UM VÍDEO GIGANTE PARA COMPENSAR AS FÉRIAS DO TULLER
20/08/2026
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Eu [música] [música] já publiquei muitas coisas na área de não ficção. A maioria dos meus livros é sobre teologia. Para mim é uma é uma é um momento novo assim poder ao invés de construir um argumento, uma um fluxo de ideias para te convencer de alguma coisa, poder apresentar uma pessoa, né? poder apresentar alguém e uma história, montar uma personalidade. Por muitos anos, nos últimos 10 anos, eu tenho construído argumentos, não é, nas minhas obras, poder construir cenários, personalidades, relações entre indivíduos e tentar projetar algo do imaginário de alguém e tentar ensinar alguma coisa sobre Deus com isso. Uma coisa muito nova e eu tenho sentido coisas muito novas que eu não sinto há muito tempo com esse livrinho, que é o o gostinho de fazer uma coisa nova assim, de ficar inseguro com o livro, de ficar preocupado com a opinião dos outros. Sabe? Fazia tempo que eu não sentia isso. [música] [música] Eu acredito muito naquilo que o Token fala sobre qual [roncando] é a função dos contos de fada. Ele vai dizer que os contos de fada existem para nos fazer enxergar melhor a realidade. Ele diz que quando eu leio sobre dragões, eu não passo a acreditar que dragões existem. Eu passo a acreditar que eles podem ser vencidos. E quando a gente lê uma obra ficcional, ainda mais uma obra ficcional, que se propõe trazer uma mensagem cristã, a gente não sai convencido de alguma coisa fantástica, né? A gente sai convencido da das aplicações disso pra nossa própria existência. Eu acho que era CS LS que dizia que quando ele lia sobre dragões, ele aprendia sobre cavalos, né? Quando ele lia sobre as coisas que aconteciam nesse reinos fantásticos, você aprendia alguma coisa pra sua própria vida pessoal, seu próprio relacionamento com Deus. Mas eu sempre fui encantado por narrativa, né? Eu comecei a ler, não teologia, comecei a ler como qualquer jovem livro de histórias, né? Quando eu li A Droga da Obediência, quem leu Droga da Obediência? Os caras. Eu morro de vontade de ler de novo, mas tenho medo de ler de novo, né? Tem uma ótima memória que eu tenho da minha infância. Eu acho que se eu voltar eu posso achar o livro meio ruim, sei lá. Mas eu lembro que era um filme, é, para mim é magnífico o filme, o livro, né? Mas um dia eu quis assistir de novo um desenho da minha infância e e na minha cabeça era incrível. Eu fui ver de novo, era uma porcaria, era Transformers, era os Transformers da versão antiga do Transformers. Nossa, era os autobotes lá, era muito mal feito o negócio. Não volte para assistir, não faça isso, deixe na sua memória. E aí eu tenho medo de ler de novo. Mas eu sempre gostei de ler histórias, li muita ficção cristã e o mundo teológico, né, o processo de escrita teológica acabou roubando de mim muito do tempo que eu tinha para ler literatura, para ler por prazer. Ler para mim é trabalho. Hoje eu leio profissionalmente, né? Trabalho, tanto porque tenho participo de processo editorial, então reviso livros, edito livros, como escrevo e publico livros também. Então, lê para mim vir para outro trabalho. E acabei virando um grande Silvio Santos, né? Fr dizia que não assistia televisão, porque assistir TV para ele era como trabalhar. Eu pego lava um livro na mão e pegar um livro. Aí olha o trabalho editorial, a revisão e o copdk. Hum, acho que eu teria feito um cop diferente. Você acaba não participando mais da vida de leitura do mesmo jeito quando você se torna profissional daquilo, né? Trabalhe com o que você ama e você nunca mais amará nada. É isso que dizem, né? Ah, você eu comecei a trabalhar com o que eu amo e eu comecei a tratar o processo literário de forma muito muito fria, né? É um processo de de escrita. A gente ficou seis meses nos Estados Unidos no Ming. Eu fui convidado como pesquisador, fiquei um tempo lá para fazer alguns trabalhos de pesquisa e eu vou dizer, eu tinha pouco trabalho no Estados Unidos. Era a gente acostumado com a rotina de cuidado pastoral, de igreja, vida de pastor é cor de maluco. Ame muito seus pastores, olhe pelos seus pastores. Tô orado muito pelo pastor Valbert, que tá como titular no meu lugar. vida pastoral é cor de doido. E aí eu fiquei seis meses sem pastorear, apesar de eu estar ah trabalhando lá de alguma forma nos Estados Unidos, eu me sentia um pouco entediado, assim, eu passava tempo com a minha família, tive mais tempo com minha esposa, mais tempo com os meus filhos, sou muito bom, mas eu tinha tempos de escritório que eram um pouco perdidos assim. E eu disse: "Rapaz, eu acho que eu finalmente posso me dar o luxo de fazer umas coisas que eu queria fazer por prazer, não por trabalho, não por obrigação." Mas eu voltei a ler ficção. Eu voltei a pegar obras que eu sempre quis ler e e lê-las de novo e poder reler algumas obras, poder ah conhecer obras literárias novas e pensei: "Puxa, eu tenho 1 milhão de ideias e esboços e e argumentos de obras literárias que eu queria escrever que eu nunca tive tempo de pra frente." E eu tinha um projeto engavetado que eu tinha esboçado 10 histórias, uma para cada um dos 10 mandamentos. E a ideia era escrever ficções sobre cada um dos 10 mandamentos para ilustrar, aplicar, a desenvolver de alguma forma a ideia de cada mandamento. E eu disse: "Rapaz, será que eu consigo tirar alguma dessas coisas aqui do papel enquanto eu tô aqui?" E eu tinha um projeto, vou dar o título original do projeto, tá? Era muito ruim. Os meus livros sempre títulos horríveis até sair com um título meio esquisito. Tinha um projeto chamado 10 pesadelos, era o nome do do projeto, em que eu queria escrever 10 obras meio mágicas assim, meio fantásticas sobre cada um dos 10 mandamentos. A ideia era essa assim. Cada um dos 10 mandamentos fazer uma ficção para ilustrar, aplicar de alguma forma cada um dec e decálogo. E aí eu escrevi a primeira história, o título ainda não tenho. Eu chamei de O mistério do Monte San Michel. É sobre tirar o dia de sábado para santificar. E a história de um cara que era tão, tava tão obsecado pelo descanso que ele, que ele não descansava, digamos assim. Eu não vou dar spoiler não, porque um dia, um dia vai sair, se Deus quiser. Eu escrevi essa história, eu achei legal. Rapaz, legal, ó. Achei legal escrever. Foi até uma historinha bacaninha, assim, acho que mostrar pra Isa depois, acho que ela vai achar legal. É aqui. É isso. Uma historinha foi. E aí escrevi uma segunda história que seria a segunda ficção, se chama Tudo está cheio de Deuses. Acho que o título é esse mesmo, né? Tudo está cheio de Deus. Que é bom, não posso contar nada, que é que é sobre o não fará as imagens de escultura. Eu já mandei pro editor inclusive da mundo cristão, certo? Tá lá com ele já e uma hora, uma hora vai disseram que v publicar. O Daniel não tô contrato nada ainda não, mas ele falou que acha que vai dar certo. Depende de vocês. Se esse livro vender direitinho aí acho que eles publicam o segundo, né? O que é uma desgraça, né? Eu tenho que vender bem nove livros pelo menos para poder publicar os 10, né? E eu escrevi, gostei muito, achei a história muito legal. Poxa, que legal. Essa história ficou muito boa. Aí eu vou escrever mais uma. Aí eu escrevi pro terceiro mandamento, não dizer o nome do senhor em vão, né? Nós falamos do seu em vão. E aí eu escrevi o título é a alma das palavras. Esse já tá escrito também, mais ou menos escrito. Que é uma história mais aí é mais bruxaria, tem coisa de é meio Harry Potter assim, sabe? É a melhor forma que eu tenho para explicar. É meio Harry Potter. Eu escrevi essa historinha, não terminei, mas rapaz acho tá tá legal. Tá indo para um rumo divertido aqui. Tô gostando de escrever ficção. E aí fui escrever a quarta história sobre o primeiro mandamento. Eu fui da do quarto, né? Fui voltando, né? que é é meio estuos. Aí escrevi aí eu escrevi sobre o primeiro grande mandamento. Se você abrir o livro, a epígrafe do livro, eu tenho a dedicatória para Catarina, pro Bernardo, meus filhos, vou explicar porque que dediquei para eles. E é de dedicatória Êxodo 23. Ah, não tem outros deuses além de mim, né? E eu acho que os livros, cada dedicatória será realmente o texto do mandamento, né? Cada epígrafa. E eu escrevi a história, o menino que queria ser Deus. E quando eu escrevi, eu sei que vai soar muita egola esse tipo de coisa, né? E Burdier já dizia que os circuitos de consagração social são menos eficazes quão mais próximos estão do objeto consagrado. Não é que a ideia de que se você se elogia não serve de nada. Mas eu eu escrevi, eu disse: "Puxa, eu isso aqui ficou muito melhor do que as outras histórias." Daí eu escrevi as quatro e essa quarta tá muito superior às outras. Tá muito melhor, tá? Tá. Sabe, tinha tinha alguma coisa aqui que me parece interessante. Minha ideia era escrever um único livro com 10 contos. Ia ser essas 10 histórias. E aí eu disse: "Cara, isso aqui, isso aqui podia virar uma coisa sozinha, né?" Não sei. A história falava mais sobre mim, digamos assim, sobre as minhas próprias crises com Deus, as minhas próprias batalhas de fé no meu coração, minhas próprias atitudes ah espirituais que eu queria poder resolver diante do Senhor. E comecei a colocar um pouco, escrevendo a história desse desse menino, o Dandan, que é o personagem principal da história, comecei a colocar um pouco das experiências da minha própria vida, de colegas, de pessoas que falavam coisas que eram importantes para mim. Ah, todos os personagens do livro meio que são alguém da minha vida assim em um momento ou em outro. E o Dandã ele é muito baseado nas conversas que eu tinha com a Catarina, a a minha filha. A Catarina sempre foi uma criança que fazia perguntas difíceis demais pra idade dela, perguntas que ela era inteligente demais para formular, mas ainda não é o bastante para entender, né, as as respostas, que é mais fácil fazer perguntas difíceis do que entender as respostas difíceis. E aí eu lembro, a gente estava nos Estados Unidos, que eu acho que foi parte do fator motivador da escrita desse livro, a gente estava no carro. E aí aí a Catarina perguntou: "Papai, por que que Deus fez isso?" Porque isso o que, mane? Isso isso qua perguntou: "Papai, por que é que nesse mundo aqui era os Estados Unidos, né? Nesse mundo era outro planeta para ela, né? Nesse mundo aqui, Deus colocou um monte de parquinho. Deus colocou um monte de pessoa boa. Não tem nenhuma parede riscada, que é as pistação, né? No muro, não tem nenhuma parede riscada, não tem ladrão e você deixa o carrinho de bebê na porta da padaria para entrar, a gente volta at lá. E lá no nosso mundo tem ladrão, tem parede riscada, não tem parquinho, os parquinho é tudo quebrado, um monte de coisa feia. Que é que Deus fez isso, papai? Catarina, 4 anos, como é que eu explico o problema do mal para uma criança de 4 anos, né? Como é que eu explico sobre desigualdade social, sobre a formação dos países, sobre, sabe, questões culturais complexas para uma criança de 4 anos? E em parte o livro, o Dandã é um personagem que encarna parte disso, né? Ele é uma criança, ele tem 6 anos e faz perguntas difíceis demais paraa idade dele, tentando entender um pouco de Deus. Mas a o Dandã é um pouco de todos nós, não é? Todos nós quando crescemos a gente consegue responder muito bem as perguntas de ontem, mas agora a gente tem perguntas de hoje que a gente não responde hoje, não vai conseguir responder amanhã, mas amanhã a gente tem as perguntas de amanhã. E à medida que a gente vai crescendo em Deus, a gente responde as perguntas de ontem, mas a gente tem respostas que a gente precisa em algum momento encontrar a fé para entender que a gente só vai entender depois. Vai chegar o momento que a gente só vai entender quando encontrar de fato o nosso Senhor, o nosso Deus. Agora minha primeira minha primeira ficção, né, assim, eu eu mandei para alguns colegas da Mundo Cristo, mandei para alguns amigos para lerem e tal, darem a opinião. E o Daniel Faria da Mundo Cristão, o meu editor, ele lê o livro e ele disse uma coisa que foi o elogio mais xingamento que eu já recebi, sabe? S quando o Elogio te xinga ele falou: "Iago, eu acho que foi a melhor coisa que você já escreveu na sua vida". [risadas] O que o que é maravilhoso assim, poxa, escrevi uma coisa incrível, mas eu já escrevi 24 livros, entendeu? [risadas] Eu escrevi 24 obras de rasgar. >> Não entendi isso. Taca fogo no resto assim, entendeu? >> Eu escrevi 24 livros de teologia para finalmente, né? [risadas] Aí eu escrevi e ele e ele falou uma coisa assim, Iago, por incrível que pareça, eu achei um xingamento também, por mais contrainttuitivo que seja acerca de você, é um livro sensível, né? E eu, OK, obrigado. Obrigado, Daniel Paul, >> fica o registro aqui na internet, tá, viu? Sobre o meu editor. >> Obrigado. >> Obrigado, né? Não sei se digo obrigado, só digo impropério, né? Sei lá. >> Mas eu eu e claro que a gente trabalhou mais o livro, trabalhou de muitas formas o material, tanto no texto, não é? Quanto no trabalho gráfico, né? O livro é ilustrado pelo Rogério Coelho, que é um gênio extremamente premiado no Brasil e fora do Brasil. Fiquei um tanto chocado quando a Mundo Cristão escolheu o Daniel, o o o Rogério Coelho, porque eu nunca imaginei na minha vida que um cara do naipe do Rogério ah poderia est ilustrando um livro meu. Se você não sabe, foi ele que fez aquela edição do Louco da Turma da Mônica, daquela daquelas obras que ah autores davam sua própria personalidade. É um trabalho maravilhoso, assim, incrível. E aí o livro ele ele nasceu e eu mandei blári, acho que foi foi o meu livro mais lido antes de ser publicado assim, mandei para todos os meus amigos porque isso sendo parte da experiência legal assim de publicar esse livro, sabe? Eu sou não sou um cara velho assim, eu tenho 34 anos, sou um jovem teólogo, digamos assim, publiquei muitas coisas porque eu sou um escritor compulsivo, provavelmente eu ten alguma neurodivergência, não fique meio me diagnosticando aí não, mas alguma coisa não é muito normal. Escrevi três livros por ano nos últimos 10 anos praticamente. Então eu gosto de escrever, eu só sei pensar escrevendo. Faz parte do meu jeito de viver. Eu preciso colocar as ideias no papel. Ah, e gasto muito tempo com isso. E para mim assim, publicar uma obra de teologia não tem mais aquele aquele charme, sabe? Aquele negócio de, ó, um livro, mais um, já foram 24, né? Chegou mais um, né? Já já é os terceiros desse ano, né? Já teve ano que eu publiquei, já teve ano que eu publiquei quatro livros e eu tô publicando minha primeira ficção e eu tô sentindo aquela insegurança de novo, sabe? Aquele negócio de poxa, eu tô louco para saber a opinião dos outros sobre o que eu escrevi, que é uma coisa que já assim faz muito tempo que não me importa muito assim, cara, isso aqui é o certo, é a verdade deles e tal, mas publicar um um livro de de ficção para mim tá sendo essa reaprender assim, sabe? Eu tô trabalhando no segundo livro e é aquele sentimento de, meu irmão, será que tá legal isso aqui? Será que será que eu sei fazer isso? Sabe? E tá sendo muito legal essa essa insegurança do de est começando uma coisa nova, de est publicando. E um cara comentou num num vídeo meu do YouTube quando eu divulguei o livro dizendo, daí me deu uma elogiada lá, né, em algumas coisas, né? O Iago faz isso, faz aquilo, tal, tal. É impossível que ele também seja um autor de ficção, não é? E eu gostei do desafio. É, >> será que é possível que eu seja um autor de ficção? Eu não sei, não acho que esse livro é e sei lá, vai entrar pra história da literatura mundial, nada parecido. Eu acho que é um livro muito singelo, muito simples, até por assim dizer, não é? Você que é editora, não vai querer que eu use esse tipo, que eu fale essas coisas. Quero que eu di o melhor livro do mundo, comprem que vai mudar a sua vida, né? É uma obra muito sincera, digamos assim, obra que eu fiz. Eu não só queria ensinar uma coisa, porque eu já tenho ensinado coisas com a minha vida de pregador, mas eu queria ilustrar uma coisa, não é? ao invés de construir um argumento, eu queria construir um cenário. Eu queria, ao invés de estabelecer uma uma lógica formal acerca, né, de um de uma razoada, eu queria muito poder montar uma personalidade e e essa personalidade e e a relação entre os indivíduos e o cenário estabelecido e o fluxo dos acontecimentos, dizer aquilo que eu queria dizer sem eu explicar, não é parte da dificuldade para mim como um pregador, né? Eu sou um grande explicador, né? Eu ganho a vida explicando coisas, né? é não explicar esse livro. Eu não quero explicá-lo, né? Posso narrá-lo, posso contar algumas coisas, falar de influências, mas eu gastei muito tempo tentando colocar muito subtexto e muita camada e muita profundidade nesse texto para sendo uma leitura singela e simples, que tem uma pegada infanto juvenil, assim, se você olha, o personagem principal é uma criança dandã que na história tem 6 anos, é um livro que eu fiz para que os adultos sentissem alguma coisa diferente na no contato, sabe? A frase de trás é da minha esposa, que a frase aqui de cima foi a ideia da minha esposa. Ela ela leu o livro e ela diz: "Tiago, isso não é um livro infantil. Minha esposa disse: "Não, não tem como assim se você vender como livro infantil, os pais vão ficar chateados com você". Diz que é uma história infantil para as crianças que já cresceram, né? Então o pessoal me perguntou na FFI hoje: "Ah, é um livro pra criança?" Eu disse: "É pra criança que está dentro de todos nós". Entendeu? Ele é meio que uma autobiografia em certo sentido, porque eu acho que ele é uma biografia de todos nós de alguma forma tem muita intertextualidade com textos bíblicos. Então, se você for nerd de teologia ou então tiver menos, pelo menos contato com a sua Bíblia, você vai identificar muitas coisas da escritura aqui como parte do subtexto da história. Ah, você vai encontrar algo da história de Adão e Eva, vai encontrar algo da história de Jacó, você vai encontrar algo, que eu não posso falar muito, senão trago o final, mas [risadas] tem outras referências literárias aqui dentro também de algo de Adélia Prado, algo de de outros autores, não é? tem um uma intertextualidade polêmica e complicada com parte do hip hop brasileiro, mas eu não posso explicar mais do que isso. Mas se você já ouviu facção central ou Jonga, você tem que se converter para começar, certo? Porque ninguém escuta isso crente, não. Mas tem algo interessante na no hip hop brasileiro que o esforço para você ser alguém na vida é muitas vezes descrito como esforço de se tornar Deus. Então o facção central tem uma música chamada O menino do Morro. E quando o menino do morro vira o grande traficante, né, e consegue virar alguma coisa, eles cantam. A música se chama menino do morro. Diz que o menino do morro virou Deus, o poderoso chefão, a majestade, subiu uma estrada de sangue para a primeira classe, né? Que ele, essa estrada de sangue foi a estrada da da do assassinato e da violência e tudo mais, né? Anos depois, um outro rapper brasileiro chamado Jonga escreveu um álbum chamado O Menino que queria ser Deus. E esse álbum tem uma música chamado, ah, acho que é 24 de janeiro, é junho de 93, uma data, eu não lembro mais o nome da música, que ele canta no refrão. A música é sobre a história dele, a carreira dele, né? e fala sobre o crescimento dele, parece uma resposta direta ao facção central, não é? Ele tá falando da carreira dele, do crescimento dele, não por meio da violência, mas por meio do do da arte do hip hop e tudo mais. E no refrão ele canta é porque o menino queria ser Deus, né? Porque o menino queria ser Deus várias vezes de alguma forma. E aí eu lembro do do Micida, que é outro hip hop, outro rapper brasileiro, que em uma música que ele participa, ele faz uma pergunta que eu acho que é muito muito direta à própria cultura do rap brasileiro em que ele pergunta: "E se na sua vez de ser deu, todo mundo fori atu?" E eu acho que bom, eu acho que o livro ele responde um pouco esse esse esforço humano de divinização que é comum a todos nós. A promessa da serpente no Éden não foi só a promessa de conhecer o bem e o mal, de sabermos o que é o bem e o mal, não é? A promessa da serpente é que nós seríamos iguais a Deus. E sendo iguais a Deus, nós poderíamos arbitrar o bem e o mal, né? A ideia de conhecer o bem e o mal é essa arbitração do bem e do mal para si. Então, todos nós nascemos com essa vontade de divinização, essa vontade de ser Deus dentro de nós. O menino que queria ser Deus é uma forma de tentar ilustrar justamente essa essa vontade humana de divinização. Então, o livro discute egolatria, discute discute a idolatria interior de todos nós, discute o problema do mal, talvez seja o [música] primeiro tema que vai chamar a atenção do leitor. A primeira superfície do livro é uma teodiceia infantil. Então, é uma forma de ensinar sobre o mal para crianças de alguma forma, né? Porque é uma criança questionando sobre o mal e sobre a perda, conversando com alguns adultos e com outras crianças sobre isso em al em algum nível. Mas essa é uma camada superficial do livro, né? Em outras camadas do livro, eu tentei trazer alguns discursos sobre sobre luto, algum discurso sobre perda, talvez algum discurso já se você pensar um pouco no que tá escrito sobre depressão, sobre suicídio, sobre morte, sobre céu. E eu acho que já tô explicando demais. [música] Eu sou a Débora, sou empresária, nós temos uma uma loja e achei muito positivo, [música] achei muito bacana a explicação do Iago, né? Realmente é uma uma pergunta que surge tanto nas crianças quanto em nós, [música] realmente, né? minha filha tá aqui, eu trouxe ela para para ver e é uma pergunta que já ocorreu, ela já me fez essa pergunta, né, sobre porquê de algumas coisas acontecerem. E nós mesmos, quando queremos tomar o comando de algumas situações, questionamos, né, o rumo de algumas de algumas coisas na nossa vida, nós [música] querendo ou não, estamos querendo tomar o controle das coisas, né, que pertencem a Deus. Então, achei muito legal, muito bacana. [música] Estou ansiosa para ler lá em casa com a minha família. Achei o livro muito interessante, muito [música] importante para, pelo menos para mim, quando o Iago leu, a gente estava na sala da casa dele, ele leu o livro e o livro, incrivelmente ele traz um sentimento que todos nós façamos do porqu da dor. [música] E naquele dia eu tava na sala e eu tava conversando, a gente estava numa conversa lá eh de amigos, né? E eu tava contando algumas situações, ele do nada, deixa eu ler a obra que eu fiz de uma história de fricção e eu lei, né? A gente l tava e naquele dia falou muito ao meu coração a história porque eu tava me sentindo dandão. Eu tinha feito várias perguntas, eu descobri uma doença que causa muitas dores e eu por que por que isso, né? por tanta dor e aquilo fechou muito com outros questionamentos que eu tinha a respeito de decisões que que eu tomei paraa minha vida. Mas o Senhor ele trouxe outros caminhos, outros percursos e a história ela trouxe muito significado e respostas para mim naquele dia. E no dia que ele leu, realmente eu chorei muito com a história, porque eu senti Deus falando comigo através das respostas que que vieram para o Dandã depois. [música] E eu senti muito que aquilo falou muito comigo naquele dia, por isso que eu chorei muito. E eu disse que eu não vou chorar hoje, né? Naquele dia eu tava bem bem sentido que Deus estava respondendo as minhas perguntas. E para mim aquilo foi muito importante porque veio de uma resposta amorosa, de um Deus amoroso e de um amigo amoroso, né? O o Iaga é um amigo muito muito carinhoso, amoroso com esses que que estou ali com ele. E aquilo para mim [música] foi um >> foi um gesto de carinho, de amor, de atenção de Deus para comigo através do livro. Então essa obra é tanto quando ele disse: "Olha, vou lançar o livro". Eu fiquei muito feliz e eu disse: "Olha, esse livro vai ser vai falar. Espero quem fala é o coração de muita gente, como falou a meu naquele dia, né? que foi uma coisa bem, eu não consigo descrever porque a única coisa que eu consigo dizer foi cuidado de Deus para mim, para o meu coração naquele dia, cuidado de um amigo e e para mim foi importante por causa disso, né? Importante por causa disso. E para mim é uma mesa estar aqui hoje no dia do lançamento. Coincidiu [música] com as nossas férias, né? a gente tá de férias aqui, coincidiu da gente poder ter eh esse momento aqui. Para mim é muito bom estar aqui, né, nessa no lançamento do livro. Foi para mim é muito importante [música] estar aqui também. Foi muito bom ter esse tempo aqui. >> Eu tô aqui no lançamento do menino que queria ser Deus. Eu peguei um pouquinho da leitura do livro. Eu tô muito empolgada para ler pelo que eu peguei da leitura e também pelo que eu consegui ler no segundo livro que vai ser lançado na próxima ficção, que também tá incrível. Eu tive a oportunidade de ler e e além de ter sido uma experiência muito legal de ler e conseguir comentar, o livro promete porque é um livro muito denso e ainda assim é um livro muito envolvente. Então, por causa desse segundo, eu também tô com muita expectativa para ler esse primeiro e eu tô muito feliz. [música] >> [música] >> Tivemos uma grande crise cultural que vem levando a gente para um caminho que temos menos referências cristões cristãos, né, no mainstream, talvez porque aidade também sempre foi assim. nós termos de fato na na literatura, na nos grandes filmes, um caminho onde você já não vê mais essas referências e uma parte do discurso que demoniza o evangelho em si, né, que aí já é mais direto. O seu livro você vê como uma chamada para nós a assumir esses lugares, entrar nesses lugares para pregar o evangelho ou você acha que também tentar entrar nesses lugares pode ser uma forma de corrupção? E talvez nós deviamos estar no nosso meio cristão mesmo. >> Não, pelo contrário, eu eu creio plenamente que parte da nossa missão no mundo é tá imiscuído com a cultura sem corrompermos nossos valores. Então essa ideia de um cristianismo de guerrilha, né, que é a realidade muitas vezes da igreja do calabolço, da igreja que tá escondida, da igreja que o culto é nas nasmorras, não é? Essa é uma realidade muito comum da igreja. foi aí o que a igreja era no sentido primitivo. Quando isso mudou, deu pra gente a possibilidade de pregar o evangelho mais publicamente, mais intimamente, entrar na cultura e gerou, obviamente, algumas corrupções. A gente precisa encontrar um caminho de participar da cultura, de fazer parte do das demandas culturais, de alguma forma, fazer uma teologia que seja pública, que responda a aos ditames da sociedade, sem corrompermos os nossos valores, nossa ética e quem nós somos. Então quando pessoal, se a gente não está lá, alguém estará, alguém estará construindo ficção, alguém estará construindo histórias, alguém vai fazer filmes, alguém vai estabelecer algum valor que vai fazer parte da vida comum. Se nós estamos, nós temos o privilégio imenso de viver em um país em que a gente não tem perseguição nas vias de fato como algo institucionalizado, a gente tem, obviamente, o cristianismo é antagico a muitas coisas da cultura. Obviamente a gente não é bem quisto pela sociedade secular. Ah, e existem ambientes sociais em que a gente é muito mais maltratado do que outros. Mas a gente vive num num determinada paz social. Se a gente pode publicar livros cristãos, se você entra numa livraria e tem uma sessão de livro evangélico, vê só, isso não existe em muitos países. Isso não existe em vários países da América Latina. Não tem sessão de livro evangélico. Eu fui com minha esposa no Chile, eu só achei bíblia para vender na parte na sessão de artes de uma livraria em cima de uns livros lá de moda. Aí tinha uma Bíblia, tem uma uma unidade de livraria evangélica em Santiago, no Chile. Eu entro na livraria Martins Fontes. Infelizmente não é minha, não é? e tem uma sessão de livros evangélicos. O livro mais vendido do Brasil é um livro evangélico hoje, sabe? A gente tem uma possibilidade muito grande de poder entrar na cultura. Então, se a gente pode, e a gente tem essa efervescência hoje da ficção cristã, como algo tá atraindo muitos jovens autores, muitas pessoas novas nessa seara, é uma oportunidade muito grande que a gente tem de entrar no cenário cultural. Um dos livros da nossa da nossa casa editorial, Mundo Cristão, Os Círculos não são Infinitos, a Vitória Souza, vai ser adaptado como filme pela Globo, entendeu? É uma ficção cristã. Por quê? que a Globo é muito é crente. A Globo é crente, a Globo quer louvar Jesus. É, é o interesse da do dos marinhos é louvar Jesus. Não, é um público muito grande que já existe. Houve, claro que no último BGE a gente viu que o crescimento evangélico deu uma diminuída, continuamos crescendo mais menos, mas ainda somos uma parte muito relevante da sociedade. Já estamos quase 1/3 da população do do Brasil, somos os evangélicos. Então, nós somos uma fatia grande de mercado, nós somos um público consumidor, até uma uma empresa como a Globo que por muito tempo retratava os evangélicos da forma mais estacanha possível, já vê um filão de mercado, a gente tem que agradar esse público também, porque no fim das contas é só isso, é mercado, ninguém não existe lá gente no no forão da Globo fazendo um pentagrama com, sabe, sacrificando bod. É dinheiro, é mercado. Deus, o Deus da, das grandes das empresas é o dinheiro, não é Satanás, é o dinheiro. E já é um falso deus todo jeito. Mas se nós somos parte desse mercado, a gente consegue ser alcançado até por esse por esse tipo de coisa, né? Então você pode ter uma adaptação de CS Ls, adaptação de token, adaptação de outras obras que tem valores que a gente aprova. a gente entrar na sociedade, na construção artística, com os nossos valores, com um livro como o Menino Criça Deus, que tem uma mensagem cristã clara por trás e outras obras que existem por aí, a gente pode estar ajudando a construir cultura e vai que nascem outros Clius, né? Vai que nascem outros outros grandes autores que podem ajudar a formar parte do imaginário social de um ambiente a partir da sua obra literária. Isso é muito legal. É muito legal. A minha dúvida era com relação ao processo de criação, porque quando a gente percebe a história do livro, a gente vê que o tema não é tão simples, é um tema um pouco complexo. E como é que foi o processo de criação para transformar em algo simplificado, entre aspas, né? Como se fosse um livro infantil, sendo que não é infantil. E aí eu queria saber como foi esse processo de criação da história e tudo mais. >> Legal. O menino que cria ser Deus é uma, eu descrevo como até odisseia infantil, né? A ideia é explicar o problema do mal em uma linguagem fácil, né? Eu queria que fosse um livro que pais se sentissem tranquilos para ler pros seus filhos adolescentes ou algo assim. Ah, que houvesse um debate bem simplificado sobre o problema do mal, mas que fornecesse respostas que são coerentes a uma idade menor, mas também são respostas que, pela sua simplicidade também falam ao nosso coração como adultos. Eu tentei fazer um livro que pudesse ter algumas camadas e isso é muito difícil. Não sei se fui bem-sucedido, os leitores vão ter que dizer, mas eu lembro de uma aula de seminário em que um professor falou que os pregadores geniais são os pregadores que com o mesmo sermão conseguem ser simples pros profundos. Então a mesma frase é uma frase que você consegue perceber uma verdade na sua superfície e uma profundidade quando você pensa mais sobre ela. E claro, fazer isso é coisa das pessoas geniais, não é de em sermões, não é? E eu acho que as melhores obras literárias que nós temos são assim, são obras que você tem uma mensagem primeira mais superficial que se justifica, mas é uma história que a medida que você pensa nela, você percebe outras camadas escritas ali. Então o menino que queria ser Deus tem uma primeira mensagem que é a mais fácil, a mais simples, é sobre o mal. Porque é que Deus faz coisas ruins com a gente? É a pergunta do Dandã. É a pergunta que eu acho que todos nós já fizemos em algum momento da vida, né? Por que que tem coisa ruim no mundo? Por que que o mal acontece? O Dandão é o menino que tá enfrentando algumas perdas e nessas perdas ele não sabe porque é que Deus faz isso com ele. Ele chegou ao ponto de acreditar que Deus que ele poderia assumir o lugar de Deus e fazer o mundo melhor. E quem de nós nunca pensou que se, sabe, se fosse do meu jeito, eu acho que era melhor, né? Por que que Deus fez isso? Acho que eu podia fazer de outro jeito, na minha cabeça funcionava melhor, né? Então eu tentei deixar isso de uma forma que fosse a voz de uma criança. Parte do motivo é porque eu queria eu queria falar sobre esse aspecto de criança que nós ainda assumimos. Jesus vai dizer que só quem se faz como criança encontra o reino dos céus. E parte do processo de se fazer como criança é aceitar que a gente não consegue entender tudo, né? De que a gente tem perguntas difíceis e a gente tem que confiar no nosso pai. Às vezes a gente não consegue entender e às vezes o pai vai dizer: "Meu filha, é porque sim, né?" Aí o nosso castelo Ratibum dizia que porque sim não é resposta, né? Mas às vezes é o por sim é porque, meu irmão, o motivo é mais difícil do que tua cabeça aguenta agora, né? Então tenha fé, confia em mim, né? Confia em mim. Às vezes eu tenho que meter o porquê assim nos meus filhos assim, eu tento explicar muito, né, por causa disso e tal, tal, mas às vezes eu explico duas, três vezes, a criança não pega, é porque confia no pai, né? Confia no pai que o pai sabe o que tá fazendo, entendeu? E às vezes a gente precisa muito disso, é confiar no pai, né? Confiar no pai que a gente tem no céu. Parte da história é entender isso, que existe uma criança, existe um dandã dentro da gente ainda. Tanto que essa frase atrás do livro é da minha esposa, frase da Isa, que escreveu essa frase aqui, que é uma história infantil para crianças que já cresceram, né? Então, a ideia é falar um pouco pra criança que tá dentro da gente, né? E o processo foi meio esse. Como é que eu consigo discutir um tema tão difícil em uma linguagem que seja compreensivo, que não fique bobo, que não fique meioxe, que não fique meio bobinho, mas que ainda fale tentei fazer. Se conseguir, vocês vão dizer depois, né? Espero ter, espero que tenha conseguido. Eu eu conheci o rosto do meu personagem por meio de outra pessoa. Então, quando eu escrevi, eu tinha uma ideia de dando na cabeça, escrevi imaginando alguns cenários. Então, assim, eu montei toda a narrativa que eu visualizando a escola da Catarina, por exemplo, lá no Brasil. Então, a escola onde ela estudava antes, eu eu visualizava a escola dela quando eu montava tudo. E aí outra pessoa que leu e montou esse cenário de outra forma, né? Deu outros rostos, deu outras expressões. Eu conheci o Dandan, né? Eu pude conhecer o Danda e vê-lo por meio da ilustração do Rogério Coelho. Então, pelo fato de ter esses elementos a mais, essa ilustração linda de capa, que é uma coisa que eu fico olhando assim de muito bem feita, o traço aqui, é o livro que eu tô apaixonado hoje, assim, vai, eu vou de novo, vai ser uma egolatria terrível que eu vou dizer agora. Mas quando o livro chegou lá em casa, anteontem, o dia antes de eu chegar aqui, tava com os familiares em casa, tava tendo uma criança de férias, então tava loucura na minha casa, cheio de primo e tal do da minha da minha da minha filha. E aí o livro chegou, aí eu me me retirei ali um pouquinho pro lado, tava tomando café, aí li meu livro sentado e fui lendo o livro, né? E aí tava com olho cheio d'água lendo a minha própria história, que que coisa é gólatra, né? Né? Ler o próprio livro e ficar com olho ficar emocionado. Mas o essa história hoje me emociona assim, porque tem uma pregação por trás assim, sabe? Tem um subtexto daquilo que eu preciso no meu próprio coração. Eu não, eu sempre digo que tudo que eu escrevo é de alguma forma autobiografia. Todos os meus sermões são autobiografia, porque eu não consigo falar sem colocar algo da minha personalidade, do que eu vivo, do que eu sinto, do que eu do que eu preciso. Isso tá dos meus sermões de alguma forma e isso tá nesse livro, né? Eu fico brincando, né? Eu escrevi uma autobiografia com o menino que ser Deus, mas não é porque é a história do Iago, é porque é a história de todos nós em algum sentido, né? Eu quero muito que vocês se identifiquem com o Dandã de alguma forma nos próprios dilemas, nas próprias dores e encontrem na história do Dandã própria história. Um autor dizia antes que quanto mais regional é uma é um texto, mais universal ele é de que quem quer escrever literatura universal geralmente escreve um texto sem profundidade. Agora, quando você escreve um texto sobre uma coisa muito característica específica, você alcança algo do núcleo do ser humano. Eu espero ter conseguido fazer isso com Dandã. Não sei se consegui. Espero que espero ter conseguido. >> Eu estive na sua última, no seu último sermão na igreja e eu confesso que quando eu vi, eu, eu meio que esperava assim ver um pouco da sua fonte que eu lembro que você falou, citou John John Milton falou a do inferno de Dante, falou muita coisa bacana sobre o homem querer ser Deus, né, e alguns aspectos do homem querer ser Deus. E eu esperava ver um pouco disso nesse livro, só que lendo assim, eu me surpreendo porque foi algo diferente. Você já naquela pregação eh tinha talvez pegue umas ideias esse livro ou queria tá trazer um comparativo que eu realmente tô impressionado assim com essa do assim essa essa essa esses dois pensamentos estão incríveis assim da sobre o o menino que querer ser Deus e aquela pregação de falar do homem querer ser ser igual a Deus, né? >> Legal. Eu sou um grande explicador, né? Eu ganho a vida explicando coisas, sou um pregador, sou um professor, não é? E aí a minha minha grande minha grande luta nesse momento é não explicar muito meu livro, porque eu queria explicar ele inteiro. Eu queria entrar nessa nessa ego trip de ficar fazendo uma um ensaio sobre minha própria obra, né? O que é ridículo. Quando eu assisto um filme e o diretor começa a me explicar o próprio filme, eu fico com raiva dele. É, cala a boca, mano. Cala a boca. Quem tem que quem tem que interpretar sou eu, mas é tu, né? e perde a graça, porque ele transforma uma obra de de ficção, que é o tipo de coisa que deveria a chegar como uma história para que eu interprete, entenda, como se fosse um uma epístola. Ora, se eu tô lendo uma carta, eu quero saber a intenção do autor. É uma carta. Se eu tô lendo o manual de instrução, eu quero a intenção do autor. Uma bula de remédio, a intenção do autor. Uma obra ficcional, o autor tem uma intenção. Mas se ele não colocou a intenção lá, problema dele. O que importa é o texto, é o que tá dado. E o que tá dado, eu não interpreto dos anéis como eu interpreto as cartas de Paulo, né? Quando eu através classo, quero entender o que Paulo quis dizer, o que é que Deus quis dizer com isso, é a intenção do autor. Com Senhor dos Anéis, eu não gosto de ver entrevista do token explicando sobre o que é Senhor dos Anéis, entendeu? Eu quero ler Senhor dos Anéis e pegar o que é que tá dado lá. Então, parte da do que é legal descrever uma ficção é perceber como as pessoas entendem aquilo que eu quis transmitir. Ah, já recebi alguns feedbacks já de pessoas entendendo e de como as pessoas conseguem entender mais do que eu quis transmitir. Não porque eba, acharam uma coisa aqui que eu nem imaginei, mas é que algumas coisas que você coloca ali meio de passagem ressoam em algo da sua vida particular e aí ganha uma camada nova de interpretação. Eu acho isso muito legal. Quando então eu escrever esse livro, e aí eu vou trair tudo que eu acabei de dizer e começar a explicar um pouco, mas quando eu escrever esse livro eu queria usar obviamente algum dos dos recursos teológicos que são tão comuns pra gente. Quando a serpente fala no Éden, é um animal falando em uma árvore, a gente tem a serpente convidando Adão e Eva não só a conhecerem o bem e o mal, é a serpente que convida Adão e Eva a se tornarem iguais a Deus e então arbitrarem o bem e o mal. Então, o pecado primordial, né? O primeiro pecado, a queda do homem. Esse é um livro que fala sobre queda. A queda do homem. Vocês vocês viram ler eu lendo, né? Então, o medo é que o livro fale sobre queda, né? É o medo que você tem, mas em certo sentido fala sobre queda. Não vou dar resposta. O, é um livro que fala sobre essa vontade primordial de ser Deus. A queda. O homem caiu porque quis ser Deus. A vontade de se levantar sobre Deus fez a gente, na verdade, tropeçar e ficar quebrado para sempre. Então, em parte, o livro ilustra essa essa narrativa bíblica com relação à queda. >> Minha pergunta é: Quais são as expectativas, se a expectativas de fato do impacto da leitura do livro por pessoas que não são no meio cristão? >> Ah, que legal. >> Eu faço essa pergunta porque quando você bate o olho no título, quando você olha a capa, ele é um livro que ele não é aquela, ele não faz aquele aquela roupa teológica, tudo, etc. que às vezes vai arrastar o não cristão, mas ele é um livro que eu consegui imaginar perfeitamente presenteando alguém que não é cristão. Fala, é um livro super legal na história, né? E aí eu penso se teve alguma expectativa, se tem algo por trás do trabalho nesse sentido para poder também trazer um que evangelista. >> Sim, eu quero muito que esse livro, ele é um livro de novo, ele é uma teodiceia infantil, né? Então ele tem uma pegada apologética, digamos assim, ele tenta explicar o mal de alguma forma, né? Explica, claro, não é um tratado teológico, não pode ser. Queria que fosse, mas não posso, né? Ah, o pessoal que lê o meu livro diabo tá explicando demais. Tem que mostrar, você não pode contar. É show do tel, né? Então mostra, constrói a narrativa para mostrar. Você não pode ficar contando as coisas. E eu sou um grande explicador, sou um grande contador das coisas. Então de ficar segurando esse impulso para poder mostrar. Então como o livro ele mostra coisas, ele mostra uma história que tenta explicar o mal de alguma forma, mas é um livro explicamente cristão, tá? O cara que é ateu vai ler e talvez diga: "Ah, isso aqui nada a ver, né?" Mas é um livro que ele quer de alguma forma ter uma pegada evangelística e apologética também. Eu acho que é um bom livro para dar para descrentes, até porque como é uma teodiceia infantil, ele pode ser um primeiro momento de reflexão sobre os planos de Deus no meio das situações difíceis, tá? >> É, boa noite, me chamo Davi, sou aqui de Fortaleza também. Algumas vezes você falou sobre outras grandes ficções, como seus Anéis, crônica de Nárnia e eu lembro que uma vez você até falou em um vídeo: "Cara, eu queria muito escrever ficção, mas eu nunca gosto, nunca consigo escrever". E eu queria saber uma curiosidade, que é que mudou essa chave, né? Você tá falando aqui não só desse livro, mas de outros. O que é que mudou? Acha tipo assim, cara, gostei disso aqui, acho muito legal, acho que vou publicar. Então, o que é que mudou isso para você? >> Eu não sei, eu acho que foi um processo pessoal de maturação. Mesmo assim, eu sei, eu conto, eu conto essa história, né? Eu escrevi meu primeiro livro com 9 anos de idade, né? Em folhas de papel ao maço da base aérea, se eu me lembro bem, é da base aérea, que ela folha de papel massa era, tinha um símbolo da base aérea, eu acho. Era, não era? Veio amarelada que meu pai tinha. Era uma dramatização do jogo de Super Nintendo Prince of Persia. Quem jogou, quem finalizou era o irmão, viu? Esse era difícil aquele jogo. E eu escrevi a mão junto com o meu primo Alisson lá no quintal de casa. Ele vi um monte de páginas, não sei quantas foram. >> E e obviamente se perdeu, obviamente. Graças a Deus devia ser um lixo. Obviamente as crias de mim 9 anos porcaria. Mas eu eu me vê, eu escrevo coisas desde lá, entendeu? Que eu penso em histórias e quero escrever, faço conto, faço poesia. Normalmente eu não gosto muito das minhas ficções, nunca gostei muito. Eu eu tava recém casado, lembro disso, recém casado, morando ali no primeiro ano do casamento. E eu comecei, cara, vou escrever agora uma ficção a sério. Agora vai, agora vem. Eu lembro que escrevi seis capítulos de uma obra ficcional, era um sci-fi super legal. E aí eu escrevi, disse: "Não, agora vou deixar maturar aqui, que é pr poder daqui a uns meses eu ler e ver que o projeto tem na história, deixei lá uns três, qu meses, aí eu vou olhar aquela ficção de novo." Aí fui, li inteiro e aí eu li o arquivo, li inteiro, pensei nele, fechei ali o meu meu Word, aí eu cliquei shift delete, que é para não ter perigo de eu morrer e alguém publicar aquilo ali, achando que era uma obra posta, mas é uma desgraça. Um lixo, um lixo, uma porcaria intragável, não tinha como salvar. E de lá para cá eu continuei escrevendo coisas assim, uns contos. Sempre que eu cheguei de escrever contas, essas coisas. E eu acho que não sei, eu demorei, se eu se eu colocar dos 9 anos para cá, né? Eu demorei aí uns 32, 33 anos. Ah, não, 28, [música] eu não sei. Minha matemática foi embora, perdi matemática. Se eu colocar lá, quando eu comecei a escrever a sério, que foi uns 12 anos atrás para cá, demorou uns 12 anos de eu tentando escrever ficção até eu começar a escrever e achar: "Rapaz, esses contos aqui estão legais, essas histórias estão legais". Eu não acho que eu tenho, por exemplo, capacidade para escrever uma grande obra de 300 páginas. Eu não me sinto confiante para isso hoje, mas eu me sinto mais confiante hoje já para produzir esses [música] esses livros menores, assim. Eu acho que um fator muito relevante foi eu ter primeiro gostado do que eu escrevi. Eu acho que claro que elogio em boca própria é uma porcaria, né? Mas é muito importante você gostar do que você escreveu. Então você escrever achar ruim é muito ruim, né? Se nem tu que era aquele que quem tinha que gostar mais do negócio, não tá gostando, né? Avalia os outros. Aí eu mandei pr alguns colegas que publicam [música] ficção, que são autores de ficção, leram e gostaram também. Aí eu mandei para meu editor da Mundo Cristão. Eu não tava muito confiante, eu queria publicar um livro só com as 10, mas o menino queria ser Deus tava, tinha um negócio ali que me pegou. É uma de todo mundo cristão, né? Eu tá, ele tava publicando muita, muita ficção. Eu disse: "Daniel, lê aqui, me diz se presta, se tem futuro. Se se pode, pode, se acha que tiver uma porcaria, pode dizer: "Me ofende não, eu sou teólogo, não sou autor de ficção. Eu posso ser ruim nisso aqui. Não, não, não ofende o meu ego não, porque tem coisa que a gente aceita ser ruim, né? Eu eu posso ser um mau atleta, sei lá, eu posso correr mal, entendeu? Tudo bem, minha vida não é isso. Se tu disser tá errada, aí eu vou ficar triste. Aí sermão foi ruim, aí eu vou chorar explodindo no banho, entendeu? Mas se minha ficção tiver ruim, tá tudo bem. Eu escrevi a segunda ficção, mandei hoje pro editor e pedi o seguinte: agora tu que vai dizer se foi uma cartada de sorte ou se talvez algum talento aí, né? Que se o segundo tiver bom também. Tentei fazer algo bem diferente desse livro aqui para poder não ter comparações também. Mas o processo foi esse. Obrigado pela pergunta. >> É a o livro falando da questão de sérias é a resposta do mal. Eh, como que o senhor respondeu essa questão do mal dentro do pensamento calvinista e como explicar dentro da doutrina calvinista essa questão do mal para uma criança? >> Legal. A gente lida justamente com a ideia da soberania de Deus, de um Deus que sabe todas as coisas, que projeta todas as coisas. A gente lida com a ideia de um Deus que que planeja o bem pra gente, né? Deus planeja o bem. Deus faz coisas misteriosas que a gente não entende. Esse é um dos pontos que eu trato no livro, que é a ideia de que nós não sabemos todas as coisas, nós não entendemos porque é que Deus faz as. E existem muitas ah muitos frutos positivos de coisas que a gente não entende, que muitas vezes parecem ruins, mas fazem faz parte do plano de Deus, né? Uma uma das coisas boas de se lembrar é que é muito mais consolador ter um Deus que é soberano sobre as coisas ruins que acontecem do que ter um Deus que as coisas ruins acontecem a revelia da vontade dele. Eu prefiro saber que ele tá cuidando de mim mesmo quando as coisas são difíceis do que as coisas difíceis serem fruto de um Deus que não conseguiu evitar que esse mal me alcançasse ou o diabo deu um um bipés no Senhor e e me pegou alguma coisa assim. que a minha vontade é soberana ou bastante para ir contra o plano cósmico de Deus sobre o mundo. Então eu acho difícil explicar o mal da perspectiva, não calvinista. [risadas] Como é que eu explico o mal da perspectiva de liberdade libertária do ser humano? É triste, é para mim é doloroso. Eu sou calvinista, então para mim é muito mais difícil entender a como eu encontro paz em um mundo com tanto mal o mal acontece a revelida da vontade de Deus, do que encontrar paz em um Deus que, por mais que eu não entenda, planejou um mundo bom e planejou um céu de glória de uma forma que inclui algum sofrimento e alguma dor nessa vida. >> Me chamo é a professora aqui de educação infantil está com a curiosidade. >> Ah, que legal. >> Porque as ilustrações preto e branco teve algum significado, algum objetivo? Claro. Preto e branco. É porque colorido é muito caro. E foi só isso mesmo, entendeu? Literalmente só isso. >> É claro que a listação de petreco também é também é um recurso, né? A a limitação é a mãe da criatividade, né? Então o livro ele tem esse aspecto de desenhado da lápis assim, né? Como ele é uma criança numa escola, não é? Tem esse aspecto de ser uma um desenho a lápis feito, talvez num caderno, uma coisa assim. Então, ter esse aspecto que eu acho muito bonito, é porque, mas é isso, é colorido, é muito caro. Eu conversei, mandei uma mensagem essa semana pro meu editor, eu falei, Daniel, quanto tem que vender pra gente fazer uma edição limitada especial de luxo, colorida assim e tal, né? Ele ele ele não me respondeu, acho que ele não levou a sério, ele respondeu outra coisa assim, >> ele falou: "Rapaz, tem que tem que orçar aqui, tem que fazer um orçamento, sei se vai não, mas eu gostaria se pudesse, mas que é absurdo. O livro preto e branco já custa R$ 69. Se eu colocasse colorido, né, aí ia me tá sempre lucado, porque depois da pandemia o preço da matéria prima para livro nunca ficou, nunca voltou normal. Tá caríssimo tudo mesmo. Eu queria ter uma resposta mais elegante para lhe dar, mas é só uma questão orçamentária mesmo. Mas aí o o de novo a limitação é a mãe da criatividade. Eu acho ficou um aspecto muito legal essa pintura parece lápis e tal. >> Confila partir de qualidade. >> Esta é a maior polêmica da história desse livro. A mundo cristão colocou como oito, eu acho. A partir de oito. Eu vou dar um ilust, vou dar, vou usar um exemplo meio bossal, né? Mas assim, você lêu o Pequeno Príncipe, Pequeno Príncipe é um livro que é infantil, mas que você só entende direito quando é adulto. Então o o a melhor ilustração que eu posso dar com relação ao livro é meio essa, assim. E eu acho que o livro ele tem essa pegada meio infanto juvenil, assim, o personagem principal é uma criança, há uma discussão muito infantil. Eu, como eu uso o ponto de vista da criança ao longo do livro, existe uma narrativa muito simplificada de algumas coisas que eu acho que pra leitura da de algumas crianças vai fazer sentido para ele. Eu acho que eles só vão pegar tudo com o tempo, ser mais velhos e tal. Eu acho que o livro ele pode ensejar boas conversas entre pais e filhos. E aí eu acho que é uma vantagem muito grande. Eu não escrevi o livro pensando em crianças quando eu escrevi. Quando eu mandei pra editora, eles julgaram que o livro ele tinha um aspecto de fonte juvenil muito legal que dava para vender como livro de fonte juvenil de oito pra frente, algo assim. A minha esposa acredita que não é um livro pra criança e que os pais vão ficar com raiva de mim. Ela acha que eu acha que o livro é muito pesado pra criança. Eu não acho que é pesado. É pesado. Não é pesado, mas minha esposa acha que é muito a complexidade do do aspecto narrativo lá é meio pesado para criança. Eu não acho que é pesado. Eu a Natália a Natália da Mundo Cristão, quando eu mandei o livro para ela, ela achou que era um livro pra criança, né? Lá vamos fazer uma leitura pra criança, não sei o que e tal. Eu dis: "Natália, você lê o livro?" Ela falou: "Ainda não. Você pegamos agora aqui, estão montando aqui o projeto. Lê e depois me diz". Aí deu, tipo assim, uns 30 minutos, ela Iago, pelo amor de Deus, eu estou traumatizada. Isso não é um livro infantil. Aí a piada agora que eu faço com meus amigos é isso aí, vamos traumatizar as crianças, né? Ah, eu não acho que vá traumatizar ninguém cá entre nós, >> mas a sua esposa acha. >> Minha esposa acha que vai traumatizar. Eu não acho que vai, certo? Minha esposa acha. E aí essa virou uma grande polêmica e uma grande brincadeira assim. É um livro infante juvenil mesmo, é um livro infantil, é um livro para adulto. Eu acho que é um livro para todas as idades, assim, é um livro tranquilo para todas as idades. Tem uns uns momentos de tensão complicados, talvez. Aí eu eu quo pros pais, eu digo assim: "Lê, lê primeiro, entendeu?" Eu não acho que é um livro ruim pra criança. Acho que talvez a criança talvez não pegue algumas coisas, você ler pro seu filho vai ser uma coisa muito boa, vai ter ótimas conversas que vão surgir daí. A criança pode não entender o livro inteiro, pode não pegar profundidade de algumas partes, mas existem momentos muito tranquilos para falar sobre a vida infantil, sobre questões que surgem na cabeça da criança, que aí você consegue explicar em cima do livro, vira um momento devocional entre a família. Mas é o que eu digo para pros pais geralmente é lê lê primeiro, você decide, você vai ler pro seu filho. Eu acho que é um livro muito bom pra criança assim, eu acho que vai pegar. Eu ainda não li pra Catarina porque eu queria ler mostrando os desenhos, né? E aí eu esperei o livro chegar para eu poder ler para ela, só que chegou antes de eu viajar. Aí não deu para ler. Aí eu perguntei: "Você quer que a mamãe lia para você ou você prefere que o papai lêia?" Que a Isa já lia, né? Aí não, vou esperar o papai voltar para para ler. Aí eu vou ler pra Catarina domingo ou segunda-feira. Vai ser o meu momento de ler pra minha filha. Eu li para vários amigos esse livro. É engraçado. E amigos lá em casa e gente escrevi uma ficção e tal e eu lia o livro para meus amigos adultos assim. Então eu projetava o celular na TV e ia lendo assim o as páginas de Word lá com eles [música] lendo. E assim é eu tinha amigo adulto chorando assim, chorando na sala de casa. adulto, né? Então assim, eu eu acho que vai ser um livro legal para pros pais. Os pais vão gostar muito. Eu acho, eu acho que vocês vão querer muito que os filhos de vocês cresçam com essa história. É a resposta mais evasiva do mundo, né? Mas é muito sincera. É muito sincera. >> Qual é a importância que a literatura? >> É o resgate do imaginário, né? É o resgate da possibilidade de de pensar, de perceber o mundo na sua na sua grandeza, na sua mágica. Um termo que é muito usado na na sociologia é um termo técnico, né? de eles falam de secularização e a secularização é definido como a perda do mundo mágico, ou seja, não existe mais sobrenatural, agora tudo é descrito naturalmente. E eu acho que a gente precisa de de um, o termo que o que o token vai usar é recuperação. A gente precisa da recuperação. Então ele diz que quando eu leio sobre dragões, eu vejo melhor os cavalos. Então quando a gente começa a se entreter, porque é uma peça de entretenimento em certo sentido, né? um filme, uma música, uma peça artística, com e a gente se entretém com coisas que possuem profundidade para nos fazer enxergar o mundo diferente, né? A gente recupera algo que a gente perdeu. O CS L dizia que enxergar o mundo por dois olhos é muito pouco. Só tenho dois e só posso chegar o mundo por esse lugar. Quando eu vou pra literatura, eu tô encontrando outros pares de olhos para enxergar o mesmo mundo. E quanto mais eu leio, mais olhos eu tenho para enxergar a realidade, melhor eu vejo o mundo, porque eu vejo pelos olhos de outras pessoas. Então o que eu tento com esse livro é tentar fornecer mais um par de olhos para vocês. É tentar enxergar a dor, o sofrimento, a história de vida, a perda, o luto, a depressão, a o senso de abandono, por mais um par de olhos e esse par de olhos poder contribuir com o processo de enxergar o mundo melhor. Então eu acho que a gente precisa voltar a isso. A gente não pode escrever só pensando no que é mainstream, no que vão querer mais, no que vai ser, não era sete passos para entender o sofrimento. Era isso, né? Mas quando a gente monta uma história, a gente quer poder dar um pouco mais disso. O bom de ensinar sobre sofrimento através de uma obra ficcional é que eu não tô só dando proposições técnicas, eu tô tentando ajudar a montar um imaginário que corresponde à compreensão do que Deus tá fazendo. Eu acho que isso são coisas que a gente perde muito quando a gente perde a fantasia. E é e esse é meu pequeno esforço para tentar resgatar isso, mais uma pedrinha nessa grande parede, né? tentar resgatar um forte imaginário cristão acerca da vida e do sofrimento. >> O menino, ele realmente queria ser Deus ou são apenas indagações pessoais dele sobre o dilema humano? >> A ideia é justamente que dentro do dilema humano, né, o problema da dor, faz com que na mente infantil dele, ele ele encarne de forma muito literal aquilo que nós, como indivíduos, [música] geralmente vivemos de forma mais espiritual e metafórica. Se eu perguntar para qualquer um aqui, você quer ser Deus? Deus me livre. Que é isso? Não, papai do céu, né? Ele lá em cima. Mas a partir do momento que a gente tenta viver a nossa vida pelos nossos próprios meios, a partir do momento que a gente tenta arbitrar para nós mesmos o bem e o mal, né? A partir do momento que a gente tenta fugir daquilo que Deus planejou para nós como humanidade, para fazer as coisas do nosso próprio jeito, a partir do momento que a gente não confia no plano dele pra nossa vida e a gente acha que poderia fazer escolhas melhores do que as dele pra gente, a gente tá tentando ser Deus de alguma forma. O que Dandã faz, que é uma coisa que crianças fazem, é deixar muito [música] explícito e muito claro aquilo que a gente sabe disfarçar melhor. Então, a gente não quer ser Deus. Eu só acho que que isso aqui podia ser diferente, né? Eu não quero ser Deus, não. Deus me livre, mas se eu tivesse no lugar de Deus, eu teria feito algumas coisas diferentes de conforto, teria me colocado em outra família, teria me colocado em outro país, teria me colocado, né, com herança muito gorda aí, às vezes com outra cor de pele, com outra outro formato de corpo, não é? com outra capacidade cognitiva, sei lá, [música] teria me colocado em outro casamento, teria me dado outros filhos ou outros pais. A gente, em certo sentido, é um grande dandã, né? Nós temos um dandã dentro da gente que se a gente fosse Deus, nenhum joelho tinha arranhão. Se a gente fosse Deus, a gente só caía em pé, né? Mas a gente continua sentindo que o nosso quebra-cabeça só tem buraco, né? E aí Dandã ele deixa isso muito bem verbalizado pra gente que eu tentei fazer. É porque assim, é a experiência que eu tenho com crianças, com os meus próprios filhos, né? Eles verbalizam as coisas de forma muito clara, muito direta e muito ah eles não têm muita papa da língua, né? Eles não disfarçam as coisas, eles dizem as coisas com muita clareza. E aí eu acho que eu tentei colocar na boca do Dandã aquilo que a gente geralmente não tem coragem de colocar na nossa própria boca, mas [música] que Deus sabe que tá no nosso coração. Gente, muito obrigado, vocês são demais. Obrigado por estarem aqui na sexta noite, lotando aqui o espaço, lotando ali fora também. Pessoal, vocês que já estão aí fora, me perdoem por isso. Queria que vocês estivessem sentado no aqui dentro, sei lá. Ah, mas eu sou muito grato mesmo pela pelo pela presença de vocês. Eu não acho, nunca imaginei na minha vida que haveria gente interessada em ouvir o que estão para dizer, entendeu? De verdade, nunca imaginei. Eu ainda me espanto, sin ser sinceramente, eu me espanto muito. Ainda que a gente consiga falar com tanta gente, tanta gente seja abençoada, não porque, ó, meu Deus, Iago, ó, é porque assim, me sinto muito igual a todos vocês. Vocês me darem essa alegria, essa honra de poder falar e ser ouvido, ah, é uma coisa que eu valorizo muito, respeito muito, sou muito [música] grato. Sei que é um é uma é um presente vocês me dão, vocês me emprestam os ouvidos, vocês me trazem para dentro da casa de vocês no almoço e nas famílias e e crianças nascem [música] reconhecendo a minha voz e tanto que as grávidas ouviram os vídeos, né, nesse tipo de coisa. As criancinhas no puerpério lá no no cercadinho ouvindo na sala e sendo entretidas, né, da galinha pintadinha tá no teólogo do Twitter, né, desde cedo. Ah, gente, eu me s e eu sei que isso está muito além dos meus méritos. Eu sei que isso é é fruto de um quase que de um relacionamento assim que se constrói há há muito tempo. Como eu falei no começo, acho que antes da gente começar, por mais que eu não possa receber daí para cá no sentido de conhecê-los, né, vocês me colocam na casa de vocês. Eu acho que isso é é uma coisa que eu tenho que respeitar muito e honrar muito. Tento honrar com o conteúdo que eu produzo, fazendo sempre o melhor que eu posso. Isso se reflete também nas obras literárias, sempre tentar entregar algo que seja realmente edificante. Você gastou um dinheiro suado do seu trabalho para comprar um livro meu, você vai gastar o seu tempo de vida para colocar essas palavras à frente do seu rosto. Eu espero poder recompensá-los com uma história que seja intrigante, com um livro que seja educativo, com um vídeo que seja instrutivo. Aqui no M você passa raiva junto comigo e e se entretenha. Ah, eu espero que esse livro possa abençoar [música] a vida de vocês, certo? Nem que seja um pouquinho, tá bom? Obrigado. [música] A chuva tamborilava no telhado de zinco da creche escola. Uma melodia irregular que se misturava aos risos e coxichos [música] das crianças. A sala de aula exalava o cheiro familiar de gigera e tinta guache. Dona Maria, com seus cabelos grisalhos e óculos de aro fino, sorria com paciência enquanto tentava manter a ordem em meio à tempestade que rugia lá fora. Dandã, de 6 anos, estava sentado na primeira fileira, os olhos fixos nas gotas que escorriam pela janela. A chuva parecia conversar com ele, cada gota ciente de seus pensamentos mais ocultos. Por um instante, o riso dos colegas tornou um ruído distante, abafado pelas lembranças que insistiu em voltar. Ele sentia falta de muitas coisas, do cachorro salsicha, das noites de filme em família, de correr pelo jardim da avó até cansar e depois relaxar ouvindo as histórias que ele contava, que ela contava com a voz rouca, mas calorosa. "E você, Dandã, é a sua vez? O que você quer sair quando crescer?", perguntou dona Maria com um sorriso encorajador. Dandã olhou em volta. perdido, como que retirado de um trans? Sua resposta, porém, deixava claro que ele não tinha nenhuma dúvida. O tipo de convicção que só se encontra quando já pensou repetidas vezes no assunto: "Eu quero ser [música] Deus". A sala ficou em silêncio. Então começaram os coxichos. Alguns alunos olharam para Dandã com estranheza, mas ele manteve o olhar fixo na professora, como se tivesse dito a coisa mais natural do mundo. Dona Maria ajeitou os óculos. O silêncio da sala permitiu que se ouvisse o som forte da chuva batendo nas janelas [música] da escola. E se alguém prestasse atenção, perceberia alguns gritos abafados ao longe, vindo de quem se incomodava em se molhar desavisadamente. "Não é um bom dia para chover", pensou a professora. Funcionários da escola faziam manutenção na caixa d'água que ficava no espaço externo, na laje do segundo andar. Ou é isso é, ou isso é água vazando. Dona Maria se distraiu por alguns segundos, mas então olhou de volta para as outras crianças, percebendo que teria o desafio de transformar aquela conversa maluca [música] em algo produtivo. Você acha que pode ser Deus, Dandã? Ela inclinou a cabeça com leveza. E por que você quer isso? Dandã respirou fundo antes de responder, mas falou como se já tivesse a resposta na ponta da língua, os olhos piscando depressa. Ele me daria poderes? As outras crianças riram em tom de troça. Isaías, o mais velho e mais alto da sala, zombou. Se você for Deus, já vai ter poderes, bobão. Larinha gritou ao fundo. Isso é coisa de desenho, Dandã. Deus é para rezar. Não dá para rezar e virar Deus. O rosto do menino corou. E quando novas risadas começaram a diminuir de volume, ele olhou pr pra professora Cisudo. Mas eu não posso ser o que eu quiser. Eles todos querem ser alguma coisa sem graça, médico, cozinheira, astronauta. Eu queria ser Deus. Aí não, né, Dandã? A professora disse, tentando aliviar a atenção com um sorriso. Isso é um pouco ambicioso, não acha? Dandã não sorriu de volta. Ele cruzou os braços, pronto para defender o seu ponto de vista até o fim. [música] Ser deus deve ser muito legal. A professora piscou rapidamente algumas vezes, como se tentasse evitar uma mosca perto dos olhos, ainda sem [música] saber ao certo como continuar a conversa. Em geral, os alunos falavam algumas profissões ou sonhos mais tangíveis, mas Deus, isso era inusitado. Essas crianças de hoje em dia, não é mesmo? Bem, você pode soar alta, sonhar alto, é claro, mas ser Deus, ele fez uma pausa buscando, ela fez uma pausa buscando as palavras certas. Porque exatamente você quer ser Deus, Anda. Ele franziu a testa. A resposta lhe era óbvia. Deus pode fazer tudo. Ele criou o mundo. Ele fez todo o universo, mas tem muita coisa que não está certa. Eu poderia ser um Deus muito mais legal. A professora sentiu um arrepio correr a sua espinha. Ela se curvou um pouco e falou devagar, expressando [música] cada palavra com a voz adocicada. Olha, ser Deus também significa ter muita responsabilidade. Olhou em volta como que procurando o melhor caminho para argumentar. É cuidar de todo o universo, ouvir as preces de milhões, ou melhor, bilhões de pessoas e bem fazer escolhas complicadas. Você acha que isso seria fácil? Dandan suspirou. Ela não tava entendendo. Não é difícil, tia. Eu sei que se eu fosse Deus, eu conseguiria resolver as coisas. Dona Maria não sabia como seguir com a conversa, então decidiu continuar perguntando aos outros alunos da creche escola o que é que eles queriam ser quando crescessem. Nadã ficou emburrado, teve a impressão de que sua resposta não havia sido levada a sério. Ficou assim até o fim da aula da manhã e acabou não querendo aproveitar o tempo de parquinho antes do almoço. Sozinho ao pé do escorregador, via os colegas se divertindo pela grama molhada. A chuva havia arrefecido, embora as nuvens continuassem escuras. Os outros alunos perceberam que Dandã não estava brincando e vieram chamá-lo. Ele tinha achado que Isaías, que sempre gostava de tirar sarro dos outros, ia continuar zombando dele. Mas a turma se aproximou com sorriso, como se ninguém ligasse pro fato de ele querer ser maior do que todos eles. Só a Clarinha lá pelas tantas tocou no assunto. Quando você for Deus, qual poder você quer ter? Dandã olhou pra Clarinha, um pouco surpreso pela pergunta sincera. [música] Seus olhos, antes turvos e perdidos em pensamentos, agora ganharam um brilho. Ele desenhou um círculo no chão com a ponta do tênis enquanto pensava na resposta. "Eu acho que eu queria o poder de fazer ninguém chorar nunca mais", disse com a voz um pouco mais baixa, mais firme. "Mas também queria acabar com as coisas ruins, como quando quando alguma coisa ruim acontece e ninguém pode fazer nada". Clar franziu o senho e deu um pequeno passo à frente. Mas Dandã, Deus não deixa as coisas ruins acontecerem só porque gosta. Minha mãe diz que às vezes ele deixa a gente aprender com que é difícil, tipo quando a gente cai e aprende a olhar onde anda. Dandã bufou. Aquela explicação não lhe parecia suficiente. Mas isso é injusto, Clarinha. Se eu fosse Deus, não deixaria ninguém cair, não deixaria ninguém ficar triste. Deus podia ter feito um mundo onde todos fossem felizes o tempo todo e sempre caíssem em pé. Se eu fosse Deus, nenhum joelho teria arranhão. Clarin olhou para ele com uma mistura de tristeza e paciência, tentando juntar as palavras espalhadas em sua mente. Dandã, se a gente nunca ficasse triste, como ia saber quando tá feliz? Minha avó fala que o arco-íris só aparece depois da chuva. Se não tivesse chuva, nunca teríamos o arco-íris. Ele é tão bonito. Os olhos de Dandã imediatamente se encheram e transbordaram, acompanhando a chuva que voltar a cair. Clarinha se assustou. Ela achou que Dadã ia ser grosseiro, mas ele falou entre soluços e pequenos gemidos de choro. Mas e se a chuva nunca fosse Mas e se a chuva fosse sempre bem fraquinha? Nunca forte demais. Por que tem por tem que ter tanta dor? Porque tem que ter maldade. Se eu fosse Deus, não teria dor de jeito nenhum. De jeito nenhum. Sua voz foi minguando. Não precisava ser assim. Clarinha olhou pro céu nublado, procurando respostas entre as nuvens. Ela nunca tinha visto ninguém chorar assim, sem ter ficado de castigo ou apanhado dos pais. Talvez, Dadã, Deus veja coisas que a gente não consegue. Minha mãe diz que ele tem um plano grande e que às vezes a gente só enxerga uma parte bem pequenininha, como quando a gente tá montando um quebra-cabeça e ele ainda não está pronto. A gente quer muito ver o desenho, às vezes acha que alguma peça está faltando, [música] mas no fim das contas a gente monta tudo. Meu pai sempre faz um quadro e coloca na parede quando a gente termina de montar. Dandã respirou fundo e secou os olhos. Eu sei, Clarinha, mas e se o quebra-cabeça nunca ficasse completo, ia ser legal para você? Claro que não, Dandã. Ele teve um rompante de ira e falou quase que em um grito. Pois o meu está todo faltando, só tem buraco. Dandã saiu batendo os pés em direção ao outro lado do parquinho. Clarito o que tinha acontecido e ficou com medo de tentar explicar que mesmo se o quebra-cabeça tivesse buraco, ainda seria legal a noite de jogos com seu papai. Simplesmente porque era bom brincar com ele. Gotas começaram a cair suavemente do céu. O tempo de parquinho teria de acabar. Antes da chuva engrossar de vez, suou o alarme que marcava o fim do intervalo e as crianças correram animadas para formar uma fila na área coberta. Ao chegarem à cantina, Dandã mal tocou o seu arroz com feijão preto. Sobraram vários pequenos cubos de carne e os pedaços de maçã pareciam farientos na boca. Isabel, auxiliar que cuidava das crianças na cantina, insistiu para que Dandã comesse mais. porém só conseguiu que ele desse umas duas espetadas no garfinho de carne, [música] na carne, e uma mastigada sem vontade. Ao perceber a falta de apetite e os olhos avermelhados do menino, tia Isabel se assentou ao lado dele, preocupada. Oi, meu amor, você não quer comer hoje? Ninguém quis te empurrar no balanço mais uma vez, tia? A voz de Dandã estava mais tímida que o normal. Por que Deus tira da gente o que a gente gosta? Isabel respirou fundo. Ser pega de surpresa por perguntas difíceis de criança já era rotina, mas aquela era uma pergunta difícil até para adultos. Essa é uma pergunta que muitas pessoas fazem, sabia? Começou ela com um sorriso compreensivo. Deus é todo poderoso e é bom. Sim, mas ele também deu liberdade às pessoas para fazerem escolhas. Às vezes essas escolhas machucam os outros e até a nós mesmos. Isso não significa que ele cria as coisas ruins, mas sim que permite que o mundo siga com essa liberdade para que a gente possa aprender, para que a gente possa aprender a amar e a fazer o bem de fato. Dandan franziu a testa e balançou a cabeça, não satisfeito. Mas tia Isa, tem coisas ruins que acontecem que não tem nada a ver com escolha, tipo quando alguém fica doente ou quando quando uma coisa triste acontece de repente. Se Deus pode fazer tudo, por que ele não para isso? Ele não gosta da gente de verdade? Tia Isabel se inclinou um pouco mais para perto dele. Dandã, eu sei que é difícil entender. Deus gosta da gente, sim, mais do que conseguimos imaginar, mas o mundo em que vivemos tem coisas que são resultados de muitas outras escolhas e situações que começaram há muito tempo. As dores e as coisas ruins existem, mas Deus não fica feliz com isso. Na verdade, ele prometeu que um dia tudo será restaurado e que não haverá mais dor. Dandã apertou os lábios desviando o olhar. Mas isso ainda não faz sentido. Por que não consertar tudo agora? Ele não pode tudo. Se eu fosse Deus, não deixaria ninguém sofrer. Isabel suspirou tocando de leve no braço de Dandã. Às vezes nós pensamos que se as coisas ruins fossem tiradas do mundo, a vida seria perfeita. Mas as lições que aprendemos com [música] os desafios e as amizades que surgem quando ajudamos uns aos outros momentos difíceis. Deus vê um quadro maior dandã, um que a gente só entende por partes agora. E mesmo sem tirar toda a dor, ele está sempre com a gente para nos dar forças quando mais precisamos. Dandã voltou o rosto para ela, brilhando com a sombra de lágrimas que ele tentava segurar. Então fechou os olhos com força e perguntou sem olhar para ela, como se pensasse alto: "Se Deus é bom, não deveria ter nada ruim. Ele não é poderoso. Se é poderoso e tem coisa ruim, então ele faz as coisas ruins com a gente. Ô Dandã, você já é inteligente o bastante para fazer essas perguntas difíceis. Um dia você vai ser inteligente bastante para achar as respostas. Hoje você é uma criança. Criança sabe perguntar bem, mas criança ainda não sabe ainda entender direito as respostas. Você precisa ter paciência e saber que se continuar sendo esperto assim, perguntando coisas difíceis, um dia você vai crescer e saber responder tudo isso bem direitinho. Mais uma vez tocou o alarme da escola. Depois do almoço vinha a hora da soneca. "Vamos lá, Dandão. Vamos lá, Dandã," disse Isabel. "Vem comigo na frente da fila. Dormir vai te fazer se sentir melhor. Era hora de vestir os pijamas, lavar as mãos e a boca e descansar até mais um tempo de parquinho, caso a chuva passasse. Ao chegar ao dormitório, todos se deitaram em seus colxõezinhos, inquietos, ainda brincalhões. As monitoras precisavam acalmar as crianças, que, como geralmente acontecia com Dandã, já não sentiam tanto sono depois do almoço. Naquele dia, porém, logo um sono pesado caiu sobre ele. Quando dormiu, Dandã sonhou. O sonho começou no jardim da sua avó, onde ele passava a maior parte das tardes. A avó sempre dizia que as flores cresciam mais bonitas quando alguém conversava com elas. Na frente da avó, Dandã ria daquilo, mas falava escondido com as plantas. Ele passava dias no jardim conversando com ela, tentando fazer as flores responderem. fechava os olhos com força e desejava que as borboletas se movessem ao seu comando, que o vento ouvisse suas palavras e que a terra se curvasse ao seu toque. Dessa vez, porém, ele estava no jardim de sua avó com uma motivação diferente. Se ele pudesse controlar tudo isso, então talvez seria Deus. Enquanto tentava enquanto tentava falar com a natureza, uma voz sussurrou ao seu ouvido. Você quer ser Deus? Dandã, assustado, olhou em volta. Não havia ninguém, apenas uma borboleta pousada numa flor amarela. Ele assentiu, sentindo seu coração bater acelerado. A borboleta parecia imóvel, com suas asas vibrando suavemente ao vento e encarando ele com olhos invisíveis. Ele assentiu outra vez, com o coração ainda acelerado. Então, siga-me. A borboleta bateu suas asas devagar e voou. Dandã, sem hesitar, a seguiu pelo jardim, atravessando as cercas de flores, até chegar ao velho coqueiro, que sua avó sempre dizia ser mágico. A árvore parecia mais viva naquele momento, suas folhas brilhando como se absorvessem a luz do sol de uma forma diferente. "Suba", ordenou a borboleta. Sem questionar, ele começou a escalar a árvore. Seus pequenos pés encontravam apoio nos galhos que pareciam se ajustar ao seu peso. Quando chegou ao topo, a borboleta pousou em seu ombro. Agora feche os olhos", disse ela. Ele fechou. De repente, Dandã sentiu uma leveza em seu corpo. Parecia estar flutuando e desprendendo-se da matéria. Ao abrir os olhos, estava suspenso no céu. Abaixo dele, o mundo parecia pequeno e insignificante. Ele podia ver tudo de um jeito novo. As pessoas caminhando nas ruas, o vento soprando nas folhas, os pássaros traçando linhas invisíveis no ar. Eu sou Deus", pensou ele, sentindo a onda de poder atravessar o seu corpo. Dandã olhou paraas suas mãos à espera de que raios de luz saíssem de seus dedos, mas não saiu nada. Em vez disso, a borboleta pousou em sua palma aberta. "Agora você pode criar o que quiser", disse a ela. Disse ela suavemente. Dandã fechou os olhos e imaginou o mundo perfeito. O mundo onde as flores sempre desabrochavam. O sol nunca deixava de brilhar e as pessoas viviam em paz. Quando abriu os olhos, o mundo estava exatamente como ele imaginara. Tudo era belo e harmonioso. Ele havia feito isso. Ele era Deus. Dandã acordou sem fazer barulho. Ele se levantou [música] convencido do que deveria fazer. A porta nunca ficava trancada, porque a professora vinha vez por outra conferir [música] se estavam todos dormindo, acalentar crianças chorosas ou ajudá-las a ir ao banheiro. Quando o Dan saiu de fininho do dormitório, correu direto pra porta do fim do corredor. Ao chegar de volta à sala, Isabel deu de cara com colchãozinho vazio. O susto foi imediato. "Dona Maria!", gritou a assistente desesperada. "Está faltando uma criança. Corre aqui, pelo amor de Deus". Dona Maria correu esbaforida. Ela não tinha visto ainda, mas sabia exatamente quem não estava lá. Ela só precisava confirmar e confirmou. [música] Começou então o ensaio de busca por Dandã na sala e nos corredores próximos, mas um instalo na mente lhe forneceu a convicção de que aquilo seria muito pior do que parecia. Ao fundo, pelo canto dos olhos, ela percebeu a porta que dava pro telhado aberto, por onde os funcionários costumavam subir para a manutenção da caixa d'água. Seu corpo gelou por inteiro. Ela sentiu uma pequena tontura, mas a adrenalina lhe lhe recobrou as forças. Correu como se fosse jovem de novo. Dona Maria subiu às escadas com coração acelerado, a mente inundada por pensamentos e preocupações. O vento soprava mais forte lá em cima, trazendo consigo o cheiro de chuva e o som distante do trânsito. Quando ela abriu a porta que dava pro telhado, viu o dandã em pé perto da beirada, olhando pro céu como se tivesse esperando alguma resposta. Dandã!" Chamou ela com a voz trêmula. O menino não se virou de imediato, continua olhando para as nuvens que se moviam devagar cima dele, alheio ao mundo ao seu redor. Depois de alguns segundos, ele enfimou, os olhos grandes e tristes, refletindo algo que dona Maria não conseguia decifrar. "Por que você está aqui, meu querido?", perguntou ela, dando um passo cuidadoso em sua direção. "Eu estava tentando ser Deus, professora", respondeu ele. A voz carregada de uma sinceridade que fez o coração dela se apertar. Mas eu não consigo. Eu não sei se ele deixa. Se eu puder voar, eu vou poder ser Deus. [música]