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A fé vem pelo ouvir

Referências bíblicas em "The Matrix", religião e cultura pop – Davar Live – 04/09

Referências bíblicas em "The Matrix", religião e cultura pop – Davar Live – 04/09

Referências bíblicas em "The Matrix", religião e cultura pop – Davar Live – 04/09

Legendas automáticas:

Fala pessoal, boa noite. Bem-vindos aí a
mais uma live do nosso canal.
E bom, finalmente, né, eu já tô
prometendo faz um tempo aqui falar sobre
esse filme, quais relações que ele tem
com um assunto aqui do nosso canal, né,
que é sobre religião, cristianismo,
judaísmo, essas coisas, né, eh, Bíblia
em geral.
Eh,
e aí a gente vai falar hoje sobre
Matrix.
O, eu já tô vendo aqui no chat o Mateus
que tinha falado aqui e me cobrado
depois, né? Boa noite. A espera foi
recompensada. É, finalmente, né? Eh, boa
noite aí também pro Carlos falando, o
papo hoje vai render. Se depender de
mim, vira vigília.
Eh, então gente, para quem não conhece
esse filme, eu acho, eu acho que pouca
gente não conhece, nunca ouvi falar, ou
às vezes a pessoa até conhece, assistiu
o filme, mas falou: "Tá, mas que que tem
a ver falar sobre esse filme num canal
que fala sobre temas bíblicos e tal".
Então, a gente vai falar sobre isso, a
gente vai ver que tem relação eh o
filme, digamos assim, ele é diversas em
em diversas perspectivas uma alegoria
para temas bíblicos.
E a gente vai falar sobre isso, vamos
falar sobre esses temas bíblicos, vamos
discutir um pouco eh em geral sobre essa
relação que pode ter, às vezes tem eh
entre cultura pop e religião bíblica, tá
bom?
Eh, então é isso, gente. Queria começar
aqui
já além de um comentário que eu vi que
foi bem interessante essa semana, eh,
um comentário que foi feito lá no canal.
É, mas aí agora eu tenho que achar o
comentário. Não sei porque às vezes
esses comentários eles desaparecem do
meu canal.
estavam aqui, mas desaparecem. Não sei o
motivo disso, mas deixa eu achar aqui.
Vou achar só um segundinho. Ele tava
aqui e sumiu.
Vamos lá. Comentários
por ordem. Eh,
mais recentes
que não tem. Tá, tá bom. Tá aqui. Achei.
É um comentário do Aid que tá sempre aí
no canal também. A gente tinha falado na
última live sobre a ideia de Jesus como
o a chave hermenêutica do Antigo
Testamento, certo? Eh, o Aid deixou um
comentário aqui explicando um pouco
melhor esse conceito de onde ele veio, o
que que ele quer dizer, né? Sobre Jesus
como chave hermenêutica. Quem
popularizou essa ideia na internet no
Brasil foi o Caio Fábio. Pelo que
entendo, mais do que ver tipologias que
apontam para Cristo, ele entende que o
que ele entende de espírito de Cristo é
o critério de julgamento para ler o
Antigo eh Testamento em termos de dever.
Por exemplo, ao ler um salmo
imprecatório em que o salmista deseja a
morte dos inimigos e ora pela morte
deles, no filtro do espírito de Cristo,
ele interpreta esse salmo a luz do que
Cristo diz sobre amar os inimigos e orar
pelos que os perseguem, eh, pelos pelos
que nos perseguem. Há duas leituras
possíveis aqui, uma de legitimação de
ódio aos inimigos e um é o que é o exato
oposto, a saber a de amar os inimigos.
Então, em termos de dever, no qual se
qual deve ser a atitude do cristão, será
que Cristo deu alguma autorização de eh
de algumas situações odiar os inimigos?
Porque existe referência nas escrituras?
Claro, há quem diga que a oração
imprecatória ainda é uma atitude melhor
do que a vingança, pois você está
colocando de Deus para que ele faça
justiça. No entanto, parece haver eh
parece de fato gritante a diferença
entre essas duas atitudes eh diante do
mesmo referencial a saber um inimigo.
Em Jesus como chave hermenêutica,
imagino que esse trecho das Escrituras,
se entendido como um dever de odiar os
inimigos ou no mínimo uma legitimação,
seria interpretada como um ensino
anticristão. Então, mais do que ver uma
tipologia mais ou menos explícita e
tentando decifrar a verdadeira mensagem
contida ali, nesse paradigma, algumas
coisas podem ser entendidas no tipo: "A
Bíblia não é a palavra de Deus, ela
contém a palavra de Deus quando está de
acordo com o espírito de Cristo, né,
entre aspas. Nesse paradigma, a mesma
intenção do autor do texto não importa e
será considerado não esperado caso
contradiga o espírito da mensagem de
Cristo.
Eu entendi. É bacana isso daqui, porque
a gente estava falando muito nesse
sentido mais de eu nem lembro como a
gente chegou nesse assunto, mas era mais
nesse sentido de tipologia, né, dos
símbolos ou de hermenêutica do de forma
geral, como interpreto esse texto aí,
porque a expressão Jesus como chave
hermenêutica seria isso. Ele é a chave
hermenêutica para se entender o Antigo
Testamento. Mas agora explicando um
pouco melhor esse conceito, ele até faz
sentido, seria mais, digamos assim, como
o referencial moral
para se interpretar o Antigo Testamento
é Cristo. E para mim isso faz sentido,
né? Apesar de eu ter muitas diferenças
com Caio Fábio, inclusive essa essa
expressão que ele tem de que a Bíblia
não é a palavra de Deus, ela contém a
palavra de Deus, porque a palavra de
Deus seria eh aquilo que Cristo diz, a
vontade de Cristo seria mais ou menos o
que o Aid falou aqui, né? Mas mesmo aí
eu tenho lá minhas discordâncias, porque
eu entendo a expressão palavra de Deus
como uma coisa mais abrangente do que só
o que que Deus quer que o homem faça. A
palavra de Deus às vezes também tá numa
poesia em que alguém tá sofrendo tá
pedindo para Deus vingar os inimigos.
Esses salmos imprecatórios, eles são
palavra de Deus também. Dentro da minha
compreensão do que significa a palavra
de Deus. por mais que eles não sejam,
digamos assim, um referencial moral,
eles expressam eh os dilemas humanos
dentro da perspectiva de um
relacionamento entre homem e Deus, né? E
é isso que seria a palavra de Deus na
minha percepção pessoal, né? de novo. Eu
tô de fone de ouvido. Eu nem precisava
de estar de fone de ouvido. Eh, mas é
isso, gente.
Deixa eu só ver aqui se alguém comentou
mais alguma coisa.
É, o pessoal gostou do tema aqui.
O o Patrick Trunk. Legal esse filme.
Hoje o som está meio enlatado, mas dá
para entender sem problema. É, será que
eu vou tentar deixar um pouco mais perto
aqui. Vamos ver se ele melhora.
Eh, o Daniel Algo Verde falando: "Boa
noite, o Carlos é bom ter cautela. O
Caio Fábio meio que rasga o Antigo
Testamento. É, então, exatamente. É,
esse é o meu, esse é o meu ponto. É uma
leitura muito,
vamos usar o termo aqui, eh, muito
antissemita
do texto bíblico. E por antemita aqui,
eu tô me referindo não especificamente a
a a ideia de que ele é, sei lá,
eh que ele quer exterminar judeus, não
nesse sentido, mas no sentido de que
você olha pro pro texto bíblico com uma
desconfiança do Antigo Testamento, né?
Já com essa hierarquia entre Antigo e
Novo Testamento. Vocês sabem, aqui nesse
canal eu não faço esse tipo de
hierarquia. Eu costumo ver o Antigo
Testamento de forma muito mais complexa,
só além do que essa ideia de ah, é o
Deus mais mau e no Novo Testamento é o
Deus mais bonzinho. Essa ideia que
parece guiar muitos evangélicos hoje, eu
rejeito completamente, né? Eu acho que
tem passagens muito duras no Novo
Testamento
que precisa ser ignoradas, precisam ser
ignoradas para fazer essa leitura. E tem
passagens muito maravilhosas no Antigo
Testamento que também precisam ser
ignoradas para fazer essa leitura, né?
Então
eu tenho meus minhas ser salvas, digamos
assim, com esse tipo de leitura do Caio
Fábio. Eu não gosto dele da visão de
Bíblia que ele tem de forma geral, né?
Por mais estranho que pareça, eu acho
que eh a frase inicialmente, mas eu acho
que ele tem uma visão muito moralista do
texto bíblico, eh no sentido de que ele
tenta pegar o texto bíblico e ele quer
achar o que que ele acha que é ruim e é
bom, descarta o que é ruim e fica com o
que é bom. Eh, e esse ruim e bom é no
sentido moral mesmo, entre bem e mal. E
eu acho que o texto bíblico é muito mais
profundo e ele convida a uma reflexão
muito além do só o que que é certo e o
que é errado. Inclusive o texto bíblico
para mim ele convida você a fazer
reflexão moral, né? A gente já comentou
disso aqui outra vez.
Quando você lê as passagens, por
exemplo, das filhas de Ló
lá, quando surge a linhagem de Moabe, eh
que as filhas de Ló
embriagam o próprio pai para ter um
filhos com o próprio pai, paraa linhagem
do pai não ser quebrada,
o texto bíblico não faz nenhuma
nenhuma observação moral sobre o que que
aconteceu. E ele deixa isso para você,
leitor. Embora o texto revisite isso
posteriormente,
inclusive o próprio povo de Israel
considera que os moabitas não deveriam
fazer parte da da da assembleia
israelita, eles não devem fazer parte do
povo de Israel,
se eu não me engano, nem a 10ª geração
dos moabitas tá no texto. é uma leitura
sobre esse episódio, o fato do texto
fazer essa essa revisitar essa ideia dos
moabitas. Então, apesar de ter essa
leitura posterior, o texto em si, lá em
Gênesis, quando ele descreve o que
acontece, ele não faz essa leitura
moral, ele não dá nenhuma eh nenhuma
conclusão, como a gente já falou aqui,
usou o exemplo, você não tem o rimen
aparecendo no final de cada capítulo da
Bíblia e falou: "Ó, amiguinhos, o que
aprendemos hoje? Olha, é muito errado
fazer isso, viu? e vai embora. Isso não
tem. É você que tem que fazer essa
reflexão. Então você lê o texto e você
tem que fazer a a reflexão moral, né?
Então eu acho esse tipo de leitura da
Bíblia muito mais interessante, é muito
mais profunda
e muito mais, digamos assim, ela treina
a gente a desenvolver o senso crítico,
que é uma das coisas que a gente vai
falar hoje aqui, eh, quando a gente tá
falando sobre cultura pop.
bíblia e cultura pop de forma geral, tá
bom? Então, bom, é isso sobre esse
assunto. É isso daí. Eu não trouxe um
texto pra gente começar falando porque
eu achei que valia a pena a gente
começar falando sobre essa
eh esse comentário aí do do Aid, né? Eh,
explicando melhor o que que é o esse
conceito da chave hermenêutica.
Então, vamos lá. O Patrick também já
colocou uma outra pergunta aqui. A a
espada e a cruz é um relacionamento
complicado na sua visão? Quero dizer,
cristão pode lutar, ir paraa guerra,
seja ela civil ou entre nações.
Nossa, isso daí é uma excelente questão,
porque eu acho ela bem complexa, viu? Eu
não acho ela tão simples assim.
Tem aquele filme do até o Último Homem,
se eu não me engano, o nome do filme,
que conta a história do do sujeito que
ia pra guerra com uma arma de madeira,
uma história real,
porque ele era cristão, né, da minha
religião, inclusive adventista, né, e
ele dizia que, portanto, por ser
cristão, então eh era contra a religião
dele, pegar em armas, etc e tal, né?
Aí a gente entra em várias questões.
Talvez isso funcione bem usando esse
princípio que a gente tava comentando
agora a pouco, né? Eh, o Mateus
perguntou aqui o Desmondos. Isso, isso
exatamente
que acho que é mais ou menos a questão
que o Patrick tava que o o Patrick tava
colocando aqui, né? Eh, se o cristão
pode lutar, pode ir pra guerra. No caso,
o Desmondos ele até foi pra guerra, mas
ele não lutou, digamos assim, né? Ele
tinha uma arma de mentira e ele foi como
médico do exército.
Mas eh eu acho filme bonito. Eu acho
bonito quando uma pessoa eh se dedica à
aquilo que ela acha que é o correto,
mesmo que eu não concorde exatamente com
aquilo que ela acha que é correto, sabe?
Mas a história eu acho bonita. Eu acho
bonita a ideia de alguém que se recusa a
pegar em armas em qualquer contexto.
Por outro lado,
eu eu acho que quando a gente olha pro
texto bíblico de forma geral,
eu acho um pouco difícil a gente
defender essa essa postura, sabe?
Por mais que, voltando à questão
anterior, se você vê Jesus como a o
parâmetro moral,
realmente Jesus vai dizer:
"Bem-aventurados os pacificadores".
Eh, mas eu acho que existem momentos
específicos onde o mais moral a se fazer
é entrar em conflito. Sim. Eh, isso em,
e eu não tô falando assim de fazer isso
no dia a dia, não. Tô falando de de
contextos extremos, né? Então, por
exemplo, o exemplo, um exemplo clássico,
eh,
você tá na Segunda Guerra Mundial
escondendo os judeus no seu porão.
Alguém bate na sua porta e pergunta:
"Você está escondendo judeus no seu
porão? O que que é certo ou é errado
nessa hora? É mentir ou falar a
verdade?"
Então,
existem contextos específicos, extremos,
em que a moralidade ela não é mais tão
baseada em regras frias, mas você tem
que considerar todo o contexto. Então,
mentir normalmente é uma coisa negativa,
é uma coisa errada a se fazer, mas num
contexto extremo como esse, mentir,
esconder, esconder o os judeus no no
porão
é o mais correto a se fazer, seria o
mais moral a se fazer. A gente pode até
fazer um paralelo bíblico, né, para ser
mais direto. A gente tem Raabe lá na
história de Jericó, que ela escondeu os
espiãos, espiões, os espiões, eh,
israelitas e mentiu falando que eles não
estavam lá. Então, eh é um contexto
extremo, é um contexto de vida ou morte,
é um contexto que você tá lidando com
outra pessoa que tem a intenção de matar
alguém.
Então tem que se considerar todas essas
coisas. Então eu acho que talvez em
alguns contextos extremos, eu acho que
eu nem vou elaborar aqui exatamente
qual, mas eu acho que pode ser possível
que o mais correto a se fazer seria
assim se defender, usar uma arma para
alguma coisa. Eh, talvez em um contexto
extremo você só ficar parado, ajoelhado
orando, não seja a atitude mais moral a
se fazer. Mas o problema com isso que eu
tô falando é que a aí sempre fica
aberto, né? Qual que é o que que é um
contexto extremo?
Então, eh as pessoas podem sempre
justificar o que eh as atitudes
violentas delas como como uma defesa de
forma geral, de uma coisa eh de uma
coisa que é sistêmica na sociedade.
Eh,
vocês entendem o que eu tô dizendo, né?
Então é, fica um pouco subjetivo, o que
é preocupante porque a gente tá falando
de usar violência contra outras pessoas,
né? Então, de forma geral,
eu não gosto da ideia de ir pra guerra.
[risadas]
Eu faria uma desobediência civil assim,
sem pensar duas vezes, sem ter nenhum
nenhuma dor na consciência. Se eu
conseguisse eh se eu precisasse, se
fosse chamado para ir paraa guerra e eu
conseguisse de alguma forma burlar isso,
porque eu não tenho nenhuma intenção de
sair do meu país para outro país, tirar
a vida de outras pessoas, eh,
independente do motivo.
Mas de repente, se você tá sendo
invadido, se as pessoas estão entrando
na sua casa, matando pessoas e tal, aí
eu eu aí mudaria de ideia, talvez.
Mas é isso, essa é só a minha opinião,
mas é um assunto complicado mesmo.
Eh, se a pergunta é, é um relacionamento
complicado na sua visão. Sim, é um
relacionamento bem complicado. Eh, nem
todas as regrinhas bíblicas funcionam em
todos os contextos.
E aí a gente tem que colocar aí nesses
contextos mais extremos, fazer uma
ponderação sobre qual é a hierarquia de
valores que você tem, ou seja, o que que
é mais importante?
que é tão importante que tem outras
coisas que estariam depois. É difícil de
pensar o que que é mais importante do
que tirar a vida de outras pessoas.
Talvez poupar a vida de outras de
inocentes. Talvez tirar a vida de
opressores para poupar a vida de
inocentes. Pode ser uma resposta, mas é
sempre uma questão complicada, porque
também quem é opressor, quem é vítima,
nem sempre é tão claro assim, né?
Bom, gente, é isso. Eu acho que a gente
já pode ir então pro tema que a gente já
se propôs a falar hoje, né?
Finalmente. Então,
eu estou cumprindo a minha palavra aqui
pro pro Mateus,
que ele tinha pedido para falar sobre o
filme Matrix. A gente tinha comentado
uma em uma outra live sobre outros
filmes
e a gente não tinha falado do filme
Matrix e aí alguém comentou sobre ele.
Acho que foi Mateus na ocasião lá. E eu
falei: "Ah, isso daí, esse filme é
interessante, tem muitas coisas aí. Eu
acho que vale a pena a gente falar em
uma outra ocasião que a gente pode
destrinchar um pouco mais esse assunto
aí. Então, foi meio que isso e aí a
gente acabou vindo para essa aqui, né?
Vamos falar sobre o filme Matrix,
eh, e falar um pouco sobre a relação
dele com temas bíblicos. Então, para
começar, né,
por que dentro de um canal religioso
fala sobre um filme, um filme que não é
nem um filme, digamos assim,
evangelista, não. Os os diretores que
escreveram também não não são pessoas
cristãs, eles tinham a a a intenção de
de converter as pessoas pro
cristianismo, né? Então, como que se dá
esse relacionamento entre a cultura
secular ou a cultura pop, a gente pode
dizer assim, que a cultura popular, essa
cultura,
vamos até falar, essa cultura que tem
objetivos de mercado até, eh, cultura
produzida com objetivos de mercado.
Eh,
qual o relacionamento que essa cultura
tem com a religião?
Então eu penso o seguinte, eh,
a gente
quando eu era mais novo, quando era
pequeno na igreja,
eu ouvia muito e as pessoas ainda falam
muito sobre isso, né, que a gente tem
que tomar cuidado com o que a gente vê,
com o que a gente ouve. Então, uma das
funções da igreja é fazer um filtro
sobre o que as pessoas deviam ou não
ler, assistir, ouvir, apreciar, né?
Porque essas coisas do mundo nos
influenciariam
para
pra gente cair em tentação, pra gente se
afastar de Deus e assim por diante.
Inclusive, eram tem um texto bíblico que
era muito usado, que é eh Filipenses. Aí
eu eu eu nunca lembro direito o esse
texto, mas acho que é Filipenses,
Filipenses é 4:8. Deixa eu ver aqui se
eu acho. Filipenses 4 verso 8.
É isso mesmo, Filipenses 4:8. Então,
esse verso era usado para justificar
essa atitude em relação a cultura. Eh,
essa atitude de filtro, a função da
igreja é filtrar para evitar os irmãos
da igreja, principalmente os mais novos,
os mais jovens, entrarem em contato com
coisas do mundo para não serem
influenciados. E aí o texto usado para
isso é esse daqui. Finalmente, irmãos,
tudo o que é verdadeiro, tudo que é
respeitável, tudo que é justo, tudo que
é puro, tudo que é amável, tudo que é de
boa fama, se alguma virtude há, se algum
louvor existe, seja isso que ocupe o
pensamento de vocês.
Eh, a primeira questão aqui que hoje me
pega muito é o uso de textos bíblicos
que não se encaixam exatamente para que
as pessoas estão querendo justificar.
Esse texto em especial, o esse texto de
Filippenses 4:8, ele é ele é difícil
porque
não tem um contextos que explica ele
muito bem. Então se a gente vê, lê antes
e depois, o todo o livro de Filipenses,
ele é muito assim, ele tem muita a
tentativa de trazer a comunidade que da
igreja lá de Filipo para ficar mais eh é
mais good vibes, digamos assim. Então,
alguns versos antes, o verso 4ro, né,
Filipenses 4:4, alegrem-se sempre no
Senhor. Outra vez digo: Alegrem-se, né?
E aí ele vai continuar dizendo que a
moderação de vocês seja conhecida por
todos, perto está o Senhor. Não fiquem
preocupados com coisa nenhuma, mas em
tudo sejam conhecidos diante de Deus os
pedidos de vocês pela oração e pela
súplica com ação de graças. E a paz de
Deus que excede todo entendimento,
guardará o coração e a mente de vocês em
Cristo Jesus.
E aí ele vai concluir dizendo:
"Finalmente, irmãos, tudo que é
verdadeiro, tudo que é respeitável, tudo
que é justo, etc e tal, se algum louvor
existe, seja isso que ocupe o pensamento
de vocês."
Eh, quer dizer, o contexto não dá muita
dica para entender o que que ele tá
querendo dizer com isso, mas a gente
percebe o próprio verso em si. Já é um
verso que obviamente ele não tá falando
pra gente não entrar em contato com
coisas. Não é um verso excludente, mas é
um verso includente. Ele tá falando
sobre o que que você deve ver, sobre o
que deve ocupar sua mente, não sobre o
que não deve.
E esse o que deve ocupar a mente, ele é
muito inclusivo. Então ele fala: "Olha,
o tudo que é verdadeiro, tudo que é
respeitável, tudo que é justo, tudo que
é puro, tudo que é amável, tudo que é de
boa fama, se existe alguma virtude
nisso, seja qual for essa virtude, que
isso ocupe o pensamento de vocês."
Então, a gente pode dizer que tem muitas
coisas que tem muitas virtudes. Seja
virtude puramente estética.
Eh, o que o texto tá fazendo é convidar,
tá? tá convidando as pessoas a entrarem
em contato com as coisas que existem e
não para se fechar as coisas que existem
por aí, né? Eh, bom, essa a primeira
minha a minha primeira questão com esse
pensamento. E hoje eh obviamente eu já
não penso igual, né? Como disse o
próprio Paulo lá em Coríntios, quando
era criança, eu pensava como criança. Eu
virei adulto e deixei as coisas de
criança. Hoje eu penso de um jeito muito
diferente. Eu discordo dessa desse dessa
postura que se tem de querer filtrar,
eh, de querer ser a barreira que define
o que é bom, o que é ruim pros membros
da igreja poderem entrar em contato.
E hoje eu advogo muito mais por não por
as pessoas terem o discernimento, terem
o discernimento do que que elas podem ou
não eh
eh consumir,
mas muito mais sobre ter um senso
crítico em relação a tudo que aparece
diante delas, inclusive as coisas
religiosas. Então o que que eu quero
dizer com isso? ter esse senso crítico
também. Já
pensei muito sobre uma questão que é
sobre se essas obras de cultura da de
cultura pop em geral elas nos
influenciam, elas influenciam a
sociedade ou elas são um fruto da
sociedade, elas refletem o que a
sociedade pensa.
Então, a gente tem esse pensamento de
querer filtrar as o que que entra na
igreja e tal, o que que as pessoas
deveriam ver ou não, partindo do
pressuposto de que essas obras de
cultura pop, elas influenciam as
pessoas. Então, entre os dois lados,
esse lado aqui, as obras de arte, as
obras de arte da cultura pop, filmes,
séries, eh, músicas, etc. e tal, elas
influenciam as pessoas. Então, a gente
tem que proteger as pessoas dessa
influência. Essa é a maneira de pensar.
Eh, outra maneira de pensar é não, elas
não elas não existem para influenciar a
sociedade, porque o objetivo das pessoas
quando eles criam essas obras é ganhar
dinheiro. Então, essas obras, muito mais
de querer influenciar as pessoas, elas
partem do pressuposto do que que as
pessoas já pensam para elas alcançarem o
maior número de pessoas possível, para
eles terem o maior lucro possível.
Então, é o contrário, é a sociedade que
influencia os filmes. Os filmes são eh
são manifestações culturais. Os filmes,
as séries, as músicas, elas estão
manifestando aquilo que a sociedade
pensa. Então, esse modo de pensar seria
do outro lado. Então, eh, é a sociedade
que tá influenciando essas obras.
Mas
hoje em dia eu já entendo que há uma
relação mais complexa do que um ou
outro, do que essas uma mão ou a outra
mão, que eu diria até que para usar um
um vocabulário um pouco mais acadêmico
aqui, eu acredito que é uma relação
dialética entre a obra de arte, de arte
de cultura pop, mesmo que seja, eh, e a
sociedade. E o que eu quero dizer com
isso, que que é esse dialético? Quer
dizer o seguinte,
uma obra dessas, um filme, uma série,
uma música, etc. e tal, ela ao mesmo
tempo que é fruto de uma sociedade, que
ela é influenciada pela sociedade, ela
ao mesmo tempo também influencia a
sociedade. Então, isso torna a relação
muito mais complexa.
Existe uma influência em até certo nível
em algumas coisas e ela é influenciada
também em algumas coisas, em alguns
níveis.
Então, o que faz com que a sociedade não
seja um um uma piscina de água parada. A
sociedade é uma piscina que você já
jogou pedras nessa superfície e ela tá
em movimento. E as ondas que são
causadas por essa pedra, elas batem na
borda da piscina e voltam. E elas
interferem nas outras ondas que estão
vindo. As que estão voltando batem nos
nas que estão vindo. E essa onda
interferida pelas que já estavam
voltando, volta e bate nas na na borda
da piscina e volta de novo, interfere de
novo nas ondas que estão vindo. Então
isso torna um sistema complexo, é
imprevisível. Você não consegue nem mais
prever como, qual onda, que tamanho vai
surgir em tal lugar, porque são tantas
influências acontecendo ao mesmo tempo.
Aquela superfície tá sendo agitada
por várias coisas ao mesmo tempo.
Começou com uma pedra, mas ela mesmo se
agita depois. Então, seria isso uma
relação dialética, né, que há um diálogo
entre o a obra e a sociedade. A
sociedade é influenciada e influencia a
obra. a obra influencia e é influenciada
pela sociedade ao mesmo tempo. Então,
por esse motivo,
você não consegue e nem acho que que
deveria se tentar isso, se retira, se
tirar as pessoas religiosas da sociedade
para elas não serem influenciadas. Elas
vão influenciar e elas vão ser
influenciadas. O que é importante é como
elas próprias, cada uma delas vai
conseguir filtrar a forma como elas são
influenciadas. Porque o que é mundano,
entre aspas, não tá só fora da igreja,
tá dentro também. Não são só filmes e
séries e músicas, mas também dentro da
igreja. Nos púlpitos há pensamento
mundano, né? E cada vez mais, né? Quando
a gente vê ultimamente aí misturando eh
política, religião, aí a gente já vê que
não dá para fugir da influência do
mundo. O que que você tem que fazer é
saber identificar essa influência do
mundo
e você saber no que você acredita e
confrontar as suas crenças com aquilo
que aparece diante de você. Bom, essa é
uma grande introdução do porque também
faz parte, acredito eu, a gente fazer
algumas reflexões do ponto de vista
religioso sobre obras da cultura pop. E
a gente já fez isso e a gente vai fazer
mais aqui nesse canal. Então, de vez em
quando a gente vai olhar algumas coisas
que fazem parte dessa cultura de massas,
dessa cultura eh que tem como objetivo
ganhar dinheiro, como objetivo a
bilheteria, né? Eh, até porque também
não é só esse objetivo, né? Eh, as
pessoas que trabalham nesses filmes,
[roncando] elas decidiram fazer aquilo
que elas gostam de fazer aquilo. Então,
tem também uma questão de expressão, né?
muitos desses filmes, eu acredito que
Matrix tenha sido assim também, surge
não de uma demanda do do
produtor, mas de uma ideia de um diretor
que tentou vender a ideia dele para um
produtor e tentou convencer o produtor
de que aquela ideia ia fazer dinheiro.
Então, parte de uma expressão da da
pessoa mesmo, né? Esse é o primeiro
ponto. O segundo ponto é o seguinte.
Algumas obras de arte, algumas dessas
obras de cultura pop e assim por diante,
elas fazem referência a pensamentos
bíblicos, a a questões bíblicas, a a
ideias, a temas bíblicos. E por que isso
acontece? Sendo que essas pessoas não
são necessariamente cristãs, sendo que
essas pessoas não têm necessariamente o
objetivo de converter ninguém para nada,
né?
Isso acontece por causa disso que a
gente estava falando aqui, essa
essa influência
eh dialética,
para insistir na palavra complicadinha,
eh entre a obra de arte e a sociedade.
A sociedade ocidental é uma sociedade,
digamos assim, de uma tradição cristã.
Então, por mais que muitas vezes as
pessoas já não seguem essa religião,
os elementos dessa religião estão
entranhados na tradição dessa sociedade.
Então, a gente
eh, por exemplo, né, tem um um jogo que
é curioso, né, o jogo chama Diablo, é um
RPG e
normalmente as pessoas cristãs tm uma
aversão muito grande a a jogos que fazem
essas menções tão explícitas a esses
temas, até porque a capa do jogo é o
diabo vermelho de de chifre, né? Mas o
que é interessante no jogo é que ele tá
utilizando
elementos da cultura da da tradição da
sociedade, da forma como ela tá na
sociedade, porque o diabo dentro do jogo
é o grande vilão. Você tem que derrotar
o diabo no final, né? Inclusive tem um
padre na na no Instagram que tem um
perfil que ele responde com questões de
cultura pop e a pessoa pergunta para
ele: "Eh, padre, é pecado jogar Diablo?"
padre não, pelo contrário, o diabo lá é
o inimigo. Você tem que descer a a
porrada no diabo mesmo. É isso aí que a
gente tem que fazer mesmo. Eh, então eu
tô usando esse exemplo só pra gente ver
que às vezes essas obras da cultura
fazem menções a temas religiosos
eh e eles eh porque esses temas fazem
parte da maneira de pensar das pessoas.
Então, mesmo que em algum jogo, alguma
coisa assim, o diabo não seja o inimigo,
talvez o Hell Boy, por exemplo, que é
uma obra do de que veio dos quadrinhos,
em que você tem um demônio que é um
demônio que não é mau, digamos assim.
Ainda assim, a obra tá partindo de um
pressuposto, que é um pressuposto da
sociedade de que os demônios são maus.
E a partir daí tá fazendo uma quebra de
paradigma. Vocês entendem o que eu quero
dizer? Então, assim, eh, a os filmes, as
séries, elas não partem de um vácuo,
elas partem da mente de pessoas que tão
inseridas nessa sociedade e elas têm o
objetivo de de conversar com pessoas que
também fazem parte dessa sociedade, onde
o diabo é um símbolo do mal, onde Cristo
é um símbolo do bem. Então, a gente vai
ter algumas obras que fazem essas
referências. por exemplo, eh, o próprio
o próprio Superman,
que é uma,
tem ali uma alegoria Cristo muito
grande, né, que ele foi enviado ao mundo
para salvar o mundo. E aí a gente tem a
a saga da morte do Superman, onde ele
morre, salvando o mundo do apocalipse,
entre aspas, né? né? E mas no final ele
ressuscita e assim por diante. Então
existe essas coisas, existem essas
menções, né? O Eduardo tá até comentando
aqui, tem até a série do Luúcifer, né?
Não cheguei a ver essa série.
Eh,
não, eu não sei exatamente qual que é o
teor dessa série, se o Luúcifer é uma
espécie de vilão nessa série ou se ele é
um mocinho. Mas existem várias outras
obras, né? Inclusive outra obra até com
esse mesmo ator do do do Matrix, né, que
é o Ken Reeves,
que é um filme chamado Constantine, que
é baseado nos quadrinhos também, que
também é é um é um herói que luta contra
poderes sobrenaturais, né, e no final
ele enfrenta o Lúcifer e tal.
E o que é interessante, né, por mais que
os cristãos tenham uma certa aversão a
essas menções tão explícitas nessas
obras de ficção,
essas obras, esse filme, por exemplo,
apesar de ser um filme que claramente
assim não é um filme de cristãos para
cristãos, mas a mensagem dele no final é
justamente que o Lucifer é um inimigo,
que ele tem que ser derrotado, que você
sai do você escapa da condenação do
inferno quando você tá disposto a fazer
uma coisa boa, como se autossacrificar
pelos outros e assim por diante, né?
Então existem pressupostos morais que
estão dentro do cristianismo, dentro
dessas obras também. Até em outras
obras, né? Você é difícil você ver
alguma obra em que o mocinho é uma
pessoa má que quer torturar e matar
pessoas só com o objetivo de destruir a
humanidade. Esse é o vilão dentro das
obras de forma geral, porque esses são
os valores das pessoas de forma geral,
não só cristãs, mas como outros. Então,
às vezes é usado esse, digamos assim,
esse quadro de temas bíblicos. às vezes
ele é usado nas obras de ficção para
partir de um pressuposto da da pessoa
que tá assistindo. Então, quando você
assiste um filme e aparece um monstro eh
de olhos vermelhos, de chifres,
eh, de pele vermelha e com dentes
gigantes, você não vai olhar e falar:
"Nossa, que fofinho, que bonitinho esse,
esse daí deve ser o o o morcinho". Não,
só o fato dele fazer uma referência a
esse imaginário cristão, ele já tá
identificando também quem é o vilão. Ele
não precisa explicar quem é o vilão, né?
Isso não acontece só com filmes que não
são cristãos. Você pega, por exemplo,
essa essa é uma crítica que eu acho que
tem sobre o próprio,
a paixão de Cristo, tenta assistir
aquele filme imaginando,
e é difícil fazer esse exercício, mas
imaginando que você não nunca ouviu
falar de Jesus, você não faz ideia do
que que é o evangelho. E aí quando você
vê o filme, ele não faz nenhum sentido
quando você assiste o filme desse jeito,
porque você fala: "Cara, quem é esse
cara barbudo? Por que tão batendo tanto
nele? Que que tá acontecendo aqui?" E aí
é o filme vira totalmente non sense,
porque o filme tá partindo de todo um
pressuposto
que toda a sociedade ocidental tá
absolutamente imersa, que é a ideia de
que Jesus é encarnação de Deus, ele veio
morrer pelos pecados, é a morte de
Cristo tem um símbolo de absolção, de
salvação, etc e tal. Se você não tem
esses pressupostos, o filme em si
fechado, ele nem faz sentido. É uma
história que não faz sentido, entende?
Então, todo filme parte de pressupostos,
ele ele não ele não quer explicar tudo
pra pessoa, ele já tá partindo de
pressupostos pra pessoa já entender.
Então ele mostra um monstro vermelho de
dente, de rabo e de chifre. A pessoa vai
olhar para aquilo e já vai entender que
aquilo é uma figura maligna. O filme não
precisa explicar isso, entende? já tem
esse pressuposto, esse pressuposto já
embutido ali na própria ideia, na
própria
escrita básica do filme, né?
Deixa eu ver o que vocês estão
comentando aqui. Eh, o Danilo fala na no
mangá Vinland Saga. Torfin se envolveu
tanto em guerras e vingança que quando
pensou em viver de outra forma, foi ele
que teve o contato com o texto bíblico
oralmente.
Eh, quando ele quando pensou em viver de
outra forma, foi que ele teve contato
com o texto bíblico oralmente. É
interessante, né? Eh, tem vários filmes
que t um pouco dessa ideia, né? É aquela
série True Detective.
Eu lembro que você tem um detetive que é
totalmente cético e é, digamos, um cara
moralmente bom. E tem outro que é todo
cristãozão lá e que faz tudo errado, é
todo torto, né? Eh, mas que no final
esse cara cético, ele tem, digamos
assim, um contato com o transcendental
e que ele fala de uma forma tão bonita
na série, né? Eu não lembro exatamente
como que é o o monólogo dele no final e
tal, mas que
poxa, ele ele ele é um é um negócio que
faz muito sentido para quem é cristão e
para quem até para quem não é também,
né? Mas para quem é cristão e faz essa
menção direta com a ideia do do do
pensamento bíblico em geral, né? Isso
faz muito sentido.
Aí o Danilo coloca que nem era intenção
do autor, o Yukimura, em fazer o o
Torfin se tornar cristão. Ele apens
ressaltou que os valores cristão são
universais. A luta pela paz entre os
diferentes. É, então, exato. Exatamente,
né? Aí o Daniel coloca aqui: "Os filmes
mantém eh o mesmo jogo pega uma história
bíblica que todo mundo conhece, mantém a
casca, arca, Jesus, Moisés, Jesus, anjos
e tal, troca o coração, tira o deus
santo e justo, coloca um Deus mau ou
inexistente, bota o homem como herói,
né?" É, então é exato.
Bom, mas vamos lá, então. Qual que é a a
a questão do Matrix? O Matrix vai ser um
filme que vai ter diversas alegorias a
Jesus Cristo.
Então, é bom já explicar logo de início
que não necessariamente quando um filme
tem essas alegorias,
você tem
assim uma,
você consegue fazer uma tabela de Excel,
ó, esse personagem representa esse outro
personagem, essa cena representa essa
coisa, esse elemento do filme Não, nem
sempre é assim, nunca vai ser assim, na
verdade, né? as alegorias, as metáforas,
as comparações, elas não são igual o
objeto ao qual elas se referem. E é por
isso que elas são interessantes. Elas
são diferentes. Elas são diferentes, mas
elas são iguais ao objeto que elas se
referem alguns aspectos,
mas não em outros, né? Então, por isso
que a metáfora é uma metáfora e não é o
objeto em si. Eh, a metáfora é uma
substituição por outra coisa, por outra
ideia. Então, eh, a gente vai ver aqui
que o personagem central do Matrix, que
é o Néo, ele é uma alegoria para Jesus
Cristo, mas ao mesmo tempo que ele é uma
alegoria para Jesus Cristo, ele não é
uma alegoria só a Jesus Cristo, ele é
alegoria a outras coisas, a outros
personagens mesmo dentro da Bíblia, o
que torna a coisa meio confusa. Então,
ele é uma alegoria para Jesus Cristo,
mas ele não é Jesus Cristo, porque Jesus
Cristo não saía lutando com gufu, com as
pessoas na rua. E o Né faz isso. Então é
uma alegoria, mas é sempre bom a gente
relembrar isso, que a gente tem esse
pressuposto que é uma alegoria, mas a
alegoria não é igual. Então ela vai
fazer referências a aspectos do objeto,
mas não é igual o objeto. Tá bom?
Aí o Frank coloca aqui: "Cristãos são em
boa medida muito herméticos à cultura
não gospel". um empobrecedor de
repertório muito
um gente, eu tô não tô conseguindo
falar, um empobrecedor de repertório
muito inadequado e eu concordo 1000% com
isso daqui, né? E esse é o é um
objetivo, inclusive de tá falando isso
daqui, não é pra gente ter medo de obras
da cultura pop, mesmo de obras que estão
falando contra o evangelho, estão
falando contra princípios bíblicos. Você
não precisa ter medo, você só precisa
entender primeiro o que você acredita,
saber o que que você acredita e entender
o que que é, qual é a mensagem do do
diretor do filme, do roteirista do
filme. Se você entende isso, você
consegue assistir qualquer coisa, falar:
"Ah, tá legal, legal, entendi o filme,
mas não tem nada a ver com que eu
acredito.
Eu discordo totalmente, mas beleza, não
tem problema, a gente segue."
Então, eh, ou ainda eu discordo muito
desse filme nesse, nesse, e nesse
aspecto, mas em outros aspectos, nesse,
nesse, e nesse, tá totalmente de acordo
com a forma de eu ver o mundo, da minha
crença pessoal. Então, é isso que é o,
para mim é o ponto mais importante,
é a obrigação
de uma pessoa de fé
fazer esse esse review,
olhar com esse olhar crítico para as
coisas, porque você precisa aprender a
olhar dessa forma crítica para um filme
e para um sermão também, porque muitas
vezes sermão, sermões feitos dentro da
igreja também estão cheios de coisas
erradas, estão cheio de pressuposto.
errados, lêem textos bíblicos de forma
totalmente torta. Você é responsável.
E se você é religioso, você também vai
acreditar que você vai ser cobrado pelo
que você acredita, não pelo que os
outros acreditam, né? Nem pelo que o
pastor acredita. Cada um vai é
responsável pelo que pelo que você mesmo
crê. Cada um é responsável pelo que crê,
pelo que a forma como vê o mundo. Então,
eh, essa ideia de que o de que você tem
uma responsabilidade tem que te levar a
olhar para as coisas dessa forma
crítica, entende?
Aí o Carlos já tá falando aqui, já vai
começar a falar. Ah, eu nem vou ler,
Carlos, porque a gente vai falar de
todas as questões aí. Eu tô enrolando
aqui, mas a gente já vai entrar nisso
daí. [risadas]
esse comentário, a gente vai falar de
todos esses aspectos que você colocou
aí, né? Eh, aí o Ed coloca aqui, isso é
interessante dizer, normalmente as
pessoas não são ensinadas a pensar nos
sentidos possíveis de uma narrativa. O
simples fato de aparecer um elemento de
símbolo demoníaco já interpretado como
um elemento amaldiçoador, elas se
esquecem que se fosse o critério
suficiente, a própria Bíblia não deveria
ser lida. Exatamente. É isso, é isso, é
isso. Isso, gente, isso me dá um pouco
de desespero, porque quando eu vejo,
eh,
eu vou usar um exemplo aqui, quando eu
era moleque, eh, a gente eu eu estudei
numa escola cristã e tinha uma
musiquinha lá que, que falava: "Estou
sobre o sangue de Deus, salve do sangue
do mal, não sei o quê". E falava muito
do sangue de Deus, do sacrifício e tal.
E tinha uma pessoa muito cristã na minha
sala. fala: "Ai, eu não gosto dessa
música". Ah, por que que você não gosta
dessa música? É o ritmo? É o quê? É a
poesia dela. Ah, não. Ela fala muito de
sangue, de morte, de sacrifício.
E aquilo nunca saiu da minha cabeça,
porque eu fiquei pensando, cara, essa
pessoa,
ela nunca ela nunca entrou em um cômodo
que tinha uma Bíblia na vida dela
inteira. Então, ela se diz muito
religiosa, mas ela tem horror à Bíblia.
A Bíblia tem esses aspectos.
Então eu fico assim abismado em ver
cristãos que se aparece alguma coisa que
tem qualquer menção a violência falar:
"Ah, não, que horror, isso daí a gente
nem não pode nem olhar". Meu amigo, se
você torcer a Bíblia sai sangue. Eh, a
violência faz parte da da essência do
ser humano. É uma coisa horrorosa, né?
Faz parte e tem que ser contida, mas faz
parte. Não dá para você fingir que ela
não existe. Ah, não. Fala muito de
morte, gente. A morte é [risadas] é a
coisa mais natural na vida. A morte é um
dos grandes temas do do da da Bíblia.
Ah, não, porque ela fala fala muito de
coisa ruim do diabo e tal. Gente, o
diabo, o conceito do diabo é um conceito
bíblico, surgiu na Bíblia. Então eu fico
pensando, o que me deixa assim
horrorizado é como os muitas vezes essa
esses argumentos que o Edva comentando
são usados pra gente se opor a a
produções eh da da cultura.
Esses argumentos eles partem de uma
visão de mundo totalmente antibíblica,
de gente que odeia a Bíblia, né? Ela ela
vai pra igreja, ela até suporta um
sermão que conta uma bela história e tem
um ou dois versos bíblicos bonitinhos,
mas ela chegar em casa e ler o texto
bíblico, aquele texto horroroso, cheio
de de morte, cheio de coisas, cheio de
complicações, ah não, que coisa. Então
isso que me deixa assim horrorizado.
Como pode a gente ter tantos cristãos
que são assim eh eh eh ah, eu eu até
queria lembrar uma palavra que é usada
em comportamentalismo, mas [risadas] mas
tem aversão, é isso que eu queria
lembrar, que tem uma aversão absoluta ao
texto bíblico. Isso só denuncia uma
aversão ao texto bíblico quando as
pessoas falam que elas não podem ver
essas coisas que tem por causa de
elementos que estão recheados no texto
bíblico, que são temas importantes
centrais no texto bíblico, né? Então não
faz nenhum sentido. Faz nenhum sentido,
Aid, concordo plenamente com você. Eh,
eu Carlos coloca que exato, essas
restrições têm a ver com controle
também. Totalmente, totalmente, né? Eh,
boa noite aí pro
Ambrósio. Ambrósio. Ambrossio Honorato.
Eh, então tá. Então vamos lá. Vamos
começar então falar do filme partindo de
todos esses pressupostos que a gente
estava falando aqui, né? Nem tudo é
perfeito, nem todas as relações são
perfeitas. Vai tocar em temas bíblicos,
mas nem sempre ele vai est exaltando,
digamos assim, valores bíblicos. E tudo
bem, tudo certo. A gente tá eh a gente
tá pacificado em relação a a tudo isso,
né? Agora, cadê a minha página aqui que
eu separei da minha
da minha colinha? Tá aqui. Então, vamos
lá. Logo no começo do filme, eu vou
falar tipo sobre algumas cenas
importantes. A gente vai na sequência do
filme, né? Eh, primeira coisa que eu
achei legal, a primeira cena do filme
acontece no mesmo lugar que acontece a
última cena do filme. Eu revi o filme
essa semana, anotei essas coisas e vi.
Eu adoro quando acontece essas coisas,
quando o fim faz uma menção direta ao
início. O o Matrix é um filme que
termina no mesmo lugar que ele começa e
num hotel chamado e O City City, né? Eh,
eh, heart old the city, o coração da
cidade, heart the city, eh, que é um
hotel, que é onde tá a Trinity lá no
começo do filme. Inclusive, essa é uma
personagem interessante, né? Ela tem um
nome bíblico, Trinity, é Trindade.
Mas ao mesmo tempo dentro do filme, a
relação que ela tem com o Néo, com
Morfeus, etc. e tal, não é uma relação
de que ela é de fato a trindade,
entende? Então, é uma coisa muito
confusa. Eh, talvez essa seja uma menção
a um a um a um elemento bíblico que não
foi bem
acertado no filme. Talvez, ou talvez eu
não peguei o que que significa o nome
dela ser Trinity. Inclusive, ela começa
no quarto 1, no quarto 303, né, da
Trindade, é onde começa o filme. Ela tá
lá dentro daquele quarto, quando os
policiais chegam e tal, ela foi
delatada. Depois a gente vai saber quem
é que delatou a posição dela, né, onde
ela tava, tal, pros agentes.
E aí, logo em seguida, no quarto 101, a
gente tem o o Nel. O, a palavra nel vai
ser uma um anagrama para one. O one, eh,
em inglês eh tem um sentido de the one,
é aquele que é o escolhido, é o cara, é
o,
a gente tem, por exemplo, é uma tradução
que é muito difícil de fazer nos anéis
que the one ring ou um anel, a, o anel
escolhido, o grande anel, sabe? Então,
eh, o próprio nome do Nel
tem essa ideia de que ele é tem uma
ideia messiânica envolvida aí, ou
escolhido ou um, entende? Então, começa
aí, ele começa lá no quarto onde eh ele
acorda e aí
aparece a primeira escolha. Isso é muito
interessante. O filme vai ser vai seguir
uma sequência de sete escolhas, né? A
primeira escolha que ele vai fazer é
sobre seguir o coelho branco, né? E aí,
nessa primeira cena onde ele é
introduzido no filme, eh, eu vou até
abrir aqui um algumas imagens pra gente
para quando eu falar da cena vocês terem
alguma ideia de quem eu tô falando, de
que personagem eu tô falando para dar
para
ver mais ou menos o que que é. Então,
nessa cena, uma pessoa fala para ele,
ele tá fazendo ali uma
ele é um hacker, né? Então ele tá
fazendo um negócio com um cara que é
esse carinha aqui.
Então, a primeira vez que o o Nel
aparece no filme, ele é chamado de Nelo,
ele conversa no computador com Morpheus
e o primeiro personagem que ele
interagem, que ele interage é esses
caras aqui, que ele tá fazendo um
negócio com eles e o Néo entrega para
ele algum arquivo de hacking, alguma
coisa assim, e o cara fala a seguinte
frase para ele: "Cara, você é o meu
salvador, você é o meu Jesus Cristo
pessoal. You are my personal Jesus
Christ, you my savior. Então ele é
identificado logo de cara como um uma
alegoria para Jesus Cristo. Então isso
essa alegoria
não é uma conspiração de cristãos. Essa
alegoria ela tá no filme explicitamente,
né? E tem uma conversa inclusive do
autor que faz o Morfeus, o Laurence
Fishburn, conversando com o New Grace
Tyson.
que é um físico, mas eles estão
conversando sobre o filme Matrix, né, o
filme Matrix. E eles estão falando, o
cara que trabalhou no filme, o o o
Laurence Fishburn, o Morpheus, ele tá
falando sobre essas alegorias, sobre
essas coisas que claramente, né, foi
conversado com com os os diretores, com
os roteiristas e assim, se eu não me
engano, os diretores foram que
escreveram roteiro, né? Eh, então isso é
de fato uma coisa que tá no filme. Então
ele é chamado de Jesus Cristo de
Salvador logo na primeira cena em que
ele é introduzido. E é claro que tudo
isso é colocado no roteiro de uma forma
natural. Não é uma pessoa aleatória. O
roteiro não tem uma plaquinha apontando
para ele falando: "Esse daqui é uma
alegoria para Jesus", né?
Bom, eh, então é isso, é a primeira
cena, ele já tem essa identificação, ele
já é identificado desse jeito, né? Eh,
inclusive o Carlos tá falando aqui, Choy
é o nome do cara, que é uma uma um
anagrama para choice, né, paraa escolha.
E a namorada dele é DJu, né, que é do
dia em francês, né? Então, choice do ju
é a escolha do dia. Escolha do dia é
seguir o coelho branco. E aí você vai
ter na na no filme todo uma sequência de
sete escolhas que vão ser fundamentais
pro filme chegar onde ele chegou.
Então começa assim, né? É um hacker que
é identificado ali como Nel, que é o
cara, tem alguma coisa acontecendo, uma
conspiração com ele que envolve ele de
algum de algum jeito, né? Eh, cadê minha
colinha aqui? Achei.
E aí você tem uma cena do dia seguinte
desse cara que é um hacker, mas ele
também trabalha num escritório. E aí é
colocado para ele a segunda escolha, que
é uma escolha falsa.
>> [roncando]
>> eh que o chefe dele fala: "Olha, você
tem uma escolha agora. Ou você escolhe
seguir as regras, chegar no horário, etc
e tal, ou você escolhe fazer outra coisa
da vida." Então,
segunda escolha que é colocada diante
dele, eh,
logo em seguida, nessa cena do
escritório, ele é pego pelos agentes
e ele é levado para um interrogatório. E
nessa cena do interrogatório, o agente
fala para ele: "Olha, você tem diante de
você duas vidas para você escolher. Uma
vida tem futuro, a outra não. Então,
faça uma escolha. É, é a terceira
escolha do filme, mas é de novo uma
falsa escolha. A escolha que eles que
eles estão colocando é uma escolha
enganosa para eles. Então, existe uma
coisa também bem interessante sobre o
que que é esses agentes no filme.
Eh,
o agente, o agente Smith, que é que é o
que representa os agentes em eh no
geral, ele é uma forma de se referir à
própria figura do diabo. Isso vai ser,
isso vai ficar mais claro pro final do
filme,
que ele é o opositor. O inimigo dele, na
verdade, não é o Néo, não é o Morfeus. O
grande inimigo dele é a humanidade. Ele
é um inimigo da humanidade.
Eh, porque ele vai contar inclusive uma
história. Ele vai falar: "Olha, o
seguinte, eu eu quis estudar melhor
vocês, humanos, para eu entender o que
que tá acontecendo aqui. Eh, e o que eu
ouvi é que todas as espécies da Terra,
elas elas entram elas entram num
equilíbrio no ambiente onde elas estão,
né? Eh,
mas vocês não, vocês entram num
desequilíbrio completo, vocês destróem
tudo, vocês acabam com tudo que tá onde
vocês estão e depois partem para outro
lugar. E tem só um outro organismo que
segue essa mesmo, esse mesmo padrão, que
é o vírus. Vocês são um vírus, vocês são
uma doença e nós somos a cura.
Então o Smith, ele ele o que ele quer
destruir, na verdade é a humanidade. Ele
odeia, ele detesta, ele quer destruir a
humanidade. Isso é uma ideia
interessante, né? Quando a gente pensa
na própria ideia de Satã, na Bíblia, o
Satã, o adversário, ele não é o
adversário de Deus.
Ele não tá se opondo a Deus, porque Deus
não tem quem se oponha a Deus dentro do
da ideia do texto bíblico, mas ele é um
opositor da humanidade. Ele tá sempre se
opondo à humanidade. É aquele texto que
aparece lá em Zacarias 3,
onde você tem o sumo sacerdote de Josué
representando a humanidade de um lado e
de outro lado você tem para se opor a
ele o adversário, o Satan. Rassatan. Eh,
e aí Deus olha para aquela cena e ele eh
ele fala: "Não, eu te
eu não lembro qual que é a a exatamente
a falar desse texto, né? Mas eu te
repreendo, né, Satã, né? Eh, então tem
essa ideia que eu acho interessante, é o
opositor da humanidade, ele tá lá dentro
do filme, ele é o agente Smith, né?
O Aid coloca aqui, é interessante esse
elemento simbólico, porque os símbolos
têm capacidade de transmitir informações
de um de um modo condensado e de um modo
muito eficiente. Sem dúvida nenhuma. Sem
dúvida nenhuma.
Reda-te, Satanás, diz aqui o Mateus. É
meio que isso, né?
Bom, aí a gente tem uma coisa que
acontece numa rua, eh, é o o momento em
que tudo vai começar, onde surge de fato
o Néo, onde ele vai nascer, né? E e
acontece esse encontro que ele que o Né
tem lá com o com a Trinity, com com o
pessoal é na rua Adams, a rua do Adão, a
rua do primeiro homem, né? E aí,
eh, quando elas falam: "Olha, tira sua
camiseta e tal", porque ele tava com um
rastreador, todos os agentes tinham
colocado nele, falou: "Não, que é isso?
Eu não quero fazer parte disso". Ele
abre a porta. Aí a fala: "Olha, pera aí,
você tem uma escolha,
você já conhece essa rua, você sabe onde
ela vai dar."
Eh, e é uma rua aleatória, ou seja, você
tem a escolha de voltar pro conhecido
ou de você ir para onde você não
conhece, ir para além do que você
conhece, né? E essa é uma outra ideia
interessante também, essa escolha, essa
quarta escolha é muito interessante,
porque também tem a ver muito com o
texto bíblico, que a ideia é que a vida
espiritual é o desconhecido.
Eu tava lendo outro dia aquele texto que
Jesus fala: "Olha, aquele que nasce do
espírito é como o vento". E aí tem um
jogo de palavras, porque tanto no grego
quanto no hebraico, a palavra pneuma no
grego ou ruico, que é a palavra para
espírito, é ao mesmo tempo a palavra
vento, né? Então Jesus fala: "Aquele que
nasce do espírito é como vento. Aquele
que nasce do pneuma é como o pneuma.
Você não sabe de onde ele vem, você não
sabe para onde ele vai, ele só é
soprado, né? Então essa ideia de que
quando você entra numa jornada cristã,
você tá saindo do conhecido para ir pro
desconhecido, é muito interessante é
colocado aqui dessa forma aqui no filme,
né?
E ele entra, então ele conhece o o
Morpheus, eh, o Morpheus vai falar:
"Existe algo de errado no mundo ou você
sabe disso" e tal. E ele vai falar uma
frase interessante, uma prisão eh que
você não consegue sentir, cheirar, nem
ver. Uma prisão para a mente. É isso que
é a matríc, né? Eh, o Morfeus é um
personagem interessante também, né? O o
Morfeus. [roncando]
Ah, o o Carlos tá colocando aqui. A Suit
fala ao Nel e não temos tempo para 20
perguntas. Era a 20ª pergunta dele.
Interessante.
Então o Morfeus é um personagem
interessante também porque a a o nome
Morfeus se refere a uma figura que faz a
transição entre a vida e a morte. a
figura que habita os sonhos dentro da
mitologia. E ao mesmo tempo o papel que
ele desempenha dentro desse filme é um
papel de João Batista. Ele é o
anunciador do Messias, né? Ele é aquele
que tá à procura do Ele tá preparando o
caminho pro Messias, né? Ele tá
preparando o caminho pro escolhido.
Inclusive quem falar isso é o próprio
ator que faz o Morfeus nessa entrevista
que eu falei com o New Grace Tyson. Isso
daí você acha no vocês acham no YouTube
fácil. Então,
eh, e aí eles vão ter essa conversa, vão
chegar a essa escolha, que é a
quinta escolha, a mais a uma das mais
importantes, ele põe: "Olha, agora você
tem a pílula azul e a pílula vermelha, a
red peo,
vai ser apropriado de outra forma dentro
da nossa nossa sociedade para um outro
movimento social e assim por diante, né?
Então, eh, você,
se você quiser tomar pílula azul, você
vai tomar ela, você vai acordar na sua
casa e você vai continuar, vai acordar
acreditando no que você quiser
acreditar. Eu gosto dessa expressão
também. Então, você, você quer acreditar
em algumas coisas, toma essa pílula que
você vai voltar pra sua vida. Você vai
continuar acreditando no que você
escolher acreditar. Agora, se você
quiser saber até onde vai a toca do
coelho, você vai ter que tomar a pírula
vermelha. Então ele toma essa pílula e
aí vem uma das cenas muito importantes,
né, que é a cena do batismo do Nel,
quando ele começa o ministério dele, eh,
ele toma a pírula vermelha, ele é
acordado dentro da da do do mundo real,
ele sai da Matrix, né? Eh, e ele
acordado dentro de um tanque. É como se
ele eh isso é bem interessante porque
eles pegam vários símbolos que estão
relacionados ao ao batismo e é colocado
nessa cena que é um novo nascimento.
Então, ele tá nascendo naquela cena, ele
tá dentro praticamente dentro de uma
placenta.
Eh, ele tem inclusive a pele mais
enrugada assim, como se fosse de um
recém-nascido, né? E inclusive um pouco
mais paraa frente nessa cena, quando ele
tá conversando com as pessoas, ele não
quer acreditar e ele vomita e cai, o
vômito dele é um gorfo, é um vômito
branco de bebê assim, né? Então ele
nasce naquele momento, ele sai de dentro
de uma placenta
e ele é e aí ele é jogado dentro da
água, ele é caído dentro da água e ele
submerge. E aí vem a nave e tira ele de
dentro da água, né? Aí tem uma cena toda
bonita visto debaixo assim dele
pingando, saindo da água e entrando na
nave. Então é o batismo dele, é a cena
do batismo dele, é o nascimento dele. É,
então ele entra na nave, a nave chama
Nabuco Donzor. Eh, [roncando] o Carlos
estava colocando Morfeus, Sonhos nave na
Nabuco Donzor, também a pessoa que tá um
personagem bíblico que que eh tem tudo a
ver com sonhos, né? Porque a aí aí que
tá o o p um filme é interessante quando
ele tem várias camadas. A gente tá vendo
de uma camada específica que é da
leitura da
do ponto de de vista das referências
bíblicas, mas existe uma outra camada
que é um eh vê o filme do ponto de vista
platônico do mundo real, o mundo eh e eh
o mundo sensível e o mundo das ideias.
Você acha que tá no mundo real quando
você tá dentro do mundo sensível ou para
usar o mito da caverna, que também é uma
grande alegoria desse filme. Você tá
vendo as sombras e você tá achando que
aquela sombra são os objetos reais, né?
Mas aí você passa a ver os objetos
reais, você sai daquilo, você vê o que
que é o mundo real, né? Então essa ideia
de existir um mundo, um mundo em que os
seus sentidos são enganados,
mas esse não é o mundo real, o mundo
real tá por trás dele. E essa é uma
ideia platônica assim que vai do começo
ao final do filme. Então tem uma outra
camada do filme, né? Eh,
quando o Néo é desplugado, eh, e solto
do berço, ele cai numa piscina, emerge
três vezes. É um batismo nome do pai, do
filho e do espírito santo. Uma outra
referência messiânica. Ah, legal,
Carlos. Nossa, o Carlos trouxe aqui um
repertório de coisas, né? Eh, bem
interessante. Então,
eh, essa cena, eh, a cena do Batista,
inclusive, quando ele entra na boca do
Nozor, tem uma referência a um texto
bíblico, né? Deixa eu mostrar aqui para
vocês. Eh, é uma coisa interessante
aqui. Eh,
aparece o nome da da da nave, né,
Nebuhadnet
em em inglês,
e tem um um takezinho que é esse daqui,
que mostra como se fosse uma plaquinha
da nave. Eh, e aqui em cima tá tá aqui
Mark Tree number 11.
Marcos 3:11,
a gente pode dizer assim, né? Então,
essa referência é um texto bíblico, eu
não eu nem tenho certeza que essa é uma
referência eh
eh digamos assim
intencional, porque o texto não quer
dizer muita coisa, mas ao mesmo tempo o
texto é uma referência à ideia de Jesus
sendo o Messias. Então, talvez seja
isto. Então, Marcos 3:11 vai dizer o
seguinte: "Também os espíritos imundos
quando ouviam prostravam-se diante dele
e gritavam: "Você é o filho de Deus". É,
então tem uma ideia de reconhecimento do
Messias.
Então, eh, talvez tenha aí uma
referência que eles quiseram colocar
mais uma dessa ideia messiânica
relacionada ao Nelo, né? Então, talvez
seja isso, né? Eh,
aqui o Eduardo Ramos vai falar quando
criança, eu me lembro que tinha um medo
dessa cena do batismo pois antes ele
toca em um espelho e ele é consumido
pelo espelho. Então, essa é uma outra
referência a um a um conceito platônico
também, que o o dentro do do da do
conceito platônico, o espelho é quase
como se fosse uma espécie de portal,
porque no espelho você tá vendo os
objetos, mas não os objetos em si.
Então, é meio como se você visse a ideia
dos objetos através do espelho.
Então, a ideia de que ele ele sai desse
mundo das eh ele ele entra em contato
com o mundo das ideias, ele sai desse
mundo sensível ou o mundo da eh que você
reconhece através dos sentidos, né? Eh,
para entrar no mundo das 10 através do
espelho. É uma ideia bem interessante
também. Então, tem muita coisa aí.
Bom, então vamos lá, vamos continuar pra
gente terminar também, não queria muito
longe aqui.
E aí a gente entra na numa numa cena
também que eu eu gosto aqui, que é
quando eles entram naquele na naquela
construção da Matrix, que é uma cena no
início, quando ele tá apresentando, ó,
agora vou te explicar o que vai, que que
tá acontecendo, né? Então eles entram
dentro de um programa
que é aquele fundo todo branco, né? Eh,
e ele começa a fazer uma pergunta: "O
que que é real?"
E ele vai fazer todo um discurso
totalmente platônico sobre a ideia do
que que é real, o que que é a realidade,
como você percebe o que é real. Eh, e
ele vai falar uma frase que não tem
exatamente a ver com o que a gente tá
falando aqui, mas é uma frase que eu
achei bem interessante, bem profética.
Ele vai falar o seguinte: "Eh, no começo
do século XX, a humanidade inteira
estava celebrando. Estávamos encantados
com a nossa própria grandeza por termos
criado a inteligência artificial.
>> [risadas]
>> E no filme isso é é o é o passo inicial
paraa destruição da humanidade. Então
tudo começa com a criação da Iá que
acontece no no começo do século XX, mais
ou menos onde a gente tá, mais ou menos
o que tá acontecendo agora, né, na
sociedade.
E
e a partir daí é que tudo vai ser
destruído, né? Eh, tanto que eles
[roncando] quando eles tentam
reconstruir a o mundo humano, eles
reconstróem baseados nessa sociedade,
seria o ápice da civilização humana, né?
Bom, ele eles entram então num programa
de treinamento
onde eles fazem referência a o o Nel vê
que um um das pessoas não tem plugs no
corpo, fala: "Por você não tem plugs?"
É, eu nasci de forma natural em Zion, a
nossa cidade. Então, Zion é a última
cidade. Uma referência bíblica também,
Sião, né? O que que é Sião e o que que
Sião representa? Sião é a cidade de
Deus. Eh, Sião ou Jerusalém, né? Eh,
Sião é o nome que a gente dá por causa
do monte, por causa da região ali, mas o
nome da cidade mesmo seria Jerusalém.
Então, Sião é, na Bíblia um sinônimo
para Jerusalém. É a cidade de Deus. é a
cidade onde Deus estabelece seu trono. É
a cidade, né, que representa o
relacionamento de Deus com a humanidade
dentro do filme. É, é a última
resistência contra as máquinas, é a
última resistência contra o artificial,
né? os outros filmes. A gente não vai
entrar aqui na ideia dos outros filmes,
mas é uma cidade até tem uma uma cena
onde
onde é apresentada assim é meio que uma
balada meio misturada como orgia assim
porque a ideia nos autores, a ideia dos
autores era mostrar uma coisa muito
carnal, muito orgânica, muito eh é quase
um animal em oposição às máquinas,
porque a guerra entre os humanos e as
máquinas. Então eles queriam fazer uma
coisa muito carnal, eh, que
representasse Sião, né? Então o filme
vai ir para um outro sentido, mas de
forma geral, Sião é na Bíblia essa ideia
da última cidade e vai ser a primeira
cidade também, né? Eh, lá em Apocalipse
21, eu vi a cidade santa descendo do
céu, a nova Jerusalém, né? Toda adornada
como uma noiva e tal, né?
Eh, então a a essa nova Jerusalém, essa
Sião que desce do céu, ela faz uma
referência a várias questões do Édenem e
tal. Então, de qualquer forma, eh, Sião
ou Jerusalém na Bíblia é uma cidade
eixo, vamos dizer assim, é uma cidade
que é um axismunde, é uma cidade de um
eixo do mundo, é um eixo de
relacionamento entre Deus e o homem
dentro ali do do contexto do antigo
Israel, vamos dizer assim,
de forma simbólica, né?
Eh, e a gente vai ter então esse
treinamento, eles lutam e tal, né? E
eles vão falar de um conceito que é
importante aqui, né? Quando você morre
na matrix, você morre no mundo real,
porque o corpo não vive sem a mente.
Então, o que torna a sua morte real é a
sua mente, né?
H,
tem uma cena que vai ser intermediária
aqui antes da da parte mais do meio pro
fim, que a gente vai dar um resumo mais
geral, mas que é quando o traidor, o
Cher, né, que é uma espécie de Judas no
filme,
ele vai falar da escolha dele, a sexta
escolha do filme, que é a escolha que
ele faz, que ele fala claramente, eu
escolho ficar na matrix, eu escolho isso
daqui, porque quem disse que isso não é
real Esse bife aqui que eu tô comendo é
delicioso. Isso aqui é mais real para
mim do que aquela porcaria do mundo
real. Então ele decide ficar no mundo
real. Ele decide vender a sua alma para
o diabo. Ele decide negociar com o diabo
para entregar
o Morpheus, né? Eh, o Néo e todo mundo,
né? Então ele quer destruir Sião,
Zion. Então ele é o grande traidor. Ele
é o Judas. Ele é aquele que tá do lado
de todo mundo. Todo mundo não pensa que
ele é um amigo, mas ele tá entregando eh
eh esse toda a luta, né, que tá sendo
feita para salvar a humanidade.
O que é interessante no filme é que a
escolha dele é baseada
no prazer, né? O que
o o o que é uma ideia também que que a
gente pode fazer vários paralelos
bíblicos é eh não interessa
pro cifer o que que é certo, o que é
errado, o que que é o bem, o que é o
mal. O que interessa é o que me dá
prazer e o que não me dá prazer. Esse
mundo fora da Matrix não me dá prazer. O
que me dá prazer é a Matrix.
Então eu eu escolho o meu prazer acima
de qualquer outra história de da
salvação da humanidade. Isso não faz
diferença. Eu escolho o meu prazer. Isso
é o mais importante, né? E eu acho muito
interessante a escolha dele tá baseada
nessa nessa questão, né?
Bom, a gente vai ter a cena do oráculo.
Eh, mais uma vez, né? Que que é o que
que seria a oráculo dentro de um de uma
questão bíblica? também não sei. Não, eu
não acho que dá para fazer uma
um uma
eh um paralelo completo com todos os
personagens, né? Eh, aqui a gente tem
uma personagem que é Switch, que é a
única que anda de branco no meio de todo
mundo que tá de preto. O que que isso
quer dizer, né? Eh, aliás, essa ideia de
branco e preto,
eh, do Morfeus, que tem a ver com
sonhos, mas também o embarcador da morte
e tal, eh, é muito interessante isso,
que é um outro conceito bíblico muito
forte. Eles estão mortos para Matrix.
É como se eles fossem eh
a ideia meio que de morrer pro mundo no
evangelho é o meio que acontece dentro
do filme em relação às pessoas que estão
lutando. Eles morreram para o mundo,
eles morreram paraa Matrix, aquilo para
eles não importa mais. Então eles vestem
roupas pretas. Eh, e não são só roupas
pretas, são roupas quase de luto mesmo.
Então é como se eles apresentassem uma
morte para uma vida falsa. para você
para representar ao mesmo tempo uma vida
para uma uma para um um mundo real. É
uma morte para um mundo falso, para uma
vida para um mundo real.
Então esse símbolo de vida e morte
dentro deles é bem interessante porque
isso também é uma questão muito forte na
Bíblia.
Eh, nós somos os embaixadores da morte,
entre aspas, da morte para esse mundo.
Nós morremos para esse mundo. Nós
escolhemos a morte para esse mundo,
porque
é igual Paulo fala, viver para mim é eh
morrer para mim é o lucro e viver para
mim é Cristo. Então, eh a relação que o
cristão tem com a morte é diferente da
da relação das outras pessoas. Então ele
se tornam um símbolo de morte, da morte
da matrix, né?
Eh, soberba da vida. Oráculo é a
manifestação do calvinismo.
Eh, diz aqui o Mateus, né? é o
predestinação, mas é é não é uma
predestinação. Isso que eu acho
interessante, que é uma predestinação.
A a Oráculo vai ser depois falado mais
nos outros filmes, mas ela é ela é um
programa que foi criado para entender
melhor a humanidade, para entender a
linguagem da humanidade, né? Eh, e por
isso ela entende tão bem e ela se alia à
humanidade, mas é aquilo, ela entende a
alma humana de um jeito que fala: "Toma
cuidado com o vaso." Qual vaso? Aí ela
derruba o vaso. Aí ela fala: "A pergunta
é: se eu não tivesse falado, será que
você teria derrubado?" Então, o que quer
dizer que todo aquele oráculo que ela tá
falando pro Nel não é um oráculo real,
mas é um oráculo para fazer ele tomar
uma atitude específica,
entende? Então
é interessante que ela nunca fala que
ele não é o escolhido. Ela olha para ele
e faz um examina ele de uma forma meio
tosca lá e fala: "Bom, agora você já
sabe que que vai acontecer. Eu vou olhar
bem pros seus olhos e você sabe o que
que eu vou dizer, né? Ele fala: "É, eu
não sou escolhido". Ela fala: "Ah, eu
sinto muito, parece que você só tá
esperando alguma coisa". Então, não é
ela que fala que ele não é escolhido,
ele mesmo fala, né? Então, meio que o
oráculo dela é para é só para ele achar
uma coisa, para ele tomar uma atitude,
uma atitude específica, né? Então, é,
essa seria a profecia autorrealizável,
né? Então, é um jeito que ela fala para
acontecer uma coisa, né? parece que você
tá só esperando acontecer alguma coisa
para você se tornar o o escolhido. E é
exatamente o que aconteceu. Depois que
acontece uma coisa específica, ele
assume essa função que ele mesmo não
tava convencido de o que ele seria, né?
Então aqui existe uma questão
interessante também.
O Nelo, ao mesmo tempo, ele é o The One,
ele é uma espécie de Jesus Cristo, mas
ele também, o nome dele no começo do
filme, ele é chamado de Thomas Anderson.
Ele também é um Tomé, porque ele é o
cético do começo ao final do filme. Ele
sempre eh sempre que quando falam alguma
coisa para ele, ele meio que não
acredita. Ele não é muito eh eh eh ele
não é muito crente nas coisas. Ele
precisa tocar a ferida de Jesus para
ver, para acreditar que ele ressuscitou.
Então eh
por isso que a as coisas são complexas,
não são tão simples assim, não é uma não
é uma alegoria tão direta. Porque ele ao
mesmo tempo que ele é o escolhido, ele
tem elementos do cético de Tomé na
história, daquilo que precisa ver para
crer, né?
É, o Mateus até coloca aqui, se eu não
me engano, eh, ele diz que tem tudo para
ser, mas só conseguiria em outra vida. é
o meio que acontece, né, no final do
filme. Bom, eh, eu não anotei mais
muitas coisas aqui, porque muito que
acontece nesse último ato do filme
e não tem tanto a ver com o que a gente
tá discutindo aqui no filme. Eh, qual é
a nossa perspectiva que é importante?
Então ele vai ter a luta final contra o
o o agente Smith, eh ele vai se tornando
escolhido nesse nesse último ato, né?
Até que no final,
isso acho que vai ser o ponto importante
para fechar essa alegoria do Cristo. Eh,
ele tá saindo, ele tá na de novo naquele
hotel eh Heart of the City.
Eh, e aí ele entra na sala 101, se eu
não me engano, é a sala 101 ou a sala
303, eu não lembro, mas é no hotel
depois, no mesmo lugar onde estava
começando, onde tudo começou, é onde
tudo vai terminar. Ele abre uma porta,
tá lá o agente, dá um tiro, dá quatro
tiros nele, né? E depois dá mais 10. São
14 tiros. Ele toma 14 tiros, que é
interessante também. tem uma relação
simbólica aí que são os 14 passos da
cruz dentro da tradição católica, né?
Eh, a, desde que Jesus é julgado até ele
ser crucificado, você tem 14 passos que
são sempre colocados dentro das igrejas
católicas. Você vai ver nos cantos da
igreja sempre tem esses essas 14.
Eh, tinha um outro nome para isso, eu
não lembro como que é. Eh, eu tinha até
anotado em algum lugar
aqui as 14 estações da Via Sacra, né?
Então, toma 14 tiros, é o final, é o
martírio dele. E depois que ele morre na
matrix, onde a mente dele deveria morrer
também no mundo real, a Trinity fala:
"Não, eu sei que você não vai morrer
porque a Oráculo falou: "Quem eu me
apaixonasse, esse seria o escolhido. Eu
me apaixonei por você, né?"
Eh, e aí ele acorda, ele ressuscita e é
na ressurreição dele que aí o mal é
derrotado. Então, quando ele ressuscita,
ele ressuscita agora como aquele que
consegue eh eh que tem todo o poder, né?
Meio que Mateus eh 28, né? Todo o poder
me é concedido no céu e na terra. Agora
ele pode fazer qualquer coisa, né? E aí
o filme termina então com ele destruindo
lá os agentes e tal. E aí o os outros
filmes vão seguir uma outra história e
tal, mas os outros filmes não vão ter
essa mesma essa alegoria tão direta, eh,
e tão bem construída quanto esse filme,
né? Eu eu fico até desconfiado de que
esse primeiro filme eles levaram muito
tempo para pensar esse roteiro, para
fazer e tal e depois tentar vender esse
filme e ir repensando na história do
filme. Depois, quando o filme é vendido
faz muito sucesso, os executivos vêm e
falam: "Ó, o seguinte, você vai ter que
fazer mais". E aí os outros filmes são
mais apressados. Eu não sei se eles
tiveram o mesmo cuidado com o roteiro
como tiveram desse primeiro filme, né?
Então eu eu gosto bastante é desse
primeiro. Os outros já eu não acho já
não mexem tanto comigo quanto esse
primeiro. Mas bom, para encerrar é isso.
É na ressurreição, né? Quando ele ele
decide, aliás, a última decisão que ele
toma, que é a sétima escolha dele, que é
oráculo que dá pregar, você vai ter vai
tomar uma escolha. Você pode escolher ou
deixar o Morfeus morrer ou dar a sua
vida para salvar a vida dele. Então ele
escolhe o sacrifício e é através do
sacrifício que ele se torna de fato o
escolhido. Eh, é o é o sacrifício dele
que traz a salvação. E através dessa
salvação, né, eh, do Morpheus, toda a a
humanidade vai ser salva nesse processo.
Bom, para encerrar, eh umas críticas em
relação a essas a essas alegorias, né?
Uma delas, eu acho que é o seguinte,
essa ideia de que eles são os despertos,
eles sabem o que tá rolando, eh, e todo
mundo na Matrix não sabe. Eles precisam
acordar as pessoas. E eu sei que existem
até textos bíblicos para amparar essa
ideia, digamos assim, dentro do
cristianismo. Mas essa é uma ideia muito
perigosa.
Essa é uma ideia muito perigosa porque
coloca a gente em uma posição muito
arrogante
de que nós temos algo a ensinar e todo o
resto do mundo tem só algo a aprender.
Todo o resto do mundo deve só nos ouvir,
porque nós saímos da Matrix, nós
conhecemos a realidade, nós sabemos a
verdade. o resto do mundo não sabe a
verdade. Então essa posição é uma
posição muito perigosa,
porque você pode se diminuir numa
posição dessa, se acomodar nessa
sensação de superioridade, sabe? Isso
acontece com muita frequência dentro do
cristianismo. Isso acontece com muita
frequência com muitas pessoas que seguem
a fé cristã, a fé cristã. e se entendem
como aqueles que estão despertos para
uma realidade que os outros não estão,
né? Se isso pode ser verdade em alguns
aspectos,
existem outros aspectos, existem várias
matrix acontecendo ao mesmo tempo, vamos
dizer assim. Então, se o evangelho é
realmente algo que desperta a gente para
ela e nos traz o compromisso de
despertar outras pessoas, ao mesmo tempo
a gente tem que ter a consciência de que
você pode ser cristão e absolutamente
ignorante em muitas coisas que t a ver
com a sua própria fé, inclusive.
Então,
muito cuidado
com essa sensação de que você é o
desperto,
de que você alcançou a verdade. Então,
você tem que salvar os pobres ignorantes
que não alcançaram. Muito cuidado, né?
Porque esse é um grande passo para você
se tornar um grande ignorante, né? Eh,
as pessoas, eu não lembro onde eu vi
essa frase como eh
a que a ser estúpido é igual a igual
estar morto. Eh, as outras pessoas sabem
que você é estúpido, mas você não, né?
Eh, igual você não sabe que você morreu,
você só tá morto, né? Então,
toma cuidado, porque a
falta da da da vigilância em relação eh
a a à situação em que a gente tá é o
primeiro passo paraa ignorância absoluta
e completa e delirante, entrar num
delírio completo e absoluto, né? Todas
as teorias das da conspiração estão
baseadas nessa ideia também de que você
é o desperto e o resto do mundo, ah,
coitado, que dó deles, eles não sabem a
verdade que eu sei, né? Então essa para
mim seria o a grande questão que a gente
devia ter cuidado com essa ideia que é
apresentada no filme, né? Mateus vai
colocar, se eu não me engano, ele disse:
"Ah, tá, já li esse comentário". Bom,
gente, no final é isso. Então, eh,
para encerrar, voltando à ideia que a
gente falou no começo, esse filme não é
um filme cristão. Ele não tem como
objetivo de converter ninguém pro
cristianismo, não foi feito por pessoas
cristãs. O que acontece é que o
cristianismo é uma ideia tão poderosa,
é uma história tão poderosa e tão
entranhada nas tradições do mundo
ocidental
que quando você faz uma obra que tem uma
relação direta com a história do
evangelho,
essa obra ganha força, ela ganha poder,
ela se torna mais forte, né? Você mesmo
pessoas que não são cristãs e até não
gostam do cristianismo,
elas são simpáticas à ideia do filme
Matrix ter esses paralelos com o
cristianismo, tanto filme Matrix quanto
outras obras que a gente citou aqui no
começo e várias outras inclusive. Então,
eh,
isso ganha forças, querendo ou não, o
evangelho é uma história poderosa.
Quando você se apropria disso para
contar outra história, você confere
poder, você empodera essa outra ideia
também.
Bom, Mateus, minha dívida tá paga aí.
[risadas] Falamos do Matrix. Eh, vocês
vem como que às vezes dá pra gente achar
muita coisa muito interessante, né?
Nesses filmes a gente consegue fazer
vários paralelos. Eh, já são 10 horas da
noite, amanhã precisava acordar muito
cedo. Eh, até queria não demorar tanto
hoje na live, mas fomos até às 10.
Então, acho que eu já vou ficando por
aqui mesmo. Obrigado aí todo mundo a que
participou da live.
Eh, deixa eu ver o que que o Mateus tá
falando aqui. Muito obrigado. Eh, e aí a
gente fica até uma próxima live. Depois
a gente vê o que que a gente conversa
sobre o que que a gente vai falar numa
próxima live. Eh, eu vou pensar em algum
tema legal, de repente a gente fala
sobre um texto, fala sobre alguma ideia
bíblica, né? Eu acho que encontrar temas
pra gente conversar aqui nunca foi um
problema pra gente, né? a gente vai
conversando aqui, de repente a gente
acha, chega numa ideia interessante ou
às vezes a gente vai pingando numa ideia
ou em outra, como já aconteceu em
algumas lives aqui. Mas a gente se vê
então, gente, na próxima live. Acredito
que semana que vem eh uma boa noite, um
bom sábado aí para todo mundo e a gente
se vê numa próxima. Deixa eu ver aqui.
Eh, o Mateus falando, tenho uma ideia de
falar sobre música, ritmos do mundo,
né? E o Carlos de que, né? Eh, pode ser,
a gente pode falar sobre isso, talvez,
né? Eh, isso pode ser um tema
interessante.
De repente a gente fala sobre isso daí
na próxima, tá bom? Valeu, gente. Até
mais, até semana que vem, provavelmente.
Eh, e a gente se vai. Obrigado aí para
quem acompanhou até aqui.

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