The Things We Never Say (As Coisas que Nunca Dizemos) – Elizabeth Strouth
08/10/2026
The Things We Never Say (As Coisas que Nunca Dizemos) – Elizabeth Strouth
Fonte: OUTRA IGREJA
Legendas automáticas:
The things we never say. Tá aí, Elizabeth Strout. As coisas que nunca dizemos. Ouvi falar que vai ser traduzido pro português. Imagino que vai, porque ganhadora do Pulet Surprise e finalista. Esse livro foi publicado agora em 2026 no Booker Price, que eu falei que era um poema americano no passado, mas é do Reino Unido, Elizabeth Strout. Terminei ontem à noite. Podia ter terminado esse livro numa sentada se eu não tivesse que, né, fazer comida e trabalhar. Eh, incrível. Vou falar um pouquinho dele para vocês daqui a pouquinho. Já comecei o novo que eu vou ler com um clube de livros que eu tenho aqui com alguns amigos. Mais um do Wenderry esse ano, um que eu nunca li, Henna Cter. Farei um vídeo com certeza depois para compartilhar, mas isso aqui, ai ai, eu amei esse livro profundamente. Vai pra lista dos melhores do ano. Uma boa chance. É interessante que todos os livros que me emocionam acabam fazendo parte da minha lista de melhores livros do no final do ano. E esse livro me pegou. Eu tive que sentar para trás um momento aqui e deixar. Eu leio por isso, né? Eu eu eu lembro que quando eu era mais novo, não muito mais mais novo, eu eu já tinha o Benjamim, já tinha nascido meu filho, ele era bebezinho. Eu lembro que eu tava lendo um livro Viajando, a minha esposa e ele estavam dormindo na cama do lado no hotel e eu tava na outra cama e eu tinha terminado um livro. Um dia eu vou falar qual livro que é, vou deixar um suspense agora. livros que mexeram com a gente. Eu lembro que eu terminei, eu cheguei no final, na última página desse livro, eu coloquei ele de lado, eu apaguei a lâmpada da do lado da minha cama e eu lembro que eu simplesmente tava fora do meu corpo, assim, elev elevado, emocionado. Eu lembro que eu saí daquela experiência pensando: "Meu amigo, eu quero buscar isso em todos os livros que eu leio." Então, talvez o pessoal pergunta: "Mas por que que você lê tanto e tudo mais?" Não é não é não é só por porque eu gosto, né? Eu eu busco isso, eu tento buscar essa experiência de novo. E o bonito da vida e da leitura é que você não tem como controlar, não tem que falar: "Aquele livro vai me dar isso". Não, você encontra. E para mim essa é a beleza da leitura. É de [suspirando] ser surpreendido com com essa emoção, com esse, né, sentimento. Esse livro é um imáã. Essa é a imagem que eu tenho nele. E eu tô fazendo esses vídeos aqui para vocês sem tipo pesquisar e fazer, né? É, não tem iá em nada do que eu faço na minha vida, incluindo isso daqui. Então aqui, ó, é uma cadeira de verdade, né? Que loucura. Não tem cenário. É meu escritório aqui na universidade. Eh, eu faço rápido porque eu quero que esses vídeos também não sejam, eu faço breves anotações, mas eu quero que esses vídeos sejam tipo praticamente uma reação imediata ao livro. Não tem muita organização e eu espero que você pegue o que você quiser pegar desses vídeos aqui. Mas esse livro, a imagem para mim dele é é um íã. Ele ele puxa a gente para dentro, eh, pro mundo interior do personagem principal do livro, que é ele é um professor de história, talvez é por isso que mexeu muito comigo, também um professor de high school, no caso dele, né, de ensino médio. Eh, professor de história lá nos seus 50 e poucos anos de idade, 57. Eh, e o livro explora a vida interior dele. Se não fosse pela Elizabeth Stroud criar esse livro, a gente nunca saberia quem é esse ar. ele passaria pela gente na rua e a gente falaria: "OK, tá aí um senhor que, né, a gente nem prestaria atenção, provavelmente." E a beleza da literatura é isso, é ser convidado para dentro do mundo interior de um personagem. Acho que outro livro que fez isso para mim esse ano, assim explicitamente foi o Train Dreams, o o Oshos de Trem, eh, que que virou filme no Netflix, né? Se não fosse pelo autor criar esse personagem e trazer a gente para dentro, seria alguém que passaria pela gente na rua e a gente não daria atenção. Então, a gente é a gente é convidado para dentro do mundo interior do ar. Esse professor casado, ele tem um filho. A, não tem spoiler aqui. A grande tragédia logo no começo que é anunciado pro leitor é que o filho dele teve um acidente de carro e a namorada morreu e a família nunca mais foi a mesma depois disso. Então, tem várias dinâmicas dele como professor, dele como pai, dele como como esposo, dele como ser humano, buscando um lugar no mundo. mesmo numa idade que você pensa, bom, com 50 anos de idade, acho que já vai ter uma ideia de quem eu sou no mundo, do que é necessário para viver uma vida plena e boa, mas não, você vê um personagem ainda lutando, né, struggling, é para para entender o seu o seu papel, o que o que de fato significa viver significativamente no mundo. Eh, e mas é isso, a gente é percebe o que ele faz na escola. Ele é um professor amado pelos alunos, não porque ele tem muita capacidade intelectual, assim, ele é brilhante, outros personagens ao redor dele são brilhantes, intelectuais, mas ele tem essa inteligência emocional, ele se conectar com os alunos e os alunos amam ele por causa disso. A dinâmica dele na sala de aula é uma coisa muito bonita, é de se ver aqui no livro, os erros, os acertos. Mas o a grande beleza desse livro não é somente o que ele faz, é de fato o narrador. Ele ele vai levando você para dentro da mente do da dentro do coração, desse desse mundo interior que todos nós temos. E é maravilhoso lidar com o perceber as lutas que ele tem e quão similares elas são, pelo menos para mim, com as minhas próprias lutas, com com as grandes questões que eu que eu que eu também enfrento na minha vida, né? Então, esse mundo interior é uma é é é uma coisa muito bonita. que a autora escreve de uma maneira muito fácil. Por isso que eu acho que eu daria para ler esse livro numa sentada. Ser convidado é uma coisa muito muito bonita e e você percebe na leitura desse livro o quanto da nossa vida de fato é privado, é guardado do lado de dentro e raramente colocado para fora. Eu lembro que eu lutei, ainda luto talvez com isso bastante. Eu lembro que eu levantei isso pra minha terapeuta no Brasil muito tempo atrás. Eu falei para ela uma vez, eu não sei, eu não sinto conectado quando eu converso, né, com com outras pessoas, eu sinto que falo, parece que é só bom dia, boa tarde, não, e não vai para nenhum. Eh, tanto que eu falei para ela na época que eu falei às vezes até sem pensar, eu pergunto as pessoas, e aí, como é que não não só como é que tudo bem? Eu pergunto como é que vai a sua existência e eu falava para ela assim, o pessoal até se se assustava, né, d fala, mas por que que você tá fazendo isso? Eu não sei. E esse livro me ajudou. falou assim: "Cara, agora entendi". Ó, essa parte aqui, por exemplo, vou traduzir, então, enfim, [limpando a garganta] na tradução em português vai est bem melhor. Diz assim ele, oy perguntando, né, pensando por que que as pessoas não falam nada que é real? E agora o narrador falando, ele entendeu por quê. Porque dizer algo real, verdadeiro, é dizer coisas que nem todo mundo quer saber. E se eles quisessem saber, talvez eles não iam cuidar desse conhecimento, dessa dessa verdade da maneira correta. Ou talvez eles nem entenderiam essa verdade. Aí a palavra aqui que eu amo eh viver a vida ou estar vivo é uma coisa privada. Ele entendeu isso agora. Então muito bonito. Quanto que a gente guarda para dentro. Esse é o título do livro, né? As coisas que nós não dizemos. The things we never say. esse mundo interior, as coisas que a gente guarda ali. Então, é fascinante como a autora pinta toda essa essa essa ideia eh que é simples, né? Mas mas junto com ela ela fica muito bonita. Eh, e daí mais uma frase aqui que eu achei linda na página eh 184 no meu livro, eh, tudo ao redor no mundo parecia para ele cheios de verdades não ditas. Então, por aí vai. Essa essa é a é o tom do livro. é o que a gente guarda para dentro, o que a gente compartilha. E uma das grandes perguntas é: o que que faz a gente guardar as coisas que a gente guarda para dentro? O que que o o que que é que fica ali? É medo? É preocupação? O que que faz a gente guardar e o que faz a gente compartilhar? Então, eu achei isso incrível. Eh, e tanto que no começo do livro, eu já amei o livro porque começa com uma frase de Carl Young, psicanalista que eu amo. E a frase é simplesmente falando sobre solidão. Solidão. Eu já citei essa essa essa frase várias vezes para alunos e paraas pessoas e eu achei incrível encontrar aqui no começo do livro. Eh, solidão, ele diz, não vem de não ter pessoas ao redor de nós, mas eh vem da incapacidade ou inabilidade de comunicar as coisas que parecem importantes para nós ou de segurar certas perspectivas que nós temos, porque outros vão achar elas problemáticas. Então, é assim que o livro começa. Carl falando assim: "O que que é solidão? Solidão não é simplesmente tá eh sem ninguém ao nosso redor. Solidão é é não conseguir compartilhar as coisas que a gente guarda dentro desse nosso mundo interior, de poder encontrar uma janela, né, uma porta aberta para poder colocar isso para fora. Eu acho que eu escrevi isso na música eh deserto, né? Eh, eu sei que é possível vivermos sozinhos, cercados de gente, de conhecidos, né? Acho que essa é a mesma ideia que a gente encontra ali. Então é isso. E eu me identifico muito com ordem, né? Eu podia falar muito sobre esse livro, então tenho que manter isso aqui curto, né? Eu me identifico muito com ele como pai, como homem, como como esposo, principalmente como professor, mas principalmente acho que a central para mim, da minha identificação personagem central é de ver um mundo mudando. Esse livro ele ele é como se fosse agora, né? Com todas as mudanças políticas no oeste como um todo. Eh, o que isso acontece? O que isso faz com a educação? O que isso faz com a vida social? O que isso faz com a percepção que nós temos uns dos outros? Então parece que o Ari ali nos no final dos anos 50 dele, né, com 50 e poucos anos de idade, ele nota que o mundo não vai ser mais o mesmo de uma forma bem dramática. E ele luta com isso. E eu acho que eu luto com isso também. Eh, de perceber na sala de aula, mesmo dos três anos que eu tô lecionando aqui, de como mudou, de como eu lecionava antes, de como a sociedade tem mudado, de como acho que o mundo tá desaparecendo em outro tá nascendo pro bem e pro mal, né? e e de você perceber essa mudança. Train Dreams, inclusive, mesmo ponto, a mudança de mundos. Bem interessante agora que eu tô pensando a relação entre esses dois livros. Então, aí tá. Que que nos impede de buscar uma comunicação? Tá aqui uma grande questão do livro. Que que nos impede de de de buscar uma comunicação que gera esse tipo de comunhão? Esse esse é o grande ponto, entendeu? Comunicação é é a é a de abrir o coração, de encontrar, né, palavras para expressar o que nós temos dentro. alguém para receber essas palavras gera comunhão. Então isso é bonito. Comunicação gera comunhão. E a tragédia do que a gente encontra na sociedade, no livro, é que a inabilidade de comunicar gera a falta de comunhão. E, portanto, essa é a definição de solidão que a gente encontra em Yang e a gente encontra no livro todo. Se eu não consigo me comunicar, conectar, me abrir sem entendido e entender, então acabou. Eu acho que eu fiz um post logo depois das eleições aí no Brasil sobre isso, a tragédia da nossa sociedade hoje em dia, da incapacidade, da inabilidade, da indisposição de ouvir, de se abrir, de falar de fato o que acontece dentro. Eu foi interessante que logo depois da eleição eu tava tratando com os meus alunos o primeiro livro da República de Platão aqui, diálogo de Sócrates com Tracma sobre justiça, mas para mim é um grande tratado sobre como significa dialogar. E Sócrates, ele acredita que é no diálogo, é na conversa, é na troca que a gente encontra a verdade. Todos contribuem para isso juntos, né? E Tracímaco não. Tracmaco, ele quer ganhar a o debate, ele quer argumentar, ele quer ele quer, ele quer ganhar ponto, ele quer se mostrar para pra multidão. E a grande tragédia do é exatamente essa daquele primeiro diálogo. A democracia ela é construída na busca por diálogo, comunhão, comunicação. E a falta do diálogo é o fim da democracia. Isso se aplica não só agora ao governo Lula, governo Bolsonaro, se aplica agora aos Estados Unidos e ao governo anterior. A falta da capacidade, da disposição de dialogar é a grande tragédia dos nossos tempos, uma das grandes tragédias dos nossos tempos. Eh, e eu lamento muito, eu me identifiquei com Arem ver que essa é a realidade do mundo hoje. Conversar com os meus alunos sobre Platão e as diferenças de dialogar foi muito significativo essa semana para mim. Então, pronto, a gente vai viver uma vida. É uma das perguntas que o livro levanta, né? através da atenção, de perceber o que tá na nossa frente e através da atenção que daí a gente comunica, a gente percebe, a gente recebe e da a gente cria comunhão ou a gente vai se distrair, a gente vai viver sem interesse para o que tá acontecendo ao nosso redor. Eh, e é isso. Acho que eu escrevi numa das músicas mais novas que eu ainda não gravei, eu escrevi: "Eh, ninguém nos ensinou a fazer distinções entre momentos e distrações." Como é que a gente aprende a fazer isso? Como é que a gente aprende a prestar atenção as pessoas ao nosso redor, ao que acontece dentro de nós, para que a gente possa ter uma comunicação que gera comunhão? Eh, e é isso. Então, existem, acho que, esse personagem central ao redor, esse livro é um exercício de empatia, de entender, de buscar entender o outro, de buscar entender as nós mesmos, de nossa, tem momentos lindos de família, os dinâmicas de família, de de entender que isso se aplica aos nossos pais e mães e a familiares, né? as pessoas mais próximas a nós. Eu acho que isso é uma das grandes belezas que eu aprendi com Carl Young também, inclusive de que o melhor presente que a gente pode dar pros nossos filhos é um senso de que a gente, nós somos pessoas também. Ontem a minha esposa a gente foi assistir um filme junto e e a minha filha falou: "Mas por que que vocês saem tanto juntos né?" A gente falou: "É porque a gente, nós somos seres humanos também, né? Nós temos desejos também". ela foi olhando assim, tal, ser bonito. E na medida que a gente vive a nossa vida significativamente, a gente liberta os nossos filhos e as pessoas ao nosso redor para viver autenticamente também. E notar que isso não é uma ruptura, mas isso é abertura, isso é comunhão, isso é compartilhar. E o quanto que a gente não conhece, né, dos nossos familiares. Eu penso na minha esposa que perdeu os pais dela, que tanto queria perguntar novas perguntas que agora não pode mais. Então é [roncando] interessante essa dinâmica familiar que acontece aqui também. Eu acho que eu escrevi numa outra música, né, Mistério. Existe um mundo escondido em mim, né? Existem mais pra vida do que meus olhos enxergam. Existe muita coisa acontecendo dentro de mim. É, existe um mundo escondido atrás de um rosto, de um sorriso. Existe um mundo escondido em mim. Ths We never say. As coisas que não ou nunca dizemos. Amei esse livro. Tomara que traduzam pro português e para quem consegue ler inglês, muito acessível. Paz e bem. Yeah.