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A fé vem pelo ouvir

The Things We Never Say (As Coisas que Nunca Dizemos) – Elizabeth Strouth

The Things We Never Say (As Coisas que Nunca Dizemos) – Elizabeth Strouth

The Things We Never Say (As Coisas que Nunca Dizemos) – Elizabeth Strouth

Legendas automáticas:

The things we never say. Tá aí,
Elizabeth Strout.
As coisas que nunca dizemos. Ouvi falar
que vai ser traduzido pro português.
Imagino que vai, porque
ganhadora do Pulet Surprise e finalista.
Esse livro foi publicado agora em 2026
no Booker Price, que eu falei que era um
poema americano no passado, mas é do
Reino Unido, Elizabeth Strout.
Terminei ontem à noite.
Podia ter terminado esse livro numa
sentada se eu não tivesse que, né, fazer
comida e trabalhar. Eh, incrível. Vou
falar um pouquinho dele para vocês daqui
a pouquinho. Já comecei o novo que eu
vou ler com um clube de livros que eu
tenho aqui com alguns amigos. Mais um do
Wenderry esse ano, um que eu nunca li,
Henna Cter.
Farei um vídeo com certeza depois para
compartilhar, mas isso aqui,
ai ai, eu amei esse livro profundamente.
Vai pra lista dos melhores do ano.
Uma boa chance. É interessante que todos
os livros que me emocionam acabam
fazendo parte da minha lista de melhores
livros do no final do ano. E esse livro
me pegou. Eu tive que sentar para trás
um momento aqui e deixar.
Eu leio por isso, né? Eu eu eu lembro
que quando eu era mais novo,
não muito mais mais novo, eu
eu já tinha o Benjamim, já tinha nascido
meu filho, ele era bebezinho.
Eu lembro que eu tava lendo um livro
Viajando, a minha esposa e ele estavam
dormindo na cama do lado no hotel e eu
tava na outra cama e eu tinha terminado
um livro. Um dia eu vou falar qual livro
que é, vou deixar um suspense agora.
livros que mexeram com a gente. Eu
lembro que eu terminei, eu cheguei no
final, na última página desse livro, eu
coloquei ele de lado, eu apaguei a
lâmpada da do lado da minha cama e eu
lembro que eu simplesmente tava
fora do meu corpo, assim, elev elevado,
emocionado.
Eu lembro que eu saí daquela experiência
pensando: "Meu amigo, eu quero buscar
isso em todos os livros que eu leio."
Então, talvez o pessoal pergunta: "Mas
por que que você lê tanto e tudo mais?"
Não é não é não é só por porque eu
gosto, né? Eu eu busco isso, eu tento
buscar essa experiência de novo. E o
bonito da vida e da leitura é que você
não tem como controlar, não tem que
falar: "Aquele livro vai me dar isso".
Não, você encontra. E para mim essa é a
beleza da leitura. É de [suspirando] ser
surpreendido com com essa emoção, com
esse, né, sentimento. Esse livro é um
imáã. Essa é a imagem que eu tenho nele.
E eu tô fazendo esses vídeos aqui para
vocês sem tipo pesquisar e fazer, né? É,
não tem iá em nada do que eu faço na
minha vida, incluindo isso daqui. Então
aqui, ó, é uma cadeira de verdade, né?
Que loucura. Não tem cenário. É meu
escritório aqui na universidade. Eh,
eu faço rápido porque eu quero que esses
vídeos também não sejam, eu faço breves
anotações, mas eu quero que esses vídeos
sejam tipo
praticamente uma reação imediata ao
livro. Não tem muita organização e eu
espero que você pegue o que você quiser
pegar desses vídeos aqui. Mas esse
livro, a imagem para mim dele é é um íã.
Ele ele puxa a gente para dentro, eh,
pro mundo interior do personagem
principal do livro, que é ele é um
professor de história, talvez é por isso
que mexeu muito comigo, também um
professor de high school, no caso dele,
né, de ensino médio. Eh, professor de
história lá nos seus 50 e poucos anos de
idade, 57.
Eh, e o livro explora a vida interior
dele. Se não fosse pela Elizabeth Stroud
criar esse livro, a gente nunca saberia
quem é esse ar. ele passaria pela gente
na rua e a gente falaria: "OK, tá aí um
senhor que, né, a gente nem prestaria
atenção, provavelmente." E a beleza da
literatura é isso, é ser convidado para
dentro do mundo interior de um
personagem. Acho que outro livro que fez
isso para mim esse ano, assim
explicitamente foi o Train Dreams, o o
Oshos de Trem,
eh, que que virou filme no Netflix, né?
Se não fosse pelo autor criar esse
personagem e trazer a gente para dentro,
seria alguém que passaria pela gente na
rua e a gente não daria atenção. Então,
a gente é a gente é convidado para
dentro do mundo interior do ar. Esse
professor casado,
ele tem um filho. A, não tem spoiler
aqui. A grande tragédia logo no começo
que é anunciado pro leitor é que o filho
dele teve um acidente de carro e a
namorada morreu e a família nunca mais
foi a mesma depois disso. Então, tem
várias dinâmicas dele como professor,
dele como pai, dele como como esposo,
dele como ser humano, buscando um lugar
no mundo. mesmo numa idade que você
pensa, bom, com 50 anos de idade, acho
que já vai ter uma ideia de quem eu sou
no mundo, do que é necessário para viver
uma vida plena e boa, mas não, você vê
um personagem ainda lutando, né,
struggling, é para para entender o seu o
seu papel, o que o que de fato significa
viver significativamente no mundo. Eh, e
mas é isso, a gente é percebe o que ele
faz na escola. Ele é um professor amado
pelos alunos, não porque ele tem muita
capacidade intelectual, assim, ele é
brilhante, outros personagens ao redor
dele são brilhantes, intelectuais, mas
ele tem essa inteligência emocional, ele
se conectar com os alunos e os alunos
amam ele por causa disso. A dinâmica
dele na sala de aula é uma coisa muito
bonita, é de se ver aqui no livro, os
erros, os acertos. Mas o a grande beleza
desse livro não é somente o que ele faz,
é de fato o narrador. Ele ele vai
levando você para dentro da mente do da
dentro do coração, desse desse mundo
interior que todos nós temos. E é
maravilhoso lidar com o perceber as
lutas que ele tem e quão similares elas
são, pelo menos para mim, com as minhas
próprias lutas, com com as grandes
questões que eu que eu que eu também
enfrento na minha vida, né? Então, esse
mundo interior é uma é é é uma coisa
muito bonita. que a autora escreve de
uma maneira muito fácil. Por isso que eu
acho que eu daria para ler esse livro
numa sentada. Ser convidado é uma coisa
muito muito bonita e e você percebe na
leitura desse livro o quanto da nossa
vida de fato é privado, é guardado do
lado de dentro e raramente colocado para
fora. Eu lembro que eu lutei, ainda luto
talvez com isso bastante. Eu lembro que
eu levantei isso pra minha terapeuta no
Brasil muito tempo atrás. Eu falei para
ela uma vez, eu não sei, eu não sinto
conectado quando eu converso, né, com
com outras pessoas, eu sinto que falo,
parece que é só bom dia, boa tarde, não,
e não vai para nenhum. Eh, tanto que eu
falei para ela na época que eu falei às
vezes até sem pensar, eu pergunto as
pessoas, e aí, como é que não não só
como é que tudo bem? Eu pergunto como é
que vai a sua existência e eu falava
para ela assim, o pessoal até se se
assustava, né, d fala, mas por que que
você tá fazendo isso? Eu não sei. E esse
livro me ajudou. falou assim: "Cara,
agora entendi". Ó, essa parte aqui, por
exemplo, vou traduzir, então, enfim,
[limpando a garganta] na tradução em
português vai est bem melhor. Diz assim
ele, oy perguntando, né, pensando por
que que as pessoas não falam nada que é
real?
E agora o narrador falando, ele entendeu
por quê. Porque dizer algo real,
verdadeiro, é dizer coisas que nem todo
mundo quer saber.
E se eles quisessem saber, talvez eles
não iam cuidar desse conhecimento, dessa
dessa verdade da maneira correta. Ou
talvez eles nem entenderiam essa
verdade. Aí a palavra aqui que eu amo eh
viver a vida ou estar vivo é uma coisa
privada. Ele entendeu isso agora. Então
muito bonito. Quanto que a gente guarda
para dentro. Esse é o título do livro,
né? As coisas que nós não dizemos. The
things we never say. esse mundo
interior, as coisas que a gente guarda
ali. Então, é fascinante como a autora
pinta toda essa essa essa ideia eh que é
simples, né? Mas mas junto com ela ela
fica muito bonita. Eh, e daí mais uma
frase aqui que eu achei linda na página
eh 184 no meu livro, eh, tudo ao redor
no mundo parecia para ele cheios de
verdades não ditas. Então, por aí vai.
Essa essa é a é o tom do livro. é o que
a gente guarda para dentro, o que a
gente compartilha. E uma das grandes
perguntas é: o que que faz a gente
guardar as coisas que a gente guarda
para dentro? O que que o o que que é que
fica ali? É medo? É preocupação? O que
que faz a gente guardar e o que faz a
gente compartilhar? Então, eu achei isso
incrível. Eh, e tanto que no começo do
livro, eu já amei o livro porque começa
com uma frase de Carl Young,
psicanalista que eu amo. E a frase é
simplesmente falando sobre solidão.
Solidão. Eu já citei essa essa essa
frase várias vezes para alunos e paraas
pessoas e eu achei incrível encontrar
aqui no começo do livro. Eh, solidão,
ele diz, não vem de não ter pessoas ao
redor de nós, mas eh vem da incapacidade
ou inabilidade de comunicar as coisas
que parecem importantes para nós ou de
segurar certas perspectivas que nós
temos, porque outros vão achar elas
problemáticas. Então, é assim que o
livro começa. Carl falando assim: "O que
que é solidão? Solidão não é
simplesmente tá eh sem ninguém ao nosso
redor. Solidão é é não conseguir
compartilhar as coisas que a gente
guarda dentro desse nosso mundo
interior, de poder encontrar uma janela,
né, uma porta aberta para poder colocar
isso para fora. Eu acho que eu escrevi
isso na música eh deserto, né? Eh,
eu sei que é possível vivermos sozinhos,
cercados de gente, de conhecidos, né?
Acho que essa é a mesma ideia que a
gente encontra ali. Então é isso. E eu
me identifico muito com ordem, né? Eu
podia falar muito sobre esse livro,
então tenho que manter isso aqui curto,
né? Eu me identifico muito com ele como
pai, como homem, como como esposo,
principalmente como professor, mas
principalmente acho que a central para
mim, da minha identificação personagem
central é de ver um mundo mudando. Esse
livro ele ele é como se fosse agora, né?
Com todas as mudanças políticas no oeste
como um todo. Eh, o que isso acontece? O
que isso faz com a educação? O que isso
faz com a vida social? O que isso faz
com a percepção que nós temos uns dos
outros? Então parece que o Ari ali nos
no final dos anos 50 dele, né, com 50 e
poucos anos de idade, ele nota que o
mundo não vai ser mais o mesmo de uma
forma bem dramática. E ele luta com
isso. E eu acho que eu luto com isso
também. Eh, de perceber na sala de aula,
mesmo dos três anos que eu tô lecionando
aqui, de como mudou, de como eu
lecionava antes, de como a sociedade tem
mudado, de como acho que o mundo tá
desaparecendo em outro tá nascendo pro
bem e pro mal, né? e e de você perceber
essa mudança. Train Dreams, inclusive,
mesmo ponto, a mudança de mundos. Bem
interessante agora que eu tô pensando a
relação entre esses dois livros. Então,
aí tá. Que que nos impede de buscar uma
comunicação? Tá aqui uma grande questão
do livro. Que que nos impede de de de
buscar uma comunicação que gera esse
tipo de comunhão? Esse esse é o grande
ponto, entendeu? Comunicação é é a é a
de abrir o coração, de encontrar, né,
palavras para expressar o que nós temos
dentro. alguém para receber essas
palavras gera comunhão. Então isso é
bonito. Comunicação gera comunhão. E a
tragédia do que a gente encontra na
sociedade, no livro, é que a inabilidade
de comunicar gera a falta de comunhão.
E, portanto, essa é a definição de
solidão que a gente encontra em Yang e a
gente encontra no livro todo. Se eu não
consigo me comunicar, conectar, me abrir
sem entendido e entender, então acabou.
Eu acho que eu fiz um post logo depois
das eleições aí no Brasil sobre isso, a
tragédia da nossa sociedade hoje em dia,
da incapacidade, da inabilidade, da
indisposição de ouvir,
de se abrir, de falar de fato o que
acontece dentro. Eu foi interessante que
logo depois da eleição eu tava tratando
com os meus alunos o primeiro livro da
República de Platão aqui, diálogo de
Sócrates com Tracma
sobre justiça, mas para mim é um grande
tratado sobre como significa dialogar. E
Sócrates, ele acredita que é no diálogo,
é na conversa, é na troca que a gente
encontra a verdade. Todos contribuem
para isso juntos, né? E Tracímaco não.
Tracmaco, ele quer ganhar a o debate,
ele quer argumentar, ele quer ele quer,
ele quer ganhar ponto, ele quer se
mostrar para pra multidão. E a grande
tragédia do é exatamente essa daquele
primeiro diálogo. A democracia ela é
construída na busca por diálogo,
comunhão, comunicação. E a falta do
diálogo é o fim da democracia. Isso se
aplica não só agora ao governo Lula,
governo Bolsonaro, se aplica agora aos
Estados Unidos e ao governo anterior. A
falta da capacidade, da disposição de
dialogar é a grande tragédia dos nossos
tempos, uma das grandes tragédias dos
nossos tempos. Eh, e eu lamento muito,
eu me identifiquei com Arem ver que essa
é a realidade do mundo hoje. Conversar
com os meus alunos sobre Platão e as
diferenças de dialogar foi muito
significativo essa semana para mim.
Então, pronto, a gente vai viver uma
vida. É uma das perguntas que o livro
levanta, né? através da atenção, de
perceber o que tá na nossa frente e
através da atenção que daí a gente
comunica, a gente percebe, a gente
recebe e da a gente cria comunhão ou a
gente vai se distrair, a gente vai viver
sem interesse para o que tá acontecendo
ao nosso redor. Eh,
e é isso. Acho que eu escrevi numa das
músicas mais novas que eu ainda não
gravei, eu escrevi: "Eh, ninguém nos
ensinou a fazer distinções entre
momentos e distrações." Como é que a
gente aprende a fazer isso? Como é que a
gente aprende a prestar atenção as
pessoas ao nosso redor, ao que acontece
dentro de nós, para que a gente possa
ter uma comunicação que gera comunhão?
Eh, e é isso. Então, existem, acho que,
esse personagem central ao redor, esse
livro é um exercício de empatia, de
entender, de buscar entender o outro, de
buscar entender as nós mesmos, de nossa,
tem momentos lindos de família, os
dinâmicas de família, de de entender que
isso se aplica aos nossos pais e mães e
a familiares, né? as pessoas mais
próximas a nós. Eu acho que isso é uma
das grandes belezas que eu aprendi com
Carl Young também, inclusive de que o
melhor presente que a gente pode dar
pros nossos filhos é um senso de que a
gente, nós somos pessoas também. Ontem a
minha esposa a gente foi assistir um
filme junto e e a minha filha falou:
"Mas por que que vocês saem tanto juntos
né?" A gente falou: "É porque a gente,
nós somos seres humanos também, né? Nós
temos desejos também". ela foi olhando
assim, tal, ser bonito. E na medida que
a gente vive a nossa vida
significativamente, a gente liberta os
nossos filhos e as pessoas ao nosso
redor para viver autenticamente também.
E notar que isso não é uma ruptura, mas
isso é abertura, isso é comunhão, isso é
compartilhar. E o quanto que a gente não
conhece, né, dos nossos familiares. Eu
penso na minha esposa que perdeu os pais
dela, que tanto queria perguntar novas
perguntas que agora não pode mais. Então
é [roncando] interessante essa dinâmica
familiar que acontece aqui também. Eu
acho que eu escrevi numa outra música,
né, Mistério. Existe um mundo escondido
em mim, né? Existem mais pra vida do que
meus olhos enxergam. Existe muita coisa
acontecendo dentro de mim. É, existe um
mundo escondido atrás de um rosto, de um
sorriso. Existe um mundo escondido em
mim.
Ths We never say. As coisas que não ou
nunca dizemos. Amei esse livro.
Tomara que traduzam pro português e para
quem consegue ler inglês, muito
acessível.
Paz e bem. Yeah.

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