HOMENAGEM A UM DOS "PAIS" DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, GUSTAVO GUTIERREZ
24/10/2024
HOMENAGEM A UM DOS "PAIS" DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, GUSTAVO GUTIERREZ
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Fonte: Bruno Reikdal
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Fala minha gente tudo bem na semana em que estamos gravando e publicando este vídeo faleceu um dos principais teóricos intelectuais e personagens da história da América Latina o peruano Gustavo Gutierres aquele que foi capaz de sistematizar em texto um processo e um movimento de lutas populares que estavam em desenvolvimento na América Latina ao menos desde os anos 50 e que ficou conhecido como teologia da libertação em 1972 Gustavo gutieres publicou teologia de liberação perspectivas que é um livro que organiza de maneira Consciente e reflexiva uma série de elementos teóricos e conceituais que buscavam explicar e apresentar a posição tomada por fiéis cristãos latino-americanos e também por padres por pessoas que estavam institucionalizadas na igreja em lutas revolucionárias de guerrilha de defesa da terra por autonomia ou Independência Nacional por desenvolvimento e industrialização contra o centro capitalista Ou seja que estavam envolvidos aí num processo de Protestos e contestação de uma ordem vigente foi o movimento de massas que ganha a partir dos anos 70 portanto uma construção teórica que o legitima justifica explica e apresenta dando inclusive consistência para o tipo de projeto que se pretendia realizar esse vídeo portanto então é uma homenagem ao Gustavo Gutierres a contribuição que ele teve para o pensamento de libertação que não se restringiu só à teologia mas também para outros Campos do conhecimento como a pedagogia filosofia psicologia sociologia etc etc etc e que também é fruto aí do que eu pude desenvolver na minha pesquisa na tese de doutorado no programa de Economia política mundial trabalhando aí os desdobramentos no âmbito econômico desse tipo de reflexão Então se prepara aí que nós vamos ler a teologia de la liberation perspectivas do Gustavo Gutierres aqui nesse exato momento agora o capítulo se minha gente é o que eu considero mais importante aqui desse trabalho do Gustavo Gutierres por quê Porque aqui ele vai fazer algo que a teologia da libertação tinha colocado como uma necessidade fundamental para qualquer reflexão a respeito da religião e da religiosidade que é uma análise da realidade social isso é muito muito muito importante e algo que posteriormente hoje em especial os movimentos progressistas em diferentes âmbitos religiosos seja no católico onde surgiu a maioria dos participantes da teologia da libertação seja no evangélico onde hoje despontam certas lideranças do campo chamado Progressista não fazem mais não olham para a estrutura Econômica da realidade social que determina propriamente as condições nas quais nós poderíamos exercer os nossos cultos a nossa missão e as possibilidades da gente vivenciar todos os aspectos da vida social isso é tão importante tão fundamental e foi tão potente pra teologia da libertação que foi duramente combatido e infelizmente esquecido a ponto de termos um livro publicado por um autor chamado Jung mung que é a sua tese de doutorado inclusive que fala L teologia e economia um tema esquecido pela teologia da libertação porque chegou um momento que simplesmente parou de falar sobre economia parou de falar sobre a estrutura básica que fundamenta as possibilidades de vivência e realização da espiritualidade popular e isso Gustavo gutieres faz de maneira brilhante Então seja você religioso ou não você vai adorar o que a gente vai ler agora nesse momento se liga e vamos começar a pensar inclusive na nossa realidade hoje que precisamos aprender e compreender dela para poder atuar e desenvolver ver uma religiosidade combativa alternativa militante e transformadora bora lá minha gente o processo de libertação na América Latina Capítulo 6 vamos ver porque o já que estamos falando de teologia da libertação libertação de que e de que estamos falando isso na América Latina dependência e libertação são termos correlatos uma análise da situação da dependência leva a buscar a sacudirse dela ou a se livrar dela ou a afastar-se ou querer mexer com mas ao mesmo tempo a participação no processo de libertação permite adquirir uma vivência mais concreta dessa situação de dominação perceber sua densidade e leva a desejar conhecer melhor seus mecanismos permite também pôr em relevo ou destaque né apresentar com maior destaque cuidado as aspirações mais profundas que estão em jogo na luta por uma sociedade mais justa ah queremos uma sociedade alternativa excelente Então vamos analisar nossa realidade social mas não em abstrato vamos olhar como se dá as condições de produção e reprodução da vida das pessoas é isso que Gustavo Gutierres vai fazer a nova consciência da realidade latino-americana Cara isso aqui é um trabalho cuidadoso de um religioso de um padre a respeito de compreensão das ciências de sua época e de análise da a realidade social que estava sendo desenvolvido na América Latina naquele tempo inclusive porque boa parte dessas pessoas estavam próximas o Chile de Salvador agende Santiago se tornou um grande centro de produção de conhecimento e por lá passaram uma penca de gente tanto por convites né da de reformas universitárias que estavam rolando quanto como exilados dos processos de ditaduras que iam pipocando por aqui e ali é daí que chega Rui Mauro Marini Teotônio dos Santos Vânia bambirra lá na lá no Chile para desenvolver por exemplo a teoria da dependência ou uma das Vertentes da teoria da dependência que é a teoria marxista da dependência mas também Enrique Cardoso Fernando Henrique Cardoso luzo feto e depois vai chegando mais uma penca de gente o Gustavo Gutierres também foi professor ali na na pontifícia Universidade Católica do Chile e também participou e vivenciou esses processos aprendeu muito na troca de ideia vamos lá depois de um longo período de verdadeira ignorância de sua própria realidade de atrás um breve momento de otimismo induzido e interessado está chegando agora na América Latina uma compreensão menos parcial e anedótica mais global e estrutural de sua situação a mudança mais importante no conhecimento da realidade latinoamericana está em não limitar-se a uma simples e descrição da realidade uma simples apresentação da realid com a acumulação de dados estatísticos e em não se iludir com a possibilidade de avançar tranquilamente e por etapas pré-estabelecidas para uma sociedade mais desenvolvida o que o gutieres está dizendo aqui é que a nova consciência a respeito da realidade latino-americana não se reduz a uma análise de dados estatística solta no ar simples né chapada e também não é você simplesmente falar vamos seguir os passos que foram desenvolvidos no centro do mercado mundial nos países industrializados n Europa e nos Estados Unidos e aplicar o mesmo modelo para cá que vai dar certinho vai dar jogo Falou cara não é isso nem nem nem uma coisa nem outra tem outra parada que a gente tá criando e desenvolvendo e tomando consciência a respeito da realidade latino-americana quem somos o que estamos fazendo aqui e que projeto do sociedade queremos o novo está em apresentar em prestar eh a atenção preferencial as causas Profundas da situação consideradas em uma perspectiva histórica Esse é o ponto de vista em que se começa a adotar na América Latina diante do desafio de uma situação cada vez mais difícil e contraditória E aí que que ele tá dizendo fala cara ó a gente vai hoje tem um tipo de pensamento econômico na América Latina que tá muito avançada e que tem uma compreensão a respeito da realidade de maneira muito profunda e que encontra ali as raízes de nossos problemas aí que a gente tem que atacar para começar a entender Qual é o nosso papel enquanto religioso nessa terra Então não é só falar em religião em abstrato mas compreender a realidade na qual essa religião tá atuando e pra gente desenvolver No caso dele Padre melhor maneira o nosso ministério e ó Qual que é o primeiro tópico para indicar a década do desenvolvimentismo ele vai entrar para uma discussão Econômica para falar depois sobre espiritualidade religiosidade ou Teologia Isso é muito muito importante então vamos lá deixa eu jeitar aqui a década de 50 é caracterizada na América Latina por um grande otimismo ou foi caracterizada né nas possibilidades de realizar um desenvolvimento econômico autossustentável para isso era necessário ou autônomo se a gente quiser né para isso era necessário que os países mais desenvolvidos da região que os países mais desenvolvidos da região começaram a fazer sair da Etapa do crescimento para fora exportação de produtos primários e importação de produtos manufaturados e que começasse eh e que para os pobos latino-americanos eh era exclusivamente dependentes do comércio exterior ou seja qual como é que era a como é que era entre muitas aspas a economia latino-americana exporta produto primário e importa produto eh manufaturado exporta trigo arroz café algodão sei lá mais que e importa produto industrializado importa produto pesado importa aquilo que não é capaz de produzir afinal não tem indústria Mas a partir dos anos 50 ali durante as grandes guerras e no pós-guerra a destruição a destruição Econômica do centro tá uma Bagaceira o pessoal Parou de ficar vigiando o que estava acontecendo na periferia do mundo abriu uma janela de oportunidade em que determinados setores das elites nacionais latinoamericanas buscaram uma industrialização especialmente países como Brasil Argentina México e tal mesmo no Chile e o pessoal então começou a produzir indústrias e entrou numa dinâmica que foi conhecida como desenvolvimentismo um projeto de você substituir aí as importações que você estava fazendo você começar a tentar criar uma indústria interna e o pessoal Se animou com isso viu a economia crescer viu melhoras de condição de trabalho viu umas paradas interessantes ao mesmo tempo aumentou em outro sentido ou criou em outro sentido novos tipos de exploração do trabalho e novas dinâmicas no campo em que as pessoas então tinham que mudar sua maneira de subsistência de organização das das obras e da do trabalho com pequenas propriedades e começar a atender as necessidades da indústria das cidades então pô mudou a dinâmica dos países e a gente tá no processo conhecido como modernização capitalista uma primeira etapa ali nos anos 50 de desenvolvimentismo contudo dado o período de guerra fria e também o malfadado processo dos Estados Unidos quer se Xerife do mundo e se voltar pra América Latina percebendo que estava Perdendo o Controle desse lance o processo do desenvolvimentismo passa a ser reorientado ou mesmo sabotado mas vamos lá cada cada momento seu tempo se iniciou então um desenvolvimento para dentro que mediante a substituição de importações a ampliação do mercado interno e a Franca entrada da industrialização levasse a uma sociedade independente essa era a ideia pessoal especialmente da CEPAL comissão eh para assuntos econômicos da América Latina que tava ligado ali para com a com a com a ono e tal essa galera queria fazer isso pô se a gente for substituindo importação a gente vai se industrializar e pô dhe vamos virar independente doce ilusão não se poderia negar escreve Fernando Henrique Cardoso e e en feto que a princípio da que no início da década de 50 estavam dados alguns dos pressupostos para esse novo passo da economia latino-americana pelo menos em países como Argentina México Chile Colômbia e Brasil essa atitude se baseava em uma conjuntura histórica favorável e foi formulado Teoricamente em estudos sérios econômicos né estudos econômicos ali que eram sérios que exatamente na nota de rodapé aqui tá a CEPAL indicação da CEPAL que é o prebis o próprio Celso Furtado uma galera muito bala que fez um trampo muito interessante que vale a pena quem que quem não conhece conhecer e quem gosta se aprofundar ainda mais e ver como isso se articula com a questão religiosa do ponto de vista político ela foi adotada por movimentos populistas aqui não tinha sentido tão negativo tá que em datas diferentes influência variável foram surgindo na América Latina as políticas desenvolvimentistas vigentes nesses anos eram propugnados por organismos internacionais nessa Ótica marcada por categoria estrutural funcionalistas eh eh funcionalista desenvolver-se significava dirigir-se para um modo um modelo que se abstra a partir das sociedades mais desenvolvidos do mundo atual era reproduzir o que era feito no centro então desenvolver e replicar os padrões que eram feitos no centro do mundo esse modelo era considerado como uma sociedade moderna ou uma sociedade industrial no caminho para para ela era necessário vencer os obstáculos sociais políticos culturais provenientes de estruturas arcaicas próprias dos países subdesenvolvidos enquanto sociedades tradicionais ou sociedades em transição Então se apostava muito nisso a gente precisa mudar Aqui as nossas estruturas culturais porque elas não são adequadas para o trabalho de industrialização do centro tem que mudar um monte de de dinâmica aqui se por um lado isso é adequado e verdadeiro porque não é a mesma coisa trabalhar no campo e trabalhar com um tipo de propriedade subsistência de trabalhar com projeto de indústria ização por outro isso incorri também em movimentos extremamente racistas extremamente racistas de marginalização de negação de sociedades tradicionais Ixe isso deu um que pró danado além de no Brasil ter dado um margem para um tipo de do que se chama convencionou com um péssimo termo de Darwinismo Social programas de branqueamento essa parada toda uma merda mas estava dentro do escopo os países subdesenvolvidos aparecem assim como países atrasados sitos em etap anteriores A dos povos desenvolvidos obrigados Por conseguinte a repetir mais ou menos a experiência histórica desses últimos em sua marcha para uma sociedade moderna imitar o centro se Europe na época sociedade caracterizada para quem se situa no coração do império por um al consumo de massa aí já contínuo entre subdesenvolvimento e desenvolvimento no interior das sociedades tradicionais surgiriam focos disfuncionais no sistema social O que levaria à criação de forças sociais Opostas à ordem existente inicialmente a acumulação das pressões conduziria a mudanças parciais e posteriormente a modificação da sociedade em seu conjunto é um tal do Choque você fazer um Choque Cultural um choque de mudança para que daí o seu país esteja apto para o movimento e esse choque era choque mesmo é o famoso 50 anos em C essa parada meio radical do negócio e isso acarreta uma série de problemas mas foi a aposta realizada dentro da Etapa desenvolvimentista desse modo os sistemas sociais eram concebidos em um estado de Equilíbrio instável e sua transformação resultaria dos efeitos acumulativos da tensão entre as forças contrapostas essa é uma citação também do Fernando Henrique Cardoso em desenvolvimento e dependência perspectiva em análise sociológica que é uma obra que ficou muito marcada como uma das principais expressões de uma das correntes da teoria da dependência não da teoria marxista da dependência senão essa aí do do do Fernando Henrique Cardoso e do en feto que era bastante marcada por uma interpretação weberiana e também desenvolvimentista da própria realidade social mas ou Progressista se lá que nome que a gente vai utilizado tudo isso proporcionava deixando de lado inevitáveis matizes e variações o modelo e uma ideologia de modernização para explicar o passo das sociedades latino-americanas do tradicionalismo para o modernismo do subdesenvolvimento para o desenvolvimento essa perspectiva deu lugar a tímidos e a longo prazo eh falaces ou falsos esforços tendentes a realizar uma maior eficácia global que não apenas não conseguiram eliminar senão que também contribuíram para consolidar o sistema econômico imperante ou seja na dinâmica de processo de tentar fazer um desenvolvimento com substituição de importações dentro da Etapa do desenvolvimentismo a criação Então desse Choque Cultural de modernização não apenas não realizou o que era prometido como piorou a situação e ainda criou novas condições para uma nova rodada de dominação do das relações do do mercado do centro do mercado mundial para as periferias do mercado mundial daqueles países que eram relativamente autônomos ou independentes e os dependentes e o que caracteriza um país dependente é aquele que não pode decidir sobre sua produção ele produz atendendo necessidades de outros território necessidades do centro ele não tem capacidade de dizer pô já que a gente é industrializado aqui a gente vai produzir tal parada investir em tal indústria Não cara você não vai você só vai produzir os insumos que vão ser consumidos e são necessários para as indústrias colocadas no centro na época era essa a dinâmica colocada E é isso que o Gustavo gutieres Está apresentando para falar de teologia para falar de religiosidade gente isso aqui é um elemento Fantástico você pô quero falar sobre a nossa fé sobre a nossa missão sobre o que a igreja deve fazer então vamos analisar a realidade em que a igreja tá para saber qual o papel dela quantas pessoas faziam isso hoje em dia Quantas vezes você vê a análise Econômica para falar sobre religião é minha gente as políticas desenvolvimentistas não deram os resultados esperados um de seus representantes né Reconhece transcorrida já mais da metade do decênio da década de 60 né do decênio de 60 a oportunidade a brecha entre um e outro mundo eh piorou distante de ir fechando Palotina ou se agravou né como se esperava enquanto as nações desenvolvidas eh tinham na década 60 70 acrescentado suas riquezas em um 50% né aumentou enricou mais o mundo em desenvolvimento que a barcas duas terças partes da população mundial seguia debatendo-se na miséria e na frustração deu errado o plano A gente tinha um plano e o plano tá errado quem escreveu isso Aí foi herreira viabilidade de uma comunidade latino-americana então pô deu ruim a gente tinha um plano e o plano foi frustrado nosso plano só chegava até o ponto esque de olhar o resto que que surge daí a ótica desenvolvimentista se mostrou ineficaz e insuficiente para interpretar evolução Econômica social e política do continente latino-americano em uma primeira aproximação fica pois a impressão de que o esquema interpretativo e as previsões que à luz de fatores puramente econômicos poderiam ser formuladas ao terminar os anos 40 não foram suficientes para explicar o curso posterior dos acontecimentos pô imagina Se a gente pudesse fazer esse tipo de discussão para colocar pastor defensor de coach Coach Crente e sei lá mais o que na parede dizer meus amigos esse projeto de sociedade de desenvolvimento individualista neoliberal que você desenvolvem é um fracasso e a teologia de vocês aí tá articulada com isso e ver a merda que deu precisamos ver a realidade de outra perspectiva a que vocês estão envolvidos e as quais vocês defendem dá errado tá lascando o nosso povo não é só falar o valor Olha que que na Bíblia tá escrito tal coisa pô a Bíblia tá em disputa em disputa dentro desse modo de produção e a ideologia desempenha o papel fundamental nessas relações por isso é necessário ciência ciência ciência entre ela uma das ciências fundamentais que é Ciência Econômica análise da realidade social Gustavo Gutierres tinha sacado isso isso levou nos anos 60 a uma mudança de atitude um diagnóstico pessimista no econômico social e político substitui o otimismo precedente hoje se percebe com clareza que o modelo desenvolvimentista adocia ou sofria de graves errores erros de perspectiva não tinha suficientemente em conta os fatores políticos e o mais grave se mantinha num nível abstrato e ahistórico sem história a sociedades subdesenvolvidas atrasadas e que just apun estaticamente as sociedades desenvolvidas modernas mas como diz Teotônio dos Santos entrando agora então a teoria marxista da dependência em jogo nas palavras ou no texto de Gustavo Gutierres Diz aí Teotônio nosso querido camarada como disse Tonio dos Santos não há nenhuma possibilidade Histórica de que se constituam sociedades que alcancem o mesmo estado de desenvolvimento daquelas que são desenvolvidas o tempo histórico não é unilinear não há possibilidade de que uma sociedade saia das etapas eh ou se desenvolva nas etapas anteriores das sociedades existentes não tem como ela se deslocar por aí não tem como ela passar não é repetir modelo não vai dar porque a história é diferente ela não é unilinear tem condições específicas território posição geográfica posição Econômica tem tudo particular cara tem que ver quais são as condições reais paraos possibilidades reais de desenvolvimento todas as sociedades se movem paralelas e para uma nova sociedade a gente tá criando um bagulho aí completamente distinto a ótica desenvolvimentista e modernizante impedia pois de ver a complexidade do problema como os inevitáveis aspectos conflitivos do processo tomado em seu conjunto E aí vem a chave que faz com que a teologia da libertação Se ponha no mundo de maneira crítica A Teoria da dependência e isso por minha gente se liga que interessante no final do século XIX a Igreja Católica passou por uma série de reformas universitárias e também de sua missão no mundo especialmente a partir de Leão 23 para poder se posicionar dentro dessa dinâmica industrial e moderna por quê Porque ela percebeu que tava sem função nesse mundo a igreja percebeu que olha a indústria se desenvolve e controla cada vez mais a natureza utiliza as pessoas como peças de montagem dentro da sua estrutura Econômica as ciências biológicas as Ciências Sociais todas as ciências estão se desenvolvendo e estão dando maior autonomia para as pessoas maior autonomia para determinados projetos que controlam essa realidade qual vai ser o nosso papel e aí o papel começa a se deslocar do do centro que era um centro político de poder efetivo de decisão sobre o mundo como foi desenvolvido no período anterior a modernidade e agora numa sociedade industrial qual que é o nosso papel Vamos cuidar de quem sofre com os efeitos negativos dessa sociedade vamos entrar na Marcha do Progresso e o nosso trabalho daí é cuidar dos Pobres começa a surgir a partir do século XIX começo do século XX a tal da igreja dos Pobres a gente então vai criar orfanato vai criar Santa Casa vai criar espaço de cuidado da Assistência Social incentivar a caridade Enquanto essa galera não tá incluída dentro dessa dinâmica social nova E aí nesse processo a formação dos Padres também é modernizada entra o estudo das ciências biológicas das ciências físicas das ciências exatas das Ciências Sociais modernas isso forma a galera e a Galera agora tem liberdade para utilizar isso a seu favor e no seu ministério essa galera formada no planejamento da igreja chega na América Latina para tentar antecipar porque na cabeça desse pessoal é de progresso mesmo é de desenvolvimento a gente vai acompanhar isso daí então vamos antecipar e já manda o pessoal para preparar nos países ainda não industrializados essa igreja adequada pros pobres só que quando os cara chega aqui descobre que a pobreza não tá diminuindo e o pessoal não tá sendo incluído no progresso tá piorando tá cada vez mais complicado aí tem projeto de desenvolvimento e a vida do pessoal piora a vida do povo trabalhador tá cada vez mais difícil por que que isso tá acontecendo e Eles não conseguem entender não consegue entender não consegue entender Até que chega a teoria da dependência e nos debates sobre a teoria da dependência a partir de 1965 vai ficando Claro na cabeça dos teólogos vai ficando Claro na cabeça desses militantes religiosos qual é a causa o centro se desenvolve e se industrializa sob o capitalismo às custas da superexploração do trabalho na periferia nos países dependentes logo para exercer a nossa função de cuidado com os pobres a gente tem que ir contra o desenvolvimento E modernização Industrial capitalista do centro adivinha qual é o outro projeto alternativo socialismo Pois é voltemos pro texto a teoria da dependência faz alguns anos que se abre o passo na América Latina do ponto de vista diferente percebe-se cada vez melhor que a situação de subdesenvolvimento é o resultado de um processo e que portanto deve ser estudada em uma perspectiva histórica quer dizer em relação ao desenvolvimento e expansão dos grandes países capitalistas o subdesenvolvimento dos povos pobres como fato social Global aparece então em sua verdadeira face como subproduto histórico do desenvolvimento de outros países aqui tá a explicação da pobreza na América Latina que é assumida pela teologia da libertação para sua reflexão sobre a realidade vamos fazer o trabalho de caridade Vamos mas o trabalho de caridade não vai resolver sabe por quê Porque a causa não é falta de distribuição a causa é o desenvolvimento industrial do centro e isso exige com que essa galera tome posição isso exige com que essa galera milite e essa galera então compreende porque que tem que tá engajada numa luta porque percebe que dentro de um tipo de realidade social é impossível que simplesmente distribuindo e ter um bom coração você transforme essa realidade não é uma questão de intenções é uma questão de organização da realidade social e a partir daí vai se perceber conceitos como pecado estrutural que é o quê é você falar sobre o matar o Irmão o eliminar o próximo oou fazer com que o outro sofra ou promover injustiça promover fome promover um monte de coisa que não tem a ver com o indivíduo que faz mas como estrutura social que reproduz isso e que invisibiliza a sua ação a sua participação nesse mundo invisibiliza que cada vez que você defende a manutenção da ordem capitalista você está defendendo com que o seu irmão passe fome com que o seu irmão esteja lascado E aí é um pecado estrutural e estrutural por quê Porque é próprio da dinâmica do modo de produção e reprodução da vida capitalista que faz com que você não veja os efeitos das suas ações e da ação coletiva na manutenção dessa ordem faz com que você lave suas mãos como pcio Pilatos fez e entregue Cristo pra cruz é aí que tá entrega o seu irmãozinho pra morte e você não se responsabiliza você não percebe o conjunto social do qual você faz parte o qual você reproduz mesmo que não querendo porque é uma Peça dentro desse processo e que destrói que peca que violenta mas para chegar nisso teve que fazer essa análise da realidade social cara isso é massa demais Gustavo gutieres foi genial quando conseguiu fazer essa articulação quando sintetizou e sistematizou esse pensamento a teologia da libertação se torna um bagulho muito muito muito muito muito potente E aí eu só vou ler esse trechinho aqui e a gente encerra esse vídeo para sacar o seguinte de fato a dinâmica da economia capitalista leva o estabelecimento de um centro e de uma periferia e gera simultaneamente Progresso e riqueza crescente para os menos para os menos e desequilíbrio sociais tensões políticas e pobreza para os mais ou riqueza crescente para uma minoria e desequilíbrio social tensão e política e pobreza para a maioria Nesse contexto nasceu e se desenvolveu América Latina as sociedades latino-americanas ingressaram na história do desenvolvimento do sistema universal de interdependência como sociedades dependentes à raiz da colonização ibérica sua história pode ser traçada em grande parte como a história das sucessivas modificações da situação de dependência ao longo da qual as diversas sociedades da região T vindo ao alcançado diversas posições sem conseguir sair até o momento desse Marco Geral de subdesenvolvimento e de dependência e esta citação brilhante é de anib B kirano outro autor fundamental aí pro pensamento dependentista mas também o que o pessoal depois chamar decolonial de crítico a partir da América Latina e tudo mais mas muito diferente do que se tem feito hoje que é um cara que também vale muito a pena a gente conhecer pensamento crítico socialista peruano que a gente tem concebe Carlos mariat Aníbal kirano e também Gustavo Gutierres espero que vocês tenham curtido minha gente esse tipo de leitura e de cuidado e visto como é importante a gente recuperar não só o conteúdo mas como esses caras chegaram no pensamento que eles estão desenvolvendo isso é massa demais não esqueça de curtir esse vídeo comentar para engajar ajudar a divulgar E se rolar mudar um pix para fortalecer o nosso trampo a nossa correria porque não é fácil tentar ser educador Popular militar produzir conteúdo fazer tudo ao mesmo tempo e ver que a gente fica dando murro em ponta de faca Mas seguiremos seguiremos e você aí do outro lado também trazendo a Boa Nova todo dia útil até a Vitória final tamos junto Minha gente é nós