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A fé vem pelo ouvir

René Descartes: como podemos ter certeza do que sabemos?

René Descartes: como podemos ter certeza do que sabemos?

René Descartes: como podemos ter certeza do que sabemos?

Como podemos ter certeza do que sabemos? René Descartes colocou a dúvida no centro de sua busca por conhecimento confiável.

Ao questionar aquilo que parecia evidente, desenvolveu uma forma de investigação conhecida como dúvida metódica, buscando encontrar fundamentos seguros para o conhecimento.

Neste episódio de Origens — Pais da Ciência, conheça a trajetória e as ideias de René Descartes e entenda como razão, dúvida e método passaram a ocupar um lugar importante na história do pensamento científico.

Depois de Francis Bacon discutir a importância da observação e da experiência, Descartes apresenta outra questão fundamental: como podemos distinguir aquilo que realmente sabemos daquilo que apenas acreditamos saber?
___
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🟧 ORIGENS é uma série documental da TV Novo Tempo que investiga os mistérios da vida e do universo com cientistas de diversas áreas.

🟦 Pais da Ciência é uma temporada dedicada a grandes nomes que ajudaram a transformar nossa compreensão da natureza e do universo. Ao longo de 13 episódios, a série revisita suas descobertas, ideias e trajetórias, explorando também as relações entre ciência, conhecimento e fé.

🎬 Assista à temporada completa Pais da Ciência:

Legendas automáticas:

[música]
>> Durante séculos a humanidade construiu
ideias sobre o mundo e a natureza
>> [música]
>> sem testar e sem colocar à prova suas
certezas.
Neste cenário René Descartes decidiu
recomeçar.
Não a partir das respostas, [música] mas
das perguntas.
Ele passa a duvidar de tudo, dos
sentidos que podem nos enganar, das
certezas herdadas e até mesmo da própria
realidade.
E ao levar a dúvida ao limite, Descartes
encontra uma verdade impossível de
negar.
Se ele duvida, ele pensa.
E se pensa, ele existe. A partir desse
pilar penso, logo existo, nasce uma nova
forma de construir o conhecimento. Um
sistema de investigação filosófica e
científica baseado na dúvida metódica e
na razão para alcançar conhecimentos
seguros, com a fé e a existência de Deus
como pilar que sustenta todo esse
sistema filosófico.
Neste episódio, você viaja com a gente
até a França,
>> [música]
>> na cidade onde Descartes nasceu. Vamos
conhecer a casa onde ele deu seus
[música] primeiros passos e onde
começaram as inquietações que mudariam
para sempre a forma como pensamos.
>> [suspirando]
[grito]
[música]
>> Nossa jornada hoje nos leva até a
França. A cerca de 300 km de Paris
existe uma pequena cidade chamada
Descartes. Originalmente se chamava
Lezon Touraine, mas em 1967
foi renomeada para Descartes em
homenagem ao lugar onde o pai da
filosofia moderna nasceu.
A casa onde ele nasceu e viveu até os 10
anos de idade segue de pé e foi
transformada em um museu.
Thomas Josier é o atual curador do museu
e foi quem nos recebeu.
>> O pai de René Descartes o chamava de meu
pequeno filósofo quando ele era criança.
Isso quer dizer que desde muito cedo
René Descartes tinha predisposições
intelectuais.
Ele se interessava muito.
René Descartes fazia muitas perguntas.
>> [música]
>> Ele se interessava muito pelo que o
cercava e tudo o que o rodeava era
motivo de questionamento.
E é por isso que ele vai se fazer
perguntas. Primeiro durante a infância,
depois durante os estudos, quando vai
apresentar algumas críticas sérias em
relação a sua formação
e mais tarde, durante sua carreira como
filósofo, ele também vai levantar
questões, fazer perguntas a si mesmo,
especialmente sobre a verdade.
>> Thomas nos apresentou o museu.
Ele começou nos mostrando o período
histórico em que Descartes [música]
viveu. Como essas portinhas que explicam
quem foi Copérnico, Gutenberg, Lutero
[música] e tantos outros antes e depois
do tempo de Descartes e que de alguma
forma ajudaram a compor esse período
histórico.
A exposição segue mostrando o período
[música] de Descartes no colégio jesuíta
La Flèche, para onde ele foi aos 10 anos
de idade e as viagens que fez [música]
por toda a Europa. O objetivo aqui, de
acordo com Thomas, é mostrar que a
filosofia de Descartes não surgiu do
nada, mas é fruto da educação que ele
teve, das [música] pessoas que conheceu,
das experiências que viveu e até mesmo
das ideias que discordava. [música]
>> René Descartes nasceu no final do século
XVI.
O século XVI foi um período
particularmente difícil,
>> [música]
>> sobretudo por causa dos conflitos, as
guerras de religião
que opuseram católicos e protestantes e
causaram grandes devastações na Europa.
René Descartes nasceu, portanto, no fim
de um século marcado pelo caos e, muito
provavelmente, diante desse caos,
desejou encontrar um pouco de ordem e
rigor.
Respondendo à desordem com método e
racionalidade.
O século XVI também foi de mudanças.
Descobriram-se outras partes do mundo.
Descobriu-se a América, por exemplo.
E todas essas novas descobertas, novas
terras, novos continentes, novas
culturas,
novas populações, transformaram
completamente a percepção que se tinha
do mundo.
>> Mais à frente na exposição,
>> [música]
>> Thomas me fala alguns fatos curiosos
sobre Descartes. Primeiro, [música] que
ele escreveu o Discurso do Método em
francês e não em latim, para [música]
que mais pessoas tivessem acesso ao
material e não apenas acadêmicos
treinados.
Além disso, foi criado pela avó e uma
babá, a quem pagou uma pensão por toda a
vida dela, em reconhecimento pelo
cuidado recebido na infância. Thomas
também me contou que quando Descartes
ainda era jovem, numa noite teve três
sonhos que pareciam-lhe fornecer uma
missão de vida. Em seus escritos,
Descartes [música] contou que a partir
deles entendeu que deveria se dedicar a
reformar todo o conhecimento, [música]
começando pela filosofia, o que ele
chamava de um chamado divino.
>> [música]
>> Descartes, que sempre foi questionador,
decide elaborar um método que levasse
uma verdade segura, um método baseado na
dúvida, já que segundo ele, a dúvida é o
primeiro elo na cadeia do raciocínio.
"Penso, logo existo" é uma das frases
mais famosas de René Descartes e da
história da filosofia. [música]
Ele nasceu e cresceu aqui nessa casa até
os 10 anos de idade. Ele brincou nesses
jardins e aqui foi que cresceu um menino
curioso, que duvidava de tudo e fazia
muitas perguntas.
Era um tempo de incertezas e
contradições [música]
e Descartes acreditava que era
necessário recomeçar o conhecimento do
zero. Na vida adulta, ele se dedicou a
reformar o conhecimento, começando pela
filosofia, já que ele acreditava que
todas as outras ciências derivam da
filosofia.
>> Descartes foi um matemático, um físico,
eh, francês,
aliás,
Renatus Cartesius, né, se a gente for
usar o nome latino,
que viveu no século XVI
e basicamente causou um reboliço na na
na ciência, na perspectiva,
eh, a qual se via a ciência,
porque ele muda um pouco a lente, a
visão, a forma de se perceber.
Até então era uma perspectiva mais
ontológica
>> Uhum.
>> e o olhar então passou a ser
epistemológico. O que significa isso? A
ontologia, inclusive Heidegger,
inclusive estudou bastante sobre isso,
ontologia diz respeito ao estudo do ser.
>> Uhum.
>> Por exemplo, e a epistemologia é mais
uma perspectiva de como o sujeito
enquanto sujeito vê
o mundo, percebe as coisas.
Ou seja, é uma outra
perspectiva.
Então sai da terceira pessoa para
primeira pessoa, entre aspas, né, se a
gente consegue colocar assim, não é uma
redução muito grande. Isso por si foi
algo
é
radical e talvez revolucionário.
>> René Descartes, talvez a gente pode
colocar ele como o primeiro dos
modernos, sabe? Aquele que
vai, e ele diz isso literalmente nas
suas meditações, [música] né? Foi uma
obra que ele escreveu.
Ele vai intencionalmente romper com a
escolástica, com os antigos, e vai
propor algo novo.
Né? É, uma coisa que incomodava
profundamente Descartes era o desacordo,
né? Então
ele notava o quanto as pessoas
discordavam na idade média sobre
interpretações
que envolviam religião, interpretações
que envolviam filosofia, etc.
Por isso que ele começa as suas
meditações literalmente afirmando que
desde muito tempo ele percebeu que
recebeu muito conhecimento que não era
confiável.
Por isso agora ele queria chegar numa
base
um conhecimento que fosse sólido, que
fosse certo. Então Descartes a gente
poderia resumir dizendo que
é um filósofo em busca da certeza.
É, aquele filósofo que
busca saber se existe algum tipo de
conhecimento na qual é impossível a
gente tá enganado.
Será que existe algum tipo de
conhecimento que a gente pode ter
certeza absoluta?
E E vai duvidar, duvidar, duvidar até
encontrar esse conhecimento, tá? Até
encontrar essa base segura sobre a qual
ele pode construir o prédio do
conhecimento, para usar uma metáfora que
é comum nos estudos sobre Descartes.
>> René Descartes trouxe para discussão uma
nova perspectiva sobre o ponto de vista
do conhecimento, a razão. Isso rompia
com a tradição filosófica que antes se
apoiava em autoridades externas,
tradições ou experiências sensoriais.
Ao adotar a dúvida metódica como método,
Descartes questiona tudo, os sentidos,
as crenças, as ideias e até mesmo os
princípios da matemática. Porém, a fé
para Descartes nunca se opôs à razão.
Era justamente a fé, a luz que garantia
que o pensamento humano não se perdesse
na escuridão da dúvida.
>> O método de Descartes é um método da
dúvida radical, sabe?
Então, a gente vai duvidar de tudo
aquilo que nos foi dado.
Se fosse perguntar para Descartes, né?
Olha,
Descartes, quais são as fontes seguras
do conhecimento? Se a gente fosse
perguntar para os antigos,
alguns dos antigos talvez diriam: "Ah,
os sentidos são uma fonte segura do
conhecimento".
Mas, pensa assim, Descartes ele quer
construir um prédio. E ele quer colocar
na raiz desse prédio, na base desse
prédio, um tipo de conhecimento na qual
é praticamente impossível duvidar,
sabe? Ele quer ter um conhecimento que
seja 100% certo.
E aí,
alguns pensadores propuseram alguns
tipos de conhecimento e a gente tem uma
intuição desses tipos de conhecimento.
Por exemplo, "Ah, eu só acredito vendo".
Talvez os sentidos sejam esse tipo de
conhecimento que a gente pode botar na
base e que seja 100% certo, né?
Descartes olharia para uma situação como
essa e lembraria que
os sentidos são falíveis,
os sentidos enganam, né? Então, quantas
vezes a gente, por exemplo,
vê, vê de longe algo e quando a gente
chega perto não é aquilo que a gente vê,
ou a gente escuta alguém chamando o nome
da gente, ou então você pega algum,
algum pedaço de, algum bastão e coloca
na piscina, numa piscina e e ele
enverga, só que a gente sabe que na
realidade ele não envergou, né? Então,
assim, os sentidos não podem ser esse
elemento que a gente coloca
como 100% certos, tá? Que podem nos
oferecer um conhecimento 100% seguro.
>> É, e aí o, o Descartes, mesmo passando
por todo esse,
é, é, processo de ceticismo, inclusive o
Descartes, ele tem um lugar na história
do ceticismo, [música]
porque ele leva a dúvida aos seus
limites,
mas por outro lado, ao levar a dúvida
aos limites, ele consegue
sair dela. Por quê?
Porque ele diz: "Bom, mas mesmo
pensando
que eu errei,
mesmo que eu seja enganado,
pelo fato de ser enganado, eu penso.
E se eu penso, eu existo como um ser que
pensa".
>> Uhum.
>> Então, mesmo que eu me engane o tempo
todo,
pelo fato de ser enganado,
eu penso e pelo fato de pensar,
eu existo. Então, eu sou
alguém que pensa.
E aí ele diz o seguinte: "Eu consegui
estabelecer
um primeiro ponto. Para um matemático,
basta esse primeiro ponto para que ele
possa construir o edifício do saber".
Então, por um lado, o que que a gente
percebe? Que
no Descartes, é, a gente encontra uma
certa suficiência da razão.
A razão, ela consegue,
é,
dar conta da realidade. Ela consegue, de
uma forma progressiva,
é, entender,
é, a realidade. Desde que ela seja bem
conduzida.
>> Uhum.
>> Né? Então, é por isso que o Descartes
vai enfatizar a importância do método.
Né? Então, o Descartes é justamente esse
alto da racionalidade, que é uma
característica importante no século
XVII, o advento do racionalismo.
>> Então, a primeira certeza absoluta é a
de que eu penso.
E a segunda certeza absoluta que eu
posso derivar daí é a da existência, que
eu existo.
Do penso, logo existo, eu posso
construir, agora sim,
um, um conhecimento que é indubitável,
porque até para eu duvidar que eu penso,
eu preciso pensar. Eu preciso existir.
Então, mesmo que exista um gênio
maligno, e ele esteja aqui me enganando,
ele precisa fazer com que eu pense para
ele estar me enganando.
Então, a primeira certeza que a gente
bota nas fundações do conhecimento é o
penso, logo existo. E aí o Descartes,
ele imaginou
que
todo o resto do conhecimento a gente
poderia derivar por dedução.
Dado essa base, a gente poderia derivar
todo o conhecimento de forma dedutiva,
a partir dessa raiz sólida central, da
qual é impossível estar errado.
>> A vida religiosa de Descartes foi
complexa. Ele foi educado em um colégio
jesuíta católico, mas também viveu na
Holanda, um país [música] onde se
afastou das disputas religiosas,
dedicando-se à filosofia. Ele defendia a
crença em Deus e o uso da razão para
provar sua existência, vendo essa crença
como um pilar fundamental para o
e para garantir a verdade sobre o mundo
exterior.
Sua fé era um ponto de partida para seu
método que buscava um conhecimento certo
e claro, semelhante às verdades
matemáticas.
>> Na obra Meditações Metafísicas,
no no prefácio dessa obra,
o o Descartes, ele [música] diz o
seguinte, que ele não está tratando
de teologia nessa obra. Ele fala isso
pros
professores da Universidade de Paris. Eu
não estou tratando aqui de teologia.
>> [música]
>> Estou tratando aqui de filosofia.
Parece que ele marca muito bem essa
distinção
entre a filosofia e a teologia. Então,
veja,
isso é um uma característica importante
do século XVII.
Essa distinção, de uma maneira precisa,
né? Teologia de um lado, filosofia do
outro.
É claro que a gente entende também essa
eh esse recurso do do Descartes nesse
prefácio, porque o Galileu já tinha sido
condenado. Então, olha, não quero me
meter com teologia, eu vou falar de
filosofia.
E é interessante que, usando somente as
luzes da razão,
o Descartes mostra que eh a primeira
verdade clara e distinta
>> [música]
>> é que eu sou um ser que pensa. Je pense,
j'existe. Eu penso, eu existo.
Né? Então, eu sou um ser que pensa. Eu
sou um ser
eh pensante. Mas a segunda eh verdade
que ele estabelece
é que
eh Deus existe.
E por quê, né? Porque ele vai dizer:
"Bom, se eu sou um ser que pensa, então
eu penso a perfeição.
Se eu sou um ser que pensa, eu penso o
infinito.
E de onde vieram essas ideias?
Bom, eu não tenho contato com o
infinito.
Eu não tenho contato com a perfeição,
porque todas as coisas, elas têm uma
certa precariedade, uma certa
contingência.
E ele vai dizer: "Bom,
eh, essas ideias, elas estão em mim,
porque de alguma maneira, elas
têm uma causa.
E a causa,
ela só pode ser
perfeita e infinita. E ele diz: "A causa
é Deus". Não é porque um ser perfeito e
infinito só pode ser Deus. Então, a a a
primeira, eh, verdade clara e distinta
do do Descartes
é que eu penso, eu existo. A segunda,
Deus existe, né?
E
a terceira, e aí é interessante, eh, eh,
é o o Descartes vai dizer,
eh, olha,
se Deus é bom e perfeito,
ele não me deixa enganar.
E se ele não me deixa enganar,
então,
eh, quando eu tinha dúvida, né, se esse
copo, de fato, está diante [música] de
mim,
se eu duvidasse disso o tempo todo, eu
não ia, é um Deus que tá me enganando,
mas Deus é bom.
E, por ser perfeito, ele é bom.
Então,
eu não estou me me enganando.
Né, Deus não me deixa enganar. Então,
significa que eu estou diante do mundo.
Existe o mundo. [música]
>> E Deus tem, no método de Descartes, Deus
tem um papel essencial,
>> [música]
>> tá?
Deus é o que garante que os outros
conhecimentos são conhecimentos seguros.
Por quê? Porque uma vez que Deus é
perfeito, Deus, por exemplo, ele não me
deixaria viver num mundo que fosse
completamente enganoso, sabe? Então,
Deus não me daria faculdades cognitivas,
visão, audição, que fosse completamente
enganosa. Deus não colocaria nas minhas
mãos a matemática que fosse algo
enganoso. Deus não deixaria que um gênio
maligno tivesse sempre enganando a minha
mente.
>> [música]
>> Então é interessante, porque no método
de Descartes
Descartes precisa de Deus para Deus
garantir o restante do conhecimento.
Então Deus é uma espécie de garantidor
uma espécie de ponte de que eu não estou
enganado.
Né? Então Descartes, ele não começou com
Deus
mas ele precisou de Deus para Deus
garantir, porque a dúvida de Descartes,
a dúvida é como uma espécie de ácido,
sabe?
Você tem que manejar com muito cuidado.
>> [música]
>> Que que significa dizer isso? Significa
dizer que
é, se Descartes ele tivesse aplicado a
dúvida radical a todo tipo de
conhecimento
a, a própria confiabilidade do seu
cérebro, das suas faculdades cognitivas,
etc, ele não poderia confiar em mais
nada.
Ele não poderia confiar nem nessa
conclusão.
Descartes, ele precisa de um Deus, e
esse [música] Deus precisa ser um Deus
bondoso, que garanta que essas
é, aquilo que o nosso raciocínio
raciocina, vamos dizer assim, é
confiável.
Que as nossas faculdades cognitivas
funcionam de forma ok, funcionam de
forma confiável, tá? Então ele vai
recorrer a Deus para que Deus expurgue,
digamos assim, o ceticismo e garanta que
a gente tenha algum tipo de conhecimento
confiável.
>> Veja que aí ele constrói uma
uma filosofia.
Ele constrói uma filosofia.
E é uma forma de dizer que
de alguma forma o discurso
racional está em sintonia com a fé.
Né? A filosofia ela tá em sintonia com a
fé. Então isso não não visto como um
problema
para a religião, simplesmente o
Descartes está chegando
às [música] mesmas
eh, ideias religiosas, mas fazendo
usufruto
exclusivo
da racionalidade. Então, o Descartes,
ele nunca teve um um um um problema com
isso. [música] Mas o que a gente percebe
é um pensador
que está disposto a viver de acordo com
as diretrizes
da racionalidade. Não é à toa que ele é
conhecido como um dos arautos, né, do
racionalismo [música] moderno.
>> Nos últimos anos de sua vida, Descartes
foi para Estocolmo ensinar filosofia
para a rainha Cristina da Suécia.
Mas o frio rigoroso e as madrugadas
geladas de Estocolmo comprometeram
[música]
sua saúde e o levaram à morte em 1650,
aos 53 anos.
Ainda assim, seu legado [música]
atravessou os séculos.
Ele revolucionou a forma de pensar a
ciência ao propor um método baseado na
razão, estabelecendo regras claras
[música] para investigar a verdade.
Defendeu que o universo físico é regido
por leis matemáticas, o que impulsionou
o estudo da mecânica e da física. E
talvez o mais marcante de seu pensamento
seja justamente a tensão que buscou
equilibrar.
>> [música]
>> Embora tenha estabelecido as bases para
a dúvida metódica e o racionalismo
moderno, Descartes era [música] cristão
e seu projeto filosófico não pretendia
derrubar a fé, mas fundamentá-la de
maneira [música] racional.
>> Eu acredito que é importante compreender
que René Descartes está presente hoje em
toda a nossa sociedade,
em nossa maneira de pensar,
em nossa [música] medicina,
em nossa ciência,
nas diferentes áreas científicas,
na astronomia.
Dizem, aliás, que foi graças a René
Descartes que o ser humano pôde ir à
Lua.
Não propriamente por seus cálculos,
mas pela sua visão de mundo
e pela ideia de que o ser humano deve
ser capaz
de ir além do seu próprio ambiente.
>> A mesma França que formou Descartes, o
filósofo da razão, também viu nascer
Blaise Pascal.
Se de um lado Descartes buscou a certeza
por [música] meio da razão, do outro
Pascal mergulhou nas profundezas da
condição humana, explorando os limites
entre lógica, fé e existência.
Nossa jornada agora segue para [música]
Paris. No próximo episódio, vamos
conhecer um físico, matemático e
filósofo [música]
que, mesmo com saúde frágil, deixou
marcas profundas na história [música] da
ciência.
>> [música]
[música]

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