Música, igreja e espiritualidade e santidade – Davar Live – 02/10
03/10/2026
Música, igreja e espiritualidade e santidade – Davar Live – 02/10
Fonte: Davar – Religião e Opinião
Legendas automáticas:
E aí, como é que tá, gente? Tudo bom? Boa noite. Bem-vindos aí pela para mais uma live. Eu já vou começar me explicando aqui. Semana passada eu não tava bem, passei mal ainda, nem tô tão bem assim, mas já tá mil vezes melhor do que semana passada. Então eu precisei eh fazer uma consulta online com médico e tal, uma virose aí qualquer, mas já tá já tá muito melhor já. Minha minha voz até tá boa já também. Então tá, gente, tá tudo certo. Boa noite aí pro Carlos, eh, que já tá por aí, né? Bom, vocês devem ter visto aí no no título, né? A gente pegou, peguei alguns temas aí que a gente tinha conversado na última live que a gente teve, eh, falar um pouco sobre o inferno em si, a ideia de inferno, falar um pouco sobre a ideia de música, música para quem é religioso, música dentro da igreja, música como entretenimento. Eh, essas duas ideias são, esses dois temas são temas que assim aparecem bastante dentro do eh, dentro da minha igreja e tal e com uma com uma pegada muito doutrinária. Vocês sabem que não é muito o jeito que eu gosto de abordar as coisas aqui, apesar de inevitavelmente a gente ter que tocar em questões que são mais assim doutrina, mas [limpando a garganta] vocês sabem aqui a gente gosta de tentar refletir sobre o assunto de forma mais geral, partindo de um ponto de vista bíblico. Boa noite aí para Elane. [tosse] [limpando a garganta] Então é isso, gente. Vamos lá. Eh, como não tive não tivemos live semana passada, não tenho aí comentários da do canal pra gente poder começar falando sobre eles. Eh, eu ia falar sobre um texto bíblico, mas eu vou deixar para depois, que é um texto que eu comecei a dar uma olhada e eu acho que ele dá para falar melhor sobre ele em outro momento, que aí a gente consegue falar só sobre ele. Não vai ser só uma introduçãozinha, então, tá? Eh, eu queria começar falando então um pouco sobre música e de vai depois a gente vai pro outro assunto que é o inferno. O Rodrigo Franca caiu como luva esse tema inferno. O Carlos, podemos diferenciar ades, Cheol, Geena. Exato, Carlos. É isso mesmo, né? Eh, a gente vai falar sobre isso e a gente vai falar daqui a pouquinho sobre o inferno. E eu acho que é legal a gente falar principalmente sobre como as ideias são construídas dentro das tradições que são derivadas da Bíblia. Eh, tradições bíblicas, não tradições derivadas da Bíblia não necessariamente tem os mesmos conceitos do que a própria Bíblia em si, entende? Eh, a gente vai falar um pouco sobre isso. Música tem a ver com isso. Música tem a ver com isso. Que que é interessante, né? Música [limpando a garganta] faz parte do da expressão religiosa na Bíblia desde muito cedo. A gente tem eh música e poesia na Bíblia meio que se misturam. É muito difícil saber onde começa uma coisa e termina outra. Eh, várias vários salmos que a gente conhece só como poesia, tem notações musicais, falam: "Ah, salmo para ser feito eh sobre o o instrumento de 10 cordas, tem aquela pausa musical, né, que selar, né, que aparece no meio de alguns salmos. Ninguém sabe exatamente o que que quer dizer esse selar, mas provavelmente algum alguma mudança de ritmo, alguma coisa assim que tem a ver com uma indicação musical. Então, tudo que a gente muita muito da que a gente conhece como poesia, como literatura na na Bíblia, as pessoas da época conheciam como música, né? Talvez para elas fosse estranho a gente meditar sobre a letra da música sem conhecer a música, eh, que para ela devia ser uma coisa muito mais viva, né? Bom, música é um é uma atividade humana que acontece em diversos contextos diferentes e com finalidades diferentes, né? Um pouco da da música, eh, da semântica musical. Tem até algo meio de biológico nela, né? A gente eh quando a gente vai falar com uma criança ou com um cachorrinho, a gente costuma falar agudo, faz uma vozinha de criança, né? Eh, e quando a gente vai intimidar alguém, a gente usa uma voz grave. E isso tem a ver com uma coisa biológica, física no mundo, que eh o que faz o som grave são objetos grandes que estão vibrando e objetos menores fazem sons mais agudos. O que vai refletir em uma intuição assim bem lógica. Você tá no meio do mato e ouvi um barulho tipo: "Uh, uh, uh, uh!", você não fica com medo porque você pressupõe que é um animal pequeno, é um animal que não vai te intimidar, mas se você tá no meio do mato e ouve um, você sai correndo, você acha que tem um bicho imenso, perigoso para você e você corre, né? Então, esse agudo e grave, é claro que isso vai se misturar com eh com texto eh com texto cultural, com eh outras coisas que atravessam dentro da música e tal, mas a gente usa, tô usando só um exemplo, tá gente? Mas a gente pode usar eh os sons mais graves para dar mais peso para algo e os sons mais agudos para dar uma leveza e tal, né? Então assim, a a música ela ela ela tá relacionada com a com o fato de você ser humano, né? O fato de você ser um ser humano, ser um humano. Então, o fato de da gente ser humanos, de nós sermos humanos, já nos coloca de certa forma imersos em um contexto de música. [limpando a garganta][tosse] O Luís Fernando aqui, a sonoplastia tá muito boa. É, vai ter umas tossezinhas no meio aqui também, tá gente? Eh, então, eh, como faz parte da expressividade humana, de certa forma, a música, ela vai aparecer na Bíblia. E a gente tem cânticos do começo ao final do texto bíblico e a gente tem pouquíssimas indicações de como seriam essas músicas ouvindo hoje. Muito provavelmente, música é uma coisa que é muito atravessada por cultura, viu, gente? Muito provavelmente, vamos supor aí que o, sei lá, o Salmo 23 seja, tenha uma música original. Provavelmente se você ouvisse hoje você ia falar, você não ia gostar muito, porque ele ia fazer a música original do Salmo 23 ia fazer parte de um contexto cultural que não é o seu. Provavelmente ia aparecer um pouco música árabe, eh, música ali do Oriente Médio, eh ia ter elementos daquilo, alguns instrumentos são parecidos da época e de hoje e tal. Então, assim como você não fica ouvindo música islâmica do do Oriente Médio, eh, você provavelmente não ia curtir muito as músicas dos salmos. Você tem que estar inserido naquela sociedade para você conseguir apreciar bem aquilo. Embora como eu introduzi aqui, existem elementos que conseguem atravessar algumas barreiras culturais. você consegue perceber a agitação ou camaria de uma música sem você ter necessariamente um pressuposto cultural mediando a sua a sua apreciação daquela música. Então essa primeiro fator que a gente coloca a música, ela é humana e ao mesmo tempo ela é cultural, né? Tá difícil eu evitar aqui alguns jargões da psicologia, mas a gente pode falar que a música até é um elemento biopsicocultural, que é um mantra da psicologia, ou seja, eh tem elementos biológicos que influenciam a ideia de música. Ela tem elementos eh seus, pessoais, da sua história de vida e tem elementos que t a ver com a cultura em que você tá inserido. E é muito difícil, é impossível você dizer até que ponto é uma coisa ou outra que contribui pra sua forma de você perceber uma música, né? Eh, e a gente também vive numa cultura fragmentada. A gente, inclusive, um dos marcadores desses fragmentos culturais é a música. Quando você ouve uma música punk, você já consegue imaginar como essas pessoas se vestem, como elas arrumam o cabelo e o como elas se portam publicamente, né? Então, a a música é um é um bom definidor dessas tribos, né? Isso é interessante. Agora indo paraa música religiosa, o que eu queria trazer pra gente parar para pensar é porque a música religiosa que a gente tem hoje é do jeito que é. Isso para mim acho que é o mais interessante em música. Eu tenho sempre uma sensação, uma sensação estranha de que música, eu vou chamar de música gospel, mas música religiosa hoje não se restringe ou não deveria se restringir a música gospel. Mas vamos dizer assim, gente, jogou um texto brasileiro que a gente tá mais acostumado eh a ouvir quando a gente ouve música religiosa, é entender o tal do gospel, que soa muito como uma música romântica. Se você pega uma música gospel e troca, põe uma letra romântica, ela não vai parecer estranha, parece que faz sentido, né? Inclusive, tem músicas gospel por aí que a própria letra é meio romântica, então você tem que parar para prestar atenção um pouco para saber se a música é é uma música romântica ou uma música religiosa, sabe? Eh, existem essas coisas. Então, assim, eh, tô pensando aqui de forma geral sobre música e se vocês tiverem algum elemento que vocês querem colocar aqui também, fiquem à vontade, né? Eh, né? Só dar um boa noite aqui pro Daniel Algo Verde, o Wade também que tá aí. E a Ilan já colocou aqui, não gosto de música gospel. Eu também não. Eu sou uma pessoa muito religiosa. Eu frequento igreja desde sempre. E bom, para eu introduzindo aqui qual qual é o meu viés nessa história toda, eh eu sou um cara estranho porque eu não gosto de música de igreja, apesar de eu ser um cara que sempre frequentou a igreja. As músicas religiosas que eu costumo ouvir não são músicas religiosas eh compartilhadas pelo contexto de religioso que eu frequento, né? Eu gosto de ouvir música eh música coral à capela com temas sacros que são clássicos tradicionais. Eu gosto de de hacking, eu gosto de de vez em quando aqui eu cito uma ou outra música ou voz omens do Pablo Casal que eu a gente comentou quando a gente tava falando do do livro de Lamentações. Eh, eu gosto desse tipo de música. Provavelmente se eu colocasse aqui para vocês todo mundo ia dormir em 2 minutos. Eh, não é um nicho de música que é muito assim, tem muita gente que gosta, né? Eh, talvez, sei lá, tem mais a ver um, acho que com a cultura europeia, eh, e com uma cultura europeia específica também, né? Não sei. Eh, o Carlos colocou aqui, a música cristã é pela história recente, basicamente Eurocêntric, que acabou sendo o padrão que alguns acreditam ser a música do céu, aquela que nunca ouvimos. Vamos falar sobre isso também. Eh, tu já ouviu o trabalho da Suzane eh Haik Vantoura e sua obra A música da Bíblia revelada? Se sim, o que tu acha? Hum, não conheço, não conheço. Pelo que você tá falando, eu consigo imaginar o que seria uma pelo pelo menos uma ideia assim de uma arqueologia musical, mas uma tentativa de reconstruir como seria a música do período bíblico, seria isso. Eh, bom, o que acontece sobre esse tipo de experiência? Eu acho que pode ser uma uma curiosidade cultural, mas não necessariamente vai ser o tipo de música que você vai apreciar, sabe? Então, por exemplo, eu gosto de de música de música clássica, música de orquestra, música erudita. Então, por exemplo, eu eu gosto de de bar, todo mundo já deve ter ouvido aqui o tal do Jesus, alegria dos obos, né? Eh, aliás, esse nem é um bom exemplo. Talvez um um melhor exemplo seja o Glória do Vivald, eh, que acho que a maioria não deve conhecer, mas o que acontece é, existem montagens, ã, deixa eu desligar aqui o som do celular, existem montagens em que, eh, se fazem se faz a música com instrumentos de época. Então, eh, os violinos não fazem tanta diferença assim, embora normalmente o arco do violino é um arco diferente. Você percebe isso mais nos instrumentos graves, como e baixo. O arco deles é bem diferente, que parece um arco mesmo de arco flash. Eh, os instrumentos de sopro são bem diferentes, principalmente ali os trompetes e tal, eles vão soar de uma forma um pouco diferente. Então isso é uma vibe que tem ali pro pessoal na Europa, porque tem a ver com a cultura europeia, então também é uma forma de você celebrar sua própria cultura. Então eles fazem a música com instrumentos de época. você ouve, fala: "Pô, é interessante". Na minha experiência, pelo menos eu ouço e falo: "Ah, é interessante, mas eu prefiro ouvir com instrumentos atuais". É do jeito que foi feito na época, não, mas não interessa. Eu gosto dessa releitura moderna através de instrumentos modernos da música antiga, música música do século, sei lá, 17, 18. Então, eh, não necessariamente você recriar a música dentro do contexto onde ela foi feita torna ela uma música interessante de ouvir. Muitas vezes não, até porque, como tava falando aqui, muitas vezes esse contexto já foi embora, a gente não pertence a ele, a música não se torna interessante, porque música é cultura. A inserção cultural no no contexto é é imprescindível paraa apreciação musical, né? Ó, é interessante ver como tem bastante gente, principalmente aqui que que frequenta essa live, que eh não gosta muito de gospel, né? Deixa eu só puxar meu microfone um pouco mais para perto aqui. O o Frank comentou aqui que o áudio não tá muito alto, tá um pouco baixo e normalmente eu esqueço de trazer o microfone para perto e faz diferença mesmo. É, então o Carlos, o Fernando Ferreira e o pessoal tá comentando aqui que, pô, não gosto de música gospel, não gosto desse tipo de louvorzão e tal, até porque eh o que se consagrou como música gospel também faz parte de uma cultura religiosa específica e que eu acredito que nem é necessariamente a a cultura de todo mundo que tá aqui, né, todo mundo que é religioso, que participa dessa cultura gospel. né? Eh, é curioso, né? A gente tá falando dessas tribos, eh, tribos musicais, tribos que t marcadores musicais e os e a tribo gospel acaba sendo mais uma delas, né? Você ouve uma música gospel, você consegue imaginar como se veste o tipo de pessoa que ouve essa música, eh, o que que ela pensa, como ela age, né? E assim por diante. Então, você consegue imaginar qual é a pessoa que ouve aquele tipo de música. Eh, o comentando: "Sim, esse associacionismo do estilo musical e gatilhos que podem ser desencadeados em alguns, pode servir de um bom conselho para o que fazerem em ambiente de culto ou não. Um som não vem só com sons, ele vem carregado de imagens e memórias. Isso é eh a ideia de da música tá inserida num contexto musical tem muito a ver com isso, Aid, porque a gente ouve uma música e a gente entende as referências que aquela música tá fazendo, entende? E eu digo isso musicalmente, eh, você pode fazer referências a ideias sem falar naquela ideia, só usando músicas. Então, quando você toca um rock pesado, você faz referência a um estilo de vida, a uma forma de se vestir. Quando você toca um ritmo de funk, você faz referência a uma forma de agir, de se vestir, de falar na a região da cidade que você mora. Tudo isso tá inserido nesse nessa ideia de música. Isso que é interessante, né? Quando você associa a religião, a um estilo de música, você tá dizendo que a religião é para um tipo específico de pessoa e não para todos, entende? Então, já vamos começar por aí. Eh, quando a música gospe, a música religiosa tem uma cara e não tem todas as caras, quer dizer que ela eh aquele público, as pessoas que que compartilham essa cultura que essa música representa, eh, é um eh é um grupo limitado de pessoas, não é qualquer pessoa que entra dentro dessa desse desse lugar. Eh, [limpando a garganta] a Eline até colocou: "Led Zpplin e Pink Floyd me emociona. Não gosto". Não. Arpa cristã é muito bom, poesia pura. Diz aqui o FH Batista. Música erudita, rock e algum pop. Gospel é muito americanizado, diz aqui o Luiz Fernando, né? Muito. Uh. Yeah, yeah. [risadas] O João colocou que gosto muito de Sérgio Lopes. Não conheço, João. Não conheço. Eu particularmente gosto das músicas do Inário, porém não gosto muito das músicas Worship, pois elas me parecem uma imitação barata de bant YouTube CPL. O A tá comentando aqui salmos como que centrado em Deus gostam e muito centrado em mim. É a sensação que o Daniel Algo Verde tem aqui, né? Protestantismo inicialmente trouxe a música na língua falada, não o latim. trouxe o fim da polifonia, trouxe mais letra, tudo visando o canto congregacional. Eh, isso é uma coisa interessante. Eh, Frank, esse é um, vamos falar desse aspecto. Eh, na igreja que eu frequento, a gente tinha uma diferença entre o que tem uma diferença entre o que que é uma seria uma mensagem musical e o que que seria o canto congregacional. E o que é interessante é que eh se dá um espaço muito grande paraa mensagem musical. Eh, enquanto tradicionalmente dentro da da dentro da tradição bíblica, o que a gente chamaria de canto congregacional, ele ele tem muito mais valor para essa ideia de essa ideia de de de uma comunidade religiosa do que uma mensagem musical, do que uma pessoa cantando para várias pessoas apreciarem, sabe? Eh, música dentro de um contexto bíblico, ele é muito mais uma atividade coletiva do que um objeto de consumo, do que você sentar e apreciar uma música. É muito mais você participar de uma música. Então, isso aparece em diversos textos bíblicos, né? Isso desde tipo, eh, o antigo Israel, sei lá, a gente tem o cântico de Moisés, que é o cântico que tem uma pessoa que conduz essa música, mas é o cântico que o canto, o que o povo canta, né, que eh é o canto que Mirian eh pega o pandeiro e conduz as mulheres para cantar e dançar essa música. a gente tem eh no apocalipse a ideia do do cântico onde onde a os salvos participam, eles cantam juntos, né? Existe uma ideia de louvor e que todo mundo participa. Então assim, música é muito mais coletiva dentro do contexto eh bíblico do que uma coisa de eh do que essa ideia de ter um púlpito onde você tem os músicos e você tem uma plateia parada assistindo os músicos. Eu não sei exatamente de quando vem essa ideia dessa separação, mas ela existe hoje muito claramente e nas igrejas é muito interessante ver como isso se separa, a música congregacional e a música de de de louvor, a mensagem musical, não sei como se chamaria nas outras igrejas aí, né? Eu particularmente acho que tem muito mais valor a parte da do da música congregacional. Inclusive, eu sou o tipo de cara que assim, eu gosto de ficar num cantinho na igreja, porque às vezes eu não quero cantar, eu quero só ouvir e não tem problema. Não, não quer dizer que eu não gosto da música. Eh, eu não não gosto de fechar os olhos, levantar as mãos. Eu gosto de ficar no meu cantinho curtindo e isso não quer dizer que eu não gosto da música. Então, assim, eh, é o que é difícil hoje é que, como a gente estava falando, a gente vive uma sociedade muito culturalmente fragmentada. Colocar diversas pessoas dentro de um lugar, fazer todas essas pessoas participarem de uma música, de uma mesma música, é um milagre. É um milagre. Então, eh, é muito difícil você ter essa coesão dentro de um ambiente diverso, como uma igreja, eh, que normalmente é diverso. É diverso no sentido, você tem diversas classes sociais, você tem pessoas que vem de culturas diferentes que estão lá dentro da igreja, tem pessoas que discordam em vários pontos e tal, que tem referências diferentes, só que elas fazem parte da mesma fé e estão naquela igreja. E música acaba sendo um elemento que eh é um é um é um é um catalisador dessa tensão. Então, eh a tensão estoura na música e a música também ajuda a tornar a atenção maior, entende? Eh, tem um uma uma via de mão dupla aí em relação à música. Então, a música acaba sendo um elemento onde todas essas tensões que existem dentro da igreja, elas acabam explodindo. Primeiro, tensões geracionais. A música vai mudando de acordo com as gerações. Tanto que isso é uma coisa interessante. A gente consegue ouvir uma música e imaginar de que época que ela é, né? Eu tenho dificuldade dos anos 90 para cá. Para mim, eu eu acho que dos anos 90 para cá, toda a música, e aqui eu tô me referindo mais à música pop em geral, ficou muito parecida, mas dos anos 90 para trás a gente consegue ouvir a música e perceber, ah, isso aqui tem cara de ano 70, isto aqui tem cara de anos 60. Eh, eu tava ouvindo uma música esses dias, eu vou comentar até dela aqui, que que é uma música da de 1916, a gravação. Eu tava tentando achar a gravação original e tava vendo com com a minha esposa aqui e a gente achou uma gravação, falou: "Não, essa gravação", ela comentou, né? Não tem cara de ser do do de 1916, não. Deve ser dos anos 50. Então, até a qualidade da música, porque a gente adiciona um elemento novo aqui, que é a ideia de ter uma gravação, né? Você ter uma performance musical que ficou registrada e você consegue repetir ela várias vezes, né? E isso não era, obviamente não era uma coisa que existia nos tempos bíblicos. Isso muda a forma como a gente aprecia uma música. Será que, como é que quem tinha falado aqui, acho que a Ilan tinha falado de Led Zeppelin, né? Eh, Led Zeppelin e Pink Floyd. Será que a apreciação que a gente teria de Led Zeplin e Pink Floyd seria a mesma se não existisse uma tecnologia que possibilidar que que possibilita a gente reproduzir uma performance específica, né? Então, se a gente conhecesse a música do Led Zaplin e do Pink Floyd, só por pessoas que cantam hoje sem ter ouvido como que era cantado por eles originalmente, será que ia ser ter o mesmo Isso ia ter mesmo peso? Provavelmente não, né? Provavelmente não. Deixa eu dar uma olhada aqui que tem bastante gente comentando hoje e eu não quero perder os comentários não. Eh, eh, o Luís Fernando, toda a congregação, eh, só erudito na igreja, mas no particular os músculos se reúnem para tocar no improviso. Aí entra um jazz. Ah, é até samba antigo, mas o ministério não gosta muito, não é? Essas tensões acontecem também na adventista, viu Luiz? Eh, sou o tempo que crenteiro ouvia Petra e White Cross, diz o Carlos aqui. Eu nem conheço esses aí, não, Carlos. E música crente roqueiro que que eu conheço é aquela da catedral, né? Os galhos secos de uma árvore qualquer que eu nem curto também, viu? Só para saber. Não conheço muito música de crente de rock cristão que eu que eu curto. Eu não tô falando que não existe bom, mas eu não conheço muitos não. Eh, orquestras da CCB são uma maravilha. Outra outra coisa espetacular são os corais dos Mormons. Sim, concordo. As duas coisas, né? congreg, aliás, quem é da de música, quem já estudou música, sabe que igreja e a congregação é uma igreja que contribui muito para isso. É um lugar assim que impulsiona as pessoas para estudar música. Muita gente que vai depois estudar mais profundamente música veio de igreja, né? Eh, a minha família mesmo, eu tenho dois irmãos que trabalham com música e os dois começaram com música na igreja. Eu dei aula de música em igreja por muitos anos, quando era mais novo. Eh, eu toco flauta transversal, um um pouquinho de de violão e um pouquinho de acordeon. Eh, então eu também sempre tive metido em música. Isso veio por causa da igreja, né? Igreja é um lugar que que contribui com que as pessoas aprendam um pouco mais de música e aprendam a fazer música também, né? Aí o tava tá complementando aqui o que que ele tinha falado. Sim, no trabalho da Suzane Haik, eh, Vantour, ela alegou ter decifrado alguns dos sinais massoretas, então ela fez uma proposta de tradução dos textos bíblicos para anotação musical atual. Tem no YouTube algumas músicas, é bem legal. Lembra música árabe mesmo. Ah, legal. É, a música daquela região, eh, eu sei que que tem escalas musicais que são usadas desde muito tempo atrás, né? Eu não sei se dá para remontar o tempos bíblicos, mas provavelmente, né? Tem coisas que quando você vai muito para trás, dali para trás não se mudou tanta coisa. Você não tem um uma mudança tão grande de tantas com tantas influências se misturando quanto hoje em dia, né? O dor é a gente que cresceu assando os hinos ao erudito, tem dificuldade de congregar com o irmão de outras denominações, porque fica difícil cantar com a mesma entrega e emoção. Diz aqui o Luiz Fernando. Eh, vou falar sobre isso agora, Luiz Fernando. Cara, se me pedem para cantar, aí eu que fecho a boca. Eh, Narnia Rock Cristão com letra pesada. Interessante, né? Eh, e minha esposa escutando as músicas da Novo Tempo e de vez em quando a gente fala assim: "O Scan se converteu, Veton Galo se converteu, mas mesmo assim eu acabo gostando." Diz aqui o João. Pois é. Mas olha, esse elemento do que o Luiz Fernando colocou, que é é uma coisa importante. A gente tava falando das gerações. Eh, essa diferença de gerações, elas se manifestam muito em música. Existe uma coisa que faz muita diferença, gente. Eh, depois que eu descobri isso, eu parei para perceber e muda como a gente percebe a música. Existe uma época na vida que é entre na na no entre a adolescência e o início da juventude, que as músicas que você ouviu naquela época, nessa época, quando você tinha essa idade, elas te elas costumam te eh elas costumam te afetar de um jeito um pouco diferente. Então, tem músicas que você sabe que não são boas, mas você gosta porque eram músicas que você ouvia quando era novo. Porque toda a percepção que a gente tem nessa época da vida, a gente tem toda uma questão até tipo de de neurológico. O seu cérebro tá se tá se transformando nessa época. Então, a apreciação que você tem do mundo e a forma como você registra lá na memória isso, eh, fica marcado pro resto da vida. Então assim, as músicas que eu ouvia quando eu era adolescente se tornam músicas importantes para mim, pro resto da vida. E a gente tem eh uma questão que antigamente, muito tempo atrás, antes de antes de de de da gente ter essa questão da reprodutibilidade técnica da música, eh de a gente conseguir ouvir gravações e da gente ter diversos, eh poder ouvir gravações de outros lugares do mundo e a gente ter tanta influência musical diferente e aí vira uma conturbação grande que a música muda muito rapidamente. Então, digamos assim, eh se você vivia numa uma vila europeia na Idade Média, você basicamente ouve as mesmas músicas que seus avós e seus bisavózs ouviam, certo? Então, a relação que você tem com uma música, ela é compartilhada culturalmente, ela é compartilhada também entre as gerações. A as gerações mais velhas gostam das mesmas músicas que você, que é jovem também gosta. Porque as músicas que você gosta hoje é músicas que eles ouviam também quando eles eram jovens. Então a gente não tem a música como um marcador geracional tão forte. Quando a música começa a se mudar muito, muito rapidamente, tem a música da década de 20, música da década de 30. Então, a música que o o meu pai ouvia quando ele era adolescente é muito diferente da música que eu ouvia quando eu era adolescente e que os adolescentes ouvem hoje. Eh, são músicas muito diferentes. Isso vai afetar a gente de formas diferentes e isso vai influenciar totalmente quando você tá dentro de uma igreja, que é aquilo que o o o Luiz Fernando tá falando. É duro que a gente cresceu sobiando os hinos ao erudito, tem dificuldade de congregar com mão de outras denominações, porque fica difícil cantar com a mesma entrega e emoção. A relação emocional que você tem com a música é diferente. Então assim, uma coisa que eu ouvi muito na igreja, é gente mais nova falando, olha, o pessoal mais velho, eles não cantam com sentimento, eles não cantam com emoção, é tudo meio morto. É, então a gente não quer isso, a gente quer cantar com emoção. Isso é uma percepção errada. O que acontece é a emoção que eles têm, a forma de expressar isso e a música que representa a emoção para eles é diferente. Eles não se emocionam com as músicas que te emocionam. E isso é uma coisa que as pessoas não percebem. Eh, as músicas das pessoas mais novas são sem graça para as pessoas mais velhas, pro pros velhinhos da igreja quando toca essas músicas mais modernas, eles só acham chato. Eles acham chato essas músicas. Eh, e você vai achar chato as músicas deles, justamente porque a gente tem essa separação cultural, essa separação geracional, que tudo isso que a gente estava falando aqui. Então, um olha pro outro com uma desconfiança, porque é claro que a gente sempre vai olhar pro mundo a partir do nosso ponto de vista, né? A gente vai perceber a partir do que tá próximo da gente. Então, a gente vai entender que as músicas que a gente gosta são as músicas legais. E se as músicas que as outras pessoas acham legais são diferentes, a gente tem um estranhamento, fala: "Pô, por que que ela não gosta dessa música que realmente é legal, né?" Eh, e a gente tem dificuldade de perceber que a gente vive dentro de um recorte específico e a gente aprendeu a apreciar música dentro de um contexto específico e outras pessoas aprenderam dentro de outros contextos, né? E isso vai causar uma enorme de uma confusão. Além disso, eu acho que a gente eh eu não sei quando como isso historicamente foi se desenvolvendo, mas música na igreja acaba se tornando uma bagunça tão grande, né? Eh, a gente tem uma ideia de que a gente tem que, de certa forma, proteger a igreja de ritmos mundanos. Então, a gente faz uma separação de um um estilo de música que seja religioso, de outros estilos de musicais que não sejam religiosos. Então, a gente faz essa separação de música de igreja e música que não é de igreja. Eh, mas essa separação ela é bem artificial. muita música que a gente considera muito religiosa, muito eh muito sacra assim, eh são músicas que originalmente não eram sacras e às vezes tinham um um outro contexto, né? E pode até, eu não conheço exemplos, mas pode até acontecer o contrário, música que é feita dentro de um contexto religioso, depois ganha outra conotação em outro lugar, né? Eh, então, eh, eu, eu imagino que muitos das desses inários tradicionais, a arpa cristã, o inário adventista e tal, muitos das músicas que se tenham lá sejam músicas americanas do final do século XIX, começo do século XX, né? No Inário Adventista, pelo menos, é assim. Muita música do Velho Oeste, eh, do da última versão do Inário, né? Eu não conheço muito esse novo Inário que saiu agora. eh músicas de um período específico e a gente acaba sacralizando o período e o estilo daquele período. Então, mesmo músicas que foram criadas fora de um contexto religioso, a gente acaba associando a música religiosa, porque ela é daquele período que a gente acabou fazendo inários, período em que eh o protestantismo se expandiu às vezes na região que a gente mora e essas coisas, sabe? Eh, deixa eu ver o que que vocês estão comentando aqui. Eh, espiritualmente eu gosto de música clássica. Escuto uma música do Charsk sobre uma sobre uma guerra. No fim tem sinos e tiros de canhão. Eh, num final e triunfal. Imagino sempre a volta de Jesus quando escuto. É interessante isso, João, né? Abertura 1812. Ah, você colocou aísk abertura 1812. Inclusive, que é uma música. Eh, o Tikovski compõe essa música. Eh, eu não lembro agora exatamente qual é a celebração, mas é uma celebração de uma vitória da Rússia contra o exército do os exércitos do do eh ai gente, o o general francês que tem o Napoleão, né? eh do contra as forças do Napoleão. Inclusive, a abertura 1812, ela faz diversas referências a temas, inclusive o tema da do do de músicas francesas, né? E o tema principal é um tema, se eu não me engano, é um tema sacro da da igreja ortodoxa, aquele eh, mas ele é colocado dentro de um contexto pra música que é um contexto político de guerra, né? E aí o Tikovsk faz uma celebração para essa vitória de 1812 e tal. Então adoro, inclusive adoro os russos desse período e do período depois, né? Eu gosto muito de Chov, gosto muito dessa música 1812. Mas olha como é interessante que para você, João, essa música pode ter uma conotação sacra, sendo que não necessariamente ela tem. Então, qual o a minha pergunta aqui é quais foram os caminhos na nossa mente? que fizeram uma associação entre música clássica e música sacra. Muitas vezes o que a gente conhece como música clássica eram, sei lá, músicas de cabaré da época e que você que as pessoas tocavam quando elas estavam fazendo as maluquícias que o pessoal faz hoje em dia, mas eles faziam na época tocando piano, né? Sei lá, né? Não sei quem já viu aqui aquele filme do eh do Mozart Amadeus. mostra um pouco disso. O pessoal se divertindo na época você não ia botar um funkzinho para rolar as coisas que rolam quando as pessoas ouvem funk hoje não. O pessoal tocava piano enquanto tocava tocava piano para sair pegando as pessoas, tocava violino, os instrumentos que eram os instrumentos que eles tinham na época. Então, o que é interessante é que música clássica, a gente chama de música clássica, eh, na verdade uma coletânia de músicas de diversos períodos diferentes, inclusive do período clássico, o que é meio confuso, né? Por isso que eu gosto de chamar às vezes de música erudita, porque não fica confinado a um período clássico, porque pode causar essa confusão, mas eram músicas que eram ouvidas às vezes em em diversos contextos diferentes. A gente chama tudo de música clássica. Eh, música de conserto, sim, mas música ópera. Ópera que era basicamente o entretenimento da época, eh, música que as pessoas faziam coletivamente para se divertir. Então, a gente acaba chamando muito de tudo isso de música clássica, que é música antiga europeia, basicamente, né? Eh, quando vou numa igreja e vejo guitarra e bateria, o que vem na mente era os bate-cabeças da escola. Muito difícil dissociar isso. Espero não estar vivo quando normalizar o funk gospel, diz aqui o Luiz Fernando. Essa é uma outra questão, Luiz Fernando. Eh, são as associações que a gente faz, que é o que eu tava falando aqui, a gente associa a música clássica a uma música mais religiosa. É, eu faço isso, né? Quando, como eu estava falando aqui no começo, o tipo de música religiosa que eu costumo mais ouvir é música europeia, que é música de coral, a capela, eh, tanto de de temas antigos, música antiga, sei lá, do século X7 pra frente, quanto música mais moderna de Coral Acapela, né? Eh, tem um coral que eu gosto muito que é o Tenebrequire, você colocar aí, qualquer música deles vai ser maravilhosa, porque os caras são muito bons, né? Eu gosto daquilo, mas eu tenho consciência. Aquela é uma música de um contexto específico cultural, que inclusive nem é da onde eu vivo, é música europeia, né? Eh, e normalmente cantado em latim também, que é uma língua que tem uma conotação religiosa que nem é da minha religião, digamos assim, né? Então, mas eu gosto, eu aprendi, eu cresci aprendendo a apreciar esse tipo de música. Então, é o tipo, é a linguagem musical com quem eu me, com quem eu me relaciono, é o tipo de música que me afeta. digamos assim, eh, existem outros tipos de música que me afetam, sim, também, com certeza. Mas as músicas religiosas, eu para mim acho que são mais esse esse tipo, né? Eh, quando eu ouço música em contexto religioso, eu ouço mais música de coral a capela. Mas e a gente tem essas associações. Então, eh associações com instrumentos, a bateria tá associado a um tipo de música. Eh, beleza, o piano já teve associado a um outro tipo de música, a flauta já teve associado a outro tipo de música em contextos muito específicos, né? Eh, essa associação existe para algumas pessoas e para outras não. Eh, por exemplo, para muita gente bateria não tá relacionado necessariamente a um aos roqueiros tradicionais bate cabeça, mas meio que bateria é um instrumento padrão que todo mundo usa. Inclusive, a gente vive numa época em que, assim, bateria, guitarra e baixo virou um um conjunto tão fechado e quadrado de instrumentos que basicamente todo tipo de música que a gente faz hoje eh eh envolve esses três instrumentos. Ficou uma coisa assim muito, a gente acha que a gente vive numa época onde tem muita diversidade musical, mas em alguns aspectos tem menos diversidade. Que que é música? bateria, guitarra e baixo e não sai muito disso. É difícil você ouvir, sei lá, um grupo musical que tem um uma gaita de foles ou um banjo no meio. É, é sempre esse formato quadradinho, principalmente quando a gente vai para uma música mais americana, né, mais pensando mais em rock. Por quê? Por que que a gente tem que pensar em rock e ficar fechado nesse conjunto de instrumentos que tem sons muito específicos, né? Eh, a gente não ouve música muito variada na nossa época, na verdade. Se você for pensar que música de orquestra reunia, sei lá, 20 instrumentos diferentes com 60 instrumentistas, eh, fazendo combinações diferentes desses, eh, desses sons, desses instrumentos, a gente empobreceu a música da de lá para cá, né? A gente não enriqueceu. Eh, música erudita, eu gosto desde o cantochão, canto com Glorian Palestrina, passando pelo Barroco, indo pelo clássicos românticos até o Schwenberg, na fase romântica dele. Depois que ele vai para tonaliza mais difícil de apreciar. É, eu gosto de umas coisas mais modernas assim, de música clássica também. Gosto muito do Stravinsk. Eu não sei se você manja esse cara aí, mas eh eu gosto dessas coisas também, mas eu tenho a completa noção que isso é uma coisa muito nichada e assim é um tipo de música que é difícil você apreciar, se acostumar com a linguagem dela e apreciar ela é muito difícil. E seria muito bacana de ser mais vista a reutilização de músicas seculares em ambiente religioso. Uma música muito bonita do Sunday Service Quire Rain é ressignificada numa roupagem pentecostal, mas que originalmente cham and blues romântico. É o Urias falando aqui. Esse assunto de música eu não entendo nada porque onde entra meu gosto pessoal? O quanto eu posso argumentar que meu gosto pessoal é o gosto de Deus? Quando as músicas que falam ao coração: "Sou o refém do gosto pessoal ou é Deus usando a música para falar comigo?" É um assunto que não tenho certeza. Olha, excelentes questionamentos, viu, Urias? Mas é é acho que esse são, esse é o ponto, né? Eh, eu a gente até tava falando disso aqui agora a pouco. A gente sempre parte do nosso gosto pessoal e a partir daí a gente percebe as outras coisas, né? Eh, e aí a gente pode questionar o nosso gosto pessoal, perceber que é só o nosso gosto pessoal ou a gente pode ficar preso nessa referência e ver sempre o mundo do ponto de vista do nosso gosto pessoal. E o nosso gosto pessoal, inclusive nem é só nosso. A gente gosta de músicas específicas porque a gente aprendeu a ouvir essas músicas, né? Música se aprende a ouvir. A gente aprende a ouvir música. Eh, se você pega uma música indiana que tem uma escala eh que multitonal, você ouve, você não você não gosta dela. Você vai ouvir e falar: "Ah, que interessante, é outra cultura". Mas você é difícil apreciar. Você você precisa aprender a apreciar ela. E com o tempo, se você aprende a apreciar, aí, beleza, você entende a linguagem daquela música, você entende o que as pessoas estão fazendo com aquela música, aí você passa a gostar daquela música. Então assim, o gosto pessoal ele não nunca é só nosso, a gente aprendeu ele, a gente aprendeu culturalmente, né? Eh, qual é o gosto de Deus? Essa é uma boa pergunta e a e a minha a minha impressão é sempre isso não não interessa o gosto de Deus. O gosto de Deus não faz a menor diferença. Eh, porque a música humana sempre vai ser humana. Que que é a música de Deus? Não faça a menor ideia. A música de Deus, ela é ela é ouvida através de sons, de vibrações sonoras ou de outro tipo de vibração que a gente não tem nenhum órgão para detectar. Eh, porque o, sei lá, o violino foi inventado numa época específica da história humana. Deus toca violino. Deus ouvia a música de violino antes de existir o violino inventado pelo ser humano. Entende? Eh, eu tô falando só de violino, mas obviamente todos os instrumentos são inventados. Eh, a música do ponto de vista estritamente natural, ela não existe. É só moléculas vibrando no ar. é uma interpretação que a gente faz desse fenômeno físico e a gente atribui uma linguagem a esse fenômeno físico. Então, quando a gente pensa Deus em relação a isso, Deus que tá muito acima da gente, Deus que não tem um cérebro do mesmo jeito que a gente, que não pensa igual a gente, Deus que não vive a não experimenta a realidade da mesma maneira que a gente experimenta a realidade, a ideia de gosto musical de Deus acaba se tornando absolutamente relevante. Nem interessa qual que é o gosto musical de Deus. Até porque quando você tá dentro de uma de uma igreja tocando uma música para agradar a Deus, o menos importante nisso é o estilo musical que Deus gosta para você poder agradar ele. Porque se ele tá além da cultura humana, ele consegue olhar a cultura humana inteira como um fenômeno e entender toda ela. ele consegue ouvir essa música indiana que a gente não conhece bem e apreciar, porque ele entende a mente da pessoa que fez essa música indiana. ele consegue ouvir uma música que é assim e absolutamente bem interpretada perfeitamente e ele olha e fala: "Ah, mas a pessoa que tá fazendo isso não tá pondo nada na alma dela. Essa música, na verdade, é sem graça. É só uma repetição de padrões. [tosse] Então, a apreciação de Deus em relação à música é algo que não faz parte da nossa realidade, não tá na nossa esfera de realidade, não tá no nosso horizonte. Quando se coloca na mesa o gosto de Deus sobre música, a gente tá falando de coisas que a gente não conhece, a gente tá falando de coisas que a gente não tem nenhuma indicação. A gente não faz ideia, né? Será, será que Deus tem um ouvido com os mesmos órgãos internos que o nosso ouvido para para ouvir a música do mesmo jeito que a gente, né? Quem diria mais apreciar? Então, assim, eh, a ideia de de Deus em relação à música para mim é uma ideia muito distante, né? Eu já falei isso aqui outras vezes, é um é uma ideia que eu tenho de que uma certeza que eu tenho em relação a Deus e e assim a gente pode dizer que Deus ele é desconhecido porque ele é muito maior do que a gente. Eh, a gente conhece pouquíssimas partes de Deus que ele revelou pra gente. E e é uma um é um é uma parte infinitamente pequena se a gente pensar que Deus é infinito e ele revelou pedaços. Ou seja, a gente não sabe quase nada sobre Deus, né? Então, uma certeza que eu tenho sobre Deus é que ele ele é muito diferente do que eu acho que ele é. Porque se eu consigo conceber Deus, se eu consigo imaginar Deus, se ele cabe na minha imaginação, então esse não é o Deus que existe de verdade, porque a minha imaginação é muito pequena em relação à realidade. Então, o que eu penso sobre Deus, eh, necessariamente, eh, o Deus real é diferente disso que eu penso sobre ele. É muito pequeno sobre em relação ao Deus real. Então, imagina a nossa a nossa compreensão musical, né? A compreensão musical de Deus, né? Levando em consideração todos esses fatores culturais que a gente tá colocando aqui. É muito difícil, muito difícil. Mas isso não significa, e aí acho que a a conversa começa a ficar mais interessante, que a gente não deva pensar sobre música que é feita dentro de um contexto de igreja e e perceber que tem músicas que são inadequadas para um contexto religioso, porque isso vai depender de você entender o que que é adequado para um ambiente religioso. Então, você tem que entender o que que é um ambiente religioso, o que que significa a igreja. Quais são os valores que estão dentro daquela igreja, eh, dessa igreja? E quando você canta uma música, você quer expressar, eh, o que através dessa música, né? Então, aí a gente pode falar que existe música adequada e inadequada. Eh, o funk é inadequado pra igreja. Aí eu aí eu talvez vocês me achem muito moderninho, né? Mas eu acho que depende muito para mim. É porque quando eu a relação que eu tenho com um funk é uma relação muito específica, mas tenta imaginar o seguinte, uma pessoa que não conhece outros estilos musicais, ela nasceu e cresceu ouvindo funk. É a referência que ela tem de música. Então, se ela vai se expressar religiosamente, é natural, é esperado, é o que deve acontecer, ela se expressar culturalmente através do funk, né? Eh, o funk tá associado a muitas coisas para mim, que tem outras referências, mas para aquela pessoa que, vamos supor, uma pessoa que só conhece o funk, o funk não tá associado às mesmas coisas que eu associo. O funk tá associado a tudo, porque o funk é tudo que ela conhece, entende? Então, eh, o que é uma música adequada paraa igreja depende da cultura, do contexto das pessoas que estão dentro daquele daquela igreja. Inclusive, o que que pode ser adequado numa época pode ser inadequado em outra. Uma coisa que era adequada numa é numa época pode se tornar inadequado em outra época, porque o os elementos musicais que tinham numa época se tornaram referência para outra coisa em outra época, entende? Então, resumindo tudo que a gente tá falando aqui, todas essas coisas são levadas em consideração quando a gente coloca eh esses elementos eh dentro do contexto de música de igreja, né? Deixa eu dar uma olhadinha aqui [limpando a garganta] no que que vocês estão colocando. Nossa, o pessoal gostou do tema de música, hein? Lembra? bastante gente participando hoje. Eh, mas aqui essas essas coisas que o Urias colocou, eu acho que são bem importantes, né? Eh, o gosto de Deus e o gosto do o meu gosto pessoal, o seu gosto pessoal vai ser importante, porque se você quer expressar através da música uma coisa que que te afeta, o seu gosto deve ser levado em consideração. Você fazer uma música que você não gosta, você não vai conseguir expressar o que você quer expressar através da música. Ela perde o sentido, inclusive, né? Mas o gosto de Deus, que a gente tá falando aqui, não dá nem para entrar nessa conversa. Eh, aí o Frank colocou aqui o nesse sentido, o canto gregoriano se destaca totalmente desenhado para o sacro. Barro fazia música para Deus, mesmo que com fim comercial, está noutro universo. Embora o canto gregorino esteja fechado aos músicos específicos, cantado em latim, língua não corrente. É, Frank, vamos lá, tem questões aí. Eh, embora o que o barro fazia não era canto gregoriano. O canto gregoriano é de um período um pouquinho anterior. Eh, o bar já é barroco, né? E a música do bar é interessante como uma expressão de uma pessoa de uma época e de um contexto eh de um contexto cultural eh que eh ele consegue colocar na música dele questões, ideias que ele tá querendo expressar. Isso pode ser feito em outro contexto musical, mas ele é um estudo de caso interessante. Então, por exemplo, né, eh, a música que a gente estava se referindo aqui, o Jesus, alegria dos homens. E esse é um tipo de eh de, vamos dizer assim, de de de elegância na hora de compor uma música que eu não vejo muito frequentemente. Eh, o Bar tá fazendo uma música sobre Jesus, Alegria dos homens. Inclusive essa tradução pro português, eu não lembro qual que é o nome em alemão dessa música, né? Ieso, alguma coisa, mas ele se refere a Jesus, é o centro da ideia da música, né? Tô falando que Jesus é a eh mine Freud, né? Não tô confundindo com outra música do outro moteto do Barra, né? Mas de qualquer forma Jesus é a minha alegria e tal. Eh, o que que é interessante nessa música? Ele tenta colocar na forma [limpando a garganta] da música referências ao que ele entende sobre a figura de Cristo. Então, por exemplo, essa música é uma música ternário composto. Que que isso significa? As músicas da nossa época, elas basicamente se resumem a músicas eh quaternárias. As músicas são divididas em quatro tempos. Para dar um exemplo para vocês, uma música de um uma outra época que foi quaternarizada, que é Parabéns a você. A música, o parabéns a você, é uma música originalmente dividida em três tempos. 1 2 3 do Parabéns para você nessa data querida. Então você percebe que o formato da música é em três tempos. O que que a gente fez quando a gente ouve essa música sendo cantada na música hoje na nas ruas hoje em dia? As pessoas transformaram o parabéns a você em uma música em quaternário, porque é o é o jeito que a maioria das músicas são feitas hoje em dia. Então virou não virou não é mais parabéns a você nessa data. Virou parabéns para você nessa data. 1 2 3 4 1 2 3 4 Eh, eu tô tentando ser didático aqui. Eu não sei se faz, tá fazendo sentido para alguém o que que eu tô falando aqui, para alguém que não é da área de música. Mas, eh, voltando pro caso do bar, né, ele escolheu fazer uma música em em um um tempo ternário, né, o Jesus alegria dos homens. E é um ternário composto. O que isso significa? que é um ternário que cada tempo, o, ou seja, um ternário são três tempos, né? E o ternário composto cada tempo se divide em três. Então, cada tempo, cada batida da música se divide em três, em vez de se dividir em dois, que é o natural pra maioria das músicas que a gente conhece hoje. E é um compasso ternáo em vez de quaternário. Então, tudo é baseado em três. Legal. E o que que isso quer dizer? Ele vai dar sempre uma ênfase pro segundo tempo da música. Inclusive, ela começa no segundo tempo, na segunda subdivisão. Eh, um tar, ela não começa, tá? Ela começa no segundo tempo, né? E ela sempre vai dando uma ênfase na no segundo tempo da música, que é a segunda pessoa da trindade, Cristo, entende? Então ele usa a forma da música, a a maneira que a música é construída, ele usa ela como uma camada mais de símbolo para trazer uma ideia que é reforçar a ideia de Cristo, né? Então aqui eu tô dando só um exemplo, né, do que bar fazia com música sacra. Isso é interessante porque esse tipo de pensamento na composição não é mais tão comum. Eu não vejo tão comum assim, embora eu vejo acontecer de vez em quando, né? Eh, tem uma música eh que é do John Taverner, baseada no em um poema do William Blake, que é o cordeiro. Eu gosto muito dessa música. Eu imagino que ela soua estranha, mas eu gosto da estranheza dela. Uma música para coral também, que é uma música que ela toda espelhada. Então assim, se você olhar pra partitura da música, a voz de cima é um espelho da voz de baixo e muitas vezes um compasso é o espelhado do outro compasso. Então a música vai para cá e depois ela volta para lá. Eh, e você tem então espelhos em várias direções. E o tema da música é um poema do William Blake que fala eh eu sou um um uma um garoto, né? é uma criança orando, eh, falando, eh, olhando para um cordeiro e falando: "Pequeno cordeiro, quem foi que te criou?", né? E aí ele chega a conclusão, bom, eu sou uma criança e você é um cordeiro. O nosso criador também é uma criança e ele também foi um cordeiro, né? Então, olha que louco, né? A ideia espelhada que aparece na música, na na estrutura da música, tem a ver com um tema da música, que é que a criação de Deus é um espelho do próprio Deus. E o próprio Deus, ele ele se torna de novo a sua criação. Ele ele ele assume o papel de cordeiro, ele se transforma, ele ele assume o a a forma de uma criança também, de uma criatura. Então assim, eh, que Deus e a criação se espelham, né? Não que eles tenham a mesma natureza, mas é num outro aspecto, né? Que Deus, eh, ele assume a forma da sua criação para ele poder se comunicar com a sua criação. Eh, e a criação se vê em Deus, né? Eh, e aí tem toda a ideia do do homem ter se criado, ter sido criado a imagem e semelhança de Deus e tal. Então, olha só como muitas vezes a a música é criada de um jeito tão engenhoso que ela traz mensagens que não tão só na apreciação mais no nível mais básico de apreciação. Você olha pra partitura da música e a os desenhos que as notas formam também trazem mensagens que t a ver com a ideia que o autor quer trazer, entende? Então assim, eh, só pra gente ter ideia aqui do do que que bar conseguia fazer com a música, isso é interessante, mas obviamente para você entender isso e apreciar, você tem que estar contextualizado na na cultura em que ele tá inserido. Isso faz sentido lá dentro da cultura dele. Então, isso e é é bacana. Dá pra gente fazer outras coisas tão interessantes quanto, mas contextualizados à nossa cultura também. Então, eu gosto muito de bar, mas eu não acho que necessariamente ele tem que ser sempre a referência de música sacra, entende? Era isso que eu queria dizer aqui com esse comentário eh do do Frank aqui. W falando: "Gosto muito de estravin". Ah, legal. Tamo junto, então. Eh, cheguei a ouvir de irmãos. Esse tipo de música não agrada a Deus. E olha que eram músicas da igreja. O Urias falou: "Então, pois é. Eh, quando alguém falar isso para mim, eu vou falar então tá bom, fala para Deus vir falar comigo, então, explicar qual é o a música que ele gosta, né? Esse tipo de música não agrada a Deus. É uma é uma frase que é baseada em nada. De onde se qual é o critério para você tirar essa frase, né? Eh, e principalmente para você ouvir uma música e dizer que essa música é isso ou não é. É muito difícil isso. Isso é uma conversa, eu acho muito, conversa de muito de doido isso, né? A música de Deus é a música que Token descreveu na criação do mundo ou Inária no livro de Lão, a feiticeira e o guarda-roupa. Tá aqui o W falando, é é a música do do eh do do lá do começo do Sil Marilon, né? Eh, que o mundo é criado musicalmente. Eu gosto dessa ideia, né? E tem a ver um pouco com o que a gente falou, porque eh o que que seria a música para Deus? Como Deus, como Deus percebe a música? com certeza, de um jeito diferente da gente. Nós somos humanos. A gente percebe a a música, que é um elemento cultural humano atravessado pela nossa percepção cultural, limitado pela nossa compreensão cultural. Então, o jeito de Deus ouvir a música que a gente mesmo produz é diferente de nós mesmos, né? >> [limpando a garganta] >> Luiz Fernando e ao mesmo tempo que música é uma expressão humana, creio que Deus possa inspirar umas composições ou interpretação. Com certeza. Aí, Luiz, a gente entra no mesmo aspecto de texto bíblico, né? Eh, a literatura também é uma produção humana, é uma expressão humana. Mas se você é cristão, você acredita que existe uma literatura escrita por homens, que é a mensagem de Deus, que é a palavra de Deus, que Deus inspirou ela de alguma forma, que tem uma mensagem divina aí, né, que através dessa cultura humana, dessa expressão cultural humana, Deus se manifesta dessa expressão cultural humana que é a eh a literatura, né? A Bíblia é uma literatura. Eh, e disse Deus, vai que é e Deus cantou, diz aqui o Pois é. Ó, Intelectos Podcast. Legal. O o Caldas tá por aí, né? A discussão sobre música é um dos tópicos que mais fazem pessoas esquecerem do solo e escritura. para defender sua posição. Vale tudo e a Bíblia fica de lado. Exato. É isso mesmo, Davi. Porque isso por primeiro porque a gente não tem uma referência musical na Bíblia. Eh, a Bíblia fala de música, mas você não ouve essa música. Tipo, não tem como você saber musicalmente ter um critério musical para as coisas baseado na Bíblia, que é um texto. Eh, e a música e a Bíblia nem entra nessas questões, né? E às vezes quando entra ainda vai contra esse senso comum de querer fazer algumas diferenças. Então, é, eu acho tudo muito complicado, né? Aí, o João, eu acho que Deus pode usar qualquer música, melodia, secular, sacra. uma frase da música para ajudar alguém que sofre. Tente outra vez. Raul seixas já salvou uma pessoa de cometer suicídio. Então, João, aí a gente entra nesse ponto, né? eh a música como sendo uma expressão humana e as expressões humanas podem carregar eh mensagens divinas ou eh Deus pode se manifestar através de uma de uma manifestação humana, digamos assim. Eh, alguém pode, sei lá, fazer um gesto que não tem uma conotação religiosa e uma pessoa ler aquilo como uma mensagem de Deus. Deus pode se comunicar com através de coisas que não foram criadas intencionalmente para serem mensagens de Deus, né? E e na música isso pode acontecer também, com certeza, principalmente quando a música se referem a consegue se referir a essas questões tão subjetivas, eh, e ela vai por caminhos tão imprevisíveis na nossa mente. E sem dúvida nenhuma, eh, por isso que arte e, e, e, e bíblia estão tão relacionados, né? Porque a arte é quando você se utiliza da linguagem de uma maneira não convencional, que você abre a possibilidade de interpretações. Você consegue ter interpretações diferentes do mesmo objeto, da mesma coisa. E quando ela é explorada artisticamente, ela dá mais possibilidades ainda. E a Bíblia é assim, né? ela dá possibilidades. A Bíblia às vezes usa palavras de um jeito esquisito. E essa forma esquisita de usar as palavras, que é o que a gente pode fazer, dizer que é uma das descrições do que que é poesia, usar as palavras de um jeito esquisito, eh elas fazem com que a gente consiga perceber aquelas palavras de várias maneiras diferentes, ter sensações diferentes a ouvir essas palavras, né? Então, sem dúvida nenhuma, a Bíblia pode eh a a uma música que não é sacra, ela pode totalmente trazer uma mensagem sacra para alguém dentro de um contexto específico. Nossa, tem bastante bastante comentário mesmo hoje. Partindo desse princípio de que não sabemos qual é o gosto ou preferência de Deus, podemos pensar que não há ou não deveria ter nenhum tipo de limite em relação a louvor na igreja. Então, Luciana, eu acho que não, porque a música na Aí a gente tá partindo de um pressuposto também muito específico de que a música na igreja é feita para Deus. Eu discordo desse pressuposto. Eu acho que a música na igreja não é feita para Deus. A música na igreja, ela é feita pra gente também, entende? Eh, a gente a gente canta, digamos assim, em celebração a Deus, em louvor a Deus, eh para adorar a Deus. Eh, mas esse eh esse louvor ele é coletivo justamente porque a expressão das pessoas em volta de mim também me afetam, entende? E é por isso que a gente canta coletivamente na igreja. Eh, a gente, por isso que a gente vai para um lugar pra gente coletivamente adorar a Deus, porque a adoração coletiva acontece porque as nossas manifestações se misturam, entende? Quem tá do meu lado cantando me afeta também, não tá afetando a Deus, não. Não é uma questão de só de agradar a Deus. Eh, o que agrada a Deus não é o estilo em si. O que agrada a Deus é a expressão em si, é o que que tá sendo expressado ali, entende? Eh, até porque a gente falou que Deus não tá inserido dentro, não tá limitado a uma cultura humana para aquela expressão ter um caráter específico. Ele vê como uma manifestação humana, entende? Eh, então por isso que eu eu não acho que não tem nenhum limite. Tem limites e o limite é o que que faz sentido dentro do do contexto das pessoas que estão em volta de mim. Porque se não existisse limite nenhum, eh, eu não sei se teria sentido as pessoas fazerem música coletiva dentro da igreja, entende? Cada um faz a sua música. em dentro de um cômodo, a gente teria uma igreja que seriam vários cômodos. Cada um entra lá, fecha a porta e canta sua música, toca seu instrumento, faz sua oração, entende? O coletivo é um elemento da adoração, é um elemento da da religiosidade. O compartilhamento coletivo da adoração a Deus é um elemento de de de mensagem de Deus pra gente. Por isso que é uma coisa muito louca, porque ao mesmo tempo que a gente tá adorando a Deus, a gente também tá percebendo a presença de Deus. É como tivesse uma mensagem de Deus na adoração que a gente tá fazendo a ele, entende? Eh, tudo isso tá misturado e essas coisas são complexas, entende? O A já coloca: "Creio que não, pois a gente canta em Ah, o tá indo na narinio que não, pois a gente canta em comunidade e as associações na mente dos irmãos, por mandamento do amor importam". É isso mesmo. A gente tá tá na mesma página, viu? Eu não tinha visto sua mensagem, juro. Talvez não exista uma música essencialmente má, mas não é por isso que um dado tempo, o mandamento do amor não deva ser jogado fora. Aí o Carlos coloca aqui, depende. O grupo de rap cristão, manifesto verbal, os caras recitam mensagens espirituais como rap e para quem assimila as coisas através desse tipo de ritmo, cultura e contexto de quem as ouve. Eu pessoalmente não gosto de rap, mas apoio 100% trabalho manifesto verbal. É, eu penso assim, Carlos, eu penso assim. Eh, tem os contextos culturais e não significa que dentro daquele contexto cultural aquela música não não pode estar tipo incoerente, sabe? Porque os contextos culturais também tentes expressões. Eu posso ser desrespeitoso dentro de um contexto cultural específico. Eu posso estar falando algo para sobre Deus que não é verdade dentro daquela linguagem musical. entende? Então é bem complexo essas coisas aí. Eh, é importante o que você se refere a funk, pois para muito funk já é o mesmo que letra sensual, não desassociada dela. Éid, pois é, complicado. Eh, o funk é um estilo musical. Eu não manjo muito de funk, nem ouço muito funk, mas ao mesmo tempo também eu não sou uma pessoa que odeia o funk, né? Obviamente eu não gosto de de letras de sexo explícito no meio da rua, né? Mas tem muito funk que não é isso, pelo menos aqui na região que eu moro, ouvindo por aí. Eh, não necessariamente, né? Mas é verdade que tá muito associado a isso, porque grande parte das letras de funk tem esse esse sentido, esse contexto, né? Então, aí também é uma questão, né? Eh, se você vive num contexto onde você tem diversos estilos musicais e um tá mais associado a uma coisa que não eh que não é coerente com a ideia de Deus e de religiosidade, faz sentido você usar esse estilo na sua adoração a Deus, né? Eu acho que não, porque eu tenho essa associação, né? Mas eu não eu não eh corrigindo até o que eu tinha falado antes ou lapidando, eu não eu não consigo excluir a possibilidade de uma pessoa cantando um funk para Deus tá fazendo algo que é coerente dentro da percepção de mundo dela, dentro da religiosidade dela e dentro do contexto cultural dela, entende? Eu não excluo essa possibilidade. Então, depende do que que significa esse ritmo e essa música para aquela pessoa. A primeira referência da Bíblia em relação à música está ligada à genealogia de Caim. O que você diria sobre isso? Eu não sei, Elane. Eu não sei dizer. Eu eu não sei se isso tem algum significado específico. Eh, eu sei que, por exemplo, Adão quando olha para Eva, ele faz um poema. Essa é carne da minha carne e os ossos dos meus ossos. Por isso já eh será chamada a mulher, porque foi tirada do homem, né? Eh, ele brinca com as palavras hebraicas e e isso foi uma canção ou foi só um poema? Não sei. Talvez tenha sido uma música. Então eu nem tenho certeza que a referência acho que é Tubal Caim, né, que você tá falando da da genealogia de ou tubal, né, que é o que é o tocava flautas, uma coisa assim, né, da geologia de que não tenho nem certeza que dá para cravar que essa é a primeira referência música. Talvez a primeira referência explícita, mas talvez em outros lugares antes a a a Bíblia já tivesse fazendo referência à música e a gente não consegue pegar, sabe? Mas eu não acho que isso é necessariamente significativo, não. Eh, Jesus, alegria dos homens aqui em casa é canção de colocar suros para dormir. Todo dia cantar aula. Legal, João. Na música Fujz metal progressivo, a gente vê bastante trabalhos com variações rítmicas, com passos bem variados. Gabriel Iglesias, acho que é irmão do seu amigo pastor. Ele tem umas composições também com tempos diferentões. Acho que tem músicas em set 4 mais 3. É, isso é bacana, né? e ser obedecer o nome da música. Eu acho que é isso mesmo, tem acho que é isso. Acho que é isso mesmo, né? Tem um grupo aí que fez um um que não é religioso, né? O Angin de Pin, que fez um sucesso aí uns meses atrás e eu gostei para caramba, que é uns caras que experimentam um pouco música nesse sentido. O que que eu acho que é engraçado, né? A gente vive uma época que é muito conservadora em relação à forma da música. esquisito, né, falar isso, mas é verdade. A gente vive numa época conservadora em relação à música. Eh, porque se a gente olhar pra música que é consumida hoje, primeiro tudo 4x4, como eu tinha falado aqui, outros tempos musicais que se faziam em outras épocas foram abandonados praticamente. Isso não tem mais praticamente compasso composto, é tudo compasso quaternário. A gente tem uma uma escala musical que vem das escalas gregas, a escala maior e menor básicas que a gente usa e a gente não sai disso. a gente tem sequências harmônicas que são tipo absolutamente repetitivas, né? Tônica, dominante, subdominante, tônica. É, se você digitar aí no no YouTube os quatro acordes mágicos, você vai ver que existem uma sequência de quatro acordes que tem, sei lá, uma centena de músicas comerciais, pops, fazem muito sucesso hoje em dia, que seguem exatamente a mesma sequência harmônica, é a sequência do Woman No Cry, né? eh do Bob Marley, mas eh os quatro acordezinhos que todo mundo segue. Então assim, a nossa música hoje é muito quadrada. Eu uma um pensamento que eu queria até compartilhar com alguém, porque eu não sei para quem falar essas coisas, eu fico tendo essas ideias. Eu lembro quando era mais novo que a Lady Gaga fez muito sucesso. Eu achava muito esquisito porque era muito incoerente, porque você olhava pra imagem da Lady Gaga, ela era extremamente vanguardista, ela é extremamente provocante, ela usou um vestido feito de carne uma vez. Nossa, que que inovador, que coisa tipo que quebra os padrões. E quando você olha pra forma da música dela, é a música mais quadrada, tradicional, ortodoxa que tem. É uma música tonal, é uma música 4x4, é uma música que segue a sequência de acordos já normalizado, a consagrado, que usa tipo instrumentos e sons que todo mundo conhece, tipo, não tem nada de experimental na música. Isso eu tô falando especificamente lá pra lei de Gaga no começo dos anos 2000, mas é o que acontece com todo mundo. Todo mundo, eh, todos os os grandes músicos hoje, eles eles tentam ser pessoas disruptivas nas ideias, no estilo de vida e tal, mas a música é sempre quadrada. Inclusive, essa própria disrupção no no jeito de se vestir, no estilo de vida, acaba se tornando também um padrão que não é quebrado, né? Eh, até difícil você chama atenção quando alguém não quer ser disruptivo. Então, a disrupção se torna sem sentido também, né? Quebrar padrões virou o novo padrão. Mas eh acaba virando isso. A gente tem uma música conservadora hoje, não quebra padrões. E aí quando aparece esses caras que eu tava falando, angin de potrini, que os caras, o cara pegou lá uma guitarra e colocou uma casa entre cada uma das casas, ou seja, não é um semitom. Eh, ele não é uma escala baseada em semitons, é uma escala baseada em um quarto de tons. E ele pega eh eh ritmos musicais que não são quaternários. Ele faz um nove, um tempo de nove e depois faz um tempo de de sei lá, de 5 e meio e tipo quebra esses esses ritmos musicais. Esse tipo de experimentação acho muito legal e bem-vinda, porque isso não acontece. A gente é totalmente quadrado e ortodoxo. A gente tenta inovar em tudo na nossa época, mas a música é sempre igual, né? Pelo menos a música comercial, essa música de grande divulgação. A gente, essas grandes músicas que todo mundo ouveas não inovam em nada. Sempre a mesma a mesma forma dentro do da mesma caixinha quadrada, né? Bom, voltar aqui só para eu falar que muito tempo pensava isso, queria falar isso, como a gente ficar preso nessas nessas eh nessas fórmulas, né? A, o Intercos coloca aqui sobre a questão da Bíblia e da arte, a gente perde um pouco dessa dimensão nas traduções. A preocupação dos autores com a arte na hora de escrever era grande, sobretudo no hebraico. É, exato. Exato. Eh, inclusive as traduções tentam dar uma uma certa uma certa domesticada às vezes no texto, sabe? Porque tem texto que você olha e fala: "Não, pera aí, tem uma questão gramatical errada aqui". E a tradução dá uma ajustadinha, dá uma interpretada para ficar o texto ficar mais quadrado e ele ficar mais fácil de digerir, que às vezes o texto bíblico é esquisito, é esquisitíssimo. Você olha e fala: "Ué, mas que que tá acontecendo aqui? Parece que tá faltando uma palavra. Como isso aqui tá errado? Essa palavra aqui não tem nada a ver com esse contexto. Eh, acontece às vezes isso na Bíblia e são elementos literários que o autor usa para forçar o limite da linguagem para falar sobre coisas que é difícil expressar, que são coisas transcendentais, né? Eh, e a gente às vezes na tradução dá uma a gente dá uma polida nessas nesses espinhos aí da da linguagem bíblica. Essa diversidade cultural não deixa de ser um mandamento de Deus. Aqui o Luiz Fernando eh quando ele fez, mandou se espalhar tribos, nações e línguas. Babel foi justamente contra isso. É verdade. Interessante. É interessante. O Eduardo Ramos, funk Steve Wonder e James Brown. É, na minha época era, Eduardo, [risadas] na minha época era o funk. Exato. O que se ouve nas ruas daqui é Miami BS. Eh, o Carlos aí, Fernando, existe uma coisa interessante quanto aos certos instrumentos musicais. MPB usa muitos instrumentos de percussão, eu acho maravilhoso, mas se você usar num contexto religioso não é bem aceito. Eh, o atab, o Gongô, por exemplo. Isso é, então, Fernando, aí entram questões culturais que atravessam, né? a gente a gente tem uma questão com coisas africanas, eh, tem um certo sentido. Eh, a crítica faz sentido até certo ponto. Então, eu, eu não gosto de entrar em algumas questões que já foram já foram sequestradas por por discussões políticas. Então, parece que eu tô defendendo um lado político específico quando eu falo isso, mas não necessariamente. Então, assim, a gente tem escalas musicais celtas que estavam relacionados a cultos pagãos. Quando você ouve isso, você não tem um choque religioso, porque isso de certa forma já foi diluído, já foi digerido na sociedade. Isso não parece um choque à sua religiosidade. Eh, e de fato também muitas músicas africanas com tambores e tal, eh, pelo menos a gente entende elas como fazendo parte de um culto a uma dentro de uma outro religião pagã. E isso se torna uma coisa agressiva pra gente do ponto de vista religioso. Eh, mas isso não necessariamente deveria ser assim. Deixa eu ver se eu consigo trazer isso que isso esse talvez seja a parte mais interessante da gente trazer aqui sobre música. Nossa, já são 5 para 10. A gente não vai falar sobre inferno hoje, tá gente? não vai dar tempo. Eh, e a gente também, eu fiquei aqui falando sobre diversas coisas aleatórias sobre música, a gente nem conseguiu trazer uma linha, mas aqui eu vou tentar trazer uma linha e esse ponto acho que é importante. Eh, e eu queria falar sobre isso, né? A gente associa o tambor. Imagina o o aqueles tambores de de cultos, de religiões de matriz africana, né? aquele tipo de batida de tangor, a gente associa a um culto eh a um culto pagão. Beleza? Essa associação, ela depende de uma chave cultural para isso. Eu vou dizer assim, né? Eh, se [limpando a garganta] você não tem essa chave cultural, aquele tambor, ele não é um instrumento pagão, ele é só um tambor. E esse talvez seja um dos elementos mais confundidores, não só paraa música, mas para muitas coisas. que inclusive toca em questões políticas hoje também, que não tem nada a ver com religião, mas dentro da religião tem a ver com paganismo. Deixa eu ver se consigo organizar esse pensamento, ser claro, pelo menos para fechar essa história aqui toda. Eh, vamos lá. Eh, deixa eu pensar num exemplo pra gente conseguir entender bem isso daqui. Eh, a palavra L, el L, né, que é a palavra que se refere a Deus, que aparece no final de vários nomes bíblicos, Rafael, Daniel, eh, Miguel, Ezequiel. é uma particulazinha que se refere a Deus, né, usando a a expressão L. De onde vem esse nome? Esse nome vem de uma raiz do semítico que é entendido eh dentro de outras religiões do antigo Oriente Médio, como uma referência a uma entidade específica que existia, que é a entidade L. El L era o nome de um deus pai de Baal, inclusive. Eh, e aí a gente cria um problema, tá? Pera aí. Se L era o nome de um Deus, como é que na Bíblia a gente usa essa palavra se referindo ao Deus bíblico? Se ele era uma referência a um Deus pagão, né? Eh, o que acontece quando você tem inserido num contexto bíblico e você fala, por exemplo, de, sei lá, Rafael, né? Rafael, Deus cura. Eh, dentro de um contexto bíblico, quando você ouve esse nome e você ouve Deus cura, você pensa imediatamente no Deus bíblico. Essa é a referência direta. Você não pensa, se você não tem essa chave cultural, eh, que, ah, não, pode ser o deus do antigo semita lá, do, do, eh, o deus cananeu lá, pai de Baal. Não, você não faz essa relação. É, é Deus. Então, tá bom, tá ótimo, é o Deus da Bíblia e acabou. Inclusive, a palavra L, eh, mesmo dentro do contexto cananita, era uma era meio que uma expressão meio genérica para Deus. O Deus L era um Deus um meio genérico. E essa expressão acaba se tornando uma expressão de divindade de forma genérica, da onde vem a palavra Elohim também, que é a palavra Deus na Bíblia, né? E acaba sendo usada para se referir ao Deus bíblico também. Assim como a própria palavra Deus que a gente fala em português, né? Esse esse é um um excelente um excelente exemplo. A palavra Deus, eh, que vem da palavra teus no grego, tem uma outra raiz que tá ligada ao paganismo. Então, por que que a gente usa uma palavra que tá relacionada ao paganismo para se referir ao Deus bíblico? Porque a gente fala uma língua que é pagã. O português é uma língua que deriva do latim, que deriva da das línguas etruscas. E tipo, é uma língua pagã. Eh, existe uma raiz cultural pagã nessa língua. Então, o que que eu tô fazendo? Tô usando uma língua pagã para me referir a uma ideia de Deus que não é uma ideia de Deus pagã, entende? Então, eu uso palavras que são tem uma origem pagã para se referir a um conceito que não é pagão. Eh, isso vai acontecer o tempo todo na Bíblia. Ele usa a palavra L, que é uma palavra que você pode dizer que tem uma origem relacionada ao paganismo para se referir a um conceito que não é pagão, o Deus que estava lá no início de tudo, que que criou os céus e a terra no princípio. Então esse Deus não é o El, pai de Baal, não. Esse é um Deus próprio. É um Deus diferente dos outros deuses. É uma ideia, um conceito de divindade, só aparece na Bíblia. Como a gente vai se referir a ele? Que palavra a gente vai usar? Bom, a gente vai usar essa palavra do vocabulário comum semita, que se refere à ideia de divindade, que é a palavra. Então, se usa essa palavra. Eh, a gente vai chegar na música aí, tá bom? Mas vocês percebem que, eh, o som L não é um som pagão. O som L é só uma junção de de fonemas que eu fiz na minha boca. Eh, a associação a uma coisa pagã depende de um de um de uma ideia, de um conceito que é transmitido culturalmente. Ela não existe no mundo real. Ela é um é um é um conceito humano, digamos assim. Vocês entendem o que eu quero dizer? Quando eu escrevo a palavra casa, eh quando eu falo a palavra casa, esse conjunto de sons, de sons casa, eles não têm nada a ver com a construção casa em si. A associação entre o som casa e a construção, que a gente chama de casa, é uma construção artificial que a gente inventou. A gente inventou códigos, a gente inventou relação relações entre vários sons e objetos e ideias e pessoas, etc. e tal. Então, a língua é uma relação artificial das coisas. A palavra L é uma palavra que alguém inventou em algum momento. Todas as palavras que a gente usa são alguém inventou em algum momento, entende? Então, eh, as palavras não são pagãs em si e nem sacras em si. Elas vão ser pagãs ou sacras, dependendo eh de como eu tô me referindo a elas, entende? Então, isso vai acontecer na Bíblia. Inclusive outras palavras, a própria palavra Baal, que é uma palavra que se refere diretamente a uma divindade pagã, na própria Bíblia, inclusive, eh, ela na no hebraico bíblico é a palavra para marido, palavra Baal, [limpando a garganta] porque também tá ligado a uma ideia de do antigo semita que o marido também era o senhor e a ideia de senhorio tá relacionado a essa divindade, o Baal e tal. Então tem uma relação que chegou até lá, porque o hebraico, que é a nossa língua sacra, é uma língua semita que deriva de outras línguas pagãs do antigo Oriente Médio, entende? Então essa tentativa da gente achar a sacralidade pura nas coisas, ela não existe. Quem vê a realidade através de conexões naturais com entidades pagãs é o próprio paganismo. Então para o paganismo, quando você chega no dia 25 de dezembro, aquele é o dia de Mitra. Não importa o que você faça, existe uma eh eh ele tá misticamente relacionado à mitra e ninguém pode desrelacionar. Eu cristão posso falar: "Dane-se o que que os pagãos falam sobre o dia 25 de dezembro". Eu eu para mim dia 25 de dezembro é um dia que eu é um dia dedicado a Deus. É o dia que eu lembro do nascimento de Jesus. Eu sequestro esse significado do Mitra e falo: "Isso daqui não pertence mais a você. Isso aqui agora é uma data santa para mim e eu vou comemorar uma um um o a divindade sagrada da Bíblia nessa data. Eh, Deus não tem preocupação com isso, porque o dia 25 de dezembro não é um dia pagão, é um dia só. inclus eh eh eh inclusive o próprio sábado, que é um dia santo, ele pode ser profanado. Eh o o o mandamento dentro do contexto bíblico é para você santificar o dia, porque Deus atribuiu um significado a ele. Mas o dia em si, eh esse momento em que a a Terra dá um um uma volta em si mesma, não acontece nada em especial do ponto de vista astronômico. A santidade do sábado é associado ao evento astronômico, entende? A santidade na Bíblia é uma atribuição que se dá. A única coisa que é intrinsecamente santa é o próprio Deus. Eh, e a partir disso, eh, a gente a gente deriva as santidades. Então, como Deus ele é intrinsecamente santo, quando ele tá no meio do povo, aquele povo é considerado santo, né? Eh, mas aquele povo pode agir como se não fosse santo. Eles não se tornam inclusive super poderosos porque Deus está lá no meio. Eles cometem erro o tempo todo. Então essa santidade é atribuída a eles porque ela ele é o é porque eles estão colocados em relação a Deus, entende? Então, o que que eu quero dizer com tudo isso? Com toda essa essa essa divagação sobre simbolismo e santidade? Eh, quando Paulo vai falar sobre a carne oferecida aos ídolos, ele vai falar: "Olha, quando você vai comer uma, isso tá lá em Primeiro Coríntios, capítulo 8, quando você vai comer uma carne que foi oferecida a ídolos, eh, come sem perguntar para ninguém. Pergunta para ninguém, só come. Se alguém falar para você, ô, ô, deixa eu te avisar, eu sei que você é cristão, essa carne aqui foi oferecido para um para um para um ídolo pagão. Aí, que que você faz? Ah, tá. Puxa, que pena. Então, não vou comer. Mas não é por por causa de você ou por causa da carne em si. E Paulo ainda justifica que ele fala, porque a gente sabe que os deuses nem existem, só existe um deus só. Não faz diferença paraa carne ou para você se ela foi oferecida para um um ídolo pagão, eh, porque todos os alimentos são de Deus. Paulo vai fazer essa argumentação. Então, a ideia de uma associação mística a uma entidade pagã, ela é uma ideia própria do paganismo. Na Bíblia, essas essas associações elas são artificiais, entende? Entendeu eu quero chegar com isso? Então você ficar olhando pro Natal ou ficar falando: "Não, essa é uma data pagã, a gente não pode comemorar o nosso de Jesus". Isso é um pensamento pagão. Achar que esse dia tem uma energia especial mística pagã impregnada nele, entende? Eh, pra Bíblia, as associações são feitas e desfeitas assim, sem nenhum sem nenhuma eh sem nenhum pudor. Eh, você eh eh o o o sumo sacerdote é dedicado a Deus, santidade ao Senhor, a tiara que tá na na na cabeça dele. Então, ele é uma pessoa santa. Aí ele vai e comete uma coisa terrível, uma atrocidade, ele morre e pronto, como qualquer um. Então, a santidade, o que tá em relação a Deus, pode ser feito ou desfeito, porque tem muito mais a ver com o coração humano do que com energias místicas que estão ao redor da gente em si, entende? Esse é um conceito que é difícil, eh, é difícil explicar ele, é difícil entender ele e é difícil colocar ele em prática. E muito cristão olha o mundo de um ponto de vista místico, pagão, que é aquela ideia de você deixar a Bíblia eh aberta no Salmo 91 na sua casa para ela santificar o ambiente. Não vai santificar o ambiente, porque a Bíblia é só um monte de papel com tinta. O que é sagrado na Bíblia não é aquele livro. O que é sagrado na Bíblia é a ideia que aqueles símbolos se referem quando colocadas em prática. Isso é a santidade, não é o livro em si, entende? Eh, entendendo tudo isso, quando a gente se refere a à música, acontece a mesma coisa. Não existe um um um ritmo musical que é intrinsecamente pagão. Pode existir um um ritmo musical que a gente não consiga dissociar do paganismo. E aí talvez não vale a pena a gente usar ele dentro de um contexto eh para Deus, mas nenhum ritmo musical é intrinsecamente pagão. Se a gente não consegue dissociar um ritmo do paganismo, e o problema tá na nossa cabeça, entende? Eh, não existe um um ritmo musical intrinsecamente santo também. Uma coisa que foi dedicada a Deus por muito tempo, pode ser usado para uma coisa que não tem nada a ver com Deus. Ou você pode usar aquilo que é tão santo, sagrado e você falar de uma forma tão esvaziada e mecânica que não tem significado nenhum, não quer dizer nada. Não tem nada de santo naquilo, entende? Então, eh, na Bíblia o os valores das coisas não tão em energias místicas. Na Bíblia, os valores das coisas estão na na intenção. Não é à toa que Deus cria o mundo através da palavra. A palavra é importante porque ela tem uma intenção, ela tem um significado. É o significado que importa, né? É o significado que você dá que importa, né? Eh, e não e não há um significado atribuído que que fica impregnado na matéria, entende? Então, esse é um conceito bizarro, difícil, difícil de explicar. Eh, mas eu espero que faça sentido para vocês, eh, porque acho que isso talvez seja o mais importante pra gente entender, não só em relação à música, mas em relação a muitas coisas que tão relacionadas a à igreja pra gente, né? e Bíblia em geral. Essa é umas é uma das diferenças fundamentais entre o pensamento bíblico e o pensamento pagão, né? A ideia de que eh quando eu vejo uma tempestade dentro do pensamento pagão, aquela tempestade é uma personificação de um Deus. É Zeus que tá jogando os raios lá para cima. ou o Baal, que também era um deus da tempestade, ou o Thor, que era um deus da tempestade. Você relaciona o mundo com os deuses e isso é indissociável. Na religião bíblica, o que que é uma tempestade? Não é nada, é só uma tempestade. É um fenômeno natural, não quer dizer nada. Deus pode se manifestar na tempestade, pode, mas pode não ter nada também. Isso é só uma tempestade, né? Eh, a Bíblia tem uma capacidade de esvaziar e preencher coisas eh de uma forma que o paganismo não consegue. O paganismo é é um é um é um é um sistema fechado de símbolos que você não consegue quebrar ele, né? os símbolos, a associação entre os símbolos e as coisas em si são eh indissociáveis, depende dos deuses. Na Bíblia não. Na Bíblia não. Eh, o que pode ser sagrado em um contexto pode não ter valor nenhum em outro contexto. Depende do que que tá sendo feito com aquilo. Depende da intenção, depende do que que tá dentro do coração, a gente pode dizer, né? Eh, para usar uma linguagem que é bíblica, inclusive. Deixa eu ver o que que vocês estão achando. Eu vou pular umas mensagens aqui, gente, só para eu ver se faz que eu tô falando aqui faz algum sentido para vocês. Eh, eh, hoje teve muita mensagem, gente. Até me perdi um pouco aqui. [limpando a garganta] Ã, eu vou aqui para para uma mensagem do Kelvin mais paraa frente aqui. Essa lógica de que algo só possui pureza se nasceu puro e foi puro sempre. Quando se aplicar essas coisas da cultura já causam essas controvérsias. É. É, é isso que a gente tá falando, a pureza em si, eh, não é assim, né? A gente vive num mundo que já é impuro por si próprio, né? Eh, o Eduardo vai comentar aqui do negócio da lei de carga. Eu, Antônio, você acredita ser o novo culto abal, como muitos dizem? É o que parece dentro dessa dúvida nos seus estudos desde o Antigo Testamento. Eu Antônio perguntando aqui sobre a lei de Gaga. Mas deixa eu ler isso daqui que acho que tem a ver. Nesse exemplo da lei de Gaga que você eh nesse eh exemplo de lei de Gaga, você acredita ser o novo culto abaal, como muitos dizem? E é o que parece? Dentro dessa dúvida nos seus estudos desde o Antigo Testamento. Olha, eu acredito que [limpando a garganta] esses ícones pops podem sim ser um novo culto a Baal ou a Dagon ou a entidades, né? Eu não acho que é à toa que eh a sociedade chama essas celebridades de ídolos. Eu não acho que é à toa, porque existe um elemento cultual relacionado à forma como as pessoas se relacionam com as celebridades que elas admiram, eh, que passa muito dos limites de uma coisa razoável do ponto de vista de uma perspectiva bíblica, sabe? E o pior, isso acontece inclusive com ídolos gospel. A a expressão ídolo gospel é a expressão mais mais eh incoerente [limpando a garganta] que existe, né? Eh, então eu acho que sim, isso pode acontecer. As pessoas podem elevar um ator de um filme a um patamar de idolatria no sentido bíblico mesmo, de você cultuar aquela pessoa. Isso acontece. Isso a gente vê acontecendo, principalmente com adolescente, que às vezes não tem até noção do do ridículo de algumas coisas, né? Então, eh, eu acho que isso pode acontecer não necessariamente, não necessariamente, porque eu acho que isso depende de pessoa para pessoa, mas eu acho que isso acontece e existe um estímulo da sociedade para as coisas acontecerem com essa conotação. Eu acredito que sim. Eh, então eu sou eu sou um tipo de pessoa que eu sou muito crítico ao tipo de de idolatria que as pessoas têm eh do consumo dos ídolos da das figuras artísticas que elas admiram. Eu acho que passa muito dos limites que é que é razoável dentro de um ponto de vista de uma religiosidade bíblica. Muito, muito, né? Eh, eu tenho várias pessoas que eu admiro demais musicalmente, né? Mas eh para mim não faz nenhum sentido chamar chamar de ídolo, ficar nervoso quando vê desmaiar, esse tipo de coisa. Isso ah isso é é uma coisa bizarra. Isso é isso é paganismo. Sim, no meu ponto de vista. Eh, tem um um aspecto de adoração, de adoração no sentido bíblico, no sentido religioso. Muitos temas na Bíblia são perdulares e essas lacunas nos colocam numa numa posição de dependência de Deus. Diz aqui o o o Frank de Godói. Eu acho que vou falar umaia bem grande. O funk não é consumido pela letra sexualizada, mas e o livro dos Cânticos dos Cânos poderia ter um funk para fortalecer o casamento? Olha, João, depende muito do contexto e da conotação que as pessoas dão pras coisas, viu? Eu não acho que o livro de Cantares, apesar de ser um poema erótico, mas é um a ideia de poema erótico com uma conotação diferente do que as letras de funk tem, entende? Eh, apesar do livro de Cantares também fazer uma descrição do corpo feminino, pelo que eu entendo, ele faz isso com uma conotação diferente, uma descrição erótica de do corpo feminino. Ele faz isso com uma conotação diferente do que letras de música, principalmente do funk, faz com o corpo feminino, colocando um um valor na figura feminina, né, em relação à pessoa que tá cantando muito diferente, né, o do significado dessa figura feminina de uma forma muito diferente, né? Então, eh, eu acho que a conotação é muito diferente, apesar de de terem relações, são conotações bem diferentes na no meu entendimento aqui. Eh, o falou: "Eu acho bem problemático a ideia de dar uma ontologia de essencialmente uma para alguma coisa pela sua origem." Por exemplo, primeiro instrumento musical feito por um pagão. Logo, ele se torno, carregado de maldição hoje e sempre. Eh, é exato, Aid. Exato, exatamente, né, Kin? Sim, Aid, eu concordo exatamente com essa visão. Exatamente. Ponto de contradição. Para todos que usam esse argumento de pureza instrumentos, ironicamente, a própria Bíblia mostra que a origem de muitos instrumentos vem de origem pecaminosa. Ela seria o Deus sem nome? O Antônio pergunta, não exatamente, el seria uma palavra genérica para se referir a Deus, mas que também em uma em uma cultura específica era um nome de um de uma divindade, entende? Vamos dizer assim, é como se a palavra Deus fosse o nome de um Deus em uma cultura específica, mas a gente usa ela para se referir ao Deus da Bíblia. Então é confuso essas coisas, mas é mais ou menos isso. E as pessoas não percebem que, como Ron mencionou, essas pesos, medidas são mais frutos e chaves culturais do que bíblicas. É exato, Kelvin. O intelectos coloca aqui na Bíblia, assimilação e adaptação cultural é muito mais comum do que as pessoas geralmente supõem. Exato. É, é, eh, tem muitas coisas na Bíblia que, se a gente for ver culturalmente, a origem é pagã, mas na Bíblia não tem essa, eh, não é levado desse jeito. Então, por exemplo, até os nomes dos meses na Bíblia, eh, os o mês de Avive, o mês de Nissan, eh, são meses que dentro de outras culturas do antigo Oriente Médio, que são até mais antigas, tão relacionados a cultos, a deuses, mas a Bíblia esvazia ela desse significado, né? Eh, então exemplos que são bem claros na Bíblia, por exemplo, eh, nas culturas pagãs do Antigo Oriente Médio, os nomes dos elementos naturais eram nomes de deuses. Então, a palavra sol não era desprovida de de esvaziada de significado cultual, digamos assim, como é pra gente hoje, né? A palavra sol era o nome de uma entidade pagã, palavra shemesch, eh, lá no antigo Oriente Médio, né? Ou até na Grécia, Hélios é um é um é um é um deus, né? Ou R pros pro pros egípcios é um deus também. Então assim, era um deus. Quando a Bíblia usa a expressão Shem, ela não se refere ao deus, ela se refere só à entidade, eh, só a ao fenômeno natural. Isso acontece de uma forma interessante, porque em Gênesis, eh, quando ele tá descrevendo a criação, o texto bíblico evita usar esses nomes. Parece que até intencionalmente. Então, por exemplo, quando ele vai falar da da do criação do Sol e da Lua, Shem e e Yareer, se eu não me engano, são nomes que têm uma relação cultural forte com o paganismo, porque são nomes que as pessoas em volta usavam para se referir a deuses. Aí a Bíblia fala lá em Gênesis, quando ele vai falar da criação do sol e da lua vai falar: "Ah, é um luminar maior e um luminar menor." Não usa as palavras que são normais para sol e paraa lua. Porque eles, a Bíblia tá falando que eu tô fazendo questão de me referir a um fenômeno natural e não a deuses. Eh, o parece que o autor do do da desse texto da criação fez isso intencionalmente, cuidadosamente, para esvaziar de significados pagãos substantivos comuns que tinham na língua hebraica, né? Embora isso vai, essas palavras vão aparecer em obviamente em outros contextos bíblicos e tal, mas você vê que a impressão que dá é que a Bíblia tá consciente dessa associação, mas ela tá fazendo um esforço de esvaziar essa associação, né, no texto bíblico. Isso eu acho bem interessante, né? Eh, então essas adaptações culturais e tal e assimilações aqui que o Intelectos Podcast tá colocando aqui, eh, acontecem o tempo todo na Bíblia mesmo, né? Aí o Antônio coloca: "Mas Deus não seria o criador de Lúcifer, nesse caso, pai de Baal". Eh, não, não. Aí que tá. O que eu tô dizendo, Antônio, é que a palavra L, quando é usada na Bíblia não tá se referindo à entidade pagando os cananeus. Ela tá só se referindo à palavra Deus de forma genérica, que é o Deus da Bíblia. É um outro Deus. A Bíblia nunca faz associação entre o Deus bíblico e a entidade cananeia, embora a palavra seja usada, porque é a palavra que significa Deus em hebraico, né? É igual a ideia de escândalo que o Roney comentou num dos últimos vídeos. Os ídolos nada são eh, então não é sobre o batuque em si. É, é. Cados é uma propriedade, o o vai colocar o Kadosch é uma propriedade de Deus que é comunidade comunicada por sua vontade. Então, separar, dizer que algo é santo, mas que Deus não santificou de fato, seria usurpar uma autoridade divina. Eh, é uma boa pergunta, viu, Ed? Eu não sei porque eu acho que eu não consigo lembrar de um exemplo bíblico em que algo é chamado santo que já não esteja associado a Deus, né? Mas de qualquer forma, a ideia de que a santidade é uma atribuição, né? A a santidade da Bíblia não traz propriedades mágicas para as coisas, embora Deus possa se relacionar com as coisas de forma diferente quando elas são consagradas. Por exemplo, a arca da aliança. Que que era a arca da aliança? Era uma caixa feita de madeira de acás coberta de ouro. Só isso. Ao mesmo tempo lá não é só isso, porque como ela foi consagrada, Deus entende aquele objeto de uma forma diferente. Então ele se torna sagrado. Então quando alguém trata a arca que era só uma caixa de madeira, como se fosse só uma caixa de madeira, isso é considerado uma ofensa ao próprio Deus. Entende? Esse é o negócio da da santidade que é difícil. é atribuído, mas o fato de ser atribuído e não ser uma parte da essência natural da coisa não significa que essa atribuição ela pode ser descartada, porque eh não é o problema uma coisa ser profana, no sentido de que profano é aquilo que não é sagrado. Então profano é o que é comum. Então, né, sei lá, esse celular aqui é um celular profano. Por quê? Porque é um celular comum, não é um celular sagrado, profano. Então, nós vivemos num na esfera do profano, digamos assim, né? Eu vivo numa casa profana, com microfone profano e tal. Eh, embora tem uma relação com santidade que é um pouco mais complexa, que eu já falo, eh, então assim, nós nos relacionando com o profano, quando algo é consagrado a Deus e se torna algo sagrado, eh, o profano não é o problema, mas o o ato de profanar é o problema. Quando eu trato aquilo que é sagrado, como se ele não fosse especial, como se ele não fosse consagrado, aí eu tô fazendo uma ofensa ao Deus, a santidade de Deus, né? Eu tô eh é uma ofensa, uma santidade que foi atribuída à aquilo, aquele objeto ou aquela pessoa ou aquele lugar. Então, aí que tem aí que a as coisas se tornam complexas, né? Uma mesa comum é uma mesa profana e ela não tem um problema, ela não tem, ela não é ruim, ela só é normal. Agora, uma mesa sagrada, ela é uma mesa sagrada, ela não pode ser usada de uma forma normal. Se você tratar ela como uma mesa comum, você tá fazendo uma ofensa à santidade de Deus, né? E aí o que é complexo na santidade é que uma coisa pode ser sagrada e profana ao mesmo tempo, dependendo dependendo da da conotação, dependendo de, digamos assim, pensa no acampamento israelite, né? Eh, existem círculos concêntricos de santidade no no acampamento sailita. Então, o acampamento sailita é um acampamento comum, normal, mas ao mesmo tempo ele é um acampamento sagrado, porque o povo é santo, beleza? Então é um é sagrado. Ele é sagrado, mas ao mesmo tempo o centro do acampamento é mais sagrado, porque é ali onde estão as tribos de eh as tribos a a tribo de Levi, as famílias de Arão e o santuário. Mas aquele centro, a construção que tá bem no centro, que seria a a a tenda do santuário, é mais sagrado ainda. E dentro daquele santuário, é, você tem o pátio e e uma tenda dentro daquele santuário, entendo, a tenda é mais sagrada ainda. E dentro daquela tenda, você tem uma parte sagrada e tem uma parte sagradíssima, santíssima. Então, a santidade ela ela é meio que relativa também ao mesmo tempo, porque ao mesmo tempo que eh esse conceito é bíblico, todos os que eh todos os que aceitam a Deus se tornam santos. Todos nós somos santos. Ao mesmo tempo, nós podemos falar que também ao mesmo tempo somos pessoas comuns. Então, por exemplo, no povo de Israel, eh, quem eram os santos do povo de Israel? eram sacerdotes. Então, ao mesmo tempo que todo o povo era também santo, mas existe um um relativo de santidade, porque em relação à sacralidade do sacerdote, uma pessoa que não era sacerdote não era uma pessoa santa, entende? Então, o conceito de santidade é um conceito meio estranho, ele é um pouco relativo também, eh porque tem coisas que podem ser mais sagradas e menos sagradas de acordo com a posição que elas estão em relação a Deus, né? Então, eh, alguma, de certa forma, a gente pode falar também que nada é completamente profano no mundo. Porque se a gente pegar textos como por exemplo, Isaías 6, a glória de Deus enche toda a terra. Então, de certa forma, tudo é meio sagrado, tudo é meio e Deus tá em todos os lugares. Então, todos os lugares tem um aspecto de sacralidade, entende? Então, eh, o conceito de sacralidade não é um conceito muito cartesiano na Bíblia, não é um, não é uma coisa 2 mais do assim, sabe? Ele é um conceito meio fluido e difícil de entender, né? Então, tá vendo? Essas coisas são complexas e os textos bíblicos, quando a gente olha para eles, eles parecem contraditórios porque são de certa forma mesmo. Eh, porque o conceito ele é fluido, ele não é ele não é um monolítico em todo o todo lugar, né? Ele aparece dessas formas no texto bíblico, né? Então, inclusive esse argumento é usado quando tem a a revolta de, se eu não me engano, de de Coré, da Tabirã, né? Eles vão usar essa essa esse argumento. Falou: "Não, pera aí, como é que que o o o Arão tá falando que é santo, sendo que todo o povo de Israel é santo?" E é verdade. Tá lá em Levítico 19, fala, né? Vocês são na ação de sacerdotes, povo santo. Então, como os sacerdotes se acham sacerdotes em cima da gente? É verdade, todos são santos, mas você tem sacerdote. Todo povo é sacerdote, mas entre esse povo de sacerdotes, você tem sacerdotes que são especialmente dedicados a Deus, né? Então vocês vem como o assunto não é simples, não é simples. Eh, o Intelectos coloca aqui, a Bíblia não é animista. Essa é a síntese. Exatamente. Intelectos. Exatamente. Eh, não existe um um uma uma entidade eh uma entidade divina na natureza das coisas. Eh, a Deus é essencialmente diferente da natureza dentro do ponto de vista bíblico. Isso faz muita diferença, porque no paganismo não, a natureza e os deuses se misturam, não tem limites claros. Na Bíblia não. Deus é Deus, a natureza é a natureza e o ser humano é o ser humano. São existem limites entre essas entidades que que no paganismo se misturam muito, né? Eh, que seria mais ou menos a ideia de animismo, né? Da da da eh da conotação divina em todas as coisas, em todas as vidas, em todos os objetos, né? Eh, e não é assim no texto bíblico, não é assim. O pior é ver muitos cristãos sem instrução, obviamente dizer que Jesus é o ídolo deles. São coisas opostas, sem nenhuma relação. Exatamente. Tem nada a ver uma coisa com outra. Eh, ídolo é uma coisa, as pessoas usam a eh, já viu aquele meme na internet que o cara olha e fala: "Eu não acho que que essa palavra que você tá usando tem esse significado que você acha que ele tem." Não tem, né? As pessoas usam palavras com significados que elas inventam, né? Basicamente, a natureza é um Deus para os pagãos, mas na Bíblia a natureza é uma criatura ou criação de Deus. Se adora o Deus da natureza, não a natureza como um Deus. Isso, exatamente, né? Gênesis é um texto polêmico. Quer ver treta, leia a Bíblia. Nos idiomas indígenas, o sol é é qua quarazi e a lua é lazi. Não são deuses, são criações de Tupã e U. Ah, que legal. Interessante. Lembra do episódio em que Israel surgem dois locais de adoração? Eh, neste caso de usurpar o papel do santificador de Deus. Isso é exatamente ele. Por isso Deus mandou escrever na Bíblia em texto dentro do contexto cada nome pagão. Não é explicado a realidade daquele nome dentro de um contexto. Não adorem o sol shamesh. Eh, Deuteronômio 4:19, né? João chama Jesus de logos, mas o texto vai dizer o significado que aquela palavra tem para Deus. significado que a palavra tem para Deus. Não sei se eu entendi, João, essa sua última, esse último comentário. Gente, eu vou ter que de novo mudar o o o título da live, que eu fiz um bait aqui, as pessoas vieram para ver um tema e a gente acabou não falando sobre ele. Já tá tarde, amanhã eu preciso acordar cedo, tem coisas para fazer amanhã e tal. Então, eh, ficamos paraa próxima pra gente falar mais sobre inferno e outras coisas polêmicas, tá bom? Então, fiquem à vontade para vocês darem sugestões aí durante a semana, fazer qualquer comentário nos vídeos, pode ser nesse vídeo mesmo, eh, quando ele tiver postado como vídeo, né? Não, só o comentário aqui do chat, que aí fica mais fácil de eu ver durante a semana. Então, se vocês tiverem alguma sugestão de algum tema ou de alguma ideia que vocês queiram conversar, a gente fala sobre elas, tá bom? Só lei esses últimos comentários aqui doid. A voz de novo, a voz falou de novo com ele. Não chame de impuro aquilo que Deus purificou. Isso aconteceu três vezes. Nesse caso, Deus santificou toda a humanidade, no caso, né? Eh, aí, Aid, existe uma relação um pouco mais complicada entre pureza e impureza. Pureza e impureza não é exatamente a mesma coisa que santidade e santo e profano. Eh, existe uma certa relação. Eh, tudo o que é santo sempre é puro, nunca é nunca é impuro. Mas, eh, às vezes o que é profano pode ser puro ou impuro, entende? Eh, então, pureza e impureza tem uma relação com santidade, mas não é o mesmo conceito. Então, tem uma relação, o que é santo é sempre puro, eh, mas o que não é santo pode ser puro ou impuro. Eh, então tem tem uma relação aí. Eh, o conceito de pureza e impureza é um conceito próprio bíblico que a gente pode falar em um outro momento também, né? tem essa relação com a santidade, mas não é a mesma coisa, não, não é exatamente a mesma coisa. Então, houve houve então uma mudança nos círculos concêntricos de santidade. Eh, não nesse caso específico, mas esses círculos eles estão sempre em movimento. A gente pode dizer assim, a gente pode dizer assim, inclusive a gente pode pensar em todo aquele que nasce pro reino de Deus, que aceita a palavra de Deus, se torna santo naquele momento. Se torn santo. Paulo quando escreve as cartas pros paraas igrejas, eh, eu acho sempre esse exemplo engraçado, na que ele escreve assim: "Aos santos da igreja tal", né? Aí você pensa, nossa, eles são santos, então eles nunca erram, né? Eles são perfeitos. A os santos da igreja tal, né? Que absurdo. Olha como vocês fazem as coisas tudo errado. Vocês têm que crescer, parar de de ser criança e se tornar adulto. Olha só como vocês permitem que aconteça isso na comunidade de vocês. Vocês se confundem o tempo todo. Tipo, eh, eles são santos porque agora eles estão em relação a Deus. Eh, não quer dizer que eles se tornaram perfeitos, né? Eh, mas todo aquele que que aceita Deus se torna santo, por mais que ele continue fazendo um monte de coisa errada muitas vezes e tem toda aquela caminhada cristã, aquele processo, eh, a gente vai chamar de santificação, eh, o processo de santificação acontece depois que a pessoa já se tornou santa, vamos dizer assim. a gente vai melhorando, a gente vai se tornando mais parecido com o caráter de Cristo. Depois, no momento que a gente aceita a o sacrifício de Cristo, aceita um relacionamento com Deus e a partir desse momento a gente já é considerado santo, porque a gente tá em relação a ele, entende? Então, sendo santos, a gente tá numa numa caminhada de nos tornarmos melhores. Então, tem santos melhores e santos piores, digamos assim, dentro desse ponto de vista bíblico do conceito de santidade. O bom é que são temas infinitos, sempre vai deixando pra próxima. É, Kelvin. É, de tema a gente não vai, de falta de tema a gente não vai sofrer. Mas valeu, gente. Obrigado aí a todos que tiveram aí. Boa noite para todo mundo aí. Carlos sempre aparece primeiro, né? O Wade também tá sempre aí. Hoje eu vi também o quem é que comentou aqui? Fazia tempo que eu não via ele comentando. Eu não sei se ele tá sempre aí. Eh, o, eu não li todos os comentários hoje, viu, gente? Foi bastante comentário, vocês me desculpem. O Oziel, Oziel, que sempre aparecia. Eh, tá sempre ali com o começo da gente. O João também, o Intelectos que apareceu aí, sujeito que eu gosto de acompanhar ele também. Legal, bacana. Mas é isso, gente. Uma boa noite para vocês. Eh, um bom sábado aí, bom descanso para vocês e a gente se fala no próximo. Semana que vem é feriadão. É verdade, semana que vem já é o feriado, então não vamos ter semana que vem, viu? Eu não vou estar aqui, eh, e não vou conseguir entrar em live semana que vem. Então, eh, não será na na semana que vem. Nossa live será na outra semana, depois do feriado. Tá bom, gente? Valeu, abraço para vocês todos. Obrigado por estarem aí, pela conversa que é sempre boa e até a próxima. Então, tchau. Ja.