Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

O Canto da Sereia e a Voz do Espírito – 1 Timóteo 3.14-4.8 | Ákilla Nascimento | IBNU

O Canto da Sereia e a Voz do Espírito – 1 Timóteo 3.14-4.8 | Ákilla Nascimento | IBNU

O Canto da Sereia e a Voz do Espírito – 1 Timóteo 3.14-4.8 | Ákilla Nascimento | IBNU

Comunidade Saudável. Cidade melhor!

Contribua para os projetos IBNU:
Chave PIX (CNPJ): 08.802.770/0001-60
Banco Bradesco
Ag. 1445-1
CC. 35400-7

Contribua

Conheça mais:
contato@ibnu.com.br

Home

Siga-nos:
https://www.instagram.com/ibnusaopaulo/
https://www.facebook.com/ibnusp

Legendas automáticas:

O canto da sereia e a [música] voz do
espírito. Convido você a pensar hoje
sobre o texto de Primeira Timóteo,
capítulo 3, versículo 14 até Primeira
Timóteo 4:8, em que nós vamos pensar
sobre essas histórias antigas, essas
vozes antigas que nós escutamos ou não
na [música] condução de uma verdadeira
espiritualidade. Por isso, convido você
a acompanhar a nossa mensagem de hoje.
[música]
Existe uma história antiga de um poeta
conhecido, Homero, que fala sobre a
Odisseia. A Odisseia é uma história que
ganhou novos interesses nos últimos
meses porque passou por uma adaptação
pro cinema por um dos cineastas mais eh
celebrados da contemporaneidade. Mas a
Odisseia é uma história muito antiga que
formou parte do que nós chamamos de
mundo ocidental. E o pensamento que hoje
nós temos, a forma de enxergar a
realidade é profundamente influenciada
pela história da Odisseia. E essa é a
história que conta aquilo que foi a
jornada de retorno de Ulisses para sua
terra, para sua casa, a ilha de Itaca,
onde ele era rei e era líder das forças
militares. Mas essa é uma história que
acontece na sequência de outra história
muito conhecida, que é a história da
Ilíada, que conta a história da guerra
entre os aqueus, os gregos antigos, e os
troianos. E naquela história da batalha
entre os aqueus e os troianos, disse que
a cidade de Troia tinha os muros
intransponíveis, que não poderiam ser
rompidos por nenhum tipo de força ou
capacidade militar. E de fato, os aquos
tentam de toda maneira penetrar os muros
da cidade de Troia e não conseguem. Até
que Ulisses tem uma ideia de profunda
astúcia e engenhosidade.
Eles constróem um cavalo de madeira,
colocam todos os guerreiros aquios
dentro desse cavalo e deixam o cavalo na
praia próximo à cidade de Troia. Os
troianos encontram esse cavalo e
interpretam duas coisas, que eles
venceram a guerra. Os aqueus desistiram
daquela batalha porque perceberam que
não poderiam ser vencedores. E, por
outro lado, eles foram presenteados
pelos deuses, talvez como uma forma de
celebrar a grande resistência e
capacidade dos troianos. Eles levam o
cavalo de Troia para dentro da cidade e
na primeira noite os guerreiros aqueus
saem de dentro do cavalo e conseguem
vencer a batalha contra os troianos, que
são pegos de surpresa, desarmados e são
então completamente eh devastados pelo
exército dos aqueus. Tudo isso por conta
da ideia de Ulisses. E aí Ulisses, ele
começa a sua jornada de volta para a
ilha de Ítaka e conta a mitologia grega,
conta a história de Homero, que Ulisses
enfrenta todo tipo de adversidade. Ele
precisa enfrentar ciclope, ele precisa
enfrentar redemunhinho gigante, monstros
de várias espécies. Mas em um momento
especial conta-se que Ulisses precisa
atravessar o mar próximo a uma ilha onde
estão duas sereias.
E essa é a proverbial história do canto
das sereias, porque diz a lenda grega ou
a mitologia grega conta que esse era o
canto mais agradável que um ser humano
poderia ouvir. O canto dessas duas
sereias. O timbre, a voz, o prazer que
estava em escutar era tão grande que os
marinheiros que passavam por aquela ilha
ou próximo aquela ilha, invariavelmente
iam ao encontro da voz dessas sereias.
E o problema é que todos aqueles que iam
encontro das sereias morriam, porque os
barcos eles se chocavam contra as
rochas. E por isso todo o marinheiro,
todo aquele que ouvia o canto das
sereias, morria como consequência da
sedução que sofria e que necessariamente
passava ao se chocar contra aquelas
rochas. A história conta que o Lises
teve outra ideia de uma astúcia muito
singular, que é ele acreditava que
poderia ouvir o canto das sereias e
sobreviver. Ele colocou cera no ouvido
de todos os marinheiros e ordenou que
ele mesmo fosse amarrado ao mastro. E
ele fez um pacto com aqueles
marinheiros. Não importa o que eu diga,
não importa o que eu faça, vocês não
irão me desamarrar desse mastro. E a
história conta que ele foi bem-sucedido
no seu artifício. Ele conseguiu ouvir o
canto das sereias e sobreviver. Ele
mesmo não estava com cera nos ouvidos,
mas todos os outros estavam.
[suspirando]
E é muito intuitivo e impulsivo ouvir
essa história, ler essa narrativa e
fazer a seguinte pergunta: o que é que
esse canto das sereias significa? O que
é que significava no tempo em que Homero
contou e talvez compôs sozinho toda a
história da Odisseia? A gente não sabe
muito bem a origem dessa história, mas o
que é que isso significava para esse
poeta e de que forma o canto das sereias
assume um significado na nossa condição
hoje. E eu acredito que um dos cantos da
sereia que acontecem
em nossa cultura e em nossa condição é
nos convencer de que nós vivemos no
mundo da representação.
Nós vivemos
encantados e convencidos de que as
coisas não são que elas de fato são. As
coisas são o que elas passaram a
representar.
O canto da sereia em nosso tempo é
convencer você a viver no mundo da
representação do valor que as coisas
possuem. Por exemplo, quanto vale uma
camisa? A camisa é o custo do algodão.
A camisa é o custo da mão de obra?
ou a camisa vale a logomarca que está
impressa nela.
O que é um carro? É um meio de
transporte que leva você do ponto A para
o ponto B? É uma forma de deslocamento
ou é um símbolo daquilo que é a sua
capacidade de acessar um bem material,
de ter passado a pertencer um grupo de
pessoas que têm acesso a esse tipo de
bem. O que é o trabalho? O trabalho é
uma forma de conquista dos recursos
necessários paraa subsistência. É uma
forma de ser abençoado por Deus para que
a gente possa ter recursos para abençoar
os outros. Ou trabalha uma forma de
afirmação, a afirmação da sua
inteligência, da sua capacidade, daquilo
que você pôde conquistar.
O canto da sereia no nosso tempo é
justamente o convencimento de que as
coisas não são o que elas de fato valem
ou deveriam ser, mas aquilo que elas
passaram a representar.
Dentro desse mundo construído e
sedutor do canto das sereias,
há o convencimento de que a vida é
aquilo que é representado e mostrado
para os outros.
A espiritualidade dessas pessoas que
vivem de acordo com essa perspectiva da
realidade é a espiritualidade de um
crustácio. Todo o esqueleto está do lado
de fora do corpo, mas não existe nenhuma
sustentação do lado de dentro dele. Por
isso que eu acredito que é muito
importante a gente estar atento, atenta
à voz que nós seguimos na definição
do tipo de vida que a gente acredita
estar construindo, do tipo de caminho
que nós estamos seguindo.
Existe o canto da sereia, mas existe uma
outra história antiga que precisa ser
lembrada. E eu vou ler com você o texto
de Primeira Timóteo, capítulo 3, do
versículo 8, perdão, do versículo 14 até
o capítulo 4, versículo 8.
Primeira Timóteo 3:14 até o 48 diz
assim: "Escrevo-lhe estas coisas, embora
espere ir vê-lo em breve, mas se eu
demorar, saiba como as pessoas devem
comportar-se na casa de Deus, que é a
igreja do Deus vivo, coluna e fundamento
da verdade." Não há dúvida de que é
grande o mistério da piedade. Deus foi
manifestado em corpo, justificado no
espírito, visto pelos anjos, pregado em
três nações, crido no mundo e recebido
na glória. O Espírito diz claramente que
nos últimos tempos alguns abandonarão a
fé e seguirão espíritos enganadores e
doutrinas de demônios. Tais ensinamentos
vem de homens hipócritas e mentirosos
que têm a consciência cauterizada e
proíbem o casamento e o consumo de
alimentos que Deus criou para serem
recebidos com ação de graças pelos que
creem e conhecem a verdade. Pois tudo o
que Deus criou é bom e nada deve ser
rejeitado se for recebido como ação de
graças, pois é santificado pela palavra
de Deus e pela oração. Se você
transmitir essas instruções aos irmãos,
será um bom ministro de Cristo Jesus,
nutrido com as verdades da fé e da boa
doutrina que tem seguido. Rejeite,
porém, as fábulas profanas e tolas e
exercite-se na piedade. O exercício
físico é de pouco proveito. A piedade,
porém, para tudo é proveitosa, porque
tem promessa da vida presente e da
futura.
Existe uma certa mistificação disso que
a gente chama ouvir a vontade de Deus.
[limpando a garganta] Para muitas
pessoas,
ouvir a vontade de Deus é sempre algo
misterioso, é sempre algo difícil e
incerto de saber se de fato estamos
escutando ou não a voz de Deus. É bem
verdade que existem muitas situações em
que nós precisamos saber qual é a
direção de Deus para uma decisão
específica, para uma atitude em
particular que a gente precisa tomar. E
nesses casos, mesmo que a gente saiba o
que é que Deus falou em muitos outros
contextos, a gente não consegue ver de
imediato qual é a implicação disso pra
situação em que a gente está vivendo.
Mas veja que na Bíblia, de forma geral,
Deus não é um Deus que tem prazer em
estar escondido, em não ser ouvido, em
não ser conhecido.
Deus não é um Deus que torna a sua
vontade algo tão difícil de ser acessada
que apenas algumas poucas pessoas
conseguem alcançá-la. Na verdade, uma
das imagens que mais marcaram a minha
memória ainda adolescente era ler o
livro de Provérbios e perceber que a
vontade de Deus estava personificada na
sabedoria. E a sabedoria enquanto uma
mulher, uma pessoa que aparece no livro
de Provérbios. E Provérbios fala que a
sabedoria ela não estar nos locais pouco
conhecidos, não estar nos locais
difíceis de serem encontrados. Ela se
coloca nas portas da cidade. Ela fala
nos lugares altos porque ela quer ser
escutada.
A sabedoria enquanto manifestação
daquilo que é a voz e a vontade de Deus
para os seus filhos, para os
inexperientes adquirirem experiência,
para que os jovens não sejam
imprudentes, para que os homens conduzam
a sua vida adequadamente, se coloca como
aquela que quer ser ouvida e Deus
manifesta a sua vontade. Nas situações
em que nós não sabemos exatamente como
conduzir a nossa vida, é muito
pertinente que a gente ore e que a gente
busque de maneira específica aquilo que
é o direcionamento de Deus para o
momento em que estamos vivendo. Mas tem
muita coisa que, honestamente
você não precisa orar para saber qual é
a vontade de Deus. Isso já foi revelado
da parte de Deus. Você pode não saber se
você deve ou não casar com essa pessoa,
mas uma vez que você casou com essa
pessoa, você tem dúvida sobre a maneira
como você deve conduzir o seu casamento?
Você tem dúvida se você deve ser
paciente ou não? Se você deve se
sacrificar ou não pelo seu cônjuge, se
você homem deve estar disposto ou não a
entregar a sua vida pela sua esposa.
Claro que não. Você não precisa orar
para saber qual é a vontade de Deus a
respeito dessas coisas, porque Deus já
manifestou a sua vontade.
Isso também fica muito claro quando a
gente lê as cartas de Paulo, que vontade
de Deus ou ouvir a voz de Deus significa
meditar nas coisas que Deus já revelou
como sendo o seu desejo e a sua vontade.
Naquilo que a gente encontra nas cartas
de Paulo, existe essa compreensão de que
Deus ele se revela e tem muitas coisas
que ele revela que não estão nas
escrituras. Isso é verdade. Por exemplo,
a gente tem o caso do próprio Paulo, que
fala na carta aos Coríntios, que subiu
ao terceiro céu. Ele fala como se fosse
outra pessoa, mas um pouco mais adiante
o contexto demonstra que ele está
falando de si mesmo e ali ele viu coisas
que são indisíveis.
A gente vê no final do Evangelho de João
que se o apóstolo fosse registrar tudo
aquilo que Jesus fez, tudo aquilo que
ele falou, eh, não haveria tinta, não
haveria papel suficiente para registrar
todas as coisas. Se é verdade que tem
coisas que Deus fala, tem coisas que
Deus faz que não estão na escritura. Mas
é também verdade que tudo aquilo que é
reconhecido como escritura é entendido
como voz de Deus. E para Paulo, ouvir a
voz de Deus significa
ler, meditar e compreender o que as
Escrituras estão revelando a respeito da
vontade que Deus fez manifesta, fez
plenamente acessível e conhecida aos
homens.
Então, a questão principal não é se Deus
fala, mas é se nós escutamos.
A questão principal não é se Deus
permite que a sua voz seja ouvida, mas
se a gente se coloca na condição de
ouvintes atentos e submissos a essa voz
que está constantemente falando conosco.
E quando a gente olha para esse
contraste entre o canto da sereia e a
voz do Espírito Santo, para aquilo que
Paulo afirma que o Espírito está falando
nesse contexto da primeira carta a
Timóteo, a gente vê que Paulo tem uma
preocupação muito particular com o seu
pupilo, com o seu discípulo, que é
Timóteo. Timóteo está na cidade de Éfeso
e Éfeso tem uma importância muito
peculiar, muito particular no ministério
de Paulo, porque é nessa cidade que
Paulo dedicou mais tempo do seu
ministério. Ele não passou mais tempo em
nenhum outro lugar plantando uma igreja,
uma comunidade e se dedicando a essa
comunidade, pelo menos presencialmente,
como ele fez em Éfeso. Ele passou
praticamente 3 anos na cidade de Éfeso e
quando ele saiu, ele deixou aquele que
parece ter sido seu discípulo mais
próximo, mais próximo e talvez mais
promissor, que foi justamente o jovem
Timóteo. Pelas correspondências que a
gente lê, tanto em primeira quanto em
segunda Timóteo, nas referências que a
gente vê nas outras cartas, a gente
percebe que a relação de Paulo com
Timóteo é ainda mais próxima e a
expectativa é ainda mais elevada.
do que aquilo que nós vemos com Tito, do
que a gente vê com Silas, do que o
companheiro mais experiente que era
Barnabé, do que qualquer outro
cooperador. E a outra coisa é que Éfeso
tinha uma importância de fato
geográfica, política e religiosa muito
particular na província da Ásia. Quando
a gente lê Apocalipse capítulo 2 e 3,
com as sete igrejas do Apocalipse,
aquelas sete igrejas se encontram na
província da Ásia e todas elas foram
plantadas a partir da igreja que se
reunia e se encontrava na cidade de
Éfeso. Então esse é o ponto de partida
para todo o evangelho que se espalha
naquela região. E quando a gente
encontra essa cidade tão importante,
esse discípulo
tão próximo
e essa comunidade tão relevante para
aquilo que iria acontecer, e Paulo tinha
expectativas que isso viesse acontecer,
o que é que Paulo fala para Timóteo?
Timóteo, cuidado com o ensino.
Cuide da sua conduta, cuide da sua forma
de vida, mas tenha muito cuidado com o
ensino que você apresenta para essa
comunidade.
Tenha muito cuidado com o ensino que irá
formar essa comunidade. E por que Paulo
tinha uma preocupação tão grande com o
ensino?
Porque ele sabia que o ensino que é dado
a uma comunidade define o tipo de vida
que surge naquela comunidade.
Paulo sabia que o tipo de ensino que
Timóteo viesse a fornecer, a prover para
aquela comunidade, iria definir o tipo
de vida que seria nutrida e que seria
amadurecida naquela comunidade. ensino
dá frutos e frutos muito concretos,
frutos muito duradouros.
E para Paulo, ensino é uma coisa muito
mais abrangente e muito mais eh
relevante do que parece ser a nossa
forma de entender ensino. Isso que você
está ouvindo agora, uma pregação na
internet, isso que você ouve quando você
vai na igreja, talvez na quarta, na
sexta, no domingo, num dia de culto, de
celebração,
e houve uma pregação do seu pastor, do
seu líder, isso que você entende
enquanto ensino como um curso que você
faz, uma aula que você assiste, é ensino
na perspectiva bíblica e naquilo que
Paulo está tratando como ensino.
Mas tem muitas outras coisas que entram
nessa categoria de ensino que talvez não
seja percebido por você. Porque para
Paulo ensino é o alimento da alma.
Para Paulo, ensino é tudo aquilo que
alimenta o nosso corpo espiritual e que
vai se desenvolver a partir dos
nutrientes que nós fornecemos para ele
de acordo com as palavras que nós
acreditamos que são verdade. Nesse
ponto, a analogia é exata. Assim como o
nosso corpo é aquilo que os alimentos
permitem que ele se torne,
o nosso corpo espiritual, a nossa alma
se torna aquilo que o ensino permite que
ela se torne. Isso é tão claro que a
própria linguagem de Paulo reflete isso
no versículo 6. Se você transmitir essas
instruções aos irmãos, será um bom
ministro de Cristo Jesus nutrido com as
verdades da fé e da boa doutrina que tem
seguido. A nutrição do seu corpo, da sua
vida e da sua alma depende do tipo de
ensino que você possui. E para mim um
diagnóstico muito claro do que é que tem
constituído um ensino que alimenta a
nossa alma é a maneira como nós gastamos
o nosso tempo. O tempo que essa força
sempre limitada, finita e incontornável,
diz muito a respeito daquilo que nós
temos voluntariamente nos dedicado
enquanto a fonte
daquilo que deve produzir vida ou não em
nosso espírito. Por exemplo, uma pessoa
que passa 1 hora, 2 horas, 3 horas do
seu dia numa rede social,
essa pessoa tem como fonte de ensino o
quê? a pregação de 30, 40, 50 minutos
que ela ouve no domingo ou às 21 horas
que ela gastou durante uma semana, sendo
submetida a todo tipo de estímulo a
respeito da vida que ela deve ter, do
corpo que ela deve ter, dos produtos que
ela deve consumir, da maneira como ela
deve conduzir a sua família, da
profissão que ela deveria desejar, do
dinheiro que ela não possui, mas ela
deve ambicionar. É muito claro que
dentro desse contexto, aquilo que
alimenta a alma dessa pessoa é o tempo
que ela dedica a toda essa fonte de não
apenas informação, mas de desejo. Para
essa pessoa,
aquilo que é a voz que vem por meio da
rede social funciona como aquilo que
nutre a sua alma e o que vai determinar
a maneira como a sua alma irá se
desenvolver ou não. Mas tudo isso está
relacionado àquilo que nós assumimos
como a fonte de ensino que conduz a
nossa própria forma de pensar, de
desejar e de enxergar as coisas.
Para Paulo, então,
existe esse foco e essa dedicação muito
clara que ele tem sobre o ensino que ele
fornece à comunidades, que ele lidera,
que ele plantou, mas também na instrução
que ele dá a Timóteo. E aquilo que ele
fala para Timóteo a respeito do ensino e
a maneira como ele deveria
eh priorizar isso na sua no seu papel
enquanto pastor e líder daquela
comunidade,
mostra pra gente uma diversidade de
preocupações,
uma diversidade de posturas e condutas
que Timóteo deveria ter. Mas uma coisa
especial nessas várias recomendações se
destaca e se destaca com muita clareza
na carta de primeira Timóteo, mais do
que na segunda carta a Timóteo e mais do
que em Tito, a outra carta pastoral que
é Timóteo.
Tenha atenção à sua piedade.
A palavra piedade aparece em Primeira
Timóteo oito vezes. E essa palavra que
aparece oito vezes aqui nessa carta
aparece com usos muito diversos e muito
diferentes. E não é fácil a gente
entender o que é que Paulo quer dizer
com piedade. O que a gente percebe é que
Paulo tem na piedade algo que é muito
relevante, muito fundamental para o
conteúdo do ensino que Timóteo deveria
ter e providenciar para aquela a
comunidade. Mas mais do que isso, a
piedade também parecia ser uma forma de
vida.
a parecia ser aquilo que Paulo
acreditava ser o próprio conteúdo do
evangelho. Então, quando a gente lê a
palavra piedade
dentro da carta ao Timóteo, é
muito difícil a gente ter uma imagem
coerente de tudo aquilo que ela
significa, tudo aquilo que isso implica
na correspondência com o jovem Timóteo.
E essa é uma palavra de uma vida muito
sofrida. É uma palavra de uma trajetória
muito desgastada e desgastada por conta
do jargão religioso. Pra gente piedoso é
aquela pessoa que tem a inclinação para
os ritos religiosos. Um homem piedoso é
aquele homem que
está disposto a cumprir tudo aquilo que
a sua religião exige dele. Se é ajoelhar
no milho, se é fazer uma procissão, se é
cumprir esse rito, se é ir todo domingo
no culto, se é participar de todo
projeto, de toda ação da igreja. O homem
piedoso é aquilo que cumpre aquilo que
as expectativas religiosas determina que
ele deve cumprir, tudo aquilo que ele
deve realizar.
Mas isso não tem nenhuma relação com
aquilo que Paulo nos apresenta em
Primeira Timóteo sobre o que é piedade.
Nessas oito a aplicações de Paulo da
palavra piedade, a gente vê isso
aparecendo uma vez no capítulo dois, uma
vez no capítulo 3, duas vezes no
capítulo 4 e quatro vezes no capítulo 6.
Se a gente vê uma diversidade de
aplicações, por exemplo, existem
momentos em que piedade parece ser o
equivalente ao evangelho. Capítulo 3,
versículo 16, o mistério da piedade.
Dois pontos. E aí ele apresenta um poema
de seis linhas que conta a história de
Deus refletida na pessoa de Jesus.
Mistério da piedade ou piedade aqui
significa a história do próprio
evangelho ou o anúncio do próprio
evangelho. Existe outros contextos que
piedade aparece como verbo, não apenas
na forma como nós estamos acostumados a
utilizar, mas de uma maneira muito,
muito especial, que é o que aparece no
capítulo 5, quando Paulo trata da
situação das viúvas. Ele diz o seguinte
no versículo 4, primeira Timóteo 5:4.
Mas se uma viúva
tem filhos ou netos, que estes aprendam
primeiramente a colocar a sua religião
em prática,
cuidando de sua própria família e
retribuindo o bem recebido de seus pais
e avós, pois isso agrada a Deus. Essa
expressão colocar a sua religião em
prática em grego é uma única palavra, é
um único verbo, eusebel. A palavra
eusebeia é o substantivo piedade eusebel
é o verbo derivado desse substantivo.
Então a gente não tem um verbo
correspondente para isso. E por isso a
NVI traduziu como colocar a sua religião
em prática. Mas nesse contexto, então,
piedade significa uma conduta em
particular. Em outros momentos, piedade
parece ser a vida cristã como um todo.
Em Primeira Timóteo, capítulo 2,
versículo 2, ele fala sobre a oração que
deve se fazer aos reis e às autoridades
para que a gente tenha uma vida com toda
piedade. Então, a ideia ali é que vida
cristã e piedade é a mesma coisa. Por
isso que tentar entender o que é piedade
em uma única passagem de Primeira
Timóteo é é uma tarefa impossível. A
gente não tem como saber o que Paulo
quer dizer com isso, lendo apenas
Primeira Timóteo, capítulo 2, versículo
2, ou Primeira Timóteo, capítulo 3,
versículo 16, ou Primeira Timóteo,
capítulo 5, versículo 4, ou os quatro
usos que ele faz desse substantivo no
capítulo 6. A gente entende o que isso
quer dizer quando a gente lê todas essas
passagens como um todo coerente do que
Paulo está ensinando para Timóteo, do
que Paulo está revelando para Timóteo. E
quando a gente lê todos esses usos que
ele faz dessa palavra, seja como o
substantivo piedade, seja como o verbo
praticar a piedade ou agir de acordo com
a piedade, a gente percebe que são todas
elas faces da mesma coisa.
Todos esses usos diferentes e variados,
com implicações diferentes da palavra
piedade são faces da mesma coisa. E isso
aparece com faces diferentes, porque
piedade é uma palavra de interação.
Piedade é a manifestação
das enormidades da vida interna
exuberância da vida externa.
Piedade é a manifestação das enormidades
que foram criadas dentro de nós por
Deus, que foram sopradas por Deus na
nossa vida internação
da exuberância de uma vida externa que
condiz a tudo aquilo que existe dentro
de nós.
Se a gente parar para refletir nessa
convicção que temos e que a Bíblia
insiste tanto que o Deus que criou céus
e terra é o mesmo Deus que criou nova
vida em nós, a gente chega a algumas
conclusões que, ao meu ver, eh
transgridem qualquer bom senso, que eh
que desafiam qualquer tipo de eh de
prudência e realidade baseada na nossa
experiência. comum. [suspirando]
A gente acredita que Deus criou o
universo. A gente acredita que Deus
criou as nebulosas, que Deus criou as
galáxias, que Deus criou bilhões de
estrelas, que Deus criou provavelmente
trilhões de planetas.
Essa enormidade do universo coloca para
nós que nós somos o resto do pó das
estrelas. Do ponto de vista físico e
químico, de fato, os elementos que
constituem o nosso corpo veio da
explosão das estrelas que geraram esses
elementos pesados e que nos formam, mas
também em termos proporcionais.
Nós não somos nada. Nós não temos
nenhuma escala diante daquilo que são a
a as dimensões
eh do tamanho e da força envolvida na
criação desse cosmos que a gente observa
e que a gente conhece muito, muito
pouco.
Mas nós afirmamos enquanto cristãos, nós
afirmamos enquanto discípulos de Jesus
que esse mesmo Deus que criou toda essa
enormidade lá fora, criou algo tão
grande, tão complexo e tão singular aqui
dentro.
O mesmo Deus que criou o universo da
forma maravilhosa como fez, criou a vida
que existe dentro de nós. Ele soprou e
fez tanto lá quanto ele fez aqui. Existe
um universo dentro de você que foi
soprado pela voz do Espírito Santo. O
mesmo espírito que atuou na criação do
mundo, o mesmo espírito que pairava
sobre a face das águas, é o espírito que
agora traz a existência pelo verbo, pela
pessoa de Jesus que se faz manifesta na
presença do Espírito Santo, trazendo uma
nova vida, uma nova realidade, um mundo
inteiro dentro de você.
Existem continentes inexplorados dentro
dessa espiritualidade que surge, que faz
surgir, que que é trazida à existência
pela força criativa do Espírito Santo.
E a voz do Espírito diz pra gente que o
canto da sereia é sedução e é engano.
Canto da sereia nos leva até essa
espiritualidade do lado de fora que não
manifesta nenhuma realidade, nenhuma
concretude, nada que vai permanecer
diante do mínimo
de
o mínimo de veracidade, de
correspondência à aquilo que se promete
e aquilo que se encontra. Mas existe
nessa voz do espírito vida e vida em
plenitude. E quando nós percebemos que é
essa a profundidade da ação do Espírito
Santo, da voz do Espírito Santo, não
apenas que nos chama, que nos conduz,
mas cria a vida dentro de nós, nós somos
chamados a responder. E o que é essa
resposta? Piedade. É viver do lado de
fora. É viver no visível, no concreto,
no perceptível. por nós e pelas outras
pessoas, de uma forma que seja coerente
com aquilo que Deus fez dentro de nós.
Piedade é tornar-se naquilo que se crê.
Piedade é tornar-se nas convicções que
nós temos que esse espírito que fez e
criou dentro de nós nos chama para ter
uma vida corrond correspondente fora do
nosso próprio coração, uma vida que
demonstra concretamente e de forma
perceptível a graça que nós recebemos
dentro de nós. Por isso que eu acredito
que a piedade é essa convocação.
a uma vida como ato único, como ato
unificado de adoração.
Piedade é ter a vida como um único ato
coerente, conectado,
completamente coeso de adoração. Nesse
sentido, a gente começa a perceber que
tudo aquilo que a gente faz está diante
da decisão de fazer tal coisa como
adoração ou não. A nossa vida não é uma
sequência de atos que nós decidimos
se serão atos de adoração ou não. A
piedade revela pra gente que a nossa
vida como um todo deve ser um ato coeso
e unificado de adoração. Então, por
exemplo, a forma como você lida com
a frustração
pode ou não ser um ato de adoração.
Eu conheço pessoas que, diante do fato
de que perderam aquilo que esperavam
manter ou que não receberam aquilo que
esperavam conquistar, as pessoas que
tiveram as expectativas de eh poder
aquilo que acreditavam precisar e de
receber ajuda e não receberam, essas
pessoas, diante dessa condição de
frustração, responderam com uma
paciência,
responderam com a resistência e a
persistência ou a perseverança da sua fé
de tal forma que a sua atitude e a sua
resposta diante daquela situação
frustrante foi um ato de adoração.
Talvez ela não tenha percebido isso, mas
ela causou sobre os outros e as pessoas
ao seu redor uma um impacto tão grande.
Fez uma diferença tão grande esse
testemunho de que é possível lidar com a
frustração,
continuando a confiar na bondade e na
graça de Deus sobre a sua vida, que a
maneira como ela reagiu à frustração foi
um ato de adoração.
A maneira como você lida com a comida
pode ser um ato de adoração ou não. A
comida é uma forma de suprir as
necessidades que você possui em seu
corpo ou é um ato desenfreado de
autossatisfação? glutonaria.
A comida é uma forma de suprir os
nutrientes que o seu corpo necessita
para se desenvolver da forma como ele
deve se desenvolver ou é uma forma de
desfrutar de todos os prazeres que o seu
dinheiro pode comprar e lhe gerar por
meio daquilo que é o prazer
do paladar, do prazer da boca, do sabor.
A maneira como nós lidamos com a comida
pode ser um ato de adoração ou não.
A maneira como nós lidamos com dinheiro,
certamente pode ser um ato de adoração
ou não. O dinheiro serve para mim e
paraa satisfação dos meus desejos. Ou o
dinheiro serve para suprir necessidades
e para abençoar as outras pessoas?
Então a gente olha pra piedade como a
convocação,
para a vida como um ato de adoração. Que
a gente coma, que a gente beba, que a
gente faça qualquer outra coisa, nós
devemos fazer essas coisas pra glória de
Deus. Isso é piedade.
É ter uma vida de coerência a tal ponto
que as pessoas ao nosso redor,
elas percebem que elas estão na presença
de uma maneira muito particular.
de experimentar esse dom que Deus nos
deu de vivermos, mas de vivermos
plenamente.
E eu acredito que isso tem um um peso e
uma e um poder de transformação tão
grande que quando eu olho para as
pessoas ao meu redor, eh, não é sempre.
Eu acredito que inclusive eu estou
alheio a essa realidade a maior parte do
tempo, mas muitas vezes eu percebo
quando eu estou na presença de um homem
piedoso, de uma mulher piedosa,
esse homem e essa mulher, eles eles não
precisam fazer força para fazer
diferença. Eles não precisam querer ser
influentes para ser influentes. Eles não
precisam querer transformar as coisas
para de fato transformar as coisas. Eles
vivem, eles manifestam uma coerência na
sua conduta, na sua palavra, na maneira
como elas reagem às coisas, que
manifestam uma grandeza, novamente, uma
exuberância de vida, que só pode vir e
existir de uma fonte de vida, de uma
forma de existência que foi colocada
dentro delas e que agora é manifesta
fora delas, é é tornada visível, é
possível de se experimentar com elas,
porque isso primeiramente foi feito
sobre elas.
Então, a minha percepção sobre a
piedade, e na verdade isso não surge da
minha própria compreensão, da minha
criatividade, é que o que Paulo coloca
no final do capítulo 4 é que isso produz
salvação.
A piedade que nós temos, o exercício da
piedade que nós fazemos na nossa
caminhada, produz salvação não apenas
sobre nós mesmos, mas sobre todos
aqueles que nos ouvem. Veja como isso
também não é uma coisa que acontece de
forma fortuita, acidental e espontânea.
Paulo chama Timóteo a se exercitar na
piedade. É isso que está no texto que a
gente acabou de ler no versículo de
número S. Rejeite, porém, as fábulas
profanas e tolas e exercite-se na
piedade. O exercício físico é de pouco
proveito. A piedade, porém, é
proveitosa, porque tem promessa da vida
presente e da vida futura. A afirmação
de Paulo é um contrassenso com tudo
aquilo que a gente imagina a respeito de
uma espiritualidade autêntica. As
pessoas que estavam no contexto de Éfeso
ouviam falar das religiões de mistério.
E as religiões de mistério diziam que o
conhecimento de Deus é inacessível paraa
maioria das pessoas. O conhecimento de
Deus, ele é desconhecido a quase todos,
mas apenas a alguns, apenas aos
iniciados na nossa religião, é dado a
conhecer de fato quem Deus é, qual é o
segredo da vida, de que forma você deve
conduzir a sua vida para ter uma
experiência espiritual autêntica. Por
isso a repetição do mantra, por isso a
prática desse rito ou daquele, quando
Paulo está falando pra gente que o
grande mistério da piedade,
a manifestação do Deus autêntico, a
experiência espiritual real acontece
naquilo que Deus já manifestou e naquilo
que nós praticamos e exercitamos da
nossa piedade.
Isso não acontece por acidente. Isso
acontece por aqueles que se submetem à
voz e à orientação do espírito, mas
aqueles que se exercitam nessa piedade,
que querem e que buscam ouvir
constantemente essas palavras.
Então, a minha compreensão e a minha
vontade ou o meu desejo para minha vida
e para você que talvez esteja ouvindo
essa mensagem, é que você se exercite na
piedade para que você tenha uma vida de
coerência capaz de transformar o meio,
capaz de transformar as pessoas que
estão ao seu redor de uma forma tão
poderosa que se faça sem nem mesmo você
perceber que você está querendo
transformar essas pessoas, mas
simplesmente porque você manifesta essa
nova forma de vida. Fazendo isso, você
salvará a si e aos outros, aqueles que o
ouvem. a comunhão, a sustentação da
relação entre os santos, a manifestação
da vida de Cristo entre nós, mas também
diante do mundo. Esse testemunho
poderoso capaz de transformar a
realidade,
passa pela sua piedade, passa pela sua
capacidade de manifestar na sua conduta,
na sua prática, na moral que você
revela, na ética com que você se conduz.
passa por tudo isso como uma forma de
demonstração daquilo que Deus fez e
realizou dentro da sua vida. Por isso,
eu convido você nesse momento a orar e a
pedir ao Senhor que abençoe a sua
jornada com essa coerência de vida, com
essa manifestação
de uma nova realidade que foi feita
dentro de nós e que agora nós
manifestamos como a maior contribuição
que a gente pode dar paraa transformação
da da realidade.
Senhor, nosso Deus e nosso Pai, nós
colocamos diante do Senhor a nossa
palavra e o nosso desejo. Nós colocamos
diante do Senhor o nosso coração
de ouvir aquilo que é a voz do Espírito,
de não sermos seduzidos, seduzidas
por aquilo que é o canto da sereia. Nós
pedimos ao Senhor que nos permita
demonstrar o mundo e as pessoas que
estão em torno de cada um de nós aquilo
que o Senhor fez dentro de nós.
Eu peço ao Senhor que
utilize aquilo que é a vida dos santos,
a vida desses homens e mulheres piedosas
para construir uma comunidade que tenha
comunhão, que tenha coerência, que nós
possamos salvar a nós mesmos e ao nosso
próximo
pelo testemunho dessa verdade, mas que
nós também possamos ser esse testemunho
poderoso para as pessoas que não
conhecem ao Senhor, para o mundo ao
nosso redor, que existe Existe uma outra
forma de vida, existe uma outra forma de
espiritualidade
que tem dentro de nós, tanto quanto o
Senhor criou fora de nós. Em nome de
Jesus que nós te oramos. Amém.

Tags: