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A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JOÃO CALVINO

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Legendas automáticas:

Fazer esse negócio sozinho é difícil,
meu irmão.
Tenho inveja do Anjo da Carola Bazo que
faz essas paradas aqui com com equipe
que
viaja internacionalmente [música] com
gente para filmar, como é que eles fazem
esses negócios? Eu não faço nem ideia,
eu tenho que botar a câmera sozinho, um
monte de gente olhando para minha cara.
Ah, é isso aí. Morrendo de vergonha, tem
gente aqui do meu lado conversando. Aí
eu estou aqui agora tentando fingir que
Deixa eu ver onde eu fico no melhor
ângulo aqui. Aqui? Aqui?
Onde fica melhor? Não sei. Não tem
diretor de fotografia, não tem nada, só
tem eu feito um
sozinho falando. O que a gente não faz
pelo registro histórico e pela aula de
teologia?
Pode ir? Agora aí? Estamos lá?
Vamos lá, Gabriel?
Claquete. Seja muito bem-vindo ao
Teologia na Estrada, direto aqui de
Genebra. Eu estou neste momento no Muro
dos Reformadores, que fica em Genebra,
na Suíça, com o registro de Calvino,
Farel, Beza e John Knox, figuras
importantíssimas para a Reforma
Protestante, personagens centrais aqui
de Genebra. E juntos nós vamos passear
aí pela história da Reforma. No episódio
de hoje a gente vai conversar sobre João
Calvino, uma das principais figuras da
Reforma Protestante ao lado de Martinho
Lutero. A gente vai na igreja em que
Calvino foi pastor, a gente vai no
cemitério onde ele foi enterrado e vai
discutir um pouco sobre polêmicas
envolvendo o nome dele. É verdade que
ele mandou matar gente? Bom, seja muito
bem-vindo ao Teologia na Estrada, o
programa em que a gente conversa sobre
história da igreja, personagens
importantes do cristianismo a partir dos
locais, dos lugares aí no mundo em que
eles atuaram. Se é a sua primeira vez
aqui nesse canal, eu sou o pastor Yago
Martins e gravo esses vídeos tudo
sozinho, então você, ó, dá essa moral aí
clicando em gostei, se inscrevendo no
canal e acionando as notificações para
ficar sabendo sempre que houver vídeo
novo.
>> [música]
[música]
>> Humanista, jurista, pastor, exegeta e
reformador francês, certamente João
Calvino foi um homem usado por Deus,
cujos feitos têm desdobramentos no mundo
inteiro, até hoje. Volta e meia ainda
surgem discussões sobre o que ele
defendia ou mesmo sobre as polêmicas e
sobre atitudes que tomou. João Calvino
nasceu em 10 de julho de 1509 em Noyon,
na Picardia, região norte da França. Seu
pai era Gérard Cauvin, notário e
procurador ligado à catedral de Noyon.
Jeanne Lefranc, sua mãe, era uma
católica muito devota, que morreu quando
Calvino era ainda muito jovem.
Inicialmente, o pai de Calvino desejava
que ele seguisse a carreira
eclesiástica. Graças a relações da
família com autoridades eclesiásticas,
Calvino recebeu benefícios eclesiásticos
que ajudaram a financiar os seus
estudos. Essa proximidade com as
estruturas da igreja medieval lhe
proporcionou o conhecimento do seu
funcionamento institucional, fator que
muito provavelmente lhe deu conhecimento
para saber o que criticar durante a
Reforma Protestante. Quando Calvino
tinha 14 anos, foi estudar em Paris
Monamour, em Paris. Durante seu período
de estudos, teve contato com a
gramática, com a retórica, com a
filosofia, com a literatura clássica e
absorveu o princípio humanista de
retorno às fontes. A influência
humanista o levou a dar atenção à
gramática e ao que é buscar clareza na
argumentação e ter cuidado com as
interpretações alegóricas, além de
estudar grego e mais tarde o hebraico,
as línguas originais da escritura. Entre
1528 e 31, Gérard tirou o filho da
preparação para a carreira eclesiástica
e o moveu para o estudo do direito. Ele
foi para Orléans estudar direito, depois
seguiu para Bourges, onde conheceu o
jurista humanista Andrea Alciato e
aprofundou seus estudos no grego com
Wolmar. Calvino não se tornaria
advogado, mas a sua formação jurídica
certamente o ajudaria a desenvolver o
seu modo de pensar, de analisar os
textos bíblicos, a escrever e a
organizar sistematicamente os
argumentos, além de se envolver com a
política de Genebra. Em 1531, o pai de
Calvino morreu e com isso ele ficou mais
livre para seguir os seus interesses, os
seus estudos humanistas e literários. No
ano seguinte, Calvino publicou seu
primeiro livro, ainda não relacionado à
teologia. Era um comentário sobre De
Clementia de Sêneca, filósofo histórico.
Nessa época, sua formação jurídica já
estava praticamente concluída. A sua
conversão ocorreu em 1534, embora a data
seja discutida pelos historiadores. Não
se sabe o dia exato, mas Calvino teria
escrito anos depois sobre essa sua
conversão repentina a Cristo.
Durante esse período, Calvino fez
amizade com Nicolas Cop, médico,
professor e membro de uma família
próxima à corte francesa. Guilherme Cop,
seu pai, havia servido como médico do
rei Francisco I. Nicolas estava entre os
interessados na renovação intelectual e
espiritual da igreja e foi nesse
ambiente que ele conheceu Calvino e se
tornou seu amigo. Essa amizade foi
responsável por um dos primeiros
cenários de perseguição que acometeram
João Calvino. Em 10 de outubro de 1533,
Cop foi eleito reitor da Universidade de
Paris. Como parte de suas atribuições,
ele proferiu, em 1º de novembro, o
discurso de abertura do ano acadêmico.
Baseado nas bem-aventuranças de Mateus
5, o discurso tratou da pobreza
espiritual, da necessidade de graça de
Deus, da diferença entre lei e
evangelho, da justificação pela fé, da
perseguição dos que procuravam viver
segundo o evangelho e da necessidade de
reforma na igreja. Apesar disso, o
discurso não estava totalmente alheio à
tradição da época. Cop elogiou a Virgem
Maria no início e combinou o humanismo
de Erasmo com as ideias de Lutero. E os
historiadores discutem três
possibilidades de participação de
Calvino nesse discurso. Ele pode ter
redigido grande parte do discurso, pode
ter colaborado com alguns argumentos
teológicos ou pode ter dado apenas
orientações à redação de Cop. Mas de
toda forma, em algum grau houve
influência de Calvino aqui nas ideias de
Cop e no discurso que foi feito. O que
acontece é que houve denúncias ao
parlamento de Paris por causa desse
discurso que funcionava como um tribunal
superior, tipo, um STF. O Xandão da
época provocou a fuga de Cop e Calvino.
Cop fugiu e seguiu posteriormente para
Basileia. Calvino também foi implicado
na relação com o círculo evangélico e
procurou abrigo entre amigos em Augolim.
Mas Calvino estava seguro? Ainda não. Um
outro caso, chamado caso dos cartazes,
acabou levando Calvino a ter que se
refugiar em outro lugar, na região da
Basileia, onde a primeira versão das
Institutas da Religião Cristã foram
impressas. A gente vai sair daqui um
pouquinho e vai agora a Basileia
procurar pelo local onde Calvino
imprimiu essa obra tão importante e
falar um pouco sobre o caso dos cartazes
que fez com que Calvino tivesse que
fugir, refugiado mais uma vez.
>> [música]
>> Foi aqui nesse endereço, em março de
1536, que saiu das prensas um livro que
mudaria a história do protestantismo. O
ponto principal seria aqui, na
Petergasse 13. Nesse lugar ficava o Haus
zum Schwartzen Brehen, onde operava a
tipografia de Thomas Platter e Balthasar
Lasius e seus associados. Foi nessa
oficina que a primeira edição das
Institutas foi impressa. Basileia adotou
os princípios da Reforma por volta de
1529 e por causa disso, ela era uma das
cidades que acolhiam refugiados
franceses. Foi para cá que Calvino veio
após uma crise na França que foi
conhecida como a crise dos cartazes e
que colocou sua vida em risco, embora
ele não tivesse nenhuma participação
comprovada nisso. Foram espalhados
cartazes contra a missa católica e
embora Calvino não tenha sido
idealizador nem autor dos cartazes, nem
tenha participado de sua fixação, por
sua influência protestante, ele foi
implicado e perseguido. E por isso, em
janeiro de 1535, Calvino se refugiou
aqui, em Basileia. Uma passagem que foi
muito curta. Logo no início da primavera
de 1536, ele partiria daqui, mas a sua
permanência aqui teria sido muito
relevante, porque foi aqui que ele
concluiu a primeira edição das
Institutas. Na época, continha apenas
seis capítulos que eram dedicados a
defender as doutrinas da Reforma. Ela
era quase como uma carta para o rei
Francisco. Em agosto de 1535, o
manuscrito da obra já estava
praticamente concluído. Apesar disso, o
rei parece não ter mudado muito de
postura. No entanto, mais um capítulo da
história da igreja estava sendo escrito
aqui. Essa carta se tornaria um
importante documento cristão, porque
apresentou a reforma francesa diante da
Europa como um tipo de movimento
teologicamente articulado, tornando
Calvino o seu principal porta-voz. Foi
aqui também, na Basileia, que João
Calvino se aproximou de Simon Grynaeus,
professor de grego e respeitado
humanista reformado. A sua proximidade
com Grynaeus levou ele a dedicar ao
Grynaeus o seu primeiro comentário
bíblico sobre a epístola Romanos. Foi
nesse mesmo ano que a Bíblia de Olivétan
foi publicada. O Pierre Robert Olivétan
era um primo de Calvino e com o apoio
dos valdenses traduziu e publicou a
Bíblia e Calvino teria escrito o
prefácio ao Novo Testamento, que
apresenta Cristo como o centro e o
cumprimento de toda a história bíblica.
Foi nesse prefácio que Calvino escreveu
o seguinte: "Sem o evangelho, tudo é
inútil e vão.
Sem o evangelho, não somos cristãos. Sem
o evangelho, toda riqueza é pobreza,
toda sabedoria é loucura diante de
Deus". Tudo isso em cerca de um ano aqui
na Basileia, o que é um grande
encorajamento para a gente. Gente,
porque Deus pode nos usar de maneira
extraordinária, onde quer que a gente
esteja, seja refugiados ou não, seja em
lugares inóspitos ou não, seja em
perseguição ou não. O que que você fez
de um ano para cá? Como é que você orou
para ser usado por Deus durante esse
último ano? Calvino foi usado durante um
ano que ele estava refugiado de maneira
extraordinária para o evangelho,
justamente porque sem o evangelho tudo é
inútil e vão. Então, com o evangelho, um
ano em que a gente está refugiado em
outra cidade pode ser o ano em que a
gente escreve prefácios do Novo
Testamento, em que a gente faz uma
amizade duradoura que vai nos marcar
para sempre ou mesmo escreve um dos
documentos mais importantes da história
do cristianismo. Às vezes a gente
despreza o que um ano bem vivido para
Deus pode se tornar.
Bom, no verão de 1536,
Calvino seguia para Estrasburgo e por
causa dos conflitos militares, ele teve
que fazer um desvio por Genebra, aqui
onde a gente está. Ali, ele encontrou
Guilherme Farel, que o convocou para
colaborar com a reforma na cidade.
Calvino recusou inicialmente, provocando
uma réplica de Farel que entraria para a
história. Segundo o relato posterior de
Calvino, Farel invocou o juízo de Deus
contra seus estudos e a tranquilidade
que ele pretendia ter. Ao ouvir aquilo,
Calvino mudou seus planos porque sentiu
como se a mão do próprio Deus pesasse
sobre ele. Permanecendo então em
Genebra, Calvino começou como um leitor
e professor das escrituras.
Posteriormente, passou a exercer funções
pastorais. Pregou, ensinou e ajudou a
elaborar um catecismo e uma confissão de
fé. Aqui do lado, um pouco mais acima, a
gente tem a igreja onde Calvino foi
pastor. Vem comigo pra gente conhecer
juntos.
Bom, eu tô aqui na igreja onde João
Calvino exerceu o seu ministério em
Genebra, a Catedral Saint Pierre, a
Catedral de São Pedro. Ela fica no ponto
mais alto da cidade antiga e é um local
que já era usado pro culto cristão desde
o século IV. Debaixo da atual Catedral,
existem vestígios de igrejas e
batistérios do cristianismo primitivo e
dá até pra visitar, se você tiver uma
grana pra gastar. A construção que deu
origem ao edifício começou
aproximadamente entre 1150 e 1160, por
iniciativa do príncipe-bispo Arducius de
Faucigny. Isso se prolongou por cerca de
um século, aproximadamente até 1250. E
por isso a igreja mistura elementos
românicos e góticos. A fachada que você
tá vendo aqui na frente, com essas
colunas, ela é posterior, foi construída
no século XVIII. Antes da Reforma, a
Catedral era um prédio católico romano e
com isso tinha um interior tipicamente
medieval, altares, estátuas, pinturas,
relicários, tapeçarias, crucifixos, mais
diversos ornamentos litúrgicos e paredes
coloridas. Em 8 de [música] agosto de
1535, partidários da Reforma entraram na
Catedral e destruíram várias imagens
religiosas. Altares e estátuas foram
quebrados, pinturas foram danificadas,
objetos [música] litúrgicos foram
retirados e, posteriormente, as paredes
foram pintadas de cal. Essa destruição
ocorreu em agosto de 1535, cerca de um
ano antes de Calvino chegar em Genebra.
O movimento foi produzido por reformados
locais, especialmente ligados à pregação
de Guilherme de Farel. Nos anos
seguintes, as próprias autoridades
municipais acabaram dando continuidade à
retirada e à venda dos objetos católicos
e à demolição dos altares aqui. Esse
interior completamente despojado acabou
correspondendo muito bem à teologia
reformada de Calvino, onde o centro
visual e litúrgico deixava de ser o
altar e e passava a ser o púlpito, ou
seja, a leitura, a explicação e a
aplicação pública das escrituras. Isso
não significa que Calvino rejeitasse
todo tipo de arte, mas ele se opunha
profundamente ao emprego de imagens como
objeto de veneração de culto, por isso
os objetos de veneração anterior foram
completamente retirados, não faziam
parte da liturgia reformada, coisa que
obviamente surge como resposta, né, à
veneração católica [música]
e ao tipo de culto católico
profundamente imagético, profundamente
voltado à veneração desse tipo de coisa.
O famoso retábulo pintado por Konrad
Witz, de 1444, foi desmontado, mas
graças a Deus alguns dos painéis
sobreviveram e podem ser vistos no Museu
de Arte e História de Genebra, assim
como os vitrais originais da igreja. É
óbvio que eu fui lá para mostrar para
vocês.
>> [música]
[música]
>> A cadeira do do coral, que os corais, o
coral ficava aqui.
No século XV. Aqui é o púlpito, onde
Calvino pregava. Olha isso.
Nossa, eu sou apaixonado nesses vitrais,
que coisa linda.
>> [música]
[música]
>> Aqui, ó, se você tivesse ouvindo
Calvino, ó, você ia ficar sentado aqui,
ó.
Ia ficar sentado aqui, e mais gente
sentada assim para ouvir Calvino
ouvir Calvino pregar.
>> [música]
[música]
>> Havia uma catedral [música]
debaixo da tal catedral. O lugar é um
negócio absurdo assim, que remonta ao
século IV. Tem uma coisa alocada debaixo
debaixo da catedral. A catedral atual
fica aqui em cima, de Saint Pierre, e
aqui era a catedral
anterior que havia debaixo da catedral,
na época que o bispo comandava a cidade
inteira.
Caramba, dá para descer mais, olha isso.
É um são são
alguns poucos andares que a gente sobe
[música] e desce aqui. É um labirinto.
Bora descer, bora descer.
São restos da construção antiga.
[música] Olha que massa. Olha aí, ó,
Jesus, a pedra angular. Aqui é a pedra
angular, que é o que garante que toda
essa estrutura permaneça, mesmo sem usar
nenhuma cola ou argamassa, o que era
muito comum na escritura romana.
Olha quanta pedra legal.
>> [música]
>> Dá para ver inscrições em algumas delas,
mas é tudo [música] bem destruído aqui.
Aqui muito certamente havia alguma coisa
relacionada à ceia do Senhor. Você
consegue [música] ver o cálice aqui.
Poxa, é um negócio de 1.600, 1.700 anos
atrás. É inacreditável
respirar tanta história.
>> [sino][música]
[música]
>> Olha só como era esse mosaico aqui no
chão.
Ele remonta ao século V. Devia ser bem
bonito, hein? Olha só.
Aqui é uma reconstrução de como
provavelmente era. Nossa, olha aqui.
Ainda tem bastante do pavimento do
século V aqui, ó.
É bem pequenininho. Olha isso, cara.
Cada pontinho desse, cada pontinho desse
é uma pedrinha. E aí eles fazem esses
mosaicos inteiros aqui. Devia ser uma
coisa deslumbrante, simplesmente
deslumbrante. Certamente as cores eram
mais vivas naquele tempo.
>> [música]
>> Aqui havia um sistema de suprimento de
água pros batistérios. A água vinha de
vários metros de distância por meio de
[música] canos de madeira, com uma
estrutura de engenharia bem interessante
para ajudar o povo a ser batizado.
E esse espaço aqui que mostrei para
vocês, suntuoso como era, é a sala de
recepção onde o bispo ficava.
O bispo ficava sentado e o pessoal vinha
aqui até ele.
Lembrando que o bispo ele era uma figura
política também, né?
E aqui é uma reprodução de como
provavelmente era.
>> [música]
>> Século V
já era uma efervescência gigante de um
cristianismo profundamente político e
imperial, onde o império, né, havia
tomado o cristianismo em troca de não
mais ser perseguido. Agora o
cristianismo era cooptado. E aí, os
líderes religiosos eram também líderes
políticos, com toda a pompa e
circunstância relacionada a isso. Olha
isso aqui, meu irmão, não é fundo.
Só joga
moedinha lá embaixo. Eu não tenho uma
moedinha para jogar. Tem uma moedinha
que eu gostava de fosse, viu?
Olha aí, isso aqui é pancada. Eita, meu
Deus.
E a água aqui, ó.
Agora, vou lá para aqui.
E agora, como é que eu saio daqui? Eu
estou perdido. Ah, meu Deus.
Isso aqui é tão grande que eu
simplesmente me perdi. Hoje agora eu já
não sei mais onde é que eu onde é que eu
tenho que ir.
Ei, rapaz.
Até uma placa de saída bem ali.
Vai dar bom.
>> [música]
[música]
>> Agora, infelizmente, nem tudo que é
relevante na história da catedral está
na catedral. Eu tive que vir aqui no
Museu de Belas Artes de Genebra para
encontrar parte do que foi removido da
catedral. Eu tenho aqui atrás duas
pinturas, quatro, na verdade,
porque eu temos essas duas aqui, mas se
a gente der a volta, [música] tem mais
duas para cá. Essas são das poucas obras
que foram preservadas do tempo da
destruição dos ícones
>> [música]
>> na igreja de Saint Pierre. Isso aqui
ficava no chamado altar de Pedro e foi
removido, não foram destruídas, né?
Então, a gente ainda tem aqui no museu
como uma forma de de conhecer um pouco
da catedral
>> [música]
>> antes, né, da destruição das das obras,
das imagens que havia ali.
>> [música]
[música]
>> Ainda bem que
essas coisas que se perderam ainda tão à
disposição pra gente
>> pra gente ver, né?
>> Pra gente pelo menos ver o original sem
precisar ficar só com a réplica que tem
lá atualmente [música] na Catedral.
>> Permanecendo em Genebra, Calvino começou
como leitor e professor das escrituras.
Posteriormente, ele passou a exercer
funções pastorais. Ele pregou, ensinou e
ajudou a elaborar um catecismo e uma
confissão de fé. Além disso, ele
trabalhou na organização da ceia e da
disciplina eclesiástica. Isso acontece
porque Calvino e Farel ousaram desejar
que a autoridade pra exercer a
disciplina e decidir sobre a admissão
[música] à ceia permanecesse na igreja.
Que audácia é uma audácia gigante. Os
magistrados civis não estavam dispostos
a entregar essa autoridade, queriam ser
os responsáveis por definir quem é que
ia cear ou não. Calvino e Farel então
desejavam que a igreja tivesse
autoridade pra exercer a disciplina,
especialmente na admissão à ceia ou na
exclusão dela. Os magistrados civis não
estavam muito dispostos a entregar essa
autoridade aos pastores e o que gerou
muito conflito. Um conflito que também
envolveu tensões que aumentaram a ponto
de Berna uniformizar práticas
litúrgicas. Na Páscoa de 1538,
>> [música]
>> em meio à crise, Calvino e Farel se
recusaram a administrar a ceia. Pouco
depois, o conselho determinou a expulsão
deles dois. Calvino então se refugiou em
Estrasburgo, onde trabalhou com Martin
Bucer e ali pastoreou a congregação de
refugiados franceses. Pregou
regularmente, administrou o batismo e a
ceia segundo a sua compreensão
reformada, desenvolveu uma liturgia,
incentivou o canto dos salmos e
participou de conferências teológicas.
Em março de 1539,
o cardeal e bispo Jacopo Sadoleto
escreveu aos genebrinos convidando eles
a retornarem à igreja de Roma e
abandonar as práticas doutrinárias dos
reformadores. Com muita eloquência, ele
apelou à tradição para sustentar que a
igreja de Roma preservava
verdadeiramente um tipo de continuidade
da doutrina patrística e permanecia
sobre a direção do espírito de Deus. Mas
não pense que essa carta de Sadoleto foi
só mais uma tentativa de oposição, não.
Ele argumentou muito eloquentemente a
favor da igreja de Roma, argumentou que
os reformadores introduziam novidades
alheias que não pertenciam à tradição e
os descreveu como homens ambiciosos,
desejosos de popularidade. Ele também
criticou a justificação somente pela fé.
Na compreensão dele, a graça produzia
uma justiça interior que deveria ser
vivida na fé, no amor e nas boas obras,
coisa que Calvino em nenhum momento se
oporia. Calvino foi escolhido então para
responder à eloquência de Sadoleto. Em
setembro do mesmo ano, ele escreveu uma
carta resposta. E nela, ele argumentou
que a salvação humana está subordinada à
glória de Deus, à santidade do seu nome
e ao culto verdadeiro. Enquanto Sadoleto
falou da ação [música] do Espírito Santo
por meio da igreja, Calvino argumentou
que não se podia separar a ação do
espírito daquilo que está nas
escrituras. Afinal, as escrituras foram
inspiradas pelo espírito. O espírito que
guia a igreja não contradiz as
escrituras. As práticas ou tradições
eclesiásticas devem ser submetidas à
Bíblia. Calvino também defendeu a
justificação somente pela fé. Afirmou
que os reformadores não rejeitavam o
culto, o batismo, a ceia, mas buscavam
reformá-los para ficarem mais próximos
do que dizia a escritura. Genebra então
não se submeteu à comunhão com Roma, não
se recebeu nenhuma tréplica pública de
Sadoleto. [música] A resposta então
fortaleceu a reputação de Calvino e
contribuiu juntamente com mudanças
políticas na cidade para sua convocação
de volta a Genebra em 1541. Calvino
pretendia permanecer apenas alguns meses
em Genebra, mas acabou ficando por quase
23 anos até a sua morte. Parece que
Calvino não estava tão ansioso para
voltar de Genebra, né? Mas Deus mudou
pela segunda vez os seus planos, de modo
que entre 1541 e 1555, Calvino manteve
uma rotina muito intensa. Pregava duas
vezes aos domingos e em determinadas
semanas, também nos dias úteis. Além
disso, ensinava e escrevia comentários
bíblicos, respondia a cartas,
participava das reuniões do consistório
e aconselhava a igreja de diferentes
países. Até que, nessas muitas
polêmicas, ele é levado para a principal
polêmica que marca a sua vida, que foi a
morte de Miguel de Serveto. Mas sobre
Serveto, a gente vai precisar de um
vídeo inteiro para discutir esse pedaço
da biografia de Calvino.
Aqui ficava o parlamento. Ainda fica,
né? Alguns lugares ainda.
Era aqui que Calvino vinha brigar com o
povo. É o espaço de Calvino. Funda a
atuação religiosa e política em Genebra.
E é um prédio bem bonito. A gente vai
tentar entrar nele aqui.
Ó, como é que é bonito aqui. Puxa.
Eu tenho uma aguinha aqui para tomar, se
quiser.
>> [música]
[música]
>> Em 1555, a oposição política acabou
perdendo força e a autoridade religiosa
de Calvino acabou ganhando cada vez mais
estabilidade. Calvino colaborou com
vários outros reformadores: Virei,
Bullinger, Beza. E foi nessa época que
Genebra se tornou um centro religioso
internacional. Por exemplo, foi fundada
a Academia de Genebra, tendo Teodoro de
Beza, que foi colaborador e sucessor de
Calvino, como primeiro reitor.
Inclusive, se a gente andar um pouco, a
gente chega lá. Porque o prédio ainda
existe e parte da sua atuação permanece
até hoje.
>> [música]
[música]
>> Eu tenho aqui atrás de mim o prédio onde
era localizada a academia de Genebra,
fundada em 1559, uma das mais
importantes realizações institucionais
de Calvino. Ela transformou Genebra de
um centro local da reforma em um local
de formação de pastores, professores e
missionários para boa parte da Europa.
Calvino tinha a clara convicção de que a
reforma protestante não iria sobreviver
só com bons pregadores. Era preciso
formar uma geração capaz de ler as
escrituras nas línguas originais,
ensinar a teologia com rigor, organizar
novas igrejas e por isso ele fundou essa
academia. A instituição tinha, em termos
gerais, dois níveis: havia o colégio,
que oferecia formação humanista com
forte ênfase em latim, grego e
literatura clássica, e a academia, que
propriamente dita era o ensino superior,
voltado principalmente para filosofia,
línguas bíblicas e teologia. O primeiro
reitor foi o Teodoro de Beza,
colaborador muito próximo de Calvino e
depois sucessor dele na liderança de
Genebra. Inclusive, eu estou aqui na rua
Teodoro de Beza, que é onde fica a
academia. Muito legal estar em ruas com
nome de reformadores, é muito doido
isso. O papel de Calvino aqui foi muito
importante, obviamente, ele articulou o
projeto, ele trabalhou junto às
autoridades civis de Genebra para tornar
isso aqui possível, participou da
definição do currículo e ele mesmo
ensinou teologia aqui. A instituição
refletia muito bem a união que Calvino
fazia entre humanismo renascentista e
reforma protestante. Para interpretar
corretamente a Bíblia, o pastor devia
conhecer hebraico e grego, devia dominar
a argumentação lógica e tinha que ser
capaz de conhecer história e,
obviamente, ter uma boa didática. Agora,
o efeito mais importante dessa academia
se deu fora de Genebra. A academia se
tornou uma espécie de centro
internacional de treinamento da reforma.
E aí, gente, de muitas cidades vinham
para cá para estudar e então retornavam
aos seus países. Isso aconteceu
especialmente com os franceses. Genebra
treinou centenas de pastores que foram
enviados clandestinamente para França,
onde o protestantismo crescia sob forte
perseguição. É muito difícil entender a
expansão dos huguenotes franceses sem
compreender a academia de Genebra.
[música]
Calvino não estava só reformando uma
cidade aqui. Genebra treinou centenas de
pastores que foram enviados
clandestinamente para França, onde o
protestantismo crescia debaixo de
intensa perseguição. É muito difícil
você entender a expansão dos huguenotes
franceses sem a Academia de Genebra
estar relacionada com isso. Calvino não
estava só reformando Genebra, nem só
ensinando os pastores da sua cidade. Por
meio dessa academia, ele criou uma
infraestrutura para exportar a reforma.
Genebra então passou a produzir
literatura, traduções bíblicas,
comentários bíblicos, catecismos e acima
de tudo, pessoas treinadas para levar
essas ideias a outros países. [música] A
influência da academia chegou aos Países
Baixos, a Inglaterra, a Escócia e depois
as tradições reformadas de outros
continentes. John Knox esteve em Genebra
antes mesmo da fundação formal da
academia e chamou a cidade, em uma frase
que foi muito famosa, de uma das mais
perfeitas escolas de Cristo existente
desde os apóstolos. A academia então
institucionalizou justamente esse papel
que Genebra já tinha começado a exercer.
Uma curiosidade para você, nerdzinho de
história, a atual Universidade de
Genebra considera a Academia de Calvino,
fundada em 1559, como a sua origem
institucional. O que significa que uma
das maiores universidades europeias
nasceu diretamente do projeto
educacional da Reforma Protestante. Olha
aí, João Calvino mudando o mundo.
Ah, e eu esqueci de dizer, eu acho que a
Academia de Genebra hoje é tipo uma uma
escola de de criança, escola de ensino
fundamental,
ao que me parece, olhando aqui.
Eu dei entrada aqui, dei uma olhada,
[música] né? Aí virou virou escola de
criança.
Bom, não é ruim não.
Em Genebra havia abrigo para refugiados,
publicação de livros teológicos,
preparação de ministros e envio de
pastores à França. Comunidades [música]
perseguidas também recebiam orientação
por correspondência. O renome
internacional da cidade e a fama que tem
até hoje vieram em grande parte dessa
época. Mas e os anos finais de Calvino?
Bom, [música] ele foi enterrado aqui
perto e acho que a gente consegue
encontrar o túmulo dele para falar um
pouco sobre o fim dos seus dias. Isso se
a gente der sorte de encontrá-lo, o
túmulo dele, porque dizem que é meio
difícil de achar. Estamos aqui em busca
da tumba de Calvino,
que nós queremos absorver a unção dele.
Aprendi isso com Benny Hinn.
Eu tenho que ir no
na tumba do pessoal
pra tomar unção.
>> [música]
[música]
>> Estamos procurando no mapa aqui.
Em busca dos restos mortais de João
Calvino.
Vamos ver se a gente acha.
Achamos.
E a gente tá com uma vela não como? Tá
uma vela do nosso Calvino aqui.
Tem uma vela pro Calvino.
Tem de orar no túmulo do Calvino.
E agora?
>> [música]
[música]
>> Uma das coisas que faz eu adorar vir em
cemitérios é justamente descobrir
túmulos que eu nunca imaginei que gente
que eu nunca imaginei encontrar.
Aí a gente tava procurando aqui o túmulo
de Calvino, perto do de Calvino.
Olha o que tem aqui.
É o túmulo de Jorge Luis Borges.
Aquele famoso poeta e escritor
argentino.
Ah, que foi enterrado aqui em Genebra.
Eu não sabia. Olha que que coisa. Se
você nunca leu Jorge, ó, ó, vocês aqui,
pelo amor de Deus. Se nunca leu o Aleph.
Se nunca leu a biblioteca do infinito.
Pelo amor de Deus, você o que é que tá
fazendo com a sua vida, hein? Leia a
biblioteca do infinito. O Borges morreu,
morreu cego, se eu não me engano, que é
muito triste. E talvez ele seja um dos
poucos grandes nomes da literatura
mundial que virou um grande nome sem
nunca ter escrito um romance grande, né?
Escrevia contos, escrevia poesia,
principalmente. Nossa, muito legal
encontrar esses pequenos momentos de
literatura mundial aqui em Genebra,
aleatório. Deve ser um pouco mórbido
gostar de andar por cemitério? Eu tenho
certeza que é. Tenho certeza que é uma
coisa meio mórbida. Talvez eu seja uma
pessoa razoavelmente fascinada,
impressionada pela ideia da morte. Bom,
eu me converti por causa disso, né?
Então, você não pode me culpar. Mas eu
acho muito interessante perceber
que a gente dá importância demais para a
vida e no final das contas a gente vira,
vira cova, vai ser comida, né? Se a
gente não viver olhando para, para a
eternidade, para além dessa vida, para
além dessa existência, se a gente viver
a vida achando que as besteiras que a
gente faz é, é o que importa, né? Em vez
de a gente olhar para o fato de que o
destino terreno de todos nós é isso
aqui, ir para debaixo da terra, a gente
não consegue viver uma vida que olhe
para além dela, né? Para além da do
caixão, para além do túmulo, para além
da cova.
A gente simplesmente esquece da
eternidade, de que se a, se o fim de
todos nós é isso aqui, num cemitério, a
vida vale pouco, pouco, pouco, pouco. O
que é fascinante é saber que a vida vale
muito mais.
E que a gente terá a existência que se,
que se justificará para além de estarmos
aqui. Um dia os nossos corpos serão
ressuscitados. Um dia
os nossos corpos serão feitos de novo
miraculosamente e teremos corpos agora
maravilhosos, agora eternos, agora que
durarão por toda a eternidade. Um dia o
corpo de um Calvino será levantado,
assim como o meu, assim como o seu, que
crê. E é um corpo que vai durar para
sempre. Eu gosto de vir em cemitérios
porque
sempre me lembra muito da ressurreição
do corpo. [música] Acho que é o tipo de
coisa que a gente tem que lembrar.
Me lembra bastante sobre o propósito da
vida e, e sobre a existência terrena.
Sei lá, muitas reflexões. Eclesiastes
fala sobre isso, né? Melhor estar na
casa do luto do que na casa da festa.
Existem lições interessantes
quando a gente lembra da morte. Com todo
o respeito aqui ao pessoal que morreu,
mas se você não vê isso aqui e não
lembra de Meu nome é Lombroso, torrado
no grosso, você não assistiu um dos
melhores filmes da história do Brasil,
tá?
Um dos melhores filmes, O homem que
enganou o diabo. A história do, quando
ele encontra o, quando o Juaçara,
Juaçara é o nome dele? Juaçara, encontra
o Lombroso.
Rapaz, é legal.
E eu juro que eu não tenho TDAH. Eu faço
essas conexões, mas só,
deve ser alguma outra loucura da minha
cabeça, tá? Mas Lombroso, pô, Lombroso,
Lombroso, não posso ouvir o nome de
Lombroso que eu não lembro do, do
filminho.
Do filme que eu assisti quando eu era
moleque. Ai, meu Deus.
Muito demais.
>> [música]
>> Fato interessante é que tem gente que é
enterrada sem nenhuma identificação, de
que, são pessoas que pediram para serem
enterradas de forma a não serem
reconhecidas, né? Por, por ninguém e
tal. E às vezes é gente importante,
gente que não quer que sua tumba seja
visitada e coisas do tipo. Foi o que
aconteceu com João Calvino, né? Que a
gente foi teimoso e descobriu onde é que
ele, onde é que ele foi enterrado e, e
botou identificação, né? Não é nem
aquela lápide ali, não é nem a original
dele. Muita gente, sabendo que são
pessoas, ah, com alguma importância e
tal, hum, não querem que seu, sua tumba
se torne um tipo de, de mausoléu, sei
lá, deles próprios. Não sei se você
sabe, por exemplo, Timothy Keller,
ninguém sabe onde o Timothy Keller foi
enterrado. Só quem sabe onde o Timothy
Keller foi enterrado é a família, porque
eles não queriam que a tumba, né, o
Timothy Keller não queria que a tumba
dele, né, o lugar que ele foi enterrado
virasse um, um espaço de visitação, né?
O que é que eu tô fazendo? Tô fazendo
João Calvino não queria também e eu tô
aqui visitando o espaço onde ele morreu.
Acho uma palha.
Respeito, mas deixa o pessoal visitar,
pô. É história, é só história. Ninguém
vai acender vela, não. Entendeu?
>> [risadas]
>> É, importante lembrar, né, dos marcos aí
da, da história do, do mundo. Por que
não?
Tava passando ali, vi uma, uma
lápidezinho cheia de, de coisinha, tinha
umas fotos, uns, uns negócio, mat,
matrioska, matrioska russa, qual é o
nome desse negócio? Tule, aquelas
bonequinha russa. Eu vim ver e eu estou
em choque com o que eu encontrei, porque
é um pedaço altamente relevante da
literatura mundial. Você, se você é da
literatura russa e gosta de literatura
russa, já leu Dostoievski? Leu
Dostoievski? Se eu te falar que
Dostoievski começou a escrever o seu
livro O Idiota aqui em Genebra e ele
teve uma filha aqui em Genebra chamada
Sofia, e que infelizmente essa filha
faleceu poucos meses depois. Rapaz, eu,
olha coisa de maluco. Acabei de andar
aqui e olha o que é que eu encontro. É
simplesmente o túmulo da filha de
Dostoievski. Olha isso. Sophie
fille de
Fedor et Anne
Dostoievski. Fedor et Anne.
Caramba, é inacreditável isso aqui.
Inacreditável. [música]
1868.
>> [música]
[música]
>> Nos seus últimos anos de vida, Calvino
não esmoreceu. [música] Ele continuou
pregando, ensinando e escrevendo. Sofreu
com fortes dores de cabeça, com febres,
problemas respiratórios e renais, gota,
várias outras enfermidades. A saúde de
Calvino piorou muito nos primeiros meses
de 1564. Sabendo que a sua hora se
aproximava, ele se despediu dos seus
amigos, dos pastores e dos magistrados.
No seu último discurso, ele reconheceu
seus erros, pediu perdão por sua
irritabilidade, recordou as dificuldades
pelas quais passou e recebeu a visita de
Farel, que naquele ano tinha cerca de 75
anos. E foi em 27 de maio do ano de
1564, aos 54 anos, que Calvino [música]
se encontrou com o Senhor. Foi sucedido
por Teodoro de Beza e teve um
sepultamento muito simples, conforme ele
havia pedido, sem nenhum monumento
destinado à sua veneração. Isso foi
seguido [música] muito bem à risca,
porque nem sequer a localização exata da
sua sepultura original pôde ser
estabelecida com absoluta segurança. E a
gente acredita, né, os pesquisadores
remontam à ideia de que provavelmente
foi aqui que Calvino foi enterrado. O
legado de Calvino permanece até hoje.
Temos acesso a inúmeros dos seus sermões
que foram realizados em Genebra. Imagina
aí se Farel não tivesse falado e
insistido para que ele tivesse ficado,
se Denis Raguenier não tivesse
trabalhado ah em tudo isso. As
Institutas são um importante documento
da história da igreja que tá aí até
hoje. E até quem não é calvinista é
muito abençoado, não é, por tudo aquilo
que tem sido produzido por meio da fé
calvinista na teologia mundial. Muitas
caricaturas [música] são feitas ainda
sobre João Calvino, mas certamente foi
um dos nomes mais importantes da
história do cristianismo mundial.
Interessante aqui no cemitério onde ele
tá enterrado, ele tem uma tumba
extremamente simples, simples e sem
lápides aqui muito, muito, muito mais
bonitas, grandes [música] e chamativas
do que a de João Calvino. Ninguém tá
acendendo vela, ninguém tá aqui orando
para Calvino, ninguém tá de joelhos
recebendo a unção de João Calvino. É
simplesmente um homem que a gente
lembra, não é, lembra com respeito e
agradece a Deus por tudo o que o senhor,
não é, produziu de bom para nós por meio
da vida desse homem. Olha aqui, ó, Jean
Calvino
e aqui.
Olha só, simples, muitas plantas. Eu
tenho aqui essa JC.
Como é que foi colocado aqui como uma
lápide, até meio apagadinho. E é só
isso.
João Calvino, o grande reformador. E é
só isso. É um homem que se foi.
Que agora tá com o senhor e que espera a
ressurreição do corpo. Legal saber que,
não importa o quão importante nós
sejamos, nosso destino terreno é o
mesmo.
A grande diferença é o que vai vir
depois. Aí você nunca viu. [música] É
aqui,
cemitério onde tá enterrado João Calvino
aqui em Genebra.
É, rapaz, a vida é frágil. A vida é
frágil para todos nós. A gente não
tem se a gente não tiver preparado para
ir ou para acolher nossos possam ir, não
é? A gente tem que saber morrer também.
E tem que saber perder quem a gente ama.
Fundamental. É fácil? Obviamente não é.
Mas é o destino
inevitável de todos nós.
Calvino certamente é um personagem
fundamental. Mas se eu disser que houve
alguém que veio antes de Calvino que foi
responsável por Calvino estar aqui,
falar sobre Guilherme de Farel é
fundamental. Então a gente vai voltar um
pouquinho na história, falar daquele que
foi o [música] antecessor de Calvino e
depois falar sobre aqueles que o
sucederam. Você quer aprender mais sobre
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[música]
Teologia na Estrada.

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