To a God Unknown (Ao Deus Desconhecido) – John Steinbeck.
08/10/2026
To a God Unknown (Ao Deus Desconhecido) – John Steinbeck.
Fonte: OUTRA IGREJA
Legendas automáticas:
Eh, acabei o último livro de setembro. Apesar que eu já comecei o primeiro, que eu sei que eu vou terminar em outubro, mas acabei o último livro de setembro. Acho que eu já mostrei para vocês. To a God un a um Deus desconhecido, traduzido já pro português, eh, de John Steinback. Incrível. Esse é um livro que ele escreveu cedo antes dos grandes clássicos, o Grapes of Wath, East of Eden, a Lest do Eden, também recomendo. Eu não li Grapes of Wrath. [roncando] Esse talvez seja, eu vou adicionar na minha lista de leitura. Então esse é tipo um to a gotown, é tipo um esboço, é uma tentativa de começar a criar um mundo, um universo pro John Steinback. Eh, e nessa tentativa e dessa tentativa ele acabou criando esses grandes clássicos que vieram depois. Então, acho que nem todo mundo considera esse livro aqui um clássico, mas eu eh eu amei esse livro. é pequeno, 180 e poucas páginas, eh, desafiador, confuso em momentos, porque ele brinca com aspectos literais da terra, da história, da narrativa, mas também tem uns elementos mágicos, né, dentro do do do enredo que eu achei incrível. Basicamente a história segue um homem chamado Joseph Wayne. O livro começa com o pai dele doente, morrendo, prestes a morrer. E o Joseph, ele fala: "Pai, eu quero ir pro oeste, eu quero ir pra Califórnia para pegar terra". Numa época em que as pessoas iam para lá, pegavam terra e criavam uma vida. E o pai dele pede para ele esperar, fala: "Não, espera eu morrer e depois vai". Falou: "Pai, se eu não for agora, eh, eu eu preciso ir agora". Ele tem esse esse sexto sentido, esse senso da do que ele deve fazer. E o pai entende, ele fala: "Não, tudo bem, meu filho, deixa eu te abençoar. Eu vou abençoar você e não seus irmãos". Então, eu já tinha mencionado isso antes. John Steinback, ele tem muito eh na caneta dele e na imaginação dele esses aspectos teológicos e bíblicos. Ele já leu a Bíblia, já leu os clássicos gregos. Dá para perceber isso nitidamente nesse livro. E a história de José e o favoritismo do pai para com José. né? E por mais que ele não recebe aqui nesse livro, nessa história, uma roupa para indicar esse favor, como na literatura bíblica, eh, ele recebe a bênção do pai e e ele vai pro pro oeste, paraa Califórnia, e a descrição da terra quando ele chega lá é praticamente é uma terra prometida, é um lugar cheio de vida, cheio de de verde, é incrível e os irmãos eventualmente o seguem. Então, me lembrou muito de Gênesis, capítulo 30 e alguma coisa, eh, onde José relata aos irmãos dele na Bíblia os sonhos que ele tem pro futuro, sobre o futuro, sem saber o significado desses sonhos, pelo menos a princípio, mas e no segundo sonho que ele tem, o sol, a lua e as estrelas se curvam diante dele. Então, é mais ou menos essa imagem que que o Steinbeck ele usa, não literalmente para repetir a história da Bíblia, mas esses ecos para forjar uma história em que esse Joseph ele segue pro oeste, o pai eventualmente morre, os irmãos escrevem para ele falando que o pai morreu e pro Josef, o espírito do pai acaba se incorporando numa árvore no centro da terra que ele encontra lá na Califórnia. Então, pro Joseph. Aí o livro começa a flirtar com umas ideias eh de religiões alternativas, de um senso de praticamente um panteísmo assim de que existem divindades e fantasmas e entidades dentro da terra e no caso da história dentro da árvore. E a princípio os irmãos eles não entendem muito o que tá acontecendo, mas um irmão que é religioso, cristão, meio que fundamentalista, ele ele reage a isso mais tarde no livro e é muito interessante. é como esse livro brinca com certezas, com aquilo que a gente considera certo, verdade e o que acontece quando a gente é confrontado com elementos, eventos, fenômenos que vão contra aquilo que a gente considera correto. Como é que a gente lida com isso? Então, tem vários momentos nessa história em que diversos personagens são confrontados com realidades claramente verdadeiras que são contrárias ao que eles acreditam. Então, é muito interessante como esse livro brinca eh com esses elementos. Eu eu gostei muito. Então, para mim, uma das grandes eh questões nesse livro, e eu falei para vocês que nesses videozinhos curtos que eu vou fazer sobre os livros que eu vou lendo, eu vou levantar perguntas que eu acho que o autor eh levanta para nós de alguma maneira e que me eh perguntas que me fizeram pensar na leitura. Nesse livro, é, fica bem claro que o mundo é do Steinback, do Joseph Wayne, no personagem da história e o nosso mundo é um mundo caótico que tá completamente além das nossas eh dos nossos desejos, visões ou controle. E a grande pergunta é: como é que a gente lida com esse mundo? O que quais são os mecanismos, os as crenças, as práticas que nos dão um senso de controle? Então, para muita gente hoje no mundo, é, talvez, se você é um cristão, é a providência divina, é de que existe um Deus que cuida e mantém a terra. Para outras pessoas são religiões alternativas, é pular onda, é orar para outras divindades, é oferecer um sacrifício pro mar ou pra terra. Então, tem vários dessas eh práticas que existem no mundo hoje, que nada mais são do que maneiras de dar um senso de estabilidade dentro de um mundo caótico e completamente incontrolável. A modernidade como um todo é uma tentativa de controle. O vídeo cortou, mas vamos lá. A modernidade, não só religião, né? É a modernidade como um todo, os avanços científicos, tecnológicos, eles eles acontecem dentro desse desejo humano de controlar e dominar a natureza e esse mundo caótico no qual a gente vive, dominar o nosso próprio corpo. E a gente usa tecnologia para manter a nossa saúde no lugar. a gente conta os passos e a gente quer que, né, eh, se eu se eu fizer a dieta, se eu fizer o a caloria, se eu fizer a academia, eu não vou ficar doente. Daí a gente fica doente e tá aí. Então, acho que a grande eh verdade desconfortável dentro da modernidade é de que, por mais que a gente acha que a gente tem controle sobre o mundo, a gente não tem controle nenhum sobre esse mundo que a gente vive. E acho que esse é é essa é uma das grandes questões e dentro do livro do Stin Back to Agot a um Deus desconhecido. O quais são esses mecanismos, essas práticas, essas crenças que nos dão um senso de estabilidade dentro de um mundo caótico e o que faz a minha versão ser melhor ou mais compatível com a realidade do que a do outro? E daí entram as questões religiosas e e dentro do livro e dentro da realidade como um todo, né? Acho que isso remete ao ao sangue sábio, ao Ice Blood, o livro anterior que eu falei eh no vídeo anterior, onde o o personagem central que prega essa igreja sem Cristo, ele ele é completamente o que ele fala para as pessoas é completamente racional e lógico. Só que de novo, lógica por lógica, razão por razão, só vão até certo ponto. Então eu acho que é isso. Essa é uma das grandes questões do livro. E o que eu faço daí quando uma verdade ou um fenômeno fica fora da do meu mecanismo ou do ou do meu do meu mundo ideológico conceitual, que dá sentido ao mundo e que me dá esse senso de conforto e estabilidade. Então acho que o o Steinback ele levanta essas perguntas centrais no livro, eh, que são profundamente humanas, né? a gente se sente superior dentro das nossas próprias crenças e a gente olha para as práticas dos outros, a gente fala: "Ah, isso daí é não tem não tem lógica, não tem isso ou aquilo". Mas no fim do dia nós temos aquilo que nos dá um senso de sentido e de estabilidade e o que os outros estão fazendo lá oferece isso para eles também. Então, acho que é isso, eh, as práticas que a gente mantém que que e que nos [limpando a garganta] dão um senso de estabilidade e controle sobre um mundo incontrolável. Eh, e daí a talvez a pergunta mais profunda, né? Eh, qual é a base dessas crenças, né? É simplesmente um sentimento de que eu tô fazendo a coisa certa? Eh, existe um fundamento textual, no caso, pros cristãos da Bíblia, pros religiosos, o Corão, para muçulmanos, eh, os escritos de Moisés e do Antigo Testamento para os judeus e todas suas outras religiões, budismo, todos têm os teus textos sagrados que fundamentam essas práticas. ou existem coisas que vão além de textos, né? Um senso da nossa relação com o mundo que que nos colocam no mundo com certas certezas que não têm um fundamento claro. Eh, isso é muito interessante. Acho que uma outra grande questão que o livro levanta é qual que é a nossa relação com um lugar? Eh, o que cria, o que mantém, o que nutre a nossa relação com o lugar? É isso também é de extrema importância. O que me faz viver aqui? Eh, eu tô aqui por causa de trabalho, eu tô aqui por causa das relações. O que me faz cuidar ou não cuidar do ambiente onde eu me encontro? Eh, quais são as minhas responsabilidades dentro desse lugar? Ou não existem nenhuma, não existe nenhuma responsabilidade? São perguntas centrais que o livro levanta também. Qual é a minha relação? Então, isso faz me faz refletir. Eu espero que faça você refletir também onde você tá. O que faz a minha relação com esse lugar? O que ela é? Existe alguma relação? Eu só vivo a vida sem prestar atenção no ambiente, nos lugares, no mundo natural, eh, que favorece a minha existência aqui. Eh, extremamente importante, especialmente em anos de eleição. É muito difícil ouvir ou prestar atenção em quem nega ou ignora qualquer tipo de responsabilidade ao ambiente em que a gente vive, de cuidado, de atenção, de esperança para um futuro, eh, em que o mundo funciona também para os que estão vindo atrás de nós, né? Acho que eh política no fim do dia é um trabalho de amor, né? Porque as decisões, os votos, as a fé que a gente tem no nesse ato, nessa responsabilidade, não vai beneficiar apenas a gente, beneficia aqueles que vêm depois da gente também. Então a gente faz, a gente trabalha, a gente luta para um mundo melhor, pra geração que está por vir ainda, sem ver os benefícios para nós mesmos. Então, acho que no ano de eleição é importante lembrar que tudo isso pode ser um trabalho de amor também. Se existe responsabilidade e sensibilidade para entender, porque a gente faz hoje afeta as gerações que estão vindo depois da gente. Eu acho que STB ele levanta essa pergunta não com relação à política diretamente, mas com relação a esse senso de lugar. O que me faz me relacionar com o lugar onde eu tô? Eu tenho sensibilidade, eh, visão, eh, percepção do mundo ao meu redor. Tenho desejo de cuidar desse mundo. Eu vivo sem interesse e sem preocupação com o lugar onde eu me encontro. Então, tá aí, John Steinbeck, Toon. Um deus desconhecido, está traduzido pro português. E o próximo livro que eu tô lendo é Maggie of Fer. Eu li Hamnet, que teve o filme que ganhou o Oscar. Achei incrível. Me emocionei lendo Hamnet. Esse eu acho que não tá traduzido pro português ainda, mas eu espero que traduzem. Eu comecei ontem à noite, Land, eh, de Maggie ou Ferell e eu tô achando já incrível. Minha esposa leu, amou, se emocionou no final, então eu tô feliz de poder ler mais esse daqui. Quando acabar eu faço talvez um vídeo para vocês. Até a próxima. [música]