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A fé vem pelo ouvir

Música, igreja e espiritualidade e santidade – Davar Live – 02/10

Música, igreja e espiritualidade e santidade – Davar Live – 02/10

Música, igreja e espiritualidade e santidade – Davar Live – 02/10

Legendas automáticas:

E aí, como é que tá, gente? Tudo bom?
Boa noite. Bem-vindos aí pela para mais
uma live.
Eu já vou começar me explicando aqui.
Semana passada eu
não tava bem, passei mal
ainda, nem tô tão bem assim, mas já tá
mil vezes melhor do que semana passada.
Então eu precisei eh fazer uma consulta
online com médico e tal, uma virose aí
qualquer, mas já tá
já tá muito melhor já. Minha minha voz
até tá boa já também.
Então tá, gente, tá tudo certo. Boa
noite aí pro Carlos,
eh, que já tá por aí, né? Bom, vocês
devem ter visto aí no
no título, né? A gente pegou, peguei
alguns temas aí que a gente tinha
conversado na última live que a gente
teve, eh,
falar um pouco sobre
o inferno em si, a ideia de inferno,
falar um pouco sobre a ideia de música,
música para quem é religioso, música
dentro da igreja, música como
entretenimento.
Eh, essas duas ideias
são, esses dois temas são temas que
assim aparecem bastante dentro do
eh, dentro da minha igreja e tal e com
uma com uma pegada muito doutrinária.
Vocês sabem que não é muito o jeito que
eu gosto de abordar as coisas aqui,
apesar de inevitavelmente a gente ter
que tocar em questões que são mais assim
doutrina, mas [limpando a garganta]
vocês sabem aqui a gente gosta de tentar
refletir sobre o assunto de forma mais
geral, partindo de um ponto de vista
bíblico. Boa noite aí para Elane.
[tosse]
[limpando a garganta] Então é isso,
gente. Vamos lá. Eh, como não tive
não tivemos live semana passada, não
tenho aí comentários
da do canal pra gente poder começar
falando sobre eles.
Eh, eu ia falar sobre um texto bíblico,
mas eu vou deixar para depois, que é um
texto que eu comecei a dar uma olhada e
eu acho que ele dá para falar melhor
sobre ele em outro momento, que aí a
gente consegue falar só sobre ele. Não
vai ser só uma introduçãozinha,
então, tá? Eh,
eu queria começar falando então um pouco
sobre música e de vai depois a gente vai
pro outro assunto
que é o inferno. O Rodrigo Franca caiu
como luva esse tema inferno.
O Carlos, podemos diferenciar ades,
Cheol, Geena. Exato, Carlos. É isso
mesmo, né? Eh, a gente vai falar sobre
isso e a gente vai falar daqui a
pouquinho sobre o inferno. E eu acho que
é legal a gente falar principalmente
sobre
como as ideias são construídas
dentro das tradições que são derivadas
da Bíblia.
Eh, tradições bíblicas, não tradições
derivadas da Bíblia não necessariamente
tem os mesmos conceitos do que a própria
Bíblia em si, entende? Eh, a gente vai
falar um pouco sobre isso. Música tem a
ver com isso.
Música tem a ver com isso. Que que é
interessante, né? Música
[limpando a garganta] faz parte do
da expressão religiosa na Bíblia desde
muito cedo. A gente tem eh
música e poesia na Bíblia meio que se
misturam. É muito difícil saber onde
começa uma coisa e termina outra. Eh,
várias
vários salmos que a gente conhece só
como poesia, tem notações musicais,
falam: "Ah, salmo para ser feito eh
sobre o o instrumento de 10 cordas, tem
aquela pausa musical, né, que selar, né,
que aparece no meio de alguns salmos.
Ninguém sabe exatamente o que que quer
dizer esse selar, mas provavelmente
algum alguma mudança de ritmo, alguma
coisa assim que tem a ver com uma
indicação musical.
Então, tudo que a gente muita muito da
que a gente conhece como poesia, como
literatura na na Bíblia,
as pessoas da época conheciam como
música,
né? Talvez para elas fosse estranho a
gente meditar sobre a letra da música
sem conhecer a música,
eh, que para ela devia ser uma coisa
muito mais viva, né? Bom,
música é um é uma atividade humana que
acontece em diversos contextos
diferentes e com finalidades diferentes,
né? Um pouco da da música, eh, da
semântica musical.
Tem até algo meio de biológico nela, né?
A gente
eh quando a gente vai falar com uma
criança ou com um cachorrinho, a gente
costuma falar agudo, faz uma vozinha de
criança, né? Eh, e quando a gente vai
intimidar alguém, a gente usa uma voz
grave. E isso tem a ver com uma coisa
biológica, física no mundo, que
eh o que faz o som grave são objetos
grandes que estão vibrando e objetos
menores fazem sons mais agudos.
O que vai refletir em uma intuição assim
bem lógica. Você tá no meio do mato e
ouvi um barulho tipo: "Uh, uh, uh, uh!",
você não fica com medo porque você
pressupõe que é um animal pequeno, é um
animal que não vai te intimidar, mas se
você tá no meio do mato e ouve um, você
sai correndo, você acha que tem um bicho
imenso, perigoso para você e você corre,
né? Então, esse agudo e grave, é claro
que isso vai se misturar com eh com
texto eh com texto cultural, com
eh outras coisas que atravessam dentro
da música e tal, mas a gente usa, tô
usando só um exemplo, tá gente? Mas a
gente pode usar eh os sons mais graves
para dar mais peso para algo e os sons
mais agudos para dar uma leveza e tal,
né? Então assim, a a música ela ela ela
tá relacionada com a com o fato de você
ser humano, né? O fato de você ser um
ser humano, ser um humano. Então, o fato
de da gente ser humanos, de nós sermos
humanos, já nos coloca de certa forma
imersos em um contexto de música.
[limpando a garganta][tosse]
O Luís Fernando aqui, a sonoplastia tá
muito boa. É, vai ter umas tossezinhas
no meio aqui também, tá gente?
Eh,
então, eh, como faz parte da
expressividade humana, de certa forma, a
música, ela vai aparecer na Bíblia. E a
gente tem cânticos do começo ao final do
texto bíblico e a gente tem pouquíssimas
indicações
de como seriam essas músicas ouvindo
hoje. Muito provavelmente, música é uma
coisa que é muito atravessada por
cultura, viu, gente? Muito
provavelmente, vamos supor aí que o, sei
lá, o Salmo 23 seja, tenha uma música
original. Provavelmente se você ouvisse
hoje você ia falar, você não ia gostar
muito,
porque ele ia fazer a música original do
Salmo 23 ia fazer parte de um contexto
cultural que não é o seu. Provavelmente
ia aparecer um pouco música árabe, eh,
música ali do Oriente Médio, eh ia ter
elementos daquilo, alguns instrumentos
são parecidos da época e de hoje e tal.
Então, assim como você não fica ouvindo
música islâmica do do Oriente Médio, eh,
você provavelmente não ia curtir muito
as músicas dos salmos. Você tem que
estar inserido naquela sociedade para
você conseguir apreciar bem aquilo.
Embora como eu introduzi aqui, existem
elementos que conseguem atravessar
algumas barreiras culturais.
você consegue perceber a agitação ou
camaria de uma música sem você ter
necessariamente um pressuposto cultural
mediando a sua a sua apreciação daquela
música. Então
essa primeiro fator que a gente coloca a
música, ela é humana e ao mesmo tempo
ela é cultural, né?
Tá difícil eu evitar aqui alguns jargões
da psicologia, mas a gente pode falar
que a música até é um elemento
biopsicocultural, que é um mantra da
psicologia, ou seja, eh tem elementos
biológicos que influenciam a ideia de
música. Ela tem elementos eh seus,
pessoais, da sua história de vida e tem
elementos que t a ver com a cultura em
que você tá inserido. E é muito difícil,
é impossível você dizer até que ponto é
uma coisa ou outra que contribui pra sua
forma de você perceber uma música, né?
Eh, e a gente também vive numa cultura
fragmentada.
A gente, inclusive, um dos marcadores
desses fragmentos culturais é a música.
Quando você ouve uma música punk, você
já consegue imaginar como essas pessoas
se vestem, como elas arrumam o cabelo e
o como elas se portam publicamente, né?
Então, a a música é um é um bom
definidor dessas tribos, né? Isso é
interessante. Agora indo paraa música
religiosa,
o que eu queria trazer pra gente parar
para pensar é porque a música religiosa
que a gente tem hoje é do jeito que é.
Isso para mim acho que é o mais
interessante em música. Eu tenho sempre
uma sensação, uma sensação estranha de
que música, eu vou chamar de música
gospel, mas música religiosa hoje não se
restringe ou não deveria se restringir a
música gospel. Mas vamos dizer assim,
gente, jogou um texto brasileiro
que a gente tá mais acostumado eh a
ouvir quando a gente ouve música
religiosa, é entender o tal do gospel,
que soa muito como uma música romântica.
Se você pega uma música gospel e troca,
põe uma letra romântica, ela não vai
parecer estranha, parece que faz
sentido, né? Inclusive, tem músicas
gospel por aí que a própria letra é meio
romântica, então você tem que parar para
prestar atenção um pouco para saber se a
música é é uma música romântica ou uma
música religiosa, sabe? Eh, existem
essas coisas. Então, assim,
eh, tô pensando aqui de forma geral
sobre música e se vocês tiverem algum
elemento que vocês querem colocar aqui
também, fiquem à vontade, né? Eh, né? Só
dar um boa noite aqui pro Daniel Algo
Verde, o Wade também que tá aí. E a Ilan
já colocou aqui, não gosto de música
gospel. Eu também não. Eu sou uma pessoa
muito religiosa. Eu frequento igreja
desde sempre. E bom, para eu
introduzindo aqui qual qual é o meu viés
nessa história toda, eh eu sou um cara
estranho porque eu não gosto de música
de igreja, apesar de eu ser um cara que
sempre frequentou a igreja.
As músicas religiosas que eu costumo
ouvir não são músicas religiosas
eh compartilhadas pelo contexto de
religioso que eu frequento, né? Eu gosto
de ouvir música eh música coral à capela
com temas sacros que são clássicos
tradicionais. Eu gosto de de hacking, eu
gosto de de vez em quando aqui eu cito
uma ou outra música ou voz omens do
Pablo Casal que eu a gente comentou
quando a gente tava falando do
do livro de Lamentações.
Eh, eu gosto desse tipo de música.
Provavelmente se eu colocasse aqui para
vocês todo mundo ia dormir em 2 minutos.
Eh, não é um nicho de música que é muito
assim, tem muita gente que gosta, né?
Eh, talvez, sei lá, tem mais a ver um,
acho que com a cultura europeia, eh, e
com uma cultura europeia específica
também, né? Não sei.
Eh,
o Carlos colocou aqui, a música cristã é
pela história recente, basicamente
Eurocêntric, que acabou sendo o padrão
que alguns acreditam ser a música do
céu, aquela que nunca ouvimos.
Vamos falar sobre isso também.
Eh,
tu já ouviu o trabalho da Suzane eh Haik
Vantoura e sua obra A música da Bíblia
revelada? Se sim, o que tu acha? Hum,
não conheço, não conheço. Pelo que você
tá falando, eu consigo imaginar o que
seria uma pelo pelo menos uma ideia
assim de uma arqueologia musical, mas
uma tentativa de reconstruir como seria
a música do período bíblico, seria isso.
Eh,
bom, o que acontece sobre esse tipo de
experiência? Eu acho que pode ser uma
uma curiosidade cultural, mas não
necessariamente vai ser o tipo de música
que você vai apreciar, sabe? Então, por
exemplo, eu gosto de de música de música
clássica, música de orquestra, música
erudita.
Então, por exemplo, eu eu gosto de de
bar,
todo mundo já deve ter ouvido aqui o tal
do Jesus, alegria dos obos, né?
Eh, aliás, esse nem é um bom exemplo.
Talvez um um melhor exemplo seja o
Glória do Vivald, eh, que acho que a
maioria não deve conhecer, mas o que
acontece é, existem montagens, ã, deixa
eu desligar aqui o som do celular,
existem montagens
em que, eh, se fazem
se faz a música com instrumentos de
época. Então, eh, os violinos não fazem
tanta diferença assim, embora
normalmente o arco do violino é um arco
diferente. Você percebe isso mais nos
instrumentos graves, como e baixo. O
arco deles é bem diferente, que parece
um arco mesmo de arco flash.
Eh, os instrumentos de sopro são bem
diferentes, principalmente ali os
trompetes e tal, eles vão soar de uma
forma um pouco diferente. Então isso é
uma vibe que tem ali pro pessoal na
Europa, porque tem a ver com a cultura
europeia, então também é uma forma de
você celebrar sua própria cultura. Então
eles fazem a música com instrumentos de
época. você ouve, fala: "Pô, é
interessante".
Na minha experiência, pelo menos eu ouço
e falo: "Ah, é interessante, mas eu
prefiro ouvir com instrumentos atuais".
É do jeito que foi feito na época, não,
mas não interessa. Eu gosto dessa
releitura moderna através de
instrumentos modernos da música antiga,
música música do século, sei lá, 17, 18.
Então, eh, não necessariamente você
recriar a música dentro do contexto onde
ela foi feita torna ela uma música
interessante de ouvir. Muitas vezes não,
até porque, como tava falando aqui,
muitas vezes esse contexto já foi
embora, a gente não pertence a ele, a
música não se torna interessante, porque
música é cultura.
A inserção cultural no no contexto é é
imprescindível paraa apreciação musical,
né?
Ó, é interessante ver como tem bastante
gente, principalmente aqui que que
frequenta essa live, que eh não gosta
muito de gospel, né?
Deixa eu só puxar meu microfone um pouco
mais para perto aqui. O
o Frank comentou aqui que o áudio não tá
muito alto, tá um pouco baixo e
normalmente eu esqueço de trazer o
microfone para perto e faz diferença
mesmo. É, então o Carlos, o Fernando
Ferreira e o pessoal tá comentando aqui
que, pô, não gosto de música gospel, não
gosto desse tipo de louvorzão e tal,
até porque eh
o que se consagrou como música gospel
também faz parte de uma cultura
religiosa específica
e que eu acredito que nem é
necessariamente a a cultura de todo
mundo que tá aqui, né, todo mundo que é
religioso, que participa dessa cultura
gospel. né? Eh, é curioso, né? A gente
tá falando dessas tribos, eh, tribos
musicais,
tribos que t marcadores musicais e os e
a tribo gospel acaba sendo mais uma
delas, né? Você ouve uma música gospel,
você consegue imaginar como se veste o
tipo de pessoa que ouve essa música, eh,
o que que ela pensa, como ela age, né? E
assim por diante. Então, você consegue
imaginar qual é a pessoa que ouve aquele
tipo de música.
Eh, o comentando: "Sim, esse
associacionismo do estilo musical e
gatilhos que podem ser desencadeados em
alguns, pode servir de um bom conselho
para o que fazerem em ambiente de culto
ou não. Um som não vem só com sons, ele
vem carregado de imagens e memórias.
Isso é
eh a
ideia de da música tá inserida num
contexto musical tem muito a ver com
isso, Aid, porque a gente ouve uma
música e a gente entende as referências
que aquela música tá fazendo, entende?
E eu digo isso musicalmente,
eh, você pode fazer referências a ideias
sem falar naquela ideia, só usando
músicas. Então, quando você toca um rock
pesado, você faz referência a um estilo
de vida, a uma forma de se vestir.
Quando você
toca um ritmo de funk, você faz
referência a uma forma de agir, de se
vestir, de falar na a região da cidade
que você mora. Tudo isso tá inserido
nesse nessa ideia de música. Isso que é
interessante, né? Quando você associa
a religião, a um estilo de música, você
tá dizendo que a religião é para um tipo
específico de pessoa e não para todos,
entende? Então, já vamos começar por aí.
Eh, quando a música gospe, a música
religiosa tem uma cara e não tem todas
as caras, quer dizer que ela eh
aquele público, as pessoas que que
compartilham essa cultura que essa
música representa, eh, é um eh é um
grupo limitado de pessoas, não é
qualquer pessoa que entra dentro dessa
desse desse lugar. Eh,
[limpando a garganta]
a Eline até colocou: "Led Zpplin e Pink
Floyd me emociona. Não gosto". Não.
Arpa cristã é muito bom, poesia pura.
Diz aqui o FH Batista. Música erudita,
rock e algum pop. Gospel é muito
americanizado,
diz aqui o Luiz Fernando, né? Muito. Uh.
Yeah, yeah. [risadas]
O João colocou que gosto muito de Sérgio
Lopes. Não conheço, João. Não conheço.
Eu particularmente gosto das músicas do
Inário, porém não gosto muito das
músicas Worship, pois elas me parecem
uma imitação barata de bant YouTube CPL.
O A tá comentando aqui salmos como que
centrado em Deus gostam e muito centrado
em mim. É a sensação que o Daniel Algo
Verde tem aqui, né? Protestantismo
inicialmente trouxe a música na língua
falada, não o latim. trouxe o fim da
polifonia, trouxe mais letra, tudo
visando o canto congregacional. Eh, isso
é uma coisa interessante. Eh, Frank,
esse é um, vamos falar desse aspecto.
Eh, na igreja que eu frequento, a gente
tinha uma diferença entre o que tem uma
diferença entre o que que é uma seria
uma mensagem musical e o que que seria o
canto congregacional.
E o que é interessante é que eh se dá um
espaço muito grande paraa mensagem
musical.
Eh, enquanto
tradicionalmente
dentro da da dentro da tradição bíblica,
o que a gente chamaria de canto
congregacional, ele ele tem muito mais
valor para essa ideia de
essa ideia de de de uma comunidade
religiosa do que uma mensagem musical,
do que uma pessoa cantando para várias
pessoas apreciarem, sabe? Eh,
música dentro de um contexto bíblico,
ele é muito mais uma atividade coletiva
do que um objeto de consumo, do que você
sentar e apreciar uma música. É muito
mais você participar de uma música.
Então,
isso aparece em diversos textos
bíblicos, né? Isso desde tipo, eh, o
antigo Israel, sei lá, a gente tem o
cântico de Moisés, que é o cântico que
tem uma pessoa que conduz essa música,
mas é o cântico que o canto, o que o
povo canta, né, que eh é o canto que
Mirian eh pega o pandeiro e conduz as
mulheres para cantar e dançar essa
música. a gente tem eh no apocalipse a
ideia do do cântico onde onde a os
salvos participam, eles cantam juntos,
né? Existe uma ideia de louvor e que
todo mundo participa. Então assim,
música é muito mais coletiva dentro do
contexto eh bíblico do que uma coisa de
eh do que essa ideia de ter um púlpito
onde você tem os músicos e você tem uma
plateia parada assistindo os músicos. Eu
não sei exatamente de quando vem essa
ideia dessa separação, mas ela existe
hoje muito claramente e nas igrejas é
muito interessante ver como isso se
separa, a música congregacional e a
música de de de louvor, a mensagem
musical, não sei como se chamaria nas
outras igrejas aí, né?
Eu particularmente acho que tem muito
mais valor a parte da do da música
congregacional. Inclusive, eu sou o tipo
de cara que assim, eu gosto de ficar num
cantinho na igreja, porque às vezes eu
não quero cantar, eu quero só ouvir e
não tem problema. Não, não quer dizer
que eu não gosto da música. Eh, eu não
não gosto de fechar os olhos, levantar
as mãos. Eu gosto de ficar no meu
cantinho curtindo e isso não quer dizer
que eu não gosto da música. Então,
assim, eh, é o que é difícil hoje é que,
como a gente estava falando, a gente
vive uma sociedade muito culturalmente
fragmentada.
Colocar diversas pessoas dentro de um
lugar, fazer todas essas pessoas
participarem de uma música, de uma mesma
música, é um milagre. É um milagre.
Então, eh, é muito difícil
você ter essa coesão dentro de um
ambiente diverso, como uma igreja, eh,
que normalmente é diverso. É diverso no
sentido, você tem diversas classes
sociais, você tem pessoas que vem de
culturas diferentes que estão lá dentro
da igreja, tem pessoas que discordam em
vários pontos e tal, que tem referências
diferentes, só que elas fazem parte da
mesma fé e estão naquela igreja. E
música acaba sendo um elemento que
eh é um é um é um é um catalisador dessa
tensão.
Então, eh a tensão estoura na música e a
música também ajuda a tornar a atenção
maior, entende? Eh, tem um uma uma via
de mão dupla aí em relação à música.
Então, a música acaba sendo um elemento
onde todas essas tensões que existem
dentro da igreja, elas acabam
explodindo.
Primeiro, tensões geracionais.
A música vai mudando de acordo com as
gerações. Tanto que isso é uma coisa
interessante. A gente consegue ouvir uma
música e imaginar de que época que ela
é, né? Eu tenho dificuldade dos anos 90
para cá. Para mim, eu eu acho que dos
anos 90 para cá, toda a música, e aqui
eu tô me referindo mais à música pop em
geral, ficou muito parecida, mas dos
anos 90 para trás a gente consegue ouvir
a música e perceber, ah, isso aqui tem
cara de ano 70, isto aqui tem cara de
anos 60. Eh, eu tava ouvindo uma música
esses dias, eu vou comentar até dela
aqui, que que é uma música da de 1916, a
gravação.
Eu tava tentando achar a gravação
original
e tava vendo com com a minha esposa aqui
e a gente achou uma gravação, falou:
"Não, essa gravação", ela comentou, né?
Não tem cara de ser do do de 1916, não.
Deve ser dos anos 50. Então, até a
qualidade da música, porque a gente
adiciona um elemento novo aqui, que é a
ideia de ter uma gravação, né? Você ter
uma performance musical que ficou
registrada e você consegue repetir ela
várias vezes, né? E isso não era,
obviamente não era uma coisa que existia
nos tempos bíblicos. Isso muda a forma
como a gente aprecia uma música. Será
que, como é que quem tinha falado aqui,
acho que a Ilan tinha falado de Led
Zeppelin, né? Eh,
Led Zeppelin e Pink Floyd. Será que a
apreciação que a gente teria de Led
Zeplin e Pink Floyd seria a mesma se não
existisse
uma tecnologia que possibilidar que que
possibilita a gente reproduzir uma
performance específica, né? Então, se a
gente conhecesse a música do Led Zaplin
e do Pink Floyd, só por pessoas que
cantam hoje sem ter ouvido como que era
cantado por eles originalmente, será que
ia ser ter o mesmo Isso ia ter mesmo
peso? Provavelmente não, né?
Provavelmente não. Deixa eu dar uma
olhada aqui que tem bastante gente
comentando hoje e eu não quero perder os
comentários não.
Eh, eh, o Luís Fernando, toda a
congregação, eh, só erudito na igreja,
mas no particular os músculos se reúnem
para tocar no improviso. Aí entra um
jazz. Ah, é até samba antigo, mas o
ministério não gosta muito, não é? Essas
tensões acontecem também na adventista,
viu Luiz?
Eh, sou o tempo que crenteiro ouvia
Petra e White Cross, diz o Carlos aqui.
Eu nem conheço esses aí, não, Carlos. E
música crente roqueiro que que eu
conheço é aquela da catedral, né? Os
galhos secos de uma árvore qualquer que
eu nem curto também, viu? Só para saber.
Não conheço muito música de crente de
rock cristão que eu que eu curto. Eu não
tô falando que não existe bom, mas eu
não conheço muitos não.
Eh,
orquestras da CCB são uma maravilha.
Outra outra coisa espetacular são os
corais dos Mormons. Sim, concordo. As
duas coisas, né?
congreg, aliás, quem é da de música,
quem já estudou música, sabe que igreja
e a congregação é uma igreja que
contribui muito para isso. É um lugar
assim que impulsiona as pessoas para
estudar música. Muita gente que vai
depois estudar mais profundamente música
veio de igreja, né? Eh, a minha família
mesmo, eu tenho dois irmãos que
trabalham com música
e os dois começaram com música na
igreja. Eu dei aula de música em igreja
por muitos anos, quando era mais novo.
Eh, eu toco flauta transversal,
um um pouquinho de de violão e um
pouquinho de acordeon. Eh, então eu
também sempre tive metido em música.
Isso veio por causa da igreja, né?
Igreja é um lugar que que contribui com
que as pessoas aprendam um pouco mais de
música e aprendam a fazer música também,
né?
Aí o tava tá complementando aqui o que
que ele tinha falado. Sim, no trabalho
da Suzane Haik, eh, Vantour, ela alegou
ter decifrado alguns dos sinais
massoretas, então ela fez uma proposta
de tradução dos textos bíblicos para
anotação musical atual. Tem no YouTube
algumas músicas, é bem legal. Lembra
música árabe mesmo. Ah, legal.
É, a música daquela região, eh, eu sei
que que
tem escalas musicais que são usadas
desde muito tempo atrás, né? Eu não sei
se dá para remontar o tempos bíblicos,
mas provavelmente, né? Tem coisas que
quando você vai muito para trás, dali
para trás não se mudou tanta coisa. Você
não tem um uma mudança tão grande de
tantas com tantas influências se
misturando quanto hoje em dia, né?
O dor é a gente que cresceu assando os
hinos ao erudito, tem dificuldade de
congregar com o irmão de outras
denominações, porque fica difícil cantar
com a mesma entrega e emoção. Diz aqui o
Luiz Fernando. Eh, vou falar sobre isso
agora, Luiz Fernando. Cara, se me pedem
para cantar, aí eu que fecho a boca.
Eh, Narnia Rock Cristão com letra
pesada.
Interessante, né?
Eh, e minha esposa escutando as músicas
da Novo Tempo e de vez em quando a gente
fala assim: "O Scan se converteu, Veton
Galo se converteu, mas mesmo assim eu
acabo gostando." Diz aqui o João. Pois
é. Mas olha, esse elemento do que o Luiz
Fernando colocou, que é é uma coisa
importante. A gente tava falando das
gerações.
Eh,
essa diferença de gerações, elas se
manifestam muito em música. Existe uma
coisa que faz muita diferença, gente.
Eh, depois que eu descobri isso, eu
parei para perceber e muda como a gente
percebe a música. Existe uma época na
vida que é entre na na no entre a
adolescência e o início da juventude,
que as músicas que você ouviu naquela
época, nessa época, quando você tinha
essa idade, elas te elas costumam te
eh elas costumam te afetar de um jeito
um pouco diferente.
Então, tem músicas que você sabe que não
são boas, mas você gosta porque eram
músicas que você ouvia quando era novo.
Porque toda a percepção que a gente tem
nessa época da vida, a gente tem toda
uma questão até tipo de de neurológico.
O seu cérebro tá se tá se transformando
nessa época. Então, a apreciação que
você tem do mundo e a forma como você
registra lá na memória isso, eh, fica
marcado pro resto da vida. Então assim,
as músicas que eu ouvia quando eu era
adolescente se tornam músicas
importantes para mim, pro resto da vida.
E a gente tem eh uma questão que
antigamente, muito tempo atrás, antes de
antes de de de
da gente ter essa questão da
reprodutibilidade técnica da música, eh
de a gente conseguir ouvir gravações e
da gente ter diversos, eh poder ouvir
gravações de outros lugares do mundo e a
gente ter tanta influência musical
diferente e aí vira uma conturbação
grande que a música muda muito
rapidamente. Então, digamos assim,
eh se você vivia numa uma vila europeia
na Idade Média, você basicamente ouve as
mesmas músicas que seus avós e seus
bisavózs ouviam, certo? Então, a relação
que você tem com uma música, ela é
compartilhada culturalmente, ela é
compartilhada também entre as gerações.
A as gerações mais velhas gostam das
mesmas músicas que você, que é jovem
também gosta. Porque as músicas que você
gosta hoje é músicas que eles ouviam
também quando eles eram jovens. Então a
gente não tem a música como um marcador
geracional tão forte.
Quando a música começa a se mudar muito,
muito rapidamente, tem a música da
década de 20, música da década de 30.
Então, a música que o o meu pai ouvia
quando ele era adolescente é muito
diferente da música que eu ouvia quando
eu era adolescente e que os adolescentes
ouvem hoje. Eh, são músicas muito
diferentes. Isso vai afetar a gente de
formas diferentes e isso vai influenciar
totalmente quando você tá dentro de uma
igreja, que é aquilo que o o o Luiz
Fernando tá falando. É duro que a gente
cresceu sobiando os hinos ao erudito,
tem dificuldade de congregar com mão de
outras denominações, porque fica difícil
cantar com a mesma entrega e emoção. A
relação emocional que você tem com a
música é diferente. Então assim, uma
coisa que eu ouvi muito na igreja, é
gente mais nova falando, olha, o pessoal
mais velho, eles não cantam com
sentimento,
eles não cantam com emoção, é tudo meio
morto. É, então a gente não quer isso, a
gente quer cantar com emoção. Isso é uma
percepção errada.
O que acontece é a emoção que eles têm,
a forma de expressar isso e a música que
representa a emoção para eles é
diferente. Eles não se emocionam com as
músicas que te emocionam. E isso é uma
coisa que as pessoas não percebem. Eh,
as músicas das pessoas mais novas são
sem graça para as pessoas mais velhas,
pro pros velhinhos da igreja quando toca
essas músicas mais modernas, eles só
acham chato. Eles acham chato essas
músicas. Eh, e você vai achar chato as
músicas deles, justamente porque a gente
tem essa separação cultural, essa
separação geracional, que tudo isso que
a gente estava falando aqui. Então, um
olha pro outro com uma desconfiança,
porque é claro que a gente sempre vai
olhar pro mundo a partir do nosso ponto
de vista, né? A gente vai perceber a
partir do que tá próximo da gente.
Então, a gente vai entender que as
músicas que a gente gosta são as músicas
legais. E se as músicas que as outras
pessoas acham legais são diferentes, a
gente tem um estranhamento, fala: "Pô,
por que que ela não gosta dessa música
que realmente é legal, né?" Eh, e a
gente tem dificuldade de perceber que a
gente vive dentro de um recorte
específico e a gente aprendeu a apreciar
música dentro de um contexto específico
e outras pessoas aprenderam dentro de
outros contextos, né? E isso vai causar
uma enorme de uma confusão.
Além disso, eu acho que a gente eh eu
não sei quando como isso historicamente
foi se desenvolvendo, mas música na
igreja acaba se tornando uma bagunça tão
grande, né? Eh, a gente tem uma ideia de
que a gente tem que, de certa forma,
proteger a igreja de ritmos mundanos.
Então, a gente faz uma separação de um
um estilo de música que seja religioso,
de outros estilos de musicais que não
sejam religiosos.
Então, a gente faz essa separação de
música de igreja e música que não é de
igreja. Eh, mas essa separação ela é bem
artificial.
muita música que a gente considera muito
religiosa, muito eh muito sacra assim,
eh são músicas que originalmente não
eram sacras e às vezes tinham um um
outro contexto, né? E pode até, eu não
conheço exemplos, mas pode até acontecer
o contrário, música que é feita dentro
de um contexto religioso, depois ganha
outra conotação em outro lugar, né? Eh,
então, eh, eu, eu imagino que muitos das
desses inários tradicionais, a arpa
cristã, o inário adventista e tal,
muitos das músicas que se tenham lá
sejam músicas americanas do final do
século XIX, começo do século XX, né? No
Inário Adventista, pelo menos, é assim.
Muita música do Velho Oeste, eh, do da
última versão do Inário, né? Eu não
conheço muito esse novo Inário que saiu
agora.
eh músicas de um período específico e a
gente acaba sacralizando o período e o
estilo daquele período. Então, mesmo
músicas que foram criadas fora de um
contexto religioso, a gente acaba
associando a música religiosa, porque
ela é daquele período que a gente acabou
fazendo inários, período em que eh o
protestantismo se expandiu às vezes na
região que a gente mora e essas coisas,
sabe?
Eh, deixa eu ver o que que vocês estão
comentando aqui. Eh,
espiritualmente eu gosto de música
clássica. Escuto uma música do Charsk
sobre uma sobre uma guerra. No fim tem
sinos e tiros de canhão. Eh, num final e
triunfal. Imagino sempre a volta de
Jesus quando escuto. É interessante
isso, João, né? Abertura 1812. Ah, você
colocou aísk abertura 1812. Inclusive,
que é uma música.
Eh, o Tikovski compõe essa música.
Eh, eu não lembro agora exatamente qual
é a celebração, mas é uma celebração de
uma vitória da
Rússia contra o exército do os exércitos
do do eh ai gente, o o general francês
que tem o Napoleão, né? eh do contra as
forças do Napoleão. Inclusive, a
abertura 1812, ela faz diversas
referências a temas, inclusive o tema da
do do de músicas francesas, né? E o tema
principal é um tema, se eu não me
engano, é um tema sacro da da igreja
ortodoxa, aquele
eh, mas ele é colocado dentro de um
contexto pra música que é um contexto
político de guerra, né? E aí o Tikovsk
faz uma celebração para essa vitória de
1812 e tal. Então adoro, inclusive adoro
os russos desse período e do período
depois, né? Eu gosto muito de Chov,
gosto muito dessa música 1812. Mas olha
como é interessante que para você, João,
essa música pode ter uma conotação
sacra,
sendo que não necessariamente ela tem.
Então, qual o a minha pergunta aqui é
quais foram os caminhos na nossa mente?
que fizeram uma associação entre música
clássica e música sacra. Muitas vezes o
que a gente conhece como música clássica
eram, sei lá, músicas de cabaré da época
e que você que as pessoas tocavam quando
elas estavam fazendo
as maluquícias que o pessoal faz hoje em
dia, mas eles faziam na época tocando
piano, né? Sei lá, né? Não sei quem já
viu aqui aquele filme do eh do Mozart
Amadeus.
mostra um pouco disso. O pessoal se
divertindo na época você não ia botar um
funkzinho
para rolar as coisas que rolam quando as
pessoas ouvem funk hoje não. O pessoal
tocava piano enquanto tocava tocava
piano para sair pegando as pessoas,
tocava violino, os instrumentos que eram
os instrumentos que eles tinham na
época. Então, o que é interessante é que
música clássica, a gente chama de música
clássica,
eh, na verdade uma coletânia de músicas
de diversos períodos diferentes,
inclusive do período clássico, o que é
meio confuso, né? Por isso que eu gosto
de chamar às vezes de música erudita,
porque não fica confinado a um período
clássico, porque pode causar essa
confusão, mas eram músicas que eram
ouvidas às vezes em em diversos
contextos diferentes. A gente chama tudo
de música clássica. Eh, música de
conserto, sim, mas música ópera. Ópera
que era basicamente o entretenimento da
época, eh, música que as pessoas faziam
coletivamente
para se divertir. Então, a gente acaba
chamando muito de tudo isso de música
clássica, que é música antiga europeia,
basicamente, né? Eh,
quando vou numa igreja e vejo guitarra e
bateria, o que vem na mente era os
bate-cabeças da escola. Muito difícil
dissociar isso. Espero não estar vivo
quando normalizar o funk gospel, diz
aqui o Luiz Fernando. Essa é uma outra
questão, Luiz Fernando.
Eh, são as associações que a gente faz,
que é o que eu tava falando aqui, a
gente associa a música clássica a uma
música mais religiosa. É, eu faço isso,
né? Quando, como eu estava falando aqui
no começo, o tipo de música religiosa
que eu costumo mais ouvir é música
europeia, que é música de coral, a
capela, eh, tanto de de temas antigos,
música antiga, sei lá, do século X7 pra
frente, quanto música mais moderna de
Coral Acapela, né? Eh, tem um coral que
eu gosto muito que é o Tenebrequire,
você colocar aí, qualquer música deles
vai ser maravilhosa, porque os caras são
muito bons, né? Eu gosto daquilo, mas eu
tenho consciência. Aquela é uma música
de um contexto específico cultural, que
inclusive nem é da onde eu vivo, é
música europeia, né? Eh, e normalmente
cantado em latim também, que é uma
língua que tem uma conotação religiosa
que nem é da minha religião, digamos
assim, né? Então, mas eu gosto, eu
aprendi, eu cresci aprendendo a apreciar
esse tipo de música. Então, é o tipo, é
a linguagem musical com quem eu me, com
quem eu me relaciono, é o tipo de música
que me afeta. digamos assim, eh, existem
outros tipos de música que me afetam,
sim, também, com certeza. Mas as músicas
religiosas, eu para mim acho que são
mais esse esse tipo, né? Eh, quando eu
ouço música em contexto religioso, eu
ouço mais música de coral a capela. Mas
e a gente tem essas associações.
Então, eh
associações com instrumentos,
a bateria tá associado a um tipo de
música.
Eh, beleza, o piano já teve associado a
um outro tipo de música, a flauta já
teve associado a outro tipo de música em
contextos muito específicos, né? Eh,
essa associação existe para algumas
pessoas e para outras não. Eh, por
exemplo, para muita gente bateria
não tá relacionado necessariamente a um
aos roqueiros tradicionais bate cabeça,
mas meio que bateria é um instrumento
padrão que todo mundo usa. Inclusive, a
gente vive numa época em que, assim,
bateria, guitarra e baixo virou um um
conjunto tão fechado e quadrado de
instrumentos que basicamente todo tipo
de música que a gente faz hoje eh eh
envolve esses três instrumentos. Ficou
uma coisa assim muito, a gente acha que
a gente vive numa época onde tem muita
diversidade musical, mas em alguns
aspectos tem menos diversidade. Que que
é música? bateria, guitarra e baixo e
não sai muito disso. É difícil você
ouvir, sei lá, um grupo musical que tem
um uma gaita de foles ou um banjo no
meio. É, é sempre esse formato
quadradinho, principalmente quando a
gente vai para uma música mais
americana, né, mais pensando mais em
rock. Por quê? Por que que a gente tem
que pensar em rock e ficar fechado nesse
conjunto de instrumentos que tem sons
muito específicos, né? Eh, a gente não
ouve música muito variada na nossa
época, na verdade. Se você for pensar
que música de orquestra reunia, sei lá,
20 instrumentos diferentes com 60
instrumentistas,
eh, fazendo combinações diferentes
desses, eh, desses sons, desses
instrumentos, a gente empobreceu a
música da de lá para cá, né? A gente não
enriqueceu.
Eh, música erudita, eu gosto desde o
cantochão, canto com Glorian Palestrina,
passando pelo Barroco, indo pelo
clássicos românticos até o Schwenberg,
na fase romântica dele. Depois que ele
vai para tonaliza mais difícil de
apreciar. É, eu gosto de umas coisas
mais modernas assim, de música clássica
também. Gosto muito do Stravinsk. Eu não
sei se você manja esse cara aí, mas eh
eu gosto dessas coisas também, mas eu
tenho a completa noção que isso é uma
coisa muito nichada e assim é um tipo de
música que é difícil você apreciar, se
acostumar com a linguagem dela e
apreciar ela é muito difícil.
E seria muito bacana de ser mais vista a
reutilização de músicas seculares em
ambiente religioso. Uma música muito
bonita do Sunday Service Quire Rain é
ressignificada numa roupagem
pentecostal, mas que originalmente cham
and blues romântico.
É o Urias falando aqui. Esse assunto de
música eu não entendo nada porque onde
entra meu gosto pessoal? O quanto eu
posso argumentar que meu gosto pessoal é
o gosto de Deus? Quando as músicas que
falam ao coração: "Sou o refém do gosto
pessoal ou é Deus usando a música para
falar comigo?" É um assunto que não
tenho certeza. Olha, excelentes
questionamentos, viu, Urias? Mas é é
acho que esse são, esse é o ponto, né?
Eh, eu a gente até tava falando disso
aqui agora a pouco. A gente sempre parte
do nosso gosto pessoal
e a partir daí a gente percebe as outras
coisas, né? Eh, e aí a gente pode
questionar o nosso gosto pessoal,
perceber que é só o nosso gosto pessoal
ou a gente pode ficar preso nessa
referência e ver sempre o mundo do ponto
de vista do nosso gosto pessoal. E o
nosso gosto pessoal, inclusive nem é só
nosso. A gente gosta de músicas
específicas porque a gente aprendeu a
ouvir essas músicas, né? Música se
aprende a ouvir. A gente aprende a ouvir
música. Eh, se você pega uma música
indiana que tem uma escala eh que
multitonal,
você ouve, você não você não gosta dela.
Você vai ouvir e falar: "Ah, que
interessante, é outra cultura". Mas você
é difícil apreciar. Você você precisa
aprender a apreciar ela. E com o tempo,
se você aprende a apreciar, aí, beleza,
você entende a linguagem daquela música,
você entende o que as pessoas estão
fazendo com aquela música, aí você passa
a gostar daquela música. Então assim, o
gosto pessoal ele não nunca é só nosso,
a gente aprendeu ele, a gente aprendeu
culturalmente, né? Eh,
qual é o gosto de Deus?
Essa é uma boa pergunta e a e a minha
a minha impressão
é sempre isso não não interessa o gosto
de Deus. O gosto de Deus não faz a menor
diferença.
Eh, porque
a música humana sempre vai ser humana.
Que que é a música de Deus? Não faça a
menor ideia. A música de Deus, ela é ela
é ouvida através de sons, de vibrações
sonoras ou de outro tipo de vibração que
a gente não tem nenhum órgão para
detectar.
Eh, porque o, sei lá, o violino foi
inventado numa época específica da
história humana. Deus toca violino. Deus
ouvia a música de violino antes de
existir o violino inventado pelo ser
humano. Entende? Eh, eu tô falando só de
violino, mas obviamente todos os
instrumentos são inventados.
Eh, a música do ponto de vista
estritamente natural, ela não existe. É
só moléculas vibrando no ar. é uma
interpretação que a gente faz desse
fenômeno físico e a gente atribui uma
linguagem a esse fenômeno físico. Então,
quando a gente pensa Deus em relação a
isso, Deus que tá muito acima da gente,
Deus que não tem um cérebro do mesmo
jeito que a gente, que não pensa igual a
gente, Deus que não vive a não
experimenta a realidade da mesma maneira
que a gente experimenta a realidade, a
ideia de gosto musical de Deus acaba se
tornando absolutamente relevante. Nem
interessa qual que é o gosto musical de
Deus.
Até porque quando você tá dentro de uma
de uma igreja
tocando uma música para agradar a Deus,
o menos importante nisso é o estilo
musical que Deus gosta para você poder
agradar ele. Porque se ele tá além da
cultura humana, ele consegue olhar a
cultura humana inteira como um fenômeno
e entender toda ela. ele consegue ouvir
essa música indiana que a gente não
conhece bem e apreciar, porque ele
entende a mente da pessoa que fez essa
música indiana.
ele consegue
ouvir uma música que é assim e
absolutamente bem interpretada
perfeitamente e ele olha e fala: "Ah,
mas a pessoa que tá fazendo isso não tá
pondo nada na alma dela. Essa música, na
verdade, é sem graça. É só uma repetição
de padrões.
[tosse]
Então, a apreciação de Deus em relação à
música
é algo que não faz parte da nossa
realidade, não tá na nossa esfera de
realidade, não tá no nosso horizonte.
Quando se coloca na mesa o gosto de Deus
sobre música, a gente tá falando de
coisas que a gente não conhece, a gente
tá falando de coisas que a gente não tem
nenhuma indicação. A gente não faz
ideia,
né?
Será, será que Deus tem um ouvido com os
mesmos órgãos internos que o nosso
ouvido para para ouvir a música do mesmo
jeito que a gente, né? Quem diria mais
apreciar? Então, assim,
eh, a ideia de de Deus em relação à
música para mim é uma ideia muito
distante, né? Eu já falei isso aqui
outras vezes, é um é uma ideia que eu
tenho
de que uma certeza que eu tenho em
relação a Deus e e assim a gente pode
dizer que Deus ele é desconhecido porque
ele é muito maior do que a gente. Eh, a
gente conhece
pouquíssimas partes de Deus que ele
revelou pra gente. E e é uma um é um é
uma parte infinitamente pequena se a
gente pensar que Deus é infinito e ele
revelou pedaços. Ou seja, a gente não
sabe quase nada sobre Deus, né? Então,
uma certeza que eu tenho sobre Deus é
que ele ele é muito diferente do que eu
acho que ele é.
Porque se eu consigo conceber Deus, se
eu consigo imaginar Deus, se ele cabe na
minha imaginação,
então esse não é o Deus que existe de
verdade, porque a minha imaginação é
muito pequena em relação à realidade.
Então, o que eu penso sobre Deus, eh,
necessariamente,
eh, o Deus real é diferente disso que eu
penso sobre ele. É muito pequeno sobre
em relação ao Deus real. Então, imagina
a nossa
a nossa compreensão musical, né? A
compreensão musical de Deus, né? Levando
em consideração todos esses fatores
culturais que a gente tá colocando aqui.
É muito difícil, muito difícil.
Mas isso não significa, e aí acho que a
a conversa começa a ficar mais
interessante, que a gente não deva
pensar sobre música que é feita dentro
de um contexto de igreja e e perceber
que tem músicas que são
inadequadas para um contexto religioso,
porque isso vai depender de você
entender o que que é adequado para um
ambiente religioso. Então, você tem que
entender o que que é um ambiente
religioso,
o que que significa a igreja.
Quais são os valores que estão dentro
daquela igreja, eh, dessa igreja? E
quando você canta uma música, você quer
expressar,
eh, o que através dessa música, né?
Então, aí a gente pode falar que existe
música adequada e inadequada.
Eh, o funk é inadequado pra igreja.
Aí eu aí eu talvez vocês me achem muito
moderninho, né? Mas eu acho que depende
muito
para mim. É porque quando eu a relação
que eu tenho com um funk é uma relação
muito específica,
mas tenta imaginar o seguinte, uma
pessoa que não conhece outros estilos
musicais, ela nasceu e cresceu ouvindo
funk. É a referência que ela tem de
música. Então, se ela vai se expressar
religiosamente,
é natural, é esperado, é o que deve
acontecer, ela se expressar
culturalmente através do funk, né? Eh,
o funk tá associado a muitas coisas para
mim, que tem outras referências, mas
para aquela pessoa que, vamos supor, uma
pessoa que só conhece o funk, o funk não
tá associado às mesmas coisas que eu
associo. O funk tá associado a tudo,
porque o funk é tudo que ela conhece,
entende? Então, eh, o que é uma música
adequada paraa igreja depende da
cultura, do contexto das pessoas que
estão dentro daquele daquela igreja.
Inclusive, o que que pode ser adequado
numa época pode ser inadequado em outra.
Uma coisa que era adequada numa é numa
época pode se tornar inadequado em outra
época, porque o os elementos musicais
que tinham numa época se tornaram
referência para outra coisa em outra
época, entende? Então,
resumindo tudo que a gente tá falando
aqui, todas essas coisas são levadas em
consideração quando a gente coloca eh
esses elementos eh dentro do contexto de
música de igreja, né?
Deixa eu dar uma olhadinha aqui
[limpando a garganta] no que que vocês
estão colocando.
Nossa, o pessoal gostou do tema de
música, hein? Lembra? bastante gente
participando hoje.
Eh, mas aqui essas essas coisas que o
Urias colocou, eu acho que são bem
importantes, né? Eh, o gosto de Deus e o
gosto
do o meu gosto pessoal,
o seu gosto pessoal vai ser importante,
porque se você quer expressar através da
música uma coisa que que te afeta,
o seu gosto deve ser levado em
consideração.
Você fazer uma música que você não
gosta, você não vai conseguir expressar
o que você quer expressar através da
música. Ela perde o sentido, inclusive,
né? Mas o gosto de Deus, que a gente tá
falando aqui, não dá nem para entrar
nessa conversa.
Eh,
aí o Frank colocou aqui o nesse sentido,
o canto gregoriano se destaca totalmente
desenhado para o sacro. Barro fazia
música para Deus, mesmo que com fim
comercial, está noutro universo.
Embora o canto gregorino esteja fechado
aos músicos específicos, cantado em
latim, língua não corrente. É, Frank,
vamos lá, tem questões aí.
Eh, embora o que o barro fazia não era
canto gregoriano. O canto gregoriano é
de um período um pouquinho anterior. Eh,
o bar já é barroco, né? E a música do
bar é interessante como uma expressão de
uma pessoa de uma época e de um contexto
eh de um contexto cultural
eh que eh ele consegue colocar na música
dele questões, ideias que ele tá
querendo expressar. Isso pode ser feito
em outro contexto musical, mas ele é um
estudo de caso interessante. Então, por
exemplo, né, eh, a música que a gente
estava se referindo aqui, o Jesus,
alegria dos homens. E esse é um tipo de
eh de,
vamos dizer assim, de de de elegância na
hora de compor uma música que eu não
vejo muito frequentemente.
Eh, o Bar tá fazendo uma música sobre
Jesus, Alegria dos homens. Inclusive
essa tradução pro português, eu não
lembro qual que é o nome em alemão dessa
música, né? Ieso, alguma coisa, mas ele
se refere a Jesus, é o centro da ideia
da música, né? Tô falando que Jesus é a
eh
mine Freud, né? Não tô confundindo com
outra música do outro moteto do Barra,
né? Mas de qualquer forma Jesus é a
minha alegria e tal. Eh, o que que é
interessante nessa música? Ele tenta
colocar na forma [limpando a garganta]
da música referências ao que ele entende
sobre a figura de Cristo. Então, por
exemplo, essa música é uma música
ternário composto. Que que isso
significa?
As músicas da nossa época, elas
basicamente se resumem a músicas eh
quaternárias. As músicas são divididas
em quatro tempos.
Para dar um exemplo para vocês, uma
música de um uma outra época que foi
quaternarizada, que é Parabéns a você. A
música, o parabéns a você, é uma música
originalmente dividida em três tempos. 1
2 3 do Parabéns para você nessa data
querida. Então você percebe que o
formato da música é em três tempos. O
que que a gente fez quando a gente ouve
essa música sendo cantada na música hoje
na nas ruas hoje em dia? As pessoas
transformaram o parabéns a você em uma
música em quaternário, porque é o é o
jeito que a maioria das músicas são
feitas hoje em dia. Então virou não
virou não é mais parabéns a você nessa
data. Virou parabéns para você
nessa data. 1 2 3 4 1 2 3 4 Eh, eu tô
tentando ser didático aqui. Eu não sei
se faz, tá fazendo sentido para alguém o
que que eu tô falando aqui, para alguém
que não é da área de música. Mas, eh,
voltando pro caso do bar, né, ele
escolheu fazer uma música em em um um
tempo ternário, né, o Jesus alegria dos
homens. E é um ternário composto. O que
isso significa? que é um ternário que
cada tempo, o, ou seja, um ternário são
três tempos, né? E o ternário composto
cada tempo se divide em três.
Então, cada tempo, cada batida da música
se divide em três, em vez de se dividir
em dois, que é o natural pra maioria das
músicas que a gente conhece hoje. E é um
compasso ternáo em vez de quaternário.
Então, tudo é baseado em três. Legal. E
o que que isso quer dizer? Ele vai dar
sempre uma ênfase pro segundo tempo da
música. Inclusive, ela começa no segundo
tempo, na segunda subdivisão. Eh, um
tar,
ela não começa, tá?
Ela começa no segundo tempo, né? E ela
sempre vai dando uma ênfase na no
segundo tempo da música, que é a segunda
pessoa da trindade, Cristo, entende?
Então ele usa a forma da música, a a
maneira que a música é construída, ele
usa ela como uma camada mais de símbolo
para trazer uma ideia que é reforçar a
ideia de Cristo, né? Então aqui eu tô
dando só um exemplo, né, do que bar
fazia com música sacra. Isso é
interessante porque esse tipo de
pensamento na composição não é mais tão
comum. Eu não vejo tão comum assim,
embora eu vejo acontecer de vez em
quando, né? Eh, tem uma música eh que é
do John Taverner, baseada no em um poema
do William Blake, que é o cordeiro.
Eu gosto muito dessa música. Eu imagino
que ela soua estranha, mas eu gosto da
estranheza dela. Uma música para coral
também, que é uma música que ela toda
espelhada. Então assim, se você olhar
pra partitura da música, a voz de cima é
um espelho da voz de baixo e muitas
vezes um compasso é o espelhado do outro
compasso. Então a música vai para cá e
depois ela volta para lá. Eh, e você tem
então espelhos em várias direções. E o
tema da música é um poema do William
Blake que fala eh eu sou um um
uma um garoto, né? é uma criança orando,
eh, falando, eh, olhando para um
cordeiro e falando: "Pequeno cordeiro,
quem foi que te criou?", né? E aí ele
chega a conclusão, bom, eu sou uma
criança e você é um cordeiro. O nosso
criador também é uma criança e ele
também foi um cordeiro, né? Então, olha
que louco, né? A ideia espelhada que
aparece na música, na na estrutura da
música, tem a ver com um tema da música,
que é que a criação de Deus é um espelho
do próprio Deus. E o próprio Deus, ele
ele se torna de novo a sua criação. Ele
ele ele assume o papel de cordeiro, ele
se transforma, ele ele assume o a a
forma de uma criança também, de uma
criatura. Então assim, eh, que Deus e a
criação se espelham, né? Não que eles
tenham a mesma natureza, mas é num outro
aspecto, né? Que Deus, eh, ele assume a
forma da sua criação para ele poder se
comunicar com a sua criação. Eh, e a
criação se vê em Deus, né? Eh, e aí tem
toda a ideia do do homem ter se criado,
ter sido criado a imagem e semelhança de
Deus e tal. Então, olha só como muitas
vezes a a música é criada de um jeito
tão engenhoso que ela traz mensagens que
não tão só na apreciação mais no nível
mais básico de apreciação. Você olha pra
partitura da música e a os desenhos que
as notas formam também trazem mensagens
que t a ver com a ideia que o autor quer
trazer, entende? Então assim, eh, só pra
gente ter ideia aqui do do que que bar
conseguia fazer com a música, isso é
interessante, mas obviamente para você
entender isso e apreciar, você tem que
estar contextualizado
na na cultura em que ele tá inserido.
Isso faz sentido lá dentro da cultura
dele. Então, isso e é é bacana. Dá pra
gente fazer outras coisas tão
interessantes quanto, mas
contextualizados à nossa cultura também.
Então, eu gosto muito de bar, mas eu não
acho que necessariamente ele tem que ser
sempre a referência de música sacra,
entende? Era isso que eu queria dizer
aqui com esse comentário eh do do Frank
aqui.
W falando: "Gosto muito de estravin".
Ah, legal. Tamo junto, então. Eh,
cheguei a ouvir de irmãos. Esse tipo de
música não agrada a Deus. E olha que
eram músicas da igreja. O Urias falou:
"Então, pois é. Eh, quando alguém falar
isso para mim, eu vou falar então tá
bom, fala para Deus vir falar comigo,
então, explicar qual é o a música que
ele gosta, né? Esse tipo de música não
agrada a Deus. É uma é uma frase
que é baseada em nada. De onde se qual é
o critério para você tirar essa frase,
né? Eh, e principalmente para você ouvir
uma música e dizer que essa música é
isso ou não é. É muito difícil isso.
Isso é uma conversa, eu acho muito,
conversa de muito de doido isso, né?
A música de Deus é a música que Token
descreveu na criação do mundo ou Inária
no livro de Lão, a feiticeira e o
guarda-roupa. Tá aqui o W falando, é é a
música do do eh do do lá do começo do
Sil Marilon, né? Eh, que o mundo é
criado musicalmente. Eu gosto dessa
ideia, né? E tem a ver um pouco com o
que a gente falou, porque eh o que que
seria a música para Deus? Como Deus,
como Deus percebe a música? com certeza,
de um jeito diferente da gente. Nós
somos humanos. A gente percebe a a
música, que é um elemento cultural
humano
atravessado pela nossa percepção
cultural, limitado pela nossa
compreensão cultural. Então, o jeito de
Deus ouvir a música que a gente mesmo
produz é diferente de nós mesmos, né?
>> [limpando a garganta]
>> Luiz Fernando e ao mesmo tempo que
música é uma expressão humana, creio que
Deus possa inspirar umas composições ou
interpretação. Com certeza. Aí, Luiz, a
gente entra no mesmo aspecto de texto
bíblico, né? Eh, a literatura também é
uma produção humana, é uma expressão
humana. Mas se você é cristão, você
acredita que existe uma literatura
escrita por homens, que é a mensagem de
Deus, que é a palavra de Deus, que Deus
inspirou ela de alguma forma, que tem
uma mensagem divina aí, né, que através
dessa cultura humana, dessa expressão
cultural humana, Deus se manifesta dessa
expressão cultural humana que é a eh a
literatura, né? A Bíblia é uma
literatura.
Eh,
e disse Deus, vai que é e Deus cantou,
diz aqui o Pois é. Ó, Intelectos
Podcast. Legal. O o Caldas tá por aí,
né? A discussão sobre música é um dos
tópicos que mais fazem pessoas
esquecerem do solo e escritura. para
defender sua posição. Vale tudo e a
Bíblia fica de lado. Exato. É isso
mesmo, Davi. Porque
isso por primeiro porque a gente não tem
uma referência musical na Bíblia. Eh, a
Bíblia fala de música, mas você não ouve
essa música. Tipo, não tem como você
saber musicalmente ter um critério
musical para as coisas baseado na
Bíblia, que é um texto. Eh, e
a música e a Bíblia nem entra nessas
questões, né? E às vezes quando entra
ainda vai contra esse senso comum de
querer fazer algumas diferenças. Então,
é, eu acho tudo muito complicado, né?
Aí, o João, eu acho que Deus pode usar
qualquer música, melodia, secular,
sacra. uma frase da música para ajudar
alguém que sofre. Tente outra vez. Raul
seixas já salvou uma pessoa de cometer
suicídio.
Então, João, aí a gente entra nesse
ponto, né?
eh
a música como sendo uma expressão humana
e as expressões humanas podem carregar
eh mensagens divinas ou eh Deus pode se
manifestar através de uma de uma
manifestação humana, digamos assim. Eh,
alguém pode,
sei lá, fazer um gesto que não tem uma
conotação religiosa e uma pessoa ler
aquilo como uma mensagem de Deus. Deus
pode se comunicar com através de coisas
que não foram criadas intencionalmente
para serem mensagens de Deus, né? E e na
música isso pode acontecer também, com
certeza, principalmente quando a música
se referem a consegue se referir a essas
questões tão subjetivas,
eh, e ela vai por caminhos tão
imprevisíveis na nossa mente.
E sem dúvida nenhuma, eh, por isso que
arte e, e, e, e bíblia estão tão
relacionados, né? Porque a arte é quando
você se utiliza da linguagem de uma
maneira não convencional,
que você abre a possibilidade de
interpretações. Você consegue ter
interpretações diferentes do mesmo
objeto, da mesma coisa. E quando ela é
explorada artisticamente, ela dá mais
possibilidades ainda. E a Bíblia é
assim, né? ela dá possibilidades. A
Bíblia às vezes usa palavras de um jeito
esquisito.
E essa forma esquisita de usar as
palavras, que é o que a gente pode
fazer, dizer que é uma das descrições do
que que é poesia, usar as palavras de um
jeito esquisito, eh elas fazem com que a
gente consiga perceber aquelas palavras
de várias maneiras diferentes, ter
sensações diferentes a ouvir essas
palavras, né?
Então, sem dúvida nenhuma, a Bíblia pode
eh a a uma música que não é sacra, ela
pode totalmente trazer uma mensagem
sacra para alguém dentro de um contexto
específico.
Nossa, tem bastante bastante comentário
mesmo hoje. Partindo desse princípio de
que não sabemos qual é o gosto ou
preferência de Deus, podemos pensar que
não há ou não deveria ter nenhum tipo de
limite em relação a louvor na igreja.
Então, Luciana,
eu acho que não,
porque a música na Aí a gente tá
partindo de um pressuposto também muito
específico de que a música na igreja é
feita para Deus. Eu discordo desse
pressuposto.
Eu acho que a música na igreja não é
feita para Deus. A música na igreja,
ela é feita pra gente também,
entende? Eh, a gente a gente canta,
digamos assim, em celebração a Deus, em
louvor a Deus, eh para adorar a Deus.
Eh,
mas esse eh
esse louvor ele é coletivo justamente
porque a expressão das pessoas em volta
de mim também me afetam, entende? E é
por isso que a gente canta coletivamente
na igreja. Eh, a gente,
por isso que a gente vai para um lugar
pra gente coletivamente adorar a Deus,
porque a adoração coletiva acontece
porque as nossas manifestações se
misturam, entende? Quem tá do meu lado
cantando me afeta também, não tá
afetando a Deus, não. Não é uma questão
de só de agradar a Deus. Eh, o que
agrada a Deus não é o estilo em si.
O que agrada a Deus é a expressão em si,
é o que que tá sendo expressado ali,
entende? Eh, até porque a gente falou
que Deus não tá inserido dentro, não tá
limitado a uma cultura humana para
aquela expressão ter um caráter
específico. Ele vê como uma manifestação
humana, entende?
Eh,
então por isso que eu eu não acho que
não tem nenhum limite. Tem limites e o
limite é o que que faz sentido dentro do
do contexto das pessoas que estão em
volta de mim.
Porque se não existisse limite nenhum,
eh,
eu não sei se teria sentido as pessoas
fazerem música coletiva dentro da
igreja, entende? Cada um faz a sua
música. em dentro de um cômodo, a gente
teria uma igreja que seriam vários
cômodos. Cada um entra lá, fecha a porta
e canta sua música, toca seu
instrumento, faz sua oração, entende?
O coletivo é um elemento da adoração,
é um elemento da da religiosidade. O
compartilhamento coletivo da adoração a
Deus
é um elemento de de de
mensagem de Deus pra gente. Por isso que
é uma coisa muito louca, porque ao mesmo
tempo que a gente tá adorando a Deus, a
gente também tá percebendo a presença de
Deus. É como tivesse uma mensagem de
Deus
na adoração que a gente tá fazendo a
ele, entende? Eh, tudo isso tá misturado
e essas coisas são complexas, entende?
O A já coloca: "Creio que não, pois a
gente canta em Ah, o tá indo na narinio
que não, pois a gente canta em
comunidade e as associações na mente dos
irmãos, por mandamento do amor
importam". É isso mesmo. A gente tá tá
na mesma página, viu? Eu não tinha visto
sua mensagem, juro. Talvez não exista
uma música essencialmente má, mas não é
por isso que um dado tempo, o mandamento
do amor não deva ser jogado fora.
Aí o Carlos coloca aqui, depende. O
grupo de rap cristão, manifesto verbal,
os caras recitam mensagens espirituais
como rap e para quem assimila as coisas
através desse tipo de ritmo, cultura e
contexto de quem as ouve. Eu
pessoalmente não gosto de rap, mas apoio
100% trabalho manifesto verbal. É, eu
penso assim, Carlos, eu penso assim.
Eh,
tem os contextos culturais e não
significa que dentro daquele contexto
cultural aquela música não não pode
estar tipo incoerente, sabe? Porque os
contextos culturais também tentes
expressões. Eu posso ser desrespeitoso
dentro de um contexto cultural
específico.
Eu posso estar falando algo para sobre
Deus que não é verdade dentro daquela
linguagem musical.
entende? Então é bem complexo essas
coisas aí.
Eh, é importante o que você se refere a
funk, pois para muito funk já é o mesmo
que letra sensual, não desassociada
dela. Éid, pois é, complicado. Eh, o
funk é um estilo musical. Eu não manjo
muito de funk, nem ouço muito funk, mas
ao mesmo tempo também eu não sou uma
pessoa que odeia o funk, né? Obviamente
eu não gosto de de letras de sexo
explícito no meio da rua, né? Mas tem
muito funk que não é isso, pelo menos
aqui na região que eu moro, ouvindo por
aí. Eh, não necessariamente, né?
Mas é verdade que tá muito associado a
isso, porque grande parte das letras de
funk tem esse esse sentido, esse
contexto, né? Então, aí também é uma
questão, né? Eh, se você vive num
contexto onde você tem diversos estilos
musicais e um tá mais associado a uma
coisa
que não eh que não é coerente com a
ideia de Deus e de religiosidade,
faz sentido você usar esse estilo
na sua adoração a Deus,
né? Eu acho que não, porque eu tenho
essa associação,
né? Mas eu não eu não
eh corrigindo até o que eu tinha falado
antes ou lapidando, eu não eu não
consigo excluir a possibilidade de uma
pessoa cantando um funk para Deus tá
fazendo algo que é coerente dentro da
percepção de mundo dela, dentro da
religiosidade dela e dentro do contexto
cultural dela, entende? Eu não excluo
essa possibilidade. Então, depende do
que que significa esse ritmo e essa
música para aquela pessoa.
A primeira referência da Bíblia em
relação à música está ligada à
genealogia de Caim. O que você diria
sobre isso? Eu não sei, Elane. Eu não
sei dizer. Eu eu não sei se isso tem
algum significado específico. Eh, eu sei
que, por exemplo, Adão quando olha para
Eva, ele faz um poema. Essa é carne da
minha carne e os ossos dos meus ossos.
Por isso já eh será chamada a mulher,
porque foi tirada do homem, né? Eh, ele
brinca com as palavras hebraicas e e
isso foi uma canção ou foi só um poema?
Não sei. Talvez tenha sido uma música.
Então eu nem tenho certeza que a
referência acho que é Tubal Caim, né,
que você tá falando da da genealogia de
ou tubal, né, que é o que é o tocava
flautas, uma coisa assim, né, da
geologia de que não tenho nem certeza
que dá para cravar que essa é a primeira
referência música. Talvez a primeira
referência explícita, mas talvez em
outros lugares antes a a a Bíblia já
tivesse fazendo referência à música e a
gente não consegue pegar, sabe?
Mas eu não acho que isso é
necessariamente significativo, não.
Eh,
Jesus, alegria dos homens aqui em casa é
canção de colocar suros para dormir.
Todo dia cantar aula. Legal, João. Na
música Fujz metal progressivo, a gente
vê bastante trabalhos com variações
rítmicas, com passos bem variados.
Gabriel Iglesias, acho que é irmão do
seu amigo pastor. Ele tem umas
composições também com tempos
diferentões. Acho que tem músicas em set
4 mais 3. É, isso é bacana, né?
e ser obedecer o nome da música. Eu acho
que é isso mesmo, tem acho que é isso.
Acho que é isso mesmo, né? Tem um grupo
aí que fez um um que não é religioso,
né? O Angin de Pin, que fez um sucesso
aí uns meses atrás e eu gostei para
caramba, que é uns caras que
experimentam um pouco música nesse
sentido. O que que eu acho que é
engraçado, né? A gente vive uma época
que é muito conservadora em relação à
forma da música.
esquisito, né, falar isso, mas é
verdade. A gente vive numa época
conservadora em relação à música. Eh,
porque se a gente olhar pra música que é
consumida hoje, primeiro tudo 4x4, como
eu tinha falado aqui, outros tempos
musicais que se faziam em outras épocas
foram abandonados praticamente. Isso não
tem mais praticamente compasso composto,
é tudo compasso quaternário.
A gente tem uma uma escala musical que
vem das escalas gregas, a escala maior e
menor básicas que a gente usa e a gente
não sai disso.
a gente tem sequências harmônicas que
são tipo absolutamente repetitivas, né?
Tônica, dominante, subdominante, tônica.
É, se você digitar aí no no YouTube os
quatro acordes mágicos, você vai ver que
existem uma sequência de quatro acordes
que tem, sei lá, uma centena de músicas
comerciais, pops, fazem muito sucesso
hoje em dia, que seguem exatamente a
mesma sequência harmônica, é a sequência
do Woman No Cry, né? eh do Bob Marley,
mas eh os quatro acordezinhos que todo
mundo segue. Então assim, a nossa música
hoje é muito quadrada. Eu uma um
pensamento que eu queria até
compartilhar com alguém, porque eu não
sei para quem falar essas coisas, eu
fico tendo essas ideias. Eu lembro
quando era mais novo que a Lady Gaga fez
muito sucesso. Eu achava muito esquisito
porque era muito incoerente,
porque você olhava pra imagem da Lady
Gaga,
ela era extremamente vanguardista, ela é
extremamente provocante, ela usou um
vestido feito de carne uma vez. Nossa,
que que inovador, que coisa tipo que
quebra os padrões. E quando você olha
pra forma da música dela, é a música
mais quadrada, tradicional, ortodoxa que
tem. É uma música tonal, é uma música
4x4, é uma música que segue a sequência
de acordos já normalizado, a consagrado,
que usa tipo instrumentos e sons que
todo mundo conhece, tipo, não tem nada
de experimental na música. Isso
eu tô falando especificamente lá pra lei
de Gaga no começo dos anos 2000, mas é o
que acontece com todo mundo. Todo mundo,
eh, todos os os grandes músicos hoje,
eles eles tentam ser pessoas disruptivas
nas ideias, no estilo de vida e tal, mas
a música é sempre quadrada. Inclusive,
essa própria disrupção no no jeito de se
vestir, no estilo de vida, acaba se
tornando também um padrão que não é
quebrado, né?
Eh, até difícil você chama atenção
quando alguém não quer ser disruptivo.
Então, a disrupção se torna sem sentido
também, né? Quebrar padrões virou o novo
padrão. Mas eh acaba virando isso. A
gente tem uma música conservadora hoje,
não quebra padrões. E aí quando aparece
esses caras que eu tava falando, angin
de potrini, que os caras, o cara pegou
lá uma guitarra e colocou uma casa entre
cada uma das casas, ou seja, não é um
semitom. Eh, ele não é uma escala
baseada em semitons, é uma escala
baseada em um quarto de tons. E ele pega
eh eh ritmos musicais que não são
quaternários.
Ele faz um nove, um tempo de nove e
depois faz um tempo de de sei lá, de 5 e
meio e tipo quebra esses esses ritmos
musicais. Esse tipo de experimentação
acho muito legal e bem-vinda, porque
isso não acontece. A gente é totalmente
quadrado e ortodoxo. A gente tenta
inovar em tudo na nossa época, mas a
música é sempre igual, né? Pelo menos a
música comercial, essa música de grande
divulgação. A gente, essas grandes
músicas que todo mundo ouveas não inovam
em nada. Sempre a mesma a mesma forma
dentro do da mesma caixinha quadrada,
né?
Bom, voltar aqui só para eu falar que
muito tempo pensava isso, queria falar
isso, como a gente ficar preso nessas
nessas eh nessas fórmulas, né? A, o
Intercos coloca aqui sobre a questão da
Bíblia e da arte, a gente perde um pouco
dessa dimensão nas traduções. A
preocupação dos autores com a arte na
hora de escrever era grande, sobretudo
no hebraico. É, exato. Exato. Eh,
inclusive as traduções
tentam dar uma uma certa
uma certa domesticada às vezes no texto,
sabe? Porque tem texto que você olha e
fala: "Não, pera aí, tem uma questão
gramatical errada aqui". E a tradução dá
uma ajustadinha, dá uma interpretada
para ficar o texto ficar mais quadrado e
ele ficar mais fácil de digerir, que às
vezes o texto bíblico é esquisito, é
esquisitíssimo. Você olha e fala: "Ué,
mas que que tá acontecendo aqui? Parece
que tá faltando uma palavra. Como isso
aqui tá errado? Essa palavra aqui não
tem nada a ver com esse contexto. Eh,
acontece às vezes isso na Bíblia e são
elementos
literários que o autor usa para forçar o
limite da linguagem para falar sobre
coisas que é difícil expressar, que são
coisas transcendentais, né? Eh, e a
gente às vezes na tradução dá uma a
gente dá uma polida nessas nesses
espinhos aí da da linguagem bíblica.
Essa diversidade cultural não deixa de
ser um mandamento de Deus. Aqui o Luiz
Fernando eh quando ele fez, mandou se
espalhar tribos, nações e línguas. Babel
foi justamente contra isso. É verdade.
Interessante. É interessante.
O Eduardo Ramos, funk Steve Wonder e
James Brown. É, na minha época era,
Eduardo, [risadas]
na minha época era o funk.
Exato. O que se ouve nas ruas daqui é
Miami BS.
Eh, o Carlos aí, Fernando, existe uma
coisa interessante quanto aos certos
instrumentos musicais. MPB usa muitos
instrumentos de percussão, eu acho
maravilhoso, mas se você usar num
contexto religioso não é bem aceito. Eh,
o atab, o Gongô, por exemplo. Isso é,
então, Fernando, aí entram questões
culturais que atravessam, né?
a gente a gente tem uma questão com
coisas africanas,
eh,
tem um certo sentido.
Eh, a crítica faz sentido até certo
ponto. Então, eu, eu não gosto de entrar
em algumas questões que já foram já
foram sequestradas por por discussões
políticas. Então, parece que eu tô
defendendo um lado político específico
quando eu falo isso, mas não
necessariamente. Então, assim,
a gente tem escalas musicais celtas que
estavam relacionados a cultos pagãos.
Quando você ouve isso, você não tem um
choque religioso, porque isso de certa
forma já foi diluído, já foi digerido na
sociedade. Isso não parece um choque à
sua religiosidade.
Eh, e de fato também muitas músicas
africanas com tambores e tal, eh, pelo
menos a gente entende elas como fazendo
parte de um culto a uma dentro de uma
outro religião pagã. E isso se torna uma
coisa agressiva pra gente do ponto de
vista religioso. Eh, mas isso não
necessariamente deveria ser assim.
Deixa eu ver se eu consigo trazer isso
que isso esse talvez seja a parte mais
interessante da gente trazer aqui sobre
música. Nossa, já são 5 para 10. A gente
não vai falar sobre inferno hoje, tá
gente? não vai dar tempo. Eh,
e a gente também, eu fiquei aqui falando
sobre diversas coisas aleatórias sobre
música, a gente nem conseguiu trazer uma
linha, mas aqui eu vou tentar trazer uma
linha e esse ponto acho que é
importante. Eh, e eu queria falar sobre
isso, né? A gente associa o tambor.
Imagina o o aqueles tambores de de
cultos, de religiões de matriz africana,
né? aquele tipo de batida de tangor, a
gente associa a um culto eh a um culto
pagão. Beleza?
Essa associação, ela depende de uma
chave cultural para isso. Eu vou dizer
assim, né? Eh, se [limpando a garganta]
você não tem essa chave cultural, aquele
tambor, ele não é um instrumento pagão,
ele é só um tambor.
E esse talvez seja um dos elementos mais
confundidores, não só paraa música, mas
para muitas coisas. que inclusive toca
em questões políticas hoje também, que
não tem nada a ver com religião, mas
dentro da religião tem a ver com
paganismo.
Deixa eu ver se consigo organizar esse
pensamento, ser claro, pelo menos para
fechar essa história aqui toda. Eh,
vamos lá.
Eh, deixa eu pensar num exemplo pra
gente conseguir entender bem isso daqui.
Eh,
a palavra L, el L, né, que é a palavra
que se refere a Deus, que aparece no
final de vários nomes bíblicos, Rafael,
Daniel, eh, Miguel, Ezequiel.
é uma particulazinha que se refere a
Deus, né, usando a a expressão L.
De onde vem esse nome?
Esse nome vem de uma raiz do semítico
que é entendido eh dentro de outras
religiões do antigo Oriente Médio, como
uma referência a uma entidade específica
que existia, que é a entidade L. El L
era o nome de um deus pai de Baal,
inclusive. Eh,
e aí a gente cria um problema, tá? Pera
aí. Se L era o nome de um Deus, como é
que na Bíblia a gente usa essa palavra
se referindo ao Deus bíblico?
Se ele era uma referência a um Deus
pagão, né? Eh, o que acontece
quando você tem inserido num contexto
bíblico e você fala, por exemplo, de,
sei lá, Rafael, né? Rafael, Deus cura.
Eh, dentro de um contexto bíblico,
quando você ouve esse nome e você ouve
Deus cura, você pensa imediatamente no
Deus bíblico. Essa é a referência
direta. Você não pensa, se você não tem
essa chave cultural, eh, que, ah, não,
pode ser o deus do antigo semita lá, do,
do, eh, o deus cananeu lá, pai de Baal.
Não, você não faz essa relação. É, é
Deus. Então, tá bom, tá ótimo, é o Deus
da Bíblia e acabou.
Inclusive, a palavra L, eh, mesmo dentro
do contexto cananita, era uma era meio
que uma expressão meio genérica para
Deus. O Deus L era um Deus um meio
genérico. E essa expressão acaba se
tornando uma expressão de divindade de
forma genérica, da onde vem a palavra
Elohim também, que é a palavra Deus na
Bíblia, né? E acaba sendo usada para se
referir ao Deus bíblico também. Assim
como a própria palavra Deus que a gente
fala em português, né? Esse esse é um um
excelente um excelente exemplo. A
palavra Deus,
eh, que vem da palavra teus no grego,
tem uma outra raiz que tá ligada ao
paganismo. Então, por que que a gente
usa uma palavra que tá relacionada ao
paganismo para se referir ao Deus
bíblico? Porque a gente fala uma língua
que é pagã. O português é uma língua que
deriva do latim, que deriva da das
línguas etruscas. E tipo, é uma língua
pagã. Eh, existe uma raiz cultural pagã
nessa língua. Então, o que que eu tô
fazendo? Tô usando uma língua pagã para
me referir a uma ideia de Deus que não é
uma ideia de Deus pagã, entende? Então,
eu uso palavras que são tem uma origem
pagã para se referir a um conceito que
não é pagão.
Eh, isso vai acontecer o tempo todo na
Bíblia. Ele usa a palavra L, que é uma
palavra que você pode dizer que tem uma
origem relacionada ao paganismo para se
referir a um conceito que não é pagão, o
Deus que estava lá no início de tudo,
que que criou os céus e a terra no
princípio.
Então esse Deus não é o El, pai de Baal,
não. Esse é um Deus próprio. É um Deus
diferente dos outros deuses. É uma
ideia, um conceito de divindade, só
aparece na Bíblia. Como a gente vai se
referir a ele? Que palavra a gente vai
usar? Bom, a gente vai usar essa palavra
do vocabulário comum semita, que se
refere à ideia de divindade, que é a
palavra. Então, se usa essa palavra. Eh,
a gente vai chegar na música aí, tá bom?
Mas vocês percebem que, eh,
o som L não é um som pagão. O som L é só
uma junção de de fonemas que eu fiz na
minha boca.
Eh, a associação a uma coisa pagã
depende de um de um de uma ideia, de um
conceito que é transmitido
culturalmente. Ela não existe no mundo
real. Ela é um é um é um conceito
humano, digamos assim. Vocês entendem o
que eu quero dizer? Quando eu escrevo a
palavra casa, eh quando eu falo a
palavra casa, esse conjunto de sons, de
sons casa, eles não têm nada a ver com a
construção casa em si. A associação
entre o som casa e a construção, que a
gente chama de casa, é uma construção
artificial que a gente inventou. A gente
inventou códigos, a gente inventou
relação relações entre vários sons e
objetos e ideias e pessoas, etc. e tal.
Então, a língua é uma relação artificial
das coisas. A palavra L é uma palavra
que alguém inventou em algum momento.
Todas as palavras que a gente usa são
alguém inventou em algum momento,
entende?
Então, eh, as palavras não são pagãs em
si e nem sacras em si.
Elas vão ser pagãs ou sacras, dependendo
eh
de como eu tô me referindo a elas,
entende? Então, isso vai acontecer na
Bíblia. Inclusive outras palavras, a
própria palavra Baal, que é uma palavra
que se refere diretamente a uma
divindade pagã, na própria Bíblia,
inclusive, eh, ela na no hebraico
bíblico é a palavra para marido, palavra
Baal,
[limpando a garganta] porque também tá
ligado a uma ideia de do antigo semita
que o marido também era o senhor e a
ideia de senhorio tá relacionado a essa
divindade, o Baal e tal. Então tem uma
relação que chegou até lá, porque o
hebraico, que é a nossa língua sacra, é
uma língua semita que deriva de outras
línguas pagãs do antigo Oriente Médio,
entende? Então essa tentativa da gente
achar a sacralidade pura nas coisas, ela
não existe. Quem vê a realidade através
de conexões
naturais com entidades pagãs é o próprio
paganismo.
Então para o paganismo,
quando você chega no dia 25 de dezembro,
aquele é o dia de Mitra. Não importa o
que você faça, existe uma eh eh ele tá
misticamente relacionado à mitra e
ninguém pode desrelacionar.
Eu cristão posso falar: "Dane-se o que
que os pagãos falam sobre o dia 25 de
dezembro". Eu eu para mim dia 25 de
dezembro é um dia que eu é um dia
dedicado a Deus. É o dia que eu lembro
do nascimento de Jesus. Eu sequestro
esse significado do Mitra e falo: "Isso
daqui não pertence mais a você. Isso
aqui agora é uma data santa para mim e
eu vou comemorar uma um um o a divindade
sagrada da Bíblia nessa data. Eh,
Deus não tem preocupação com isso,
porque o dia 25 de dezembro não é um dia
pagão, é um dia só.
inclus eh eh eh inclusive o próprio
sábado, que é um dia santo, ele pode ser
profanado. Eh o o o
mandamento dentro do contexto bíblico é
para você santificar o dia, porque Deus
atribuiu um significado a ele. Mas o dia
em si, eh esse momento em que a a Terra
dá um um uma volta em si mesma, não
acontece nada em especial do ponto de
vista astronômico.
A santidade do sábado é associado ao
evento astronômico,
entende? A santidade na Bíblia é uma
atribuição que se dá. A única coisa que
é intrinsecamente santa é o próprio
Deus.
Eh, e a partir disso, eh, a gente a
gente deriva as santidades. Então, como
Deus ele é intrinsecamente santo, quando
ele tá no meio do povo, aquele povo é
considerado santo, né? Eh, mas aquele
povo pode agir como se não fosse santo.
Eles não se tornam inclusive super
poderosos porque Deus está lá no meio.
Eles cometem erro o tempo todo. Então
essa santidade é atribuída a eles porque
ela ele é o é porque eles estão
colocados em relação a Deus, entende?
Então, o que que eu quero dizer com tudo
isso? Com toda essa essa essa divagação
sobre simbolismo e santidade?
Eh, quando Paulo vai falar sobre a carne
oferecida aos ídolos, ele vai falar:
"Olha, quando você vai comer uma, isso
tá lá em Primeiro Coríntios, capítulo 8,
quando você vai comer uma carne que foi
oferecida a ídolos, eh, come sem
perguntar para ninguém.
Pergunta para ninguém, só come. Se
alguém falar para você, ô, ô, deixa eu
te avisar, eu sei que você é cristão,
essa carne aqui foi oferecido para um
para um para um ídolo pagão. Aí, que que
você faz? Ah, tá. Puxa, que pena. Então,
não vou comer. Mas não é por por causa
de você ou por causa da carne em si. E
Paulo ainda justifica que ele fala,
porque a gente sabe que os deuses nem
existem, só existe um deus só. Não faz
diferença paraa carne ou para você se
ela foi oferecida para um um ídolo
pagão, eh, porque todos os alimentos são
de Deus. Paulo vai fazer essa
argumentação. Então, a ideia de uma
associação mística a uma entidade pagã,
ela é uma ideia própria do paganismo. Na
Bíblia, essas essas associações elas são
artificiais, entende? Entendeu eu quero
chegar com isso? Então você ficar
olhando pro Natal ou ficar falando:
"Não, essa é uma data pagã, a gente não
pode comemorar o nosso de Jesus". Isso é
um pensamento pagão. Achar que esse dia
tem uma energia especial mística pagã
impregnada nele, entende? Eh, pra
Bíblia, as associações são feitas e
desfeitas assim, sem nenhum sem nenhuma
eh sem nenhum pudor. Eh, você eh eh o o
o sumo sacerdote é dedicado a Deus,
santidade ao Senhor, a tiara que tá na
na na cabeça dele. Então, ele é uma
pessoa santa. Aí ele vai e comete uma
coisa terrível, uma atrocidade, ele
morre e pronto, como qualquer um. Então,
a santidade,
o que tá em relação a Deus, pode ser
feito ou desfeito, porque tem muito mais
a ver com o coração humano do que com
energias místicas que estão ao redor da
gente em si, entende? Esse é um conceito
que é difícil,
eh, é difícil explicar ele, é difícil
entender ele e é difícil colocar ele em
prática. E muito cristão olha o mundo de
um ponto de vista místico, pagão, que é
aquela ideia de você deixar a Bíblia eh
aberta no Salmo 91 na sua casa para ela
santificar o ambiente. Não vai
santificar o ambiente, porque a Bíblia é
só um monte de papel com tinta. O que é
sagrado na Bíblia não é aquele livro. O
que é sagrado na Bíblia é a ideia que
aqueles símbolos se referem quando
colocadas em prática.
Isso é a santidade, não é o livro em si,
entende? Eh,
entendendo tudo isso,
quando a gente se refere a à música,
acontece a mesma coisa. Não existe um um
um ritmo musical que é intrinsecamente
pagão. Pode existir um um ritmo musical
que a gente não consiga dissociar do
paganismo. E aí talvez não vale a pena a
gente usar ele dentro de um contexto eh
para Deus,
mas nenhum ritmo musical é
intrinsecamente pagão. Se a gente não
consegue dissociar um ritmo do
paganismo, e o problema tá na nossa
cabeça, entende? Eh, não existe um um
ritmo musical intrinsecamente santo
também.
Uma coisa que foi dedicada a Deus por
muito tempo, pode ser usado para uma
coisa que não tem nada a ver com Deus.
Ou você pode usar aquilo que é tão
santo, sagrado e você falar de uma forma
tão esvaziada e mecânica que não tem
significado nenhum, não quer dizer nada.
Não tem nada de santo naquilo, entende?
Então, eh, na Bíblia
o os valores das coisas não tão em
energias místicas. Na Bíblia, os valores
das coisas estão na na intenção. Não é à
toa que Deus cria o mundo através da
palavra. A palavra é importante porque
ela tem uma intenção, ela tem um
significado. É o significado que
importa, né? É o significado que você dá
que importa, né? Eh, e não e não há um
significado
atribuído que que fica impregnado na
matéria, entende? Então, esse é um
conceito bizarro, difícil, difícil de
explicar. Eh, mas eu espero que faça
sentido para vocês, eh, porque acho que
isso talvez seja o mais importante pra
gente entender, não só em relação à
música, mas em relação a muitas coisas
que tão relacionadas a à igreja
pra gente, né? e Bíblia em geral.
Essa é umas é uma das diferenças
fundamentais entre o pensamento bíblico
e o pensamento pagão, né? A ideia de que
eh quando eu vejo uma tempestade
dentro do pensamento pagão, aquela
tempestade é uma personificação de um
Deus. É Zeus que tá jogando os raios lá
para cima. ou o Baal, que também era um
deus da tempestade, ou o Thor, que era
um deus da tempestade. Você relaciona o
mundo com os deuses e isso é
indissociável.
Na religião bíblica, o que que é uma
tempestade? Não é nada, é só uma
tempestade. É um fenômeno natural, não
quer dizer nada. Deus pode se manifestar
na tempestade, pode,
mas pode não ter nada também. Isso é só
uma tempestade, né? Eh, a Bíblia tem uma
capacidade de esvaziar
e preencher coisas eh de uma forma que o
paganismo não consegue. O paganismo é é
um é um é um é um sistema fechado de
símbolos que você não consegue quebrar
ele, né? os símbolos, a associação entre
os símbolos e as coisas em si são eh
indissociáveis, depende dos deuses. Na
Bíblia não. Na Bíblia não. Eh, o que
pode ser sagrado em um contexto
pode não ter valor nenhum em outro
contexto. Depende do que que tá sendo
feito com aquilo.
Depende da intenção, depende do que que
tá dentro do coração, a gente pode
dizer, né? Eh, para usar uma linguagem
que é bíblica, inclusive.
Deixa eu ver o que que vocês estão
achando. Eu vou pular umas mensagens
aqui, gente, só para eu ver se faz que
eu tô falando aqui faz algum sentido
para vocês. Eh,
eh,
hoje teve muita mensagem, gente. Até me
perdi um pouco aqui.
[limpando a garganta]
Ã,
eu vou aqui para para uma mensagem do
Kelvin mais paraa frente aqui.
Essa lógica de que algo só possui pureza
se nasceu puro e foi puro sempre. Quando
se aplicar essas coisas da cultura já
causam essas controvérsias. É.
É, é isso que a gente tá falando, a
pureza em si, eh,
não é assim, né? A gente vive num mundo
que já é impuro por si próprio, né? Eh,
o Eduardo vai comentar aqui do negócio
da lei de carga. Eu, Antônio, você
acredita ser o novo culto abal, como
muitos dizem? É o que parece dentro
dessa dúvida nos seus estudos desde o
Antigo Testamento. Eu Antônio
perguntando aqui sobre a lei de Gaga.
Mas deixa eu ler isso daqui que acho que
tem a ver. Nesse exemplo da lei de Gaga
que você eh nesse eh exemplo de lei de
Gaga, você acredita ser o novo culto
abaal, como muitos dizem? E é o que
parece? Dentro dessa dúvida nos seus
estudos desde o Antigo Testamento. Olha,
eu acredito que [limpando a garganta]
esses ícones pops podem sim ser um novo
culto a Baal ou a Dagon ou a
entidades, né? Eu não acho que é à toa
que eh a sociedade chama essas
celebridades de ídolos. Eu não acho que
é à toa,
porque existe um elemento cultual
relacionado à forma como as pessoas se
relacionam com as celebridades que elas
admiram, eh, que passa muito dos limites
de uma coisa razoável do ponto de vista
de uma perspectiva bíblica, sabe?
E o pior, isso acontece inclusive com
ídolos gospel. A a expressão ídolo
gospel é a expressão mais mais
eh incoerente [limpando a garganta] que
existe, né?
Eh, então eu acho que sim, isso pode
acontecer. As pessoas podem elevar um
ator de um filme a um patamar de
idolatria no sentido bíblico mesmo, de
você cultuar aquela pessoa. Isso
acontece. Isso a gente vê acontecendo,
principalmente com adolescente, que às
vezes não tem até noção do do ridículo
de algumas coisas, né?
Então, eh, eu acho que isso pode
acontecer não necessariamente,
não necessariamente,
porque eu acho que isso depende de
pessoa para pessoa, mas eu acho que isso
acontece e existe um estímulo da
sociedade para as coisas acontecerem com
essa conotação. Eu acredito que sim.
Eh, então eu sou eu sou um tipo de
pessoa que eu sou muito crítico ao tipo
de de idolatria que as pessoas têm eh do
consumo dos ídolos da das figuras
artísticas que elas admiram. Eu acho que
passa muito dos limites que é que é
razoável dentro de um ponto de vista de
uma religiosidade bíblica. Muito, muito,
né? Eh, eu tenho várias pessoas que eu
admiro demais musicalmente,
né? Mas eh
para mim não faz nenhum sentido chamar
chamar de ídolo, ficar nervoso quando vê
desmaiar, esse tipo de coisa. Isso ah
isso é é uma coisa bizarra. Isso é isso
é paganismo. Sim, no meu ponto de vista.
Eh,
tem um um aspecto de adoração, de
adoração no sentido bíblico, no sentido
religioso.
Muitos temas na Bíblia são perdulares e
essas lacunas nos colocam numa numa
posição de dependência de Deus. Diz aqui
o o o Frank de Godói. Eu acho que vou
falar umaia bem grande. O funk não é
consumido pela letra sexualizada, mas e
o livro dos Cânticos dos Cânos poderia
ter um funk para fortalecer o casamento?
Olha, João, depende muito do contexto e
da conotação que as pessoas dão pras
coisas, viu? Eu não acho que o livro de
Cantares, apesar de ser um poema
erótico,
mas é um a ideia de poema erótico com
uma conotação diferente do que as letras
de funk tem, entende? Eh,
apesar do livro de Cantares também fazer
uma descrição do corpo feminino,
pelo que eu entendo, ele faz isso com
uma conotação diferente, uma descrição
erótica de do corpo feminino. Ele faz
isso com uma conotação diferente do que
letras de música, principalmente do
funk, faz com o corpo feminino,
colocando um um valor na figura
feminina, né, em relação à pessoa que tá
cantando muito diferente, né, o do
significado dessa figura feminina de uma
forma muito diferente, né? Então, eh, eu
acho que a conotação é muito diferente,
apesar de de terem relações, são
conotações bem diferentes na no meu
entendimento aqui.
Eh, o falou: "Eu acho bem problemático a
ideia de dar uma ontologia de
essencialmente uma para alguma coisa
pela sua origem." Por exemplo, primeiro
instrumento musical feito por um pagão.
Logo, ele se torno, carregado de
maldição hoje e sempre. Eh, é exato,
Aid. Exato, exatamente, né, Kin? Sim,
Aid, eu concordo exatamente com essa
visão. Exatamente. Ponto de contradição.
Para todos que usam esse argumento de
pureza instrumentos, ironicamente, a
própria Bíblia mostra que a origem de
muitos instrumentos vem de origem
pecaminosa.
Ela seria o Deus sem nome? O Antônio
pergunta, não exatamente, el seria uma
palavra genérica para se referir a Deus,
mas que também em uma em uma cultura
específica era um nome de um de uma
divindade, entende? Vamos dizer assim, é
como se a palavra Deus fosse o nome de
um Deus em uma cultura específica, mas a
gente usa ela para se referir ao Deus da
Bíblia. Então é confuso essas coisas,
mas é mais ou menos isso.
E as pessoas não percebem que, como Ron
mencionou, essas pesos, medidas são mais
frutos e chaves culturais do que
bíblicas. É exato, Kelvin. O intelectos
coloca aqui na Bíblia, assimilação e
adaptação cultural é muito mais comum do
que as pessoas geralmente supõem. Exato.
É, é, eh, tem muitas coisas na Bíblia
que, se a gente for ver culturalmente, a
origem é pagã, mas na Bíblia não tem
essa, eh, não é levado desse jeito.
Então, por exemplo, até os nomes dos
meses na Bíblia, eh, os o mês de Avive,
o mês de Nissan, eh, são meses que
dentro de outras culturas do antigo
Oriente Médio, que são até mais antigas,
tão relacionados a cultos, a deuses,
mas a Bíblia esvazia ela desse
significado, né? Eh, então
exemplos que são bem claros na Bíblia,
por exemplo, eh,
nas culturas pagãs do Antigo Oriente
Médio, os nomes dos elementos naturais
eram nomes de deuses. Então, a palavra
sol não era desprovida de de esvaziada
de significado cultual, digamos assim,
como é pra gente hoje, né? A palavra sol
era o nome de uma entidade pagã, palavra
shemesch, eh, lá no antigo Oriente
Médio, né? Ou até na Grécia, Hélios é um
é um é um é um deus, né? Ou R pros pro
pros egípcios é um deus também. Então
assim, era um deus. Quando a Bíblia usa
a expressão Shem, ela não se refere ao
deus, ela se refere só à entidade, eh,
só a ao fenômeno natural.
Isso acontece de uma forma interessante,
porque em Gênesis, eh, quando ele tá
descrevendo a criação, o texto bíblico
evita usar esses nomes.
Parece que até intencionalmente. Então,
por exemplo, quando ele vai falar da da
do criação do Sol e da Lua, Shem e e
Yareer, se eu não me engano, são nomes
que têm uma relação cultural forte com o
paganismo, porque são nomes que as
pessoas em volta usavam para se referir
a deuses. Aí a Bíblia fala lá em
Gênesis, quando ele vai falar da criação
do sol e da lua vai falar: "Ah, é um
luminar maior e um luminar menor." Não
usa as palavras que são normais para sol
e paraa lua. Porque eles, a Bíblia tá
falando que eu tô fazendo questão de me
referir a um fenômeno natural e não a
deuses.
Eh, o parece que o autor do do da desse
texto da criação fez isso
intencionalmente, cuidadosamente,
para esvaziar de significados pagãos
substantivos comuns que tinham na língua
hebraica, né? Embora isso vai, essas
palavras vão aparecer em obviamente em
outros contextos bíblicos e tal, mas
você vê que a impressão que dá é que a
Bíblia tá consciente dessa associação,
mas ela tá fazendo um esforço de
esvaziar essa associação, né, no texto
bíblico. Isso eu acho bem interessante,
né? Eh, então essas adaptações culturais
e tal e assimilações aqui que o
Intelectos Podcast tá colocando aqui,
eh, acontecem o tempo todo na Bíblia
mesmo, né?
Aí o Antônio coloca: "Mas Deus não seria
o criador de Lúcifer, nesse caso,
pai de Baal".
Eh, não, não. Aí que tá. O que eu tô
dizendo, Antônio, é que a palavra L,
quando é usada na Bíblia não tá se
referindo à entidade pagando os
cananeus. Ela tá só se referindo à
palavra Deus de forma genérica, que é o
Deus da Bíblia. É um outro Deus. A
Bíblia nunca faz associação entre o Deus
bíblico e a entidade cananeia,
embora a palavra seja usada, porque é a
palavra que significa Deus em hebraico,
né?
É igual a ideia de escândalo que o Roney
comentou num dos últimos vídeos. Os
ídolos nada são eh, então não é sobre o
batuque em si.
É, é.
Cados é uma propriedade, o o vai colocar
o Kadosch é uma propriedade de Deus que
é comunidade comunicada por sua vontade.
Então, separar, dizer que algo é santo,
mas que Deus não santificou de fato,
seria usurpar uma autoridade divina.
Eh,
é uma boa pergunta, viu, Ed? Eu não sei
porque
eu acho que eu não consigo lembrar de um
exemplo bíblico em que algo é chamado
santo que já não esteja associado a
Deus,
né? Mas de qualquer forma, a ideia de
que a santidade é uma atribuição,
né? A a
santidade da Bíblia não traz
propriedades mágicas para as coisas,
embora Deus possa se relacionar com as
coisas de forma diferente quando elas
são consagradas.
Por exemplo, a arca da aliança. Que que
era a arca da aliança? Era uma caixa
feita de madeira de acás coberta de
ouro. Só isso.
Ao mesmo tempo lá não é só isso,
porque como ela foi consagrada, Deus
entende aquele objeto de uma forma
diferente. Então ele se torna sagrado.
Então quando alguém trata a arca que era
só uma caixa de madeira, como se fosse
só uma caixa de madeira, isso é
considerado uma ofensa ao próprio Deus.
Entende? Esse é o negócio da da
santidade que é difícil. é atribuído,
mas o fato de ser atribuído e não ser
uma parte da essência natural da coisa
não significa que essa atribuição ela
pode ser descartada,
porque eh não é o problema uma coisa ser
profana, no sentido de que profano é
aquilo que não é sagrado. Então profano
é o que é comum. Então, né, sei lá, esse
celular aqui é um celular profano. Por
quê? Porque é um celular comum, não é um
celular sagrado, profano. Então, nós
vivemos num na esfera do profano,
digamos assim, né? Eu vivo numa casa
profana, com microfone profano e tal.
Eh, embora
tem uma relação com santidade que é um
pouco mais complexa, que eu já falo, eh,
então assim, nós nos relacionando com o
profano, quando algo é consagrado a Deus
e se torna algo sagrado,
eh,
o profano não é o problema, mas o o ato
de profanar é o problema. Quando eu
trato aquilo que é sagrado, como se ele
não fosse especial, como se ele não
fosse consagrado, aí eu tô fazendo uma
ofensa ao Deus, a santidade de Deus, né?
Eu tô eh é uma ofensa, uma santidade que
foi atribuída à aquilo, aquele objeto ou
aquela pessoa ou aquele lugar. Então,
aí que tem aí que a as coisas se tornam
complexas, né? Uma mesa comum é uma mesa
profana e ela não tem um problema, ela
não tem, ela não é ruim, ela só é
normal.
Agora, uma mesa sagrada, ela é uma mesa
sagrada, ela não pode ser usada de uma
forma normal. Se você tratar ela como
uma mesa comum, você tá fazendo uma
ofensa à santidade de Deus, né? E aí o
que é complexo na santidade é que uma
coisa pode ser sagrada e profana ao
mesmo tempo, dependendo
dependendo da da conotação, dependendo
de, digamos assim,
pensa no acampamento israelite, né? Eh,
existem círculos concêntricos de
santidade no no acampamento sailita.
Então, o acampamento sailita é um
acampamento comum, normal, mas ao mesmo
tempo ele é um acampamento sagrado,
porque o povo é santo, beleza? Então é
um é sagrado. Ele é sagrado, mas ao
mesmo tempo o centro do acampamento é
mais sagrado,
porque é ali onde estão as tribos de eh
as tribos a a tribo de Levi, as famílias
de Arão e o santuário.
Mas aquele centro, a construção que tá
bem no centro, que seria a a a tenda do
santuário, é mais sagrado ainda.
E dentro daquele santuário, é, você tem
o pátio e e uma tenda dentro daquele
santuário, entendo, a tenda é mais
sagrada ainda. E dentro daquela tenda,
você tem uma parte sagrada e tem uma
parte sagradíssima, santíssima. Então, a
santidade ela ela é meio que relativa
também ao mesmo tempo, porque ao mesmo
tempo que eh esse conceito é bíblico,
todos os que eh todos os que aceitam a
Deus se tornam santos. Todos nós somos
santos.
Ao mesmo tempo, nós podemos falar que
também ao mesmo tempo somos pessoas
comuns. Então, por exemplo, no povo de
Israel, eh, quem eram os santos do povo
de Israel? eram sacerdotes. Então, ao
mesmo tempo que todo o povo era também
santo,
mas
existe um um relativo de santidade,
porque em relação à sacralidade do
sacerdote, uma pessoa que não era
sacerdote não era uma pessoa santa,
entende? Então, o conceito de santidade
é um conceito meio estranho, ele é um
pouco relativo também, eh porque tem
coisas que podem ser mais sagradas e
menos sagradas de acordo com a posição
que elas estão em relação a Deus, né?
Então, eh, alguma, de certa forma, a
gente pode falar também que nada é
completamente profano no mundo.
Porque se a gente pegar textos como por
exemplo, Isaías 6, a glória de Deus
enche toda a terra. Então, de certa
forma, tudo é meio sagrado, tudo é meio
e Deus tá em todos os lugares. Então,
todos os lugares tem um aspecto de
sacralidade, entende? Então, eh, o
conceito de sacralidade não é um
conceito muito cartesiano na Bíblia, não
é um, não é uma coisa 2 mais do assim,
sabe? Ele é um conceito meio fluido
e difícil de entender, né? Então, tá
vendo? Essas coisas são complexas e os
textos bíblicos, quando a gente olha
para eles, eles parecem contraditórios
porque são de certa forma mesmo. Eh,
porque o conceito ele é fluido, ele não
é ele não é um monolítico em todo o todo
lugar, né? Ele aparece dessas formas no
texto bíblico, né? Então, inclusive esse
argumento é usado quando tem a a revolta
de, se eu não me engano, de de Coré, da
Tabirã, né? Eles vão usar essa essa esse
argumento. Falou: "Não, pera aí, como é
que que o o o Arão tá falando que é
santo, sendo que todo o povo de Israel é
santo?" E é verdade. Tá lá em Levítico
19, fala, né? Vocês são na ação de
sacerdotes, povo santo. Então, como os
sacerdotes se acham sacerdotes em cima
da gente? É verdade, todos são santos,
mas você tem sacerdote. Todo povo é
sacerdote, mas entre esse povo de
sacerdotes, você tem sacerdotes que são
especialmente dedicados a Deus, né?
Então vocês vem como o assunto não é
simples,
não é simples.
Eh,
o Intelectos coloca aqui, a Bíblia não é
animista. Essa é a síntese. Exatamente.
Intelectos. Exatamente. Eh, não existe
um um uma uma
entidade eh uma entidade divina na
natureza das coisas. Eh, a Deus é
essencialmente diferente da natureza
dentro do ponto de vista bíblico. Isso
faz muita diferença, porque no paganismo
não, a natureza e os deuses se misturam,
não tem limites claros. Na Bíblia não.
Deus é Deus, a natureza é a natureza e o
ser humano é o ser humano. São existem
limites entre essas entidades que que no
paganismo se misturam muito, né?
Eh, que seria mais ou menos a ideia de
animismo, né? Da da da eh da conotação
divina em todas as coisas, em todas as
vidas, em todos os objetos, né? Eh, e
não é assim no texto bíblico, não é
assim.
O pior é ver muitos cristãos sem
instrução, obviamente dizer que Jesus é
o ídolo deles. São coisas opostas, sem
nenhuma relação. Exatamente. Tem nada a
ver uma coisa com outra. Eh, ídolo é uma
coisa, as pessoas usam a eh, já viu
aquele meme na internet que o cara olha
e fala: "Eu não acho que que essa
palavra que você tá usando tem esse
significado que você acha que ele tem."
Não tem, né? As pessoas usam palavras
com significados que elas inventam, né?
Basicamente, a natureza é um Deus para
os pagãos, mas na Bíblia a natureza é
uma criatura ou criação de Deus. Se
adora o Deus da natureza, não a natureza
como um Deus. Isso, exatamente, né?
Gênesis é um texto polêmico. Quer ver
treta, leia a Bíblia.
Nos idiomas indígenas, o sol é é qua
quarazi e a lua é lazi. Não são deuses,
são criações de Tupã e U. Ah, que legal.
Interessante. Lembra do episódio em que
Israel surgem dois locais de adoração?
Eh, neste caso de usurpar o papel do
santificador de Deus. Isso é exatamente
ele.
Por isso Deus mandou escrever na Bíblia
em texto dentro do contexto cada nome
pagão. Não é explicado a realidade
daquele nome dentro de um contexto. Não
adorem o sol shamesh. Eh, Deuteronômio
4:19, né? João chama Jesus de logos, mas
o texto vai dizer o significado que
aquela palavra tem para Deus.
significado que a palavra tem para Deus.
Não sei se eu entendi, João, essa sua
última,
esse último comentário. Gente, eu vou
ter que de novo mudar o o o título da
live, que eu fiz um bait aqui, as
pessoas vieram para ver um tema e a
gente acabou não falando sobre ele. Já
tá tarde, amanhã eu preciso acordar
cedo, tem coisas para fazer amanhã e
tal. Então,
eh, ficamos paraa próxima pra gente
falar mais sobre inferno e outras coisas
polêmicas, tá bom? Então, fiquem à
vontade para vocês darem sugestões aí
durante a semana, fazer qualquer
comentário nos vídeos, pode ser nesse
vídeo mesmo, eh, quando ele tiver
postado como vídeo, né? Não, só o
comentário aqui do chat, que aí fica
mais fácil de eu ver durante a semana.
Então, se vocês tiverem alguma sugestão
de algum tema ou de alguma ideia que
vocês queiram conversar, a gente fala
sobre elas, tá bom? Só lei esses últimos
comentários aqui doid. A voz de novo, a
voz falou de novo com ele. Não chame de
impuro aquilo que Deus purificou. Isso
aconteceu três vezes. Nesse caso, Deus
santificou toda a humanidade, no caso,
né?
Eh,
aí, Aid,
existe uma relação um pouco mais
complicada entre pureza e impureza.
Pureza e impureza não é exatamente a
mesma coisa que santidade e santo e
profano.
Eh, existe uma certa relação. Eh, tudo o
que é santo
sempre é puro, nunca é nunca é impuro.
Mas, eh, às vezes o que é profano pode
ser puro ou impuro, entende?
Eh, então, pureza e impureza tem uma
relação com santidade,
mas não é o mesmo conceito.
Então, tem uma relação, o que é santo é
sempre puro, eh, mas o que não é santo
pode ser puro ou impuro. Eh, então tem
tem uma relação aí. Eh, o conceito de
pureza e impureza é um conceito próprio
bíblico que a gente pode falar em um
outro momento também, né? tem essa
relação com a santidade, mas não é a
mesma coisa, não, não é exatamente a
mesma coisa.
Então, houve houve então uma mudança nos
círculos concêntricos de santidade. Eh,
não nesse caso específico, mas esses
círculos eles estão sempre em movimento.
A gente pode dizer assim, a gente pode
dizer assim, inclusive a gente pode
pensar em todo aquele que
nasce pro reino de Deus, que aceita a
palavra de Deus, se torna santo naquele
momento.
Se torn santo. Paulo quando escreve as
cartas pros paraas igrejas,
eh, eu acho sempre esse exemplo
engraçado, na que ele escreve assim:
"Aos santos da igreja tal",
né? Aí você pensa, nossa, eles são
santos, então eles nunca erram, né? Eles
são perfeitos. A os santos da igreja
tal, né? Que absurdo. Olha como vocês
fazem as coisas tudo errado. Vocês têm
que crescer, parar de de ser criança e
se tornar adulto. Olha só como vocês
permitem que aconteça isso na comunidade
de vocês. Vocês se confundem o tempo
todo. Tipo, eh, eles são santos porque
agora eles estão em relação a Deus. Eh,
não quer dizer que eles se tornaram
perfeitos, né? Eh, mas todo aquele que
que aceita Deus se torna santo, por mais
que ele continue fazendo um monte de
coisa errada muitas vezes e tem toda
aquela caminhada cristã, aquele
processo, eh, a gente vai chamar de
santificação,
eh, o processo de santificação acontece
depois que a pessoa já se tornou santa,
vamos dizer assim. a gente vai
melhorando, a gente vai se tornando mais
parecido com o caráter de Cristo.
Depois, no momento que a gente aceita
a o sacrifício de Cristo, aceita um
relacionamento com Deus e a partir desse
momento a gente já é considerado santo,
porque a gente tá em relação a ele,
entende? Então, sendo santos, a gente tá
numa numa caminhada de nos tornarmos
melhores. Então, tem santos melhores e
santos piores, digamos assim, dentro
desse ponto de vista bíblico do conceito
de santidade.
O bom é que são temas infinitos, sempre
vai deixando pra próxima. É, Kelvin. É,
de tema a gente não vai, de falta de
tema a gente não vai sofrer.
Mas valeu, gente. Obrigado aí a todos
que tiveram aí. Boa noite para todo
mundo aí. Carlos sempre aparece
primeiro, né? O Wade também tá sempre
aí. Hoje eu vi também o quem é que
comentou aqui? Fazia tempo que eu não
via ele comentando. Eu não sei se ele tá
sempre aí. Eh, o,
eu não li todos os comentários hoje,
viu, gente? Foi bastante comentário,
vocês me desculpem. O Oziel, Oziel, que
sempre aparecia. Eh,
tá sempre ali com o começo da gente. O
João também, o Intelectos que apareceu
aí, sujeito que eu gosto de acompanhar
ele também. Legal, bacana.
Mas é isso, gente. Uma boa noite para
vocês. Eh, um bom sábado aí, bom
descanso para vocês e a gente se fala no
próximo. Semana que vem é feriadão. É
verdade, semana que vem já é o feriado,
então não vamos ter semana que vem, viu?
Eu não vou estar aqui, eh, e não vou
conseguir entrar em live semana que vem.
Então, eh, não será na na semana que
vem.
Nossa live será na outra semana, depois
do feriado. Tá bom, gente?
Valeu, abraço para vocês todos. Obrigado
por estarem aí, pela conversa que é
sempre boa
e até a próxima. Então, tchau. Ja.

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