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A fé vem pelo ouvir

Nicolau Copérnico: como a Terra deixou de ser o centro do Universo?

Nicolau Copérnico: como a Terra deixou de ser o centro do Universo?

Nicolau Copérnico: como a Terra deixou de ser o centro do Universo?

Séculos atrás, o modelo geocêntrico colocava a Terra no centro do cosmos. Nicolau Copérnico propôs uma mudança radical: um modelo em que os planetas orbitavam o Sol. Essa ideia ajudaria a desencadear uma das maiores transformações da história da ciência.

Neste episódio de Origens — Pais da Ciência, conheça a história de Copérnico, o contexto de sua descoberta e as perguntas que essa nova visão do Universo despertou sobre ciência, conhecimento e fé.

A jornada pelos grandes nomes da ciência está apenas começando. No próximo episódio, vamos conhecer Galileu Galilei e descobrir o que aconteceu quando o telescópio foi apontado para o céu.


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🟧 ORIGENS é uma série documental da TV Novo Tempo que investiga os mistérios da vida e do universo com cientistas de diversas áreas.

🟦 Pais da Ciência é uma temporada dedicada a grandes nomes que ajudaram a transformar nossa compreensão da natureza e do universo. Ao longo de 13 episódios, a série revisita suas descobertas, ideias e trajetórias, explorando também as relações entre ciência, conhecimento e fé.

🎬 Assista à temporada completa Pais da Ciência:

Legendas automáticas:

Do menor dos átomos ao maior astro do
universo,
da força gravitacional aos campos
magnéticos invisíveis.
A grandiosidade do [música] cosmos desde
sempre impressiona a mente de criaturas
que esmiuçam os mistérios do espaço e do
tempo, tentando decifrar o funcionamento
das leis que regem o universo. [música]
Os céus sempre foram objeto de fascínio.
Cada estrela, cada planeta, cada
elemento que compõe [música]
a vastidão do cosmos parece contar uma
história de harmonia, complexidade
[música] e ordem. A beleza dos céus, com
suas cores, formas e movimentos, não é
apenas um espetáculo para os olhos, mas
também um convite ao estudo e a
contemplação. [música]
Por séculos, grandes mentes se
debruçaram sobre [música] os mistérios
do universo, movidos não apenas pelo
desejo de compreensão, mas também como
forma de adoração. Nesta temporada,
vamos explorar as vidas e os [música]
legados dos chamados pais da ciência,
cujas descobertas estabeleceram [música]
as fundações da ciência moderna. Nomes
consagrados por sua maestria e
curiosidade na [música] matemática,
astronomia, biologia, química e física.
Cientistas de espírito investigativo
[música] que, impulsionados pelo desejo
de entender como o universo funciona,
encontraram na Bíblia a motivação para
fazer ciência em seu [música] tempo.
Esses pioneiros não apenas descreveram o
que é o universo e como [música] ele
opera, mas também nos ajudaram a
entender quem está por trás de tudo
isso. Ao longo dos próximos episódios,
vamos percorrer seus caminhos, [música]
revisitar suas perguntas e descobrir que
para eles, a busca pelo conhecimento era
ao mesmo tempo, um ato de adoração ao
criador.
>> [grito]
>> Ne.
>> [grito]
[música]
>> Nicolau Copérnico nasceu em 1473
[música] em uma família de destaque.
Filho de um grande comerciante polonês.
Cresceu em um ambiente marcado [música]
por contatos culturais, circulação de
ideias e acesso à educação, [música]
elementos que ajudariam a moldar sua
formação intelectual.
A casa onde Copérnico viveu [música] na
infância permanece de pé até hoje, mesmo
depois de mais de 500 anos. Localizada
em Torun, na Polônia, ela atravessou
[música]
séculos de história e se transformou em
um museu. Suas paredes guardam não
apenas objetos e registros do passado,
mas o contexto cultural e o legado de um
homem cujo pensamento ajudou a redefinir
a maneira como a humanidade compreende o
universo.
É nesse lugar onde tudo começou que
revisitamos [música]
a trajetória de Copérnico e o impacto
profundo de suas [música] descobertas. É
aqui que começa a nossa jornada pelos
pais da ciência.
>> Estamos no museu da casa de Nicolau
Copérnico. É um lugar muito importante
para nós, é claro, e acredito que também
para nossa compreensão [música] da
história da ciência. É um lugar muito
importante para a história da ciência.
Provavelmente é o local de nascimento de
Nicolau Copérnico na segunda metade do
século XV.
Porque Nikolai Copernik, como dizemos na
Polônia, também foi um homem de muitos
talentos. [música]
Ele foi matemático, foi astrônomo, foi
médico, foi também cartógrafo. [música]
Ele cuidava de questões relacionadas a
dinheiro, terras [música] e impostos no
lugar onde viveu por 40 anos.
Então, [música] acredito que ele é
muito, muito universal para nós. Além
disso, quando falamos sobre Nicolau
Copérnico, como estamos fazendo aqui na
casa de Nicolau Copérnico, procuramos
destacá-lo como um ser humano, porque
podemos nos relacionar com a sua
história. Ele também foi um menino que
perdeu [música] o pai quando tinha 10
anos.
Ele também saiu da Polônia [música] e
estudou no exterior. Ele teve formação
acadêmica fora da Polônia.
Mas também buscamos apresentar Nicolau
[música] Copérnico por meio de sua
teoria heliocêntrica, que foi algo
extraordinário na Europa.
Você também pode chamá-la de teoria
copernicana.
Durante a nossa visita ao museu de
Copérnico, Mihel e Alicha, os curadores,
apresentaram a nossa equipe o cuidado
minucioso em preservar cada detalhe do
espaço. [música] Aqui existem elementos
que ajudam a reconstruir o contexto
cultural do século XV, período em que
Copérnico [música] viveu e que também
mantém viva a memória de seu legado
científico.
Então isso é uma cópia, mas representa
um instrumento de nicolau copérnico.
Trata-se de um astrolábio [música]
esférico. Isso é um instrumento
utilizado para observar corpos em
movimento, por exemplo, Marte, Vênus,
Mercúrio e as estrelas de Aldebarã. É
claro,
é um instrumento bastante complexo
que Copérnico preparou com base no
modelo de Ptolomeu. Trata-se de um
instrumento que tem origem na
antiguidade
e Copérnico conhecia a obra de Ptolomeu.
É claro. Ptolomeu descreveu de maneira
clara o modelo desse instrumento.
E esse instrumento era utilizado para
observar e registrar a declinação e a
posição de um corpo no céu, eh, em um
tempo específico e em um lugar
determinado.
Parece muito fascinante, especialmente
porque Ptolomeu e Copérnico tinham
visões diferentes sobre o céu e ainda
assim utilizavam o mesmo instrumento.
visões diferentes, mas o mesmo
instrumento. [música]
É difícil determinar o exato momento em
que a ciência começou, pois a busca pelo
conhecimento remonta a tempos [música]
muito antigos. Muito antes dos gregos,
povos antigos já se empenhavam em
compreender o mundo ao seu redor e
[música] os céus com suas estrelas e
constelações.
Aristóteles, um dos mais influentes
[música]
pensadores da antiguidade, foi
proeminente em teorizar sobre a
estrutura do universo. Para ele, a Terra
era o centro [música] imutável do
universo, rodeada por esférias celestes
concêntricas que giravam em torno desse
[música] ponto fixo. Esse modelo
geocêntrico dominou o pensamento
ocidental por mais de 1000 anos,
influenciando a compreensão do cosmos e
o lugar do ser humano nele.
Foi aqui, nas ruas medievais de Torum,
que nasceu o homem que moveria a Terra e
colocaria o Sol no centro do universo.
Copérnico viveu em uma época em que a
filosofia de Aristóteles moldava não só
a ciência, mas também a teologia.
Questionar o sistema geocêntrico era
como desafiar a própria fé, mas [música]
as muitas inconsistências desse modelo
levaram Copérnico a se perguntar se não
haveria uma forma mais adequada de
entender o universo e representar a
ordem imposta a ele [música] pelo
criador.
Um dos grandes motivos para Copérnicos
ser tão lembrado é que ele foi o
primeiro a formular um livro, um
documento com argumentos lógicos para a
posicionar o Sol como centro do
universo. Copérnico propõe o modelo
heliocêntrico
que estaria em oposição ou divergiria do
modelo geocêntrico.
Esse modelo é o que estava vigente na
época no meio acadêmico, no meio
eclesiástico, como modelo padrão para
compreensão de como o cosmo funcionava.
O modelo proposto do geocentrismo, ele
estava fundamentado em várias eh em
várias evidências, evidências
observacionais. Inclusive, nós mesmas
podemos observar isso, baixo para olhar
para cima e ver o sol aparentemente se
movimentando de um lugar pro outro. E
toda essa estrutura conceitual e também
as evidências que haviam deram suporte
ao geocentrismo
que permaneceu por muito tempo. Mas
Copérnico foi o primeiro a dar
evidências, eu não diria a palavra, mas
a dar suporte
suporte lógico e matemático para o
heliocentrismo. Isso torna Copérnico tão
especial, porque ele vai desencadear uma
linha de raciocínio, de visão que vai
basicamente mudar a nossa visão do cómo.
>> Hoje, saber que os planetas giram em
torno do Sol e não da Terra é tido como
um conhecimento básico do universo,
porque dispomos de telescópios potentes,
[música] satélites, sondas espaciais e
imagens que nos permitem observar o
cosmos com clareza e precisão. Mas no
século XV a realidade era bem diferente.
Não existiam lunetas, telescópios ou
qualquer instrumento capaz de [música]
ampliar a visão humana para além do que
os olhos podiam alcançar.
O primeiro a apontar uma luneta para o
céu seria Galileu Galilei, décadas
depois de Nicolau Copérnico já ter
publicado sua teoria. [música] Se só
havia então observações do céu a olho
nu, de onde veio a compreensão do modelo
heliocêntrico? E como surgiu esse novo
modelo para se entender o universo
proposto por Copérnico.
As revoluções das orbes celestes é um
livro de grande precisão matemática,
mas o significado do livro As revoluções
das orbes celestes é claramente
filosófico, porque a teoria helio em um
primeiro momento, mudou a nossa
compreensão de universo.
Esse é o significado mais conhecido da
teoria helio
e a teoria heliocêntrica [música]
foi posteriormente desenvolvida por
Kepler e por Galileu.
Mas o momento de sua publicação em 1543
foi o ano que marcou o início de uma
nova compreensão do mundo como um todo.
Além de ter uma visão sobre a
importância do sol no cosmo, além de ter
recebido a herança pitagórica
sobre a matemática na natureza,
Copérnico tinha uma visão da criação
vinda da Bíblia. E a base de Copérnico
era o seguinte: Deus é um criador. Esse
é o princípio básico. Ele era o criador
e é um criador ordenado.
E como criador ordenado, essa ordem
permeia a natureza. E através de que
essa ordem se manifesta? Da matemática.
Então, e também outra coisa, da
simplicidade, da simetria para
Copérnico, a natureza precisa ser
simples, ser simétrica, ser ordenada. E
quando ele pega o modelo de Ptolomeu,
que era definido prestório, aquele
modelo era ele estava extremamente cago.
Quando a gente olha o modelo que existia
geocêntrico,
que foi eh apresentado principalmente
[música]
ali pelo e e adotado por cerca de 14
séculos desde Ptolomeu, e a gente vê que
existe uma questão muito particular ali
de que
a Terra sendo o centro do movimento, não
consegui explicar vários fenômenos que
acontecia no céu. Então, por exemplo, é
hoje a gente olhando do ponto de vista
moderno, a gente sabe que a Terra está
mais perto do Sol que outros planetas. E
quando a Terra, por estar mais perto do
Sol, tem um movimento mais rápido, ela
faz ultrapassagens por dentro, como se
fosse um carro de corrida, fazendo uma
ultrapassagem por dentro de uma curva. E
quando isso acontece, o planeta ou no
caso o carro que fica por fora da curva,
ele vai ficando para trás. Então tinha
momentos na durante o ano em que alguns
planetas, por exemplo, Marte, quando a
gente olhava pro céu, ele tava indo numa
direção, de repente ele fazia um
retorno, que era o momento que a Terra
tava fazendo uma ultrapassagem por
dentro da curva, né?
Eh, e depois ele continuava o movimento
no céu. Isso formava movimentos de tipo
eh um laço.
E aí os gregos, né, eh, Ptolomeu,
apresenta esse modelo que que ficou
popularizado, eles começaram a adicionar
eh pequenos círculos
em torno dos quais os os planetas
ficavam girando nas suas órbitas. Então,
não era só o movimento do planeta ao
redor do Sol, mas era o movimento do
planeta, era um giro do planeta em em
torno de um ponto invisível e esse ponto
invisível movia na sua órbita. É Copéric
que se você muda eh o sistema pro Sol,
simplificava muito o número de círculos
necessários para poder descrever com
precisão essas voltinhas, né, que os
planetas davam. Então, no caso dele, era
uma maneira de simplificar com harmonia
os movimentos. Então, a gente já vê aqui
um princípio que depois foi guiar muito
fortemente a ciência, que é entre dois
modelos, se os dois explicam o mesmo
fenômeno, mas um é mais simples,
geralmente se não nenhum deles, é, se
esse novo modelo mais simples não quebra
nenhum princípio, [música] ele é o
adotado pelo pela comunidade científica.
Então ele já tava dando um horizonte,
contribuindo nessa direção até de
prática científica.
[música]
Copérnico via essa ordem como um reflexo
da mente divina, uma harmonia que podia
ser compreendida pela razão, mas nunca
substituída [música] por ela. Em um
tempo em que muitos acreditavam que
questionar a natureza era desafiar
[música] a fé, ele mostrou o contrário.
Estudar a criação é também um ato de
adoração. [música] Copérnico via cada
órbita como uma linha desenhada pela
própria mão do criador.
Em seu livro Sobre as revoluções dos
orbes celestes, encontramos um trecho
que representa essa ideia. Quando um
homem contempla essas coisas [música]
estabelecidas na ordem mais bela, ele é
levado à admiração do autor de tudo, no
qual estão todas as coisas boas.
A proposta trazida por Copérnico de que
o Sol e não a Terra é o centro do
universo é frequentemente considerada um
ponto de inflexão crítico na relação
entre a ciência moderna e a igreja,
marcando o início de uma cisão
significativa.
Na verdade, quase todo mundo acredita
que fé e ciência sempre viveram em pé de
guerra. Mas se olharmos de fato [música]
para Copérnico, conhecido por iniciar a
revolução científica, vimos que ele era
cônigo da igreja [música] e tinha
profunda fé em Deus e na Bíblia, assim
como outros que vieram depois dele.
Então, se ele não tinha intenção de
romper com a igreja, por que aguardou
até o fim da vida para publicar sua obra
revolucionária com o que, de fato,
Copérnico rompeu?
Copérnico, ele decide fazer uma
publicação, a publicação do seu trabalho
principal, [música] ele decide fazer eh
só posterior. Ele postergou por muito
tempo, na verdade, ele foi convencido
por um auxiliar a publicar. Ele tinha
muita sim resistência porque ele sabia
que as ideias que ele estava
apresentando
iriam divergir daquilo que a igreja
havia assumido como verdade. E aqui é
muito importante destacar a igreja que
nós estamos falando ali, a visão
religiosa que ela tinha já era uma
junção da visão religiosa com uma visão
filosófica, que é o que a gente chama da
escolástica, que é essa união entre a
visão cristã e a filosofia grega. Quando
há essa união, eles assumem muitos
pontos de vista da filosofia grega como
verdades e passam a tentar fazer uma
simbiose entre as duas visões, o
cristianismo e a visão clássica grega.
Dentre esse processo, eles assumem a
visão do cosmo, apresentado por
Aristóteles e, como eu disse, eh,
aprimorada por Cláudio Picolomeu. E
nesse sentido, a filosofia de
Aristóteles é trazida, é tratada já na
ali na no contexto de Copér como uma
verdade assumida pela igreja. E o
conflito das ideias de Copé, então não
estavam se dando com a visão doutrinária
ou bíblica da igreja, mas sim com a
visão aristotélica que a igreja havia
assumido. E Copérico sabia disso. Sim,
ele não rompeu com a igreja, ele
permaneceu cristão e eh trabalhando
junto com cristãos o tempo todo na sua
vida, ele estava rompendo é com esse
paradigma filosófico aristotélico que
foi adotado eh por critérios diversos ao
longo dos séculos pela igreja. A gente
sabe que o pensamento grego, a filosofia
grega entrou muito fortemente dentro do
cristianismo
e tem grandes dois proponentes na
história. Um é Santo Agostinho e outro é
São Tomás de Jaquino. Então, eh,
naturalmente,
e eles, por serem grandes, estudiosos da
cultura grega e dos filósofos gregos e
trazendo, importando ideias, adaptando
para o pensamento do cristianismo desse
tempo, eh, a igreja naturalmente tinha
mais confiança de adotar, inclusive
modelos eh geométricos e matemáticos que
existiam já na cultura grega. Então, uma
vez que não era uma coisa que a Bíblia
tratava em si em detalhes, né, sobre a
geometria e a posição da Terra no
universo, eh, naturalmente, pela
aceitação da do pensamento grego
gradualmente dentro do cristianismo,
outras coisas de cunho grego foram
aceitadas,
eh, especialmente porque a Bíblia não
tinha um claro, assim diz o Senhor,
contra ou a favor de de qualquer desses
modelos. Então, o que Copérnic veio a
entrar em conflito é basicamente com eh
parte desse pacote do pensamento grego
que foi importado, enquanto, como eu
mencionei, ele não rejeitou todo o
pacote, era um processo, mas ele viu que
nesse ponto da geometria para explicar
movimento dos planetas, o Sol no centro
de explicar um pouco melhor. E um outro
ponto que eu quero de esclarecer aqui
também é que muitos desses que têm essa
visão entre um antagonismo
entre igreja e ciência ali em Copérnico,
eles até usam um argumento que também é
um equívoco histórico, de que Copérnico
causou problemas porque ele tirou o
homem do centro do universo.
ao colocar a Terra em movimento e o sol
no centro, ele tira o homem do centro do
universo. Então isso causou o furor da
igreja. Não, não foi isso. Eh, a
oposição de Copér teve vinha de ele
desafiar a filosofia aristotélica que
fora assumida pela igreja. Mas ali, e
outro ponto, para muitos o homem está no
centro do universo era importante, não
era de coper? Não, pelo contrário, na
visão de Aristóteles, e bem como na
visão da igreja, da comunidade na época,
está no centro do universo não era algo
eh primoroso, não era algo de valor.
Tanto é, se nós formos lembrar da obra
de Dante Aligerry, né, o inferno de
Dante, você vai ver que os o os
diferentes posições do inferno vão cada
vez mais pro centro da terra. Onde é que
o inferno está? No centro da terra. Qual
é a posição que Aristóteles, quando ele
falava da ordem dos elementos, os
elementos celestes, o material compunha
os corpos celestes, era mais valoroso do
que os que estavam no centro da terra. E
essa ordem de valor indicava que estava
no centro não era algo importante, não
era algo que atribuía valor ao ser
humano, não era isso. Então, não houve
essa visão. Inclusive, há um artigo
específico sobre isso, que tirar o homem
do centro do universo não é algo que vai
fazer do homem menos valor que antes,
tá? menos valor.
>> O trabalho de Copérnico nos convida a
revisitar o que realmente estava em jogo
em sua revolução. [roncando] Não uma
suposta batalha [música] entre ciência e
fé, mas um embate tradições filosóficas
que disputavam a interpretação da
criação. O heliocentrismo, longe de
negar a presença de Deus, mostrou que a
criação era mais [música] vasta, mais
ordenada e mais bela do que se supunha.
Copérnico [música] não apenas moveu a
terra e colocou o sol no centro, ele
desafiou nossa forma de pensar e ensinou
que a fé [música] pode dialogar com
outros paradigmas sem perder sua
vitalidade.
O modelo heliocêntrico não deslocou
apenas a Terra, deslocou também o olhar
humano. Ao tirar o homem do centro
[música] físico do universo, Copérnico
lembrou que o valor da humanidade
[música] não está em sua posição no
espaço, mas em sua origem divina. No
coração do universo, Deus continua sendo
centro. Foi essa convicção que inspirou
outros homens de fé, como Galileu e
Kepler, a prosseguir na busca por
compreender a criação.
Mas como seria olhar para o céu e ver
com os próprios olhos aquilo que
Copérnico apenas [música] calculou?
Essa é a próxima etapa da nossa jornada.
[música] Copérnico mudou a forma de
pensar o universo. Se ele calculou o
movimento dos céus, Galileu [música]
quis ver com os próprios olhos o que os
números diziam. É hora de seguir para a
Itália e descobrir como um olhar através
de uma simples luneta mudou para sempre
a [música] nossa visão do universo.
>> [música]
[música]

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