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A fé vem pelo ouvir

CRITICAMOS A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PORQUÊ? ISSO É BOM?

CRITICAMOS A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PORQUÊ? ISSO É BOM?

CRITICAMOS A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PORQUÊ? ISSO É BOM?

Para baixar o PDF do livro "Fetichização do poder como fundamento da corrupção", clique aqui: https://www.editorafi.org/293bruno

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Fala minha gente, tudo bem? Espero
desejo que sim, do fundo do meu coração.
Seja muito bem-vindo, muito bem-vindo e
muito bem-vinde ao nosso canalzinho. Meu
nome é Bruno Requidal, sou doutor em
economia política mundial, mestre em
filosofia, graduado em filosofia,
formado em teologia, pai educador
popular, profissional da educação,
companheiro de uma mulher maravilhosa,
além de editor da revista Zelota e
produtor de conteúdo aqui nas horas
vagas. E hoje nós vamos trazer aqui uma
crítica à teologia da libertação e
alguns desdobramentos dessa crítica.
algumas reflexões que eu considero
bastante importantes para o nosso tempo,
para o nosso dia, o momento que nós
estamos vivendo hoje. Mas antes de
contar para vocês qual é a crítica, qual
é esse conteúdo propriamente, eu
gostaria de convidar vocês a curtir esse
vídeo, comentar para já espalhar a
palavra por aí, dar uma olhadinha na
descrição do vídeo, porque lá tem a
chave do Pix vai que tá sobrando uma
merreca por aí, você pode ajudar o meu
trabalho. Além disso, considere ser
membro, membra, membre, membresia aqui
do nosso canal, porque nós temos
conteúdos exclusivos para você
semanalmente, além dos cursos que eu
tenho ofertado e disponibilizado para
quem é membro, membro, a membre,
membresia aqui do nosso canalzinho, que
grupo pequeno, mas fiel e resistente.
Inclusive, aproveitando por casualidade
o tema desse papo aqui, o próximo curso
que vai sair o de teologia da
libertação. Então, fica a dica aí. Eu já
disponibilizei para quem é membro,
membro, a membro, um curso que eu dei em
2022 sobre teologia da libertação, mas
agora vai ter o 2.0, o 2025, com uma
outra abordagem que eu acho que vai
ficar bem mais bacana. Então fica o
convite aí para você poder se inscrever
no canal, para você poder ser membro,
membro membro, membreia do canal, curtir
esse vídeo, comentar para já espalhar a
palavra por aí. Já falei isso umas sete
vezes, umas 300 vezes, mas é porque
vocês não têm feito isso. Feio, muito
feio. Mas bora para o que interessa, que
gostaria de chamar atenção para vocês.
Eu sou uma pessoa que sou filho da
teologia da libertação. Me considero
alguém que participa e tem tentado
contribuir para os debates, promoção,
enriquecimento, desenvolvimento e
continuidade desta tradição libertadora
da América Latina. Então eu tento me
posicionar aí alguém que está
trabalhando com teólogos, teólogas da
libertação, que quer ser alguém que siga
esse legado, né? Não tô inventando roda
nem coisa nenhuma do tipo. Quero dar
continuidade para essa tradição, para
esse movimento. Inclusive, no último
vídeo que a gente falou sobre teologia
da libertação, né, eu coloquei aqui o
que foi a teologia da libertação. E aí
foi engraçado porque alguém colocou no
no nos comentários uma pergunta muito
pertinente, que é o que foi? Significa
que ela não é mais? Ou seja, o debate
que eu tenho tido há um tempo com o
nosso camarada André Castro,
excelentíssimo André Castro, que
recentemente publicou um livro A luta
que é nos deuses. Eu que eu recomendo
que você leia além do outro livro dele
que também é muito bom que é a Teologia
Protestante da Libertação, que é muito
bom, muito bom, muito bom também. Então,
dois livros aí de um cara que tá tem
produzido bastante conteúdo, um jovem
gênio da realidade brasileira, daqueles
raros que a gente encontra por aí. E ele
e a gente tem um debate, né, que eu digo
que a teologia da libertação não morreu,
ele diz que a teologia da libertação já
morreu e aí a gente fala que morreu, mas
passa bem. Então, a gente tá nesse
momento aí de tentar entender o que tá
acontecendo e eu sou da linha do que não
e a gente tá construindo. A teologia da
libertação acabou de nascer
historicamente. Ela nos anos 60, final
dos anos 60, ela surge efetivamente com
como nome, como reflexão no começo dos
anos 70 e aí cria uma tradição que nós
estamos vivenciando seus desdobramentos
hoje. Então assim, nem começou a crescer
a criança
ainda. Tem tempo e a gente vai vivenciar
muita coisa, muita água ainda vai rolar.
Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo
bem. Isso é para outro momento. Que eu
gostaria de dizer que tinha esse essa
TAM que eu fiz, né? E eu coloquei do que
foi a teologia da libertação. A pessoa
perguntou e ela então não é, né? Dei
meus pontos
aí. Contudo, porém, entretanto, qual o
problema? Eu ia colocar o que é a
teologia da libertação, mas e a
proporcionalidade da frase dentro do
layout que eu uso ali no na tamb ia
ficar esquisita para mim, porque eu
gosto de tentar deixar o mais igualzinho
a frase de cima e a frase de baixo. E aí
eu falei: "O que é ia ficar muito curto
e o té da libertação ia ficar". Aí eu
falei, vou colocar o que foi, porque eu
aumento a frase e deixo mais parecido do
tamanho que tá embaixo. Então foi uma
escolha nem um pouco conceitual,
categórica ou reflexiva. Foi meramente
estética e nem ficou tão bom assim.
Então bom, são problemas da vida. Só do
jeito a gente falou nesse último vídeo,
não é o que foi a teologia da
libertação, mas eu acho que é o que é,
né, e o que ela tem sido. E o mais é
grande pergunta e a que mais importa é o
que faremos dela, o que seremos enquanto
teólogos e teólogas teólogos da
libertação, né? Que que faremos de nós
mesmos? Essa é sempre a grande questão e
a questão que nos empurra para que nós
não sejamos reféns do passado, né? que
nós saibamos respeitar a tradição, que
nós saibamos quem nos trouxe, como nos
trouxe até aqui, mas o que nós estamos
decidindo hoje é para que haja condições
de produção e reprodução da vida para o
futuro, para próximas gerações.
Portanto, a pergunta é sempre: que
faremos de nós mesmos hoje? Dito isso,
dentro da tradição da teologia da
libertação, da qual então eu tô tentando
indicar aqui que eu faço parte, tem algo
que aconteceu que foi muito importante,
é muito importante, ensina muito, que é
uma reflexão utilizando da tradição
semita bíblica, em que se separa o que é
o papel do profeta do que é o papel do
sacerdote ou mesmo do rei. Então, seriam
esses três âmbitos, né?
E o profeta, ele é meio outsider do
negócio. Ele é o cara marginalizado, ele
é o cara de fora, o cara que não faz
parte da estrutura de execução do poder.
Ele não é a liderança, ele não é o cara
que tá ali, não é a mina que tá ali
executando o poder. Profeta é a
personagem à parte, é uma personagem que
não que que aparece para contestar a
ordem, que aparece para contestar as
estruturas vigentes e existentes. E é
curioso, por exemplo, que a gente tem um
videozinho aqui no canal com Milton
Schantz, professorzaço que eu tive,
maravilhoso, carahante, e que ele fala
sobre esse papel do profeta, do
profetismo, de como ele tem um um volume
de conteúdo muito grande nos próprios
textos bíblicos, tanto no primeiro
testamento quanto no segundo. Mas o
Chuantes trabalhava muito o primeiro
testamento e ele mostra, cara, os
profetas é o grande volume, né? O que
você tem de mais denso ali são discursos
proféticos, que são desses caras que
estão de fora, são dessas pessoas para
além que não executam poder, que estão
nas estruturas externas e que criticam a
ordem, que criticam a estrutura aposta,
que no geral fazem o papel, como a
teologia da libertação destaca, de
denúncia do mal e anúncio do bem, de
denúncia da desgraça e anúncio da
esperança, de denúncia da opressão e
anúncio da libertação. Então, são
pessoas que estão fora dessa estrutura e
que a criticam, né, que criticam quem tá
executando o poder. Esse é o papel do
profeta, do
profetismo. Se a gente fosse pensar no
em termos sociológicos, por exemplo, no
pensamento verberiano, eh, quando vai se
falar sobre o poder carismático, né, uma
dominação legítima carismática, um dos
papéis ali desse do carisma é o profeta.
Por quê? porque ele angaria massas, ele
é alguém que não está executando o poder
necessariamente, mas pelo carisma, por
sua habilidade ali instantânea e
imediata de relações e de afinidades e
de postura que ele tem com as pessoas e
que a galera se aglutina em torno dele,
ele angaria poder, ele tem poder
suficiente para colocar em questão uma
ordem e para que pessoas se submetam ou
estejam sob essa relação de dominação
legítima. dominação não é um termo e
pejorativo aqui nesse nessa análise
sociológica, né? Não é uma questão de
domínio no sentido negativo, senão no
domínio como um conceito, uma categoria,
um modo de interpretar um tipo de
relação específica na qual uma liderança
existe, executa poder e liderados
aceitam e dão legitimidade para essa
liderança. Então é disso que se
fala, meio que pactuado, vamos dizer
assim. Eh, e aí tem esse papel do
carisma, do profeta, desse sujeito
externo que simboliza muito alguém que
não tem uma estrutura, que não tem uma
burocracia, que não tem uma tradição em
torno, que não tem nenhum valor nesse
sentido, mas que consegue mobilizar a
galera ou tá junto com a galera ou
liderar um grupo exatamente por outro
tipo de experiência que contesta a ordem
vigente, né? Porque eu posso ter um
carisma eh, uma dominação carismática
que de alguma maneira não executa poder,
mas se alinha ao poder existente, né?
Então, alguém quer uma liderança fora,
mas que reforça estruturas existentes. E
eu posso ter uma pessoa que é uma
liderança carismática, que contesta
estrutura, que é uma liderança que
angaria poder, que tem essa parada toda
fora e que entra para romper como
irrupção de uma ordem existente. Tem
muitas coisas que a gente poderia
discutir aí e que entram no jogo da das
análises das
relações. Mas o que importa que no
pensamento da teologia da libertação
tinha muito claro esses dois papéis do
profeta e do sacerdote. ou do profeta e
do rei, né? a execução do poder
religioso, a execução do poder político.
E esse camarada, essa pessoa, esse
humano que está fora da ordem, que
denuncia o mal existente, anuncia o bem,
denuncia o problema que vai rolar,
porque os caras estão fazendo cagada e
anuncia que, ó, esse caminho aqui é
melhor. Esse profeta, ele não tá então
dentro da estrutura propriamente dito. E
e esse ideal, né, do profeta como alguém
que é tá meio outsider, pode até
funcionar como conselheiro de algum
momento, mas não é alguém que tá ali
executando o poder propriamente
dito. ele participe permeia
a o conteúdo da teologia da libertação,
exatamente porque o povo, as lideranças
populares, as lideranças políticas dos
anos 50, 60, 70 são pessoas que estão
sendo perseguidas pelo poder vigente,
pelas estruturas de execução de poder
existente, pelas estruturas de dominação
ou de opressão
existentes e que lideram outros grupos
contra essas estruturas.
portanto, e que desempenham essa função
análoga, metaforicamente falando do
profeta, né? Eu consigo estabelecer essa
essa analogia, o profeta e a pessoa que
tá ali anunciando,
criticando, discursando pelas massas,
com as massas contra uma ordem vigente,
né? Denunciando mal e anunciando bem,
denunciando os problemas do mundo,
denunciando algo que gostaria de fazer,
outro mundo possível, por exemplo, como
se foi acostumado a falar ali nos anos
80 e 90. Então isso é muito importante
da gente pensar, que o papel do profeta
se encaixava com papel desses que iam
contra
ordem e tá tudo certo até o momento.
Qual o problema? Problema é que se a
gente olhar quem são as pessoas que se
tornam proeminentes da teologia da
libertação, que são as pessoas que
encabeçam a teologia da libertação, que
são as grandes
lideranças como representantes desse
movimento teórico?
São pessoas que, ao mesmo tempo, em sua
maioria, ocupavam cargos eclesiásticos
ou cargos de poder dentro da instituição
com a com a contra a qual e com a qual
estão também estavam denunciando, também
estavam contra, né? estavam enfrentando,
mas ocupavam esse cargo. Tinham uma voz
profética, desempenhavam um papel de
denúncia e de anúncio, desempenhavam
essa função do profeta propriamente
dito, mas muitas vezes ocupavam um
cargo, um cargo eclesiástico, um cargo
posto.
É claro que dentro do âmbito católico,
especialmente quando um padre, quando um
frei, quando a galera que tá ali em
algum cargo de execução, de poder de
representação dessa instituição, entra
contra ela, vai ter repressão, vai ter
pressão e essa pessoa, ainda que ocupe o
cargo eclesiástico, está desempenhando o
papel profético, tá tranquilo? Mas ele
tem esse papel profético exatamente
porque tá conectado com a mobilização
popular que tá fora das estruturas de
poder, tanto política quanto religiosa.
E essa galera dessas movimentos
populares, os movimentos de mobilização
de massa que dão legitimidade também
para essa voz profética. É, é uma
articulação em que da voz é profeta
porque tá conectado com essa galera que
essa galera sim concentra esse poder
profético, as lideranças populares, a
mobilização que tá ali, as lideranças
eclesiásticas assumem essa voz
profética, tomam o papel profético de
denúncia do mal, denúncia de estruturas,
denúncia da opressão, anúncio do bem,
anúncio de libertação e tudo mais. E são
perseguidos pela estrutura vigente, pelo
poder existentes. Muitos deles
perseguidos política e
religiosamente. Muitos perdem a vida. no
processo,
inclusive, e tá tudo bem, tá faz parte
do processo aí de desempenhar um papel
profético sendo um eclesiástico, sendo
alguém que tá dentro da estrutura
sacerdotal. E há então conflitos e
contradições. Não estou aqui criticando
estas pessoas, senão o que vem depois. E
aí vem o meu ponto. Aí vem o ponto da
crítica.
Ao
focar no papel do
profeta e o papel fundamental da
denúncia das estruturas e do poder
existente, não se
percebeu o
papel
importante e
necessário de quem executa poder, seja o
rei, seja o
sacerdote. a glorificação do papel
profético, que é fundamental, e aqui eu
vou no final inclusive fazer uma defesa
de óbvio que a gente tem que fazer
isso. Acaba por deixar escapar que a
realização do próprio movimento da
teologia da libertação dependeu de
estruturas de execução de poder, de
pessoas que também estavam em cargo de
sacerdócio e que para a realização de
projetos que são fruto do movimento
popular.
E aí pensa em todo quanto é movimento
social que conseguiu ganhos para reais
para a população a partir dos anos 90 e
2000. Precisou também de lideranças que
fizessem execução de poder no ponto na
estrutura estatal e na estrutura
eclesiástica. O papel do sacerdote e do
rei não é necessariamente mau ou ruim. O
papel político e o papel religioso
estrutural não é necessariamente mau.
Ele pode ser. E quando ele se converte
em algo mal, corrupto, tem que ser
criticado. E aí surge o papel do
profeta. O profeta que critique e
denuncie essa ordem, mas não para findar
e negar a ordem, senão para
reestruturá-la em uma nova ordem. Exigir
que haja mudança, arrependimento, mas
que não se destrua qualquer
possibilidade de execução de
poder. Isso é algo que
passou muito forte, não
intencionalmente, não planejadamente, e
que chega no momento em que hoje, a
partir dos anos 2000, 2000 e tanto e que
a gente vai vivendo, a partir dos anos
90, na verdade, lideranças
religiosas não percebem o papel que
desempenham. E qual a importância do seu
papel?
Os padres e as lideranças religiosas,
sacerdotais, eclesiásticas, que assumiam
a função profética e de voz profética,
faziam pelo povo, com o povo, para o
povo. E aí o papel era de costa larga
contra as estruturas institucionais que
vinham para cima.
Só que a legitimidade que esse pessoal
tinha vinha da mobilização popular, que
também pressionava esses padres e essas
lideranças a tomarem suas posições. Eu
gosto de chamar atenção disso porque não
é porque o cara era um iluminado, a mina
era uma
iluminada, que eram pessoas santas de
bom, pode até ser, tá? Eu não tô negando
isso, mas é que de um ponto de vista de
análise, eu não posso considerar as boas
intenções do coração das pessoas
envolvidas. Eu tenho que considerar as
estruturas, as relações sociais, como
elas estão se dando e quais são os
fenômenos que deflagram as condições de
possibilidade para que alguém tenha um
bom coração, execute uma boa função.
Então, vamos dizer assim, e essas
condições é porque tinha pressão
popular, o o os caras do movimento
estudantil, o cara do movimento sem
terra, o cara do movimento camponês, o
cara do movimento operário e ela lá na
porta do
padre, ô irmão, você tá com a gente ou
você tá contra nós? E o cara tinha que
tomar uma posição. O rico ricaço, a
elite, tanto da igreja quanto da
sociedade civil, ia lá e também batia na
porta do padre. E o senhor tá com a
gente ou está contando nós? E o cara
tinha que tomar uma
decisão. E nessas nessas pressões,
nessas tensões, iam tomando decisões,
iam fazendo suas apostas, suas suas suas
realizações históricas, como nós podemos
hoje desfrutar delas enquanto tal ou
enquanto tais.
se se tornaram profetas, se tornaram voz
profética, mas dentro da estrutura
católica, especialmente desempenhando
esse papel de costa larga, de segurar a
instituição e de fazer o enfrentamento
dentro do âmbito
institucional.
Hoje, muitas vezes, por causa dessa
pensão existente no passado, não se
percebe qual é a condição histórica na
qual nós estamos e pelo que devemos ou
precisamos ou precisaríamos lutar e como
organizar as coisas.
Nega-se essa estrutura institucional e
se declara a voz profética, sem observar
onde ela apareceria, como ela deveria
aparecer ou de como estão organizadas as
estruturas de poder
existentes. No ambiente evangélico, por
exemplo, quem bebeu da teologia da
libertação ou bebe da teologia da
libertação e aprendeu essa relação do
profeta e do rei, do profeta e do
sacerdote, da crítica
profética, sendo pastor, sendo pastora,
sendo liderança, não percebe qual o
papel que deveria desempenhar enquanto
sacerdote, enquanto liderança. e
apresenta-se exclusivamente enquanto
profeta, enquanto voz
profética, que denuncia, que anuncia pi,
pó
pó. Qual o
problema? O problema é que tá
enfrentando qual ordem sacerdotal?
dentro de igrejas mais burocratizadas,
com denominações mais bem estruturadas,
por exemplo, faz até sentido, algum
sentido, um sacerdote que enfrenta essa
estrutura enquanto
sacerdote com voz profética, denunciando
sua corrupção. E aí é perseguido por
essa instituição.
Boa parte das lideranças das igrejas
evangélicas que são mais à esquerda
progressistas e que bebem ou tem contato
com a teologia da libertação, são de
igrejas relativamente
independentes e de denominações que
estão cada vez mais
independentes. Então, a voz profética é
contra qual
estrutura? E a execução e função de
poder sacerdotal de criar uma
instituição e uma comunidade saudável.
E quem é o profeta ou a profetiza que
vai enfrentar essa estrutura dessas
igrejas independentes, relativamente
progressistas ou que bebem da teologia
da libertação e que querem se apresentar
como
proféticas? Vocês conseguem perceber
qual é essa dinâmica que eu tô querendo
demonstrar?
Há uma divisão de organização da
mobilização popular que ela é
necessária. A gente tem que ter o
profeta, a pessoa que vem de fora de que
critica a corrupção de uma instituição
vigente. A gente tem que ter alguém que
tá na execução do poder, que transforme
ou revolucione essas instituições, mas
desempenhe o papel de execução de poder.
que a gente entenda quais são as
dinâmicas e os momentos e as posições
que nós ocupamos e devamos ocupar para
que a gente possa realizar um projeto
mais
coordenado. Os embates muitas vezes que
nós temos hoje de discussões teológicas
e de gargantada dos progressistas contra
conservadores e não sei o que lá, não
considera as relações de poder
existentes, seja dentro de suas
comunidades, seja no tipo de ambiente
que tá envolvido. Então não consegue
perceber inclusive de onde vem a
profecia, quem é o profeta ou a
profetiza que se levanta de fora das
estruturas ou instituições de execução
de poder e como elas estão organizadas
hoje. Cara, isso é muito importante da
gente
refletir. o Henrique Dusel, um filósofo
que me influencia muito, muito, muito,
muito, muito, e a gente poôde trocar
ideia junto. Já, já tivemos debates, eu
e ele, e uma das aquelas coisas que eu
pude viver, que não entra no currículo,
mas que me marca muito e que me emociona
de lembrar, da gente poder conversar, da
gente poder debater, da gente ter certos
certos certos eh enfrentamentos
amistosos e construções também de
conteúdo. Aprendi muito com Dúciel e ele
dizia que o meu trabalho era bom e o meu
trabalho em torno do da produção dele,
né, pô, isso me emociona para caramba.
Aquele orgulho que você carrega no
coraçãozinho.
Eh, quem inclusive quem é membro aqui do
canal viu um videozinho já aqui que a
gente falou a respeito do do
Dúciel. O Dúciel, ele trabalhou muito a
crítica da da da profecia contra a
estrutura. Inclusive nesse livrinho
aqui, ó, Antologia Antiidolatria, que
você pode adquirir adquirir no site da
revista Zelota e que lá você vai pr vai
encontrar lá editora Pageu, que é
editora que a gente organizou de maneira
militante, completamente aleatória,
maluca, de amigos que não batem bem na
cabeça, que não tem dinheiro e que,
portanto, fazem maluquícies por livre de
espontânea vontade para tentar mobilizar
e contribuir com conteúdos bacanas.
Nesse nessa coletânia aqui, antologia
anti-idolatria, a gente retoma alguns
dos autores desse pensamento crítico
latino-americano e que trabalha a
questão da profecia e tudo mais. E o
Dúel tem um textinho que a gente
traduziu inédito dele que se chama eh o
ateísmo dos profetas de Israel e de
Marx, que exatamente ele usa essa
estrutura. Então ele trabalhou por muito
tempo essa questão da posição da
profecia. Aliás, eu recomendo muito que
vocês deem uma olhadinha aqui, tá? Nesse
livro aqui tem um texto do Lovi, que é a
idolatria do mercado e a crítica do
fetismo capitalista de Marx a teologia
da libertação, que faz um panorama da
teologia da libertação. E essa crítica à
idolatria do mercado também conecta com
a questão dos dos profetas e tal. Mas
esse texto do Lovi é bem bem bacana,
inclusive. Eh, e aí eu recomendo muito
esse exemplo. Tem um texto do Hugo Asma
maravilhoso e o último do Franzin
Kelamert. É brilhante, difícil de ler,
mas brilhante. Para mim é um texto que
abriu os meus olhos de maneira incrível.
Mas beleza, nesse livrinho aqui, que é
um exemplo desse desse desse uso que o
Dúcio fazia dos profetas, ele conecta
essa crítica e trabalha ela arduamente.
Contudo, porém, entretanto, todavia, a
partir dos anos 90, Dúciel para
sabiamente de reforçar o papel do
profetismo
exclusivamente e começa a pensar os
critérios para a construção de uma
política
libertadora e que precisará, portanto,
de uma boa instituição. E ele pensa
muito da questão do Estado, da
construção política de uma comunidade
nova que se organiza de maneira a
produzir e promover o as condições
necessárias para a
realização histórica real de melhoras e
de transformação para as condições da
vida das pessoas, da comunidade viva. E
aí ele começa a destacar não o papel só
do profeta, ele começa daí sabiamente a
falar: "Gente, não adianta só ficar na
denúncia e na crítica aí sem anunciar o
no e anúncio de um novo, mas um novo que
não tem condições de ser realizado. A
gente tem que pôr a mão na massa e
construir as condições necessárias, as
estruturas necessárias, as mediações
necessárias para a execução do poder,
para que os projetos sejam factíveis,
viáveis e possíveis.
E aí, meu amigo, é a gente discutir uma
política libertadora que não tem medo de
assumir papéis e de distribuir papéis em
seu movimento de maneira cada vez mais
consciente de quem executa poder, de
quem critica a execução do poder, de
como se constrói legitimidade, de como a
gente trabalha o papel do rei e do
sacerdote de maneira
positiva e não só a observação negativa.
Exatamente. Porque outro mundo só será
possível. E do meu ponto de vista hoje,
a gente tem que falar de um mundo
necessário. Só é viável, só é possível,
só dá pra gente fazer se e somente
ser
nós passarmos a planejar e viabilizar
condições para que esse mundo seja
possível. Não pode ser só anúncio, não
pode ser só denúncia, tem que ser
construção, construção de instituições,
construção efetiva do papel desse rei,
desse sacerdote, dessa sacerdotisa,
desta rainha, dessa pessoa que estará
ocupando poder político e poder eh
religioso para
viabilizar condições para que a
comunidade exerça sua vida, respire,
sonhe, tenha futuro, viva um reino outro
que não este. existente. E aí eu vou
fazer uma outra
recomendação. Ei, cadê essa
desgraça?
Ué, sumiu. Esse aqui, ó, é o livrinho do
meu mestrado, tá? Eu vou deixar o PDF
para você baixar gratuitamente pelo site
da editora FI aqui na descrição do
vídeo. Você pode baixar gratuitamente,
tá? Se você quiser a versão física e
quiser comprar, eu não ganho nada com
isso, obviamente. Mas a editora FI, sim,
editora FI faz um trabalho excelente,
divulgação científica. Então eu sempre
recomendo que editoras independentes que
ainda trabalham com a divulgação
científica disponibilizando o conteúdo
dos livros para pô é um projeto
maravilhoso e a gente tem que fazer
isso. Esse aqui, ó, do é o meu trabalho
de mestrado, fetização do poder como
fundamento da corrupção, que eu trabalho
exatamente o desdobramento desse
pensamento, dessa reflexão do Dussel no
âmbito da política em que a gente
critica as estruturas eh propriamente
ditas de execução do poder que se
fetixizam, que se corrompem, mas ao
mesmo tempo ao mesmo tempo com quais são
os critérios de como realizar uma
instituição que seja positiva. Ou seja,
que apesar de necessariamente a gente
sempre tem instrumentos, as instituições
de execução de poder político que a
gente cria, que se corrompem, que entram
em limites, que passam a produzir
efeitos negativos, que a gente perde o
controle, que faz muito mal pra
comunidade, dá para construir algo
distinto. E esse algo distinto é um
poder que é legitimado à medida que a
instituição realizada não se realiza por
si mesma, mas volta para a comunidade.
Ou seja, é um instrumento para a
comunidade. Por isso que o rei na
tradição semita, analogamente, é um bom
rei quando ele atende o povo. O
sacerdote é um bom sacerdote quando ele
tá conectado com o povo, quando ele faz
o serviço dele. Na tradição ali do do
Segundo Testamento, do Novo Testamento,
né, Jesus fala: "Aquele que quiser ser
primeiro seja o último, o que quiser ser
Senhor seja servo." para criar um
critério e tendo um critério de
sabedoria que aquele que senta na
cadeirinha de execução de poder tem que
entender que ele tem que servir. Ele não
tá ali para executar o poder porque ele
é o o tal. Não, ele está desempenhando
um serviço, um serviço à comunidade. A
comunidade é soberana e a comunidade tem
que ter conhecimento de que ela é
soberana, ela legitima o poder. Então, a
gente tem que fazer esse duplo jogo. O
profeta é alguém do povo que denuncia o
poder existente para que esse poder
volte para o povo. O povo tem que ter
consciência de que o poder tem que estar
a serviço dele, que ele pode, portanto,
se levantar e transformar esse poder. E
quem está na execução de poder, que tem
o privilégio de ocupar esse cargo, tem
que ter consciência de que ele faz o seu
trabalho para atender a comunidade, para
atender a comunidade de vida. Então ele
tem que assumir o papel. Sacerdote é
sacerdote, rei é rei, estado, tad. Quem
tá executando poder, executa seu poder.
E aquele que está de fora, que vem da
comunidade, que denuncia, denuncia
enquanto profeta, tem que ser recebido
por esse rei como a voz daqueles que
estão percebendo que há problemas no
caminho da construção dessa instituição,
no caminho da construção de execução de
poder para outro mundo necessário, outro
mundo possível que a gente sabe se ele é
bom, se ele é ruim. à medida que ele
atende a comunidade viva e de vida que
cria essas instituições e dá
legitimidade para elas. Então é o tipo
de reflexão muito massa, muito massa. Eu
gosto muito desse tipo de papo, desse
tipo de conversa e eu espero que vocês
tenham curtido também, tá bom? A gente
vai seguir aqui trocando ideias e claro,
como sempre lembrando de trazer a boa
nova todo dia útil até a vitória final.
Valeu,

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