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A fé vem pelo ouvir

Obra: O Sinaleiro | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa | IBNU

Obra: O Sinaleiro | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa | IBNU

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>> Boa noite, boa tarde, bom dia. Sejam
todos muito bem-vindos a mais uma um
momento especial do ler para crer.
Estamos aqui mais uma vez no final do
mês. Tudo bem, Rina?
>> Oi, Leid Bell. Como você está? a você,
leitor também, querido, que tá aí
conosco mais uma vez, sejam todos muito
bem-vindos, né, essa live do ler para
crer de setembro de 26.
Hoje a gente vai falar sobre um ponto,
né, Bel, que se chama O sinaleiro
de Charles Dickens.
Nós já trouxemos o Dickens aqui outras
vezes,
ã, no Natal, sobretudo com aquele conto
dele, o espírito de Natal. Charles
Dickens tem um romance que a gente não
trabalhou aqui porque ele é bem grosso
assim, mas é belíssimo. Um romance de
formação que se chama Grandes
Esperanças, que vale muito a pena ser
lida, uma história lindíssima.
Hoje a gente vai falar desse conto
sinaleiro, que é um conto bem
pequenininho
e começa onde? Começa num vale
artificial, né? um lugar bem frio, bem
escuro na Inglaterra,
porque era um lugar onde se situava uma
via ferro, uma ferrovia. Talvez fique
difícil para quem não é de Minas Gerais,
por exemplo, imaginar, mas em Minas isso
é muito comum, vale doar sentadeira.
Quando você começa a fazer extração
mineral, né, você vai eh fazendo aqueles
vales entre as rochas, as pedras, a
linha férrea passa no meio, fica
emparedado ali, né, rocha de ambos os
lados. É nesse cenário que esse conto
acontece. Um dia tinha um homem
passeando ali à noite na margem dessa
ferrovia
e de repente quando ele tá assim, ele
tava num num alto, né, que a ferrovia
ficava embaixo, ele tava aqui no alto do
da parede rochosa.
Aí ele olha para baixo assim por
curiosidade e ele vê uma pessoa lá
embaixo que era quem? era o nosso
sinaleiro, é o personagem que dá o
título pro livro. E daí ele grita, esse
homem que tava passeando, que não tem
nome, mas é o narrador, que ele grita,
fala assim: "Oh, você é embaixo".
E daí o sinaleiro, ele se assusta o o
narrador um pouco com a figura dele, que
era um tanto fantasmagórica, né? uma
pessoa eh muito circunspecta
de de barba preta e muito séria. E daí
oh você embaixo
e ele não tem uma receptividade
eh
calorosa, vamos dizer assim. Ele tem
esse sinaleiro que o observa antes dele
chamá-lo novamente,
um trem passa. Tudo isso, gente, a gente
tá falando aqui de forma resumida, mas o
Dickens descreve com tantas
eh eh detalhes e de maneira tão precisa
que você vai sentindo essa atmosfera
misteriosa que vai criando. Inclusive,
esse conto é caracterizado por muitos
como um conto de terror, eu acho que
mais um conto de mistério, né? ou pode
ser de terror, mas considerando o terror
do século eh XIX, que ele foi publicado
ali no final do século XIX, em 1866,
né? Eh, não era o terror como é hoje em
que você tem a carnificina, né? Aquelas
cenas sanguinárias,
porque o autor criava o terror muito
mais do ponto de vista psíquico, né?
recorrer esses artifícios que são tão
fáceis, porque diante de uma
carneficina, uma pessoa deformada, uma
cabeça decaptada,
é claro que você vai se organizar.
Agora, criar o terror a partir dessa
descrição psíquica que é mais difícil,
requer um pouco mais de
de vocação, né, vamos dizer assim. Então
você vê grandiosidade de ele escreve um
ponto belíssimo como espírito de Natal
que inclusive ajudou a formatar o Natal
como hoje você comemora. Eu comemoro
aqui no Ocidente, né? A partir desse
culto de diens,
uma longa introdução histórica que a
gente não vai fazer, mas assim, a o
Ocidente ele reconfigura a sua forma de
celebrar o Natal. Então, Dicas consegue
escrever isso, consegue escrever o
romance de formação como grandes
esperanças e esse gênero que é
caracterizado como terror. Então ele
chama essa figura fantasmagórica ali,
né, assustadora, não recebe uma
resposta, um trem passa na ferrovia e
esse sinaleiro que tava lá por lá lá
embaixo, né, na margem da ferrovia com a
sua bandeira, porque ele sinalizava para
os trens se para o o trem se a a
passagem tava liberada ou não, nada
responde. Então o narrador gritou: "Ô,
você embaixo,
posso descer aí para conversar com
você", né? E o sinaleiro então reage.
Sinaleza é aponta para ele por onde ele
deveria descer. Ele desce.
Quando ele chega lá e se defronta com
esse homem, esse homem, o sinaleiro, ele
não vai até a direção do narrador, mas
ele fica assim com uma mão assim na
barba. A outra poeta aqui de baixo
assim, né? um olhar fito nele esperando
ele chegar. O narrador vai se
aproximando, o sinaleiro não recua, nem
se aproxima e o narrador chega meio com
medo dele, mas ele sente que o sinaleiro
também
tava ressabiado, tava com medo dele. E
aí eles vão conversando, né? superado
esse momento e de medo recíproco, eles
se apresentam e vou conversando.
O sinaleiro convida o narrador para
entrar na sua cabine, no seu posto.
Antigamente, gente,
as ferrovias ela tinham muitos postos,
muitas cabines de tantos em tantos
quilômetros, dependendo de cada trajeto.
E dentro dessa desse poço, dessa cabine,
ficava uma lareira, porque lá muito
frio, né? Ah, e um telégrafo. Então, o
sinaleiro responsável pelo seu trecho
tinha que, se houvesse alguma
intercorrência,
um acidente,
ele tinha que telegrafar para o
sinaleiro adiante, o sinaleiro posterior
sobre o que tava acontecendo. E esse
sinal aí eles iam telegrafando para os
demais e assim e o maquinista ia fazendo
o seu caminho ou interrompendo conforme
o caso. Então eles entram nessa cabine,
nesse posto
e aí o sinaleiro começa a conversar com
o narrador. O narrador vai percebendo
que, apesar de ter uma profissão tão
endurecida,
né, esse homem tinha uma mentalidade
muito refinada. Ele conseguia conversar
com profundidade sobre as coisas e o
narrador descobre que ele foi inclusive
estudante de filosofia,
né?
Então ele tem uma, porque o nariz assim,
ele era um homem muito exato, né? Um
homem muito responsável, um homem muito
lúcido. Tempo que a gente ficou
conversando ali,
quando ele precisou responder as
mensagens do telégrafo que chegavam para
ele, ele responder, quando ele precisou
sair para sinalizar ali alguma coisa
fora, ele fez. Então ele não era um
homem que se perdia ali no papo da
visita, né, ou na na contação de si. E
aí ele fala: "Poxa, né, você é um cara
que tem profundidade". Ele fala: "Ah, eu
fiz filosofia, mas também fiz escolhas
erradas, não consegui concluir o meu
curso. Eh, e estou aqui." Mas ele diz
isso é amargura, né? E diz isso com uma
uma
com uma constatação prática.
E aí o o narrador começa a pensar eh que
vida
desafiadora, porque é um ambiente muito
frio,
muito úmido, porque ele tá num vale
margeado por paredes rochosas,
né? O sol só entra por uma fresta assim
do vale e ele não tem contato com
ninguém porque a profissão dele é de um
exercício muito solitário. Ele passa as
mensagens ali pros outros sinaleiros,
mas ele não tem com quem conversar o dia
inteiro, aliás, a noite inteira, porque
ele trabalhava à noite, né, e não de
dia. OK? Então eles estão conversando um
pouquinho
e o narrador fala uma coisa bem
interessante. Ele fala assim que o
sinaleiro não pretendia ser alguém além
do que o outro via.
Você já conversou com uma pessoa que
fica
pretendendo ser alguém além do que ela
de fato é? Ou você já se comportou
assim, né? Você quer parecer mais
agradável, mais simpático ou mais
inteligente ou mais bem formado ou mais
espiritual do que de fato você é. Então
assim, isso é um erro no qual a gente
incorre tantas vezes, né? ou um
comportamento no qual a gente incorre
tantas vezes, a gente pretende ser
alguém diante deste outro,
que talvez a gente não seja o sinaleiro,
não, que ele tava em paz consigo,
tava em paz inclusive com os erros que
cometeu, né? que ele fala, eu fiz as
escolhas erradas e ele não tá lá se
chicoteando, se pun ele faz a sua
autoanálise,
mas ele tá em paz, né, com tudo que ele
fez até ali. Achei isso muito bonito. De
fato, é um homem muito lusto, né?
Aí
certa altura o narrador fala que que vai
embora, que já tá tarde, etc. Aí o
sinaleiro falar assim: "Olha, se a gente
voltar a conversar, eu vou te explicar
porque que eu tô parecendo assim meio
perturbado, porque o narrador percebe
que ele tem um comportamento atípico
ali. E aí o narrador fala: "Não, mas
então eu venho amanhã. Amanhã às 11
horas da noite eu tô aqui. De fato, no
dia seguinte, às 11 horas da noite, ele
tava lá e o sinaleiro começou a contar o
motivo da sua perturbação. Qual que era?
Ele havia tido já duas visões,
né?
Ah, a primeira foi o seguinte,
tinha um homem,
você tem o túnel, né, onde o trem entra
e sai.
E ali na beirada desse túnel você tem
uma luz vermelha que sinaliza a
movimentação do trem. Certa vez o
sinaleiro olhando para essa paisagem,
né, para ali levantar a sua bandeira
sinalizar, ele viu um homem ali. E aí
ele fica bastante assustado
porque esse homem fala assim: "Ô, você
aí,
né?" né? A mesma coisa que o narrador
falou com ele. Oh, você aí chama a
atenção dele. E em seguida,
quando o narrador, o sinaleiro corre em
direção a esse homem, ele desaparece.
E aí o sinaleiro fala que entrou no
túnel, procurou ele por boa parte do
túnel e não encontrou e ficou ali, né,
muito impressionado com aquela
alucinação.
Quando logo depois disso, ele retorna
para o seu posto, pra sua cabine, mas
logo depois disso ele recebe a notícia
de que houve um acidente na linha
fértilas
fatais, um acidente muito grave. E aí
ele fica se questionando, será que essa
esse fantasma, né, que ele vai chamar
assim, ele veio me avisar que teria esse
acidente, né? E ele conta isso pro
narrador muito assim, eh, assustado
ainda, mas não só por causa disso,
porque foi uma aparição só, mas porque
teve outra ainda. Porque na hora que o
narrador tá ouvindo, ele começa, a
primeira reação dele é o quê? Ele vai
racionalizar.
Ele vai falar: "Olha, eh, será que você
não tá muito cansado? Deu estresse por
causa da sua profissão?" Aí o narrador
tá ouvindo aquilo tudo, começa a pensar,
deve ser porque ele fica muito tempo
sozinho, né? E aí o sinaleiro contou
para ele, não, mas teve uma segunda
aparição, né? Eu vi esse homem uma outra
vez falou: "Ó, você aí e tal". E logo em
seguida
um trem passou com um tumulto interno,
uma agitação interna. Não foi um
acidente, não foi um descarrelamento,
mas uma agitação interna. E ele logo
soube, pelo
sinaleiro subsequente que uma jovem
tinha sofrido mal súbito ali dentro do
vagão. Então ele pensa, como disse a
Ágatha Criste, né, uma uma coincidência
pode ser só uma coincidência, duas
coincidências já são uma pista, três
coincidências são uma prova. essa essa
frase de que de Ágata Cristo.
E aí o ele conta essa esse segundo
essa segunda aparição que se deu só seis
meses depois da primeira e fala assim
que por isso que ele tava muito
assombrado. Então, quando ele relata a
segunda aparição, o narrador já não
tenta ali racionalizar, mas ele fala o
seguinte: "Olha, fazer o seguinte,
ah, vamos procurar um médico, né?"
Aliás, antes disso, até dele falar
assim, não procurar um médico, o
sinaleiro fala assim: "Agora eu vou te
falar
eh o motivo
maior ainda da minha perturbação? Então,
eu tive uma visão, houve um acidente, eu
tive uma segunda visão, houve um segundo
acidente e eu tive uma terceira visão.
Tem uma semana, né? Então, tem uma
semana que ele tá assim com os nervos à
flor da pele e em estado de
hipervigilância,
esperando de onde vem a tragédia,
quem é que vai morrer dessa vez e o que
que eu posso fazer? Porque daí ele entra
num conflito, né? Eu aviso as pessoas,
mas eh elas vão dar credibilidade para
um simples sinaleiro como eu ou vão
reputar, que é o quê? É uma alucinação,
porque esse esse ponto é interessante,
gente, porque o autor ele não esclarece
pro leitor se é uma alucinação ou não.
Então, o final do conto e que a gente
adianta, né, tem spoiler, a gente vai
relatar o conto todo. Se você não quer
spoiler, esse é o momento de você nos
deixar, né? Ao final do conto, cada
leitor, por isso que é um um ponto bem
interessante, considerado o maior ponto
de dicas, né? Já fui inclusive adaptado
para cinema.
Mas ele é um ponto bem interessante,
porque ele tem um final aberto. Você
pode interpretar o que é um espírito
cardecista, né? Se você um espírito de
uma pessoa que desencarnou, se você for
cardecista, OK? Você pode interpretar de
acordo com essa sua cosmovisão.
Mas o Dickens, ele era luterano, né? Ele
era cristão protestante. Então, difícil
que ele esteja indo por aí.
Eh, agora pode ser uma alucinação, né?
Que é um quê? Alucinação é quando eu
tenho uma experiência sensorial
sem ter um estímulo externo, né? Então,
eu vejo e não tem ninguém, eu ouço e não
tem ninguém falando, né? Eu sinto que
alguém me tocou, mas não tem ninguém
aqui. Isso é uma alucinação que
inclusive se diferencia ali do delírio,
porque o delírio é mais uma condição
interna, né, de pensamento. Então, eu
sou Napoleão Bonaparte, eu sou ah, sei
lá, a rainha da Inglaterra, eu sou eh
Chica da Silva, né? Isso aí é mais uma
condição intensa, é um delírio.
A alucinação tem a ver com essa questão
sensorial. Então, tô sentindo, tô vendo,
tô ouvindo. E aí o autor deste aberto,
ele tá alucinando,
eh, ou ele tá vendo um fantasma mesmo,
mas aí o o autor recorreria ao fantasma
como ele usa ali no espírito de Natal,
não no sentido de ser uma confissão de
fé, eu estou defendendo aqui uma
doutrina de fé, mas como uma um recurso
fantástico,
né, como ele faz, eh como a literatura
fantástica faz.
Então, né, você tem as fadas, os gnômos,
os doenças, você tem animais que falam
literatura fantástica, todos esses
eventos sobrenaturais,
elementos sobrenaturais são usados.
Então aqui você tem um elemento
sobrenatural também, que é o quê? Que é
um fantasma, né? É um ponto de terror
fantástico. Um ponto fantástico. Um
ponto de terror tem essa essa
flexibilidade ali eh na análise, na
categorização do ponto pelos estudiosos.
O fato é que o narrador
fica muito confuso porque ele fala
assim: "Ele é um homem tão lúcido, ele é
um homem tão inteligente, ele é um homem
tão consciencioso das suas
responsabilidades,
eh tão pontual nos seus deveres, né?
E e tá me dizendo essas coisas. Bom,
vamos ao médico." E aí ele fala o
seguinte: "Olha, vamos fazer o seguinte,
vamos ao médico, eu passo aqui, eu pego
você". Porque ele entrava, né? A início
da noite saía lá início da manhã. Amanhã
de manhã eu pego você e o o sinaleiro
continua
atormentado com essas perguntas. Qual é
o perigo?
Onde ele está? O que eu posso fazer? A
quem eu posso rezar?
E nesse momento, diante do sofrimento do
sinaleiro, o narrador tem uma postura
muito humanizada.
que é uma aprendizagem pra gente aqui.
Quando você tem alguém em estado de
alucinação,
não adianta você ficar falando não, eh,
não tem ninguém aqui, ah, essa coisa na
sua cabeça. Eu não adianta você ficar
contraargumentando
no sentido de querer convencer a pessoa
que ela está tendo uma alucinação. Não,
você acolhe o sofrimento dela. Você
também não vai falar: "Eu tô vendo, é
mesmo, tem, né? A ideia não é que você
engane a pessoa e a ideia também não é
que você contradite a pessoa, porque
ela, se ela está alucinando, não adianta
você argumentar com as suas razões.
Aquilo não é o momento, ela não vai
alcançar isso que você tá dizendo. Ela
tá tendo uma experiência sensorial
e contra os sentidos dela fica muito
difícil
alguma voz prevalecer. Então o que que a
gente faz? A gente acolhe, né? Ah, você
você tá vendo aquela pessoa ali? Falou:
"Ol, eu não tô vendo ninguém, né? Mas eu
reconheço que você tá muito assustada."
Então, que é o que o narrador vai fazer,
né? Ele para de querer racionalizar com
sinaleiro
e o acolhe no seu sofrimento.
Falei assim: "Olha, tudo bem, eu não sei
o que é, né? Eu não vi, não tava lá com
você. Vamos fazer o seguinte, vamos
investigar isso aí. Vamos começar eh
porque eu tô vendo que você tá em
sofrimento. Vamos começar ainda ao
médico pra gente ver se tem algum tipo
de recurso, que ajuda que o médico pode
nos dar. Olha que coisa bonita, né? No
primeiro momento ele racionaliza porque
o sinaleiro tá contando um fato para ele
aquele é um fato, né? Tá contando uma
experiência, vamos dizer assim, uma
experiência. No segundo momento ele para
de racionalizar,
porque ele tá vendo que o sinaleiro tem
sofrimento. Ah, Rina, mas pode ser
também porque ele ficou na dúvida. Pode
ser também, né? Pode ser também, mas
seja como for, eh ele tem essa
sensibilidade de acolher o sinaleiro,
que ele podia ficar na dúvida e insistir
na sua dúvida, né? Ele não insiste na
sua dúvida, se é que ele tava com
dúvida, mas ele acolhe o sofrimento do
sinaleiro. Quando chega no dia seguinte,
o narrador esse dia, ele foi embora era
2 horas da manhã, né, tarde, e ele foi
se questionando
de maneira muito parecida com o
sinaleiro. Quer dizer, como que eu devo
agir?
Porque se ele não tá bem, se for uma
questão eh de alucinação,
não é seguro para a população
que ele esteja aqui cuidando do tráfego,
tráfego férre, né, da ferrovia.
Então o narrador vai embora também se
questionando sobre o que ele devia
fazer.
No dia seguinte,
quando ele chega lá, ele vai embora com
essas perguntas e o sinaleiro fica lá
com as perguntas dele, né? Então, a
pergunta do narrador é:
a quem que eu devo avisar? Porque tem
uma questão de segurança envolvida aqui.
A pergunta do sinaleiro é: onde que vem
o perigo, né? O que que eu devo fazer
para evitá-lo? Mas se cada um for dormir
com a sua angústia,
com a sua incerteza,
com o seu medo do desconhecido.
No dia seguinte, quando o narrador tá
chegando lá de manhã para pegá-lo e
levá-lo ao médico, ele coloca a cabeça
assim, né, no precipício, válido lá
embaixo, e ele vê
um homem parado na entrada do túelo. E
ele toma um susto, né? ele se desregula
na hora porque ele vê esse vulto, mas aí
logo em seguida ele olha assim um pouco
mais ao lado e ele vê que tinha outras
pessoas, outras pessoas estavam ali
também, né?
Ah,
e além dessas outras pessoas, havia
também uma lona no chão.
E aí o narrador pergunta: "O que é que
que aconteceu?"
E ele é informado de que o sinaleiro
havia morrido.
Nessa hora o narrador fala: "Não pode
ser não, se você eu conhecia, você pode
fazer o reconhecimento do corpo, tá
aqui." E quando ele vê um amigo dele,
ele fica muito
eh perturbado, assim, não querendo
entender como aquilo aconteceu.
Aí o maquinista
do do
trem que atropelou o sinaleiro comece a
explicar. Vou ler para você esse
trechinho porque
é importante.
Hum.
Meu Deus, como foi que isso aconteceu?
Como aconteceu? E aí
um dos homens que tava lá falou assim:
"Ele foi morto por uma locomotiva,
senhor".
Mas ninguém na Inglaterra conhecia
melhor o seu trabalho do que este
sinaleiro.
Não se sabe por
ele não saiu do trilho porque o trem
vinha vindo, apitou e o sinaleiro não
saiu e foi em plena luz do dia. Então
ele tinha morrido de manhã,
ele havia acendido a luz e tinha na mão
sua lanterna, né? lanterna para
sinalizar. Quando a locomotiva saiu do
túnel, ele estava de costas paraa
locomotiva e ele foi atingido. Aquele
homem ali, ele tava apontando para
maquinista, né? Aquele homem ali tava no
comando.
E ele vai te contar o que aconteceu. Aí
o narrador vai procurar esse maquinista
que fala para ele o seguinte: "Senhor,
eu que tinha um túnel, o tú ele tinha
uma curva. Na hora que eu cruzei a culpa
do turno, eu vi lá na saída do túno uma
pessoa parada e eu sei que era ele
porque ele passa ali, né, sempre. Então
já conhecia.
Ele fala: "Eu vi no fim eh como que numa
luneta lá no fim eu vi. Não deu tempo de
diminuir a velocidade
porque já era ali o fim do trem. tinha
uma distância, mas não suficiente, né,
para para para não chocar, porque tem um
tempo de frenagem. E eu sabia que ele,
esse sinaleiro, era muito cuidadoso.
Como ele pareceu não ouvir o apito, né,
ele fica lá assim, como ele não pareceu
não ver o apito, eu desliguei a máquina,
porque a gente tá falando de trem o
século XIX, né? vapor. Então, naquela
época quando você desligava a caldeira
você perdia também um apito. E o Macnin,
ele tem que tomar uma decisão ali,
porque primeiro ele tá apitando,
apitando, apitando, mas o sinaleiro ele
não desliga a caldeira, então assim, não
perde a pressão, né? A força que
movimenta ali o trem, ele apita, apita,
apita, o sinaleiro não se movimenta.
Então, o que ele faz? a decisão dele,
que decisão difícil, né? Eu mantenho a a
máquina ligada, ou seja, na sua
velocidade ainda mais aptando, ou eu
desligo para tentar conseguir ali uma
frenagem, mas perco o apito. E aí, como
ele apitou, apitou, o sinaleiro não
ouviu, ele desliga a caldeira e na
esperança de que a máquina pare, o trem
pare e não consegue mais apitar. Mas aí
ele começa a gritar: "Oi, você aí, saia
do caminho, pelo amor de Deus, o que
você tá fazendo?", né? E medida que ele
ia gritando, ele vai sinalizando o
seguinte:
"Ã, como ele pareceu não ver o apito, eu
desliguei a máquina quando estávamos
próximos dele, chamei o mais alto que
pude." Ele começou a gritar por isso que
eu falei. E eu levei um choque. Foi
horrível, né? Eu não parei de gritar
para ele. Eu pus o meu braço na frente
dos olhos para não ver, porque ele ele
faz assim, né? Porque ele não queria ver
a colisão, o atropelamento.
E o outro eu fiquei acenando até o
último momento. Então ele faz com um
braço assim, né? com o outro ele fica
cenando assim
na tentativa de que o sinaleiro visse e
gritando e gritando e gritando, mas nada
disso foi o suficiente.
E aí quando o narrador tá ouvindo isso,
ele fica muito estupefato. Por quê?
Esse gesto que o maquinista diz que fez
era um gesto que inclusive o sinaleiro
disse eh repetiu para ele que a
as alucinações que ele tinha também
faziam. Ele falou o seguinte: "Olha,
eh,
antes de encerrar esse ponto, eu vou
sublinhar a coincidência de que o alerta
do maquinista da locomotiva incluía não
apenas as palavras que o sinaleiro
repetiu para mim, né, e que dizia
persegui-lo, mas as também as palavras
que não ele, mas eu próprio e apenas
mentalmente
associei ao gesto que ele imitou porque
o sinaleiro fazia, né, esse gesto para
ele na hora que ele tava contando casos
nas alucinações que ele via e ele vê o
maquinista fazendo o mesmo gesto e fica
muito impressionante e o ponto acaba.
Aí você fica assim, opa, acho que eu
perdi alguma parte aqui, deixa eu
voltar. Você vai reler o conto. É um
conto que você tem que reler, né?
Ah, quer dizer, a maioria das pessoas
precisam reler ali. Então, ah, ele é um
ponto que fica em aberto com o seu final
e que deixa pra gente algumas questões,
tantas outras também, mas cada um extrai
esse conto aquilo que consegue extrair,
né?
No nosso caso, eu acho que o que chama
atenção ali é a primeira é a forma como
ele lida com uma pessoa que tá tendo uma
alucinação, como ele faz o acolhimento
do sofrimento dessa pessoa ali na hora.
E ao reconhecer a sua incapacidade para
lidar com aquilo, ele vai buscar ajuda
profissional. Então ele se mobiliza,
ele não simplesmente fala: "Ah, coitado,
nossa, que tristeza, né? Tá alucinando
porque fica aqui sozinho a noite
inteira. é muito pesada. Ah, porque esse
trabalho é muito difícil. Olha que esse
ambiente não tem sol, tudo escuro, tudo
eh úmido, né? Não. Eh, ele acolhe e ele
se mobiliza de maneira muito prática
também. E num outro, uma outra coisa que
a gente pode perguntar é o seguinte:
você gostaria de saber onde é que você
vai morrer?
dia e hora, local certinho.
Certamente isso pode trazer algumas
vantagens, mas imagina quantidade de
sofrimento
que isso tem também,
né? Porque olha só, o sinaleiro nas duas
vezes em que ele teve alucinação,
como outras pessoas que morreram, ele
não considera
que tem uma semana que ele teve outra
alucinação
e que este outro alguém que vai morrer
talvez seja ele.
Isso é mais ou menos como acontece com a
gente ainda hoje, né? E a gente acha que
eh o câncer vai tá no outro,
que a tragédia tá no outro, que a morte
violenta acontece com o outro. A gente
tem uma impressão que essas coisas não
chegam na gente, até o dia que elas
chegam.
Mas até isso acontecer,
a gente fica
diluído,
né? Como se a gente vivesse numa redoma
e que se Deus tivesse ali uma obrigação
de nos tratar de uma maneira muito
privilegiada e especial, né? E aí no dia
que essas tragédias chegam, a gente
fala: "Ai, porque eu é o que diz o
sábio, né? Por que não eu?
Isso aconteceu com meu vizinho, com meu
amigo, com meu colega de trabalho, né?
Aconteceu inclusive com pessoas muito
melhores do que eu, pessoas muito mais
amorosas, mais respeitosas, muito mais
devotas do que eu, né? E aí na hora que
chega na minha, ah, porque eu porque não
eu?
Então, talvez ter voltado pro sinaleiro
ali na sua confusão mental
se questionar sobre isso. Será que sou
eu?
e até pro narrador,
porque olha só que curioso, o narrador
também não considera
que talvez possa ser ele o sinaleiro ou
até que possa ser ele o narrador. Eu
acho impressionante como a gente tem
essa facilidade de eh se incluir nas
coisas boas, né, e se excluir das ruins
e claros. Pode ser ali até um instinto
de sobrevivência.
Mas é importante a gente meditar na
possibilidade
de que nós estamos aí
tanto a a mercer das tragédias tanto
quanto qualquer outra pessoa.
E isso não significa
um desamor Deus para conosco, né? De
forma nenhuma.
E quanto mais eh
com mais lucideza a gente olhar para
isso, talvez melhor a gente possa
se trabalhar para quando essas coisas
chegarem, se chegarem, né? a gente sabe
lidar com elas com um mínimo de
tranquilidade.
Outra coisa que esse conto eh me fez
pensar
foi nessa nessa coisa aqui que no final
das contas eh se é uma alucinação ou
não, se é uma coincidência ou não, eh
esse narrador que chegou ali
tão racional, né, tão convicto de que
aquilo ali era um só uma questão eh de
alucinação, mesmo. Ele tá muito mais
inclinado para isso. A certa altura
depois que ele ficou, opa, duas vezes,
né? Não sei, muita coincidência, mas é
curioso que ao final ele sai um tanto
impressionado, porque ele fala assim:
"Nossa,
essas palavras que o maquinista tá
contando aqui, né, esses gestos que ele
tá fazendo aqui, são os mesmos gestos
que o sinaleiro eh me contou, né,
relatou para mim. E agora também
enquanto ele falava, são os mesmos
gestos que eu. Aí o autor coloca entre
travessões, né? Eu próprio associar aí
entrevões e apenas mentalmente
ao gesto que o maquinista
eh tava imitando. Então assim,
mentalmente o narrador
tá comprometido também,
né?
mentalmente ele começa a se agitar com
essa associação de circunstâncias,
a se questionar se é só uma coincidência
ou não. E acho que daqui, gente, a gente
pode tirar uma outra eh reflexão que é o
seguinte.
Dicas tá falando disso no século XIX,
hein?
Isso só, a gente não tava vivendo essa
epidemia
de transtornos mentais que nós vivemos
hoje.
Hoje, mais do que nunca, é muito
importante a gente ah
pedir bem ao que é que a gente se
exponha.
E isso não é uma sugestão pra gente se
ensear,
né? Vivi ali no nosso cercadinho gospel
familiar, de clube, sei lá do quê, né?
Literário,
não é?
Ide por todo mundo pregado. A gente
precisa ir, mas a gente precisa ir e
voltar, que era exatamente o movimento
que os discípulos faziam, né? Eles iam,
voltavam pro Cristo. Eles iam, voltavam
pro Cristo. Cristo ia paraas multidões,
voltava pro pai. Cristo ia pras
multidões, voltava pro pai.
esse movimento que a gente precisa
fazer, porque dependendo
o que é que a gente é exposto,
eh,
aquilo vai, a gente vai levar alguma
coisa daquilo.
Será que a partir disso tudo que esse
narrador presenciou,
não é ele amanhã tem que passar no
médico
para ver? Olha, passei por isso, conheci
assim, tive esse relato, essa
experiência. Ele me contou pessoalmente,
né? Não tô sabendo por fonte indireta, a
minha fonte é direta. Aí quando o
maquinista veio me relatar como ele
morreu, poxa, foi da vez que foi do
mesmo modo, com os mesmos gestos, as
mesmas palavras que o sinaleiro falou
que tinha tinha visto em outras
situações. E eu na hora isso me vê na
cabeça também, na minha mente, né? Será
que eu tô meio tô correndo risco de
alucinar?
Talvez tenha sido uma pergunta. A gente
pode pensar nisso, né? Eh, talvez
caberia aí essa essa consequência, esse
desdobramento pro narrador. Então, fica
aqui essa lição pra gente de que
a gente precisa tomar cuidado ao que é
que a gente se expõe.
Não é negar a ajuda, né? Não é negar o
socorro,
mas é ser diligente mesmo para socorrer
e encaminhar para quem está apto para
fazer da melhor maneira.
Então, profissionalmente,
por um exemplo, esse pobre desse
narrador não teve tempo, né? Porque no
primeiro dia ele vai fazer visita. Ele
percebe que o sinaleiro
tem um comportamento atípico, mas ele
ainda não sabe o porquê. Então no segí
já poderia ter se recolhido, talvez, ou
ele quando ele volta lá para saber, ele
volta porque ele quer ajudar essa pessoa
ou porque ele tá só curioso, né? texto
dá a entender pra gente que ele tá só
curioso, porque o sinalediro fala assim
com ele: "Ah, se você ver aqui mesm vou
te falar eh porque eu tô assim
perturbado".
E aí o texto não diz que o Nard falar
assim: "Nossa, eu vou porque talvez eu
posso ajudá-lo tal tal tal". Não, ele
fica assim, mas será que ele tá
perturbado? Que também é natural, gente,
normal também, né? Mas aí no segundo dia
ele volta, isso tudo e ali
ele já se mobiliza. Só que o terceiro
dia na lei do morre, né?
Então pergunta que eu deixo para você é
assim: "O que é que você tem se exposto?
de bom de ruoir
e um termômetro
muito eficiente para você medir isso
sem
pílula dourada, sem dourar a pílula, né?
É quando você põe a sua cabeça no
travesseiro.
Por isso que muitas pessoas hoje têm
dificuldade para dormir.
Precisa de medicação ou precisa ligar um
podcast, ficar ouvindo, precisa deixar a
televisão ligada, né? porque ela não
consegue
calar todas as vozes, silenciar todos os
estímulos e ficar só com a sua mente.
Porque quando isso acontece, se não tem
nenhum podcast ligado, uma TV ligada,
né? Você não tem um medicamento que toma
e cai ali e dorme já pesado na hora. Que
que vem a sua mente quando você põe sua
cabeça entre você
sem estímulo externo?
O que subir ali
vai indicar para você o que é que você
tem se exposto mais.
Se é preocupação, então você tá se
colocando, tá sendo mais exposto a um a
a preocupação do que a esperança, a
preocupação do que é uma possibilidade
de solução.
Se é uma coisa que você vê em rede
social, você tá muito exposto à rede
social,
se é puxa, né, aquela aquela personagem
bíblica, aquela história bíblica, aquela
palavra bíblica é Bíblia.
Se é um livro que você tá lendo,
por exemplo, essa live vai ser a live,
mas assim, quando a gente põe a cabeça
no travesseiro sem estilo externo, não
tem conversa. aquilo que a gente tá
sendo exposto ou aquilo que a gente está
se expondo de maneira mais predominante
vai subir, vai aparecer. É importante a
gente deixar subir aparecer o mais
difícil que seja às vezes, porque às
vezes sobem culpas, né, acusações
e aí eu faço ali um movimento de fuga
para não ter que lidar com isso, como se
fugir disso fosse tornar isso
inexistente, não torna, gente. Essas
coisas elas vão voltar e elas voltam
ainda mais fortes porque isso fica
fermentando dentro da gente. garrafa,
quando você põe lá para fermentar,
depois da tampa estoura. É exatamente
isso que acontece com a gente. Então,
eh, vamos prestar atenção ao que é que a
gente tá se expondo.
Vamos perceber quando o que que sobe
dentro da gente, quando a gente tá lendo
um estímulo externo. E se for o caso,
vamos procurar ajuda profissional para
lidar com essas coisas,
né? Mas existem muitos recursos hoje em
dia. A gente não precisa passar por nada
sozinho.
Será que esse sinaleiro tivesse buscado
ajuda antes, né?
Nem teria tido um outro fim?
As coisas não teriam que ter sido de uma
outra maneira?
Esse ponto é um conto bem interessante,
porque
eh você vai buscar aí, né? Se você se
interessou, você vai buscar aí outras
reflexões.
É curioso como muita gente só o aborda
do ponto de vista do sobrenatural,
enfatizando a questão sobrenatural. Eu
acho que isso é uma abordagem, acho que
isso é um é uma reflexão para ser feita,
mas também penso que existe essa outra,
né, onde a gente pode, OK, tem esse
elemento sobrenatural, tem esse elemento
ou fantástico, né, como alguns
consideram, mas eh não é a principal
coisa que eu posso extrair do ponto, né?
Talvez eu possa extrair outras coisas
ali que sejam eh mais importantes,
inclusive mais eficazes para eu lidar
com a minha própria condição interior,
com meu próprio mundo interior, com a
minha própria mente, com os meus
próprios pensamentos e as minhas
próprias emoções.
Então, vamos eh pensar um pouquinho
nisso, Bel. Vamos ver um pouquinho. E
você que tá aí também, eh, obrigada pela
sua escuta até aqui e que Deus nos
abençoe, né, para que a gente consiga
lidar ali com a nossa, a gente consiga
sustentar a nossa sanidade mental,
cultivar uma mentalidade saundável,
lidar com as nossas alucinações
através de tratamento
eh profissional.
E se tem alguém passando por isso aí,
que Deus nos misericórdia,
providencie. Sabe que providência, né?
Vem, a palavra vem de providere, que é
assim ver antes, provisão, providência,
vem tudo de provido, providência que é
ver antes. Então assim, Deus vê antes da
gente. Deus vê antes da gente fazer,
Deus vê antes do que é feito conosco.
Deus vê antes do que acontece. Então,
que Deus na sua providencia, na sua
capacidade de verantes, possa
levar o socorro, a ajuda, o suporte que
porventura alguém aí esteja precisando,
porque também se encontra nessa nesse
quadro de alucinação do nosso eh querido
sinaleiro.
E aí, Bel, como é que você tá? Como é
que tá a cabeça dela? Tá boa?
>> [risadas]
>> cheia de alucinações.
Eh, um pouco antes de de começar a a
nossa live aqui, né, a gente tava
conversando, né, eu estou vivendo um
momento bem crítico da minha vida, que a
minha mãe tá no finalzinho da vida, né,
a médica hoje falou que é o começo do
fim e ela tem várias alucinações. Eu
falei para e a Rina e esse ponto foi
escolhido não por causa disso, mas tem
tudo a ver, né, que a minha mãe fica
tendo alucinações, lembrando de fatos.
Cada vez que eu penso assim em
alucinações e também com esse ponto que
eu achei muito interessante, eu penso
que às vezes essas coisas vêm na nossa
cabeça, esses pensamentos, esse vem às
vezes até sonhos que pra gente tratar
alguma coisa que ficou lá guardada de um
tempo que a gente não tratou. É isso que
eu imagino que que é o o fascínio de
Deus, né, que Deus nos mostra através de
sonho e dessas coisas que vem na nossa
cabeça, até coisas que estavam
esquecidas, né, para que nos vem a nossa
memória, pra gente tratar essas coisas,
né, e
ter tempo de tratar isso, né, de de
pedir perdão às vezes ou de lembrar de
coisas ou perdoar alguém também, né?
Isso é é o que eu penso, né, que foi um
ponto muito muito forte. Eu venho do
Nordeste, acho que tem muita gente aqui
do Nordeste que sabe de muito dessas que
acontece muito essas coisas de visões e
de alucinações e dessas coisas todas que
eu já ouvi histórias e que às vezes as
pessoas são consideradas consideradas
loucas, né, por estarem vendo essas
coisas e tal. Mas é isso, foi isso que
eu achei muito muito bom e muito
e uma bem na bem na época que eu estou
vivendo isso, né? ouvindo a minha mãe
falar de coisas que não tem nada a ver.
>> É, colocou bem, viu, Bel? Porque sim,
né, essas alucinações elas podem eh
indicar restos
>> Uhum.
>> dentro de nós, né? Coisas que a gente
precisa ainda elaborar. Você tem razão.
Eh,
é isso, minha gente. Então, hoje a gente
vai fazer essa live mais curtinha,
porque é um ponto bem curtinho, mas para
mim também foi um ponto muito denso. Eu
quando peguei esse ponto, né, não
imaginei que eh obteria dele toda essa
densidade, mas foi o que eu encontrei,
né? E B também teve essa mesma sensação.
Eh, esse é um ponto que tá em domínio
público. Então, se você joga lá o
sinaleiro de Charles Dickers, você vai
encontrar várias versões, um ponto
curtinho de 10 páginas. Leia, tire as
suas próprias conclusões, né? Você acha
que é o quê? Uma alucinação? Você acha
que uma manifestação sobrenatural?
Uma eh previsão, uma revelação, né? o
que que você acha que é, mas eh
a partir do que você entender que é, o
que de prático você extrai dessa
história
para trazer saúde paraa sua vida, né?
Porque a literatura não tem só o
objetivo de nos proporcionar um
entretenimento vazio,
não, isso aí outras coisas podem fazer.
de que jamais escreveu com essa
intenção. Ah, vou dar um prazerzinho
aqui eh vazio para eles. A literatura,
ela sempre nos coloca diante de
perguntas importantes que precisam ser
feitas para que a gente vá se elevando,
para que a gente vá amadurecendo, para
que a gente vá se desenvolvendo.
Então, independentemente de você
entender porque o autor, né, deixa ali
em aberto se é uma alucinação ou se é
uma
previsão mesmo, premonição mesmo, né,
seja A ou B, o que você leva paraa sua
vida, né?
Que que que que aprendizagem, que
pérola, que princípio de sabedoria você
pode trair desse conto e levar consigo
para trazer saúde paraa sua vida. É isso
que a gente deseja para você. Obrigada,
viu, leitor querido, que tá aí conosco
mais uma vez. Que Deus te abençoe
imensamente e que se você tiver numa
condição que importe nisso aqui que a
gente trabalhou hoje e a gente nem BNU
puder ser útil para você de alguma
maneira, você conte.
Obrigada, Bel. Você também. A gente vai
continuar se falando aí a respeito, né,
do seu contexto familiar. Que Deus te
abençoe com as consolações do Espírito
Santo, a força que vem do alto e a
esperança da vida eterna. Um beijo
grande. Obrigada por estar aqui, viu?
>> Amém. Beijo grande para você também,
queridos leitores. É um prazer também
estar com vocês. Esperamos vocês no
final de outubro.
Nos aguardem, tá bom? Um beijo grande.
>> Boa noite.
>> Boa tarde. Boa noite. Bom dia, né? Bom
dia. [risadas] Até a próxima.
>> Até a próxima.

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