A impressionante construção de Cristo – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
01/09/2026
A impressionante construção de Cristo – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
Cristo morreu, Cristo ressuscitou e Cristo reina. Em meio ao sofrimento, à perseguição e às incertezas deste mundo, essas verdades sustentam a esperança da igreja.
Em 1 Pedro 3:18–22, o apóstolo apresenta uma extraordinária síntese da pessoa e da obra de Jesus Cristo. O justo padeceu pelos injustos, uma única vez, para nos conduzir a Deus. Seu sacrifício não foi uma tentativa nem uma obra incompleta: na cruz, Cristo realizou de uma vez por todas aquilo que nenhum esforço, religiosidade ou mérito humano seria capaz de realizar.
A mensagem também enfrenta uma das passagens mais difíceis do Novo Testamento: a pregação de Cristo aos “espíritos em prisão” nos dias de Noé. A exposição destaca a eternidade e a pré-existência do Filho, mostrando Cristo atuando antes mesmo de sua encarnação e proclamando sua verdade por meio dos servos de Deus. Assim como a geração de Noé ouviu a mensagem e permaneceu endurecida, também hoje o evangelho continua sendo anunciado enquanto Deus demonstra sua paciência. Por isso, não devemos interpretar a verdade pela reação da sociedade ou pela opinião da maioria.
Pedro ainda relaciona as águas do dilúvio ao batismo cristão. O batismo é um sinal precioso da união do crente com Cristo, mas não possui poder salvador em si mesmo. A salvação está na obra de Jesus. Aqueles que pertencem a Cristo são chamados a morrer para o pecado e viver para Deus, com uma boa consciência e em novidade de vida.
Finalmente, a passagem nos conduz da cruz ao trono. Jesus morreu, ressuscitou, subiu aos céus e está à direita de Deus. Anjos, potestades e poderes estão subordinados a ele. Nenhuma autoridade terrena ou espiritual está acima de seu governo.
Por isso, a igreja pode sofrer sem desespero, obedecer sem medo e esperar sem ansiedade. O sofrimento não tem a última palavra. A perseguição não tem a última palavra. A morte não tem a última palavra. Cristo tem a última palavra.
Cristo vive. Cristo reina. E porque Cristo ressuscitou, podemos permanecer firmes na esperança.
INFORMAÇÕES:
Pastor: GUILHERME ALCÂNTARA
Passagem: 1 Pedro 3.18-22
Série: Cristãos: um edifício em construção
#ipsantoamaro #presbiteriana
CAPÍTULOS:
00:00 – Leitura de 1 Pedro 3:18–22
01:47 – A Impressionante Obra Redentora de Cristo
05:15 – Cristo Sofreu, Morreu e Venceu
06:14 – Cristo Morreu Uma Única Vez
07:14 – A Suficiência do Sacrifício de Jesus
08:29 – A Cruz é Uma Obra Consumada
09:29 – Cristo Morreu Pelos Nossos Pecados
10:15 – O Coração do Evangelho
11:21 – O Justo Pelos Injustos
12:02 – A Substituição Completa de Cristo
13:15 – Não Há Mais Condenação Para Quem Crê
13:55 – Cristo Morreu Para Nos Conduzir a Deus
15:22 – Salvos Para Viver Para a Glória de Deus
16:45 – Cristo é Eterno
17:02 – Um dos Textos Mais Difíceis do Novo Testamento
17:47 – Quem São os Espíritos em Prisão?
20:07 – Cristo Estava Presente no Antigo Testamento
21:27 – Antes de Abraão, Noé e da Criação Havia o Filho
21:46 – Cristo Pregou Por Meio de Noé
22:40 – Apenas Oito Pessoas Entraram na Arca
24:25 – Como Nos Dias de Noé
26:03 – Não Interprete a Verdade Pela Reação da Sociedade
27:34 – Cristo é o Senhor da História
28:02 – Sua Chance é Hoje
29:19 – O Juízo de Deus Virá
30:34 – Cristo Ressuscitou
31:19 – O Dilúvio e o Significado do Batismo
33:18 – O Batismo Por Si Só Não Salva
34:07 – A Importância do Batismo Cristão
35:04 – O Sangue de Cristo é Que Purifica do Pecado
35:51 – Morrer Para o Pecado e Viver Para Deus
36:08 – O Povo Redimido Tem Esperança
37:20 – Se Cristo Ressuscitou, Tudo Vai Ficar Bem
38:04 – Cristo Foi Exaltado
38:42 – Todo Poder Está Debaixo de Cristo
40:15 – Aquele Que Foi Rejeitado Está Entronizado
41:18 – Da Cruz ao Trono
41:34 – Cristo Tem a Última Palavra
42:12 – Cristo Vive, Cristo Reina
42:20 – Oração Final
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
Amados irmãos, vamos abrir a palavra de Deus na primeira epístola do apóstolo Pedro, capítulo 3. Nós faremos a leitura do verso 18 até o verso 22. Portanto, hoje encerraremos o capítulo 3 desta epístola que temos pregado de uma forma sequencial. Primeira de Pedro, capítulo 3, versos 18 a 22. Palavra do Senhor assim nos diz: "Pois também Cristo padeceu uma única vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir vocês a Deus, morto sim na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes quando Deus aguardava com paciência nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucas pessoas, apenas oito, foram salvas através da água. O batismo que corresponde a isso agora também salva vocês, não sendo a remoção das impurezas do corpo, mas o apelo por uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo, que depois de ir para o céu, está à direita de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, potestades e poderes. Senhor Deus, aplica a tua palavra ao nosso coração. Dá-nos entendimento e convicção da tua verdade. Opera em nossa vida da maneira como o Senhor quer. É o que nós te pedimos em nome de Jesus. Amém. Meus irmãos, a obra redentora protagonizada por Jesus impressiona de muitas maneiras. É fantástico saber que ele sempre existiu. É um mistério pensar que um dia ele se encarnou. É completamente desconcertante saber que ele morreu na cruz por pecadores. Não existe nenhum paralelo em nossa existência que possa ser traçado com a sua ressurreição. É maravilhoso saber que ele subiu aos céus e nada nos anima consola mais do que saber que ele voltará. Cristo é aquele que fez por nós tudo o que ninguém jamais poderia fazer. Jesus nos deu uma nova identidade, mudou o nosso coração, mudou nossa visão de mundo, mudou o rumo da nossa vida. E tudo que nós aqui colocarmos como as coisas mais preciosas que temos, indiscutivelmente estarão relacionadas com Jesus. a nossa nova vida, a nossa salvação, a nossa alegria, a nossa paz, a nossa esperança, as nossas convicções, as nossas boas obras, o nosso amor e todas as demais bênçãos estão efetivamente conectadas com Cristo. Não fosse pela sua graça, misericórdia, iniciativa, estaríamos todos espiritualmente mortos, cheios de amargura, corrupção e malignidade. Mas agora estamos aqui conhecendo a verdade, aperfeiçoando o nosso caráter, sentindo prazer naquilo que agrada a Deus. Agora, Deus nos fez seu povo, nos deu privilégios, nos concedeu uma eterna herança nos céus, nos concedeu uma vida promissora, repleta de justiça, retidão e propósito. Mesmo que nós então vivêsemos centenas ou milhares de anos nesse mundo, jamais conseguiríamos pelos nossos próprios esforços aquilo que só pode ser alcançado pelos méritos do Senhor Jesus. Esse é um texto que exemplifica, irmãos, que por muito tempo Cristo foi prometido, tipificado e aguardado até ser manifestado entre nós. Após a sua manifestação, Jesus continua sendo interpretado, comentado, anunciado e aplicado enquanto aguardamos o seu retorno. Aprender um pouco mais acerca dessas coisas é então para nós motivo de gratidão e de louvor. Nós não podemos nunca deixar de contemplar a magnitude daquilo que Cristo fez em nosso favor. Ao olhar paraa impressionante obra de Jesus, não nos entregamos fácil à tentação de minimizar o nosso pecado. Não desvalorizamos o perfeito sacrifício do cordeiro em nosso lugar. renovamos o nosso entusiasmo, porque nenhuma dor temporal, pessoal, física, emocional que nós já sentimos ou que venhamos a sentir se compara com o sofrimento de Jesus. E da mesma forma não nos deslumbramos com nada, porque nenhuma conquista, empreendimento, êxito ou sucesso que nós venhamos a ter nesse mundo pode se equiparar com a vitória que Cristo conquistou. e com a vitória que ele também nos oferece. Nos dias em que esse texto foi escrito, os crentes, sabemos estavam sofrendo. Pedro diz: "Cristo também sofreu, mas ele venceu". Alguns crentes estavam sendo ameaçados ou até morreram. Pedro diz: "Cristo também morreu, mas foi vivificado". Os crentes eram alvo de desprezo. Pedro diz: "Cristo também foi humilhado, mas ele foi exaltado". Os crentes estavam perdendo seus bens e liberdades. Pedro diz: "Enquanto Cristo aparentemente perdia, ele na verdade derrotava todos os seus inimigos. As pessoas olhavam para Jesus e viam fragilidade, derrota, morte. Mas uma vez que completou a sua construção, qualquer pessoa que hoje ou no final dos tempos olhar para Jesus verá força, poder e um governo muito bem assentado. Percebam então, irmãos, o que Pedro nos fala aqui. Relacionem isso com a nossa realidade. Em primeiro lugar, o apóstolo nos fala que Cristo morreu. E esse é o primeiro ponto que eu gostaria de me deter nessa manhã. Cristo morreu. O verso 18 é de uma riqueza extraordinária ao comunicar a morte de Cristo. Observem que depois de nos dizer: "Pois também Cristo padeceu, o autor prossegue relatando que tipo de morte foi essa a que Jesus se submeteu. Qual a natureza dessa morte? Inicialmente ele afirma que Jesus morreu uma única vez. E essa é uma declaração que destaca, irmãos, a suficiência do sacrifício de Cristo. Por que que nós podemos sustentar isso? Porque Pedro, como um bom judeu que era, conhecia muito bem toda a estrutura cerimonial do Antigo Testamento. Nas práticas cúlticas judaicas, os sacerdotes eram responsáveis pelos sacrifícios de animais que dia após dia ou a cada período de tempo no ano se repetiam. Tais sacrifícios se repetiam porque eram imperfeitos e porque eram apenas símbolos de algo maior, uma vez que apontavam para a morte expiatória de Jesus. Porém, agora Pedro diz que Cristo morreu uma única vez. Não existe mais necessidade de repetição, porque o sacrifício de Cristo é perfeito e eficaz. O seu sangue verdadeiramente e não simbolicamente espia e purifica todos os nossos pecados. Nosso comportamento, nossa moralidade, nossa religiosidade sem Cristo é um trapo de imundícia. Sem Jesus, irmãos, nós podemos participar de inúmeros cultos, rituais, podemos pagar promessas, podemos renovar ano após ano os nossos votos, nossos compromissos vazios, que de nada adiantarão. Sem Jesus, nós podemos fazer quantas obras de caridade quisermos. Podemos flagelar os nossos corpos, podemos entregar a nossa própria vida por uma ideologia ou por uma pessoa, mas nada, nada mesmo, será suficiente para nos acertarmos com Deus. Contudo, aquilo que nós não podemos fazer, mesmo com milhões de tentativas, Cristo fez de uma vez por todas. Portanto, a cruz não foi uma mera tentativa divina, não foi um experimento, não foi uma possibilidade, não foi uma surpresa para quem planejou tudo na eternidade. A cruz, meus irmãos, representa uma obra consumada, uma obra de sucesso. A cruz foi o momento, foi o auge do momento do ministério de Jesus em que ele disse: "Está consumado". E essa é uma expressão poderosa. Apenas a genuína fé depositada em Jesus e apenas aceitando e compreendendo a sua morte como o único meio que o homem tem de salvação. Podemos ser lavados pelo sangue puro e perdoados por Deus, mesmo com todas as afrontas que direcionamos a ele. E essa é a segunda afirmação, porque além de dizer que Cristo morreu de uma vez por todas, o texto revela que essa morte aconteceu em razão dos nossos pecados. É verdade que Pedro, irmãos, o tempo inteiro nos coloca diante do exemplo supremo de Jesus que nós e os crentes dos seus dias precisavam imitar mesmo diante de tribulações. Mas aqui a linguagem do apóstolo não apresenta a morte de Cristo simplesmente como um exemplo de sofrimento e de resiliência que alguém enfrentou. Não, Cristo não morreu apenas para mostrar como nós podemos sofrer injustiças. Cristo morreu pelos nossos pecados, ou seja, de forma substitutiva. Aqui está o coração do evangelho. Nós temos muitas reivindicações legítimas que podemos fazer nesse mundo. Nós respeitamos todas as áreas de estudo e de conhecimento. Nós agradecemos a Deus pelas pessoas que dedicam as suas vocações distintas, mas a maior necessidade, como homens e mulheres que somos, a maior necessidade que nós temos nunca foi educacional, científica, política, cultural, filosófica, psicológica, antropológica, social, econômica. O nosso problema mais sério e profundo é que nós somos pecadores com a consciência pesadas, atormentados por uma culpa real diante de um Deus santo. O evangelho, então, irmãos, surge como a única luz no fim do túnel. É a única possibilidade de resgate. O evangelho é a única coisa que nos alivia, que tira um peso, a sobrecarga. Porque Pedro diz que Cristo se entregou o justo pelos injustos. Você não precisa mais viver em agonia, em ansiedade. Você não precisa se abater diante das lutas que parecem não ter fim. Carregar toneladas e toneladas de pensamentos negativos, pressões externas, acusações, cobranças por padrões inalcançáveis de todos os tipos que geram uma felicidade fictícia. Jesus nos livrou dessas coisas, irmãos, e para muitas delas nós também temos que morrer a fim de sermos verdadeiramente felizes. O justo foi sacrificado pelos injustos. É isso que importa. E nada importa tanto quanto isso. Houve de fato uma substituição completa. Não apenas Jesus ocupou o nosso lugar. Como mais impressionante ainda, nós ocupamos o lugar dele. O homem mais inocente que já pisou na terra, esteve na cruz para que os homens mais terríveis pudessem se tornar filhos de Deus. Jesus entrou em nossa prisão para que nós pudéssemos entrar em seu palácio. Jesus não apenas se colocou ao nosso lado e segurou a nossa mão para nos apoiar no sofrimento, não. Jesus foi martirizado em nosso lugar para evitar que passássemos pelo pior sofrimento que agora jamais teremos que enfrentar em nossa trajetória. Em Cristo, os crentes foram justificados. Porque Jesus viveu em santidade absoluta. Porque Jesus cumpriu as exigências severas da lei. Porque Jesus jamais cometeu pecado. Sua morte é aceitável diante do Pai. É recebida como um pagamento completo da nossa dívida que foi definitivamente encravada na cruz. Ele recebeu voluntariamente em seu corpo a justa ira de Deus e a injusta ira dos homens. Então, meus irmãos, não existe mais condenação. Essa é a grande notícia. Não existe mais perigo de inferno para quem creu. Não existe nada que não possa ser solucionado na morte e ressurreição do Senhor. Jesus nos proporcionou livre acesso ao trono da graça. Por causa da sua morte voltamos a ter comunhão com Deus. Voltamos a ter paz. Vejam aí, Pedro diz que Cristo morreu para conduzir vocês a Deus. Vamos pensar nisso. Qual era o propósito da morte de Cristo? Jesus veio para trazer Deus até nós. Jesus veio para nos levar de volta para Deus. Ele não morreu simplesmente para nos livrar do inferno. Ele não morreu simplesmente para nos dar um tipo de equilíbrio emocional. Ele não morreu simplesmente para nos deixar ricos ou financeiramente prósperos. Ele não morreu simplesmente para que tenhamos boa saúde e boas perspectivas. Ele não morreu simplesmente para melhorar as nossas vidas. Ele morreu porque Deus nos quer para ele. Ele morreu porque Deus quis restabelecer conosco o relacionamento quebrado pelo pecado que ainda hoje deixa muita gente transtornada. Deus nos amou, Deus nos quis, Deus nos comprou pelo alto preço do sacrifício do seu filho. A salvação, então, irmãos, não se encerra no impedimento da dor para o pecador. A salvação tem por finalidade maior a nossa reconciliação com Deus. E isso é maravilhoso. Você e eu não queremos ter comunhão com quem nos ofendeu, mas Deus entregou o seu filho amado para ter comunhão com aqueles que o ofenderam. Cristo acabou com a inimizade que havia entre nós e Deus, porque ele é o Deus que se fez homem por amor de nós. Como consequência da morte de Cristo, devemos nós também morrer para o pecado, morrer para esse mundo e as suas concupiscências. Porque se depois de termos sido iluminados e de provarmos o dom celestial e conhecermos a palavra de Deus e ainda assim vivermos deliberadamente no pecado, estaremos novamente crucificando o filho de Deus e expondo à vergonha. É o que nos ensina a epístola aos Hebreus. Não podemos ser salvos por nossos méritos, mas pelos méritos de Cristo não apenas podemos ser salvos, podemos viver como salvos. Porque do contrário, estaremos rejeitando a sua obra e fazendo pouco caso do seu sacrifício. Entretanto, os convertidos viverão para a glória de Deus e buscarão se assemelhar ao seu filho, sendo santos como ele é. A morte de Cristo, irmãos, não foi em vão. Nenhuma gota de sangue na cruz foi desperdiçada. A nossa vida agora, por causa disso, também não é vã. Por isso, atentem para este ensino grandioso da Escritura. Cristo morreu e a morte de Cristo tem muito a nos dizer. Segundo lugar, nós aprendemos aqui que Cristo existe desde sempre. Cristo é eterno. E vejam, a partir do verso 18 até o verso 20, temos algo que a princípio, irmãos, parece ser bem difícil de entender. Esse, inclusive, é considerado um dos textos mais difíceis do Novo Testamento, porque o texto diz sobre Cristo, morto sim na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes quando Deus aguardava com paciência nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucas pessoas, apenas oito, foram salvas. Muitas perguntas aqui, não é? Qual é o significado de morto na carne e vivificado no espírito? O que podemos entender da informação de que Cristo foi e pregou aos espíritos em prisão? E qual a relação dessas coisas com os dias de Noé? O que Pedro pretende, irmãos, afinal nos ensinar aqui? Essas questões são importantes porque há muitas ideias equivocadas acerca desse texto. Por exemplo, alguns já defenderam a ideia de que Jesus foi libertar as almas de pessoas justas que se arrependeram antes do dilúvio e que se encontravam em uma espécie de purgatório ou limbo. Mas é evidente que nós rechaçamos essa ideia, uma vez que a Bíblia nos fala apenas de céu e inferno. não tem nenhuma base para crermos em qualquer lugar alternativo, além destes para onde irão as almas das pessoas. Outros já argumentaram estranhamente, dizendo que nos dias de Noé, como Cristo ainda não havia sido enviado na história, as pessoas não tiveram grandes chances de crer, de modo que os contemporâneos de Noé teriam tido uma nova oportunidade depois de Cristo ter completado a sua obra terrena e levado o evangelho até eles. Não faz nenhum sentido. Uma deturpação clara do propósito original do texto. Não é coerente com o ensino das escrituras imaginar que pessoas mortas possam ter uma segunda chance ou se arrependerem. É uma temeridade também, inclusive achar que os contemporâneos de Noé não tiveram a sua oportunidade ou não tinham elementos suficientes para se arrependerem. Outra forma de compreensão difundida propaga que esses espíritos em prisão seriam anjos caídos ou seres sobrenaturais para quem Cristo se dirigiu depois da sua morte, a fim de atestar a sua vitória diante deles. E há ainda uma interpretação que sustenta que Cristo teria ido até o inferno anunciar a sua morte a Satanás e aos poderes das trevas. Irmãos, nenhuma dessas concepções faz sentido no final, porque Cristo não precisaria ir a lugar nenhum, declarar, proclamar coisa alguma a ninguém. Os eventos centrais da obra de Cristo por si só fizeram um grande e estrondoso barulho na terra e no céu. Qualquer compreensão de que Jesus foi levar uma boa nova de redenção ou foi libertar almas trancafiadas em qualquer lugar, eh nos parece aqui uma interpretação fantasiosa. Mas alguma coisa esse texto significa. E eu vou oferecer aos irmãos o que me parece ser mais lúcido entender dessa passagem. E é um pensamento bastante simples, defendido por muitos estudiosos sérios da Bíblia, que diz o seguinte: Jesus Cristo estava presente no Antigo Testamento, sendo o Deus pré-existente, que sempre foi. Antes da sua encarnação, ele já reinava com o Pai. De modo que antes de se manifestar na história, Jesus já atuava de modo direto, de modo indireto, muitas vezes por meio dos patriarcas, dos profetas, dos reis, dos sacerdotes, dos estadistas e de todos aqueles que cumpriram missões especiais entre o povo de Deus. Em outras palavras, a existência de Jesus não começa quando ele é concebido no no ventre de Maria pela ação do Espírito Santo. Ele se encarnou ali, nasceu em Belém, mas antes desses eventos o filho já existia, já existia na eternidade. Antes de Nazaré havia o filho, antes da cruz havia o filho. Antes de Maria havia o filho. Aliás, Jesus é o único indivíduo da história que existia antes da sua mãe terrena, né? Então, antes de Abraão havia o pai, ah, desculpem, o filho. Eh, ele diz isso. São palavras de Jesus. Antes que Abraão existisse, eu sou. Antes de Noé e sua arca, havia um filho. Antes da criação havia um filho. No princípio era o verbo. E o verbo estava com Deus. E o verbo era Deus. E nada do que foi feito sem ele se fez. Por isso nós podemos dizer, irmãos, com toda a convicção, Cristo estava presente nos dias de Noé e falava por meio dele, de tal modo que a mensagem de Noé era também a mensagem de Jesus. E esse é o fundamento da expressão no qual, depois de dizer que Jesus morreu na carne, mas estava vivificado no espírito, o autor salienta que foi nesse espírito que Cristo esteve pregando aos espíritos em prisão dos tempos de Noé. Espíritos em prisão. Então, é uma referência aos incrédulos que havia antes do dilúvio. O que faz sentido para Pedro, que está ensinando a igreja a como se comportar diante dos incrédulos que não ouvem, que se rebelam e que receberão juízo de Deus também, como aqueles que não creram nos dias de Noé. Os incrédulos são todos aqueles que não entraram na arca. Nela entrou apenas a família de Noé. E o texto diz: "Oito pessoas". Oito pessoas. Noé, sua esposa, seus três filhos, as esposas deles, oito pessoas. Os demais acompanharam a construção da arca, ouviram a pregação de Noé e de Jesus através de Noé, mas não deram crédito. Em segunda Pedro 2:5, Noé é mencionado de novo, inclusive, e ele é chamado ali de pregador da justiça. É descrito como um homem íntegro em uma geração corrupta. Nesse sentido, irmãos, Noé é também um tipo de Cristo, porque Jesus veio a esse mundo, viveu de forma íntegra, justa, em meio a homens pecadores e perversos. Ele trouxe a sua mensagem, que agora continua sendo proclamada por muitos outros homens de Deus. Pedro está fazendo então um paralelo entre as pessoas dos dias de Noé e as pessoas dos seus próprios dias que estavam aprisionadas na desobediência. As pessoas hoje do nosso tempo também t a sua oportunidade, também estão presenciando acontecimentos importantes na história, também estão vendo a decadência moral do mundo e a contrapartida daquilo que é proposto pela fé cristã. Como Jesus falava por Noé e agia por meio de Noé, Jesus fala hoje às igrejas sérias, através de pregadores sérios, de crentes verdadeiros. E muitos, muitos, como em todas as épocas, continuam fechando os seus ouvidos, não dão crédito à Bíblia. E é por isso que Jesus alerta dizendo que assim como foi nos dias de Noé, assim será na vinda do filho do homem. Pois assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca e não o perceberam, até que veio o dilúvio e levou-o a todos, assim será também a vinda do filho do homem. O que Jesus está dizendo, irmãos, é que mesmo com o anúncio do juízo divino e da necessidade de salvação que as pessoas tinham já nos dias de Noé, elas não deram importância a essas coisas e permaneceram no seu estilo de vida normal, não permitindo que a mensagem de Noé trouxesse qualquer impacto ou mudança na vida delas. Até que veio o dilúvio. E quando veio o dilúvio, já era tarde demais. Irmãos, existe um paralelo entre Noé, os leitores de Pedro e nós, crentes dessa geração ou incrédulos que também existem em nosso tempo. Vejam só, Noé construiu uma arca em uma sociedade que não acreditava na sua mensagem. Ele foi tratado como alguém ridículo. Enquanto ele construía e falava de uma espécie de fim dos tempos, muitos sentiam o mundo ao redor funcionando em aparente normalidade e entendiam que Noé era um alucinado. As pessoas comiam, bebiam, casavam, até que o juízo veio. Pedro está dizendo: "Não interpretem a verdade pela reação da sociedade. Não interpretem a verdade com base na percepção da maioria. Noé estava certo mesmo quando era minoria. Cristo estava certo mesmo quando enfrentava o tipo de morte de um malfeitor. E os cristãos estavam certos mesmo quando eram perseguidos nos dias de Pedro ou marginalizados e rejeitados, assim como os cristãos estão certos hoje quando são rejeitados em nosso próprio tempo. Como acontece todos esses exemplos e épocas, meus irmãos, muitos que hoje ouvem o evangelho permanecem endurecidos e não dão crédito à mensagem de Cristo que continua ecoando. Voz de Jesus continua ecoando na voz de muitos homens e de muitas mulheres que são consagrados, que se entregam a ele, que pregam o evangelho. Mas quando ele vier, manifestará a sua glória, exercerá o seu juízo sobre os incrédulos e recompensará os justos que serão recebidos no reino celestial. Atente para o que Cristo fez por você e ouça a mensagem que ele ainda proclama por meio dos seus servos. Ele é o Deus pré-existente e eterno, cujo ministério foi exercido no passado de várias maneiras e tem sido exercido hoje de modos similares. Apenas crendo nele, podemos ser salvos do juízo definitivo de Deus, do qual o dilúvio, irmãos, foi um símbolo, foi um tipo. Falar da atuação de Jesus como Deus pré-encarnado é ratificar que ele é o Senhor da história. Ele está vivo, ele está presente, ele determina todos os fatores e por menores. Não espere, não espere por supostas chances depois da sua morte. Não se deixe enganar por esse pensamento vão. Não se iluda. Sua chance é hoje. A era da pregação e do arrependimento é essa. A paciência de Deus, inclusive é longa, como se vê na experiência de Noé. Foi preciso que o pecado se multiplicasse das piores maneiras por toda a terra e se espalhasse antes que o Senhor enviasse o dilúvio. Isso é paciência de Deus. E foi preciso que se passasse pelo menos quatro gerações depois de Abraão para que a medida da iniquidade dos cananeus se enchessem, então Deus os castigasse. Lembra disso? E vejam hoje, meus irmãos, quanta impiedade nesse mundo, quanta rebeldia, quanta blasfêmia, quanta apostasia, quantos falsos profetas, quanta afronta dirigida à igreja e aos crentes. E Deus não pune de imediato. É isso que dá às pessoas uma sensação de que elas estão estão bem e são intocáveis, porque Deus não pune de imediato. Parece que tá tudo bem. O mundo parece seguir o seu curso normal. As estações do ano se sucedem e o anúncio do retorno de Cristo para muitos ainda hoje soa como uma insanidade, coisa de lunático, coisa de fanático, coisa de maluco. Mas amanhã virá o juízo de Deus. Amanhã o grande dia chegará como ladrão à noite para usar uma outra figura de linguagem que Pedro também usa surpreendendo muita gente. E se você já está farto, se você já derramou muitas lágrimas, e se você vê tantas mentiras, e se você vê os maus aparentemente vencendo enquanto um justo sofre e é escarnecido, tenha calma e confie. Não se preocupe, porque o Senhor virá, a sua justiça virá. Você obedece a Deus e parece que ninguém entende. Você permanece fiel, parece que o crime compensa. Você mantém seus princípios, mas parece que tá ficando para trás, tá perdendo tempo. Pedro ensina que a experiência dos crentes é longa demais, é tão antiga quanto a história de Noé. Nós já temos, irmãos, experiência suficiente nesse mundo para saber que a realidade não é determinada pelo que a sociedade considera sucesso. A realidade que importa é determinada pelo que Deus diz ser verdadeiro. Creia no Senhor Jesus, aquele que se encarnou e morreu, mas também o Deus que existe e reina desde agora e para todo sempre. Um terceiro ponto de destaque no texto é que Cristo ressuscitou. Vejam aí, irmãos, a ressurreição de Jesus é destacada no verso 21. Porque depois de dizer que apenas oito pessoas foram salvas no dilúvio através da água, o texto diz: "O bato, que corresponde a isso agora também salva vocês, não sendo a remoção das impurezas do corpo, mas o apelo por uma boa consciência para com Deus por meio da ressurreição de Jesus Cristo." Observem então que ele finaliza esse versículo não mais falando da morte de Cristo ou da pré-existência de Cristo, mas da ressurreição de Cristo e relaciona o fato da ressurreição do Senhor Jesus com o sacramento do batismo que foi realizado inclusive hoje, os seus significados, os seus efeitos. Mas vamos por partes. Primeiramente, ele diz que a água do dilúvio era uma uma espécie de préfiguração do batismo. Figurava. Que relação pode existir entre as águas do dilúvio e a água do batismo? A resposta está logo na sequência com a frase: "Agora também salva vocês". A relação entre as duas coisas é o contexto em que se opera a salvação. A família de Noé foi salva através da água do dilúvio, assim como a água do batismo simboliza a salvação dos crentes. As águas do dilúvio fizeram uma grande distinção entre uma minoria de justos e uma multidão de incrédulos. Assim como a água do batismo serve a esse mesmo propósito, porque estabelece uma diferenciação entre os crentes, que podem ser poucos, mas que recebem o sinal da bênção e da sua união com Cristo. E os incrédulos, que a despeito de serem muitos, estão destituídos da bênção e do pacto de Deus. O dilúvio foi um marco da ação de Deus em livrar e preservar os seus servos da corrupção, assim como o batismo serve como um selo que indica regeneração e purificação dos pecados cometidos pelos fiéis. E por todos esses paralelos, irmãos, não é tão difícil enxergar as semelhanças entre o dilúvio e o batismo que o apóstolo ressalta aqui. Como os irmãos podem ver, desde o princípio, Deus providenciou meios para distinguir seus filhos dos ímpios e testificar diante do mundo a nossa comunhão com ele. Mas isso traz paz para nós e traz também evidentes responsabilidades, já que é necessário não apenas anunciar que somos salvos, o que também fazemos por nossa participação nos sacramentos, mas também viver como salvos, o que exige consagração da nossa parte. Se Deus nos libertou do pecado, não faz sentido vivermos apegados a ele como escravos. E que ninguém pense, que ninguém pense que já está salvo porque foi batizado. Essa é uma compreensão muito comum em nosso contexto. E a expressão que Pedro usa aqui também salva vocês. Pode ser mal compreendida, né? E se for mal compreendida, sugere que o batismo em si mesmo tem a propriedade de salvar. Algumas pessoas, inclusive ficam atemorizadas em nosso contexto e acham que se elas estiverem mal, elas devem acelerar o batismo a qualquer custo. Já viram isso? Antes que corram um risco de morrer como pessoas pagãs e de repente acabar indo para um lugar não muito agradável. Então vamos providenciar o batismo. Não, meus irmãos, esse não é o sentido. O batismo tem uma grande importância, mas não é o batismo por si só que define a salvação de uma pessoa. O batismo é desejável. Sim, isso sim. O batismo é uma ordenança de Deus. O batismo para alguém convertido é o sinal visível da nossa união com Cristo. O batismo tem que ser estimulado na igreja. O batismo é uma forma de confessar Jesus como Senhor. O batismo é um privilégio que não pode ser negado. O batismo serve como um testemunho de fé. O batismo reflete a teologia aliancista. O batismo é um instrumento do Espírito de Deus para abençoar igrejas, cristãos e seus lares. Mas é possível, note bem, é possível alguém receber o batismo e não se salvar por ser um falso crente. Como também é possível alguém não receber o batismo por algum fator atípico e encontrar a salvação por crer em Jesus de verdade. Mas vejam que existe uma ordem lógica para essas coisas. Antes de mencionar o batismo, Pedro pôs em evidência a morte de Cristo. O sangue do cordeiro é que nos purifica de todo pecado. E o batismo é recebido por aqueles que de antemão já creram no filho de Deus e resolveram servir ao Senhor, renegando o mundo e os seus valores nocivos. E aqui vem a outra parte do versículo. Porque nos é dito que o batismo não é a remoção das impurezas do corpo, mas o apelo por uma boa consciência para com Deus. Ou seja, todo aquele que se batiza o deve fazer com a consciência pura, limpa, sabendo o que está fazendo e se comprometendo a andar diante de Deus em novidade de vida, visando a glória do Senhor, unindo-se a uma comunidade santa, que é a igreja. O batismo tudo tem a ver com a morte e a ressurreição de Cristo. Porque do mesmo modo que Cristo morreu e ressurgiu dos mortos, nós cristãos que recebemos o batismo devemos morrer para o pecado e viver para Deus. Mais do que isso, o crente pode ter uma esperança concreta. Aquele que foi batizado tem esperança. O povo redimido tem esperança. Nesse mundo, irmãos, nesse mundo quebrado, é comum nos vermos em desalento. Mesmo cristãos, como somos, é comum nós nos vermos em desalento. Olhamos paraa crise e dizemos: "Acabou". Olhamos paraa doença e dizemos: "Acabou". Olhamos para a sepultura e dizemos: "Acabou". E se qualquer pessoa do nosso tempo fosse por um instante transportado para os dias de Noé e visse aquele mundo tomado de maldade ou inundado por muitas águas, diria: "Tudo acabou". Mas Deus sempre reserva uma surpresa. Deus sempre reserva uma surpresa. Deus sempre mantém uma luz no fim do túnel. Há sempre 7.000 que não se dobraram a Baal. E quando você pensa que acabou, ainda existe um pouco mais de graça que paira. Ainda existe uma igreja sofredora que resiste. Ainda existe um cristão encontrando força na fraqueza porque Cristo ressuscitou. Eu me recordo de algo tão simples e tão profundo que Tin Keller disse uma vez, basicamente o seguinte: "Se Jesus Cristo ressuscitou dos mortos, vai ficar tudo bem. Não importa qual seja a sua preocupação, não importa qual seja o seu medo, eu não sei como, você não sabe como. A brevidade do que nós temos aqui nos abala, nós choramos, mas vai ficar tudo bem. Se Cristo ressuscitou, vai ficar tudo bem. Ele se levantou dos mortos. E é isso que deve estar em nosso coração. Em quarto e último lugar, nós temos aqui que Cristo foi exaltado. Cristo foi exaltado. A última informação acerca do ministério de Jesus está no verso 22, que fala da exaltação dele ao dizer que Jesus, depois de ir para o céu, está à direita de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, potestades e poderes. O triunfo de Cristo foi completo, meus irmãos. Primeiro ele se encarnou, depois ele morreu, depois ele ressuscitou, depois ele ascendeu aos céus, herdou uma posição inigualável, assentando-se à destra do Pai, e pôs por estrado dos seus pés todas as coisas, inclusive os seres celestiais e os seres malignos. Pedro está dizendo que nenhuma força espiritual está fora do governo de Cristo. Nenhum poder demoníaco, nenhuma autoridade, nenhuma estrutura espiritual, nenhuma força cósmica, nada. Tudo está debaixo de Cristo. Os cristãos poderiam ser o alvo eh preferencial dos perversos, poderiam estar acuados. E a primeira parte dessa perícope, que a gente nem leu hoje, mas foi objeto da nossa última pregação, demonstra que os cristãos conhecia naquela sociedade os maus tratos, as ameaças. Mas quando somos informados de que Cristo venceu, o medo não consome mais a nossa alma. Se Cristo reina, a esperança cristã se sustenta. Lembram do Salmo 110? Disse o Senhor ao meu Senhor: "Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés". Lembram do que o apóstolo Paulo declara aos Efésios quando afirma que Deus, pelo seu poder ressuscitou o Cristo dentre os mortos, fazendo-o assentar a direita nos lugares celestiais, acima de todo principado e potestade, poder e domínio e de tudo o que se move, não apenas no presente século, mas também no vindouro e pois todas as coisas debaixo dos pés. Lembram o que o escritor da carta aos Hebreus afirma? Como nós lemos aqui inicialmente, Jesus fez purificação dos pecados, assentou-se à direita da majestade nas alturas e se tornou tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles. Aquele que foi rejeitado na terra está entronizado no céu. Aquele que foi julgado pelos homens foi colocado acima de todos os juízes. Ele foi zombado por soldados brutos. Mas o livro de Apocalipse diz que todo o olho verá até quantos o traspassaram. Cristo subjulgou todo tipo de poder no céu e na terra. Anjos bons e anjos maus estão sob o seu domínio. Altos governantes e autoridades, vivos e mortos. O que é visível e o que é invisível. Todos os principados e todas as potestades estão sob o seu domínio. Sim, meus irmãos, Cristo é maior que Satanás e seus demônios. É maior que os magistrados e juízes da terra. É maior que as instituições e corporações. É maior do que os nossos adversários e inimigos. Ele reina soberano. Ele exaltado está. Ele é o Senhor dos senhores, o Rei dos Reis. E nós estamos em suas mãos. A igreja lhe pertence. A ele pertence o mundo inteiro. Essa é a impressionante construção de Cristo. O que começou com cruz terminou com um trono. O que era um corpo abatido se transformou em um corpo glorificado. Cristo elabora e executa uma obra em que o sofrimento não tem a última palavra, a morte não tem a última palavra, a perseguição não tem a última palavra. A última palavra não é dada aos poderosos da terra ou aqueles que não temem a Deus. Cristo tem a última palavra. Podemos sofrer sem desespero. Podemos obedecer sem medo. Podemos esperar sem ansiedade. Podemos viver sem agonia, sem vergonha, porque o construtor da nossa salvação está em um trono. Cristo vive. Cristo reina. Vamos orar. Senhor, a tua palavra chacalha as nossas vidas. Tua palavra nos dá direção e entendimento. Nos humilha inclusive. E ao mesmo tempo, de forma paradoxal, nós dizemos: "É tão bom, é tão bom saber dessas coisas e ser humilhado por aquele que nos ama e entender que aqueles que se humilham serão exaltados e entender o que Cristo fez e faz e entender que nosso trabalho, nossa pregação, nossa fé, nada é vão, porque o Senhor realizou uma grande obra e essa obra se mantém de pé, mesmo com adversários, mesmo com oscilações circunstanciais, mesmo quando nós desacreditamos de tudo ou entramos em uma crise aguda, mesmo quando a tristeza bate à nossa porta, nós podemos crer, tudo vai ficar bem, porque Cristo ressuscitou, porque Cristo venceu a morte. Porque Cristo reina para sempre. Tudo vai terminar bem. Nós oramos agradecidos em nome de Jesus. Amém. M.