Livro de Reis – Aula 9: 2 Reis 22-25| Ákilla Nascimento | IBNU
27/07/2023
Livro de Reis – Aula 9: 2 Reis 22-25| Ákilla Nascimento | IBNU
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Boa noite, bom dia, boa tarde para todo mundo que acompanha aqui os nossos cursos da IBNU. Hoje falando sobre o curso de Reis. A gente tá concluindo agora no final de julho, na nossa última semana de julho de 2023, que quando a gente tá transmitindo inicialmente essa aula. O nosso período aí de curso com os livros dos Reis de Israel, tratando dessa importante fase da história do povo de Deus, como a fase que trata em especial da monarquia de Israel. E hoje a gente vai tratar dos quatro capítulos finais, é, do livro de Segunda Reis, capítulos 22 até o capítulo 25, e a gente vai perceber como existe uma parte muito importante do final da história da monarquia com o rei Josias, que acontece nesse período, e ainda alguns outros reis com uma rápida sucessão no poder nos capítulos que restam. Então você é muito bem-vindo, muito bem-vinda para esse nosso tempo aqui de reflexão, de leitura do texto, de compreensão dos aspectos fundamentais para a gente interpretar o livro de Reis. Talvez você esteja acostumado a ver o curso para fazer boa teologia na quarta-feira e de Reis na quinta, mas essa semana em especial a gente tá com uma inversão aqui, mas é a continuidade do que a gente vem tratando nas últimas semanas. Então boa noite seja a Cira, o Wellington, o Saião, o Abenésio, a Cleide, a Helena, que já deram o seu olá aí no chat. Quem tá chegando também é bem-vindo, vá participando aí com seus comentários, com sua opinião. É, e a gente vai ter um tempo no final para tentar ao menos responder as dúvidas de quem for acompanhando aqui o nosso estudo. Bom, a gente então, é, vai começar nossa conversa com Segunda Reis capítulo 22 e a gente tem é, nessa passagem a história do rei Josias. Ah, o rei Josias, ele sobe ao trono com apenas 8 anos de idade e isso já começa a ser um problema na nossa interpretação. Como é que a gente imagina que uma criança com 8 anos de idade poderia ter condições de governar sobre um povo, ainda mais numa situação tão turbulenta como era essa sucessão de reis é no reino de Judá. Então, lembrando que a gente já tá falando do reino dividido. A gente tá falando do reino de Judá, as tribos do sul, que na ruptura após Salomão é compunham esse reino das tribos do sul com as outras 10 tribos compondo o reino de Israel do norte, que nesse momento da história já havia sido dominado pela Síria. Então, a gente tem o rei Josias com 8 anos subindo ao trono e isso muito provavelmente é uma referência a a um rei que na verdade é tutoreado e tem como um representante, um regente. Então, existe um rei regente que era responsável pelas questões administrativas e de governo, que tutoreava o rei Josias até que ele tivesse idade para ser responsável pela responsabilidade, ah, pelo governo do reino de Judá. Então, a gente não tem detalhes sobre quem era esse regente, como é que isso aconteceu. Mas o texto nos fala que Josias tinha 8 anos de idade quando começou a reinar e reinou 31 anos em Jerusalém. Um reino longevo. O nome de sua mãe era Jedida, filha de Adaías. Ela era de Boscat. Ele fez o que o Senhor aprova e andou nos caminhos de Davi, seu predecessor, sem desviar-se nem para a direita, nem para a esquerda. Na história do reino de Judá a gente percebe que esse é o último rei que faz o que é aprovável, o que é bom aos olhos de Deus. E o rei Josias, ele é filho de um rei mau, o rei Amom, que o antecede, é um rei que sofre a um golpe a partir dos seus próprios oficiais, depois Josias é levado ao trono pelo povo que entende que o seu descendente direto é quem deveria reinar. E a gente percebe que a história do último rei aprovado pelo Senhor é história de um rei que começa muito cedo, não tem antecedentes muito favoráveis imediatamente enquanto seu pai é e faz uma história faz uma diferença muito grande na história do reino de Judá. A gente percebe inclusive que não só o texto se preocupa em dizer que ele faz o que é bom, mas faz uma referência ao rei Davi, que era a a referência principal de fidelidade de um rei ou de um homem em especial, a gente está falando da da figura real em relação a Deus. Então, Josias logo de princípio é comparado com o rei Davi. E a gente percebe por outras referências que vão acontecer nos capítulos 22 e 23 que o texto de Reis está nos apresentando um novo Moisés, um segundo Moisés. Assim como Ezequias é apontado como uma espécie de segundo Davi dentro é do livro de Reis, a gente percebe que a comparação principal é entre a fidelidade e o papel importante de Moisés não só para dar, mas ser obediente à lei que Deus revela e Deus concede a Israel, mas como também a gente percebe que Josias tem essa característica, ele não se desvia nem para direita e nem para a esquerda. A gente percebe não só que essa referência de Josias como rei muito fiel à semelhança do que foi Moisés é cria uma expectativa para aquilo que vai acontecer, mas no texto de primeira Reis 13:2 já havia uma profecia contra Jeroboão que é dada no momento em que Jeroboão Jeroboão tá é ascendendo na verdade tá sacrificando a deuses estranhos, eh, que está realizando idolatria dentro do reino de Israel, eh, é criada a expectativa, é profetizado que chegaria um rei que derrubaria todos aqueles altares e jogaria os ossos ou queimaria ossos humanos sobre os altares dos deuses idólatras. Então a gente percebe que em Segunda Reis 22 e 23 essa profecia se cumpre e essa profecia apontava justamente para a reforma que será feita em todo o reino de Judá, alcançando até parte do território de Israel pelo rei Josias. Na perspectiva do livro de Reis, esse é o melhor rei que existe. Por quê? A gente percebe uma referência direta a isso, de que não houve nenhum outro rei como Josias, que andou sem se desviar para a direita ou para a esquerda. Ainda que o tom seja muito aprovado, ou seja muito, eh, benéfico em relação aos juízos que o livro de rei reis faz para o rei Josias, ele morre por um ato de desobediência quando ele foi a uma batalha que ele não deveria ir. Ainda assim, a sua postura em relação à lei do Senhor é exemplar e o coloca, pelo menos nesse momento do texto, na perspectiva de fidelidade ao livro da lei ou às leis do Senhor como o melhor rei que existe. Ah, bom, a gente tem uma referência quando o texto faz questão de dizer que ele não se desvia da lei ao texto de Deuteronômio 17:20. Isso é importante por quê? Várias ligações são feitas entre Josias e explicitamente ou especificamente o livro de Deuteronômio, não a Torá como um todo, mas textos, indicações de que o que está sendo citado, o que está recebendo referência no texto de Reis é o livro de Deuteronômio. Ah, nos primeiros versículos, então, a gente percebe que ele é ah filho de Amom, que era um rei mau, foi um rei a partir dos seus oito anos, tem um reino longevo, provavelmente foi antecedido por um regente, mas a sua participação direta acontece a partir do versículo três, quando nos é informado que o rei Josias enviou o secretário Safã, ou Zafã, filho de Azalias e neto de Mesulão, ao templo do Senhor dizendo: "Vá ao sumo sacerdote Hilquias e mande o ajudar a juntar a prata que foi trazida ao templo do Senhor, que os guardas das portas recolheram do povo". Então, a preocupação inicial, quando ah o texto já mostra Josias efetivamente governando, é promover uma reforma do templo, mas isso não significava necessariamente uma reforma do culto. As intenções iniciais de Josias é cuidar do templo, que afinal era o ponto central de identidade do reino de Judá. É Jerusalém é a cidade mais importante do reino, mas antes mesmo que houvesse essa ruptura dos reinos, Jerusalém, por conta do templo, se estabelece como sendo esse lugar que define a habitação de Deus. Então, existe uma preocupação, independente mesmo da idolatria estar estabelecida no reino de Judá e antes disso no reino unificado, existe uma preocupação com o templo como esse ponto de organização pelo qual o povo sabe quem é, ainda que nesse período o povo não saiba exatamente qual é a sua origem ou a quem deveria orar, a quem deveria adorar, porque a gente percebe que existe um um cenário de idolatria muito marcante, isso vai ficar perceptível quando a reforma efetivamente for concretizada e a gente perceber todos os sinais de idolatria que havia se se espalhado pelo território do reino de Judá, em especial devido à iniquidade, devido à maldade de Manassés. Isso é muito importante para a nossa conversa de hoje, que é: Manassés é a referência do rei mau e é por conta do pecado de Manassés, por conta da idolatria profunda que se estabelece em Judá por meio do reino de Manassés, que Deus havia determinado seu juízo contra Judá. Por que que isso é tão importante para a gente compreender a história que a gente tá analisando hoje, Segunda Reis 22 até 25. Porque Deus já tinha tomado uma decisão. O juízo já estava anunciado e a gente vai ver que isso é reforçado dentro da história de Josias. Ainda que Josi Josias tenha sido um rei muito bom ainda que Josias tenha sido um rei eh que a agradou o Senhor, andou nos caminhos do Senhor isso não reverte a decisão que Deus já tinha tomado a respeito de Judá devido toda a iniquidade que se acumulou e devido à ira de Deus que se levantou para um povo que repetidas vezes foi perdoado, repetida repetidas vezes foi advertido que o seu pecado não seria esquecido até que se cumprisse as palavras do livro de Deuteronômio, que era uma aliança condicional. À medida que vocês respeitarem essa lei, isso acontecerá a vocês. A medida que vocês desobedecerem essas leis, vocês serão levados para o cativeiro, vocês serão motivo de vergonha e zombaria dos outros povos. Então, a a a ira do Senhor parece ter atingido o limite e o juízo já estava determinado, mesmo que houvesse arrependimento, em especial por parte de Josias, mas que não parece ser pela história subseqüente um arrependimento é profundo por parte do povo ou definitivo por parte do povo, ainda que o povo tenha acompanhado Josias no momento da reforma. Então, a gente entra aqui para essa história de Josias, reforma que vai acontecer com essa perspectiva. Deus já havia determinado juízo sobre o reino de Judá por meio da Babilônia, assim como ele já havia realizado o juízo sobre o reino do norte, o reino de Israel, por meio da Assíria. Então, a Josias começa com essa preocupação de reformar o templo e não é de se surpreender que no meio a dessa reforma, o livro da lei seja encontrado e isso apareça como um elemento completamente novo para Josias. Isso é um pouco estranho para a gente. Poxa, a Torá, o livro da lei ou a parte da Torá que foi encontrada por Hilquias, que foi encontrada por Safã ou Zafã, é é o livro mais importante da história de Israel. Como é que um rei poderia não conhecer a lei de Israel? Como é que um rei poderia não conhecer a Torá? É importante a gente perceber que Josias cresce num ambiente de apostasia. Já fazem 57 anos que a Torá, que a lei, que o livro de Deuteronômio em especial não é lido e obedecido por nenhum dos reis. E a gente pode se perguntar: O que é que foi encontrado exatamente durante esse período de reforma do templo? Porque se a gente considerar que é o Pentateuco como um todo, é um pouco estranho algumas passagens como o momento em que o livro da lei é lido para todo o povo num único ato. É possível, plenamente possível, mas seria mais razoável a gente pensar que uma porção do livro da lei foi encontrada. Quando a gente percebe que a expressão "livro da lei" dentro do Pentateuco é uma referência ao livro de Deuteronômio especificamente, por exemplo, Deuteronômio 28:61 traz essa referência, a gente percebe que muito provavelmente foi o livro ou rolo do livro de Deuteronômio que foi encontrado pelo sumo sacerdote. E é esse livro que chega às mãos de Josias. E Deuteronômio parece ser a referência principal pela qual Josias faz o tipo de reforma que ele faz. Então, quando a gente se pergunta que livro é esse, a gente deve ter a perspectiva de que muito provavelmente não é a Torá completa, mas o livro de Deuteronômio. Esse livro foi deliberadamente esquecido, rejeitado, foi escanteado pelos reis que antecederam Josias. Quanto tempo esse livro ficou perdido? O texto não é explícito, mas os reis, muito claramente, tinham ao dispor o acesso a esse livro. Eles não desobedeceram o livro da lei por acidente. Por exemplo, um texto relativamente próximo a esse que a gente tá analisando é Segunda Reis 18, que ordena que a lei seja mantida. Então, a gente percebe que para que o rei tivesse condições de manter, ele tinha que ter acesso exatamente ao que deveria ser mantido. A A rejeição maior que acontece por parte dos reis é durante o reinado de Manassés. Então, muito provavelmente Manassés, eh, rejeita esse livro, esconde esse livro que deveria estar ao lado da arca da aliança. No momento em que ele rejeita se submeter a lei do Senhor, muito provavelmente ele ordena que aquilo tenha sido retirado do templo, que isso tenha sido colocado num lugar de muito menos, eh, honra, de muito menos, eh, visibilidade como um ponto central da forma como o templo estava organizado. E aí é relatado para a gente que esse rolo é resgatado durante o reinado de Josias. Mas vamos pensar então que já são quase 60 anos que os reis rejeitam esse livro. Ele chega ao poder muito cedo, com 8 anos de idade, não tem acesso até então ao livro, eh, de Deuteronômio e a gente também começa a perceber uma postura interessante dos personagens que estão no entorno de Josias. Por exemplo, Hilquias sabia do livro? Ele apresenta o livro como um rolo. Ó, "Eu encontrei esse rolo aqui durante a reforma do templo e o senhor faz o que desejar". Pode ser que Hilquias não conhecesse de fato a lei do Senhor, não conhecesse o conteúdo do livro de Deuteronômio, mas é bem possível, eu acho mais razoável imaginar que Hilquias sabia o que estava escrito. Que Hilquias, eh, dá o livro ou o rolo de Deuteronômio para Josias e ele assume essa postura de uma certa neutralidade em relação ao livro porque ele não sabe se Josias vai ser como seu pai Amom, se Josias vai ser como o seu é, avô ou como o seu antecessor Manassés. Ele não sabe qual vai ser a postura de Josias em relação à lei. E por isso ele tem uma certa neutralidade. A gente não tem como saber exatamente porque não é o foco do texto nos dizer o que que o que sabia ou não sabia. Mas o fato é que no momento em que Josias recebe esse livro, ele se arrepende daquilo que vinha fazendo. Ele percebe, é, que o conteúdo do livro é uma coisa muito importante e ele pede então para que seja consultada uma profetisa. Assim que o rei ouviu as palavras do livro da da lei, rasgou suas vestes e deu estas ordens ao sacerdote Hilquias e a Aicão, filho de Safã e Aquibor, filho de Micaías, ao secretário Safã e ao auxiliar real Asaías. Vão consultar o Senhor por mim pelo povo e por todo o Judá acerca do que está escrito neste livro que foi encontrado. A ira do Senhor contra nós deve ser grande, pois os nossos antepassados não obedeceram às palavras deste livro nem agiram de acordo com tudo o que nele está escrito a nosso respeito. Então fica muito claro para Josias que a condição é que o povo estava, a condição em que o seu próprio trono estava estabelecido era completamente contrário a isso que parecia ser a crença dos seus antepassados, a crença de que o Senhor, Javé, era o Deus único que deveria ser adorado pelo povo de Israel e nessa condição pelo reino de Judá. Mesmo tendo-se arrependido, mesmo tendo rasgado as suas vestes, ele pede para que a profetisa seja consultada é, na verdade ele pede para que eles vão, os seus encarregados e consultem o Senhor por ele mas a gente percebe nos versículos seguintes que quem é a encarregado de é de interpretar essa situação, de profetizar sobre o que estava acontecendo é Ulda. Ulda é uma figura interessante, a gente não tem muitas informações sobre ela, nem no texto de Reis, nem na passagem correspondente em Crônicas mas é interessante que é, os encarregados de Josias não vão ao encontro nem de Jeremias e nem de Sofonias como talvez fosse de se esperar porque esses profetas estavam atuando nesse período. O que a gente pode, é, perceber é que Ulda está relacionado ao ambiente do templo e muito provavelmente é por isso que ela é consultada, uma espécie de profetisa reconhecida no, no estabelecimento religioso. Então, é, essa condição confere a ela alguma credibilidade e ela confirma aquilo que já havia sido determinado pelo Senhor. Assim diz o Senhor, o Deus de Israel, digam ao homem que os enviou a mim que assim diz o Senhor, trarei desgraça sobre este lugar e sobre os seus habitantes. Tudo o que está escrito no livro que o rei de Judá leu hum, é que o rei de Judá leu, porque me abandonaram e queimaram incenso a outros deuses provocando a minha ira por meio de todos os ídolos que as mãos deles têm feito. A chama da minha ira irá arder ou arderá contra este lugar e não será apagada. Digam ao rei de Judá que os enviou para consultar o Senhor. Assim diz o Senhor, o Deus de Israel acerca das palavras que você ouviu. Já que o seu coração, então Ulda começa confirmando o juízo que Deus já havia estabelecido para Judá, esse reino será destruído. O cálice da ira já transbordou e a definição de Deus sobre o destino de Judá para aquele momento já havia sido tomada, mas já que o seu coração, Josias, se abriu e você se humilhou diante do Senhor ao ouvir o que falei contra este lugar e contra os seus habitantes seriam arrastados e amaldiçoados e porque você rasgou as vestes e chorou na minha presença, eu ouvi. Declara o Senhor. Portanto, eu reunirei aos seus antepassados e você será sepultado em paz. Seus olhos não verão toda a desgraça que vou trazer a este lugar. Então a gente tem dois pontos importantes aqui na profecia de Ulda. Primeiro, mesmo a reforma e o arrependimento de Josias não irá mudar a decisão do Senhor. Mas em segundo lugar, o arrependimento de Josias muda o rumo daquilo que era a história dos reis que o antecederam no período em que ele estará governando o reino de Judá. Ele terá paz durante a maior parte do seu governo, é, ele morrerá em paz, mas é importante destacar que a paz que Ulda se refere é na verdade o fato de que ele não vai ver a queda do reino de Judá. Não será durante o governo dele que a Babilônia irá dominar sobre o reino de Judá. Ainda assim, como a gente já fez referência, Josias morre em guerra, então é importante perceber que a paz que Ulda está fazendo referência não é o fato de que ele não estará envolvidos em envolvido em batalhas ou que ele morrerá uma morte tranquila, mas sim o fato de que o reino de Judá não sucumbe durante o reinado de Josias. Ah, então a gente percebe que Deus nota a postura de Josias. Josias é um rei piedoso, eh, e a gente percebe que o caminho de Josias não é desviado pelo fato de que ele sabe que no fim das contas a profecia de Deus sobre a destruição de Judá irá acontecer de qualquer forma. A reforma que Judá, que Josias promove em Judá, eh, está, assim, baseada no livro da lei, naquilo que Deuteronômio, eh, estabelece e ele está determinado a fazer a coisa certa. Então a gente chega ao fim do capítulo 22 com esse cenário. O capítulo 23 vai nos falar sobre a renovação da aliança. Depois disso o rei convocou todas as autoridades de Judá e de Jerusalém. Em seguida o rei subiu ao templo do Senhor acompanhado por todos os homens de Judá, todo, todo o povo de Jerusalém, os sacerdotes e os profetas. Todo o povo, dos mais simples aos mais importantes. E nesse momento, então, o rei lê em alta voz as palavras do livro da aliança. Perceba como o livro da lei muda na sua referência para ser o livro da aliança, porque é importante restaurar, como está previsto no livro de Deuteronômio, a aliança que Iavé tinha estabelecido com Israel. Então o foco aqui agora passa a ser sobre a responsabilidade do rei, a responsabilidade do povo e a responsabilidade que eles têm, eh, juntamente com Deus e uns com os outros. Então esse é um pacto que não acontece apenas pela decisão real, mas o povo está de acordo com a decisão real. É interessante perceber que no contexto original de Deuteronômio não existe que a monarquia. Então aqui existe uma terceira peça importante que é o rei. Antes só existia essa relação direta entre Deus e o povo. Agora o rei tem um papel muito importante. E alguns detalhes nos chamam a atenção nesse ato em que o rei lidera o povo para restaurar sua aliança. Um deles é que o rei se coloca junto à coluna real, versículo 13. Na presença do Senhor fez uma aliança comprometendo-se a seguir o Senhor e a obedecer de todo o coração e de toda a alma aos seus mandamentos, aos seus preceitos e aos seus decretos. Mais uma referência ao livro de Deuteronômio. Obedecer ao Senhor de todo o coração e de toda a alma aos seus mandamentos. Então, claramente o texto aqui de Segunda Reis tá ecoando aquilo que é a linguagem e o compromisso que o povo deveria ter agora centralizado na figura do rei e a partir da figura do rei isso se é estende para a postura do povo também. Por que é que o rei se colocou do lado da coluna real? Quando eu tava relendo esse texto isso me chamou a atenção. Um ponto importante é que a coluna real parecia ser o local de onde o rei falava quando ele falava a partir do templo. Então, é um símbolo de que Josias se coloca no seu lugar enquanto rei nesse momento solene de restaurar a aliança com Iahweh. Então, o rei dá as ordens ao sumo sacerdote Hilquias, aos sacerdotes auxiliares e aos aos guardas das portas que retirassem do templo do Senhor todos os utensílios feitos para Baal e Aserá, para todos e para todos os exércitos celestes. Aqui a gente começa a ver a dimensão que a idolatria de Israel havia atingindo atingido mesmo no reino de Judá. Mesmo nesse ponto central, onde Deus passou a habitar com toda a sua glória no templo, e eu lembro agora de uma das primeiras aulas que aconteceu aqui no curso, uma aula que no nosso rodízio ficou comigo, que foi para falar sobre a construção do templo, e sobre a a trajetória de Salomão, a sua importância na construção do templo, e depois o momento final de sua vida. É importante a gente perceber como aquele texto, ele é assim, redobrado nos detalhes para mostrar a glória, primeiro, que fazia parte do governo e do território de Israel durante o governo de Salomão, mas em especial a forma como o templo de Deus foi feito de maneira muito consciente para representar a presença de Javé no meio do povo de Israel. As bacias do lado de fora para purificação, a água como sinal, inclusive no Gênesis, é, que mostrava esse ambiente caótico em que Deus traz a ordem a partir desse ambiente caótico. Todo o significado dos símbolos que estão dentro do templo, a árvore, que era o candelabro, fazendo referência à árvore, é, da vida que está no texto de Gênesis 1 e 2, a gente percebe a glória de Deus habitando o Santo dos Santos como o único ponto do universo onde o criador dos céus e da terra passa a habitar dentro da sua criação, nos lembrando do Jardim do Éden, e todo esse simbolismo, não só todo esse simbolismo, mas toda essa realidade gloriosa e de santidade por parte de Deus agora está inundado de símbolos pagãos, de símbolos idólatras, porque existiam utensílios feitos para Baal e Aserá e para todos os exércitos celestes. Isso é só o começo dos detalhes que esses capítulos nos trazem da condição que estava o território de Judá. Então a gente começa a perceber que aquilo que Manassés promoveu durante o seu reinado é é terrivelmente reprovável aos nossos olhos mas quando a gente se coloca dentro do contexto é de alguns milhares de anos atrás em que Deus havia havia separado esse povo, construído uma trajetória de libertação e santificação, havia estabelecido a sua habitação em Jerusalém, a gente começa a tomar proporção daquilo que foi a rebelião de Israel, a rebelião também do reino de Judá e por que que o juízo de Deus é tão rigoroso com o povo. Isso não acontece uma vez isso não acontece acidentalmente, mas isso é história recorrente dos reis e do povo que insistentemente se voltam para os deuses dos povos ao seu redor. Ele os queimou fora de Jerusalém nos campos do vale de Cedrom e levou as cinzas para Betel. E eliminou os sacerdotes pagãos nomeados pelos reis de Judá para queimar incenso nos nos altares idólatras das cidades de Judá e dos arredores de Jerusalém, aqueles que queimavam incenso a Baal ao sol ao sol e à lua, perdão, às constelações e a todos os exércitos celestes. Também mandou levar o poste sagrado do templo do Senhor para o vale de Cedrom fora de Jerusalém para ser queimado e reduzido a cinzas que foram espalhadas sobre os túmulos de um cemitério público. E aqui é importante a gente perceber que a postura de Josias, ela é muito drástica, ela é assim determinante naquilo que ele se propõe a fazer, não tem meias medidas. E aquilo que ele está comunicando para o povo, aquilo que é o compromisso que ele e o povo restabelecem com Judá é adorar a Yahweh da forma como Yahweh exige, significa profanar todos os outros deuses. Às vezes é difícil a gente ter uma dimensão temporal de como essas crenças e essa adoração se estabeleceram no povo de Judá, se estabeleceram no povo de Israel mesmo a no período do reino unificado, mas a gente está falando de séculos de história e que em boa parte desse período o povo estava envolvido com idolatria. Era parte cultural do povo, era a crença das mais profundas dessas pessoas que Baal precisava ser adorado, que Aserá precisava ser adorado, que esses postes, eh, esses exércitos celestiais, todos esses utensílios que estavam dentro do templo eram as coisas mais sagradas que existiam. No momento em que a gente se volta para Yahweh, a gente só adora Yahweh. Por quê? Porque Deus, ou Yahweh, o Senhor, é um Deus ciumento. Ele não aceita a adoração a outros deuses. E isso está fora de compasso com a maioria da mentalidade politeísta que fazia parte do antigo Oriente Próximo, que fazia parte da Grécia, que fazia parte também da mentalidade romana que a gente vê no Novo Testamento, que é quanto mais melhor. Se existe um Deus que pode nos dar fertilidade do campo, por que também não orar para fertilidade da vida humana, para um outro Deus, se é que eles podem fazer alguma outra coisa que a gente precisa e da qual a gente depende da sua boa vontade. A perspectiva monoteísta, a perspectiva de que existe só um Deus e esse Deus, mesmo sendo único, não aceita adoração a outros deuses, mesmo que esses outros deuses não existam, é radicalmente diferente da perspectiva que os povos no entorno de Israel estavam acostumados a pensar e enxergar as coisas na perspectiva que a maioria da história humana está acostumada a pensar as coisas, né? E quando a gente pensa nas religiões do tronco abraâmico, o judaísmo, cristianismo e o islamismo, às vezes a gente, por viver num tempo em que essas, eh, religiões representam boa parte da população mundial, a gente pode acreditar que isso é a postura mais natural dentro da história dos povos, das etnias, das nações. Não é. Essas pessoas estavam acostumadas a adorar vários deuses. Josias rompe com isso, se volta para o Senhor e toma atitudes drásticas. Por quê? Que esse ato de espalhar sobre, semi, sobre um cemitério público e depois a questão de queimar os ossos humanos e misturar isso com a destruição dos, eh, ídolos, dos símbolos sagrados, volta a aparecer no texto. Por que é que isso é importante? Porque isso é um ato de profanação. Para ser um adorador aprovado a Yahweh, é preciso profanar todos os outros deuses. Então, não adianta tirar de perto. Não adianta mandar para um outro lugar. É preciso quebrar, é preciso profanar num sinal de que nós não cremos nesses deuses. Nós, eh, nos humilhamos de Yahweh e reconhecemos que todas as outras divindades não possuem valor nenhum. Isso era a postura necessária para um povo que foi constituída a partir dessa perspectiva. Fomos libertos por Yahweh do Egito. Nós peregrinamos no deserto e entramos na terra de Canaã, porque? Porque Iavé esteve à frente do nosso povo. Então, no versículo 8, a gente prossegue com Josias, que traz os sacerdotes da cidade de Judá. E desde Geba até Berseba, profanou, ó, a palavra explícita acontecendo aqui, os altares onde os sacerdotes haviam queimado incenso. Derrubou os altares idólatras junto às portas, inclusive o altar da porta de, eh, o altar da entrada da porta de Josué, o governador da cidade, que fica à esquerda da porta da cidade. Embora os sacerdotes dos altares não não servissem no altar do Senhor em Jerusalém, comiam pão sem fermento junto com os sacerdotes, seus colegas. Então, sacerdotes de Iavé, sacerdotes de outros deuses, de Baal, eram colegas de profissão, colegas de ofício, estavam envolvidos nesse ambiente em que não existia mais distinção entre adoração a Iavé e adoração aos outros deuses. Ele também profanou Tofete, que ficava no vale de Ben Hinom, de modo que ninguém mais pudesse usá-lo para sacrificar, e aí é uma parte que nos chama atenção. Versículo 10. Ninguém mais pudesse usá-lo para sacrificar seu filho ou sua filha a Moloque. O estado de degradação moral, espiritual, político do povo de Judá chegou a um nível que fazia parte das tradições do reino de Judá sacrificar crianças a Moloque. Assim como era a perspectiva dos povos no entorno de Israel e que era prática abominável ao Senhor. Que era um ponto de distinção de Deus, do único Deus verdadeiro, em relação a todos os deuses que deuses que faziam parte da adoração no antigo Oriente Próximo. Esse é um Deus que não pede sacrifício humano como parte da sua adoração. Esse é um Deus, inclusive, que não precisa do sacrifício animal, que não precisa do sacrifício eh, da farinha, não precisa do sacrifício do trigo para se alimentar. O significado desses sacrifícios que acontecem no templo de Jerusalém é completamente diferente, não por uma necessidade do Deus, mas por uma necessidade do povo que entregava como ato de confiança os primeiros frutos da terra. O melhor, aquilo que o povo mais estava esperando no tempo da colheita para se alimentar era oferecido a Deus como um ato de confiança. Nós entregamos os primeiros frutos porque confiamos que o Senhor nos dará o resto da colheita que nos é necessário para o sustento. Então, a gente percebe que a degradação chegou a um nível completamente abominável através do reinado de Manassés, que não é o primeiro eh, rei mau e que fez o que era mau aos olhos do Senhor. Isso está desde o começo da história da monarquia. Saul é reprovado pelo Senhor. Davi faz o que é agradável aos olhos de Deus, o homem segundo o coração de Deus, mas ainda assim tem as suas histórias que trazem consequências terrível, terríveis, ainda que tenha terminado com um homem como um rei aprovado por Deus. Mas já em Salomão, a gente percebe que é o ápice da história da monarquia, que depois é ladeira abaixo, com alguns momentos assim de alívio, com alguns momentos de esperança, mas que vem muito mais por parte da renovação da paciência de Deus que vem muito mais por uma providência completamente inesperada de Deus do que a fidelidade dos reis e dos povos. A partir de Salomão, a gente vê uma história completa de degradação já no final da vida de Salomão, em que parte dessa idolatria já estava estabelecida. Então, a gente percebe aqui que sacrifício de crianças fazia parte das práticas de Judá nesse período e que Josias acaba com isso. Acabou com os cavalos que os reis de Judá tinham consagrado ao sol, religião animista, e que ficavam na entrada do templo do Senhor, perto da sala de um oficial chamado Natã Meleque. Também queimou as carruagens consagradas ao sol. Então, a gente vai percebendo que os atos, eh, de Josias são drásticos, é uma reforma profunda que acontece não só do ponto de vista político, mas principalmente do ponto de vista religioso, e é importante a gente perceber que essa distinção entre realidade política e religiosa não existia na mentalidade do povo de Judá e de Israel nessa época. Aquilo que se faz na política é uma decorrência do que se crê que é a vontade de Deus que nós adoramos. Aquilo que se faz no momento da adoração é também um reflexo daquilo que se entende como a bênção e a dádiva que Deus deu no campo político. A gente percebe que tudo isso entra naquilo que é o bojo, naquilo que é a perspectiva, a a amplitude da reforma de Josias. Ele derrubou os altares que os seus antecessores haviam erguido no terraço, em cima do quarto superior de Acaz, e os altares que Manassés havia construído nos dois pátios do templo do Senhor. Então, Manassés volta a ser mencionado como uma péssima referência de rei. Se você não assistiu à última aula, assista. Saion fala um pouco sobre os reis que aparecem nos capítulos anteriores e, em especial, sobre essa referência reprovável que é Manassés e é o ponto de virada para condenação desse reino. É, então, a gente percebe que ele continua a promover a destruição de todo tipo de marco de idolatria e no versículo 13 a gente é surpreendido com a menção de Salomão. O rei também profanou os altares que ficavam a leste de Jerusalém, ao sul do monte da destruição, os quais Salomão, rei de Israel, havia construído para Astarote, a detestável deusa dos sidônios, para Camos, o detestável deus de Moabe, e para Moloque, o detestável deus do povo amom. O rei mais bem-sucedido política e economicamente da história de Israel é responsável pela construção desses altares. O deus que a gente acabou de ler como associado ao sacrifício de crianças recebeu um altar dentro do território de Judá, a partir da decisão de Salomão. Isso nos surpreende. A gente lê o livro de Provérbios, lê o livro de Eclesiastes e a a sabedoria que é associada a esse rei, como isso nos abençoa para quem busca construir uma trajetória de sensatez, de prudência, recorrentemente os provérbios de Salomão reafirmam "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria". E depois a gente é surpreendido nos livros de Reis e de Crônicas com esse ato de idolatria por parte de Salomão, que parece ter sido consumido pela ambição de fazer o seu reino ainda maior do que aquilo que Deus já havia concedido a ele como benção dessa sabedoria que ele tinha para governar. Perdão. Então, a gente percebe que essa história de de de idolatria no reino de Judá, na monarquia de Israel, é muito antiga, desde o tempo de Salomão. O texto vai prosseguir eh, falando sobre aquilo que Josias faz, e ele chega num ponto de uma profecia muito interessante. Até o altar de Betel, o altar idólatra edificado por Jeroboão, que é associado à divisão do reino do norte com o reino do sul, primeiro a governar a parte norte, eh, enquanto Roboão governa a parte sul, filho de Nebate, que levou Israel a pecar. Até aquele altar e o seu santuário, ele os demoliu. Queimou o santuário e reduziu a pó, queimando também o poste sagrado. Quando Josias olhou em volta e viu os túmulos que haviam eh, na encosta da colina, mandou retirar os ossos dos túmulos e queimá-los no altar, a fim de contaminá-lo, conforme a palavra do Senhor, proclamada pelo homem de Deus que predisse essas coisas. Então, a gente tem a, no livro de primeira Reis, a previsão de que haveria um rei que traria esse período de juízo sobre toda a iniquidade que estava sendo estabelecida eh, no território de Judá, na verdade, até mesmo no reino de Israel. Jeroboão primeiro primeira, eh, Reis, capítulos 12 e 13 falam dessa história, nos mostram que existe uma profecia para esse período. O rei perguntou: "Que monumento é este que estou vendo?" Os homens da cidade disseram: "É o túmulo do homem de Deus que veio de Judá, ele foi de Judá para Betel e proclamou estas coisas que tu fizeste ao ao altar de Betel." Então, ele, Josias, disse: "Deixem-no em paz. Ninguém toque nos seus ossos. Assim pouparam seus ossos, bem como os do profeta que tinha vindo de Samaria". É, então a gente percebe que esse tempo havia sido profetizado muito tempo atrás, em que já no final da história da monarquia de Israel, existiria um rei justo que é concretizado na história e na caminhada de Josias. A, a gente tem um pouco mais adiante um ponto importantíssimo da história de Josias, que é a Páscoa que ele celebra. Porque Josias, tendo feito o que era bom aos olhos de Deus, não apenas limpa é, o território de todos os sinais de idolatria, faz isso com muita determinação, mas ele também celebra uma Páscoa como nunca havia sido celebrada em Jerusalém. Versículos 21 a 23. Então o rei deu a seguinte ordem a todo o povo: "Celebrem a Páscoa ao Senhor seu Deus, conforme está escrito neste livro da aliança. Nem nos dias dos juízes que lideraram Israel, nem durante todos os dias dos reis de Israel e dos reis de Judá, foi celebrada uma Páscoa como esta. Mas no 18º ano do reinado de Josias, esta Páscoa foi celebrada em Jerusalém". Por que que isso é tão importante? Primeiro porque isso é o resgate da lei do Senhor. A festa da Páscoa não era simplesmente um momento agradável que o povo fazia porque tinha prazer, ainda que isso é, estivesse envolvida a, na celebração da Páscoa, estivesse envolvido, o fato é que isso era uma lei. Deus ordenou que o povo deveria celebrar o tempo da libertação do cativeiro no Egito. E aqui a gente percebe que, a semelhança de Moisés, Josias é estritamente rigoroso na sua obediência à lei e em perceber que dentre todas as festividades a da Páscoa era a mais importante e que isso deveria ser celebrado com muita seriedade, no sentido de uma festa proporcional ao seu significado. Então a celebração da Páscoa é feita em Jerusalém como em nenhum outro momento da história da monarquia de Judá, do reino de Judá e do reino de Israel. Além disso, Josias eliminou os médiuns, os que consultavam espíritos, os ídolos da família, outros ídolos e todas as outras coisas repugnantes que havia em Judá e em Jerusalém. Ele fez isso para cumprir as exigências da lei, mais uma vez referência ao livro de Deuteronômio. Josias é um novo Moisés. Escritas no livro que o sacerdote Hilquias havia descoberto no templo do Senhor. Nem antes nem depois de Josias houve um rei como ele que se voltasse para o Senhor de todo o coração, de toda alma e de todas as suas forças. Mais uma vez citando as palavras de Deuteronômio, de acordo com toda a lei de Moisés. Entretanto o Senhor manteve o furor de sua grande ira que acendeu contra Judá, que se acendeu contra Judá por causa de tudo que Manassés fizera para provocar a sua ira. E a gente então se pergunta: mesmo com todo esse arrependimento por parte de Josias, por que é que no fim das contas o que prevalece é a determinação de Deus de que Judá seria é aniquilado, ou seria varrida do seu território, mas na verdade seria preservada parte do seu povo que é exilado na Babilônia e inclusive a gente tem a informação aqui no livro de Reis que parte do povo permanece na terra de Judá, mas é um contingente muito menor e são os muito pobres, as pessoas que não estavam associadas às funções oficiais, seja religioso, seja político, seja militar. A a gente precisa ter uma perspectiva diferente sobre a mentalidade do texto bíblico, a decisão que Deus tem a respeito do povo, é quando a gente compara a nossa forma de pensar, por exemplo, perdão e salvação no Novo Testamento e em especial na forma como nós, em especial do ocidente, no século XXI, costumamos é imaginar que é a nossa relação com Deus. Nós temos sempre um referencial é individual nas questões de fé. Fé é aquilo que acontece no coração de um sujeito, salvação é aquilo que vem para uma pessoa, arrependimento é o que acontece com cada indivíduo. Mas quando a gente percebe, na trajetória do povo de Israel, que aquilo que o rei determina tem consequências para todo o povo, aquilo que a fidelidade de um sujeito pode trazer benção ou a infidelidade pode trazer maldição para todo o povo, a gente percebe que o tratamento de Deus é com a sociedade, é com o povo, é com essa perspectiva coletiva do povo de Israel, muito mais do que simplesmente a perspectiva individual. Deus faz com que a sua decisão recaia não só sobre uma pessoa, mas sobre todo o povo e muitas vezes não seja apenas sentida em uma geração, mas em todas as gerações ou em boa parte das gerações subsequentes. E a gente às vezes não acha isso muito justo e nem muito natural. Mas é assim que acontece conosco. A nossa própria experiência nos mostra que nós não somos produto apenas das nossas decisões individuais. Nós temos a responsabilidade de responder ao nosso contexto com fidelidade a Deus, independente de onde a gente surgiu, independente de como é nos foi entregue o nosso lugar na história, como nós fomos inseridos na história. Mas a ao mesmo tempo a gente sabe que nós somos frutos da decisão dos nossos pais na forma como eles nos educaram, as oportunidades que nos foram dadas, os erros que foram cometidos e isso faz parte da formação do indivíduo que nós somos. É ao mesmo tempo nós estamos num contexto em que colhemos as consequências das gerações que nos antecederam num contexto muito maior do que só familiar. O contexto brasileiro é o produto daquilo que a sociedade, os políticos, os governantes, os líderes, as pessoas que construíram a nossa nação efetivamente fizeram ao longo das gerações que nos antecederam, ao longo dos anos que nos antecederam. Então a gente percebe que a perspectiva individualista sobre a história ela é muito restrita. Aquilo que acontece ajudar ao reino de Judá no tempo de Josias, se depois do tempo de Josias, não é apenas fruto da decisão de Josias. É aquilo que havia acontecido nas gerações anteriores. Ainda assim a Bíblia reforça de maneira muito clara que Deus ele limita a punição dos pecados dos pais sobre os filhos a um número de gerações muito menor do que ele tem prazer em abençoar as gerações daqueles que são fiéis a Deus e que para muitas gerações posteriores o Senhor se alegra em derramar sua graça e sua benção então a gente começa a perceber que a perspectiva do texto é coletiva, a perspectiva do texto é de olhar para o povo não só para o indivíduo, olhar para as várias gerações e não apenas aquilo que acontece em uma geração a decisão de Deus já havia sido dada o começo da história de Josias relembra isso para a gente, o juízo está determinado a o texto então vai nos falar que os outros acontecimentos de Josias estão registrados no livro dos registros históricos dos reis de Judá e nos fala sobre a morte de Josias, durante o reinado do faraó, durante o seu reinado, reinado de Josias, o faraó Neco, rei do Egito, avançou até o Eufrates ao encontro do rei da Síria o território do Egito estava sob o domínio da Síria assim como a parte norte do território é o que equivalente ao reino de Israel e o rei Josias então marchou para combater o faraó Neco é importante a gente lembrar que Israel está no meio do caminho das grandes potências do antigo Oriente e assim como hoje ele está rodeado de nações que são geograficamente em muitos termos militarmente muito mais forte do que eles são então o Egito buscando maior autonomia em relação ao governo assírio vai em direção aos a Síria, geograficamente Judá está no meio, talvez para impedir que, como um dano colateral, Israel ou o reino de Judá também seja dominado pelo Egito ou que seja pego no meio da batalha entre a Síria e o Egito. É, o fato é que Josias marcha contra Neco, o faraó. Os oficiais de, é, perdão, o rei Josias marcha para combatê-lo, mas o faraó Neco o enfrenta e o mata. O texto é muito sucinto nesse ponto, muito breve. A gente vai ver no relato de Crônicas que ele não deveria ter ido, não era a decisão de Deus que ele fosse para batalha. Os oficiais de Josias levam o seu corpo para Megido, é, de Megido para Jerusalém e o sepultam em seu próprio túmulo. O povo tomou Jeoacaz, filho de Josias, ungiu e proclamou rei no lugar de seu pai. Então, a gente, é, percebe que essa história de sucesso e de aprovação de Josias termina de um fim, em um fim bastante inesperado e trágico. A gente não esperava que, no meio de uma guerra que nem era contra Judá, Josias virasse uma vítima ou, na verdade, fosse assassinado porque ele decidiu lutar uma guerra que não era sua. O texto também nos explica, não nos explica muito bem qual era o plano de Josias, mas ele termina cumprindo a profecia de que ele não veria a queda do reino de Judá. Como aconteceu em casos anteriores, um rei bom não necessariamente gera um rei bom. O filho de Josias é colocado no trono, Jeoacaz, e ele não faz o que é aprovado por Deus. Na verdade, o texto deixa claro logo no começo que ele começou a reinar e reinou por meses em Jerusalém, apenas um período de três meses. Ele fez o que o Senhor reprova, tal como os seus antepassados. O faraó Neco o prendeu em Ribla, na terra de Hamate, de modo que não mais reinou em Jerusalém. Jeoacaz, rapidamente, é trocado por Eliaquim, que vai ter o seu nome mudado para Jeoaquim. E Jeoaquim é aquele que paga ao faraó Neco prata e ouro, uma espécie de tributo, imposto eh pelo faraó. Eh e Jeoaquim começa a reinar com 25 anos de idade. E ele reina durante 11 anos em Jerusalém. Então, é uma sucessão muito rápida a partir desse ponto, em comparação àquilo que foi o reinado de Josias. Jeoacaz só fica três meses, é substituído porque, aparentemente, não é uma figura confiável. Neco, que é o faraó, e agora, efetivamente, é o Egito que tem domínio sobre o território de Judá. O faraó Neco, então, substitui e coloca Jeoaquim, mas Jeoaquim, assim como o seu antecessor, é um rei que faz aquilo que é reprovável aos olhos do Senhor. Eh durante esse período, a potência em ascensão é a Babilônia. Antes, a gente tinha como a grande potência daquela região a Assíria. A Babilônia, no contexto dessa geopolítica maior, eh invade e domina aquilo que é o poderio assírio. Só que, no império de uma extensão tão grande como era o caso do governo assírio, até que a Babilônia efetivamente tome conta de todos os pontos que antes estavam sujeitos a ao domínio assírio, existem muitos capítulos. Existem eh muitas tentativas de independência, muitas tentativas de reaver alguma autonomia, como acontece com o Egito, que nesse momento, percebendo o período de turbulência da Síria, de enfraquecimento da Síria depois da sucessão da Babilônia, tenta recobrar o o seu domínio, primeiro sobre o seu território e expandir o seu território, como a gente vê agora, inclusive, para o reino de Judá. Então, o rei da Babilônia invade aquilo que é o território do reino de Judá, que nesse período da história estava sobre o domínio ah de Neco, o faraó Neco, ela o a Babilônia invade o país e Jeoaquim tornou-se um vassalo da Babilônia, um rei sujeito àquilo que é a determinação da Babilônia durante três anos. Depois desses três anos de vassalagem, ele se volta a ele se volta contra a Babilônia, se rebela contra Nabucodonosor, o rei da Babilônia, e o texto é interessante no capítulo 24 em dizer que o Senhor enviou contra ele tropas babilônicas. É impressionante a gente é notar algumas expressões que aparecem de forma muito sucinta, muito breve, mas que tem um significado teológico profundo. Aquilo que é a derrocada do reino de Judá, aquilo que é a destruição assim inominável de tudo o que estava estabelecido em Judá, vem porque o Senhor enviou contra ele tropas babilônicas, aramaicas, moabitas e amonitas para destruir Judá. Isso também de uma forma eh bastante sutil na nossa leitura às vezes desatenta, mas explícita é que o Senhor é quem controla todos os reinos, inclusive os reinos pagãos, e às vezes é difícil a gente perceber como um reino pagão que faz aquilo que é abominável a Deus, a Deus, ao mesmo tempo pode servir a esse Deus, ainda que não seja a sua intenção. Isso acontece para que a palavra do Senhor se cumprisse, como havia sido anunciado pelos profetas. Isso aconteceu a Judá, conforme a ordem do Senhor, a fim de removê-los de sua presença por causa de todos os pecados de Manassés. Várias vezes Manassés é recuperado no texto como essa referência do que era mau, do que era desagradável a Deus. Inclusive, Manassés é citado no versículo 4 como responsável pelo derramamento de sangue inocente. Isso é importante. A a mesma ideia do sangue de Abel que clama da terra e exige a punição, a vingança por parte de Deus, e a proibição que acontece no texto de Gênesis de matar um outro ser humano, porque ele é feito à imagem e semelhança de Deus. Então, isso é atentar contra o próprio Deus. Isso ressurge na nossa memória, na nossa cabeça, quando a gente vê o texto citando o fato de que Manassés derrama sangue inocente. O sangue inocente não pode ser esquecido. O sangue inocente derramado por Manassés, inclusive de crianças que foram dedicadas a Moloque, precisa ser vingado por parte de Deus, ainda que a paciência de Deus houvesse preservado essa destruição no período do reinado de Josias, que era fiel ao Senhor. Então, ele havia enchido Jerusalém de sangue inocente, o caso de Manassés, e o Senhor não o quis perdoar. A ira de Deus não volta atrás diante desse ato terrível de Manassés. Eh, os acontecimentos de Jeoaquim são citados como sendo registrados nos livros dos registros históricos dos reis de Judá, Joaquim descansou com seus antepassados, não não fala a forma como ele morreu, apenas que ele foi sucedido pelo seu filho Joaquim. Então a gente tem Josias, Jeoacaz, Jeoaquim e agora Joaquim no lugar do seu pai. É, quando a Babilônia passa a dominar o território e estabelecer essa relação de vassalagem com é, o reino de Judá e o reino de Judá depois se rebela contra o reino é, da Babilônia, a gente percebe que o Egito já volta atrás daquilo que era a sua intenção de se insurgir contra a Síria, de dominar o reino de Judá e no versículo sete nos informa que o o autor nos informa que o rei do Egito não mais se atreveu a sair com seu exército de suas próprias fronteiras fronteiras, pois o rei da Babilônia havia ocupado todo o território entre o ribeiro do Egito e o rio Eufrates, o que parece ser inclusive uma referência a essa grande extensão do reinado de Salomão. Veja como Moisés é referência de Josias, é, como Ezequias é uma referência de um um rei sábio que lida contra uma autoridade muito mais forte no seu tempo e ele é comparado com Davi, como esse grande rei fiel estrategista e como a iniquidade dos reis, como é tratado em Jeoacaz, em Jeoaquim e Joaquim é comparado com Salomão, existem várias referências no momento em em que se trata da idolatria e agora da perda de toda a glória do reino de Judá, que se lembra do começo dos livros do livro de Reis, na verdade a gente separa em primeiro e segundo Reis, mas é é é uma obra só, como no momento em que tudo isso vai sendo demolido, destruído, levado para o reino da Babilônia, o que se tem vista é toda a glória de Salomão foi completamente aniquilada pela Babilônia, toda riqueza de Salomão e todos os seus atributos agora estão associados aos despojos de guerra que são possuídos pela Babilônia. Inclusive a extensão que é tratado aqui como é o território que a Babilônia domina, domina e que o Egito não mais se atreve a ultrapassar. Ribeiro do Egito até o rio Eufrates que antes pertencer ao Egito no momento em que o Egito domina sobre o reino de Judá. Joaquim tinha 18 anos de idade quando começou a reinar, reinou três meses em Jerusalém. O nome da sua mãe era Netusa, filha de Elnatan. Ele era de Jerusalém, ele fez o que o Senhor reprova tal como o pai. E é durante o reinado de Joaquim é que as consequências da insurreição do seu pai recaem sobre o reino de Judá. Naquela ocasião os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançam até Jerusalém e a cercam. Enquanto seus oficiais a cercavam, o próprio Nabucodonosor vai à cidade. Então Joaquim, rei de Judá, sua mãe, seus conselheiros, seus nobres e seus oficiais se entregam. Não existe nenhuma possibilidade, Joaquim não é um Ezequias da vida, Joaquim não tem a benção de Deus, faz o que é mau aos olhos do Senhor, não tem capacidade estratégica e sabe que do ponto de vista político, do ponto de vista de guerra e militar, ele é completamente incapaz diante do poderio da grande potência que havia se levantado que era a Babilônia. Ele se entrega, todos se rendem e aí acontece algumas cenas trágicas e muito fortes. É a gente vê que Nabucodonosor levou o Joaquim para a Babilônia. Também levou de Jerusalém para a Babilônia a mãe do rei, suas mulheres, seus oficiais e os líderes do país. O rei da Babilônia também deportou para a Babilônia toda a força de 7.000 homens de combate, homens fortes e preparados para a guerra e 1.000 artífices e artesãos. Fez Matanias, tio de Joaquim, reinar em seu lugar e mudou o seu nome para Zedequias. A gente percebe então que é Joaquim, ele é esse rei que começa o processo de exílio definitivo, na verdade, do do grande exílio, não definitivo, porque o povo não permanece para sempre na Babilônia, mas é a o cumprimento definitivo da palavra de Deus. A condenação que deveria cair sobre Judá acontece durante durante o reinado de Joaquim e ele é sucedido então pelo seu tio Matanias, que depois tem o seu nome mudado para Zedequias. Quando Zedequias sobe ao trono, aí é que a a coisa assim, a destruição é plenamente consumada. Ele tinha 21 anos de idade quando começou a reinar e reinou 11 anos em Jerusalém. É, ele fez o que o Senhor reprova. Depois de Josias, todos os reis que são citados são reis reprovados pelo Senhor, tal como fizera Joaquim. Por causa da ira do Senhor, tudo isso aconteceu a Jerusalém e a Judá. Por fim, ele os lançou para longe de sua presença. E no último capítulo, a gente tem esse cerco de Jerusalém que é o que marca a destruição também da cidade de Jerusalém, do reino de Judá, do pouco que restava no seu território, em especial do templo. Então, no nono ano do reinado de Zedequias, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, marchou contra Jerusalém com todo o seu exército. Ele acampou em frente da cidade e construiu rampas de ataques ao redor dela. Isso porque Zedequias havia se voltado contra o domínio babilônico. A cidade foi mantida sob cerco até o 11º ano do reinado de Zedequias. No 9º dia do 4º mês, a fome, então a gente calcula que, uma vez que foram 11 anos de reinado e no 9º ano que começa o cerco, aproximadamente 2 anos de cerco, a cidade de Jerusalém ficou completamente, é, sitiada, cercada pelo império babilônico. No 9º dia do 4º mês, a fome da cidade havia se tornado tão rigorosa que não havia nada para o povo comer. Então o muro da cidade foi rompido e todos os soldados fugiram de noite pela porta entre os dois muros próximos ao jardim do rei, embora os babilônios estivessem em torno da cidade. Eles foram para Araba, mas o exército babilônico perseguiu o rei e o alcançou nas planícies de Jericó. Veja como um detalhe importante, onde é que o rei babilônico alcança o último rei do reino de Judá em Jericó. Jericó é a cidade icônica como sendo a primeira cidade que o povo conquista uma vitória nessa entrada da terra de Canaã, depois de 40 anos de peregrinação no deserto. Então a primeira cidade que mostra a primeira vitória é também a cidade que marca a última derrota de Judá. É a cidade que marca quase que essa reversão, ainda que momentânea, de todo o processo do êxodo, que começa com a libertação do povo do Egito, passa pela peregrinação e tem essa conquista vitoriosa do povo de um território que agora está completamente devastado, primeiro pela Síria no norte e agora pela Babilônia no reino de Judá ao sul. Eh, eles então alcançam os fugitivos em Jericó. Todos os soldados abandonam Zedequias, o rei é levado a Ribla, onde eles pronunciam a sentença contra Zedequias. Eles executam os filhos de Zedequias na sua frente e furam os seus olhos. Parece ser um ato consciente de que a última imagem que Zedequias tem na sua memória é a imagem dos seus filhos sendo executados na sua frente e depois o próprio Zedequias é levado para Jerusalém, para Babilônia, perdão. Então, no 19º ano do reinado de Nabucodonosor, rei da Babilônia, ah, o comandante da guarda imperial, o Nebuzaradã, é conselheiro do rei da Babilônia, foi a Jerusalém. E aí, efetivamente, tudo o que havia sobrado incendiado, o templo incendiado, o palácio real incendiado, as casas de Jerusalém, os edifícios importantes. Parece ser eh referência a toda a glória que é construída na cidade de Jerusalém pelo poderio de Salomão, com toda a sabedoria, toda a riqueza e todo o sucesso que Salomão constrói esse complexo de prédios importantes. A gente tratou disso, não foi só o templo de Jerusalém, o seu palácio era muito mais suntuoso, era um complexo de palácios. Chega a existir refinaria para tratar dos metais na região da Galileia. E toda essa glória agora é destruída por conta do pecado que marcadamente começa com o próprio Salomão, por conta da idolatria. Ele levou para o exílio todo o povo que sobrou na cidade, os que passaram para o lado do rei da Babilônia e o restante da população. Mas o comandante deixou para trás alguns dos mais pobres. Isso gera uma nota que existia. Na primeira leva, todos os notáveis foram lembrados. É, foram levados. E por que que isso é importante? Porque aquilo que tornava o reino de Judá, aquilo que tornava a monarquia de Israel distinta no seu período de grande sucesso e de ápice era a sabedoria de Salomão, a riqueza do povo e a grandeza que aquele pequeno povo comparado a outros povos ao seu redor conseguiu construir e acumular. Agora, o ouro que se tem é pouco, os impostos que se impõem é são pesados, os notáveis que habitavam na terra são deportados e tudo aquilo que ainda restava nessa segunda leva é deportado para o território da Babilônia. Mas o comandante deixou para trás alguns dos mais pobres do país para trabalharem nas vinhas e no campo. Basicamente, Judá passa a ser uma terra de exploração agrícola para enriquecer a Babilônia. Os babilônios destroem as colunas de bronze, os seus os suportes e o tanque de bronze que estavam no templo do Senhor e le levaram o bronze para a Babilônia. E ele segue, é, falando de tudo aquilo que é destruído no templo e a destruição do templo tem um significado teológico muito grande, que é o Senhor nos abandonou. Para que o templo fosse destruído, a apenas debaixo da hipótese de que a glória poderosa do Deus Altíssimo não mais estava protegendo Jerusalém. A essa altura, isso era evidente, mas a concretização de que o templo do Deus Todo-Poderoso pode ser destruído é porque ou os deuses da Babilônia são mais fortes do que o Deus que habita no templo ou o Deus que habitava no templo já não habita mais ali. A gente vê que a visão de Ezequiel, em que o Deus que antes habitava no templo, a essa altura já havia abandonado o Santo dos Santos e estava com o povo no exílio, nos mostra que a interpretação teológica de tudo isso que está acontecendo é: Deus há muito havia abandonado o seu santo lugar por conta da impureza e da da da idolatria que havia se estabelecido em Judá, mas a esperança não estava completamente perdida. Por quê? A glória de Deus não simplesmente sai do templo, mas ela é transferida para onde o povo está agora no exílio da Babilônia. É, a gente vê então nos versículos seguintes que o comandante da guarda leva como prisioneiro o sumo sacerdote Seraías, Sofonias, o segundo sacerdote e os três guardas da porta, tudo aquilo de notável que restava é levado para a Babilônia, fica no território de Judá e Gedalias, que é a um espécie de governador, já não é mais um rei sobre Judá, e a esse trecho termina com: No sétimo mês, Ismael, filho de Netanias e neto de Elisama, que tinha sangue real, foi com 10 homens e assassinou Gedalias, que era o governador estabelecido pela Babilônia, e os judeus e os babilônios que estavam com ele em Mispá. Então, todo o povo, desde as crianças até os velhos, inclusive os líderes do exército, fugiram para o Egito com medo dos babilônios. A gente percebe que Ismael, que tinha sangue real, tinha pretensões muito maiores do que sua capacidade, mata Gedalias, logo percebe a besteira que fez e junto com todos eles fogem para onde? Para o Egito. E voltar para o Egito é reverter o êxodo. O Egito é o local de onde Deus tinha libertado o povo de Israel. Eles fogem para o Egito como um sinal de que essa rebelião contra Deus chegou a um ponto que toda essa história que é construída por Deus é revertida pela idolatria e pela rebelião do povo. Ainda que essa não seja a parte final da história. Por quê? Porque a gente tem nos três últimos, quatro últimos versículos, a seguinte informação. No trigésimo sétimo ano do exílio de Joaquim, Joaquim havia sido deportado já há um bom tempo, rei de Judá, no ano em que Evil-Merodaque se tornou rei da Babilônia, ele tirou Joaquim da prisão no vigésimo sétimo dia do décimo segundo mês. Ele o tratou com bondade e deu-lhe o lugar mais honrado entre os outros reis que haviam com ele na Babilônia. Assim, Joaquim deixou suas vestes de prisão e pelo resto da vida comeu à mesa do rei. E diariamente, enquanto viveu, Joaquim recebeu uma pensão do rei. Se a história tivesse terminado com eh, o último rei que havia sido deportado para, para a Babilônia, com a história de Zedequias, que morre no exílio, na verdade não é feito nenhuma menção a Zedequias, na verdade ele morre como eunuco, nos dando a entender que, já que os seus filhos foram mortos, ele é eunuco e ele agora não pode gerar descendência, a linhagem de Davi acabou. Porque todos os reis que estavam e que reinaram sobre Judá morreram em Judá ou foram deportados para a Babilônia, e o caso do último rei, que talvez fosse a última esperança de manter a sua linhagem para um momento em que Deus recuperasse a sua linhagem, morre como um eunuco. E aí os últimos quatro versículos nos fazem questão de dizer, nos fazem questão de dizer que Joaquim foi preservado e foi preservado no fim de sua vida como um lugar de honra. Não nos dá nenhum motivo pelo qual existe essa mudança de postura em relação a Joaquim, mas nos informa que a esperança ainda é mantida. A linhagem de Davi é preservada por meio de Joaquim que pode efetivamente ter filhos e depois essa linhagem de Davi, dando um salto muito longo, obviamente, reaparece no Novo Testamento com a história de Jesus. Jesus, ele é da linhagem do rei Davi e ele é tratado como esse grande rei que retorna para colocar um fim a todas as histórias de exílio, a todas as histórias de dominação sobre o povo de Israel. Então a gente percebe que essa nota final é muito importante, ainda que não seja tão explícita no seu significado, às vezes quando a gente tá lendo a associação de reis que terminam de forma assim tão trágica e a gente percebe que a história da monarquia de Israel é uma história muito turbulenta. A gente vai ter um tempinho final aí para as perguntas ou observações eh que vocês queiram colocar, caso tenham dúvidas ou coisas que queiram pontuar, mas vale eh para nossa conclusão aqui perceber como eh a história da monarquia de Israel é marcada por uma idolatria que nem sempre é tão perceptível quando a gente simplesmente lê a história de que Deus condenou o povo, de que a Babilônia dominou sobre Judá e a gente às vezes fica com a sensação de será que era necessário tanto sofrimento? Será que precisava tanta matança? E a gente não percebe ao ponto em que Israel, o reino do norte, que não teve nenhum rei aprovado por Deus e o reino de Judá que teve alguns poucos reis que fizeram aquilo que era bom aos olhos do Senhor, ainda assim o reino de Judá entrou no nível de idolatria e de rebelião contra Deus como talvez a gente não conseguisse supor lendo apenas a história de Davi, a história do apogeu de Salomão e perceber que coisas terríveis foram feitas em Judá e isso só é corrigido por meio do exílio. O que a gente vê é que depois do exílio idolatria não é mais um problema. Depois que o povo volta do exílio, depois desse remédio amargo e muito longo quando eles ainda estão sobre o domínio dos persas, a centralidade do culto de Javé é um ponto que não é mais negociado. Ainda existem aqueles que talvez não interpretem ou não guardem a Torá da mesma forma, a gente vê vários grupos com eh pretensões diferentes em relação àquilo que Israel deveria voltar a ser quando a gente lê o Novo Testamento e a gente percebe que existem os fariseus, os saduceus, os zelotes, os essênios. São grupos com posturas diferentes em relação a como lidar com o exílio, mas a idolatria não é mais um problema. O povo de Israel passa a ser conhecido, inclusive os judeus como esse povo que é assim irredutível no seu culto monoteísta, irredutível na sua adoração ao único Deus e isso custa muitos problemas, isso custa muita dor para o povo de Israel, justamente porque ainda vai ser um povo dominado por muitos outros povos. E esses outros povos sempre trazem a sua religião, a sua perspectiva de realidade, a sua maneira de organizar a sociedade que confronta essa perspectiva monoteísta, eh, e de adoração exclusiva a Israel, de guardar o sábado, de celebrar suas festas. A gente tem um um filme, um clássico, talvez a maioria de vocês já viram, que é a Lista de Schindler, que nos mostra que mesmo no período da Alemanha nazista, o povo fez de tudo o que era possível e mais um pouco para preservar as suas tradições e celebrar as suas festas. Então, a gente percebe que a a dor envolvida no exílio foi uma punição justa da parte de Deus em relação à idolatria que havia se estabelecido. E foi uma correção muito severa, mas que deixou marcas que nunca mais foram revertidas na postura e na história do povo. Então, a história de rebelião passa a ser depois uma história de fidelidade, ainda que outros pecados tenham sido cometido cometidos pela dureza de um povo que guarda a lei, mas nem sempre entende qual era o propósito da lei, mas isso é um assunto muito mais debatido e explícito no Novo Testamento, ainda que os seus profetas se preocupem bastante com essa questão. Bom, o Plínio faz sua observação aqui, o profeta Jeremias eh, em seu ministério aos 13 anos do O profeta Jeremias inicia o seu ministério, creio eu, aos 13 anos do reinado de Josias, portanto, o rei tinha 21 anos. Podemos aceitar que seu reinado foi muito influenciado pelo profeta. Isso é verdade. Mas é bom a gente lembrar que o grande profeta Jeremias é um profeta que anuncia para ninguém ouvir. Porque no mesmo período em que ele é chamado, a gente tem a informação de que o povo não vai se arrepender dos seus caminhos. Não é à toa que é o profeta chorão, o profeta que lida com o sofrimento durante toda a sua vida. E ainda que Josias tenha sido um rei fiel a Deus, ele ainda lida com a infidelidade do povo e a gente vê o sofrimento retratado na nas lamentações de Jeremias. Que bagunça a falta do livro da aliança causou. Fico imaginando os países onde a Bíblia não tem livre acesso. Com certeza, a história da humanidade, em boa medida, é uma história de redenção, uma história de amor e transformação das pessoas pela influência poderosa da palavra de Deus. E às vezes a gente nem imagina como isso influencia a nossa história pessoal também, né? Se a gente não tivesse essa referência clara daquilo que o texto bíblico registra. Bom, eu agradeço a vocês que permaneceram aqui até o final do nosso encontro. Essa foi a nossa nossa última aula do livro de Reis, fechando a história da monarquia eh de Israel. Amanhã a gente conclui o curso sobre como fazer boa teologia e na semana que vem a gente então inicia os novos cursos aqui de Antigo e Novo Testamento no canal da IBNU. A gente pede que você fique ligado, que preste atenção às comunicações nas redes, aqui pelo YouTube também. E esperamos poder contribuir para todo mundo que tem interesse em ler a Bíblia de forma mais responsável, entender o texto dentro de um contexto histórico mais eh, coerente com aquilo que temos de informação sobre tudo aquilo que envolve a narrativa do povo de Israel, a história da redenção e aquilo que em especial nós encontramos no Novo Testamento e a gente sabe que é impossível compreender bem a história do Novo Testamento sem uma compreensão clara daquilo que está aqui no Antigo Testamento. Um abraço a todos, até o nosso próximo encontro.