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A fé vem pelo ouvir

To a God Unknown (Ao Deus Desconhecido) – John Steinbeck.

To a God Unknown (Ao Deus Desconhecido) – John Steinbeck.

To a God Unknown (Ao Deus Desconhecido) – John Steinbeck.

Legendas automáticas:

Eh,
acabei o último livro de setembro.
Apesar que eu já comecei o primeiro, que
eu sei que eu vou terminar em outubro,
mas acabei o último livro de setembro.
Acho que eu já mostrei para vocês.
To a God un a um Deus desconhecido,
traduzido já pro português, eh,
de John Steinback.
Incrível.
Esse é um livro que ele escreveu cedo
antes dos grandes clássicos, o Grapes of
Wath, East of Eden, a Lest do Eden,
também recomendo. Eu não li Grapes of
Wrath. [roncando] Esse talvez seja, eu
vou adicionar na minha lista de leitura.
Então esse é tipo um to a gotown, é tipo
um esboço, é uma tentativa de começar a
criar um mundo, um universo pro John
Steinback. Eh, e nessa tentativa e dessa
tentativa ele acabou criando esses
grandes clássicos que vieram depois.
Então, acho que nem todo mundo considera
esse livro aqui um clássico, mas eu eh
eu amei esse livro. é pequeno, 180 e
poucas páginas,
eh, desafiador,
confuso em momentos, porque ele brinca
com
aspectos literais da terra, da história,
da narrativa, mas também tem uns
elementos mágicos, né, dentro do do do
enredo que eu achei incrível.
Basicamente a história segue um homem
chamado Joseph Wayne. O livro começa com
o pai dele doente, morrendo, prestes a
morrer. E o Joseph, ele fala: "Pai, eu
quero ir pro oeste, eu quero ir pra
Califórnia para pegar terra". Numa época
em que as pessoas iam para lá, pegavam
terra e criavam uma vida. E o pai dele
pede para ele esperar, fala: "Não,
espera eu morrer e depois vai". Falou:
"Pai, se eu não for agora, eh, eu eu
preciso ir agora". Ele tem esse esse
sexto sentido, esse senso da do que ele
deve fazer.
E o pai entende, ele fala: "Não, tudo
bem, meu filho, deixa eu te abençoar. Eu
vou abençoar você e não seus irmãos".
Então, eu já tinha mencionado isso
antes. John Steinback, ele tem muito eh
na caneta dele e na imaginação dele
esses aspectos teológicos e bíblicos.
Ele já leu a Bíblia, já leu os clássicos
gregos. Dá para perceber isso
nitidamente nesse livro. E a história de
José e o favoritismo do pai para com
José. né? E por mais que ele não recebe
aqui nesse livro, nessa história, uma
roupa para indicar esse favor, como na
literatura bíblica, eh, ele recebe a
bênção do pai e e ele vai pro pro oeste,
paraa Califórnia, e a descrição da terra
quando ele chega lá é praticamente é uma
terra prometida, é um lugar cheio de
vida, cheio de de verde, é incrível e os
irmãos eventualmente o seguem. Então, me
lembrou muito de Gênesis, capítulo
30 e alguma coisa, eh, onde José relata
aos irmãos dele na Bíblia os sonhos que
ele tem pro futuro, sobre o futuro, sem
saber o significado desses sonhos, pelo
menos a princípio, mas e no segundo
sonho que ele tem, o sol, a lua e as
estrelas se curvam diante dele. Então, é
mais ou menos essa imagem que que o
Steinbeck ele usa, não literalmente para
repetir a história da Bíblia, mas esses
ecos para forjar uma história em que
esse Joseph ele segue pro oeste, o pai
eventualmente morre, os irmãos escrevem
para ele falando que o pai morreu e pro
Josef, o espírito do pai acaba se
incorporando
numa árvore no centro da terra que ele
encontra lá na Califórnia.
Então, pro Joseph. Aí o livro começa a
flirtar com umas ideias eh de religiões
alternativas, de um senso de
praticamente um panteísmo assim de que
existem divindades e fantasmas e
entidades dentro da terra e no caso da
história dentro da árvore. E a princípio
os irmãos eles não entendem muito o que
tá acontecendo, mas um irmão que é
religioso, cristão, meio que
fundamentalista, ele ele reage a isso
mais tarde no livro e é muito
interessante. é como esse livro brinca
com certezas, com aquilo que a gente
considera certo, verdade e o que
acontece quando a gente é confrontado
com elementos, eventos, fenômenos que
vão contra aquilo que a gente considera
correto. Como é que a gente lida com
isso? Então, tem vários momentos nessa
história em que diversos personagens são
confrontados com realidades claramente
verdadeiras que são contrárias ao que
eles acreditam. Então, é muito
interessante como esse livro brinca eh
com esses elementos. Eu eu gostei muito.
Então, para mim,
uma das grandes eh questões nesse livro,
e eu falei para vocês que nesses
videozinhos curtos que eu vou fazer
sobre os livros que eu vou lendo, eu vou
levantar perguntas que eu acho que o
autor eh levanta para nós de alguma
maneira e que me eh perguntas que me
fizeram pensar na leitura. Nesse livro,
é, fica bem claro que o mundo é do
Steinback, do Joseph Wayne, no
personagem da história e o nosso mundo é
um mundo caótico que tá completamente
além das nossas eh dos nossos desejos,
visões ou controle. E a grande pergunta
é: como é que a gente lida com esse
mundo? O que quais são os mecanismos, os
as crenças, as práticas que nos dão um
senso de controle? Então, para muita
gente hoje no mundo, é, talvez, se você
é um cristão, é a providência divina, é
de que existe um Deus que cuida e mantém
a terra. Para outras pessoas são
religiões alternativas, é pular onda, é
orar para outras divindades, é oferecer
um sacrifício pro mar ou pra terra.
Então, tem vários dessas eh práticas que
existem no mundo hoje, que nada mais são
do que maneiras de dar um senso de
estabilidade dentro de um mundo caótico
e completamente incontrolável.
A modernidade como um todo é uma
tentativa de controle. O vídeo cortou,
mas vamos lá. A modernidade, não só
religião, né? É a modernidade como um
todo, os avanços científicos,
tecnológicos, eles eles acontecem dentro
desse desejo humano de controlar e
dominar a natureza e esse mundo caótico
no qual a gente vive, dominar o nosso
próprio corpo. E a gente usa tecnologia
para manter a nossa saúde no lugar. a
gente conta os passos e a gente quer
que, né, eh, se eu se eu fizer a dieta,
se eu fizer o a caloria, se eu fizer a
academia, eu não vou ficar doente. Daí a
gente fica doente e tá aí. Então, acho
que a grande eh verdade desconfortável
dentro da modernidade é de que, por mais
que a gente acha que a gente tem
controle sobre o mundo, a gente não tem
controle nenhum
sobre esse mundo que a gente vive. E
acho que esse é é essa é uma das grandes
questões e dentro do livro do Stin Back
to Agot a um Deus desconhecido. O quais
são esses mecanismos, essas práticas,
essas crenças que nos dão um senso de
estabilidade dentro de um mundo caótico
e o que faz a minha versão ser melhor ou
mais compatível com a realidade do que a
do outro? E daí entram as questões
religiosas e e dentro do livro e dentro
da realidade como um todo, né?
Acho que isso remete ao ao sangue sábio,
ao Ice Blood, o livro anterior que eu
falei eh no vídeo anterior, onde o o
personagem central que prega essa igreja
sem Cristo, ele ele é completamente o
que ele fala para as pessoas é
completamente racional e lógico. Só que
de novo, lógica por lógica, razão por
razão, só vão até certo ponto. Então eu
acho que é isso. Essa é uma das grandes
questões do livro. E o que eu faço daí
quando uma verdade ou um fenômeno fica
fora da do meu mecanismo ou do ou do meu
do meu mundo ideológico conceitual, que
dá sentido ao mundo e que me dá esse
senso de conforto e estabilidade. Então
acho que o o Steinback ele levanta essas
perguntas centrais no livro, eh, que são
profundamente humanas, né?
a gente se sente superior dentro das
nossas próprias crenças e a gente olha
para as práticas dos outros, a gente
fala: "Ah, isso daí é não tem não tem
lógica, não tem isso ou aquilo". Mas no
fim do dia nós temos aquilo que nos dá
um senso de sentido e de estabilidade e
o que os outros estão fazendo lá oferece
isso para eles também.
Então, acho que é isso, eh, as práticas
que a gente mantém que que e que nos
[limpando a garganta] dão um senso de
estabilidade e controle sobre um mundo
incontrolável.
Eh, e daí a talvez a pergunta mais
profunda, né? Eh, qual é a base dessas
crenças, né? É simplesmente um
sentimento de que eu tô fazendo a coisa
certa? Eh, existe um fundamento textual,
no caso, pros cristãos da Bíblia, pros
religiosos, o Corão, para muçulmanos,
eh, os escritos de Moisés e do Antigo
Testamento para os judeus e todas suas
outras religiões, budismo, todos têm os
teus textos sagrados que fundamentam
essas práticas. ou existem coisas que
vão além de textos, né? Um senso da
nossa relação com o mundo que que nos
colocam no mundo com certas certezas que
não têm um fundamento claro. Eh, isso é
muito interessante. Acho que uma outra
grande questão que o livro levanta é
qual que é a nossa relação com um lugar?
Eh, o que cria, o que mantém, o que
nutre a nossa relação com o lugar?
É isso também é de extrema importância.
O que me faz viver aqui? Eh, eu tô aqui
por causa de trabalho, eu tô aqui por
causa das relações. O que me faz cuidar
ou não cuidar do ambiente onde eu me
encontro?
Eh, quais são as minhas
responsabilidades dentro desse lugar? Ou
não existem nenhuma, não existe nenhuma
responsabilidade? São perguntas centrais
que o livro levanta também. Qual é a
minha relação? Então, isso faz me faz
refletir. Eu espero que faça você
refletir também onde você tá. O que faz
a minha relação com esse lugar? O que
ela é? Existe alguma relação? Eu só vivo
a vida sem prestar atenção no ambiente,
nos lugares, no mundo natural, eh, que
favorece a minha existência aqui. Eh,
extremamente importante, especialmente
em anos de eleição. É muito difícil
ouvir ou prestar atenção em quem nega ou
ignora qualquer tipo de responsabilidade
ao ambiente em que a gente vive, de
cuidado, de atenção, de esperança para
um futuro, eh, em que o mundo funciona
também para os que estão vindo atrás de
nós, né? Acho que eh
política no fim do dia é um trabalho de
amor, né? Porque as decisões, os votos,
as a fé que a gente tem no nesse ato,
nessa responsabilidade,
não vai beneficiar apenas a gente,
beneficia aqueles que vêm depois da
gente também. Então a gente faz, a gente
trabalha, a gente luta para um mundo
melhor, pra geração que está por vir
ainda, sem ver os benefícios para nós
mesmos. Então, acho que no ano de
eleição é importante lembrar que tudo
isso pode ser um trabalho de amor
também. Se existe responsabilidade e
sensibilidade para entender, porque a
gente faz hoje afeta as gerações que
estão vindo depois da gente. Eu acho que
STB ele levanta essa pergunta não com
relação à política diretamente, mas com
relação a esse senso de lugar. O que me
faz me relacionar com o lugar onde eu
tô? Eu tenho sensibilidade, eh, visão,
eh, percepção do mundo ao meu redor.
Tenho desejo de cuidar desse mundo. Eu
vivo sem interesse e sem preocupação com
o lugar onde eu me encontro. Então, tá
aí, John Steinbeck, Toon. Um deus
desconhecido, está traduzido pro
português. E o próximo livro que eu tô
lendo é Maggie of Fer. Eu li Hamnet, que
teve o filme que ganhou o Oscar. Achei
incrível. Me emocionei lendo Hamnet.
Esse eu acho que não tá traduzido pro
português ainda, mas eu espero que
traduzem. Eu comecei ontem à noite,
Land, eh, de Maggie ou Ferell e eu tô
achando já incrível. Minha esposa leu,
amou, se emocionou no final, então eu tô
feliz de poder ler mais esse daqui.
Quando acabar eu faço talvez um vídeo
para vocês. Até a próxima.
[música]

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