Makários – Eclesiologia | Aula 1 | O que a Bíblia diz que é a Igreja? | Ákilla Nascimento
09/09/2026
Makários – Eclesiologia | Aula 1 | O que a Bíblia diz que é a Igreja? | Ákilla Nascimento
Makários II
Módulo II – Eclesiologia: entendendo as diferentes propostas de igreja
Aula 01
Ákilla Nascimento
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เฮ [música] >> [música] [música] >> Olá, muito boa noite a todos que chegaram aqui paraa nossa aula de hoje do curso de teologia Macários. É bom receber cada um de vocês para essa que é a nossa primeira aula do módulo que tá começando agora nesse exato momento, 19:02 do dia 8 de setembro de 2026. Você que está vendo isso num ponto do futuro, pelo menos pode se localizar quando nós estamos começando esse momento bastante significativo que é mais um módulo do nosso curso Macários. É bom receber cada um de vocês que estão voltando aqui dos eh módulos anteriores que nós fizemos no nosso curso. E para você que também tá chegando agora e especialmente para você que tá conhecendo o curso Macários agora, nosso muito boa noite, muito bem-vindo, bem-vinda ou boa tarde, bom dia, para o momento em que você puder assistir esse conteúdo. Antes de falar sobre a aula de hoje, eu gostaria de situar o módulo de hoje, explicar qual é a nossa proposta para esse módulo e como é que ele está relacionado com os outros módulos que nós já fizemos. Vamos lá. O curso de teologia Macárius é um curso de teologia ah da Igreja Batista Nações Unidas. A nossa igreja se propõe a explicar aquilo que é o conteúdo da teologia básica, como nós já fizemos no ano passado, e também alguns dos módulos que estamos desenvolvendo ao longo de 2026 com um conteúdo mais avançado. Como é que nós estruturamos o curso Macários? Da mesma forma como muitos cursos de teologia são estruturados nas instituições formais de ensino, que é entender que nós temos um conjunto de disciplinas no eixo bíblico, então estudar aquilo que é o contexto, a geografia, a história, a exegese dos livros da Bíblia, a interpretação bíblica diretamente, um conjunto de disciplinas na área sistemática, ou seja, o estudo da doutrina. e um conjunto de disciplinas na área de vida prática da igreja. E aí nós fizemos o nosso curso básico fazendo uma introdução àquilo que é Antigo e Novo Testamento, módulo de Bíblia, uma introdução à teologia sistemática, passando por todas as doutrinas da teologia sistemática, as principais categorias, ainda que de forma introdutória, naturalmente. E fizemos um módulo ano passado da vida prática da igreja falando sobre os vários ministérios da igreja. Esse ano nós já estamos no nosso terceiro módulo apenas desse segundo ano do Macários. Então, 2025 tivemos três módulos. 2026 já concluímos dois módulos. Estamos começando hoje o terceiro módulo desse ano. Nós estamos chamando de Macários um tudo aquilo que fizemos em 2025, o curso básico de teologia. Então, se você já fez, está fazendo ou quer recomendar para que alguém faça, a nossa proposta é começar por ali, pelo curso básico, que é o Macários 1, constituído de três módulos. Esse ano nós temos o Macários 2, que é o conjunto dos outros três módulos, eh dois desenvolvidos e um iniciando hoje. Isso porque nós já fizemos vários módulos e para situar os alunos, você que tá assistindo, como é que o curso tem progredido, a gente tem adotado a nomenclatura de 1 e 2 para Macários 1 2025, Macários 2/2026 e módulos o conjunto de cada uma dessas eh disciplinas, aulas que damos em torno de um tema. Ah, hoje a gente começa esse módulo que é eclesiologia, entendendo as diferentes propostas de igreja. a gente vai falar a sobre parte daquilo que é a teologia sistemática, parte daquilo que é o ensino sobre a eclesiologia, ainda que esse não seja um módulo só de doutrina, o módulo passado foi de teologia sistemática, mas a gente precisa aprofundar e compreender muito bem como é que a Bíblia e como é que as diferentes propostas doutrinárias entendem a doutrina da igreja. qual a natureza da igreja, o papel da igreja, a forma de governo da igreja pra gente chegar no ponto da vida prática da igreja, que é entender esses diferentes eh essas diferentes perspectivas, propostas e, em muitos casos, modelos de igrejas que nós conseguimos observar em qualquer bairro, quase de uma grande cidade brasileira e, em muitos casos de pequenas cidades, Porque existe uma diversidade de maneiras de estruturar a igreja. Nós falamos muito sobre diversidade doutrinária, diversidade de posicionamento teológico no nosso último módulo. Uma só fé, muitas tradições. Nesse módulo a gente quer entender do ponto de vista prático. Começaremos por uma parte mais teórica, uma parte sobre a eclesiologia para ser o fundamento da nossa conversa, mas nós chegaremos esse momento de entender porquê. Eh, a gente tem igreja da parede preta que se chama Church. Por que que tem igreja tradicional com mais de 120 anos que toca órgão? Por que que em algumas igrejas a decisão é tomada pelo conjunto dos membros daquela igreja? Em outras igrejas, a decisão é tomada pelo presbitério. Porque é que existe igrejas em célula, igreja com células, movimentos eh que parecem trabalhar com grupos pequenos, mas de propostas muito diferentes umas das outras. Então, a gente quer entender porque é que a igreja se organiza de maneiras tão diversificadas. E aqui estamos falando especificamente do contexto protestante brasileiro, as igrejas evangélicas brasileiras, tá? Claro que isso tem pertinência para igrejas evangélicas de outros países, mas em vários momentos faremos comentários e análises daquilo que é a realidade do nosso país. Então essa é a nossa proposta para a conversa de hoje, mas para o módulo que estamos começando hoje. Então, nosso boa noite aí para quem já chegou, o Fred, o Samuel, o Paulo, a a Márcia, a Sandra, o Manuel, conheço vários que estão com a gente hoje aqui, o Carlos, o Nilton, a Ana, várias pessoas que eh já estão acompanhando outros módulos. alguns, eu pelo menos estou vendo aqui o nome pela primeira vez ou apenas eh não consigo me lembrar, talvez de outras conversas aqui. Eles vão receber todos vocês. Espero poder ter um momento produtivo com vocês. Mas vamos lá paraa nossa aula de hoje, a nossa conversa sobre igreja. E aqui a gente precisa partir de um ponto que parece óbvio e não é, que é entender qual é a natureza da igreja. O que é que a Bíblia fala sobre o que é a igreja? Essa pode ser uma pergunta respondida de várias formas diferentes e a gente vai apresentar aqui diferentes perspectivas de análise da questão e de respostas para essa questão, mas a gente espera poder chegar a um ponto bem definido. Ah, bom, só situando aqui essa aula de hoje, a gente vai disponibilizar tanto a estrutura do módulo quanto os slides também na nossa plataforma de ensino. E no final da aula, eu espero poder fazer comentários mais detalhados sobre isso. A igreja, a questão a sobre a natureza da igreja ou o que é a igreja é fácil e difícil ao mesmo tempo. Fácil porque todo mundo tem uma compreensão do que é a igreja a partir da sua experiência, talvez a partir inclusive do estudo e e da a interpretação mais cuidadosa que fez sobre o assunto, mas pelo fato de que é um elemento presente na nossa cultura. Então, as pessoas ouvem, leem e veem o que é a igreja em diferentes contextos. O problema é que em boa parte do tempo isso é mal compreendido ou isso nunca foi um assunto devidamente eh refletido e analisado à luz de uma referência talvez mais sólida e cuidadosa, para que a gente consiga entender o que é a igreja. A igreja é um dos poucos aspectos da teologia cristã que pode ser observado concretamente. Para muitos é o primeiro e talvez o único ponto de encontro com o cristianismo. A pessoa pode nunca ter lido a Bíblia, pode não acreditar nada sobre o cristianismo, mas talvez ela tenha ido a uma igreja ou ela tenha ouvido falar de uma igreja. Cbart observou que uma das formas pelas quais a igreja testemunha de Jesus Cristo é simplesmente pela sua existência, porque poderia muito bem ser o caso da igreja não existir ou não mais existir. Ela foi fundada e olhando apenas do ponto de vista sociológico, tinham muitas razões e até mesmo do ponto de vista espiritual, tinham muitas razões que poderiam nos fazer crer que a igreja iria desaparecer naquele momento ou naquelas circunstâncias ou dentro de pouco tempo, dado o nível de fragilidade que essa comunidade ou que essas comunidades experimentaram no surgimento e na condição da igreja. igreja primitiva, o conjunto de adversidades que foram os primeiros séculos e em muitos países e em muitas circunstâncias particulares aquilo que foi a experiência recente da igreja de Cristo em muitos países espalhados pelo mundo inteiro. Estruturas eclesiásticas, menções na mídia, documentos legislativos, tudo comprova a realidade da igreja. Você vê o prédio da igreja, você vê menções à igreja na mídia. A gente tá agora no segundo semestre de 2026 no Brasil em ano eleitoral e nos próximos meses, próximo mês, a gente já terá o primeiro turno das eleições. A realidade da igreja em relação com a política é um dos tópicos mais discutidos. Então, todo mundo vê a realidade concreta da igreja. No entanto, apesar dessa familiaridade, é a considerável confusão e mal entendido sobre o que ela realmente é. Isso acontece pelo fato de que a igreja ela pode ser uma palavra de fato utilizada em contextos diferentes e assumir significados legítimos diferentes. Além dos diferentes significados que ela pode assumir e que ela deve assumir, existe também os significados que ela não possui do ponto de vista bíblico, mas recebe no uso de algumas pessoas. Parte do mal entendido resulta desses múltiplos usos da mesma palavra. Muitas pessoas, ou em vários momentos, a gente se refere a igreja como estrutura arquitetônica. Eu vou à igreja. Muitas pessoas fazem uso da imagem mental de um prédio como sinônimo ou equivalente do que ela entende como igreja, um edifício físico. Esse é o uso mais comum e superficial do termo. Existe a igreja como um corpo local de crentes, uma congregação específica, como, por exemplo, a primeira igreja metodista de São Paulo, a Igreja Batista Nações Unidas. Então, nesse sentido, a palavra igreja pode significar um corpo local de crentes. Então, é daí que vem a frase ou a ideia: "Eu não vou à igreja, eu sou igreja ou eu sou igreja no conjunto com os meus irmãos". Então, a gente pode falar na IBNIL não como prédio que está na rua Tianguá número 25, mas na Ibnil como conjunto de membros que constituem essa comunidade. Existe igreja como denominação, a igreja batista, a igreja metodista, a igreja presbiteriana, a igreja universal, a igreja Deus é amor. Tudo isso é um grupo distintivo, não para falar de uma igreja dentro de um prédio e um conjunto de membros que estão restritos àquela comunidade especificamente, mas a igreja como esse corpo de membros de igrejas locais que estão relacionadas entre si por uma confissão, por um pacto, por algo que conecte essas pessoas em uma denominação. E existe a ideia da natureza essencial, que é o nível mais profundo e mais negligenciado de compreensão da palavra igreja. E é sobre isso que nós vamos nos dedicar o resto da aula de hoje. Em que nível ou de que forma nós podemos compreender a natureza da igreja como um todo ou em todas as suas manifestações locais, o que é que conecta a natureza dessas comunidades locais para que a gente possa compreender o que é a igreja e não simplesmente aquela igreja. Por que que a doutrina da igreja ela foi negligenciada? Ou um passo atrás nós precisamos reconhecer que muitas outras doutrinas receberam mais atenção e mais desenvolvimento ao longo da história da teologia do que a eclesiologia. Eclesiologia significa a o estudo da igreja ou a doutrina da igreja. Esse capítulo da doutrina ou esse capítulo da teologia sistemática foi muito menos desenvolvido, foi muito menos valorizado ao longo dos 20 séculos que constituem a história da igreja do que, por exemplo, a doutrina da trindade ou mesmo o interesse que a gente vê hoje em dia nas pessoas sobre a doutrina das últimas coisas, a escatologia. Então, a gente percebeu a cristologia que define aquilo que nos entendemos como cristãos. Eh, então a gente precisa entender porque que as coisas aconteceram assim. Enquanto a cristologia e a doutrina da trindade receberam atenção especial nos séculos 4 e 5 a obra expiatória de Cristo na Idade Média e a doutrina da salvação no século X. Século X, lembra? 1517, reforma protestante, uma discussão muito em função daquilo que é a doutrina da salvação. A doutrina da igreja jamais recebeu atenção direta e completa. Na Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas em Amsterdam agora no século XX, né, século passado, 1948, o a o padre Florovski afirmou que essa doutrina mal havia passado de sua fase préteológica. Por Colly Williams, um outro teólogo, sugere que pouca atenção teológica direta foi dada à igreja, provavelmente porque ela era tomada como certa. Você só discute uma questão quando você entende que há questões a esclarecer sobre sobre aquilo. Se existe uma eh compreensão comum ou uma compreensão, uma noção tácita sobre o que é a igreja, as pessoas não vão dedicar a atenção para resolver o problema que não existe. Então, a gente percebe que parte do problema é entender o que a igreja está no fato de que talvez outras gerações não experimentaram isso como um problema de fato. As controvérsias agostiniano donatista do século V e as disputas sobre os meios de graça do século X tocaram em aspectos da doutrina da igreja, mas não chegaram à questão central sobre o que é a igreja. Estamos só mencionando aqui algumas doutrinas e alguns debates teológicos que foram influentes ao longo da história e bem registrados na história da igreja que demonstram que não houve um capítulo nos primeiros séculos, na verdade quase que nos 20 primeiros séculos da igreja que dedicasse muita atenção ao desenvolvimento dessa doutrina. Mas a atenção e o interesse nisso mudou. a virada pós-moderna e o pragmatismo ministerial. Há muita discussão hoje em dia sobre eclesiologia. Há muita discussão já no final do século XX ou na segunda metade do século XX sobre a doutrina da igreja, mas de uma perspectiva diferente do que estamos acostumados a discutir aqui no curso Macários, acostumados a discutir eh no meio da teologia sistemática ou nas discussões que vemos nos livros, no ambiente acadêmico, na maneira como se faz teologia sistemática. eh, mas que tem uma relevância muito grande na maneira como a gente experimenta a igreja. E a gente vai entender um pouquinho porquê. John MCire apontou que em meados do século XX provavelmente se escreve mais. Ele falou isso durante o século XX. No meu século, disse esse teólogo, provavelmente se escreve mais sobre igreja do que sobre qualquer outro tema teológico, mas a maioria com orientação prática. Essa é a diferença. Não é uma discussão sobre a natureza da igreja, os atributos, os elementos, eh a discussão bíblica sobre a igreja, mas aquilo que deve ser o papel da igreja na mudança social, na sociedade secular, no cumprimento das suas missões ou na na realização de missões na forma como as suas reuniões devem ser dirigidas e lideradas. Então, aquilo que passou a ser muito da preocupação das pessoas, dos cristãos, dos pastores e em parte dos teólogos, não foi a discussão sobre a natureza da igreja, mas sim a maneira como ela se expressa em seus aspectos práticos. Não é o que a igreja é, mas o que a igreja faz. A ênfase no funcional. A cultura pós-moderna deslocou-se da definição da essência para a descrição do que algo faz, não do que ele é. Experiência e emoção substituíram a declaração racional. Eu lembro aqui de um texto escrito ainda na primeira metade do século XX, que é Cartas de um diabo a seu aprendiz do CS. E naquele texto de um tom completamente irônico, em que ele simula ser um demônio aconselhando um demônio mais novo sobre como ele deveria tentar o seu paciente, o ser humano que estava debaixo da eh influência desse demônio mais jovem. O Senor fala sobre eh a maneira como ele deveria conduzir a tentação ou apresentar pensamentos alternativos, lógicas alternativas para o seu paciente e ele não seguisse por uma tentativa de convencimento racional do seu paciente de que Deus não existe. Porque a era em que a argumentação poderia levar alguém a uma conclusão sólida, um argumento sólido para uma conclusão bem embasada, já havia passado. As pessoas estavam agora muito mais atentas àquilo que era a sua experiência e aquilo que era a sua, o seu estado emocional. Então, é nesse ponto que aquele demônio deveria tentar o seu paciente. É claro que news se escreve ironicamente. Ele está tentando denunciar o que, na sua percepção são as maneiras pelas quais Satanás e os seus demônios aplicam as suas armas e cumprem a sua função de matar, roubar e destruir dentro do nosso tempo ou do tempo em que ele escreveu. Isso já faz quase 100 anos. Eh, mas fica muito claro que aquilo que se estabelece a partir do pós-guerra sofre uma intensificação ao longo do século XX e ainda explica muito do que é a nossa experiência no século XX. Experiência e emoção substituíram a declaração racional. Pragmatismo ministerial. Muito do que se fala sobre a igreja vem de ministros práticos, não de teólogos profissionais. Qual é o resultado disso? dessava lanche de materiais sobre como fazer a igreja funcionar, como fazer a igreja crescer. O resultado é, existe uma desvalorização da teoria e tendência de que preocupações práticas e não o ensino bíblico ditem aquilo que é a compreensão da igreja. Então, existe sim a um enorme eh material, um enorme eh interesse por parte das lideranças em compreender os métodos e em compreender as ferramentas disponíveis para fazer sua igreja crescer em uma determinada direção, crescer em termos de membresia, em termos de influência, em termos de pertinência social, mas existe ao mesmo mesmo tempo, o enorme desinteresse em compreender aquilo que é o ensino bíblico sobre o que a igreja deve ser, deve fazer e aquilo que é o ensino bíblico de como a igreja deve se compreender. Ah, a gente vê então essa ênfase nos aspectos da imanência de Deus, da missão da igreja e da identidade da igreja, recebendo maior atenção nos dias de hoje. A ênfase em mudança social e missão em vez da igreja em si, reflete uma modificação na visão de Deus. Maior ênfase na imanência do que na transcendência. Isso significa uma mudança de ênfase com aspectos positivos e negativos. É claro que uma preocupação com a discussão teológica e compreensão do que a igreja apenas para eh ficar debatendo aquilo que talvez sejam aspectos secundários da doutrina sobre a natureza da igreja, eh não tem um valor concreto e real para aquilo que deveriam ser as ações da igreja. Então, a igreja que se preocupa mais com aquilo que ela deve fazer no mundo, a partir da sua compreensão de quem ela é pelo trabalho e pela obra de Jesus Cristo, tem muito mais relevância do que ficar discutindo questões de segunda ordem. Mas é claro que isso também é acompanhado às vezes de ênfases práticas que têm talvez muito sucesso em alguns em algumas circunstâncias sucesso bastante moderado e questionável. mas que estão desacoplados, eh, métodos bem-sucedidos desacoplados de uma compreensão bíblica do que a igreja realmente deve fazer e compreender a respeito de si mesmo, fazer e ensinar as pessoas que façam dentro da sua realidade particular, mas aquilo que elas são dentro do corpo de Cristo. Esse tipo de a esse tipo de ação coerente que parte de uma compreensão bíblica é aquilo que motivou muito do que foi a nossa ideia para o curso e o módulo atual. é entender que nós devemos fazer as coisas na igreja, devemos valorizar as práticas na igreja que partem de uma compreensão adequada do texto bíblico. A visão tradicional, a igreja era distinta do mundo, destinada a transformá-lo. Na forma mais desenvolvida é o repositório da graça. O mundo só pode recebê-la conectando-se à igreja e os seus sacramentos. Isso dentro de uma compreensão eh sacramental ou de um sistema sacramentalista, que é entender que Deus dispensa a graça sobre o mundo por meio dos sacramentos na forma protestante, que em alguns casos é sacramentalista ou não, mas na forma protestante a ênfase é que a igreja possui o evangelho e o mundo só pode ser salvo ouvindo e crendo o evangelho pregado. pela igreja. A visão contemporânea ou a ênfase é um pouco diferente. Alguns veem Deus agindo diretamente no mundo, fora da estrutura formal da igreja, inclusive por meio de instituições não cristãs. O catolicismo pós-Vaticano II, por exemplo, e muitos protestantes progressistas ampliaram o significado da igreja, dando mais atenção à missão do que a identidade e aos limites. Aqui eu vou fazer um parênteses. Essa é uma observação que eu retirei do livro Teologia Sistemática do Milard Ericson. A obra principal a partir da qual eu preparei a aula de hoje é o capítulo sobre a natureza natureza da igreja do Milard Ericson. Depois posso col colocar aqui no chat se alguém me lembrar o fim da aula, a o link para que vocês possam adquirir ou para que vocês possam dar uma olhada nesse livro. Eh, e ele coloca algumas categorias aqui que são questionáveis. Muitos pontuam que categorizar cristãos progressistas nem mesmo nem sempre esclarece muita coisa. Mas aquilo que ele está chamando atenção é importante, é que as missões da igreja ou a missão da igreja passou a receber mais ênfase de muitos movimentos teológicos menos ou mais eh maduros e formalizados do que a discussão sobre aquilo que define os limites da igreja. Novamente, isso é bom ou é ruim? Depende. Depende por se isso parte de uma perspectiva pragmatista que não procura procura olhar nas escrituras aquilo que deveria ser a a ideia, a compreensão, o ensino sobre igreja, isso é ruim. Isso pode levar a um eh a um tipo de ativismo religioso que atrai atenção, atrai pessoas, mas não necessariamente promove aquilo que deveria ser a transformação do reino de Deus por meio da manifestação da igreja. Mas existe um aspecto positivo também que pode ser positivo, que é o fato de que muitas igrejas têm percebido que para se relacionar com os não cristãos ou mesmo a os cristãos em especial, especialmente da nova geração ou das novas gerações, é preciso dar maior atenção àquilo que é a definição da igreja a partir daquilo que ela manifesta, das suas práticas, daquilo que ela dedica ao seu tempo. a sua energia e não simplesmente a partir de uma definição teológica abstrata, né? Isso vai entrar na nossa discussão sobre a igreja missional, por exemplo, que vai ser uma proposta de igreja que vamos tratar mais adiante. A definição empíodinâmica da igreja. No século XX, com sua aversão à metafísica, preferiu estudar as manifestações históricas concretas da igreja em vez de sua essência teórica. Por exemplo, uma abordagem mais filosófica, dedutiva e platônica, parte da definição ideal e move-se para instâncias concretas, cópias imperfeitas dessa essência pura. Então, lembra lá, o mundo das ideias e o mundo das formas ou o mundo eh da matéria, ele é distinto um do outro, justamente pelo fato de que no mundo das ideias existem as formas ideais, existe todas as eh expressões de realidade na sua maneira pura e na sua maneira ideal e naquilo que é o mundo da matéria, há justamente essa manifestação daquilo que são as formas ideais de uma maneira eh imperfeita, ainda que carregue características em comum com aquilo que está no mundo das ideias, ainda que seja definido por essa essência pura. Tudo aquilo que nós conhecemos no mundo, que nós tocamos, que nós vemos, é apenas uma cópia imperfeita daquilo que existe no mundo ideal. >> [roncando] >> A abordagem histórica indutiva diz que a igreja deve ser ou o que a igreja deve ser emerge de seu engajamento com o que é. As condições do mundo moldam a sua identidade. Então, o que é a igreja? Depende do tempo, depende do lugar. A condição é o que define aquilo que a igreja é. A maneira como a igreja respondeu a essas circunstâncias, a esses problemas, a esse tempo, é o que define o que a igreja é. A igreja como evento. A igreja não é uma entidade completa, mas um projeto em devir. A igreja dinâmica viva sempre em mudança. aqui falando não sobre as práticas que a igreja deve ter, mas aquilo que a igreja é nessa perspectiva da igreja como evento, não é evento que a gente promove no fim de semana, mas como algo que está acontecendo, algo que está em constante mudança, algo que está sempre vindo a ser. Então, a ideia do que é a igreja muda justamente nessas respostas. contínuas e adaptadas ou adaptáveis que a igreja dá às circunstâncias em que ela se encontra. Qual é o perigo dessas metodologias que se baseiam principalmente não no texto bíblico, não exegese, não na interpretação de uma passagem ou de um conjunto de passagens, mas no ferramental que se encontra nas ciências sociais, na filosofia e em outras referências. Esse teólogo Carl Michaelson defendeu abandonar temas como a natureza da igreja por considerá-los especulação metafísica distante da vida real. Colin Williams concordou. Não tenho dúvida de que essa mudança ocorreu e deve ser bem-vinda. A ideia de que a igreja não pode ser definida como algo estático, mas algo dinâmico. Teólogos passaram a recorrer à história, à sociologia e outras disciplinas para definir a igreja. Qual o perigo? é que quando a igreja não está segura de sua própria doutrina, ela pode ser tentada a adotar categorias derivadas da ciência sociológica para definir aquilo que ela mesmo é. Se a definição da igreja muda constantemente para se adaptar ao mundo, aqui a gente tá fazendo uso dessa compreensão de que aquilo que a igreja é depende das circunstâncias em que ela se encontra. Se as circunstâncias mudam e com isso a igreja muda o que ela é, o que é que garante continuidade entre aquilo que é a igreja hoje e o que era a igreja há 50 anos atrás? entre o que era a igreja há 50 anos atrás e o que era a igreja há 2000 anos atrás. Por que ainda chamá-la de igreja se as circunstâncias mudaram de forma tão drástica? E a resposta que a igreja deu também mudou de forma tão significativa? Uma análise da biologia ajuda a gente a entender o problema. Na evolução biológica, quando uma nova espécie surge, recebe um novo nome. Categorias classificatórias permanecem fixas, apesar das mudanças aparentes. Se a igreja continua a ser chamada de igreja enquanto muda radicalmente, devemos saber o que é que a distingue como igreja, ou se deveria ser chamada de clube, agência social ou outra coisa. De fato, quando nós prosseguirmos no estudo daquilo que a igreja deve fazer, além do nosso estudo de hoje, do que a igreja é, vai ficar muito claro que tem um conjunto de características que defino. Se um grupo se chama igreja, mas abandona completamente essas convicções sobre o que ela é ou essas práticas sobre o que ela deve fazer que estão baseadas pelo menos paraa boa parte da cristandade no texto bíblico, por que esse grupo deve continuar a se entender como igreja em muitos momentos e em muitas condições, talvez fosse mais adequado chamá-lo de um clube, de uma agência social ou outra coisa. Essas questões só podem ser respondidas abordando a natureza da igreja, começando pelo testemunho bíblico. Então, saindo de uma tentativa de definição da igreja pelo empírico dinâmico ou a definição empíricodinâmica, que é tudo isso que a gente esteve discutindo até agora, e passando para uma definição bíblico filológica, a gente vai ver que o conjunto de argumentos é muito distinto, é muito diferente. a palavra central, de acordo com o testemunho bíblico, para entender o que a igreja é eclésia ou eclesia. O termo igreja deriva do grego kirícos. ou em algumas línguas, pelo menos, isso é é mais evidente. No inglês, isso tem alguma razão de ser, porque inglês a church, em port em alemão é uma palavra que também tem a mesma raiz do church em inglês. E essas duas eh palavras, tanto em inglês quanto em alemão, derivam desse Kiriacos, pertence ao Senhor. mesmo essas palavras, essas línguas no qual a palavra igreja deriva da raiz que vem de Kiriacos, elas só podem entender como a palavracos, que significa pertence ao Senhor, aparece no Novo Testamento a partir de uma outra palavra muito mais comum e que dá origem à a palavra igreja, tanto em português como em vários outros idiomas, que é a palavra palavra eclesia ou eh a eclesia, como aparece mais especificamente nas cartas de Paulo e em Atos, porque a gente reconhece que a palavra eclesia tem uma história e ela tem mais de um significado. Nem sempre quando ela é utilizada no mundo antigo, ela significa igreja. Isso fica claro quando a gente olha pro fato de que ela era utilizada no grego antes mesmo de existir igreja como Novo Testamento testemunha pra gente que foi o surgimento da igreja. Ela aparece no grego clássico. No grego clássico, eclesia significa assembleia de cidadãos de uma pólis. Esses cidadãos, ele é eles eram chamados a se reunir, por exemplo, na cidade de Atenas, que é a essa referência e essa paradigma, esse paradigma da democracia grega, essa assembleia ou esse conjunto de cidadãos que definem uma pólis, eles deveriam se reunir ao longo do ano e muitas vezes se reunir com muita frequência, como aparece em documentos antigos indicando que quase que semanalmente, 40 vezes no ano, a assembleia ou a eclesia, assembleia de cidadão, se reunia na cidade de Atenas. Esse é um uso secular. A palavra eclesia no no grego antigo raramente eh designava um uso religioso. Quando a gente olha para os gregos antigos e os documentos em que essa palavra aparece, nós não encontramos a acepção religiosa como membros ou como eh aqueles que eram adoradores de Poseidon ou de Zeus ou de algum outro eh deus da mitologia grega, não era para o conjunto de pessoas que adoravam essas divindades. Ecclesia era basicamente a ideia da assembleia de cidadãos. No Antigo Testamento, nós temos outras palavras que estão relacionadas à eclesia do Novo Testamento. Dois termos hebraicos se destacam, que é o Khal e o Edá. O Khal é a convocação à assembleia, não é o conjunto de pessoas, mas é o ato, o verbo de convocar a assembleia. Eá, sim, era o substantivo que designava a comunidade cerimonial permanente. Então, o povo de Israel, sempre que referido no texto bíblico, ou muitas vezes quando referido no texto bíblico como um povo separado para a adoração, para a o cumprimento de um conjunto de ações cerimoniais diante do Deus que os libertou e que os constituiu como povo. Esse sentido de comunidade cerimonial permanente é tratado como edá. Atoaginta, que é a tradução do Antigo Testamento para o grego, quando encontra a palavra caral, utiliza a palavra eclesia. E quando encontra a palavra edá, utiliza a palavra sinagogué, de onde vem sinagoga. Eh, então o que a gente percebe que existe uma relação entre aquilo que era a o uso da palavra eclesia no grego clássico com aquilo que é o uso no Antigo Testamento para falar sobre essa assembleia de membros de um povo, de cidadãos de um povo. Vale lembrar que no grego clássico, a ideia de eclesia era aqueles que tinham dinheiro, direito a voto, aqueles que tinham direito a participar como cidadão da Acrópolis ou da pól. Eh, já no Antigo Testamento, a gente tá falando de uma convocação para todos os membros do povo de Israel, mas nos dois sentidos a gente está falando de um conjunto de pessoas. No testamento, Paulo é o autor que mais nos ajuda a entender o que é eclesia. Consequentemente, aquele que mais discute o que é a igreja ou exemplifica o que é a igreja. Mais do que qualquer outro autor, é ele quem utiliza essa palavra referindo-se a congregações locais em cidades específicas. A igreja em Corinto, a igreja na Galia, a igreja em Tessalônica. Então, o principal uso que a gente encontra no Novo Testamento é para se referir à igreja que se reúne em uma cidade em particular. Isso acontece principalmente porque é o termo que nós encontramos nas cartas de Paulo. E em último lugar existe essa aplicação da palavra eclesia, não a igreja reunida em uma cidade, mas nas casas, referência à igreja que se reúne na casa de Áila e Priscila, por exemplo. E aqui algumas outras passagens em que a isso está exemplificado. Romanos 16:5, que eu acho que é a referência da igreja que se reúne na casa de Aquele Priscila, mas também Colossenses 4:15, assim como existe a igreja que não se reúne nem na casa, nem na cidade, mas em uma região, a igreja que se reúne na região da Ásia, a igreja que se reúne na Judeia, Samaria e Galileia. Então, a gente vê eh um uso bastante diversificado mesmo dentro do Novo Testamento para a palavra eclesia, que é quem melhor descreve pra gente o que é a igreja. Mas comparando essas várias acepções da palavra eclesia, em especial ao que acontece e aparece no Novo Testamento, curiosamente, só mais um parênteses aqui, a palavra igreja só aparece duas vezes nos Evangelhos sinódicos, que é duas aparições no Evangelho de Mateus, mas não aparece eh em Marcos e Lucas. Agora eu estou em dúvida se aparece em João. Sobre os evangelhos sinóticos eu tenho mais clareza, mas isso aparece com muito mais presença nas cartas de Paulo. Aparece pouco nas cartas pastorais, não aparece em Tito, não aparece em segunda Timóteo, mas aparece em primeira Timóteo, não aparece em Judas, não aparece nas cartas de Pedro. Boa parte das cartas em que não aparece é explicado por uma questão muito contextual. O desafio um pouquinho maior é no corpo de cartas de Pedro, porque não aparece em segunda Timóteo, mas aparece em primeira Timóteo. Então, eh é o mesmo autor falando com o mesmo eh destinatário. Eh, e apenas as circunstâncias mudaram a fim de que Paulo tratasse muito de igreja em Primeira Timóteo e não tanto em segunda Timóteo. Judas é uma carta muito pequena, então, provavelmente é isso que explica. não era a questão principal que estava sendo tratado e não teve, digamos, página o suficiente para que, ainda que lateralmente ou de forma secundária, a palavra pudesse aparecer. Agora, eh, na nas cartas de Pedro que se entende que a palavra igreja não está aplicada, não porque Pedro não soubesse o que era igreja, não porque Pedro não tratasse igreja como igreja na forma como Paulo pensava igreja, por exemplo. Mas porque provavelmente Pedro está escrevendo ainda muito vinculado as categorias do Antigo Testamento, os símbolos, as a linguagem, a as passagens que são tratadas. Então ele expressa aparentemente uma compreensão até madura do que é igreja, sem utilizar o termo igreja, utilizando a linguagem e os elementos diretamente relacionados do Antigo Testamento. Mas comparando os vários textos do Novo Testamento sobre eclesia, sobre igreja, o que é que aparece enquanto definição? A congregação local nunca é visto como mera parte o componente de um todo maior, olhando para essa definição de a igreja universal e a definição teológica do que é igreja. Nunca que quando Paulo se refere à igreja que se reúne em Éfeso, ou na verdade em Éfeso não é um um bom exemplo e depois eu posso explicar porquê, mas a igreja que se reúne na cidade de Roma, a igreja que se reúne em Tessalônica ou as eh igrejas, como João fala em Apocalipse, cada uma dessas igrejas nunca é vista como parte do corpo de Cristo, nunca são vistas como um componente da igreja de Cristo. Cada comunidade, por menor que seja, representa a igreja total. Kaushmit afirma que a soma das congregações individuais não produz a igreja total. Isso porque cada comunidade representa a totalidade. O que que a gente quer dizer com isso? Não dá para dizer que a igreja que você que tá me ouvindo aí faz parte ou a IBNU é um componente da igreja de Cristo, do corpo de Cristo, da igreja universal. Eh, da mesma forma que a gente não pode dizer ou pelo fato que a gente não pode dizer que ah, por exemplo, vou me me perdoe as várias interrupções, eu vou recomeçar essa explicação. A igreja local, ela não é um componente da Igreja Universal, ela é a totalidade da Igreja Universal. Por que que a gente não pode dizer que a igreja, como muitas pessoas pensam, como eu mesmo já utilizei essa expressão, não posso afirmar que a a igreja local é um componente da igreja universal. Porque quando a gente fala de componente, a gente tá dizendo que para aquilo se tornar o todo, nós precisamos somar os componentes. Então eu tô transmitindo para vocês essa aula a partir de um computador. Se eu pegar a tecla enter do teclado do meu computador e mostrar para você, eu não posso dizer que isso é o computador. Eu posso dizer que isso é um componente do computador. Ele só se torna computador quando juntar as outras peças do teclado, processador, o HD e outras peças que definem um funcionamento básico do computador. Eh, já com a igreja, a gente poderia imaginar o seguinte, se existe BNI, se existem milhares de outras igrejas batistas, se existem igrejas metodistas, presbiterianas, se existem eh a igreja de Cristo, a denominação Igreja de Cristo, Assembleia de Deus e tantas outras igrejas, eu poderia dizer que a minha igreja local é um componente daquilo que é a igreja ou a igreja. universal, no sentido de corpo de Cristo. Só que o Novo Testamento não trata as coisas assim, como se cada igreja local fosse uma parte que reunida a todas as outras igrejas se tornasse o corpo de Cristo, a igreja que você faz parte aí na sua cidade. Você que é membro da Ebinou e se reúne conosco e vive aquilo que deve ser a vida da igreja com essa igreja aqui, você junto com seus irmãos na sua igreja local é corpo de Cristo. É assim que Paulo trata a igreja de Tessalônica ou a igreja que se reúne em Tessalônica. Eles não estão dizendo: "Vocês que são apenas o dedo mindinho do corpo de Cristo, se portem de forma digna, vivam uma vida de santidade", não. Vocês são a igreja de Cristo. Então, a igreja universal se manifesta na igreja local. O corpo de Cristo, claro que não se restringe apenas à igreja local, apenas a Iben, apenas a igreja que talvez você faça parte, mas ainda se a igreja que você faz parte, é o corpo de Cristo se manifestando naquele lugar, naquela cidade, naquele bairro. Então, é essa realidade, até certo ponto, bastante complexa. Eu acredito que chega a definição de um paradoxo, eh, que nós estamos afirmando aqui. A, a comunidade, por menor que seja, representa a igreja total. A igreja em Efésios traz uma perspectiva diferente daquilo que é a o exemplo que demos sobre a igreja de Tessalônica ou a igreja de Romas de Roma. Por quê? Porque na carta aos Efésios é uma dessas poucas ocasiões em que Paulo não está falando para uma igreja em particular e Paulo não está tratando daquilo que é o problema de uma igreja local. Na carta que ele escreve aos Coríntios, ele está tratando de uma série de problemas que acontecem na congregação, na igreja que se reúne na cidade de Corinto. Mas em Efésios, ele está falando sobre a igreja como corpo de Cristo de uma forma total, de uma forma a abarcar todos os santos, de falar sobre todas as comunidades locais em conjunto. É, e isso acontece porque provavelmente Paulo não escreveu essa carta pra igreja que se reunia apenas em Éfeso. Isso é interessante, nem todo mundo sabe, mas a os primeiros versículos ou o primeiro versículo que aparece na carta aos Efésios, falando que aquela carta que Paulo estava escrevendo se destinava aos irmãos de Éfeso, não está nos manuscritos mais antigos. Isso provavelmente é porque ele não escreveu isso para uma para uma igreja em uma cidade, mas para uma região. Essa deveria ser uma carta circular. Então ele fala sobre a realidade da igreja justamente nessa circunstância em que ele está falando sobre os elementos que unem a igreja que está eh em Éfeso e em várias cidades em torno de Éfeso. Lembra de Apocalipse capítulo 2 e 3? as sete igrejas do Apocalipse, todas aquelas comunidades estão na província da Ásia. E a igreja que inicialmente foi plantada e fundada por Paulo é justamente a igreja que se reunia em Éfeso. Mas a partir dali o evangelho se expandiu paraas cidades menores, muitas delas ainda assim expressivas, relevantes, que estavam na província da Ásia a partir do trabalho que se estabeleceu em Éfeso. Então, em Éfeso, a gente tem um tratamento especial de Paulo para aquilo que é a igreja na sua natureza total. Paulo enfatiza a natureza universal. A igreja é o corpo de Cristo. Há um só corpo. Cristo amou a igreja e se entregou por ela. Aqui Paulo não está falando apenas para aqueles irmãos, está esclarecendo para aqueles irmãos o que Cristo fez por eles e por todos os santos. Mas esse é um ponto contrainttuitivo que vale a pena enfatizar e meditar e pensar. Cada igreja local é a manifestação do corpo de Cristo, é a manifestação da igreja total, não é a igreja universal, porque a igreja universal obviamente abarca outras comunidades, outros santos, outros irmãos, mas é o corpo de Cristo todo que está presente ali naquela igreja, naquele lugar. inclusividade total. Mas calma com a compreensão que você tem sobre o termo inclusividade, tá? A igreja inclui todos os que foram salvos e inseridos em Cristo no céu e na terra, passados, presentes e futuro. Como eh termo igreja pode ser usado em mais de um sentido, assim também com inclusividade, mas o sentido. Nesse caso em que estamos utilizando inclusividade, quer dizer que se uma pessoa foi salva e inserida em Cristo, ela faz parte da igreja. Se esse irmão ou essa irmã já morreu e está no céu, sejam aqueles que vivem os passados, presentes e futuros. Todos nós estamos inseridos no mesmo corpo. Fazemos parte da mesma igreja. Hebreus 12:23, a igreja dos primogênitos, cujo nomes estão escritos nos céus. Se a gente falou da igreja nos termos como ela é utilizada ou o termo é utilizado em vários contextos distintos, definição partindo dessa realidade dinâmica e dessa realidade social que a na nossa perspectiva não é a maneira mais adequada de entender a igreja ou por uma eh análise bíblica. E aqui pelo argumento filológico, a maneira como a palavra eclesia é utilizada em vários contextos diferentes, partindo dessa última alternativa, qual é a definição que a gente dá pra igreja, ainda que de forma provisória? Por que de forma provisória? Porque a gente vai ver outros capítulos sobre o que é a igreja que vão nos ensinar melhor a maneira como devemos pensar sobre a igreja. Mas por hora, como é que a gente entende o que é igreja? A igreja é o corpo de Cristo, dos que pela morte de Cristo foram salvamente reconciliados ou pela salvação reconciliados com Deus e receberam nova vida, incluindo todos esses no céu ou na terra, encontrando expressão em agrupamentos locais. uma definição provisória. Isso não está no texto bíblico, obviamente uma definição nesses termos, mas é aquilo que a gente pode de maneira compreende estabelecer a partir da leitura dos textos bíblicos relevantes. A igreja é o corpo inteiro dos que, pela morte de Cristo, foram salvos e reconciliados com Deus e receberam nova vida. tanto aqueles que estão no céu como na terra e que encontra expressão em agrupamentos locais. Por isso que é tão difícil falar na igreja em termos abstratos, numa entidade, numa instituição que não se pode definir concretamente. Isso porque a igreja se manifesta nas igrejas locais. É claro que muitas coisas ainda precisam ser discutidas a partir dessa definição provisória. Como é se a se a Bíblia não traz uma definição como essa que eu acabei de estabelecer, como é que a Bíblia fala sobre a igreja? Por meio de imagens. As imagens bíblicas principais aqui eu só vou passar, não vou discutir com mais detalhes. As três imagens bíblicas que nós encontramos são, imagem de número um, o povo de Deus. A igreja é vista como o povo de Deus. E aqui tem uma discussão interessante, porque Israel também é chamado como o povo de Deus no Antigo Testamento. E em vários momentos em que Israel também é mencionado como povo de Deus no Novo Testamento. Então, como é que fica essa relação entre Israel e a igreja? A gente na próxima aula vai falar um pouco sobre desafios da igreja para entender o que é a igreja ou a origem da igreja. E vamos tratar dessa questão, mas fica muito claro que no Novo Testamento a igreja é o povo de Deus. Habitarei com eles e serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Segunda Coríntios 6:16 que aparece também em Apocalipse 21, capítulo capítulo 21 versículo 3. E aparece em vários profetas do Antigo Testamento essa mesma frase que aqui Paulo aplica para a igreja. A igreja constituída pelo povo de Deus, pertencem a ele e ele Deus ao seu povo. A igreja ela é constituída a partir da iniciativa divina. Foi Deus que criou a igreja para si, não a igreja que criou a si mesmo. Ela é marcada por esse pacto que é a circuncisão do coração pelo espírito. Como Romanos 2:229 coloca em contraste com a circuncisão do corpo, que era a marca dos homens que pertenciam a Israel e o homem representando o resto da família. Então, de certa forma, a circuncisão era a marca de pertencimento a Israel no Novo Testamento. E a circuncisão do coração pelo Espírito Santo é o que marca o povo de Deus no Novo Testamento. E a santidade esperada. Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para torná-la santa e irrepreensível. Imagem de número dois. Primeira imagem, o povo de Deus. Segunda, o corpo de Cristo na igreja é o locus, o local da atividade de Cristo agora, no tempo presente, tanto universalmente quanto localmente. Aquilo que Cristo faz por meio de todos aqueles que foram feitos novas criaturas do ponto de vista universal, quanto localmente, é por meio desse corpo que Cristo atua. Cristo, obviamente é tratado como a cabeça desse corpo. Cristo em voz, a esperança da glória. Ele quem governa, nutre e une os crentes. A imagem de corpo traz a ideia de interconexão. Cada membro depende dos outros. Dons diversos para edificação do todo sem divisão. Discussão dos dons em Primeira Coríntios 12 é mais clássicas sobre isso e sobre a interdependência que temos dos dons uns dos outros. Unidade e pureza. Barreiras étnicas e sociais são removidas. Colossenses 3:11. Mas poderíamos citar a carta de Gálatas como um todo tratando dessa dessa questão. Os membros devem restaurar e se necessário, excluir os que de alguma forma prejudicam o corpo. Comunhão transcendente. A comunhão atravessa o tempo, unidos à nuvem de testemunhas e as gerações futuras. Veja como essa expressão de Hebreus capítulo 12 é tão evocativa. Nós estamos unidos aos heróis da fé do passado, a essa nuvem de grande testemunha dos cristãos que nos precederam. Nós temos comunhão com essas pessoas. Fazemos parte do mesmo corpo daqueles que já morreram, mas vivem em Cristo, que no momento, no tempo presente, estão nos céus, mas que também são a igreja. Então, a igreja não é apenas aquilo que está na terra, mas aquilo que no tempo presente está também nos céus. E a última imagem, a igreja é o templo do Espírito Santo. O Espírito deu origem à igreja em Pentecostes e continua habitando-a individual e coletivamente. Os crentes são templo de Deus, são habitação do espírito. Ah, escapou uma palavra em inglês aqui, não deveria, mas é a ideia de habitação do espírito. Eh, a, o espírito é aquele que produz vida e produz o fruto que é característico da sua presença, como no texto de Gálatas 5:22. É o Espírito Santo que concede poder para o testemunho. É o Espírito Santo que cria a unidade da igreja. A igreja tinha um só coração e alma, como coloca Atos 4:32. O Espírito Santo guia para toda verdade e torna responsivos a liderança do Senhor todos os santos. O Espírito Santo é quem distribui don soberanamente e torna a igreja santa como o templo sagrado funcionava e representava no Antigo Testamento. Então a gente tem essa ideia da igreja coletivamente, sendo o local onde o Espírito Santo habita. Assim como do ponto de vista individual, ele habita também na vida de cada cristão. Ele habita, ele habita na vida de cada um dos que foram inseridos no corpo de Cristo. Mas é muito importante perceber que o Espírito Santo não foi dado apenas para o indivíduo. O Espírito Santo foi dado para o corpo de Cristo e ele se manifesta especialmente. Existem coisas que o Espírito Santo faz na nossa vida, na nossa trajetória particular. mas muitas ações que o Espírito Santo realiza por meio do conjunto em unidade dos santos, do povo de Deus. Tá bom? Bom, pessoal, esse foi o conteúdo que a gente separou paraa nossa conversa de hoje, apenas para dar partida aqui esse chute inicial para toda a nossa conversa sobre igreja, sobre eclesiologia, sobre a nossa conversa sobre como a igreja deve ser ou as várias maneiras possíveis, legítimas ou não, como a igreja deve exercer o seu papel no mundo. Tudo isso parte de uma compreensão do que a igreja é. Se tiver alguma pergunta, se tiver alguma dúvida, pode colocar aqui no chat. Nesses minutos finais a gente pode conversar um pouquinho e a gente então convida vocês para acompanhar esse módulo. Ainda não está disponível na página, mas a gente vai colocar isso muito em breve. Se no futuro a gente editar o vídeo dessa aula para colocar uma explicaçãozinha no começo, eh, você que tá ouvindo agora esse aviso no final, pode desconsiderá-lo, mas a gente vai disponibilizar uma página para esse módulo ou um um link específico para esse módulo na nossa página de ensino, que é ensino.ibibnio.com.br. br. Por lá a gente vai colocar slides, vai colocar as aulas, possivelmente também material para que vocês façam uma avaliação do que puderam compreender aqui do conteúdo. O livro que eu citei é teologia. Tô digitando agora sistemática Millard Ericson. Vida Nova. Eh, é preciso prestar atenção que tem um livro resumido que é Introdução à Teologia Sistemática da capa amarela. Não é esse que a gente vai utilizar paraas aulas desse módulo. A gente vai utilizar a o o livro mais completo que é a teologia sistemática maior do Milard Ericson. Isso para esse bloco inicial de aulas. Outro aviso importante, pessoal, esse módulo vai ter três blocos diferentes. O primeiro bloco vão ser aulas sobre eclesiologia, entendendo aquilo que é o ensino doutrinário da natureza da igreja. O segundo, segundo bloco, a gente vai falar sobre vários modelos de igreja. igreja, como a gente falou, em células, com células, rede ministerial, igreja multiplicadora, igrejas do tipo church, como a gente eh mencionou no começo também, várias outras maneiras de organizar a igreja. O último bloco de aulas, a gente vai falar sobre a proposta da IBNU, que é a ideia da igreja missional. Quando a gente fala proposta da IBNU, não é que a IBNU inventou, mas aqui ela adotou a igreja missional que entende a igreja definida a partir da sua própria missão como estabelecida no Novo Testamento. Tá bom? Então, para você que tá começando agora a jornada e todos que estão assistindo hoje estão começando essa jornada, esse vai ser o nosso caminho. Eclesiologia, modelos ou propostas de igreja. Por fim, a gente vai falar sobre a igreja missional. Bom, a Fernanda perguntou aí sobre os desigrejados. Eu acho que vai ter um momento mais apropriado, Fernanda, em que a gente vai poder discutir essa questão dos desigrejados. Como hoje é mais uma apresentação da realidade ou da natureza da igreja, eu acho que a gente pode eh segurar um pouquinho a nossa discussão, que é uma discussão importante, interessante. Semana passada nós colocamos vídeos aqui no canal e um deles foi uma mensagem de Saião sobre a os desigrejados e você pode conferir lá para começar a nossa conversa do módulo atual. Eh, quanto a esse assunto em particular, considerando a realidade do que temos visto no que tange a eclesiologia, qual o principal desafio pra igreja brasileira hoje? O Edivan pergunta: "Boa pergunta, Edivan. Eu não me perguntei isso antes desse momento em que nós estamos falando agora, mas eu acredito que boa parte do problema que enfrentamos ou muitos problemas concretos que enfrentamos, eles nascem justamente da ausência de uma convicção bíblica amadurecida sobre o que é a igreja, o que ela deve fazer. Ou seja, uma compreensão e uma fidelidade a convicções baseadas na Bíblia sobre a natureza da igreja e as funções da igreja. Então, eu acho que essa perversão, por exemplo, da igreja como uma prestadora de serviços é muito comum, muito recorrente e desvirtua profundamente aquilo que deve ser a nossa experiência enquanto corpo de Cristo que se manifesta na igreja local. eh tratar a igreja como uma espécie de prestadora de serviços religiosos para turistas espirituais. Então você tem a sua experiência individual, a sua necessidade de autoafirmação eh preenchida por aquilo que são as afirmações bastante questionáveis e superficiais da Bíblia sobre o valor do ser humano, que de fato estão lá, mas são completamente pervertidas para afirmar o valor do nosso ego. A gente tem um serviço paraa família toda. Você vem, coloca sua criança no ministério infantil, não precisa se preocupar com nada. Você tem um entretenimento para todas as faixas de idade. Você tem essa afirmação de que Deus está aqui para suprir não só as suas necessidades, mas os seus caprichos também. Então, eu eu acho que muito está relacionado a essa compreensão que muitas pessoas e muitas lideranças parecem expressar. Não sei se elas falam isso, mas elas expressam isso na igreja como uma espécie de prestadora de serviços religiosos para o afago desse ego e bastante carente que nós percebemos nas pessoas. Ah, outro problema está ness nessa área daquilo que são as funções da igreja. Eh, o que é que a igreja deve fazer quando eh se estabelece reducionismos perigosos, como por exemplo a igreja como um agente de transformação social, que eu acredito que deve ser, mas reduzir a igreja às suas dimensões sociais e políticas é um equívoco muito grande. Eu acho que leva para discussões que parecem ser nobres, que parecem ser autênticas e legítimas, mas que esvaziam aquilo que é o caráter, o caráter ah espiritual da igreja. A igreja, como definido pela presença do Espírito Santo, como corpo de Cristo, por essas imagens que a gente mencionou no fim da aula. ou então estabelecer a a igreja também por meio da sua eh relevância cultural. Eu acho que há uma preocupação autêntica, boa das igrejas de serem relevantes para o seu tempo, mas estabelecerem a relevância como aquilo que de fato é o propósito de ser. ou imaginar que a igreja quando ela passar a ser presente ou determinante na esfera política, maioria na esfera política, representada na esfera política e exercer a sua força política, é que ela vai estar cumprindo aquilo que é a sua missão, aquilo a que ela se destina ou que a igreja ela vai eh passar realmente a cumprir aquilo que a sua missão quando ela definiu que as pessoas, a maneira como as pessoas pensam, a maneira como as pessoas se expressam culturalmente, a maneira como as instituições funcionam. Então, essa influência da e essa relevância da igreja, novamente, parece ser um caminho de pertinência, mas que eu acho que pode levar a muitos, muitos desvios reducionistas da igreja, né? Temos mais alguma pergunta aqui? O o Ebenésio faz uma pergunta que eu vou me reservar o direito de não responder, porque a gente vai ter uma aula sobre isso quinta-feira, depois de amanhã. Eu creio que o Espírito Santo de Deus deu origem à igreja em Pentecoste, mas já não existiam crentes antes. Como entender essa questão? Vamos falar sobre a origem da igreja, entre outras coisas na quinta-feira. Tá bom, Benésio? Volta aqui, coloca a sua questão que esse vai ser o momento da gente debater melhor o assunto. Bom, pessoal, eu acho que não tivemos outras perguntas aqui no chat durante a aula, então a gente vai encerrar o nosso encontro por aqui, agradecendo seu tempo, sua atenção e desejando a você uma boa noite, um bom descanso para quem tá assistindo agora à noite e em especial que você possa aproveitar esse módulo, essas aulas e retornar no encontro da próxima quinta-feira, aula de número dois. Tchau tchau. Bons estudos a vocês. Esperamos vocês também nas outras programações da IBNU presencial e aqui pela internet. Forte abraço a todos. Até o nosso próximo encontro.