Religião e simbolismo: fetiche, fé ou misticismo? | Luiz Sayão, Ákilla Nascimento & Susie Lee | IBNU
10/05/2023
Religião e simbolismo: fetiche, fé ou misticismo? | Luiz Sayão, Ákilla Nascimento & Susie Lee | IBNU
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Fonte: Igreja Batista Nações Unidas
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Boa noite, sejam bem-vindos à nossa live hoje. E a gente vai aqui falar de coisas bem interessantes, bem importantes, relevantes hoje. Aqui falando de religião e simbolismo, fetiche. Fé ou misticismo, né? Estamos aqui com é o Áquila, Saião. Boa noite, boa noite a todos. Boa noite Suzi, Saião, pessoal que acompanha a gente. É, de fato, é um assunto que eu acho que tem a cara do brasileiro, as suas expressões de fé são das mais variadas possíveis e existe muita riqueza, mas também muita dúvida, muita confusão às vezes de como expressar a fé nessa dimensão mais concreta de como nós representamos o que cremos. Eu espero que a conversa seja tão interessante quanto a mente e a cultura desse nosso país, né? Boa noite Suzi, boa noite Áquila e você que tá sintonizado com a gente aqui na IBNU, boa noite pra você também e quem sabe alguém aí tá recebendo um bom dia ou boa tarde, né? Você é, fique em sintonia conosco, até mesmo ali na live, já temos um uma boa quantidade de ah, irmãos, amigos sintonizados com a gente, você pode até mesmo dizer de onde é que você tá falando em conexão aqui com a IBNU. E hoje, de fato, o tema vai ser esse, né? O que que acontece na hora da expressão de fé, na hora de mostrar de alguma maneira essa relação é, com o sagrado, com Deus, é, com aquilo que tem a ver, né? Com o elemento mais significativo que envolve até mesmo a adoração. A pergunta é, qual que é a legitimidade disso? Como é que a gente expressa isso? Quando é que isso deixa de ser, ah, uma referência concreta, adequada, né? Então, você multiplique essa live, mande para os amigos, você também mande aí as suas perguntas, né? Mande já porque daqui a pouco a gente vai ter tempo para falar a esse respeito de maneira adequada. Então vamos aí prosseguir adiante. E Suzi, como é que fazemos? Você quer começar falando alguma coisa, iniciando? Vamos lá. Sim, é, a gente tem gente aí de Guarulhos, de Curitiba, de São Paulo, é claro. Fortaleza e tudo, Rio de Janeiro. A gente tem aí gente do Piauí, né? Então tem muita gente aí acompanhando, eu queria agradecer é, muito a vocês, né? E que a gente possa aqui compartilhar, falar um pouco. Saion, já que você falou aí sobre essa questão da expressão da fé, eu acho que vale a pena a gente pensar e falar sobre a questão do sagrado. Por que isso é, é tão relevante, importante e por que isso traz tantos desdobramentos, né? É, na nossa vida, né? Então eu queria, antes de mais nada, a gente que a gente pudesse falar um pouquinho dessa questão do sagrado, que que isso é, qual o papel que ele tem na nossa vida também, né? Além do que ele significa. Então, é, Suzi, para a gente, é, dimensionar bem, né? Para todo mundo que está sintonizado com a gente, a gente quando fala no no contexto da nossa realidade de fé, é, de seguidor de Jesus, que faz parte da IBNU ou de uma outra comunidade cristã, a gente fala da nossa relação com Deus, né? Mas quando a gente vai explicar isso de uma maneira mais ampla, que até as pessoas que estão fora do ambiente propriamente religioso, para que eles possam entender, a gente fala que estamos diante de uma realidade que ultrapassa a experiência sensível que diz respeito a uma realidade é que alguns chamariam de metafísica, uma realidade é que diz respeito, que aponta pro divino, né? E estudiosos famosos como Mircea Eliade, Rudolf Otto e outros, né? É, ajudaram a construir essa, essa questão que é, é, esse conceito, né? Que diz respeito ao sagrado, aquilo que se refere a Deus de maneira ampla ah, e genérica, né? Ah, e aí o que acontece? Quando a gente tem essa expressão, essa relação de fé, a, a questão é como é que isso se manifesta concretamente? E aí nós temos os diversos elementos presentes. Então quase qualquer expressão de fé, por exemplo tem um santuário né? Que é entendido como um ambiente, um, ou um espaço sagrado, um lugar onde a comunidade da fé encontra um espaço diferenciado na sua relação com Deus, né? Ah, a gente tem também o que a gente chama de elementos litúrgicos, né? Ou seja, quando esse momento diferenciado acontece que tipo de expressão de fé tem? Música não tem? Que tipo de música? Qual é a maneira como as pessoas se comportam? Quais os elementos, né? Eu nunca me esqueço, numa experiência curiosa que tinha um pessoal do Rio Grande do Sul com a gente em Israel e de repente eles passaram num lugar onde tinha um shofar, né? E todo mundo eu lembrar, o shofar é aquele chifre de carneiro que é usado é, no ambiente judaico, né? Que era desde os tempos antigos usado para fazer, eh, assim, a convocação de datas especiais, né? Datas ligadas ao calendário, ah, litúrgico, sagrado, religioso de Israel. Aí o sujeito olhou, falou: "Ô, Saion, o que que esse berrante tá fazendo aqui no meio dessas coisas?" Porque lá no Rio Grande do Sul não tem shofar, né? Se fala dessas coisas na linguagem coloquial, não é? Berrante. E com certeza, eu falei: "Olha, aqui nesse caso não é bem um berrante, né?" Então você vê um instrumento eh, que aponta pro sagrado, que é visto de uma maneira absolutamente totalmente desconectada com o sagrado em outro contexto, né? E a outra coisa que a gente já viu no começo da nossa live aí é que, ah, além disso, essa, essa conexão, essa referência com o sagrado, ela também tem símbolos e objetos que de alguma maneira traduzem esse significado. Então você tem, né, o o Áquila mencionou muito da religiosidade, religiosidade brasileira, né? Então o brasileiro ele conhece óleo ungido, ele conhece água benta, ele conhece crucifixo, ele conhece estrela de Davi, ele conhece uma série de objetos que de alguma maneira ah fazem parte, né, desse ideário, o, vamos dizer, prático religioso. E também, ah, eh, a gente tem os diversos símbolos, né? Eu, eu nunca me esqueço da vez que ah, a gente tava visitando a parte arqueológica de Cafarnaum, na Galileia, né? E lá, de repente, alguém olhou assustado, falou: "Ô, Saion, o que que é isso aqui?" Eu falei que, olha, essa decoração aqui dessa sinagoga antiga tem um pentagrama aqui. Eu falei: "Então, pentagrama no ambiente místico do contexto não cristão, aqui no Israel antigo, isso era chamado estrela de Salomão, né?" Então, quer dizer, um símbolo pode ter um significado diferente dependendo do ambiente onde ele se encontra. Então, de modo geral, a gente pode dar essa introdução assim, né? Eh, das expressões concretas que dizem respeito ao sagrado, que fazem parte da realidade da experiência religiosa, especialmente no contexto comunitário. E aí nós vamos ver hoje como é que funciona esse negócio. Não sei se o se o Áquila quer fazer parte da igreja do Monte Sião e se a Suzy tem o pastel abençoado aí para a gente resolver conforme a gente colocou na divulgação da nossa conversa de hoje. Pois é, eu acho que eu já tava nessa igreja, não lembro bem qual que era o papel. Mas, enfim, eh, pode falar, Áquila, que você Ah, não, a uma questão da da expressão concreta da fé que foi introduzida aí pela fala do Sião, acho importante a gente só pontuar também que é uma necessidade a gente ter algum tipo de símbolo, algum tipo de expressão concreta e talvez isso não seja tão evidente para todo mundo, em especial nas tradições assim protestantes, né? Eh, às vezes a gente pensa que por fazer parte justamente de uma tradição que rompeu com outras formas de expressar sua fé, o que é diferente de outras religiões, a gente pode ter alguma religião que fica só no coração, que fica só no imaterial, no na ideia, na abstração, isso não é possível. É, todos nós precisamos expressar. O senhor deu alguns exemplos, eu lembro também de uma conversa recente com uma pessoa que tem um, vive num ambiente muito semelhante ao meu, mas que quando a gente estava falando sobre um rito que é, por exemplo, a celebração de um casamento. É, a gente estava falando da importância de se fazer isso ou aquilo e tal, e a pessoa falou: "Não, mas importante é o que acontece no coração. O importante é a intenção". E isso, apesar de fazer parte de uma celebração, como é o momento de um casamento, não é tudo. O importante não é só a intenção do coração. É também a forma como a gente expressa isso para outras pessoas. O concreto comunica muito, não só para a gente, mas comunica também para as outras pessoas e na história bíblica comunica para Deus. Deus exige várias posturas e atitudes que são atos concretos do povo que demonstram arrependimento, fidelidade, gratidão ou louvor. Tudo isso sempre envolve o aspecto interior, mas isso envolve o aspecto da demonstração concreta. Por exemplo, é importante batizar? É fundamental, é indispensável, mas o batismo e a água do batismo é aquilo que realiza a inserção da pessoa no corpo de Cristo? Não. Não é o poder mágico da água. Só que o o ato concreto é facultativo? Sei, você não não gosta desse rito e tal, dá para deixar de lado? Também não. Então, os dois são aspectos, assim, é, fundamentais da expressão da fé. Né? A gente depois pode também, é, pensar um pouco mais de por que que essas coisas, é, são são indispensáveis, mas eu acho que para o ponto de partida da nossa conversa aqui é: símbolo é ou não é importante? Devemos ter ou não ter uma expressão concreta? Todos nós concordamos que temos algum tipo de expressão concreta. Isto é, como entender e como expressar isso de forma equilibrada. É até interessante, aquilo que você falou aí, eu acho que vale até a pena a gente falar um pouquinho de como é, essa questão da expressão concreta, porque a gente hoje tem que falar sobre essa expressão concreta, o que a Bíblia ela não precisa necessariamente falar, é, muito, é, é, a gente vê no, no, principalmente no Antigo Testamento, que é a base, pelo menos do, do pensamento bíblico, é, a gente vai ver que, é, a expressão concreta faz parte, né? É, daquilo que é demonstrar fé, você não tem como dissociar aquilo que você, é, crê, daquilo que você crê, é, com aquilo que você faz e vive, né? Então, isso fazia parte, claro que tinham, por exemplo, como você ia adorar a Deus, tinha a questão do tabernáculo, foi colocado, essa, toda essa os ritos, vamos dizer assim, né? A cerimônia, né? A celebração, a, a, a maneira como eles chegavam, se aproximavam de Deus, até para, é, eles aprenderem o que é, né? Como era, é, se aproximar de Deus, do sagrado, né? E, do Deus santo, enquanto pecadores, enquanto pessoas que não tinham essa, é, esse direito, vamos dizer assim, né? É, mas com o tempo, a gente acabou, na nossa história, é, talvez, é, vocês possam contar um pouquinho dessa história, dissociando completamente, né? Uma coisa que é sagrada, daquilo que a gente vive no dia a dia, então, hoje a gente tem o domingo, né? Tem pessoas que vivem o domingo, as pessoas que vão viver o dia da semana, e aí é totalmente uma vida completamente diferente, né? E dissociada. Então eu acho que vale a pena a gente falar até porque é essa questão da expressão da fé faz parte de tudo que a gente vive, né? É, porque se a gente crê numa coisa a gente vive conforme essa crença então faz parte da nossa vida. É, Aquila Sayão podem falar um pouquinho? Olha Suzi, eu acho que a questão é que vocês já pontuaram aí, ela passa por um elemento é, que tá relacionado com a discussão em torno é, da idolatria e da mácula da relação com Deus por causa do elemento concreto. Eu acho que a gente precisa primeiro entender, é, que qualquer coisa que seja referência ao sagrado quer seja um símbolo ou um rito ou qualquer ou um santuário é, ele precisa precisamos entender bem qual que é o papel daquilo. Aquilo aquilo é um é um é um referente a realidade de Deus ou algum elemento ligado a nossa relação com Deus e não é a finalidade última é daquilo que envolve essa relação com Deus. E como nós temos a nossa história ligada a toda a tradição protestante evangélica, né? Que ela exatamente reage é, com respeito a qualquer coisa que tenha a ver com uma adoração maculada e de alguma forma que possa ser lida como idólatra a nossa tradição a gente tem que reconhecer que ela ela ela foi um pouco além, né, de uma espécie de eh, repressão de qualquer estética do sagrado, né? Então, boa parte, pelo menos no contexto brasileiro, nem sempre é assim, uma coisa curiosa. A gente visita igrejas protestantes ou evangélicas na Ásia, na Europa, na América do Norte e e nem sempre você vê essa mesma atitude assim anti estética presente, né? Às vezes você entra numa igreja, você vê vitrais, você vê uma uma espécie de arte sacra presente, né? E aí vale a pena a gente olhar até mesmo para o Novo Testamento. Ao mesmo tempo que o Novo Testamento diz: "Filhinhos, guardem-se dos ídolos", né? E menciona que eles tinham abandonado os ídolos, quando você lê eh, Primeira Coríntios, Paulo vai dizer: "Olha, o ídolo nada é". Ah, existe uma ideia, né, de que se o sujeito, por exemplo, vai lá no na ágora, né, no mercado e ele come alguma coisa que foi sacrificada aos ídolos, Paulo vai dizer: "Olha, come de tudo que se vende no mercado sem se preocupar eh, porque essas coisas não não são contaminadoras no sentido essencial, como se elas tivessem uma energia perigosa em relação ao que elas podem fazer". Então, nesse sentido, ah, lembrando do povo comum, desde a antiguidade, que precisava aprender uma série de coisas importantes sobre a fé, era muito mais fácil que eles aprendessem de maneira concreta, né? Estava conversando com algumas pessoas do contexto da igreja ortodoxa, né, do mundo grego, do mundo eslavo e aí alguém perguntou: "Por que é que o pessoal fazia esses ícones"? A resposta foi bem interessante, porque quando foram evangelizar os povos não evangelizados, eles eram analfabetos. Não havia como contar uma história bíblica e escrever a princípio, então eles fizeram os ícones para contar e depois como lembrança disso, aquilo se revestiu de um elemento sagrado. Então, olhando para a Bíblia, é interessante ver que Deus manda fazer o Tabernáculo, manda fazer a Arca da Aliança, manda fazer o Candelabro, eh, desenha-se ali os, fazem os Querubins entre o Santo dos Santos e o lugar Santo, né, o Santíssimo e o Santo. A gente vê os Querubins em cima da Arca, a gente vê Moisés, né, fazendo a serpente, eh, a gente vê que Bezalel e Aoliabe são cheios do Espírito para fazer, eh, eh, toda, todo o elemento eh, estético, né, e e também propriamente de trabalho concreto e manual que envolve isso e e nada disso tá contaminado nisso. Então, acho que a primeira coisa a gente percebe, não há nenhum problema em em ter um santuário, não há nenhum problema em ter qualquer símbolo, não há nenhum problema essencialmente nessas coisas, porque elas podem ser um elemento de veiculação, eh, de mediação na direção, de comunicação do sagrado, né? Então, não há como o o ser humano, eh, funcionar dissociado dessa linguagem simbólica. Agora, depois eu vou passar a bola para vocês. Agora, tem hora que essa relação com esses símbolos, ela se reveste de algo problemático, né? E até até aproveito aqui para lembrar, né, que a a própria serpente de bronze que foi uma referência de convocação à fé, depois se torna um problema. E ela era chamada Neustan e ela tem que ser destruída porque o pessoal a transforma numa relação cúltica problemática. Mas, né, a gente já conversou bastante, então eu vou passar a bola para o Áquila ou para a Suzi para comentar quando é que essa relação se torna inadequada ou indevida. Bom, ah, Raion, sobre essa fronteira e também até voltando para a pergunta da Suzi, se eu não me esqueci, qual é a importância desse desse aspecto mais concreto, eu acho que a a o passo inicial é justamente perceber que nós fomos seres criados em três dimensões, né? Eh, espaciais. Existem algumas outras dimensões que a gente pode conversar depois, mas a ideia é que tudo que a gente experimenta e faz está inserido num mundo concreto, ainda ainda que a gente possa eh gerar abstrações na nossa mente, no nosso cérebro, tudo isso parte da experiência sensorial. Eh, então, quando a gente tenta dissociar a aquilo que é expressão da nossa fé, daquilo que é a nossa condição como criaturas, eu acho muito importante lembrar eh desse fato de que foi Deus que nos criou como matéria, foi Deus que nos fez dentro de condições que experimentavam as coisas com essas características, com esse corpo que nós recebemos. Eh, quando nós nos colocamos no lugar de criatura, eu acho que nós até eh ficamos um pouco mais livres e talvez menos medrosos num um lado do espectro de demonstrar isso concretamente. Eu acho que uma das fobias, talvez, do da da nossa expressão, parte das pessoas seja de expressar concretamente algo e achar que isso, de fato, é idolatria. E o extremo oposto é, justamente, quando isso, de fato, é idolatria, porque foi esvaziado daquilo que é o seu significado original e passou a ter um sentido em si mesmo. Eu acho que a o exemplo da cobra, da da serpente, que teve dois momentos, aparentemente, no povo, serviu para propósitos distintos, nos mostram que esse é é elemento concreto parece ser um pouco do recipiente, o recipiente daquilo que são os sentidos, os significados que atribuímos a ele e a nossa expressão de gratidão, de reverência a Deus por meio daquilo. Quando a gente entende o símbolo com como essa coisa que pode ser preenchida por diferentes líquidos, com preenchido por diferentes intenções, a gente percebe que ele pode servir a propósito bom e a um propósito mau. Por isso que o símbolo em si mesmo não pode ser nem condenado, nem reverenciado sempre como uma coisa boa ou sempre como uma coisa ruim. Não só depende das palavras que são utilizadas e até contrapondo aquela fala que eu tinha colocado do casamento inicial, mas da intenção do coração. Se a intenção do coração não é não é tudo, certamente, é parte daquilo que envolve essa adoração concreta. De que forma você é está fazendo esse ato concreto. Eu lembro, por exemplo, os sacrifícios que são condenados por Deus no Antigo Testamento. Eles foram prescritos por Deus, foram normatizados por Deus e eles foram rejeitados por Deus. É o problema era o tipo de animal que estava sendo oferecido? Em alguns momentos, sim, mas parece que o problema mais grave, em geral, não era, simplesmente, o tipo de animal que não era apropriado, mas é porque aquilo não expressava uma forma coerente de adoração a Deus, de reverência, de arrependimento, quando a injustiça permanecia no meio do povo de Israel. Então, o sacrifício podia ser bem feito, o rito podia ser bem realizado, mas aquilo que ele precisava expressar era uma incoerência completa, porque o povo não estava fazendo aquilo como demonstração da presença de Deus que trazia justiça para o meio do povo. Reconhecimento da presença santa de Deus, como foi também colocado aí, que exigia eh essa atitude do povo. Então, a a a a barreira parece ser o a linha parece ser cruzada no momento em que o símbolo deixa de ser uma expressão não só concreta, mas coerente daquilo que nós estamos dirigindo a Deus, de gratidão, de reconhecimento, de reverência e por isso passa a ser um objeto que nós usamos, dentre outras coisas, para tentar manipular Deus, para tentar de alguma forma satisfazer uma divindade, como era tão comum também nos povos que estavam ao redor de Israel e usavam os símbolos de forma semelhante ao que Israel fez em alguns momentos da sua história. Muito interessante isso. Aqui a gente vai eu vou até aproveitar uma questão aqui do Roberto e já introduzindo aqui na nossa eh nossa discussão. Ele fala: "A questão não seria que aquilo que é uma referência do sagrado, né, que é uma uma expressão do sagrado, se transforma em sagrado?" Então, essa linha tênue, né, que existe entre eh você expressar de concretamente, né, eh a sua reverência, o seu, né, a sua fé diante do sagrado, eh e a questão de você tornar aquilo o sagrado, né? Eu acho que é o que o Saião falou sobre a serpente. Eu acho que todos os símbolos né, que podem correr esse risco. É interessante até, porque se a gente for pensar como Deus assim, des escreve a história da salvação, como ele age na história da salvação teve muitos símbolos no meio de tudo isso e o próprio Jesus, quando ele vem em carne, né, em em ele vem como um ser humano, ele vem de uma maneira concreta para mostrar de uma maneira concreta o amor de Deus, né? É, fazendo alusão de quando é o tabernáculo foi criado, ele diz que tabernaculou, porque ali Deus veio viver no meio do seu povo, né? Então o problema, como vocês disseram, não é é a questão da expressão, do concreto, né? É a expressão. O problema é justamente é essa forma que a gente tem de lidar com o próprio sagrado, que é você querer dominar o sagrado e manipulá-lo, né? Você quer é controlar e falar, olha, agora você isso aqui tem algum talvez poder mágico que é eu vou falar, eu vou pedir, eu vou, né, controlar e aquilo vai é assim, vamos dizer, vai ser algo que vai me trazer aquilo que eu desejo, aquilo que eu estou pedindo, né, enfim. Então, é, eu gostaria que a gente pudesse falar um pouquinho desse sobre esse problema da gente transformar aquilo que é um símbolo, né, aquilo que pode ser algo da expressão concreta, no próprio sagrado. Então, ah, Suzi, eh, o Aquila mencionou um pouco essa questão da, da coerência, né? Quando você tá tentando apresentar a sua relação de adoração e cúltica diante de Deus e o rito, ele não corresponde ao elemento que é compatível, que tem a ver com a vida da pessoa. Mas o, o interessante é a gente ver algumas coisas curiosas na própria Bíblia, né? Por exemplo, chega lá o, o, o apóstolo Pedro diante do Cornélio, o Cornélio fica todo animado, ele vai se ajoelhar, o Pedro diz: "Não, não, não, não, por favor, faça o favor de ficar de pé, porque eu sou homem que nem você". E a gente lembra do famoso general Naamã, que ele tá voltando para casa depois de reconhecer o Deus único e verdadeiro e aí ele fala para o Eliseu: "Olha, quando eu chegar lá no templo, o meu senhor, o rei, vai ter que entrar no altar de Rimom lá e eu vou acompanhar com ele, ele vai se inclinar e eu vou tá junto". O Eliseu diz: "Vai em paz". Como quem diz assim: "Eu sei que esse negócio não é sério, é só pro forma". Então, eh, esse elemento aí vai mostrar para a gente que o problema maior da adoração, que se reveste de elementos concretos, eh, está principalmente na intenção do adorador. Quer ver uma coisa interessante? Por exemplo, eu conheço pessoas que têm uma Bíblia quase como um fetiche. Aquela pessoa pega: "Não, porque essa Bíblia aqui foi uma que eu, eu guardo porque no dia tal eu tive um tal momento e foi o, o pregador tal que me deu, tem até aqui a assinatura dele aqui e a pessoa guarda aquilo como se fosse uma relíquia, né? Há pessoas que se relacionam com pregadores, pastores ou gente ligada à expressão da fé de uma maneira um tanto quanto estranha, né? Tá assim colocando o indivíduo como se ele fosse de uma outra natureza, outra referência. Então, isso pode ser feito com o templo, isso pode ser feito com a denominação, isso pode ser feito com o hinário, isso pode ser feito com uma estátua, isso pode ser feito com o ícone. A maneira como a gente perde o sagrado na tentativa de expressá-lo. Então, quer dizer, o elemento concreto, a expressão de arte que aponta, que deveria apontar para o sagrado, engole o sagrado em função da atitude indevida da pessoa. Isso é um negócio tão interessante que na história da reforma teve um pessoal tão preocupado com isso que eles acharam que o maior empecilho à adoração era a música. Porque a música fazia com que as pessoas ficassem tão encantadas com a melodia ou com que elas não se lembravam, de fato, de Deus e do que precisava estar presente na adoração. Então, o que que o pessoal fez? Passou a arrebentar os instrumentos, quebrar tudo. Entrou, né? Eu não Sei se alguém já ouviu falar dos iconoclastas, imagina só. A gente pode ser Como é que é? Os instrumentoclastas, né? É, tudo em busca de uma determinada pureza cúltica. Pra gente entender onde é que tá o cenário. Então, é, o que que é necessário aqui? A gente entender que não é possível ser vazio de símbolo, não é possível ser vazio de concreto. E e ao mesmo tempo em que a Bíblia, por exemplo, fala que Deus, ah, teve um lugar que simbolizava a presença dele no meio do seu povo, no tabernáculo, no templo, ah, e e depois isso vai amadurecer para a ideia de que a própria comunidade é templo, é espaço, ambiente da habitação divina, mesmo Deus que diz isso, diz: "Escutai, que casa vocês vão oferecer a mim? Como assim vocês acham que eu vou morar numa casa se a terra é o lugar onde eu descanso os meus pés, né?" Então, ao mesmo tempo em que você tem esse, essa ênfase de que existe um um espaço, um ambiente, um dia, um momento, ah, em que o sagrado tá concretamente presente, a gente percebe todos os elementos como limitados, como referência ao sagrado sem tendo condições de dar conta dele de uma maneira significativa e total. Mas quando essa atitude indevida de perder Deus e o sagrado em função do fascínio da referência que aponta para ele fica mais grave, aí eu acho que é que que a que a enfermidade piorou. Aí, né, a gente entra no outro caminho, que é o caminho do misticismo acentuado, é o caminho, o caminho do fetiche, aí é o caminho mágico, né? Quando a gente de fato passa a tratar o objeto como uma referência diferenciada, ah, e e e e praticamente mágica daquilo que aponta, que deveria apontar para Deus. Ah, isso fica marcado até na relação do povo de Israel com o templo, eh, com essa percepção de que quando o templo é construído a primeira vez, e Deus se faz presente de forma muito poderosa ali, e as pessoas, corretamente, interpretam que aquele é um lugar diferente, que ele é um espaço sagrado. Lembrando que símbolo não é só a nossa expressão concreta. Existem vários eh, fatos na Bíblia que mostram que Deus, de fato, consagra um determinado símbolo, um local, como um local onde a presença dele se faz diferente. E aí, quando Deus passa a habitar no Santo dos Santos, erroneamente, o povo de Israel, em alguns momentos, também entende que enquanto o Santo dos Santos existisse, estivesse de pé, nada de mal poderia acontecer com o povo. E quando Deus eh, e a a visão de Ezequiel também fala sobre isso, quando a presença, a glória de Deus sai do Santo dos Santos, depois a gente vê que a glória de Deus vai para a terra da Babilônia, está com aqueles que estão exilados, a gente percebe que esse valor sagrado do espaço se foi. Continua a ser um símbolo, continua a ter um grande poder, mas essa presença especial de Deus foi embora. E é no momento em que a confiança do povo continua a ser com o fato de que o símbolo ainda existe, logo a segurança deles está garantida, é que a coisa começa a dar errado. É perder de vista que o o sagrado era presença de Deus, e não o fato de que simplesmente o símbolo existia. E é difícil, muitas vezes, a gente entender como essas coisas eh, passam a ter uma associação verdadeira e como essa associação se quebra. Quando é que o símbolo realmente está associado a uma expressão sadia, e o momento em que nós perdemos de vista aquilo que ele representa. Todas as nossas tradições, por mais preenchidas que sejam de símbolos concretos ou menos, demonstram esses conflitos. A gente tem isso hoje nas igrejas, por exemplo, no nosso meio batista, mas também com certeza acontece no com os assembleianos, metodistas, presbiterianos, católicos. Essa é a ideia de que você é teve um motivo para criar um símbolo, aquilo desempenhou um papel importante no ato de adoração, mas por por algum motivo aquilo deixou de comunicar, as pessoas já não entendem o símbolo, as pessoas já não fazem parte da mesma realidade que gerou aquele símbolo, mas algumas pessoas tendem a conservar aquele símbolo com um valor completamente sagrado. O Saulo Saulo comentou um pouco como isso pode acontecer com diferentes tipos tipos de símbolo. E aí existe um desgaste muito grande entre diferentes interpretações sobre o mesmo símbolo. É, a ideia é de alguns que aquilo tem um valor em si mesmo, aquilo nunca deveria ser abolido, né? A gente não pode nem falar no assunto, não pode muito menos mexer, seja na arquitetura de um espaço de adoração, seja na forma como a gente canta, seja na forma como a gente constrói os atos da celebração. É, e para outros essas coisas não têm valor nenhum, a gente pode fazer ou deixar de fazer que isso não vai fazer a menor diferença, né? Então, a gente percebe que essa essa relação de criar associações com símbolo e depois perder essas associações são muito complicadas às vezes, mas o símbolo ele nunca tem o poder em si mesmo, né? É, é isso é bem interessante, né? A gente vai pode ver muitos, é, muitas histórias na Bíblia sobre isso, né? Mas eu eu queria só assim pensar um pouco, talvez de uma maneira diferente. Às vezes a gente, por exemplo, num ambiente de empresa, né? O pai ou o meu avô, aquela pessoa que constituiu a empresa, o fundador, né? Ela vai se empenhar e a empresa cresce e tudo. Quando vai passando de geração a geração, é é o mesmo valor das coisas que foram criadas e se vai seja o nome da marca, o o valor da marca ou o valor que se dava, por exemplo, às pessoas ou enfim, que tudo aquilo que foi criado vai para sendo esquecido de geração a geração, né? Aí eu acho que acontece muito essa dissociação daquilo que, né, foi importante, né? E aí chega na terceira, quarta geração já que nada disso vale, só vale, né, o que tá, né, o dinheiro que tá sendo gerado, enfim. E aí acaba-se esvaziando desse sentido. E até interessante porque a gente vai ver isso na Bíblia, assim, no tratado de uma maneira importante. Ah, em Deuteronômio a gente vê com com muita força isso, né? Mesmo em Êxodo, é, quando é falado, quando é dada a lei ou feita aliança, é, que deveria ser contado de geração a geração os sobre os feitos do Senhor. Que aquela as aquelas leis, aqueles aquelas orientações não deveriam ser passadas simplesmente, é, como um monte de regras e tudo mais, mas deveria ser contado como Deus tirou do Egito, como Deus libertou, né, da escravidão, como Deus agiu em todas as coisas e que aquilo fosse celebrado, que é o é o conteúdo, né? O é é o sentido que se tem, é, naquele símbolo, naquele naquele rito, enfim. E isso não acontece muitas vezes, no final vai se esquecendo, vai se perdendo justamente essa questão. E aí os que vem, às vezes, é, não só tornam vazios esse símbolo, mas, é, o grande perigo, que é o que a gente está falando, é de tornar é, esse símbolo tor, é, tomar o lugar do próprio sagrado, né? E aí eu acho que a gente tem que, é, pensar nesse elemento. Por que que é tão, é, atraente? Ou por que que é tão, é, importante na vida das pessoas esse, esse elemento mágico, essa, essa ideia? Por que que isso atrai tanto, é, as pessoas? Olha, Suzi, eu acho que uma coisa muito, é, interessante, é, que vem dessa tradição, que tem a ver com os símbolos e que no mundo secular, as pessoas, é, acabaram traduzindo esse elemento para o universo das marcas e dos logos, né? Qual que é a força do símbolo? É que ele consegue concretizar um elemento que tem um significado muito amplo, uma história toda, uma coisa, pega um brasão, vai estudar heráldica, né? E aquilo tem muito a dizer, a pessoa olha aquilo, não, isso aqui é da casa real de Habsburgo, né? Então, a, a força desse é muito maior do que a gente entende, porque o símbolo tem dois elementos, um elemento de inteligibilidade e um elemento que ultrapassa essa inteligibilidade. Nesse sentido, a, a, é curioso, o Áquila chegou a mencionar, né? A a fé cristã claramente está marcada por coisas como batismo e ceia. É, por que que eu vou batizar? Eu já acreditei, não tem que fazer uma cerimônia. Mas como sim, eu preciso lembrar de Jesus, tenho que comer um pedaço de pão e tomar um pouco do do que vem da fruto da videira, né? Como é que é esse negócio? É, isso tem uma importância significativa que permite você ter uma uma um momento de natureza vivencial, concreta, que ultrapassa a mera descrição racional, que é muito pertinente à nossa sociedade, vamos dizer, muito influenciada pelo mundo iluminista, que acontece bastante no universo protestante, né? Então, essas coisas têm um significado e um valor bastante grande, né? E a gente vê que memória histórica, ah ah é é essas toda a tradição antiga, né? É, que ultrapassa séculos, ela tem, vamos digamos assim, uma memória muito marcada em certos símbolos, às vezes às vezes num num num prato de comida, numa receita, ah num num tipo de escrita, né? Tem elementos aí. Então, tudo isso é bastante importante e significativa. Agora, falando em inteligibilidade, qual é a questão? Se nós estamos falando de símbolo, o símbolo é uma linguagem, é como se eu tivesse falando uma determinada língua. E essa língua só faz sentido dentro do ambiente onde ela está inserida. Então, por exemplo, eu me lembro uma vez quando eu visitei o Japão, eu fui visitar um espaço sagrado, de repente eu olho e vejo um desenho ali que era uma suástica, né? Falei, isso daqui é que vim parar, que negócio é esse, né?" Não era a suástica como nós a conhecemos, era uma suástica invertida, né? Aí imediatamente alguém me falou: "Não, isso aqui, na verdade, era um símbolo religioso da Índia antiga, né? E que entrou no budismo e mais tarde os nazistas utilizaram isso e se apropriaram desse símbolo e passaram a definir a identidade deles a partir daí, né? Então, o que que acontece? Aquele símbolo naquele ambiente não tem nada a ver com o uso dele no ambiente europeu da época da Segunda Guerra, né? E o o o o mesmo nos dias de hoje. E aí a gente tem que prestar atenção nisso. Qual é o sentido, a interpretação que se tem do símbolo, né? Porque a a a mentalidade bíblica, apesar de ela ultrapassar essa inteligibilidade, ela aponta para uma realidade transcendente de maneira diferenciada, ela é inteligível, é não é uma religiosidade louca e vazia onde a pessoa faz um negócio que ele não sabe o que que tá acontecendo. Não existe esse desvario no cristianismo do Novo Testamento. A gente sabe o que quer dizer a mensagem da cruz, sabe o que a cruz significa, a gente tem esse sentido muito claro. Mas quando num determinado ambiente o uso de um um símbolo, de um rito é tem uma comunicação ruidosa ou não favorável, ele precisa ser evitado. Por exemplo, se você tá no ambiente de Israel ou de determinados lugares do mundo e você vai eh falar em dança, ela tem um significado X. Em outros ambientes, a dança tá por demais associada a uma sensualidade acentuada. Então, não vai ser a mesma coisa nos ambientes diferentes, né? Eh, gestos, postura, abraço, beijo, certas atitudes têm interpretação diferente. Aí que a gente levanta, né, a discussão, né? No ambiente nosso brasileiro, eh, e e e talvez de boa parte da América Latina também, com uma cultura mais marcada por uma, vamos dizer, uma presença mística de de três raízes, né, europeia, africana e ameríndia, né? Se a gente, né, faz com que o elemento simbólico, assim, seja demasiadamente usado, de modo a favorecer um misticismo acentuado, isso acaba perdendo o caminho com facilidade. Por exemplo, alguém falou: "Ah, Saulo, mas por que que a gente não vai ungir as pessoas com azeite, com óleo? A Bíblia não fala sobre isso". Sim, mas qual que é a diferença? Aqui o azeite, no mundo do Israel antigo, tá presente em tudo. O pessoal só tem azeite. O sabonete deles é de azeite. A eletricidade deles é azeite. O tempero da comida é o azeite. Ou seja, o azeite é usado não porque ele fosse uma substância diferenciada, mas porque é a coisa mais presente. Quando você chega num ambiente nosso, onde o azeite é visto como um líquido diferenciado, e às vezes até olha azeite de Jerusalém, uh, isso aqui é mais forte ainda, né? E você vai usá-lo de maneira, eh, mistificada em exagero, aí você perde a ideia da importância da oração, perde a ideia de expressão da fé, perde a ideia do sagrado e fica só com azeite. Aí você de fato cai nesse caminho, digamos, de de praticamente de entrar no elemento do fetiche, de entrar no elemento mágico, quando o objeto parece ter força por si só, né? Tipo, é o sal grosso, né, para afastar mau olhado e daí para frente. E aí a gente já tá num ambiente diferente da proposta neotestamentária. Eh, a a Suzy perguntou sobre por que que isso exerce tanta força e o Saionara começou apresentando também alguns elementos positivos, né, de de como isso dá forma àquilo que a gente eh, acredita. Mas pegando já um pouquinho mais o final da da sua fala, Saionara, e talvez o o aspecto negativo, um pouco mais deturpado, eu acho que isso exerce uma atração e uma força muito grande porque nos dá um senso de determinação sobre o mundo espiritual. Eh, na nossa cultura existe uma concordância eh, não unânime, mas presente em boa parte da população, de que existem eventos espirituais que afetam os eventos que estão acontecendo ao nosso redor, no nosso dia a dia. Existem espíritos, eh, na linguagem bíblica existem anjos, existem demônios, o próprio Deus se faz presente na nossa vida, no nosso cotidiano, mas também avisa da presença do inimigo, né? A linguagem do Apocalipse torna isso muito evidente, né? A gente já teve outras lives e pregações sobre Apocalipse, mas eu acho que uma coisa legal da gente reforçar é que o Apocalipse parece que mostra para a gente com clareza aquilo que em boa parte do tempo está encoberto. E quando ele mostra com clareza você vê que existe uma realidade espiritual muito presente. Quando a gente se envolve com esses símbolos que nos dá, nos dá a sensação de que nós podemos fazer algo concretamente para lidar com essa realidade, para evitar que um espírito mau me atormente, para fazer com que um anjo possa de alguma forma me favorecer, isso traz uma sensação de de de autodeterminação. A minha vida também está mais sobre o meu controle, se eu tenho um controle sobre esses seres espirituais, e uma sensação de segurança mesmo. Eu não vou estar de alguma forma completamente vulnerável a virar da esquina e alguma coisa me pegar, alguma coisa, um um um mau-olhado, como é foi colocado sobre o sal grosso, que possa ser lançado sobre mim, algum trabalho que possa ser feito é sobre mim, e a gente fica bastante inseguro sobre isso. No nosso meio cristão evangélico existe muitas vezes temor com coisas relacionadas a maldição hereditária, por exemplo, e aí a pessoa acredita que ele precisa fazer isso ou aquilo para poder se livrar é do peso de uma condenação espiritual, de um tormento espiritual. E entrando mais especificamente nessa questão, até porque só na nos últimos sete dias, eu duas ou três vezes é perguntaram para mim se a gente pode estar debaixo de maldição hereditária, de pessoas que estão dentro, não só da tradição evangélica, mas de denominações históricas, não é? Só para enfatizar que isso não é uma questão restrita a pessoas que não creem na palavra, nem é para pessoas que talvez tenham uma perspectiva muito diferente do que a gente costuma ensinar aqui na IBNU. Existe esse esse temor em pessoas de todo o espectro religioso, mas também intelectual, vi colegas meus chegando do laboratório, falou que o ambiente estava muito pesado e ia tomar um banho de sal grosso, ou seja, ele estava tentando resolver ali os problemas da ciência com esse tipo de procedimento. É, a ideia bíblica parece ser muito clara de que no momento em que nós somos selados com o Espírito Santo, todo tipo de ameaça, todo tipo de insegurança, ela está completamente anulada pela presença do Espírito Santo. E Paulo vai falar sobre isso do Espírito de Deus que testemunha ao nosso espírito de que nós somos filhos de Deus. Nós recebemos não o espírito de covardia, ali ele está, ou de temor, ele está falando sobre a relação entre carne e espírito, mas isso é aplicável para essa nossa realidade. Nós não recebemos um espírito que precise ou de alguma forma seja coerente ter medo daquilo que, se a gente fizer alguma coisa errada, se alguém fizer um trabalho sobre nós, nós estamos numa situação de perigo. A ideia é que, pelo Espírito Santo, a gente pode clamar Abba Pai, o Deus, como Paulo também coloca em Colossenses, por meio de quem todas as coisas foram criadas, é o mesmo Deus que nos chama de filho. Então isso traz um senso de segurança espiritual que não permite a gente ter esse, é, medo, é, assim, disseminado em todos os momentos, em todos os lugares. A gente está sempre com aquele, aquela pulga atrás da orelha, que alguma coisa pode me acontecer. Então é, é importante a gente ter essa convicção de que fomos selados com o Espírito Santo. Somos feitos filhos de Deus, o Espírito de Deus habita sobre nós, logo, em nós, logo todos os outros espíritos estão sujeitos a nós e a gente não deve ter, é, essa, essa sensação completa, assim, de, de medo, de insegurança, de temor que alguma coisa possa determinar nossa vida. Muito bom, é, realmente é muito importante, até porque a gente acaba tendo essa superstição, né? O o quando a gente lida com o misticismo e deixando de ser uma expressão de fé a questão toda tá ligada a ao simbolismo, esse símbolo se torna algo é assim, objeto de é como se fosse um é uma lâmpada de Aladim, né? Uma lâmpada mágica ou né, eu lembro dos versiculozinhos que tinham na caixinha ou no vidrinho assim e as pessoas iam tirando lá um versículo por dia e liam, era como se fosse a palavra da sorte, né? Ou é aquele do biscoitinho da sorte do dia, né? Então eu já vi muitas pessoas usarem, não só os símbolos, né? A cruz mesmo para aquele é para afastar maus olhados, assim como os pagãos faziam, né? Tem é aquele olho, como é que chama o olho grego aquele? Amuleto, né? É amuleto, o olho grego, né? Então usar o sal grosso, enfim, eu já vi e isso em ambientes assim, por via das dúvidas, né? É vamos pedir a todos os santos, a todos os deuses, né? Por via das dúvidas, é mais ou menos isso. E quando nós cremos nessa realidade de Jesus Cristo como Senhor e Salvador e nisso que o aquilo acabou de falar é que nós somos selados pelo Espírito Santo e temos essa essa proteção, é a gente não deve nem só não temer mas também não é entender que aquele símbolo, aquela é, aquele objeto tenha um poder em si mesmo, né? Porque quem tem o poder é Jesus. É quem tem o poder, é Deus. Não são, aí a gente pode lembrar um pouquinho da Bíblia, porque isso acontecia não só nos dias atuais, mas isso acontecia na Bíblia também, né, Saion? As pessoas olharam para Paulo e pro, para alguns discípulos em alguns momentos e acreditavam que eles é que tinham o poder ou, ou que alguns elementos, né, é, que eles tinham, tinham poder. Vamos conversar um pouquinho sobre isso, né? A sombra de Pedro curava? A roupa de Jesus curava, né? É, como é que era isso? É uma excelente pergunta, Suzi, para a gente, de fato, ah, entender, né, a diferença da proposta da bíblica que se afasta, né, desse ambiente ah, de magia e de misticismo, ah, que é desconectado do sentido da, da realidade. Interessante que teve gente que tentou lidar com os demônios usando o nome de Jesus e os demônios lá em Atos 19 disseram: "Jesus ele conhece, Paulo também, mas vocês quem são?" Então o uso mágico de Jesus não deu nenhum resultado, né? E hoje é comum o pessoal falar em nome de Jesus para tudo, né? O sujeito tá lá, fala: "Nossa, rapaz, tô com dor de cabeça ali, aí em nome de Jesus vai tá boa, né?" Então o pessoal usa sim, de uma maneira muito irrefletida, né, essa expressão. Então veja lá, nós temos pelo menos esses episódios do Novo Testamento que chama atenção quando Atos vai falar que a sombra de Pedro, né, curava e os lenços e aventais ligados a Paulo eram levados para que as pessoas que nele tocassem eram curados e e a gente tem vários casos, né, de gente que tocava em Jesus e particularmente nas vestes eram curados. Um Um caso muito, ah, claro é o da mulher que tinha fluxo de sangue, né? As versões antigas chamam de mulher hemorrágica, né? Quando ela vai e ela toca nas vestes e é curioso, né, porque Jesus pergunta: "Quem me tocou?" E os discípulos falam: "Como assim? Eh, pergunta é quem não tocou, né? Nesse aperto, com todo o mundo empurrando, esse monte de gente". Qual é a diferença? Primeiro, não existe no Novo Testamento, em nenhum momento, a ideia, da parte de Jesus ou dos discípulos, que eles estavam convocando as pessoas, a multidão, para, eh, ter contato de natureza mística com qualquer objeto, como se esse objeto tivesse poder mágico em si. Não aparece isso. Então, não é assim que Pedro falou: "Pessoal, hoje, às 4:00 da tarde, eu vou estar em tal lugar e eu vou ficar ali e quem passar vai receber a minha sombra e vai ser curado". Paulo distribuindo lenços lá na igreja de Éfeso, para quem pudesse ser curado. O que existe no Novo Testamento é o que a gente chama de, eh, uma teologia da cura voltado para o elemento da expressão concreta da fé. Isso quer dizer que as pessoas, espontaneamente, tinham tal convicção sobre o poder de Jesus que elas chegavam para os apóstolos e expressavam isso, né? Por por iniciativa própria, então tocavam lá nos ah lenços e aventais, colocavam ali as pessoas para passarem perto da junto à à sombra de Pedro mostrando a sua fé. E a gente vê a diferença muito clara nesse caso da mulher hemorrágica, porque de fato a roupa de Jesus não tinha nenhum poder. A roupa de Jesus não tava exalando cura, como se ela tivesse o poder mágico nela, senão todo mundo que tocasse já ia ser automaticamente curado. O que curou a mulher foi a sua fé. A o fato dela tocar na roupa foi a sua expressão concreta de fé. Assim como por exemplo, Jesus misturou saliva com ah barro, né? E e isso colocou nos olhos do cego e ele foi curado. E agora a gente vai fazer o quê? O cuspe de Cristo, né? A saliva de Cristo para curar as pessoas. Não é essa a proposta. Você não vê o ensino do Novo Testamento, nas cartas de Paulo ou dos apóstolos, qualquer tipo de ensino nessa direção. Então nós temos uma linha tênue aí entre a expressão concreta de fé e o misticismo indevido que mistifica de maneira mágica o objeto em si. Por exemplo, quando a gente tá num, digamos assim, numa celebração em qualquer comunidade da fé, a gente diz: "Escuta, nós vamos orar pela sua vida agora. Você que quer que Deus abençoe, fique de pé". É lógico que o ficar de pé não vai ser um ato mágico que vai garantir nada. Ou você diz: "Então ajoelhe-se agora" ou coloque a mão no seu coração, ou feche os seus olhos, né? E são maneiras de expressar de maneira concreta essa conexão com oração. Então, a gente tem que fazer essa distinção para que não surja, né, essa história de fazer o pastel abençoado, Que aí a pessoa come o pastel, os problemas espirituais deles estão resolvidos, porque não é esse o ensino bíblico e teológico do Novo Testamento. Inclusive, o Wagner também vai mencionar alguma coisa. Acho que nós temos várias perguntas aí, né, que já, já vão estar presente. Pelo que eu dei uma olhada aí, acho que a turma tá animada aí com a nossa conversa de hoje. Não, não, não tenho, acho que a gente já pode passar para as perguntas, mas é, tem que ter cuidado com o pastel. Às vezes o pastel tá abençoado, mas se ele não tiver, você vai precisar de uma benção especial para lidar com as consequências, né? Mas uma, uma coisa que eu, eu lembro assim, que me marcou muito, acho que eu estava no começo da adolescência, e eu, é, eu, eu nunca cresci num ambiente em que a gente mistificava todo tipo de fenômeno. E, a, a gente tinha um carro bem velho, vivia dando problema no motor de partida, aí nós demos carona para um irmão da igreja, e aí o carro não pegou na hora de sair, e aí o irmão falou assim para o meu pai: "Ó, pastor, isso aí, às vezes, você sabe que tem algum demônio que pode estar atrapalhando e é o que tá gerando todos esses problemas". Porque o carro voltava a dar problema a semana sim, semana não, né? E aquilo me deixou tão, tão intrigado. Foi a primeira vez que eu ouvi, eu falei: "Rapaz, eu sei que o carro tá com problema, porque a gente nunca consertou esse problema. O motor de partida, obviamente, é uma peça importante para o carro. E é óbvio que ele vai dar pau se a gente não encontrar uma solução é correspondente ao problema, né? Mas eu fiquei pensando aqui, depois aquilo se tornou um pouco engraçado para mim e depois eu percebi que na verdade é parte de um pensamento muito maior, né? É de explicar os fenômenos naturais sempre pelo prisma espiritual. Não dá para dissociar essas coisas, né? Isso é uma uma divisão moderna que a gente faz de natural e sobrenatural, mas também não dá para a gente é deixar de ir no mecânico para a gente fazer qualquer tipo de expulsão é de seres é não muito bem-vindos nos nossos eletrodomésticos, carro e por aí vai, né? É, é o Saial fala, né? Que se fosse se ele comprou, pagou por aquilo, é dele, né? Tem que tem que tem que ungir o motor do carro com óleo. Aí vai. É. A gente pode botar o óleo em outro lugar ali, assim, não precisa jogar em cima, né? Mas é, vocês estão falando aí, eu achei muito interessante que foi essa semana passada mesmo. É, uma pessoa que cresceu na igreja, inclusive, assim. Ela falou: "Olha, eu cheguei a uma certa idade e eu não consigo é orar mais ajoelhado". E como se isso fosse assim causar um grande problema. E agora, que que eu faço, né? Se eu não consigo me ajoelhar mais por né, motivos de saúde e assim, problemas físicos, como é que eu oro agora, né? Diante de Deus. Então, é como se a o orar ajoelhado, uma forma que você usa, um símbolo que você usa, é que realmente tivesse algum efeito, né, especial é naquela oração e não é verdade. Eu falei: "Não, ora em pé, ora ora como você estiver, como for mais é, como for melhor para você, mas a sua oração é que deve, né, estar diante de Deus e você deve colocar diante de Deus e é isso é que vai fazer a diferença, né? É o relacionamento que você tem com Deus. Então, a gente vê realmente a cabeça das pessoas, né? É, que tão cheias desses é às vezes não é nem um símbolo, mas às vezes é uma tradição. Às vezes é uma forma de um é um ritual, uma forma de fazer alguma coisa que a pessoa sempre fez daquele jeito, usada como um símbolo e como se aquilo tivesse poder em si mesmo, né? Então eu acho que é muito importante a gente hoje quebrar um pouco esses paradigmas, né? E voltar ao que a Bíblia diz, né? O que a Bíblia traz para a gente. Quem é, realmente tem o poder quem nos deu e nos dá esse esse direito, esse acesso é livre a Deus, ao sagrado, é ele mesmo, né? É Jesus Cristo através da sua obra, né? Então, eu acho que é muito importante a gente voltar à à à Bíblia, ao que ela diz, que é a a mensagem do evangelho, exatamente isso, tá? É, vamos então, Áquila, você quer aí propor, sugerir aí uma pergunta do nosso chat que tá cheio mesmo, tem bastante pergunta. Sim, Suzi, a gente teve algumas perguntas, é, que colocaram questões de símbolos pessoais, é e eu acho que é representativo do que vinha acontecendo em várias famílias também. A a família da minha mãe tinha um símbolo de família que passava de geração em geração. Era uma águia de estanho de uns 20 cm e quando minha mãe se converteu, ela se desfez. Teria sido um exagero e eu adiciono que em muitos casos de conversão vi narrativas semelhantes, né? A gente se converteu e a gente se desfez de uma série de elementos simbólicos que faziam parte da nossa casa. Souza Saião, quem quiser comentar, fica à vontade aí também. Então, o que acontece é o seguinte, ah, depende um pouco de qual é a associação que esse símbolo tem ah, com a nossa história. Então, eu conheço pessoas, por exemplo, que eh, passaram, né, a seguir a Jesus e se converteram a Cristo, aquilo que fazia parte da sua história, da tudo que tinha a ver com o seu passado, envolvia uma ruptura muito grande com Deus. E a pessoa tem dificuldade. Eu até conversei recentemente com uma pessoa que disse: "Olha, eu quando eu tô num ambiente desse, num espaço assim, e eu me lembro da minha vida antes de ser cristão, isso me incomoda muito". Eu conheci um sujeito, por exemplo, que ele era fanático por futebol, pelo time dele de tal maneira que ele dormia na bandeira do time. Ele ele disse para mim: "Olha, eu era doente. Se alguém falasse qualquer coisa, eu era capaz de agredir a pessoa". Então, quando ele se converteu, ele teve que se desconectar totalmente. Ele não ele não quis saber porque o o futebol não era uma brincadeira, não era era um negócio realmente que dominava a vida dele. Então, se você tem um símbolo familiar que representa esse distanciamento, a ruptura, aí, de fato, a gente quando prioriza Cristo, a gente coloca todas as outras coisas num segundo plano. Mas se o símbolo familiar é algo neutro, que não compromete nada, que é só uma lembrança, né? Eh, daquilo que atravessa gerações, nesse caso, não há nenhum problema, né? Eh, até porque na própria Bíblia tem uma coisa interessante, quando os símbolos são ressignificados em função da nova experiência. O símbolo pior que poderia existir é a cruz, que é símbolo de condenação, de maldição, né? Pelo Império Romano, nas suas execuções, e se torna exatamente o símbolo da fé, eh, muito, eh, utilizado no próprio Novo Testamento. Você falou do, do, do marco, né? Da, da questão de você ter o, né? Eu acho que é muito importante a gente ter marcos, né? Assim, na nossa fé. Porque é, é uma forma, por exemplo, Jacó, toda vez que Deus agiu, ou, não só Jacó, mas a gente vê, eh, as pessoas que tiveram encontro com Deus, de uma maneira eles fazerem um altar, né? Fazer um altar, eh, a Deus, ou eles tinham esses marcos na vida deles. E eu acho que isso é importante. Até porque, é aquele negócio, a gente tem uma memória curta. E a gente precisa lembrar dos feitos de Deus, da, da, de como Deus agiu na nossa vida naquele momento. Então, eu tenho, às vezes, uma pedrinha, às vezes, é um, né? Algo que é, naquele, me lembre, eh, o que aconteceu naquele momento, né? E como aquilo foi importante. Então, eu tenho conchinha, tenho pedrinha. Eu guardo, mas assim, aquilo não toma nenhum, eh, lugar do sagrado na minha vida, né? É, é, é um símbolo, é uma coisa que me faz lembrar daquele momento em que Deus agiu, demonstrou graça e que realmente eu fui muito impactada, transformada, né? Como foi a minha viagem, por exemplo, a Israel em 2009. Então, aquilo eu trouxe pedrinhas, eu trouxe, né? Não porque aquilo tenha um um um um poder mágico, mas porque aquilo foi muito marcante, realmente, na minha vida, né? Então, eu acho que vale a pena a gente ter, eu acho que é importante essas lembranças, mas isso não podem tomar é um um lugar acima daquilo que ele representa, né? Agora, Maria Judite pergunta aqui, aí eu quero a gente já falou, comentou aí rapidamente, pois, né? A serpente no deserto. Não entendo por que Deus usou. Por que Deus usou? Porque ele fala tanto para não fazer imagem, né? Para não não não ter nenhuma, nem nenhum Deus além dele, né? Por que que ele usou uma escultura, né? Que é uma imagem, né? É para que as pessoas pudessem ser salvas justamente da daquele momento, né? De é da da serpente mesmo, né? Da morte. Então, aí a gente vê, ah, esse elemento concreto, né? E alguém até perguntou agora, como assim Jesus usou saliva? Que coisa estranha, né? Ajuda a gente a entender o contexto. A serpente não é simplesmente a serpente. No mundo antigo, a serpente era a referência simbólica mais expressiva que falava sobre vida e morte. Até porque os antigos, né, a gente, por isso que até hoje a medicina, a odontologia tem serpente no seu símbolo, né? Porque os antigos ficavam impressionados, tanto no Egito, na Mesopotâmia, de repente tinha lá um réptil desse tamanhozinho, pequenininho, né? Entrava por um canto lá dentro da casa, mordia o indivíduo, daí duas horas o cara morreu, né? Então, que poder é esse? Então, em função disso, eh, sempre houve essa associação, né, simbólica, ligada à serpente, inclusive passando também pela própria narrativa bíblica, né? Então, o que acontece? As serpentes, como são chamadas ardentes, né, ou eh, aí venenosas, que é o sentido da palavra, elas atacam, mordem o povo desobediente, e eles começam a morrer. Então, para lembrar de maneira concreta tanto do seu erro, de modo que ficasse muito nítido o que eles fizeram, como dar esperança de cura, redenção e perdão, Deus ordena, então, que se faça essa serpente de bronze, para que eles entendessem que bastava olhar, né, que era um sinal de que a pessoa tinha crido, e que aqueles que olhassem eram curados, eram curados. Isso se tornou tão significativo que isso vai ser mencionado em João 3:14, né? Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, até em muitos eh, propostas teológicas e que tipológicas se fala, olha, tá vendo, a serpente no deserto é um tipo de Cristo. Para mostrar a maneira como Deus eh, age na nossa direção, desde os tempos antigos, através de um ato de fé que lembra do nosso pecado e lembra da redenção, do perdão e da cura, né? E Deus faz isso de maneira concreta, como num slide, mas um slide animado, né? Vivo, digamos assim, no sentido em que é algo e isso mostra para a gente que a a a a apresentação de uma escultura, mesmo no Antigo Testamento, tem funções diferentes. Ela pode ter uma função estética e de de encaminhamento ao sagrado. Ela pode ter uma função didática, como e de expressão de fé, e ela pode ter uma função eh, proibitiva em relação a quando isso se reveste de idolatria propriamente dita. Então, é importante olhar isso com clareza. E a questão do do do da saliva, né, que os antigos tinham percebido que a saliva tinha um valor muito grande, né? Já se sabia disso. Nós temos a famosa ptialina aí, né? Por isso que muita coisa que entra na nossa boca já passa por um processo aí de de ajuste, né, para o benefício do organismo. Então, por exemplo, no tempo de Jesus, entre os judeus já havia a ideia de que um rabino muito consagrado tinha uma saliva possivelmente terapêutica. Então, dentro daquele contexto, Jesus faz isso e num ambiente em que as pessoas estavam pensando diferente da gente e para mostrar que ele sim, digamos, é o mestre que tem um poder diferenciado de cura porque o que ele faz ali é muito diferente dos demais rabinos. Quer dizer, para a gente isso não tem muito significado, naquele ambiente tinha. É, eu fiquei meio chateado que eu poderia ficar chateado com alguém, podia cuspir e falar: "não, irmão, é terapêutico, fica em paz, é só para" De repente. Eh, bom, a gente tem uma pergunta do Paulo sobre eh, questões do misticismo. "Envolvimento com misticismo no passado prejudica hoje a quem aceita Jesus de forma sincera e em verdade como seu salvador? Recebe-se uma marca do mal que não é apagada?" Eu acho que a gente até iniciou um pouco essa conversa durante aí o bate-papo inicial, mas a é importante de fato perceber o efeito definitivo do que a conversão significa. Eh, a minha impressão é que eu mesmo e enxergo esse comportamento em outras pessoas, às vezes perde de perspectiva a amplitude daquilo que significa ser inserido no povo de Deus, de receber o Espírito Santo, né? Um, uma passagem que nos mostra como isso tem desdobramentos na esfera espiritual é o texto de Efésios 4, em que ele cita um salmo eh, aplicado a Jesus e logo depois vai falar de dons, dando a ideia de que os dons que Jesus derrama sobre a igreja foram coisas que ele conquistou através da vitória que ele conquista na cruz. Eh, então a ideia é que Jesus ele recebe uma autoridade espiritual inclusive sobre todas as potestades, sobre todos os espíritos, tanto sobre os anjos, quanto sobre os demônios que não podem de forma alguma eh, impedir a ação de Deus ou de alguma forma entrar naquilo que é o domínio divino, inclusive o domínio do seu povo, não só dos planos que Deus tem para a história, mas aquilo que é a sua presença definitiva no seu povo. Então aquilo que a gente falou como marca do Espírito Santo é uma coisa muito séria no sentido de que não existe espírito nenhum que possa dominar a sua vida independente da trajetória, né? De fato, existem muitas pessoas que falam da forma como foram criadas, da experiência que teve espiritual enquanto criança, na vida adulta, dos seus pais e como isso trouxe consequências para ela durante muito tempo e mesmo depois da conversão isso foi uma questão que precisava de respostas e isso de alguma forma mexia com sua espiritualidade. Mas aquilo que a gente tanto vê no relato das pessoas, mas principalmente na afirmação bíblica é: não existe nenhuma marca que esses espíritos possam colocar sobre uma pessoa que não possa ser anulada, superada e removida pela presença transformadora e salvadora de Jesus, né? Então isso é uma segurança fundamental que a gente precisa ter também. Eu acho que está bem eh colocado aí pelo Áquila. A única coisa que precisa ser percebido, não é, que se existe eh algum problema espiritual, né, nesse elemento que a pessoa no passado teve qualquer eh sintonia mística, a questão é se a pessoa chegou a um amadurecimento de entender que em Cristo nós temos plena vitória e nós não precisamos nos preocupar ah com isso. Então quando você vê Paulo escrevendo aos Colossenses, né, quando Paulo vai ensinar a gente da igreja primitiva que tava meio influenciado por ideias mistificadoras, ele vai deixar Tá né, eh dessa plena vitória que nós temos em Cristo Jesus, então às vezes não existe uma prisão espiritual. Existe uma prisão psicológica, né? A pessoa não se apropriou do ensinamento bíblico libertador. É, tem uma pergunta, é, interessante, que é, por exemplo, quando você, quando dá uma, como se fosse uma continuação aí da pergunta, é, você lidar com essa questão. É, por exemplo, a Maria Judite coloca aqui, né? Que a filha na faculdade, ela teve é, o professor foi mostrar, né? É, um, um, um Bafomé como, como um anjo, né? Ela tomou um susto e isso, né? É, fez com que ela saísse da sala. É, é necessário a gente ter, é, é, assim, fugir, né? Do sim, do luz, enfim. Eu acho que tem uma questão assim, como Saion já colocou aí, um símbolo que significa isso em um ambiente, pode significar outras coisas em outro ambiente. E outras coisas também, é, é, você dar um, um peso demasiado a qualquer símbolo, a qualquer, né? Coisa que a gente entenda. Então, depende um pouquinho dessa questão, né? Da gente não deve, é, atribuir a um peso demasiado a nenhum símbolo ou nada, mas também, é, a gente também, é, não deve, é, deve entender, às vezes, quando quando é apresentado, às vezes, a gente tem um, um entendimento, por exemplo, dar um exemplo aqui, é, o peixe, a gente sabe que o peixe é um símbolo cristão, né? Mas muita a nem entende porque é que um peixe que é um símbolo cristão, né? E a ideia é que a o peixe, a palavra peixe, né, ichtys, é, tá falando que Jesus Cristo, filho de Deus, é o salvador, né? Isso em grego. E é como se fosse um acróstico desse, é, da, dessa, dessa frase, né, que é usada aí como esse símbolo. Então, algumas coisas a gente não tem um entendimento correto sobre o símbolo e a gente às vezes tem uma, uma, assim, o uso indevido ou uso, é, que a gente não entende, né? Aí vocês querem falar um pouquinho mais? Então, acho que tem que fazer uma distinção, né, em que a gente de fato, é, temos muitos símbolos que são usados de maneira, é, a serem apropriados por certos grupos, mas são símbolos um tanto quanto genéricos, né? Como um triângulo, um quadrado, uma bola, uma lua, né? Não é algo que, mas existem sim, né? No caso do Baphomet aí, é um negócio um pouquinho mais explícito, né? É algo que é identificado diretamente com forças do mal, com elemento diabólico, tal. Então, claro que, né, se alguém chega para você com, o, sei lá, o símbolo da, a camisa da seleção da Romênia, é uma coisa, mas tá com o símbolo, com o símbolo do nazismo, aí é outra coisa, então, os símbolos têm que ser, é, assim, percebidos de maneira distinta. Ah, agora é claro que a gente não pode ter essa atitude neurótica, se tiver qualquer coisa aqui que possa simbolizar algo de mal, eu vou tá prejudicado. É assim, você tem que sair do, do mundo, do universo, é impossível e essas coisas não nos atingem. O que não é aceitável é a gente tá em qualquer ambiente no qual a gente é convidado para fazer parte de maneira ritual e cúltica de uma associação com algo explicitamente ligado à idolatria ou mal. Então você está no ambiente, seja aula, seja onde for, você fala: "Pessoa, agora nós vamos invocar X, Y, Z". Aí você fala: "Então me dá licença que eu tenho um outro serviço para fazer ali, outra hora a gente conversa", né? Então nesse sentido é os cristãos primitivos, eles jamais aceitavam continuar envolvidos com qualquer tipo de culto é que fosse algo explicitamente voltado para uma associação é de alguma maneira ligada à idolatria ou ao até mesmo, por exemplo, eles podiam ter a barra muito, vamos dizer é a melhorada para eles se eles aceitassem a adoração ao imperador, né? Mas isso de jeito nenhum, a gente não faz, né? Que a adoração só a Deus. Agora existe alguns casos de algumas pessoas mais preparadas espiritualmente e que tem até mesmo um trabalho, um ministério voltado para isso, que às vezes estão no ambiente assim e a pessoa vai lá fazer uma invocação de um lado e ele vai aqui do outro lado invocar também e aí muitas vezes você tem até uma experiência espiritual ah significativa, né? Eu já soube de pessoas que tiveram em ambientes assim, alguém foi invocar lá forças do mal e o sujeito aqui orou em nome de Jesus e inclusive a pessoa foi libertada. Então a gente tem que, né, entender direitinho qual que é o cenário e como é que a gente reage, se é uma questão de afastar-se, se é uma questão de ter uma oportunidade de proclamação do evangelho ou se é uma questão que a gente não deve desenvolver qualquer tipo de é desnecessário. Bom, a gente eh entrou nesse tema do misticismo, da realidade espiritual e naturalmente também essas questões envolvendo presença espiritual eh e questões de demônios também, né? A Maria Judite pergunta uma coisa que é importante na nossa conversa e para compreensão geral, que é: "É verdade que o demônio não entra em crente em Jesus?" Souza e Saião. Então, de modo geral, a gente pode afirmar, se alguém de fato é convertido e essa pessoa tá em comunhão, em sintonia com Deus, é claro que o Espírito Santo não vai dividir o espaço com o demônio. Eh, muito eh improvável, né, qualquer coisa nessa direção. Por outro lado a gente observa que o próprio apóstolo Paulo, que sofria certas situações difíceis no seu ministério, ele afirma explicitamente que ele sofria de algo que ele chama de espinho na carne e que o texto diz que era um mensageiro de Satanás enviado para ah fazê-lo sofrer. Então, a pessoa que eh mesmo sendo bem cristã e em sintonia com Deus, ela pode sofrer sim algum tipo de opressão, ela pode sofrer um tipo de ataque espiritual e é possível, se a pessoa vivendo uma vida de eh na rebeldia diante de Deus, se afastar, que ele abra espaço na sua vida para influências negativas, mas de modo geral o verdadeiramente convertido em sintonia com Deus não está é, a mercê de algo como, por exemplo, possessão, né, ou ação demoníaca dessa maneira. Bom, eu acho que já caminhamos bastante, né? Saion, Áquila, querem dar uma palavra? Aí lá final. Bom, eu queria, ah, agradecer, né, todo mundo em sintonia com a gente. A gente pede desculpas aqui, eu sei que há muitas outras perguntas, né? Mas de modo geral, só queria, ah, encerrar aqui afirmando que muita gente perguntou, por exemplo, se a ceia pode estar é, envolvida com algum tipo de misticismo indevido. Então, a gente tem uma convicção da ceia como ah, memorial simbólico e se a gente imaginar, de fato, a ceia de uma maneira excessivamente mistificada, parece que essa não é a ênfase do Novo Testamento, né? E o raciocínio bíblico não vai nessa direção de algo é, como se a ceia tivesse, por exemplo, que ali você tem o corpo de Cristo misticamente é, presente, não é a nossa convicção, ainda que a gente respeite outras posições. Alguém fez uma outra colocação aqui dizendo: "Mas uma pessoa que tinha um mal e foi num determinado ambiente místico e recebeu uma cura depois que creu em Jesus, parece que perdeu essa cura". É possível isso? Sim, é possível. Às vezes, nesse ambiente espiritual, existe uma que a A chama de uma situação de troca, né? A pessoa entra em contato com uma determinada força do mundo espiritual e aí aquela força concede um benefício em troca de certas coisas no tanto quanto comprometedoras, né? E às vezes quando isso é rompido se perde, mas isso não quer dizer que a pessoa deva ficar assim, porque há uma redenção, uma cura, um perdão muito maior em Cristo Jesus. Eu já vi casos de pessoas assim que a princípio passaram por um momento difícil na sua eh, situação de libertação, mas finalmente ficaram libertados e livres pelo poder de Cristo Jesus. Nós agradecemos por tanta presença, participação de todos. Convidamos você a estar sempre em sintonia conosco. Amanhã nós temos o nosso curso, quinta-feira também estamos aí estudando, né? Aí o Antigo e o Novo Testamento. Você pode nos acompanhar e também tá convidado a estar com a gente na IBNU, quem puder presencial, né? Todo domingo às 10:30 em São Paulo, aqui no Transamérica Berrini. Obrigado, Suzi, obrigado, Áquila, aí pela nossa conversa tão importante de hoje. Ah, minha palavra final é é de reforçar que todo o nosso interesse em trazer essa conversa aí, o tema do simbolismo e das crenças e da religião é que nós temos uma liberdade eh, muito tranquilizadora sobre aquilo que a Bíblia nos fala dos símbolos. É a liberdade tanto de nós sabermos que nós não estamos sujeitos à ação de símbolos e de outras expressões concretas que possam nos ameaçar. Liberdade de saber que nós podemos expressar isso concretamente, isso não deve ser o alvo da nossa adoração, mas também não deve ser excluído da nossa expressividade. Aquilo que nós podemos ah manifestar concretamente por meio das artes, da criatividade humana. E também a liberdade que nós temos em Cristo de saber que a nossa relação, em último caso, com o nosso Deus se expressa pelo sangue de Cristo que nos permite entrar na presença dele. Então, nós temos tudo isso que tratamos aqui como elementos secundários e não como elementos determinantes daquilo que nós devemos fazer ou deixar de fazer na nossa relação com Deus. Muito obrigado, Susy também, Saion e a todo mundo que acompanhou a nossa conversa. Muito obrigada, Áquila. Muito obrigada, Saion e todo mundo aí que tá com a gente. Que você consiga aí compartilhar esse esse conteúdo e outros, porque isso vai ajudar muita gente a às vezes clarear um pouco aí os pensamentos, assim como eh muitos colocaram aí que ajudaram vocês, né? Então, Deus abençoe muito. E que a gente continue aí juntos nessa caminhada, nessa jornada de conhecer um pouquinho mais da palavra e viver aí a fé de uma maneira mais eh diante de Deus, de uma maneira genuína e sincera, né? Deus abençoe a todos. Uma boa noite a todos.