Liberdade é poder fazer tudo o que eu quero? // Heber Campos Jr.
21/09/2026
Liberdade é poder fazer tudo o que eu quero? // Heber Campos Jr.
Trecho da palestra "O evangelho e a liberdade", na Conferência Fiel Jovens 2026 com o tema: Gálatas – rejeite outros evangelhos.
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Fonte: Ministério Fiel
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Liberdade é uma palavra que encapsula muito das conquistas que a sociedade enxerga que ela finalmente a a alcançou, não é? No entanto, o problema desse ímpeto em prol de liberdade é que ela tem virado o sinônimo de autonomia. Isto é, a autonomia é você ser a sua própria lei. Liberdade para muitos tem se tornado sinônimo de autonomia. O conceito nutrido na nossa sociedade é que eu devo ser livre para fazer o que eu quiser, com tanto que eu não incomode os outros, com tanto que eu não prejudique outra pessoa. Veja, essa é a filosofia por trás eh de eh liberação de drogas ou o aborto ou eutanásia. Isto é, com tanto que eu não esteja incomodando você, deixa eu viver a minha vida do jeito que eu quero. Essa é uma coisa muito presada e costuma ser innegociável neste mundo contemporâneo. A verdade é que as nossas decisões ah mais individuais, elas sempre têm implicações sociais. Ah, porque a gente vive numa sociedade e quem a gente se torna em decorrência das nossas escolhas necessariamente influencia as pessoas ao meu redor. Então, não é verdade que a minha vida vivida do meu jeito não afeta você. Nós sempre, querendo ou não, afetamos uns aos outros pela forma como nós nos tornamos, pelas opções que nós a h eh eh tomamos, né, para ser de nossa vida. Então, eh, quando pessoas querem a liberdade, isto é, elas querem ser deixadas hã quietas, sem eh que as exigências inconvenientes as incomodem, na verdade, elas estão querendo algo que é bastante utópico, porque nenhum cidadão é inteiramente livre de inconveniências. Se você cidadão de qualquer lugar, você tem que pagar imposto, você tem que estar sob governante, você tem que obedecer a lei de trânsito. Então não é verdade que a gente tem uma liberdade plena. Você não é a sua própria lei, você não tem o seu estado, você não é o seu governante, não é? Mas talvez de maneira ainda mais perspicaz, pastor Tim Keller, ele diz como o conceito moderno de liberdade, ele não sustenta por pelo menos três razões. Olha que interessante. Ele diz que primeiro esse conceito é impraticável. Ah, ele ele dá um exemplo assim, ó. Pensa num idoso que gostaria de viver o máximo para curtir os seus netos, vê-los crescer, casar e quem sabe ver os bisnetos. Ele pode comer o que ele quiser. Não. Por que que ele não pode comer o que ele quiser? Porque ele precisa restringir certas liberdades para ganhar aquilo que ele gostaria de ganhar. Então, o pastor Tinquero tá dizendo assim, ó: "Na verdade, o que as pessoas dizem de liberdade, eu quero fazer o que eu quiser, que dá na telha, não funciona. Ele é impraticável. é impraticável, porque ninguém pode viver sem freios. Ele vai ter perdas e ele vai sofrer as consequências muito rapidamente. Uma segunda razão que o pastor Tin Keller utiliza contra esse conceito de liberdade é que essa liberdade autônoma, ela é desrespeitosa. Então ela é impraticável. Em segundo lugar ela é desrespeitosa. Por quê? Pensa nas paradas do movimento LGBT. e por aí vai. Siglas, né? Então, pense nas paradas gays ou coisa do tipo. Quando eles defendem que eles devem fazer e eles têm liberdade de fazer, é claro que eles estão afrontando a ética de outro. Isso só mostra pra gente que qualquer manifestação pública necessariamente afeta eh outras pessoas. Ela você não consegue não tocar nas liberdades de outras pessoas. Então, quando o próximo é afetado pelas minhas liberdades, eu não respeitei o bom convívio comunitário. Então, fazer o que eu bem quiser não funciona e é desrespeitoso. Mas a última e talvez é a mais forte, pastor Dingel fala assim: "Essa liberdade é destrutiva." Por quê? Porque não é possível você ser completamente livre e amar alguém. Porque o amor necessariamente significa restringir liberdades e comprometer-se com o outro. Quando você ama alguém, você necessariamente se amarra a esse alguém. você não tá completamente livre para fazer o que você quiser. Então ele diz, a se nós queremos esse tipo de liberdade, ela é totalmente destrutiva. Ela não favorece a vida social, porque só é possível amar alguém quando você tá disposto a abrir mão de sua liberdade. Então, perceba como o discurso contemporâneo de liberdade é uma falácia, é uma articulação frequentemente utilizada para jogos de poder. Mas eu não acho que o problema é na liberdade é apenas da sociedade secular. Eu acho que entender liberdade é um problema na igreja também. Pensa num num aspecto só para ilustrar como a igreja tem dificuldades com isso. Pensa em como quando jovens, eu tô falando para jovens, então vou falar para vocês, né? Quando jovens estão disputando a questão do livre arbítrio na internet, tá? Aí você fala: "Ih, lascou, pastor, tem um amigo arminiano: "Nossa, meu amigo é calvinista, mas daqueles assim que é doente. Que que acontece nessas disputas, nesses debates? Quando, atenção, quando alguém que se posiciona como um arminiano, né, ele argumenta em prol da liberdade humana, de tal maneira que a soberania de Deus não fere a sua liberdade. Então, normalmente, esse é o argumento em prol do movimento armeniano. Ou quando os ditos calvinistas rebatem levantando a bandeira da soberania divina sem muita participação humana, eu acho que os dois estão errados. Não no conceito. Eu não posso dizer que os dois estão errados no conceito, mas eles estão errados no que eles estão discutindo. Deixa eu explicar. Quando a gente tá brigando por saber, o ser humano, ele é livre ou não é? Esse negócio de Deus é soberano, pastor. Deixa o ser humano com condições de fazer as coisas porque ele quer fazer ou é Deus que determina? Quando isso incomoda as pessoas, eles estão preocupados com a liberdade que pertence ao seu ser. A gente chama isso filosoficamente de uma liberdade ontológica, isto é, que é essencial a você. O problema dessa preocupação em dizer, será que eu tenho liberdade mesmo para fazer o que eu quero fazer ou é Deus que determina? É que você tá mais preocupado com quem você é do que com o que Jesus fez com você. E a Bíblia quase que só tá preocupada com a segunda coisa, com que Jesus fez com você. Na escritura, a liberdade soteriológica é a grande preocupação. Isto é, a liberdade de salvação é aquilo com o qual a Bíblia se preocupa. Ela não tá muito preocupada em articular como é que você é livre ao mesmo tempo que Deus é soberano. Embora ela fale um pouco disso, o que ela tá mais preocupada em falar é como é que você é livre em Cristo Jesus. livre da escravidão do pecado, livre do controle do pecado. É isso que é preocupante paraa escritura. Então, o cristão evangélico que se preocupa em discutir, discutir quão livre ele é em na questão de soberania de Deus, ele tá mais interessado, como eu falei, naquilo que ele é essencialmente do que naquilo que Jesus fez por ele. Agora, eu falei de erro na sociedade, falei de erro na igreja, mas ainda que esses dois pontos, essas lutas por liberdade, tanto a secular quanto a religiosa, estejam erradas, eu acho que elas nos ensinam uma lição. Uma lição. E a lição é: ambos agem com coerência. Quem busca a liberdade autônoma vive a vida, curte a vida doidada. E quem luta por livre arbítrio ou por soberania de Deus o faz de forma intensa. Não tô falando que eles estão certos, só tô dizendo que eles agem com coerência. Ah, sabe porque eu acho isso curioso? É porque o os cristãos que ambas as buscas estão erradas, mas eh os grupos eles vivem em prol desse conceito de liberdade. Isto é, as suas vidas giram em torno dessa preocupação que eles têm com liberdade. E o nosso texto tá dizendo assim: "Seja coerente, Cristo vos libertou. viva de acordo com essa liberdade, isto é, aja em conformidade com ela. Então, a nossa passagem inteira está ligada com liberdade do verso 1 até o verso 15. Por isso que eu selecionei esse bloco, tem a ver com a gente deve viver à luz dessa liberdade. Nós já fomos libertos. Isso já deve ter sido ensinado aqui, porque já apareceu na carta, no capítulo dois. Mas agora, como é que a gente vive à luz dessa liberdade? É disso que trata a nossa passagem. Para reforçar aquilo que certamente vocês já ouviram, Gálatas está preocupado com isso, porque havia falsos mestres que ensinavam um outro evangelho que havia enfeitiçados da Galáia. Eles estavam sendo cativados, vamos dizer assim, pelo ensino dos chamados judaisantes. Significa viver como judeu. Aqueles que pregavam a a vida como judeu, que pregavam a importância da circuncisão, de guardar outras regras cerimoniais para que tivessem a aceitação de Deus. Isto é, para que de alguma forma eles tivessem mais garantia da sua salvação. Para Paulo, essa notícia era devastadora, porque ele havia semeado o verdadeiro evangelho da graça quando ele, na primeira viagem missionária plantou igrejas na Galácia. Então agora ele escreve essa carta para defender o evangelho, defender contra aqueles que acham que nós somos aceitos por Deus mediante as obras da lei e não pela fé em Jesus. Veja, Paulo tá preocupado com o cerne do evangelho. Ele não tá preocupado só com disputa entre judeu e gentil, não apenas com uma questão de identidade étnica, aou quem é que pertence ao povo de Deus ou quem não pertence. Mas ele tá preocupado com a maneira eh pela qual o evangelho tá sendo ferido. É por isso que Gálatas começa de forma tão virulenta. Eu não acredito que vocês abandonaram o evangelho. É mais ou menos assim. Se a gente tivesse ouvindo Paulo, o volume ia tá meio assim exagerado, porque ele começa Gálatas arrebentando você, né? confrontando você, dizendo: "Eu não acredito que você começou na graça e agora você tá indo pros caminhos da carne." Então, essa é uma mensagem de liberdade, tá? é uma mensagem de libertação do cativeiro. E Paulo preza por essa liberdade. Então, se os seculares querem ser, querem a liberdade autônoma, que a gente falou que é errada, impraticável, destrutiva, mas eles vivem por isso. E alguns cristãos briguentos querem liberdade ontológica. Paulo tá dizendo: "Eu quero falar da liberdade em Jesus e de como é que você vive à luz dessa liberdade". Então agora nós vamos pensar nisso, nesse grito de liberdade do apóstolo Paulo a cristãos que estavam sendo escravizados por falso ensino e práticas legalistas. M.