Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Quando a Graça de Deus Te Irrita | Josemar Bessa

Quando a Graça de Deus Te Irrita  | Josemar Bessa

Quando a Graça de Deus Te Irrita | Josemar Bessa

QUERO SER MANTENEDOR DESTE MINISTÉRIO:

Pix 21 999811424
Pix [email protected]
Pix 011.737.737.62

PayPal – [email protected]

Caixa Econômica Federal
Agência 4087
Operação 013
Conta 51850-3

Banco Inter ( Beleto bancário )
Agência 0001
C/ C 60240490
CPF 011.737.737.62
Claudia Vidal Bessa

Banco do Brasil
Agência 4315-x
Conta poupança 14957-8
Operação 051
Claudia Vidal Bessa

REDES SOCIAIS:

💻 Site: http://www.josemarbessa.com/
🐦 Twitter: https://twitter.com/JosemarBessa
📷 Instagram: http://www.instagram.com/josemarbessa
💎 Facebook: https://www.facebook.com/josemarbessa
💎 Facebook Page: https://www.facebook.com/pastorjosemarbessa
💌 Email: [email protected]
🎬 Youtube – Josemar Bessa – https://www.youtube.com/user/JosemarBessa
🎬 Youtube – ReformedSound – https://www.youtube.com/user/reformedSound
🎬 Youtube – SpurgeonTv – https://www.youtube.com/user/spurgeontv

#José #Tentação #Santidade #Gênesis39 #VidaCristã

Legendas automáticas:

Há livros que terminam com uma resposta.
Jonas termina com uma pergunta. Deus
fala e o profeta não responde.
Você
teve compaixão da planta
que não cultivou, nem fez crescer, que
nasceu numa noite
e numa noite morreu.
E eu não deveria ter compaixão da grande
cidade de Nínive, onde há mais de
120.000 pessoas que não sabem discernir
entre a mão direita
e a esquerda,
além de muitos animais?
Jonas é 4, né? 10 e 11.
E então,
o livro termina.
Nenhum amém,
nenhum arrependimento registrado,
nenhuma última oração de Jonas,
nenhuma cena em que o profeta volta para
casa transformado,
apenas uma pergunta suspensa sobre a
última página.
É uma forma estranha de terminar uma
história,
a não ser que a pergunta não tenha sido
deixada ali apenas
para Jonas.
A não ser que Deus tenha terminado a
conversa com o profeta
e começado outra conosco, porque o livro
de Jonas não é, no fundo, uma história
sobre um peixe.
O peixe ocupa poucos versículos. Nínive
ocupa ocupa mais, não é?
A erva de Jonas ocupa mais.
E o coração de Deus ocupa tudo.
Jonas
é uma história sobre um homem religioso
que consegue confessar a doutrina certa,
exercer um ministério real, receber uma
segunda oportunidade,
pregar uma mensagem eficaz e ainda assim
descobrir, no fim,
que existem partes do seu coração onde a
graça que ele anuncia
ainda não entrou.
É possível saber que a salvação vem do
Senhor e ao mesmo tempo desejar que
determinadas pessoas não sejam salvas.
É possível defender a soberania de Deus
e ficar furioso quando Deus usa a sua
soberania de uma maneira que não
favorece
nossa opinião,
nosso grupo, nossas ideias.
É possível chamar
Deus de gracioso e compassivo e
pronunciar essas palavras como acusação.
É possível estar
teologicamente certo e espiritualmente
torto.
Esse
é o terror
do livro.
E também sua misericórdia, porque Deus
não abandona Jonas, apesar de tudo isso.
Deus não abandona Jonas quando o profeta
foge.
Não abandona quando ele dorme no fundo
do navio, não abandona quando ele é
lançado ao mar,
não o abandona quando sua oração ainda
possui
pontos, eh, cegos,
não o abandona quando ele
prega sem amar,
não abandona quando ele se assenta
do lado de fora da cidade esperando que
milhares de pessoas morram.
Deus continua falando,
continua perguntando, continua expondo,
continua perseguindo o coração do seu
servo.
A graça,
a graça que envia
Jonas a Nínive é a mesma graça que não
desiste de Jonas.
Isso importa porque nossos ídolos mais
perigosos nem sempre estão nos lugares
que julgamos
pecaminosos.
Alguns são respeitáveis,
alguns são coletivos, alguns são
culturais,
alguns sabem usar linguagem moral,
alguns sabem vestir terno, alguns sabem
carregar Bíblia,
alguns sabem cantar hinos,
alguns sabem dizer: "A salvação vem do
Senhor", como Jonas disse,
e continuam sendo ídolos.
Então,
há idolatrias
que uma pessoa se conscientemente
E há idolatrias que aprendemos
simplesmente por respirar o ar
de uma cultura, de uma sociedade.
Uma cultura não é apenas um conjunto de
comidas, roupas, músicas e
costumes.
Ela também ensina silenciosamente o que
deve ser admirado,
o que deve ser temido,
o que deve ser perseguido e o que deve
ser sacrificado.
Toda cultura possui uma espécie de
catecismo
não escrito.
Ela
responde perguntas como: o que torna uma
vida bem-sucedida? O que faz uma pessoa
valer mais?
O que não podemos perder?
O que justifica um sacrifício?
O que merece o melhor dos nossos anos?
Que tipo de fracasso é imperdoável?
Em determinadas sociedades, a resposta
pode ser
honra familiar.
Em outras,
liberdade individual. Em outras,
estabilidade.
Em outras, prestígio. Em outras, lucro.
E quando uma resposta criada se torna
absoluta,
ela começa
a exigir culto.
O lucro
é um bom exemplo, porque dinheiro é uma
ferramenta legítima
e lucro pode ser resultado legítimo de
trabalho, investimento, risco,
criatividade
e serviço real.
A escritura
não romantiza incompetência.
Provérbios elogia diligência. Provérbios
10:4, 12:24.
Paulo ordena que o cristão trabalhe com
as próprias mãos
e tenha o que repartir. Efésios 4:28.
A mulher virtuosa de Provérbios 31
compra campo, planta vinha, negocia e
percebe que seu comércio é lucrativo,
né? Em Provérbios 31.
O problema nunca foi a existência de
lucro.
O problema começa quando o lucro deixa
de ser um bem entre outros bens
e se torna o bem que decide o valor de
todos os demais.
Quando isso acontece, honestidade passa
a ser boa porque funciona.
Generosidade passa a ser boa porque
melhora a marca.
Cuidar de empregados passa a ser bom
porque aumenta a produtividade.
Preservar criação passa a ser bom porque
protege valor de longo prazo.
E perceba o que aconteceu.
Coisas que deveriam possuir um valor
moral próprio
foram transformadas em servas de um
único Deus.
Se um dia
a mentira der mais lucro que a verdade,
o sistema fica sem argumento
para continuar dizendo a verdade.
Se explorar alguém for economicamente
vantajoso e o único critério absoluto
for o torno, a pessoa terá sido reduzida
a custo.
Se tudo precisa justificar sua
existência na linguagem do resultado
financeiro, então o dinheiro deixou de
ser meio,
virou juiz.
Jesus
não disse que dinheiro era uma
substância maligna, mas falou dele como
um senhor rival. Vocês não podem servir
a Deus
e ao dinheiro, né? Mateus 6:24.
Servir
é linguagem de
senhorio.
Que o dinheiro pode deixar de morar no
bolso e subir
ao ao trono.
Paulo faz um movimento semelhante quando
diz que a ganância é idolatria,
Colossenses 3:5. A Bíblia não está
apenas condenando pessoas que desejam
ter mais coisas.
Está revelando que um valor econômico
pode receber função religiosa.
Pode dizer quem é importante, pode
decidir quem é descartável, pode definir
o que merece mais o nosso tempo,
pode determinar o que chamaremos de
sucesso.
E quando uma cultura inteira aprende a
pensar assim, ninguém precisa acordar de
manhã dizendo: "Hoje
adorarei o lucro".
Basta perguntar diante de toda decisão:
"Quanto isso rende"?
A liturgia já começou, o culto, não é?
É isso que torna os ídolos culturais tão
difíceis
de enxergar.
Quando todos se curvam, parece que
ninguém está se curvando.
Quando toda a sala chama alguma coisa de
normal,
precisamos de uma palavra vinda de fora
da sala para perguntar se o normal é
santo.
Paulo diz: "Não se amoldem ao padrão
deste mundo, mas transformem-se pela
renovação
da sua mente". Romanos 12:2.
O mundo
O mundo possui moldes.
A graça quebra moldes.
Isso vale tanto para mercados quanto
para famílias, universidades, partidos,
grupos sociais, igrejas.
Nenhuma cultura é neutra.
Nenhuma cultura
é o reino de Deus.
Toda cultura manifesta graça comum.
Se é que essa palavra pode ser usada,
não é? Toda cultura também carrega
distorções do pecado.
E o cristão não recebe autorização para
batizar automaticamente os hábitos
de sua tribo.
A pergunta é sempre mais profunda.
O que aqui está sendo tratado como
supremo?
Talvez
a parte mais desconcertante seja esta:
Religião não está imune à idolatria, não
é? Ela pode ser um dos lugares em que a
idolatria se esconde mais facilmente,
onde se esconde melhor.
Isso acontece
quando transformamos instrumentos de
comunhão com Deus em substitutos de
Deus.
Doutrina, por exemplo. Doutrina importa.
Erro sobre Deus não é um detalhe, é
crucial.
Paulo combate falsos evangelhos com
severidade total em Gálatas 1:6, por
exemplo. Judas ordena que a igreja
batalhe pela fé entregue aos santos, em
Judas 3.
Jesus corrige
mentira religiosa. Os apóstolos escrevem
para preservar a verdade. Sem ela
perdemos o evangelho, perdemos tudo. Mas
é possível defender a justificação pela
fé e tentar justificar a si mesmo por
estar teologicamente correto.
E achar que o que está te justificando é
isso. É possível confessar a depravação
total e usar essa doutrina para
sentir-se superior aos que não a
compreendem.
É possível afirmar que somos salvos pela
graça
e tratar o erro de outra pessoa como
prova de que pertencemos a uma classe
espiritual mais nobre.
Nesse momento, a verdade não deixou de
ser verdade.
Mas nosso uso dela se tornou idólatra.
Provérbios descreve o zombador como
alguém
marcado por arrogância e desprezo.
Provérbios 21:
24.
O zombador não apenas discorda, ele
precisa
diminuir.
Isso deve nos assustar, porque a cruz
deveria fazer exatamente o oposto. A
cruz nos dá convicção sem nos dar base
para soberba.
Ela nos permite dizer: "Isto é verdade",
e ao mesmo tempo confessar: "Eu não
estaria de pé
diante desta verdade se a graça não
tivesse vindo me buscar,
me tirado da morte,
curado minha cegueira".
>> Paulo
Paulo pergunta aos Coríntios: "Quem
torna você
diferente de qualquer outra pessoa?
O que você tem que não ter recebido? E
se o recebeu, por que se orgulha como se
assim não fosse?"
Primeira Coríntios 4:7.
Essa pergunta destrói
superioridade
religiosa.
Conhecimento recebido não é salário, é
graça.
Outro ídolo religioso é o ministério.
Dons espirituais são dons.
Fruto do Espírito é fruto.
As duas coisas não são iguais.
Uma pessoa pode ser
eloquente e orgulhosa.
Pode ensinar multidões e tratar mal a
família.
Pode liderar e não saber perdoar. Pode
ter influência e não possuir mansidão.
Pode ter sucesso visível e estar secando
por dentro.
Jesus disse
que haverá pessoas dizendo: "Senhor,
Senhor,
não profetizamos em teu nome?" E ainda
assim revelando que nunca o conheceram.
Mateus 7:22.
Isso não torna o ministério irrelevante.
Torna-o incapaz de justificar o
ministro.
O número de pessoas alcançadas não é a
justiça imputada de Cristo.
O crescimento de uma igreja não é
adoção.
O convite para pregar não é ser um de
santidade.
A aprovação de ouvintes não é o veredito
final
do pai.
Quando um servo começa a precisar do
ministério para saber que Deus o ama, já
não está apenas servindo
a Deus.
Pode estar construindo um altar para si
mesmo.
Há ainda a moralidade.
A obediência é boa, é óbvio.
A santidade é essencial, é necessária.
Sem santidade, ninguém verá o Senhor.
Hebreus 12:14.
A graça que justifica também santifica.
Mas a moralidade vira ídolo quando passa
a funcionar como moeda.
Eu fiz isso, portanto, Deus deve fazer
aquilo.
Eu fui fiel, portanto, por que isso está
acontecendo comigo?
Eu me comportei, portanto, mereço uma
vida melhor.
Eu não sou como eles, portanto, Deus é
deve me tratar de modo diferente.
Essa é a oração do fariseu em Lucas 18.
Ele menciona a Deus, mas confia em si
mesmo.
Ele agradece, mas se exalta.
Ele ora, mas apresenta o seu currículo.
O publicano não possui currículo para
apresentar. Deus,
tem misericórdia de mim,
o pecador, né, Lucas 18:13.
Jesus disse que ele voltou justificado.
Então, é,
a religião pode nos aproximar de Deus. A
religião também pode ser usada para
fugir dele. Jonas
provará isso, porque Jonas conhece a
Deus.
Jonas ouve Deus. Jonas fala por Deus.
Jonas recebe uma missão de Deus. E Jonas
foge de Deus justamente porque conhece
uma coisa verdadeira sobre Deus que não
suporta vir aplicada aos seus inimigos.
Há um
momento
em que a idolatria deixa de ser apenas
uma preferência particular e se
transforma
em ambiente.
Uma pessoa pode adorar dinheiro. Uma
sociedade pode organizar a própria
imaginação em torno dele.
Uma pessoa pode idolatrar autonomia. Uma
cultura pode ensinar desde cedo que
qualquer limite externo é suspeito e que
ser livre significa poder definir a si
mesmo sem receber identidade de ninguém.
Uma pessoa pode idolatrar família. Uma
sociedade pode transformar sangue,
sobrenome e honra do clã em absolutos,
diante dos quais verdade e justiça
precisam
se curvar. Quando isso acontece, o ídolo
ganhou instituições, ganhou histórias,
ganhou heróis, ganhou frases
que todos repetem sem lembrar
quando aprenderam.
Ganhou recompensas sociais para quem se
conforma
e sanções para quem pergunta demais.
É por isso que duas culturas podem olhar
uma para a outra e reconhecer
rapidamente os ídolos alheios,
enquanto permanecem quase cegos aos
próprios.
Culturas podem fazer isso, como pessoas
podem fazer isso. Uma sociedade
tradicional vê com facilidade a solidão
produzida pelo individualismo ocidental,
por exemplo.
Uma sociedade individualista vê com
facilidade a opressão que pode nascer
quando família ou comunidade recebe
autoridade absoluta.
Uma cultura de mercado
percebe a ineficiência de estruturas
excessivamente centralizadas. Uma
cultura desconfiada do mercado percebe a
crueldade que pode surgir quando tudo é
precificado.
Cada uma costuma possuir olhos aguçados
para o pecado do outro.
A catarata
está no seu olho, não é?
Então, a escritura não nos permite
essa tranquilidade, porque a Bíblia não
divide o mundo entre
nossa cultura boa e a cultura deles má.
Ela começa com uma humanidade inteira
caída em Adão, como está em Romanos
5:12.
Todos, todos pecaram. Todos possuem
dignidade, porque todos carregam a
imagem de Deus.
Gênesis 1:26. Todos possuem corrupção,
porque todos pecaram.
Gênesis 3, hum,
de 9 até o 20 e alguma coisa.
Todos vivem debaixo da bondade
providencial de Deus e faz nascer o sol
sobre maus e bons, Jesus fala em Mateus
5:45.
E nenhuma sociedade possui imunidade
contra a idolatria.
Gênesis 11 mostra isso de maneira quase
arquitetônica. Babel não é apenas um
conjunto de indivíduos orgulhosos, é um
projeto coletivo.
A tecnologia, a coordenação, a cidade, a
torre.
Há uma narrativa comum.
Vamos, vamos, você vê, construir uma
cidade e tornar célebre
o nosso nome. Gênesis 11:4.
Perceba, o pecado ganha tijolos, ganha
engenharia, ganha planejamento urbano,
ganha linguagem pública.
O desejo de fazer um nome deixa de morar
apenas no peito de uma pessoa e passa a
organizar
uma cultura, uma civilização.
Isso é idolatria cultural e é por isso
que
arrependimento cristão não pode ser
apenas
é
é, é
individual no sentido estrito. O coração
se arrepende, mas também precisa
reaprender
é, é a si mesmo, né? Precisa reaprender
a enxergar as estruturas e histórias que
lhe ensinaram o que amar, o que não
amar, o que valorizar e o que não
valorizar.
Israel recebeu
esse chamado repetidamente: "Não sigam
os costumes das nações
que vos expulsar de diante de vocês".
Por exemplo, Levítico 20.
Não porque tudo o que existir nessas
culturas fosse igualmente mal, mas
porque havia maneiras coletivas
de organizar a vida, poder, sexo,
riqueza e culto que refletiam outros
deuses.
A igreja recebe chamado semelhante
quando o disse que fomos resgatados da
nossa
vazia maneira de viver, vã maneira de
viver, que lhes foi transmitida por seus
antepassados.
Pelo precioso sangue de Cristo, né,
Pedro 1:18.
Algumas idolatrias são herdadas.
Não escolhemos conscientemente cada uma
delas. Recebemos vocabulário, recebemos
prioridades, recebemos medos, recebemos
desprezos, recebemos uma ideia de quem
merece respeito, recebemos uma ideia de
quem deve ser evitado.
Então o evangelho entra e pergunta: isso
vem de Cristo ou apenas do lugar onde
você nasceu?
Isso é santidade ou costume?
Isso é sabedoria ou medo coletivo?
Isso é fidelidade ou orgulho de classe?
Isso é amor pelo próximo ou proteção do
nosso grupo?
Isso é verdade bíblica ou apenas uma
forma religiosa de nos sentirmos
superiores?
Esse tipo de exame é doloroso porque os
ídolos culturais
nos parecem parte da realidade.
Questioná-los parece questionar o mundo.
Foi exatamente o que aconteceu com
Jonas. Ele não acordou numa manhã e
decidiu inventar nacionalismo religioso.
Ele nasceu em Israel, recebeu a história
de um povo escolhido, conheceu inimigos
reais,
viu ameaças reais, carregou memórias
coletivas.
E todas essas coisas verdadeiras foram
lentamente organizadas ao redor de uma
mentira.
Se Israel é o povo de Deus, então o bem
de Israel deve ser o limite da
misericórdia
de Deus.
A primeira parte da frase,
da ideia, era verdadeira.
A segunda era idolatria.
É assim que falsos deuses mais
sofisticados trabalham.
Não precisam inventar tudo.
Pegam uma verdade, retiram os seus
limites e a transformam em absoluto.
A Bíblia diz: "A palavra do Senhor veio
a Jonas, filho de Amitai.
Vá depressa à grande cidade de Nínive e
pregue contra ela, porque a sua maldade
subiu até a minha presença". É o
iníciuzinho do livro, né? Jonas 1
e 2.
A frase é curta, mas para Jonas ela era
explosiva.
Nínive não era apenas uma cidade
distante, era a cidade do inimigo.
Assíria significava poder militar,
ameaça, violência,
tributo, humilhação e medo
para Israel.
Jonas,
imagine
isso em uma pessoa, por exemplo, uma
pessoa que significasse para você
ameaça, violência, tributo,
prejuízo financeiro, né, humilhação e
medo.
Então, era o que
Nínive representava. Jonas não recebeu
um chamado romântico para conhecer outra
cultura, recebeu ordem para ir à capital
de um império que poderia destruir seu
povo.
E algo ainda mais importante:
uma advertência divina sempre contém uma
janela de misericórdia.
Se não houvesse possibilidade de
arrependimento, não seria necessário
enviar um profeta.
Jonas sabia disso.
Mais tarde ele confessará que foi
exatamente por isso que fugiu.
Ele conhecia Êxodo 34:6,
conhecia o Deus compassivo e
misericordioso, muito paciente, rico em
amor e em fidelidade. O problema não era
desconhecer o caráter de Deus,
era conhecê-lo bem demais para o seu
gosto.
Segundo 2 Reis 14:25,
Jonas havia profetizado nos dias de
Jeroboão 2 ou
Jeroboão II, né,
sobre a restauração das fronteiras de
Israel. Ele conhecia a linguagem de
nação, território, poder e prosperidade.
Agora o mesmo Deus que havia usado sua
voz em uma palavra favorável
a Israel, manda essa voz atravessar as
fronteiras em direção a Nínive.
A missão expõe o coração, porque até
então
o patriotismo de Jonas podia parecer
fidelidade,
seu zelo pelo povo podia parecer
virtude, seu ministério podia parecer
obediência, mas Deus coloca um inimigo
diante dele.
Então descobrimos qual amor era
realmente absoluto.
O texto diz que Jonas se levantou.
Por um instante parece obediência, não
é?
Mas ele se levanta para fugir da
presença do Senhor. Jonas 1:3.
Deus diz leste, Jonas compra passagem
para o oeste.
Deus diz Nínive, Jonas busca Társis.
Deus diz levante-se e vá, Jonas
levanta-se e foge.
É possível usar energia obediente para
realizar uma rebelião.
É possível ser decidido, disciplinado,
sacrificial e completamente
desobediente.
Nem toda intensidade é santidade, nem
toda convicção é fidelidade,
nem todo zelo
é do Espírito.
Paulo fala de israelitas que tinham zelo
por Deus, mas o seu zelo não se baseia
no conhecimento
ou no entendimento, não é? Romanos 10:2.
Jonas tinha conhecimento, mas seu
conhecimento não havia vencido seu
ídolo.
Ele não queria que Nínive recebesse
graça.
Isso revela uma das formas mais
perigosas de idolatria cultural,
não é?
Quando o bem do nosso grupo se torna tão
absoluto que a misericórdia de Deus para
o grupo rival começa a parecer
injustiça.
Isso também
é verdade nos dos pessoais, não é?
Quando, eh,
eh,
o nosso bem
se torna um absoluto tão grande
e
tão absoluto que a misericórdia de Deus
para alguém
que nos fez mal começa a parecer
injustiça. Nesse momento, não estamos
mais apenas amando o nosso povo ou nos
amando. Estamos pedindo que Deus ame
apenas como nós amamos.
Queremos um Deus tribal.
Um Deus que santifique nossas fronteiras
emocionais.
Um Deus que considere nossos inimigos
irredimíveis.
Um Deus cuja compaixão
pare onde nossa compaixão termina.
Mas o Deus de Jonas não cabe dentro de
Israel.
Como o nosso Deus não está limitado a
nós. Ele criou o mar para o qual Jonas
foge. Criou o vento que alcançará o
navio.
É senhor dos marinheiros pagãos.
É senhor dos ninivitas violentos.
É senhor do peixe.
É senhor da planta. É senhor da lagarta.
É senhor do profeta.
É senhor de tudo.
É o que você vai ver o tempo todo nesse
livro. A soberania de Deus, no livro de
Jonas, não é uma doutrina abstrata. É a
razão pela qual nenhuma fronteira que
Jonas traça consegue impedir a graça de
Deus de atravessá-la.
Jonas
desce a a Jope.
Desce ao navio. Desce ao porão e dorme.
Enquanto ele dorme, o mar começa a
pregar.
O Senhor, porém, fez soprar um forte
vento sobre o mar
e caiu uma tempestade tão violenta que o
barco ameaçava
arrebentar-se.
É o que Jonas 1:4 diz. Os marinheiros
ficam com medo.
Cada um clama ao seu Deus. Lançam a
carga ao mar. Tentam sobreviver e o
profeta do Deus verdadeiro está
dormindo.
Há uma ironia dolorosa aqui, não é?
Pagãos estão orando, o profeta está
silencioso. Pagãos tentam salvar vidas,
o profeta fugiu porque não queria
participar da salvação de uma cidade.
O capitão acorda Jonas e diz,
em essência, levante-se e clame ao seu
Deus.
Quase as mesmas palavras com que Deus
iniciaram livro, levante-se.
Deus precisou usar o marinheiro pagão
para repetir ao profeta o verbo da sua
vocação.
A sorte cai sobre Jonas.
As perguntas começam, quem é você? De
onde vem? Qual é o seu povo? Qual é a
sua ocupação?
Jonas responde com uma confissão
esplêndida, sou hebreu,
adorador do Senhor, o Deus dos céus, que
fez o mar e a terra.
A teologia
está correta, o comportamento é absurdo.
Ele está fugindo
por mar do Deus que ele mesmo confessou
ter feito o mar.
Isso é idolatria em estado puro, não é
falta de informação.
É conhecimento reorganizado por um amor
errado.
O ídolo não precisa apagar
toda a doutrina,
toda a doutrina verdadeira
da tua mente, da minha mente. Basta
impedir que a doutrina governe a parte
do coração que ele ocupou.
Jonas sabe que Deus fez o mar,
mas vive
como se Tarsis estivesse fora do alcance
dele.
Jonas sabe que Deus é Senhor, mas se
comporta como se o chamado fosse
negociável.
Jonas sabe que Deus é gracioso, mas
deseja que a graça seja seletiva.
Os marinheiros perguntam, como você pôde
fazer isso?
Jonas 1:10.
Outra ironia, né?
Os pagãos estão moralmente chocados com
o profeta.
Eles ainda tentam remar de volta para
terra, mesmo depois de Jonas dizer que
deve ser lançado ao mar. Eles não querem
matá-lo.
Jonas, que não quer misericórdia para
Nínive,
está cercado de estrangeiros que
demonstram misericórdia por ele.
O livro
está mexendo em nossas categorias. O
religioso não é automaticamente o mais
compassivo.
O estrangeiro não é automaticamente o
vilão. A graça comum de Deus aparece
onde Jonas não esperava.
E quando finalmente os homens o lançam
ao mar,
a tempestade cessa.
Eles temem o Senhor, oferecem sacrifício
e fazem votos. Jonas 1:16.
Jonas fugiu de uma missão aos gentios.
Deus começou uma missão aos gentios
dentro do próprio navio da fuga.
A desobediência do profeta não derrota a
soberania divina,
mas isso não torna a desobediência
inocente.
Deus é tão soberano que pode escrever
linhas retas com instrumentos tortos.
E tão santo que continua
chamando o torto de torto.
Então Jonas
afunda. E o Deus
de quem ele fugia providencia o peixe
que o engole.
O peixe não é castigo final.
É misericórdia estranha.
Nossa vida muitas vezes vai ter assim
algo nos engolindo.
Isso é misericórdia estranha.
Aquilo que parece túmulo se torna
abrigo. Jonas desce às profundezas, mas
não desce sozinho.
O Senhor providenciou um grande peixe.
Jonas 1:17. Providenciou. A graça já
está no fundo do mar antes do profeta
chegar lá.
E dentro do peixe Jonas ora.
Sua oração é bíblica, cheia de ecos dos
Salmos, cheia de gratidão, cheia de
consciência
da soberania de Deus. Ele reconhece que
a salvação não vem de sua força.
"Na minha angústia clamei ao Senhor e
ele
me respondeu". Jonas 2:2.
Ele olha novamente para o santo templo.
Ele reconhece que desceu.
Ele lembra das águas das profundezas e
das algas.
Então pronuncia uma das grandes frases
da Bíblia.
"Os que se apegam a ídolos inúteis
abandonam o amor que lhes poderia ser
fiel".
"A salvação
vem do Senhor".
Jonas 2:8 e 9. Que frase!
E que homem estranho para pronunciá-la,
né?
Jonas fala sobre idólatras como se eles
estivessem em algum lugar fora do peixe.
Ele vê a idolatria deles,
ainda não vê plenamente a sua.
Isso acontece conosco o tempo todo. É
muito mais fácil reconhecer um Deus
quando ele mora no coração de outra
pessoa.
O idólatra do dinheiro enxerga a
idolatria da política.
A idólatra o o o
idólatra da política enxerga a idolatria
do prazer.
O idólatra da tradição enxerga a
idolatria da autonomia. O idólatra da
autonomia enxerga a idolatria da
tradição,
o legalismo. O idólatra da doutrina
enxerga a idolatria do emocionalismo. O
idólatra do emocionalismo enxerga a
idolatria
supostamente da doutrina. E todos
conseguem escrever diagnósticos
excelentes uns sobre os outros.
Jonas sabe que os que se apegam a ídolos
inúteis abandonam a
hesed.
A palavra hesed ou resed carrega a ideia
de amor fiel da aliança.
A misericórdia persistente de Deus.
Jonas
Está começando a entender algo
gigantesco. Se a salvação é realmente
graça, ela não pode ser
posse étnica.
Se é graça, Israel não a comprou.
Se é graça, Jonas
Não a merece.
Se é graça, o marinheiro não está longe
demais. Se é graça, nem Nínive pode ser
excluída antes que Deus fale.
A salvação vem do Senhor.
Não do sangue, não da nacionalidade, não
do currículo moral, nem da precisão
cultural,
Nem do sucesso ministerial. A salvação
vem do Senhor.
Soli Deo.
Mas conhecer a frase ainda não é ser
governado por ela.
Aqui o livro faz algo pastoralmente
profundo. Jonas está mudando, mas ainda
não terminou de mudar.
O peixe vomita em terra seca.
Deus lhe
lhes dá nova oportunidade, né?
E alguém poderia pensar: pronto, o
profeta aprendeu.
O problema terminou.
Não terminou.
Há verdades que compreendemos em uma
crise e que precisam ser reaprendidas
quando nossa identidade é ameaçada.
Há confissões que fazemos no fundo do
mar e esquecemos à sombra de uma planta.
A teologia que chega à boca antes de
chegar aos afetos, às afeições. A
doutrina que organiza nossa biblioteca
sem ainda ter reorganizado
Nossa raiva.
Nosso ressentimento. Por isso
santificação não é um momento de
insight.
É obra contínua da graça. O coração não
é um quarto em que trocamos uma lâmpada
e tudo fique iluminado de uma vez.
Há corredores, alçapões,
há portas trancadas e o espírito
Continua
Abrindo.
A resistência de Jonas
A resistência de Jonas a Nínive não é
apenas um problema pessoal, ela
contradiz a direção inteira da promessa
bíblica.
Quando Deus chama Abraão diz: "Farei de
você um grande povo e o abençoarei e por
meio de você todos os povos da terra
serão abençoados". Gênesis 12:2.
Eleição já nasce com horizonte
missionário.
Deus escolheu um homem,
forma um povo, mas sua intenção nunca é
construir uma redoma de graça em torno
de uma etnia.
A promessa tem direção centrífuga a
todos os povos da terra. O Salmo 67
transforma isso em oração: "Que Deus
tenha misericórdia de nós e nos abençoe
para que sejam conhecidos na terra os
teus caminhos, a tua salvação entre
todas as nações".
Observe a lógica: abençoa-nos
para que tua salvação seja conhecida
entre as nações. Misericórdia recebida
quer tornar-se testemunho.
Jonas inverte a oração, ele deseja
misericórdia para Israel sem desejar que
os caminhos de Deus alcancem a Síria.
Quer eleição sem missão.
Aliança sem transbordamento, graça que
entra mas não sai.
Só que os profetas já anunciavam outra
coisa. Isaías vê nações correndo para o
monte do Senhor. Isaías 2:2.
Fala do Senhor como luz para os gentios
para levar salvação até os confins da
terra. Isaías 49:6.
Por exemplo, o Salmo
87
ousa imaginar até em
antigos inimigos contados entre os que
pertencem a Sião.
E o próprio livro de Jonas encena
essa expansão antes que Jonas queira
admiti-la. Marinheiros gentios temem o
Senhor.
E Nínive é gentia e se humilha diante da
palavra.
O rei pagão desce do trono.
E o profeta da aliança fica do lado de
fora, irritado.
O livro não está dizendo que
conhecimento de aliança é irrelevante.
Está dizendo que conhecimento sem
coração de aliança pode se tornar nova
forma de orgulho.
A graça soberana não existe para nos
fornecer um motivo mais refinado de
superioridade.
Ela destrói superioridade.
Paulo faz exatamente esse movimento em
Romanos 11.
Gentios foram enxertados na oliveira.
Qual é a aplicação? Não se glorie contra
esses ramos. Romanos 11
18.
E depois, não seja arrogante, mas tema.
Romanos 11 20.
Doutrina da eleição
termina em humildade. Doutrina da graça
termina em adoração. Os dele, por ele e
para ele são todas as coisas.
A ele seja a glória para sempre. Romanos
11 36.
Se nossa teologia da graça nos torna
menos misericordiosos, alguma coisa
aconteceu entre a doutrina e o coração.
Se a soberania divina nos dá prazer em
imaginar condenação de pessoas
específicas, mas pouca disposição de
atravessar a rua para lhes anunciar
Cristo,
aprendemos soberania sem aprender a
chorar.
Paulo podia falar sobre eleição e no
mesmo contexto dizer que tinha grande
tristeza e constante angústia por seus
compatriotas incrédulos. É Romanos 9 2.
Jesus
Jesus podia
anunciar juízo
e chorar
sobre Jerusalém ao mesmo tempo. Lucas 19
com
41 em diante, né? Jeremias podia pregar
condenação e ser chamado de profeta das
lágrimas.
A verdade bíblica não produz indiferença
moral.
Também não produz prazer carnal na
perdição de quem quer que seja.
Na perdição alheia.
O Deus que afirma: "Não tenho prazer na
morte do ímpio", chama o ímpio
e converte-se.
É é
a a a a
se converter ter e viver.
E
é o que a gente
também
devia desejar.
Jonas
precisava aprender que a santidade de
Deus não diminui sua compaixão.
E sua compaixão não diminui sua
santidade.
Nínive era culpada.
A violência era real, o juízo anunciado
era justo. E ainda assim Deus enviou uma
palavra.
Isso já era misericórdia.
Toda pregação é misericórdia.
Porque Deus poderia permanecer em
silêncio.
Todo chamado para voltar é evidência de
que a porta ainda está aberta. Toda
advertência bíblica é uma forma da
bondade de Deus nos conduzindo ao
arrependimento.
Como Paulo diz em Romanos 2:4.
Jonas
queria
uma teologia em que a justiça tivesse
endereço estrangeiro.
E a misericórdia tivesse endereço
de casa.
Endereço nacional.
Deus não aceita
esse mapa.
A palavra do Senhor veio a Jonas pela
segunda vez.
Jonas 3:1, né?
Que frase de misericórdia.
Pela segunda vez. Deus não precisava de
Jonas.
Podia ter enviado outro profeta. Podia
ter falado diretamente. Podia ter usado
um anjo.
Mas escolheu restaurar o servo dentro
da missão na qual ele fracassara.
"Vá à grande cidade de Nínive e pregue
contra ela a mensagem
que eu lhe darei".
Desta vez Jonas vai. Então acontece o
que nenhum pregador conseguiria
fabricar. A cidade ouve,
do maior ao menor, a jejum. O rei desce
do trono, tira as vestes reais, se cobre
de pano de saco,
se assenta em cinzas. Há algo quase
litúrgico na inversão. O profeta
precisou ser lançado para baixo a fim de
obedecer. Agora um rei pagão desce
voluntariamente do trono ao ouvir a
palavra de juízo.
"Quem sabe",
ele diz, "talvez
Deus se arrependa e abandone a sua ira e
não sejamos destruídos".
Não há direito reivindicado aqui, não é?
Não há mérito alegado. Quem sabe Deus
não há, Deus nos deve.
Há apenas esperança de misericórdia.
E Deus vê que abandonaram seus maus
caminhos, especialmente sua violência,
não é? Jonas 3:8 e 10.
Ele suspende o juízo anunciado.
Aqui deveria entrar o quê? Música.
Aqui deveria entrar festa.
Aqui o profeta deveria cair de joelhos e
chorar de alegria.
Uma cidade violenta se humilhou diante
da palavra.
O maior sermão de sua vida teve um
resultado
é é é inimaginável.
Se
o ídolo de Jonas
fosse o sucesso ministerial,
este seria seu grande momento.
Mas é exatamente aqui que descobrimos
que até o sucesso ministerial de Jonas
estava subordinado a outro ídolo, a
outro Deus. Jonas, porém, ficou
profundamente descontente com isso e se
enfureceu.
Jonas 4:1.
A misericórdia de Deus
lhe parece mal.
O texto é chocante.
Deus poupa uma cidade, Jonas acusa Deus.
Então ele finalmente confessa porque
fugiu. Eu sabia
que tu és Deus misericordioso e
compassivo, muito paciente, cheio de
amor e que promete castigar, mas depois
perdoa.
Jonas 4:2.
Jonas transforma Êxodo 34:6 em acusação.
Essa é talvez a revelação mais
assustadora do livro, uma das mais
assustadoras da Bíblia. O ídolo não
apenas nos faz pecar contra a doutrina.
Pode nos fazer usar a Bíblia contra
Deus.
Eu sabia que eras assim.
Como se compaixão fosse defeito.
Como se paciência fosse fraqueza. Como
se misericórdia fosse traição.
Como se a graça de Deus fosse boa quando
chegava a Jonas, a mim,
a Jonas no mar, a você, mas escandalosa
quando chegava a Nínive,
em terra firme,
a meus inimigos, de quem eu não gosto.
Isso
é religião idólatra. Queremos graça
personalizada.
Misericórdia para nós, justiça sem
misericórdia para eles.
Paciência quando nós estamos crescendo,
juízo imediato quando outros tropeçam.
Segundas oportunidades para nossos
pecados, sentença final para os pecados
dos outros.
Mas o Deus da Bíblia não recebe
instruções do nosso ressentimento.
Cuidado para
que o teu ressentimento não pense que
possa dar instruções a Deus sobre aquela
pessoa que você não gosta, sobre aquela
pessoa que te abandonou, sobre aquela
pessoa
Eu terei misericórdia de quem eu quiser
ter misericórdia. Êxodo 33:19, Romanos
9:15. A graça é soberana
sobretudo, inclusive
eu e você e nossas emoções ou egos
feridos.
A graça é soberana e por ser soberana
ela humilha todo o orgulho. Se Deus só
pudesse salvar gente que aprovamos, a
salvação seria controlada pelo nosso
tribunal.
Se Deus só pudesse amar quem pertence ao
nosso círculo, nosso círculo seria Deus.
Se Deus tivesse de pedir autorização à
nossa memória de ofensas antes de
perdoar um pecador, nossa dor seria
soberana.
Jonas prefere morrer.
"Tira a minha vida, eu imploro, porque
para mim é melhor morrer do que viver".
Jonas 4, 3, né?
Veja
o poder do ídolo.
Não é? Mas não é assim que as pessoas se
sentem? Quantas vezes você já ouviu
alguém
um homem dizendo, né? "Ah, se essa
pessoa me abandonar, eu não quero mais
viver. Se aquilo acontecer, eu não vou
mais viver". Então, é isso, é o poder do
ídolo.
Nínive
viva torna a vida de Jonas indigna de
ser vivida.
Por quê?
Porque o significado de sua existência
estava amarrado
a um futuro específico para seu povo.
Como pode estar amarrado para nós a um
relacionamento, a uma posição, a, enfim,
a
uma infinidade de coisas.
Se Deus
não produzisse
o futuro que Jonas queria, Jonas não
sabia mais o que fazer com a vida.
O ídolo cultural tornou-se ídolo
existencial. A nação não era apenas algo
que Jonas amava.
Era o mundo que precisava vencer para
que a vida dele fizesse sentido.
E agora Deus havia se tornado um
obstáculo para o Deus de Jonas.
Quando o Deus se torna obstáculo para
aquilo que chamamos de bem, descobrimos
qual dos dois realmente adoramos.
Deus pergunta:
"Você tem alguma razão
para a sua fúria?"
Jonas 4:4. Jonas não responde.
Sai da cidade, constrói um abrigo, se
senta e espera.
Talvez Deus mude de ideia. Talvez fogo
caia. Talvez Nínive ainda termine como
Sodoma.
Jonas quer assistir. Então Deus começa a
ensinar com uma planta.
Uma planta cresce rapidamente e lhe dá
sombra. Jonas fica muito alegre por
causa da planta. É o que Jonas é Jonas
Jonas 4:6 diz.
É uma das poucas vezes em que ele parece
feliz no livro. Ele aparece feliz no
livro.
Cidade arrependida, raiva.
Sombra fresca, alegria.
Isso já revela uma escala de valores.
Deus envia uma lagarta e a planta morre.
Depois vem o vento quente. O sol bate
sobre a cabeça de Jonas e ele quer
morrer outra vez.
Deus pergunta: "Você tem alguma razão
para estar tão furioso por causa da
planta?"
Jonas responde: "Tenho".
E com razão.
Estou furioso a ponto de querer morrer.
Jonas 4:9.
A cena quase parece absurda.
Um profeta pede a morte porque perdeu
sua sombra?
Seu confortozinho?
Mas é exatamente assim que os ídolos
distorcem nossos sentimentos.
Eles alteram proporções. Coisas pequenas
se tornam insuportáveis. Coisas enormes
se tornam invisíveis. Jonas sofre pela
planta
o que não sofre pela cidade.
Sente intensamente o próprio desconforto
e quase nada pelo destino de milhares.
Esse é um teste profundo do coração.
O que produz em nós alegria
desproporcional?
O que produz raiva desproporcional?
Que perda nos faz falar como se a vida
tivesse acabado?
Que ameaça transforma pessoas
em inimigos absolutos? Que fracasso
parece impossível de perdoar?
Que crítica nos desorganiza por dias?
Que mudança política nos faz agir como
se a providência tivesse sido cancelada?
Que queda profissional nos faz sentir
que deixamos de possuir valor?
Que desaprovação familiar se transforma
em culpa que nem o sangue de Cristo
parece capaz de limpar?
O ídolo não cria apenas crenças falsas,
cria escalas emocionais falsas.
Se minha carreira é minha vida, uma
promoção parece uma ressurreição e uma
demissão parece morte.
Se a aprovação é meu Deus, elogio parece
benção sacerdotal e crítica parece mais
comunhão.
Se meu grupo é meu Deus, a vitória dele
parece salvação e a vitória do outro
parece o apocalipse.
Se minha doutrina funciona como
autojustificação,
discordância parece ataque à minha
dignidade, não à verdade de Deus.
Se meus filhos são minha justiça, o
fracasso deles parece condenação contra
mim.
É por isso que a idolatria precisa ser
tratada não apenas no nível das
escolhas, mas no nível da adoração.
Não basta dizer a Jonas: "Controle sua
raiva".
A raiva é só fumaça.
Há um altar queimando embaixo. Deus não
dá ao profeta uma técnica de regulação
emocional, dá-lhe uma pergunta sobre
amor.
Você teve compaixão da planta,
teve compaixão de algo que não plantou,
não fez crescer, não sustentou
e que durou
uma noite.
E eu não deveria ter compaixão de
Nínive?
Aqui a questão não é simplesmente que
Jonas sente demais pela planta.
Ele sente de menos por pessoas.
O ídolo escolheu sua humanidade.
Ele já não consegue
ver
ninivitas como portadores da imagem de
Deus. Vê uma ameaça.
Vê uma ameaça geopolítica.
Um bloco inimigo, uma massa culpada, uma
categoria.
Deus vê 120.000 pessoas e muitos
animais. Até os animais entram na
compaixão de Deus.
Jonas
na compaixão do criador, né?
Jonas ama
a própria sombra, o próprio conforto.
Deus ama sua criação.
O conflito de Jonas
reaparece em outras páginas da Bíblia.
Pedro também precisou aprender que graça
não respeita os muros que a religião
humana constrói. Em Atos 10,
Deus o envia à casa de Cornélio, um
gentio.
Pedro resiste à visão. Depois entra na
casa e confessa:
"Agora percebo,
percebo verdadeiramente que Deus não
trata as pessoas com parcialidade". Atos
10:34.
Mais tarde, porém, em Antioquia, Pedro
se afasta da mesa dos gentios por medo
do grupo judaico.
Paulo confronta publicamente e acusa sem
precisar:
"Não estavam andando de acordo com a
verdade do evangelho".
Gálatas 2:14.
Não apenas quebrando uma regra social,
negando o evangelho na prática. Por quê?
Porque o evangelho diz que o judeu e
gentio chegam pela mesma porta.
Pecador
e religioso chegam pela mesma porta.
Homem e mulher chegam pela mesma porta.
Rico e pobre chegam pela mesma porta.
A porta é Cristo.
Todos pecaram e estão destituídos da
glória de Deus, sendo justificados
gratuitamente por sua graça, por meio da
redenção que há
em Cristo Jesus.
Romanos 3, a partir do
23.
Todos pecaram. Todos destituídos.
Justificados gratuitamente. Essa
estrutura
torna superioridade ética, cultural e
religiosa,
espiritual,
totalmente incoerente. Não significa que
todas as culturas sejam iguais em todos
os aspectos. Não significa que pecado
deixe de ser chamado pecado.
Nínive precisava abandonar violência. A
graça não chama mal de bem.
Ela chama pecadores ao arrependimento.
Mas a cruz destrói qualquer pretensão de
que nossa cultura seja a razão pela qual
Deus deveria nos aceitar.
Israel não foi escolhido por ser maior
ou mais justo.
Deuteronômio insiste que a eleição
nasceu
do amor soberano de Deus. Deuteronômio
7:7
9 de 4 em diante. A igreja não é o povo
de Deus porque conseguiu subir
moralmente acima da cultura
das nações.
É povo comprado por sangue. Pedro
descreve a igreja como geração eleita,
sacerdócio real, nação santa, povo
exclusivo de Deus. Imediatamente explica
a missão desse povo
para anunciar as grandezas daquele que
nos chamou das trevas
para a sua
maravilhosa luz.
Primeira Pedro 2:9.
Eleição não produz vanglória tribal.
Produz proclamação.
Recebemos misericórdia para anunciar
misericórdia. Isso significa
que qualquer cristianismo
que alimente desprezo,
eh
de qualquer forma, ah,
está contradizendo sua própria fonte. A
cruz não permite que digamos: "Eu sou
melhor, por isso estou dentro".
Ela nos obriga a dizer: "Eu estava
morto,
Cristo me deu vida".
Efésios 2:1-5.
E Paulo, depois de dizer que somos
salvos pela graça, mediante a fé,
segue para mostrar que Cristo derrubou a
parede de inimizade
e criou em si um novo povo. Efésios 2:8.
Graça vertical produz reconciliação
horizontal.
Não perfeita nesta era.
Não ingênua, não sem justiça, mas real.
Se a graça nunca altera a maneira como
vemos os outros, talvez ainda
a estejamos tratando como doutrina
decorativa.
Jonas conhecia a palavra
hesed.
O problema era que hesed ainda tinha
fronteira no coração dele.
Idolatria não distorce apenas nossas
relações, distorce nossa capacidade
de interpretar Deus.
Esse é o estágio mais grave. Jonas olha
para a misericórdia e a chama, na
prática, de coisa ruim.
Isaías denuncia aqueles que ao mal
chamam bem e ao bem mal. Em Isaías 5:20.
É exatamente o que o ídolo faz.
Ele cria seu próprio dicionário. Sucesso
é aquilo que protege o ídolo. Fracasso é
aquilo que o ameaça.
Bem é aquilo que o alimenta. Mal é
aquilo que o impede. Se meu ídolo é
controle, providência
imprevisível,
parece maldade.
Se meu ídolo é reputação, humilhação
pode parecer abandono de Deus. Se meu
ídolo é conforto, disciplina divina pode
parecer crueldade.
Se meu ídolo é meu grupo, compaixão
pelos adversários, pode percorrer, é, é,
pode parecer traição.
Não é?
Eu acho que Deus tem que estar do lado
do meu ego.
Se meu ídolo é justiça própria, perdão
gratuito
para um grande pecador pode parecer
injustiça. Por isso Jesus encontrou
tanta resistência entre religiosos
respeitáveis. Em Lucas 15, os fariseus
murmuravam porque Jesus, é, recebe
pecadores e come com eles.
Jesus responde com três histórias de
coisas perdidas. Uma ovelha, uma moeda,
dois filhos.
O filho mais novo está
perdido na imoralidade. O mais velho
está perdido na moralidade.
O mais novo foge para longe, o mais
velho permanece perto da casa, mas não
conhece o coração do pai.
E quando o pai celebra a volta do irmão,
o mais velho fica irado e se recusa a
entrar.
Lucas 15:28,
Jonas sentado fora de Nínive. O irmão
mais velho sentado fora da festa. Dois
homens religiosos irritados porque o pai
é gracioso demais com gente que não
merece.
E nos dois casos, a história termina com
uma súplica.
O pai sai para o irmão mais velho.
Deus sai,
por assim dizer, para Jonas.
Graça para o pecador arrependido. Graça
também para o religioso ressentido. O
evangelho humilha os dois. Humilha os
dois, não é?
Nenhum deles consegue
entrar por mérito. Ninguém consegue.
Até aqui Jonas é uma história sem herói
humano. Os marinheiros demonstraram
compaixão, mas são pagãos confusos. Os
ninivitas se arrependem, mas sua
história futura mostrará que a Assíria
continuará violenta.
Jonas prega, mas não ama.
O rei se humilha, mas não sabemos até
que ponto sua transformação vai.
A planta cresce e morre, o peixe obedece
melhor que o profeta.
Quem então fará o que Jonas deveria ter
feito?
Jesus diz algo surpreendente em Mateus
12.
Agora está aqui o que é maior do que
Jonas.
Mateus 12:41.
Ele se apresenta como o Jonas verdadeiro
e maior. Jonas recebe ordem de sair da
sua terra para ir a inimigos.
Cristo deixa a glória do pai e vem para
seus inimigos.
Jonas foge do chamado, Cristo diz: "Aqui
estou para fazer a tua vontade".
Hebreus 10:7.
Jonas não quer que seus inimigos sejam
poupados, Cristo ora
por quem o crucifica: "Pai, perdoa-os".
Lucas 23:34.
Jonas entra na cidade pregando uma
palavra de juízo, Cristo entra em
Jerusalém sabendo que o juízo cairá
sobre ele, ele mesmo.
Jonas vai para fora da cidade e espera
que fogo caia sobre os outros. Jesus é
levado para fora da cidade e recebe
sobre si a maldição
que deveria cair sobre os pecadores.
Hebreus 12, é, 13:12.
Gálatas 3:13. Ou seja, o fogo caiu sobre
ele.
O inferno. Jonas é lançado no mar por
causa da sua própria culpa, Cristo entra
na morte sem culpa própria, carregando
culpa alheia.
Jonas passa simbolicamente pela morte e
sai vivo.
Cristo morre de verdade
e ressuscita de verdade. O filho do
homem ficará três dias e três noites no
coração da terra.
Mateus 12.
40.
Mas ainda há outra ligação, Marcos 4
apresenta Jesus dormindo em um barco
durante uma tempestade. Outra vez há
homens apavorados, outra vez alguém está
dormindo no barco. Outra vez o mar
ameaça engolir todo mundo. Os discípulos
acordam Jesus: "Mestre,
não te importas que morramos?" Marcos 4,
Ele se levanta, repreende vento e mar
e há grande calmaria.
Em Jonas, o mar se acalma quando o
culpado é lançado nas águas. Em Marcos,
o inocente acalma o mar por sua
autoridade.
Na cruz, porém, o inocente fará algo
maior.
Ele não repreenderá a tempestade, ele
vai entrar entrar nela.
A tempestade da ira infinita. A Bíblia
usa linguagem de juízo como águas,
abismo, ira e cálice.
No Getsêmani, Jesus fala do cálice que
precisa beber, em Marcos 14.
Na cruz, trevas cobrem a terra. Ele
clama: "Meu Deus, meu Deus,
por que me abandonaste?" Marcos 15.
Ali está a tempestade que nossos pecados
merecem.
Não apenas vento, não apenas água,
justiça.
Cristo entra nela voluntariamente e por
isso há paz
para os que estão nele.
Justificados pela fé, temos paz com Deus
por nosso Senhor Jesus Cristo.
Romanos 5.
Jonas foi jogado ao mar para que
marinheiros não morressem naquela
tempestade. Jesus se entrega à morte
para que o
inimigos de Deus sejam reconciliados
para sempre. É assim que Deus faz o que
Jonas não quis fazer.
Ele não apenas manda um mensageiro a
seus inimigos, ele vem.
Não apenas anuncia misericórdia, ele
paga
por ela.
Não apenas adia juízo, recebe o juízo em
seu filho.
A graça nunca foi barata.
O perdão de Nínive levanta uma pergunta
que atravessa toda a Bíblia. Como um
Deus santo pode poupar culpados? A
resposta final não está no peixe, está
na cruz.
Deus é justo e justificador daqueles
que têm fé em Jesus, que apresentou
Cristo como sacrifício de expiação
e propiciação, tá?
O sacrifício de propiciação é aquele que
apaga a ira de Deus.
Romanos 3:25.
Ele não finge que pecado não existe, não
chama a violência de inocência, não
transforma a justiça em sentimentalismo,
ele julga pecado
e salva pecadores na cruz.
Jonas termina do lado de fora da cidade.
Deus termina falando de compaixão
e não há resposta registrada no livro.
Durante séculos, leitores perguntaram:
Jonas se arrependeu?
Talvez o próprio fato
de termos a história seja uma pista.
Quem mais poderia escrever a história,
né?
Quem contaria esse relato? Quem
preservaria um livro em que o profeta
aparece covarde, teimoso, contraditório,
ressentido e espiritualmente ridículo em
vários momentos?
Um homem alcançado pela graça poderia
contar assim
sua própria história.
Um homem que já não precisa aparecer um
herói.
Um homem livre o bastante para dizer:
"Eu fui aquele profeta.
A salvação vem do Senhor".
Mas o Espírito Santo não nos dá a cena
final.
Porque se Jonas respondesse, poderíamos
fechar o livro admirando a transformação
dele.
Deus deixa a pergunta aberta.
Então, ela muda de endereço.
"E eu não deveria ter compaixão?
Compadecer-me de gente que não entende o
que você entende, de gente de outra
cultura, de gente que
vota diferente, de gente que ameaça seu
conforto, de gente que você considera
vulgar,
de gente que
despreza sua fé,
de gente que vive na cidade que você
prefere criticar de longe,
de gente que feriu você,
de gente que realmente fez coisas más e
precisa se arrepender.
A pergunta não elimina a justiça.
Nínive era violenta. Deus manda pregar
contra a sua maldade.
Compaixão bíblica não é indiferença
moral, não chama algo que é maldade de
outra coisa, mas justiça sem compaixão
não é o coração de Deus.
E compaixão sem verdade também não.
Em Cristo, graça e verdade vêm juntos.
É João 1:14.
O problema de Jonas não é que ele leva o
pecado a sério demais, é que leva a
graça a sério de menos quando ela é
dirigida ao outro e não a ele.
O livro também pergunta sobre nossos
ídolos culturais, que hábitos do nosso
ambiente recebemos sem examinar, que
critérios econômicos aceitamos como se
fossem lei moral, que padrões de
socialização moldam a educação dos
nossos filhos,
que preconceitos nossa classe social nos
ensinou a chamar de bom senso,
que desprezo nosso grupo
nos ensinou a chamar de zelo,
que interesses,
eh,
ou
nacionais ou partidários tratamos como
se fossem o próprio reino de Deus,
que pessoas se tornam invisíveis quando
nossa causa
entra na sala.
E é uma pergunta ainda mais próxima.
Que planta amamos mais do que pessoas?
Porque Jonas estava compadecido por uma
planta que morreu e não tinha
compaixão
pelas almas de Nínive.
Então a pergunta para nós é: que planta
amamos mais que pessoas? Às vezes nossa
planta é conforto.
Às vezes reputação, às vezes uma
tradição, às vezes um projeto, às vezes
a sensação de estar certos, às vezes uma
carreira, às vezes a imagem
de uma família,
de uma família perfeita, às vezes uma
igreja do tamanho que imaginamos, às
vezes uma ideia de país.
A planta cresce, ficamos felizes e aí a
planta morre e ficamos furiosos.
Não podemos mais viver.
A planta morreu.
Nós podemos, não não temos compaixão de
outras coisas, mas
sem a planta não podemos.
Ficamos
sem
vigor.
E Deus pergunta:
"Você enxerga as pessoas?"
Esse é o confronto.
Mas o evangelho não nos deixa apenas sob
confronto, porque nós também
somos Jonas.
Nós também fugimos, nós também
conhecemos mais do que obedecemos. Nós
também confessamos graça e resistimos a
ela. Nós também temos
porões onde ídolos se escondem.
Nós também precisamos de um profeta
maior
e ele veio.
Ele não correu para Társis,
não se protegeu fora da cidade,
não desejou a morte dos inimigos, tomou
sobre si a morte pelos inimigos.
Deus demonstra o seu amor por nós.
Cristo morreu em nosso favor quando
ainda éramos pecadores, Romanos 5:8.
Não quando éramos agradáveis, não quando
havíamos corrigido tudo, inimigos
reconciliados pela morte do filho,
Romanos 5:10.
Isso muda a pergunta. Já não olhamos
para Nínive perguntando apenas: "Como
posso amar gente assim?"
Primeiro olhamos para a cruz e
perguntamos: "Como ele amou alguém como
eu?"
Então o orgulho perde oxigênio,
a superioridade cultural começa a
rachar, a justiça própria perde o chão,
o ministério deixa de ser um currículo,
a doutrina deixa de ser arma para
exaltação própria e volta a ser janela
para a glória de Deus.
A graça recebida começa a querer
tornar-se graça anunciada.
Não perfeitamente. Jonas nos ensina que
o coração muda devagar.
Pedro precisou ser corrigido depois de
Pentecostes. Nós também precisamos e
precisaremos. Mas há esperança, porque
aquele que começou a boa obra em nós
haverá de completá-la
até o dia de Cristo Jesus.
Filipenses 1:6.
A pergunta de Deus não é uma sentença
sem saída, é uma porta. Uma porta para
arrependimento, uma porta para a
liberdade dos ídolos
pessoais, dos ídolos coletivos. Uma
porta para uma igreja que consegue amar
a verdade sem transformar
a verdade num pedestal onde nós mesmos
subimos. Uma porta para trabalhar sem
fazer do lucro um Deus. Uma porta para
participar da cultura sem ser moldado
pela cultura. Uma porta para amar o
próprio povo sem transformar outros
povos em demônios.
Uma porta para convicção sem desprezo,
uma porta para missão, porque a última
pergunta do livro empurra a igreja para
fora de si mesma. E eu
não deveria ter compaixão da grande
cidade?
Deus tem cidades diante dos olhos,
pessoas diante dos olhos, povos diante
dos olhos e o cordeiro comprado
eh com seu sangue reúne eh eh eh para
Deus gente de toda tribo, língua, povo e
nação.
Apocalipse 5:9. Esse é o futuro.
Não uma cultura absolutizada, não uma
nação divinizada, não um partido eterno,
não uma classe vencedora, não uma
denominação ocupando sozinho o
horizonte, uma multidão que ninguém pode
contar de todas as nações, tribos, povos
e línguas diante do trono do cordeiro.
Apocalipse 7:9.
Jonas queria um horizonte estreito, Deus
mostra um horizonte do tamanho da
redenção. Então o livro termina
ainda com a pergunta.
Não corra para respondê-la por Jonas.
Escute-a. Deixe-a chegar onde seus
ídolos se escondem. Deixe-a tocar sua
raiva, sua superioridade, seu medo, seu
grupo, sua ansiedade, sua planta,
sua Nínive. Então olhe para o Jonas
maior. Ele entrou na tempestade, ele
saiu do túmulo, ele ama seus inimigos,
ele salva por graça, ele derruba nossas
fronteiras falsas sem derrubar sua
santidade. Ele nos dá uma vida que não
precisa mais ser construída sobre
superioridade em nada.
E agora a sua pergunta permanece diante
de nós: E eu?
Não deveria ter compaixão?
A história não registra a resposta de
Jonas.
A nossa vida
registrará a nossa resposta.
Só lhe dê a glória.
Amém.
>> Quanto [canto][música] ao mais amados
meus, fortalecei-vos
no Senhor
e [música] na força [canto]
do seu poder.
E tomai [canto]
toda a armadura [música]
de Deus, [canto] toda a armadura,
para poder des resistir [música][canto]
no dia mau
e depois de ter [música] vencido,
[canto]
derrotado
o inimigo,
permanecei [música][canto]
inabaláveis,
revestidos [música][canto]
da verdade,
da couraça da justiça [música]
[canto]
>> de Jesus.
>> Nós
>> [música]
>> Senhor
>> Preparados os nossos pés
>> [música]
>> Com o evangelho
da paz
>> [música]
>> Seguiremos
[canto] sem temer
E tomando [música] o escudo da fé
Apagaremos [canto] pela fé
Toda a seta que o maligno
lançar
E depois de ter vencido,
derrotado
o inimigo
>> [música]
>> Permanecei [canto]
inabaláveis
>> [música]
>> Revestidos
da verdade,
da couraça
da justiça
>> De Jesus [música][canto]
Nosso Senhor
>> Sobre a fronte [música] a salvação
E nas mãos [canto]
a sua palavra
Espada [música]
viva do Senhor
Não lutamos [música]
[canto] pela nossa força, nem confiamos
em nós mesmos
Nossa [música] força está em Cristo
Salvador [canto]
Orai em todo tempo
>> [música]
>> Orai sem desfalecer
Vigiai [canto]
Perseverai [música]
[música]
em todo o tempo
no espírito
de Deus até o dia em que o veremos
rei. [música]
Quando a noite for escura,
quando a guerra se levantar,
nossa [música]
rocha não será
abalada.
>> [música]
>> Quando o medo vier perto,
quando o fogo [canto] nos cercar,
em Jesus [música]
a igreja ficará de pé.
>> [música]
[canto]
>> E depois de ter vencido,
derrotado
o inimigo,
permanecei
inabaláveis.
Revestidos
da verdade,
da couraça da justiça [música]
de Jesus, [canto]
nosso [música]
Senhor.
E depois de tudo feito,
pela graça sustentados, [música]
[canto]
>> permaneceremos
firmes. [canto]
>> Revestidos [música]
da Revestidos

Tags: