René Descartes: como podemos ter certeza do que sabemos?
17/08/2026
René Descartes: como podemos ter certeza do que sabemos?
Como podemos ter certeza do que sabemos? René Descartes colocou a dúvida no centro de sua busca por conhecimento confiável.
Ao questionar aquilo que parecia evidente, desenvolveu uma forma de investigação conhecida como dúvida metódica, buscando encontrar fundamentos seguros para o conhecimento.
Neste episódio de Origens — Pais da Ciência, conheça a trajetória e as ideias de René Descartes e entenda como razão, dúvida e método passaram a ocupar um lugar importante na história do pensamento científico.
Depois de Francis Bacon discutir a importância da observação e da experiência, Descartes apresenta outra questão fundamental: como podemos distinguir aquilo que realmente sabemos daquilo que apenas acreditamos saber?
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🟧 ORIGENS é uma série documental da TV Novo Tempo que investiga os mistérios da vida e do universo com cientistas de diversas áreas.
🟦 Pais da Ciência é uma temporada dedicada a grandes nomes que ajudaram a transformar nossa compreensão da natureza e do universo. Ao longo de 13 episódios, a série revisita suas descobertas, ideias e trajetórias, explorando também as relações entre ciência, conhecimento e fé.
🎬 Assista à temporada completa Pais da Ciência:
Fonte: Origens NT
Legendas automáticas:
[música] >> Durante séculos a humanidade construiu ideias sobre o mundo e a natureza >> [música] >> sem testar e sem colocar à prova suas certezas. Neste cenário René Descartes decidiu recomeçar. Não a partir das respostas, [música] mas das perguntas. Ele passa a duvidar de tudo, dos sentidos que podem nos enganar, das certezas herdadas e até mesmo da própria realidade. E ao levar a dúvida ao limite, Descartes encontra uma verdade impossível de negar. Se ele duvida, ele pensa. E se pensa, ele existe. A partir desse pilar penso, logo existo, nasce uma nova forma de construir o conhecimento. Um sistema de investigação filosófica e científica baseado na dúvida metódica e na razão para alcançar conhecimentos seguros, com a fé e a existência de Deus como pilar que sustenta todo esse sistema filosófico. Neste episódio, você viaja com a gente até a França, >> [música] >> na cidade onde Descartes nasceu. Vamos conhecer a casa onde ele deu seus [música] primeiros passos e onde começaram as inquietações que mudariam para sempre a forma como pensamos. >> [suspirando] [grito] [música] >> Nossa jornada hoje nos leva até a França. A cerca de 300 km de Paris existe uma pequena cidade chamada Descartes. Originalmente se chamava Lezon Touraine, mas em 1967 foi renomeada para Descartes em homenagem ao lugar onde o pai da filosofia moderna nasceu. A casa onde ele nasceu e viveu até os 10 anos de idade segue de pé e foi transformada em um museu. Thomas Josier é o atual curador do museu e foi quem nos recebeu. >> O pai de René Descartes o chamava de meu pequeno filósofo quando ele era criança. Isso quer dizer que desde muito cedo René Descartes tinha predisposições intelectuais. Ele se interessava muito. René Descartes fazia muitas perguntas. >> [música] >> Ele se interessava muito pelo que o cercava e tudo o que o rodeava era motivo de questionamento. E é por isso que ele vai se fazer perguntas. Primeiro durante a infância, depois durante os estudos, quando vai apresentar algumas críticas sérias em relação a sua formação e mais tarde, durante sua carreira como filósofo, ele também vai levantar questões, fazer perguntas a si mesmo, especialmente sobre a verdade. >> Thomas nos apresentou o museu. Ele começou nos mostrando o período histórico em que Descartes [música] viveu. Como essas portinhas que explicam quem foi Copérnico, Gutenberg, Lutero [música] e tantos outros antes e depois do tempo de Descartes e que de alguma forma ajudaram a compor esse período histórico. A exposição segue mostrando o período [música] de Descartes no colégio jesuíta La Flèche, para onde ele foi aos 10 anos de idade e as viagens que fez [música] por toda a Europa. O objetivo aqui, de acordo com Thomas, é mostrar que a filosofia de Descartes não surgiu do nada, mas é fruto da educação que ele teve, das [música] pessoas que conheceu, das experiências que viveu e até mesmo das ideias que discordava. [música] >> René Descartes nasceu no final do século XVI. O século XVI foi um período particularmente difícil, >> [música] >> sobretudo por causa dos conflitos, as guerras de religião que opuseram católicos e protestantes e causaram grandes devastações na Europa. René Descartes nasceu, portanto, no fim de um século marcado pelo caos e, muito provavelmente, diante desse caos, desejou encontrar um pouco de ordem e rigor. Respondendo à desordem com método e racionalidade. O século XVI também foi de mudanças. Descobriram-se outras partes do mundo. Descobriu-se a América, por exemplo. E todas essas novas descobertas, novas terras, novos continentes, novas culturas, novas populações, transformaram completamente a percepção que se tinha do mundo. >> Mais à frente na exposição, >> [música] >> Thomas me fala alguns fatos curiosos sobre Descartes. Primeiro, [música] que ele escreveu o Discurso do Método em francês e não em latim, para [música] que mais pessoas tivessem acesso ao material e não apenas acadêmicos treinados. Além disso, foi criado pela avó e uma babá, a quem pagou uma pensão por toda a vida dela, em reconhecimento pelo cuidado recebido na infância. Thomas também me contou que quando Descartes ainda era jovem, numa noite teve três sonhos que pareciam-lhe fornecer uma missão de vida. Em seus escritos, Descartes [música] contou que a partir deles entendeu que deveria se dedicar a reformar todo o conhecimento, [música] começando pela filosofia, o que ele chamava de um chamado divino. >> [música] >> Descartes, que sempre foi questionador, decide elaborar um método que levasse uma verdade segura, um método baseado na dúvida, já que segundo ele, a dúvida é o primeiro elo na cadeia do raciocínio. "Penso, logo existo" é uma das frases mais famosas de René Descartes e da história da filosofia. [música] Ele nasceu e cresceu aqui nessa casa até os 10 anos de idade. Ele brincou nesses jardins e aqui foi que cresceu um menino curioso, que duvidava de tudo e fazia muitas perguntas. Era um tempo de incertezas e contradições [música] e Descartes acreditava que era necessário recomeçar o conhecimento do zero. Na vida adulta, ele se dedicou a reformar o conhecimento, começando pela filosofia, já que ele acreditava que todas as outras ciências derivam da filosofia. >> Descartes foi um matemático, um físico, eh, francês, aliás, Renatus Cartesius, né, se a gente for usar o nome latino, que viveu no século XVI e basicamente causou um reboliço na na na ciência, na perspectiva, eh, a qual se via a ciência, porque ele muda um pouco a lente, a visão, a forma de se perceber. Até então era uma perspectiva mais ontológica >> Uhum. >> e o olhar então passou a ser epistemológico. O que significa isso? A ontologia, inclusive Heidegger, inclusive estudou bastante sobre isso, ontologia diz respeito ao estudo do ser. >> Uhum. >> Por exemplo, e a epistemologia é mais uma perspectiva de como o sujeito enquanto sujeito vê o mundo, percebe as coisas. Ou seja, é uma outra perspectiva. Então sai da terceira pessoa para primeira pessoa, entre aspas, né, se a gente consegue colocar assim, não é uma redução muito grande. Isso por si foi algo é radical e talvez revolucionário. >> René Descartes, talvez a gente pode colocar ele como o primeiro dos modernos, sabe? Aquele que vai, e ele diz isso literalmente nas suas meditações, [música] né? Foi uma obra que ele escreveu. Ele vai intencionalmente romper com a escolástica, com os antigos, e vai propor algo novo. Né? É, uma coisa que incomodava profundamente Descartes era o desacordo, né? Então ele notava o quanto as pessoas discordavam na idade média sobre interpretações que envolviam religião, interpretações que envolviam filosofia, etc. Por isso que ele começa as suas meditações literalmente afirmando que desde muito tempo ele percebeu que recebeu muito conhecimento que não era confiável. Por isso agora ele queria chegar numa base um conhecimento que fosse sólido, que fosse certo. Então Descartes a gente poderia resumir dizendo que é um filósofo em busca da certeza. É, aquele filósofo que busca saber se existe algum tipo de conhecimento na qual é impossível a gente tá enganado. Será que existe algum tipo de conhecimento que a gente pode ter certeza absoluta? E E vai duvidar, duvidar, duvidar até encontrar esse conhecimento, tá? Até encontrar essa base segura sobre a qual ele pode construir o prédio do conhecimento, para usar uma metáfora que é comum nos estudos sobre Descartes. >> René Descartes trouxe para discussão uma nova perspectiva sobre o ponto de vista do conhecimento, a razão. Isso rompia com a tradição filosófica que antes se apoiava em autoridades externas, tradições ou experiências sensoriais. Ao adotar a dúvida metódica como método, Descartes questiona tudo, os sentidos, as crenças, as ideias e até mesmo os princípios da matemática. Porém, a fé para Descartes nunca se opôs à razão. Era justamente a fé, a luz que garantia que o pensamento humano não se perdesse na escuridão da dúvida. >> O método de Descartes é um método da dúvida radical, sabe? Então, a gente vai duvidar de tudo aquilo que nos foi dado. Se fosse perguntar para Descartes, né? Olha, Descartes, quais são as fontes seguras do conhecimento? Se a gente fosse perguntar para os antigos, alguns dos antigos talvez diriam: "Ah, os sentidos são uma fonte segura do conhecimento". Mas, pensa assim, Descartes ele quer construir um prédio. E ele quer colocar na raiz desse prédio, na base desse prédio, um tipo de conhecimento na qual é praticamente impossível duvidar, sabe? Ele quer ter um conhecimento que seja 100% certo. E aí, alguns pensadores propuseram alguns tipos de conhecimento e a gente tem uma intuição desses tipos de conhecimento. Por exemplo, "Ah, eu só acredito vendo". Talvez os sentidos sejam esse tipo de conhecimento que a gente pode botar na base e que seja 100% certo, né? Descartes olharia para uma situação como essa e lembraria que os sentidos são falíveis, os sentidos enganam, né? Então, quantas vezes a gente, por exemplo, vê, vê de longe algo e quando a gente chega perto não é aquilo que a gente vê, ou a gente escuta alguém chamando o nome da gente, ou então você pega algum, algum pedaço de, algum bastão e coloca na piscina, numa piscina e e ele enverga, só que a gente sabe que na realidade ele não envergou, né? Então, assim, os sentidos não podem ser esse elemento que a gente coloca como 100% certos, tá? Que podem nos oferecer um conhecimento 100% seguro. >> É, e aí o, o Descartes, mesmo passando por todo esse, é, é, processo de ceticismo, inclusive o Descartes, ele tem um lugar na história do ceticismo, [música] porque ele leva a dúvida aos seus limites, mas por outro lado, ao levar a dúvida aos limites, ele consegue sair dela. Por quê? Porque ele diz: "Bom, mas mesmo pensando que eu errei, mesmo que eu seja enganado, pelo fato de ser enganado, eu penso. E se eu penso, eu existo como um ser que pensa". >> Uhum. >> Então, mesmo que eu me engane o tempo todo, pelo fato de ser enganado, eu penso e pelo fato de pensar, eu existo. Então, eu sou alguém que pensa. E aí ele diz o seguinte: "Eu consegui estabelecer um primeiro ponto. Para um matemático, basta esse primeiro ponto para que ele possa construir o edifício do saber". Então, por um lado, o que que a gente percebe? Que no Descartes, é, a gente encontra uma certa suficiência da razão. A razão, ela consegue, é, dar conta da realidade. Ela consegue, de uma forma progressiva, é, entender, é, a realidade. Desde que ela seja bem conduzida. >> Uhum. >> Né? Então, é por isso que o Descartes vai enfatizar a importância do método. Né? Então, o Descartes é justamente esse alto da racionalidade, que é uma característica importante no século XVII, o advento do racionalismo. >> Então, a primeira certeza absoluta é a de que eu penso. E a segunda certeza absoluta que eu posso derivar daí é a da existência, que eu existo. Do penso, logo existo, eu posso construir, agora sim, um, um conhecimento que é indubitável, porque até para eu duvidar que eu penso, eu preciso pensar. Eu preciso existir. Então, mesmo que exista um gênio maligno, e ele esteja aqui me enganando, ele precisa fazer com que eu pense para ele estar me enganando. Então, a primeira certeza que a gente bota nas fundações do conhecimento é o penso, logo existo. E aí o Descartes, ele imaginou que todo o resto do conhecimento a gente poderia derivar por dedução. Dado essa base, a gente poderia derivar todo o conhecimento de forma dedutiva, a partir dessa raiz sólida central, da qual é impossível estar errado. >> A vida religiosa de Descartes foi complexa. Ele foi educado em um colégio jesuíta católico, mas também viveu na Holanda, um país [música] onde se afastou das disputas religiosas, dedicando-se à filosofia. Ele defendia a crença em Deus e o uso da razão para provar sua existência, vendo essa crença como um pilar fundamental para o e para garantir a verdade sobre o mundo exterior. Sua fé era um ponto de partida para seu método que buscava um conhecimento certo e claro, semelhante às verdades matemáticas. >> Na obra Meditações Metafísicas, no no prefácio dessa obra, o o Descartes, ele [música] diz o seguinte, que ele não está tratando de teologia nessa obra. Ele fala isso pros professores da Universidade de Paris. Eu não estou tratando aqui de teologia. >> [música] >> Estou tratando aqui de filosofia. Parece que ele marca muito bem essa distinção entre a filosofia e a teologia. Então, veja, isso é um uma característica importante do século XVII. Essa distinção, de uma maneira precisa, né? Teologia de um lado, filosofia do outro. É claro que a gente entende também essa eh esse recurso do do Descartes nesse prefácio, porque o Galileu já tinha sido condenado. Então, olha, não quero me meter com teologia, eu vou falar de filosofia. E é interessante que, usando somente as luzes da razão, o Descartes mostra que eh a primeira verdade clara e distinta >> [música] >> é que eu sou um ser que pensa. Je pense, j'existe. Eu penso, eu existo. Né? Então, eu sou um ser que pensa. Eu sou um ser eh pensante. Mas a segunda eh verdade que ele estabelece é que eh Deus existe. E por quê, né? Porque ele vai dizer: "Bom, se eu sou um ser que pensa, então eu penso a perfeição. Se eu sou um ser que pensa, eu penso o infinito. E de onde vieram essas ideias? Bom, eu não tenho contato com o infinito. Eu não tenho contato com a perfeição, porque todas as coisas, elas têm uma certa precariedade, uma certa contingência. E ele vai dizer: "Bom, eh, essas ideias, elas estão em mim, porque de alguma maneira, elas têm uma causa. E a causa, ela só pode ser perfeita e infinita. E ele diz: "A causa é Deus". Não é porque um ser perfeito e infinito só pode ser Deus. Então, a a a primeira, eh, verdade clara e distinta do do Descartes é que eu penso, eu existo. A segunda, Deus existe, né? E a terceira, e aí é interessante, eh, eh, é o o Descartes vai dizer, eh, olha, se Deus é bom e perfeito, ele não me deixa enganar. E se ele não me deixa enganar, então, eh, quando eu tinha dúvida, né, se esse copo, de fato, está diante [música] de mim, se eu duvidasse disso o tempo todo, eu não ia, é um Deus que tá me enganando, mas Deus é bom. E, por ser perfeito, ele é bom. Então, eu não estou me me enganando. Né, Deus não me deixa enganar. Então, significa que eu estou diante do mundo. Existe o mundo. [música] >> E Deus tem, no método de Descartes, Deus tem um papel essencial, >> [música] >> tá? Deus é o que garante que os outros conhecimentos são conhecimentos seguros. Por quê? Porque uma vez que Deus é perfeito, Deus, por exemplo, ele não me deixaria viver num mundo que fosse completamente enganoso, sabe? Então, Deus não me daria faculdades cognitivas, visão, audição, que fosse completamente enganosa. Deus não colocaria nas minhas mãos a matemática que fosse algo enganoso. Deus não deixaria que um gênio maligno tivesse sempre enganando a minha mente. >> [música] >> Então é interessante, porque no método de Descartes Descartes precisa de Deus para Deus garantir o restante do conhecimento. Então Deus é uma espécie de garantidor uma espécie de ponte de que eu não estou enganado. Né? Então Descartes, ele não começou com Deus mas ele precisou de Deus para Deus garantir, porque a dúvida de Descartes, a dúvida é como uma espécie de ácido, sabe? Você tem que manejar com muito cuidado. >> [música] >> Que que significa dizer isso? Significa dizer que é, se Descartes ele tivesse aplicado a dúvida radical a todo tipo de conhecimento a, a própria confiabilidade do seu cérebro, das suas faculdades cognitivas, etc, ele não poderia confiar em mais nada. Ele não poderia confiar nem nessa conclusão. Descartes, ele precisa de um Deus, e esse [música] Deus precisa ser um Deus bondoso, que garanta que essas é, aquilo que o nosso raciocínio raciocina, vamos dizer assim, é confiável. Que as nossas faculdades cognitivas funcionam de forma ok, funcionam de forma confiável, tá? Então ele vai recorrer a Deus para que Deus expurgue, digamos assim, o ceticismo e garanta que a gente tenha algum tipo de conhecimento confiável. >> Veja que aí ele constrói uma uma filosofia. Ele constrói uma filosofia. E é uma forma de dizer que de alguma forma o discurso racional está em sintonia com a fé. Né? A filosofia ela tá em sintonia com a fé. Então isso não não visto como um problema para a religião, simplesmente o Descartes está chegando às [música] mesmas eh, ideias religiosas, mas fazendo usufruto exclusivo da racionalidade. Então, o Descartes, ele nunca teve um um um um problema com isso. [música] Mas o que a gente percebe é um pensador que está disposto a viver de acordo com as diretrizes da racionalidade. Não é à toa que ele é conhecido como um dos arautos, né, do racionalismo [música] moderno. >> Nos últimos anos de sua vida, Descartes foi para Estocolmo ensinar filosofia para a rainha Cristina da Suécia. Mas o frio rigoroso e as madrugadas geladas de Estocolmo comprometeram [música] sua saúde e o levaram à morte em 1650, aos 53 anos. Ainda assim, seu legado [música] atravessou os séculos. Ele revolucionou a forma de pensar a ciência ao propor um método baseado na razão, estabelecendo regras claras [música] para investigar a verdade. Defendeu que o universo físico é regido por leis matemáticas, o que impulsionou o estudo da mecânica e da física. E talvez o mais marcante de seu pensamento seja justamente a tensão que buscou equilibrar. >> [música] >> Embora tenha estabelecido as bases para a dúvida metódica e o racionalismo moderno, Descartes era [música] cristão e seu projeto filosófico não pretendia derrubar a fé, mas fundamentá-la de maneira [música] racional. >> Eu acredito que é importante compreender que René Descartes está presente hoje em toda a nossa sociedade, em nossa maneira de pensar, em nossa [música] medicina, em nossa ciência, nas diferentes áreas científicas, na astronomia. Dizem, aliás, que foi graças a René Descartes que o ser humano pôde ir à Lua. Não propriamente por seus cálculos, mas pela sua visão de mundo e pela ideia de que o ser humano deve ser capaz de ir além do seu próprio ambiente. >> A mesma França que formou Descartes, o filósofo da razão, também viu nascer Blaise Pascal. Se de um lado Descartes buscou a certeza por [música] meio da razão, do outro Pascal mergulhou nas profundezas da condição humana, explorando os limites entre lógica, fé e existência. Nossa jornada agora segue para [música] Paris. No próximo episódio, vamos conhecer um físico, matemático e filósofo [música] que, mesmo com saúde frágil, deixou marcas profundas na história [música] da ciência. >> [música] [música]