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A fé vem pelo ouvir

O Evangelho do Inferno | Josemar Bessa

O Evangelho do Inferno | Josemar Bessa

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#JesusCristo #Evangelho #TeologiaReformada #Justificação #Graça

Legendas automáticas:

Apóstolo Pedro diz que Deus não poupou
os anjos quando pecaram, mas os lançou
no inferno e os entregou aos abismos da
escuridão, reservando-os
para o juízo. Segunda Pedro 2:4.
Há acontecimentos
antigos e há acontecimentos anteriores à
própria história dos homens.
Antes do primeiro império, antes da
primeira guerra, antes da primeira
lágrima humana, antes de Caimar a mão
contra Bel,
antes de Eva olhar para o fruto, antes
de Adão ouvir passos no jardim e
procurar folhas para esconder sua
vergonha, antes mesmo que houvesse um
homem sobre a terra, o pecado já havia
entrado na criação. Não na terra, no
céu. Pedro nos leva para trás, muito
para trás, para uma região onde nossa
memória não alcança, para um tempo sobre
o qual nenhum historiador humano
escreveu.
E abre,
abre diante de nós uma porta terrível.
Anjos pecaram. É difícil imaginar frase
mais carregada ou pesada: anjos pecaram.
Seres criados para habitar na presença
de Deus. Seres que não conheciam a nossa
fraqueza corporal, não carregavam a
poeira de Adão, não haviam sido educados
em cidades corruptas, não cresceram
ouvindo blasfêmias, não aprenderam
rebelião observando pais rebeldes, não
foram formados em uma cultura que chama
trevas de luz, estavam em glória e
pecaram. Nós temos uma tendência,
uma tendência insistente de explicar o
pecado pelas circunstâncias. O homem
pecou porque cresceu em ambiente ruim,
porque foi cercado de pessoas ruins,
porque recebeu maus exemplos, porque a
cultura era decadente, porque alguém o
influenciou. Certamente circunstâncias
possuem poder, influências existem. A
companhia dos ímpios destrói. A educação
molda hábitos. Mas Pedro nos obriga a
olhar mais fundo. Porque houve pecado
onde não havia favela moral. Houve
pecado onde não havia sociedade humana
corrupta. Houve pecado em uma região
cercada pela majestade de Deus. A
criatura
pode estar diante da luz e ainda
escolher a escuridão.
Isso torna o pecado muito mais
assustador.
Ele não é apenas sujeira que entra pela
janela, é revolta da criatura contra o
criador.
É a vontade criada dizendo: "Não quero
permanecer debaixo do trono". É
dependência tentando se imaginar
dependência. é uma criatura recebendo
tudo de Deus e desejando existir para si
mesma. O pecado sempre começa como a
mentira sobre nossa posição no universo.
A criatura se esquece de que a criatura
imediatamente começa a cair, porque só
Deus é sustentado por si mesmo. Só Deus
tem a vida em si mesmo. Só Deus possui
vida em si. Só Deus é santo por
necessidade da sua própria natureza. Só
Deus é absolutamente imutável. Tudo mais
é criado, recebe, depende, é sustentado.
Os anjos não eram deuses menores
flutuando ao redor do trono. Eram
criaturas gloriosas, poderosas,
inteligentes, mas criaturas.
E quando a criatura deixa de encontrar
sua segurança no criador, nenhuma
grandeza criada pode salvá-la.
Essa é a primeira verdade que Pedro joga
contra a nossa autoconfiança.
Você não permanece porque é forte. Se
permanece é porque Deus o sustenta.
E pense
onde aqueles anjos estavam. Não no
deserto, não nas ruas de Sodoma, não no
palácio de Acabe, não no império de
César, no céu. Se havia um lugar onde
alguém poderia pensar aqui o pecado
jamais entrará, era ali. Tudo ao redor
falava de Deus. Sua companhia era santa,
seu serviço era santo, seu ambiente era
santo, sua ocupação era santa, sua visão
era elevada. Suas companhias não
ofereciam aquilo que nós normalmente
chamamos de mais influências. Não havia
pornografia, não havia dinheiro, não
havia embriaguez, não havia mercados de
vaidade humana, não havia cidades
construídas ao redor do orgulho dos
homens. Mesmo assim houve rebelião. Isso
deveria destruir em nós a confiança
exagerada nas circunstâncias
religiosas. Porque muitos de nós fazemos
da proximidade com coisas santas um
falso sacramento. Pensamos que viver
perto da fé significa possuir fé, que
conhecer crente significa conhecer
Cristo, que crescer dentro de uma igreja
significa ter nascido de Deus, que ouvir
sermões desde criança significa possuir
um novo coração.
Mas você pode passar décadas perto das
coisas de Deus, sem jamais conhecer Deus
salvadoramente.
Pode aprender a linguagem de Sião e
continuar cidadão de outro reino. Pode
cantar sobre graça sem tê-la recebido.
Pode conhecer a ordem do culto e não
conhecer aquilo que é cultuado.
Pode saber quando levantar, quando
sentar, quando abrir a Bíblia, quando
dizer amém. Pode aprender teologia como
quem aprende arquitetura, conhecer a
estrutura inteira e jamais entrar na
casa.
Há pessoas que cresceram ao lado de pais
piedosos, pais que oraram, choraram,
ensinaram, advertiram, colocaram a
escritura diante dos filhos. Mesmo
assim, alguns desses filhos partiram
para regiões onde seus pais jamais
imaginariam vê-los. A fé dos pais é
bênção, não é regeneração automática. O
coração de uma mãe pode cercar um filho,
não pode substituir um novo nascimento.
O ambiente da igreja pode restringir
muitos pecados, não pode criar vida
espiritual que ame a santidade de Deus.
Você pode estar tão cercado de santidade
externa que o pecado dentro de você
nunca encontrou oportunidade para
mostrar suas piores garras. Então,
passará a pensar que as garras não
existem. É possível confundir ausência
de ocasião com a ausência de corrupção.
O jovem que nunca teve oportunidade de
roubar pode imaginar que não ama
dinheiro. O homem que nunca recebeu
poder pode imaginar que não é orgulhoso.
A pessoa que nunca foi profundamente
contrariada pode imaginar que é paciente
e mansa. Aquele que nunca encontrou a
oportunidade certa pode pensar que
determinado pecado simplesmente não mora
nele. Mas a escritura não nos ensina a
confiar naquilo que ainda não apareceu.
Nos ensina a confiar em Deus. Os anjos
estavam em posição melhor que a nossa.
Nós não começamos nossa existência em
neutralidade moral. Somos filhos de
Adão. A queda entrou em nossa natureza.
Carregamos inclinações que não precisam
ser importadas para dentro. E ainda
assim dizemos: "Estou seguro porque
cresci em bom lugar. Os anjos estavam em
lugar melhor e caíram. Não confie no
lugar, não confie na família. Não confie
na
igreja em que você está. Não confie no
ambiente. A igreja pode apontar para
Cristo. Somente Cristo salva.
É impossível falar sobre aquela antiga
queda sem perceber a sombra do orgulho.
A escritura não nos entrega todos os
detalhes que nossa curiosidade gostaria
de possuir, mas [roncando]
isso é importante. Não precisamos
preencher com imaginação aquilo que Deus
decidiu
não revelar. Mas o que sabemos é
suficiente. Houve rebelião, houve
abandono do devido lugar. Houve criatura
contra criador. E toda rebelião começa
quando a criatura deixa de olhar para
Deus como o centro e começa a olhar para
si mesma. Talvez seja essa a anatomia
mais simples
do pecado. Deus sai do centro da visão.
O eu entra. Então, tudo se reorganiza.
A inteligência passa a servir ao eu. O
poder serve ao eu, a beleza serve ao eu.
O ministério serve ao eu, os dons servem
ao eu. Até mesmo a espiritualidade
pode servir ao eu e aquilo que deveria
ser oferecido diante do trono começa
lentamente a construir outro trono, o
nosso.
Por isso, o orgulho é tão perigoso, ele
não precisa tirar todas as coisas boas
da sua vida, basta mudar para quem elas
apontam. Você pode continuar pregando
para si, pode continuar servindo para
si, pode continuar estudando para si,
pode defender doutrina correta para
aumentar o próprio nome, pode lutar pela
verdade e amar mais a sensação de estar
certo do que o Deus da verdade. O pecado
é capaz de transformar até coisas santas
em instrumentos de idolatria.
Isso é assustador, porque significa que
o problema não está apenas no objeto
externo, está no coração que utiliza o
objeto. Uma criatura pode pegar algo
dado para a glória de Deus e fazê-lo
refletir a própria imagem. Foi assim no
Éden? Vocês serão como Deus. A serpente
não ofereceu apenas um fruto, ofereceu
um trono. E desde então o pecado
continua vendendo a mesma promessa com
embalagens diferentes. Você pode ser seu
próprio Senhor. Você pode definir o bem
e o mal. Você pode viver para si. Você
pode existir sem se curvar. O seu corpo
é seu. O seu tempo é seu. A sua vida é
sua. Você é o capitão da sua alma.
mestre do seu destino. É sempre o mesmo
evangelho do inferno.
A anatomia
e todo o evangelho de de
autonomia
termina em escravidão. Os anjos que
quiseram liberdade de Deus encontraram
correntes. O homem que quer libertar-se
do governo divino não se torna livre.
Troca o serviço do criador pela tirania
da corrupção. Essa é a ironia do pecado.
Promete salvação, produz queda. Promete
liberdade, produz prisão. Promete
expansão, produz trevas. O pecado sempre
nos oferece algo acima de nossa posição
para terminar nos colocando abaixo dela.
Anjos desejaram mais e perderam aquilo
que tinham. Adão desejou ser como Deus e
descobriu que era apenas pó. Nós
repetimos isso sempre que buscamos vida
longe daquele que é a própria vida. Por
isso, santidade começa com a recuperação
da ordem. Deus no trono, a criatura no
chão, não humilhada como se Deus tivesse
prazer em esmagar, mas finalmente
restaurada ao lugar onde a vida pode
florescer. Porque a criatura é mais
livre quando se curva ao criador,
mais viva quando depende, mais forte
quando confessa a fraqueza, mais segura
quando deixa de olhar para si. Talvez
alguém abandone a confiança na posição e
ainda conserve outra. Meu ambiente não
me salva, mas eu tenho capacidade.
Os anjos também.
E o que são nossas capacidades quando
colocadas
ao lado,
desculpa,
[roncando][limpando a garganta] quando
são colocadas ao lado das deles.
A escritura fala desses seres com uma
linguagem que revela força,
inteligência, velocidade, serviço.
Quando desejamos ilustrar algo elevado,
frequentemente recorremos aos anjos.
Entretanto, dons extraordinários não
impediram a rebelião. Isso significa que
capacidade nunca foi sinônimo de
caráter. Talento nunca foi santidade.
Inteligência nunca foi regeneração. E
talvez o mais assustador seja isso. O
pecado não precisa destruir seus dons.
Pode recrutá-los.
Um homem inteligente, não regenerado,
pode tornar-se mais perigoso justamente
porque é inteligente.
Ele não pecará de maneira ingênua,
construirá justificativas,
narrativas,
racionalizações,
desenvolverá argumentos, criará
sistemas, usará lógica para servir
aquilo que o coração já decidiu amar
antes. Uma pessoa eloquente pode usar
sua eloquência para proclamar Cristo ou
para fazer o pecado parecer belo.
Uma pessoa carismática pode reunir
multidões para o bem ou conduzi-las ao
abismo sorrindo. Uma personalidade forte
pode defender o fraco ou esmagá-lo.
Um líder pode servir ou tornar-se
pequeno tirano. Donsemidade
independente.
São apenas ferramentas nas mãos do
coração. Nos anjos caídos, inteligência
tornou-se astúcia. Poder que se
transformou em guerra, influência se
tornou sedução.
Aquele que deveria servir ao criador
passou a operar contra a sua obra. Que
advertência para nós, principalmente
para quem serve publicamente. Você pode
ser excelente pregador e péssimo
cristão. Pode saber explicar
justificação sem viver quebrantado pela
graça. Pode falar sobre humildade e amar
aplauso. Pode liderar pessoas na
adoração e secretamente adorar o próprio
reconhecimento.
Existe diferença entre ser usado e ser
aprovado.
Diferença entre doma, entre capacidade
ministerial e caráter santificado, entre
a habilidade de falar de Cristo e o amor
real por Cristo. Dom faz a pessoa
aparecer. Graça faz Cristo aparecer. Dom
pode levantar você diante de uma
multidão. Graça derruba você diante de
Deus. Dom recebe elogios. Graça, recebe
elogios e os transforma em motivo de
temor. Porque o homem cheio de graça
sabe tudo que tenho recebi. Então, para
que gloriar-me como se não tivesse
recebido? Quanto mais Deus concede, mais
perigoso torna-se o orgulho se a alma
deixar de lembrar de onde tudo veio e
que veio somente por graça. O dom pode
levar o posto, só a graça preserva o
coração no chão. E é no chão que estamos
seguros.
Depois há outra confiança especialmente
religiosa, o cargo. Sou pastor, sou
líder, sou professor, sou missionário,
sou presbítero, sirvo há muitos anos.
Sou uma pessoa que faz muito por outras
pessoas,
como se posição eclesiástica, por
exemplo, pudesse funcionar como vacina
contra apostasia. Pedro aponta para
seres que possuíam funções muito
superiores às nossas, espíritos
ministradores, servos do rei,
mensageiros celestiais, seres da corte e
alguns caíram. Se cargo angelical não
funcionou como armadura, como um título
humano funcionará.
Judas carregou um título que nenhum de
nós carregará. apóstolo, caminhou com
Cristo, ouviu Cristo, viu milagres, foi
enviado, participou da vida externa do
grupo mais privilegiado da história da
igreja e era filho da perdição.
Isso deveria tirar do ministério
qualquer ilusão de imunidade. O púlpito
não purifica automaticamente quem sobe
nele. A mesa do Senhor não santifica por
contato aqueles que se aproximam sem fé
e participam da mesa do Senhor. O
trabalho missionário não transforma
pecado não mortificado em virtude.
Você pode estar ocupado com coisas de
Deus e lentamente afastar-se de Deus.
Talvez
essa seja uma das formas mais sutis de
decadência. O homem trabalha tanto para
Deus que deixa de viver diante de Deus.
Prepara sermões, mas não é preparado
pela palavra. Ora publicamente, mas a
vida secreta seca. Fala sobre Cristo,
mas já não se maravilha.
com Cristo defende verdades que deixaram
de produzir temor na própria alma. E
como o ministério continua funcionando,
[limpando a garganta]
ele conclui que tudo está bem.
Esse
é um dos perigos do dom. A máquina pode
continuar rodando por algum tempo, mesmo
quando o coração começou a adoecer. O
homem percebe
e muito pouco disso. O homem recebe
elogios. Pessoas são ajudadas, a agenda
se se enche, o nome cresce e a alma
diminui. Por isso, o serviço cristão
deveria aumentar nossa dependência, não
diminuí-la. Quanto maior a
responsabilidade, mais profunda a
oração. Não me deixes. Quanto maior a
visibilidade, maior a consciência de que
uma queda pública pode ferir muitas. O
inimigo olha para estandartes. Derrubar
um soldado machuca um. Derrubar alguém
que muitos seguem pode espalhar confusão
pelo campo inteiro. Isso não deve gerar
paranoia, deve gerar sobriedade. Não
confie um cargo em dom, em talento. O
cargo pode desaparecer amanhã. Não
confie no título. Não confie no tempo em
que se é cristão. Não confie na
quantidade de pessoas que já ajudou.
Paulo conhecia o temor de pregar aos
outros e considerar seriamente a própria
caminhada.
Essa tensão é saudável.
O cristão seguro não é aquele que diz:
"Estou acima dessas tentações". É aquele
que diz: "Cristo, me segure ainda mais
perto do teu coração". Talvez alguém
abandone a confiança no cargo ou no
título ou
na declaração de que é cristão,
mas a coloque nas experiências. Eu sei
que estou seguro porque já vivi coisas
extraordinárias.
Os anjos viveram na glória. Imagine a
diferença entre nosso melhor momento
espiritual e a existência angelical
antes da queda. Nós cantamos sobre o
céu. Eles estavam no céu. Nós meditamos
na majestade de Deus a partir da
revelação. Eles habitavam uma ordem onde
essa majestade cercava sua existência de
maneira que nossa imaginação não pode
reproduzir.
Nós temos momentos de intensa alegria,
não é, na vida, no culto, diante de
Deus, né? Eles conheceram uma felicidade
não ferida pela queda humana. Mesmo
assim, experiência não foi preservação
automática. Isso nos ensina algo muito
importante. Nenhuma memória espiritual
substitui dependência atual contínua de
Deus, do Deus que sustenta. O cristão
vivendo de fotografias da fé,
lembranças. Naquele tempo eu era
fervoroso. Naquela época eu lia tanto.
Deus me visitou naquele culto. Eu nunca
mais fui o mesmo depois daquela
conferência. Mas talvez tenha sido o
mesmo depois ou tenha voltado lentamente
a ser. Experiências passadas podem ser
memoriais,
não podem se tornar cisternas. Você não
bebe hoje da água que bebeu 10 anos
atrás. Precisa da fonte agora. A
caminhada cristã não é sustentada por um
estoque de emoções religiosas
armazenadas na juventude ou em anos
passados.
É vida de dependência diária. O Deus que
você precisou ontem é o Deus que você
precisa hoje e amanhã.
até o último suspiro.
Uma das grandes tentações, depois de
épocas de forte experiência espiritual,
é transformar graça recebida em
certificado de invulnerabilidade.
O homem sente: "Cheguei". Não chegou.
Enquanto houver carne, a batalha.
Enquanto estivermos deste lado da
glória, a vigilância. Enquanto houver
respiração, há dependência. Nenhum santo
amadurece até tornar-se dispensável a
graça. A maturidade cristã é justamente
o oposto. Quanto mais cresce, mais
enxerga que sua vida inteira é
empréstimo.
A graça se torna menos teoria e mais
oxigênio. Por isso, santos idosos
frequentemente possuem um tom que jovens
autoconfiantes ainda não aprenderam.
Menos eu sei como permanecer e mais ele
me manteve. Menos celebração do próprio
equilíbrio, mais espanto diante da
fidelidade de Deus. Porque olharam para
trás. Viram anos, viram tempestades,
viram fraquezas, viram momentos nos
quais se fossem abandonados a própria
força teriam feito naufrágio. E
perceberam, a vida inteira foi
sustentada por uma misericórdia soberana
que nunca dormiu.
Esse é o testemunho maduro. Não, eu
nunca estive perto de cair, mas quantas
vezes a mão chegou antes do precipício?
Talvez
eh não exista a frase mais perigosa na
boca de um pecador do que eu nunca faria
isso? Talvez você não fizesse. Mas como
sabe? Conhecemos nosso coração menos do
que imaginamos. Sabemos aquilo que já
emergiu. Não conhecemos todas as
cavernas.
Aael é uma testemunha assustadora.
Quando ouviu aquilo que faria no futuro,
reagiu com indignação.
Seu servo é um cão para fazer tal coisa.
A ideia parecia tão ofensiva para ele,
incompatível com a imagem que ele
possuía de si mesmo, mas o futuro
revelou regiões do coração que o
presente ainda escondia.
Isso acontece conosco em proporções
menores, todos os dias. Você pensava ser
paciente até encontrar aquela pessoa.
Pensava não amar dinheiro até surgir
determinada quantia. Pensava não se
importar com reconhecimento até outro
receber aquilo que você desejava.
Pensava ser corajoso até a verdade
custar alguma coisa.
Pensava haver perdoado até o nome ser
pronunciado. A circunstância não cria
tudo. Muitas vezes revela o fogo mostra
o material. A pressão abre rachaduras, a
oportunidade revela amores. Por isso,
deveríamos ser extremamente cuidadosos
em julgar nossa santidade pelo catálogo
de pecados que ainda não cometemos.
Talvez o pecado apenas ainda não tenha
recebido o cenário adequado.
Existe orgulho esperando uma posição.
Existe cobiça esperando dinheiro. Existe
sensualidade esperando privacidade.
Existe crueldade esperando poder. Existe
mentira esperando uma vantagem
suficientemente grande. Existe covardia
esperando um risco real. Isso não
significa que todos cometerão todos os
pecados. Significa que o coração caído
não é um lugar no qual deveríamos
depositar nossa segurança.
Então, eh
pense no animal e selvagem criado como
se fosse doméstico. Muitas pessoas às
vezes cometem esse erro, né? Dócil,
familiar, parte da casa, até que o gosto
de sangue desperta aquilo que estava
latente e o animal domesticado ainda
carregava natureza selvagem.
É uma imagem severa, mas serve a
verdade. Moralidade pode domesticar
comportamentos.
Só o espírito dá nova vida, nova
natureza. Educação pode ensinar boas
maneiras. Não consegue ressuscitar um
morto espiritual.
Sociedade pode restringir impulsos.
Providência pode fechar ocasiões.
A graça restritiva pode restringir. Medo
das consequências pode manter certas
pessoas longe de certos atos, mas
nenhuma dessas coisas equivale ao novo
nascimento. Uma camada fina de verniz
religioso não muda a madeira apodrecida
por dentro. Cristianismo não é Deus
ajudando o velho homem a parecer um
pouco mais elegante. É vida onde havia
morte, novo coração, nova disposição,
novo amor. Por isso Jesus não diz
melhore, diz necessário vos é nascer de
novo.
Nós
nós gostamos de pensar que civilização e
moralidade [limpando a garganta]
torna um homem naturalmente bom. A
escritura pensa diferente.
Ela reconhece restrições, leis,
educação, família, cultura, providência.
Tudo isso pode conter o mal.
Graças a Deus por essas contenções.
Imagine o mundo. Se todo o desejo
pecaminoso fosse imediatamente
transformado em ação, a sociedade
entraria em colapso.
Há inúmeras vezes em que homens deixam
de pecar não porque amam a justiça, mas
porque temem as consequências. Não
roubam porque há câmeras. Não traem
porque serão descobertos. não explodem
em violência porque existe polícia ou
porque alguém é mais forte. Não dizem o
que pensam porque precisam manter o
emprego. Não fazem aquilo que desejam
porque existe reputação a preservar.
Essas restrições são misericórdias
comuns. Mas não confundamos jaula com
transformação. O leopardo dentro da
jaula não virou cordeiro. A ausência de
ataque não significa nova natureza.
Essa é uma diferença fundamental entre
moralização e regeneração.
A moralização trabalha de fora para
dentro. A regeneração nasce da ação
soberana de Deus no coração. O homem
pode abandonar determinado vício e
continuar amando a si mesmo como centro.
Pode tornar-se sóbrio por orgulho,
disciplinado por vaidade,
generoso para receber admiração,
religioso para construir justiça
própria.
É possível trocar pecados grosseiros por
pecados sofisticados.
Sair do bar e entrar no templo sem sair
do trono do próprio coração. Talvez seja
ainda mais perigoso, porque agora o
homem possui religião para protegê-lo da
percepção
de que precisa totalmente da graça
soberana.
Antes sabia ser pecador, agora tornou-se
um pecador respeitável. O fariseu era
socialmente melhor que o publicano em
muitos sentidos,
mas desceu do templo ainda confiando em
si mesmo. O problema do homem não é
apenas comportamento, é adoração. Quem
está no centro? Quem recebe a glória?
Quem define o bem e o mal? Quem governa?
É por isso que o evangelho não é um
curso de domesticação,
é anúncio de morte e ressurreição.
Cristo não veio simplesmente colocar
coleira na velha natureza, veio trazer
vida. E mesmo no regenerado, onde o
pecado já não reina como antes, a carne
ainda precisa ser mortificada, quanto
mais no homem natural. Por isso, quando
você olha para uma atrocidade e pensa:
"Eu sou de outra espécie". Cuidado.
Não é essa a leitura bíblica do coração
humano. [roncando] A diferença final
entre o santo e o perdido não é que o
nasceu com o material melhor. É graça.
Graça soberana. Graça que distingue,
graça que escolhe, graça que chama,
graça que transforma, graça que
preserva.
O santo olha para o pior homem e não diz
nunca seria assim. Diz se não fosse a
graça. Se não fosse a graça de Deus.
A autoconfiança é estranha,
parece força, mas é vulnerabilidade.
O homem que sabe estar em guerra coloca
armadura. O homem que pensa que a guerra
terminou, dorme. O homem que conhece o
precipício caminha com cuidado. O homem
que se considera incapaz de cair, corre
perto da borda. Por isso a escritura
diz: "Aquele que pense estar de pé,
cuide para que não caia". Não diz:
"Aquele que está de pé, viva
aterrorizado." O problema não é
permanecer. O problema é pensar que a
permanência está em nós. Existe
diferença entre segurança em Deus e
confiança em si. A primeira produz paz,
a segunda presunção.
A primeira vigia e usa os meios de graça
que Deus determinou como ele sustentaria
os
eleitos. A segunda relaxa, a primeira
hora guarda-me. A segunda declara: "Eu
me conheço". Será? Você se conhece sob.
Conhece seu coração com dinheiro que
nunca teve, poder que nunca recebeu,
sofrimento que nunca enfrentou,
oportunidades que nunca apareceram,
humilhações que nunca sofreu.
Ninguém conhece perfeitamente todas as
reações possíveis do próprio coração.
Deus conhece.
Exatamente. Por isso, dependência é
sabedoria.
O orgulhoso considera dependência
humilhante. O santo descobre que é paz,
é descanso, é vitória sobre medo e
ansiedade. Não precisa sustentar
a si mesmo. Não preciso sustentar a mim
mesmo. Não preciso prometer a Deus que
jamais falharei. Preciso estar escondido
em Cristo. Preciso vigiar. Preciso orar.
Preciso dos meios de graça. Preciso da
palavra. Preciso da comunhão dos santos,
do culto público. Preciso ser corrigido.
Preciso que Deus feche portas que eu
talvez
quisesse abrir ou não fecharia. Preciso
da obra do espírito. Preciso de Cristo
hoje e amanhã também. E quando estiver
velho, talvez especialmente quando
estiver velho, porque anos de vitórias
podem criar uma nova tentação.
A confiança nas vitórias. Já passei por
isso tantas vezes. Sansão também
conhecia vitórias anteriores até
levantar-se em determinado momento,
imaginando que tudo seria como antes.
Não sabia que algo havia mudado.
Existe perigo em transformar testemunhos
de graça em fundamentos de orgulho. Toda
vitória deveria dizer: Deus foi fiel.
Não, eu sou forte. Cada pecado
mortificado deveria aumentar nossa
confiança no espírito, não na carne.
Cada ano de perseverança deveria tornar
Judas 24 mais precioso, aquele que é
poderoso para vos guardar de tropeçar.
Esse é o segredo. Não aquele que
aprendeu finalmente a não tropeçar pelo
seu livre arbítrio, [roncando] mas
aquele que é poderoso para guardar. Quem
é o sujeito? Deus. Sempre Deus.
E
agora nós mudamos nosso olhar. Até aqui
contemplamos a criatura, sua
fragilidade, sua queda, sua incapacidade
de encontrar segurança em si. Mas Pedro
coloca outro personagem no centro. Deus.
Deus não poupou os anjos quando pecaram.
A frase
é terrível, porque destrói nossa
tentativa de transformar Deus em alguém
facilmente manipulável pela importância
da criatura.
Eles eram anjos.
Ele não os poupou. Grandeza não compra
imunidade. Poder não impressiona o juiz.
Grandeza não impressiona o o criador
infinito.
Importância criada não reduz santidade
em criada. Se anjos não puderam
apresentar sua posição como defesa,
que nós apresentaremos?
O que nós vamos apresentar?
Que tipo de grandeza
poderíamos apresentar para reivindicar,
merecer algo? Apresentaremos o quê? O
que você apresentaria? Seu dinheiro, sua
influência, seu nome, seus diplomas, seu
cargo, sua inteligência,
sua dignidade? A quantidade de pessoas
que o conhecem? Há homens que vivem como
se o poder possuísse algum valor no
tribunal de Deus. Talvez consigo escapar
de tribunais humanos. Dinheiro compra
defesa, influência compra silêncio.
Contatos abrem portas. A história humana
está cheia de culpados habilidosos em
escapar das consequências por um certo
tempo. Mas não existe suborno no último
tribunal. O juiz já possui tudo. O que
você ofereceria a Deus? O que você
poderia dar a ele para suborná-lo?
Dinheiro. Ele possui o universo. Poder.
Ele tem todo o poder. Argumentos. Ele
conhece seus pensamentos antes que
cheguem à sua mente e antes que qualquer
um deles chegue à sua boca. Reputação.
Ele sabe que você é quando ninguém olha.
Ele diz que nossos atos de justiça são
trapos imundos.
Não haverá diferença entre aparência e
realidade naquele dia. Tudo será
realidade. As máscaras cairão, o coração
estará aberto. O motivo por trás do ato
aparecerá junto com o ato. Então, até o
ato que parecia ser amor, sacrifício,
aparecerá com seu motivo, centrado no
homem e não na glória de Deus.
A palavra e a intenção vão ser vistas
juntas.
a caridade e a busca por aplauso, a
oração e a vaidade, o serviço e o ego.
Não conseguiremos enganar
eh eh lá. Nós conseguimos enganar uns
aos outros. Às vezes enganamos a nós
mesmos. Deus nunca foi enganado jamais
por ninguém, por nenhuma criatura.
Imagine o terror de chegar diante de um
juiz que conhece você melhor do que você
jamais conheceu a si mesmo. Nenhum
arquivo perdido deletado,
nenhuma testemunha esquecida,
nenhuma evidência contaminada, nenhum
detalhe oculto. E ainda assim sua
justiça é perfeita. Não há crueldade
nele, não há exagero, não há erro. A
sentença corresponde exatamente à
verdade e à santidade. Foi assim com os
anjos e será assim com homens fora de
Cristo. Isso deveria fazer o pecador
abandonar a ilusão de que encontrará
algum defeito no tribunal.
Sua esperança não é provar que Deus está
errado. Sua esperança é encontrar um
substituto
ou ser colocado soberanamente nele.
Talvez o pecador não confie em sua
grandeza individual, então se esconde na
multidão.
Todo mundo faz.
É impressionante como essa frase
consegue diminuir a voz da consciência.
Se muitos fazem, parece menos errado. Se
a cultura aprova.
Se Freud falou, então eu posso usar
isso. Se a legislação permite, talvez
Deus tenha mudado de opinião. Se a
maioria celebra, quem seria você para
discordar? Pedro aponta para uma
multidão, uma multidão incrível de anjos
caídos. Deus não os poupou porque eram
numerosos.
A justiça não conta cabeças para decidir
o que é verdadeiro.
10 pessoas podem estar erradas, 10
milhões também.
Uma civilização inteira pode construir
seus altares ao redor da mentira.
Continua a mentira.
A verdade Deus não faz eleição.
Seu caráter não espera pesquisa de
opinião. Ele é o mesmo por toda a
eternidade.
Sua santidade não se ajusta ao gosto de
cada século.
O mundo pode rebatizar pecados usando
nomes terapêuticos do humanismo secular.
Isso não muda a sua essência.
Pode chamar cobiça de sucesso, orgulho
de autoestima, luxúria de liberdade,
idolatria de identidade,
vingança de justiça, blasfêmia de
autenticidade,
pode eh chamar pecados, não é, de meras
doenças da alma, mas nomes humanos não
alteram a realidade divina. Você pode
escrever água no rótulo de um frasco de
veneno, o conteúdo continua matando.
Também não adianta união. O texto
bíblico, não é? Eh, está mostrando isso
para nós.
Observe a impressionante concordância
dos espíritos maus em sua oposição. Há
uma unidade
nos anjos caídos.
Eles estão todos com um só propósito. A
confederação, há direção comum, há uma
espécie de acordo no mal, mas unidade
não torna uma causa santa. Estamos todos
juntos, não significa estamos certos.
Homens podem unir mãos contra Deus.
Os 7 bilhões de homens na terra. O gesto
apenas torna a rebelião coletiva, não
forte. O criador não treme diante de
coalizões de criaturas, mesmo de bilhões
de anjos.
O Salmo 12 praticamente ri da imagem.
Nações conspiram, reis se levantam,
povos imaginam coisas vã e aquele que
está nos céus continua entronizado.
Nós somos impressionados por números.
Deus não. Um exército parece gigantesco
quando você está no chão. Para aquele
que governa o universo, continua sendo
um conjunto de criaturas respirando, se
movendo e existindo, porque ele
dá a vida.
Por isso, não faça da aprovação coletiva
o seu consolo.
No último dia, você não comparecerá
diante de Deus como estatística,
nem poderá dizer: "Mas minha geração
inteira pensava assim". Mas eh eh aquele
filósofo, aquele pensador, aquele
humanista secular disse isso. A pergunta
será: "O que Deus disse?" E é isso que
importa. Os anjos também não foram
poupados por causa da sua inteligência.
Isso merece atenção, porque o pecado
frequentemente tenta transformar
inteligência em advogado. Nós pecamos,
depois argumentamos,
o coração decide,
a mente redige à defesa e somos
extremamente criativos quando precisamos
justificar aquilo que desejamos fazer.
Minha situação é diferente. Você não
sabe como eu fui criado, não sabe como
minha família era problemática. Não
conhece os meus traumas.
Deus conhece meu coração. Não estou
machucando ninguém. Foi apenas uma vez.
Tem os meus motivos.
Todo mundo tem fraquezas. Eu mereço
isso. Eu mereço essa felicidade.
A inteligência começa a fabricar
linguagem para diminuir aquilo que a
consciência já percebeu. Mas diante de
Deus não há manipulação semântica. Ele
conhece a coisa antes do nome. Você pode
sofisticar a explicação: "A santidade
permanece simples." Pecado é pecado. Os
anjos possuíam sutileza superior à
nossa, muito mais inteligência. não
escaparam. Nenhuma criatura será capaz
de encontrar um ponto cego no
conhecimento divino. Nenhuma defesa
descobrirá contradição
na sua lei. Nenhum argumento o fará
reconhecer um erro.
Isso é péssima notícia para quem deseja
salvar a si mesmo
com argumentos que contrariem o que Deus
disse.
E maravilhosa notícia para quem deseja
um Deus perfeitamente justo.
Porque imagine o contrário. Imagine se o
último juiz pudesse ser enganado, se
pudesse ser comprado, se pudesse
esquecer, se pudesse confundir culpado e
inocente, o universo seria moralmente
aterrorizante.
Mas Deus é luz e nele não há treva
alguma.
Então, onde existe esperança? Aqui o
evangelho começa a brilhar sobre o fundo
mais escuro. Existe um lugar onde a
justiça de Deus e a salvação do culpado
se encontram sem que uma destrua a
outra. A cruz em nenhum outro lugar.
Aquela sexta-feira,
a cruz, o
a razão pela qual Deus criou o mundo.
Deus não salva
chamando o culpado de inocente
por ficção sentimental, por
sentimentalismo.
Ah, eu amo, vou fechar os olhos. Ele
salva porque um representante perfeito
assume o lugar do culpado.
A dívida é tratada, a ira infinita é
derramada. A lei é honrada, a justiça é
satisfeita, o pecador é justificado. Não
porque Deus descobriu
que o pecado não era tão grave, mas
porque Cristo é tão suficiente.
Esse é o centro. O homem natural procura
brecha na lei, argumentos. O crente, o
homem chamado eficazmente encontra
abrigo naquele que cumpriu a lei. Não
tenta encontrar uma argumentação contra
a santidade de Deus.
Um tenta argumentar, o outro confessa.
Não há quem faça o bem, nenhum sequer.
Nossos atos de justiça são trapos
imundos. Um diz: "Tenho defesa". O outro
diz: "Tenho Cristo".
Só um deles está
seguro.
O apóstolo Pedro, ele continua:
"Lançou-os no inferno.
O pecado sempre promete um destino
diferente daquele que entrega. Nunca
começa mostrando correntes. Mostra
liberdade, autenticidade.
Como eu disse, você é o capitão da sua
alma. Você é livre. Nunca mostra
escuridão, mostra brilho. Nunca mostra
escravidão. Mostra autonomia.
Nunca mostra o fim, só mostra o próximo
passo. Foi assim desde o princípio.
Vocês serão como Deus, conhecendo o bem
e o mal. A promessa era de elevação. O
resultado foi queda,
foi esconder-se entre árvores. Os anjos
também experimentaram essa ironia.
Criaturas de luz caminharam para trevas.
Seres associados às alturas terminaram
descritos em abismos profundos.
A rebelião que prometi independência
produziu prisão. É sempre assim. O
pecado não possui poder criador.
Ele parasita aquilo que Deus fez,
distorce, corrompe, desorganiza.
Uma capacidade boa se torna vício. Um
desejo legítimo se torna Senhor.
Um desejo legítimo se torna um Deus. Uma
criatura feita para adoração. Passa a
adorar algo criado e lentamente o mundo
interno começa a aparecer com aquilo que
ama.
Os demônios
demonstram a maturidade da rebelião,
onde o pecado termina. Seres que serviam
agora odeiam. Seres que estavam diante
da glória trabalham contra aquilo que é
bom. O pecado amadureceu até o fim
deles. Isso deveria nos ensinar que
nenhuma transgressão é realmente
estática.
Toda a corrupção do homem começou
num fruto.
Nenhuma transgressão é realmente
estática. Nós gostamos de imaginar
pecados isolados. É só isso. Mas pecado
possui direção.
Aquilo que você alimenta quer crescer.
Aquilo que tolera deseja governar.
Aquilo que chama de pequeno procura mais
espaço. Tiago descreve: "Desejo
concebendo pecado e pecado amadurecendo
e produzindo morte". A gestação,
progressão, desenvolvimento, como um
feto. O primeiro consentimento não
parece com a última escravidão. O
primeiro passo não mostra o precipício.
Se mostrasse, [roncando] talvez muitos
recuassem.
O pecado funciona pela proximidade,
só mais um pouco, só dessa vez, só até
aqui. Então, os limites se movem, a
consciência se adapta.
Aquilo que antes chocava se torna
tolerável, depois normal, depois
defendido, finalmente
amado.
Defendido mesmo com amor. Os anjos
caídos mostram o que significa rebelião
quando chega a maturidade.
Eles são a maturidade de todo homem fora
de Cristo.
Isso deveria nos fazer tratar pequenos
pecados como sementes, vendo os
resultados finais,
como nenhum pecado estático.
Não sabemos até onde desejam crescer
aquele pequeno pecado. Mortifique cedo,
confesse rápido, confesse cedo, corra
para Cristo cedo. Não faça amizade com
algo que deseja sua morte.
E há uma dimensão particularmente
terrível no destino dos anjos caídos.
Eles conheceram outra condição.
Isso dá um peso diferente à queda. Nós
sabemos o que é perder algumas coisas.
Justamente por termos conhecido, a
ausência dói mais. Quem nunca teve
determinada riqueza não conhece a mesma
sensação daquele que possuía tudo e
perdeu. Os anjos conheceram a ordem
celestial. A alegria perfeita de servir,
a proximidade da glória e agora trevas.
Que contraste. Antes serviço, agora
rebelião. Antes louvor, agora ódio.
Antes ordem, agora corrupção. Antes luz,
agora abismos.
O pecado não apenas tirou algo deles,
transformou sua relação com aquilo que
antes era a sua alegria.
Aquilo que é a felicidade do santo é o
tormento para o rebelde. A santidade de
Deus, o governo de Deus, a vontade de
Deus. Porque mesmo na igreja visível, a
soberania de Deus é algo mais difícil
pro coração humano.
O santo olha e diz: "Meu bem supremo". O
coração endurecido olha e diz: "Meu
inimigo".
Esse é o inferno começando antes do
inferno final.
Não apenas estar longe de determinados
prazeres, mas possuir um coração
completamente contrário àquele que é a
própria fonte. do bem.
Pecado amadurecido transforma Deus em
objeto de ódio. Não porque Deus tenha se
tornado mal, porque o coração se tornou
incompatível com a luz.
É por isso que salvação não pode ser
apenas mudança de endereço ou deixar de
para o inferno e ir para o céu. Se Deus
colocasse um coração não regenerado no
céu, sem transformá-lo, o céu não seria
céu para ele.
Ele não ama o centro do céu, que é Deus.
Ele não ama o centro do céu, que é
Cristo. Ele quer os benefícios sem o
rei, quer ausência de dor sem presença
de Deus. Quer eternidade sem santidade,
mas isso não existe. Vida eterna é
conhecer Deus. O evangelho não prepara
simplesmente pessoas para um lugar
chamado céu. Prepara pessoas para uma
pessoa,
para desfrutar uma pessoa. Regenera,
muda afetos, faz alguém que odiava a luz
começar a dizer: "Mostra-me tua glória".
Isso é milagre.
E por isso desprezar a graça é tão
terrível. Não estamos recusando um
acessório, uma ajuda.
Estamos recusando aquele que é a própria
vida. Pedro fala de anjos reservados
para o juízo, para o julgamento.
Existe presente e existe também futuro.
A sentença final está diante deles. A
Bíblia não trata a história como um
círculo sem destino a um dia, um
tribunal, uma conclusão moral.
O mal não continuará para sempre
espalhando ruína. Deus julgará. Essa
verdade parece ofensiva para um mundo
que deseja misericórdia sem santidade. E
uma igreja que seja como o mundo também
parece uma mensagem ofensiva. Mas
misericórdia sem justiça não seria
misericórdia, seria indiferença moral.
Imagine pedir consolo a uma vítima,
dizendo: "Não se preocupe, Deus não leva
o mal tão a sério." Isso seria horrível.
A esperança cristã inclui a verdade de
que Deus levará toda injustiça a sério.
Nenhuma lágrima ignorada, nenhum abuso
de poder esquecido, nenhuma crueldade
perdida nos arquivos. Mas exatamente
porque Deus leva o pecado a sério, nós
também deveríamos levar nosso próprio
pecado a sério. É fácil desejar justiça
para os outros. Difícil querer que a luz
examine a nós mesmos.
Pedro não permite esse jogo. O mesmo
princípio de justiça que operou contra
os anjos fala ao homem: "Se Deus não
poupou os anjos, ele está dizendo: "Não
pense que poupará em penitência humana,
porque a criatura é menor." O que
deveria espantar você não é que exista
juízo, é que ainda exista tempo.
Você está respirando hoje
depois de quantos pecados?
Depois de quantas oportunidades, depois
de quantas advertências, os anjos
pecaram e Pedro fala da queda. Você
pecou e ainda possui uma Bíblia aberta.
Ainda há pregação, ainda há chamado,
ainda há Cristo sendo anunciado. Isso
não significa que Deus seja menos santo
com você. Significa que a paciência é
impressionante.
Não use paciência como licença.
O fato de o raio ainda não ter caído não
significa que o céu aprovou a rebelião.
Talvez Deus esteja dando espaço e é o
que ele faz para arrependimento, até que
ele chame todos aqueles que lhe deu ao
seu filho. E espaço não é eternidade.
Chegará um dia em que o último sermão
terá sido ouvido.
A última oportunidade terá passado. A
última batida do coração ocorrerá.
A porta que hoje está aberta não será
objeto de negociação infinita. Por isso
Paulo diz agora a urgência na graça. Não
porque Cristo seja fraco, mas porque nós
somos breves.
O pecador diz amanhã a morte não assinou
esse acordo.
Hoje a voz, hoje a promessa, hoje há
Salvador anunciado. Não faça da demora
de Deus.
A Cacau quis participar, né? Não faça da
demora de Deus um argumento contra Deus.
Faça dela motivo para correr, para para
pressa.
Depois de contemplar tudo isso, surge
uma pergunta inevitável. Se anjos
caíram, como um cristão permanece?
Pense na comparação. Eles eram mais
fortes que nós.
Se anjos caíram, como um homem
regenerado permanece, né? Eles eram mais
fortes que nós. Não possuíam nossa carne
caída em sua condição original.
Habitavam ambiente perfeito e celestial.
Possuíam capacidades superiores e
caíram. Nós somos pó. Vivemos em um
mundo corrompido, carregamos pecado
remanescente. Satanás tenta, o mundo
oferece, a carne responde e a escritura
fala sobre perseverança. Como? Se a
resposta for, porque cristãos finalmente
são criaturas suficientemente fortes,
não aprendemos nada com a queda dos
anjos. A resposta é outra.
E nós mesmos, a raça humana caiu no
jardim do Édenem.
Graça preservadora é a resposta de Deus.
Os santos chegam ao fim porque Deus os
guarda.
A Bíblia chama os anjos que não caíram
de anjos eleitos. Essa é uma das
doutrinas mais belas quando deixamos de
tratá-la apenas como ponto de sistema.
Pense em sua própria vida. Quantos
pecados você poderia ter cometido e não
cometeu?
Você sabe?
Não conhece aqueles em que caiu. Não
conhece todas as quedas das quais foi
preservado.
Quantas portas Deus fechou sem explicar?
Quantas pessoas ele afastou? Quantas
oportunidades não permitiu? Quantas
vezes trouxe uma palavra à memória
exatamente quando a tentação chegava?
Quantas vezes tornou o determinado
pecado amargo demais?
Depois de você quase começar a amá-lo,
quantas vezes um irmão
telefonou,
falou, um sermão atingiu, uma
providência interrompeu,
uma vergonha produziu arrependimento.
Talvez estejamos conscientes apenas de
uma pequena fração do trabalho
preservador de Deus.
E no céu veremos muito mais. Aquele
momento que você chamou de frustração
era livramento. Aquela porta fechada era
muralha. Aquele não de Deus era braço ao
redor da sua cintura, impedindo que você
caísse. Aquela disciplina era amor.
Aquela exposição dolorosa era
misericórdia, impedindo algo pior.
Quando a história completa for aberta,
talvez fiquemos assustados com a
quantidade de precipícios ao lado dos
quais caminhamos sem perceber.
Então, entenderemos
eh Judas, aquele que é poderoso para vos
guardar de tropeçar e apresentar-vos
irrepreensíveis.
Apresentar.
Essa palavra é linda. Ele não apenas
inicia, ele termina e apresenta a
começo, a entrada,
a chegada.
E Deus está em tudo.
Deus está fazendo tudo. Segurança cristã
não é confiança em nossa capacidade de
segurar Cristo. É descanso no fato de
que Cristo segura os seus contra todas
as probabilidades.
Essa diferença muda a vida inteira. Se
tudo dependesse finalmente da
intensidade constante da minha mão, eu
estaria perdido. Há dias em que a mão
treme, há dias em que a fé parece
pequena.
Há momentos de fraqueza, há confusão, há
lágrimas, há tentações tão precisas que
parecem saber onde cada rachadura da
alma está. Mas a força do pacto não
depende do meu pulso, depende de Deus. O
pai deu um povo ao Filho. O filho veio
por esse povo, intercede por esse povo.
Em João 17, Cristo fala daqueles que o
Pai lhe deu. Essa linguagem não é fria,
né? segurança.
Existe um povo na oração do sumo
sacerdote. Existe uma redenção
determinada. Existe um pastor que
conhece as ovelhas.
Ele não está tentando descobrir no
último instante quantas conseguirá
salvar. Ele salva e preserva. Isso não
torna a vigilância desnecessária, torna
a vigilância possível.
O Deus que decreta o fim também ordena
os meios. Ele guarda seus santos.
levando-os a vigiar. Preserva-os através
da palavra, da oração, da disciplina, da
igreja, da ceia, de advertências, de
correções, de temor santo. A doutrina da
da da preservação não diz durma, você
está seguro. A doutrina da perseverança
dos santos não diz caia, não. Ela é
sobre a perseverança. É o que Deus
opera. diz: "Existe um Deus poderoso
operando, inclusive no fato de você
continuar acordado. Quando um crente
ouve cuidado e treme, a advertência
cumpriu o propósito. Quando ouve sobre
pecado e corre para Cristo, graça está
operando. Quando cai e não consegue
fazer paz com a lama, a vida.
O porco retorna ao lamaçal porque é seu
ambiente. A ovelha pode cair na lama,
mas não constrói casa ali. O santo pode
pecar, não consegue transformar o pecado
em lar final, usando argumentos
humanistas seculares ou argumentos da
sua própria imaginação. Existe algo
dentro dele protestando
nova vida, o espírito.
Isso é preservação em ação, não ausência
total de batalha, presença de um poder
superior na batalha. A carne luta, mas
já não possui o trono. O pecado é sedia,
mas não tem o direito final de
propriedade. Cristo reina. É por isso
que o crente pode olhar para a própria
fraqueza sem cair em desespero. Eu sou
fraco, sim. Meu coração me assusta.
deveria às vezes. Então, estou perdido.
Não, se está em Cristo. Sua segurança
nunca foi sua força. Sua segurança é seu
salvador.
John Bunel
descreve algo precioso em O perrino.
Cristão atravessa o vale da sombra da
morte durante a noite. O caminho é
estreito, os perigos estão ao redor. Ele
segue sem enxergar plenamente tudo o que
poderia destruí-lo.
Então, o dia amanhece, amanhã chega, a
luz abre a paisagem e ele olha para trás
e agora ele vê o caminho pelo qual ele
passou, o perigo de um lado, o abismo do
outro, as coisas que estavam próximas
durante a escuridão.
E o que antes foi apenas sobrevivência
torna-se adoração.
Talvez nossa entrada na glória possua
algo dessa experiência. Talvez não.
Certamente. Agora vemos em parte,
conhecemos algumas misericórdias. Não
todas. Sabemos de alguns livramentos,
não de todos, mas amanhã um dia virá.
Talvez Deus nos permita enxergar o
caminho sobre uma luz que hoje não
temos. Ali, ali eu quase me entreguei.
Ali aquela amizade teria me destruído.
Ali o sucesso teria feito aquilo que o
sofrimento não conseguiu.
Ali eu pensei que Deus estava tirando
alguma coisa. Agora vejo que estava
salvando,
me segurando, me guardando. Ali pensei
que aquela oração não tinha sido
respondida, foi respondida de maneira
melhor. Ali eu nem sabia que estava em
perigo. A luz eterna transformará
providências obscuras em motivos de
louvor eterno. E quando terminarmos de
olhar, ninguém baterá no peito.
Imagine que loucura seria um santo
diante do trono dizer: "Eu consegui".
Depois de ver tudo, depois de enxergar
cada intervenção, cada guarda, cada
disciplina, cada intercessão, depois de
olhar para as marcas no corpo de Cristo,
cada vez em que o espírito o sustentou,
não haverá coroas, mas todas elas no
chão. O céu será o lugar onde a
Vanglória finalmente morreu
completamente.
Toda a nossa história terá uma palavra
escrita nas margens. Graça. Graça
soberana. Graça no início. Graça no
meio. Graça quando pecamos. Pecamos.
Graça quando fomos corrigidos. Graça
quando resistimos. Graça quando
levantamos. Graça quando morremos. Graça
quando acordamos na glória. Os anjos
caíram.
Nós em Cristo chegaremos. Não porque o
pó tornou-se naturalmente mais firme que
espíritos celestiais, mas porque o pó
foi unido ao filho de Deus.
E
agora chegamos à parte mais assombrosa
disso tudo, talvez mais espantosa que a
queda, mais espantosa que o juízo. Os
anjos pecaram, homens pecaram. Mas
quando a escritura conta a história da
redenção, o filho não assume natureza
angelical. Não há manjedoura para os
anjos rebeldes. Não há evangelho sendo
anunciado nos abismos. Não há profetas
enviados aos demônios. Não há promessa.
Uma virgem conceberá e dará luz a um
salvador para os espíritos caídos. Não
existe Getsêmane para os anjos. Não
existe calvário para eles ou por eles.
Nenhum Cristo angelical, nenhum mediador
de sua natureza, nenhum sangue derramado
em seu favor.
Pedro diz: "Deus não os poupou e então
olhamos para nós
e encontramos Cristo. Isso deveria parar
nossa respiração. Por que estamos tão
acostumados à história do Natal que ela
parece inevitável?"
Muitas pessoas acham que o homem merecia
ser salvo. Ele merece o juízo e os anjos
também. E por que Deus não salvou nenhum
anjo?
Porque ele eh tem misericórdia de quem
quer ter misericórdia, tanto de anjos
quanto de homens.
Homem caiu. Claro que Deus enviaria
Jesus. É o que as pessoas pensam. Por
quê? Claro. Quem disse? Onde Deus ficou
devedor do homem? Ele não era devedor de
anjos, nem de homens.
A cruz não era dívida de Deus para
conosco, era a graça. Graça soberana.
Deus poderia ter julgado Adão e sua
posteridade em perfeita justiça e
continuaria infinitamente santo. Como é
ao usar de justiça com todos os anjos?
Ele continuaria infinitamente santo,
infinitamente bom, infinitamente digno.
O universo não poderia acusá-lo de
injustiça. Os anjos caídos são
testemunha disso. Deus não deve redenção
a criaturas rebeldes, nem anjos, nem
homens. Se devesse não seria graça,
seria salário. Mas o evangelho não é
salário, é dom, é presente. Pior,
presente há inimigos.
O pai escolhe, o filho vem, o espírito
aplica
e toda a iniciativa desce
do alto para baixo, de Deus para o
homem, da eternidade para o tempo, do
trono para a manjedoura, da glória para
a cruz. Essa é a direção da salvação.
Nós não construímos torre até Deus. Deus
desceu. Aquele diante de quem anjos
serviam assumiu carne humana. Por quê?
Não procure a resposta final em nós.
Você não encontrará. Não éramos mais
valiosos por natureza,
não mais obedientes.
Não eram mais valiosos que os anjos, nem
mais obedientes.
Não éramos mais poderosos e também não
éramos menos culpados. A razão final
repousa na liberdade do amor divino.
Terei misericórdia de quem eu tiver
misericórdia.
O orgulho odeia essa frase. A adoração
vive dela para sempre.
Dá graça eternamente a Deus.
Pense na diferença. Para os anjos
caídos, juízo. Para homens eleitos, em
Cristo, aliança.
Para eles, trevas, para nós promessa.
Para eles, nenhum mediador, para nós o
filho. Para eles, nenhum sacrifício,
para nós sangue. Para eles, nenhuma
chamada ao arrependimento. E como o
arrependimento é um dom, eles nunca se
arrependeram ou se arrependem. Muitas
pessoas pensam: "Ah, mas se uma pessoa
se arrepender verdadeiramente, Deus
teria que O arrependimento é um dom."
Você vê como Deus não concedeu um dom de
arrependimento verdadeiro
para os anjos, nenhum deles se
arrepende.
É óbvio que nenhum deles gosta de eh ser
lançado nas trevas do abismo, mas isso é
amor próprio, não é amor por Deus.
Então, para eles, nenhuma chamada ao
arrependimento, nem concessão de
arrependimento. Para nós, vinde, crede,
arrependei-vos. Para eles, nenhuma nova
aliança. Para nós um pacto ordenado em
todas as coisas e seguro. Você entende
porque isso é chamado de graça, graça
soberana. Não existe comparação que nos
permita dizer naturalmente Deus
escolheria os homens. Naturalmente, nós
somos barro, frágeis, mortais. Nossa
vida é vapor. Os anjos são descritos em
termos de poder que excedem nossa
condição. Se Deus estivesse escolhendo
uma raça para demonstrar a excelência
natural da criatura, não parece que nós
seríamos candidatos.
Mas essa é exatamente a beleza. Deus
escolhe de tal maneira que a glória da
graça não possa ser confundida com
mérito do recipiente, do vaso de
misericórdia.
Paulo trabalha assim o tempo inteiro.
Deus escolhe o fraco, o pequeno, o
desprezado. Para quê? para que ninguém
se glorie diante dele. O padrão chega
aqui ao limite. Homens caídos são
objetos de uma redenção que anjos caídos
não receberam. Por quê? Porque ele quis
glorificar sua graça dessa maneira.
Esse porque quis parece ofensivo
enquanto imaginamos que misericórdia é
dívida. Mas isso é uma contradição.
Quando entendemos que só justiça é
devida ao culpado, a soberania deixa de
parecer tirania e começa a parecer o que
realmente é liberdade de ser
misericordioso.
Deus não é uma máquina de distribuição
igualitária de graça obrigada por alguma
lei acima dele. Graça obrigada já não
seria a graça.
Não existe lei acima de Deus. Ele é o
padrão da justiça e justiça ele dá a
todos. Nunca ele será injusto.
Misericórdia ele não deve a ninguém. Se
salva um, esse homem não pode dizer: "Eu
mereci". Se não salva outro, o outro não
pode dizer: "Fui injustiçado."
Essa doutrina derruba o homem.
Exatamente por isso, exalta tanto
Cristo, porque no fim não sobra nada
para nós acrescentarmos. Até nossa fé
não é moeda comprando salvação, é dom de
Deus, é mão vazia,
é Deus nos fazendo, abrindo nossos olhos
para ver o vazio e a escuridão que nós
somos. Então essa mão vazia porque ele
abriu os olhos assim,
porque o espírito fez ver assim
a sua própria escuridão e o seu próprio
vazio e a beleza de Cristo então chama
eficazmente. A mão vazia não se gloria
por estar vazia, gloria-se no presente
que recebeu.
Ainda algo que torna a nossa situação
mais solene. Os demônios nunca ouviram o
evangelho dirigido a eles. Ou seja, o
chamado é geral, não é? Nunca tiveram um
salvador anunciado para sua natureza.
Nunca ouviram. Cristo morreu.
Por vocês venham. Homens ouvem. Você
ouviu? Talvez centenas de vezes. Isso
significa que a rejeição do evangelho
acrescenta a nova camada de culpa que os
anjos não têm, que nunca vão carregar.
O pecador não rejeita apenas a lei,
rejeita a misericórdia anunciada.
Não despreza apenas autoridade, despreza
convite. O demônio se rebelou contra
Deus, mas existe algo particular na
perversidade de alguém que ouve sobre
Cristo e diz: "Não quero."
O sangue é anunciado. Não quero.
Ou
quer por motivo centrado em si mesmo.
Perdão é proclamado por graça soberana.
Não quero assim. Eu quero participar de
alguma forma. Reconciliação é oferecida
no evangelho. Não quero evangelho puro,
graça soberana. Eu quero um falso
evangelho em que eu possa misturar meus
méritos. O rei contra quem pecou envia
mensageiros declarando paz por meio do
filho somente. E a criatura prefere
sua justiça própria,
seu pecado. Isso revela algo terrível
sobre o coração natural. Ele não é
apenas alguém perdido procurando uma
saída desesperadamente.
Não, não. Ele ama a cela. A luz veio e
os homens amaram as trevas. É o que
Cristo disse. Cristo disse que homens
amaram mais as trevas que a luz. Essa é
a tragédia.
Não simplesmente incapacidade física. A
incapacidade humana é moral.
Não queremos aquilo que deveríamos
querer. É por isso que precisamos de um
chamado eficaz e soberano. Precisamos de
algo mais profundo que informação e um
chamado externo.
Um morto não precisa apenas de
instrução, precisa de vida. O evangelho
chega aos ouvidos.
O espírito precisa abrir o coração.
Então, aquilo que antes parecia loucura
se torna precioso.
Cristo antes ignorado, torna-se o maior
tesouro. A cruz
ofensiva e um escândalo, porque diz que
aquilo que o homem merece, a ira
infinita de Deus, se torna a única
esperança. Esse movimento é graça
soberana, do começo ao fim.
E se hoje você deseja a Cristo, não
transforme isso em motivo de orgulho
ou mérito. Pergunte: Quem despertou esse
desejo? Quem abriu os meus olhos? Quem
tornou doce aquilo que antes era
completamente insípido para mim? Quem
fez você sentir peso do pecado? Quem
colocou fome?
A graça, a graça soberana. sempre a
graça, a graça somente. Precisamos tomar
cuidado para não deixar
eh a eleição presa a um decreto
abstrato. A eleição cristã caminha para
Cristo. O Pai dá um povo ao Filho. O
filho vem buscar esse povo. A soberania
ganha face, rosto, mãos, pés, sangue.
Cristo. Esse é o momento em que nossa
admiração deveria atingir outro nível. O
criador assume natureza humana, não
angelical, humana. O verbo se fez carne.
Aquele que sustentava o universo no
útero de sua providência foi carregado
no útero de uma mulher. Aquele que
alimentava toda a criatura sentiu fome.
A fonte das águas disse: "Tenho sede".
Aquele diante de quem serafins cobrem o
rosto, recebeu cusparadas
de homens.
O legislador submeteu-se à lei. O juiz
colocou-se debaixo do juízo
eterno como substituto. O imortal entrou
na morte por nós. Não existe maneira de
tornar isso comum sem termos perdido a
capacidade de enxergar. Deus não enviou
simplesmente uma mensagem de amor,
enviou o filho. E o filho não veio
simplesmente demonstrar sentimento, veio
cumprir justiça. Esse é o ponto. A graça
soberana não passa por cima da
santidade. Ela satisfaz a santidade em
Cristo. Deus não olha para a nossa culpa
e diz: "Esqueçamos".
Ele a coloca sobre o cordeiro. A lei não
desaparece. Cristo a cumpre. A ira não é
imaginação. Cristo bebe o cálice da
fúria infinita [roncando]
da ira de Deus devido ao seu povo
eleito. O salário do pecado continua
sendo morte e morte eterna e o filho
morre. Então, quando perguntamos como
Deus pode justificar ímpios e continuar
justo? A resposta está pregada
em madeira, cruz. Ali justiça e
misericórdia não negociam, se encontram.
O pecado recebe tratamento que merece. O
pecador recebe a salvação que não
merece.
Cristo recebe toda a glória. Por isso,
graça não é barata, é gratuita para nós,
custosa para o filho de Deus. [roncando]
Não houve sangue angelical capaz de nos
salvar. Tamanho é nosso crime. Não houve
santo humano suficiente. Não houve
moralidade capaz de construir uma
pontezinha. Então, Deus fez aquilo que
somente Deus poderia fazer. O filho
tornou-se homem e agora há um homem
glorificado à direita do pai. Pó elevado
à glória na pessoa daquele que é Deus e
homem.
João 17 abre uma janela para dentro da
obra de Cristo e ali ouvimos linguagem
impressionante. Eram teus, tu
me deste. Eu rogo por eles, não rogo
pelo mundo. Existe um povo atravessando
a oração do filho. A eleição não é uma
loteria fria. É o pano de fundo de uma
relação eterna entre pai e filho que
explode na história como redenção. O pai
dá, o filho recebe. O filho vem, o filho
morre, o filho intercede, o espírito
chama eficazmente, o povo crê. Essa
ordem destrói completamente o orgulho
humano. Não somos protagonistas da
salvação.
Não somos protagonistas da nossa
salvação. Somos objetos amados da graça
livre de Deus. E isso não torna o amor
menos pessoal, torna-o mais pessoal.
Cristo não morreu por uma massa anônima
de possibilidades abstratas. O bom
pastor dá a vida pelas ovelhas.
Conhece-as, chama pelo nome, busca,
carrega.
Você percebe como isso fortalece a
perseverança. A mesma pessoa que diz:
"Fui escolhida pela graça" pode
perguntar: "E se eu cair
definitivamente?
Quem escolheu? Quem comprou? Quem
intercede? A segurança está no mesmo
Deus que iniciou tudo. Isso não
significa que não haverá luta, haverá.
Não significa que não haverá disciplina.
Haverá. Não significa que você nunca
chorará pela própria estupidez. Chorará.
Mas há algo abaixo de tudo isso. Braços
eternos.
A preservação não é promessa de estrada
sem tempestade. É promessa de chegada.
Seu barco pode parecer pequeno, as ondas
grandes, mas há um senhor sobre o mar e
ele não perde passageiros comprados por
seu sangue. Essa verdade não deveria
produzir preguiça,
deve produzir coragem. Você luta porque
pertence, mortifica porque foi
vivificado, vigia porque é guardado, ora
porque o espírito ensina a clamar e ele
mesmo clama
em você. preserva, porque Deus opera em
você o querer e o realizar segundo a sua
boa vontade.
Termina, porque aquele que começou a boa
obra há de terminá até o dia de Cristo.
A graça não transforma o santo em
espectador, o transforma em participante
totalmente dependente.
Ele corre, mas corre com força recebida,
luta com armas recebida recebidas, crê
com fé produzida. pela obra divina,
chega carregado. No final, a coroa está
na cabeça do santo. Apenas tempo
suficiente para ser lançada aos pés do
cordeiro, porque ele sabe quem realmente
venceu.
Talvez nenhuma pergunta acompanhe um
cristão maduro mais profundamente
do que por eu. Não no sentido orgulhoso,
no sentido contrário, no sentido
quebrantado, porque eu fui alcançado,
porque eu vi, porque ouvindo
cri, porque meu coração foi aberto,
porque aquele outro ouviu a mesma
mensagem e foi embora. Não há resposta
no homem que possa produzir vanglória.
E essa é a intenção.
Imagine dois pecadores, mesma raça
caída, mesmo Adão, mesmo incapacidade
moral de buscar Deus como deveriam,
sequer de desejar Deus. A mente deles é
inimizade contra Deus. Um é alcançado,
outro permanece em rebelião. Onde nasce
a diferença salvadora? Paulo responde:
"Quem te distingue? Não você.
É por isso que eleição não é doutrina
para alimentar orgulho.
Se alguém sai da eleição mais orgulhoso,
não entendeu a eleição.
Ela deveria esmagar a última criatura de
autoexaltação.
Você não era mais inteligente.
A graça abriu seus olhos. Não era mais
sensível. A graça amoleceu. Não possuía
predisposição
espiritual autônoma. Deus teve que criar
um novo coração. Deus chamou
eficazmente. Isso não significa que você
não creu. Creu de verdade. Não significa
que não se arrependeu. Arrependeu-se.
Mas quando pergunta de onde veio a vida
capaz de crer e se arrepender, a
resposta não termina no cadáver, termina
em Deus.
Lázaro saiu, mas só saiu porque ouviu
uma voz que produziu aquilo que
ordenava. Vem para fora. Vida entrou
junto do chamado. Assim opera graça
eficaz. Ela não violenta. Uma criatura
que ama Cristo e quer fugir dele.
Ela muda o coração que fugia até que
Cristo se torna desejável.
liberta a vontade da escravidão da
própria corrupção.
Então o pecador vem livremente com
alegria, porque foi feito vivo. Isso é
graça soberana. Não homem arrastado
contra os dentes, não querendo ir pro
céu, mas ele foi eleito, ele tem que ir.
ou outros querendo ser santos, amando a
glória de Deus, mas sendo rejeitados,
porque ele não foi
homem ressuscitado, correndo para aquele
que agora vê como belo e a única beleza
desejável. E quando chega, a pergunta
permanece, por que eu? A resposta não
será encontrada em espelho, será
encontrada no coração livre de Deus,
porque tive misericórdia.
Então a pergunta vira
adoração
e nós temos que eh há uma comparação
desconcertante. Se alguém pudesse
raciocinar apenas em termos de dignidade
criada,
talvez pensasse: "Se Deus fosse
recuperar uma das duas raças caídas,
recuperaria anjos". Eles eram superiores
em capacidade. Sua perda abriu uma
lacuna na ordem celestial. Conheceram o
céu, humanos nunca haviam estado ali.
Seria, pelo raciocínio da criatura mais
natural restaurar os mais elevados, os
maiores, os mais capazes. Mas Deus
escolheu glorificar sua graça levantando
o pó nós.
Isso possui uma beleza quase ofensiva,
porque Deus ama mostrar que sua glória
não depende da matériapra.
O oleiro não precisa de um barro nobre.
Ele faz o vaso. O Deus que chama não
procura poder que complete sua
fraqueza. Ele não possui fraqueza.
Quando escolhe o pequeno, o fraco, o
desprezado, o menor, ninguém consegue
dizer o resultado veio da excelência
natural do instrumento. Não. O tesouro
está em vasos de barro, precisamente
para que a excelência do poder seja de
Deus. e nunca atribuído ao homem. Isso
está em toda a escritura. Abraão velho,
Sara estéril, Israel pequeno, Davi, o
filho esquecido no campo, pecadores,
publicanos, uma cruz. Tudo parece
desenhado para impedir que o homem
confunda o poder da graça com a glória
humana.
E aqui o princípio atinge uma altura
impressionante. Anjos caídos ficam sem
redenção e sem a obra eficaz de Deus,
eles ficam como estão em sua natureza
caída e depravada.
Homens caídos recebem um filho
encarnado. O pó entra em união com
Cristo. Isso não significa que humanos
são melhores ou que o pecado deles é
menor. Significa que a graça é mais
gloriosa do que imaginamos. E realmente
Deus tem misericórdia de quem quiser ter
misericórdia.
Ela não apenas a graça eh perdoa, eleva,
adota, une, faz coerdeiros, coloca a
igreja em relação com Cristo descrita
como corpo e cabeça, noiva e noivo. Quem
ousaria inventar algo assim?
Religiões humanas normalmente tentam
elevar o homem, fazendo escalar
até Deus. O evangelho humilha primeiro,
completamente. Você é pó.
O único salário que você merece é a
morte.
E só um dom gratuito e livre poderia te
salvar. E depois anuncia algo muito
maior do que nosso orgulho conseguiria
inventar. O filho desceu ao pó e uniu o
pó a si. E a glória dele é tão elevada
que eleva esse pó. A glória não nasce do
homem, desce sobre ele.
Aqui muitos tropeçam.
Não é injusto. A pergunta revela uma
suposição escondida.
Que misericórdia é algo devido a Deus
por alguém. Mas se é devido é justiça.
Misericórdia não pode ser devido.
Se é devido é justiça e não é
misericórdia. Imagine 10 criminosos
culpados de modo verdadeiro diante de um
juiz. Se todos recebem a pena justa,
houve injustiça. Não. Se o juiz
possuindo meios legítimos de conceder
misericórdia sem corromper a justiça,
salvo alguns, os outros podem dizer:
"Fomos condenados injustamente?"
Não. Se a sentença corresponde à culpa,
isso é justiça.
A questão da redenção é infinitamente
mais profunda, mas o princípio ajuda.
Deus não deve graça. Dever graça é uma
contradição de termos. Dever
misericórdia é uma contradição de
termos. A única coisa devida é justiça.
O salário é devido porque o homem
trabalhou e é justo. O salário do pecado
e a morte. Mas o dom gratuito de Deus é
a vida. Não é o salário, não é justiça.
Deus não deve graça. Como eu disse,
seria uma contradição de termos a
ninguém, nem aos anjos, nem aos homens.
Se ele não quiser salvar nenhum dos
anjos, ele está sendo justo.
Se ele quer salvar os homens que ele
quiser salvar, ele está sendo justo com
alguns e misericordioso com outros. Não
está sendo injusto com ninguém.
A alma que pecar morrerá. Se ela morrer,
é justo. Isso é justiça. A alma que
pecar, essa morrerá. É justiça. Quando
ele salva, faz algo que a justiça não
exigia que ele fizesse pelo culpado.
Misericórdia. Romanos 9. Não tenta
suavizar isso para o orgulho humano.
Terei misericórdia de quem tiver
misericórdia, porque essa é a definição
de misericórdia.
A frase coloca Deus no lugar de Deus.
Nós não gostamos disso porque o pecado
de Adão ainda coa. Quero decidir como
Deus deve ser Deus. Quero que Deus seja
como eu diga que ele deve ser. Mas não
somos o tribunal de Deus. Não julgamos
Deus. Somos criaturas diante dele. Isso
não significa que soberania seja
capricho irracional. Você vê, Deus não é
arbitrário no sentido de agir contra sua
natureza, sua santidade e sua justiça.
Sua vontade é santa, sábia, boa, mas é
livre. Nenhuma criatura estabelece
dívida sobre ele. Essa verdade deveria
produzir duas coisas ao mesmo tempo.
Temor e assombro.
Temor porque não podemos exigir
assombro
porque recebemos misericórdia. Não
podemos exigir a não ser justiça
e assombro porque recebemos
misericórdia. O cristão não diz Deus me
devia, diz Deus poderia ter sido justo
comigo
e não me salvar. E ainda assim colocou o
seu filho no meu lugar.
Isso torna a graça enorme. Enquanto
pensamos que Deus tinha obrigação de nos
salvar, a cruz parece um pagamento
administrativo.
Quando percebemos que era misericórdia
livre, a cruz vira um abismo de amor.
Não pergunte por Deus não fez com todos
exatamente aquilo que fez comigo. Antes
pergunte por fez comigo e permaneça
deitado no chão.
Esse é o lugar seguro para tratar
doutrina tão alta. Não em cadeira de
juiz no chão.
Terei misericórdia de quem eu tiver
misericórdia. Agora a doutrina começa a
queimar, né? Se tudo isso é verdade,
como viveremos?
Não, como pagaremos? Não podemos pagar
nada que a graça faz. Graça que pode ser
paga deixou de ser graça. Mas como
responderemos a essa graça, a esse amor?
Nós precisamos sentir essa provocação
maravilhosa. Se anjos caídos tivessem
sido redimidos, como serviriam? Imagine
um espírito arrancado das trevas,
correntes rompidas, culpa removida,
comunhão restaurada.
como cantaria, como adoraria, com que
fogo circularia ao redor do trono.
Então, olhe para nós. Nós recebemos
aquilo que eles não receberam. Onde está
nossa adoração? Onde está o nosso fogo?
Essa pergunta dói porque nos
acostumamos. Acostumamos com a cruz, com
o sangue, com a Bíblia, com culto, com
perdão, com linguagem de eleição, com
Santa Ceia, com acesso a Deus. A
familiaridade pode tornar maravilhas
opacas. Você ouve, o filho de Deus
morreu por pecadores e boceja e olha pro
relógio para ver se o culto já está
acabando. Como que doença espiritual
consegue ouvir essa frase e considerá-la
comum?
Talvez precisemos olhar novamente para
os anjos caídos. Nenhum Cristo para
eles, Cristo para você. Nenhuma cruz,
cruz para você. Nenhum pacto de graça
para eles, pacto para você. Nenhum sumo
sacerdote dizendo: "Eu rogo por eles".
Cristo orando por seus escolhidos.
Não rogo pelo mundo,
rogo por eles, porque eram teus e tu me
destes. Então, como tratar santidade
como opção? Como negociar com pecados
pelos quais o cordeiro sangrou?
Não lutamos para comprar o amor, lutamos
porque fomos amados. Essa diferença é
tudo. Moralismo diz: "Obedeça e Deus vai
te receber".
Evangelho diz: "Em Cristo você foi
recebido. Agora viva como quem pertence
ao rei. O amor de Cristo nos constrange.
A graça que justifica também transforma,
muda e educa. Ela não olha para o pecado
e diz: "Não importa, diz: "Você foi
comprado por preço. Seu corpo não é seu,
seus olhos, sua língua, seu dinheiro,
seu tempo, seu ministério, sua
inteligência, tudo foi colocado debaixo
de novo senhorio."
O amor soberano não produz licença
para o pecado, produz consagração. Quem
viu o pouco da graça pergunta: "Até onde
posso pecar e ainda ser salvo? Quem
começa a enxergar realmente a graça
soberana pergunta: "Como eu poderia
oferecer menos a Cristo, a não ser minha
vida como um santo sacrifício?"
E
essa verdade deve também se aproximar do
pecador, não do pecador abstrato, de
você e de todos que estão fora de
Cristo.
Onde está a segurança?
Na moralidade, anjos eram mais elevados.
Na inteligência,
anjos eram mais capazes.
Na sua religiosidade,
Judas caminhou entre apóstolos. Na sua
família, ninguém nasce de novo por
genealogia. No seu cargo,
anjos ocupavam cargos muito maiores.
Nas experiências que teve, anjos
conheceram glórias superiores e
experiências muito maiores. Na multidão,
Deus não absolve porque muitos pecam.
Uma quantidade muito grande de anjos
pecou e não é por isso, era porque eram
muitos.
Foram absolvidos
na sua habilidade de argumentar.
Nenhuma inteligência criada, nem de um
anjo engana o juiz.
Então, para onde você irá?
Esse é o objetivo da lei, fechar as
portas falsas para que toda a boca
esteja fechada e todo homem seja culpado
diante de Deus.
Mas naquele que ele chama eficazmente, o
homem finalmente vê todas as portas
realmente fechadas e não resta uma.
até que ele veja a única que é Deus que
faz Cristo. Você não precisa apenas
tornar-se melhor, precisa de substituto,
não precisa apenas de nova disciplina,
precisa de nova vida. Não precisa de um
uma tinta religiosa sobre o coração
antigo, sobre a vida antiga. Precisa de
um coração novo. Não precisa aprender
currículo, não é?
eh
desenvolver um currículo e levá-lo ao
tribunal, precisa apresentar uma justiça
que não nasceu em você e nem poderia
nascer. Cristo, seu sangue, sua
obediência, sua cruz. Você pode dizer:
"Mas sou muito pecador, ótimo, que
finalmente está olhando para o problema
certo. Cristo não veio chamar justos
autossuficientes,
veio por pecadores,
mas conheci a verdade e resisti. Então,
pare de resistir, mas desperdicei anos.
Você está vivo agora. Use esse instante.
Mas meu coração é duro, então você
precisa exatamente daquilo que o
evangelho anuncia.
Não conselho para melhorar,
não conselho para mortos. Você precisa
de ressurreição,
mas não tem nada para oferecer. Graça,
nunca pediu pagamento.
Se houver pagamento, não é graça. Venha
vazio.
O mendigo não precisa fabricar riqueza
antes de receber pão. O doente não
precisa se curar antes de procurar
médico. O culpado não precisa se
justificar, justificar a si mesmo antes
de correr para o justificador. Corra. Os
anjos caídos não recebem este anúncio,
nem o
arrependimento é concedido a nenhum
deles. Você está ouvindo, não transforme
privilégio em culpa maior do que a dos
anjos. Vou ir para Cristo.
E
você que está em Cristo, olhe para trás,
não longe demais, talvez pouco tempo
atrás baste. Quem você era? Onde poderia
estar? Quais pecados poderiam ter
governado? Quantos caminhos não foram
tomados? Quantas vezes Deus segurou?
Você realmente consegue olhar para a
própria história e concluir: "Minha
força explica isso". Eu não consigo.
Quanto mais um cristão enxerga o próprio
coração, menos essa explicação
é plausível para ele. Houve fraqueza
demais,
distração demais, autoengano demais,
momentos em que a alma estava fria,
momentos em que a carne parecia gritar,
momentos em que a tentação encontrou
rachaduras. E ainda assim você está
aqui, talvez ferido, mas aqui. Talvez
envergonhado de quedas, mas ainda
olhando para Cristo. Talvez caminhando
devagar, mas na direção de casa. Por
quê? Graça. Graça soberana, graça livre,
graça infinita. Não transforme graça em
clichê.
Dê peso à palavra. Foi graça quando você
creu, graça quando se arrependeu, graça
quando foi disciplinado, graça quando
Deus não permitiu que determinado pecado
desse todo o fruto que você merecia
colher. Graça quando perdeu coisas que
se tornariam ídolos. Graça quando
descobriu aquilo que realmente havia no
coração. Graça quando alguém o
confrontou. Foi graça quando você odiou.
ser confrontado, mas depois percebeu que
era verdade e que você precisava da
confrontação. Graça quando voltou, graça
quando permaneceu e um dia será graça
quando morrer em fé e graça quando
acordar sem pecado. Então não diga:
"Segurei firme", diga: "Fui segurado."
Não diga: "Eu era melhor." Diga: "Ele
foi misericordioso com os piores." Não
diga: "Meu coração era diferente por
natureza". Diga: "Deus me deu um novo
coração". Não diga: "Meu nome deveria
estar aqui." Diga: "Meu nome está
escrito por graça livre e soberana".
Esse é o fruto correto da eleição. Não
arrogância, lágrimas, não superioridade,
verdadeira adoração.
E assim nós terminamos onde talvez
devêsemos permanecer
por muito tempo em silêncio. Anjos
caíram, homens caíram. Deus não poupou
os anjos. Deus não deve isso a ninguém.
E para homens houve Cristo. Que frase
estranha. Para o pó, Cristo. Para os
culpados, Cristo.
Para inimigos,
Cristo. Para aqueles que pecaram contra
a luz, Cristo. Para aqueles que não
procuraram e nunca buscaram a Deus.
Porque nenhum homem jamais buscou Deus.
Cristo os buscou, os procurou, fez com
eles, como fez com Saulo no caminho de
Damasco.
Para aqueles que não tinham justiça,
Cristo se tornou justiça. Para os
mortos, vida. Para os escravos,
libertação. Para inimigos,
reconciliação. Para órfãos, adoção. Para
peregrinos, casa,
para os que poderiam cair
definitivamente se dependessem de si um
guardião que não dorme. E agora talvez
possamos entender porque a graça
soberana não é uma doutrina fria, ela é
fogo. Se não aquece, ainda não olhamos
tempo suficiente. se não humilha, ainda
não colocamos alguma coisa nossa. Eh,
ainda estamos colocando alguma coisa, a
alguma parte nossa nela, mas não há nada
nosso na graça e na salvação. Se não
produz adoração, ainda não percebemos o
tamanho do abismo entre aquilo que
merecíamos e aquilo que recebemos.
Deus poderia ter deixado a raça humana
seguir o caminho dos anjos rebeldes,
toda a raça humana. E ele estaria sendo
bom justo.
Justiça, trevas, juízo. Nenhuma criatura
poderia apontar para o trono e dizer
injusto. Mas a eternidade decidiu algo
diferente para o povo que o Pai deu ao
Filho. Haveria encarnação, haveria cruz,
haveria sangue, haveria ressurreição,
haveria chamado, haveria fé, haveria
santificação, haveria preservação,
haveria a glória. E no centro de cada
etapa, Cristo.
Então, pecador, não fique parado
admirando a doutrina. Vou ir para
Cristo.
E os que são salvos, não transforme
soberania em almofada para dormir.
Transforme ela em combustível para
adorar. Queime em amor, sirva com
alegria. Vigie com humildade. Ore com
dependência. Trabalhe sem imaginar que o
trabalho compra alguma coisa. Lute
contra o pecado como alguém comprado por
sangue, não para tornar-se filho, porque
recebeu adoção. Não para obrigar Deus a
mantê-lo, porque descobriu que a
fidelidade de Deus é a sua única
esperança. Anjos conheceram glória
criada.
Você conhece graça redentora.
Anjos serviram diante do trono. Você foi
unido ao filho que ocupa o trono. Anjos
caíram de alturas que jamais alcançamos.
E Deus está levantando homens do pó para
lugares que jamais conseguiríamos
escalar. Não porque o homem é grande,
mas porque Cristo é. Não porque nossa
vontade é poderosa, mas porque a graça é
soberana. Não porque seguramos Deus, mas
porque ele nos segura. E quando
finalmente a guerra acabar, quando a
última tentação desaparecer, quando não
houver mais pecado no coração, quando a
vigilância puder descansar, porque não
haverá mais inimigo, quando os santos
estiverem diante da glória, sem
possibilidade de queda, de outra queda,
o universo inteiro saberá
porque estamos ali. Não foi a força do
barro, não foi a sabedoria do barro, não
foi o mérito do barro, não foi a
perseverança autônoma do barro, foi o
oleiro, foi o pai, foi o filho, foi o
espírito santo, foi graça. Graça que
escolheu, graça que chamou, graça que
comprou, graça que ressuscitou, graça
que sustentou, graça que corrigiu, graça
que preservou e graça que terminou
aquilo que começou. Então, talvez
olhamos para trás para anjos que caíram,
para Adão que caiu, para o nosso próprio
coração que tantas vezes eh tentou cair
depois de chamados. Depois olhamos para
Cristo e não haverá argumento, só
adoração.
Aquele que é poderoso para nos guardar
de tropeçar, nos apresentar
irrepreensíveis com alegria diante da
sua glória. A ele não a nós. A ele toda
honra, toda majestade, todo domínio,
todo poder. Porque nós somos o pó. Ele é
a glória. Nós éramos culpados. Ele
trouxe a graça. Nós poderíamos cair um
milhão de vezes. Ele nos sustentou e
sustenta. Nós morreríamos.
Ele é a vida. E por toda a eternidade,
quando alguém perguntar como homens
pecadores permaneceram onde anjos
gloriosos caíram, a resposta continuará
sendo a mesma. Cristo, somente Cristo.
Graça soberana, graça acima, pó abaixo,
graça no centro e Cristo
em tudo.
>> Tu conheces [música] o que eu nem no
meio, [canto]
o orgulho vestido de razão [música] e a
fumaça dos altares falsos que levantei
[canto] em minha devoção.
[música] Meu pecado é mais que meus
tropeços. É raiz [canto]
doente a florescer.
É a alma desejando [música][canto]
independência, o peito querendo se
reger.
Quantas vezes troquei [música][canto]
tua beleza por um reino feito por mim,
mas o homem longe da tua face sempre
volta [canto]
ao pó do [música] próprio fim.
Mas tua luz não vem para ferir, [canto]
nem tua voz me chama para expor.
[música]
Tu descobres [canto] a ferida escondida
porque queres [música] restaurar com teu
amor.
Tem [canto] piedade de mim, Jesus.
Não me deixes nas mãos do meu querer.
Se eu [canto] desabo ser a minha
[música] rocha, se eu me perco,
vem me recolher.
>> [canto]
>> Tua cruz desfaz meu falso
abrigo. [canto][música]
Teu perdão me ensina a respirar.
[canto] E o sangue
que verteu do teu [canto][música] lado
é o que pode um pecador lavar.
Já tentei [música][canto] juntar meus
próprios cacos com promessas feitas na
aflição. [música][canto]
Já tentei comprar de volta paz com
tristeza, esforço e devoção.
[música][canto]
Mas a culpa não recua ao pranto, nem se
curva o peso da minha voz. [música] Ela
cai [canto] somente diante do cordeiro
que morreu e ressuscitou [música] por
nós. Tu és santo, eterno, incontornável.
[canto]
Eu sou o pó tentando me exaltar. Sou um
ramo seco [canto]
sem a videira. Sou um barco [música]
cego em alto mar. Toda estrada sem o teu
governo tem aparência, mas não tem
saída. [música]
É deserto se chamando liberdade, [canto]
é ruína se vestindo [música]
de vida. Inclina, pois meu coração,
Senhor, quebra em mim o encanto
[canto][música] pelo mal. Põe temor onde
cresceu soberba, põe doçura onde eu
ergui. Tribunal.
Tem piedade de mim, Jesus.
>> [música]
>> Não me deixes nas mãos [canto] do meu
querer.
Se eu desabo [canto]
ser a [música] minha rocha, se eu me
perco,
vem me recolher.
Tua [grito]
cruz desfaz.
Meu falso abrigo,
teu perdão me [canto] ensina a respirar.
Lá e o sangue
>> [canto]

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