paulo.
Acho que quem conhece a região de São
Paulo sabe que é a região do BRZ e na
Moca, né? Inclusive onde tava ali a
hospedaria dos antigos imigrantes, né?
era um lugar de alta concentração de
migrantes italianos, né? E, portanto,
vai florescer, né? Houve um certo
contato com presbiterianos no início,
até que a congregação vai caminhar pelo
sua própria jornada. Aí você tem uma
foto ah bastante eh nítida daquilo que é
a coisa lá do do que nós temos do da
igreja no BRAS, né, que é uma igreja
assim emblemática, uma sede, né? E aí do
lado você vai ver que é uma das
peculiaridades, é um elemento assim
distinto, diferente que a gente encontra
eh na congregação, que é a reunião de
mulheres, como a gente pode ver todas
usando véu, que é uma característica
própria da congregação cristã. Mas vamos
aqui um pouquinho mais para frente pra
gente tentar entender eh o que que a
gente observa na congregação cristã.
Então, existe muita gente que faz a
seguinte pergunta, né? Como a
congregação cristã no Brasil é uma
comunidade muito diferente e e ela tem
as suas peculiaridades, então, em que
medida ela pode ser considerada um
movimento evangélico como os outros, né?
As pessoas mais tolerantes vão dizer:
"Não, a congregação é apenas uma
denominação diferente, né?"
Já outras pessoas de perfil mais crítico
vão dizer: "Não, olha, como ela não se
encaixa num perfil doutrinário
minimamente razoável, quer dizer que ela
deve ser vista como como muita gente
prefere dizer, como sea, né? Então, o
que que a gente pode falar da maneira de
ser da congregação cristã no Brasil?" Em
primeiro lugar, como qualquer eh igreja
evangélica, se você falar com qualquer
pessoa da congregação cristã, tanto do
ponto de vista da liderança como membro
comum, eles vão dizer: "Não, a Bíblia é
palavra de Deus. A Bíblia é a única
referência. a congregação não tem outro
livro, não tem outra outra qualquer
fonte de eh autoridade para dizer o que
deve ser eh considerado eh caminho da
comunidade de fé. Então, a Bíblia e
claro, qualquer pessoa da congregação
vai dizer também que nós somos salvos
por Cristo, né? Cristo Jesus morreu na
cruz para nos perdoar e nos salvar.
Então, muitas pessoas convertidas na
congregação cristã vão dizer: "Olha, eu
vivia sem Deus, eu tava no mundo, eu
tava perdido e então Deus me chamou, eu
fui e recebi a Cristo." Então, a
congregação pratica Santa Ceia, a
congregação pratica batismo, né? E ela,
então, nesses elementos, ela assim é
muito claramente semelhante à maioria
das comunidades evangélicas. né? E
claro, como uma igreja que surge com uma
proposta pentecostal,
e nesse caso é o que a gente chama de
pentecostalismo
eh tradicional, o pentecostalismo
primeiro, né? A semelhança do que você
vê também nas Assembleias de Deus, que
são as igrejas do que a gente chama de
pentecostalismo clássico, né? Ela
acredita numa experiência
peculiar e diferenciada com o Espírito
Santo, né? As maior parte das igrejas,
os pentecostais chamam isso de batismo
no espírito, batismo do espírito. E na
congregação se usa muito a terminologia
da pessoa buscar promessa. E
consequentemente são importantes e são
valorizados nesse ambiente a
manifestação de dons de línguas e de
profecias, né? Inclusive aí começa a ver
um um perfil muito diferenciado e e e
peculiar que existe na congregação
cristã. Você não vai, né? Quem tá
acostumado, por exemplo, numa comunidade
metodista, igreja presbiteriana, uma
igreja batista ou luterana, ah, você não
vai ver alguém abrir um texto bíblico e
fazer uma pregação como uma exposição do
texto. a ideia que existe na congregação
cristã e por isso os estudiosos do
assunto, né, um grande estudioso suíço
que estudou muito sobre a a congregação
chamado Walter Hollener, né, ele e
outros vão dizer que é o que a gente
chama de uma expressão de fé, de perfil
oral. Por quê? Porque não tem livros,
não tem uns elementos de estrutura
teológica. A pessoa quando vai pregar,
ela entende eh que naquele momento tá
tendo uma direção
particular, específica do Espírito
Santo. Então, a pessoa abre a Bíblia e
fala de uma maneira eh entendendo que
aquela palavra tem um perfil inspirativo
diferenciado.
E consequentemente quem tá ali
participando, ouvindo, recebe isso
também. e recebe como uma diretriz
assim muito delineada da parte de Deus
para as pessoas, para a vida da pessoa.
Então, não é uma pregação do tipo de
ensino, não é exatamente uma coisa que é
compreendida, por exemplo, em outros
cenários. É algo diferente aqui, como
cada culto você tivesse de fato uma
revelação direta do Espírito Santo com
uma conexão de algum tipo com texto
bíblico.
Então o que que acontece no contexto da
congregação cristã? Nós temos uma
proposta de fé sem teologia formal e
acadêmica. Então você não tem na
Congregação Cristã do Brasil, no Brasil,
hã, você não tem um seminário, né, onde
as pessoas vão estudar para, eh, se
tornarem líderes. Você não tem uma
publicação de um material eh teológico.
A ideia é que a experiência de fé é a
diretriz fundamental que organiza a vida
de todas as [limpando a garganta]
pessoas, né? Inclusive, esse é um
desafio que a própria congregação
enfrenta nos tempos recentes. Por quê?
Porque no passado, quando a igreja
surge, quando ela começa a se expandir,
a vasta maioria, né, do contexto
brasileiro era de pessoas com pouca
formação eh educacional, né? boa parte
do nosso país tinha pouca eh base de
estudo e realmente não tinha assim eh
exigências propriamente dita eh ditas de
alguém que trouxesse alguma coisa como
uma explicação mais racional da
realidade, inclusive da fé. Hoje o
cenário é muito diferente. Então tem
pessoas, por exemplo, desse ambiente que
começam a ver, pera aí, mas e como é que
eu entendo isso? Será que essa
explicação tá correta? Até porque a
pessoa tem muita coisa à sua disposição
e muita gente tem ah inclusive eh
formação em outras áreas e acaba
refletindo sobre isso, né? Essa proposta
é interessante que ela manteve
uma certa unidade muito interessante na
congregação. A maior parte dos templos
da congregação são muito similares. Há
uma espécie de unidade da maneira de
executar o culto. ser diferente de
alguns grupos, né, por exemplo, em que
você vai e você vai em cada igreja
parece que tem um perfil daquela
comunidade específica. A a congregação
mantém um perfil muito mais similar as
diversas eh congregações espalhadas pelo
Brasil e hoje por outros países também.
Uma coisa que tem levado muitas pessoas
a olharem, né, de maneira mais crítica
paraa congregação cristã, a ideia mais
exclusivista em relação a outros grupos.
Então, quando você fala do ambiente
denominacional,
não é difícil, né, você vê, eh, por
exemplo, ah, não, aqui tem um um pastor
de uma igreja presbiteriana, aí ele
pregou na igreja batista, o pastor da
igreja batista pregou na igreja
metodista. ao metodista pregou numa
Assembleia de Deus, assim, essa essa
questão denominacional, né, apesar de
ter contornos definidos, ela ela atua,
né, de uma maneira a considerar essa
relação de proximidade e de fraternidade
entre os diversos grupos. Já não
acontece isso com a congregação.
Muito improvável que uma pessoa de fora
da congregação vai ser convocada ou
chamado, recebida na congregação cristã
para dar uma palestra, para fazer
qualquer coisa ou trazer uma pregação. E
da mesma maneira também eles não não
entram em outros ambientes, não não tem
uma relação de proximidade
ah com outras comunidades. Exatamente.
função desse perfil é que muita gente,
além de questões doutrinárias assim
apresentadas, mas especialmente por
conta disso, muita gente diz: "Olha, nós
não achamos que a congregação seja
exatamente uma denominação, porque ela é
excessivamente separatista".
Ah, uma coisa que chama a atenção e
provavelmente isso acontece pela herança
valdense do Luís de Francescon.
Diferente da maioria dos grupos
evangélicos
da cristandade e particularmente
[limpando a garganta]
do ambiente evangélico, a congregação,
por exemplo, não tem pastores, ela tem o
que ela chama de anciãos, até por causa
também de usar a versão da Bíblia
corrigida antiga, né? Então, os líderes
são anciãos, mas eles eh a os
ministérios e as lideranças são sempre
voluntários. O que quer dizer? é que
ninguém recebe salário, ninguém recebe
nada pela sua atividade religiosa. ao
mesmo tempo, como essas pessoas que se
dedicam, né, esses homens que se dedicam
ao ministério, não são eh levados a,
como acontece, por exemplo, com pastores
que têm que fazer tantos anos de
teologia, que estudar e e ter aquilo
como realmente a base,
inclusive eh do seu sustento. Ah, os
anciãos são pessoas que têm outras
atividades e eles fazem tudo, né?
sem qualquer remuneração. Acho que até
mesmo essa influência de uma vida muito
simples, do elogio, de uma atitude de
simplicidade elevada que vinha da, né,
influência valdense, marcou eh bastante
a realidade da congregação cristã.
muito provavelmente eh além da
congregação ter mantido, né, coisas que
eram mais comuns no passado e e que
foram desaparecendo da sociedade, mas
muito provavelmente também pel uma
influência cultural italiana antiga,
existe todo um perfil de separação de
homens e mulheres dentro ah do espaço de
culto, né? Então você tem um lugar, os
homens sentam junto com os homens e as
mulheres com as mulheres. Então não
existe essa coisa de sentar todo mundo
junto, não existe uma separação. E uma
coisa que existe em algumas tradições,
né? Por exemplo, alguns das igrejas dos
irmãos e outras comunidades menores
tinham isso, mas na congregação as
mulheres sempre cultuam de véu. O véu
faz parte, né? Eh, a leitura de Primeiro
Coríntios 11 é uma leitura feita de modo
a entender que é bastante significativo
e importante fazer isso. Então, é um
costume da igreja. Então, quem vai para
uma congregação cristã vai ver as
mulheres todas eh de vé, né, como uma
atitude respeitosa, uma atitude
apropriada para um contexto de culto. E
uma coisa que também pode surpreender,
que é chamado no ambiente da
congregação, chamado ósculo santo, que é
beijo santo.
Ah, se você for conversar com qualquer
pessoa da congregação, ele vai dizer:
"Não, olha, isso tá na Bíblia. Vocês
devem se saudar, cumprimentar um ao
outro comculo, com beijo santo." E é
verdade.
Mas o fato do Luí Francês com ser
italiano, isso e fez toda a diferença,
porque na Bíblia você também tem que a
gente deve lavar os pés uns dos outros,
né? Mas a questão, assim como pro
brasileiro, é bastante razoável
cumprimentar o outro com beijo. Já um
japonês, um alemão, não tem esse
costume. Ah, no contexto italiano, isso
é muito comum. A diferença é que no
contexto da fraternidade, os homens se
cumprimentam uns aos outros com o
chamado ósculo santo, beijo santo e as
mulheres também, né? Mas isso então é
uma prática comum e muito recomendada.
Talvez o que vai chamar a atenção sendo
uma igreja mais do que centenária,
uma igreja com uma expressão
significativa, inclusive com templos em
diversos países, né, com só no Brasil
com cerca de 2 milhões e meios de
membros. O que você não vai encontrar é
um programa de rádio da Congregação
Cristã. Você não vai ver um programa de
televisão da Congregação Cristã. Você
não vai ver gente na rua, nas praças,
fazendo
a o uso de qualquer tipo de propaganda
ou de divulgação da mensagem ou de
qualquer tipo de mídia para fazer isso.
Hoje você vai encontrar coisa no no
canal do YouTube para mas que são coisas
assim internas, você não tem a ideia. E
aí é uma coisa interessante que me
parece bastante
a influência de perfil calvinista
a usada de maneira ampliada, né? Ou qual
que é a ideia? O que se entende na
congregação que está que se a pessoa ela
é chamada por Deus, mais cedo ou mais
tarde ela vai chegar lá. Então, a
compreensão é que não precisa, não é
necessário
ficar por aí anunciando, pregando,
proclamando, fazendo, né, toda essa
divulgação, algum tipo de propaganda
religiosa.
Então eles são muito comedidos,
discretos, entendendo que se chegar o
momento da pessoa, ela vai acabar ah
chegando lá, porque e se entende como
uma pessoa chamada, uma pessoa
escolhida, né, que vai acabar ah tendo a
oportunidade de ouvir a palavra divina,
né? E também, como a gente pode,
observar, né, não é só a questão do véu,
mas existe todo um perfil bastante
conservador em termos de vestimentas,
né? Se aconselha e se entende que a
modéstia é fundamental. Então, as
mulheres geralmente se vestem de uma
maneira muito modesta e recatada.
Eh, tem cabelos compridos, que é
recomendado como uma forma de adequação
ao que é eh considerado razoável. Ah, e
os homens também, quando você vai, eles
estão bem vestidos. Você não vai
encontrar ali homens que são da igreja à
vontade, mas geralmente vestidos com
camisa social, com palitó, com e até
mesmo com palitó e gravata, né? E uma
coisa muito interessante é que a
congregação cristã tem todo um apreço
diferenciado
ah para a área musical. Eles têm até um
inário próprio, né? Eh, peculiar, né?
que muitos desses hinos são semelhantes
aos hinos conhecidos por outras eh
igrejas evangélicas históricas. Às vezes
tem uma letra um pouco diferente,
mas são hinos
eh que
são apenas, né, só permitidos
instrumentos de corda e instrumentos de
sopro. Você não vai ver, né,
instrumentos de percussão, não vai ter
bateria ou coisa semelhante. é um estilo
de mais tradicional. E é curioso porque
como isso é muito valorizado no ambiente
da igreja, você tem muitas orquestras e,
aliás, muitos músicos, né, que tocam
hoje em orquestras de músicas chamadas
de clássica ou eruditas, eh, são eh, de
origem da congregação, eh, cristã no
Brasil. Então aí a gente, né, acaba
tendo esse resumo interessante
de o que que a gente pode ver da
congregação.
Ah, falando um pouco mais sobre isso,
como é que a gente entende então a
congregação e que tipo de apreciação a
gente pode observar? Então, vamos lá.
[roncando]
Ah, é, é, é importante quando a gente
entende qualquer comunidade de fé, a
gente entender, né, o ambiente
histórico, o ambiente de formação, né, o
seu fundador e o perfil peculiar. Por
que que a gente vê certas igrejas e
comunidades que são tão diferentes umas
das outras? Às vezes é fácil você
entender pela explicação da teologia.
Então, nós temos um grupo de pessoas que
pensam teologicamente diferente da outra
e aí eles as convicções são distintas,
as declarações de fé são outras, eles se
separam e se tornam grupos diferentes.
Mas, eh, a maioria das igrejas
evangélicas, como nós as conhecemos,
talvez elas sejam diferentes por conta
da época em que surgiram, mas elas são
de influência cultural. predominante
ah do mundo anglo-saxão, com um toque às
vezes de influência germânica. Então
você tem, né, por exemplo, a igreja
luterana e até a igreja menonita e
outros grupos menores desse perfil, eh,
que são, né, de de influência cultural
germânica.
Ahã. Mas eh a maioria das igrejas, se
for ver a história dos batistas
presbiterianos, metodistas, né, e até
muitos grupos pentecostais, a influência
direta eh anglo-americana, né?
missionários ingleses, galeses,
escoceses, norte-americanos, às vezes
canadenses. Então elas têm esse pano de
fundo. A congregação cristã é diferente
porque ela vem de alguém de pano de
fundo de cultura italiana.
E como também é uma igreja
ah pentecostal,
ela não se constrói em cima eh de uma
realidade que a gente pode chamar
propriamente
teológica,
sistemática. É uma comunidade que se
desenvolve
a partir de uma experiência de fé
intensa, né? Mesmo quando você estuda a
história da Assembleia de Deus, ela tem
uma certa similaridade. A Assembleia de
Deus, no início, ela não tinha interesse
em que seus obreiros viessem a estudar,
a se aprofundar no estudo bíblico ou
fazer teologia. Isso não era uma ideia
bem-vinda, né? Existia aquela aquela
sugestão de que talvez esse estudo
pudesse ser visto como a letra mata, né?
Então, a congregação cristã, ela surge
de maneira semelhante. A assembleia,
depois de algumas décadas mudou de
cenário, mas também é uma mudança que é
mais recente. Podemos dizer que a
assembleia nos últimos 40, 50 anos é que
entrou numa maneira diferente de
entender essa questão. A congregação
cristã, ela não fez eh essa mudança. Ela
permanece como uma comunidade religiosa
que entende que a experiência
profunda e a sinceridade, a dedicação
dos irmãos é suficiente para
salvaguardar uma boa caminhada de fé.
Então, o que que a gente diz? Ah, eu não
entendo que essa maneira da congregação
cristã é suficiente para salvaguardar
uma boa fé. Por quê? Porque nós temos eh
muita coisa, né, que acontece
no cenário das ideias, no cenário do
ensinamento, da doutrina. Como é que
você entende ou Jesus ou como é que você
vai entender o que é a Bíblia, né? todo
o caminho da tradição da reforma e
evangélica,
eh, ela tem essa proposta de explicar
isso adequadamente. Se a gente fica com
uma expressão de fé que é
fundamentalmente
eh, mais, né, determinada pela
experiência, a gente corre o risco de se
confundir eh teologicamente.
H, além disso, eh, toda vez que a gente,
eh, tiver, né, essa, essa sugestão de
que a nossa vida deve ser dirigida
preponderantemente
ah por revelação ou por profecia, por
uma direção de Deus, não quer dizer que
isso não existe, que isso seja
impossível,
mas eh isso pode, né, trazer
dificuldades e não não é uma dificuldade
específica da congregação
eh cristã.
Eh, é uma dificuldade que todo mundo que
entende que esse tipo de direção é
suficiente para garantir uma boa
caminhada de fé. Por quê? Porque você
vai ter situações onde essas profecias
nem sempre se verificam. a gente vai ter
pessoas que podem eh dar lugar ao seu
coração em vez de algo que tenha
inspiração divina, a gente fica numa
situação mais difícil. E finalmente,
ah, a gente tem esse cenário, né, que
pensando, né, em duas, três gerações
atrás, a gente tinha um nível de
pergunta, de questionamento, de dúvida
sobre a fé, que hoje é diferente, né?
Então, se a gente não tiver o
embasamento histórico, não tiver um
conhecimento mais concreto e objetivo da
Bíblia, se a gente não conseguir e lidar
com questões nesse mundo, às vezes tão
reativo à fé cristã, tão eh vamos dizer,
marcado por secularismo e até mesmo por
outras formas de misticismo,
é mais difícil que a gente consiga
trazer respostas, inclusive aos mais
jovens das nossas próprias comunidades
de fé e que eles eh possam receber
respostas satisfatórias. Então, é uma
questão para se pensar. E muita gente me
pergunta direto: "Ah, saiu, mas me diz
aí, a congregação é seita ou não é?" Eu
não acho que esse tipo de argumentação é
muito útil. Por quê? Porque se se eu
fosse passar um pente fino, mesmo, bem
detalhado, a partir do cristianismo
primitivo, com toda a sinceridade, eu
não sei quais movimentos sobrariam, né,
em função da do seu do seu testemunho
histórico
em função da sua idoneidade eh teológica
doutrinária eh em função da sua
obediência.
a Jesus de manter a unidade da fé e o
amor em relação aos irmãos e em função
até mesmo de critérios éticos, né?
Então, se a gente for fazer isso, então
é muito fácil para grupos que não
conhecem a história e a realidade dos
outros dizer: "Olha, esse aí
praticamente não é cristão. Isso aí nem
é isso, nem aquilo". No meu
entendimento, a congregação cristã, em
grande parte ela compartilha de uma
realidade que faz parte do universo
evangélico da fé. Ela tem dificuldades,
na minha opinião, ela tá indo num
caminho de amadurecimento. Eu imagino
que na congregação haja pessoas de fato
que são muito ligadas a uma visão
exageradamente mística da fé cristã ou
até mesmoista,
mas tem muita gente sincera,
crente, convertida, que teve experiência
com Deus e tá numa caminhada de
crescimento e de aprendizagem. Então,
embora a gente tenha de fato diferenças
fundamentais em questões teológicas,
doutrinárias, eclesiásticas, o meu
entendimento é que a gente deve ter uma
atitude pedindo que Deus abençoe a
congregação cristã, abençoe outros
grupos que às vezes entram por caminhos
que logo vão se mostrar nada promissores
e que essa caminhada
ajude a gente a caminhar numa fé mais
equilibrada em todos os aspectos, né, de
teologia sadia, de vida, de busca de
Deus, de sinceridade
na nossa caminhada com Jesus e de uma
vida que de fato venha trazer luz do
evangelho para as pessoas que precisam
da graça de Deus e da salvação em Cristo
Jesus. Então, diante disso, a gente abre
eh aqui eh um espaço agora para que a
gente venha fazer as nossas perguntas,
os nossos comentários, né? E podemos
aqui conversar sobre isso. Agradecemos
de coração tantas pessoas que estão
conosco e aqui muita gente. Graça e paz.
Paz, shalom, buenas noites, né? E temos
gente, inclusive, né? A paz do Senhor, o
Marcos Xavier a todos os pentecostais, a
paz de Deus a todos da congregação, né?
Obrigado pela aula esclarecedora. Cátia
Pereira, Sara Lucena também. Ah, Marcos
agradece pela aula. Lucas manda: "Paz de
Deus, sou da CCB e aqui em casa gostamos
de acompanhar o irmão Saião. Muito
obrigado, aprender muito, né?
H, vamos aí. Aqui temos uma primeira
pergunta propriamente, você mande aí sua
pergunta ou seu comentário, né? Marcos
Xavier pergunta: "Alguns membros da CCD
chamam os membros de outras igrejas de
primos e não de irmãos. Os irmãos não
são apenas que pertencem a a CCB. Essa
atitude exclusiva não representa uma
seita." Olha, Marcos, uma coisa é
interessante, deixa eu contar para você.
Não faz muito tempo, né, eu encontrei um
material
da década de 30. E esse material da
década de 30, ele ele tinha
o uma discussão de duas denominações
históricas tradicionais do Brasil, né? E
e a conversa lá era chamando o outro
assim das piores,
vamos dizer, designações possíveis,
dizendo realmente esse pessoal nem é
cristão de verdade, né? Eu me lembro
ainda que a gente brincava, né? Anos
atrás, quando falava de batista,
presbiteriano, metodista, o pessoal
falava: "Olha, o fulano ali, ele é meu
primo, né?" Até eu me lembro que alguém
brincou um dia, né? Porque um falou
assim: "Ah, esse aí, esse aí é irmão,
não, esse aí é primo, né? É um batista
falando de um outro, né?" Aí o sujeito
respondeu: "Prio, porque Deus é teu tio
por acaso, né?" Então veja, eh, hoje e
muita gente na congregação cristã eles,
eh, chamam os outros do de irmãos.
Inclusive aqui mesmo a gente tem isso,
né? Eh, pessoas, eu conheço, eu tenho
contato, amizade com pessoas da
congregação, eles me tratam
respeitosamente, me chamam de irmão, né?
Ah, agora, claro, tem gente, e a
congregação, nesse sentido, ela tem um
perfil historicamente mais exclusivista,
mas eu entendo que isso tem mudado nos
últimos anos, né? E então, ah, às vezes
o exclusivismo ele é fatal no sentido de
dizer, ó, fora do meu grupo, tudo que tá
fora daqui, ele não tem nada a ver com
Deus. Às vezes você tem um exclusivismo
menos eh grave no sentido que o outro
diz: "Não, eu sou apenas um alguém mais
fiel, alguém mais dedicado, mas não quer
dizer que ele diz que o outro não é
cristão de jeito nenhum. Quando um grupo
entende que todos os outros fora do seu
grupo estão totalmente rejeitados por
Deus, aí acho que a gente pode entender
que é uma seita no sentido pleno do
tempo".
A Andressa, ela diz o seguinte: "Como
interpretar a questão de um chamado
missional? Geralmente no meio Nelu é
instruído sempre uma experiência
espiritual específica ou de profecia
para uma pessoa. Deveria ser uma decisão
mais racional. Pois é, Andressa, é o
seguinte, não entendo que a gente possa
padronizar
as maneiras como Deus usa uma pessoa.
Você vai ver a história de Samuel, ele é
chamado desde criança para tá servindo
diante de Deus lá no no tabernáculo de
Siló, né? Você vai ver Paulo, a
experiência do chamado dele é muito
diferente, né? você vai encontrar
situações muito variadas, né?
Interessante que o Novo Testamento diz,
se alguém deseja
ser epíscopos, né, ser líder da igreja,
ser bispo, ele está desejando
obra muito importante, muito boa,
excelente.
Então, assim, eu conheço pessoas que
tiveram, que a gente pode chamar assim,
de uma dedicação a Deus de perfil mais
racional. Eles tiveram a convicção de
que deveriam entregar a vida no serviço
de Deus, foram se preparar para isso e
se dedicaram a isso, né? não tiveram uma
experiência fantasmagórica
assim milagrosa, não tiveram nenhum
sonho, nenhuma visão, nenhuma voz
audiva. E eu conheço pessoas que eh
também eh tiveram experiências desse
tipo. Então, assim, eu não acho que é a
forma eh que a gente deve considerar,
mas a autenticidade dos frutos da vida.
da pessoa que atua. Eu conheço gente de
maneira muito
profundamente,
vamos dizer assim, extraordinária e
gente de uma situação puramente simples
e comum e os dois dando fruto pro reino
de Deus de uma maneira especial.
Marcos Xavier pergunta: "Professor, na
CCB as mulheres não pregam a palavra de
Deus? Aliás, vejo apenas em alguns
grupos pentecostais as mulheres, afinal
o pastorado
feminino é bíblico. Bom, isso aí exige
aqui um um curso de 3s meses, né? Existe
um artigo que eu escrevi, se você
quiser, se você procurar no Google aí,
pastores, nem pastoras Luís Saião, você
vai encontrar um um artigo detalhado,
né? O que que a gente pode dizer sobre
isso?
Ah, essa questão de pastorado, primeiro
lugar, a gente precisaria tentar
entender o que que a gente compreende
sobre pastor. Muitas pessoas entendem o
pastor como alguém que especialmente tá
numa situação
eh de posição hierárquica acima dos
outros. E esse esse tipo de mentalidade
clericalista, essa ideia assim de
domínio, né? é muito forte, mas não é o
ensino do Novo Testamento. As
comunidades cristãs do Novo Testamento
eram muito simples, aliás, reuniam em
casas, né? E e o estilo de liderança de
Jesus é é de serviço. Então é verdade
que quem conduzia a igreja de Cristo,
né, quem tava na posição de pastor ou de
bispo, né, ou de presbítero, [roncando]
era uma pessoa
ah que podia trazer a palavra divina,
né, ali, no caso, pregar e ensinar a
palavra de Deus. era alguém que podia
cuidar das pessoas, né, mais
propriamente pastoral e alguém que tinha
a capacidade de conduzir as pessoas.
Então você tem esses elementos triplos
aí, né, que que fazem parte desse
perfil.
E a gente observando,
você vê que ainda que em vários textos
você tem uma delimitação do papel
feminino no Novo Testamento, como a
questão da submissão, como a questão do
texto de Primeira Timóteo 2 da mulher,
né? Ao mesmo tempo, você vê mulheres eh
tendo um papel eh prático de maneira
significativa. Por exemplo, você vê
Priscila e Áquila em Atos 18, você vê
Paulo falando de pessoas que estavam
cooperando com ele. Ah, e parece que
estavam trazendo, ah, muitas vezes algum
tipo de palavra, né? Você vê as filhas
de Felipe que profetizavam. Você vê
mulheres profetizando.
Em Primeira Coríntios é mencionado isso.
Então assim, os grupos mais, eu diria,
restritos dizem: "Olha, a mulher não
pode fazer absolutamente nada na igreja
que envolva o uso da palavra". Eu acho
que é difícil explicar eh vários desses
textos, né? Outros grupos vão dizer:
"Não, as mulheres devem e deve-se
entender que elas devem ter primazia e
tá na mesma situação eh dos homens na
liderança da igreja". Parece difícil
também explicar outros textos. Então, eu
entendo que a ideia, até porque a igreja
neotestamentária, ela não tinha a
liderança de um indivíduo, ela tinha,
né, uma espécie de pluralidade, como
você vê em Atos 20, né, era uma
liderança compartilhada.
Então, eh, o que acontece é que a
liderança última da comunidade deve ser
masculina, mas isso não quer dizer, no
meu entendimento, que as mulheres não
devem ter nenhum tipo de participação ou
não podem falar de jeito algum. E para
ah encerrar, um outro aspecto importante
é você observar o contexto cultural.
Então, por exemplo, se você tiver num
país como na Arábia Saudita e você vai
ter uma comunidade cristã e você traz o,
digamos, uma mulher para pregar naquele
ambiente, certamente aquilo
praticamente não tem pertinência naquela
sociedade. Mas se você tiver na Noruega,
se você tiver na Finlândia, um ambiente
escandinavo, onde há muitas décadas,
mulheres inclusive dirigem o país, estão
toda parte na sociedade, você chega lá e
fala: "Olha, aqui a mulher não pode
falar nada na igreja, não pode trazer
uma mensagem, isso vai ser uma coisa
muito [suspirando]
fora da compreensão daquela comunidade,
né? Então, a gente precisa levar em
conta, né, o que que é realmente
pastorado, o que que tá envolvido, por
existe delimitação e por existe
participação em conjunto e como é que
isso se define em certos ambientes
específicos.
A Sandra diz: "Professor, mesmo eles não
estudando a Bíblia, esperando a
revelação da palavra de Deus por sua
misericórdia e revela a palavra, digo
sobre a parte, parte falamos, parte
profetizamos, Deus abençoe." Então,
Sandra, veja, são duas coisas
diferentes. Deus não tira a sua
misericórdia. E a questão é que a
maneira como se conduz, não só na
congregação, mas em outros ambientes
pentecostais,
é que essa palavra que é apresentada,
ela é uma palavra diretiva. Por exemplo,
né? A pessoa diz: "Olha, eu não sei se
eu devo eh vender o meu carro, né? Se
Deus tá nisso ou não tá. Então, deixa eu
ir lá na igreja, eu vou esperar ouvir a
palavra, aí eu tomo a decisão.
E aí, eh, você tem outras questões, por
exemplo, que é o o a o que a palavra de
Deus nos ensina doutrinariamente, nos
ensina eticamente.
Então, não dá pra gente viver de uma
compreensão
prioritariamente
eh diretiva, né? Então, nesse sentido,
esse perfil revelacional, como é
apresentado, ele me parece insuficiente.
Agora, claro, a misericórdia, a vontade
de Deus está sobre todos nós, por isso
que nós estamos vivos aqui, né? Mas isso
não exclui a importância dos outros
elementos que devem ser considerados.
Ah, Marcos Xavier, professor, quais
seriam as diferenças entre CCB de 27º
dia imómenos e quais são as semelhanças
dessas vertentes do cristianismo?
Marcos, eu vou vou pedir desculpa para
você porque isso aqui dá dá duas aulas
dessas. Nós vamos ter nas próximas
aulas, né, ah, outros e grupos abordados
aqui, né? Mas assim, eu vou dizer, a
congregação cristã no Brasil, em termos
de contexto eh assim evangélico, ela é
uma uma comunidade limítrofe. Ela tem
alguns comportamentos de muito
exclusivismo, né? E ao mesmo tempo tem
várias coisas que estão num cenário
semelhante a outros grupos evangélicos,
especialmente pentecostais. Os
adventistas também nós temos, não vamos
ter uma aula sobre isso. Os adventistas
eles têm uma história que é bem
exclusivista e tem um perfil a mais de
ideias teológicas muito peculiares e
muito diferentes e realmente mais
distintas, né?
Ah, e aí o os adventistas, só que nos
últimas décadas, eles têm mudado esse
perfil, né? Não, ninguém deve imaginar
que tudo que você encontra nos escritos
antigos de Ellen White representa a
cabeça de todos os adventistas no sétimo
dia. Então, ah, eu entendo que nesses
ambientes há pessoas eh sérias e
convertidas. E no entanto, ainda que eu
discorde da maneira como eles ensinam
várias coisas, né? Então o adventismo eu
diria que tá um pouquinho mais afastado
do ambiente evangelical, né? Em termos
de teologia. já o mormonismo, aí a coisa
já é bem distinta, porque o mormonismo
ele abre um caminho mais eh, né, vamos
dizer,
definido de distanciamento à medida em
que ele entende que a Bíblia precisa de
outro livro igualmente sagrado para
servir de referência, que é o livro de
Mórmon, né? E nesse sentido, o
mormonismo tem um distanciamento bem
maior, bem peculiar. E aí sim, se a
gente quiser
fazer uma lista daquilo que envolve o
que nós chamamos tecnicamente de seitas
no sentido teológico da palavra, não é
no sentido, vamos dizer, de
menosprepreso ou de desafeto, não é essa
ideia, né, no sentido teológico, né, uma
heterodoxia mais definida. Com certeza o
mormonismo tá num outro perfil quando a
gente compara com adventistas e
congregação cristã.
Ah,
então Marcos ainda pergunta, né? Eu vejo
alguns pastores da linha histórica
pregando nas igrejas, evento
pentecostais, mas não vejo pastores
pentecostais pregando eventos de igreja
e história. Por quê?
Então, Marcos, eu não sei, eu acho que
você tem razão. Na maior parte dos
casos, eu acho assim que as igrejas
pentecostais são mais abertas para
receber algumas pessoas que eles
entendem que podem contribuir, né, para
a igreja. Até porque é muitas igrejas
pentecostais estão em busca de mais
conhecimento e teologia. Já as igrejas
históricas, elas eh têm um perfil mais
ou menos dizendo, ó, nosso contexto aqui
tá suficiente. A gente não tá
interessado em outros enfocos. Eu acho
que algumas igrejas históricas, não é
nem questão de receber pentecostais,
muitas não recebem gente de outras
denominações, porque eles não querem que
haja, né, uma influência da forma de
pensar. Então, nesse sentido, as igrejas
históricas, na maior parte dos casos,
elas são mais restritas aí, né? Ah,
muito bem. Mais alguns outros
comentários. Vamos ver aqui, né? A gente
já tá chegando aí perto do final da
nossa aula. Já temos uma aula, uma hora
de de reflexão, né?
Ah, Sandra ainda diz: "Na CCB tem irmãs
profetas que até os irmãos que t
ministério fazem questão de orar com ela
esperando revelação de Deus". Então,
Sanda tem razão. E isso também acontece
com outras igrejas pentecostais, mas que
o pessoal eh comenta é que e
dificilmente elas têm esse espaço na
própria igreja no momento da reunião do
culto, né? Elas não são chamadas, por
exemplo, para pregar, como acontece, por
exemplo, na igreja do Evangelho
quadrangular, né? Mas você tem razão,
tanto a a CCB como outras igrejas
pentecostais t eh o que é, né, muitas
vezes chamado de irmãs de oração.
Ah,
o Marcos Xavier ainda fala do Brasil
paralelo, lançar um documentário, né,
sobre o Brasil evangélio. O senhor acha
que dias seremos a maior maioria e e
melhoria da situação do país? O país
seria mais intolerante? Olha, eu eu vi o
documentário, conheço, inclusive fiz
parte de uma live comentando sobre isso.
É muito difícil dizer isso, né? Porque o
que a gente chama de meia evangélica é
muito variado, muito diversificado, tem
coisa de todo tipo e acho que tem muita
coisa no meio evangélico que de fato
abençoa, ajuda e faz coisas muito
favoráveis pra realidade brasileira. O
documentário mostra isso, mas tem coisa
que não é muito promissora. Existe um
lado
problemático de igrejas evangélicas no
Brasil que precisa de melhorar. Então, o
simples fato de um dia vir a ser maioria
não quer dizer que vai melhorar o país,
né?
Ah, muito bem. Comentário da Cátia. Pros
gregos, a mulher era discreta, não vista
em público. Pros egípcios, era linda
mulher na sociedade e cultura, assim
como no Oriente Médio, né? A Sandra diz
que ela gostou muito da aula e agradece.
Muito bom. Ah, Marcos também diz que
admira a maneira como a gente tá
apresentando as coisas aqui, né, para na
tentar sua vida de todo mundo, né, e
também o Luís Rábio, né, que tem sido
uma bênção aprender com a gente. Então,
pessoal, ah, muito bom. Muito obrigado
aí pelas considerações e pelas palavras
favoráveis, né? E eu agradeço, né, a
atenção de todos. Não sei se temos
alguma última eh pergunta aí, alguma
última dúvida, né, eh quiserem
encaminhar, né, eh podem mandar aí paraa
gente poder talvez dar uma última
palavra aí eh sobre a nossa questão.
Lembre-se que o Macaris continua, né,
exatamente com esses temas mais, vamos
falar sobre adventistas, testemunhas de
Jeová e outros grupos diferentes, né?
Então a gente agradece, né? Ah, eu sei
que tem gente chegando agora, a live vai
ficar aí gravada, né? Ah, deixa eu ver
aqui. Existe uma tradição,
de se buscar a palavra para confirmar
determinadas decisões da vida na CCB.
Existe alguma base bíblica para isso?
Então, Ismael, na verdade, não é só CCB.
Acho que é muito comum em muitos grupos
pentecostais
é aquela ideia de que as coisas que a
gente vai decidir na vida, elas têm uma
ação diretiva de Deus. E a pessoa
entendendo que ela tá em comunhão, Deus
vai dar os caminhos eh numa direção que
tantas vezes é confirmado de uma maneira
especial ou revelacional como
apresentado. Tá bom, pessoal? Muito
obrigado eh pela atenção de todos. Deus
abençoe. Tenham uma boa noite. Já me
mandaram lailav, né? E fiquem sempre
ligados. Não se esqueçam, ó, inscreva-se
no canal da Ibnu, né? aperte o sininho,
divulgue para os amigos, né? E seja você
também parceiro aí da gente, né? Aí
nessa caminhada de ensinar a palavra de
Deus e a teologia e a fé com
responsabilidade, com atenção, com
esforço de qualidade também com bastante
consideração e amor aos irmãos e ao povo
de Deus e a esse mundo que precisa da
graça do Senhor. Deus abençoe. Boa noite
a todos.

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