O Canto da Sereia e a Voz do Espírito – 1 Timóteo 3.14-4.8 | Ákilla Nascimento | IBNU
03/09/2026
O Canto da Sereia e a Voz do Espírito – 1 Timóteo 3.14-4.8 | Ákilla Nascimento | IBNU
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O canto da sereia e a [música] voz do espírito. Convido você a pensar hoje sobre o texto de Primeira Timóteo, capítulo 3, versículo 14 até Primeira Timóteo 4:8, em que nós vamos pensar sobre essas histórias antigas, essas vozes antigas que nós escutamos ou não na [música] condução de uma verdadeira espiritualidade. Por isso, convido você a acompanhar a nossa mensagem de hoje. [música] Existe uma história antiga de um poeta conhecido, Homero, que fala sobre a Odisseia. A Odisseia é uma história que ganhou novos interesses nos últimos meses porque passou por uma adaptação pro cinema por um dos cineastas mais eh celebrados da contemporaneidade. Mas a Odisseia é uma história muito antiga que formou parte do que nós chamamos de mundo ocidental. E o pensamento que hoje nós temos, a forma de enxergar a realidade é profundamente influenciada pela história da Odisseia. E essa é a história que conta aquilo que foi a jornada de retorno de Ulisses para sua terra, para sua casa, a ilha de Itaca, onde ele era rei e era líder das forças militares. Mas essa é uma história que acontece na sequência de outra história muito conhecida, que é a história da Ilíada, que conta a história da guerra entre os aqueus, os gregos antigos, e os troianos. E naquela história da batalha entre os aqueus e os troianos, disse que a cidade de Troia tinha os muros intransponíveis, que não poderiam ser rompidos por nenhum tipo de força ou capacidade militar. E de fato, os aquos tentam de toda maneira penetrar os muros da cidade de Troia e não conseguem. Até que Ulisses tem uma ideia de profunda astúcia e engenhosidade. Eles constróem um cavalo de madeira, colocam todos os guerreiros aquios dentro desse cavalo e deixam o cavalo na praia próximo à cidade de Troia. Os troianos encontram esse cavalo e interpretam duas coisas, que eles venceram a guerra. Os aqueus desistiram daquela batalha porque perceberam que não poderiam ser vencedores. E, por outro lado, eles foram presenteados pelos deuses, talvez como uma forma de celebrar a grande resistência e capacidade dos troianos. Eles levam o cavalo de Troia para dentro da cidade e na primeira noite os guerreiros aqueus saem de dentro do cavalo e conseguem vencer a batalha contra os troianos, que são pegos de surpresa, desarmados e são então completamente eh devastados pelo exército dos aqueus. Tudo isso por conta da ideia de Ulisses. E aí Ulisses, ele começa a sua jornada de volta para a ilha de Ítaka e conta a mitologia grega, conta a história de Homero, que Ulisses enfrenta todo tipo de adversidade. Ele precisa enfrentar ciclope, ele precisa enfrentar redemunhinho gigante, monstros de várias espécies. Mas em um momento especial conta-se que Ulisses precisa atravessar o mar próximo a uma ilha onde estão duas sereias. E essa é a proverbial história do canto das sereias, porque diz a lenda grega ou a mitologia grega conta que esse era o canto mais agradável que um ser humano poderia ouvir. O canto dessas duas sereias. O timbre, a voz, o prazer que estava em escutar era tão grande que os marinheiros que passavam por aquela ilha ou próximo aquela ilha, invariavelmente iam ao encontro da voz dessas sereias. E o problema é que todos aqueles que iam encontro das sereias morriam, porque os barcos eles se chocavam contra as rochas. E por isso todo o marinheiro, todo aquele que ouvia o canto das sereias, morria como consequência da sedução que sofria e que necessariamente passava ao se chocar contra aquelas rochas. A história conta que o Lises teve outra ideia de uma astúcia muito singular, que é ele acreditava que poderia ouvir o canto das sereias e sobreviver. Ele colocou cera no ouvido de todos os marinheiros e ordenou que ele mesmo fosse amarrado ao mastro. E ele fez um pacto com aqueles marinheiros. Não importa o que eu diga, não importa o que eu faça, vocês não irão me desamarrar desse mastro. E a história conta que ele foi bem-sucedido no seu artifício. Ele conseguiu ouvir o canto das sereias e sobreviver. Ele mesmo não estava com cera nos ouvidos, mas todos os outros estavam. [suspirando] E é muito intuitivo e impulsivo ouvir essa história, ler essa narrativa e fazer a seguinte pergunta: o que é que esse canto das sereias significa? O que é que significava no tempo em que Homero contou e talvez compôs sozinho toda a história da Odisseia? A gente não sabe muito bem a origem dessa história, mas o que é que isso significava para esse poeta e de que forma o canto das sereias assume um significado na nossa condição hoje. E eu acredito que um dos cantos da sereia que acontecem em nossa cultura e em nossa condição é nos convencer de que nós vivemos no mundo da representação. Nós vivemos encantados e convencidos de que as coisas não são que elas de fato são. As coisas são o que elas passaram a representar. O canto da sereia em nosso tempo é convencer você a viver no mundo da representação do valor que as coisas possuem. Por exemplo, quanto vale uma camisa? A camisa é o custo do algodão. A camisa é o custo da mão de obra? ou a camisa vale a logomarca que está impressa nela. O que é um carro? É um meio de transporte que leva você do ponto A para o ponto B? É uma forma de deslocamento ou é um símbolo daquilo que é a sua capacidade de acessar um bem material, de ter passado a pertencer um grupo de pessoas que têm acesso a esse tipo de bem. O que é o trabalho? O trabalho é uma forma de conquista dos recursos necessários paraa subsistência. É uma forma de ser abençoado por Deus para que a gente possa ter recursos para abençoar os outros. Ou trabalha uma forma de afirmação, a afirmação da sua inteligência, da sua capacidade, daquilo que você pôde conquistar. O canto da sereia no nosso tempo é justamente o convencimento de que as coisas não são o que elas de fato valem ou deveriam ser, mas aquilo que elas passaram a representar. Dentro desse mundo construído e sedutor do canto das sereias, há o convencimento de que a vida é aquilo que é representado e mostrado para os outros. A espiritualidade dessas pessoas que vivem de acordo com essa perspectiva da realidade é a espiritualidade de um crustácio. Todo o esqueleto está do lado de fora do corpo, mas não existe nenhuma sustentação do lado de dentro dele. Por isso que eu acredito que é muito importante a gente estar atento, atenta à voz que nós seguimos na definição do tipo de vida que a gente acredita estar construindo, do tipo de caminho que nós estamos seguindo. Existe o canto da sereia, mas existe uma outra história antiga que precisa ser lembrada. E eu vou ler com você o texto de Primeira Timóteo, capítulo 3, do versículo 8, perdão, do versículo 14 até o capítulo 4, versículo 8. Primeira Timóteo 3:14 até o 48 diz assim: "Escrevo-lhe estas coisas, embora espere ir vê-lo em breve, mas se eu demorar, saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade." Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade. Deus foi manifestado em corpo, justificado no espírito, visto pelos anjos, pregado em três nações, crido no mundo e recebido na glória. O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vem de homens hipócritas e mentirosos que têm a consciência cauterizada e proíbem o casamento e o consumo de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que creem e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom e nada deve ser rejeitado se for recebido como ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela oração. Se você transmitir essas instruções aos irmãos, será um bom ministro de Cristo Jesus, nutrido com as verdades da fé e da boa doutrina que tem seguido. Rejeite, porém, as fábulas profanas e tolas e exercite-se na piedade. O exercício físico é de pouco proveito. A piedade, porém, para tudo é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da futura. Existe uma certa mistificação disso que a gente chama ouvir a vontade de Deus. [limpando a garganta] Para muitas pessoas, ouvir a vontade de Deus é sempre algo misterioso, é sempre algo difícil e incerto de saber se de fato estamos escutando ou não a voz de Deus. É bem verdade que existem muitas situações em que nós precisamos saber qual é a direção de Deus para uma decisão específica, para uma atitude em particular que a gente precisa tomar. E nesses casos, mesmo que a gente saiba o que é que Deus falou em muitos outros contextos, a gente não consegue ver de imediato qual é a implicação disso pra situação em que a gente está vivendo. Mas veja que na Bíblia, de forma geral, Deus não é um Deus que tem prazer em estar escondido, em não ser ouvido, em não ser conhecido. Deus não é um Deus que torna a sua vontade algo tão difícil de ser acessada que apenas algumas poucas pessoas conseguem alcançá-la. Na verdade, uma das imagens que mais marcaram a minha memória ainda adolescente era ler o livro de Provérbios e perceber que a vontade de Deus estava personificada na sabedoria. E a sabedoria enquanto uma mulher, uma pessoa que aparece no livro de Provérbios. E Provérbios fala que a sabedoria ela não estar nos locais pouco conhecidos, não estar nos locais difíceis de serem encontrados. Ela se coloca nas portas da cidade. Ela fala nos lugares altos porque ela quer ser escutada. A sabedoria enquanto manifestação daquilo que é a voz e a vontade de Deus para os seus filhos, para os inexperientes adquirirem experiência, para que os jovens não sejam imprudentes, para que os homens conduzam a sua vida adequadamente, se coloca como aquela que quer ser ouvida e Deus manifesta a sua vontade. Nas situações em que nós não sabemos exatamente como conduzir a nossa vida, é muito pertinente que a gente ore e que a gente busque de maneira específica aquilo que é o direcionamento de Deus para o momento em que estamos vivendo. Mas tem muita coisa que, honestamente você não precisa orar para saber qual é a vontade de Deus. Isso já foi revelado da parte de Deus. Você pode não saber se você deve ou não casar com essa pessoa, mas uma vez que você casou com essa pessoa, você tem dúvida sobre a maneira como você deve conduzir o seu casamento? Você tem dúvida se você deve ser paciente ou não? Se você deve se sacrificar ou não pelo seu cônjuge, se você homem deve estar disposto ou não a entregar a sua vida pela sua esposa. Claro que não. Você não precisa orar para saber qual é a vontade de Deus a respeito dessas coisas, porque Deus já manifestou a sua vontade. Isso também fica muito claro quando a gente lê as cartas de Paulo, que vontade de Deus ou ouvir a voz de Deus significa meditar nas coisas que Deus já revelou como sendo o seu desejo e a sua vontade. Naquilo que a gente encontra nas cartas de Paulo, existe essa compreensão de que Deus ele se revela e tem muitas coisas que ele revela que não estão nas escrituras. Isso é verdade. Por exemplo, a gente tem o caso do próprio Paulo, que fala na carta aos Coríntios, que subiu ao terceiro céu. Ele fala como se fosse outra pessoa, mas um pouco mais adiante o contexto demonstra que ele está falando de si mesmo e ali ele viu coisas que são indisíveis. A gente vê no final do Evangelho de João que se o apóstolo fosse registrar tudo aquilo que Jesus fez, tudo aquilo que ele falou, eh, não haveria tinta, não haveria papel suficiente para registrar todas as coisas. Se é verdade que tem coisas que Deus fala, tem coisas que Deus faz que não estão na escritura. Mas é também verdade que tudo aquilo que é reconhecido como escritura é entendido como voz de Deus. E para Paulo, ouvir a voz de Deus significa ler, meditar e compreender o que as Escrituras estão revelando a respeito da vontade que Deus fez manifesta, fez plenamente acessível e conhecida aos homens. Então, a questão principal não é se Deus fala, mas é se nós escutamos. A questão principal não é se Deus permite que a sua voz seja ouvida, mas se a gente se coloca na condição de ouvintes atentos e submissos a essa voz que está constantemente falando conosco. E quando a gente olha para esse contraste entre o canto da sereia e a voz do Espírito Santo, para aquilo que Paulo afirma que o Espírito está falando nesse contexto da primeira carta a Timóteo, a gente vê que Paulo tem uma preocupação muito particular com o seu pupilo, com o seu discípulo, que é Timóteo. Timóteo está na cidade de Éfeso e Éfeso tem uma importância muito peculiar, muito particular no ministério de Paulo, porque é nessa cidade que Paulo dedicou mais tempo do seu ministério. Ele não passou mais tempo em nenhum outro lugar plantando uma igreja, uma comunidade e se dedicando a essa comunidade, pelo menos presencialmente, como ele fez em Éfeso. Ele passou praticamente 3 anos na cidade de Éfeso e quando ele saiu, ele deixou aquele que parece ter sido seu discípulo mais próximo, mais próximo e talvez mais promissor, que foi justamente o jovem Timóteo. Pelas correspondências que a gente lê, tanto em primeira quanto em segunda Timóteo, nas referências que a gente vê nas outras cartas, a gente percebe que a relação de Paulo com Timóteo é ainda mais próxima e a expectativa é ainda mais elevada. do que aquilo que nós vemos com Tito, do que a gente vê com Silas, do que o companheiro mais experiente que era Barnabé, do que qualquer outro cooperador. E a outra coisa é que Éfeso tinha uma importância de fato geográfica, política e religiosa muito particular na província da Ásia. Quando a gente lê Apocalipse capítulo 2 e 3, com as sete igrejas do Apocalipse, aquelas sete igrejas se encontram na província da Ásia e todas elas foram plantadas a partir da igreja que se reunia e se encontrava na cidade de Éfeso. Então esse é o ponto de partida para todo o evangelho que se espalha naquela região. E quando a gente encontra essa cidade tão importante, esse discípulo tão próximo e essa comunidade tão relevante para aquilo que iria acontecer, e Paulo tinha expectativas que isso viesse acontecer, o que é que Paulo fala para Timóteo? Timóteo, cuidado com o ensino. Cuide da sua conduta, cuide da sua forma de vida, mas tenha muito cuidado com o ensino que você apresenta para essa comunidade. Tenha muito cuidado com o ensino que irá formar essa comunidade. E por que Paulo tinha uma preocupação tão grande com o ensino? Porque ele sabia que o ensino que é dado a uma comunidade define o tipo de vida que surge naquela comunidade. Paulo sabia que o tipo de ensino que Timóteo viesse a fornecer, a prover para aquela comunidade, iria definir o tipo de vida que seria nutrida e que seria amadurecida naquela comunidade. ensino dá frutos e frutos muito concretos, frutos muito duradouros. E para Paulo, ensino é uma coisa muito mais abrangente e muito mais eh relevante do que parece ser a nossa forma de entender ensino. Isso que você está ouvindo agora, uma pregação na internet, isso que você ouve quando você vai na igreja, talvez na quarta, na sexta, no domingo, num dia de culto, de celebração, e houve uma pregação do seu pastor, do seu líder, isso que você entende enquanto ensino como um curso que você faz, uma aula que você assiste, é ensino na perspectiva bíblica e naquilo que Paulo está tratando como ensino. Mas tem muitas outras coisas que entram nessa categoria de ensino que talvez não seja percebido por você. Porque para Paulo ensino é o alimento da alma. Para Paulo, ensino é tudo aquilo que alimenta o nosso corpo espiritual e que vai se desenvolver a partir dos nutrientes que nós fornecemos para ele de acordo com as palavras que nós acreditamos que são verdade. Nesse ponto, a analogia é exata. Assim como o nosso corpo é aquilo que os alimentos permitem que ele se torne, o nosso corpo espiritual, a nossa alma se torna aquilo que o ensino permite que ela se torne. Isso é tão claro que a própria linguagem de Paulo reflete isso no versículo 6. Se você transmitir essas instruções aos irmãos, será um bom ministro de Cristo Jesus nutrido com as verdades da fé e da boa doutrina que tem seguido. A nutrição do seu corpo, da sua vida e da sua alma depende do tipo de ensino que você possui. E para mim um diagnóstico muito claro do que é que tem constituído um ensino que alimenta a nossa alma é a maneira como nós gastamos o nosso tempo. O tempo que essa força sempre limitada, finita e incontornável, diz muito a respeito daquilo que nós temos voluntariamente nos dedicado enquanto a fonte daquilo que deve produzir vida ou não em nosso espírito. Por exemplo, uma pessoa que passa 1 hora, 2 horas, 3 horas do seu dia numa rede social, essa pessoa tem como fonte de ensino o quê? a pregação de 30, 40, 50 minutos que ela ouve no domingo ou às 21 horas que ela gastou durante uma semana, sendo submetida a todo tipo de estímulo a respeito da vida que ela deve ter, do corpo que ela deve ter, dos produtos que ela deve consumir, da maneira como ela deve conduzir a sua família, da profissão que ela deveria desejar, do dinheiro que ela não possui, mas ela deve ambicionar. É muito claro que dentro desse contexto, aquilo que alimenta a alma dessa pessoa é o tempo que ela dedica a toda essa fonte de não apenas informação, mas de desejo. Para essa pessoa, aquilo que é a voz que vem por meio da rede social funciona como aquilo que nutre a sua alma e o que vai determinar a maneira como a sua alma irá se desenvolver ou não. Mas tudo isso está relacionado àquilo que nós assumimos como a fonte de ensino que conduz a nossa própria forma de pensar, de desejar e de enxergar as coisas. Para Paulo, então, existe esse foco e essa dedicação muito clara que ele tem sobre o ensino que ele fornece à comunidades, que ele lidera, que ele plantou, mas também na instrução que ele dá a Timóteo. E aquilo que ele fala para Timóteo a respeito do ensino e a maneira como ele deveria eh priorizar isso na sua no seu papel enquanto pastor e líder daquela comunidade, mostra pra gente uma diversidade de preocupações, uma diversidade de posturas e condutas que Timóteo deveria ter. Mas uma coisa especial nessas várias recomendações se destaca e se destaca com muita clareza na carta de primeira Timóteo, mais do que na segunda carta a Timóteo e mais do que em Tito, a outra carta pastoral que é Timóteo. Tenha atenção à sua piedade. A palavra piedade aparece em Primeira Timóteo oito vezes. E essa palavra que aparece oito vezes aqui nessa carta aparece com usos muito diversos e muito diferentes. E não é fácil a gente entender o que é que Paulo quer dizer com piedade. O que a gente percebe é que Paulo tem na piedade algo que é muito relevante, muito fundamental para o conteúdo do ensino que Timóteo deveria ter e providenciar para aquela a comunidade. Mas mais do que isso, a piedade também parecia ser uma forma de vida. a parecia ser aquilo que Paulo acreditava ser o próprio conteúdo do evangelho. Então, quando a gente lê a palavra piedade dentro da carta ao Timóteo, é muito difícil a gente ter uma imagem coerente de tudo aquilo que ela significa, tudo aquilo que isso implica na correspondência com o jovem Timóteo. E essa é uma palavra de uma vida muito sofrida. É uma palavra de uma trajetória muito desgastada e desgastada por conta do jargão religioso. Pra gente piedoso é aquela pessoa que tem a inclinação para os ritos religiosos. Um homem piedoso é aquele homem que está disposto a cumprir tudo aquilo que a sua religião exige dele. Se é ajoelhar no milho, se é fazer uma procissão, se é cumprir esse rito, se é ir todo domingo no culto, se é participar de todo projeto, de toda ação da igreja. O homem piedoso é aquilo que cumpre aquilo que as expectativas religiosas determina que ele deve cumprir, tudo aquilo que ele deve realizar. Mas isso não tem nenhuma relação com aquilo que Paulo nos apresenta em Primeira Timóteo sobre o que é piedade. Nessas oito a aplicações de Paulo da palavra piedade, a gente vê isso aparecendo uma vez no capítulo dois, uma vez no capítulo 3, duas vezes no capítulo 4 e quatro vezes no capítulo 6. Se a gente vê uma diversidade de aplicações, por exemplo, existem momentos em que piedade parece ser o equivalente ao evangelho. Capítulo 3, versículo 16, o mistério da piedade. Dois pontos. E aí ele apresenta um poema de seis linhas que conta a história de Deus refletida na pessoa de Jesus. Mistério da piedade ou piedade aqui significa a história do próprio evangelho ou o anúncio do próprio evangelho. Existe outros contextos que piedade aparece como verbo, não apenas na forma como nós estamos acostumados a utilizar, mas de uma maneira muito, muito especial, que é o que aparece no capítulo 5, quando Paulo trata da situação das viúvas. Ele diz o seguinte no versículo 4, primeira Timóteo 5:4. Mas se uma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiramente a colocar a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus. Essa expressão colocar a sua religião em prática em grego é uma única palavra, é um único verbo, eusebel. A palavra eusebeia é o substantivo piedade eusebel é o verbo derivado desse substantivo. Então a gente não tem um verbo correspondente para isso. E por isso a NVI traduziu como colocar a sua religião em prática. Mas nesse contexto, então, piedade significa uma conduta em particular. Em outros momentos, piedade parece ser a vida cristã como um todo. Em Primeira Timóteo, capítulo 2, versículo 2, ele fala sobre a oração que deve se fazer aos reis e às autoridades para que a gente tenha uma vida com toda piedade. Então, a ideia ali é que vida cristã e piedade é a mesma coisa. Por isso que tentar entender o que é piedade em uma única passagem de Primeira Timóteo é é uma tarefa impossível. A gente não tem como saber o que Paulo quer dizer com isso, lendo apenas Primeira Timóteo, capítulo 2, versículo 2, ou Primeira Timóteo, capítulo 3, versículo 16, ou Primeira Timóteo, capítulo 5, versículo 4, ou os quatro usos que ele faz desse substantivo no capítulo 6. A gente entende o que isso quer dizer quando a gente lê todas essas passagens como um todo coerente do que Paulo está ensinando para Timóteo, do que Paulo está revelando para Timóteo. E quando a gente lê todos esses usos que ele faz dessa palavra, seja como o substantivo piedade, seja como o verbo praticar a piedade ou agir de acordo com a piedade, a gente percebe que são todas elas faces da mesma coisa. Todos esses usos diferentes e variados, com implicações diferentes da palavra piedade são faces da mesma coisa. E isso aparece com faces diferentes, porque piedade é uma palavra de interação. Piedade é a manifestação das enormidades da vida interna exuberância da vida externa. Piedade é a manifestação das enormidades que foram criadas dentro de nós por Deus, que foram sopradas por Deus na nossa vida internação da exuberância de uma vida externa que condiz a tudo aquilo que existe dentro de nós. Se a gente parar para refletir nessa convicção que temos e que a Bíblia insiste tanto que o Deus que criou céus e terra é o mesmo Deus que criou nova vida em nós, a gente chega a algumas conclusões que, ao meu ver, eh transgridem qualquer bom senso, que eh que desafiam qualquer tipo de eh de prudência e realidade baseada na nossa experiência. comum. [suspirando] A gente acredita que Deus criou o universo. A gente acredita que Deus criou as nebulosas, que Deus criou as galáxias, que Deus criou bilhões de estrelas, que Deus criou provavelmente trilhões de planetas. Essa enormidade do universo coloca para nós que nós somos o resto do pó das estrelas. Do ponto de vista físico e químico, de fato, os elementos que constituem o nosso corpo veio da explosão das estrelas que geraram esses elementos pesados e que nos formam, mas também em termos proporcionais. Nós não somos nada. Nós não temos nenhuma escala diante daquilo que são a a as dimensões eh do tamanho e da força envolvida na criação desse cosmos que a gente observa e que a gente conhece muito, muito pouco. Mas nós afirmamos enquanto cristãos, nós afirmamos enquanto discípulos de Jesus que esse mesmo Deus que criou toda essa enormidade lá fora, criou algo tão grande, tão complexo e tão singular aqui dentro. O mesmo Deus que criou o universo da forma maravilhosa como fez, criou a vida que existe dentro de nós. Ele soprou e fez tanto lá quanto ele fez aqui. Existe um universo dentro de você que foi soprado pela voz do Espírito Santo. O mesmo espírito que atuou na criação do mundo, o mesmo espírito que pairava sobre a face das águas, é o espírito que agora traz a existência pelo verbo, pela pessoa de Jesus que se faz manifesta na presença do Espírito Santo, trazendo uma nova vida, uma nova realidade, um mundo inteiro dentro de você. Existem continentes inexplorados dentro dessa espiritualidade que surge, que faz surgir, que que é trazida à existência pela força criativa do Espírito Santo. E a voz do Espírito diz pra gente que o canto da sereia é sedução e é engano. Canto da sereia nos leva até essa espiritualidade do lado de fora que não manifesta nenhuma realidade, nenhuma concretude, nada que vai permanecer diante do mínimo de o mínimo de veracidade, de correspondência à aquilo que se promete e aquilo que se encontra. Mas existe nessa voz do espírito vida e vida em plenitude. E quando nós percebemos que é essa a profundidade da ação do Espírito Santo, da voz do Espírito Santo, não apenas que nos chama, que nos conduz, mas cria a vida dentro de nós, nós somos chamados a responder. E o que é essa resposta? Piedade. É viver do lado de fora. É viver no visível, no concreto, no perceptível. por nós e pelas outras pessoas, de uma forma que seja coerente com aquilo que Deus fez dentro de nós. Piedade é tornar-se naquilo que se crê. Piedade é tornar-se nas convicções que nós temos que esse espírito que fez e criou dentro de nós nos chama para ter uma vida corrond correspondente fora do nosso próprio coração, uma vida que demonstra concretamente e de forma perceptível a graça que nós recebemos dentro de nós. Por isso que eu acredito que a piedade é essa convocação. a uma vida como ato único, como ato unificado de adoração. Piedade é ter a vida como um único ato coerente, conectado, completamente coeso de adoração. Nesse sentido, a gente começa a perceber que tudo aquilo que a gente faz está diante da decisão de fazer tal coisa como adoração ou não. A nossa vida não é uma sequência de atos que nós decidimos se serão atos de adoração ou não. A piedade revela pra gente que a nossa vida como um todo deve ser um ato coeso e unificado de adoração. Então, por exemplo, a forma como você lida com a frustração pode ou não ser um ato de adoração. Eu conheço pessoas que, diante do fato de que perderam aquilo que esperavam manter ou que não receberam aquilo que esperavam conquistar, as pessoas que tiveram as expectativas de eh poder aquilo que acreditavam precisar e de receber ajuda e não receberam, essas pessoas, diante dessa condição de frustração, responderam com uma paciência, responderam com a resistência e a persistência ou a perseverança da sua fé de tal forma que a sua atitude e a sua resposta diante daquela situação frustrante foi um ato de adoração. Talvez ela não tenha percebido isso, mas ela causou sobre os outros e as pessoas ao seu redor uma um impacto tão grande. Fez uma diferença tão grande esse testemunho de que é possível lidar com a frustração, continuando a confiar na bondade e na graça de Deus sobre a sua vida, que a maneira como ela reagiu à frustração foi um ato de adoração. A maneira como você lida com a comida pode ser um ato de adoração ou não. A comida é uma forma de suprir as necessidades que você possui em seu corpo ou é um ato desenfreado de autossatisfação? glutonaria. A comida é uma forma de suprir os nutrientes que o seu corpo necessita para se desenvolver da forma como ele deve se desenvolver ou é uma forma de desfrutar de todos os prazeres que o seu dinheiro pode comprar e lhe gerar por meio daquilo que é o prazer do paladar, do prazer da boca, do sabor. A maneira como nós lidamos com a comida pode ser um ato de adoração ou não. A maneira como nós lidamos com dinheiro, certamente pode ser um ato de adoração ou não. O dinheiro serve para mim e paraa satisfação dos meus desejos. Ou o dinheiro serve para suprir necessidades e para abençoar as outras pessoas? Então a gente olha pra piedade como a convocação, para a vida como um ato de adoração. Que a gente coma, que a gente beba, que a gente faça qualquer outra coisa, nós devemos fazer essas coisas pra glória de Deus. Isso é piedade. É ter uma vida de coerência a tal ponto que as pessoas ao nosso redor, elas percebem que elas estão na presença de uma maneira muito particular. de experimentar esse dom que Deus nos deu de vivermos, mas de vivermos plenamente. E eu acredito que isso tem um um peso e uma e um poder de transformação tão grande que quando eu olho para as pessoas ao meu redor, eh, não é sempre. Eu acredito que inclusive eu estou alheio a essa realidade a maior parte do tempo, mas muitas vezes eu percebo quando eu estou na presença de um homem piedoso, de uma mulher piedosa, esse homem e essa mulher, eles eles não precisam fazer força para fazer diferença. Eles não precisam querer ser influentes para ser influentes. Eles não precisam querer transformar as coisas para de fato transformar as coisas. Eles vivem, eles manifestam uma coerência na sua conduta, na sua palavra, na maneira como elas reagem às coisas, que manifestam uma grandeza, novamente, uma exuberância de vida, que só pode vir e existir de uma fonte de vida, de uma forma de existência que foi colocada dentro delas e que agora é manifesta fora delas, é é tornada visível, é possível de se experimentar com elas, porque isso primeiramente foi feito sobre elas. Então, a minha percepção sobre a piedade, e na verdade isso não surge da minha própria compreensão, da minha criatividade, é que o que Paulo coloca no final do capítulo 4 é que isso produz salvação. A piedade que nós temos, o exercício da piedade que nós fazemos na nossa caminhada, produz salvação não apenas sobre nós mesmos, mas sobre todos aqueles que nos ouvem. Veja como isso também não é uma coisa que acontece de forma fortuita, acidental e espontânea. Paulo chama Timóteo a se exercitar na piedade. É isso que está no texto que a gente acabou de ler no versículo de número S. Rejeite, porém, as fábulas profanas e tolas e exercite-se na piedade. O exercício físico é de pouco proveito. A piedade, porém, é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da vida futura. A afirmação de Paulo é um contrassenso com tudo aquilo que a gente imagina a respeito de uma espiritualidade autêntica. As pessoas que estavam no contexto de Éfeso ouviam falar das religiões de mistério. E as religiões de mistério diziam que o conhecimento de Deus é inacessível paraa maioria das pessoas. O conhecimento de Deus, ele é desconhecido a quase todos, mas apenas a alguns, apenas aos iniciados na nossa religião, é dado a conhecer de fato quem Deus é, qual é o segredo da vida, de que forma você deve conduzir a sua vida para ter uma experiência espiritual autêntica. Por isso a repetição do mantra, por isso a prática desse rito ou daquele, quando Paulo está falando pra gente que o grande mistério da piedade, a manifestação do Deus autêntico, a experiência espiritual real acontece naquilo que Deus já manifestou e naquilo que nós praticamos e exercitamos da nossa piedade. Isso não acontece por acidente. Isso acontece por aqueles que se submetem à voz e à orientação do espírito, mas aqueles que se exercitam nessa piedade, que querem e que buscam ouvir constantemente essas palavras. Então, a minha compreensão e a minha vontade ou o meu desejo para minha vida e para você que talvez esteja ouvindo essa mensagem, é que você se exercite na piedade para que você tenha uma vida de coerência capaz de transformar o meio, capaz de transformar as pessoas que estão ao seu redor de uma forma tão poderosa que se faça sem nem mesmo você perceber que você está querendo transformar essas pessoas, mas simplesmente porque você manifesta essa nova forma de vida. Fazendo isso, você salvará a si e aos outros, aqueles que o ouvem. a comunhão, a sustentação da relação entre os santos, a manifestação da vida de Cristo entre nós, mas também diante do mundo. Esse testemunho poderoso capaz de transformar a realidade, passa pela sua piedade, passa pela sua capacidade de manifestar na sua conduta, na sua prática, na moral que você revela, na ética com que você se conduz. passa por tudo isso como uma forma de demonstração daquilo que Deus fez e realizou dentro da sua vida. Por isso, eu convido você nesse momento a orar e a pedir ao Senhor que abençoe a sua jornada com essa coerência de vida, com essa manifestação de uma nova realidade que foi feita dentro de nós e que agora nós manifestamos como a maior contribuição que a gente pode dar paraa transformação da da realidade. Senhor, nosso Deus e nosso Pai, nós colocamos diante do Senhor a nossa palavra e o nosso desejo. Nós colocamos diante do Senhor o nosso coração de ouvir aquilo que é a voz do Espírito, de não sermos seduzidos, seduzidas por aquilo que é o canto da sereia. Nós pedimos ao Senhor que nos permita demonstrar o mundo e as pessoas que estão em torno de cada um de nós aquilo que o Senhor fez dentro de nós. Eu peço ao Senhor que utilize aquilo que é a vida dos santos, a vida desses homens e mulheres piedosas para construir uma comunidade que tenha comunhão, que tenha coerência, que nós possamos salvar a nós mesmos e ao nosso próximo pelo testemunho dessa verdade, mas que nós também possamos ser esse testemunho poderoso para as pessoas que não conhecem ao Senhor, para o mundo ao nosso redor, que existe Existe uma outra forma de vida, existe uma outra forma de espiritualidade que tem dentro de nós, tanto quanto o Senhor criou fora de nós. Em nome de Jesus que nós te oramos. Amém.