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UM NOVO DIA PARA O SPIDER-MAN SABER QUEM REALMENTE ELE É

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Legendas automáticas:

O excesso da elevação do desempenho leva
a um infarto da alma. Quem disse isso
foi Byung-Chul Han, no que talvez seja o
seu livro mais conhecido, A Sociedade do
Cansaço. O livro discute como a
mentalidade que baseia o nosso valor
naquilo que a gente faz, especialmente
naquilo que a gente produz, leva a um
estado de exaustão existencial. Daí vem
o título do livro, Sociedade do Cansaço.
Peter Parker, no mais recente
Homem-Aranha: Um Novo Dia, vive
justamente isso. Ser herói não é um
trabalho CLT, muito menos PJ, mas ele
vive como se fosse. E talvez, como o
heroísmo não oferece seguro desemprego e
nem auxílio doença, e não pode ser
exercido em home office, talvez seja
ainda mais difícil lidar com ele, porque
exige responsabilidades cada vez
maiores. Pude assistir o filme com minha
esposa e uns amigos ontem à noite e eu
quero te convidar a se balançar comigo
pelos céus enquanto atravessamos os
detalhes desse filme no Mundo Cópia de
hoje. O que é que o Homem-Aranha tem
para nos ensinar sobre a vida com Deus?
É isso que a gente faz nesse programa, o
Mundo Cópia, o nosso programa de
resenhas cristãs de filmes, séries e
outros produtos da cultura pop. Se você
quiser apoiar o nosso canal, você sabe
sempre o que fazer, é usando o cupom
Jesus lá na Groovy Suplementos, o melhor
custo-benefício no whey protein, no
pré-treino, na creatina, nas roupas aí
para você ir para academia que você vai
encontrar na internet que vende para
você pelo preço que se vende para
lojista. Vai aproveitar o cupom Jesus na
Groovy Suplementos para dizer para si
mesmo e para o pessoal da Groovy que
você cuida da sua saúde para a glória do
Deus vivo. E ah, esse vídeo vai ter lá
alguns spoilers de Homem-Aranha. Então
seja edificado por sua conta e risco.
Todo mundo sabe quem é o Homem-Aranha,
mas ninguém conhece Peter Parker. Para
poupar aqueles que ele ama de novos
perigos, o Peter decidiu pedir ao Doutor
Estranho que fizesse um feitiço para que
as pessoas se esquecessem dele. O
chamado para ser o herói de Nova York
toma a vida do Peter, já que não sobra
mais Peter para ter uma vida. Ele
acompanha as atualizações do Ned e da MJ
nas redes sociais, quase como aquele
tipo de web amigo que só se conhece pelo
Instagram e não na vida real. Ou na
verdade, é um negócio meio stalker mesmo
assim. Eu acho que é pior, é pior que
web amigo. Bom, é o Homem-Aranha e não
Peter Parker que é uma celebridade, mas
são Ned e MJ e Peter segue e stalkeia.
Até porque eu acho que o Homem-Aranha
não teria TikTok. Ou teria? A cena de
abertura de um filme diz muito sobre
ele. E é por meio dela que o diretor nos
mostra o que é que ele deseja que a
gente saiba logo de início sobre a vida
comum daquele universo ou estabelece o
ponto de partida para pensarmos sobre a
temática do filme. E logo de cara, o
filme nos mostra Peter na sua casa,
diante de uma mesa de criação, de
monitoramento dos perigos na cidade. Em
seguida, ele aparece uniformizado para
salvar Nova York mais uma vez. Ele
coloca a máscara para agir como aranha,
como se apagasse Peter da existência do
dia a dia. O que é bastante interessante
se a gente parar para pensar. Os heróis
se mascaram em parte porque os
criminosos e vilões, ao descobrirem quem
eles são, vão atacar ou ameaçar aqueles
que ele ama. Mas o Peter está sozinho.
Ele não tem mais família. Ele sequer tem
amigos. Ele não tem ninguém. Então, por
que é que ele precisa de uma máscara? A
verdade é que o Peter também estava se
mascarando para si mesmo, apagando a sua
identidade de pessoa comum, se afundando
no trabalho ao ponto da delegada de
bairro, delegada, comissária de polícia,
eu não não entendi exatamente qual era o
cargo daquela daquela senhora, mas ela
está preocupada que ele trabalha demais.
Ele tem que dar uma descansada. O cara
tem um burnoutinho de herói. O que que é
isso? Peter não só se apagou da memória
dos outros, Peter se apaga por trás da
máscara do herói. Ele não está tentando
proteger ninguém com aquela máscara. Ele
está tentando desaparecer de si mesmo
com aquela máscara. Em filmes de herói,
é muito comum que a vida do herói e a
vida da pessoa que está por trás do
herói sejam estabelecidas em justa
posição.
Mas não tem isso aqui. Em sua grande
maioria, as interações do Peter são com
cenas de passagem. Ele interage com
vizinhos, somente naquelas conversas de
elevador. Opa, bom dia, boa noite, está
quente aqui, cachorrinho bonito, ele
morde? Até mesmo quando ele está sem a
máscara, ele age como o aranha ao
conversar com no telefone com a chefe de
polícia. Embora ficasse voltado para a
janela, a mesa do Peter era pouco
iluminada. Ou seja, quando a gente vê o
Peter na sua casa, ele está em uma
penumbra, como se houvesse pouco dele
para se ver. Porque foi nisso que ele se
transformou, em um ser que se esconde
numa toca e que, apesar da luz lá fora,
permanece no escuro. Ele é o aranha
quando está com máscara e quando tá sem
ela. Quando ele põe a máscara, ele é
querido, ele é amado, tem cartazes sobre
ele, mas sem a máscara, ele não existe,
ele é esquecido, ele sequer tem um nome.
O pior, ele deseja sequer ser lembrado.
Mesmo quando a vizinha puxa assunto, ele
disfarça. Na cabeça do Peter,
estabelecer qualquer vínculo seria
perigoso para a outra pessoa e por isso
ele se isola. Ainda que ao colocar a
máscara, ele ele seja amado pela
multidão. E aí o Homem-Aranha derrota
vilões. O filme o mostra vencendo vários
deles ainda no primeiro ato. Para deixar
claro que aquela era a sua rotina e o
lugar que ele se sentia confortável. E
faz isso de forma muito criativa, ao
reproduzir as capas das HQs do Aranha
nas cenas em que ele derrota os vilões,
garantindo assim um fan service bem
legal aí para quem para quem é fã e quer
service, como nós que que cresceu lendo
o Padrinho. Mas ao mesmo tempo, o filme
nos mostra que o desejo do Homem-Aranha
é o bem de Nova York acima de qualquer
coisa. Ele encarna o arquétipo do
cuidador, alguém cujas ações são guiadas
por uma empatia que coloca a necessidade
dos outros acima das suas. É alguém que
sustenta, é alguém generoso que se move
por um grande senso de responsabilidade.
Mas o cuidador geralmente se esquece de
si mesmo por causa dos outros. E aqui
não é diferente. Peter está o tempo todo
sendo o Homem-Aranha. Mesmo com as
advertências da chefe de polícia, ele
não reserva tempo para descansar, porque
o seu desejo de salvar os demais o tem
cegado para sua necessidade de conexão e
descanso, bem como para o fato de que
ele também é Peter Parker, alguém que
precisa de amigos. O cuidado do Aranha é
ainda mais enfatizado quando contraposto
à rebeldia do Justiceiro. Frank Castle é
colocado na narrativa para que a gente
veja as diferentes formas como cada um
lida com os problemas que surgem e para
que os valores de ambos sejam
reforçados. O rebelde não é
necessariamente alguém mau, mas alguém
que se cansou dos meios convencionais de
estabelecer justiça e que escolheu os
próprios métodos para si. Ele tem uma
causa e adota métodos que destoam do que
é comum a um herói, especialmente a um
herói como o Aranha, mas que fazem o
espectador pensar: "Bom, é o jeito".
>> [risadas]
>> O Justiceiro choca, mas resolve. Ele
cheira a anarquia e violência, mas ele
carrega nobreza e justiça ao mesmo
tempo. Agora, a justaposição entre o
Justiceiro e o Homem-Aranha não se dá
simplesmente pela diferença. Se eles não
tivessem nada em comum, não seria
possível estabelecer uma comparação
justa entre eles. É tipo comparar uma
cadeira e uma asa-delta, não tem jeito.
O Justiceiro também luta por justiça.
Ele também sofreu perdas familiares. Ele
também está só, mas ele responde a isso
de forma muito diferente do modo como
Peter Parker
>> [música]
>> responde. Ele não usa máscara, ele se
expõe porque, na visão dele, ele não tem
nada a perder, ele não tem ninguém a
perder. O Justiceiro é Frank Castle, o
Frank Castle é o Justiceiro. Não há
fronteiras, não há divisões de
personalidade ou distinções de ações.
Mas ele também se esconde, assim como
Peter se esconde. Ele ainda possui
impulso de autopreservação. A instalação
onde ele se abriga é cheia de armadilhas
para matar invasores. O Frank Castle não
usa máscaras, mas ele se esconde do
mesmo jeito que o Peter Parker se
esconde. A diferença é que o Peter não
coloca bombas no seu quarto para matar
os intrometidos. Seria um evento um
pouco catastrófico em, né, ali no, no,
no, no, no Queens. É no Queens que ele
mora ou no Harlem? Acho que é no Queens,
né? Seria complicado.
Essa fusão vivida pelo Frank Castle é
justamente o que o Peter não pode viver.
O Castle por não ter poderes, por ser
Castle e o Justiceiro ao mesmo tempo.
Peter, porém, não pode ser Peter e o
Aranha ao mesmo tempo. Caso contrário,
ele se transformaria num tipo de
monstro. O Aranha o engoliria. Se antes
ele não tinha tempo para ser Peter,
agora ele vai ter que lidar com o lado
Aranha superestimulado, que deseja
assumir o controle. E assim como na
famosa história de Robert Louis
Stevenson, no médico e o monstro, em que
o monstro assume gradativamente o
controle do médico, aqui a Aranha também
tenta aos poucos controlar o Peter. O
que é uma metáfora muito literal daquilo
que está acontecendo na história. O DNA
Aranha está se sobrepondo ao DNA humano
do Peter. Assim como o trabalho de
super-herói veio para levar toda a vida
pessoal do Peter, agora o DNA do Aranha
está vindo para levar todo o DNA humano
do Peter. As mudanças no corpo são
dificuldades com as quais ele tem que
lidar depois de cruzar esse limiar e
então entrar, ou melhor, se balançar em
um território muito desconhecido. Os
prédios pelos quais ele passava com
facilidade agora se tornam um grande
desafio. Então ele busca novas formas de
conter esse monstro. E quem seria a
melhor pessoa para ensiná-lo a conter um
monstro interno, senão Bruce Banner? Ele
vai até o Banner, nosso querido e
incrível Hulk, e com a tranquilidade de
quem tira uma dúvida sobre uma equação
de primeiro grau, ele descobre um meio
de criar um dispositivo para manipular o
seu DNA e conter o monstro. E é sempre
cansativo, né, nos filminhos de heróis,
deixa eu fazer aqui esse pequeno
parênteses, ah, o modo como se retrata
alguém inteligente, né? Quando uma
pessoa super forte é retratada, a gente
vê o esforço que faz para segurar uma
coisa muito pesada. Só que com muita
força, resiste a um peso e tal, tal.
Como ninguém consegue empurrar um carro
com a mão só, então a gente imagina que
o super-herói talvez consiga e a gente
entende que ele é nosso, olha como ele é
forte, ele faz coisas incríveis. Aí você
bota ele para parar um trem desgovernado
e tal. Mas quando você quer demonstrar
super inteligência de alguém, é, é muito
estranho, sabe? Muito esquisito. É,
aparece uma inventividade quase
instantânea, como se não houvesse
nenhuma necessidade de esforço, de, de
pensamento, de raciocínio sobre as
coisas. As pessoas super inteligentes
nos, nos filmes são só pessoas que sabem
de tudo de forma imediata e absoluta,
né? É maluquice aquela cena ali.
>> [risadas]
>> É, duas conversa, é, é uma conversinha e
o, e o cara resolve todos os problemas
malucos da, de DNA, de RNA, de não sei o
quê, de, de,
de radiação. É, calma lá, pô. Calma lá,
meu povo. Mas bom, é muito difícil de
retratar gente inteligente. O mais
difícil de retratar gente super
inteligente é porque quem escreve
roteiro não é normalmente alguém super
inteligente, né? Então, bom, mas aí já é
outra crítica aí ao, ao mundo do, do
cinema e dos seriados. Eu, eu tô me
passando já. Se a gente deixar de lado
aí o fato do Peter ter sido capaz de
mapear o genoma humano e criar um
inibidor universal de DNA mutante com
mais facilidade do que, do que eu
resolvo polinômio de segundo grau, a
gente consegue entender pelo menos o
fluxo da história ali, né? O Peter
encontra, ou pelo menos pensa que
encontrou a solução. E quando Banner lhe
pergunta: "Como é que você vai saber se
está suprimindo o que é mal ou algo que
faz de você quem você é?" O Peter não
sabe responder. E nós também não sabemos
responder. Às vezes, muito do que
queremos suprimir é justamente o que nos
faz ser quem nós somos. Enquanto muito
daquilo que nós gostamos em nós é o que
mais nos tornaria desumanos. Nem sempre
sabemos distinguir. E esse é um
questionamento que é muito comum aos
quadrinhos de X-Men. Se você já leu os
quadrinhos de X-Men, você sabe que todo
esse debate sobre ser mutante, não ser
mutante, a identidade mutante, é um
debate muito forte. Aqui a gente já tem
um pequeno gatilho do que vai vir mais à
frente na história. A presença de Bruce
Banner aqui é mais uma forma da
narrativa realçar a luta interna do
Peter consigo mesmo. O Bruce desenvolveu
um supressor para si, porque o Hulk é
uma enorme ameaça. Quando o Hulk
finalmente desperta, garantindo uma boa
sequência de ação, a gente entende que
aquilo é o que Peter não quer se tornar.
Peter quer evitar se transformar em um
monstro, mas ainda não sabe como.
Paralelamente a isso, ele tem que lidar
com a ameaça de um antagonista
misteriosa que manipula a mente das
pessoas. Então, ó, ó o spoiler, agora
chegou a hora do spoiler. Assista por
sua conta e risco, que eu acho que é
basicamente o único grande spoiler. Tem,
tem, deve ter pouquíssimos twists na na
história. Esse talvez seja o mais
interessante, mas isso é interessante
para quem assiste, lê lia quadrinhos ou
assistia, era fã de X-Men, que é quando
a gente descobre que a vilã na verdade é
a Jean Grey. Quando Jean é introduzida
na história, ela não representa uma
ameaça direta ao Peter, porque o sentido
aranha dele funciona como um firewall
contra o controle mental dela. Ela é uma
ameaça à cidade e às pessoas que Peter
ama, por outro lado. E a narrativa vai
aparecendo várias pistas falsas sobre as
motivações da Jean, até a gente
descobrir finalmente, junto com o
Homem-Aranha, o que é que ela realmente
quer. A gente pensa que ela é pura e
simplesmente um agente do caos, da
destruição, mas na verdade ela causava
toda aquela destruição na tentativa de
reaver a sua irmã, a Sara, que foi
sequestrada por aqueles que diziam fazer
o bem e controlar as ameaças
meta-humanas. O problema é que se Peter
está com o inibidor, ele não consegue
sentir Jean. Logo, ela se torna mais
perigosa. Foi o que aconteceu quando ela
assumiu o controle da MJ. Então o Peter
percebe o grande perigo aqui. Sem o
inibidor, ele consegue sentir a Jean
Grey para evitar o seu controle mental,
mas ele tá perdendo o controle de si
mesmo para o seu lado aranha. Com o
inibidor, ele consegue lutar contra os
seus impulsos internos, mas Jean pode
controlar os seus amigos e assim
manipular e controlar o próprio Peter. O
que mostra que o Peter ainda não
encontrou a solução. E é somente quando
vestido de Homem-Aranha ele interage com
a MJ e com o Ned como se fosse Peter que
ele começa a recuperar o controle de
quem ele realmente é.
É uma sacada muito legal do roteiro, tá?
Justamente porque se se à maneira como a
história começou. No início, o Peter tá
sozinho e sem o disfarce, tentando
melhorar o seu desempenho como
Homem-Aranha. Ele tá no escuro e tá
recluso. Ao tentar salvar a MJ da ameaça
de Jean, ele acaba sendo manipulado pela
vilã, que assume o controle da MJ. Jean
força Peter a salvar a amiga e o
Homem-Aranha a leva pro esconderijo do
Frank Castle, a fim de mantê-la em
segurança. A interação entre os dois,
não é, entre a MJ e o Peter, acontece,
ah, ou seja separado por uma cortina, ou
ele usando a máscara. O Peter ainda
tenta se esconder dela como pode, porque
pensa que assim protege ela, mas já
percebeu que isso não funciona, porque a
Jean se apresentou como ameaça direta
pra ele. É aí que a MJ o ajuda a superar
o problema do superaquecimento do
inibidor. Novamente aquela história de
personagens inteligentes que encontram
soluções geniais em momentos de eureca.
É a parte mais chata desses, desses,
nossa, eu sou muito chato, desculpa aí.
Mas veja, ela adverte, tá? Isso é
manipulação de DNA, isso é perigoso. Não
mexam nos seus DNAs, amiguinhos. Há
sempre um risco intrínseco.
E é somente quando a MJ encontra a carta
que o Peter havia escrito pra ela e
descobre quem ele é, que ela o convida a
conversar com o Ned. É a partir daí, o
Peter começa a perceber a sua verdadeira
necessidade. Vestido de Homem-Aranha,
ele brinca de Lego com o Ned, enquanto a
MJ rabisca algo num caderno. Ao
contrário do começo do filme, o
Homem-Aranha está agora em um ambiente
claro, tomado pela luz do sol,
conversando e fazendo as coisas que
Peter Parker faria. O rabisco da MJ era
um desenho dele sem a máscara, mas ainda
com a roupa do aranha, pra mostrar que
ele continuava sendo um homem,
justamente porque eram outros humanos,
outros, ah, outras pessoas, os amigos,
as pessoas que ele amava, que o fazia
permanecer humano. É aí que no confronto
final com a Jean Grey, Peter tem que
abrir mão do controle artificial do
inibidor pra vencer aqueles que ela está
controlando. Mas agora que ele
restabeleceu a conexão com a MJ e
interagiu com o Ned, ele consegue
retomar o controle sobre o aranha e
sobre o seu monstro interior. Eu achei
piegas pra caramba, mas é uma metáfora
que vale a pena ser, ser guardada. É por
meio dos relacionamentos, da amizade, do
amor, que ele volta a ser humano, é que
ele consegue vencer a sua identidade de
super-herói pra voltar a ser
simplesmente uma pessoa. É aí que ele
consegue controlar o seu lado monstro, é
aí que ele consegue, depois de se
machucar, deixar para lá um assalto a
banco para poder ir descansar pelo menos
uma vez. Ele vence os inimigos que
estavam sob o controle da Jean, a
enfrenta e uma vez que a Jean é uma
telepata, o embate não podia ser outro
senão um embate mental, permitindo que
Jean acesse suas memórias, que ele ajuda
ela. E novamente nós vemos o contraste
entre as formas como Peter e Frank
resolvem o problema. Enquanto Peter
permite que Jean entre em sua mente,
sonhe de suas memórias e conheça suas
vulnerabilidades para que ela veja como
ele encontrou forças para agir com
responsabilidade com relação aos outros,
o Frank mostrou um rifle de precisão do
alto de um prédio para abater a Jean
Grey. A tensão cresce à medida que a
gente imagina o que vai acontecer, né?
Será que o Peter vai conseguir
convencê-la antes do disparo? Será que o
Frank vai matar ela antes que o Peter a
convença? O que que acontece eleva o
caráter do Peter ao máximo, ele se
sacrifica por Jean. Esse é o ato que a
convence definitivamente, porque alguém
já disse no passado que não há prova de
amor maior do que dar a sua vida pelos
seus amigos. Não foi isso que Jesus
disse? Não existe prova de amor maior do
que o sacrifício por aqueles que se ama.
Peter Parker está disposto a morrer para
salvar um desconhecido. Peter é levado
às pressas para o hospital, é claro, tem
que tirar a roupa de aranha dele, tira a
sua máscara, o que se opõe ao começo da
história, porque ele inicia o filme como
um desconhecido e agora pelo menos a
equipe que o socorreu conhece algo da
sua identidade. Ele sai do hospital com
o Frank Castle lá em cima vestido de
Homem-Aranha e ele no meio da multidão
disfarçado de si mesmo.
As coisas se invertem, né? Ele vê o
Homem-Aranha de fora, ele ele finalmente
é ele, sabe? É de novo, essa metáfora
para mim é menos piegas e só um dos meus
momentos favoritos do filme. Ele vê o
Homem-Aranha de fora finalmente. Tem
outra pessoa assumindo aquele alter ego
por ele, para que ele, sendo ele, possa
misturar na multidão, ser visto por uma
criança, interagir com uma criança que
está no ombro de alguém. É de novo o
médico e o monstro, é de novo a
identidade sendo construída a partir de
quem você é e não a partir daquilo que
você faz. E o final não podia ser
melhor, né? A saída definitiva do Peter
Parker do buraco ocorre quando ele vê o
seu grande amigo Ned na cafeteria e se
aproxima. O Ned o reconhece como o cara
das flores do apartamento, porque foi
assim que Peter se apresentou ali no
meio do filme, ainda se disfarçando. E o
Peter o cumprimenta e faz o aperto de
mão secreto, né, aquele toque de mãos
que era característico e diz o nome. Ned
já tinha ouvido a MJ falar que o nome do
Homem-Aranha era Peter. O que é muito
legal, porque o Ned esqueceu o Peter
Parker, mas o Ned ainda lembrava do
aperto de mão secreto. É igual aquela
senha que você esqueceu, mas se você
você tem que pegar um teclado e pegando
o teclado você lembra qual é a senha,
mas você não lembra se você tiver que
dizer? A memória muscular do aperto de
mão estava lá, ainda que ele não
lembrasse do Peter Parker. Legal, né?
É muito Eu achei a sacada muito legal. O
Peter sempre admirou o Homem de Ferro.
Isso é um ícone o encerramento do filme
que deu origem a todo o boom do MCU com
Tony Stark dizendo: "I am Iron Man". Eu
sou o Homem de Ferro. Aqui o filme
termina com uma tomada de consciência
das pessoas que o Peter ama, talvez dele
próprio, talvez do público, né? Ele era
Peter. Tony Stark era o Iron Man. "I am
Iron Man". Eu sou o Homem de Ferro. O o
Homem-Aranha, ele só queria o cabeça de
teia, o amigo da vizinhança, ele só
queria ser Peter. E à semelhança dele,
todos nós estamos sujeitos a crises
existenciais e à perda da noção de quem
nós somos. O nosso trabalho pode nos
consumir ao ponto de nos tornarmos
simplesmente um enfermeiro, sou um
motorista, eu sou um professor, eu sou
um médico, eu sou um pastor. Cuidar dos
outros é bom, produzir coisas boas é
bom, mas se nós não atentarmos para
nossa própria condição, a gente pode
adoecer adoecer fisicamente, a gente
pode adoecer mentalmente, a gente pode
adoecer espiritualmente. E aí, o que
será daqueles de quem lutamos para
cuidar se acaba sendo a gente que
precisa ser cuidado no fim das contas? E
aí a gente vai para a depressão, vai
para a ansiedade, vai para doenças
psicossomáticas, tudo que pode surgir
como consequência de uma vida marcada
por comportamentos desalinhados. Os
comportamentos pecaminosos, não é,
embora o pecado esteja dentro de nós,
eles podem surgir de práticas pontuais e
de pequenas concessões que se tornam
hábitos. E aí quem vai poder nos salvar?
Esse filme do Homem-Aranha nos ensina
que nós não vencemos nossas batalhas
sozinhos. As batalhas que travamos
internamente nunca são vencidas de forma
solitária. Nós precisamos de pessoas que
nos amem para nos apoiar, que nos ajudem
e até mesmo confrontem nossos erros se
for preciso. Nós não fomos criados para
viver isoladamente, reclusos num quarto
ou em uma casa na penumbra. Nós não
fomos criados para sermos definidos
simplesmente pelo que fazemos, embora o
que a gente faça diga muito sobre nós.
Nós fomos criados por Deus para viver em
comunidade, porque também é nela que nós
aprendemos quem nós somos. É em
comunidade que nós passamos a aprender a
amar e a desfrutar do amor ao próximo. É
em comunidade que nós juntamos forças
para vencer desafios, crises e
problemas. É em comunidade que nós
descobrimos a nossa verdadeira
identidade. O filme do Homem-Aranha nos
lembra o que disse o autor da epístola
aos hebreus: "Cuidemos também de nos
animar uns aos outros no amor e na
prática de boas obras. Não deixemos de
nos congregar como é costume de alguns.
Pelo contrário, façamos admoestações,
ainda mais agora que vocês veem que o
dia se aproxima". A Bíblia me ensina que
eu não sou suficiente, que eu preciso
viver em comunidade, que eu preciso ser
confrontado dos meus pecados, que eu
preciso admoestar os outros quando for
necessário. A Bíblia me lembra que eu
não me basto e que eu preciso de pessoas
com quem caminhar. Também me lembra que,
embora eu tenha grandes
responsabilidades, o grande poder para
lidar com elas vem da comunhão amorosa
com o próximo e, especialmente, da união
com Cristo por meio do seu sacrifício.
Ninguém ama mais quando se anula
totalmente pelo outro, mas sim quando
encontra uma forma de amar com
humildade, sem se colocar acima dos
outros, nem sem ter em vista somente os
próprios interesses, mas também os
interesses dos outros. Ninguém cuida
melhor dos outros quando age como se não
precisasse de cuidados, mas sim quando
entende que nós precisamos suportar uns
aos outros em amor. No fim das contas,
por maiores que sejam nossas
responsabilidades, precisamos de alguém
que nos cumprimente de maneira
particular e nos chame pelo nome, assim
como nosso Senhor chama cada um de nós
para si. Quem se importa com filminho de
herói? Você pode perguntar. Bom, se a
gente olhar com cuidado, tem muita coisa
importante ali que a gente pode
encontrar. E o que é que você achou do
filme do Homem-Aranha? Você tem críticas
aí cinematográficas? Também tem as
minhas. Aqui a gente tá mais preocupado
com a mensagem que tá por trás da obra.
É isso que a gente faz aqui no Mundo
Cópia. Se você gosta desse tipo de
programa, não deixe de clicar em gostei,
de mandar aí nos seus amigos, mandem no
grupo da igreja, no grupo dos jovens,
mande para os seus colegas nerds e deixa
um comentário para a gente continuar
encontrando boas mensagens por trás
daquilo que a gente encontra na cultura.
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que houver vídeo novo. Um cheiro no seu
cangote
e até a próxima.

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