UM NOVO DIA PARA O SPIDER-MAN SABER QUEM REALMENTE ELE É
07/08/2026
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma. Quem disse isso foi Byung-Chul Han, no que talvez seja o seu livro mais conhecido, A Sociedade do Cansaço. O livro discute como a mentalidade que baseia o nosso valor naquilo que a gente faz, especialmente naquilo que a gente produz, leva a um estado de exaustão existencial. Daí vem o título do livro, Sociedade do Cansaço. Peter Parker, no mais recente Homem-Aranha: Um Novo Dia, vive justamente isso. Ser herói não é um trabalho CLT, muito menos PJ, mas ele vive como se fosse. E talvez, como o heroísmo não oferece seguro desemprego e nem auxílio doença, e não pode ser exercido em home office, talvez seja ainda mais difícil lidar com ele, porque exige responsabilidades cada vez maiores. Pude assistir o filme com minha esposa e uns amigos ontem à noite e eu quero te convidar a se balançar comigo pelos céus enquanto atravessamos os detalhes desse filme no Mundo Cópia de hoje. O que é que o Homem-Aranha tem para nos ensinar sobre a vida com Deus? É isso que a gente faz nesse programa, o Mundo Cópia, o nosso programa de resenhas cristãs de filmes, séries e outros produtos da cultura pop. Se você quiser apoiar o nosso canal, você sabe sempre o que fazer, é usando o cupom Jesus lá na Groovy Suplementos, o melhor custo-benefício no whey protein, no pré-treino, na creatina, nas roupas aí para você ir para academia que você vai encontrar na internet que vende para você pelo preço que se vende para lojista. Vai aproveitar o cupom Jesus na Groovy Suplementos para dizer para si mesmo e para o pessoal da Groovy que você cuida da sua saúde para a glória do Deus vivo. E ah, esse vídeo vai ter lá alguns spoilers de Homem-Aranha. Então seja edificado por sua conta e risco. Todo mundo sabe quem é o Homem-Aranha, mas ninguém conhece Peter Parker. Para poupar aqueles que ele ama de novos perigos, o Peter decidiu pedir ao Doutor Estranho que fizesse um feitiço para que as pessoas se esquecessem dele. O chamado para ser o herói de Nova York toma a vida do Peter, já que não sobra mais Peter para ter uma vida. Ele acompanha as atualizações do Ned e da MJ nas redes sociais, quase como aquele tipo de web amigo que só se conhece pelo Instagram e não na vida real. Ou na verdade, é um negócio meio stalker mesmo assim. Eu acho que é pior, é pior que web amigo. Bom, é o Homem-Aranha e não Peter Parker que é uma celebridade, mas são Ned e MJ e Peter segue e stalkeia. Até porque eu acho que o Homem-Aranha não teria TikTok. Ou teria? A cena de abertura de um filme diz muito sobre ele. E é por meio dela que o diretor nos mostra o que é que ele deseja que a gente saiba logo de início sobre a vida comum daquele universo ou estabelece o ponto de partida para pensarmos sobre a temática do filme. E logo de cara, o filme nos mostra Peter na sua casa, diante de uma mesa de criação, de monitoramento dos perigos na cidade. Em seguida, ele aparece uniformizado para salvar Nova York mais uma vez. Ele coloca a máscara para agir como aranha, como se apagasse Peter da existência do dia a dia. O que é bastante interessante se a gente parar para pensar. Os heróis se mascaram em parte porque os criminosos e vilões, ao descobrirem quem eles são, vão atacar ou ameaçar aqueles que ele ama. Mas o Peter está sozinho. Ele não tem mais família. Ele sequer tem amigos. Ele não tem ninguém. Então, por que é que ele precisa de uma máscara? A verdade é que o Peter também estava se mascarando para si mesmo, apagando a sua identidade de pessoa comum, se afundando no trabalho ao ponto da delegada de bairro, delegada, comissária de polícia, eu não não entendi exatamente qual era o cargo daquela daquela senhora, mas ela está preocupada que ele trabalha demais. Ele tem que dar uma descansada. O cara tem um burnoutinho de herói. O que que é isso? Peter não só se apagou da memória dos outros, Peter se apaga por trás da máscara do herói. Ele não está tentando proteger ninguém com aquela máscara. Ele está tentando desaparecer de si mesmo com aquela máscara. Em filmes de herói, é muito comum que a vida do herói e a vida da pessoa que está por trás do herói sejam estabelecidas em justa posição. Mas não tem isso aqui. Em sua grande maioria, as interações do Peter são com cenas de passagem. Ele interage com vizinhos, somente naquelas conversas de elevador. Opa, bom dia, boa noite, está quente aqui, cachorrinho bonito, ele morde? Até mesmo quando ele está sem a máscara, ele age como o aranha ao conversar com no telefone com a chefe de polícia. Embora ficasse voltado para a janela, a mesa do Peter era pouco iluminada. Ou seja, quando a gente vê o Peter na sua casa, ele está em uma penumbra, como se houvesse pouco dele para se ver. Porque foi nisso que ele se transformou, em um ser que se esconde numa toca e que, apesar da luz lá fora, permanece no escuro. Ele é o aranha quando está com máscara e quando tá sem ela. Quando ele põe a máscara, ele é querido, ele é amado, tem cartazes sobre ele, mas sem a máscara, ele não existe, ele é esquecido, ele sequer tem um nome. O pior, ele deseja sequer ser lembrado. Mesmo quando a vizinha puxa assunto, ele disfarça. Na cabeça do Peter, estabelecer qualquer vínculo seria perigoso para a outra pessoa e por isso ele se isola. Ainda que ao colocar a máscara, ele ele seja amado pela multidão. E aí o Homem-Aranha derrota vilões. O filme o mostra vencendo vários deles ainda no primeiro ato. Para deixar claro que aquela era a sua rotina e o lugar que ele se sentia confortável. E faz isso de forma muito criativa, ao reproduzir as capas das HQs do Aranha nas cenas em que ele derrota os vilões, garantindo assim um fan service bem legal aí para quem para quem é fã e quer service, como nós que que cresceu lendo o Padrinho. Mas ao mesmo tempo, o filme nos mostra que o desejo do Homem-Aranha é o bem de Nova York acima de qualquer coisa. Ele encarna o arquétipo do cuidador, alguém cujas ações são guiadas por uma empatia que coloca a necessidade dos outros acima das suas. É alguém que sustenta, é alguém generoso que se move por um grande senso de responsabilidade. Mas o cuidador geralmente se esquece de si mesmo por causa dos outros. E aqui não é diferente. Peter está o tempo todo sendo o Homem-Aranha. Mesmo com as advertências da chefe de polícia, ele não reserva tempo para descansar, porque o seu desejo de salvar os demais o tem cegado para sua necessidade de conexão e descanso, bem como para o fato de que ele também é Peter Parker, alguém que precisa de amigos. O cuidado do Aranha é ainda mais enfatizado quando contraposto à rebeldia do Justiceiro. Frank Castle é colocado na narrativa para que a gente veja as diferentes formas como cada um lida com os problemas que surgem e para que os valores de ambos sejam reforçados. O rebelde não é necessariamente alguém mau, mas alguém que se cansou dos meios convencionais de estabelecer justiça e que escolheu os próprios métodos para si. Ele tem uma causa e adota métodos que destoam do que é comum a um herói, especialmente a um herói como o Aranha, mas que fazem o espectador pensar: "Bom, é o jeito". >> [risadas] >> O Justiceiro choca, mas resolve. Ele cheira a anarquia e violência, mas ele carrega nobreza e justiça ao mesmo tempo. Agora, a justaposição entre o Justiceiro e o Homem-Aranha não se dá simplesmente pela diferença. Se eles não tivessem nada em comum, não seria possível estabelecer uma comparação justa entre eles. É tipo comparar uma cadeira e uma asa-delta, não tem jeito. O Justiceiro também luta por justiça. Ele também sofreu perdas familiares. Ele também está só, mas ele responde a isso de forma muito diferente do modo como Peter Parker >> [música] >> responde. Ele não usa máscara, ele se expõe porque, na visão dele, ele não tem nada a perder, ele não tem ninguém a perder. O Justiceiro é Frank Castle, o Frank Castle é o Justiceiro. Não há fronteiras, não há divisões de personalidade ou distinções de ações. Mas ele também se esconde, assim como Peter se esconde. Ele ainda possui impulso de autopreservação. A instalação onde ele se abriga é cheia de armadilhas para matar invasores. O Frank Castle não usa máscaras, mas ele se esconde do mesmo jeito que o Peter Parker se esconde. A diferença é que o Peter não coloca bombas no seu quarto para matar os intrometidos. Seria um evento um pouco catastrófico em, né, ali no, no, no, no, no Queens. É no Queens que ele mora ou no Harlem? Acho que é no Queens, né? Seria complicado. Essa fusão vivida pelo Frank Castle é justamente o que o Peter não pode viver. O Castle por não ter poderes, por ser Castle e o Justiceiro ao mesmo tempo. Peter, porém, não pode ser Peter e o Aranha ao mesmo tempo. Caso contrário, ele se transformaria num tipo de monstro. O Aranha o engoliria. Se antes ele não tinha tempo para ser Peter, agora ele vai ter que lidar com o lado Aranha superestimulado, que deseja assumir o controle. E assim como na famosa história de Robert Louis Stevenson, no médico e o monstro, em que o monstro assume gradativamente o controle do médico, aqui a Aranha também tenta aos poucos controlar o Peter. O que é uma metáfora muito literal daquilo que está acontecendo na história. O DNA Aranha está se sobrepondo ao DNA humano do Peter. Assim como o trabalho de super-herói veio para levar toda a vida pessoal do Peter, agora o DNA do Aranha está vindo para levar todo o DNA humano do Peter. As mudanças no corpo são dificuldades com as quais ele tem que lidar depois de cruzar esse limiar e então entrar, ou melhor, se balançar em um território muito desconhecido. Os prédios pelos quais ele passava com facilidade agora se tornam um grande desafio. Então ele busca novas formas de conter esse monstro. E quem seria a melhor pessoa para ensiná-lo a conter um monstro interno, senão Bruce Banner? Ele vai até o Banner, nosso querido e incrível Hulk, e com a tranquilidade de quem tira uma dúvida sobre uma equação de primeiro grau, ele descobre um meio de criar um dispositivo para manipular o seu DNA e conter o monstro. E é sempre cansativo, né, nos filminhos de heróis, deixa eu fazer aqui esse pequeno parênteses, ah, o modo como se retrata alguém inteligente, né? Quando uma pessoa super forte é retratada, a gente vê o esforço que faz para segurar uma coisa muito pesada. Só que com muita força, resiste a um peso e tal, tal. Como ninguém consegue empurrar um carro com a mão só, então a gente imagina que o super-herói talvez consiga e a gente entende que ele é nosso, olha como ele é forte, ele faz coisas incríveis. Aí você bota ele para parar um trem desgovernado e tal. Mas quando você quer demonstrar super inteligência de alguém, é, é muito estranho, sabe? Muito esquisito. É, aparece uma inventividade quase instantânea, como se não houvesse nenhuma necessidade de esforço, de, de pensamento, de raciocínio sobre as coisas. As pessoas super inteligentes nos, nos filmes são só pessoas que sabem de tudo de forma imediata e absoluta, né? É maluquice aquela cena ali. >> [risadas] >> É, duas conversa, é, é uma conversinha e o, e o cara resolve todos os problemas malucos da, de DNA, de RNA, de não sei o quê, de, de, de radiação. É, calma lá, pô. Calma lá, meu povo. Mas bom, é muito difícil de retratar gente inteligente. O mais difícil de retratar gente super inteligente é porque quem escreve roteiro não é normalmente alguém super inteligente, né? Então, bom, mas aí já é outra crítica aí ao, ao mundo do, do cinema e dos seriados. Eu, eu tô me passando já. Se a gente deixar de lado aí o fato do Peter ter sido capaz de mapear o genoma humano e criar um inibidor universal de DNA mutante com mais facilidade do que, do que eu resolvo polinômio de segundo grau, a gente consegue entender pelo menos o fluxo da história ali, né? O Peter encontra, ou pelo menos pensa que encontrou a solução. E quando Banner lhe pergunta: "Como é que você vai saber se está suprimindo o que é mal ou algo que faz de você quem você é?" O Peter não sabe responder. E nós também não sabemos responder. Às vezes, muito do que queremos suprimir é justamente o que nos faz ser quem nós somos. Enquanto muito daquilo que nós gostamos em nós é o que mais nos tornaria desumanos. Nem sempre sabemos distinguir. E esse é um questionamento que é muito comum aos quadrinhos de X-Men. Se você já leu os quadrinhos de X-Men, você sabe que todo esse debate sobre ser mutante, não ser mutante, a identidade mutante, é um debate muito forte. Aqui a gente já tem um pequeno gatilho do que vai vir mais à frente na história. A presença de Bruce Banner aqui é mais uma forma da narrativa realçar a luta interna do Peter consigo mesmo. O Bruce desenvolveu um supressor para si, porque o Hulk é uma enorme ameaça. Quando o Hulk finalmente desperta, garantindo uma boa sequência de ação, a gente entende que aquilo é o que Peter não quer se tornar. Peter quer evitar se transformar em um monstro, mas ainda não sabe como. Paralelamente a isso, ele tem que lidar com a ameaça de um antagonista misteriosa que manipula a mente das pessoas. Então, ó, ó o spoiler, agora chegou a hora do spoiler. Assista por sua conta e risco, que eu acho que é basicamente o único grande spoiler. Tem, tem, deve ter pouquíssimos twists na na história. Esse talvez seja o mais interessante, mas isso é interessante para quem assiste, lê lia quadrinhos ou assistia, era fã de X-Men, que é quando a gente descobre que a vilã na verdade é a Jean Grey. Quando Jean é introduzida na história, ela não representa uma ameaça direta ao Peter, porque o sentido aranha dele funciona como um firewall contra o controle mental dela. Ela é uma ameaça à cidade e às pessoas que Peter ama, por outro lado. E a narrativa vai aparecendo várias pistas falsas sobre as motivações da Jean, até a gente descobrir finalmente, junto com o Homem-Aranha, o que é que ela realmente quer. A gente pensa que ela é pura e simplesmente um agente do caos, da destruição, mas na verdade ela causava toda aquela destruição na tentativa de reaver a sua irmã, a Sara, que foi sequestrada por aqueles que diziam fazer o bem e controlar as ameaças meta-humanas. O problema é que se Peter está com o inibidor, ele não consegue sentir Jean. Logo, ela se torna mais perigosa. Foi o que aconteceu quando ela assumiu o controle da MJ. Então o Peter percebe o grande perigo aqui. Sem o inibidor, ele consegue sentir a Jean Grey para evitar o seu controle mental, mas ele tá perdendo o controle de si mesmo para o seu lado aranha. Com o inibidor, ele consegue lutar contra os seus impulsos internos, mas Jean pode controlar os seus amigos e assim manipular e controlar o próprio Peter. O que mostra que o Peter ainda não encontrou a solução. E é somente quando vestido de Homem-Aranha ele interage com a MJ e com o Ned como se fosse Peter que ele começa a recuperar o controle de quem ele realmente é. É uma sacada muito legal do roteiro, tá? Justamente porque se se à maneira como a história começou. No início, o Peter tá sozinho e sem o disfarce, tentando melhorar o seu desempenho como Homem-Aranha. Ele tá no escuro e tá recluso. Ao tentar salvar a MJ da ameaça de Jean, ele acaba sendo manipulado pela vilã, que assume o controle da MJ. Jean força Peter a salvar a amiga e o Homem-Aranha a leva pro esconderijo do Frank Castle, a fim de mantê-la em segurança. A interação entre os dois, não é, entre a MJ e o Peter, acontece, ah, ou seja separado por uma cortina, ou ele usando a máscara. O Peter ainda tenta se esconder dela como pode, porque pensa que assim protege ela, mas já percebeu que isso não funciona, porque a Jean se apresentou como ameaça direta pra ele. É aí que a MJ o ajuda a superar o problema do superaquecimento do inibidor. Novamente aquela história de personagens inteligentes que encontram soluções geniais em momentos de eureca. É a parte mais chata desses, desses, nossa, eu sou muito chato, desculpa aí. Mas veja, ela adverte, tá? Isso é manipulação de DNA, isso é perigoso. Não mexam nos seus DNAs, amiguinhos. Há sempre um risco intrínseco. E é somente quando a MJ encontra a carta que o Peter havia escrito pra ela e descobre quem ele é, que ela o convida a conversar com o Ned. É a partir daí, o Peter começa a perceber a sua verdadeira necessidade. Vestido de Homem-Aranha, ele brinca de Lego com o Ned, enquanto a MJ rabisca algo num caderno. Ao contrário do começo do filme, o Homem-Aranha está agora em um ambiente claro, tomado pela luz do sol, conversando e fazendo as coisas que Peter Parker faria. O rabisco da MJ era um desenho dele sem a máscara, mas ainda com a roupa do aranha, pra mostrar que ele continuava sendo um homem, justamente porque eram outros humanos, outros, ah, outras pessoas, os amigos, as pessoas que ele amava, que o fazia permanecer humano. É aí que no confronto final com a Jean Grey, Peter tem que abrir mão do controle artificial do inibidor pra vencer aqueles que ela está controlando. Mas agora que ele restabeleceu a conexão com a MJ e interagiu com o Ned, ele consegue retomar o controle sobre o aranha e sobre o seu monstro interior. Eu achei piegas pra caramba, mas é uma metáfora que vale a pena ser, ser guardada. É por meio dos relacionamentos, da amizade, do amor, que ele volta a ser humano, é que ele consegue vencer a sua identidade de super-herói pra voltar a ser simplesmente uma pessoa. É aí que ele consegue controlar o seu lado monstro, é aí que ele consegue, depois de se machucar, deixar para lá um assalto a banco para poder ir descansar pelo menos uma vez. Ele vence os inimigos que estavam sob o controle da Jean, a enfrenta e uma vez que a Jean é uma telepata, o embate não podia ser outro senão um embate mental, permitindo que Jean acesse suas memórias, que ele ajuda ela. E novamente nós vemos o contraste entre as formas como Peter e Frank resolvem o problema. Enquanto Peter permite que Jean entre em sua mente, sonhe de suas memórias e conheça suas vulnerabilidades para que ela veja como ele encontrou forças para agir com responsabilidade com relação aos outros, o Frank mostrou um rifle de precisão do alto de um prédio para abater a Jean Grey. A tensão cresce à medida que a gente imagina o que vai acontecer, né? Será que o Peter vai conseguir convencê-la antes do disparo? Será que o Frank vai matar ela antes que o Peter a convença? O que que acontece eleva o caráter do Peter ao máximo, ele se sacrifica por Jean. Esse é o ato que a convence definitivamente, porque alguém já disse no passado que não há prova de amor maior do que dar a sua vida pelos seus amigos. Não foi isso que Jesus disse? Não existe prova de amor maior do que o sacrifício por aqueles que se ama. Peter Parker está disposto a morrer para salvar um desconhecido. Peter é levado às pressas para o hospital, é claro, tem que tirar a roupa de aranha dele, tira a sua máscara, o que se opõe ao começo da história, porque ele inicia o filme como um desconhecido e agora pelo menos a equipe que o socorreu conhece algo da sua identidade. Ele sai do hospital com o Frank Castle lá em cima vestido de Homem-Aranha e ele no meio da multidão disfarçado de si mesmo. As coisas se invertem, né? Ele vê o Homem-Aranha de fora, ele ele finalmente é ele, sabe? É de novo, essa metáfora para mim é menos piegas e só um dos meus momentos favoritos do filme. Ele vê o Homem-Aranha de fora finalmente. Tem outra pessoa assumindo aquele alter ego por ele, para que ele, sendo ele, possa misturar na multidão, ser visto por uma criança, interagir com uma criança que está no ombro de alguém. É de novo o médico e o monstro, é de novo a identidade sendo construída a partir de quem você é e não a partir daquilo que você faz. E o final não podia ser melhor, né? A saída definitiva do Peter Parker do buraco ocorre quando ele vê o seu grande amigo Ned na cafeteria e se aproxima. O Ned o reconhece como o cara das flores do apartamento, porque foi assim que Peter se apresentou ali no meio do filme, ainda se disfarçando. E o Peter o cumprimenta e faz o aperto de mão secreto, né, aquele toque de mãos que era característico e diz o nome. Ned já tinha ouvido a MJ falar que o nome do Homem-Aranha era Peter. O que é muito legal, porque o Ned esqueceu o Peter Parker, mas o Ned ainda lembrava do aperto de mão secreto. É igual aquela senha que você esqueceu, mas se você você tem que pegar um teclado e pegando o teclado você lembra qual é a senha, mas você não lembra se você tiver que dizer? A memória muscular do aperto de mão estava lá, ainda que ele não lembrasse do Peter Parker. Legal, né? É muito Eu achei a sacada muito legal. O Peter sempre admirou o Homem de Ferro. Isso é um ícone o encerramento do filme que deu origem a todo o boom do MCU com Tony Stark dizendo: "I am Iron Man". Eu sou o Homem de Ferro. Aqui o filme termina com uma tomada de consciência das pessoas que o Peter ama, talvez dele próprio, talvez do público, né? Ele era Peter. Tony Stark era o Iron Man. "I am Iron Man". Eu sou o Homem de Ferro. O o Homem-Aranha, ele só queria o cabeça de teia, o amigo da vizinhança, ele só queria ser Peter. E à semelhança dele, todos nós estamos sujeitos a crises existenciais e à perda da noção de quem nós somos. O nosso trabalho pode nos consumir ao ponto de nos tornarmos simplesmente um enfermeiro, sou um motorista, eu sou um professor, eu sou um médico, eu sou um pastor. Cuidar dos outros é bom, produzir coisas boas é bom, mas se nós não atentarmos para nossa própria condição, a gente pode adoecer adoecer fisicamente, a gente pode adoecer mentalmente, a gente pode adoecer espiritualmente. E aí, o que será daqueles de quem lutamos para cuidar se acaba sendo a gente que precisa ser cuidado no fim das contas? E aí a gente vai para a depressão, vai para a ansiedade, vai para doenças psicossomáticas, tudo que pode surgir como consequência de uma vida marcada por comportamentos desalinhados. Os comportamentos pecaminosos, não é, embora o pecado esteja dentro de nós, eles podem surgir de práticas pontuais e de pequenas concessões que se tornam hábitos. E aí quem vai poder nos salvar? Esse filme do Homem-Aranha nos ensina que nós não vencemos nossas batalhas sozinhos. As batalhas que travamos internamente nunca são vencidas de forma solitária. Nós precisamos de pessoas que nos amem para nos apoiar, que nos ajudem e até mesmo confrontem nossos erros se for preciso. Nós não fomos criados para viver isoladamente, reclusos num quarto ou em uma casa na penumbra. Nós não fomos criados para sermos definidos simplesmente pelo que fazemos, embora o que a gente faça diga muito sobre nós. Nós fomos criados por Deus para viver em comunidade, porque também é nela que nós aprendemos quem nós somos. É em comunidade que nós passamos a aprender a amar e a desfrutar do amor ao próximo. É em comunidade que nós juntamos forças para vencer desafios, crises e problemas. É em comunidade que nós descobrimos a nossa verdadeira identidade. O filme do Homem-Aranha nos lembra o que disse o autor da epístola aos hebreus: "Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras. Não deixemos de nos congregar como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos admoestações, ainda mais agora que vocês veem que o dia se aproxima". A Bíblia me ensina que eu não sou suficiente, que eu preciso viver em comunidade, que eu preciso ser confrontado dos meus pecados, que eu preciso admoestar os outros quando for necessário. A Bíblia me lembra que eu não me basto e que eu preciso de pessoas com quem caminhar. Também me lembra que, embora eu tenha grandes responsabilidades, o grande poder para lidar com elas vem da comunhão amorosa com o próximo e, especialmente, da união com Cristo por meio do seu sacrifício. Ninguém ama mais quando se anula totalmente pelo outro, mas sim quando encontra uma forma de amar com humildade, sem se colocar acima dos outros, nem sem ter em vista somente os próprios interesses, mas também os interesses dos outros. Ninguém cuida melhor dos outros quando age como se não precisasse de cuidados, mas sim quando entende que nós precisamos suportar uns aos outros em amor. No fim das contas, por maiores que sejam nossas responsabilidades, precisamos de alguém que nos cumprimente de maneira particular e nos chame pelo nome, assim como nosso Senhor chama cada um de nós para si. Quem se importa com filminho de herói? Você pode perguntar. Bom, se a gente olhar com cuidado, tem muita coisa importante ali que a gente pode encontrar. E o que é que você achou do filme do Homem-Aranha? Você tem críticas aí cinematográficas? Também tem as minhas. Aqui a gente tá mais preocupado com a mensagem que tá por trás da obra. É isso que a gente faz aqui no Mundo Cópia. Se você gosta desse tipo de programa, não deixe de clicar em gostei, de mandar aí nos seus amigos, mandem no grupo da igreja, no grupo dos jovens, mande para os seus colegas nerds e deixa um comentário para a gente continuar encontrando boas mensagens por trás daquilo que a gente encontra na cultura. Não esquece de ir lá Groovy Suplementos e usar o cupom Jesus para apoiar a produção de conteúdo teológico aqui no canal e de se inscrever e assinar as notificações para ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. Um cheiro no seu cangote e até a próxima.