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O Deus Que Ama O Japão e Sua História – Encontro Together | Luiz Sayão | IBNU & FLAM

O Deus Que Ama O Japão e Sua História – Encontro Together | Luiz Sayão | IBNU & FLAM

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Muita alegria a estarmos reunidos nesta
manhã. Muito obrigado pela presença de
todos, né? E eu me lembro, eu sempre fui
um nipônicos esconditos, né?
Um japonês escondido, porque eu tinha 10
anos de idade na escola. E adivinha? Os
meus amigos eram japoneses. Meu melhor
amigo da escola aos 10 anos era um rapaz
chamado Wellington. Nome tipicamente
japonês, claro, né?
Mas eu não sei porque a gente tinha uma
situação eh de sintonia, talvez porque
como o japonês gosta de estudar o tempo
todo, a gente acabou fazendo uma uma
ponte, né? Eh, e Deus nos abençoou de
modo que eu nunca, desde novo, me senti
estranho no ambiente oriental. Parece
que eu sempre tava em casa, né? Ah,
qualquer hora eu conto uns segredos aí
que o Daniel e Ochosimoto e a Lili
conhece. ess cerimônia do chá que eu
tive no seminário, que aí é uma outra
cerimônia que não vem ao caso nesse
momento, mas eh eu queria que a gente
pensasse um pouquinho nesse desafio, né?
E eu quero agradecer a Sociedade Bíblica
do Brasil. Nós temos um lançamento de um
novo testamento japonês português que tá
aqui. Nós temos a livraria com muito
material interessante, material da SBB,
material também nosso. Para quem quer
conhecer um pouco mais da Bíblia do
Rota, tudo vai est aí à disposição e com
valores muito bons. Então vamos pensar
sobre o Deus que ama o Japão e a sua
história. Vamos tentar refletir. Começo
lembrando do texto de Atos 17, quando o
apóstolo Paulo diz a palavra de Deus lá
encontrando com os atenienses, ele, né,
a texto nos fala que então levaram uma
reunião no Areópago e onde perguntaram a
ele, podemos saber que novo ensino é
esse que você está anunciando? Está nos
apresentando ideias estranhas. Queremos
saber o que elas significam. Todos os
atenienses e estrangeiros que ali viviam
não se preocupavam com outra coisa senão
falar ou ouvir as últimas novidades.
Paulo então se reuniu, se levantou na
reunião do Areópago e disse: "Ateniense,
vejo que em todos os aspectos vocês são
muito religiosos. Andando na cidade,
observei cuidadosamente
seus objetos de culto e encontrei até um
altar com a inscrição ao Deus
desconhecido.
Esse que vocês não conhecem é o que eu
estou anunciando. E o texto prossegue e
Paulo diz: "O Deus que fez o mundo, tudo
que nele há, o Senhor dos céus e da
terra, e não habita em santuários feitos
por mãos humanas, ele não é servido por
mãos de homens como se necessitasse de
algo, porque ele mesmo dá vida a todos o
fôlego, as demais coisas, e de um só ele
fez todos os povos para que povoassem
toda a terra, até determinados tempos
anteriormente estabelecidos e os lugares
exatos em que deveriam habitar. Deus fez
isso para que os homens o buscassem.
Talvez Tatiano pudesse encontrá-lo,
embora não esteja longe de cada um de
nós, pois nele vivemos, nos movemos,
existimos, como disseram alguns dos
poetas de vocês, como é o caso de
Epimennedes, né? Eh, também somos
descendência dele. Pra gente pensar
sobre o que significa o grande desafio
de missão ao Japão, a gente tem que dar
uma refletida teologicamente, porque
muitas vezes a gente imagina que a
apresentação, a revelação de Deus para
nós envolve simplesmente compartilhar o
evangelho. Mas com, olhando a coisa no
sentido mais amplo do termo, nós vamos
ver que essa revelação de Deus, como
aparece na conversa de Paulo com os
atenienses que estão longe da sua origem
de cultura judaica, Paulo vai começar a
falar da teologia da criação, né? Então,
Deus se revela na criação, como a
própria escritura nos menciona, Deus se
revela no ser humano, que somos feitos à
imagem e semelhança de Deus.
Então, todo ser humano é um discurso
divino para si mesmo, no sentido em que
ele reflete o próprio criador. Deus se
revela na história da cultura. A ideia
que muitas pessoas têm em certos
ambientes cristãos é que qualquer coisa
fora de um ambiente evangélico é
simplesmente demoníaco. Calma, não é bem
assim.
Ah, Deus se revela nas Escrituras
trazendo o que é necessário conhecer a
respeito dele do seu projeto redentivo
apresentado à humanidade. E Deus se
revela específica e plenamente em Cristo
Jesus, nosso Senhor. Então, você tem uma
revelação geral e uma revelação
específica. Por isso que os bons
teólogos têm um conceito, e aqui vai uma
definição do Ein Gruden de graça comum.
Por quê? Por que que isso é tão
importante? Eu me lembro uma vez que eu
tive numa visita ao Japão e aí eu
conversei com alguém lá, falei: "Eu
queria, eu queria ir no santuário
chintoísta". Aí ele falou: "Tá
amarrado".
E logo eu pensei que o sapato tivesse
amarrado ou desamarrado, ele disse:
"Não, não, né? É, não, lá só tem coisa
do demônio." Eu falei: "Não, tranquilo,
vamos por lá, depois eu explico, né?" E
qual é a ideia que muita gente tem? que
fora do ambiente de cultura gospel
evangélico, você tem o demônio lá fora.
A graça comum é a graça de Deus, pela
qual ele dá às pessoas inúmeras bênçãos
que não fazem parte da salvação. A chuva
cai sobre os bons e os maus. O sol nasce
para todos, desde o sol nascente no
oriente. Então, esse tipo de pensamento
é fundamental para que a gente tenha uma
compreensão mais adequada do ensino
bíblico saudável e equilibrado. Por que
que isso é importante? Porque eu vejo
muitas pessoas dizendo o seguinte: "Ah,
eu conheci cultura tal, ambiente tal".
Interessante. Eles não são cristãos, mas
eles fazem uma coisa muito bonita. No
Japão vai ver isso ainda mais.
Por quê? Porque por ser imagem e
semelhança de Deus, ter elementos na sua
história, há coisas que vêm de Deus e
estão presentes em culturas que não
foram influenciadas diretamente pela
tradição cristã. Por exemplo, a gente
poderia falar a vida toda mais seis
meses sobre isso, mas só vou dar dois
exemplos. O domínio social, a graça de
Deus também se vê na existência de
várias organizações e estruturas na
sociedade humana, que simplesmente
pretende fazer o bem em função daquilo
que nós somos. Somos pecadores, mas
também somos imagem e semelhança de
Deus. Além disso, no domínio religioso,
tem gente que imagina que qualquer coisa
de outra religião é absolutamente
perversa. Nem sempre ninguém vai
conseguir vender perversidade plena para
todo mundo, pra pessoa acreditar. tem
que ter elementos positivos e favoráveis
em contextos religiosos distintos. Até
mesmo no domínio da religião humana, a
graça comum de Deus traz algumas bênçãos
para os descrentes. Portanto, uma ideia,
importante é que nem tudo fora da igreja
é demoníaco. Algumas pessoas acham que a
igreja é uma rede de Wi-Fi, né, que fica
no templo dele. Quando a pessoa se
afasta, Deus não pega mais, né? Fica
distante assim. É como se fosse uma
coisa. O conceito de mundo na escritura
não é geográfico. Nem tudo fora ah do
contexto de igreja é algo perverso. Por
isso que muita gente no ambiente, vamos
dizer, cristão obscurantista, pouco
conhece de história, de arte, de
cultura, de uma série de elementos que
são importantes e pertinentes e tem
menos chance de se comunicar com os
outros. pensando na realidade do Japão,
aí você tem um mapa mais ou menos, a
gente tá falando de 1% de cristãos de
todo tipo e mais ou menos talvez% de
cristãos evangélicos e protestantes de
modo geral. Ah, a gente tem ali as cores
mais escuras, o vermelho mais forte,
onde tem um pouquinho mais, geralmente
1%, né? e outras áreas onde a proporção
é menor. Interessante, né, que você vai
lá para baixo, pra região de de Chicoco,
indo na direção de Oquinau, você tem
mais gente lá em Rocaido também tem um
pouco mais, né? E aí, como é que a gente
tem a a formação histórica da maneira de
ser do que se tornou o Japão? A religião
xintoísta, religião nativa que tá ligado
com espíritos e natureza. Eu não sei se
a gente consegue eh vislumbrar isso. O
Japão é um lugar muito peculiar com o
arquipélago com tantas ilhas eh que
representam desafio geográfico. Um lugar
que sempre sentiu duas coisas, a extrema
beleza particular da natureza, né? O o
florescer da cerejeira da Sakurá que o
diga e ao mesmo tempo um lugar de
terremotos, de tsunamis. Então, toda
essa instabilidade trouxe uma relação
de admiração e de temor em relação às
forças da natureza, que são a base da
estruturação do xintoísmo, que surge,
né, com a aquilo que não é bem
divindade, que são os camis que estão
presentes naquilo que é a força da
natureza, que é uma expressão religiosa
única e exclusiva do Japão. do
caçatumaro. Muitos imigrantes chegam
aqui, chegam aqui na terra e perguntam:
"Quem são os deuses da terra?" O pessoal
é católico, é católico também. É um
conceito que muitas vezes no ocidente as
pessoas não entendem, especialmente os
niquei japoneses que estão mais paraa
feijoara do que os sashimi, já não
consegue caminhar bem. Ao mesmo tempo, o
budismo, que é uma religião estrangeira,
chega no Japão e com focos, né, que vem
desde a Índia, atravessando a China, mas
com ideia de iluminação, meditação, boas
ações, né, o o zem budismo que eh tem a
ver com disciplina, com controle
próprio, com toda aquela atitude de que
você, né, precisa, eh, vamos dizer,
conter-se diante de exigências maiores,
especialmente no contexto social. também
vai moldar, né? e também o
confusionismo, a filosofia famosa de
origem chinesa, onde o superior deve ser
exemplo pro inferior, família, sociedade
tá acima do indivíduo, lealdade,
cortesia, trabalho duro, serviço, tudo
isso é muito fundamental e cria toda uma
maneira de ser que cujos desdobramentos
formam aquilo que vai ser a cultura
japonesa. E a gente tem períodos
históricos muito interessantes. Vale a
pena, toda pessoa que quiser se
interessar, né, de se aprofundar ah nos
períodos históricos do Japão, desde, né,
dos períodos mais antigos da época
feudal, da época dos samurais, depois o
período de rejeição e enfrentamento das
potências coloniais europeias, até a
abertura que vem da era ME em diante, a
formação ah do Japão e passando pelo
período também da militarização recente
e até até o tempo, né, e onde há uma
abertura muito grande paraa cultura
ocidental, especialmente no pós-guerra,
que cria uma série de dificuldades
presentes na sociedade japonesa. Mas o
que que acontece? A maneira fundamental
de ser ocidental é muito diferente da
maneira oriental.
E o que que acontece é que nós chegamos
isso, a culpa é de todo mundo,
brasileiros,
icos, norte-americanos, europeus. A
gente não percebe que uma coisa que é
óbvia pra gente não é óbvia pros outros.
Então você chega com o anúncio do
evangelho embalado, embrulhado na sua
estrutura cultural. Isso não é maldade,
não é má intenção, que a pessoa não se
liga no movimento, não percebe o que tá
acontecendo. E ao fazer isso e ele
naturalmente cria um sentimento de
estranheza, né? E o Japão com toda a sua
cultura peculiar, os grandes estudiosos
antropólogos dizem que a cultura
japonesa é uma das mais intocadas da
história. Então o que que você tem no
Ocidente? a gente tem toda uma tradição
que valoriza muito igualdade.
Aí chega isso no ambiente oriental,
especialmente japonês, isso soa muitas
vezes como uma atitude meio
desrespeitosa, né? Olha, eu me lembro
dando aula no seminário servo de Cristo,
nos tempos em que a maioria dos alunos
eram totalmente orientais, aí vinha um
um ocidental meio fora do lugar, ele
tratava assim, o professor meio de
qualquer jeito, eu vi os orientais
assustados assim, como é que a pessoa
fala isso com, né, o professor onde já
se viu, né, e eles não percebiam as
diferenças. uma cultura voltada para a a
tarefa, né, queamente mostra-se um tanto
menos gentil, uma atitude de honestidade
direta. Você tem que falar a verdade na
cara, o oriental cai de costa com o
negócio desse jeito, né? Ou seja, o
sujeito é é zagueiro assim, revoltado em
final de decisão da Libertadores, né? A
ideia de independência, né? que tem uma
atitude assim de alguém que é mal
educado e e não entende o que tá
acontecendo. A ideia de mera eficiência,
né, que pode eh parecer eh que não
presta atenção em coisas importantes se
uma cultura baseada
em culpa, né, que não tem o conceito tão
importante de vergonha e de temor do
Oriente. No mundo oriental, o que que a
gente tem? Uma importância,
especialmente do Japão, de hierarquia.
Você tem que saber com quem você tá
falando, você tem que fazer exercício da
coluna, até onde você vai descer para
cumprimentar a pessoa, né? Então tá tá
garantindo a fisioterapia. E aí quem
olha de longe fala: "Nossa, parece um
opressor." Por que que o cara se sente
mais importante que os outros? Quem ora
de fora não entende isso, né? Uma
cultura voltada às vezes pro elemento
que envolve o o evento, né? a, o
acontecimento,
eh, que, por exemplo, muitos japoneses
hoje são seculares de mentalidade, mas
na prática, do ponto de vista social,
antropológico, eles participam de toda a
ritualística social e quem olha de fora
não entende como essas coisas não
parecem parecem coerente demais. A
importância da harmonia,
o que um ocidental padrão vai achar que
o sujeito tá sendo falso, desonesto, né?
Você você o no nosso mundo ocidental
você ofende o outro. O brasileiro é um
pouquinho mais light, né? Mas você
ofende o outro de graça. Inclusive boa
parte da apologética cristã de hoje é
ofensa gratuita. E aí você vai para uma
cultura onde a harmonia. Por que a
harmonia tão importante? Porque o Japão
foi construído em função da desharmonia
da natureza. Para enfrentar o caos
externo, você precisa do quê? da sua
sintonia de equilíbrio interno e de
equilíbrio com relação ao próximo, senão
você não sobrevive. Então, é um outro
mundo, uma outra realidade. A ideia eh
de patrocínio no sentido de alguém que
faz uma situação de apoio a partir de
uma pessoa que tem relevância e
importância maior, pode parecer um
negócio meio corrupto, né? Como assim?
Os caras tão, né? eh, fazendo alguma
coisa em função do indivíduo mais
importante. Isso não tá certo. A ideia
de hospitalidade,
que muitas vezes também é mal
compreendida, né? Pode aparecer algo
como ostentação e claro, uma cultura
baseada em vergonha, né? pode parecer
que essas pessoas não têm o que a gente
pode chamar de ética objetiva, de
transgressão exata, como se a gente
tivesse pensamentos. Então, quando você
observa essa realidade, você tem a
construção de uma cultura. A cultura ela
envolve comida, arte, atitudes, crenças,
língua, costumes, rituais, comportamento
e a expressão de fé. E aí você vê a
diferença, por exemplo, na nossa
tradição ocidental, onde o conceito de
culpa é tão forte, né? O que que nós
temos? A importância do indivíduo. O
individualismo é muito forte. Você tá
baseado principalmente em regras e leis
específicas. A consciência introspectiva
domina isso, a a afeta o o transgressor
de maneira muito forte, né? Então você
tem essa postura de pedir desculpas, de
confessar e você diz o quê? Eu cometi um
erro, né? Especialmente no caso do
brasileiro, o cara fala de boca cheia.
Eu pisei na bola feio, né? Ou seja, sem
nenhum pudor ao afirmar isso. E a
solução e a gente paga o que foi feito e
ou então a gente perdoa. No pensamento
oriental e particularmente japonês, o
que importa é o elemento corporativo,
aquilo que diz respeito à sociedade.
A gente tem que se comportar a partir de
expectativas e de acordo com os papéis
sociais que você desempenha nessa
espécie de sinfonia afinada do contexto
antropológico social. A gente em vez de
pensar nisso, a gente tem que tomar
cuidado com a fofoca que pode rodar
dentro da comunidade, porque isso é
brutal. Ah, isso quer dizer que o meu
erro não é meu erro, afeta o grupo todo.
Esse é o problema. Isso envolve todos.
Então, o que que existe numa situação
dessa? É a pessoa esconder e a pessoa
tentar fugir dessa realidade e nos casos
mais extremos reagir forte em relação a
isso. E o problema é o problema de dizer
para um japonês que ele é pecador, o que
que você tá dizendo? Que ele cometeu uma
mera falha como qualquer pessoa que
existe no planeta ou que ele é um
criminoso horroroso? O problema é que
quando alguém comete um erro nessa
mentalidade, ele não cometeu. Ele é o
erro. Ele assume isso. Daí o desespero,
daí a dificuldade, porque uma vez, né,
que a gente não faz um tsuru perfeito, a
gente quer pular do prédio. Amém,
irmãos. Quem foi abençoado, levante a
mão, né? Portanto, qual é a ideia, né? É
trabalhar com algum elemento que envolva
graça, né? que envolva aceitação ou algo
que possa realmente incluir o o
indivíduo de volta nesse ambiente.
Então, pensando nisso, ah, nós vamos aí
prosseguir e deixa eu ver que o meu,
opa, e eu acho que esse aqui não é
japonês, ele não tá funcionando
perfeito, né?
Ah, elementos históricos perten
pertinentes importantes. Ao contrário
dos egícios e romanos com soberanos
vistos como divino. Japonêes não
entendem que o imperador seja um deus no
sentido sobrenatural. Ele é um cami. A
partir do século VI se definiu a ideia
de que o imperador descendia dos camin
dos deuses, estava em contato com eles e
neles se inspirava. Isso não o tornava
Deus no sentido da teologia cristã.
impunha para ele o quê? Obrigações
religiosas e rituais para garantir que
os caminhos fossem benevolentes, para
com o Japão assegurando prosperidade num
ambiente natural tão difícil de ser
enfrentado. Apesar disso, essa condição
especial não se refletiu num poder
político determinante. Até o período
Mage, o Japão foi de fato governado por
nobres feudais.
Ah, prosseguindo, vamos ver aí o acho
que o negócio aqui tá difícil. Para
alguns estudiosos, eu vou pedir
assessoria do pessoal para passar os
próximos. Essa percepção histórica muda
a partir da era
a partir de 1930 que se firma a ideia de
que o imperador era um deus manifesto.
Isso foi não é culpa do Japão, do
governo militar da época. Eh, o governo
militar não define a história japonesa
como um tanto. Ele era um aquitsumikami.
Isso foi explorado pelo expansi
nacionalismo japonês, que trouxe os
desdobramentos que nós conhecemos do
período da Segunda Guerra Mundial. A
derrota militar do Japão em 45 dá fim a
essa perspectiva.
Curiosamente, ao contrário do que muita
gente imagina, a influência bíblica e
cristã no Japão apresenta discutíveis
possibilidades de contatos antigos a
partir do século VI. Nós vamos falar
sobre isso, mas a chegada dos
portugueses no século X marca esse
contato que termina com a trágica
perseguição ao catolicismo incipiente,
né, de origem portuguesa na época do
Tuggaua eu, como muitos de nós aqui
conhecemos. O que que é interessante,
eh, nem todo mundo tem ideia, porque
quando a gente estuda a expansão cristã,
a gente estuda no Ocidente, mas houve
uma grande expansão para o Oriente. Ah,
de modo que a gente tem evidências do
cristianismo nestoriano chegando na
China já no século V. E esse elemento
ele atravessa, às vezes chega até o
Japão de alguma maneira por causa da
rota da seda que terminava em Nara.
Então você vai ter elementos na cultura
histórica do Japão que de alguma maneira
soa com elementos de uma possível
conexão cristã anterior a chegada do
budismo, que acaba tendo domínio
político e dominando China, Japão,
Coreia e toda a região.
Mas também nós temos evidência de algum
tipo de presença judaica. Por exemplo,
não faz tanto tempo, os judeus de origem
chinesa foram recebidos em Israel por
causa da sua conexão histórica, a famosa
sinagoga de Caifeng. E esses elementos
são interessantes. E olha que coisa
curiosa. A ideia aqui não é a gente
dizer, olha, tá vendo? Os japoneses eles
são e mesma coisa que os judeus, tal. A
gente não sabe exatamente como essas
conexões podem acontecer. Às vezes pode
ser coincidência, às vezes pode ser
risquícios dessa influência, às vezes
pode ser porque estudando a história
judaica aqui, eles dizem o seguinte, que
muitos dos judeus ao entrarem em outras
culturas e se diziam que eles eram
sábios, que eles conheciam coisas
especiais da divindade, que alguns eram
conselheiros
de imperadores, de pessoas assim, e que
isso teria facilitado algum tipo de
conexão. Um dia, quem sabe a história
possa revelar mais detalhes. Mas quer
ver que coisa interessante na sequência?
Dá uma olhada nos valores que envolvem o
buchido ou buchidô tão importante na
cultura japonesa. Justiça, coragem,
compaixão, respeito, integridade, honra,
lealdade e
controle, ou seja, domínio próprio.
Quando você conversa com a tradição
judaica e diz: "Escuta, quais são os
elementos mais importantes que fazem
parte da tradição judaica?"
Os elementos são cavod, que é respeito
ou honra, ah, manter paz e harmonia em
casa, ah, perceber a sua dignidade,
porque você foi feito à imagem de Deus.
responsabilidade
com respeito à comunidade.
Quando você pega uma criança judaica
aprendendo alguma coisa, ele vai
aprender uma musiquinha que diz:
"É lindo, é bonito quando você faz
alguma coisa junto com outra pessoa."
Então isso é fundamental. Você vai ter o
conceito
de tomar cuidado em relação ao próximo
com o uso da sua língua. Ou seja, o
perigo da fofoca laonha, que a gente
fala quando se expressa em relação a
isso. E você deve, adivinha, amar o
próximo como a si mesmo. Já ouvimos isso
em algum lugar, né? E também o outro
elemento é solidariedade. Então você
percebe que esses elementos eles emergem
da cultura bíblica e eles têm toda uma
sintonia de similaridade com essa
tradição que ficou na história da
cultura japonesa. Na sequência, vamos
ver algumas coisas curiosas no próximo
slide aí, pensando na proposta única de
Jesus para o Japão. Jesus para o Japão.
Sequência. Vamos lá. O desafio da
identidade, qual é o problema? Existe
uma identidade muito forte construída na
história do Japão. Quando a maioria dos
japoneses ouve falar de fé cristã, isso
não tem problema, porque os misiólogos
entram em crise. Porque cristianismo é
difícil crescer onde tem perseguição. No
Japão não tem, não tem intolerância.
Ninguém vai reclamar ou brigar com você
porque abriu uma igreja. Mas existe uma
uma sensação de uma coisa estranha. Isso
é bom, mas não pra gente. Isso é coisa
de guidin. Isso é coisa de gente que não
faz, não tem pertinência. E muito do que
aparece realmente não tem. Você pega uma
cultura de respeito, de solidariedade,
de silêncio, de meditação, perfil
cerimônia do chá e chega lá chutando o
pau da barraca, gritando igual
brasileiro, em trem, em chincansém. O
sujeito fala: "Cruz, credo, crê em Deus
Padre, socorro". Né? Ele não vai falar
isso, né? Claro, mas aquilo não faz
sentido. Então, o desafio da identidade,
pessoal, o evangelho
não é ocidental, nem oriental. O
evangelho é o poder de Deus para a
salvação de todo que crê. O evangelho
não pode ser um evangelho simplesmente
brasileiro, americano, europeu, nem
asiático. Ele precisa ter a sua essência
trazida para uma realidade que faz
sentido. Todo mundo deve ter visto e se
não viu, pague os seus pecados e veja o
filme O Silêncio ou a obra do Chusako
Wendel. Jusako Wendel também é um
teólogo, na verdade. A sua obra tem
importância internacional. Ele trabalha
de maneira profundamente existencial e
uma das questões é exatamente a crítica
da abordagem excessivamente
individualista, às vezes violenta e
conquistadora, que veio do ocidente e
que chega na cultura japonesa. Isso não
conversa com espiritualidade, isso não
tem sintonia com fé e é automaticamente
e até psicologicamente rejeitada como um
elemento quando ele vai enfatizar a
importância da cruz, a importância do
sofrimento, como é que a gente lida toda
proposta cristã que discute sentido da
vida, fala em cruz, sofrimento e e e
apresenta o evangelho dessa forma,
consegue ter maior sintonia com aquilo
que nós temos no ambiente da cultura
japonesa. Portanto, que que nós vemos
nesse sentido, né? Esse desafio com a
conexão bíblica. Importante ver que nós
temos em qualquer cultura um elemento de
cosmovisões. Esse é um um gráfico aqui o
apresentado pelo Daryl Miller,
secularismo, que a realidade final é
meramente física. Boa parte dos
japoneses de hoje, em grande parte são
seculares, apesar de formalmente serem
inclusivos do ponto de vista da
expressão cultural religiosa. O
teímísmo, que a realidade final é
pessoal, um Deus que ama e que interage
conosco de maneira relacional e o
animismo, onde a realidade final ela é
espiritual. E isso você tem presente a
sociedade japonesa, você tem esse
elemento de um uma influência cristã,
você tem o elemento animista e esse
elemento secular. Agora, olha que coisa
interessante, dá uma olhada no próximo
gráfico.
Que que a gente tem? A gente já viu, há
várias coisas no ambiente que nós temos
na cultura japonesa aí que eu não vou,
né? Desde o quimono, karatê, mangá,
cerimônia do chá. eh todos esses
elementos, montefúgios, terremotos,
samurai, imperador, tudo isso. Então, o
que que nós temos? Nós temos aquilo que
são elementos fundamentais que não são
discutidos. Hierarquia, a questão do
espaço físico e pessoal, dis que na
pandemia, no Japão foi terrível, porque
as pessoas começaram a ficar mais
próximas do que elas costumavam ficar
antes, né? Porque elas já estavam
suficientemente separada. Eu falei aqui
na IBNU que eu me tornei japonês por
causa dos meus problemas de saúde, que
ninguém pode me dar tapa abraçar. Eu
falo: "Ó, agora eu sou cumprimento de
maneira japonesa", a distância assim,
né? E aí ah, uma série de elementos, né?
A primazia e do grupo pertencer eh mais
do que envolver o consenso na decisão,
procedimentos, tudo isso que envolve,
né? Da onde é que a gente tem? Olha que
coisa interessante. Quando você analisa
aquilo que são elementos fundamentais na
tradição judaico cristã bíblica, olha o
que que nós temos que tem sintonia
profunda com o que você vê na realidade
japonesa. Primeiro, primazia da
educação. O que você precisa fazer?
estudar, aprender para transformar e
enfrentar a realidade. Isso é
fundamental
pros dois jotas, para judeu e japonês.
E Jesus que nos abençoe, né? A
importância da higiene. Que que você
tem? Japonês que é tudo limpinho,
arrumadinho, mesma coisa da tradição
judaica. É impressionante. Quem é o Deus
da Bíblia? O Deus dos ancestrais. Eu sou
o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Não tem
budã, mas tem Jacodã. Tem coisas
especiais,
pais e mestres. Honra o teu pai, a tua
mãe. Você vai, você vai estudar as
histórias antigas do Talmud. O Abraão
começa a discutir com o pai dele que é
idólatra, mas ele não pode bater de
frente com o pai. Então a historinha diz
assim: Abraão perguntou pro pai e ele
não perguntou mais nada porque Abraão
amava e honrava o seu pai. É assim que
se faz. Não é batendo de frente, não se
faz isso. A importância da comunidade, a
importância da solidariedade.
Pessoal, como é que se define a maneira
de ser da realidade japonesa? A partir
da geografia.
Como é que se define a história de
Israel? Adivinha? A partir da geografia,
terra que manda leite mel no ambiente
deserto por causa da ameaça da vida. O
paralelo é muito forte. Como é que se
define o que acontece no Japão tem a ver
com as intempéries da natureza, assim
também a própria história na Terra? Qual
era o desafio? Por que que o Japão se
tornou com o Japão? Porque as milhares
de ilhas e as distâncias exigiam um
governo central para que tudo fosse
estabelecido dentro de uma unidade para
formar o que se tornou o país. Bem-vindo
à transição do período dos juízes paraa
monarquia israelita. É o mesmo paradigma
de construção histórica
ritualística, santuários. É assim que se
constrói na história de Israel. Como é
que você lida com a realidade
na maneira de poder celebrar a vida
através de festivais,
tempos específicos que estão
relacionados, sabe com quê? Com começo
da primavera, com o começo do outono,
totalmente sincronizado, com o mesmo
foco de mentalidade. E como é que você
vive a sua vida? Depende dos seus
mitvot.
Amitvote não é mandamento sai é mas não
muito. Significa fazer o bem significa
ter uma vida virtuosa. Você percebe?
Então você olhando a superfície parece
coisa que não tem nada a ver. Quando
você olha as conexões são muito mais
intensas do que a gente pode observar.
Na sequência, veja lá o que que nós
temos. Paralelos misteriosos que
aparecem na história. Veja aí. Aí é a
famosa rota da seda e como a possível
herança e influência judaica e cristã
atravessou o Oriente e chega na história
da antiga da China e acaba eh também
chegando ao Japão. E nós temos elementos
aqui que não dá pra gente nesse espaço
pequeno eh comentar muito, mas todo
mundo aqui a maioria deve saber. Nós
temos na sequência muitos candis que t
origem na escrita chinesa antiga no
próximo slide e depois vai ter mais. Eu
só trouxe dois elementos aí, né, que
fala de boca ou pessoa, oito e barco,
que é grande embarcação, que evoca a
narrativa do dilúvio, e, né, a a as duas
árvores aí, Rayashi, né, o ou lin em
chinês, com mandamento que nos traz a
ideia de proibido. Então, é muito
interessante. Olha só, na sequência, no
próximo slide, esse aqui eu tirei a foto
no templo xintoísta dos sacerdotes
carregando arca. Aí você tem os
matsuris, né? E muitos deles têm esse
negócio de carregar arca. Ah, sa, pode
ser coincidência, beleza que seja, mas é
ponte para você. Não, não interessa a
explicação. O que interessa é a conexão
que você pode fazer. Coisa curiosa que
como é que funciona o santuário
xintoísta, pessoal? Santuário xintoísta
é a cara do tabernáculo. Que coisa. Eu
fui no santuário xintoísta. né? E eu
fiquei impressionado porque eu peguei um
dia que o sacerdote tava lá e ele tava
no lugar santo, olhando pro lugar
santíssimo. Aí ele virou pro pessoal que
tava lá e pegou algo como se fosse um
instrumento de aspergi e fez assim para
abençoar as pessoas. E você depois, né,
de passar pelo Tori à sua esquerda, você
tem o Temizuiá, que é maneira de se
purificar com água. Já viram isso em
algum lugar? É a mesma coisa, mesmo
conceito fundamental. Aí tem lá os coman
que não são exatamente querubins, né, os
cachorros, mas um de frente pro outro.
Então, por que nós temos essa conexão?
Próximo slide, nós não sabemos.
Pode ser que muita coisa tenha a ver
com, mas é muito possível que esses
elementos, ou seja, estabelecem pra
gente algo dizendo o seguinte: "Olha, tá
vendo? A realidade que você tem nas
escrituras eh bíblicas, elas têm uma
conexão muito parecida com a tradicional
cultura japonesa, muito mais do que você
imagina". Veja a foto aí do sacerdote
que eu tirei no templo xintoísta lá. Ele
mesmo, ele tá com uma espécie parece
parece um espanador, né? Eu até olhei se
eu tava cheio, tava empoeirado assim,
mas ele pegou, né? E fez uma coisa muito
interessante. Então, olha só, próximo
slide. O xintoísmo é a religião
nacional. Houve algum tipo de contato
entre judeus e japoneses. E na
antiguidade, o cristianismo chegou ao
Oriente muito antes do que muitas
pessoas imaginam. Não foi inicialmente
com a presença europeia. A influência de
algum tipo ficou na religião japonesa.
Prosseguindo, que que a gente deve
pensar?
Que tipo de abordagem eu tenho para
poder conversar sobre a fé cristã? Uma
abordagem é ritualística. Quando você
tem uma pessoa cuja conexão com a fé é
muito ligada ao ritual e isso tem
importância na sociedade japonesa, no
mundo secular, o ritual ele é pessa não
entende, então ele despreza aquilo, mas
aquilo é uma linguagem, uma espécie de
dança popular inclusiva de estabelecer
uma conexão concreta consagrada através
de uma performance artística. Então,
quando você estabelece essas pontes, é,
isso é muito possível de você fazer
diferença através de uma pertinência
social. Todo mundo sabe, a sociedade
japonesa, ela tá pensando sempre na
diferença social que você tá fazendo.
Então, se uma comunidade cristã, em vez
de ficar só fazendo discurso, tem
projetos que fazem diferença, eles vão
ser vistos de maneira distinta. Ética,
virtudes. Como é que você faz? Se você
pisar na bola, você queima o filme,
você não será ouvido. Então, a postura
do indivíduo tem toda a diferença.
Língua, história, um problema de muita
gente que quer fazer missão saindo do
Brasil. Sujeito não sabe de nada, nunca
estudou história, nunca estudou cultura,
chega lá com a cara e com a coragem e
fica só com a cara porque a coragem
acaba rapidinho.
Científica, você pega uma sociedade
educada, uma sociedade com valor da
educação, de nível de educação elevado,
como é que você vai compartilhar se você
é uma pessoa que não tem bagagem,
formação, conhecimento? você não vai
ser. Eu estive no Japão há dois anos
numa viagem que a gente fez com o
pessoal da IBNU. Interessante. A gente
fez um culto lá em Noborito, perto de
Tóquio, e tinha um grupo expressivo. Aí
à tarde eu ia dar uma palestra sobre
arqueologia,
arqueologia, história e bíblia. Pessoal,
a palestra foi logo depois do almoço,
2as da tarde. O pessoal ainda tava
sentindo o saximi mexendo no estômago.
A igreja superlotou, igreja totalmente
japonesa, porque o assunto foi
considerado algo de um professor falando
de alguma coisa acadêmica. Tinha mais
gente do que no culto,
extremamente interessados e fazendo
perguntas muito objetivas e a
consciência de que nós temos uma
realidade de diversos mundos sociais.
Vamos adiante para ver. No Japão não
existe o Japão, existe os diversos
ambientes japoneses. Não se faz missão
no Japão genericamente nós temos
incluídos e excluídos. Japão tem gente
sofrendo, tem gente que abandonou a
vida, tem gente em depressão, tem gente
na rua. Então, uma coisa é você
trabalhar com um grupo de pessoas
incluídos ou excluídos. Temos
universidades, pensadores e cientistas.
A abordagem para esse pessoal é
diferente. Temos pessoas de perfil
tradicionalista com aquela mentalidade
mais nacional.
abordagem tem que considerar essa
conversa, porque tem gente, por exemplo,
recente, mais jovem, sociedade japonesa,
que estudou fora, que já tá mais para cá
do que para lá, que já tá muito
ocidentalizado e anglicizado.
Essas pessoas recebem o que você fala de
uma maneira diferente de um indivíduo,
por exemplo, de um ambiente, de uma
sociedade do interior que não tem esse
tipo de influência. A geração Z e o
público mais jovem é outro ambiente. Vai
lá para Tinjuco em Toque, vê o pessoal
de cabelo vermelho, laranja, azul. Um
dia eu desci lá, falei: "Puxa vida, eu
sou tão normal, né?
Coisa difícil de acreditar, né? Ambiente
empresarial e do mundo business é uma
outra realidade.
Místicos e religiosos, como é que você
aborda, né? e o contexto específico de
evangelização com mulheres, que também
tem pertinência em função do elemento
peculiar da cultura. Na sequência, o que
que a gente faz? Quando a gente fala do
evangelho, fala de missão, nós temos que
pensar na relação que se faz com a
cultura. E as abordagens, elas são assim
não tão simples, né? Você tem, por
exemplo, o cristão, eh, que pode
atuar contra a cultura, o cristão que
faz parte da cultura, o cristão acima da
cultura, o cristão e a cultura em
paradoxo, o cristão como agente
transformador da cultura. Nenhuma dessas
expressões, ela é ela são completas.
Nenhuma delas é completa. Por tem coisa
realmente como você vê Paulo em Atos 17,
ele faz toda a ponte. Ele cita poeta
grego, ele conversa com epicureu, ele
conversa com estóico. Chega na hora
definitiva, ele diz: "Olha, Jesus é o
caminho, haverá ressurreição dos mortos
e Deus um dia vai trazer o juízo sobre
toda a humanidade". E ele diz: "Olha,
vocês fazem parte do projeto de Deus
porque Deus agiu entre todos os povos".
Então, a gente tem que ter a percepção
de não se aculturar de uma maneira que
você não tem mais mensagem para dizer,
você não tem nenhum elemento
transformador. O evangelho confronta
todas as culturas, mas fala ao coração
de todas. Então, como é que a gente faz?
Depende de quanto choio e quanto wasab
você vai colocar no saximi. Você tem
quear. Se você pesar muito para cá, você
acaba ofendendo e afastando. Se você
pesar muito para cá, você simplesmente
fica amigo e não não fala nada e abre
mão daquilo que é fundamental. Qual é o
nosso foco? é de transformação da
cultura pelo poder do evangelho.
O evangelho atinge a vida das pessoas,
gente arrependida, com vidas
regeneradas. Isso caminha na construção
de cultura transformada e sociedade
reconstruída. A nossa tradição tem muito
uma ideia de evangelho individualista
que nos atende psicológica e
emocionalmente e a gente no clube
celestial se encontra em cada fim de
semana para mostrar como a gente é mais
legal do que quem tá lá fora. Isso tá
muito desequilibrado. Essa percepção da
gente fazer diferença, ela é
fundamental. Então, muda-se com o
evangelho, né? Trazendo mudança na na
mentalidade, a gente eh discipula os
povos, mudam crenças, valores e
comportamentos.
Isso não é uma estratégia pensada, isso
é teologia pura. Qual? Na sequência,
teologia que nos fala de encarnação e
contextualização.
Quer dizer, quando Deus veio agir em
nosso favor, ele veio misiologicamente
estar presente, se tornando como um de
nós. Não é que Deus resolveu fazer
simplesmente um projeto. É a sua
essência de alteridade, de vir na
direção da sua criação com amor e
redenção.
Por isso que nós temos a necessidade da
compreensão da graça comum, olhar a
abordagem de Paulo, ver o que ele fez em
Atenas e entender que a encarnação que
Jesus vem é o paradigma da
contextualização.
É necessário separar o evangelho da
nossa cultura. Você sabe o que tá
acontecendo no mundo muçulmano? Em
alguns lugares muçulmanos tem incrível
em Jesus e eles estão frequentando o que
eles chamam de mesquitas de Cristo. Como
assim, saião? Eles não precisam cortar
barba, eles não precisam parecer alemães
e suíços. Eles podem continuar sendo
paquistaneses, árabes, sudaneses, seja o
que for. E eles não vão abrir mão das
suas roupas. Eles não vão adorar como um
grupo gospel vindo da Irlanda.
Eles fazem, eles não aceitam ir para uma
reunião religiosa sem lavar as mãos e os
pés.
Eles têm o seu jeito de ser. Então eles
têm plena fé em Jesus, leu o Novo
Testamento, estão entendendo isso, só
que eles não são gente de São Paulo ou
de outro ambiente. Então é importante, a
contextualização tem a ver com atos de
amor e de alteridade. Por isso, para nós
agora, o que que precisa ser a realidade
da nossa igreja, da nossa comunidade, em
vez de missão centrada na igreja, é a
igreja centrada na missão. Igreja que
não é centrada na missão deve mudar de
nome. Eu não vou gastar tanto tempo que
a minha religião não permite, mas eu vou
só mostrar para vocês aqui um gráfico
para depois vocês terem acesso a esse
material para fazer essa distinção.
Muitas igrejas hoje são igreja hospital.
Ela segue uma tradição denominacional.
Espera-se que o pastor seja um capelão e
que os membros sejam pacientes
necessitados. O pastor tem o papel de
consolar as pessoas que o time dele
perdeu na semana passada e se espera que
o pastor faça visitação.
No nosso mundo consumista, de repente a
igreja virou empresa, aí mudou. O pastor
agora é um CEO.
Os clientes, agora os membros são
clientes que precisam ser satisfeitos.
O papel do pastor é causar impacto. O
cara faz aquele curso de oratória para
fazer um negócio, para mexer com as
emoções das pessoas e o que importa são
grandes reuniões e eventos. Do outro
lado, fundou-se a igreja política. No
nosso mundo confuso e polarizado, a
visão partidária domina a igreja, seja
de que tipo for, esquerda, direita,
alto, baixo, pro lado, pro meio.
Político de massas é o pastor. Agora os
membros viram ativistas políticos, né? O
púlpito vira palanque e o papel do
pastor é mobilizar membros para causas
escolhidas, dependendo da do que ele
prefere. E a finalidade é articulação
política. A igreja tem a ver com a
missão, porque a natureza da igreja. O
pastor é mentor mestre. Efésios 4:11. Os
membros são discípulos, seguidores, não
pacientes para serem eh toda hora
atendidos. A finalidade do pastor é
ensinar, equipar e treinar. É como um
técnico preparando o pessoal para uma
equipe olímpica. É o Hugo Yama de
Cristo, né? A expectativa do pastor é
ensino para capacitação. Continuando aí
na próxima,
o que que uma igreja hospital pensa? Que
tudo que aparece na cultura é o inimigo
da fé, é o mundo. Puxa sen você não acha
que eh esse negócio aí tem a ver com o
anticristo? Mas você não acha que o
celular é do demônio? Se ele comprou e
pagou é dele, senão é meu, né? Então,
como é que é o estilo musical mais
antigo possível? bar já é suspeito, né,
da reforma até o século XIX, alvo final,
bem-estar das pessoas, palavra-chave é
manutenção. O que que aconteceu que
prejudicou a igreja no Japão? Foi a
manutenção da maneira de ser antiga. Não
se investiu nas novas gerações. É o
problema de muitas igrejas no Brasil
também. Igreja empresa, qual é a
perspectiva da cultura? é aliado que
permite estratégias e ações. A gente faz
para o que é um negócio de marketing. O
estilo da música gospel, alvo final
números. O que importa é a satisfação
independente
do da consistência da coerência e da
ética. A igreja política, ação
mobilizadora, o pastor, o estilo é
popular, a ação é política. a palavra
engajamento na dita causa. E a igreja
missional confrontada
pela cultura, a cultura confrontada pelo
evangelho e ao mesmo tempo é ponte para
contextualização. O estilo musical
contextualizado para comunicar com quem
vai participar. Alvo final é maturidade
e a palavra-chave é missão.
Como é que a gente faz missão, seja no
Brasil ou seja no Japão, como disse o
amigo Saião, que que a gente pode
refletir a esse respeito? Vamos lá para
algumas coisas. Na versão a mensagem,
esse texto eu vou passar, pode passar
rápido porque ele ele nos próximos ele
vai aparecer, né? Quando depois vocês
podem ler, eh, pode passar mais um
slide, mais um.
Vocês vão ver o evangelho anunciado e
pregado e vamos ver o que que acontecia
na igreja primitiva, que é valor.
Primeiro, pregando salvação. Em nenhum
momento que você vai fazer, você abre
mão da essência. O que que Pedro diz na
proclamação em Atos 2? mudem de vida,
voltem-se para Deus e sejam batizados,
cada um de vocês no nome de Jesus Cristo
para que seus pecados sejam perdoados. O
que que é o foco da igreja em na
sintonia com Atos? No próximo slide aí
na sequência, eles passaram a seguir o
ensino dos apóstolos. Foco na palavra,
próximo slide. Conseguimos aí?
Ah, adiante que eu já vou pro próximo.
Isso passar a seguir. Depois, a igreja
primitiva, fundamentada naquilo que Deus
tem, tem a ver com o poder no espírito.
Isso acontece. É uma questão de luta
espiritual, de oração. Todos ficaram
perplexos com sinais e maravilhas
realizados por meio dos apóstolos. Na
sequência, passando rapidamente aí, é
próximo já. simplicidade na sequência.
Como é que era a vida desses dípulos
passaram a seguir a vida em comunidade?
Olha que coisa, em refeição comunitária
e a prática da oração. A relação
comunitária tem impacto impressionante.
Por aqui nós temos uma pessoa que
recentemente aceitou o evangelho. Ela
mora aqui perto. Ela é vizinha, nunca
teve coragem de vir para esse lugar
estranho chamado Igreja Batista Nações
Unidas. Deve ser sucursal da ONU. O que
que é isso aí? Aí ela disse o seguinte:
"Um dia eu saí aqui, eu vi que as
pessoas estavam saindo daí felizes." Aí
eu falei: "Por que será que ela vou lá
ver?" Aí veio e tá aqui, né? Mais feliz
do que a gente imagina. Que que tinha na
igreja primitiva, pessoal? Alegria
desmedida. Os discípulos estavam cheios
do Espírito Santo, mas estavam cheios de
alegria. Cada refeição era uma
celebração vibrante e alegre, com muito
louvor a Deus. Hoje em dia tem um
negativismo tão grande em ambientes
religiosos. O mundo tá ruim. O sujeito
parece que está chupando limão o dia
todo e tá querendo contaminar os outros.
Socorro. Compaixão e renúncia. Olha a
sequência. Os crentes viviam numa
harmonia maravilhosa e tinham tudo em
comum. Vendiam o que possuía e deixava
os recursos à disposição para atender as
necessidades de quem precisasse.
E como é que era esse evangelho?
impactante. O povo da, olha que coisa, o
povo da cidade apreciava o que via.
Todos os dias o número deles aumentava e
Deus acrescentava os que iam sendo
salvos. Então isso é realidade missional
para todos os lugares, em todos os
tempos. Então a pergunta é: qual é o meu
papel na missão? Eu fui chamado para
servir. A fé bíblica que faz diferença
de verdade na vida das pessoas é quando
alguém vê, né, que o mundo tá um
desastre, tá uma desgraça,
tá uma loucura. Aí vê que alguém mudou o
vetor da sua vida, alguém tá interessado
realmente no bem dos outros. Alguém foi
abraçado por amor incondicional de Deus
em Cristo e essa pessoa quer fazer
diferença. O pessoal pode falar o que
for, isso atinge a pessoa no fundo do
coração. Isso floresce depois, mais cedo
ou mais tarde.
A igreja em missão. Que que é isso?
Quando o descrente tem prioridade na
missão, a gente faz as coisas pra gente,
quando na verdade o foco principal é a
pessoa de fora. Quando eu sinto a dor do
mundo e passo a agir, quando os nossos
projetos mostrarem, o que que é graça,
pessoal? Não é o amor incondicional, não
é receber o que a gente não merece.
Quando você faz alguma coisa para
beneficiar os outros sem querer nada em
troca, você tá pregando graça de maneira
concreta. Não é ação social, é evangelho
encarnado. A diferença é quando a missão
atrair pessoas para Jesus é quando eu
deixo o comodismo
e pago o preço. Aí você diz: "Arrael,
mas no Japão é difícil porque o povo é
fechado, porque o povo não reage?" Pois
é. Será que é difícil? Vamos ver. Olha
na sequência. Um grupo resolveu fazer um
projeto na Alemanha.
O alemão tem cara de japonês. É o
japonês da Europa, quieto, sossegado,
silencioso, fechado à distância, né? Eu
tive um amigo que estudou na Alemanha e
ele falou que depois de 2 anos o cara
convidou ele para almoçar na casa dele.
Aí ele foi e aí o cara falou para ele:
"No domingo que vem me diga quantas
batatas e quantas salsichas você vai
querer comer pro cara já ter uma semana
antes para ele saber exatamente quantas
batatas, porque não pode sobrar nada".
Pessoal é biruta, é igual japonês, tudo
doido.
Que que eles fizeram na Alemanha? Passa
na sequência, eles abriram um projeto
que começou, sabe como? Eles começaram
fazendo um café.
Aí as pessoas começaram a vir no café e
interagir do café. Eles passaram a fazer
visita nas casas com esse pessoal. E aí
esse café abriu um espaço que virou o
que? Qual é o o próximo passo teológico
do café? Restaurante. É claro. Abriu-se
um restaurante, a comunidade cresceu, o
pessoal tem mais de 1000 membros em 8
anos num ambiente difícil por causa da
abordagem. Então eles fizeram todo, eu
vi um lançamento de um carro num lugar
como esse, com pertinência na comunidade
e fazendo toda a diferença. Portanto,
ah, deixa eu ver como é que tá o meu
tempo aí, por favor, quantos minutos nós
temos, porque aqui a gente tem que ser
certinho. Vamos lá. Ah, OK. Temos mais
um tempinho. Então, o que que é
importante pensar em fazer? Eventos,
pontes, que são eventos. eventos e
projetos não necessariamente religiosos,
que criam uma ponte com a igreja, a
comunidade. Isso pode ter a ver com o
mundo business, com família, com arte.
Pode colocar o próximo slide, musicais,
teatro, para você estabelecer uma
relação de conexão, de pertinência,
porque mais do que passar uma ideia,
você precisa estabelecer um vínculo
relacional e abrir um caminho para as
pessoas passarem a a confiar em você, a
ter conexão verdadeira com você e não
parecer a ideia que você quer atrair o
indivíduo só para dar jogar uma ideia na
cabeça dele para você fazer parte do seu
grupo. Isso é antiumano,
antiraelacional, é o interesse real pela
pessoa. Isso faz toda a diferença. E,
portanto, quais são as nossas
necessidades? Refletir a partir da boa
teologia,
ler a sociedade ao redor. As pessoas que
Deus ama são as que estão aí fora, que
estão consumindo o que tá chegando a
elas, que estão desenvolvendo a ideia,
que estão tendo as expect. Se a gente
não conhecer isso, você não vai
conseguir falar com essas pessoas de
jeito nenhum.
entender o meu contexto imediato. Vou
fazer um projeto onde, que cidade, qual
é o grupo, qual é a necessidade, qual é
a relação? Que tipo de música faz
sentido? O que que essas pessoas
assistem? Qual é a realidade deles? não
entregar um pacote pronto, uma espécie
de doritos de Cristo para todo mundo
comer.
Arte e cultura são meios de comunicação
efetivos e precisam fazer diferença. E é
a gente, ao mesmo tempo em que tudo isso
assim anunciar pessoal,
o evangelho é a coisa mais poderosa que
tem nesse mundo. O evangelho verdadeiro,
o amor incondicional de Deus, quando é
transmitido, não tem ninguém que
sustente o coração impassível diante
disso. A pessoa, no mínimo, ela tem que
se revoltar, porque a coisa é forte
demais. Por eu acho que acho tão
engraçado, acho o pessoal querendo
defender a Deus, fazer toda uma briga
apologética. Quando as pessoas começam a
gritar contra Deus, é porque tá tá
mexendo,
é porque tá fazendo diferença que ele
não aguenta. Então ele precisa berrar.
Pode berrar, grita, eu grito junto.
Aliás, Deus é um Deus que inclusive
sofre com a gente, que é uma das ênfases
do próprio Chusaku na sua reflexão.
Anunciar o evangelho puro, simples,
marcado pela graça e fazer projetos
marcados pelo amor que vem da graça. E
terminando, quero só mencionar a palavra
de Diton Hoffers, um pensador, um
teólogo que enfrentou um momento de
totalitarismo terrível na Alemanha e na
Europa. Ele diz uma coisa muito
significativa. A igreja, muito mais do
que uma instituição, é Cristo que existe
sob a forma de igreja. Cristo não está
um pouco presente através da igreja,
não. Ele existe hoje para nós sob a
forma da igreja. Quer dizer, o que que
tá de Cristo presente no mundo é o seu
corpo que somos nós. Então, nós somos,
né? Vocês aí, alguns talvez sejam cacurê
crist cristiano, né? um crente escondido
aí, ã, o aquilo que marcou a história,
né, que ainda tem reflexos no Japão.
Esse dia vi uma reportagem sobre isso,
né? A igreja, pessoal, existe para o
mundo. A igreja existe para o Japão.
Deus abençoe Jesus para o Japão.
>> [aplausos]

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