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Makários – Eclesiologia | Aula 7 | A ceia é realmente necessária? Qual a forma correta? | Ákilla

Makários – Eclesiologia | Aula 7 | A ceia é realmente necessária? Qual a forma correta? | Ákilla

Makários – Eclesiologia | Aula 7 | A ceia é realmente necessária? Qual a forma correta? | Ákilla

Makários II
Módulo II – Eclesiologia: entendendo as diferentes propostas de igreja

Aula 07 – A ceia é realmente necessária? Qual a forma correta?

Ákilla Nascimento

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>> Olá,
muito boa noite a todos que estão
acompanhando aqui a nossa aula de hoje,
a nossa sétima aula do módulo Marcários,
o módulo de eclesiologia, entendendo as
diferentes propostas de igreja do nosso
curso de teologia Macários. É muito bom
receber cada um de vocês aqui. Vou só
ajustar minha posição para eu não pegar
essa lâmpada estourando aqui em cima.
Mas é bom receber cada um de vocês que
chega aqui pro comecinho da nossa aula
para quem tá acompanhando ao vivo e
também para você que está assistindo em
algum outro momento a nossa aula. Boa
noite para você ou bom dia, boa tarde. É
bom saber que tem algumas pessoas que já
chegaram, que já deram o seu boa noite,
que já estão falando de onde é que tão
participando com a gente aqui. O Paulo
que aqui
da Ibni, mas está lá em Tapiratiba.
Ah, temos a Fernanda que chegou cedo, a
Ana Flora, Terezinha,
a Carla. É muito bom ter vocês com a
gente hoje. Inclusive a gente já tem
perguntas no nosso chat. Espero poder
responder parte dessas dúvidas ao longo
da nossa aula de hoje. Tita também eh lá
de Tabuna, gente aqui da zona leste de
São Paulo. São todos bem-vindos.
explicando um pouquinho aquilo que é a
estrutura do nosso módulo e aquilo que
vai acontecer eh nos próximos momentos
aqui do nosso terceiro módulo do
Macários nesse ano. Macários 2. Bom, a
gente tá dividind,
perdão, dividindo o nosso Macários em
Macários 1, aquilo que fizemos no ano de
2025 e aquilo que é o Macários 2, aquilo
que estamos fazendo em 2026. O Macário
Zoom é um curso básico de teologia
completo. Os três módulos que fizemos de
doutrina, Bíblia e vida prática da
igreja compõe aquilo que você vai
encontrar em várias faculdades e
seminários dentro da nomenclatura de
curso básico de teologia. O Macários 2 é
um conjunto também de três módulos,
também com ênfase em doutrina, bíblia e
vida prática da igreja. eh em um
aprofundamento posterior àquilo que nós
fizemos no curso básico de teologia. Por
isso que são módulos um pouco mais
avançados. Não significa que você
precisa ter ampla formação em teologia
para acompanhar, apenas que é uma
sequência daquilo que nós fizemos no
curso básico de teologia, tá bom?
Dentro desse terceiro módulo,
eclesiologia,
em que nós estamos olhando paraa vida
prática da igreja, nós estamos com um
bloco de doutrina dentro do módulo de
vida prática. Por quê? Porque a gente
precisa saber quais são as diretrizes
básicas a respeito da teologia ou as
diferentes propostas de visão sobre
esses temas que nós estamos tratando na
teologia cristã para poder falar sobre
aquilo que realmente é o nosso objetivo
nesse módulo, que são os modelos ou as
propostas de igreja. Então, próxima
quinta-feira, depois de amanhã, a gente
vai ter a primeira aula falando sobre
modelos e propostas de igreja. A gente
vai falar sobre igreja com propósito,
que é uma forma de organização de igreja
bastante conhecida. Hoje vai ser a nossa
última aula do bloco de teologia, de
doutrina, propriamente falando sobre a
ceia do Senhor. Eh, então, a partir de
quinta-feira, a gente começa esse
segundo bloco e o nosso terceiro bloco
vai falar sobre uma proposta de igreja,
conforme aquilo que temos implementado
na IBNU desde o seu nascimento, tá bom?
Então, começando aqui a nossa conversa
sobre,
eu gostaria então de
passar para o nosso conteúdo da aula de
hoje. Que que acontece? A ceia é uma
prática universal e isso é um ponto de
unificação, mas também é um assunto que
comporta ou que tem apresentado grande
variedade de posicionamentos. Isso acaba
se tornando um ponto de divisão.
Ela é praticada virtualmente por todos
os ramos do cristianismo, porque todos
eles entendem que isso foi uma ordem
explícita, expressa dada por Jesus desde
a fundação da igreja. Mas há muitas
interpretações sobre o significado, o
que está acontecendo, quais são os seus
efeitos, de que forma isso deve ser
realizado, quem pode eh celebrar esse
momento, quem pode receber os elementos
da ceia. E esse é o nosso conteúdo da
aula de hoje. Historicamente, esse
assunto criou e continua criando
separações ou separação entre vários
grupos cristãos, sendo ao mesmo tempo um
fator que une e divide a cristandade. E
um lembrete muito óbvio, mas que merece
ser feito, é que o aspecto do valor
espiritual ou prático da ceia, em muitos
casos, perdeu-se na disputa sobre
aspectos teóricos teológicos.
Não é suficiente nós compreendermos o
significado da ceia. Nós também
precisamos vivenciar esse significado.
Isso aponta pra gente, espero que fique
mais claro ao longo da nossa aula, em
especial no final do argumento que
apresentaremos nessa aula, que vivenciar
o significado da ceia implica em ter uma
postura de atenção, de zelo, de cuidado
com o significado da ceia, mas em
celebrar a unidade do corpo de Cristo. a
unidade que o corpo de Cristo tem com o
próprio Senhor Jesus. Então, é
incoerente
determinar profunda divisão no corpo de
Cristo por questões secundárias, ainda
que a ceia seja um aspecto central,
obedecer e cumprir a ceia, dividir o
corpo de Cristo devido a interpretações
de questões secundárias ligadas à ceia,
é um contrassenso, é uma incoerência
muito gritante.
Bom, nós vamos falar aqui sobre quatro
concepções de ceia. Vai falar sobre a
concepção católica romana tradicional, a
concepção luterana, calvinista e
zoingliana.
Então a gente vai a partir de agora
entender o que é que caracteriza essas
principais interpretações que dominaram
a maior parte do cristianismo, pelo
menos no ocidente. Qual é a concepção
católica romana tradicional? posição
oficial redigida no Concílio de Trento.
Lembrando que o Concílio de Trento é, de
certa forma, um movimento de
contrarreforma da Igreja Católica. A
reforma acontece simbolicamente ou mais
precisamente 1517 com Lutero e o
conselho de Trento acontece pouco
depois, a partir de 1545.
E nesse concílio se determinou alguns
princípios fundamentais. Quais são esses
princípios que permanecem em boa medida
até hoje? Primeiro, a transubstanciação.
Esse vai ser o termo que mais
precisamente caracterizará a compreensão
católica a respeito do significado da
ceia ou daquilo que está acontecendo no
ato da ceia. O que é transubstancia?
Na consagração dos elementos da ceia, ou
seja, o pão e o vinho, ocorre uma
mudança metafísica. As substâncias do
pão e do fim e do vinho transformam-se
na carne e no sangue de Cristo. Cristo
está plenamente presente em cada
partícula da hóstia.
Então, na teologia católica, na proposta
da Igreja Católica Romana Tradicional,
tem-se a compreensão que os elementos da
ceia, no ato da consagração, se
transformam metafisicamente, ou seja,
não na sua forma, mas na sua essência,
no corpo literalmente de Cristo e no
sangue literalmente de Cristo. sua
forma. Se você pegar a hóstia, se você
fizer um teste físico químico com pão e
com vinho, você vai verificar, segundo a
explicação católica, que esses elementos
preservam a mesma estrutura e as mesmas
propriedades. Mas em sua essência, em
sua transformação metafísica, aquele pão
passou a ser o corpo de Jesus e aquele
vinho passou a ser o sangue de Jesus.
Então, o leigo, o fiel, e também o clero
ou o sacerdote que celebra a ceia, eles
estão literalmente comendo o corpo de
Cristo e comendo, tomando o sangue de
Cristo no momento em que participam do
pão e do vinho. O segundo princípio é o
ato sacrificial de Jesus. Na missa, um
sacrifício real é novamente oferecido
por Cristo em favor dos adoradores, no
mesmo sentido da crucificação.
Tradicionalmente, o que a teologia
católica apresenta é que toda vez que a
ceia ou a Eucaristia, termos
equivalentes,
são celebrados no ato da missa, na no
ritou, na cerimônia da missa, o
sacrifício de Jesus, ele está sendo
realizado mais uma vez e de forma
equivalente naquele momento da
consagração e na participação dos
elementos.
Isso foi rediscutido nesse importante
concílio que aconteceu dentro da Igreja
Católica, que é o Concílio do Vaticano
II. Mantém-se a compreensão da
transubstanciação,
mantém-se a concepção ou a compreensão
do ato sacrificial. Toda ceia é
novamente
a
um ato sacrificial de Jesus, mas a
compreensão na forma como esse ato
sacrificial acontece mudou. A ênfase
está que o sacrifício de Jesus feito há
2000 anos atrás, ele é único, ele é
suficiente e ele é poderoso para
realizar tudo aquilo que o sangue de
Cristo,
tudo aquilo para o qual o sangue de
Cristo foi derramado a fim de realizar.
Ele é suficiente nesse sentido, mas toda
vez que a ceia é celebrada, esse
sacrifício ele é trazido para o
presente. Os seus efeitos eles são
transportados do passado para o presente
nesse ato da ceia. Por isso eles
utilizam essa palavra ou esse termo em
um sentido técnico e bastante recorrente
na teologia católica após o concílio
Vaticano II de atualização. A ceia é
atualizada no sentido de trazer o poder
da ceia e o poder dos elementos
do corpo de Cristo e do sangue de Cristo
para o pão e o vinho no presente, por
meio desse ato sacrificial que está
sendo realizado novamente.
E o sacerdotalismo, apenas um sacerdote
devidamente ordenado pode consagrar a
hóstia. Sem ele, os elementos permanecem
meros pão e vinho. Então, a
transubstancia só acontece quando é um
sacerdote que realiza, um ministro
autorizado pela Igreja Católica, que
realiza esse ato celebrativo.
No ministério
tradicional, o cálice foi afastado dos
leigos. Ou seja, os leigos, eles só
participam
do pão, principalmente pelo perigo de o
sangue ser derramado, considerado um
sacrilégio. Se a Igreja Católica, os
fiéis e os sacerdotes acreditam que
aquele vinho passou a ser o sangue de
Jesus, então derramar o sangue de Jesus
no chão é um sacrilégio. Além disso,
também se explica que não haveria um
ganho real para o leigo em participar do
cálice, porque o sacerdote é um
representante do povo, é um
representante do leigo. Então, no
momento em que o sacerdote participa
desse sangue ou desse vinho que foi
transubstanciado em sangue, ele está
recebendo o benefício da participação no
sangue de Jesus. E por ser representante
do povo, ele está transferindo esse
benefício para o leigo.
Segunda concepção, que é a concepção
luterana. O que é que Lutero manteve da
compreensão católica? O corpo e o sangue
de Cristo estão fisicamente presentes
nos elementos, presentes em, com e sob o
pão e o vinho. Não que o pão e o vinho
se tornem corpo e sangue, mas que ambos
coexistem à presença simultânea. Então,
o corpo, perdão, o pão e o vinho não
deixam de ser pão e vinho.
O pão e vinho passam a ser também corpo
de Cristo e sangue de Cristo. Sei que
parece muito semelhante, mas a ideia de
Lutero foi de se afastar dessa
compreensão de uma transformação e
equivalência absoluta entre o pão e o
vinho com o corpo e o sangue de Jesus.
Não é literalmente
o corpo e o sangue que estão sendo
comidos naquilo, mas o corpo, o pão e o
vinho, eles coexistem no ato da
consagração com o corpo e o sangue de
Jesus. Lutero usou a analogia de uma
barra de ferro aquecida no fogo. O ferro
não deixa de existir quando o fogo o
interpenetra.
posição essa que passou a ser conhecida
como consubstanciação.
Então, permanece um elemento muito
próximo da compreensão católica naquilo
que foi a posição de Lutéo, de que de
fato nós estamos participando do corpo e
do sangue de Jesus, mas ao mesmo tempo
que estamos comendo de fato pão e vinho.
Na interpretação católica, você não está
comendo pão e você não está tomando
vinho. Você está comendo o corpo de
Cristo e você está tomando o sangue de
Jesus. E na compreensão ou concepção
luterana, você está fazendo as duas
coisas ao mesmo tempo. Mas para ser
claro o mais explícito que posso ser,
existe sim a compreensão de que a pessoa
também está comendo literalmente o corpo
e o sangue, tomando do sangue de Jesus
no ato da ceia. O que é que Lutero
rejeitou? A transubstanciação. As
moléculas não são transformadas. aquilo
que a gente falou que na forma, de
acordo com a concepção católica,
o pão e o vinho permanecem o mesmo, que
é no sentido de a composição química do
pão, a composição química do vinho
permanecem a mesma, mas ao mesmo tempo
em cada átomo, em cada molécula da
hóstia, em cada molécula desse vinho,
está o corpo de Jesus, a carne e o
sangue. Isso Lutero rejeitou. As
moléculas não são transformadas.
A Lutero também rejeitou a missa como um
sacrifício. Nesse sentido, a distinção é
mais fácil de entender. Cristo morreu de
uma vez por todas e nós não estamos
repetindo o sacrifício de Jesus, nem
mesmo nesse sentido da atualização que o
Concílio do Vaticano II propôs no
momento em que nós celebramos a ceia.
Ele também rejeitou o sacerdotalismo. A
presença de Cristo depende de seu poder,
não do sacerdote. Ou seja, aquilo que é
a eficácia
da ceia não está presente na pessoa que
celebra, mas naquilo que está sendo
celebrado ou no Cristo que está presente
nos elementos da ceia.
Em relação aos efeitos, o que é que uma
pessoa recebe quando ela está sendo
abrando a ceia? Lutero fez afirmações
variadas. Quanto ao benefício, Lutero
insistia que o crente recebe perdão e
confirmação da fé, mas esse benefício
deve-se à recepção da palavra pela fé.
É como se a ceia fosse um ato de
proclamação. O sujeito é abençoado pela
ceia da mesma forma como ele é abençoado
quando ele recebe a palavra de Deus. E
aqui o P maiúsculo para representar a
presença pessoal de Cristo na palavra
que é comunicada pela exposição das
Escrituras com o P minúsculo. Então, a a
ceia abençoa
de uma forma semelhante aquilo que o
compartilhamento da palavra abençoa. Já
em outros momentos e em outras
afirmações,
Lutero parece haver eh transmitido a
ideia de que há uma bênção concreta, uma
bênção exclusiva no ato de realmente
comer do pão e beber do sangue de Jesus.
Essa bênção não poderia ser
experimentada de outra forma, que é a
ideia do sacramento. Por que que paraa
Igreja Católica
a ceia é um sacramento? Porque que para
o luteranismo seria o sacramento e em
certo sentido para a tradição reformada
também a seia o sacramento, porque ele
ou ela é um meio de graça. Por meio da
celebração da ceia, o crente, o fiel,
ele recebe uma bênção específica que não
poderia ser recebida por outros meios.
Então, a ceia é um sacramento e por ser
um sacramento, é um meio de graça. Ele
recebe bênção da parte de Deus, uma
bênção necessária, não facultativa, não
opcional, mas uma necessidade é suprida
por meio dessa bênção que vem na
celebração da ceia. Então a gente
percebe que ora Lutero parece
interpretar ceia como uma espécie de
proclamação, como uma espécie de bênção
semelhante a outras bênçãos. E ora, ele
trata muito claramente a ceia como uma
espécie de sacramento. O fiel e o
crente, ele recebe então essa bênção da
parte de Deus pelo ato de comer aqueles
elementos que estão sendo oferecidos na
celebração da ceia. A terceira
compreensão é a concepção reformada
calvinista. A concepção reformada
sustenta que Cristo está presente na
ceia, mas não de forma física ou
corpórea. Então essa discussão, eu a
concordo que não é a mais fácil
distinção que se pode estabelecer ou
não, não são os conceitos mais eh
distantes o suficiente para que a sua
compreensão seja imediata, que é essa
discussão entre transsubstancia e
cósubstanciação.
Mas na tradição reformada isso
desaparece porque Cristo está presente
na ceia, mas não de forma física e sim
de forma corpórea. Sua presença é
espiritual ou dinâmica. Então não
acontece nada com os elementos físicos.
Eles não estão sendo transformados em
outra coisa ou não está sendo adicionado
à aqueles elementos físicos eh uma outra
natureza. Mas sim Deus se faz presente
espiritualmente por meio do Espírito
Santo nos elementos ou no ato da ceia.
Qual é a ilustração que Calvino utilizou
para explicar isso? Ele fez uma analogia
com o sol. Cristo está presente como
influência. O sol permanece no céu, mas
o seu calor e luz estão presentes na
terra. De forma equivalente, o espírito
nos transmite a comunhão da carne e do
sangue de Cristo Jesus no ato da ceia.
Aqueles elementos, novamente, não estão
passando por nenhuma transformação
física, mas sim uma bênção espiritual
nos elementos e no ato da celebração da
ceia em si. E esses elementos têm um
efeito muito bem definido, que é a ceia
cela o amor de Cristo, dando certeza de
que as promessas da aliança são dos
crentes. Seja o crente, o fiel, aquele
que deposita sua fé em Jesus e participa
da ceia, segundo a tradição reformada,
ele passa a ter o seu coração selado com
essas convicções por participar da
celebração da ceia do Senhor. Então, a
ceia do Senhor tem um objetivo muito
específico, que é imprimir na
consciência, no coração, nas convicções
desse fiel, que ele de fato é parte
dessa aliança. E todas as promessas que
foram feitas para o povo da aliança são
promessas para ele. E a resposta desse
fiel é expressar sua fé em Cristo Jesus
como Salvador e obedecer tudo aquilo que
ele ordenou. Então essa é a dinâmica da
ceia ou esse é o efeito, o benefício na
participação da ceia?
Em último lugar, a tradição reformada
reafirma muito claramente que o efeito
do sacramento depende em grande parte da
fé e da receptividade do participante.
Não é automático e não é mecânico. Ou
seja, esse efeito de selar as convicções
a respeito da promessa e da participação
na aliança não acontece simplesmente
pelo ato mecânico de comer o pão e beber
o vinho ou suco de uva, mas sim por meio
dessa
eh correspondência
interior ao ato que está sendo feito no
exterior.
A quarta concepção que é a zuingliana,
a concepção de Urir Zuinglio entende a
ceia do Senhor como uma comemoração, um
memorial da morte de Cristo e um ato
público de lembrança da obra redentora
já consumada. A palavra chave aqui nessa
concepção é memória. É um memorial. é
uma celebração de um fato que realmente
aconteceu. Mas aquilo que estamos
fazendo nesse momento ao celebrarmos a
ceia é trazer à memória aquilo que já
aconteceu no passado e que tem todos os
efeitos para o presente. O seu valor, o
valor da participação na ceia, não está
em uma presença real de Cristo no pão e
no vinho, mas em receber pela fé os
benefícios da morte de Cristo. Aqui
existe uma diferença em relação às três
concepções anteriores: católica,
luterana e reformada. Porque o corpo de
Cristo não está presente de uma forma
substitutiva dos elementos da ceia, que
é a transubstanciação.
Não está presente simultaneamente
a
presença física dos elementos da ceia,
que é com substanciação.
E não está presente. Cristo não está
espiritualmente presente nos elementos
da ceia. Cristo está presente no seu
corpo. Que Cristo está presente
na vida e no espírito ou por meio do
Espírito Santo, na vida de cada um que
celebra a ceia a partir e junto com o
corpo de Cristo. Mas esses elementos têm
a função de trazer a memória aquilo que
foi realizado no sacrifício de Jesus e
não representar uma presença especial de
Jesus, seja física ou espiritual. Assim,
a seia fortalece a confiança do crente
nas promessas do evangelho. Esse é o
efeito esperado. A ceia fortalece a
confiança do crente nas promessas do
evangelho e reafirma a comunhão da
comunidade com o Salvador ausente
corporalmente, mais anunciado na fé.
Para Zuinglio, o efeito da ceia não
difere em sua natureza do efeito de um
sermão, de uma mensagem. Ambos são
formas de proclamação da palavra. O
sermão anuncia Cristo pela pregação. A
ceia anuncia
Jesus pelos sinais visíveis instituídos
por ele. É como se a ceia fosse uma
pregação que não é feita pelo pastor ou
por qualquer outro ministro, mas é uma
pregação feita pelo corpo de Cristo e
não com palavras, mas principalmente
pelo ato concreto de comer do pão e
beber do vinho. E lembrando que até a
forma como nós celebramos isso hoje é
representativo da forma como
concretamente a igreja primitiva
realizada no primeiro século. Porque a
igreja primitiva tinha uma refeição que
era partilhada. E a minha compreensão de
Primeira Coríntios, capítulo 11, quando
se discute as condições em que a ceia
deveria acontecer, quem poderia
participar, quem não deveria participar,
é que Paulo enfatiza essa palavra de
Jesus, que nós deveríamos fazer tudo
isso até que ele voltasse e que nós
estamos anunciando a vida e a vinda de
Jesus pela segunda vez, justamente
porque fazemos isso como um corpo,
porque celebramos a ceia realizando uma
refeição. Isso fica fortemente
comprometido na maneira como hoje nós
realizamos a ceia, não tanto como uma
refeição, mas um rito dentro do culto,
um rito dentro da celebração. Mas esse
ato de compartilhamento da da mesa,
fazendo uma refeição em memória de
Jesus, tem esse papel de acordo com a
concepção zoingliana.
de comunicar o mundo que Cristo
estabeleceu a partir de partes
diferentes, etnias distintas, pessoas de
origens e a princípio propósitos muito
distintos, um só corpo. Então aqui nessa
compreensão
não se trata de o sacramento trazer
Cristo ao comungante, como a Igreja
Católica, Lutero e a tradição reformada
afirmam, mas de a fé do crente trazer
Cristo para a celebração do rito. O
movimento mudou. Não é Cristo que está
eh sendo trazido, ou não se trata de o
sacramento trazer Cristo ao comungante,
mas a fé do crente trazer Cristo para a
celebração do rito. Um resumo dessas
quatro concepções. A concepção católica
afirma a transubstanciação. Pão e vinho
tornam-se corpo e sangue de forma
literal. Luterana com substanciação, pão
e vinho contém corpo e sangue
fisicamente. Ainda existe literalidade,
mas não
substituiu, mas participa com reformada
ou a tradição calvinista, a presença
espiritual de Cristo é o que está nos
elementos da ceia. Os elementos eles
espiritualmente contém o corpo de Jesus.
E a concepção zoingliana, a ceia é uma
comemoração simbólica. Os elementos eles
representam o corpo e o sangue.
Boa parte dos batistas, eu diria que
todos os batistas, exceto os batistas
calvinistas,
se enquadram dentro dessa compreensão
zoingliana.
A, os batistas reformados estão entre
essa compreensão reformada e alguns
aspectos da compreensão zoegliana, mas
muito mais fortemente alinhados com a
compreensão calvinista a respeito da
ceia. Mas aquilo que veio da compreensão
Ana Batista e que depois influenciou boa
parte dos batistas é que a ceia é um
memorial. Então, ficaria nessa quarta eh
compreensão a respeito do significado,
dos efeitos que a ceia eh devem ter ou
devem ser compreendidas por parte da
igreja. [roncando] A presença de Cristo
lidando com os desafios que essas
diferentes posições nos colocam. O modo
mais natural de entender isto é o meu
corpo e isto é o meu sangue é no sentido
literal. Porém, a dificuldade, se a
gente entender que aqui nessa frase,
quando Jesus estabelece a ceia, Mateus
capítulo 26 e paralelos, eh há
dificuldades de se caminhar nessa
direção. O problema da localização.
Primeiro, se Jesus quisesse dizer que o
pão e o vinho eram sua carne e o seu
sangue naquele momento, ele estaria
afirmando que sua carne estava em dois
lugares ao mesmo tempo, negando sua
encarnação que limitava sua natureza
física em um só lugar. Ou seja, se é
Jesus que está dizendo literalmente que
aquele pão e aquele vinho se
transformaram
em sua carne e o seu sangue, isso seria
muito difícil de compreender
a partir dos limites que são impostos a
uma pessoa humana comum. E em certo
sentido, Jesus era uma pessoa humana
comum, porque no momento em que ele se
encarnou, ele se submeteu aos limites da
humanidade.
Então, existe esse problema da
localização. Se é Jesus que está
falando, não é Jesus que está naqueles
elementos que ele está segurando. Em
segundo lugar, dificuldades conceituais.
Como duas substâncias podem estar no
mesmo lugar que a compreensão luterana
ou como o sangue pode existir sem as
suas características físico-químicas de
sangue, que é a concepção católica. O
argumento baseia-se numa metafísica que
soa bastante difícil e pouco natural
para as mentes modernas.
A interpretação metafórica. Assim como
Jesus usou metáforas: "Eu sou o caminho,
eu sou a videira, isto é o meu corpo,
pode ser interpretado também, que é isso
que ele estava comunicando ao dizer que
isto é o meu corpo para o pão e isto é o
meu sangue para o vinho." A ideia é
dizer que isto representa o meu corpo,
assim como dizer que eu sou o caminho,
não estava dizendo que Jesus era uma
estrada carroçável ou uma pista
asfaltada. Obviamente que era no sentido
metafórico.
A estrada é uma imagem que revela algo a
respeito de quem eu sou. O pão
representa
algo
daquilo que a minha vida e o meu
sacrifício de fato é para vocês. Então,
existe uma utilização da linguagem
figurativa e metafórica para revelar o
significado daquilo que Jesus estava
apresentando para os seus discípulos.
sobre o problema da eficácia do rito, ou
seja, o que é que acontece quando alguém
participa da ceia? O benefício não é
automático. Isso é muito explícito no
texto de Primeira Coríntios, capítulo
11, porque Paulo afirma que muitos
coríntios que participavam da ceia
tornaram-se fracos doentes e alguns
morreram. O efeito depende da fé
demonstrada e da reação ao que se
apresenta no rito. Ou seja, não faz
muito sentido aquela compreensão
mecânica que muitos católicos e também
muitos protestantes possuem, que não
importa muito a maneira como você
caminha. Se você vai na missa ou se você
vai no culto em Igreja evangélica ou
protestante de forma geral, no dia de
seia, você tem o seus pecados perdoados,
você tem o seu corpo purificado, porque
você comeu daquele pedacinho de pão e
você tomou um pouquinho daquele vinho ou
daquele suco de uva.
É importante explicar o significado da
ceia toda vez que a ceia ela é
celebrada. E todo participante deve
examinar o seu próprio entendimento e
condição espiritual.
Sobre a simbologia da ceia, como é que a
gente então caminha para uma conclusão a
respeito do seu significado?
é um lembrete ou uma palavra, eu acho
que mais apropriada, é uma memória da
morte de Cristo e o do seu seu caráter
sacrificial e propiciatório. É um
símbolo de nossa dependência do Senhor e
ligação vital com ele. Por isso também a
necessidade de celebrar com
regularidade, com uma frequência
pré-estabelecida
ou com uma frequência considerável a
ceia, para que nós possamos lembrar que
nós somos sustentados pelo poder de
Jesus. Não fomos apenas salvos no
passado e esperamos uma recompensa no
futuro, mas nós temos uma dependência
dessa ação contínua de Jesus.
aponta para a segunda vinda de Cristo.
Quando nós fazemos isso, nós estamos
anunciando a vida e a vinda de Jesus e
simboliza a unidade dos crentes dentro
da igreja, o que é muito próximo ao
último ponto, que é reflete que o corpo
de Cristo é um corpo de Cristo. E eu
acho que o coração do significado da
ceia está na palavra unidade. Unidade
com Deus, unidade com Cristo Jesus.
Unidade com Deus por meio do sacrifício
do corpo e do sangue de Cristo Jesus e
unidade com o corpo de Cristo. Porque se
a gente entende que a ceia tem uma
eficácia principalmente individual, não
faria sentido essa insistência do texto
bíblico de dizer que ela deve ser
celebrada com a comunidade.
Nós não podemos participar da ceia
apenas como indivíduos, mas como corpo
de Cristo. Então, a palavra unidade,
nossa com Deus e nossa com o nosso irmão
na fé, está no coração do significado e
da simbologia da ceia. A ceia do Senhor
é um lembrete da morte de Cristo e de
seu caráter sacrificial em nosso favor,
um símbolo de nossa ligação vital com o
Senhor e um testemunho de sua segunda
vinda. Quem pode ministrar? Quem pode
receber? E quais são os elementos que
devem estar contemplados na ceia?
Primeiro, quem deve ministrar ou o
ministrador digno. As escrituras
fornecem pouquíssima informação a
respeito disso. A ceia, ela é confiada à
igreja. O que é que nós podemos eh
inferir a partir dos dados que são
explícitos eh e dos dados que também são
mais ah recorrentes no texto bíblico? é
que a ceia deve ser administrada pela
pessoa que tenha o reconhecimento da
igreja como uma pessoa que possa
conduzir aquelas pessoas ou servir de
exemplo para aquelas pessoas. Ao meu
ver, a partir da fonte que eu consultei
para realizar essa aula, mas a minha
interpretação do texto bíblico, aquilo
que consigo ver mais claramente é que
não há necessidade que seja um pastor,
que seja um membro do clero, um
sacerdote, no caso da Igreja Católica,
que realize a ceia. Se essa pessoa é
membro da comunidade e é reconhecido
pela comunidade como alguém que é também
digno de confiança, que tenha um
exemplo, que que tenha uma vida que seja
exemplo para os seus irmãos, essa pessoa
ela pode celebrar a ceia. É claro que é
uma medida coerente das igrejas a fim de
evitar um comportamento excessivamente
permissivo no meio da comunidade, que
aquele que recebe a função de liderar a
igreja seja aquele que celebra a ceia.
Eu entendo isso até como precaução para
que qualquer pessoa pense que ele está
apto para celebrar a ceia, quando na
verdade talvez ele não estivesse apto
nem para participar daquele momento. Mas
sendo direto e explícito, o texto
bíblico não apresenta nenhum texto em
que exige que a ceia seja celebrada por
um pastor.
quem deve receber
os elementos da ceia ou participar da
celebração da ceia. Aqui é um ponto em
que a gente vai dedicar um pouquinho
mais de atenção. Os pré-requisitos
inferidos são um relacionamento pessoal
com Deus, crença genuína em Cristo e
maturidade suficiente para discernir o
corpo. poderia poderia ter uma aula
inteira falando sobre o significado de
discernir o corpo, que é a expressão
fundamental que Paulo está apresentando
no texto, que determina quem pode e quem
não pode participar da ceia, que é
Primeira Coríntios, capítulo 11.
A igreja deve afastar do rito ou do
sacramento, no caso das tradições que
entendem que assim é o sacramento, quem
esteja em pecado flagrante, isso
significa um pecado que é de
conhecimento da igreja ou pelo menos de
parte da liderança e que não tem
arrependimento por parte daquele que
pecou. questão é saber quem foi que
pisou na bola durante a semana ou que
fez alguma coisa que acha que ainda não
tratou adequadamente, ainda que
todas essas situações exijam o cuidado,
a questão principal a respeito da
disciplina que implica na no afastamento
da participação da ceia é uma pessoa que
está em pecado, que não reconhece o seu
pecado e que precisa ser tratado pela
comunidade e pela liderança. da
comunidade como alguém que deve ser
afastado da comunhão dos santos. Eu
acredito que o texto de Primeira
Coríntios, capítulo 5, aquele homem que
se deitou com a sua própria madrasta e
Paulo está recomendando que ele seja
afastado da comunhão da igreja, é o que
está em vista aqui. Não é simplesmente
porque qualquer pessoa cometeu uma falha
ou um equívoco que ela deve ser afastada
da participação da ceia.
Eh, mas como é que as igrejas elas
entendem isso na prática? Existem quatro
maneiras diferentes em que
tradicionalmente as igrejas elas se eh
entendem ou que elas se
encaixam nessa separação a respeito da
compreensão sobre quem pode ou não pode,
quem deve ou não deve participar da
seia.
Quais são essas formas de entendimento?
A ceia ultra livre, livre, restrita e
ultra restrita. Na ultra restrita
são só os membros oficiais daquela
igreja local que podem participar da
ceia. Então, se a IBNU fosse uma igreja
de posicionamento ultra restrito, apenas
quem é membro da IBNU, nem visitante,
nem quem está congregando aqui, pode
participar, mas apenas os membros
oficialmente estabelecidos no R de
membros é que tem direito de participar.
Na ceia restrita são apenas os membros
daquela denominação, aquilo que muitas
vezes em uma igreja batista é comunicado
por meio da expressão da mesma fé e
ordem. Então, todas as pessoas que estão
ali na igreja, quando ouvem a instrução,
devem entender que se eu sou membro
dessa igreja ou sou membro de outra
igreja batista, no caso de uma igreja
batista,
eh, é que estão autorizados a participar
da ceia. Se você faz, recebe essa
orientação, faz parte de uma igreja da
Assembleia de Deus ou da denominação
Assembleia de Deus, o significado
semelhante é apenas quem é membro
daquela igreja local ou parte da
denominação é que pode participar da
ceia. Na ceia livre, o reconhecimento é
de todos aqueles que foram inseridos no
corpo de Cristo e declararam ou pelo
menos que declararam publicamente sua fé
em Cristo Jesus.
e que se depreende que essas pessoas de
fato são eh parte do corpo de Cristo. É
claro que a gente não tem condições de
verificar se junto com a confissão
pública de fé em Jesus existe convicção
autêntica no coração. Mas aquilo que a
gente eh pode verificar se essa pessoa
se declara publicamente como seguidor de
Jesus.
Então, numa igreja que celebra a ceia de
forma livre, dá-se a orientação no
momento da celebração que todo aquele
que com a sua boca confessou que Jesus
Cristo é o Senhor e coração, creio que
Deus ressuscitou dentre os mortos, essa
pessoa parte da igreja, se essa pessoa
já foi batizada como sinal da sua
declaração pública de fé, então essa
pessoa pode e deve celebrar a ceia. Na
ceia ultra livre, todas as pessoas podem
participar.
Cada um sabe de si mesmo, cada um sabe
do que crê e do que não crê. Eh, e a
ceia é vista como um ato de comunhão
para aqueles que fazem parte da igreja
de Cristo, do corpo de Cristo, mas é
também um ato de proclamação. Por
proclamação,
a interpretação ultra livre compreende
que mesmo que a pessoa ainda não tenha
fé em Cristo Jesus e que a pessoa não
tenha obviamente sido batizada como
consequência da sua declaração pública
de fé, participar da ceia é ser
abençoado por aquele momento. estar mais
próximo do corpo de Cristo e poder
participar da bênção que é estar próximo
à presença de Cristo que se manifesta
por meio do seu corpo. Então, na
compreensão ultra livre, todas as
pessoas elas são orientadas a participar
da ceia. E os elementos.
A gente deve fazer a ceia com pão e
vinho, e é pão sem fermento. E vinho do
ponto de vista mais óbvio da palavra
vinho, que é a bebida da videira
fermentada, ou seja, o vinho que contém
álcool. Ou isso pode ser a representação
da representação. O pão sem fermento que
estava lá na Páscoa que Jesus celebrou
com seus discípulos pode ser
representado por um pão levedado e o
vinho com teor alcoólico pode ser
substituído pelo suco de uva. Também
depende. Existem algumas tradições que
acreditam que esses elementos precisam
ser preservados. É preciso duplicar essa
refeição original que Jesus celebrou com
seus discípulos. Nesse caso, é pão sem
fermento e é vinho de fato. Se for
preservar o simbolismo, o significado,
então não tem problema usar um pão comum
e um suco de uva.
Agora, substitutos sem uma justificativa
mais clara e profunda, como, por
exemplo, querer celebrar se é com batata
frita e refrigerante, é algo que não faz
muito sentido. é algo que se distancia
tanto da sua condição original que até a
memória da maneira como aquilo foi
celebrado e consequentemente do
significado daquilo fica prejudicada,
porque a atenção está dado mais a à
força ou a criatividade da inovação do
que propriamente aqueles elementos que
foram utilizados na Páscoa como
estabelecida por Jesus. Tá bom?
Bom, ah, só um parênteses aqui, algumas
pessoas eh chamam atenção que algumas
regiões até é difícil conseguir até
mesmo suco de uva, que não é tradição
daquelas pessoas comer pão. Então, como
você quando você vai para regiões muito
remotas de floresta ou coisa assim, faz
sentido substituir, por exemplo, o suco
de uva por um outro suco natural ou
algum outro elemento qualquer, eh, que
seja um substituto daquilo que em muitos
lugares é celebrado com vinho ou com
suco de uvo. Nesse sentido, eu vejo que
não é incoerência da parte desses irmãos
se celebrar a ceia com outros elementos
por uma limitação própria da geografia.
Quanto de ceia deve ter em um mês ou em
uma semana ou com que regularidade a a
ceia deve ser realizada? Não há
declarações didáticas explícitas nas
escrituras sobre a frequência,
embora seja possível que na igreja
primitiva fosse semanal. Aqui nós temos
mais informações
do primeiro século e indiretas ou até
mesmo informações mais eh tardias a
respeito da prática da igreja que
reconstrem essa condição que
provavelmente a igreja primitiva possuía
de celebrar a ceia semanalmente. A a
decisão deve basear-se em princípios
bíblicos e considerações práticas.
Primeiro, um equilíbrio necessário. A
ceia deve ser observada com uma
frequência suficiente para evitar longos
intervalos de reflexão sobre o seu
sentido, sobre as suas verdades, mas não
deve ser feita com tanta frequência que
se torne trivial ou rotineiro. A gente
chega aqui no culto, a gente tem um
momento de abertura, algumas músicas,
uma palavra e logo depois é a ceia.
Então, a ceia é uma liturgia
com uma recorrência tão elevada que se
torna algo mecânico e puramente
rotineiro e com isso se perde no seu
significado. Claro que existe aqui uma
discussão sobre liturgia. As pessoas que
fazem parte de tradições mais litúrgicas
poderiam argumentar que qualquer
elemento repetitivo, qualquer elemento
que se faça numa frequência elevada,
como por exemplo, uma vez por semana,
corre o risco de ser interpretado pelo
fiel, pelo membro da igreja como uma
celebração rotineira, novamente, como um
elemento mecanizado
dado adoração. Então, as músicas, a
leitura da palavra, a mensagem correm o
mesmo risco que uma ceia que é feita
semanalmente. E eu concordo com esse
argumento. Então, tudo depende daquilo
que, na prática aquela comunidade ou
aquela denominação, aquela liderança
percebeu que
eh na realidade da sua igreja e da sua
comunidade, a frequência X, ela
alcançava da melhor forma esse objetivo
de trazer a memória, se for dentro de
uma tradição zoingliana seia, de trazer
a memória. com isso
reforçar ou renovar a fé daqueles que
participam da ceia, os efeitos do
sacrifício de Jesus. Mas é sempre
preciso esse exercício consciente de
buscar um ponto de equilíbrio, de não
ser espaçado demais para que os efeitos
da ceia não se tornem muito incomuns,
não se tornem muito distantes da memória
e do coração das pessoas e não seja
frequente demais para que fique diluído
o significado disso.
e
a participação livre. Talvez seja bom a
igreja oferecer a ceia. A miúde aqui foi
uma palavra que escapou. eh oferecer a
ceia com regularidade, permitindo que
cada crente determine a frequência com
que participará dela. Na prática,
pessoal, essas questões sobre quem pode
ou quem não pode receber a ceia, a não
ser que seja uma igreja muito pequena e
que seja uma igreja que adote essa
posição ultra restrita, a decisão de
participar ou não da ceia é do membro, é
do visitante, é da pessoa que está
congregando daquela igreja.
Não se tem, pelo menos em boa parte dos
contextos em que eh eu pude presenciar a
celebração da ceia, um controle por
parte, seja da liderança, seja daquelas
pessoas que estão distribuindo os
elementos da ceia, sobre a vida daquela
pessoa que está pegando o cálice e o
pão, sobre a última vez que ela
participou de uma ceia. Então, a o peso
recai muito mais sobre a pessoa que
decide participar da ceia do que
propriamente a decisão daquela
comunidade ou daquela liderança.
A ceia do Senhor, ministrada de modo
adequado, é um canal para inspirar a fé
e o amor do crente, à medida que ele
reflete sobre a maravilhosa ou sobre a
maravilha da morte do Senhor e sobre o
fato de que os crentes creem nele, os
crentes que creem nele terão vida
eterna. Bom, pessoal, a gente vai parar
por aqui. Esse foi o conteúdo que eu
separei pra gente poder conversar hoje.
E se tivermos ainda alguma pergunta,
alguma observação de vocês, a gente vai
poder compartilhar juntos aqui. Deixa eu
ver lá no comecinho. Antes mesmo de
começar a explicação, a Carla fez a
pergunta, a seguinte pergunta: de onde
vieram os conceitos de transubstancia e
consubstancia?
com substanciação, foi uma reação à
transsubstanciação. A transubstancia ela
foi formalizada dentro da teologia
católica a partir do concílio de Trento.
Então, ainda que isso pudesse ter sido
celebrado antes com essa compreensão,
isso se tornou oficial a partir eh do
final do século X, tá bom?
E a consubstancia veio com o
desenvolvimento do luteranismo depois de
1517.
Deixa eu ver. Deixa eu ver,
a as crianças podem participar da ceia
do Senhor? Essa é uma pergunta muito
boa. Respondendo de uma perspectiva
batista, que é aquilo que eh nós
celebramos na IBNU e aquilo que
caracteriza a denominação batista. A
resposta é não. E de regra, nós não
celebramos a ceia com as crianças porque
essas crianças ainda não foram
batizadas.
E nós não batizamos criança porque
entendemos que ela ainda não possui uma
maturidade no seu discernimento, na sua
consciência, na sua capacidade de
decisão para tomar uma decisão tão
importante como essa de depositar sua fé
em Cristo Jesus. Como a compreensão
dentro da tradição batista é que
participam da ceia aqueles que realmente
creem em Cristo Jesus.
e que professam essa fé publicamente. Ou
seja, aqueles que além de confessar com
as palavras, confessam com o ato do
batismo. Então, a consequência é que as
crianças elas não participam da ceia.
Significa que no momento ali da
celebração da ceia, uma criança que foge
do controle do pai, escapole da mãe,
pega um pão, bebe um cálice, está sob
condenação espiritual. Claro que não.
Nós entendemos que a ceia é um ato
memorial, assim como aquele que
participa de forma válida da ceia não
recebe uma bênção especial pelo elemento
do pão ou pelo elemento do vinho, como
se esses elementos tivessem um poder em
si mesmo. Assim também uma criança ou
uma pessoa que come aquilo sem uma clara
consciência daquilo não será prejudicada
por esses elementos. A minha compreensão
da condenação que Paulo está falando em
Primeira Coríntios 11 é de outra
natureza. É uma pessoa que tem
compreensão e conhecimento a respeito do
significado da ceia e que trata aquilo
com descaso, aquilo que faz pouco caso
do próprio corpo de Cristo que foi
crucificado e que está sendo lembrado no
momento da ceia. Então, nós entendemos
que esse é o momento reservado para
aqueles que já alcançaram a maturidade
suficiente para tomar essa decisão.
Deixar as crianças provarem do pão e do
suco após o culto
para sábado é aconselhável. Eu não sei
se Eu acho que é para saber, né, Carla?
Acho que aqui é deixar as crianças
provarem do pão e do suco após o culto
para saberem é aconselhável?
Eu acredito que sim. Eu acho muito
natural e um impulso saudável das
crianças que ao perceberem os seus pais,
ao perceberem as outras pessoas da
comunidade, participando daquele ato
celebrativo e entendendo que aquilo tem
um valor muito grande para aquelas
pessoas, que elas queiram participar
daquilo, dada a instrução adequada, dada
a instrução correta e depois que o culto
terminou, que aquele ato foi celebrado,
a criança poder comer do pão e beber
daquele cálice, eh, eu acho
completamente ente válido, porque a
nossa visão não é sacramental ou em
especial da transubstanciação. No
momento em que o sacerdote na Igreja
Católica oferece aqueles elementos a
Deus, aquilo passa a ser o corpo e o
sangue de Cristo. Por isso que não pode
ser derramado no chão, não pode ser
bebido ou tocado por qualquer pessoa. É,
mas na nossa compreensão da seia como
memorial, eu acredito que essa separação
é importante do momento e daquilo que
está sendo celebrado, da explicação dos
mais velhos e mais maduros para as
crianças a respeito daquilo, mas depois
que elas possam comer daquele pão e e
daquele cálice como curiosidade ou até
como uma maneira indireta de se sentir
participante daquilo, eu acho que é uma
etapa pedagógica válida. permitida, né?
Ah,
acredito que não temos outras perguntas
aqui de vocês a respeito da ceia e
geralmente é porque a aula não foi muito
provocativa. Quando a aula não é
provocativa é porque não tem pergunta.
Então, recai sobre mim essa
responsabilidade.
Eh, temos outra observação aqui. O que
entende que é princípio de salvação e
seia do Senhor? João 6:54.
Quem come carne e bebe o meu sangue tem
a vida eterna e eu o ressuscitarei no
último dia. Eu acredito, Charles, que
isso do que está sendo tratado, eh, isso
que está sendo tratado em João capítulo
6, em parte está sendo tratado
metaforicamente com a palavra comer da
carne e beber do sangue. Pelos motivos
que nós explicamos ao longo da aula. Não
acredito que seja o ato literal de comer
a carne e beber o sangue está
acontecendo no momento de celebração da
ceia, mas reflete
um fato e uma realidade concreta.
concreta no sentido de o espírito que
temos, que é um espírito real, um
espírito que foi criado por Deus, é
agora habitado pelo Espírito Santo. E
isso significa que fomos inseridos no
corpo de Cristo. Essa não é uma
realidade visível. É aquilo que a gente
tratou em aulas anteriores sobre igreja
visível e e igreja invisível. Nós fomos
inseridos no corpo de Cristo. Nós fomos
inseridos nessa igreja com I maiúsculo,
na igreja invisível, no povo de Deus. E
isso é
consequência do fato de termos sido
participantes do sangue e do corpo de
Jesus. Nós fomos identificados com
Cristo no nosso batismo. Assim como
fomos identificados com ele na sua
morte, também seremos identificados com
ele na sua ressurreição. Ele já
ressuscitou, mas nós não ressuscitamos,
pelo menos em corpo ainda, ainda que já
tenhamos sido feitas, tornados novas
criaturas. Então, a comer da carne e
beber do sangue significa essa
identificação com Jesus. No momento em
que nós depositamos a nossa fé em Jesus,
nós recebemos o Espírito Santo e nós
somos parte daquilo que Jesus é ou de
quem Jesus é. É isso que nós queremos
dizer ou é isso que nós cremos quando
afirmamos que somos parte do corpo de
Cristo? O corpo de Cristo não é um
ajuntamento de pessoas que pertencem a
Cristo apenas. Corpo de Cristo é uma
imagem para dizer que nós estamos
conectados diretamente à pessoa de
Jesus.
Quem Jesus é de certa forma é também
quem nós somos. E quem nós somos é de
certa forma quem Jesus é. Então, eh, eu
acredito que é isso que está contemplado
nessa imagem. Essa explicação toda não
tem uma fração da força que possui a
metáfora utilizada por Jesus. Quem come
a minha carne e bebe o meu sangue tem a
vida eterna e eu ressuscitarei no último
dia. Se nós não entendermos isso do
ponto de vista metafórico, comer e
beber, todas as outras imagens
utilizadas por Jesus para falar sobre si
mesmo também precisam ser interpretadas
do ponto de vista literal. Pelo menos é
assim que eu entendo uma interpretação,
uma hermenêutica coerente, em especial
do evangelho de João. O que significa
naquele diálogo com a mulher samaritana
é que
rios fluirão de dentro dela, que uma
água brotará de dentro daquela mulher. A
gente pode entender isso do ponto de
vista literal? Claro que não. Então, eh,
é uma
metáfora para uma realidade, um fato
mais de dimensão espiritual.
Ah, vamos ver mais é o quê temos aqui.
O Charles colocou como comentário agora.
Sim, é metafórico, mas vejo como a regra
de salvação tem unidade em Cristo V,
Espírito Santo. Estou em pleno acordo.
Concordo perfeitamente com sua
observação, Charles.
A proibição de comer carne com sangue
teria alguma relação com o assunto da
ceia?
Bom,
eh, não na perspectiva do Novo
Testamento, porque esse é um aspecto
cerimonial que a gente entende que não
continua tendo validade para o período
neotestamentário, para o período após a
vinda de Jesus e a nova aliança que ele
estabelece.
Eh, mas em relação à ceia original, eu
acredito que não, porque originalmente
pão e ceia não representava eh carne e
sangue. Na ceia original, essa
nomenclatura não estava presente. Talvez
uma análise mais detalhada, Carla, sendo
muito honesto, essa é uma avaliação, um
estudo que eu ainda não fiz sobre o
PESA, né? A primeira Páscoa como
celebração do êxodo, da libertação do
Egito, possa ter alguma conexão também
com carne e sangue, corpo e sangue, mas
acredito que isso é muito improvável.
Ali está relacionado com uma refeição
que eles deveriam ter como sinal da
providência de Deus, tanto da
necessidade do povo de Israel que
comeria e beberia. e aquela seia onde
eles comem a carne do cordeiro
e uma lembrança dessa providência do
Senhor na salvação e na libertação do
povo que estava em cativeiro.
Mas a carne com sangue tem a ver no
Antigo Testamento com outros elementos,
né, ligados a, por exemplo, a ideia de
que a vida está no sangue. Então, de
alguma forma, você estaria
consumindo o a vida de um outro animal e
isso era proibido pela lei, isso era mal
visto. Ah, então mal visto acho que é
uma uma expressão muito atenuante, né?
Muito é é um eufemismo muito forte. Isso
é visto como algo abominável ali no
contexto do Antigo Testamento, né?
[roncando]
Bom, eu acredito que a maior parte eh
das perguntas foram respondidas. Deixa
eu ver. Apareceram outras perguntas
aqui.
A Fernanda faz a seguinte pergunta:
"Então, o símbolo de oferta vem de muito
tempo atrás, correto?
Eh,
bom, bom Fernando, eu confesso que eu
não entendi. Você colocou algumas
perguntas na sequência aqui, mas eu não
pude compreender muito bem. Professor
Milk Zedec, foi a oferta de Abraão com
ele. Então, o símbolo de oferta vem de
muito tempo atrás, correto? Bom, é
verdade. O símbolo de Melquizedec é
muito anterior, inclusive ao surgimento
da Torá e do sistema sacrificial que é
estabelecido depois da libertação do
povo de Israel do Egito. Eh, e nesse
encontro, Abraão oferece uma oferta a
Deus por meio de sacerdote, por meio de
Melquizeté, que é tratado como sacerdote
do Deus Altíssimo. E esse símbolo de
oferta é muito muito antigo, muito
anterior, inclusive ao estabelecimento
da primeira Páscoa. Mas eu a minha a
minha questão aqui é que eu não estou
vendo conexão com a ceia. Eh, eu não
acho que isso tenha uma relação direta
com os elementos do pão e do vinho,
Fernanda, que são estabelecidos na seia,
até porque pão e vinho não são ofertas
da nossa parte, né? são elementos do
sacrifício feito por Jesus, eh, e que
tem efeitos em nosso favor, mas isso não
significa que é uma oferta que nós
estamos oferecendo, né?
Bom, pessoal, ah, tem uma questão ou
outra talvez que tenha passado aqui da
minha atenção, mas espero que eu tenha
conseguido responder a maior parte das
dúvidas e esclarecer os pontos centrais
dessas várias tradições que estão
contempladas na ceia do Senhor, de
acordo com as explicações que vocês
viram aí a respeito da Igreja Católica,
Luterana, Calvinista e também da
tradição zoingliana. Muito obrigado pela
atenção de vocês. A gente reforça que
quinta-feira a gente muda a chave e
depois de dar esses fundamentos da
eclesiologia, a gente vai falar sobre
como isso está refletido em diferentes
modelos de igreja. Agora é que vai fazer
sentido o aspecto prático desse terceiro
módulo, tá bom? Então, a gente vai
começar falando com sobre uma igreja com
propósitos. Esse é o título do do livro
de Ricky Warren, mas é a apresentação de
um modelo de igreja que ganhou muita
visibilidade a partir da década de 90,
influenciou muitas igrejas no Brasil
também. Então, esperamos vocês na nossa
próxima aula, próximo encontro que é
quinta-feira que vem. E nós desejamos
então que o Senhor abençoe você, seus
estudos, a sua vida e a sua caminhada de
fé. Forte abraço a todos. Até o nosso
próximo encontro.

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