Makários – Eclesiologia | Aula 7 | A ceia é realmente necessária? Qual a forma correta? | Ákilla
30/09/2026
Makários – Eclesiologia | Aula 7 | A ceia é realmente necessária? Qual a forma correta? | Ákilla
Makários II
Módulo II – Eclesiologia: entendendo as diferentes propostas de igreja
Aula 07 – A ceia é realmente necessária? Qual a forma correta?
Ákilla Nascimento
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[música] [assobiando] [música] [assobiando] [música] เ เฮ [música] >> [música] [música] >> Olá, muito boa noite a todos que estão acompanhando aqui a nossa aula de hoje, a nossa sétima aula do módulo Marcários, o módulo de eclesiologia, entendendo as diferentes propostas de igreja do nosso curso de teologia Macários. É muito bom receber cada um de vocês aqui. Vou só ajustar minha posição para eu não pegar essa lâmpada estourando aqui em cima. Mas é bom receber cada um de vocês que chega aqui pro comecinho da nossa aula para quem tá acompanhando ao vivo e também para você que está assistindo em algum outro momento a nossa aula. Boa noite para você ou bom dia, boa tarde. É bom saber que tem algumas pessoas que já chegaram, que já deram o seu boa noite, que já estão falando de onde é que tão participando com a gente aqui. O Paulo que aqui da Ibni, mas está lá em Tapiratiba. Ah, temos a Fernanda que chegou cedo, a Ana Flora, Terezinha, a Carla. É muito bom ter vocês com a gente hoje. Inclusive a gente já tem perguntas no nosso chat. Espero poder responder parte dessas dúvidas ao longo da nossa aula de hoje. Tita também eh lá de Tabuna, gente aqui da zona leste de São Paulo. São todos bem-vindos. explicando um pouquinho aquilo que é a estrutura do nosso módulo e aquilo que vai acontecer eh nos próximos momentos aqui do nosso terceiro módulo do Macários nesse ano. Macários 2. Bom, a gente tá dividind, perdão, dividindo o nosso Macários em Macários 1, aquilo que fizemos no ano de 2025 e aquilo que é o Macários 2, aquilo que estamos fazendo em 2026. O Macário Zoom é um curso básico de teologia completo. Os três módulos que fizemos de doutrina, Bíblia e vida prática da igreja compõe aquilo que você vai encontrar em várias faculdades e seminários dentro da nomenclatura de curso básico de teologia. O Macários 2 é um conjunto também de três módulos, também com ênfase em doutrina, bíblia e vida prática da igreja. eh em um aprofundamento posterior àquilo que nós fizemos no curso básico de teologia. Por isso que são módulos um pouco mais avançados. Não significa que você precisa ter ampla formação em teologia para acompanhar, apenas que é uma sequência daquilo que nós fizemos no curso básico de teologia, tá bom? Dentro desse terceiro módulo, eclesiologia, em que nós estamos olhando paraa vida prática da igreja, nós estamos com um bloco de doutrina dentro do módulo de vida prática. Por quê? Porque a gente precisa saber quais são as diretrizes básicas a respeito da teologia ou as diferentes propostas de visão sobre esses temas que nós estamos tratando na teologia cristã para poder falar sobre aquilo que realmente é o nosso objetivo nesse módulo, que são os modelos ou as propostas de igreja. Então, próxima quinta-feira, depois de amanhã, a gente vai ter a primeira aula falando sobre modelos e propostas de igreja. A gente vai falar sobre igreja com propósito, que é uma forma de organização de igreja bastante conhecida. Hoje vai ser a nossa última aula do bloco de teologia, de doutrina, propriamente falando sobre a ceia do Senhor. Eh, então, a partir de quinta-feira, a gente começa esse segundo bloco e o nosso terceiro bloco vai falar sobre uma proposta de igreja, conforme aquilo que temos implementado na IBNU desde o seu nascimento, tá bom? Então, começando aqui a nossa conversa sobre, eu gostaria então de passar para o nosso conteúdo da aula de hoje. Que que acontece? A ceia é uma prática universal e isso é um ponto de unificação, mas também é um assunto que comporta ou que tem apresentado grande variedade de posicionamentos. Isso acaba se tornando um ponto de divisão. Ela é praticada virtualmente por todos os ramos do cristianismo, porque todos eles entendem que isso foi uma ordem explícita, expressa dada por Jesus desde a fundação da igreja. Mas há muitas interpretações sobre o significado, o que está acontecendo, quais são os seus efeitos, de que forma isso deve ser realizado, quem pode eh celebrar esse momento, quem pode receber os elementos da ceia. E esse é o nosso conteúdo da aula de hoje. Historicamente, esse assunto criou e continua criando separações ou separação entre vários grupos cristãos, sendo ao mesmo tempo um fator que une e divide a cristandade. E um lembrete muito óbvio, mas que merece ser feito, é que o aspecto do valor espiritual ou prático da ceia, em muitos casos, perdeu-se na disputa sobre aspectos teóricos teológicos. Não é suficiente nós compreendermos o significado da ceia. Nós também precisamos vivenciar esse significado. Isso aponta pra gente, espero que fique mais claro ao longo da nossa aula, em especial no final do argumento que apresentaremos nessa aula, que vivenciar o significado da ceia implica em ter uma postura de atenção, de zelo, de cuidado com o significado da ceia, mas em celebrar a unidade do corpo de Cristo. a unidade que o corpo de Cristo tem com o próprio Senhor Jesus. Então, é incoerente determinar profunda divisão no corpo de Cristo por questões secundárias, ainda que a ceia seja um aspecto central, obedecer e cumprir a ceia, dividir o corpo de Cristo devido a interpretações de questões secundárias ligadas à ceia, é um contrassenso, é uma incoerência muito gritante. Bom, nós vamos falar aqui sobre quatro concepções de ceia. Vai falar sobre a concepção católica romana tradicional, a concepção luterana, calvinista e zoingliana. Então a gente vai a partir de agora entender o que é que caracteriza essas principais interpretações que dominaram a maior parte do cristianismo, pelo menos no ocidente. Qual é a concepção católica romana tradicional? posição oficial redigida no Concílio de Trento. Lembrando que o Concílio de Trento é, de certa forma, um movimento de contrarreforma da Igreja Católica. A reforma acontece simbolicamente ou mais precisamente 1517 com Lutero e o conselho de Trento acontece pouco depois, a partir de 1545. E nesse concílio se determinou alguns princípios fundamentais. Quais são esses princípios que permanecem em boa medida até hoje? Primeiro, a transubstanciação. Esse vai ser o termo que mais precisamente caracterizará a compreensão católica a respeito do significado da ceia ou daquilo que está acontecendo no ato da ceia. O que é transubstancia? Na consagração dos elementos da ceia, ou seja, o pão e o vinho, ocorre uma mudança metafísica. As substâncias do pão e do fim e do vinho transformam-se na carne e no sangue de Cristo. Cristo está plenamente presente em cada partícula da hóstia. Então, na teologia católica, na proposta da Igreja Católica Romana Tradicional, tem-se a compreensão que os elementos da ceia, no ato da consagração, se transformam metafisicamente, ou seja, não na sua forma, mas na sua essência, no corpo literalmente de Cristo e no sangue literalmente de Cristo. sua forma. Se você pegar a hóstia, se você fizer um teste físico químico com pão e com vinho, você vai verificar, segundo a explicação católica, que esses elementos preservam a mesma estrutura e as mesmas propriedades. Mas em sua essência, em sua transformação metafísica, aquele pão passou a ser o corpo de Jesus e aquele vinho passou a ser o sangue de Jesus. Então, o leigo, o fiel, e também o clero ou o sacerdote que celebra a ceia, eles estão literalmente comendo o corpo de Cristo e comendo, tomando o sangue de Cristo no momento em que participam do pão e do vinho. O segundo princípio é o ato sacrificial de Jesus. Na missa, um sacrifício real é novamente oferecido por Cristo em favor dos adoradores, no mesmo sentido da crucificação. Tradicionalmente, o que a teologia católica apresenta é que toda vez que a ceia ou a Eucaristia, termos equivalentes, são celebrados no ato da missa, na no ritou, na cerimônia da missa, o sacrifício de Jesus, ele está sendo realizado mais uma vez e de forma equivalente naquele momento da consagração e na participação dos elementos. Isso foi rediscutido nesse importante concílio que aconteceu dentro da Igreja Católica, que é o Concílio do Vaticano II. Mantém-se a compreensão da transubstanciação, mantém-se a concepção ou a compreensão do ato sacrificial. Toda ceia é novamente a um ato sacrificial de Jesus, mas a compreensão na forma como esse ato sacrificial acontece mudou. A ênfase está que o sacrifício de Jesus feito há 2000 anos atrás, ele é único, ele é suficiente e ele é poderoso para realizar tudo aquilo que o sangue de Cristo, tudo aquilo para o qual o sangue de Cristo foi derramado a fim de realizar. Ele é suficiente nesse sentido, mas toda vez que a ceia é celebrada, esse sacrifício ele é trazido para o presente. Os seus efeitos eles são transportados do passado para o presente nesse ato da ceia. Por isso eles utilizam essa palavra ou esse termo em um sentido técnico e bastante recorrente na teologia católica após o concílio Vaticano II de atualização. A ceia é atualizada no sentido de trazer o poder da ceia e o poder dos elementos do corpo de Cristo e do sangue de Cristo para o pão e o vinho no presente, por meio desse ato sacrificial que está sendo realizado novamente. E o sacerdotalismo, apenas um sacerdote devidamente ordenado pode consagrar a hóstia. Sem ele, os elementos permanecem meros pão e vinho. Então, a transubstancia só acontece quando é um sacerdote que realiza, um ministro autorizado pela Igreja Católica, que realiza esse ato celebrativo. No ministério tradicional, o cálice foi afastado dos leigos. Ou seja, os leigos, eles só participam do pão, principalmente pelo perigo de o sangue ser derramado, considerado um sacrilégio. Se a Igreja Católica, os fiéis e os sacerdotes acreditam que aquele vinho passou a ser o sangue de Jesus, então derramar o sangue de Jesus no chão é um sacrilégio. Além disso, também se explica que não haveria um ganho real para o leigo em participar do cálice, porque o sacerdote é um representante do povo, é um representante do leigo. Então, no momento em que o sacerdote participa desse sangue ou desse vinho que foi transubstanciado em sangue, ele está recebendo o benefício da participação no sangue de Jesus. E por ser representante do povo, ele está transferindo esse benefício para o leigo. Segunda concepção, que é a concepção luterana. O que é que Lutero manteve da compreensão católica? O corpo e o sangue de Cristo estão fisicamente presentes nos elementos, presentes em, com e sob o pão e o vinho. Não que o pão e o vinho se tornem corpo e sangue, mas que ambos coexistem à presença simultânea. Então, o corpo, perdão, o pão e o vinho não deixam de ser pão e vinho. O pão e vinho passam a ser também corpo de Cristo e sangue de Cristo. Sei que parece muito semelhante, mas a ideia de Lutero foi de se afastar dessa compreensão de uma transformação e equivalência absoluta entre o pão e o vinho com o corpo e o sangue de Jesus. Não é literalmente o corpo e o sangue que estão sendo comidos naquilo, mas o corpo, o pão e o vinho, eles coexistem no ato da consagração com o corpo e o sangue de Jesus. Lutero usou a analogia de uma barra de ferro aquecida no fogo. O ferro não deixa de existir quando o fogo o interpenetra. posição essa que passou a ser conhecida como consubstanciação. Então, permanece um elemento muito próximo da compreensão católica naquilo que foi a posição de Lutéo, de que de fato nós estamos participando do corpo e do sangue de Jesus, mas ao mesmo tempo que estamos comendo de fato pão e vinho. Na interpretação católica, você não está comendo pão e você não está tomando vinho. Você está comendo o corpo de Cristo e você está tomando o sangue de Jesus. E na compreensão ou concepção luterana, você está fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. Mas para ser claro o mais explícito que posso ser, existe sim a compreensão de que a pessoa também está comendo literalmente o corpo e o sangue, tomando do sangue de Jesus no ato da ceia. O que é que Lutero rejeitou? A transubstanciação. As moléculas não são transformadas. aquilo que a gente falou que na forma, de acordo com a concepção católica, o pão e o vinho permanecem o mesmo, que é no sentido de a composição química do pão, a composição química do vinho permanecem a mesma, mas ao mesmo tempo em cada átomo, em cada molécula da hóstia, em cada molécula desse vinho, está o corpo de Jesus, a carne e o sangue. Isso Lutero rejeitou. As moléculas não são transformadas. A Lutero também rejeitou a missa como um sacrifício. Nesse sentido, a distinção é mais fácil de entender. Cristo morreu de uma vez por todas e nós não estamos repetindo o sacrifício de Jesus, nem mesmo nesse sentido da atualização que o Concílio do Vaticano II propôs no momento em que nós celebramos a ceia. Ele também rejeitou o sacerdotalismo. A presença de Cristo depende de seu poder, não do sacerdote. Ou seja, aquilo que é a eficácia da ceia não está presente na pessoa que celebra, mas naquilo que está sendo celebrado ou no Cristo que está presente nos elementos da ceia. Em relação aos efeitos, o que é que uma pessoa recebe quando ela está sendo abrando a ceia? Lutero fez afirmações variadas. Quanto ao benefício, Lutero insistia que o crente recebe perdão e confirmação da fé, mas esse benefício deve-se à recepção da palavra pela fé. É como se a ceia fosse um ato de proclamação. O sujeito é abençoado pela ceia da mesma forma como ele é abençoado quando ele recebe a palavra de Deus. E aqui o P maiúsculo para representar a presença pessoal de Cristo na palavra que é comunicada pela exposição das Escrituras com o P minúsculo. Então, a a ceia abençoa de uma forma semelhante aquilo que o compartilhamento da palavra abençoa. Já em outros momentos e em outras afirmações, Lutero parece haver eh transmitido a ideia de que há uma bênção concreta, uma bênção exclusiva no ato de realmente comer do pão e beber do sangue de Jesus. Essa bênção não poderia ser experimentada de outra forma, que é a ideia do sacramento. Por que que paraa Igreja Católica a ceia é um sacramento? Porque que para o luteranismo seria o sacramento e em certo sentido para a tradição reformada também a seia o sacramento, porque ele ou ela é um meio de graça. Por meio da celebração da ceia, o crente, o fiel, ele recebe uma bênção específica que não poderia ser recebida por outros meios. Então, a ceia é um sacramento e por ser um sacramento, é um meio de graça. Ele recebe bênção da parte de Deus, uma bênção necessária, não facultativa, não opcional, mas uma necessidade é suprida por meio dessa bênção que vem na celebração da ceia. Então a gente percebe que ora Lutero parece interpretar ceia como uma espécie de proclamação, como uma espécie de bênção semelhante a outras bênçãos. E ora, ele trata muito claramente a ceia como uma espécie de sacramento. O fiel e o crente, ele recebe então essa bênção da parte de Deus pelo ato de comer aqueles elementos que estão sendo oferecidos na celebração da ceia. A terceira compreensão é a concepção reformada calvinista. A concepção reformada sustenta que Cristo está presente na ceia, mas não de forma física ou corpórea. Então essa discussão, eu a concordo que não é a mais fácil distinção que se pode estabelecer ou não, não são os conceitos mais eh distantes o suficiente para que a sua compreensão seja imediata, que é essa discussão entre transsubstancia e cósubstanciação. Mas na tradição reformada isso desaparece porque Cristo está presente na ceia, mas não de forma física e sim de forma corpórea. Sua presença é espiritual ou dinâmica. Então não acontece nada com os elementos físicos. Eles não estão sendo transformados em outra coisa ou não está sendo adicionado à aqueles elementos físicos eh uma outra natureza. Mas sim Deus se faz presente espiritualmente por meio do Espírito Santo nos elementos ou no ato da ceia. Qual é a ilustração que Calvino utilizou para explicar isso? Ele fez uma analogia com o sol. Cristo está presente como influência. O sol permanece no céu, mas o seu calor e luz estão presentes na terra. De forma equivalente, o espírito nos transmite a comunhão da carne e do sangue de Cristo Jesus no ato da ceia. Aqueles elementos, novamente, não estão passando por nenhuma transformação física, mas sim uma bênção espiritual nos elementos e no ato da celebração da ceia em si. E esses elementos têm um efeito muito bem definido, que é a ceia cela o amor de Cristo, dando certeza de que as promessas da aliança são dos crentes. Seja o crente, o fiel, aquele que deposita sua fé em Jesus e participa da ceia, segundo a tradição reformada, ele passa a ter o seu coração selado com essas convicções por participar da celebração da ceia do Senhor. Então, a ceia do Senhor tem um objetivo muito específico, que é imprimir na consciência, no coração, nas convicções desse fiel, que ele de fato é parte dessa aliança. E todas as promessas que foram feitas para o povo da aliança são promessas para ele. E a resposta desse fiel é expressar sua fé em Cristo Jesus como Salvador e obedecer tudo aquilo que ele ordenou. Então essa é a dinâmica da ceia ou esse é o efeito, o benefício na participação da ceia? Em último lugar, a tradição reformada reafirma muito claramente que o efeito do sacramento depende em grande parte da fé e da receptividade do participante. Não é automático e não é mecânico. Ou seja, esse efeito de selar as convicções a respeito da promessa e da participação na aliança não acontece simplesmente pelo ato mecânico de comer o pão e beber o vinho ou suco de uva, mas sim por meio dessa eh correspondência interior ao ato que está sendo feito no exterior. A quarta concepção que é a zuingliana, a concepção de Urir Zuinglio entende a ceia do Senhor como uma comemoração, um memorial da morte de Cristo e um ato público de lembrança da obra redentora já consumada. A palavra chave aqui nessa concepção é memória. É um memorial. é uma celebração de um fato que realmente aconteceu. Mas aquilo que estamos fazendo nesse momento ao celebrarmos a ceia é trazer à memória aquilo que já aconteceu no passado e que tem todos os efeitos para o presente. O seu valor, o valor da participação na ceia, não está em uma presença real de Cristo no pão e no vinho, mas em receber pela fé os benefícios da morte de Cristo. Aqui existe uma diferença em relação às três concepções anteriores: católica, luterana e reformada. Porque o corpo de Cristo não está presente de uma forma substitutiva dos elementos da ceia, que é a transubstanciação. Não está presente simultaneamente a presença física dos elementos da ceia, que é com substanciação. E não está presente. Cristo não está espiritualmente presente nos elementos da ceia. Cristo está presente no seu corpo. Que Cristo está presente na vida e no espírito ou por meio do Espírito Santo, na vida de cada um que celebra a ceia a partir e junto com o corpo de Cristo. Mas esses elementos têm a função de trazer a memória aquilo que foi realizado no sacrifício de Jesus e não representar uma presença especial de Jesus, seja física ou espiritual. Assim, a seia fortalece a confiança do crente nas promessas do evangelho. Esse é o efeito esperado. A ceia fortalece a confiança do crente nas promessas do evangelho e reafirma a comunhão da comunidade com o Salvador ausente corporalmente, mais anunciado na fé. Para Zuinglio, o efeito da ceia não difere em sua natureza do efeito de um sermão, de uma mensagem. Ambos são formas de proclamação da palavra. O sermão anuncia Cristo pela pregação. A ceia anuncia Jesus pelos sinais visíveis instituídos por ele. É como se a ceia fosse uma pregação que não é feita pelo pastor ou por qualquer outro ministro, mas é uma pregação feita pelo corpo de Cristo e não com palavras, mas principalmente pelo ato concreto de comer do pão e beber do vinho. E lembrando que até a forma como nós celebramos isso hoje é representativo da forma como concretamente a igreja primitiva realizada no primeiro século. Porque a igreja primitiva tinha uma refeição que era partilhada. E a minha compreensão de Primeira Coríntios, capítulo 11, quando se discute as condições em que a ceia deveria acontecer, quem poderia participar, quem não deveria participar, é que Paulo enfatiza essa palavra de Jesus, que nós deveríamos fazer tudo isso até que ele voltasse e que nós estamos anunciando a vida e a vinda de Jesus pela segunda vez, justamente porque fazemos isso como um corpo, porque celebramos a ceia realizando uma refeição. Isso fica fortemente comprometido na maneira como hoje nós realizamos a ceia, não tanto como uma refeição, mas um rito dentro do culto, um rito dentro da celebração. Mas esse ato de compartilhamento da da mesa, fazendo uma refeição em memória de Jesus, tem esse papel de acordo com a concepção zoingliana. de comunicar o mundo que Cristo estabeleceu a partir de partes diferentes, etnias distintas, pessoas de origens e a princípio propósitos muito distintos, um só corpo. Então aqui nessa compreensão não se trata de o sacramento trazer Cristo ao comungante, como a Igreja Católica, Lutero e a tradição reformada afirmam, mas de a fé do crente trazer Cristo para a celebração do rito. O movimento mudou. Não é Cristo que está eh sendo trazido, ou não se trata de o sacramento trazer Cristo ao comungante, mas a fé do crente trazer Cristo para a celebração do rito. Um resumo dessas quatro concepções. A concepção católica afirma a transubstanciação. Pão e vinho tornam-se corpo e sangue de forma literal. Luterana com substanciação, pão e vinho contém corpo e sangue fisicamente. Ainda existe literalidade, mas não substituiu, mas participa com reformada ou a tradição calvinista, a presença espiritual de Cristo é o que está nos elementos da ceia. Os elementos eles espiritualmente contém o corpo de Jesus. E a concepção zoingliana, a ceia é uma comemoração simbólica. Os elementos eles representam o corpo e o sangue. Boa parte dos batistas, eu diria que todos os batistas, exceto os batistas calvinistas, se enquadram dentro dessa compreensão zoingliana. A, os batistas reformados estão entre essa compreensão reformada e alguns aspectos da compreensão zoegliana, mas muito mais fortemente alinhados com a compreensão calvinista a respeito da ceia. Mas aquilo que veio da compreensão Ana Batista e que depois influenciou boa parte dos batistas é que a ceia é um memorial. Então, ficaria nessa quarta eh compreensão a respeito do significado, dos efeitos que a ceia eh devem ter ou devem ser compreendidas por parte da igreja. [roncando] A presença de Cristo lidando com os desafios que essas diferentes posições nos colocam. O modo mais natural de entender isto é o meu corpo e isto é o meu sangue é no sentido literal. Porém, a dificuldade, se a gente entender que aqui nessa frase, quando Jesus estabelece a ceia, Mateus capítulo 26 e paralelos, eh há dificuldades de se caminhar nessa direção. O problema da localização. Primeiro, se Jesus quisesse dizer que o pão e o vinho eram sua carne e o seu sangue naquele momento, ele estaria afirmando que sua carne estava em dois lugares ao mesmo tempo, negando sua encarnação que limitava sua natureza física em um só lugar. Ou seja, se é Jesus que está dizendo literalmente que aquele pão e aquele vinho se transformaram em sua carne e o seu sangue, isso seria muito difícil de compreender a partir dos limites que são impostos a uma pessoa humana comum. E em certo sentido, Jesus era uma pessoa humana comum, porque no momento em que ele se encarnou, ele se submeteu aos limites da humanidade. Então, existe esse problema da localização. Se é Jesus que está falando, não é Jesus que está naqueles elementos que ele está segurando. Em segundo lugar, dificuldades conceituais. Como duas substâncias podem estar no mesmo lugar que a compreensão luterana ou como o sangue pode existir sem as suas características físico-químicas de sangue, que é a concepção católica. O argumento baseia-se numa metafísica que soa bastante difícil e pouco natural para as mentes modernas. A interpretação metafórica. Assim como Jesus usou metáforas: "Eu sou o caminho, eu sou a videira, isto é o meu corpo, pode ser interpretado também, que é isso que ele estava comunicando ao dizer que isto é o meu corpo para o pão e isto é o meu sangue para o vinho." A ideia é dizer que isto representa o meu corpo, assim como dizer que eu sou o caminho, não estava dizendo que Jesus era uma estrada carroçável ou uma pista asfaltada. Obviamente que era no sentido metafórico. A estrada é uma imagem que revela algo a respeito de quem eu sou. O pão representa algo daquilo que a minha vida e o meu sacrifício de fato é para vocês. Então, existe uma utilização da linguagem figurativa e metafórica para revelar o significado daquilo que Jesus estava apresentando para os seus discípulos. sobre o problema da eficácia do rito, ou seja, o que é que acontece quando alguém participa da ceia? O benefício não é automático. Isso é muito explícito no texto de Primeira Coríntios, capítulo 11, porque Paulo afirma que muitos coríntios que participavam da ceia tornaram-se fracos doentes e alguns morreram. O efeito depende da fé demonstrada e da reação ao que se apresenta no rito. Ou seja, não faz muito sentido aquela compreensão mecânica que muitos católicos e também muitos protestantes possuem, que não importa muito a maneira como você caminha. Se você vai na missa ou se você vai no culto em Igreja evangélica ou protestante de forma geral, no dia de seia, você tem o seus pecados perdoados, você tem o seu corpo purificado, porque você comeu daquele pedacinho de pão e você tomou um pouquinho daquele vinho ou daquele suco de uva. É importante explicar o significado da ceia toda vez que a ceia ela é celebrada. E todo participante deve examinar o seu próprio entendimento e condição espiritual. Sobre a simbologia da ceia, como é que a gente então caminha para uma conclusão a respeito do seu significado? é um lembrete ou uma palavra, eu acho que mais apropriada, é uma memória da morte de Cristo e o do seu seu caráter sacrificial e propiciatório. É um símbolo de nossa dependência do Senhor e ligação vital com ele. Por isso também a necessidade de celebrar com regularidade, com uma frequência pré-estabelecida ou com uma frequência considerável a ceia, para que nós possamos lembrar que nós somos sustentados pelo poder de Jesus. Não fomos apenas salvos no passado e esperamos uma recompensa no futuro, mas nós temos uma dependência dessa ação contínua de Jesus. aponta para a segunda vinda de Cristo. Quando nós fazemos isso, nós estamos anunciando a vida e a vinda de Jesus e simboliza a unidade dos crentes dentro da igreja, o que é muito próximo ao último ponto, que é reflete que o corpo de Cristo é um corpo de Cristo. E eu acho que o coração do significado da ceia está na palavra unidade. Unidade com Deus, unidade com Cristo Jesus. Unidade com Deus por meio do sacrifício do corpo e do sangue de Cristo Jesus e unidade com o corpo de Cristo. Porque se a gente entende que a ceia tem uma eficácia principalmente individual, não faria sentido essa insistência do texto bíblico de dizer que ela deve ser celebrada com a comunidade. Nós não podemos participar da ceia apenas como indivíduos, mas como corpo de Cristo. Então, a palavra unidade, nossa com Deus e nossa com o nosso irmão na fé, está no coração do significado e da simbologia da ceia. A ceia do Senhor é um lembrete da morte de Cristo e de seu caráter sacrificial em nosso favor, um símbolo de nossa ligação vital com o Senhor e um testemunho de sua segunda vinda. Quem pode ministrar? Quem pode receber? E quais são os elementos que devem estar contemplados na ceia? Primeiro, quem deve ministrar ou o ministrador digno. As escrituras fornecem pouquíssima informação a respeito disso. A ceia, ela é confiada à igreja. O que é que nós podemos eh inferir a partir dos dados que são explícitos eh e dos dados que também são mais ah recorrentes no texto bíblico? é que a ceia deve ser administrada pela pessoa que tenha o reconhecimento da igreja como uma pessoa que possa conduzir aquelas pessoas ou servir de exemplo para aquelas pessoas. Ao meu ver, a partir da fonte que eu consultei para realizar essa aula, mas a minha interpretação do texto bíblico, aquilo que consigo ver mais claramente é que não há necessidade que seja um pastor, que seja um membro do clero, um sacerdote, no caso da Igreja Católica, que realize a ceia. Se essa pessoa é membro da comunidade e é reconhecido pela comunidade como alguém que é também digno de confiança, que tenha um exemplo, que que tenha uma vida que seja exemplo para os seus irmãos, essa pessoa ela pode celebrar a ceia. É claro que é uma medida coerente das igrejas a fim de evitar um comportamento excessivamente permissivo no meio da comunidade, que aquele que recebe a função de liderar a igreja seja aquele que celebra a ceia. Eu entendo isso até como precaução para que qualquer pessoa pense que ele está apto para celebrar a ceia, quando na verdade talvez ele não estivesse apto nem para participar daquele momento. Mas sendo direto e explícito, o texto bíblico não apresenta nenhum texto em que exige que a ceia seja celebrada por um pastor. quem deve receber os elementos da ceia ou participar da celebração da ceia. Aqui é um ponto em que a gente vai dedicar um pouquinho mais de atenção. Os pré-requisitos inferidos são um relacionamento pessoal com Deus, crença genuína em Cristo e maturidade suficiente para discernir o corpo. poderia poderia ter uma aula inteira falando sobre o significado de discernir o corpo, que é a expressão fundamental que Paulo está apresentando no texto, que determina quem pode e quem não pode participar da ceia, que é Primeira Coríntios, capítulo 11. A igreja deve afastar do rito ou do sacramento, no caso das tradições que entendem que assim é o sacramento, quem esteja em pecado flagrante, isso significa um pecado que é de conhecimento da igreja ou pelo menos de parte da liderança e que não tem arrependimento por parte daquele que pecou. questão é saber quem foi que pisou na bola durante a semana ou que fez alguma coisa que acha que ainda não tratou adequadamente, ainda que todas essas situações exijam o cuidado, a questão principal a respeito da disciplina que implica na no afastamento da participação da ceia é uma pessoa que está em pecado, que não reconhece o seu pecado e que precisa ser tratado pela comunidade e pela liderança. da comunidade como alguém que deve ser afastado da comunhão dos santos. Eu acredito que o texto de Primeira Coríntios, capítulo 5, aquele homem que se deitou com a sua própria madrasta e Paulo está recomendando que ele seja afastado da comunhão da igreja, é o que está em vista aqui. Não é simplesmente porque qualquer pessoa cometeu uma falha ou um equívoco que ela deve ser afastada da participação da ceia. Eh, mas como é que as igrejas elas entendem isso na prática? Existem quatro maneiras diferentes em que tradicionalmente as igrejas elas se eh entendem ou que elas se encaixam nessa separação a respeito da compreensão sobre quem pode ou não pode, quem deve ou não deve participar da seia. Quais são essas formas de entendimento? A ceia ultra livre, livre, restrita e ultra restrita. Na ultra restrita são só os membros oficiais daquela igreja local que podem participar da ceia. Então, se a IBNU fosse uma igreja de posicionamento ultra restrito, apenas quem é membro da IBNU, nem visitante, nem quem está congregando aqui, pode participar, mas apenas os membros oficialmente estabelecidos no R de membros é que tem direito de participar. Na ceia restrita são apenas os membros daquela denominação, aquilo que muitas vezes em uma igreja batista é comunicado por meio da expressão da mesma fé e ordem. Então, todas as pessoas que estão ali na igreja, quando ouvem a instrução, devem entender que se eu sou membro dessa igreja ou sou membro de outra igreja batista, no caso de uma igreja batista, eh, é que estão autorizados a participar da ceia. Se você faz, recebe essa orientação, faz parte de uma igreja da Assembleia de Deus ou da denominação Assembleia de Deus, o significado semelhante é apenas quem é membro daquela igreja local ou parte da denominação é que pode participar da ceia. Na ceia livre, o reconhecimento é de todos aqueles que foram inseridos no corpo de Cristo e declararam ou pelo menos que declararam publicamente sua fé em Cristo Jesus. e que se depreende que essas pessoas de fato são eh parte do corpo de Cristo. É claro que a gente não tem condições de verificar se junto com a confissão pública de fé em Jesus existe convicção autêntica no coração. Mas aquilo que a gente eh pode verificar se essa pessoa se declara publicamente como seguidor de Jesus. Então, numa igreja que celebra a ceia de forma livre, dá-se a orientação no momento da celebração que todo aquele que com a sua boca confessou que Jesus Cristo é o Senhor e coração, creio que Deus ressuscitou dentre os mortos, essa pessoa parte da igreja, se essa pessoa já foi batizada como sinal da sua declaração pública de fé, então essa pessoa pode e deve celebrar a ceia. Na ceia ultra livre, todas as pessoas podem participar. Cada um sabe de si mesmo, cada um sabe do que crê e do que não crê. Eh, e a ceia é vista como um ato de comunhão para aqueles que fazem parte da igreja de Cristo, do corpo de Cristo, mas é também um ato de proclamação. Por proclamação, a interpretação ultra livre compreende que mesmo que a pessoa ainda não tenha fé em Cristo Jesus e que a pessoa não tenha obviamente sido batizada como consequência da sua declaração pública de fé, participar da ceia é ser abençoado por aquele momento. estar mais próximo do corpo de Cristo e poder participar da bênção que é estar próximo à presença de Cristo que se manifesta por meio do seu corpo. Então, na compreensão ultra livre, todas as pessoas elas são orientadas a participar da ceia. E os elementos. A gente deve fazer a ceia com pão e vinho, e é pão sem fermento. E vinho do ponto de vista mais óbvio da palavra vinho, que é a bebida da videira fermentada, ou seja, o vinho que contém álcool. Ou isso pode ser a representação da representação. O pão sem fermento que estava lá na Páscoa que Jesus celebrou com seus discípulos pode ser representado por um pão levedado e o vinho com teor alcoólico pode ser substituído pelo suco de uva. Também depende. Existem algumas tradições que acreditam que esses elementos precisam ser preservados. É preciso duplicar essa refeição original que Jesus celebrou com seus discípulos. Nesse caso, é pão sem fermento e é vinho de fato. Se for preservar o simbolismo, o significado, então não tem problema usar um pão comum e um suco de uva. Agora, substitutos sem uma justificativa mais clara e profunda, como, por exemplo, querer celebrar se é com batata frita e refrigerante, é algo que não faz muito sentido. é algo que se distancia tanto da sua condição original que até a memória da maneira como aquilo foi celebrado e consequentemente do significado daquilo fica prejudicada, porque a atenção está dado mais a à força ou a criatividade da inovação do que propriamente aqueles elementos que foram utilizados na Páscoa como estabelecida por Jesus. Tá bom? Bom, ah, só um parênteses aqui, algumas pessoas eh chamam atenção que algumas regiões até é difícil conseguir até mesmo suco de uva, que não é tradição daquelas pessoas comer pão. Então, como você quando você vai para regiões muito remotas de floresta ou coisa assim, faz sentido substituir, por exemplo, o suco de uva por um outro suco natural ou algum outro elemento qualquer, eh, que seja um substituto daquilo que em muitos lugares é celebrado com vinho ou com suco de uvo. Nesse sentido, eu vejo que não é incoerência da parte desses irmãos se celebrar a ceia com outros elementos por uma limitação própria da geografia. Quanto de ceia deve ter em um mês ou em uma semana ou com que regularidade a a ceia deve ser realizada? Não há declarações didáticas explícitas nas escrituras sobre a frequência, embora seja possível que na igreja primitiva fosse semanal. Aqui nós temos mais informações do primeiro século e indiretas ou até mesmo informações mais eh tardias a respeito da prática da igreja que reconstrem essa condição que provavelmente a igreja primitiva possuía de celebrar a ceia semanalmente. A a decisão deve basear-se em princípios bíblicos e considerações práticas. Primeiro, um equilíbrio necessário. A ceia deve ser observada com uma frequência suficiente para evitar longos intervalos de reflexão sobre o seu sentido, sobre as suas verdades, mas não deve ser feita com tanta frequência que se torne trivial ou rotineiro. A gente chega aqui no culto, a gente tem um momento de abertura, algumas músicas, uma palavra e logo depois é a ceia. Então, a ceia é uma liturgia com uma recorrência tão elevada que se torna algo mecânico e puramente rotineiro e com isso se perde no seu significado. Claro que existe aqui uma discussão sobre liturgia. As pessoas que fazem parte de tradições mais litúrgicas poderiam argumentar que qualquer elemento repetitivo, qualquer elemento que se faça numa frequência elevada, como por exemplo, uma vez por semana, corre o risco de ser interpretado pelo fiel, pelo membro da igreja como uma celebração rotineira, novamente, como um elemento mecanizado dado adoração. Então, as músicas, a leitura da palavra, a mensagem correm o mesmo risco que uma ceia que é feita semanalmente. E eu concordo com esse argumento. Então, tudo depende daquilo que, na prática aquela comunidade ou aquela denominação, aquela liderança percebeu que eh na realidade da sua igreja e da sua comunidade, a frequência X, ela alcançava da melhor forma esse objetivo de trazer a memória, se for dentro de uma tradição zoingliana seia, de trazer a memória. com isso reforçar ou renovar a fé daqueles que participam da ceia, os efeitos do sacrifício de Jesus. Mas é sempre preciso esse exercício consciente de buscar um ponto de equilíbrio, de não ser espaçado demais para que os efeitos da ceia não se tornem muito incomuns, não se tornem muito distantes da memória e do coração das pessoas e não seja frequente demais para que fique diluído o significado disso. e a participação livre. Talvez seja bom a igreja oferecer a ceia. A miúde aqui foi uma palavra que escapou. eh oferecer a ceia com regularidade, permitindo que cada crente determine a frequência com que participará dela. Na prática, pessoal, essas questões sobre quem pode ou quem não pode receber a ceia, a não ser que seja uma igreja muito pequena e que seja uma igreja que adote essa posição ultra restrita, a decisão de participar ou não da ceia é do membro, é do visitante, é da pessoa que está congregando daquela igreja. Não se tem, pelo menos em boa parte dos contextos em que eh eu pude presenciar a celebração da ceia, um controle por parte, seja da liderança, seja daquelas pessoas que estão distribuindo os elementos da ceia, sobre a vida daquela pessoa que está pegando o cálice e o pão, sobre a última vez que ela participou de uma ceia. Então, a o peso recai muito mais sobre a pessoa que decide participar da ceia do que propriamente a decisão daquela comunidade ou daquela liderança. A ceia do Senhor, ministrada de modo adequado, é um canal para inspirar a fé e o amor do crente, à medida que ele reflete sobre a maravilhosa ou sobre a maravilha da morte do Senhor e sobre o fato de que os crentes creem nele, os crentes que creem nele terão vida eterna. Bom, pessoal, a gente vai parar por aqui. Esse foi o conteúdo que eu separei pra gente poder conversar hoje. E se tivermos ainda alguma pergunta, alguma observação de vocês, a gente vai poder compartilhar juntos aqui. Deixa eu ver lá no comecinho. Antes mesmo de começar a explicação, a Carla fez a pergunta, a seguinte pergunta: de onde vieram os conceitos de transubstancia e consubstancia? com substanciação, foi uma reação à transsubstanciação. A transubstancia ela foi formalizada dentro da teologia católica a partir do concílio de Trento. Então, ainda que isso pudesse ter sido celebrado antes com essa compreensão, isso se tornou oficial a partir eh do final do século X, tá bom? E a consubstancia veio com o desenvolvimento do luteranismo depois de 1517. Deixa eu ver. Deixa eu ver, a as crianças podem participar da ceia do Senhor? Essa é uma pergunta muito boa. Respondendo de uma perspectiva batista, que é aquilo que eh nós celebramos na IBNU e aquilo que caracteriza a denominação batista. A resposta é não. E de regra, nós não celebramos a ceia com as crianças porque essas crianças ainda não foram batizadas. E nós não batizamos criança porque entendemos que ela ainda não possui uma maturidade no seu discernimento, na sua consciência, na sua capacidade de decisão para tomar uma decisão tão importante como essa de depositar sua fé em Cristo Jesus. Como a compreensão dentro da tradição batista é que participam da ceia aqueles que realmente creem em Cristo Jesus. e que professam essa fé publicamente. Ou seja, aqueles que além de confessar com as palavras, confessam com o ato do batismo. Então, a consequência é que as crianças elas não participam da ceia. Significa que no momento ali da celebração da ceia, uma criança que foge do controle do pai, escapole da mãe, pega um pão, bebe um cálice, está sob condenação espiritual. Claro que não. Nós entendemos que a ceia é um ato memorial, assim como aquele que participa de forma válida da ceia não recebe uma bênção especial pelo elemento do pão ou pelo elemento do vinho, como se esses elementos tivessem um poder em si mesmo. Assim também uma criança ou uma pessoa que come aquilo sem uma clara consciência daquilo não será prejudicada por esses elementos. A minha compreensão da condenação que Paulo está falando em Primeira Coríntios 11 é de outra natureza. É uma pessoa que tem compreensão e conhecimento a respeito do significado da ceia e que trata aquilo com descaso, aquilo que faz pouco caso do próprio corpo de Cristo que foi crucificado e que está sendo lembrado no momento da ceia. Então, nós entendemos que esse é o momento reservado para aqueles que já alcançaram a maturidade suficiente para tomar essa decisão. Deixar as crianças provarem do pão e do suco após o culto para sábado é aconselhável. Eu não sei se Eu acho que é para saber, né, Carla? Acho que aqui é deixar as crianças provarem do pão e do suco após o culto para saberem é aconselhável? Eu acredito que sim. Eu acho muito natural e um impulso saudável das crianças que ao perceberem os seus pais, ao perceberem as outras pessoas da comunidade, participando daquele ato celebrativo e entendendo que aquilo tem um valor muito grande para aquelas pessoas, que elas queiram participar daquilo, dada a instrução adequada, dada a instrução correta e depois que o culto terminou, que aquele ato foi celebrado, a criança poder comer do pão e beber daquele cálice, eh, eu acho completamente ente válido, porque a nossa visão não é sacramental ou em especial da transubstanciação. No momento em que o sacerdote na Igreja Católica oferece aqueles elementos a Deus, aquilo passa a ser o corpo e o sangue de Cristo. Por isso que não pode ser derramado no chão, não pode ser bebido ou tocado por qualquer pessoa. É, mas na nossa compreensão da seia como memorial, eu acredito que essa separação é importante do momento e daquilo que está sendo celebrado, da explicação dos mais velhos e mais maduros para as crianças a respeito daquilo, mas depois que elas possam comer daquele pão e e daquele cálice como curiosidade ou até como uma maneira indireta de se sentir participante daquilo, eu acho que é uma etapa pedagógica válida. permitida, né? Ah, acredito que não temos outras perguntas aqui de vocês a respeito da ceia e geralmente é porque a aula não foi muito provocativa. Quando a aula não é provocativa é porque não tem pergunta. Então, recai sobre mim essa responsabilidade. Eh, temos outra observação aqui. O que entende que é princípio de salvação e seia do Senhor? João 6:54. Quem come carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Eu acredito, Charles, que isso do que está sendo tratado, eh, isso que está sendo tratado em João capítulo 6, em parte está sendo tratado metaforicamente com a palavra comer da carne e beber do sangue. Pelos motivos que nós explicamos ao longo da aula. Não acredito que seja o ato literal de comer a carne e beber o sangue está acontecendo no momento de celebração da ceia, mas reflete um fato e uma realidade concreta. concreta no sentido de o espírito que temos, que é um espírito real, um espírito que foi criado por Deus, é agora habitado pelo Espírito Santo. E isso significa que fomos inseridos no corpo de Cristo. Essa não é uma realidade visível. É aquilo que a gente tratou em aulas anteriores sobre igreja visível e e igreja invisível. Nós fomos inseridos no corpo de Cristo. Nós fomos inseridos nessa igreja com I maiúsculo, na igreja invisível, no povo de Deus. E isso é consequência do fato de termos sido participantes do sangue e do corpo de Jesus. Nós fomos identificados com Cristo no nosso batismo. Assim como fomos identificados com ele na sua morte, também seremos identificados com ele na sua ressurreição. Ele já ressuscitou, mas nós não ressuscitamos, pelo menos em corpo ainda, ainda que já tenhamos sido feitas, tornados novas criaturas. Então, a comer da carne e beber do sangue significa essa identificação com Jesus. No momento em que nós depositamos a nossa fé em Jesus, nós recebemos o Espírito Santo e nós somos parte daquilo que Jesus é ou de quem Jesus é. É isso que nós queremos dizer ou é isso que nós cremos quando afirmamos que somos parte do corpo de Cristo? O corpo de Cristo não é um ajuntamento de pessoas que pertencem a Cristo apenas. Corpo de Cristo é uma imagem para dizer que nós estamos conectados diretamente à pessoa de Jesus. Quem Jesus é de certa forma é também quem nós somos. E quem nós somos é de certa forma quem Jesus é. Então, eh, eu acredito que é isso que está contemplado nessa imagem. Essa explicação toda não tem uma fração da força que possui a metáfora utilizada por Jesus. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu ressuscitarei no último dia. Se nós não entendermos isso do ponto de vista metafórico, comer e beber, todas as outras imagens utilizadas por Jesus para falar sobre si mesmo também precisam ser interpretadas do ponto de vista literal. Pelo menos é assim que eu entendo uma interpretação, uma hermenêutica coerente, em especial do evangelho de João. O que significa naquele diálogo com a mulher samaritana é que rios fluirão de dentro dela, que uma água brotará de dentro daquela mulher. A gente pode entender isso do ponto de vista literal? Claro que não. Então, eh, é uma metáfora para uma realidade, um fato mais de dimensão espiritual. Ah, vamos ver mais é o quê temos aqui. O Charles colocou como comentário agora. Sim, é metafórico, mas vejo como a regra de salvação tem unidade em Cristo V, Espírito Santo. Estou em pleno acordo. Concordo perfeitamente com sua observação, Charles. A proibição de comer carne com sangue teria alguma relação com o assunto da ceia? Bom, eh, não na perspectiva do Novo Testamento, porque esse é um aspecto cerimonial que a gente entende que não continua tendo validade para o período neotestamentário, para o período após a vinda de Jesus e a nova aliança que ele estabelece. Eh, mas em relação à ceia original, eu acredito que não, porque originalmente pão e ceia não representava eh carne e sangue. Na ceia original, essa nomenclatura não estava presente. Talvez uma análise mais detalhada, Carla, sendo muito honesto, essa é uma avaliação, um estudo que eu ainda não fiz sobre o PESA, né? A primeira Páscoa como celebração do êxodo, da libertação do Egito, possa ter alguma conexão também com carne e sangue, corpo e sangue, mas acredito que isso é muito improvável. Ali está relacionado com uma refeição que eles deveriam ter como sinal da providência de Deus, tanto da necessidade do povo de Israel que comeria e beberia. e aquela seia onde eles comem a carne do cordeiro e uma lembrança dessa providência do Senhor na salvação e na libertação do povo que estava em cativeiro. Mas a carne com sangue tem a ver no Antigo Testamento com outros elementos, né, ligados a, por exemplo, a ideia de que a vida está no sangue. Então, de alguma forma, você estaria consumindo o a vida de um outro animal e isso era proibido pela lei, isso era mal visto. Ah, então mal visto acho que é uma uma expressão muito atenuante, né? Muito é é um eufemismo muito forte. Isso é visto como algo abominável ali no contexto do Antigo Testamento, né? [roncando] Bom, eu acredito que a maior parte eh das perguntas foram respondidas. Deixa eu ver. Apareceram outras perguntas aqui. A Fernanda faz a seguinte pergunta: "Então, o símbolo de oferta vem de muito tempo atrás, correto? Eh, bom, bom Fernando, eu confesso que eu não entendi. Você colocou algumas perguntas na sequência aqui, mas eu não pude compreender muito bem. Professor Milk Zedec, foi a oferta de Abraão com ele. Então, o símbolo de oferta vem de muito tempo atrás, correto? Bom, é verdade. O símbolo de Melquizedec é muito anterior, inclusive ao surgimento da Torá e do sistema sacrificial que é estabelecido depois da libertação do povo de Israel do Egito. Eh, e nesse encontro, Abraão oferece uma oferta a Deus por meio de sacerdote, por meio de Melquizeté, que é tratado como sacerdote do Deus Altíssimo. E esse símbolo de oferta é muito muito antigo, muito anterior, inclusive ao estabelecimento da primeira Páscoa. Mas eu a minha a minha questão aqui é que eu não estou vendo conexão com a ceia. Eh, eu não acho que isso tenha uma relação direta com os elementos do pão e do vinho, Fernanda, que são estabelecidos na seia, até porque pão e vinho não são ofertas da nossa parte, né? são elementos do sacrifício feito por Jesus, eh, e que tem efeitos em nosso favor, mas isso não significa que é uma oferta que nós estamos oferecendo, né? Bom, pessoal, ah, tem uma questão ou outra talvez que tenha passado aqui da minha atenção, mas espero que eu tenha conseguido responder a maior parte das dúvidas e esclarecer os pontos centrais dessas várias tradições que estão contempladas na ceia do Senhor, de acordo com as explicações que vocês viram aí a respeito da Igreja Católica, Luterana, Calvinista e também da tradição zoingliana. Muito obrigado pela atenção de vocês. A gente reforça que quinta-feira a gente muda a chave e depois de dar esses fundamentos da eclesiologia, a gente vai falar sobre como isso está refletido em diferentes modelos de igreja. Agora é que vai fazer sentido o aspecto prático desse terceiro módulo, tá bom? Então, a gente vai começar falando com sobre uma igreja com propósitos. Esse é o título do do livro de Ricky Warren, mas é a apresentação de um modelo de igreja que ganhou muita visibilidade a partir da década de 90, influenciou muitas igrejas no Brasil também. Então, esperamos vocês na nossa próxima aula, próximo encontro que é quinta-feira que vem. E nós desejamos então que o Senhor abençoe você, seus estudos, a sua vida e a sua caminhada de fé. Forte abraço a todos. Até o nosso próximo encontro.